O padre João Felgueiras morreu esta sexta-feira, 3 de julho, em Díli com 105 anos, avançou à Lusa fonte da residência dos jesuítas na capital timorense
João de Vasconcelos Baptista Felgueiras natural das
Caldas das Taipas, no concelho de Guimarães, foi ordenado sacerdote em 1950 e
residia em Timor-Leste desde 1971, tendo completado 105 anos em junho.
João Felgueiras dedicou a sua vida à educação e à língua
portuguesa, mesmo quando estava proibida em Timor-Leste, durante a ocupação
indonésia.
O antigo Presidente português Jorge Sampaio condecorou o
padre jesuíta em 2002 como Grande Oficial da Ordem da Liberdade, pela sua luta
pela preservação da língua portuguesa em Timor-Leste.
Em 2016, foi condecorado pelo ex-chefe de Estado
timorense Taur Matan Ruak com a insígnia da Ordem de Timor-Leste.
Em 2022, voltou a receber uma condecoração por um
Presidente de Portugal, quando o ex-chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa o
distinguiu com a Grã-Cruz da Ordem de Camões.
“Sinto-me português e timorense. Vim para aqui como
missionário para trabalhar, enquanto a Companhia de Jesus quisesse e assim foi
até agora. Todos contribuímos”, explicou em entrevista à Lusa há quatro anos,
quando inaugurou a ampliação da Escola Amigos de Jesus, que fundou.
“O passado foi vivido, e estou contente de ter vivido em
paz, não fiz nada contra ninguém, nada de mal contra o povo e estou contente
poder ter contribuído alguma coisa”, salientou o homem que educou várias
gerações de timorenses.
Presidente timorense lembra "figura excecional"
da história do país
O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, recordou o
padre João Felgueiras como uma “figura excecional” da história timorense e um
"profeta da educação e solidariedade".
“A República Democrática de Timor-Leste despede-se hoje
de uma figura excecional da nossa história contemporânea, cuja vida foi
integralmente dedicada ao serviço do próximo, à educação, à dignidade humana e
à construção da nossa identidade nacional”, afirmou, numa declaração divulgada
pela Presidência timorense.
“Num tempo em que a língua portuguesa era proibida e a
identidade cultural do nosso povo era profundamente ameaçada, o padre
Felgueiras escolheu permanecer ao lado do povo timorense, partilhando os seus
sofrimentos, as suas esperanças e a sua resistência”, lembrou o também prémio
Nobel da Paz.
José Ramos-Horta destacou também que o padre Felgueiras
foi um “educador incansável”, que dedicou a vida à formação de jovens, promoção
da língua portuguesa e à “criação de espaços de ensino e de dignidade humana,
entre os quais se destaca a Escola Amigos de Jesus, projeto que simboliza o seu
compromisso permanente com a educação como instrumento de liberdade e
transformação social”.
O Presidente timorense reconheceu também o padre João
Felgueiras como um “profeta da educação e da solidariedade” e que o seu legado
vai permanecer nas instituições que ajudou a construir, mas também nas gerações
de timorenses que educou. In “Diário de Notícias” – Portugal com “Lusa”
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