Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 12 de julho de 2026

Os dias do nada


 










Vamos aprender português, cantando

 

Os dias do nada

 

Ainda estou à espera pra entender,

a mastigar, a entreter-te até um refrão

que eu invento só para nós.

E pus-me imaginar pelo prazer

da auto-medicação,

dá-me outra gota, ainda aguento outra dor,

agora que eu sou um lado B da canção.

Não são monumentos, faço apenas pó

que, temo, nunca vou poder inspirar,

vou só esperar em alta voz.

Da minha voz não sai nada.

 

Nestes dias do nada

ficam bocados de nós,

esse gigante nada,

só um zero maior.

Uma geração apagada,

sobram pedaços de nós,

a nossa média era nada,

somos um zero maior.

 

Estive a pensar inscrever-me na FCSH

só por "auto-recreação"

num curso em ilusão.

Para depois recusar conceber,

martelar em rima pobre a conclusão

de que tudo foi e eu não.

Fiquei com as sobras de nada.

 

Nestes dias do nada

ficam bocados de nós,

esse gigante nada,

só um zero maior.

Uma geração apagada,

sobram pedaços de nós,

a nossa média era nada,

somos um zero maior.

 

A conclusão irá sempre dar a uma oração.

A uma oração…

A conclusão não dá nada.

 

Nestes dias do nada

ficam bocados de nós,

esse gigante nada,

só um zero maior.

Uma geração apagada,

sobram pedaços de nós,

a nossa média era nada,

somos um zero maior.

Somos um zero maior.

Somos um zero maior.

 

Benjamim - Portugal


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