Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 18 de julho de 2026

Suíça - Redes familiares facilitam integração dos portugueses no cantão de Zurique

As redes familiares e de amizade continuam a desempenhar um papel determinante na integração dos portugueses que se estabelecem no cantão de Zurique, na Suíça. A conclusão é do estudo publicado no capítulo “Os novos migrantes portugueses no cantão de Zurique: integração, redes e experiência vivida” que faz parte da obra “Integração e Regresso na Emigração Portuguesa”, do Observatório da Emigração


A investigação realizada por Maria Carolina Pinto (emigrante residente em Zurique) indica que a integração é um processo “não linear” e profundamente influenciado por fatores relacionais, estruturais e individuais. O estudo conclui que o apoio de familiares e amigos é decisivo, sobretudo nos primeiros tempos, ajudando os emigrantes a encontrar habitação, emprego, a ultrapassar barreiras administrativas e linguísticas e a adaptar-se à nova realidade.

“No contexto suíço, em particular no cantão de Zurique, as redes migratórias revelam-se determinantes na instalação dos migrantes portugueses. Atuam como mecanismos de mobilização de recursos, ajudando a mitigar as dificuldades iniciais. No entanto, a forte presença de redes intranacionais pode ter efeitos ambivalentes se, por um lado, facilitam a adaptação nos primeiros tempos, por outro, tendem a restringir o acesso a contextos de inserção mais amplos e a oportunidades de integração plena”, lê-se no referido estudo.

Os dados mostram que cerca de 66% dos participantes viveram inicialmente com familiares ou com o cônjuge quando chegaram ao cantão de Zurique, enquanto 58% emigraram já com uma oferta de emprego garantida. Além disso, 80,1% referiram não ter tido dificuldades em encontrar alojamento e 83,7% conseguiram aceder rapidamente ao seguro de saúde obrigatório, fatores que contribuíram para uma instalação mais estável.

A autora conclui que estas redes informais funcionam como uma verdadeira estrutura de acolhimento. Para além do apoio emocional, facilitam o acesso a informação, ao mercado de trabalho e aos serviços essenciais, assumindo muitas vezes um papel mais relevante do que as próprias instituições formais.

O estudo baseou-se numa metodologia mista, que combinou um questionário feito a 361 portugueses residentes no cantão de Zurique com entrevistas autobiográficas e semiestruturadas, permitindo analisar não só indicadores objetivos de integração, como o emprego e a habitação, mas também a forma como os próprios emigrantes avaliam o seu percurso.

Um dos aspetos relevantes da investigação prende-se com o tipo de apoio considerado mais importante pelos emigrantes no processo de integração. Os contactos com colegas suíços surgem em primeiro lugar, sendo considerados importantes ou muito importantes por 62,1% dos inquiridos, seguindo-se as redes de familiares e amigos portugueses (60,2%). Já os grupos de emigrantes nas redes sociais, como o Facebook, são valorizados por 32,3% dos participantes. Em sentido inverso, as associações portuguesas e as instituições públicas, tanto portuguesas como suíças, foram percecionadas pela maioria dos inquiridos como tendo um papel menos relevante no apoio direto ao percurso de integração.

Outro dado que se destaca é o perfil dos novos emigrantes portugueses. Mais de metade dos inquiridos (53,5%) possui formação superior, contrariando a imagem tradicional de uma emigração pouco qualificada. A maioria tem entre 30 e 39 anos, encontra-se em idade ativa e desenvolve projetos de permanência de médio e longo prazo na Suíça.

Apesar da avaliação globalmente positiva do processo de integração, a investigação identifica desafios que persistem. O domínio da língua alemã, a construção de relações de proximidade com a sociedade de acolhimento e alguns sentimentos de distância simbólica continuam a marcar a experiência de muitos portugueses residentes em Zurique.

Segundo a autora, a integração deve ser entendida como um processo dinâmico e multidimensional, que não depende apenas do esforço individual dos emigrantes, mas também das políticas públicas, das instituições e das redes de apoio existentes na sociedade de acolhimento.

A obra “Integração e Regresso na Emigração Portuguesa” é o segundo volume da coleção “Estado da Emigração” e apresenta sínteses de resultados de cinco teses de doutoramento recentes, efetuadas entre 2018 e 2023, centrando-se em duas dimensões fundamentais da experiência migratória: a integração nos países de destino e o regresso a Portugal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



 

Sem comentários:

Enviar um comentário