Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Europa – Cinco países vão economizar 58% nas contas de energia este ano graças à energia limpa

Consumidores em cinco países da UE economizarão até € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano, em comparação com aqueles que possuem a matriz energética mais poluente.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.


Os países da UE com a matriz energética mais limpa estarão protegidos do aumento vertiginoso do preço do petróleo e do gás, uma vez que a guerra contra o Irão continua a evidenciar o verdadeiro custo da dependência dos combustíveis fósseis.

Dois dias após os bombardeamentos atingirem o Médio Oriente, os preços do TTF holandês (referência para os preços do gás no grosso em toda a Europa) dispararam 68%, chegando a € 52,8 por megawatt-hora, o nível mais alto em dois anos.

No início desta semana (segunda-feira, 20 de abril), o TTF holandês estava a ser negociado a um preço bem mais baixo, de € 40,2 por MWh. A queda ocorre após sinais de significativa desaceleração em meio a um cessar-fogo de duas semanas, mas ainda é consideravelmente mais alta do que antes do início do conflito (€ 31,5 por MWh).

Grande parte da volatilidade se deve ao controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem de 38 km que transporta cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás. Em março, as exportações de gás natural liquefeito (GNL) para a UE caíram 11%.

Isso levou o comissário de energia da UE a recomendar que os países reabasteçam os seus estoques de forma constante durante o verão para "mitigar a pressão sobre os preços e evitar uma corrida no final do verão".

Isso também abriu caminho para um rápido interesse em energias renováveis ​​produzidas localmente, que são cada vez mais consideradas um investimento mais estável em vista das tensões geopolíticas.

“Não há aumentos acentuados nos preços da luz solar nem embargos à energia eólica”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no mês passado.

Será que a energia limpa pode proteger a UE do aumento dos preços do gás?

Um novo relatório do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA) constatou que, apesar da forte alta dos preços e dos crescentes temores sobre a diminuição da oferta, o bloco permanece "mais bem protegido" da sensibilidade aos preços do que em 2022 – após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

Isso deve-se principalmente ao crescimento explosivo das energias renováveis, que atingiram novos recordes em 2025 e poderão economizar para a UE a impressionante quantia de € 5,8 mil milhões em 2026, substituindo o gás natural, que é caro.

Especialistas apontam que esse valor seria significativamente maior se os preços do gás não fossem responsáveis ​​por definir o preço da energia em muitos países, devido ao mecanismo de precificação marginal da UE.

Em 2025, cada aumento de €1/MWh no preço do gás levou a um aumento de €0,37 por MWh nos preços da eletricidade – uma redução de oito por cento em relação a 2022.

“Isto está diretamente ligado à separação [do preço da eletricidade] do gás e aos investimentos em energia limpa, cuja participação na geração de eletricidade na UE cresceu 14% em 2025, em comparação com 2022”, explica o relatório.

Quais são os países da UE que estão mais protegidos do aumento dos preços do gás?

Todos os Estados-membros da UE têm observado uma redução na sua sensibilidade às flutuações dos preços do gás nos últimos anos, na sequência do aumento da energia limpa.

Mas são os consumidores de cinco países da UE em particular – Dinamarca, Finlândia, França, Suécia e Eslováquia – que beneficiam da maior participação de energia limpa na sua matriz elétrica. O relatório afirma que estas nações economizarão € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano. Isso representa uma redução de 58% nas contas em comparação com os países com a matriz energética mais poluente (Polónia, Itália, Grécia, Estónia e Países Baixos).

A estimativa baseia-se na premissa de que o consumo permanecerá o mesmo este ano em comparação com 2025, levando em consideração os preços mais altos e a sensibilidade do preço do gás.

De acordo com dados de 2025, a Suécia saiu vitoriosa como o país da UE com a menor sensibilidade às oscilações do preço do gás. Em média, para cada aumento de €1 no preço do gás, a Suécia regista um aumento de apenas €0,04/MWh nos preços da eletricidade no mercado grossista.

“Embora a Suécia seja um dos nove países com reservas de gás natural significativamente abaixo da média da UE, a sua baixa dependência dessa fonte de energia – com 99% de sua eletricidade proveniente de energia limpa – protege ainda mais o mercado de eletricidade de choques de preços”, afirma o relatório.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.

Ao mesmo tempo, a sensibilidade de ambos os países aos choques nos preços do gás diminuiu 53%. No ano passado, para cada aumento de €1 no preço do gás, a zona de produção conjunta de Espanha e Portugal registou um aumento de €0,089 por MWh, o terceiro mais baixo do bloco.

A França também testemunhou uma redução acentuada na sua sensibilidade aos preços do gás, principalmente devido ao crescimento da energia limpa, que fez com que a sua sensibilidade ao gás caísse pela metade entre 2022 e 2025.

Quais são os países que estão a pagar o preço pela sua dependência de combustíveis fósseis?

Apesar de ter registado um aumento de 31% na geração de energia limpa, os Países Baixos continuam mais sensíveis aos preços do gás do que em 2022.

Apesar da participação da energia solar e eólica na geração de eletricidade do país ser superior à média da UE, o gás continua sendo a principal fonte individual de eletricidade no país.

“A sua sensibilidade também está ligada à sua elevada integração no mercado europeu de gás – muitas vezes como tomadores de preços – e, portanto, à sua suscetibilidade a choques transmitidos por países vizinhos como a Alemanha”, acrescenta o relatório.

“O gás tem tradicionalmente desempenhado um papel desproporcional na produção centralizada de eletricidade nos Países Baixos (22%), enquanto as fontes de energia limpa, especificamente a solar, têm um papel mais importante na geração descentralizada de eletricidade.”

Por exemplo, nos Países Baixos, a energia solar é muito utilizada durante o dia, mas à noite é preciso recorrer a outras fontes de energia, muitas vezes com necessidade de gás.

A Polónia é outra anomalia na tendência geral da UE. Apesar de registar um crescimento anual de 48% em energias renováveis ​​desde 2022, a sensibilidade do país aos preços do gás permanece alta.

Isso deve-se principalmente ao facto de a Polónia estar a incentivar a geração de eletricidade a gás, num esforço para substituir e reduzir o carvão, que continua sendo essencial para mais da metade da produção total de eletricidade no país.

“A mudança de foco da Polónia para o gás, em vez de fontes de energia limpas, fez com que a geração de energia a partir dessa commodity aumentasse 132% em 2025 em comparação com 2022”, explica o estudo.

“Essa maior dependência, que representou 13% do total em 2025, fez com que a sensibilidade aos preços do gás também aumentasse em 87%.”

Para cada aumento de €1 no preço do gás, a Polónia regista um aumento de €0,36 por MWh na eletricidade.

A Hungria também demonstrou maior sensibilidade aos preços do gás em comparação com 2022, registando um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Embora o país tenha testemunhado um crescimento expressivo da energia solar, a falta de capacidade de conexão à rede elétrica faz com que a Hungria ainda seja obrigada a depender do gás natural para manter a estabilidade. Euronews


domingo, 5 de abril de 2026

Dinamarca - Arqueólogos marinhos descobrem navio de guerra destruído pela frota de Nelson há 225 anos

Arqueólogos marinhos estão a correr contra o tempo para escavar os destroços do navio-almirante Dannebroge antes do início da construção de um enorme projeto habitacional que ocupará o local


Mais de dois séculos depois de ter sido destruído pela frota do Almirante Horatio Nelson, um navio de guerra dinamarquês perdido numa das batalhas navais mais brutais da Europa ressurgiu - não em lendas, mas sob as águas turvas do porto de Copenhague.

Trabalhando em sedimentos espessos e com visibilidade quase nula a 15 metros (49 pés) abaixo das ondas, mergulhadores estão numa corrida contra o tempo para desenterrar os destroços do Dannebroge, do século XIX, antes que se tornem um canteiro de obras num novo bairro residencial que está a ser construído na costa dinamarquesa.

O Museu dos Navios Vikings da Dinamarca, que lidera as escavações subaquáticas que duram meses, anunciou as suas descobertas 225 anos após a Batalha de Copenhague, em 1801.

"É uma parte importante do sentimento nacional dinamarquês", disse Morten Johansen, chefe de arqueologia marítima do museu.

A batalha que nos ensinou a "fechar os olhos"

Em abril de 1801, a frota britânica de Nelson atacou a marinha dinamarquesa enquanto esta formava um bloqueio defensivo nos arredores do porto de Copenhague. O confronto durou horas e deixou milhares de mortos e feridos, tornando-se uma das vitórias mais famosas de Nelson. O ataque visava romper a aliança da Dinamarca com as potências do norte da Europa, incluindo Rússia, Prússia e Suécia.

Na Batalha de Copenhague, Nelson e a frota britânica atacaram e derrotaram a marinha dinamarquesa enquanto esta formava um bloqueio protetor na entrada do porto.

Milhares de pessoas morreram e ficaram feridas durante o brutal confronto naval que durou horas e é considerado uma das "grandes batalhas" de Nelson. O objetivo era forçar a Dinamarca a sair de uma aliança de potências do norte da Europa, incluindo Rússia, Prússia e Suécia.

No centro dos combates estava o navio-almirante dinamarquês, o Dannebroge, comandado pelo Comodoro Olfert Fischer. O Dannebroge, com 48 metros de comprimento, era o principal alvo de Nelson. O fogo dos canhões atravessou seu convés superior antes que projéteis incendiários provocassem um incêndio a bordo.

"Estar a bordo de um desses navios era um pesadelo", disse Johansen. "Quando uma bala de canhão atinge um navio, não é a bala em si que causa mais danos à tripulação, mas sim os estilhaços de madeira que voam por toda a parte, muito parecido com os destroços de uma granada."

Acredita-se também que a batalha tenha inspirado a expressão "fazer vista grossa". Após decidir ignorar o sinal de um superior, Nelson, que havia perdido a visão do olho direito, teria comentado: "Eu só tenho um olho, tenho o direito de ficar cego às vezes."

Nelson acabou por oferecer uma trégua e um cessar-fogo foi posteriormente acordado com o príncipe herdeiro da Dinamarca, Frederik. O navio Dannebroge, atingido, derivou lentamente para norte e explodiu. Os registos dizem que o som criou um estrondo ensurdecedor em Copenhaga.

Escavando a história na escuridão total

Agora, fragmentos daquele momento estão emergindo do fundo do mar: canhões, uniformes, insígnias, sapatos, garrafas - e até mesmo parte da mandíbula inferior de um marinheiro, possivelmente pertencente a um dos 19 tripulantes que nunca foram encontrados após a batalha.

Mas a escavação enfrenta um prazo incomum. O naufrágio está localizado dentro do futuro sítio de Lynetteholm, um ambicioso megaprojeto de ilha artificial e habitação com conclusão prevista para 2070.

Arqueólogos marinhos começaram a pesquisar a área no final do ano passado, visando um local que se acredita corresponder à posição final do navio-almirante.

Especialistas afirmam que as dimensões das peças de madeira encontradas correspondem a desenhos antigos. A datação dendrocronológica, método que utiliza os anéis de crescimento das árvores para determinar a idade da madeira, coincide com o ano de construção do navio. Eles também dizem que o sítio arqueológico escuro está repleto de balas de canhão, um perigo para mergulhadores que navegam em águas turvas por nuvens de lodo levantadas do fundo do mar.

"Às vezes você não consegue ver nada, e aí você realmente tem que tatear, olhar com os dedos em vez de com os olhos", disse a mergulhadora e arqueóloga marítima Marie Jonsson.

Os arqueólogos esperam que as suas descobertas possam ajudar a reexaminar o evento que moldou o país escandinavo e talvez revelar histórias pessoais daqueles que foram para a batalha naquele dia, há 225 anos. Euronews.culture


quinta-feira, 26 de março de 2026

Internacional - Discurso antissemita viraliza na Internet

Procurando novas informações na Internet, vi o título O pior país do mundo, em destaque no Brasil de Fato, cliquei, havia um aviso: "Preparem-se para um artigo violento. A paciência da gente se esgota e com ela some também a capacidade de medir palavras e fazer as devidas ressalvas."

O aviso, colocado pelo próprio autor, queria dizer ser alguma coisa por ele bem elaborada, alguém ciente de ter escrito algo capaz de ferir, mas sua paciência esgotada levara a tirar os filtros com que se tratam certos temas.

Esse tipo de aviso preparatório funciona como um chamariz, desperta a curiosidade do leitor e garante alguma coisa diferente ou mais ousada. Por isso, cliquei e li, mas confesso ter percebido alguma tendência estranha, logo nas primeiras linhas nas referências aos ingleses e holandeses. Talvez possa estar exagerando, mas a maneira de se referir a esses dois povos europeus me lembrou textos da extrema-direita, textos racistas.

Achei estranho, não era uma crítica à Inglaterra e Holanda, seu colonialismo, seus antigos governantes, seus apoios ao escravagismo, eram críticas aos ingleses e aos holandeses antipáticos e preconceituosos. Holandeses que deram bastante liberdade aos judeus, mas depois os traíram juntando-se aos nazistas na sua perseguição.

Vêm a seguir elogios aos dinamarqueses, únicos na Europa a terem protegido os judeus, citando até Hannah Arendt para confirmar. Em lugar de falar do pior país do mundo, o autor teria mudado de rumo e falaria da Dinamarca como o melhor país do mundo por ter protegido os judeus?

Pista falsa. Não, ele reconhece ter se desviado do assunto, chama Holanda e Dinamarca de países irrelevantes, desvia para os Estados Unidos, mas antes de se criticar o Império americano, não resiste à tentação de criticar também os americanos, como já fizera com os ingleses e holandeses, "gente que pode ser desagradável e detestável", será que isso não se chama preconceito?

E, enfim, o autor se define, depois das piruetas iniciais, Hannah Arendet inclusive, ele vai falar de Israel, "que nunca deveria ter sido criado", do sionismo, "mas não propriamente do povo judeu e dos judeus em geral". E, en passant, vai falar do Irão.

Nessa altura, ia saltar para outro artigo, mas uma coisa me chamou a atenção - praticamente todas as redes sociais chamadas de esquerda, estavam republicando esse mesmo texto – Diário do Centro do Mundo, Outras Palavras, Brasil 247, Carta Capital, etc.

Decidi, então, ler todo o artigo e me surpreendi. E como sou um jornalista de esquerda, denunciando já há algum tempo, aqui nos meus comentários, uma islamização de uma parte da esquerda, não posso deixar de reagir: esse texto, apesar da importância de seu autor, é antissemita.

Lamento que a esquerda brasileira esteja desconectada de alguns críticos europeus do chamado movimento Sul Global, principalmente a professora socialista Renée Fregosi da Sorbonne, cujo último livro Le Sud Global à la Derive, não tem tradução brasileira (se alguma editora se interessar em publicar tradução no Brasil, pode me contatar).

Não é minha intenção responder ao texto tão viralisado ou polemizar com o autor, na base um economista de formação, mas destacar dentro do espírito do criador do OI, o texto tão publicado nas redes sociais e chamar a atenção, baseado em alguns trechos chavões já existentes num passado recente, que julgávamos superados depois do Holocausto nazista.

Não é minha intenção comentar a atual guerra contra o Irão, já deixei algumas opiniões rápidas em outros textos. Sobre o Irão já deixei muito comentários, fáceis de consultar no OI, denunciando ser uma ditadura religiosa, uma rigorosa e intransigente teocracia islâmica, me baseando principalmente nos depoimentos cinematográficos de importantes cineastas iranianos, presos depois de premiados em Cannes, Berlim e Locarno ou obrigados ao exílio para não serem presos.

Em 1979, eu também em exílio durante a ditadura militar brasileira, acompanhei as manifestações em favor do aiatolá Khomeini pela queda do Xá Reza Pahlevi, seguindo o pensamento dos líderes da esquerda francesa da época, Sartre e Foucault.

Rapidamente a expectativa de um governo socialista laico no Irão, se desfez com a criação de uma república factóide, na verdade uma teocracia sangrenta, que eliminou os próprios comunistas ateus e os homossexuais apoiadores de Khomeini. Imagino a decepção de Foucault.

No texto tão viralizado nas redes sociais de esquerda, o autor faz questão de exprimir seu desejo: "Vida longa ao Irão e ao grande povo iraniano! Que não lhes falte munição, mísseis e drones para deter Israel e outros inimigos da humanidade!"

Mas procurei e não achei, uma palavra que fosse de apoio ou de crítica, sobre a recente revolta popular contra o regime teocrático, na qual a repressão iraniana matou dezenas de milhares de jovens manifestantes e está enforcando outras dezenas de milhares presos nas manifestações.

Ou será que o autor confunde o povo iraniano com os Guardas da Revolução Iraniana, heróis que matam jovenzinhas desarmadas, ignoradas pelos movimentos feministas brasileiros mal informados sobre a situação das mulheres no Irão?

Pior ainda, depois de ter expressado, logo no início, sua decepção pela criação de Israel em 1948, espera que essa decepção seja vingada por munições, mísseis e drones. Ou em outras palavras, que Israel seja destruído, concretizando o objetivo guerreiro do Irão, o império persa ex-zorotroatista, do livre-arbítrio e da ética, transformado numa ditadura teocrática. O mesmo objetivo dos terroristas financiados pelo Irão, como o Hamas. Rui Martins – Suíça

__________

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Dinamarca – Comunidade portuguesa lança plataforma de produtos nacionais no país

A comunidade portuguesa na Dinamarca acaba de dar um novo passo no reforço da ligação às raízes portuguesas com o lançamento da plataforma online “Produtos Portugueses na Dinamarca”, um projeto comunitário que pretende facilitar o acesso a bens portugueses naquele país nórdico


A iniciativa surgiu na sequência de um questionário previamente partilhado junto da comunidade, com o objetivo de avaliar o interesse na importação periódica de produtos portugueses. Segundo os promotores, em nota publicada esta quinta-feira nas redes sociais, a resposta foi “muito positiva”, o que motivou o avanço para a criação da primeira versão do site/app, já disponível online e com vários dos produtos mais solicitados incluídos.

O conceito é simples: reunir encomendas da comunidade, importar os produtos diretamente de Portugal e, dessa forma, conseguir preços mais justos e custos de transporte mais reduzidos face às opções atualmente disponíveis. Os responsáveis sublinham que não se trata de uma loja tradicional, mas sim de um projeto colaborativo, construído com base no feedback dos portugueses residentes na Dinamarca.

Numa fase inicial, a plataforma encontra-se ainda em desenvolvimento, podendo apresentar erros ou aspetos a melhorar. A equipa apela, por isso, à participação ativa da comunidade, solicitando sugestões de novos produtos, comentários sobre os artigos já disponíveis e as primeiras encomendas, essenciais para dar escala e viabilidade ao projeto.

“O projeto é da comunidade e só funciona com a comunidade”, destaca Inês Marques em nota publicada nas redes sociais, incentivando os portugueses na Dinamarca a explorarem a plataforma e a contribuírem desde o início para a sua consolidação.

Os interessados podem enviar sugestões e comentários através do endereço eletrónico disponibilizado pelos promotores. “Quanto mais rápido tivermos volume, mais rápido conseguimos ter o projeto em funcionamento e garantir envios regulares”, lê-se na referida publicação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Internacional - Índice de Perceção da Corrupção 2025

No Índice de Perceção da Corrupção 2025, publicado anualmente pela  Transparency International, Portugal — avaliado no contexto dos países da Europa Ocidental e União Europeia — obteve 56 pontos, posicionandose na 46.ª posição entre 182 países. O resultado representa uma descida de 1 ponto face a 2024 e uma perda de 3 lugares no ranking global. Embora Portugal continue entre os desempenhos mais baixos da Europa Ocidental, o resultado enquadrase numa tendência negativa gradual iniciada em 2022, refletindo desafios persistentes no reforço da integridade pública e na eficácia dos mecanismos de prevenção e controlo da corrupção.


A descida registada em 2025 resulta sobretudo da evolução menos favorável de algumas das fontes que compõem o Índice, evidenciando áreas onde persistem desafios no reforço das salvaguardas de integridade no exercício de funções públicas. Em comparação com outros EstadosMembros, Portugal continua a posicionarse abaixo da média da União Europeia no que diz respeito à perceção de transparência, fiabilidade institucional e qualidade da administração pública.

Embora tenham sido dados passos relevantes no plano legislativo ao longo dos últimos anos, a perceção internacional indica que a implementação das políticas anticorrupção e os mecanismos de acompanhamento e fiscalização permanecem insuficientemente consolidados. Este enquadramento é agravado pelo facto de, neste momento, não existir uma Estratégia Nacional Anticorrupção em vigor, o que limita a existência de um quadro estruturado e coordenado de prioridades, metas e instrumentos de execução.

Os resultados do CPI 2025 sugerem, assim, que subsistem fragilidades de natureza estrutural no sistema nacional de prevenção e controlo da corrupção. A ausência de progressos consistentes na aplicação das medidas já previstas, bem como a necessidade de reforçar a capacidade institucional para prevenir, monitorizar e responder a riscos de integridade, continuam a refletirse na avaliação internacional do país.

O avanço nestas áreas — designadamente através da definição de um novo enquadramento estratégico, da operacionalização efetiva das políticas existentes e do fortalecimento das entidades responsáveis pela sua execução — será determinante para melhorar a perceção externa sobre o compromisso de Portugal com a integridade pública nos próximos anos.

Resultados globais e regionais

O Índice de Perceção da Corrupção 2025 evidencia a persistência de uma tendência global de estagnação e retrocesso no combate à corrupção. A média global dos 182 países e territórios avaliados desceu para 42 pontos, o valor mais baixo da última década. Mais de dois terços dos países (68%) continuam a apresentar pontuações abaixo de 50, sinalizando níveis elevados de corrupção percebida no setor público em grande parte do mundo.

O ranking global mantém-se liderado pela Dinamarca, com 89 pontos, seguida da Finlândia (88), Singapura (84) e Nova Zelândia (81). Em contraste, países com democracias frágeis ou regimes autoritários concentram, de um modo geral, os piores resultados, confirmando a forte relação entre corrupção, fragilidade institucional e ausência de mecanismos eficazes de responsabilização.

Com uma pontuação média de 64 pontos, a Europa Ocidental e a União Europeia continuam a ser a região mais bem classificada a nível global. No entanto, o desempenho regional tem vindo a deteriorar-se: a média desceu de 66 para 64 pontos, com 13 países a registarem descidas significativas desde 2012 e apenas 7 a apresentarem melhorias relevantes.

Esta evolução evidencia disparidades crescentes entre os quadros legais existentes, a sua aplicação efetiva e os padrões de integridade no exercício de funções públicas. Persistem fragilidades ao nível da responsabilização política, da independência institucional e da transparência na tomada de decisão, com impactos diretos na confiança dos cidadãos nas instituições democráticas.

Num contexto marcado por desafios geopolíticos, conflitos armados, tensões internas e crescente polarização política, a necessidade de liderança responsável e de instituições fortes e independentes torna-se ainda mais premente. No entanto, em vários países europeus, continuam a observar-se falhas na prestação de contas, concentração de poder e enfraquecimento de mecanismos de controlo, incluindo ataques à sociedade civil, aos meios de comunicação social e à proteção de denunciantes.

Em dezembro de 2025, a União Europeia adotou a sua primeira Diretiva Anticorrupção, com o objetivo de harmonizar a legislação penal entre os Estados-Membros. Apesar da relevância da iniciativa, o texto final resultou no enfraquecimento de disposições essenciais, limitando o seu alcance. No processo de transposição, caberá aos Estados-Membros utilizar a Diretiva como base mínima, reforçando os respetivos quadros legais e políticas anticorrupção, em linha com a conclusão central do CPI 2025: a corrupção não é inevitável, mas o seu combate exige vontade política duradoura, recursos adequados e mecanismos robustos de responsabilização. “Transparência Internacional” – Portugal

A melhor posição na Perceção de Corrupção entre os países da CPLP pertence a Cabo Verde

Numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro), Cabo Verde obteve uma pontuação de 62, acima de Portugal (56), sendo os únicos países da CPLP com pontuação "positiva" (acima de 50)

Cabo Verde é o país da CPLP mais bem colocado e a Guiné Equatorial com pior classificação no Índice de Perceção da Corrupção (IPC) de 2025 divulgado esta terça-feira pela organização não-governamental Transparência Internacional.

O Índice de Perceção da Corrupção (IPC) classifica este ano 182 países e territórios de acordo com os seus níveis percecionados de corrupção no setor público numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro).

Cabo Verde (62) surge como a nação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) com melhor classificação, seguida de Portugal (56), que cai um ponto em relação ao ano passado, sendo estes os únicos dois países a manterem-se acima dos 50 no IPC.

Os restantes países da CPLP obtêm classificações negativas: Timor-Leste (45), São Tomé e Príncipe (43), Brasil (35), Angola (32) – estando na ou acima da média de 32 em 100 na África Subsaariana –, Guiné-Bissau (21), Moçambique (21), Guiné Equatorial (15).

Este ano, a média global do IPC desceu pela primeira vez em mais de uma década, para apenas 42 em 100. O relatório da ONG revela que “a grande maioria dos países não está a conseguir manter a corrupção sob controlo”, sublinhando que “122 dos 182 países têm uma pontuação inferior a 50 no índice”.

Ao mesmo tempo, o número de países com pontuação acima de 80 diminuiu de 12 há uma década para apenas cinco este ano, destacando-se, em particular, “uma tendência preocupante de democracias que apresentam uma deterioração da perceção da corrupção”, enfatiza a ONG em comunicado.

Casos como os de Angola (32), que subiu 17 pontos no Índice de Perceção da Corrupção desde 2015, graças às medidas tomadas para combater a corrupção, são valorizados, mas, apesar dos progressos da última década, o relatório aponta o sentimento da população: “muitos angolanos classificam os esforços anticorrupção do Governo como insuficientes e acreditam que as pessoas comuns correm o risco de sofrer represálias por denunciarem a corrupção”.

Pela positiva, também Timor-Leste (44) é referido entre os países que apresentam uma ascensão consistente e estatisticamente significativa desde 2012, “devido a reformas estruturais que fortaleceram as instituições de supervisão”.

No entanto, estes países continuam a pontuar na faixa inferior do índice, “com muito espaço para melhorias”, refere.

Por outro lado, Moçambique (21) registou uma queda de 10 pontos na última década. A ONG cita os números oficiais que “registam 334 novos casos de corrupção no primeiro trimestre de 2025, a um custo de cerca de 4,1 milhões de dólares [cerca de 3,3 milhões de euros], o que demonstra a magnitude do desafio”, considera.

O escrutínio da ação governamental por parte da sociedade civil e pela imprensa, avaliado também pelo relatório, fornece aos eleitores as informações de que necessitam para sancionar a corrupção e recompensar a integridade nas urnas. O Brasil figura na lista de países que são “particularmente perigosos para os jornalistas que reportam sobre corrupção”, ao lado da Arábia Saudita, Peru, índia, México, Paquistão e Iraque.

François Valérian, presidente da Transparência Internacional, afirma que a investigação e experiência da ONG como movimento global de combate à corrupção “mostram que existe um plano claro de como responsabilizar o poder pelo bem comum, desde processos democráticos e supervisão independente até uma sociedade civil livre e aberta”.

“Numa altura em que assistimos a um perigoso desrespeito pelas normas internacionais por parte de alguns Estados, apelamos aos Governos e aos líderes para que atuem com integridade e cumpram as suas responsabilidades para proporcionar um futuro melhor às pessoas em todo o mundo”, salienta a organização. “Agência Lusa”


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Gronelândia - China avisa Estados Unidos para não usar outros países como pretexto para tomar o território autónomo dinamarquês

A China avisou os Estados Unidos para não usarem outros países como pretexto para prosseguir os seus interesses na Gronelândia e garantiu que as suas actividades no Ártico estão em conformidade com o direito internacional


“Os direitos e liberdades de todos os países para conduzir atividades no Ártico de acordo com a lei devem ser plenamente respeitados”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, em conferência de imprensa. “As actividades da China no Ártico visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável na região e estão de acordo com o direito internacional”, sublinhou.

Segundo a porta-voz, “os EUA não devem prosseguir os seus próprios interesses usando outros países como pretexto”, até porque “o Ártico diz respeito aos interesses gerais da comunidade internacional”.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou na sexta-feira, na Casa Branca, que não vai permitir que a Rússia ou a China “ocupem a Gronelândia” e que decidiu “fazer alguma coisa” em relação ao território autónomo dinamarquês, do qual pretende adquirir controlo “a bem ou a mal”. Trump adiantou que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, membro da NATO, para impedir que a Rússia ou a China a assumam.

As tensões entre Washington, a Dinamarca e a Gronelândia aumentaram este mês, à medida que Trump e a sua administração pressionam sobre o assunto e a Casa Branca pondera uma série de opções, incluindo o uso da força militar, para adquirir a vasta ilha ártica.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada de poder norte-americana na Gronelândia marcaria o fim da NATO.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e os líderes dos outros quatro partidos no parlamento do território emitiram uma declaração conjunta reiterando que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo seu povo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, realizou ontem um encontro com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, em Washington para discutir uma estratégia conjunta de segurança da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o Ártico.

Antes de viajar, o diplomata alemão afirmou que deseja discutir com Rubio como “assumir conjuntamente esta responsabilidade dentro da NATO, dadas as antigas e novas rivalidades na região entre a Rússia e a China”.

Segundo dados oficiais, a presença e os interesses da China na Gronelândia são mais limitados do que os EUA alegam e estão focados principalmente no setor comercial, com vários empreendimentos mineiros e industriais frustrados nos últimos anos.

No entanto, em 2018, a China declarou-se um “Estado quase-ártico” num esforço para ganhar mais influência na região e anunciou planos para construir uma “Rota da Seda Polar” como parte da sua iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, um megaprojeto de infraestruturas e investimento global, proposto pela China em 2013 para reavivar a antiga Rota da Seda, que visa ligar Ásia, Europa, África.

NATO discute possível reforço da segurança na Gronelândia

A NATO está a discutir um possível fortalecimento da segurança no Ártico, num debate com participação da Alemanha, no contexto das tensões criadas pela pretensão norte-americana de anexar a Gronelândia, confirmou ontem o Governo alemão. “No âmbito da segurança transatlântica, o Ártico tem um papel crescente e, dentro da NATO, discute-se fortalecer a zona”, disse o porta-voz adjunto Sebastian Hille numa conferência de imprensa em Berlim.

Hille respondia a uma questão sobre um possível envio de tropas para o território autónomo dinamarquês, segundo a agência de notícias espanhola EFE. O porta-voz assegurou que o Governo alemão “participa ativamente” nas conversações em curso no seio da Aliança Atlântica, de que tanto a Alemanha, a Dinamarca e os Estados Unidos fazem parte. “Basicamente, qualquer diálogo diplomático para tranquilizar a situação é motivo de satisfação”, acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, admitiu abordar a questão em Washington numa reunião com o homólogo norte-americano, Marco Rubio. “Precisamente porque a segurança no Ártico se torna cada vez mais importante, quero aproveitar a minha viagem para debater como podemos assumir esta responsabilidade conjuntamente dentro da NATO, dadas as rivalidades antigas e novas na região por parte da Rússia e da China”, assinalou Wadephul.

Também a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, referiu no domingo à noite que “uma presença militar aumentada de forma significativa terá um impacto real” na segurança, “tanto no Ártico como para a Europa e para os Estados Unidos”.

O jornal britânico The Telegraph noticiou no domingo que o primeiro-ministro Keir Starmer estava em conversações com aliados europeus sobre um possível destacamento militar na Gronelândia, no âmbito de uma eventual missão da NATO para reforçar a segurança no Ártico. A iniciativa, que começou a ser debatida na passada quinta-feira em Bruxelas, procura responder às preocupações expressas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a possível ação da Rússia ou da China na região. Trump utilizou a Rússia e a China como argumento para justificar a suposta necessidade de uma anexação da Gronelândia.

De acordo com o jornal The Telegraph, chefes militares têm estado a elaborar planos preliminares para uma possível missão aliada, que poderá incluir tropas, navios e aeronaves, com a participação de vários países europeus, incluindo o Reino Unido.

Um porta-voz do Ministério da Defesa da Alemanha, Mitko Muller, disse ontem que, por enquanto, não havia planos para estacionar tropas alemãs na Gronelândia. Destacou, no entanto, que Berlim demonstrou nos últimos meses que a defesa do Atlântico Norte e do Ártico faz parte dos interesses da Alemanha. Muller recordou que a Alemanha participou em agosto em manobras militares na zona com a marinha dinamarquesa e que também o ministro da Defesa, Boris Pistorius, se deslocou à ilha ártica. Ressaltou ainda que a questão da segurança no Atlântico Norte deve ser abordada sempre a partir de uma perspetiva multilateral.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, admitiu ontem um reforço da segurança da Gronelândia se a Dinamarca considerar que a ilha se encontra em risco. “Se em torno da Gronelândia ou no Ártico houver (…) elementos ou situações que possam colocar em risco a segurança atlântica, estou certo de que todos o poderíamos analisar e, se houver necessidade de reforçar a segurança, seria reforçada”, afirmou Albares em Madrid. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Internacional – Segundo estudo apresentado pelas Nações Unidas a sabotagem dos gasodutos Nord Stream levou à maior libertação de metano pelo homem

A sabotagem dos gasodutos russos Nord Stream em 2022 resultou na maior libertação de metano provocada pelo homem no planeta, indicou a ONU, referindo-se às conclusões de um estudo no qual participaram dezenas de cientistas.


A informação foi transmitida ao Conselho de Segurança da ONU pelo secretário-geral adjunto para a Europa, Ásia Central e Américas, o eslovaco Miroslav Jenca, numa reunião convocada pela Rússia para discutir a investigação às explosões que ocorreram em setembro de 2022 e que danificaram os gasodutos no Mar Báltico.

De acordo com Jenca, cerca de 70 cientistas de 30 organizações de investigação participaram no estudo que concluiu que a variação plausível da fuga registada no Nord Stream foi de 445.000 a 485.000 toneladas de metano – quantidade que representa mais do dobro do que se pensava anteriormente.

De acordo com os especialistas, a curto prazo, esta fuga de metano – muito prejudicial para o ambiente – contribuiu para o aquecimento global na medida equivalente à utilização de oito milhões de automóveis num ano.

“Embora o incidente represente apenas uma pequena parte das emissões globais de metano, é um importante lembrete do impacto ambiental no aquecimento global causado pela destruição de infraestruturas críticas”, frisou Jenca, destacando que o estudo foi coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

O secretário-geral adjunto reforçou ainda que a ONU não possui detalhes adicionais sobre o incidente e não está em condições de verificar ou confirmar as alegações ou outros relatórios sobre o caso.

Na semana passada, o procurador-geral da Alemanha anunciou a detenção em Itália de um ucraniano suspeito de coordenar os ataques contra o Nord Stream.

O detido é suspeito de ter causado uma explosão, destruição de infraestruturas e sabotagem contrária à Constituição baseada no artigo 88.º do código penal alemão.

O ucraniano rejeitou a sua extradição voluntária para a Alemanha, que será agora decidida em tribunal a partir de 03 de setembro.

Na reunião do Conselho de Segurança, a Rússia expressou relutância face ao papel que este cidadão ucraniano terá desempenhado no incidente, avaliando que a dimensão da sabotagem “é algo que apenas um pequeno grupo de países pode fazer, países que possuem as capacidades militares e técnicas necessárias”.

“Apesar de esta versão ser completamente incongruente, tem uma grande vantagem para o Ocidente (…): Desvia a atenção e coloca os holofotes diretamente em bodes expiatórios que talvez estivessem envolvidos, mas não agiram sozinhos”, advogou o embaixador interino da Rússia na ONU, Dmitry Polyanskiy.

O Nord Stream é um conjunto de gasodutos de gás natural, composto pelo Nord Stream I e pelo Nord Stream II, que vão da Rússia à Alemanha através do Mar Báltico.

Em setembro de 2022, quatro fugas foram detetadas nos gasodutos, perto da ilha de Bornholm, na Dinamarca. As fugas ocorreram em águas internacionais dentro das zonas económicas da Dinamarca e da Suécia.

Após o incidente, autoridades dinamarquesas, alemãs e suecas iniciaram investigações separadas sobre as explosões, com a Rússia a argumentar que se tratou de um ato deliberado de terrorismo.

Em fevereiro de 2023, Dinamarca, Alemanha e Suécia indicaram que o incidente deveu-se a um ato de sabotagem.

Em fevereiro de 2024, as autoridades dinamarquesas e suecas encerraram as suas respetivas investigações, alegando falta de fundamento para a instauração de um processo criminal. A Alemanha é o único país com uma investigação nacional em andamento sobre o incidente. In “Departamento de Assuntos Políticos e de Construção da Paz” – Nações Unidas com “Agências Internacionais”



domingo, 23 de fevereiro de 2025

Dinamarca - Físico português distinguido com a bolsa Young Investigator da Fundação Villum

O físico português André Gonçalves foi distinguido com a bolsa Young Investigator da Fundação Villum, no valor de 9 milhões de coroas dinamarquesas (1,2 milhões de euros)

O investigador, natural de Vieira do Minho, irá estudar, nos próximos cinco anos, na Dinamarca, o comportamento da luz e da matéria à escala nanométrica.

Após esta distinção, André Gonçalves regressa à Dinamarca para liderar uma equipa de investigação independente, dedicada a explorar as interações luz-matéria à nanoescala. “Estou entusiasmado por liderar esta equipa e por aprofundar a nossa compreensão sobre estas interações, além de estudar novas formas de as controlar”, afirma o investigador.

Embora a pesquisa tenha um foco inicial teórico, poderá abrir caminho para o desenvolvimento de dispositivos quânticos e circuitos optoeletrónicos ultrarrápidos. Entre as possíveis aplicações estão melhorias na resolução de microscopia e espectroscopia, o desenvolvimento de sensores biológicos e químicos ultrassensíveis e até mesmo a descoberta de novas utilizações ainda não imaginadas.

“A investigação fundamental é essencial para impulsionar descobertas inovadoras e criar novas tecnologias que beneficiam a sociedade. As interações luz-matéria desempenham um papel central em praticamente todas as áreas científicas e tecnológicas”, destaca André Gonçalves. A bolsa permitirá o recrutamento de dois doutorandos e um pós-doutorando para integrarem a equipa de investigação.

O projeto focar-se-á no conceito de “tunelamento quântico”, um fenómeno no qual partículas ultrapassam barreiras que, segundo a física clássica, seriam intransponíveis. O objetivo é explorar como este fenómeno pode ser aproveitado para estudar e manipular interações luz-matéria em nanoestruturas feitas de novos materiais que suportam polaritões — quasipartículas híbridas que combinam luz e matéria.

“Isso permitir-nos-á explorar novos fenómenos optoeletrónicos, entender melhor a resposta de nanomateriais com propriedades complexas e melhorar técnicas de espectromicroscopia”, explica o cientista.

Com este financiamento, André Gonçalves pretende continuar a contribuir para avanços significativos na área da nanociência, reforçando a importância da investigação fundamental no desenvolvimento de novas tecnologias e aplicações científicas.

Com 34 anos, André Gonçalves é licenciado em Física pela Universidade do Minho, mestre em Física Teórica pela Universidade do Porto e doutorado pela Universidade Técnica da Dinamarca (DTU). Conta com um percurso académico e científico notável, tendo passado pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, pela Universidade Ludwig Maximilian de Munique, pelo prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT) e pelo Instituto de Ciências Fotónicas de Barcelona (ICFO). Atualmente, é professor de Física Teórica e Computacional na Universidade do Sul da Dinamarca.

Ao longo da sua carreira, acumulou prémios atribuídos por instituições como a Fundação Gulbenkian, a Springer Nature e a Sociedade Europeia de Física, além de ter publicado dois livros e 35 artigos em revistas científicas internacionais. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Europa - Apoio à Ucrânia "até vencer" cai drasticamente na Europa Ocidental, revela inquérito

Pesquisa YouGov descobre que o fim negociado da guerra com a Rússia é a opção preferida em quatro dos sete países analisados



A disposição de apoiar a Ucrânia "até que ela vença" caiu drasticamente na Europa Ocidental num momento crítico para o país, sugere uma pesquisa, enquanto o retorno iminente de Donald Trump à Casa Branca levanta questões sobre o futuro da assistência militar dos EUA a Kiev.

Inquéritos de dezembro feitas pela YouGov na França, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia, Dinamarca e Reino Unido revelaram que o desejo público de apoiar a Ucrânia até à vitória — mesmo que isso significasse prolongar a guerra — havia caído em todos os sete países nos últimos 12 meses.

O apoio a uma resolução alternativa para o conflito – um fim negociado para os combates, mesmo que isso deixasse a Rússia no controlo de partes da Ucrânia – aumentou em todos os países, segundo a pesquisa, e foi a opção preferida em quatro deles.

Houve alguma insatisfação com a ideia de um acordo imposto que envolveria a Ucrânia cedendo território à Rússia, mas também uma crença generalizada de que o novo presidente dos EUA abandonaria a Ucrânia após a sua posse em 20 de janeiro.

Donald Trump enalteceu, sem fornecer detalhes, de que pode acabar com a guerra “em 24 horas”, e o seu enviado à Ucrânia, Keith Kellogg, deve viajar para as capitais europeias no início de janeiro. Analistas expressaram dúvidas de que o presidente russo, Vladimir Putin, entrará em negociações em termos que sejam de alguma forma aceitáveis para Kiev.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, comemorou a vitória de Trump em meio à exasperação com a política e estratégia incrementada de “gestão de escalada” do governo Biden.

Os dados vêm quase três anos após a invasão em larga escala de Putin e num momento crítico para a Ucrânia. Este ano, a Rússia tem avançado no seu ritmo mais rápido desde a primavera de 2022, quando as suas colunas fizeram uma tentativa malsucedida de tomar Kiev.

Tropas russas invadiram várias cidades na região oriental de Donbass, com as forças armadas da Ucrânia lutando para defender assentamentos urbanos diante da falta de tropas na linha de frente e da contínua superioridade militar da Rússia.

Kiev admite que as táticas do Kremlin têm sido eficazes, incluindo a implantação de aviação para atingir posições defensivas com bombas planadoras, depois usando barragens de artilharia e pequenos grupos de infantaria. A Rússia também tem sido adepta a identificar brigadas ucranianas mais fracas.

A pesquisa mostrou que a disposição de apoiar a Ucrânia até que ela derrotasse a Rússia permaneceu alta na Suécia (50%) e na Dinamarca (40%), com o Reino Unido em 36%, mas esses níveis caíram até 14 pontos em relação aos números de janeiro de 57%, 51% e 50%.

No mesmo período, as percentagens dos que disseram preferir uma paz negociada aumentaram de 45% na Itália para 55% na Espanha, 46% (38%) na França e 45% (38%) na Alemanha, acompanhadas por quedas correspondentes na disposição de apoiar a Ucrânia até que ela vencesse.

Não estava claro se a mudança refletia o interesse em declínio ou o aumento da fadiga. Na França, Alemanha e Suécia, as proporções que queriam que a Ucrânia vencesse — e se importavam que ela vencesse — permaneceram estáveis desde o início de 2023, embora tenham caído noutros lugares.

A menos de um mês do regresso de Trump, a maioria ou quase maioria em todos os países, exceto um, achava provável que o presidente eleito dos EUA cortasse o apoio à Ucrânia: 62% dos alemães, 60% dos espanhóis, 56% dos britânicos, 52% dos franceses e 48% dos italianos.

Eles estavam menos certos se Trump retiraria os EUA da aliança defensiva da OTAN, com dinamarqueses, alemães, italianos, espanhóis e suecos mais propensos a pensar que isso não iria acontecer, mas britânicos e franceses estavam divididos igualmente.

As pessoas também estavam divididas sobre como se sentiriam em relação a um acordo de paz que deixaria a Rússia no controlo de pelo menos algumas das partes da Ucrânia que ela tomou ilegalmente desde a invasão de fevereiro de 2022, como Trump pode estar planeando.

A maioria na Suécia (57%), Dinamarca (53%) e Reino Unido (51%), e uma minoria considerável (43%) na Espanha, disseram que se sentiriam muito ou razoavelmente negativas sobre tal acordo, em comparação com apenas 37% na França e 31% na Alemanha e Itália.

Não está claro como qualquer acordo sobre a Ucrânia poderia ser feito. Putin reafirmou na semana passada os seus objetivos maximalistas, incluindo o controlo russo da Crimeia e quatro regiões ucranianas “anexadas”, além da desmilitarização da Ucrânia e um veto à sua filiação à OTAN.

Zelenskyy não está disposto a entregar território ocupado à Rússia. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, criticou a conversa ocidental sobre um processo de paz como prematura, dizendo que a Ucrânia deveria obter o que precisa para impedir que Putin vença.

A pesquisa mostrou que a maioria dos europeus ocidentais sentia que os aliados da Ucrânia não estavam fazendo o suficiente, tanto em termos de sanções económicas contra Moscovo quanto de assistência militar e de outros tipos a Kiev, para impedir que a Rússia vencesse a guerra.

Cerca de 66% dos dinamarqueses, 63% dos suecos e espanhóis, 59% dos britânicos, 53% dos alemães e italianos e 52% dos franceses disseram que a assistência geral à Ucrânia não foi suficiente ou não foi nem de longe suficiente. No entanto, poucos achavam que seu país deveria aumentar o apoio.

Minorias que variam de 29% na Suécia a 21% no Reino Unido e Alemanha, 14% na França e apenas 11% na Itália acham que o seu governo deveria aumentar a ajuda à Ucrânia, com proporções maiores em todos os países dizendo que ela deveria ser mantida ou reduzida.

Em termos de medidas específicas, como aumento de sanções, envio de mais armas, envio de mais tropas para apoiar os membros da OTAN no leste europeu ou coordenação de ataques aéreos contra alvos russos na Ucrânia, o apoio ficou estável ou menor do que antes.

Questionados sobre o que achavam que aconteceria dentro de um ano, poucos europeus ocidentais achavam que a Rússia ou a Ucrânia teriam vencido, com a maioria acreditando que os dois países ainda estariam em conflito ou que a paz teria sido negociada.

Um acordo foi visto como mais provável pelos que estavam na Dinamarca (47%), Alemanha (40%), Reino Unido e França (38%) e Itália (36%), com a continuação dos combates vista como o cenário marginalmente mais provável pelos que estavam na Espanha (36%) e Suécia (35%). Jon Henley e Luke Harding – Reino Unido in The Guardian


terça-feira, 4 de maio de 2021

Dinamarca - Quinta urbana produz 6 toneladas de alimentos em pouco espaço


Transformar espaços urbanos sem utilização em áreas produtivas é uma missão da dupla de jovens dinamarqueses, Mikkel Kjaer e Ronnie Markussen. Juntos, criaram o Impact Farm, uma estrutura de apenas 163 metros quadrados mas com capacidade para produzir seis toneladas de alimentos anuais – ervas, verduras, legumes e frutas.

Eles explicaram que o projeto surgiu a partir do desejo de criar uma unidade que melhorasse a segurança alimentar nos centros urbanos, ao mesmo tempo que respeitasse a pegada ecológica da produção de alimentos, criasse empregos e se adaptasse facilmente às mudanças de terreno.

Os jovens não se preocuparam apenas com a funcionalidade, mas também com a estética do projeto. O sistema modular é feito a partir de materiais reaproveitados e pode ser desmontado e transportado para outros locais, conforme necessário. Os dinamarqueses acreditam no potencial desta fazenda urbana para captar possíveis investidores de outros países, interessados em exportar o projecto a outras cidades do mundo, mas também vislumbram possibilidades como fonte de abastecimento de alimentos em situações de crise humanitária, por desastres naturais ou de escassez. In “Green Savers Sapo” - Portugal