Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 14 de julho de 2026

CPLP – Após 30 anos a Organização continua sem se afirmar junto da China, diz especialista

O especialista em relações internacionais Luís Bernardino considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) chega ao 30.º aniversário sem ter conseguido afirmar-se junto da China, onde continua pouco conhecida

“A China não conhece a CPLP”, resumiu Luís Bernardino, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e coronel de infantaria na reserva do Exército Português, que recentemente participou em duas conferências em Pequim, na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e na Embaixada de Portugal, sobre os 30 anos da organização, que se assinalam em 17 de julho. “Uma coisa que não se conhece também não se sabe como pode tirar vantagem dessa relação”, acrescentou.

Para Luís Bernardino, a organização “nunca se soube posicionar em relação ao Oriente” e continua afastada dos principais mecanismos criados por Pequim para aprofundar a cooperação com os países de língua portuguesa. “O Fórum de Macau não é a CPLP. É um instrumento da China para facilitar a cooperação com os países lusófonos e vai continuar a crescer. A CPLP está fora desta jogada, por enquanto”, considerou.

Criado em 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa reúne a China e os países lusófonos, mas funciona à margem da estrutura institucional da CPLP, embora utilize Macau como plataforma de ligação.

Para Bernardino, essa realidade traduz a forma como Pequim privilegia uma abordagem simultaneamente bilateral e multilateral, estratégia que descreve como “cooperação ‘bimultilateral’”. “A China relaciona-se bilateralmente com cada país, mas cria também fóruns multilaterais que reforçam essa cooperação. É uma abordagem pragmática que mais nenhuma grande potência desenvolveu em África”, defendeu.

O especialista em Segurança e Defesa em África sublinhou que a relação da China com os países lusófonos está longe de ser uniforme.

Enquanto com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) Pequim privilegia o financiamento de infraestruturas, o comércio, o desenvolvimento e, cada vez mais, a cooperação na área da defesa, com o Brasil a relação assume uma dimensão geopolítica distinta, impulsionada pelo bloco de economias emergentes BRICS e pela cooperação entre países do chamado Sul Global. “A China adapta a sua estratégia aos interesses que tem em cada região. Não existe uma abordagem única para todos os países da CPLP”, explicou.

No caso de Timor-Leste, Luís Bernardino considerou que a crescente importância estratégica do país no Indo-Pacífico deverá reforçar o interesse chinês, tanto pela posição geográfica como pela futura integração plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “A China olha para Timor-Leste como um parceiro estratégico no Indo-Pacífico, pela sua posição nas rotas marítimas e pela crescente relevância regional”, afirmou.

O investigador considerou ainda que a rivalidade estratégica entre a China e o Ocidente levou Pequim a reforçar a presença junto dos países lusófonos, sobretudo em África, onde a cooperação se expandiu para áreas como a segurança, a tecnologia e a defesa. “A cooperação deixou de ser apenas económica. A defesa tornou-se um dos pilares centrais da relação da China com praticamente todos os PALOP”, sustentou.

Essa evolução acompanha a transformação da presença chinesa em África, inicialmente centrada no apoio político aos movimentos de independência e, mais tarde, no financiamento de infraestruturas e acesso a matérias-primas.

Hoje, segundo Luís Bernardino, a estratégia inclui também formação militar, venda de equipamento, construção e modernização de portos e uma presença naval cada vez mais frequente no continente africano. “A China faz aquilo que uma potência global tem de fazer. É uma potência económica, mas sabe que também precisa de afirmar uma dimensão militar”, afirmou.

Apesar da crescente influência chinesa, Bernardino considerou que os países lusófonos, em particular os africanos, ainda não conseguiram retirar todo o partido dessa relação. “Há uma dependência crescente, sobretudo financeira. Os países têm de aprender a negociar melhor com a China e transformar esta cooperação numa verdadeira parceria estratégica, sem criar dependências excessivas”, defendeu.

O especialista considerou, por isso, que o maior desafio da CPLP, três décadas após a sua criação, passa por aumentar a sua visibilidade internacional e afirmar-se como interlocutor relevante junto de parceiros estratégicos como a China. “A CPLP é aquilo que os Estados-membros querem que ela seja. Se os próprios países não a valorizarem nos fóruns internacionais em que participam, dificilmente outros atores globais o farão”, disse.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau (actualmente suspensa devido ao golpe de Estado), Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 30 de junho de 2026

Portugal - 400 artistas e intelectuais defendem ensino da língua portuguesa no estrangeiro

Preocupados com a nova proposta de reformulação do Regime Jurídico da Rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), mais de 400 artistas e intelectuais pedem ao Governo que defenda “o mais valioso ativo da diplomacia cultural”


Da literatura à música, do cinema às artes plásticas, nomes como os de Lídia Jorge, Teolinda Gersão ou José Luís Peixoto, Graça Morais, Sérgio Godinho ou Maria de Medeiros, incluindo quatro vencedores do Prémio Camões — Hélia Correia, João Barrento, Silviano Santiago e Ana Paula Tavares -, assinam o “Manifesto em Defesa da Rede EPE: a primeira linha da diplomacia portuguesa”.

Para os signatários, é “urgente e necessário rejeitar a precarização” da rede EPE, bem como “conferir estabilidade, reconhecimento e solidez às carreiras dos agentes desta rede”, que dignifiquem os profissionais que desempenham o seu trabalho “frequentemente em condições de insustentável vulnerabilidade”.

Afirmando a rede EPE como “o mais sólido espaço de diálogos, circulações, trânsitos e disseminação da literatura, arte e cultura portuguesas pelo mundo”, os subscritores do Manifesto sublinham o papel “decisivo” dos Leitores e Professores que todos os dias trabalham para divulgar autoras e autores de língua portuguesa em vários lugares do mundo.

“A rede de Ensino Português no Estrangeiro não só cria e garante visibilidade às letras e à cultura produzidas em língua portuguesa a uma escala global: esta rede cria pontes, todos os dias, entre escritores, comunidades, países e os públicos mais diversos”, lê-se no texto do Manifesto.

“Todos os dias, algures no planeta, há uma Leitora ou um Leitor da rede EPE a organizar uma conferência, um seminário, um colóquio, um debate, com artistas e autores de língua portuguesa. Graças a elas e a eles, todos os dias se fala em português nalgum ponto do planeta”, acrescentam, destacando o que consideram ser um trabalho “minucioso” e “constante”, que, ao longo dos anos, tem construído “um dos mais sólidos pilares de internacionalização” da cultura em língua portuguesa.

“Apesar de, a cada ano, o número de Leitorados ser menor e a situação profissional de quem neles trabalha mais vulnerável, são elas e eles que, todos os dias, levam a cabo a infinita e minuciosa tarefa de coordenar viagens, residências artísticas, traduções e festivais”, sublinham.

E prosseguem nos elogios aos Leitores e Professores que operam como artesãos que “tecem diariamente esta poderosa e simultaneamente frágil teia de contactos, ligações, colaborações e pontes que tornam as culturas em língua portuguesa das mais estudadas em todo o mundo”.

Há ainda o contributo da rede EPE junto das comunidades portuguesas na diáspora, que consideram ser um elo de ligação fundamental para a “reconexão com as raízes”.

“É a rede EPE que assegura que as filhas, netos e descendentes de portugueses espalhados pelo mundo encontrem os nossos romances, poesia, música, cinema e outras artes em língua portuguesa; também por esta via a nossa língua se inscreve continuamente em múltiplos, diversos e inovadores ambientes de produção, reflexão e fruição a nível mundial”.

Por tudo isto, consideram todos os espaços da rede EPE como “o mais valioso ativo da diplomacia cultural portuguesa pelo mundo” e pedem ao Governo que reconheça esta verdade, com “investimento sério”, “valorização” e “estabilidade laboral”.

“Quando atravessamos um momento histórico marcado por incógnitas, crises humanitárias e incertezas quanto ao futuro, a importância de reconhecer o trabalho humanístico, de promoção do diálogo, da leitura e das artes que a rede EPE leva a cabo, todos os dias, é mais premente do que nunca”, defendem.

“Para que possam continuar a desenvolver este trabalho, é fundamental que o seu mérito seja reconhecido, mas também que as estruturas legais em vigor acarinhem todos estes profissionais, garantindo-lhes a indispensável estabilidade, solidez de carreiras e vínculos laborais fortes”, acrescentam.

Terminam com o apelo ao Governo para “reconsiderar” a proposta de lei para o Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro, rejeitando a precarização e a falta de “empenho sério” no investimento na rede EPE e nos seus profissionais.

“Fazê-lo é do mais indispensável respeito pela língua que nos une”, concluem.

O “Manifesto em Defesa da Rede EPE: a primeira linha da diplomacia portuguesa” foi assinado até ao momento por 441 personalidades das artes e de universidades de todo o mundo, ligados à cultura e à língua portuguesa.

Os sindicatos representativos dos professores e o Governo iniciaram, no passado dia 28 de maio, as reuniões do processo negocial relativas à revisão RJEPE, cuja pasta é tutelada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

Após esse primeiro encontro, as propostas apresentadas pelo Governo têm sido contestadas pelos docentes e seus respetivos sindicatos. Hoje realizou-se nova reunião, estando ainda outra marcada para 13 de julho. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Moçambique – Presidência garante que nenhuma vila de Cabo Delgado está ocupada por terroristas

O Presidente da Frelimo, Daniel Chapo, garantiu que actualmente não existe nenhuma vila conquistada por grupos terroristas na província de Cabo Delgado, destacando avanços significativos no combate à insurgência. A declaração foi feita durante a abertura da 2.ª Sessão Ordinária do Conselho Nacional da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), onde o dirigente sublinhou o papel das Forças de Defesa e Segurança, com o apoio de parceiros regionais e internacionais, na recuperação de áreas anteriormente afectadas.

“Hoje, nenhuma vila de Cabo Delgado está ocupada por estes inimigos do povo moçambicano”, afirmou.

Segundo Chapo, os grupos terroristas encontram-se em constante fuga devido à pressão militar, embora ainda realizem ataques esporádicos que continuam a gerar insegurança nas comunidades.

Chapo acrescentou que, apesar do terrorismo ainda não ter sido totalmente eliminado, os progressos registados já permitem o regresso gradual dos deslocados às suas zonas de origem.

As melhorias no cenário de segurança também estão a contribuir para a retoma das actividades económicas na região, incluindo grandes projectos, contribuindo para a criação de empregos e dinamização da economia local. In “O País” - Moçambique

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Gronelândia - China avisa Estados Unidos para não usar outros países como pretexto para tomar o território autónomo dinamarquês

A China avisou os Estados Unidos para não usarem outros países como pretexto para prosseguir os seus interesses na Gronelândia e garantiu que as suas actividades no Ártico estão em conformidade com o direito internacional


“Os direitos e liberdades de todos os países para conduzir atividades no Ártico de acordo com a lei devem ser plenamente respeitados”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, em conferência de imprensa. “As actividades da China no Ártico visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável na região e estão de acordo com o direito internacional”, sublinhou.

Segundo a porta-voz, “os EUA não devem prosseguir os seus próprios interesses usando outros países como pretexto”, até porque “o Ártico diz respeito aos interesses gerais da comunidade internacional”.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou na sexta-feira, na Casa Branca, que não vai permitir que a Rússia ou a China “ocupem a Gronelândia” e que decidiu “fazer alguma coisa” em relação ao território autónomo dinamarquês, do qual pretende adquirir controlo “a bem ou a mal”. Trump adiantou que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, membro da NATO, para impedir que a Rússia ou a China a assumam.

As tensões entre Washington, a Dinamarca e a Gronelândia aumentaram este mês, à medida que Trump e a sua administração pressionam sobre o assunto e a Casa Branca pondera uma série de opções, incluindo o uso da força militar, para adquirir a vasta ilha ártica.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada de poder norte-americana na Gronelândia marcaria o fim da NATO.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e os líderes dos outros quatro partidos no parlamento do território emitiram uma declaração conjunta reiterando que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo seu povo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, realizou ontem um encontro com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, em Washington para discutir uma estratégia conjunta de segurança da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o Ártico.

Antes de viajar, o diplomata alemão afirmou que deseja discutir com Rubio como “assumir conjuntamente esta responsabilidade dentro da NATO, dadas as antigas e novas rivalidades na região entre a Rússia e a China”.

Segundo dados oficiais, a presença e os interesses da China na Gronelândia são mais limitados do que os EUA alegam e estão focados principalmente no setor comercial, com vários empreendimentos mineiros e industriais frustrados nos últimos anos.

No entanto, em 2018, a China declarou-se um “Estado quase-ártico” num esforço para ganhar mais influência na região e anunciou planos para construir uma “Rota da Seda Polar” como parte da sua iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, um megaprojeto de infraestruturas e investimento global, proposto pela China em 2013 para reavivar a antiga Rota da Seda, que visa ligar Ásia, Europa, África.

NATO discute possível reforço da segurança na Gronelândia

A NATO está a discutir um possível fortalecimento da segurança no Ártico, num debate com participação da Alemanha, no contexto das tensões criadas pela pretensão norte-americana de anexar a Gronelândia, confirmou ontem o Governo alemão. “No âmbito da segurança transatlântica, o Ártico tem um papel crescente e, dentro da NATO, discute-se fortalecer a zona”, disse o porta-voz adjunto Sebastian Hille numa conferência de imprensa em Berlim.

Hille respondia a uma questão sobre um possível envio de tropas para o território autónomo dinamarquês, segundo a agência de notícias espanhola EFE. O porta-voz assegurou que o Governo alemão “participa ativamente” nas conversações em curso no seio da Aliança Atlântica, de que tanto a Alemanha, a Dinamarca e os Estados Unidos fazem parte. “Basicamente, qualquer diálogo diplomático para tranquilizar a situação é motivo de satisfação”, acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, admitiu abordar a questão em Washington numa reunião com o homólogo norte-americano, Marco Rubio. “Precisamente porque a segurança no Ártico se torna cada vez mais importante, quero aproveitar a minha viagem para debater como podemos assumir esta responsabilidade conjuntamente dentro da NATO, dadas as rivalidades antigas e novas na região por parte da Rússia e da China”, assinalou Wadephul.

Também a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, referiu no domingo à noite que “uma presença militar aumentada de forma significativa terá um impacto real” na segurança, “tanto no Ártico como para a Europa e para os Estados Unidos”.

O jornal britânico The Telegraph noticiou no domingo que o primeiro-ministro Keir Starmer estava em conversações com aliados europeus sobre um possível destacamento militar na Gronelândia, no âmbito de uma eventual missão da NATO para reforçar a segurança no Ártico. A iniciativa, que começou a ser debatida na passada quinta-feira em Bruxelas, procura responder às preocupações expressas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a possível ação da Rússia ou da China na região. Trump utilizou a Rússia e a China como argumento para justificar a suposta necessidade de uma anexação da Gronelândia.

De acordo com o jornal The Telegraph, chefes militares têm estado a elaborar planos preliminares para uma possível missão aliada, que poderá incluir tropas, navios e aeronaves, com a participação de vários países europeus, incluindo o Reino Unido.

Um porta-voz do Ministério da Defesa da Alemanha, Mitko Muller, disse ontem que, por enquanto, não havia planos para estacionar tropas alemãs na Gronelândia. Destacou, no entanto, que Berlim demonstrou nos últimos meses que a defesa do Atlântico Norte e do Ártico faz parte dos interesses da Alemanha. Muller recordou que a Alemanha participou em agosto em manobras militares na zona com a marinha dinamarquesa e que também o ministro da Defesa, Boris Pistorius, se deslocou à ilha ártica. Ressaltou ainda que a questão da segurança no Atlântico Norte deve ser abordada sempre a partir de uma perspetiva multilateral.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, admitiu ontem um reforço da segurança da Gronelândia se a Dinamarca considerar que a ilha se encontra em risco. “Se em torno da Gronelândia ou no Ártico houver (…) elementos ou situações que possam colocar em risco a segurança atlântica, estou certo de que todos o poderíamos analisar e, se houver necessidade de reforçar a segurança, seria reforçada”, afirmou Albares em Madrid. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Portugal – Cidade de Lisboa debate clima e segurança no Atlântico antes da COP30 no Brasil

Especialistas de todo o mundo reuniram-se em Lisboa nas vésperas da COP30, para debater forma como as alterações climáticas estão a transformar a segurança no espaço atlântico. O clima deixou de ser apenas um desafio ambiental, é uma questão estratégica de segurança e estabilidade global


Especialistas de todo o mundo reuniram-se em Lisboa este dia 30 de outubro para discutir a ligação entre segurança, defesa e alterações climáticas.

Nas vésperas da COP30, que decorrerá em novembro em Belém do Pará, no Brasil, o Atlantic Centre promoveu um seminário internacional, reforçando a ideia de que a crise climática deve ser tratada não apenas como uma urgência ambiental, mas como uma prioridade estratégica para garantir um Atlântico mais seguro, estável e próspero.

O Atlantic Centre é uma iniciativa portuguesa que promove a cooperação entre países do Atlântico nas áreas da segurança, defesa, governação marítima e desenvolvimento sustentável. Atualmente tem 27 Estados signatários, funcionando como plataforma de diálogo e formação sob a tutela do Ministério da Defesa Nacional.

Clima como nova fronteira da segurança

O coordenador do Atlantic Centre, o contra-almirante Nuno Noronha de Bragança, sublinha que as alterações climáticas tornaram-se parte central dos desafios comuns que atravessam o Atlântico.

Entre os principais fatores de risco, o responsável destaca a desertificação no Sahel, o impacto crescente dos eventos meteorológicos extremos, a migração irregular e as tensões sobre os recursos naturais.

Em entrevista à ONU News a partir de Lisboa, Noronha de Bragança dá alguns exemplos. “Olhamos para as alterações climáticas, naquilo que é o impacto nas megacidades do continente africano que, fruto daquilo que são as alterações climáticas, transportam as pessoas e os jovens para as cidades superpovoadas”.

Infraestruturas vulneráveis e impacto humano

A vulnerabilidade das infraestruturas marítimas e costeiras é um dos pontos de maior preocupação. “Sessenta por cento do produto interno bruto depende de infraestruturas que sofrem com as alterações climáticas”, referiu Noronha de Bragança, recordando episódios de cheias e tempestades recentes na Europa e nas Américas.

O impacto chega também às comunidades dependentes do mar, sobretudo na África Ocidental e nas Caraíbas, onde as alterações nos ecossistemas marinhos afetam a pesca e o sustento das populações, obrigando a uma migração forçada. “Em 2040 teremos 12 milhões de jovens a entrar no mercado de trabalho africano e o impacto da migração irregular numa das rotas mais mortíferas para a Europa que é a rota das Canárias”, referiu.

Cooperação e resposta integrada

O seminário pretendeu destacar a necessidade de respostas coordenadas entre governos, forças armadas, proteção civil, ciência e sociedade civil. Para o contra-almirante, a segurança climática exige uma “abordagem de toda a sociedade”, capaz de responder de forma rápida a catástrofes e construir resiliência coletiva.

“Não há país isolado, não há agência isolada que consiga fazer face a estes desafios comuns. Exige de todos, e desta comunidade atlântica,”, defendeu.

Ciência, governação e tecnologia

Para o Atlantic Centre, o combate às alterações climáticas no Atlântico deve assentar em três pilares fundamentais: ciência, boa governação e tecnologia. “Escutar a ciência, escutar aquilo que é a perspetiva nacional. E, de facto, a perspetiva de segurança e defesa entra nisto”.

Entre os exemplos de cooperação nacional e internacional, destacou o Centro de Dados Oceanográficos Nacional, que reúne informação recolhida por várias instituições portuguesas e internacionais para apoiar políticas públicas e decisões estratégicas.

“É mais fácil inovar na tecnologia do que inovar nas pessoas. Falamos muito, mas é preciso agir”, alertou, sublinhando que a tecnologia, incluindo inteligência artificial e computação quântica, pode ser uma aliada fundamental para antecipar riscos e planear respostas.

Propostas para a COP30

Embora o Atlantic Centre não vá participar diretamente na COP30, há ideias e recomendações que a instituição gostaria de ver debatidas em Belém. Entre elas está a revisão do direito internacional para lidar com a perda de território provocada pela subida do nível do mar, um fenómeno que ameaça a soberania de vários pequenos Estados insulares.

Outra proposta é reforçar o diálogo entre ciência, governação e tecnologia e garantir que o debate global sobre o clima inclua a dimensão de segurança. “Não há país nem agência isolada que consiga responder a estes desafios. É preciso cooperação, diálogo e, sobretudo, ação”, afirmou.

Parceria com as Nações Unidas

O Atlantic Centre tem vindo a reforçar a cooperação com as Nações Unidas e várias das suas agências, num esforço de convergência entre agendas de defesa, clima e segurança. “Temos trabalhado com inúmeras agências externas das Nações Unidas. É fundamental ter sempre presente o princípio da complementaridade”, referiu Noronha de Bragança.

O responsável destacou o papel central das Nações Unidas neste domínio e defendeu uma articulação constante. “A ONU tem um papel importantíssimo e continuará a tê-lo. O Atlantic Centre é mais uma iniciativa que trabalha em consonância com esses mesmos objetivos comuns, apoiando as convenções e tratados internacionais relacionados com o clima e o mar.”

Entre os temas ainda em aberto, Noronha de Bragança lembrou a necessidade de fortalecer a agenda clima-segurança no quadro das Nações Unidas e de integrar esta dimensão em convenções internacionais como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar ou a nova Convenção para a Proteção do Alto Mar. ONU News – Nações Unidas



terça-feira, 28 de outubro de 2025

CPLP - Debate reforço da cooperação em defesa

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) iniciou, nesta terça-feira, na Vila Ponta do Ouro, em Maputo, a XXII Reunião de Directores da Política de Defesa ou Equiparados, com o objectivo de reforçar a cooperação estratégica no domínio da defesa e preparar propostas a submeter à próxima reunião dos Ministros da Defesa da organização.


O encontro, que decorre até amanhã, junta representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, bem como o Secretariado Permanente para os Assuntos de Defesa e o Centro de Análise Estratégica da CPLP.

A delegação moçambicana é chefiada pelo Brigadeiro Anastácio Zaqueu Barassa, Director Nacional de Política de Defesa, acompanhado pelo Coronel Assane Cachimo, Oficial de Cooperação do Estado-Maior General, e pela Major Marta António Jorge Muando Licussa, Chefe do Departamento de Relações Multilaterais.

Na sua intervenção, o Brigadeiro Barassa referiu que o encontro decorre num contexto internacional desafiante, marcado pela instabilidade geopolítica, pelo terrorismo e pelas alterações climáticas. Estes factores, segundo afirmou, exigem maior coordenação estratégica entre os países da CPLP, tendo realçado a importância do reforço da cooperação multilateral para a consolidação da segurança colectiva e promoção da paz e do desenvolvimento sustentável.

A agenda de trabalhos inclui a análise do ponto de situação da 3.ª Reunião dos Serviços de Informações Militares, da implementação do Plano de Acção 1325 sobre a Agenda “Mulheres, Paz e Segurança”, do balanço das formações realizadas no Colégio de Defesa e no Curso CIMIC, bem como a apreciação da proposta de revisão dos estatutos e do regimento do Centro de Análise Estratégica da CPLP.

Consta igualmente da agenda a calendarização das actividades conjuntas para 2026, com destaque para o Exercício FELINO, considerado um dos principais marcos da cooperação multilateral entre as Forças Armadas dos países de língua portuguesa. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 3 de junho de 2025

São Tomé e Príncipe e Cabo Verde relançam cooperação nas áreas da defesa, transporte e educação

São Tomé – São Tomé e Príncipe e Cabo Verde querem relançar a cooperação bilateral, sobretudo, nos domínios da defesa, segurança, transporte e educação, disse a ministra da defesa cabo-verdiana, Janine Lélis, no final de audiência com o primeiro-ministro, Américo Ramos.


“Nós também falámos que no domínio da defesa é sempre possível fazer mais, trazendo as nossas experiências, as nossas vivências para que elas possam ser moldadas e ajustar aquilo que é a realidade de São Tomé”, – sublinhou a ministra cabo-verdiana.

Janine Lélis acrescentou “dois países irmãos que têm uma longa história, têm de certa forma um percurso comum, uma identidade muito forte pela realidade dos cabo-verdianos que vivem aqui [em São Tomé], dos nossos descendentes e que vivem em Cabo Verde, então o nosso pensar e o nosso entendimento é que trabalhar para o processo de desenvolvimento de São Tomé e de Cabo Verde”.

Quanto a ligação entre os dois países, esta governante disse “eu acho que os esforços diplomáticos estão a ser feitos e os contactos têm sido permanentes, isto porque os dois países têm presente a importância dessa ligação direta e do quanto isso pode facilitar”.

Acrescentou que “de qualquer das formas é sempre importante ter presente que as garantias das linhas precisam de tráfego e precisa daquilo que no fundo o alimenta”.

Sobre educação Janine Lélis disse que “existe uma cooperação muito boa entre São Tomé e Cabo Verde. Neste momento, Cabo Verde disponibiliza para São Tomé bolsas de estudos para jovens que vão se capacitar e formar no nosso país, e isto é um comprometimento nosso em relação a São Tomé, no sentido de ajudar e capacitar os quadros para o processo de desenvolvimento”. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP Press”


terça-feira, 13 de maio de 2025

Portugal - Empresa Tekever atinge estatuto de unicórnio

A Tekever, empresa portuguesa especializada no desenvolvimento de drones autónomos com inteligência artificial para fins de defesa, atingiu recentemente uma valorização superior a mil milhões de euros, conquistando assim o estatuto de unicórnio — distinção dada a startups que ultrapassam essa fasquia de valorização sem estarem cotadas em bolsa



Fundada em 2001 por engenheiros do Instituto Superior Técnico, a Tekever tem vindo a consolidar a sua posição no setor da tecnologia e defesa, com destaque para o seu envolvimento em operações de vigilância e recolha de informação, nomeadamente no apoio à Ucrânia desde o início da guerra. A empresa opera atualmente em seis países europeus, com centros de engenharia em Portugal, no Reino Unido e em França.

De acordo com a AICEP, um dos marcos recentes da Tekever foi o lançamento do programa “Overmatch”, um investimento de 400 milhões de euros no Reino Unido, a ser implementado ao longo dos próximos cinco anos. Esta iniciativa tem como objetivo reforçar a base industrial de defesa europeia e prevê a criação de mais de mil empregos altamente qualificados.

Com esta conquista, a empresa junta-se ao restrito grupo de unicórnios portugueses, ao lado de empresas como a Farfetch, OutSystems ou Remote, afirmando Portugal como um país relevante no ecossistema tecnológico global. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Portugal - Defesa ou desenvolvimento?

Os 2% do PIB em Defesa correspondem a cerca de um quarto da totalidade das verbas do PRR. O PRR, sim, é um instrumento de desenvolvimento

Num país como Portugal, onde as dificuldades estruturais são profundas e persistentes, o investimento de 2% do PIB em Defesa levanta dúvidas morais e económicas incontornáveis. É muito difícil conceber que este seja o melhor uso dos nossos limitados recursos.

A aposta no armamento, por mais necessário ou até inevitável que possa parecer no plano geoestratégico, hipoteca o verdadeiro desenvolvimento do país. É ilusório pensar que este tipo de investimento trará um retorno multiplicador sustentável. A indústria militar, assente numa lógica de destruição, não gera inovação com impacto duradouro na produtividade, na coesão social ou na competitividade do país. O seu efeito resume-se, no curto prazo, à criação de emprego e a um aquecimento relativo da economia. Nada mais. Grande parte dos recursos aplicados na Defesa não geram utilidade prática na vida das pessoas. Ampliar a dimensão industrial do país e as oportunidades de negócio a partir de produção que ocorre para explodir ou destruir não gera, decerto, efeito multiplicador sustentável.

Para termos uma noção do desvio, basta perceber que os 2% do PIB em Defesa correspondem a cerca de um quarto da totalidade das verbas do PRR. O PRR, sim, é um instrumento de desenvolvimento.

Em junho, haverá uma nova cimeira da NATO. Se subirmos os números para 3,5% ou 5%, então estarmos a falar de metade ou dois terços das verbas do PRR alocadas a Portugal. E, no entanto, com referência a 2023, Portugal ocupa o último lugar da Europa no ranking do investimento público em 10 anos. É um quadro que nos devia embaraçar.

Durante anos, sacrificámos o investimento público em nome da consolidação orçamental. Agora, estranhamente, as novas metas militares poderão vir a abrir exceções a essa contenção. Segundo o Conselho de Finanças Públicas, o esforço acrescido com a Defesa agravará o rácio da dívida pública entre 2026 e 2029, ano após ano. É o oposto do que recomendava a Comissão Europeia, que previa para Portugal uma das maiores reduções da dívida da Zona Euro, precisamente à custa do desinvestimento.

Este nível de esforço não era sequer estritamente obrigatório. Mesmo assim, preferimos as contas certas à reconstrução do país. Agora, optamos pela Defesa como exceção à regra, mas sem cuidar das infraestruturas de que a economia precisa para crescer.

O que vemos, na prática, é o país a falhar consecutivamente em matérias centrais para o seu desenvolvimento. O investimento líquido das administrações públicas tem sido negativo ano após ano. O stock de capital continua a deteriorar-se. Em 2023, o investimento público ficou 26% abaixo do previsto no OE2023. Em 2024, o desvio foi de 17,5%. Tudo isto compromete a função produtiva da economia. Estamos muito aquém do nível necessário de manutenção ou ampliação de ferrovias, hospitais, escolas, aeroportos, entre outros. Vai ficando tudo fica para depois.

Mais grave ainda, hipotecámos a aplicação correta do PRR, por falta de trabalhadores na construção civil. Agora, com o desvio de recursos para a Defesa, acentuaremos esse défice. A escassez de mão de obra e de capital público aponta para um resultado em que o país se torna cada vez menos competitivo e atrativo para o investimento estrangeiro. E o investimento direto estrangeiro é absolutamente indispensável para Portugal.

A escolha é moral. Os portugueses vivem com dificuldades e num país economicamente débil. Neste momento da sua História, Portugal parece ser obrigado a escolher canhões em vez de pontes. João Santos – Portugal in “Sapo”

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João Rodrigues dos Santos - Professor Associado e Coordenador da área de Economia e Gestão da Universidade Europeia


quinta-feira, 17 de abril de 2025

Bélgica - Corta gastos sociais para impulsionar orçamento militar

A Bélgica cortou nos gastos sociais para reforçar o seu orçamento militar, a fim de cumprir a meta de gastos com defesa da OTAN, que Bruxelas está a ter dificuldades para atingir.

O Ministro das Finanças belga, Vincent van Peteghem, relatou isso a jornalistas do jornal britânico The Financial Times.

Segundo ele, Bruxelas conseguirá atingir o limite de 2% para gastos com defesa este ano, mas isso terá um impacto negativo no sistema de segurança social. A Bélgica terá de aumentar a sua dívida nacional e cortar algumas despesas orçamentais.

Ao mesmo tempo, o chefe do Ministério das Finanças belga está ciente de que, sob pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, os países europeus podem concordar em aumentar o limite mínimo para gastos com defesa. Ele presume que em junho, sob a influência das ameaças do líder americano de privar os aliados da sua proteção, a OTAN estabelecerá um mínimo de 3%.

Segundo Peteghem, Bruxelas provavelmente não conseguirá atingir este nível. Na sua opinião, tal aumento nos gastos com a defesa afetará negativamente a esfera social não apenas na Bélgica, mas também em muitos outros países europeus.

No início de março, Trump alertou os aliados da OTAN que, se não gastassem o suficiente na sua própria defesa, não receberiam proteção dos EUA. E antes da sua posse, ele disse que proporia aumentar o gasto mínimo de defesa da OTAN de 2% para 5% do PIB. In “Finantial Times” – Reino Unido


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Angola e Brasil pretendem aprofundar relações no domínio da Defesa

As delegações do Brasil e de Angola reuniram-se, na última segunda-feira, em Brasília, onde manifestaram a pretensão de aprofundar as relações no domínio da Defesa



De acordo com uma nota, enviada ao JA Online, a abordagem foi feita entre o ministro da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria de Angola, João dos Santos, e o homólogo brasileiro, José Monteiro Filho.

Durante o encontro, as delegações passaram em revista o estado actual de cooperação entre as instituições e reiteraram a necessidade de consolidar e diversificar a parceria estratégica vigente.

Na ocasião foi, igualmente, decidida a dinamização do Comité Conjunto de Cooperação da Defesa para a monitorização dos projectos em curso.

Para João Ernesto dos Santos, é importante reforçar e consolidar a cooperação nas áreas de apoio à paz, formação, ensino, infra-estruturas e indústria militar.

Por sua vez, José Monteiro Filho defendeu a necessidade de continuar a desenvolver acções para melhorar a cooperação no referido sector. In “Jornal de Angola” - Angola


segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra dinamiza seminário sobre o Espaço

O Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) vai dinamizar esta quarta-feira, dia 11 de dezembro, o seminário “Geopolítica do Espaço Sideral”. A sessão terá lugar no Observatório Geofísico e Astronómico (OGA) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), pelas 16h30.


 

«O Espaço Sideral, Espaço Exterior ou, simplesmente, Espaço, refere-se ao domínio 100km acima do nível médio das águas, embora não haja uma fronteira definida internacionalmente. Atualmente, é reconhecido como domínio operacional por muitos Estados e Organizações, como a NATO, por exemplo», explica Pedro Costa, chefe do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea Portuguesa (FAP) e palestrante do evento.

De acordo com Pedro Costa, «o Espaço Sideral assume uma importância estratégica crescente para os Estados, do ponto de vista das suas economias, mas também no que concerne à capacidade de influenciar na cena internacional. O Espaço representa Poder, o que motiva a edificação de teorias que procuram explicar as ações acometidas pelo Homem neste que é o novo domínio operacional para a Segurança e Defesa».  

Assim, esta sessão tem como objetivo dar a conhecer mais sobre o Espaço Sideral e a sua importância para a sociedade em geral e, em particular, para o domínio da Segurança e Defesa. Pretende-se ainda que esta sessão seja um momento de aproximação entre instituições, permitindo mostrar os recentes desenvolvimentos na Força Aérea Portuguesa em matéria de integração do Espaço na atividade operacional. 

«O seminário “Geopolítica do Espaço Sideral” realçará a importância da ligação entre a Academia e as Forças Armadas em áreas estratégicas, como Aeronáutica, Espaço e Defesa, envolvendo possíveis colaborações a nível de projetos e teses», termina Teresa Seixas, docente na Universidade do Porto e investigadora do CITEUC. Universidade de Coimbra - Portugal


sábado, 17 de fevereiro de 2024

Portugal quer continuar a formar militares moçambicanos

O Chefe da Diplomacia Portuguesa, João Gomes Cravinho, disse que Portugal vai propor à União Europeia a renovação da missão de formação militar das forças armadas moçambicanas, que termina em Setembro deste ano.


Numa entrevista à Lusa, à margem da 44.ª sessão ordinária do Conselho Executivo da União Africana, o ministro português dos Negócios Estrangeiros de Portugal João explicou que “Portugal tem se empenhado bastante no reforço da capacitação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique”.

A continuidade da Missão de Treino da União Europeia em Moçambique já tinha sido defendida pelo Ministério da Defesa de Portugal. Numa visita realizada em Dezembro último ao país, Helena Carreiras considerou fundamentais as relações de trabalho já realizadas nos mesmos “moldes ou em moldes revistos”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, citado pela DW, afirmou que a missão vai terminar o seu mandato em Setembro e que, actualmente, está a ser planeado o que vai acontecer a seguir, sendo que Portugal defende que ‘tem de ter três componentes”.

Em primeiro lugar trata-se da continuidade do treino militar que tem sido assegurado e que já foi comprovado na formação de 11 companhias. Em segundo lugar, e porque “tem de haver uma melhor ligação entre a formação e a realidade no terreno”, importa subir o nível da formação dos militares moçambicanos, explicou a fonte.

“E em terceiro lugar, acreditamos que é fundamental também apoiar as necessidades de equipamento  das forças armadas moçambicanas, porque as forças armadas precisam de equipamento”, adiantou.

O ministro disse esperar que nas “próximas semanas” a proposta de Portugal seja bem-sucedida.

A formação actual é fornecida por um contingente de 117 pessoas, 65 das quais de Portugal, país que também herdou o comando da EUTM-MOZ. In “O País” – Moçambique com “Lusa”


quinta-feira, 2 de junho de 2022

Brasil - Quer replicar modelo agrícola em Angola para ajudar a criar “superpotência agrícola”

O Brasil quer replicar em Angola o seu modelo de desenvolvimento agrícola e ajudar o país a tornar-se numa superpotência agrícola, disse o ministro das Relações Exteriores, em visita a Luanda.

Angola e Brasil assinaram neste dia 01, no âmbito da III reunião da Comissão Bilateral de Alto Nível entre Angola e Brasil, dois instrumentos jurídicos, entre os quais a entrega de notificação para a entrada em vigor do Acordo de Defesa entre os dois países e um programa de cooperação sobre o desenvolvimento em áreas irrigadas e agricultura familiar.

Em declarações à saída da reunião, em Luanda, o ministro brasileiro Carlos Alberto França afirmou que o encontro serviu para fortalecer a parceria estratégica, firmada em 2010, e que as conversações cobriram um vasto domínio de temas, incluindo os conflitos mundiais e as oportunidades que a crise na Ucrânia pode fornecer no campo da segurança alimentar e desenvolvimento econômico de países como Brasil e Angola.

Segundo o chefe da diplomacia brasileira, a quebra na cadeia logística de fornecimento de grãos e alimentos a partir da Ucrânia e da Rússia pode servir para “rearranjar as cadeias de valor” e reforçar os vínculos logísticos entre Brasil e Angola, colocando África – e Angola – como um fator de “ampliação da segurança alimentar no mundo”, num futuro breve.

“Queremos contribuir para esse esforço. Angola é um país irmão e temos condições aqui muito parecidas com as condições geográficas brasileiras”, disse o ministro brasileiro.

O governante destacou a abertura de um escritório de um adido agrícola para reforçar a cooperação não apenas com entidades sanitárias, mas também com a empresa brasileira de pesquisa agropecuária que desenvolveu, nos anos de 1970, o trabalho de ampliação da fronteira agrícola do Brasil com resultados a nível da produtividade agrícola.

Segundo o governo brasileiro, a criação de adidância agrícola na Embaixada do Brasil em Luanda deve estimular o comércio bilateral, já que nos quatro primeiros meses de 2022, as trocas comerciais entre Brasil e Angola avançaram mais de 100%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

“O objetivo é replicar no continente africano – começando por Angola – as condições que permitiram ao Brasil ampliar a produção de grãos, mas também de carne bovina e de aves”, sublinhou Carlos França, acrescentando que o processo que aconteceu no Brasil há 50 anos pode ser acelerado, transformando Angola numa superpotência na área da segurança alimentar.

O ministro das Relações Exteriores angolano, Téte António, apresentou a criação de uma posição de adido para a agricultura como “uma inovação bastante interessante”, já que vai trazer para Angola ‘know how’ brasileiro e capacidade de pesquisa científica.

Sobre as consequências do conflito na Ucrânia para África, o ministro angolano disse que o continente pode apresentar-se como uma alternativa, tendo em conta a abundância de terras e água, e só precisaria de investimento para alimentar o resto do mundo.

“Penso que é este o debate que deve estar em cima da mesa”, frisou, indicando que as vias apontam para que o Brasil possa contribuir para este desenvolvimento.

Já no que diz respeito ao acordo na Defesa, Téte António preferiu não entrar em detalhes, enquanto o seu homólogo brasileiro assinalou que há um vasto campo de cooperação com Angola nesta área, tendo em conta a autorização do Governo angolano para que os seus militares possam integrar missões de paz das Nações Unidas e que as duas forças podem atuar conjuntamente.

Outros acordos na área da saúde, da facilitação de investimentos e um acordo para evitar a dupla tributação dos lucros do transporte aéreo e marítimo internacional, que não chegaram a ser rubricados, podem ser concluídos ainda durante estadia da comitiva brasileira, que participa da XXVII Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), organização atualmente presidida por Angola.

“Há aspectos que gostaríamos de continuar a melhorar, quanto mais nos aproximamos da perfeição melhor é para os dois povos”, disse Téte Antonio.

Sobre a experiência do Brasil no setor da agropecuária “é nosso interesse promover e aprofundar a cooperação neste domínio, que é de extrema importância para Angola”, afirmou o ministro das Relações Exteriores angolano.

O governante brasileiro salientou que a cooperação entre Angola e Brasil é “técnica e educacional”, mas também centrada nas pessoas, e informou que os investimentos nesta área ascendem a mais de 6 milhões de dólares (5,6 milhões de euros).

No campo da dupla tributação para os transportes afirmou que, mal o acordo seja assinado, poderá haver um interesse renovado das companhias aéreas brasileiras para estabelecer ligações a Angola e “facilitarão também a ampliação das operações da TAAG [transportadora aérea angolana]”.

Carlos Alberto França deslocou-se a Luanda acompanhado de uma delegação que integra empresários, o diretor-geral da Agência Brasileira de Cooperação e quatro parlamentares, além do Embaixador Kenneth Félix Haczynski.

Projetos e Investimentos futuros

O Brasil quer relançar a parceria estratégica com Angola, apostando numa forte carteira de investimentos, estimada em 1,7 mil milhões de euros, em áreas que vão da energia à agroindústria, passando pela farmacêutica, construção e turismo.

Em fevereiro, realizou-se a segunda reunião do Comité Conjunto do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) Brasil-Angola, envolvendo o setor público e privado, demonstrando que há condições favoráveis para a expansão dos investimentos entre os dois países, com uma carteira estimada de cerca de 1,7 mil milhões de euros, segundo o embaixador do Brasil em Angola, Rafael Vidal.

O montante envolve capital brasileiro já instalado em Angola ou previsto para novos projetos, incluindo a primeira fase da construção da refinaria de Cabinda, o terminal portuário da Barra do Dande (na província do Bengo) e o ‘hub’ de armazenamento e comercialização de combustíveis, ambos a cargo da Novonor/Odebrecht (OEC), centralidades em algumas províncias, e o desenvolvimento de uma fábrica de medicamentos na Zona Econômica Especial, adiantou.

Em perspectiva está também o cultivo de arroz associado a um projeto agroindustrial de arroz, milho e feijão, da empresa brasileira Ruzene em parceria com a angolana Sílaba, que está a ser estruturado financeiramente com um banco angolano.

Outra área promissora para o Brasil é o desenvolvimento agrícola de áreas irrigadas, tendo em vista os projetos do governo angolano para combate à seca no Vale do Cunene e a experiência brasileira de irrigação e apoio à agricultura familiar no Vale do São Francisco, região localizada entre os estados de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, que se tornou um importante produtor de frutas e hortícolas.

“A ideia é, através da cooperação, ajudar o governo angolano a fazer o desenvolvimento econômico do vale do Cunene, a exemplo do que se fez no Vale de São Francisco, até por que as semelhanças geográficas são grandes”, salientou Rafael Vidal.

Além do potencial turismo sustentável. “Estamos a propor ao governo angolano uma parceria bastante criativa e inovadora que é a de investimento em turismo sustentável, envolvendo ‘know-how’ e capital de empresas brasileiras, em áreas concessionadas, no litoral”, indicou o diplomata.

Associados aos empreendimentos turísticos, estariam projetos ambientais, incluindo tratamento de águas e resíduos, reciclagem de lixo, reabilitação urbana e dessalinização de águas, adiantou Rafael Vidal, referindo que a proposta, que envolve a Associação Brasileira de Hotelaria, já foi apresentada ao governo angolano. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

quinta-feira, 31 de março de 2022

China – Reforça presença em África nas áreas da defesa e segurança, defende analista

O militar e investigador Luís Bernardino afirmou que a China está a aumentar a sua presença na defesa e segurança em África, com “uma estratégia muito mais activa e dinâmica”, actuando a nível bilateral, mas também das organizações.

“Há uma combinação de factores que nos levam a considerar que há uma estratégia mais activa para a presença chinesa em África na área da segurança e da defesa”, disse Luís Bernardino na 2.ª sessão das Conferências de Primavera 2022, promovida pelo Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), evento dedicado à China, que decorre presencialmente e via ‘online’.

Esta estratégia que se desenvolve a nível bilateral e multilateral, ou seja, através de parcerias com os países, mas também “de uma maior intervenção ao nível das organizações, “nomeadamente dos Fóruns de Segurança da União Africana” e também da “presença em missões das Nações Unidas com maior visibilidade e maior impacto” nos países de África, na opinião do investigador do Centro de Estudos Internacionais (CEI) do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa já está a produzir os seus efeitos.

Deste modo, “é uma estratégia de baixo custo, baixo risco e alto rendimento, mas num quadro maior, com outras dinâmicas e outras dimensões, projetando aquilo que são os interesses chineses em África e como actor global”, reforçou.

Aposta no Djibuti

Luís Bernardino recordou que “em termos de segurança, a primeira base militar fora do espaço chinês com alguma relevância global foi [criada] no Djibuti”, mas hoje essa base “tem uma dinâmica crescente significativa e é a partir daí que se projecta o poder e influência [da China] para todo o resto do continente africano”.

Para o especialista em defesa, há um factor determinante para esta “mudança significativa”, é que os interesses económicos chineses, “essencialmente ligados à exploração dos minérios no continente africano”, cuja segurança era feita através dos países africanos onde estavam instalados “começou a correr mal, isto é, começaram a acontecer raptos e incidentes”.

“Começamos a ver uma presença maior militar chinesa, não só em termos da defesa dos interesses chineses, actuando muito à força de ‘companhias privadas’, porque são patrocinadas pela China, e inclusivamente grande parte dos militares que participam nestas empresas são das forças Armadas chinesas, que passaram à reserva, – porque [o país] tem reservas na ordem dos 10 a 12 milhões de militares – e que são destacados para estas operações, nomeadamente no continente africano”, acrescentou.

Através destas empresas de segurança, a China garante não só a segurança das suas explorações dos recursos no continente africano, mas também consegue “incrementar uma economia de Defesa”. In “Hoje Macau” - Macau

 

domingo, 8 de agosto de 2021

Moçambique – Forças armadas moçambicanas recuperam a vila de Mocímboa da Praia

Mocímboa da Praia – As forças de segurança de Moçambique e do Ruanda recuperaram hoje a vila portuária de Mocímboa da Praia, no norte do país e anteriormente capturada pelos rebeldes, anunciou o exército ruandês.

“A vila portuária de Mocímboa da Praia, um grande bastião da insurgência há mais de dois anos, foi capturada pelas forças de segurança moçambicanas e ruandesas”, pode ler-se numa publicação das Forças de Defesa do Ruanda no Twitter.

A mesma publicação relembra que a vila, alvo de uma operação de recuperação por parte de Maputo e Kigali durante a última semana, “também incorpora a Sede de Distrito e o aeroporto”.

A Lusa tentou contactar um porta-voz do exército ruandês, mas até agora sem sucesso.

A vila costeira de Mocímboa da Praia, por muitos apontada como a “base” dos insurgentes, é uma das principais do norte da província de Cabo Delgado, situada 70 quilómetros a sul da área de construção do projecto de exploração de gás natural conduzido por várias petrolíferas internacionais e liderado pela Total.

A vila tinha sido invadida e ocupada durante um dia por rebeldes em 23 de Março do ano passado, numa acção depois reivindicada pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, e foi, em 27 e 28 de Junho daquele ano, palco de longos confrontos entre as forças governamentais e os grupos insurgentes, o que levou à fuga de parte considerável da população.

As Forças de Defesa e Segurança de Moçambique contam, desde o início do mês, com o apoio de mil militares e polícias do Ruanda para a luta contra os grupos armados, no quadro de um acordo bilateral entre o Governo moçambicano e as autoridades de Kigali.

Grupos armados aterrorizam a província de Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Na sequência dos ataques, há mais de 3100 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, segundo as autoridades moçambicanas. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”