Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 18 de julho de 2026

Reino Unido - Portugueses da cidade de Londres unidos contra encerramento do restaurante Lusitânia

Está a decorrer no município de Lambeth, em Londres, um processo de licenciamento urbanístico que prevê a demolição de anexos e estruturas nas traseiras do edifício histórico “The Britannia”, situado no número em Wandsworth Road, onde funciona o Restaurante Lusitânia, ponto de encontro da comunidade portuguesa


A proposta apresentada prevê a construção de uma extensão de quatro pisos, com a escavação de uma cave, destinada à criação de seis frações residenciais independentes, a que se soma a edificação de três novas habitações no logradouro das instalações.

A iniciativa motivou uma forte reação por parte da comunidade portuguesa local, impulsionada por Pedro Xavier. O conselheiro das comunidades portuguesas tem liderado o apelo público à contestação deste projeto de planeamento, cujo prazo de consulta pública terminou a 7 de julho.

Pedro Xavier considera que o Restaurante Lusitânia assume uma relevância que ultrapassa a mera vertente comercial, classificando o espaço como um símbolo de união e um ponto de encontro geracional para os cidadãos portugueses residentes na capital britânica. O conselheiro sublinha que o estabelecimento faz parte da história da emigração nacional na cidade e da própria identidade do bairro onde se insere.

Segundo Pedro Xavier, a aprovação do atual projeto urbanístico coloca em risco a integridade de um marco considerado fundamental para a preservação das memórias e do património cultural da comunidade portuguesa na região.

O representante tem vindo a apelar, por isso, à mobilização de residentes, familiares e amigos para que submetam observações formais e objeções ao processo, com o intuito de travar os planos de demolição parcial e a subsequente reconfiguração do espaço. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 22 de maio de 2026

Angola - Obras de escritores nacionais em destaque na feira literária de Londres

Os escritores angolanos, Henrique Sungo, Beni Dya Mbaxi e Acareb O Poeta, vão participar da segunda edição da FLIP “Feira Literária Internacional de Língua Portuguesa” de Londres, a decorrer no dia 13 de Junho próximo, na Goldsmiths University of London


Promovido pela comunidade brasileira naquela cidade do Reino Unido, o evento reúne autores, editores e agentes culturais para promover a literatura em português num contexto internacional.

A feira, que se afirma como um palco de promoção e intercâmbio literário e cultural entre diferentes nações que comungam a mesma língua oficial, pretende consolidar-se como um espaço de encontro entre escritores, editores, investigadores e leitores, promovendo a circulação de obras e o diálogo cultural no universo lusófono.

Com enfoque na valorização da língua portuguesa enquanto instrumento de expressão artística e cultural global, a iniciativa procura, igualmente, aproximar diferentes comunidades e reforçar a presença da literatura lusófona fora dos seus territórios de origem.

Aberto ao público em geral, o evento dirige-se a todos os profissionais e interessados no sector literário, oferecendo uma plataforma para divulgação de projectos literários, partilha de experiências e criação de redes de contacto a nível internacional. Bernardo Pires – Angola in “O País”


terça-feira, 19 de maio de 2026

Suíça - Quer fechar as portas

Dia 14 de junho, o povo decidirá por voto secreto se a Suíça deverá limitar sua população em 10 milhões de habitantes. Essa votação foi provocada pelo partido da extrema-direita, UDC, com o objetivo de impedir a entrada de novos imigrantes na Suíça. A sondagem mais recente mostra uma pequena vantagem dos conservadores favoráveis a um limite da população.

A Suíça é um raro país governado pela democracia direta. Isso significa a possibilidade dos suíços proporem modificações nas leis do país nas esferas municipais, cantonais ou estaduais e federais. Não é fácil, mas diversas leis vigentes tiveram sua origem por iniciativa popular, aprovada pela maioria dos votantes em todos os cantões.

Desde sua criação em 1891, já houve mais de 200 iniciativas federais propondo modificações na Constituição suíça, das quais 26 foram aprovadas e entraram em vigor. A mais recente foi a criação e aprovação pelo povo, em 2024, de um décimo terceiro pagamento anual para os aposentados. (Nisso, o Brasil antecipou a Suíça de 61 anos, o décimo-terceiro salário brasileiro criado em 1962, incluiu também a aposentadoria em 1963, no governo João Goulart, deposto no ano seguinte com o Golpe militar de 1964-85).

Existe hoje, na Suíça, uma preocupação pelas consequências negativas, caso a iniciativa popular "Não a uma Suíça de 10 milhões" seja aprovada pelo povo. Experiências parecidas vividas por outros países reforçam as más previsões econômicas para uma Suíça de fronteiras fechadas. Mesmo porque a Suíça seria obrigada a romper compromissos e tratados com a União Europeia tratando da livre circulação de pessoas.

Ainda na semana passada o primeiro-ministro inglês Keir Starmer, logo depois de sua derrota eleitoral, reconhecia os prejuízos da política isolacionista do Brexit e falava numa reaproximação com a União Europeia, embora evitasse tocar num retorno com anulação do Brexit pelas complicações políticas e econômicas decorrentes.

Na verdade, o Brexit foi um tiro no pé, mas a União Europeia não acredita num "Breturn", depois da vitória, nas eleições municipais do partido Reform UK, de Nigel Farage, o arquiteto do Brexit, junto com Boris Johnson e David Cameron. Um "Swissexit", provocado por um voto popular suíço isolacionista, não teria o mesmo efeito negativo do referendo Brexit?

Outro exemplo de contenção do aumento da população foi o da política do filho único na China, de 1979 a 2015, com o objetivo de garantir o desenvolvimento chinês. Isso acabou criando um desequilíbrio de gênero na China, pois a maioria dos casais, obrigados a ter um só filho, preferia ter menino. A população foi se tornando idosa sem ser gradativamente substituída por jovens, isso gerando uma diminuição da força de trabalho. Desde 2021, os casais podem ter três filhos, mas agora são os casais que decidem ter um ou dois filhos provocando baixa taxa de natalidade e um desequilíbrio demográfico.

Para complicar ainda mais a situação, a China enfrenta uma explosão de casos de demência (síndrome designativa de funções cognitivas que incluem o Alzheimer) na sua enorme população de idosos. Sem esquecer da falta de "cuidadores" dentro da família chinesa para cuidar dos avós e pais envelhecidos. A política do filho único criou para os jovens a responsabilidade de assumir, durante a vida, os cuidados dos 4 avós e dos 2 pais.

O cronista Yves Petignat, do jornal suíço Le Temps, comenta como reagirá a Suíça, se o povo votar, no 14 de junho, pela limitação da população suíça. E destaca o paradoxo de que o partido UDC, autor da iniciativa popular, tem sua força justamente na Suíça rural, longe dos centros urbanos, onde a população está envelhecendo, existe desequilíbrio demográfico e a maioria dos jovens prefere ir viver nos centros urbanos.

Sem os imigrantes, a população suíça já estaria em declínio, principalmente nas zonas rurais. E isso implicaria na falta de mão de obra na lavoura e no tratamento do gado leiteiro. O exílio dos jovens em busca de melhores empregos nas cidades implicaria no fechamento de escolas, enquanto os idosos ficariam sem seus médicos, atraídos por melhores condições e ganhos nos centros urbanos.

Em síntese, uma Suíça egoísta, isolada e fechada, será também um tiro no pé como foi o Brexit para os ingleses. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

domingo, 10 de maio de 2026

Reino Unido - Comunidade portuguesa garante pelo menos 10 eleitos nas autárquicas britânicas

Pelo menos 10 portugueses foram eleitos nas eleições autárquicas britânicas que se realizaram na quinta-feira, incluindo Hedson Farinha de Castro, que contrariou a tendência nacional de recuo e foi eleito pelo Partido Trabalhista

Este professor de crianças com necessidades especiais foi eleito pela primeira vez na área de Yeading, no município de Hillingdon, um subúrbio no oeste de Londres.

“Foi difícil devido ao que tem acontecido aqui em Inglaterra, porque há vários grupos políticos neste momento, como o Reform UK e o Green Party, que são partidos que estão a ter muita força e a população encontra-se muito dividida”, disse, este sábado, à Agência Lusa.

Castro, de 45 anos e nascido em Luanda, revelou ter enfrentado hostilidade durante a campanha.

“Foi muito difícil sair pelas ruas, tentar fazer a campanha, porque houve lugares onde não fui bem recebido, lugares onde as pessoas me receberam muito mal. E houve lugares onde fui ameaçado e tudo. Foi uma campanha muito difícil”, contou.

Hedson Castro pretende colocar a sua experiência pessoal e profissional ao serviço da comunidade, com especial enfoque na prevenção da criminalidade entre os mais jovens.

“Eu sempre acreditei que dentro de mim tinha um dom de poder ajudar as pessoas, de comunicar com jovens pela experiência que eu tenho com crianças especiais e também dar ajuda às mães e pais que muito precisam de ajuda com os filhos”, explicou.

Uma análise feita pela Lusa aos resultados divulgados indica que, pelo menos, 10 candidatos portugueses ou lusodescendentes foram eleitos por diferentes partidos, sobretudo na região de Londres.

Os trabalhistas Diogo Costa, Lúcia das Neves e Tiago Corais foram reeleitos em Lambeth, Haringey e Oxford, respetivamente, quanto Isabel Araújo, em Sutton, e Nick da Costa, em Haringey, renovaram os mandatos pelos Liberais Democratas.

A estreante Sandra Mano soube que foi eleita pelos Liberais Democratas em Watford no dia do seu aniversário e Elmedina Baptista-Mendes, enfermeira de profissão, conquistou pela primeira vez um lugar em Islington pelos Verdes.

Floyd Anjoe Dias do Rosário, em Brent, e Salvador António José Pereira, em Hounslow, ambos de origem goesa, foram eleitos pelo Partido Conservador.

Mais de duas dezenas de portugueses ou lusodescendentes concorreram às eleições autárquicas realizadas na quinta-feira em Inglaterra.

Segundo os resultados divulgados por 131 das 136 autarquias que foram a votos, o grande vencedor foi o Partido Reformista, que conquistou 1444 lugares dos cerca de 5000 em disputa.

O Partido Trabalhista elegeu 999, mas perdeu 1408 representantes locais, enquanto o Partido Conservador garantiu 773, mas perdeu 557.

Os Verdes mais do que duplicaram o número de eleitos, para 516, e os Liberais Democratas também cresceram, atingindo 836.

O mau desempenho nas eleições autárquicas do Partido Trabalhista foi repetido nas eleições regionais, também realizadas na quinta-feira, para os parlamentos autónomos da Escócia e País de Gales.

Na Escócia, o Partido Nacional Escocês, que governa desde 2007, conquistou o maior número de assentos (58), mas sem maioria absoluta.

O ‘Labour’ e o ‘Reform UK’ ficaram empatados, com 17 lugares num total de 129, à frente dos Verdes (15), Conservadores, (12) e Liberais Democratas (10).

O partido do primeiro-ministro Keir Starmer sofreu uma derrota eleitoral histórica no País de Gales ao perder pela primeira vez a maioria no parlamento autónomo do País de Gales desde a criação em 1999 e cair para o terceiro lugar.

Em primeiro ficou o partido nacionalista Plaid Cymru, seguido do Partido Reformista. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


terça-feira, 7 de abril de 2026

Portugal - Emigração aumenta para Alemanha, França e Bélgica e cai no Reino Unido

A emigração portuguesa continua a variar geografia. De acordo com o relatório “Emigração Portuguesa 2025: Relatório Estatístico”, divulgado em março de 2026 pelo Observatório da Emigração e pela Rede Migra, 2024 foi marcado por um reforço das saídas para vários países da Europa continental e por quebras assinaláveis em destinos tradicionais como o Reino Unido e o Canadá.


Os dados sobre as entradas de portugueses entre 2023 e 2024, mostram que a Alemanha é o país onde a variação é mais positiva, seguida de França e Bélgica.

Estes três destinos destacamse claramente no topo do gráfico, sinalizando um crescimento mais expressivo da imigração portuguesa. Logo a seguir surgem os Estados Unidos (com variação calculada entre 2022 e 2023), a Austrália e a Áustria, todos com aumentos visíveis no número de entradas de portugueses.

Também Itália, Noruega, Macau (China), Brasil, Holanda, Suécia e Dinamarca registam saldos anuais positivos, ainda que de menor dimensão. Em conjunto, estes dados confirmam que a Europa continental, alguns mercados anglófonos extraeuropeus e territórios com ligação histórica a Portugal continuam a atrair emigrantes portugueses, ainda que com intensidades diferentes.

No lado oposto, o gráfico evidencia que o Reino Unido é o país com a maior quebra nas entradas de portugueses entre os dois anos mais recentes. A barra correspondente surge destacada no campo negativo, abaixo de todos os outros destinos analisados. Canadá e Angola surgem também com descidas significativas, seguidos por Suíça, Espanha e Luxemburgo, onde o número de novas entradas de cidadãos portugueses diminuiu face ao período anterior.

Estes recuos sugerem o impacto combinado de fatores como o endurecimento de políticas migratórias (no caso britânico e canadiano), a evolução dos mercados de trabalho ou, em alguns casos, a estabilização e eventual regresso de parte dos emigrantes.

O relatório, com 312 páginas, caracteriza a emigração e a população portuguesa emigrada entre 2000 e 2024, combinando dados nacionais e estatísticas oficiais de países de destino como Alemanha, França, Espanha, Suíça, Luxemburgo, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Noruega ou Macau. A obra analisa não só os fluxos anuais, como também os stocks de população portuguesa no estrangeiro e as remessas enviadas para Portugal.

Produzido pelo Observatório da Emigração e pela Rede Migra, no âmbito do CIESIUL do ISCTEIUL, o relatório contou com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, do Fundo para as Relações Internacionais e da DireçãoGeral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas.

Assinado por Inês Vidigal, Cláudia Pereira, Joana Azevedo, Sofia Vilhena e Rui Pena Pires, o estudo confirma que a emigração portuguesa continua a ser um fenómeno estrutural, mas em reconfiguração: perde peso em alguns destinos tradicionais e reforçase em economias europeias centrais e em novos polos de atração fora da Europa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Reino Unido - Oficina de azulejos portugueses na Universidade de Leeds

Uma oficina dedicada aos azulejos portugueses decorreu no Language Centre da Universidade de Leeds, no Reino Unido, promovida pela professora Vera Santos em colaboração com o Centro Camões, segundo a newsletter da Coordenação do Ensino Português no Reino Unido e Ilhas do Canal.


A iniciativa permitiu aos participantes conhecer a história dos azulejos portugueses e explorar diferentes estilos artísticos, num momento de contacto com uma das expressões mais emblemáticas da cultura lusa.

Após a contextualização histórica e artística, cada participante teve a oportunidade de criar o seu próprio azulejo, inspirado em referências clássicas ou contemporâneas, promovendo uma experiência prática e criativa. De acordo com a mesma fonte, as apreciações dos participantes foram positivas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 5 de abril de 2026

Dinamarca - Arqueólogos marinhos descobrem navio de guerra destruído pela frota de Nelson há 225 anos

Arqueólogos marinhos estão a correr contra o tempo para escavar os destroços do navio-almirante Dannebroge antes do início da construção de um enorme projeto habitacional que ocupará o local


Mais de dois séculos depois de ter sido destruído pela frota do Almirante Horatio Nelson, um navio de guerra dinamarquês perdido numa das batalhas navais mais brutais da Europa ressurgiu - não em lendas, mas sob as águas turvas do porto de Copenhague.

Trabalhando em sedimentos espessos e com visibilidade quase nula a 15 metros (49 pés) abaixo das ondas, mergulhadores estão numa corrida contra o tempo para desenterrar os destroços do Dannebroge, do século XIX, antes que se tornem um canteiro de obras num novo bairro residencial que está a ser construído na costa dinamarquesa.

O Museu dos Navios Vikings da Dinamarca, que lidera as escavações subaquáticas que duram meses, anunciou as suas descobertas 225 anos após a Batalha de Copenhague, em 1801.

"É uma parte importante do sentimento nacional dinamarquês", disse Morten Johansen, chefe de arqueologia marítima do museu.

A batalha que nos ensinou a "fechar os olhos"

Em abril de 1801, a frota britânica de Nelson atacou a marinha dinamarquesa enquanto esta formava um bloqueio defensivo nos arredores do porto de Copenhague. O confronto durou horas e deixou milhares de mortos e feridos, tornando-se uma das vitórias mais famosas de Nelson. O ataque visava romper a aliança da Dinamarca com as potências do norte da Europa, incluindo Rússia, Prússia e Suécia.

Na Batalha de Copenhague, Nelson e a frota britânica atacaram e derrotaram a marinha dinamarquesa enquanto esta formava um bloqueio protetor na entrada do porto.

Milhares de pessoas morreram e ficaram feridas durante o brutal confronto naval que durou horas e é considerado uma das "grandes batalhas" de Nelson. O objetivo era forçar a Dinamarca a sair de uma aliança de potências do norte da Europa, incluindo Rússia, Prússia e Suécia.

No centro dos combates estava o navio-almirante dinamarquês, o Dannebroge, comandado pelo Comodoro Olfert Fischer. O Dannebroge, com 48 metros de comprimento, era o principal alvo de Nelson. O fogo dos canhões atravessou seu convés superior antes que projéteis incendiários provocassem um incêndio a bordo.

"Estar a bordo de um desses navios era um pesadelo", disse Johansen. "Quando uma bala de canhão atinge um navio, não é a bala em si que causa mais danos à tripulação, mas sim os estilhaços de madeira que voam por toda a parte, muito parecido com os destroços de uma granada."

Acredita-se também que a batalha tenha inspirado a expressão "fazer vista grossa". Após decidir ignorar o sinal de um superior, Nelson, que havia perdido a visão do olho direito, teria comentado: "Eu só tenho um olho, tenho o direito de ficar cego às vezes."

Nelson acabou por oferecer uma trégua e um cessar-fogo foi posteriormente acordado com o príncipe herdeiro da Dinamarca, Frederik. O navio Dannebroge, atingido, derivou lentamente para norte e explodiu. Os registos dizem que o som criou um estrondo ensurdecedor em Copenhaga.

Escavando a história na escuridão total

Agora, fragmentos daquele momento estão emergindo do fundo do mar: canhões, uniformes, insígnias, sapatos, garrafas - e até mesmo parte da mandíbula inferior de um marinheiro, possivelmente pertencente a um dos 19 tripulantes que nunca foram encontrados após a batalha.

Mas a escavação enfrenta um prazo incomum. O naufrágio está localizado dentro do futuro sítio de Lynetteholm, um ambicioso megaprojeto de ilha artificial e habitação com conclusão prevista para 2070.

Arqueólogos marinhos começaram a pesquisar a área no final do ano passado, visando um local que se acredita corresponder à posição final do navio-almirante.

Especialistas afirmam que as dimensões das peças de madeira encontradas correspondem a desenhos antigos. A datação dendrocronológica, método que utiliza os anéis de crescimento das árvores para determinar a idade da madeira, coincide com o ano de construção do navio. Eles também dizem que o sítio arqueológico escuro está repleto de balas de canhão, um perigo para mergulhadores que navegam em águas turvas por nuvens de lodo levantadas do fundo do mar.

"Às vezes você não consegue ver nada, e aí você realmente tem que tatear, olhar com os dedos em vez de com os olhos", disse a mergulhadora e arqueóloga marítima Marie Jonsson.

Os arqueólogos esperam que as suas descobertas possam ajudar a reexaminar o evento que moldou o país escandinavo e talvez revelar histórias pessoais daqueles que foram para a batalha naquele dia, há 225 anos. Euronews.culture


segunda-feira, 2 de março de 2026

Reino Unido - Deportou 141 criminosos portugueses em 2025

O número de criminosos portugueses deportados do Reino Unido subiu 68% em 2025 relativamente ao ano anterior, segundo estatísticas oficiais publicadas pelo Ministério do Interior britânico

No ano passado, 141 portugueses condenados por crimes foram deportados, contra 84 em 2024, ficando Portugal atrás apenas da Albânia, Roménia, Polónia, Lituânia e Bulgária em número de deportações deste tipo.

Em sentido inverso, o número de cidadãos portugueses impedidos de entrar no Reino Unido na chegada à fronteira e subsequentemente reenviados diminuiu 30%, descendo de 424 em 2024 para 298 em 2025.

A recusa de entrada em portos e aeroportos a cidadãos europeus aumentou desde 2020, quando a liberdade de movimento cessou devido ao ‘Brexit’ e passou a ser exigido visto para aqueles que pretendem ficar a trabalhar no Reino Unido.

Os mesmos dados indicam ainda que o total de portugueses obrigados a regressar ao país de origem cresceu 38% em 2025 (145 casos), comparativamente a 107 em 2024.

Os regressos voluntários, que abrangem pessoas sujeitas a controlo ou ação de imigração, mas que saem por iniciativa própria, por vezes com apoio logístico ou financeiro das autoridades britânicas, registaram uma subida de 52%, passando de 54 em 2024 para 82 em 2025.

No conjunto, 592 portugueses sem direito legal a permanecer no Reino Unido, e sujeitos a expatriação administrativa ou a uma ordem de deportação regressaram em 2025, menos 14% do que os 688 registados no ano anterior.

O aumento dos retornos de portugueses enquadrase numa linha de endurecimento gradual da política migratória britânica, que o Governo trabalhista tem vindo a aplicar.

Desde 2024, mais de mil funcionários foram transferidos para os serviços de fronteiras, com o objetivo de “proteger as fronteiras” através do aumento do número de repatriações. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Portugal – Empresa Tekever desenvolve nova geração de drones para as Forças Armadas britânicas

Portugal reforça o seu posicionamento no setor tecnológico da defesa com a escolha de uma tecnológica nacional para colaborar com o Reino Unido. O projeto da Tekever, designado por NYX, visa o desenvolvimento de Sistemas Aéreos Não Tripulados (UAV) que irão operar em articulação direta com os helicópteros de ataque Apache das Forças Armadas britânicas


De acordo com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), o objetivo central desta parceria é “a criação de soluções capazes de atuar em cenários de elevada complexidade”, pelo que as novas aeronaves não tripuladas serão projetadas para missões de reconhecimento avançado, identificação e sinalização de alvos em tempo real, e neutralização de sinais.

Os sistemas serão dotados de Inteligência Artificial (IA), permitindo que os drones tomem decisões autónomas dentro de parâmetros pré-definidos.

Esta tecnologia visa conferir uma maior adaptabilidade a contextos dinâmicos no terreno, garantindo que as máquinas possam ajustar a sua conduta perante alterações imprevistas na missão.

Esta colaboração estratégica foca-se na otimização de recursos logísticos e na redução do risco humano, procurando aumentar a eficiência operacional das forças envolvidas.

Fundada em 2001 por antigos alunos do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, a tecnológica Tekever tem a sua sede principal em Portugal (com forte presença nas Caldas da Rainha e Lisboa), e consolidou-se recentemente como um dos “unicórnios” portugueses — empresas com uma avaliação de mercado superior a mil milhões de euros.

Embora tenha uma ADN e origem 100% nacional, a Tekever é hoje um grupo global com uma operação relevante no Reino Unido, onde possui centros de investigação e desenvolvimento em locais como Southampton e West Wales (País de Gales). In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Jessé Souza e Epstein

A revelação de três milhões de documentos extraídos dos arquivos de Jeffrey Epstein relança a teoria de complôs e já atingiu duas personalidades importantes. O ex-ministro francês Jack Lang, por uma questão de evasão de divisas e criação de uma empresa off-shore, já se demitiu da presidência do Instituto do Mundo Árabe, enquanto, na Inglaterra, quem pode cair é o primeiro-ministro Keir Starmer, por ter nomeado Peter Mandelson, amigo próximo de Epstein, predador sexual, como embaixador nos Estados Unidos.

Em entrevista para Radio France, a jornalista Perla Msika, do Conspiray Watch, dirigido pelo Observatório do Conspiracionismo, desmente a existência de uma conspiração mundial pedo-satanista, da qual Jeffrey Epstein seria o instigador "porque ele era judeu, rico e culpado de crimes sexuais", como propagam redes sociais alternativas e mídias complotistas. Ao contrário, a divulgação dos arquivos Epstein assinala a entrada "numa época de transparência, que permitirá aos jornalistas fazer seu trabalho e saber exatamente do que se trata, mesmo porque existem diversos casos Epstein".

Entretanto, as teorias antissemitas de complôs já se espalharam e de acordo com The Times of Israel envolvem o mundo judaico, por ter havido associações judaicas interessadas em obter doações de Epstein, ligações financeiras com yeshivas ortodoxas e com o ex-primeiro ministro Ehud Barak. No mais, tem havido um retorno às velhas teorias contra judeus, bem antes mesmo do nazismo.

Foi nesse clima de antissemitismo que o caso Epstein chegou ao Brasil, provocando numerosas reações na mídia convencional e nas redes sociais, depois da publicação de um vídeo na rede Instagram pelo sociólogo, escritor e professor Jessé Souza. Diante das primeiras reações negativas, o vídeo foi modificado, mas ficaram as reações ao vídeo original, segundo a Folha de SP, da qual transcrevemos os textos reproduzidos.

Na Folha de SP, a jornalista Laura Intrieri, definiu o vídeo como "ataque antissemita ao dizer que Epstein "é produto do sionismo judaico". Sem provas e sem se basear no que tenha sido publicado sobre o caso, Jessé ajunta "a rede industrial de pedofilia só existia para servir depois para a chantagem de Israel em relação aos políticos bilionários, especialmente americanos, para ter o apoio às práticas assassinas de Israel no Oriente Médio e na Palestina".

Na sequência, Jessé Souza deixou de ser um cientista social para ser um panfletário complotista: "o holocausto judeu foi cafetinado pelo sionismo, com a ajuda de Hollywood e de toda mídia mundial, dominada pelo lobby judaico para acusar de antissemitismo qualquer crítica a Israel." E afirma seu antissemitismo: "Como Israel, Epstein matava e violava meninas e meninos, americanos e de outros lugares, por uma autorização tácita e às vezes explicita do poder do lobby judaico no mundo". Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sábado, 10 de janeiro de 2026

Reino Unido - A casa de infância de David Bowie, no sul de Londres, será aberta ao público para oficinas criativas

A casa no sul da cidade de Londres será restaurada e utilizada para oficinas criativas e de desenvolvimento de capacidades para jovens


David Bowie teria completado 79 anos no passado dia 08 de Janeiro. O ícone da música lançou o seu último álbum, 'Blackstar', no dia do seu aniversário e faleceu dois dias depois, em 10 de janeiro de 2016, após uma batalha de 18 meses contra o cancro.

Agora, o Heritage of London Trust, uma organização beneficente com sede em Londres, anunciou que a casa de infância de Bowie, no sul de Londres, será restaurada e aberta ao público.

Eles adquiriram a casa geminada – número 4 da Plaistow Grove em Bromley – e irão recriar a planta interna exatamente como era quando o jovem Bowie morou lá entre 1955 e 1968.

David Robert Jones nasceu em 08 de janeiro de 1947, no número 40 da Stansfield Road, SW9, em Brixton, mas mudou-se para Bromley quando tinha 5 anos de idade.

O projeto tem previsão de conclusão para 2027 e será utilizado em oficinas criativas para jovens, servindo como uma “base sólida para a próxima geração” e uma forma de ensinar confiança e competências de comunicação nas artes.

A diretora do Heritage of London Trust, Dra. Nicola Stacey, disse: “David Bowie era um londrino orgulhoso. Mesmo que a sua carreira o tenha levado ao redor do mundo, ele sempre se lembrava das suas origens e da comunidade que o apoiou enquanto crescia. É maravilhoso ter esta oportunidade de contar a sua história e inspirar uma nova geração de jovens, e é realmente importante para o património de Londres preservar este local.”

A Dra. Stacey acrescentou: "Estamos muito felizes por já termos garantido uma importante doação de 500 mil libras da Fundação Jones Day para o projeto e esperamos que pessoas de todo o mundo queiram participar."

Geoffrey Marsh, um dos curadores da exposição "David Bowie Is" do Victoria and Albert Museum, trabalhou no projeto de restauração. Ele disse: "Foi nesta pequena casa, particularmente no seu minúsculo quarto, que Bowie evoluiu de um garoto comum de escola suburbana para o início de um extraordinário estrelato internacional – como ele mesmo disse: 'Eu passava muito tempo no meu quarto. Era realmente o meu mundo inteiro. Eu tinha livros lá em cima, a minha música lá em cima, o meu gira-discos. Ao sair do meu mundo lá em cima para a rua, eu tinha de passar por essa terra de ninguém que era a sala de estar.'"

A viúva de Bowie, Iman, e a sua filha, Lexi, publicaram homenagens online  e os fãs reuniram-se para comemorar o 10.º aniversário da morte do músico.

Entretanto, um novo documentário intitulado Bowie: The Final Act foi lançado nos cinemas do Reino Unido e da Irlanda, e a BBC anunciou que um novo documentário sobre Bowie, Bowie In Berlin, será lançado ainda este ano. O documentário explorará o período em que o ícone viveu em Berlim entre 1976 e 1978. Euronews.culture



segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Moçambique - Reino Unido retira-se de projeto petrolífero em Cabo Delgado

O Governo do Reino Unido comunicou ao parlamento britânico a saída do país do financiamento ao megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies em Cabo Delgado, norte de Moçambique



Em causa está um financiamento de 1150 milhões de dólares (988 milhões de euros) pelo Fundo de Financiamento de Exportações do Reino Unido (UKEF), confirmado em 2020 pelo Governo britânico, um ano antes dos ataques terroristas em Palma que levaram a TotalEnergies e invocar ‘força maior’ e a suspender o projeto, de 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de euros), entretanto levantada, em outubro passado.

“Na preparação para a retoma do projeto, o UKEF recebeu uma proposta para alterar os termos de financiamento originalmente acordados (…). Após uma análise detalhada, o Governo do Reino Unido decidiu encerrar a participação do UKEF no projeto”, disse, numa declaração no parlamento, o secretário de Estado de Negócios, Comércio e Trabalho, Peter Kyle, acrescentando que após avaliação o executivo considera que os “riscos aumentaram desde 2020”.

“Esta opinião baseia-se numa avaliação abrangente do projeto e nos interesses dos contribuintes britânicos, que são melhor atendidos com o encerramento da nossa participação no projeto neste momento. Embora essas decisões nunca sejam fáceis, o governo acredita que o financiamento britânico deste projeto não contribuirá para os interesses do nosso país”, acrescentou.

“A UKEF reembolsará o projeto pelo prémio pago, refletindo o fim da exposição ao risco do departamento no projeto”, disse Kyle.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou sábado como falsas as acusações de violação dos direitos humanos no megaprojeto de gás da TotalEnergies.

“Quando começaram a aparecer as desinformações e a manipulação da opinião pública a nível nacional e internacional sobre o respeito aos direitos humanos em Cabo Delgado, o que nós fizemos primeiro foi enviar a Comissão Nacional de Direitos Humanos [CNDH] para Cabo Delgado, que fez um trabalho profundo, extraordinário, em toda a província ,(…) e não constataram as questões que os jornais e alguns que se fazem de investigadores a nível internacional estão a evocar”, disse Chapo.

Garantiu que não há evidências – na investigação daquela instituição – das acusações de violação dos direitos humanos, que levaram uma organização europeia a apresentar uma queixa-crime contra a TotalEnergies por “crimes de guerra”.

A organização jurídica europeia ECCHR apresentou em 17 de novembro, em França, uma queixa-crime acusando a TotalEnergies de “cumplicidade em crimes de guerra, tortura e desaparecimento forçado” de populares naquele megaprojeto de gás. Acusou então a multinacional de “ter financiado diretamente e apoiado materialmente a Força-Tarefa Conjunta, composta pelas forças armadas moçambicanas, que, entre julho e setembro de 2021, terá detido, torturado e assassinado dezenas de civis nas instalações de gás da TotalEnergies”.

A ECCHR referiu que submeteu esta queixa na Procuradoria Nacional Antiterrorismo (PNAT) francesa e que a “denúncia centra-se no chamado ‘massacre dos contentores’ nas instalações da empresa”, em Cabo Delgado, alegações que foram inicialmente divulgadas pelo jornal Político, em setembro de 2024.

Segundo o mais recente relatório, com dados até 23 de novembro, da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), dos 2270 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, um total de 2107 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), provocaram 6341 mortos.

O Governo moçambicano deu 30 dias à TotalEnergies para apresentar o cronograma para retoma do megaprojeto de gás, que não deve esperar, acrescenta, pelas conclusões da auditoria exigida aos custos incorridos no período de ‘força maior’.

Numa resolução de 19 de novembro, do Conselho de Ministros, noticiada então pela Lusa, é definido que “a retoma e a implementação do projeto”, que esteve suspenso quatro anos e meio devido aos ataques terroristas, “não devem estar condicionadas à conclusão e submissão da apresentação do relatório de auditoria” aos custos nesse período. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 28 de novembro de 2025

França – O Museu do Louvre vai aumentar os preços dos ingressos para visitantes de fora da União Europeia em 45% no próximo ano

O Museu do Louvre anunciou que vai aumentar o preço dos ingressos para visitantes de fora da União Europeia, passando a cobrar €32 aos turistas do Reino Unido, dos Estados Unidos e da China. O aumento de 45% deverá gerar uma receita anual de até €20 milhões, valor que será destinado ao financiamento de obras de melhoria estrutural após o flagrante roubo à luz do dia ocorrido no mês passado


Os amantes da arte do Reino Unido, dos EUA e da China que desejam admirar o sorriso enigmático da Mona Lisa terão de desembolsar mais €10 para fazê-lo no próximo ano.

O Louvre decidiu aumentar o preço do ingresso para visitantes não europeus em 45% a partir de 2026. A partir de 14 de janeiro, cidadãos de fora do Espaço Económico Europeu (EEE, que inclui os Estados-membros da UE, Islândia, Liechtenstein e Noruega) terão que pagar €32 para visitar o museu mais visitado do mundo, €10 a mais do que o preço atual do ingresso.

Aprovado na quinta-feira pelo conselho de administração do Louvre, este aumento aplicar-se-á em particular aos americanos, que constituem o maior contingente de visitantes estrangeiros, mas também aos visitantes chineses, que ocupam o terceiro lugar, de acordo com o relatório de atividades do museu para 2024.

O Louvre recebeu 8,7 milhões de visitantes no ano passado, dos quais 69% eram estrangeiros.

O aumento de preços visa arrecadar até 20 milhões de euros por ano para enfrentar "problemas estruturais" e financiar uma reforma do museu de arte mais visitado do mundo, que ainda está a recuperar do roubo à luz do dia de tesouros inestimáveis ​​no mês passado

Em 19 de outubro, um grupo de quatro pessoas invadiu o Louvre, levando apenas sete minutos para roubar joias avaliadas em cerca de 88 milhões de euros antes de fugir em scooters. Uma investigação oficial indicou que os sistemas de segurança eram inadequados e que o museu havia gasto significativamente mais na compra de novas obras de arte do que em manutenção e restauração.

Este aumento de preço foi denunciado pelos sindicatos, que criticaram a decisão de abolir a taxa de entrada universal para todas as nacionalidades. A CFDT, a maior federação sindical nacional da França, alertou que a medida seria percebida como "discriminação".

Outras grandes atrações turísticas francesas poderão seguir o exemplo em breve. De acordo com a Ministra da Cultura da França, Rachida Dati, uma estrutura de preços diferenciada entrará em vigor em 2026 para “todos os operadores culturais nacionais”.

O Palácio de Versalhes indicou que também está a considerar aumentar o preço das visitas individuais em €3 para residentes fora do Espaço Económico Europeu (EEE). No entanto, esse aumento de preço ainda não foi aprovado pelo conselho administrativo. Euronews.culture


terça-feira, 11 de novembro de 2025

Reino Unido - Gastronomia e música marcam festa dos 50 anos da “Dipanda”

Música, gastronomia, moda e traços identitários da cultura nacional marcaram, no sábado, em Londres, a festa da “Dipanda” entre diplomatas e a comunidade de Angola no Reino Unido


Uma confraternização que envolveu uma massa considerável da comunidade angolana radicada em várias regiões da Inglaterra, incluindo uma representatividade da Irlanda, juntou-se em Londres para assinalar a data mais importante da Nação.

Num clima descontraído, segundo um comunicado de imprensa, abençoado no início por momentos de oração de acção de graças, com dois pastores angolanos radicados em Londres, o embaixador de Angola no Reino Unido, José Patrício, no seu discurso, levou os convidados a uma viagem, sem avião nem navio, a Angola.

José Patrício frisou que, 50 anos depois da Independência, Angola tem tudo para vencer os desafios do desenvolvimento sustentável, da transformação da sua matéria-prima, os seus imensos recursos naturais, a fim de alcançar a arrancada económica e não só.

O diplomata angolano ressaltou que o país tem recursos naturais, minerais, uma rica flora e fauna, belas paisagens, destinos turísticos encantadores e uma diversidade cultural, que representam um factor de desenvolvimento.

“Temos abundantes riquezas, madeira, café, ferro, cobre, ouro, diamante, petróleo, danças e tradições, destinos turísticos impressionantes e uma diáspora como activo incontornável do Estado, a Independência como maior conquista de Angola e um Deus para abençoar a Pátria e os angolanos. Por isso, Angola tem tudo para vencer”, asseverou.

O evento teve momentos de intervenção cultural, com a actuação do agrupamento Batoto Yetu, do músico Biura, que fez o embaixador subir ao palco para cantar, e de dois cantores da comunidade angolana, Wilma Assis e Yilly Ruel de Liverpool, assim como a passagem de modelo com trajes tradicionais das 21 províncias do país.

Na passarela também desfilou a Miss Universo 2011, Leila Lopes, angolana residente em Londres, que coordenou o momento de glamour durante a gala.

Na ocasião, foram premiados os vencedores do Concurso de Poesia e Desenho, alusivo às celebrações do 50.º aniversário da Independência Nacional, nas categorias infantil e juvenil, uma iniciativa da Embaixada e do Consulado Geral de Angola no Reino Unido. In “Jornal de Angola” - Angola


sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Portugal - Intercepta narco-submarino com 1,7 toneladas de cocaína a caminho da Península Ibérica

As autoridades portuguesas interceptaram um navio que transportava drogas no Oceano Atlântico com 1,7 toneladas de cocaína destinadas aos mercados europeus. Quatro tripulantes foram presos


As autoridades portuguesas interceptaram um narco-submarino transportando mais de 1,7 toneladas de cocaína no Oceano Atlântico, numa operação coordenada com diversas agências estrangeiras, anunciou nesta segunda-feira a Polícia Judiciária portuguesa.

O submarino semissubmersível, com quatro tripulantes a bordo, tinha como destino "diversos países europeus", segundo as autoridades, que não especificaram o ponto de partida do submarino nem a nacionalidade dos detidos.

A Operação “El Dorado” envolveu a coordenação entre a Polícia Judiciária Portuguesa e a Marinha, com o apoio das autoridades do Reino Unido e dos Estados Unidos.

A Força Aérea Portuguesa, a Agência Nacional de Combate ao Crime do Reino Unido, a Agência Antidrogas dos EUA e a Força-Tarefa Interagências Conjunta Sul participaram da interdição.

A polícia portuguesa também contou com o auxílio de informações do Centro de Análise e Operações Marítimas sobre o Tráfico de Drogas, com sede em Lisboa, que inclui oito países da UE — Bélgica, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Espanha, Países Baixos e Portugal — no fortalecimento da cooperação internacional contra o tráfico de drogas por via marítima e aérea.

As autoridades descreveram a apreensão como "um novo golpe para as redes transnacionais de tráfico de cocaína que operam entre a América Latina e a Europa".

Os navios semissubmersíveis, projetados para navegar parcialmente submersos a fim de evitar a detecção, representam um método preferido pelos cartéis de drogas para transportar grandes carregamentos de cocaína da América do Sul para os mercados europeus.

O tráfico de drogas pelo Atlântico normalmente tem origem em regiões produtoras de cocaína na Colômbia, Peru ou Bolívia, antes de percorrer milhares de milhas náuticas para chegar à costa europeia.

As águas portuguesas têm se tornado cada vez mais pontos de trânsito para narcóticos que entram na Europa, com as autoridades relatando um aumento nas apreensões, à medida que as organizações de tráfico adaptam suas rotas e métodos para evitar a detecção. Euronews


domingo, 26 de outubro de 2025

Bélgica - Projeto com cunho português conquista prémios em Bruxelas

O projeto AGEO – Plataforma Atlântica para a Gestão de Risco Geológico, que junta cinco países, incluindo Portugal, recebeu dois prémios para iniciativas financiadas pela União Europeia, nas categorias “Uma Europa Verde” e escolha do público


Segundo uma nota da representação da Comissão Europeia em Portugal, “o projeto AGEO – Plataforma Atlântica para a Gestão de Risco Geológico foi escolhido como vencedor do prémio do público deste ano e na categoria ‘Uma Europa Verde’ decidida pelo júri”.

O AGEO, projeto transnacional com a participação de Portugal, França, Irlanda, Espanha e Reino Unido, obteve a maioria dos votos, 1976 no total, sendo “claramente preferido entre os 25 finalistas dos prémios RegioStars 2025, que visam distinguir “projetos financiados pela UE que demonstram o impacto e a inclusão do desenvolvimento regional”.

O concurso é organizado anualmente pela Comissão Europeia desde 2008, tendo este ano decorrido na 23.ª Semana Europeia das Regiões e dos Municípios, em Bruxelas, e um júri composto por peritos de toda a Europa selecionou 25 finalistas aos RegioStars.

O projeto transnacional AGEO reúne “cientistas, comunidades locais e governos para fazer face aos riscos geológicos na região atlântica por meio da ciência cidadã, da observação da Terra e de instrumentos inovadores de gestão dos riscos”, explica a representação europeia.

Através de cinco observatórios-piloto de cidadãos na região atlântica, o projeto “mostrou como se pode capacitar as comunidades locais para participarem em sistemas de alerta precoce e enfrentarem desafios relacionados com o clima”, contribuindo “para proteger os cidadãos de eventos de grande impacto e de vários cenários de risco/perigo”.

De acordo com o AGEO, o programa Espaço Interreg Atlântico envolve 36 regiões atlânticas, um orçamento total de 185 milhões de euros, dos quais 140 milhões do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder) e cinco prioridades temáticas.

Os cinco projetos-piloto, com base nos quais serão formuladas recomendações, são os observatórios do cidadão sobre “queda de rochas nas Ilhas Canárias” e “em Giants Causeway e Carrick-a-Rede, Irlanda do Norte”, “multirriscos em Lisboa, Portugal”, monitorização da “instabilidade de taludes na Ilha da Madeira” e “vulnerabilidade aos riscos costeiros na Bretanha, França”.

A aplicação AGEO, projetada para monitorizar riscos geológicos no espaço atlântico, destina-se a “melhorar a segurança e a preparação para riscos geológicos por meio da cooperação com os cidadãos”, que podem relatar diferentes tipos de riscos, nomeadamente relacionados com deslizamentos, quedas de rochas, terramotos e inundações.

O consórcio do projeto integra o Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa (coordenador), Associação Portuguesa de Geólogos, Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Câmara de Lisboa, Universidade da Madeira, Instituto Geológico e Mineiro de Espanha, Universidade da Bretanha Ocidental, Serviço Geológico da Irlanda do Norte, Colégio Universitário de Dublin, entre outros.

Seis projetos financiados pela UE receberam os prémios RegioStars 2025 em Bruxelas, repartidos por cinco categorias temáticas e escolha do público, de entre um recorde de 266 candidaturas de toda a Europa.

Na categoria “Uma Europa Competitiva e Inteligente”, foi distinguido o projeto Mapas de Fertilização baseados em Radar de Satélite (Polónia), enquanto “Uma Europa Conectada” premiou o ‘Monocab Owl’ – Nova Mobilidade em Trilhos Antigos (Alemanha), um “sistema de cabine de monotrilho giro-estabilizado”.

Na temática “Uma Europa Social e Inclusiva”, o prémio foi para Apoio Precoce a Famílias em Risco (República Checa) e no domínio de “Uma Europa mais Próxima dos Cidadãos venceu o Centro Feminino Partilhado de Shankill (Irlanda, Reino Unido).

O projeto AGEO venceu na categoria “Uma Europa Verde” e na escolha do público, com cerca de 2000 votos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo