Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 17 de março de 2026

Angola e Rússia formalizam cooperação espacial que consolida parceria iniciada com os Angosat

O acordo estabelece o quadro jurídico para investigação, desenvolvimento tecnológico e actividades comerciais no espaço, bem como define regras sobre financiamento, propriedade intelectual e controlo de exportações. E institucionaliza ainda uma parceria que já dura há mais de uma década no programa espacial angolano


A cooperação espacial entre Angola e a Federação Russa ganhou um novo enquadramento jurídico com a publicação do acordo bilateral que estabelece as bases institucionais para o desenvolvimento de actividades conjuntas no domínio da exploração e utilização do espaço exterior para fins pacíficos.

O documento, agora formalizado em Diário da República, procura organizar e dar previsibilidade a uma relação tecnológica que, na prática, já existe há mais de uma década, sobretudo desde o início do programa Angosat. A parceria não surge, portanto, como uma novidade estratégica, mas antes como a consolidação institucional de um eixo de cooperação que tem sido determinante para a entrada de Angola no sector espacial.

Foi com a Rússia que o País desenvolveu os seus dois principais projectos nesta área - o Angosat-1, lançado em 2017, e o Angosat-2, colocado em órbita em 2022 - ambos concebidos com tecnologia russa e lançados a partir de infra-estruturas controladas por Moscovo. O entendimento estabelece que a execução do acordo ficará a cargo, do lado angolano, do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação (MTTI) e do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, enquanto a Rússia será representada pela corporação espacial estatal Roscosmos.

Estes organismos passam a assumir o papel de autoridades competentes responsáveis por coordenar programas, projectos e contratos específicos que possam surgir no âmbito desta cooperação. No plano formal, o acordo define como objectivo central a criação de uma base organizacional e jurídica para o desenvolvimento de cooperação científica, tecnológica, industrial e comercial no domínio das tecnologias espaciais. O texto prevê a promoção de investigação conjunta, o desenvolvimento e operação de sistemas espaciais, a troca de tecnologias e conhecimento especializado e o estabelecimento de condições para actividades comerciais associadas ao lançamento de veículos espaciais.

Quadro jurídico e financiamento

No entanto, uma leitura mais atenta do documento revela que o acordo funciona sobretudo como um quadro jurídico geral, deixando praticamente todas as decisões operacionais para futuros "acordos específicos". Ou seja, embora estabeleça princípios amplos de cooperação, o texto não define projectos concretos, metas tecnológicas ou compromissos financeiros relevantes. Esta abordagem é comum em acordos intergovernamentais deste tipo, mas também significa que o impacto real da parceria dependerá da capacidade das instituições angolanas de negociar e executar programas subsequentes.

As áreas de cooperação previstas são amplas e cobrem praticamente todo o espectro das atividades espaciais: investigação científica no espaço, sensoriamento remoto da Terra, comunicações por satélite, navegação, meteorologia espacial, geodesia, medicina espacial e até voos tripulados.

O acordo inclui igualmente a formação e reciclagem de quadros especializados, um ponto relevante para um país que ainda possui uma base científica limitada neste domínio. Apesar desta amplitude temática, o documento não define qualquer estratégia clara para a transferência efectiva de conhecimento ou para a criação de capacidade industrial local. A experiência do programa Angosat mostra que a maior parte do valor tecnológico continua concentrado nos parceiros externos, enquanto Angola permanece sobretudo como utilizador de serviços e operador de infra-estruturas adquiridas no exterior. Outro elemento relevante do acordo é o regime de financiamento. O texto estabelece que as actividades conjuntas serão financiadas de acordo com a disponibilidade de fundos nos orçamentos nacionais, podendo também envolver recursos de empresas ou outras entidades participantes. Ao mesmo tempo, o documento deixa explícito que as partes não assumem automaticamente responsabilidades financeiras pelos contratos celebrados entre instituições ou empresas envolvidas nos projectos.

Na prática, esta formulação significa que o acordo não cria obrigações financeiras concretas para os Estados, funcionando mais como um instrumento facilitador para projectos futuros. A ausência de compromissos financeiros directos reduz o risco orçamental imediato, mas também deixa em aberto a questão sobre a dimensão real dos investimentos que poderão resultar desta parceria. In “Expansão” - Angola

 


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Portugal - Novo cone de conífera com cerca de 133 milhões de anos descoberto no Cretácico Inferior

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) identificou uma nova espécie de conífera, com cerca de 133 milhões de anos, na flora de Vale Cortiço, na região de Torres Vedras. 


Trata-se de um cone masculino muito bem preservado, composto por microsporófilos imbricados e dispostos helicoidalmente, no qual se observam grãos de pólen do género Classopollis. O achado enquadra-se no género Classostrobus (porque produzia pólenes do género Classopollis) e foi descrito como Classostrobus amealensis, derivando o restritivo específico do nome da pequena localidade de Ameal, onde foi encontrado.

«As floras do Cretácico português são ricas em coníferas da família Cheirolepidiaceae (atualmente extintas) de grande importância para a compreensão das condições paleoclimáticas e dos ecossistemas em que viveram», explica Mário Miguel Mendes, investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) e professor da Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Nesta família enquadram-se os frenelopsídeos pertencentes aos géneros Frenelopsis e Pseudofrenelopsis. Atendendo ao que tem sido observado no registo fóssil, estas plantas tinham uma notável capacidade de adaptação, habitando uma ampla gama de habitats, desde ambientes semiáridos a áridos e, em certos casos, regiões interiores com condições mais amenas.

«A presença destes frenelopsídeos, mas, sobretudo, dos seus pólenes característicos atribuíveis ao género Classopollis, é um indicador chave de climas quentes, semiáridos ou áridos. A flora de Vale Cortiço é rica em restos de frenelopsídeos pertencentes às espécies Frenelopsis teixeirae e Pseudofrenelopsis dinisii, sendo a primeira, particularmente, abundante nos níveis fossilíferos de onde provém o novo cone masculino agora descrito. Portanto, além dos restos vegetativos, foi encontrada, agora, uma estrutura reprodutiva masculina», revela o especialista.

Mário Miguel Mendes já tinha estudado, com detalhe, a associação esporo-polínica desta jazida fossilífera e identificou pólenes que suspeitava pertencerem à espécie Classopollis martinottii. No entanto, e porque apenas os observou em microscopia ótica, optou por classificá-los dentro do género Classopollis e como espécie indeterminada.

«Os pólenes observados in situ foram estudados minuciosamente, através da técnica de microscopia eletrónica de transmissão. Os resultados obtidos permitiram concluir tratar-se da espécie Classopollis martinotii, o que significa que o novo cone, Classotrobus amealensis, produzia pólenes da espécie Classopollis martinottii. Todavia, o novo cone não se encontrava anexado a nenhum ramo vegetativo – Frenelopsis teixeirae ou Pseudofrenelopsis dinisii», esclarece o paleobotânico.

No entanto, conclui, «a predominância de fragmentos de Frenelopsis teixeirae, no mesmo nível fossilífero, e a organização dos estomas observada nas cutículas de Classostrobus amealensis, sugere que a espécie Frenelopsis teixeirae dava origem a cones da espécie Classotrobus amealensis que, por sua vez, produziam pólenes atribuíveis a Classopollis martinottii».

Este trabalho foi realizado em parceria com investigadores do Paleontological Institute of the Russian Academy of Sciences (Rússia), do National Museum Prague (República Checa) e do Naturalis Biodiversity Center (Leiden, Países Baixos), tendo recebido financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency.

O estudo será publicado no volume de maio da revista internacional Cretaceous Research e pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Japão - Sobreviventes de Hiroshima demonstram preocupação sobre fim do tratado New Start

Os sobreviventes japoneses dos bombardeamentos atómicos de 1945 disseram ontem que temem que o mundo esteja a caminhar para uma guerra nuclear, com o fim do último tratado de controlo de armas entre os Estados Unidos e a Rússia


A vigência do tratado New Start terminou, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado a proposta do homólogo russo, Vladimir Putin, de alargar os limites às ogivas nucleares por mais um ano.

Terumi Tanaka, dirigente da Nihon Hidankyo, uma organização de sobreviventes dos bombardeamentos atómicos norte-americanos contra as cidades de Hiroxima e Nagasáqui, em agosto de 1945, disse que “o mundo ainda não compreendeu a gravidade da situação”. Este grupo pacifista foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 2024.

O último pacto de armas nucleares entre a Rússia e os Estados Unidos expirou, removendo os limites para os dois maiores arsenais atómicos do mundo. O fim do Tratado New Start pode abrir caminho para a corrida ao armamento nuclear.

O Presidente russo, Vladimir Putin, declarou no ano passado estar pronto para respeitar os limites do tratado por mais um ano, caso Washington também corresponde-se nos mesmos termos. O presidente norte-americano, Donald Trump, não se comprometeu com uma prorrogação.

Putin discutiu o fim do pacto com o líder chinês, Xi Jinping, na quarta-feira, disse o conselheiro da Presidência russa, Yuri Ushakov, referindo que Washington não respondeu à proposta de prorrogação. A Rússia vai agir de forma equilibrada e responsável, com base numa análise minuciosa da situação de segurança, acrescentou Ushakov.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo afirmou, num comunicado divulgado durante a última noite, que “nas circunstâncias atuais”, presume que as partes do tratado já não estão vinculadas a obrigações ou declarações simétricas, incluindo as disposições principais.

O Tratado New Start, assinado em 2010 pelo então presidente norte-americano Barack Obama e o homólogo russo, Dmitri Medvedev, restringia as duas partes a um máximo de 1550 ogivas nucleares num máximo de 700 mísseis e bombardeiros prontos a usar. Originalmente, o tratado deveria expirar em 2021, mas foi prorrogado por mais cinco anos. O pacto previa inspecções para verificar o cumprimento das disposições. As inspecções foram interrompidas em 2020 devido à pandemia de COVID-19 e nunca mais foram retomadas.

Em fevereiro de 2023, Putin suspendeu a participação de Moscovo nas inspeções, alegando que a Rússia não podia permitir as visitas norte-americanas às instalações nucleares russas numa altura em que Washington e os aliados da Aliança Atlântica declaravam abertamente a derrota de Moscovo na Ucrânia. Ao mesmo tempo, a Rússia sublinhou que não se estava a retirar completamente do pacto, prometendo respeitar os limites estabelecidos sobre a posse de armas nucleares.

Ao oferecer, em setembro de 2025, o cumprimento dos limites do New Start, durante um ano, para dar tempo a ambas as partes de negociar um novo acordo, Putin afirmou que o fim do pacto seria desestabilizador e poderia provocar a proliferação nuclear. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Gronelândia - China avisa Estados Unidos para não usar outros países como pretexto para tomar o território autónomo dinamarquês

A China avisou os Estados Unidos para não usarem outros países como pretexto para prosseguir os seus interesses na Gronelândia e garantiu que as suas actividades no Ártico estão em conformidade com o direito internacional


“Os direitos e liberdades de todos os países para conduzir atividades no Ártico de acordo com a lei devem ser plenamente respeitados”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, em conferência de imprensa. “As actividades da China no Ártico visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável na região e estão de acordo com o direito internacional”, sublinhou.

Segundo a porta-voz, “os EUA não devem prosseguir os seus próprios interesses usando outros países como pretexto”, até porque “o Ártico diz respeito aos interesses gerais da comunidade internacional”.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou na sexta-feira, na Casa Branca, que não vai permitir que a Rússia ou a China “ocupem a Gronelândia” e que decidiu “fazer alguma coisa” em relação ao território autónomo dinamarquês, do qual pretende adquirir controlo “a bem ou a mal”. Trump adiantou que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, membro da NATO, para impedir que a Rússia ou a China a assumam.

As tensões entre Washington, a Dinamarca e a Gronelândia aumentaram este mês, à medida que Trump e a sua administração pressionam sobre o assunto e a Casa Branca pondera uma série de opções, incluindo o uso da força militar, para adquirir a vasta ilha ártica.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada de poder norte-americana na Gronelândia marcaria o fim da NATO.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e os líderes dos outros quatro partidos no parlamento do território emitiram uma declaração conjunta reiterando que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo seu povo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, realizou ontem um encontro com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, em Washington para discutir uma estratégia conjunta de segurança da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o Ártico.

Antes de viajar, o diplomata alemão afirmou que deseja discutir com Rubio como “assumir conjuntamente esta responsabilidade dentro da NATO, dadas as antigas e novas rivalidades na região entre a Rússia e a China”.

Segundo dados oficiais, a presença e os interesses da China na Gronelândia são mais limitados do que os EUA alegam e estão focados principalmente no setor comercial, com vários empreendimentos mineiros e industriais frustrados nos últimos anos.

No entanto, em 2018, a China declarou-se um “Estado quase-ártico” num esforço para ganhar mais influência na região e anunciou planos para construir uma “Rota da Seda Polar” como parte da sua iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, um megaprojeto de infraestruturas e investimento global, proposto pela China em 2013 para reavivar a antiga Rota da Seda, que visa ligar Ásia, Europa, África.

NATO discute possível reforço da segurança na Gronelândia

A NATO está a discutir um possível fortalecimento da segurança no Ártico, num debate com participação da Alemanha, no contexto das tensões criadas pela pretensão norte-americana de anexar a Gronelândia, confirmou ontem o Governo alemão. “No âmbito da segurança transatlântica, o Ártico tem um papel crescente e, dentro da NATO, discute-se fortalecer a zona”, disse o porta-voz adjunto Sebastian Hille numa conferência de imprensa em Berlim.

Hille respondia a uma questão sobre um possível envio de tropas para o território autónomo dinamarquês, segundo a agência de notícias espanhola EFE. O porta-voz assegurou que o Governo alemão “participa ativamente” nas conversações em curso no seio da Aliança Atlântica, de que tanto a Alemanha, a Dinamarca e os Estados Unidos fazem parte. “Basicamente, qualquer diálogo diplomático para tranquilizar a situação é motivo de satisfação”, acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, admitiu abordar a questão em Washington numa reunião com o homólogo norte-americano, Marco Rubio. “Precisamente porque a segurança no Ártico se torna cada vez mais importante, quero aproveitar a minha viagem para debater como podemos assumir esta responsabilidade conjuntamente dentro da NATO, dadas as rivalidades antigas e novas na região por parte da Rússia e da China”, assinalou Wadephul.

Também a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, referiu no domingo à noite que “uma presença militar aumentada de forma significativa terá um impacto real” na segurança, “tanto no Ártico como para a Europa e para os Estados Unidos”.

O jornal britânico The Telegraph noticiou no domingo que o primeiro-ministro Keir Starmer estava em conversações com aliados europeus sobre um possível destacamento militar na Gronelândia, no âmbito de uma eventual missão da NATO para reforçar a segurança no Ártico. A iniciativa, que começou a ser debatida na passada quinta-feira em Bruxelas, procura responder às preocupações expressas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a possível ação da Rússia ou da China na região. Trump utilizou a Rússia e a China como argumento para justificar a suposta necessidade de uma anexação da Gronelândia.

De acordo com o jornal The Telegraph, chefes militares têm estado a elaborar planos preliminares para uma possível missão aliada, que poderá incluir tropas, navios e aeronaves, com a participação de vários países europeus, incluindo o Reino Unido.

Um porta-voz do Ministério da Defesa da Alemanha, Mitko Muller, disse ontem que, por enquanto, não havia planos para estacionar tropas alemãs na Gronelândia. Destacou, no entanto, que Berlim demonstrou nos últimos meses que a defesa do Atlântico Norte e do Ártico faz parte dos interesses da Alemanha. Muller recordou que a Alemanha participou em agosto em manobras militares na zona com a marinha dinamarquesa e que também o ministro da Defesa, Boris Pistorius, se deslocou à ilha ártica. Ressaltou ainda que a questão da segurança no Atlântico Norte deve ser abordada sempre a partir de uma perspetiva multilateral.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, admitiu ontem um reforço da segurança da Gronelândia se a Dinamarca considerar que a ilha se encontra em risco. “Se em torno da Gronelândia ou no Ártico houver (…) elementos ou situações que possam colocar em risco a segurança atlântica, estou certo de que todos o poderíamos analisar e, se houver necessidade de reforçar a segurança, seria reforçada”, afirmou Albares em Madrid. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Internacional – Segundo estudo apresentado pelas Nações Unidas a sabotagem dos gasodutos Nord Stream levou à maior libertação de metano pelo homem

A sabotagem dos gasodutos russos Nord Stream em 2022 resultou na maior libertação de metano provocada pelo homem no planeta, indicou a ONU, referindo-se às conclusões de um estudo no qual participaram dezenas de cientistas.


A informação foi transmitida ao Conselho de Segurança da ONU pelo secretário-geral adjunto para a Europa, Ásia Central e Américas, o eslovaco Miroslav Jenca, numa reunião convocada pela Rússia para discutir a investigação às explosões que ocorreram em setembro de 2022 e que danificaram os gasodutos no Mar Báltico.

De acordo com Jenca, cerca de 70 cientistas de 30 organizações de investigação participaram no estudo que concluiu que a variação plausível da fuga registada no Nord Stream foi de 445.000 a 485.000 toneladas de metano – quantidade que representa mais do dobro do que se pensava anteriormente.

De acordo com os especialistas, a curto prazo, esta fuga de metano – muito prejudicial para o ambiente – contribuiu para o aquecimento global na medida equivalente à utilização de oito milhões de automóveis num ano.

“Embora o incidente represente apenas uma pequena parte das emissões globais de metano, é um importante lembrete do impacto ambiental no aquecimento global causado pela destruição de infraestruturas críticas”, frisou Jenca, destacando que o estudo foi coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

O secretário-geral adjunto reforçou ainda que a ONU não possui detalhes adicionais sobre o incidente e não está em condições de verificar ou confirmar as alegações ou outros relatórios sobre o caso.

Na semana passada, o procurador-geral da Alemanha anunciou a detenção em Itália de um ucraniano suspeito de coordenar os ataques contra o Nord Stream.

O detido é suspeito de ter causado uma explosão, destruição de infraestruturas e sabotagem contrária à Constituição baseada no artigo 88.º do código penal alemão.

O ucraniano rejeitou a sua extradição voluntária para a Alemanha, que será agora decidida em tribunal a partir de 03 de setembro.

Na reunião do Conselho de Segurança, a Rússia expressou relutância face ao papel que este cidadão ucraniano terá desempenhado no incidente, avaliando que a dimensão da sabotagem “é algo que apenas um pequeno grupo de países pode fazer, países que possuem as capacidades militares e técnicas necessárias”.

“Apesar de esta versão ser completamente incongruente, tem uma grande vantagem para o Ocidente (…): Desvia a atenção e coloca os holofotes diretamente em bodes expiatórios que talvez estivessem envolvidos, mas não agiram sozinhos”, advogou o embaixador interino da Rússia na ONU, Dmitry Polyanskiy.

O Nord Stream é um conjunto de gasodutos de gás natural, composto pelo Nord Stream I e pelo Nord Stream II, que vão da Rússia à Alemanha através do Mar Báltico.

Em setembro de 2022, quatro fugas foram detetadas nos gasodutos, perto da ilha de Bornholm, na Dinamarca. As fugas ocorreram em águas internacionais dentro das zonas económicas da Dinamarca e da Suécia.

Após o incidente, autoridades dinamarquesas, alemãs e suecas iniciaram investigações separadas sobre as explosões, com a Rússia a argumentar que se tratou de um ato deliberado de terrorismo.

Em fevereiro de 2023, Dinamarca, Alemanha e Suécia indicaram que o incidente deveu-se a um ato de sabotagem.

Em fevereiro de 2024, as autoridades dinamarquesas e suecas encerraram as suas respetivas investigações, alegando falta de fundamento para a instauração de um processo criminal. A Alemanha é o único país com uma investigação nacional em andamento sobre o incidente. In “Departamento de Assuntos Políticos e de Construção da Paz” – Nações Unidas com “Agências Internacionais”



terça-feira, 12 de agosto de 2025

Rússia – Arqueólogos explicaram por que os habitantes da antiga Quersoneso morreram em massa

O subúrbio ao sul da antiga Táurida Quersoneso, que fica no território da moderna Sebastopol, permaneceu em silêncio por muitos séculos. Mas, de 2020 a 2023, começaram aqui os trabalhos arqueológicos, que tornaram-se os maiores da história da arqueologia russa.


Ao longo de quatro anos de trabalho intenso, cientistas desenterraram uma quantidade impressionante de evidências do passado – mais de 6,5 milhões de artefactos. Este volume de achados superou tudo o que havia sido descoberto no último século e meio de estudo da antiga cidade.

E, em meio a esta incrível riqueza histórica, os ossos de sepulturas antigas revelaram-se especialmente "eloquentes". Eles contaram aos investigadores uma história dramática das vidas e mortes dos moradores da cidade durante o período romano.

Duas cidades: viva e morta

A escala das escavações no subúrbio ao sul de Quersoneso é impressionante. Arqueólogos descobriram não apenas sepulturas individuais, mas vastas seções de uma antiga necrópole. Pode-se dizer que os cientistas se encontraram numa enorme cidade dos mortos, que existia paralelamente à cidade dos vivos.

No entanto, as descobertas não se limitavam à morte. Elas também testemunhavam vividamente o alto padrão de vida e a infraestrutura desenvolvida de Quersoneso na época romana. Ao lado das estruturas funerárias, foram descobertos os restos de oficinas de cerâmica, onde eram criados pratos para as necessidades e rituais do dia a dia, cisternas para armazenar água – um recurso vital na árida Crimeia – e outros objetos económicos.

Os cientistas estavam particularmente interessados nas criptas. Esses túmulos subterrâneos de pedra, destinados a múltiplos sepultamentos, tornaram-se verdadeiras cápsulas do tempo. Alguns deles foram usados por vários séculos, e nas suas profundezas escuras repousavam os restos mortais de dezenas, às vezes centenas, de pessoas.

“No total, mais de 30 dessas criptas foram descobertas, cada uma delas transformando-se num tesouro inestimável para os investigadores.” — Investigador sénior do Instituto de História da Cultura Material da Academia Russa de Ciências, Viktor Vakhoneyev.

Foram esses sepultamentos coletivos que forneceram material único para a reconstrução não apenas dos ritos funerários, mas também da própria vida, das doenças e das causas de morte dos antigos Quersoneses. As criptas acabaram-se revelando uma espécie de arquivo, só que, em vez de papéis, eram armazenados ossos, contendo uma crónica química dos anos vividos.

O que os esqueletos disseram?

Uma pesquisa liderada por Alexey Kasparov, chefe do laboratório de tecnologia arqueológica do Instituto de Culturas Materiais da Academia Russa de Ciências, produziu resultados sensacionais e, ao mesmo tempo, trágicos. Os cientistas utilizaram o método de análise isotópica de carbono no tecido ósseo. Esse método complexo permite determinar com alta precisão a época do ano em que uma pessoa morreu, com base nas mudanças sazonais na sua dieta e metabolismo, que são registradas na composição química dos ossos.

Os resultados da análise foram inequívocos e inesperados. A maioria dos habitantes de Quersoneso não morreu no inverno, devido a geadas severas e falta de alimentos, nem no verão quente, quando as infecções intestinais são frequentes. O pico de mortalidade ocorreu na entressafra – primavera e outono, bem como no final do inverno. O menor número de mortes ocorreu no verão.

Esse padrão sazonal claro tornou-se a chave para desvendar a principal causa de mortalidade. Os cientistas chegaram à conclusão de que, muito provavelmente, a população da antiga Quersoneso foi dizimada em massa por infecções respiratórias comuns: resfriados, gripes e pneumonias.

“Essa descoberta sugere que a causa da morte pode ter sido resfriados, que são mais comuns fora de temporada.” — Kasparov.

No período romano, ao qual pertencem os principais sepultamentos estudados, a medicina, apesar das conhecidas conquistas de Galeno e Hipócrates, permaneceu num nível primitivo para a grande maioria das pessoas. Não havia compreensão da natureza dos vírus e bactérias, nem antibióticos, nem antipiréticos ou anti-inflamatórios eficazes no sentido moderno. Mesmo uma infecção relativamente leve do trato respiratório superior poderia facilmente evoluir para pneumonia grave ou causar complicações com as quais o corpo não conseguia lidar. Crianças, idosos e pessoas debilitadas pela desnutrição ou outras doenças eram especialmente vulneráveis. As opções de tratamento eram extremamente limitadas, baseando-se principalmente em ervas, sangrias e encantamentos. O corpo era deixado sozinho com a infecção, e o resultado era frequentemente fatal.

De acordo com as estatísticas, a expectativa de vida média no Império Romano, nos melhores tempos, raramente ultrapassava 25-30 anos, e a alta mortalidade infantil e adolescente por infecções era uma das principais razões para isso.

Carne para os senhores, papas para os servos

Mas os ossos não revelaram apenas as causas da morte. Os cientistas realizaram outro tipo de análise química, estudando isótopos de nitrogénio. Vale ressaltar que este método é uma ferramenta poderosa para reconstruir a dieta de povos antigos. Diferentes tipos de alimentos (vegetais, carnes, laticínios, frutos do mar) deixam "assinaturas" específicas na forma da proporção de isótopos estáveis de nitrogénio-15 e nitrogénio-14 no colágeno ósseo.

Os resultados da análise de nitrogénio nos restos mortais das criptas de Quersoneso pintaram um quadro de desigualdade social característico da sociedade antiga. Descobriu-se que os hábitos alimentares dos habitantes de Quersoneso variavam muito dependendo do seu status social. Além disso, essas diferenças eram visíveis até mesmo dentro da mesma cripta!

No mesmo túmulo familiar ou de clã, podiam ser enterrados tanto representantes de famílias nobres e ricas quanto os seus parentes menos abastados ou, provavelmente, servos. A dieta dos primeiros era rica em carne e, possivelmente, outros produtos valiosos disponíveis para a elite (peixe, vinho, azeite, iguarias importadas). A assinatura isotópica dos seus ossos indicava um alto nível de consumo de proteínas animais.

Ao lado deles estavam os restos mortais de pessoas cuja dieta era muito mais modesta e baseada principalmente em alimentos vegetais – cereais, pão, vegetais, leguminosas. Isso indica pertencimento a estratos sociais mais baixos ou uma posição de dependência (servos, escravos).

A base da dieta das classes mais pobres do Império Romano eram as leguminosas. Este era o nome de uma papa espessa ou ensopada feita de espelta, cevada ou feijão. Às vezes, adicionavam-se vegetais e uma quantidade muito pequena de azeite ou peixe salgado. Como se costuma dizer, para realçar o cheiro.

No entanto, os investigadores enfatizam um ponto muito importante. Apesar da óbvia estratificação social na nutrição, não foram encontrados sinais de fome crónica ou pobreza extrema que levasse à exaustão. Mesmo os habitantes mais pobres de Quersoneso, a julgar pelos ossos, recebiam calorias suficientes para o funcionamento normal do corpo. Isso indica um suprimento relativamente estável de alimentos para a cidade, pelo menos para sua população permanente durante o período estudado.


Conclusão

A necrópole do subúrbio sul de Quersoneso, em Táurida, é um objeto verdadeiramente único, pois o seu valor não se limita à era romana. Muitas criptas escavadas na antiguidade foram reutilizadas séculos depois. Isso já na Idade Média, quando novos habitantes viviam nas ruínas da antiga cidade greco-romana.

A impressionante continuidade aponta para o significado sagrado especial deste lugar para as pessoas por mais de dois milénios. Quersoneso Táurico está incluído na Lista do Património Mundial da UNESCO. É um exemplo único de uma colónia grega, onde o plano urbano foi preservado quase intacto. Ao mesmo tempo, as camadas arqueológicas de Quersoneso (século V a.C. - século XV d.C.) distinguem-se pela sua preservação verdadeiramente excepcional. Denis Petrovsky – Rússia in “VSLUKH”






quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Guiné-Bissau – Presidente da República novamente de visita a Moscovo

Líderes africanos são hóspedes frequentes no Kremlin, em Moscovo. No entanto, o presidente da Guiné-Bissau, Sissoco Embalo, pode ser considerado um verdadeiro recordista. Ultimamente tem vindo todos os anos à Rússia



O Presidente Umaro Sissoco Embalo está por estes dias em Moscovo na procura de apoio para o desenvolvimento da Guiné-Bissau, um dos países mais pobres do mundo, enquanto marca uma posição contra o isolamento ocidental da Federação Russa.

Com esta deslocação à capital da Rússia, Sissoco Embalo, que foi recebido por Vladimir Putin no Kremlin, deixa perceber que o seu país não teme desafiar a norma ocidental de isolamento a que o país está a ser sujeito devido à guerra com a Ucrânia nem teme desafiar opções opostas de parceiros da CPLP, como Portugal.

Além disso, Bissau parece claramente apostada em seguir um caminho com semelhanças ao que está a ser feito pelos vizinhos da África Ocidental, Burquina Faso, Mali e Níger, e, de alguma forma, a Guiné-Conacri, de uma aproximação estratégica à Rússia.

Com um subdesenvolvimento crónico, a Guiné-Bissau, segundo fontes do Novo Jornal na capital guineense, está consciente de que a sua proximidade aos países ocidentais, nomeadamente Portugal, antiga potência colonial, e à União Europeia não resolve os seus problemas estruturais.

O país precisa urgentemente de investimento externo e os europeus não se têm mostrado abertos a fazê-lo, estando agora Sissoco Embalo a enveredar por uma alternativa, virando-se para a Rússia e a China, que já é um parceiro da linha da frente.

No encontro com Putin no Kremlin, o Chefe de Estado guineense, segundo a TASS, apresentou como áreas estratégicas para o investimento russo os recursos minerais, a agricultura, energia, pescas e infra-estruturas.

A Guiné-Bissau tem uma posição estratégica na costa da África Ocidental com uma larga abertura para o Atlântico, que permite a exploração de gigantescas áreas de pesca e que conta com indícios fortes da presença de reservas consideráveis de hidrocarbonetos.

Mas é na área da geopolítica que Bissau tem mais para oferecer a Moscovo, que já tem na região aliados de peso, somando-se ainda a melhoria das relações, além do Burquina, Mali e Níger, com Conacri e com o Senegal...

Além disso, existe um antigo desejo de ligar o Mali, e, por inerência de alianças regionais, o Burquina e o Níger, ao mar, por estrada e ferrovia, com um eventual desenvolvimento do porto de águas profundas de Buba.

E Umaro Sissoco Embalo não tem escondido que esse projecto está entre as suas prioridades de longo prazo desde que tenha condições para o executar, sendo esta a oportunidade, aproveitando as alianças estratégicas na região com a Rússia.

Devido à sua localização geográfica, esta infra-estrutura, que é um projecto com décadas, vindo mesmo do tempo colonial, devido às condições naturais da área de futura criação do porto de águas profundas, exigira sempre acordos de natureza sub-regional, porque entre o Mali e a Guiné-Bissau estão os territórios do Senegal ou da Guiné-Conacri.

No decurso do encontro no Kremlin entre os dois Presidentes, o russo lembrou que em 2024, as trocas comerciais entre a Rússia e o continente africano cresceram 10%, o que deixa perceber que existe um empenho dos dois lados para que tal aconteça.

Mas Putin disse ainda, segundo a agência de notícias, que "as relações comerciais entre os dois países requerem seguramente uma atenção cuidada de ambas as partes", mostrando, todavia, abertura para que estas tenham em breve um forte incremento.

"Existem bons alicerces e boas oportunidades para esse momento, e muitas das empresas estão viradas para aproveitar as oportunidades que se lhes apresentarem nos mercados africanos e na Guiné-Bissau seguramente", avançou o chefe do Kremlin.

Sissoco Embalo não foi parco em garantias de interesse no aprofundamento das relações entre os dois países: "Estou aqui para reafirmar a solidez das nossas relações de amizade, porque esta é uma ligação de fraternidade que sempre existiu".

Quando Putin diz que este reforço da parceria tem de ser cuidadosamente analisado, provavelmente tem em consideração que a situação política interna na Guiné-Bissau é, como há décadas, tensa, e desta feita, muito por causa da urgência da realização de eleições como fim do mandato do actual Presidente.

A oposição diz que o mandato terminou esta semana e a Presidência, com o apoio do Tribunal Supremo aponta essa data para o início de Setembro.

Várias personalidades em Bissau acusam o Presidente de tentar encontrar em Moscovo algum tipo de apoio para o prolongamento ilegal do seu mandato, o que será difícil de conseguir, visto que Putin tem actualmente uma situação com algumas semelhanças na Ucrânia, país com quem a Rússia está em guerra e cujo Presidente, Volodymyr Zelensky, o Kremlin acusa de sofrer de legitimidade democrática porque as eleições deveriam ter tido lugar em Maio de 2024, tendo estas sido proteladas no âmbito da Lei Marcial em vigor no país. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal” com “MK”


sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Europa - Apoio à Ucrânia "até vencer" cai drasticamente na Europa Ocidental, revela inquérito

Pesquisa YouGov descobre que o fim negociado da guerra com a Rússia é a opção preferida em quatro dos sete países analisados



A disposição de apoiar a Ucrânia "até que ela vença" caiu drasticamente na Europa Ocidental num momento crítico para o país, sugere uma pesquisa, enquanto o retorno iminente de Donald Trump à Casa Branca levanta questões sobre o futuro da assistência militar dos EUA a Kiev.

Inquéritos de dezembro feitas pela YouGov na França, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia, Dinamarca e Reino Unido revelaram que o desejo público de apoiar a Ucrânia até à vitória — mesmo que isso significasse prolongar a guerra — havia caído em todos os sete países nos últimos 12 meses.

O apoio a uma resolução alternativa para o conflito – um fim negociado para os combates, mesmo que isso deixasse a Rússia no controlo de partes da Ucrânia – aumentou em todos os países, segundo a pesquisa, e foi a opção preferida em quatro deles.

Houve alguma insatisfação com a ideia de um acordo imposto que envolveria a Ucrânia cedendo território à Rússia, mas também uma crença generalizada de que o novo presidente dos EUA abandonaria a Ucrânia após a sua posse em 20 de janeiro.

Donald Trump enalteceu, sem fornecer detalhes, de que pode acabar com a guerra “em 24 horas”, e o seu enviado à Ucrânia, Keith Kellogg, deve viajar para as capitais europeias no início de janeiro. Analistas expressaram dúvidas de que o presidente russo, Vladimir Putin, entrará em negociações em termos que sejam de alguma forma aceitáveis para Kiev.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, comemorou a vitória de Trump em meio à exasperação com a política e estratégia incrementada de “gestão de escalada” do governo Biden.

Os dados vêm quase três anos após a invasão em larga escala de Putin e num momento crítico para a Ucrânia. Este ano, a Rússia tem avançado no seu ritmo mais rápido desde a primavera de 2022, quando as suas colunas fizeram uma tentativa malsucedida de tomar Kiev.

Tropas russas invadiram várias cidades na região oriental de Donbass, com as forças armadas da Ucrânia lutando para defender assentamentos urbanos diante da falta de tropas na linha de frente e da contínua superioridade militar da Rússia.

Kiev admite que as táticas do Kremlin têm sido eficazes, incluindo a implantação de aviação para atingir posições defensivas com bombas planadoras, depois usando barragens de artilharia e pequenos grupos de infantaria. A Rússia também tem sido adepta a identificar brigadas ucranianas mais fracas.

A pesquisa mostrou que a disposição de apoiar a Ucrânia até que ela derrotasse a Rússia permaneceu alta na Suécia (50%) e na Dinamarca (40%), com o Reino Unido em 36%, mas esses níveis caíram até 14 pontos em relação aos números de janeiro de 57%, 51% e 50%.

No mesmo período, as percentagens dos que disseram preferir uma paz negociada aumentaram de 45% na Itália para 55% na Espanha, 46% (38%) na França e 45% (38%) na Alemanha, acompanhadas por quedas correspondentes na disposição de apoiar a Ucrânia até que ela vencesse.

Não estava claro se a mudança refletia o interesse em declínio ou o aumento da fadiga. Na França, Alemanha e Suécia, as proporções que queriam que a Ucrânia vencesse — e se importavam que ela vencesse — permaneceram estáveis desde o início de 2023, embora tenham caído noutros lugares.

A menos de um mês do regresso de Trump, a maioria ou quase maioria em todos os países, exceto um, achava provável que o presidente eleito dos EUA cortasse o apoio à Ucrânia: 62% dos alemães, 60% dos espanhóis, 56% dos britânicos, 52% dos franceses e 48% dos italianos.

Eles estavam menos certos se Trump retiraria os EUA da aliança defensiva da OTAN, com dinamarqueses, alemães, italianos, espanhóis e suecos mais propensos a pensar que isso não iria acontecer, mas britânicos e franceses estavam divididos igualmente.

As pessoas também estavam divididas sobre como se sentiriam em relação a um acordo de paz que deixaria a Rússia no controlo de pelo menos algumas das partes da Ucrânia que ela tomou ilegalmente desde a invasão de fevereiro de 2022, como Trump pode estar planeando.

A maioria na Suécia (57%), Dinamarca (53%) e Reino Unido (51%), e uma minoria considerável (43%) na Espanha, disseram que se sentiriam muito ou razoavelmente negativas sobre tal acordo, em comparação com apenas 37% na França e 31% na Alemanha e Itália.

Não está claro como qualquer acordo sobre a Ucrânia poderia ser feito. Putin reafirmou na semana passada os seus objetivos maximalistas, incluindo o controlo russo da Crimeia e quatro regiões ucranianas “anexadas”, além da desmilitarização da Ucrânia e um veto à sua filiação à OTAN.

Zelenskyy não está disposto a entregar território ocupado à Rússia. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, criticou a conversa ocidental sobre um processo de paz como prematura, dizendo que a Ucrânia deveria obter o que precisa para impedir que Putin vença.

A pesquisa mostrou que a maioria dos europeus ocidentais sentia que os aliados da Ucrânia não estavam fazendo o suficiente, tanto em termos de sanções económicas contra Moscovo quanto de assistência militar e de outros tipos a Kiev, para impedir que a Rússia vencesse a guerra.

Cerca de 66% dos dinamarqueses, 63% dos suecos e espanhóis, 59% dos britânicos, 53% dos alemães e italianos e 52% dos franceses disseram que a assistência geral à Ucrânia não foi suficiente ou não foi nem de longe suficiente. No entanto, poucos achavam que seu país deveria aumentar o apoio.

Minorias que variam de 29% na Suécia a 21% no Reino Unido e Alemanha, 14% na França e apenas 11% na Itália acham que o seu governo deveria aumentar a ajuda à Ucrânia, com proporções maiores em todos os países dizendo que ela deveria ser mantida ou reduzida.

Em termos de medidas específicas, como aumento de sanções, envio de mais armas, envio de mais tropas para apoiar os membros da OTAN no leste europeu ou coordenação de ataques aéreos contra alvos russos na Ucrânia, o apoio ficou estável ou menor do que antes.

Questionados sobre o que achavam que aconteceria dentro de um ano, poucos europeus ocidentais achavam que a Rússia ou a Ucrânia teriam vencido, com a maioria acreditando que os dois países ainda estariam em conflito ou que a paz teria sido negociada.

Um acordo foi visto como mais provável pelos que estavam na Dinamarca (47%), Alemanha (40%), Reino Unido e França (38%) e Itália (36%), com a continuação dos combates vista como o cenário marginalmente mais provável pelos que estavam na Espanha (36%) e Suécia (35%). Jon Henley e Luke Harding – Reino Unido in The Guardian


quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Quem mentiu:Trump, Putin ou The Washington Post?

No domingo 10 de novembro, o jornal The Washington Post publicou uma informação exclusiva, um autêntico furo de reportagem logo depois da eleição de Donald Trump, sob o título "Trump conversou com Putin, disse ao líder russo para não fazer escalada na Ucrânia", seguindo-se o subtítulo "O presidente eleito, Donald Trump, conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, na quinta-feira e discutiu a guerra na Ucrânia, segundo pessoas familiarizadas com a ligação".
A informação teria sido colhida junto de pessoas protegidas pelo anonimato, que assistiram à conversa telefônica de Trump com Putin ou que dela foram confidencialmente informadas. O texto original diz o seguinte: "Durante a ligação, que Trump fez de seu resort na Flórida, ele aconselhou o presidente russo a não intensificar a guerra na Ucrânia e lembrou-lhe da presença militar considerável de Washington na Europa. Os dois homens discutiram o objetivo da paz no continente europeu e Trump manifestou interesse em conversas de acompanhamento para discutir “a resolução da guerra da Ucrânia em breve”.
A reportagem foi produzida por três de seus melhores jornalistas: Ellen Nakashima, responsável pelo setor de inteligência e segurança nacional, integrante da equipe ganhadora de três Pulitzer Prize em 2022, 2018 e 2014; John Hudson, do setor de segurança nacional e diplomacia, cobriu a guerra na Ucrânia em 2022 e 2023; e Josh Dawsey, repórter de investigações e empreendimentos políticos, depois de ter coberto a Casa Branca.
Por ter sido o primeiro contato de Trump com Putin e por ter sido abordada a questão da Ucrânia, a reportagem do Washington Post viralizou e praticamente todos os jornais do mundo ocidental lhe deram imediato destaque.
Entretanto, algumas horas depois, já na segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, desmentiu categoricamente ter havido uma conversa telefônica de Putin com Trump. Também viralizou esse desmentido da notícia por Dmitri Peskov, distribuído pela agência independente russa Interfax e reproduzido pela imprensa mundial: “Este é o exemplo mais óbvio da qualidade da informação que se publica hoje, por vezes até em publicações totalmente respeitáveis. Isso é completamente falso. É pura ficção, é simplesmente informação falsa”.
Em outras palavras, o conhecido e importante jornal The Washington Post, editado na capital norte-americana, foi chamado indiretamente de mentiroso ou de fabulador de notícias pelo porta-voz do Kremlin. Desmentidos entre países ocorrem com certa frequência, numa espécie de guerra de notícias, o inédito é o governo de uma superpotência negar um contato com o presidente de outra superpotência, como se fosse uma falsa notícia inventada por um jornal.
Afinal, houve ou não houve essa conversa telefônica entre Trump e Putin? Se houve, por que Putin mandou seu porta-voz negar ter ocorrido?
Abbas Gallyamov, politólogo de origem tártara, que já foi próximo de Putin a ponto de redigir seus discursos, entrevistado pela AFP, em Israel onde vive atualmente, acha que a negação de Putin quanto à conversa com Trump, está ligada à menção de tropas americanas na Europa. Para Abbas Gallyamov, a maneira como a conversa telefônica foi noticiada deixou a impressão de haver uma pressão de Trump sobre Putin, inaceitável pelo russo.
Isso não significaria uma parcialidade do Washington Post em favor de Trump? Mesmo porque o jornal assumiu uma posição de neutralidade quanto às eleições, por pressão de seu proprietário Jeff Bezos, criador da Amazon, negando-se a se pronunciar em favor de Kamala Harris. Essa "neutralidade" do jornal provocou uma crise na redação e a perda de 10% de seus assinantes, 250.000, tão logo foi anunciada.
Apesar de Donald Trump não ter fama de um paladino da verdade, muito ao contrário, a negativa do Kremlin não significa necessariamente ser mentira a conversa telefônica de Trump com Putin. Tanto um como o outro têm nariz de Pinóquio e a verdade para eles vale, só no momento em que convém. Rui Martins – Suíça
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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Nações Unidas - Invasão russa gerou queda populacional de 8 milhões na Ucrânia

O Fundo de População da ONU destaca preocupação com o declínio demográfico, o país regista a menor taxa de fertilidade da Europa e uma das mais baixas do mundo, cerca de 6,7 milhões de ucranianos tornaram-se refugiados. As Nações Unidas apoiam uma nova estratégia para restabelecer o capital humano

Prestes a completar mil dias, a guerra na Ucrânia ficou marcada por enormes impactos militares, políticos e humanitários. Um deles, segundo o Fundo das Nações Unidas para a População, UNFPA, é uma “emergência silenciosa” na demografia do país.

No geral, a população da Ucrânia diminuiu em mais de 10 milhões desde o início do conflito, em 2014, e em cerca de 8 milhões desde a invasão em grande escala pela Rússia, em 2022. Os dados são do governo ucraniano.

A menor taxa de fertilidade da Europa

Antes do conflito, a Ucrânia já enfrentava desafios populacionais significativos, comuns a grande parte do Leste Europeu. O país tinha uma das taxas de natalidade mais baixas do continente, com ucranianos emigrando em busca de melhores oportunidades além de uma população envelhecida.

A diretora regional do UNFPA para Europa Oriental e Ásia Central, Florence Bauer, disse que a invasão russa “piorou muito as coisas”.

Bauer contou a jornalistas, em Genebra, que “a taxa de natalidade despencou para um filho por mulher, a menor taxa de fertilidade da Europa e uma das mais baixas do mundo”.

Perda de capital humano

Como consequência direta da guerra, milhões de pessoas fugiram das suas casas dentro e fora das fronteiras da Ucrânia. Cerca de 6,7 milhões de ucranianos tornaram-se refugiados.

Outros declínios na população estão relacionados a mortes e ao êxodo de jovens com graves consequências para a economia.

A representante do UNFPA na região diz que isso representa uma enorme perda de capital humano que é “urgentemente necessário para a recuperação e para a construção do futuro da Ucrânia".

O governo ucraniano, com o apoio do UNFPA, desenvolveu e adotou uma nova estratégia demográfica nacional. O plano concentra-se na construção de capital humano, reconhecendo a importância dos fatores socioeconómicos e promovendo a igualdade de género.

Uma nova estratégia demográfica

A agência afirma que “a Ucrânia avançou com a lei de 2021 “que promove papéis compartilhados de cuidado, garantindo responsabilidades iguais para os pais".

Agora, a UNFPA recomenda que o censo nacional seja organizado o mais rapidamente possível. Os dados disponíveis tornaram-se obsoletos porque a última contagem ocorreu em 2001.

A agência recomenda ainda abordagens para se alcançar a sustentabilidade demográfica na Ucrânia, que seria baseada na inclusão de género, superação de estereótipos e promoção de oportunidades económicas.

No entanto, Bauer ressaltou que nada disso provavelmente será alcançado sem a paz. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Paris 2024: Mais uns Jogos Olímpicos do Fim de uma Era

Os Jogos Olímpicos de Paris 2024 são um acontecimento típico dos tempos que antecipam a conhecida “armadilha de Tucídides” que os dirigentes europeus deviam conhecer e lhes devia servir de orientação, se fossem cultos e sensatos, e se a História não fosse uma prova de que em situações de crise a humanidade escolhe ser dirigida pelos mais grotescos dos seus exemplares, os que fecham os olhos e investem contra o que lhes surge entre a sua ambição e a parede onde vêm o inimigo, mais uma prova de que a racionalidade é um bem descartável, sempre à mercê da arrogância e da ambição.

A estudada armadilha de Tucidides (quem raio seria o Tucidides, devem perguntar-se os warmongers em Washington e em Bruxelas, porque certamente em Moscovo e em Pequim sabem e têm demonstrado que o sabem?) refere a inevitabilidade de um conflito quando uma potência em ascensão ameaça substituir uma potência dominante. Como hoje acontece entre a ascensão da China e da Rússia, agregadores dos BRICS, e a decadência dos Estados Unidos e do que estes designaram como o Ocidente Global, que são os Estados Unidos, os satélites europeus e os aliados do Pacífico, a Austrália, a Nova Zelândia, o Japão e a Coreia.

A Primeira Grande Guerra começou dois meses antes do conflito armado, no maior evento desportivo da altura, a Regata de Kiel, que reunia na cidade alemã os maiores e melhores iates do mundo, o que quer dizer da Europa e que nesse ano o Kaiser Guilherme queria aproveitar para celebrar o novo poder naval alemão e assim desafiar a hegemonia naval da Inglaterra, fazendo essa demonstração sob a capa de uma grande festa desportiva. Nada revela tão bem a insensatez e a insensibilidade dos europeus para a grande guerra que estava prestes a envolvê-los no que começou por ser uma disputa germano-britânica do que a regata de Kiel na época do assassinato em Sarajevo do arquiduque da Áustria.

O correspondente americano Frederic Wile escreveu mais tarde sobre o evento: “Por aquela circunstância oculta que determina com deleite diabólico a ironia do destino, foi ordenado que Kiel, 1914, fosse a ocasião de uma espetacular festa de amor anglo-germânica, com uma esquadra de navios britânicos ancorados no meio da pacífica Armada Alemã como um sinal para todo o mundo do calor não explosivo das ‘relações’ anglo-germânicas. “A semana, que começou em 24 de junho, não mostrou nenhum sinal de tensão entre as frotas britânica e alemã. . . o Kaiser embarcou num navio de guerra britânico vestindo um uniforme de almirante britânico, uma honra que veio de um título dado a ele por sua avó, a Rainha Vitória. Marinheiros das duas nações se entretiveram com bebidas, danças, boxe e uma “noite de sábado turbulenta que se fundiu com o domingo de Sarajevo”.

O assassinato lançou um ar temporário detristeza e presságiosobre as celebrações em Kiel, mas não diminuiu a amizade entre os ingleses e os alemães. Homens em ambas as marinhas falaram entusiasticamente sobre rumores de que a Marinha Real logo retribuiria a hospitalidade dos novos amigos alemães. Um observador com conexões próximas em ambos os países observou [mais tarde], “Estou certo de que nenhuma alma de nós se considerou capaz de imaginar que, por causa daquele crime remoto, a Grã-Bretanha e a Alemanha estariam em guerra cinco semanas depois.”

Os jogos Olímpicos de Paris têm semelhanças com a regata de Kiel, até com o desfile dos barcos no rio Sena, que replica a dos iates no canal de Kiel — são uma festa de aparências que os dias de chuva da abertura prenunciam como a tempestade que se aproxima.

Os Jogos Olímpicos de Berlim, de 1936 prenunciaram o mesmo fenómeno de uma guerra após o espetáculo de convívio à volta do desporto.

Os Jogos Olímpicos de Paris 2024 seguem o mesmo guião, agora com ainda mais evidentes sinais de que marcam o final de uma época e com claros sinais de jogo de guerra.

O espetáculo montado na cidade luz que reúne os melhores atores mundiais, os mais profissionais, as vedetas transformadas em ídolos na encenação, no canto, na dança na representação, na performance desportiva e tecnológica é uma afirmação de superioridade do Ocidente Global, que através dele desafia a Rússia, com quem está em competição, negando-lhe a participação. Não houve coragem de negar a entrada à China. Os BRICS fazem figura de amante a conquistar. A China entendeu que ainda não era tempo de separar águas. Tem tempo. O Ocidente e a Europa em particular e a pequena França do pequeno Macron demonstraram não ter a grandeza, ou sequer a dignidade de afirmar uma autonomia, convidando a Rússia, mas acolhendo com palmas Israel, o grande peão dos Estados Unidos para dominar o Médio Oriente, um espaço de interesse estratégico vital para a Europa. A sujeição da Europa aos Estados Unidos é absoluta. Já decidiu obedecer aumentando as suas despesas militares adquirindo material americano. A única sombra que paira, o imponderável que retirou o senil imperador do trono e abriu a hipótese ao regresso do imperador incendiário. Os Estados Unidos estão em convulsão interna e não podem aproveitar este momento único de afirmação de poder que lhes foi preparado em Paris.

O grande aparelho de manipulação universal através das redes de comunicação encarrega-se de mostrar as tribunas presidenciais e as habilidades dos artistas, os seus pequenos e grandes dramas. Morre-se na Ucrânia numa guerra por procuração dos organizadores dos Jogos, morre-se na Palestina, no Líbano às ordens do Império, morre-se no Sudão, em África, mas corre-se, salta-se, dança-se, nada-se, rema-se, boxeia-se, esgrime-se, skata-se, joga-se com todas as bolas, sobre relva, tartan e pó de tijolo, discute-se o sexo dos atletas, com exibição de genitais onde devia estar uma outra peça da natureza, mas, mais do que a guerra e a paz interessa o politicamente correto.

Perante este espetáculo de Coliseu Romano, onde se discute com arreganho se uma das cenas da abertura é a Ultima ceia do Novo testamento da Bíblia ou uma representação de uma orgia de deuses pagãos, a pergunta dos impotentes que somos nós, os arredados de todas as decisões nas democracias que nos são apresentadas como o fim da História, porque nada mais os povos têm a dizer contra o poder das oligarquias, devíamos, se nos fosse permitido, perguntar quando serão as novas Olimpíadas, ou se haverá novas Olimpíadas. Mas, já que nada aprendemos com a Regata de Kiel, nem com Berlim 1936, porque haveremos de aprender com Paris 2024? As bestas que nos governam são da mesma estirpe e os governados são a mesma manada que irá servir de carne para canhão. Matos Gomes – Portugal in Medium

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Carlos Matos Gomes - Escritor e ex-militar português, autor do livro "Geração D", que considera uma homenagem e uma autobiografia da sua geração, a que conheceu a ditadura, a Guerra Colonial e fez o 25 de Abril de 1974