Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Polónia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Polónia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Espanha, França e Portugal - A corrida pelas energias renováveis intensifica-se à medida que os governos se esforçam para reduzir as contas de energia

"Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos a pagar o preço das guerras de outros povos", disse o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu


Com a guerra entre EUA e Israel contra o Irão a mergulhar o mundo no que o chefe da AIE (Agência Internacional de Energia) chamou de "a maior crise energética que já enfrentámos", os governos estão a procurar soluções desesperadamente.

Felizmente, algumas das maiores economias da Europa têm a clareza de que as energias renováveis ​​são a forma mais confiável e barata de se proteger contra choques energéticos, ao mesmo tempo que atingem as metas de redução de emissões.

O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão e os numerosos ataques à infraestrutura energética no Médio Oriente levaram à "maior ameaça à segurança energética da história", de acordo com o Dr. Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA).

A dependência da importação de petróleo e gás já custou à UE 24 mil milhões de euros, para além do que já estava previsto. Sem as energias renováveis, esta despesa seria ainda maior.

A energia solar economizou mais de 100 milhões de euros por dia na Europa desde o início da guerra, e as energias renováveis, em geral, são um fator crucial para a redução das contas de luz. Graças ao aumento da disponibilidade de energia renovável, os preços da eletricidade foram, em média, 24,2% menores entre 2023 e 2025 em 19 países.

Após recuperarem do choque inicial da guerra, os governos começaram a aconselhar cidadãos e empresas a economizar energia sempre que possível. Dirigir de forma eficiente em termos de consumo de combustível, trabalhar em casa e até mesmo gerar a própria energia em casa foram algumas das recomendações feitas.

Mas a transição para a energia limpa depende muito mais das políticas governamentais do que das ações individuais.

Aqui, analisamos como Espanha, França e Portugal responderam à crise dos combustíveis fósseis.

Espanha intensifica seus esforços em energias renováveis.

A Espanha tem sido amplamente elogiada pelos seus investimentos em energias renováveis, e isso mostrou-se extremamente vantajoso durante a crise energética.

Entre 2019 e 2026, o país duplicou a sua capacidade de energia solar, atingindo 40 GW – mais do que qualquer outro país da UE, com exceção da Alemanha , cujo mercado de energia é o dobro do tamanho do espanhol. Essa visão de futuro fez com que as contas de luz dos espanhóis permanecessem entre as mais baixas da Europa, apesar da guerra com o Irão ter afetado gravemente o fornecimento de energia.

Desde o início da guerra com o Irão, a Espanha intensificou os seus esforços em energias renováveis. Num Decreto Real publicado em 20 de março, o país anunciou medidas para acelerar a eletrificação, a implantação de energias renováveis ​​e o armazenamento de energia. Estas medidas incluem a desburocratização, a melhoria da infraestrutura da rede elétrica para evitar o desperdício de energia renovável, a criação de normas mais rigorosas para a construção de data centers que não sejam comprovadamente sustentáveis ​​e o incentivo à criação de comunidades energéticas.

França proíbe caldeiras a gás em novos edifícios

A França está a investir fortemente na eletrificação, prometendo € 10 mil milhões em apoio estatal para a transição do petróleo, gás e seus derivados para a eletricidade, conforme noticiado pela Reuters.

As bombas de calor também fazem parte do plano, com a instalação de mais um milhão por ano, e as caldeiras a gás serão proibidas em edifícios recém-construídos a partir de 2027.

“Hoje, 60% do nosso consumo de energia provém desses combustíveis fósseis importados, embora a energia que produzimos internamente seja três vezes mais barata”, disse o primeiro-ministro Sébastien Lecornu ao anunciar as novas políticas. “Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos a pagar o preço das guerras de outros povos, que infelizmente persistirão e nos empobrecerão”, acrescentou.

Portugal promete um limite máximo de preços

O aumento das contas das famílias tem sido uma preocupação mundial desde que os ataques dos EUA e de Israel ao Irão levaram ao encerramento do Estreito de Ormuz.

Portugal, conforme noticiado pela Reuters, prometeu limitar temporariamente os preços da eletricidade, se necessário. O mecanismo de proteção ao consumidor seria implementado caso os preços da eletricidade no retalho subissem mais de 70%, ou ultrapassem 2,5 vezes a média dos últimos cinco anos, ultrapassando € 180 por megawatt-hora. O governo cobriria o custo inicial do apoio, que “seria recuperado posteriormente”, segundo o Ministro António Leitão Amaro.

Portugal é menos dependente do gás natural para a sua eletricidade. em comparação com muitos países europeus e, nos dois primeiros meses do ano, cerca de 79% da eletricidade consumida em Portugal provém de fontes renováveis, de acordo com dados oficiais.

Polónia destina verbas para energias renováveis

“Ao longo da próxima década, o nosso país investirá 1 trilhão de zlotys em energia, infraestrutura, linhas de transmissão e centrais elétricas”, anunciou o primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, durante a Cúpula de Energia PowerConnect em Gdańsk, em 18 de março.

Desse montante, mais de 220 bilhões de zlotys (51,8 mil milhões de euros) serão destinados a energias renováveis ​​e armazenamento, 234 bilhões de zlotys (55 mil milhões de euros) à distribuição e 160 bilhões de zlotys (37 mil milhões de euros) à energia nuclear.

Em 2024, carvão, petróleo e gás representavam 83% da energia da Polónia.  

Mas o país está a esforçar-se para aumentar a participação de energias renováveis, passando de 21% em 2022 para 28% em 2023, segundo a AIE (Agência Internacional de Energia). Euronews


sexta-feira, 24 de abril de 2026

Europa – Cinco países vão economizar 58% nas contas de energia este ano graças à energia limpa

Consumidores em cinco países da UE economizarão até € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano, em comparação com aqueles que possuem a matriz energética mais poluente.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.


Os países da UE com a matriz energética mais limpa estarão protegidos do aumento vertiginoso do preço do petróleo e do gás, uma vez que a guerra contra o Irão continua a evidenciar o verdadeiro custo da dependência dos combustíveis fósseis.

Dois dias após os bombardeamentos atingirem o Médio Oriente, os preços do TTF holandês (referência para os preços do gás no grosso em toda a Europa) dispararam 68%, chegando a € 52,8 por megawatt-hora, o nível mais alto em dois anos.

No início desta semana (segunda-feira, 20 de abril), o TTF holandês estava a ser negociado a um preço bem mais baixo, de € 40,2 por MWh. A queda ocorre após sinais de significativa desaceleração em meio a um cessar-fogo de duas semanas, mas ainda é consideravelmente mais alta do que antes do início do conflito (€ 31,5 por MWh).

Grande parte da volatilidade se deve ao controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem de 38 km que transporta cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás. Em março, as exportações de gás natural liquefeito (GNL) para a UE caíram 11%.

Isso levou o comissário de energia da UE a recomendar que os países reabasteçam os seus estoques de forma constante durante o verão para "mitigar a pressão sobre os preços e evitar uma corrida no final do verão".

Isso também abriu caminho para um rápido interesse em energias renováveis ​​produzidas localmente, que são cada vez mais consideradas um investimento mais estável em vista das tensões geopolíticas.

“Não há aumentos acentuados nos preços da luz solar nem embargos à energia eólica”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no mês passado.

Será que a energia limpa pode proteger a UE do aumento dos preços do gás?

Um novo relatório do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA) constatou que, apesar da forte alta dos preços e dos crescentes temores sobre a diminuição da oferta, o bloco permanece "mais bem protegido" da sensibilidade aos preços do que em 2022 – após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

Isso deve-se principalmente ao crescimento explosivo das energias renováveis, que atingiram novos recordes em 2025 e poderão economizar para a UE a impressionante quantia de € 5,8 mil milhões em 2026, substituindo o gás natural, que é caro.

Especialistas apontam que esse valor seria significativamente maior se os preços do gás não fossem responsáveis ​​por definir o preço da energia em muitos países, devido ao mecanismo de precificação marginal da UE.

Em 2025, cada aumento de €1/MWh no preço do gás levou a um aumento de €0,37 por MWh nos preços da eletricidade – uma redução de oito por cento em relação a 2022.

“Isto está diretamente ligado à separação [do preço da eletricidade] do gás e aos investimentos em energia limpa, cuja participação na geração de eletricidade na UE cresceu 14% em 2025, em comparação com 2022”, explica o relatório.

Quais são os países da UE que estão mais protegidos do aumento dos preços do gás?

Todos os Estados-membros da UE têm observado uma redução na sua sensibilidade às flutuações dos preços do gás nos últimos anos, na sequência do aumento da energia limpa.

Mas são os consumidores de cinco países da UE em particular – Dinamarca, Finlândia, França, Suécia e Eslováquia – que beneficiam da maior participação de energia limpa na sua matriz elétrica. O relatório afirma que estas nações economizarão € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano. Isso representa uma redução de 58% nas contas em comparação com os países com a matriz energética mais poluente (Polónia, Itália, Grécia, Estónia e Países Baixos).

A estimativa baseia-se na premissa de que o consumo permanecerá o mesmo este ano em comparação com 2025, levando em consideração os preços mais altos e a sensibilidade do preço do gás.

De acordo com dados de 2025, a Suécia saiu vitoriosa como o país da UE com a menor sensibilidade às oscilações do preço do gás. Em média, para cada aumento de €1 no preço do gás, a Suécia regista um aumento de apenas €0,04/MWh nos preços da eletricidade no mercado grossista.

“Embora a Suécia seja um dos nove países com reservas de gás natural significativamente abaixo da média da UE, a sua baixa dependência dessa fonte de energia – com 99% de sua eletricidade proveniente de energia limpa – protege ainda mais o mercado de eletricidade de choques de preços”, afirma o relatório.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.

Ao mesmo tempo, a sensibilidade de ambos os países aos choques nos preços do gás diminuiu 53%. No ano passado, para cada aumento de €1 no preço do gás, a zona de produção conjunta de Espanha e Portugal registou um aumento de €0,089 por MWh, o terceiro mais baixo do bloco.

A França também testemunhou uma redução acentuada na sua sensibilidade aos preços do gás, principalmente devido ao crescimento da energia limpa, que fez com que a sua sensibilidade ao gás caísse pela metade entre 2022 e 2025.

Quais são os países que estão a pagar o preço pela sua dependência de combustíveis fósseis?

Apesar de ter registado um aumento de 31% na geração de energia limpa, os Países Baixos continuam mais sensíveis aos preços do gás do que em 2022.

Apesar da participação da energia solar e eólica na geração de eletricidade do país ser superior à média da UE, o gás continua sendo a principal fonte individual de eletricidade no país.

“A sua sensibilidade também está ligada à sua elevada integração no mercado europeu de gás – muitas vezes como tomadores de preços – e, portanto, à sua suscetibilidade a choques transmitidos por países vizinhos como a Alemanha”, acrescenta o relatório.

“O gás tem tradicionalmente desempenhado um papel desproporcional na produção centralizada de eletricidade nos Países Baixos (22%), enquanto as fontes de energia limpa, especificamente a solar, têm um papel mais importante na geração descentralizada de eletricidade.”

Por exemplo, nos Países Baixos, a energia solar é muito utilizada durante o dia, mas à noite é preciso recorrer a outras fontes de energia, muitas vezes com necessidade de gás.

A Polónia é outra anomalia na tendência geral da UE. Apesar de registar um crescimento anual de 48% em energias renováveis ​​desde 2022, a sensibilidade do país aos preços do gás permanece alta.

Isso deve-se principalmente ao facto de a Polónia estar a incentivar a geração de eletricidade a gás, num esforço para substituir e reduzir o carvão, que continua sendo essencial para mais da metade da produção total de eletricidade no país.

“A mudança de foco da Polónia para o gás, em vez de fontes de energia limpas, fez com que a geração de energia a partir dessa commodity aumentasse 132% em 2025 em comparação com 2022”, explica o estudo.

“Essa maior dependência, que representou 13% do total em 2025, fez com que a sensibilidade aos preços do gás também aumentasse em 87%.”

Para cada aumento de €1 no preço do gás, a Polónia regista um aumento de €0,36 por MWh na eletricidade.

A Hungria também demonstrou maior sensibilidade aos preços do gás em comparação com 2022, registando um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Embora o país tenha testemunhado um crescimento expressivo da energia solar, a falta de capacidade de conexão à rede elétrica faz com que a Hungria ainda seja obrigada a depender do gás natural para manter a estabilidade. Euronews


quarta-feira, 28 de maio de 2025

A polonaise de Hugo Almeida no “Vale das ameixas”

Três linhas são elementos fortes no romance: a imigração dos poloneses, o erotismo e o dom de criar


Há um trecho no romance Vale das ameixas, de Hugo Almeida (Editora Sinete, 2024), em que o narrador adverte: “Um romance é um buraco negro que suga tudo. Mas ilumina a vida” (p. 245). Grande verdade. Iluminado fiquei após a leitura desse livro que, em muitos momentos, também nos dá a sensação de estar num buraco negro, de estar perdendo o fio da meada. Isso porque há um entrelaçar de narradores, embora predomine a voz do polaco Harley Tymozwski, apelidado de Timo, ex-alfaiate e ex-professor, que vive em Belo Horizonte. Figura complexa, às vezes me lembra o narrador de Migo, de Darcy Ribeiro, ou, também, o narrador de Morte em V., de Reinaldo Santos Neves.

O autor, que é um especialista em Osman Lins, aliás muito citado ao longo da obra, principalmente A rainha dos cárceres da Grécia, insere ironicamente esse jogo de alteração de narradores na p. 221, em que um personagem que detém o ponto de vista avisa: “Ah, eu sou o Túlio”. Túlio, Zacarias e algumas personagens femininas vão se alternando num livro repleto de referências a artistas poloneses, como escritores, poetas, pintores cineastas, escultores, prevalecendo a imagem de Chopin. Assim como há vários dados biográficos de Ziembinski, extraídos do livro de Yan Michalski e do de Silvia Czapski. Na p. 227, como se fosse um Avalovara ou Jogo da amarelinha, o personagem Zacarias, filho de Timo, explica a montagem do livro, do qual Túlio também participou. E, através de seu personagem, Hugo Almeida sintetiza: “A descoberta de quem fala é um dos prazeres da leitura de um romance. Surpresas a cada página” (p. 244).

Das várias epígrafes do romance, destaco a extraída do conto “Pentágono de Hahn”, de Nove, novena, de Osman: “Atravessa o mundo e suas alegrias, procura o amor, aguça com astúcia a gana de criar.”  Daqui, aponto três linhas que vejo como elementos fortes da obra: a imigração dos poloneses, o erotismo e o dom de criar.

São vários os poloneses citados. Polônia, pátria ferida nas duas grandes guerras, tem seus filhos espalhados por outros países. Sua liberdade é golpeada, aliás, desde tempos mais remotos. Por exemplo, o cineasta Andrzej Wajda, em seu filme Danton, intercala Revolução Francesa e época contemporânea ao colocar na boca do personagem a frase: “Um homem sem pão não tem liberdade; nem justiça, não tem nada”. É o que vemos na p. 28, para, logo a seguir, nos surpreendemos pela inserção de versos de Machado de Assis, no poema “Polônia”, de Crisálidas, em que há este trecho: “A mãe via partir sem pranto os filhos [...] / Pobre nação! – é longo o teu martírio; a tua dor pede vingança e termo;/ Muito hás vertido em lágrimas e sangue [...] Não ama a liberdade / Quem não chora contigo as dores tuas”.

Com relação à questão da imigração, há duas passagens bem hilariantes: em uma delas, na p. 158, um polonês em Chicago, num exame oftalmológico, ao ver consoantes aleatórias na parede, afirma que não apenas reconhece as letras, mas conhece quem era aquele cara. E, na p. 219, há o diálogo do protagonista com agente da imigração em Lisboa: “Não podes perman’cer mais do que noventa dias. O quê?! Noventa dias!? Vocês ficaram no Brasil por mais de trezentos anos”. Porém, são pausas para respirar, pois a temática da diáspora é repleta de dor, como se lê na p. 120: “Sim, impossível fechar os olhos, ainda há guerras e guerras, famílias destroçadas, covas rasas e mutilados, crianças sem pais nem país, milhares sem chão nem identidade cultural ou psíquica. Ilegais aqui e acolá. Presos e deportados. O homem segue louco, vil, voraz, um sorvo”.

Contrastando com a guerra, há o núcleo amoroso do livro. As intertextualidades comparecem para sublinhar o tema: “[...] ‘diz que é homem do amor, ouvintes, e não homem da guerra’. Nessa passagem ‘radiofônica’ de A rainha dos cárceres da Grécia, vejo que Osman Lins fez paráfrase de uma fala de Antígona, de Sófocles: ‘Eu não nasci para partilhar de ódios, mas somente de amor!’. Ou, talvez, da frase original, que é de Homero, na Ilíada: Dione, com a filha Afrodite (ou Vênus) ferida no colo, lhe diz ter sido feita para combates de amor, não de guerra” (p. 111).

A temática amorosa aponta para os instantes mais líricos e eróticos do romance, em que Timo evoca suas várias amadas, como Laura: “Laura, Laura, Laura. Sim, sim. Luz, poema vivo. [...] voz que belisca a alma. Gotas de mel no lábio de abelha-beija-flor”. (p. 13). Na p. 95, na esteira de Baudelaire, o protagonista se pergunta: “O que é o amor? Sim, a necessidade de sair de si”. O título do livro, além de acenar metonimicamente para a Polônia, serve como metáfora para o corpo feminino, notadamente os seios, como se lê em algumas passagens, como esta, da p. 178: “[...] mergulha e chora na minha tua aljava, gruta enlouquecida, o teu vale de ameixas rosadas...”.

 As mulheres, ademais, como as passantes de Baudelaire, arrancam de Timo frases assim: “Deus é melhor do que Rodin. Basta olhar algumas moças que passam. Que passos! Que pássaras!” (p. 110). Na p. 122, enfileiram-se as evocações: “Laura, poema vivo, vulcão em repouso. Oh, Laís, meu sonho e meu pecado. Piedade, a fiel Alzira. Léa, Léa do meu devaneio. Éden, mestre que Túlio me trouxe. Núbia de meus sonhos fugazes, permanentes. Loren, Loren, minha febre”. Diga-se, de passagem, que a voz feminina também se ouve, tanto em contraponto erótico (“mergulha e chora na minha tua aljava, gruta enlouquecida, o teu vale de ameixas rosadas”, p. 178), como em reflexões antimachistas (“O homem é uma devastação para a mulher”, p. 129).  Lembro que, entre as mulheres citadas, há uma guerrilheira, assassinada no Araguaia, e que continua a fazer suas denúncias mesmo depois de morta. Na p. 193 há a informação de que “Mulheres que leem são mesmo perigosas”.

Finalizando, destaco o tema da criação, das reflexões sobre o escrever literatura.  Com ressonâncias de Mário de Andrade, lemos, na p. 120: “Quando sinto o impulso poético pulsar, deslizo a caneta sem medo e sai o que meu peito grita. Depois, bem depois, releio, penso e altero alguma coisa, corto ou troco palavras, reviro alguma frase”.  Na p. 123, esta frase, que é uma redenção: “Literatura, pássaro livre”. Das várias reflexões sobre o ato de criar, uma delas diz que “Uma narrativa não é detentora de significação, mas deflagradora de significação. O título de um romance – essa máquina complexa que não nasce de ovo nem útero – deve misturar as ideias, e não orientá-las. Escrever, triunfo da liberdade, solidão fraterna”. (p. 204)

Na p. 199, numa passagem que me lembra Graciliano Ramos estabelecendo analogia entre o fazer literário e o trabalho do sapateiro, o narrador faz relação entre escritor e alfaiate: “Ambos enfrentam a mesma faina, a mesma feliz agonia de trabalhar com fios leves, da memória ou fantasia, e acertar a proporção dos cortes, o ajuste das dobras e curvas, não exceder nas medidas”. Não é gratuita na obra uma citação de Julia Kristeva, pois o romance de Hugo Almeida, sendo um mosaico de citações, opera trazendo paráfrases, pastiches, alusões. Por exemplo, ao abordar Catatau, de Leminski, busca em Agora que são elas a frase “Vou lhe mostrar com quantos plágios se faz o original” (p. 113).  Quando Timo escreve que tem uma vida que poderia ter sido mas não foi, logo a seguir fala de sua bandeira, explicitando de quem é o célebre verso. Porém, ao descrever um enterro, na p. 215, parafraseia o poema “Momentos num café”, sem dar dica ao leitor incauto que aquilo era uma paráfrase. Das várias citações, há esta, na p. 88, Celso Adolfo, “E a porta continua proibida a quem precisa entrar”. Se, de um lado, o narrador cita explicitamente autores como Machado de Assis, Flaubert, Leopardi, Wislawa Szymborska, Otto Maria Carpeaux, Joseph Roth, Leminski, Mário de Andrade, W. J. Solha, por outro dá apenas pistas, como na p. 48, ao referir-se a um poeta chamado Vastafala, aluno do célebre Colégio Estadual dos anos 60. Quem conhece Antônio Barreto, sabe que é o título de um de seus livros. Porém, p. 209, cita versos nos quais vejo ressonâncias cabralinas: “Entras nessa sala/ e tudo inundas/ o mar começa/ em teus pés/ são de água/ esses seus passos”. Demorei a encontrar o autor: trata-se de Moacir Amâncio, no livro Câmara escuro, publicado pela editora Hedra.

A obra, enfim, é uma grande e prazerosa dança do espírito, uma polonaise, cuja chave de interpretação está nela própria, como se lê na p. 204: “Onde procurar as chaves de um romance? Nele mesmo. Um texto traz a memória da cultura em que se insere. [...] Concluído o romance, o escritor deveria morrer. Ou calar-se. O livro segue, livre, o seu caminho. Agora é com o leitor”. E, se “os mares nunca descansam” (p. 164), as leituras vêm em incessantes ondas, como o mar. Caio Maciel – Brasil

___________________

Vale das ameixas, de Hugo Almeida. São Paulo: Editora Sinete, 248 páginas, R$ 65,00, 2024. www.editorasinete.com.br O romance está disponível na Amazon.

Site do autor: https://hugoalmeidaescritor.com.br

______________________

Caio Junqueira Maciel é mestre em Literatura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), autor dos livros de ensaios A escritura do tempo na poesia de Dantas Mota e O sangue que rejuvenesce o Conde Drácula. Como poeta, entre outros títulos, escreveu Pele de jabuticaba. Autor do romance Um estranho no Minho, fruto do período em que viveu em Portugal.



sábado, 14 de setembro de 2024

Polónia – Português André Soares vence a prova de corrida por pontos do mundial de ciclismo de estrada para surdos

O ciclista português André Soares sagrou-se esta sexta-feira campeão do Mundo da corrida por pontos, no Mundial de ciclismo de estrada para surdos, a decorrer na cidade polaca de Swietokrzyskie, depois do bronze na velocidade


Soares bateu dois alemães pelo ouro, acabando com 82 pontos, mais 21 do que Felix Wahala, segundo, e mais 22 do que Stefan Kneer, terceiro.

O ciclista luso foi o melhor nas 30 voltas a um circuito com um quilómetro, com um sprint pontuável de duas em duas voltas, tendo pontuado em todos os sprints, além de ganhar uma volta ao pelotão e conseguir mais 20 pontos.

Foi o segundo pódio para o português em Swietokrzyskie, depois do bronze na velocidade a abrir a participação no Mundial, que termina domingo com a corrida de fundo.

Nesta mesma prova, o luso João Marques acabou na 12.ª posição final, sem pontos somados.

Citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, o selecionador Válter Sousa elencou esta como “a corrida perfeita do André Soares”, perante uma equipa alemã “mais forte” que o luso fez por controlar.

“Ganhou aí [ao seguir com um dos rivais] os 20 pontos da volta. Mas, depois, esteve muito bem, andando sozinho na frente para evitar riscos de queda no pelotão. E, com isso, foi somando mais pontos, o que lhe deu a vitória. O João Marques resguardou-se e na segunda volta esteve ativo, mas com as fugas que havia não pontuou”, analisou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra estuda aplicação de microalgas para tratamento de efluentes de ETAR e geração de biocombustíveis

O Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Algoteca da UC (ACOI), está a estudar a aplicação de microalgas para tratamento de efluentes de estações de tratamento de águas resíduas (ETAR) e geração de biocombustíveis.

O projeto “Application of microalgal and fungal biomass for the treatment of anaerobic digestion effluents and production of the 3d generation biofuels” é da autoria de Ewelina Sobolewska, aluna de doutoramento na Lodz University of Technology, na Polónia, que realizou a fase final do curso em Coimbra.

«Atualmente, estou a trabalhar com um bio reator para o tratamento do produto de digestão líquido (subproduto da digestão anaeróbia de águas residuais). A comunidade de algas que se desenvolve neste bio reator, utilizada nos processos de degradação, foi parcialmente removida do equipamento para que possamos procurar compostos potencialmente interessantes e úteis, obtendo valor agregado da biomassa que é o produto excedente desse tratamento», revela a estudante de Erasmus.

De acordo com Ewelina Sobolewska, o objetivo final deste trabalho é encontrar a melhor aplicação para a produção de biomassa excedente que resulta dos processos de limpeza das águas residuais por intermédio das algas, promovendo um modelo circular de gestão de resíduos. As aplicações desta matéria podem ser inúmeras, desde a produção de biocombustíveis até à potencial produção de compostos, que podem ser utilizados na área da cosmética, da medicina, entre outras.

«Neste projeto, foi testado um conjunto de microalgas aquáticas capazes de proporcionar biorremediação, quer seja por fitotransformação ou fitodegradação. Neste caso, está a ser utilizada uma mistura de algas que a aluna compôs para degradar determinados resíduos da água, previamente tratados, entrando as algas já numa fase final do processo», explicam Leonel Pereira e Nuno Mesquita, investigadores do DCV e orientadores da estudante durante o período de Erasmus.

Através da técnica de Espectroscopia Infravermelha com Transformada de Fourier, prosseguem, «obtivemos uma análise inicial do perfil químico da biomassa e, em seguida, a mesma foi caracterizada em termos lipídicos, incluindo a avaliação das frações lipídicas e perfil de ácido gordos por cromatografia gasosa (GC). Foi também feita a análise do perfil de pigmentos por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC).

Finalmente, «os extratos totais da biomassa estão a ser testados quanto aos seus efeitos fungicidas em diferentes espécies de fungos. Os resultados são muito promissores», concluem.

A estudante terminará o doutoramento na Polónia, mas os investigadores da FCTUC continuarão a trabalhar nesta investigação também em Coimbra, no âmbito do projeto ANOXYOILS, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e desenvolvido em colaboração com o grupo Plants4Health, liderado por Célia Cabral, investigadora da Faculdade de Medicina da UC (FMUC). Universidade de Coimbra - Portugal


domingo, 10 de janeiro de 2021

Cabo Verde – Rosa de Porcelana Editora apresenta livro “Cesária Évora” em Santo Antão


Cidade da Praia – A Rosa de Porcelana Editora dedica o ano 2021 a ‘Diva dos Pés Descalços’ iniciando o tributo no dia 17 com a apresentação na Ribeira Grande, Santo Antão, do livro “Cesária Évora” da autoria da polaca Elzbieta Sieradziñska.

A biografia da ‘diva dos pés descalços’ que já se encontra traduzida em português, vai segundo Filinto Elísio, servir para que a editora promova uma homenagem a Cesária Évora, em 2021, pois neste ano se assinala 80 anos do seu nascimento e 10 anos do seu falecimento.

“O lançamento vai ser acompanhado por momentos de lembrança e inicia no dia 17 de Janeiro, em Santo Antão, isso para recordar que a mãe da cantora era de Ribeira da Torre, enquanto no dia 22 será a vez do Mindelo (sua terra natal) por ser o dia de São Vicente”, disse.

Em declarações à Inforpress, Filinto Elísio disse que estão programados lançamentos na Praia e em Lisboa, durante o mês de Fevereiro, e em Paris, no mês de Março.

O ano 2021, que será dedicado a Cesária Évora, será também celebrado, segundo o responsável da Rosa de Porcelana Editora, por várias conferências sobre a cantora e a música de Cabo Verde em diversas paragens do mundo.

A edição “Cesária Évora” foi traduzida do polaco (original) para o português pelo Professor Wlodzimierz Szymaniak, coadjuvado pelo professor Manuel Brito-Semedo, através de uma bolsa de tradução atribuída à Rosa de Porcelana Editora pela Direcção do Livro da Polónia.

“O livro Cesária Évora é uma das importantes biografias feitas sobre a diva maior da música cabo-verdiana, falecida em 2011. A sua leitura permitirá conhecer Cesária Évora para além das luzes da ribalta, nos bastidores, no dia-a-dia e na intimidade, uma preciosa contribuição da crítica genética sobre esta grande artista”, realçou Filinto Elísio.

A Rosa de Porcelana Editora pretende em 2021, lançar novos livros com o objectivo de chegar a 70 títulos, realizar a 4ª edição do Festival de Literatura-Mundo do Sal e fazer a sua extensão a Portugal, Itália e Brasil. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

domingo, 26 de julho de 2020

Polónia - Portugueses fundaram primeiro clube de estrangeiros

Uma dezena de portugueses integra o clube mais internacional a jogar na Polónia e o primeiro fundado por estrangeiros, “desde jovens estudantes até algumas velhas raposas”, a jogar nas competições oficiais do país. “Tudo começou em 2015, através de uma publicação no Facebook num grupo de expatriados em Cracóvia, onde surgiu a ideia de organizar um jogo de futebol entre estrangeiros a viver na cidade”, contou à agência Lusa o português Daniel Silva, um dos capitães da equipa



“Depois do jogo, e uma ida ao ‘pub’, ficou claro que a experiência seria para repetir, começando o grupo a reunir-se semanalmente para dar uns toques na bola depois do trabalho”, acrescentou.

A equipa “Dragoons FC” viria a nascer pouco depois, com um nome baseado, não só no simbolismo da cidade, o dragão de Cracóvia, mas também no espírito guerreiro dos “dragoons”, as cavalarias armadas que faziam parte de vários exércitos europeus durante os séculos XVII e XVIII.

Depois de participarem com regularidade numa liga amadora, decidiram criar o clube como entidade registada, para poderem jogar também nas competições oficiais. Outra das vitórias passaria pela ajuda na integração de estrangeiros em Cracóvia e na cultura polaca.

“Desde os tempos das ‘peladinhas’ organizadas via Facebook até ao presente, como clube, o grupo tem sido sempre um veículo de integração dos estrangeiros que vêm para a cidade. Em muitos casos, as primeiras amizades de quem chega formam-se após os primeiros treinos com a equipa. É o caso dos portugueses. Começámos com um. Se não me engano, fui o segundo e, passadas apenas algumas semanas, já chegávamos a uma dezena. Muitas vezes o Português é mesmo a língua mais falada dentro de campo, para frustração de alguns”, partilhou, entre risos.

“Juntei-me ao grupo logo nos meus primeiros dias após chegar a Cracóvia, sendo que, não conhecendo praticamente ninguém na cidade, as minhas primeiras amizades foram com a malta do futebol. Os primeiros meses foram quase uma espécie de programa Erasmus, com o sentimento comum de descoberta de uma cidade nova, com um grupo novo de amigos de vários pontos do mundo, que vivem a mesma situação”, sublinhou Daniel Silva, a viver há cerca de quatro anos na Polónia.

A equipa funciona quase como uma família, explicou, “nem que seja pelo facto de alguns terem a idade para serem pais de outros quantos”.

“Para além dos treinos e jogos, reunimo-nos com frequência para irmos tomar uns copos, fazer barbecues ou, por exemplo, algo que já é uma tradição anual, ir passar um fim de semana a Varsóvia, onde jogamos com uma equipa local e dedicamos o resto do tempo ao ‘team building’, cultivando assim esses laços que nos unem como equipa, como amigos e, de certa forma, como uma família que vive em casa fora de casa”, adiantou.

Do clube fazem parte, tanto jogadores que nunca estiveram inscritos em qualquer federação, como ex-profissionais ou semiprofissionais que alinharam nas mais diversas ligas dos seus países. No total, “são mais de vinte nacionalidades representadas, entre vários continentes, desde jovens estudantes, até algumas velhas raposas”, sendo que um dos requisitos é a obrigatoriedade de estar legalmente registado na Polónia.

A equipa conseguiu recentemente um estatuto especial que lhe permite jogar com um número ilimitado de futebolistas de fora da União Europeia (EU), devido ao carácter único do projeto.

“Pelas regras da federação polaca, para a quarta divisão e ligas inferiores, uma equipa apenas pode ter em campo simultaneamente um jogador amador de fora da UE ou três jogadores de fora da UE com contrato profissional. No entanto, os regulamentos preveem que os clubes possam fazer um pedido formal à sua associação de futebol local, de modo a não terem de obedecer a estes requisitos, caso exista uma justificação válida para tal”, precisou o português, nascido no Porto.

O “Dragoons FC” é o clube mais internacional a jogar na Polónia e o primeiro fundado por estrangeiros a jogar nas competições oficiais polacas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Internacional - Samskip lidera projecto de navios eléctricos

Navegar entre a Polónia, a Suécia e a Noruega com emissões zero é o objectivo do SeaShuttle, um projecto liderado pela Samskip



O projecto contempla o desenvolvimento e construção de dois navios porta-contentores para o shortsea 100% eléctricos, com a energia a ser-lhes fornecida a partir de pilhas de combustível alimentadas a hidrogénio.

Os navios ligarão portos da Polónia e da Suécia ao fiorde de Oslo. Numa primeira fase, serão abastecidos de hidrogénio em Oslo, o que lhes permitirá realizar 20% de uma viagem de ida-e-volta – o percurso em águas norueguesas – sem produzirem emissões poluentes.

À medida que outros portos disponham das instalações de abastecimento, caminhar-se-á para as emissões zero em todo o trajecto.

O Seashuttle recebeu um financiamento de seis milhões de euros do governo da Noruega.

A Samskip foi a escolhida para liderar o projecto. “O que distingue este projecto – e que será decisivo para o seu sucesso – é a combinação do combustível e da tecnologia que o tornarão competitivo com as soluções actuais em termos de custos. Com os nossos parceiros, estamos convencidos de que esta ambição é realista”, comentou, a propósito, o director-geral da Samskip Norway.

“Uma vez operacionais, não há razões para que os navios de zero emissões não possam atrair as cargas dos 2 000 camiões que passam diariamente pelos portos noruegueses”, acrescentou Are Grathen, citado pela assessoria de imprensa. In “Transportes & Negócios” - Portugal

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Brasil - Pesquisadora do Rio ganha prêmio inédito da mais antiga academia científica do mundo



Uma professora da PUC-Rio acaba de se tornar a primeira educadora de uma instituição brasileira a receber o The Royal Society Newton Advanced Fellowship Awardprêmio da mais antiga academia científica independente do mundo, a The Royal Society, de Londres.

Agnieszka Latawiec é professora do Departamento de Geografia e Meio Ambiente e foi reconhecida pelo estudo “Sustentando a terra de baixo para cima: desenvolvendo modelo conceitual de valoração dos serviços ecossistêmicos para solos tropicais”.

A educadora nasceu na Polônia, mas mora há anos no Brasil e só está aguardando seu processo de naturalização no país para se tornar uma “brasileira no papel”. De coração já é, pois é casada com brasileiro e adora viver aqui (na foto que abre este post, ela é a terceira, da esquerda para a direita).

A premiação concedida pela The Royal Society tem o objetivo de reconhecer, promover e apoiar a excelência e incentivar o desenvolvimento e uso da ciência para o benefício da humanidade.

”É uma grande surpresa e honra receber esse prêmio. Nos inscrevemos pela primeira vez para um prêmio tão concorrido e pensamos que esta provavelmente seria a primeira tentativa de várias. Estou muito feliz por termos conseguimos e poderei também oferecer, como parte deste projeto, um intercâmbio para minha doutoranda”, diz Agnieska. “Organizaremos oficinas tanto científicas, voltadas para pesquisadores, como técnicas para produtores, com o intuito de mostrar a relevância da ciência de solo para a funcionalidade dos nossos ecossistemas, cadeia de alimentação e manejo da terra sustentável.
Segundo a professora, o projeto pretende ainda demostrar o valor monetário do solo e destacar quanto dinheiro todos nós perdemos cada vez que o solo se torna degradado por causa do tratamento inadequado.
O prêmio no valor de R$ 350 mil irá financiar a pesquisa no Brasil de solos tropicais, em parceria com universidades britânicas.
Agnieszka, que também é diretora-executiva do Instituto Internacional Para Sustentabilidade (ISS) e coordenadora do Centro de Ciências da Conservação e Sustentabilidade do Rio (CSRio), ressalta a importância da premiação para uma pesquisadora mulher. Ela afirma que através desse projeto, pretende desmistificar o “medo” que as ciências físicas causam dentro da Geografia entre os jovens e alunas mulheres, que são subrepresentadas nesta área. Suzana Camargo – Brasil in “Conexão Planeta”


terça-feira, 15 de maio de 2018

Polónia – “Prémio Ibero-Americano de Ensaio” para falantes de língua portuguesa

O ‘Prémio Ibero-Americano de Ensaio na Polónia’ é organizado pelas embaixadas do Brasil, do Chile, da Colômbia, de Cuba, de Espanha, do México, do Panamá, do Peru, de Portugal, do Uruguai e da Venezuela naquele país



Tem como objetivo promover o conhecimento das línguas e culturas portuguesa e espanhola na Polónia e intensificar as relações entre a comunidade ibero-americana de nações, o mundo eslavo e a Europa Central.

Dirige-se a pós-graduados e a estudantes dos cursos de doutoramento interessados no mundo ibero-americano, tanto na sua vertente europeia (Portugal e Espanha), como americana (áreas culturais lusófona e hispanófona), e em qualquer tipo de disciplina dentro do campo das ciências sociais ou dos estudos humanísticos.

Os participantes não poderão ter como língua materna, nem o espanhol, nem o português, e deverão serão residentes na Polónia, no momento da apresentação da candidatura.

O ensaio que se apresentar deverá ser um trabalho original de investigação ou reflexão sobre qualquer assunto relacionado com a Argentina, o Brasil, o Chile, a Colômbia, Cuba, o México, o Panamá, o Peru, o Uruguai, a Venezuela, bem como Portugal ou Espanha.

“Nesta primeira edição, coincidente com a celebração do centenário da restauração da independência da República da Polónia, solicitar-se-á que os trabalhos estejam relacionados com esse aniversário”, informa a organização.

Os ensaios deverão ser enviados à Secretaria do Júri do Prémio Ibero-Americano (Embaixada de Espanha em Varsóvia, Ul. Mysliwiecka, 4, 00-459, Varsóvia) antes do dia 22 de setembro de 2018.

O depósito de originais, em formato de papel e memória extraível – CD-ROM ou USB (formato ‘Word’ ou ‘PDF’) -, terá de ser realizado presencialmente pelo interessado.

São admitidos os envios por correio postal, sendo que, nestes casos, os originais deverão ser acompanhados de cópias dos documentos acima mencionados, devidamente autenticadas, acrescentando-se ainda, ao envelope, uma memória externa (CD-ROM ou USB) com o texto em formato eletrónico (formatos ‘Word’ ou ‘PDF’). In “Mundo Português” - Portugal


Mais informações através do sítio: 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Portugal – Dois jovens portugueses detidos em Auschwitz

Dois jovens portugueses de 17 anos habituados a verem no seu país a danificação dos monumentos nacionais com grafites e a destruição de simples objectos, resolveram inscrever os seus nomes na porta do museu, dentro do antigo campo de concentração de Auschwitz na Polónia.

Ao serem detidos justificaram os seus actos, como um registo das suas presenças em Auschwitz, enquadrados no âmbito da Jornada Mundial da Juventude durante a visita do Papa Francisco, que juntou milhares de peregrinos.



As autoridades polacas iniciaram de imediato um processo por danos causados a um importante marco da herança cultural da Polónia, considerando a atitude dos jovens portugueses um crime muito grave.

O Gabinete do Procurador da Cracóvia informou que os jovens consideraram-se culpados e que não passava de uma conduta irrefletida. O tribunal decidiu que os portugueses podem regressar a casa com uma condenação de um ano de prisão com pena suspensa por três anos. Baía da Lusofonia