Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Macau - Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia concedeu 37 milhões de patacas para investigações científicas lusófonas

Na última meia década, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia recebeu 69 pedidos de apoio para projectos de investigação científica relacionados com países lusófonos, tendo financiado 21, incluindo nove ligados a Portugal. O montante atribuído foi superior a 37,49 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. O Fundo acredita que a cooperação entre a RAEM e os países lusófonos continuará a crescer na área da ciência e tecnologia


Nos últimos cinco anos, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) “tem atribuído grande importância e impulsionado activamente a cooperação entre Macau e os Países de Língua Portuguesa (PLP) no domínio da ciência e tecnologia”, tendo financiado 21 projectos de investigação científica, envolvendo um montante total de financiamento de 37,498 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. Nove desses projectos estão relacionados com Portugal e 12 com o Brasil.

No mesmo intervalo temporal, o FDCT recebeu 69 pedidos envolvendo países lusófonos. Especificamente, 11 pedidos correspondem ao co-financiamento do FDCT, em conjunto com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT), no âmbito do “Programa de Apoio Financeiro para Cooperação em Ciência e Tecnologia com o Exterior”.

Abrangida no mesmo programa, a categoria de co-financiamento entre o FDCT e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo despertou 24 pedidos. Já na categoria de investigação internacional em colaboração, foram apresentados 34 pedidos de apoio relacionados com países lusófonos.

Em relação a Portugal, o FDCT concedeu, juntamente com a FCT, apoios no total de 2,821 milhões de patacas a três projectos de investigação no domínio do mar, na última meia década.

Questionado sobre a nova ronda de financiamento conjunto com a FCT, o Fundo presidido por U U Sang salientou que “presta estreita atenção ao andamento da reestruturação da FCT e irá continuar a comunicar e negociar activamente com a parte portuguesa, promovendo a celebração de acordos de cooperação, no sentido de materializar a nova ronda de plano de co-financiamento”.

Sobre os principais resultados alcançados, indicou que, no projecto “Plastish”, virado para a detecção e avaliação de risco de microplásticos na produção pesqueira, a Universidade de São José (USJ) e a Universidade do Algarve conseguiram revelar a citotoxicidade dos microplásticos, através de experiências celulares e em animais, tendo estabelecido com sucesso um modelo de avaliação de risco “in vitro” para “in vivo”.

Já no projecto “FISHMUC”, a USJ e Universidade Católica Portuguesa têm estudado as características de bioactividade do muco externo de peixes. Conseguiram identificar vários princípios activos e confirmar, através de experiências, as actividades biológicas como efeitos antimicrobianos e antitumorais, resultados que fornecem um valor significativo para o desenvolvimento de medicamentos de origem marinha.

Por seu turno, o “SeaSenseX”, microssensor de nova geração para a mutagénese marinha e a detecção de substâncias cancerígenas, sobre o qual têm trabalhado a Universidade de Macau (UM), em cooperação com a NOVA.id.FCT, de Portugal, combina microelectrónica avançada com tecnologia de biossensores, visando fornecer uma solução de monitorização da qualidade de água em tempo real e de alta sensibilidade.

Cooperação científica “irá continuar a crescer”

Numa perspectiva geral, o FDCT realça que muitos projectos financiados se estenderam para instituições portuguesas, brasileiras, entre outros países, tendo-se envolvido no estabelecimento de laboratórios conjuntos, promoção da formação de quadros qualificados e articulação tecnológica.

Na observação do Fundo, a função da RAEM enquanto plataforma de intercâmbio científico e tecnológico entre a China e os PLP “reforçou-se gradualmente” nos últimos anos.

Além disso, o programa de co-financiamento relacionado com o Brasil recebeu 24 pedidos no primeiro ano, 2025. Neste aspecto, destacou que, à medida que os mecanismos de co-financiamento com os PLP, “promovidos activamente” pelo Fundo nos últimos anos, amadurecem gradualmente, “prevê-se que [estes] impulsionem, no futuro, o lançamento de ainda mais projectos de investigação científica em cooperação com os PLP”.

Tendo em vista o lançamento do programa de co-financiamento com o Brasil, a criação sucessiva de laboratórios entre instituições de ensino superior de Macau e de países lusófonos, assim como a celebração de documentos de cooperação entre instituições de ensino superior da RAEM e portuguesas, testemunhada pelo Chefe do Executivo, durante a visita a Portugal em Abril, o FDCT prevê que “a cooperação entre Macau e os PLP na área da ciência e tecnologia irá continuar a crescer”.

Sobre os frutos de cooperação já obtidos entre a RAEM e os PLP, conclui que, nos últimos anos, o apoio do Fundo assenta no financeiro e na criação de plataformas, para ajudar instituições de ensino superior e empresas locais a estabelecer parcerias com instituições académicas e industriais portuguesas e de outros países. Além disso, realiza actividades de intercâmbio viradas para os PLP e com temas relacionados com os países lusófonos.

O Fundo mencionou resultados em três aspectos: apoiar o estabelecimento de plataformas de cooperação científica e tecnológica e impulsionar a transformação e aplicação dos frutos no estrangeiro; promover o estabelecimento conjunto de laboratórios, que fazem parte da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, juntamente com os países lusófonos; e apoiar instituições de ensino superior de Macau na realização de conferências sobre optoelectrónica, ciências da linguagem, ciências marinhas, entre outras áreas de ponta, em cooperação com Portugal, por forma a aprofundar o intercâmbio e a cooperação.

Relativamente ao “estabelecimento de plataformas de cooperação”, o Fundo apontou para o apoio concedido à criação, por parte da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM), do Laboratório Conjunto Sino-Português em Optoelectrónica, em cooperação com a Universidade Nova de Lisboa. Além disso, destacou o apoio dirigido à UM no estabelecimento do Laboratório Conjunto de Nanomedicina de Precisão (com a Universidade do Porto), Laboratório Conjunto sobre Envelhecimento Cognitivo (com a Universidade de Coimbra), Centro de Investigação Oceânica entre a China e os PLP (com a ULisboa e outras instituições) e um centro conjunto sobre direito e inteligência artificial (com a Universidade de Coimbra), inaugurado este ano.

Além disso, destacou o apoio para a introdução de um “Robô de Medicina Tradicional Chinesa com Inteligência Artificial” em Lisboa, com capacidade de realizar diagnósticos básicos e preparar fórmulas de fitoterapia, o que contribui para a divulgação dos conceitos da medicina chinesa.

Em relação a 2026, o FDCT atribuiu um apoio no valor de 712,8 mil patacas à UCTM para a construção de um modelo de avaliação dinâmica de risco para a importação transfronteiriça de dengue e chikungunya de países lusófonos para a Grande Baía, integrando dados de múltiplas fontes e inteligência artificial, bem como a sua aplicação na previsão e alerta precoce, de acordo com as informações divulgadas pelo Fundo.

Apoiados dois projectos sobre língua portuguesa

O FDCT revelou ainda a atribuição de apoio financeiro a dois projectos sobre o tema de língua portuguesa, nos últimos cinco anos, envolvendo quase 2,696 milhões de patacas. Sublinhando adoptar um mecanismo de apreciação rigorosa, o Fundo esclareceu que cabe à Comissão de Consultadoria de Projectos apreciar os pedidos, com base em critérios como o valor científico, a inovação e o potencial de aplicação, podendo ainda organizar uma sessão de defesa, caso necessário.

Segundo a colecção dos resultados de investigação científica de 2024 (a mais recente), o Fundo aprovou em 2018 e financiou uma “plataforma de turismo inteligente para Macau e países lusófonos com reconhecimento de voz”, desenvolvida pela Universidade Politécnica. No âmbito deste projecto, foi desenvolvida uma aplicação móvel de turismo inteligente que integra um sistema de reconhecimento de voz em português.

Para a UM, aprovou em 2019 e apoiou financeiramente um projecto de “orientação da tradução automática neutral baseada na autoatenção com conhecimento linguístico prévio”, que contribuiu para melhorar o sistema de tradução automática online chinês-português. À mesma instituição, o FDCT aprovou em 2017 e financiou um projecto de “investigação sobre tradução automática chinês-português baseada em aprendizagem profunda”, no âmbito do qual foi estabelecido e aberto ao público um sistema de tradução automática chinês-português online.

Segundo notou, ao tratar de assuntos envolvendo tradução profissional, conferências e emparelhamento de projectos, o Fundo costuma convidar tradutores locais ou pessoal de instituições de ensino superior para dar apoio. Nessa vertente, vincou que encara tanto os quadros multidisciplinares locais com formação em ciência e tecnologia e proficiência em língua portuguesa, como os tradutores e os docentes de ensino superior como “recursos humanos importantes para o desenvolvimento da indústria de ciência e tecnologia”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


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