Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 31 de janeiro de 2026

Moçambique - Membros da ONU discutem reforço urgente da resposta às cheias

As Nações Unidas pedem mais recursos e elogiam coordenação das atividades com parceiros após semanas de enchentes no sul e centro. As organizações humanitárias pedem US$ 187 milhões para ajudar 600 mil afetados com foco nos que estão mais expostos ao perigo


As chuvas intensas que causaram inundações em Moçambique e no sul da África foram tema de uma reunião dos Estados-membros realizada nesta sexta-feira pelo Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha.

A diretora das Operações de Emergência, Edem Wosornu, informou que Moçambique teve 700 mil vítimas do desastre. No total, cerca de 800 mil pessoas foram afetadas em 10 países pelas inundações que também causaram mortes na África do Sul, Maláui, Lesoto e Zimbábue.

Desastres relacionados ao clima

A representante do Ocha disse que vários meios de preparação e coordenação estão sendo fornecidos, além de equipamentos de assessoria que foram postos à disposição das autoridades. Ela destacou que as atuais inundações são um forte lembrete de que desastres relacionados ao clima se tornam mais frequentes, intensos e destrutivos.

O embaixador de Moçambique junto à ONU, Domingos Estêvão Fernandes, reiterou o pedido de apoio ao país apelando que continue a ajuda, solidariedade, flexibilidade e auxílio financiado e sustentável para atuar em três frentes.

O representante permanente disse que primeiro é necessária ajuda para que os afetados possam sobreviver, seguida de ações de limpeza, segurança alimentar, abrigo e proteção.

Em segundo lugar, é preciso investir em intervenções de recuperação para a prevenção de crises em vários sectores, incluindo deslocamentos, desastres, segurança alimentar, limpeza de resíduos, proteção, educação, meios de sobrevivência, infraestrutura crítica e degradação ambiental.

Por fim, o diplomata destacou a necessidade de investimentos que fortaleçam a preparação para desastres naturais, incluindo sistemas de alerta e ação antecipada. Ele defendeu também o reforço da resiliência para a recuperação após eventos extremos causados pelo clima.

Recuperar da tragédia com dignidade

A chefe da ONU em Moçambique, Catherine Sodzi, disse ter visitado Xai-Xai, na província de Gaza, e as vítimas disseram ter o desejo de recuperarem da tragédia com dignidade. Ela pediu fundos da comunidade internacional ao chamar a atenção para a necessidade de mobilizar mais apoio para atender os pedidos que continuam altos.

A também coordenadora de auxílio no país disse que os parceiros do setor lançaram um apelo para revisão do Plano de Resposta para as Necessidades Humanitárias.  A ONU busca US$ 187 milhões para ajudar 600 mil pessoas com um foco nos mais vulneráveis, incluindo crianças, mulheres, idosos, pessoas com deficiência e deslocadas.

Entre as prioridades da atuação da ONU estão segurança alimentar, saúde, água, saneamento, higiene, educação, proteção, logística e coordenação.

Num evento separado, em Genebra, a Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, disse que a forte queda de chuvas das últimas semanas deixou milhares de moçambicanos esperando por resgate, durante várias horas e até dias, em telhados de casas.

Condições extremamente difíceis

Acima de 400 mil pessoas que já haviam sido deslocadas pelas inundações tiveram de fugir novamente das suas áreas em condições extremamente difíceis.

Mais de meia centena de mulheres em locais de alojamento relataram os riscos de contrair doenças, violência sexual e de género, além da exploração dos acolhidos, particularmente mulheres e crianças. As mais de 100 mil pessoas vivendo nesses locais incluem famílias que foram separadas durante o salvamento.

O Acnur apoia as ações de resposta liderada pelo governo cobrindo infraestruturas importantes, como estradas, escolas e centros de saúde que foram destruídas.

Como parte da comunidade humanitária, a agência destaca o exemplo moçambicano de combate às alterações do clima, após ter sido marcado por inundações arrasadoras nos últimos 15 anos.

O Acnur fez contacto com pessoas que já haviam sido deslocadas três vezes e, a cada vez, perdiam casas, pertences, meios de subsistência e terras agrícolas. Todas estavam apreensivas por não terem sido capazes de semear a tempo na atual época de plantio.

Efeitos sociais e económicos

Com o conflito no norte de Moçambique, o desafio das enchentes torna-se mais uma situação de crises. A preocupação é com os efeitos sociais e económicos gerados pela fragilidade caso a situação piore.

O diretor de Preparação e Resposta a Emergências do Programa Mundial de Alimentos, WFP, Ross Smith, destacou a colaboração com o Acnur e o governo nas ações que acontecem no terreno.

A agência participou na preparação e no apoio à resposta, na divulgação de mensagens de alerta precoce e no reposicionamento de suprimentos que aceleram a chegada do auxílio da comunidade humanitária.

No terreno há grandes restrições de acesso, mas tem sido ampliada a resposta para apoiar mais de 450 mil afetados. A agência contou ainda que lida com a logística, incluindo o fornecimento de aeronaves, helicópteros e veículos anfíbios para alcançar pessoas em áreas inacessíveis.

Capacidade limitada

Outro constrangimento são os mais de 1,5 mil km de estradas destruídos e completamente inutilizáveis. O WFP compra alimentos usando recursos locais para interagir com fornecedores.

A dimensão do desastre é semelhante aos daqueles vistos no sudeste asiático, segundo a agência. Neste contexto, o WFP atua com capacidade limitada no terreno, pela crise de financiamento que obriga a atuar com 40% menos recursos do que em 2025. ONU News – Nações Unidas



Internacional - Autoestradas Invisíveis: a rede de cabos submarinos que sustenta a conectividade global

Os cabos submarinos formam base da conectividade digital global, transportando 99% do tráfego internacional da internet. A substituição e reparação de cabos exige investimentos intensos e duradouros, uma nova Cimeira sobre Resiliência dos Cabos Submarinos realiza-se a 2 e 3 de fevereiro de 2026 na cidade do Porto, Portugal


Todos os dias, milhões de pessoas enviam e-mails, participam em videochamadas, utilizam serviços de streaming e realizam transações bancárias. A troca de dados tornou-se parte do quotidiano, no entanto, raramente se pensa na complexa rede global de cabos submarinos que liga silenciosamente o mundo.

Segundo o secretário-geral adjunto da União Internacional de Telecomunicações, UIT, Tomas Lamanauskas, os cabos submarinos tornaram-se uma base sólida para a conectividade digital, com cerca de 99% do tráfego internacional da internet a passar por eles.

Verdadeiras autoestradas digitais

Os pontos de acesso visíveis, como redes móveis, satélites e internet fixa são conhecidas, mas a infraestrutura subjacente que os suporta é a vasta rede de cabos submarinos, “as autoestradas digitais”. Estas são constituídas por fios de fibra ótica colocadas a centenas de metros abaixo da superfície do oceano por navios de lançamento de cabos.

Lamanauskas sublinhou que, à medida que a dependência da conectividade digital continua a crescer, reforçar a resiliência destes cabos e desenvolver estratégias coletivas tornou-se cada vez mais importante.

Uma rede maciça para transmissão rápida de dados

A conexão global através de cabos de comunicação não é uma ideia nova. Em 1850, Inglaterra e França foram ligadas pela primeira vez por um cabo telegráfico submarino. Desde então, a tecnologia evoluiu de forma constante, dos serviços de telégrafo às redes telefónicas e, agora, à internet de alta velocidade transportada por cabos de fibra ótica.

Em todo o mundo, existem mais de 500 cabos submarinos comerciais, ligando continentes, mercados e lares, que se estendem por cerca de 1,7 milhões de km.

Antes da instalação, o fundo do mar é cuidadosamente estudado para reduzir riscos e impactos ambientais. De seguida, navios especializados desenrolam os cabos ao longo do leito oceânico.

Interrupções causadas por acidentes e desastres

Com os cabos submarinos a sustentarem a economia digital global, qualquer interrupção pode ter efeitos imediatos, afetando atividades económicas, serviços de emergência e tecnológicos, sistemas de segurança e o acesso à internet para milhões de pessoas em todo o mundo.

Normalmente, ocorrem entre 150 e 200 incidentes com cabos por ano, uma média de três a quatro por semana. O representante da UIT recordou que “nos últimos anos, houve vários incidentes de grande visibilidade, do Mar Vermelho à África Ocidental e Oriental”

As falhas na conectividade dos cabos podem resultar de terremotos, deslizamentos submarinos e erupções vulcânicas. No entanto, as estatísticas mostram que cerca de 80% dos incidentes são causados por atividade humana, desde âncoras de navios a redes de pesca que danificam os cabos.

Lamanauskas citou o exemplo de Tonga, que sofreu três grandes interrupções desde 2019, causadas por um terramoto, erupções vulcânicas e ancoração inadequada.

Ele afirmou que “cada momento conta”, dando como exemplo hipotético um  impacto para os operadores da bolsa em Nova Iorque, se ocorrer um atraso de apenas um milissegundo devido à congestão dos cabos ou a um incidente no fundo do mar.

Prontidão para reparar as autoestradas invisíveis

O especialista acrescentou que para além da abrasão e do desgaste natural, “uma parte da infraestrutura de cabos instalada por volta do ano 2000 está agora a atingir a maturidade, uma vez que foram concebidos para uma vida útil média de 25 anos”.

O secretário-geral adjunto explicou que, em caso de incidente, os engenheiros conseguem identificar rapidamente a área afetada e que “o trabalho de reparação em si nem sempre é a parte mais complicada”. Segundo ele, o que é muitas vezes mais complexo é garantir todas as licenças e autorizações necessárias, especialmente quando estão envolvidas jurisdições múltiplas ou sobrepostas.

Dependendo da localização e da dimensão dos danos, a mobilização de navios e os trabalhos de reparação podem demorar dias, semanas ou meses. Em muitos países, a falta de um ponto focal claro para gerir estes requisitos operacionais acrescenta dificuldades adicionais.

Um investimento dispendioso

Lamanauskas observou que a instalação de novos cabos é frequentemente um projeto que exige um período significativo. Ele disse que “há um planeamento extenso envolvido e, normalmente, também é dispendioso. Enquanto os cabos mais curtos custam milhões, os mais longos podem atingir centenas de milhões.”

O processo também depende de serviços especializados, como navios de lançamento de cabos. Da mesma forma, há poucos fornecedores dos próprios sistemas de cabos, pelo que, naturalmente, apenas um pequeno número de empresas pode oferecer estes serviços.

Papel da UIT

Enquanto agência da ONU para as tecnologias digitais, a UIT trabalha para reforçar a resiliência dos cabos submarinos globais através da colaboração, da definição de normas e da orientação técnica. As prioridades incluem o desenvolvimento de medidas de resiliência, a simplificação dos processos de manutenção e reparação e a adoção de práticas mais sustentáveis.

O alto responsável da UIT recordou que comparar a experiência de internet de há 10 a 20 anos com a de hoje revela uma transformação completa, impulsionada em grande parte pelo crescimento tecnológico.

Através do seu Órgão Consultivo Internacional sobre a Resiliência dos Cabos Submarinos, a UIT reúne governos, atores da indústria e especialistas para desenvolver boas práticas, com foco na manutenção dos cabos, prevenção de danos, recuperação rápida e sustentabilidade, em parceria com o Comité Internacional de Proteção dos Cabos, ICPC.

Cimeira sobre a Resiliência dos Cabos Submarinos 2026

Em 2025, na primeira Cimeira sobre Resiliência, em Abuja, Nigéria, os líderes reconheceram a importância de reforçar a cooperação para apoiar esta “infraestrutura digital global crítica”.

A Segunda Cimeira Internacional sobre a Resiliência dos Cabos Submarinos terá lugar nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2026, na cidade do Porto, Portugal, e irá basear-se nas recomendações preparadas pelos Grupos de Trabalho do Órgão Consultivo.

Essas recomendações estão centradas na instalação e reparação de cabos, na identificação e mitigação de riscos, bem como na promoção da conectividade e da diversidade geográfica para reforçar a resiliência da rede.

Lamanauskas esclareceu que a UIT não é um organismo operacional e não repara cabos. Em vez disso, cria o ambiente facilitador adequado, encurtando os prazos de licenciamento, estabelecendo pontos de contacto claros, sensibilizando para prevenir danos acidentais e facilitando reparações mais rápidas.

À medida que a procura por conectividade e dados aumenta a uma velocidade sem precedentes, estes esforços desempenharão um papel fundamental no reforço das bases para um progresso partilhado e na definição do futuro do panorama digital global. ONU News – Nações Unidas


Angola - Angonabeiro exportou 1,4 mil milhões Kz em café no ano passado

A Angonabeiro exportou no ano passado cerca de 1,4 mil milhões Kz (1,29 milhões de euros) de café produzido no País para vários mercados internacionais, segundo um comunicado divulgado esta semana em Luanda


De acordo com o documento, as exportações estão inseridas na estratégia de relançamento da produção de café nacional, e no objectivo de diversificar a economia e contribuir para a dinamização de toda a cadeia produtiva do café, o que tem permitido levar o café angolano para diferentes partes do mundo.

"Hoje, levamos o café angolano a vários mercados internacionais, como França, Suíça, Cabo Verde, Senegal e Brasil, promovendo a sua qualidade, identidade e potencial junto de diferentes públicos no mundo. Este percurso reflecte o nosso compromisso contínuo com a valorização do café produzido em Angola e com o desenvolvimento sustentável da fileira do café", salienta Rui Gonçalves, citado no comunicado da Angonabeiro, que não avança a quantidade exportada.

A empresa garante que, em 2025, registou um volume de negócios de cerca de 29,9 mil milhões Kz, um crescimento de aproximadamente 13,3% face a 2024. "Estes resultados reflectem a trajectória de crescimento sustentado da Angonabeiro, reafirmando o nosso compromisso e contributo para o desenvolvimento do sector em Angola. São fruto de uma estratégia consistente, assente no reforço da capacidade produtiva, na valorização do talento local e numa aposta contínua na qualidade, inovação e proximidade com os consumidores e parceiros. Continuamos focados em criar valor para a economia angolana e em consolidar a Angonabeiro como um actor de referência no sector do café no País".

Para isso, a empresa tem apostado na recuperação de infraestruturas, formação de recursos humanos e disponibilização de meios técnicos, com o objectivo de revitalizar a fileira do café de Angola e recuperar o prestígio internacional que o País já teve nesta fileira de produção "Acreditamos na aposta que temos vindo a fazer, centrada no estímulo da produção nacional, através da compra de café a grandes e médias fazendas, bem como a pequenos agricultores", lê-se no comunicado.

A empresa, que se dedica à produção de café, garante também que tem apoiado produtores de café na integração das melhores práticas agrícolas, de forma a maximizarem o seu rendimento, assegurando ainda a venda de toda a produção de café verde destes produtores. "Este negócio tem vindo a ganhar relevo na economia angolana e, ao longo destes anos, já chegámos a mais de 40 mil famílias, que apoiamos e às quais adquirimos o seu café", refere o comunicado citando Rui Gonçalves, que lidera a empresa. A empresa, que emprega actualmente 106 trabalhadores, lidera o mercado de café torrado no País e detém marcas próprias, como a Delta e a Ginga. Faustino Diogo – Angola in “Expansão”


Cabo Verde - Mureno lança vídeoclipe do single "kriola"

O cantor Mureno acaba de lançar em todas as plataformas digitais o videoclipe do single "kriola", um dos temas presentes no primeiro EP “Garota”


Segundo uma nota da Harmonia, o tema possui uma melodia envolvente com a letra que dá voz a um coração apaixonado que já escolheu a sua amada como o centro do seu universo, exaltando todas as qualidades que fazem com que esse amor seja puro, intenso, sincero e eterno.

Em Kriola, Mureno revela sua faceta emocional, mantendo-se fiel às referências que sempre o acompanharam: o estilo afro-pop romântico.

A composição é um trabalho conjunto entre Mureno e Manolo, composição e melodia.

Recorda-se que o tema faz parte do EP “Garota”, foi lançado a 14 de Novembro de 2025, e é uma dedicatória para todas as mulheres”.

Para além de Kriola, o EP é composto por temas como “Diskulpam”, “Garota”, “Pa Mas Kin Tenta”, “Prigoza” e “You Know”. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”

 

Cabo Verde - Cantor e compositor Mureno lança primeiro EP intitulado “Garota”

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Albânia - Mais de 40 grupos ambientalistas pedem a suspensão das atividades de resort de luxo em ilha

Dezenas de organizações ambientais estão a pressionar o governo albanês a interromper o megaprojeto em Sazan


Todas as atenções se voltaram para a Albânia depois que mais de 40 grupos ambientalistas de toda a Europa pediram a suspensão do megaprojeto do genro de Donald Trump.

No ano passado, Jared Kushner e sua esposa Ivanka Trump causaram polémica ao revelarem planos para transformar a ilha desabitada de Sazan num destino turístico para a elite. Os planos da Affinity Global Development para arrasar a área natural e construir um resort de luxo receberam sinal verde do primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, em janeiro do ano passado.

Estima-se que o projeto custe cerca de 1,4 mil milhões de euros e foi viabilizado graças à infame Lei 21/2024 , que permite a construção de hotéis cinco estrelas em qualquer lugar do país, inclusive em áreas naturais protegidas.

Sazan, que outrora abrigou uma base militar, é uma das últimas ilhas intocadas do Mediterrâneo, rodeada pelo Parque Nacional Marinho de Karaburun-Sazan e um refúgio crucial para algumas das espécies marinhas mais ameaçadas do mundo.

'Profunda preocupação' com o desenvolvimento de Sazan

Numa carta endereçada a Rama e ao Ministro do Meio Ambiente, Sofjan Jaupaj, um grupo de organizações ambientais de 28 países diferentes instou o governo a suspender qualquer decisão que possa levar o projeto adiante. A carta surge apenas uma semana depois de Ivanka Trump ter sido vista jantando com Rama acompanhada por uma equipa de arquitetos.

Organizações como a Proteção e Preservação do Meio Ambiente Natural na Albânia (PPNEA) e o Centro Mediterrâneo de Monitorização Ambiental (MedCEM) alertam que o projeto proposto envolveria intervenções numa área de 45 hectares em Sazan, levantando "sérias preocupações" sobre o seu impacto ambiental.

Sazan está rodeada pelo Parque Nacional Marinho e as suas águas são designadas como Área Protegida de Importância Mediterrânica (SPAMI). O mar em redor de Sazan oferece habitats valiosos e essenciais para espécies ameaçadas de extinção, como a foca-monge-do-mediterrânico, enquanto os prados subaquáticos de Posidonia nas proximidades são fundamentais para a biodiversidade e o clima.

'Uma séria ameaça a habitats delicados'

“A construção de um resort de luxo, com intervenções de infraestrutura em grande escala, como tráfego marítimo, estradas e sistemas de esgoto, representa uma séria ameaça a esses habitats delicados”, diz a carta.

“Essas intervenções trazem ruído, iluminação artificial, poluição e maior presença humana – tudo isso pode afastar a vida selvagem de áreas críticas, incluindo cavernas costeiras essenciais para a sobrevivência da foca-monge.”

A carta argumenta ainda que o projeto e sua aprovação representam uma “contradição direta” aos compromissos assumidos pela Albânia no processo de adesão à União Europeia. Isso ocorre poucos dias depois de a Albânia ter se juntado ao recém-criado “Conselho da Paz” de Trump, que, segundo ele, criará um futuro mais seguro para o mundo.

A Euronews Green entrou em contato com o Ministério do Turismo e Meio Ambiente da Albânia para obter um posicionamento. Euronews.green


Macau - Pode ter papel “importante” quando Timor-Leste legislar o jogo

Timor-Leste está a debater a possibilidade de introduzir uma lei que permita a abertura de casinos. Se isso for uma realidade, a experiência de Macau “pode ser importante” para o processo que se seguirá, dada a sua “grande experiência” no sector, disse ao Jornal Tribuna de Macau o embaixador timorense em Pequim. Loro-Horta referiu, por outro lado, que Timor tem de aproveitar a totalidade das vagas para bolsas de estudo concedidas pela RAEM para que alunos venham estudar nas universidades do território. “Isso não está a ser aproveitado, por desconhecimento”, revela. Sobre o investimento de empresários locais no país, o diplomata confirma que “há alguns”, sobretudo no sector do café, mas também na construção de hotéis e no consequente desenvolvimento do turismo


Em Timor-Leste existe jogo, em pequena escala, mas a maior parte é ilegal, pelo que o pequeno país asiático tem acelerado o debate para a introdução de uma lei sobre o jogo. Segundo referiu ao Jornal Tribuna de Macau o embaixador timorense em Pequim, numa breve passagem por Macau, caso sejam permitidos os casinos no seu país, Macau pode desempenhar um “importante papel” no desenvolvimento do sector, no processo seguinte à aprovação da lei.

“Dada a sua grande experiência na gestão da indústria do sector do jogo, não tenho dúvida de que Macau será o parceiro ideal para a concretização do processo de abertura dos casinos em Timor-Leste”, salientou Loro-Horta, sem especificar em que moldes esse apoio seria concretizado.

Para o diplomata, “devido aos laços históricos que Macau tem com Timor, e mesmo a proximidade geográfica, não fará muito sentido levar companhias europeias ou americanas, tomando em consideração que Macau é, há vários anos, a maior cidade do jogo, tendo ultrapassado Las Vegas, fazendo muito dinheiro com o jogo”.

Acrescenta que em Timor já existe uma “enorme cultura de jogo, permitindo-se certas casas de jogo, principalmente com ‘slot-machines’”. Assim sendo, diz-se a favor da legalização e apresenta a sua razão: “É muito simples, se as pessoas continuam a jogar, então mais vale legalizar e convidar-se companhias sérias que têm décadas de experiência neste sector, como Macau”. “O Estado beneficiaria de impostos pagos pelas operadoras, a que se junta tudo aquilo que os casinos podem trazer, ou seja, turismo, hotéis, restaurantes, todo um ecossistema que é criado”.

O timorense, de 47 anos, nascido em Moçambique, que exerce o cargo de embaixador na capital chinesa há cerca de dois anos e meio frisa que a questão de abertura de casinos “está a ser discutida há muito tempo, até porque há cada vez mais sectores da sociedade interessados em que isso se concretize”.

No entanto, admite que há algum receio, por causa dos problemas sociais. “Sim, é verdade, há esse risco, mas julgo que o importante é haver controlo, regras rigorosas, como existe em Macau, não permitindo que, por exemplo, os funcionários públicos entrem nos casinos, ou pelo menos exigir que, para jogar, provem o seu rendimento mensal”.

Na relação com Macau, Loro-Horta destaca a questão dos estudantes timorenses que pretendem estudar no território. Segundo sabe, há 10 vagas de bolsas de estudo que podem ser aproveitadas, “mas apenas cinco estão a ser utilizadas, por desconhecimento, uma vez que não há muita informação e os alunos não sabem como candidatar-se”, observa, desejando que “essas oportunidades de virem para Macau sejam em breve uma realidade para os estudantes de Timor-Leste, para que depois possam regressar e ajudar o país a desenvolver-se”.

Ainda na vertente da juventude, o representante de Timor-Leste em Pequim lamenta o alto grau de desemprego. “Esse é um dos grandes problemas que enfrentamos, já que 70% da nossa população tem menos de 35 anos de idade e os números do desemprego são de facto elevadíssimos”, constata, falando numa estimativa de entre 70% a 80% de falta de emprego em Díli e Baucau.

O Estado ainda é o maior empregador, dispondo de cerca de 50.000 funcionários públicos, para uma população de perto de um milhão e 400 mil pessoas. “É muito”, diz. “O máximo que devíamos ter era 20.000”, destaca, referindo que o problema é “não haver sector privado e por isso os governos vão dando trabalho no Estado para tentar aguentar a pressão social”.

A falta de trabalho, principalmente para os jovens, tem sido “um pouco aliviada” com os trabalhadores emigrantes. “Têm ido para a Austrália, trabalhadores agrícolas fundamentalmente, mas também em fábricas, outros para a Coreia do Sul, sobretudo para o sector da pesca, para os parques de pesca, e também para o Reino Unido, mas aqui o Brexit fez regressar muitos timorenses, que recebem incentivos para voltar à terra natal”, salienta.

Empresários chineses fazem investimentos

No que concerne às riquezas naturais, que podem ajudar a crescer o país económica e socialmente, mencionou o petróleo, o gás natural e os minerais, principalmente, mas também o café, que tem gerado o interesse de muitos empresários, incluindo os de Macau, em importar o produto. “Há, nesse sector, algumas empresas de Macau que se têm dirigido a Timor, mas existe outro tipo de investimento da RAEM, que é na construção de hotéis, o que julgo crescerá bastante com a possibilidade de abertura dos casinos”, reforça.

Admitindo que a grande prioridade do Governo liderado por Xanana Gusmão é diversificar a economia, Loro-Horta reconhece a “grande dependência” do petróleo e do gás natural.

“Existem três áreas em que nós estamos a ver possibilidades de investir para poder diversificar a economia, que são o turismo, o sector agrícola e também as pescas”, afirma, apontando para os investimentos que os empresários chineses podem fazer, sendo que “a China é actualmente o segundo parceiro económico de Timor-Leste, logo a seguir à Indonésia”.

Nesse sentido, muito do seu trabalho como embaixador tem sido direccionado para o contacto com companhias do sul da China, principalmente de Guangdong, mas também de Fujian, Guangxi e Wuhan. “Há de outras partes da China, mas fundamentalmente a maior parte das empresas chinesas e as comunidades chinesas residentes em Timor são pessoas do sul da China, da região da Grande Baía e zonas próximas, que já é uma tradição que vem desde o século XIX”, lembra.

Na área de pescas e da aquacultura existem, de acordo com o diplomata, companhias interessadas em instalar-se em Timor-Leste. Por isso, “queríamos ver a possibilidade de aprofundar mais essa cooperação para ver se conseguimos investimentos chinês no nosso sector de pescas e não só na economia azul de maneira geral”, indica.

Dá exemplos de investimento chinês em viveiros de camarão, na zona de Manatuto, havendo outros interessados no mesmo sector na zona de Viqueque. O governo já deu o terreno, tendo-se iniciado a construção de infra-estruturas, como tanques.

Quanto ao turismo, Loro-Horta, filho do Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, aborda a questão “fundamental” de haver no futuro mais voos regulares de acesso directo a Díli. “Para que o turismo se desenvolva, concretamente o turismo da China, é preciso mais voos directos para a capital”, reconhece.

Existem três vezes por semana, operados pela Aero Díli, entre Xiamen e Díli, e agora começou um voo também para outra cidade chinesa. “Tudo isso é um factor de desenvolvimento”, menciona, sublinhando que visita do Chefe de Estado timorense a Pequim, em 2024, onde se encontrou com o Presidente Xi Jinping, assim como a entrada de Timor-Leste na Associação de Nações do Sudeste Asiático, fez elevar o nível do país nas “Parcerias Estratégicas Abrangentes” da República Popular da China.

Loro-Horta conclui com o ponto da situação político-social de Timor-Leste. “O país está bastante estável, sobretudo se compararmos com alguns países da nossa região”, refere, afirmando que “a última vez que tivemos um caso sério de violência política foi em 2008, quando houve o atentado contra o Presidente Ramos-Horta”.

No ano passado registaram-se algumas manifestações de estudantes, protestos parecidos com o que se passou no Nepal, na Indonésia e nas Filipinas, com os jovens a criticarem o Parlamento por pretender comprar carros novos. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



Uma obra-prima à altura de Machado de Assis

Livro de Lourenço Cazarré premiado em Portugal ganha edição brasileira

                                                                                     

                                                          I

Depois de publicar Contos pelotenses (Florianópolis, Editora Insular), Lourenço Cazarré, ainda em 2025, lançou Breve memória de Simeão Boa Morte e outros contos poéticos (Rio de Janeiro, Faria e Silva Editora), obra que já havia sido publicada em Portugal em 2024 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, dentro da Coleção Comunidades Portuguesas, mas, desta, vez com dois contos inéditos que não constam da edição portuguesa.

A obra foi a vencedora em 2023 da 5ª edição do Prêmio Imprensa Nacional/Ferreira de Castro, que procura distinguir portugueses e lusodescendentes residentes no estrangeiro e que contou com a participação de 69 candidaturas provenientes do Brasil, Bélgica, Reino Unido, Estados Unidos, Cabo Verde, França, Irlanda, Suíça, Espanha, Canadá, Sri Lanka e Portugal.

São contos de grande mestria, que têm como tema comum a literatura e nos quais o autor usa o humor, a ironia e a imaginação com talento indiscutível. Mas o texto que se destaca, por sua engenhosidade, é aquele que dá título à obra e que encerra o volume, uma novela de 80 páginas em que um personagem do conto “O alienista” (1882), de Machado de Assis (1839-1908), revoltado contra as “mentiras” que o grande escritor brasileiro teria assacado contra sua memória, procura impiedosamente castigar e menosprezar a obra machadiana.

Como se lê ao final da novela, esse Simeão Boa Morte seria um médico psiquiátrico, que cedo se retirou da profissão e tornou-se empresário, jornalista e dramaturgo amador. Ao falecer, teria deixado inédita uma monografia com a qual pretendia demonstrar que Machado de Assis, ao escrever “O alienista”, teria se utilizado de histórias contadas por ele para um jovem poeta gaúcho, Artur Gentil Cortês, que teria servido de modelo para o chamado Bruxo do Cosme Velho criar Elisário, protagonista do conto “Um erradio”, publicado em 1894 na revista A Estação, do Rio de Janeiro, e incluído no livro Páginas recolhidas (1899). O autor diz ainda que teria descoberto a memória de Simeão Boa Morte ao final de 1989, quando pesquisava para escrever sua tese de doutoramento em Letras.

O citado autor se diz revoltado porque, segundo disse, “quase nada do que consta do referido escrito deu-se de fato”, ou seja, “quase tudo que ali está consignado ocorreu, sim, mas de modo completamente inverso”.  Eis o que o personagem diz do grande autor, fundador da Academia Brasileira de Letras: “É um profissional da fabricação de aforismos, máximas, ditirambos, rifões, ditérios e adágios. E adora citações bíblicas, mitológicas ou tiradas de livros ilegíveis, como os produzidos por alemães e russos. Opera sempre com a corrosiva e venenosa malícia dos intelectuais acanhados”. (pág. 101).

 

                                                 II   

Para o crítico literário André Seffrin, autor do texto de apresentação, “Breve memória de Simeão Boa Morte” constitui uma “impagável obra-prima e como novela burlesca atinge os cimos machadianos, uma imensa resposta, e à altura desses mesmos cimos”. Para Seffrin, “essa última história até o próprio Machado de Assis, gaiatamente, assinaria”.

Até porque, acrescentamos nós, Cazarré procura fazer, através da paródia, uma imitação burlesca do estilo machadiano, uma forma de arte que ridiculariza obras, estilos ou personagens sérios através do exagero e do deboche. Enfim, com ironia e distorção, cria um humor satírico, transformando o tom original em algo cômico, frívolo ou grotesco.

Já para Luís Filipe Castro Mendes, diplomata e ex-ministro da Cultura de Portugal (2016-2018), que fez parte da comissão que atribuiu o prêmio ao autor, esta novela constitui uma obra notável no seu jogo irônico, em que se reconhece um invulgar conhecimento da literatura, das suas glórias e dos seus alçapões. “Paradoxalmente, é uma grande e inovadora homenagem ao seu mestre, Machado de Assis”, conclui.

                   

                                                III

Outros dois contos igualmente têm como interlocutores escritores de nomeada na Literatura Brasileira. É o caso daquele que abre o volume, “Um vate de incomensurável acuidade e furor”, em que o protagonista é o romancista Graciliano Ramos (1892-1953), que, numa reunião pouco atraente de leitura de poemas, mostra-se enfadado e “aperreado”, sem disfarçar o olhar “caceteado”.

No conto seguinte, “O último trem da infância”, um velho engenheiro conta como recebeu do poeta e matemático pernambucano Joaquim Cardozo (1897-1978), que seria “vastíssimo poliglota, leitor voraz, vate certeiro e matemático da estirpe de Euclides e Newton”, uma espécie de esboço do que seria depois um dos grandes poemas brasileiros, “Visão do último trem subindo ao céu”.

Já em “Discurso da mãe do goleirinho”, conto mais extenso, de 26 páginas, uma jovem poetisa, recorrendo à técnica do cordel, reconstitui a vida do seu pai, que não chegou a conhecer, a partir das lembranças da avó, com quem fora morar em Porto Alegre, já à época de seus estudos universitários, uma senhora “viúva desde os 60 anos e que aos 70 perdera o filho querido”.

No conto “Um magnífico espetáculo de aviltante bajulação”, acompanha-se a história do sacrifício de uma cadela chamada Pirata que acabaria por comover toda uma família e, inclusive, levar um filho pequeno a testemunhar a cena do pai vertendo lágrimas, apesar deste ter sido sempre considerado pessoa de coração duro. Por fim, no conto seguinte, “A cerimônia do adeus do Yokozuna Amoyama”, um menino conta sobre o dia em que seu avô o levou à cerimônia de despedida do maior lutador de sumô de todos os tempos.

 

                                                IV   

Nascido em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Lourenço Cazarré (1954) é descendente de portugueses de Cinfães que emigraram para o Brasil ao final do século XIX. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas em 1975. Depois de um breve período como operador de telex, trabalhou um ano como repórter na sucursal de Pelotas dos jornais Correio do Povo, Folha da Manhã e Folha da Tarde, que pertenciam à empresa Caldas Júnior, de Porto Alegre. Em junho de 1976, transferiu-se para Florianópolis, onde permaneceu por seis meses como repórter da sucursal local do grupo Caldas Júnior, antes de se transferir para a redação do jornal O Estado.

Como escritor passou a ser reconhecido depois que ganhou a 1ª Bienal Nestlé, em 1982, com o romance O calidoscópio e a ampulheta (1983), em que conta as desventuras de um ditador livremente inspirado em Getúlio Vargas (1882-1954). Em 1977, transferiu-se para o Distrito Federal, onde passou a trabalhar como redator do Jornal de Brasília.

Por essa época, já escrevia contos que publicava em jornais e revistas. Em 1979, começou a escrever Agosto, Sexta-Feira, Treze, seu primeiro romance, publicado em 1981. Depois de um retorno ao Rio Grande do Sul, estabelecendo-se na praia de Laranjal, na costa oeste da Lagoa dos Patos, onde viveu dos parcos recursos acumulados com os empregos e os prêmios literários conquistados, voltou a Brasília. Dessa época, são os contos da primeira edição de Enfeitiçados todos nós (São Paulo, Melhoramentos, 1984).

Em 1983, em Brasília, passou a trabalhar em uma assessoria de imprensa na Câmara dos Deputados. Em seguida, tendo sido aprovado em concurso para professor de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, retornou para Pelotas, mantendo-se em trânsito entre o Rio Grande de Sul e Santa Catarina por alguns meses, até desistir da carreira e transferir-se definitivamente para Brasília. Em 1987, exerceu por alguns meses a função de chefe de editoração da Editora da Universidade de Brasília (UnB), até que, em 1988, aprovado por concurso público, assumiu o cargo de redator no Senado Federal, onde trabalhou até se aposentar. Atualmente, é colaborador do jornal Correio Braziliense. Hoje, vive em Brasília.

Autor profícuo, Cazarré publicou mais de 40 livros, desde romances e coletâneas de contos a novelas juvenis, entre os quais se destacam o romance A longa migração do temível tubarão (2008), as novelas Nadando contra a morte (1998), Estava nascendo o dia em que conheceriam o mar (2011) e Os filhos do deserto combatem na solidão (2016), as coletâneas de contos A arte excêntrica dos goleiros (2004) e Exercícios espirituais para insônia e incerteza (2012) e as novelas juvenis Kandimba (2019), A fabulosa morte do professor de Português (2013) e Amor e guerra em Canudos (2021).

Em 2018, com Kzar, Alexander, o louco de Pelotas (Curitiba, Editora Paraná, 2018), venceu na categoria romance o Prêmio Paraná de Literatura, promovido pela Biblioteca Pública do Paraná. O romance premiado trata da paixão alucinada de um homem pela literatura. Em parceria com Pedro Almeida Vieira, publicou em fascículos, no site Página Um, a novela policial de humor A misteriosa morte de Miguela de Alcazar. Adelto Gonçalves - Brasil

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Breve memória de Simeão Boa Morte e outros contos poéticos, de Lourenço Cazarré. Rio de Janeiro, Faria e Silva Editora, 176 páginas, R$ 48,90, 2025. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 244 páginas, 18 euros, 2024. E-mails: altabooks@altabooks.com.br incm@incm.pt Sites: www.altabooks.com.br www.incm.pt

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp)/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-Latas da Madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2024), publicado os Estados Unidos e na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


Goa - O Festival de Música do Monte regressa com três dias de harmonia cultural

Realizado anualmente num dos morros mais pitorescos de Goa, o Festival de Música do Monte, organizado pela Fundação Oriente, oferece vistas deslumbrantes do Rio Mandovi, as suas ilhas, um santuário de pássaros nas proximidades e o icónico centro histórico de Goa Velha, Património Mundial da UNESCO.


Criado em 2002, após a restauração da Capela de Nossa Senhora do Monte, do século XVI, pela Fundação Oriente, o festival foi concebido como uma plataforma para o intercâmbio artístico entre as tradições clássicas ocidentais e indianas.

Ao longo dos anos, tornou-se um importante encontro cultural que vai além da música e da dança, acolhendo artistas de Portugal e da Índia que compartilham não apenas os seus desempenhos, mas também a rica herança das suas regiões.

A edição de 2026 será realizada nos dias 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro, no pátio da Capela de Nossa Senhora do Monte, em Goa Velha, transformando mais uma vez o sereno pátio da capela num espaço para diálogo e celebração cultural. Esta é a quarta edição do festival sob a direção do Dr. Paulo Jorge da Silva Gomes, diretor da Fundação Oriente, que conta com o apoio da equipa da Fundação Oriente.

O Festival de Música de Monte não exigirá ingressos para nenhum dos seus concertos e haverá dois autocarros para levar os visitantes do Gandhi Circle, em Goa Velha, até a Capela de Nossa Senhora do Monte, também em Goa Velha. O Dr. Paulo Jorge da Silva Gomes informa: “A próxima edição do Festival de Música de Monte reunirá, através da música e da dança, diferentes elementos e diferentes partes da Índia e de Portugal. De Rajasthan, Gujarat, Ahmedabad, Mumbai e Delhi, na Índia, e de Lisboa e Alentejo, região no sul de Portugal, uma mistura de grandes músicos que oferecerá não apenas um festival de música e dança, mas também um evento cultural. Este é o ingrediente mais importante para nós no Festival de Música de Monte.

Claro que não podemos esquecer os artistas goeses, pois abriremos o Festival de Música de Monte com Sonia Shirsat e os seus amigos, todos goeses, para promover também os artistas, a música e a língua goesa.”

Falando sobre Ricardo Ribeiro, que encerrará o festival, o Dr. Paulo Gomes afirma: “Ele é um fadista português com uma voz inesquecível, que combina com maestria o fado clássico com influências contemporâneas. Hoje, é considerado uma das vozes mais influentes do fado em Portugal.” A Fundação Oriente tem o dom de selecionar apresentações excepcionais ano após ano, mantendo o festival vibrante e atual, apresentando artistas nacionais e internacionais raramente vistos no país.

“Trabalhamos na área das artes e seguimos certos critérios. Em primeiro lugar, recebemos um grande número de propostas de músicos indianos e portugueses. Para cada edição, os artistas são selecionados pela equipa curatorial responsável naquele ano. Temos um amplo banco de dados, o que facilita o processo de seleção em termos de qualidade, pois oferece uma grande variedade de opções. Dito isso, “Nunca é fácil escolher alguns artistas e não outros que também gostaríamos de convidar, isso faz parte do processo. No geral, graças ao volume de propostas que recebemos e ao nosso extenso banco de dados, a nossa missão é facilitada nesse sentido”, explica o Dr. Paulo Gomes. Dolcy D'Cruz – Goa in “O Heraldo”

Programa

30 de janeiro | 19h, HORIZONTES EM TRANSFORMAÇÃO, COM O CORO AO NAGA. Horizontes em Transformação é uma jornada musical que celebra as tradições vivas do nordeste da Índia. Enraizado nas tradições culturais Naga, o Coro representa com orgulho a sua herança por meio de trajes tradicionais, paisagens sonoras indígenas e desempenhos que incorporam o espírito e o legado dos seus ancestrais.

30 de janeiro | 17h45 CALIDOSCÓPIO – UMA SINFONIA DE CORES EM SOM, POR SÓNIA SHIRSAT E AMIGOS O FMM 2026 será inaugurado com uma apresentação da cantora goesa Sónia Shirsat, acompanhada por cinco músicos goeses. Eles apresentarão canções em português e concani, destacando os laços históricos entre Goa e Portugal, bem como o idioma oficial de Goa, o concani. O grupo será composto por Carlos Menezes, Allan Abreu, Prathamesh Chari, Irshad Khalifa e Franz Schubert Cotta.

31 de janeiro | 17h45 “ROOTS” – ONDE AS MELODIAS ESQUECIDAS DA ÍNDIA ENCONTRAM A SUA VOZ NOVAMENTE, POR ASAD KHAN E AMIGOS Liderado pelo mestre do sitar reconhecido pelo Grammy, Asad Khan, o Roots é um coletivo musical que dá vida às ricas melodias enterradas no solo cultural da Índia. Das tradições folclóricas do Rajastão, Gujarat, Maharashtra, Assam e Bengala, Asad reinventa dhuns, taranas, dohas e heets de casamento esquecidos, cada um enraizado nos humores da vida indiana: amor, saudade, chuva, colheita, celebração e despedida. O conjunto contará com Rais Khan, Dana Bharmal Harjan, Kalpa Joyti, Altamash Ansari e Jogi Laxman Premji.

31 de janeiro | 19h 100 PAREDES E STUTI CHORAL & STRING ENSEMBLE Em 2025/2026, celebra-se o centenário de Carlos Paredes, uma das figuras mais emblemáticas da cultura portuguesa e embaixador mundial da guitarra portuguesa. Para homenagear este marco, André Varandas e Bruno Costa criaram o projeto 100 Paredes. Em Goa, o grupo 100 Paredes atuará ao lado do aclamado Stuti Choral & String Ensemble, sob a direção de Parversh Java, com arranjos orquestrais do renomado compositor brasileiro Rodrigo Morte.

1º de fevereiro | 17h45 SAMANVAYA – HARMONIA POR RAUL & MITALI Mitali-Raul e a sua trupe apresentam Samanvaya – Harmonia; uma confluência de música e movimento, Odissi e Bharatanatyam, tradição e inovação, ritmo e expressão, património e contemporaneidade.

1 de fevereiro | 19h RICARDO RIBEIRO A voz de Ricardo Ribeiro, descrita como "uma vez ouvida, jamais esquecida", tornou-se um nome essencial no fado contemporâneo. Com uma presença vocal que evoca vida e morte num só fôlego, ele continua a trilhar o seu próprio caminho entre o fado tradicional e o futuro do género.



quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Angola - Feira Cultural “Ano Novo Chinês” promove intercâmbio entre China e África

A Marginal de Luanda vai ser o palco da segunda edição da Feira Cultural “Ano Novo Chinês”, que vai decorrer durante dois dias, 31 do corrente mês e no dia primeiro de Fevereiro (Sábado e Domingo), com o objectivo de assinalar o intercâmbio interpessoal e cultural entre China e África, designação atribuída este ano no âmbito da cooperação entre os dois continentes


Para acolher as tradições neste evento festivo, que decorre sob o lema “Ano dos Intercâmbios Interpessoais e Culturais China-África”, as actividades visam unir famílias, renovar rituais e assinalar a passagem para um novo ano. Para além das apresentações artísticas, a feira vai exibir stands empresariais, mostras gastronómicas e espaços interactivos, onde o público vai experimentar caligrafia, artes manuais e outros elementos tradicionais.

O festival vai contar ainda com a presença de pratos típicos chineses, preparados especialmente para a celebração, de forma a permitir que os visitantes promovam a culinária associada ao Festival da Primavera.

Segundo Cristiano Sun, adido da Embaixada da China e responsável pela Cooperação Cultural em Angola, o evento constitui uma oportunidade para maior aproximação dos povos, bem como criar entendimento cultural mútuo e permitir com que o público angolano conheça de perto o ambiente festivo que marca o início do ano na China. In “O País” - Angola


Internacional - Estudo apresenta guia prático sobre como a inteligência artificial pode reforçar a proteção dos oceanos

Um estudo internacional em que participa Catarina Silva, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), apresenta, pela primeira vez, um guia prático para garantir que a inteligência artificial (IA) aplicada aos ecossistemas marinhos – desde câmaras instaladas em embarcações de pesca até modelos que preveem a saúde do oceano – seja clara, segura e válida.


A investigação, coordenada pelo centro AZTI – Marine and Food Research, publicada na revista Fish and Fisheries, defende que a IA não deve substituir, mas sim reforçar, a aptidão humana de tomar decisões informadas sobre o oceano.

Os investigadores propõem um enquadramento baseado em três pilares para tornar a IA marinha fiável, ética e cientificamente robusta, num contexto em que a sua adoção cresce rapidamente, mas a regulação permanece fragmentada a nível global.

«Estamos a assistir a um aumento massivo na utilização de algoritmos de IA que processam os vastos fluxos de dados marinhos - desde câmaras e sonares, a observações por satélite – mas estes algoritmos muitas vezes não correspondem às expectativas», explica José A. Fernandes, especialista em IA do AZTI e autor principal do estudo, acrescentando que «a questão-chave é: quanta confiança podemos depositar nos algoritmos de IA? Dado que a IA já é uma realidade para o setor das pescas e da investigação marinha, só será útil se for fiável. O nosso trabalho estabelece como garantir essa confiança, combinando ciência, ética e envolvimento do setor».

O estudo alerta para riscos associados ao uso de IA, como erros causados por dados enviesados, falta de validação ou ausência de transparência, que podem comprometer decisões com impacto nos ecossistemas marinhos, comunidades piscatórias e políticas públicas.

O primeiro pilar do enquadramento aborda a viabilidade socioeconómica e legal, defendendo uma IA acessível a todo o setor marinho, alinhada com a regulamentação europeia e desenvolvida com a participação direta das partes interessadas. O segundo pilar foca-se na governação ética dos dados, recomendando a aplicação dos princípios FAIR, CARE e TRUST para garantir qualidade, rastreabilidade, respeito pelas comunidades e preservação a longo prazo.

«Quando a IA é utilizada para orientar decisões que afetam ecossistemas marinhos e meios de subsistência, a acessibilidade, a transparência e a validação são essenciais», afirma Catarina Silva, coautora e investigadora do CFE/FCTUC. «O nosso enquadramento fornece orientações práticas para garantir que a IA reforça a evidência científica e a confiança em todo o setor marinho».

O terceiro pilar centra-se na robustez técnica e na validação científica, defendendo que os modelos de IA devem ser testados em condições reais, com dados independentes e comparações com medições no terreno, assegurando resultados fiáveis e úteis para a gestão.

O enquadramento traz benefícios para a investigação, para a gestão das pescas e para a sociedade, ao reforçar sistemas de apoio à decisão, promover a sustentabilidade, combater a pesca ilegal e apoiar uma economia azul responsável. Em Portugal, o guia pode apoiar a digitalização da economia azul, alinhando a inovação nacional com padrões internacionais de ‘IA de Confiança’.

«Regular a IA será um dos grandes desafios de governação da nossa vida», afirma Julian Lilkendey, biólogo das pescas no Leibniz Centre for Tropical Marine Research (ZMT), Alemanha, e autor sénior do estudo. «No oceano, onde dados e decisões moldam ecossistemas e sociedades, a IA deve servir como ponte entre o julgamento humano e a precisão das máquinas. Só alinhando governação ética, validação científica e inclusão social poderemos garantir que a IA reforça – e não substitui – a nossa capacidade de tomar decisões informadas sobre o mar». Universidade de Coimbra - Portugal