Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Portugal - Encontro “Esta Língua que Nos Une” na cidade do Porto

O Centro Português de Fotografia (sito na antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto - Largo Amor de Perdição), no Porto, vai receber, no dia 5 de maio - Dia Mundial da Língua Portuguesa -, o encontro “Esta Língua que Nos Une”, uma iniciativa dedicada à língua portuguesa como espaço vivo de criação literária, memória partilhada, circulação cultural e futuro comum entre Portugal, Brasil e o mundo lusófono. O evento é promovido pela Associação Portugal Brasil 200 anos, em parceria com a UCCLA e o Centro Português de Fotografia.


O encontro irá juntar escritores, intelectuais, curadores, professores e representantes institucionais dos dois lados do Atlântico para pensar a literatura como território comum da língua portuguesa.

A entrada é livre, mas sujeita à lotação do espaço. Poderá confirmar a sua presença para os números +351 218172950 ou +55 11995737932 (whastApp) ou através do email uccla@uccla.pt.

A iniciativa conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, do Instituto Guimarães Rosa, do Consulado-Geral do Brasil no Porto, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, do Centro Português de Fotografia, através da cedência do espaço, e do Hotel Vila Galé Porto, através do apoio à hospedagem.

O conceito curatorial parte de uma ideia central: a língua portuguesa não é uma herança imóvel, mas uma casa em movimento. Ao longo de um dia de programação, o encontro propõe o português como plataforma de pensamento crítico, diplomacia cultural, criação artística e cooperação entre comunidades.

O programa estrutura-se em torno de três eixos curatoriais - invenção, travessia e futuro - que traduzem a visão da Associação Portugal Brasil 200 anos para a cidadania da língua: uma língua que não se limita a comunicar, mas cria pertença, confiança, cooperação e novas possibilidades culturais.

A sessão de abertura, às 10 horas, contará com intervenções de Teresa Leitão, senadora brasileira, Luís Álvaro Campos Ferreira, Secretário-Geral da UCCLA, e José Manuel Diogo, presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos.

Às 10h30, a primeira mesa, “A Língua em Estado de Invenção”, reúne o escritor brasileiro Sérgio Rodrigues e o ensaísta português Arnaldo Saraiva, com moderação de José Manuel Diogo. A conversa abordará a língua como criação viva, cruzando norma, desvio, humor, literatura, modernismo, oralidade e identidade.

O projeto “O Mundo da Lusofonia”, desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas da Caparica, com parceria pedagógica da UCCLA e participação de escolas de Portugal, Cabo Verde e Brasil, será apresentado pelas 12 horas. A iniciativa trabalha a língua portuguesa como instrumento de comunicação, colaboração entre povos, cidadania global e valorização da diversidade multicultural dos países de língua oficial portuguesa. Participam na apresentação os professores Bruno Coimbra e Helena Silva, a Secretária-Geral Adjunta da UCCLA, Paula Leal Silva, e a coordenadora da Área Social da UCCLA Princesa Peixoto.

Pelas 15 horas decorrerá a segunda mesa “Corpo, Memória e Travessia”, reunindo o escritor brasileiro Álvaro Filho e a escritora portuguesa Inês Pedrosa, com moderação da artista, curadora e investigadora Ângela Berlinde. A conversa discutirá como os corpos atravessam países, afetos e imagens, e como a literatura regista pertencimento, desenraizamento, amor, memória, perda e reinvenção.

Às 16h30, a terceira mesa “Poesia, Mundo e Futuro da Língua”, contará com a participação de José Gardeazabal e do poeta brasileiro José Inácio Vieira de Melo, com moderação de Maria Bochicchio. A conversa propõe pensar a poesia como o lugar onde a língua portuguesa continua a arriscar o futuro - entre oralidade e escrita, voz, ritmo, corpo, território, memória e tempo histórico.

Pelas 17h45, terá lugar o lançamento da Leitura Coletiva Global de Os Lusíadas, projeto internacional concebido pela Associação Portugal Brasil 200 anos. A iniciativa convoca leitores de diferentes países lusófonos e das diásporas a partilharem, em voz alta, estrofes do poema camoniano, afirmando Os Lusíadas como património simbólico que atravessa nações, sotaques e gerações.

O encerramento, às 18h15, será marcado por um recital de José Inácio Vieira de Melo, poeta, jornalista e curador alagoano radicado na Bahia. A apresentação celebrará a musicalidade e a força da língua portuguesa através de textos clássicos e contemporâneos. UCCLA

Programa


Brasil - Líder indígena afirma que o país pode ter o primeiro partido político dos povos indígenas

Marcos Terena, do Mato Grosso do Sul, participou no Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, na ONU, em Nova Iorque. Segundo ele, o sonho de criar uma legenda partidária para defender os povos originários “não morreu” e continua a ser debatido por vários representantes indígenas de norte a sul do país


O Brasil pode ver nascer, nos próximos quatro anos, o primeiro partido político dos povos indígenas. O objetivo é criar uma legenda para representar os povos originários nos mais altos escalões do poder e decisões nacionais, que afetam a vida de todos os cidadãos brasileiros.

A declaração é do líder indígena Marcos Terena. Nascido no Mato Grosso do Sul, ele integra a luta pelos direitos dos povos indígenas, há várias décadas, inclusive em Brasília, onde vive e trabalha.

Mais de mil indígenas na ONU

Terena veio a Nova Iorque para participar da 25.ª Sessão do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas. Este ano, o encontro debateu o acesso à saúde para os indígenas incluindo durante conflitos.

Nessa entrevista à ONU News, Marcos Terena garantiu que o sonho de fundar o próprio partido não morreu para os indígenas e está a ser debatido por lideranças da causa de norte a sul do Brasil.

“O indígena, hoje no Brasil, tem ideologia também de esquerda, de direita. Tem muita gente que apoia o agronegócio. Tem muita gente que apoia o movimento de esquerda, né? Mas a construção do Partido Indígena, talvez quando esses indígenas se elegerem, seja possível através de uma recomendação dos próprios indígenas. Eu espero que sejam eleitos nessa eleição como senadores, como deputados federais e estaduais também.

ONU News: Então o sonho ainda existe?

Marcos Terena - Existe. A gente não pode matar esse sonho. Esse é um sonho de representação. Você imagina um Parlamento indígena com 300 membros que não são necessariamente partidários, mas que são 300 membros que vão representar sociedades indígenas distintas, línguas distintas dentro do Congresso Nacional?”

Pobreza extrema e conceito ideológico

O Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas foi aberto pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e pela presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock. Com mais de mil indígenas e integrantes da sociedade civil.

Guterres lembrou que os povos indígenas representam 6% de toda a população global e quase 19% das pessoas que vivem em pobreza extrema no mundo.

À margem do evento, com mais de mil pessoas, Marcos Terena contou que há avanços registados não somente no Brasil, como em outras partes do mundo, mas que somente uma força política dedicada aos povos originários poderia levar mais melhorias à vida dos indígenas brasileiros

Para Marcos Terena, que participou da criação do Fórum Permanente sobre Assuntos dos Povos Indígenas, em 2006, na sede da ONU, é preciso ainda criar “um conceito ideológico indígena” dentro do Brasil para que as crianças possam saber, desde pequenas, que são parte de uma nação advinda desse grupo étnico e de outros como europeus e africanos. Uma lição que iria além dos atuais livros escolares que retratam este encontro de culturas e raças.

Línguas esquecidas ou rejeitadas?

“A educação que é levada para as crianças hoje na aldeia é a educação formal levada do homem branco para os indígenas. Ou seja, não há uma educação nascida do sistema educacional de cada comunidade. Se fosse, seria uma maravilha porque prepararíamos as nossas crianças a não esquecer a língua. A primeira coisa que o indiozinho esquece é a língua porque ele tem de aprender o famoso bê-á-bá do português. Então, quando ele chega ali no Ginasial, ele já não quer mais falar (a língua indígena). Ele pode até entender. Como é o meu caso da criança. Tem vergonha da sua língua, da sua origem, da sua tradição. O sistema de educação é cruel. Ele anula a cabeça do indígena. Tira a gente de uma situação de dignidade indígena, dos vários povos e transforma ele num zumbi, andando de lá para cá no meio da cidade.”

Ministério e Câmara

Em fevereiro deste ano, a página do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, no Brasil, divulgou um artigo sobre a presença de representantes indígenas em audiências públicas da Corte.

Presentes a um encontro em Brasília, representantes dos povos Tikuna, da Amazónia, e Fulni-ô, de Pernambuco, defenderam mais candidaturas de indígenas. O evento incluiu interpretação das línguas indígenas tikuna, yaathe (fulni-ô) e kaingang.

Em 2018, o Brasil elegeu a primeira mulher indígena para a Câmara de Deputados, Joênia Wapichana. O primeiro deputado indígena da Câmara foi Mario Juruna, que venceu o pleito em 1982.

Há três anos, foi criado o Ministério dos Povos Indígenas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Ministério, o Brasil tem 305 povos indígenas e uma população de mais 1,7 milhão de pessoas. Monica Grayley – Brasil ONU News


Timor-Leste - Ensino superior terá pela primeira vez um curso de história

A Unesco apoiou o desenvolvimento da nova disciplina. A reitora da Faculdade que abrigará a cadeira diz que objetivo é honrar o passado e formar futuros educadores, a primeira turma começa no ano letivo de 2027


Timor-Leste está prestes a ter o seu primeiro Departamento Académico de História, marcando um passo significativo para fortalecer a forma como o país ensina, pesquisa e preserva o seu próprio passado.

Em fevereiro, o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura aprovou a criação do novo departamento sob a égide da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Nacional de Timor-Leste.

Rigor e honestidade

A reitora da Faculdade, madre Esmeralda Piedade, disse que o objetivo é honrar o passado da nação formando futuros educadores e garantir que a história do país de língua portuguesa, no sudeste da Ásia, “seja contada com o rigor e a honestidade que merece”.

Timor-Leste foi colonizado por mais de quatro séculos por Portugal, e depois ocupado pela Indonésia, a nação vizinha. A longa luta pela restauração da independência culminou num referendo organizado pela ONU em 1999, que garantiu o caminho para a autodeterminação dos timorenses, três anos depois.

Desde 2002, a educação em história tem sido reconhecida como essencial, não apenas para a identidade nacional, mas também para a reconciliação, direitos humanos e construção de uma cultura de paz.

No entanto, até agora, nenhuma universidade timorense oferecia um programa académico dedicado a esta disciplina. Professores ensinaram História sem treino especializado e investigadores trabalharam sem instituições de residência.

Dois caminhos académicos

A criação do novo departamento resolve essa lacuna no ensino superior, oferecendo dois caminhos académicos. A primeira opção será Educação em História, preparando futuros professores para escolas em todo o país.

A segunda é Gestão Cultural e do Património, construindo uma experiência nacional na preservação e promoção da cultura timorense.

A pedido de parceiros nacionais, a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, ofereceu suporte técnico para moldar o desenvolvimento do novo departamento.

A representante da agência no país, Maki Katsuno, disse que as universidades “são onde as sociedades se reúnem para documentar e preservar sistematicamente o seu passado e imaginar o futuro”.

Primeira turma

Ela afirmou que a Unesco tem orgulho de apoiar a Universidade Nacional de Timor-Leste, a única instituição pública de ensino superior do país, na construção de um Departamento de História que atuará com “um profundo compromisso com o povo de Timor-Leste”.

Espera-se que o Departamento receba a sua primeira turma de estudantes no ano letivo de 2027.

O plano estratégico, que será finalizado até junho de 2026, estabelece a visão do departamento, o currículo, a agenda de pesquisa, o caminho de desenvolvimento do corpo docente e as parcerias institucionais para os seus primeiros cinco anos. ONU News – Nações Unidas


Espanha, França e Portugal - A corrida pelas energias renováveis intensifica-se à medida que os governos se esforçam para reduzir as contas de energia

"Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos a pagar o preço das guerras de outros povos", disse o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu


Com a guerra entre EUA e Israel contra o Irão a mergulhar o mundo no que o chefe da AIE (Agência Internacional de Energia) chamou de "a maior crise energética que já enfrentámos", os governos estão a procurar soluções desesperadamente.

Felizmente, algumas das maiores economias da Europa têm a clareza de que as energias renováveis ​​são a forma mais confiável e barata de se proteger contra choques energéticos, ao mesmo tempo que atingem as metas de redução de emissões.

O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão e os numerosos ataques à infraestrutura energética no Médio Oriente levaram à "maior ameaça à segurança energética da história", de acordo com o Dr. Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA).

A dependência da importação de petróleo e gás já custou à UE 24 mil milhões de euros, para além do que já estava previsto. Sem as energias renováveis, esta despesa seria ainda maior.

A energia solar economizou mais de 100 milhões de euros por dia na Europa desde o início da guerra, e as energias renováveis, em geral, são um fator crucial para a redução das contas de luz. Graças ao aumento da disponibilidade de energia renovável, os preços da eletricidade foram, em média, 24,2% menores entre 2023 e 2025 em 19 países.

Após recuperarem do choque inicial da guerra, os governos começaram a aconselhar cidadãos e empresas a economizar energia sempre que possível. Dirigir de forma eficiente em termos de consumo de combustível, trabalhar em casa e até mesmo gerar a própria energia em casa foram algumas das recomendações feitas.

Mas a transição para a energia limpa depende muito mais das políticas governamentais do que das ações individuais.

Aqui, analisamos como Espanha, França e Portugal responderam à crise dos combustíveis fósseis.

Espanha intensifica seus esforços em energias renováveis.

A Espanha tem sido amplamente elogiada pelos seus investimentos em energias renováveis, e isso mostrou-se extremamente vantajoso durante a crise energética.

Entre 2019 e 2026, o país duplicou a sua capacidade de energia solar, atingindo 40 GW – mais do que qualquer outro país da UE, com exceção da Alemanha , cujo mercado de energia é o dobro do tamanho do espanhol. Essa visão de futuro fez com que as contas de luz dos espanhóis permanecessem entre as mais baixas da Europa, apesar da guerra com o Irão ter afetado gravemente o fornecimento de energia.

Desde o início da guerra com o Irão, a Espanha intensificou os seus esforços em energias renováveis. Num Decreto Real publicado em 20 de março, o país anunciou medidas para acelerar a eletrificação, a implantação de energias renováveis ​​e o armazenamento de energia. Estas medidas incluem a desburocratização, a melhoria da infraestrutura da rede elétrica para evitar o desperdício de energia renovável, a criação de normas mais rigorosas para a construção de data centers que não sejam comprovadamente sustentáveis ​​e o incentivo à criação de comunidades energéticas.

França proíbe caldeiras a gás em novos edifícios

A França está a investir fortemente na eletrificação, prometendo € 10 mil milhões em apoio estatal para a transição do petróleo, gás e seus derivados para a eletricidade, conforme noticiado pela Reuters.

As bombas de calor também fazem parte do plano, com a instalação de mais um milhão por ano, e as caldeiras a gás serão proibidas em edifícios recém-construídos a partir de 2027.

“Hoje, 60% do nosso consumo de energia provém desses combustíveis fósseis importados, embora a energia que produzimos internamente seja três vezes mais barata”, disse o primeiro-ministro Sébastien Lecornu ao anunciar as novas políticas. “Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos a pagar o preço das guerras de outros povos, que infelizmente persistirão e nos empobrecerão”, acrescentou.

Portugal promete um limite máximo de preços

O aumento das contas das famílias tem sido uma preocupação mundial desde que os ataques dos EUA e de Israel ao Irão levaram ao encerramento do Estreito de Ormuz.

Portugal, conforme noticiado pela Reuters, prometeu limitar temporariamente os preços da eletricidade, se necessário. O mecanismo de proteção ao consumidor seria implementado caso os preços da eletricidade no retalho subissem mais de 70%, ou ultrapassem 2,5 vezes a média dos últimos cinco anos, ultrapassando € 180 por megawatt-hora. O governo cobriria o custo inicial do apoio, que “seria recuperado posteriormente”, segundo o Ministro António Leitão Amaro.

Portugal é menos dependente do gás natural para a sua eletricidade. em comparação com muitos países europeus e, nos dois primeiros meses do ano, cerca de 79% da eletricidade consumida em Portugal provém de fontes renováveis, de acordo com dados oficiais.

Polónia destina verbas para energias renováveis

“Ao longo da próxima década, o nosso país investirá 1 trilhão de zlotys em energia, infraestrutura, linhas de transmissão e centrais elétricas”, anunciou o primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, durante a Cúpula de Energia PowerConnect em Gdańsk, em 18 de março.

Desse montante, mais de 220 bilhões de zlotys (51,8 mil milhões de euros) serão destinados a energias renováveis ​​e armazenamento, 234 bilhões de zlotys (55 mil milhões de euros) à distribuição e 160 bilhões de zlotys (37 mil milhões de euros) à energia nuclear.

Em 2024, carvão, petróleo e gás representavam 83% da energia da Polónia.  

Mas o país está a esforçar-se para aumentar a participação de energias renováveis, passando de 21% em 2022 para 28% em 2023, segundo a AIE (Agência Internacional de Energia). Euronews


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Portugal – Startup Brainr ajuda a transformar a indústria alimentar

Há tecnologia portuguesa a mudar silenciosamente o funcionamento de algumas das maiores unidades industriais do país. A prova vem de Leiria, onde a startup Brainr desenvolveu uma solução digital que já gere mais de 30% da produção de carne em Portugal e que será um dos destaques da 360 Tech Industry, marcada para os dias 20 e 21 de maio, na EXPONOR – Feira Internacional do Porto


Descrita como um verdadeiro “cérebro digital” da produção industrial, a plataforma criada pela empresa portuguesa monitoriza, controla e otimiza operações fabris em tempo real. Pensada para responder às exigências específicas do setor alimentar, a tecnologia acompanha todo o ciclo produtivo, desde o planeamento e gestão de armazém até à produção, expedição, controlo de qualidade e rastreabilidade.

O impacto já é visível em várias empresas nacionais. Na AviSabor, a implementação da solução permitiu eliminar erros humanos e acelerar em 50% a rotação de inventário. Já na Comave, os erros de expedição caíram 94%, enquanto a eficiência produtiva registou uma subida de 21%.

Com uma equipa de 32 colaboradores e 11 milhões de euros em financiamento captado, a Brainr pretende agora expandir a operação para outros segmentos da indústria alimentar e reforçar a presença internacional.

Feira mostra nova geração tecnológica nacional

A presença da Brainr integra o Espaço HubTech, área dedicada à inovação emergente dentro da 360 Tech Industry. Ao todo, serão apresentadas nove startups portuguesas com soluções focadas na modernização industrial, digitalização de processos e aumento de competitividade.

Entre elas está a AI-Doc, que aposta em inteligência artificial para facilitar o acesso imediato a informação técnica na manutenção industrial. A Bravo utiliza engenharia inversa e impressão 3D para recriar peças industriais obsoletas, reduzindo custos e tempos de paragem.

A Flinotech leva monitorização industrial em tempo real através de soluções IIoT simples e escaláveis. Já a FabInventors aposta em tecnologia multi-cabeça para acelerar a impressão 3D industrial.

Também em destaque estará a Gomec, com equipamentos inteligentes que reduzem esforço físico e aumentam produtividade, e a Mutu, focada em centralizar equipas e fornecedores numa plataforma colaborativa.

Eficiência energética e fábricas inteligentes

Outro dos nomes em evidência será a Planta, que transforma edifícios e fábricas em sistemas inteligentes, otimizando energia e operações em tempo real. Entre os casos de sucesso surge a Horse, cuja fábrica em Aveiro registou poupanças de 18% em energia e 27% em manutenção após adoção da tecnologia.

A startup mantém ainda um pipeline superior a 26 milhões de euros e parcerias com entidades como a Airbus, Santa Casa da Misericórdia e Ecotainer Factory.

Já a Proximity Formula desenvolve soluções ultrassónicas de precisão para processos críticos, enquanto a Touchfind digitaliza equipamentos industriais para tornar informação técnica acessível com um simples toque.

Um retrato da indústria do futuro

Segundo Diogo Barbosa, Portugal está na vanguarda em vários setores tecnológicos e o HubTech funciona como uma plataforma de aceleração e visibilidade para empresas inovadoras.

A 360 Tech Industry posiciona-se assim como um dos principais encontros nacionais dedicados às tecnologias que tornam os processos industriais mais eficientes, inteligentes e sustentáveis. O evento reunirá soluções ligadas à Indústria 4.0 e 5.0, além de conferências técnicas e sessões especializadas nos auditórios Let’s Talk e Tech For Industry.

Na edição de 2024, a bienal contou com 97 expositores, sendo que 88% das empresas participantes indicaram ter gerado novos contactos comerciais e oportunidades de parceria.

Datas e acesso

A 360 Tech Industry decorre entre 20 e 21 de maio de 2026, entre as 10h00 e as 18h00, na EXPONOR – Feira Internacional do Porto. O acesso é exclusivo a profissionais do setor e deve ser assegurado previamente online através do sítio oficial da organização. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


França - Ígor Lopes apresenta livro sobre lusofonia musical em Lyon

O autor Ígor Lopes, colaborador do Bom Dia, vai apresentar, no próximo dia 05 de maio, em Lyon, o livro-reportagem “Luso-Brasilidade Musical – A influência da Música na Ligação entre Brasil-Portugal”, numa sessão que assinala o Dia Mundial da Língua Portuguesa


A iniciativa decorre a partir das 18h30 (hora local), com entrada livre, a convite do consulado de Portugal em Lyon, e marca a primeira apresentação da obra em território francês. O momento institucional contará com a apresentação do livro pelo cônsul João Marco de Deus.

Após a sessão literária, o programa inclui ainda um momento cultural dedicado à poesia em língua portuguesa, reunindo comunidade, cultura e diplomacia em torno de um património linguístico comum.

Editado com o selo da Fundação Nacional de Artes, o livro percorre, ao longo de 255 páginas, as relações culturais entre Brasil e Portugal através da música, reunindo entrevistas e referências que documentam a construção de uma identidade partilhada no espaço lusófono.

A obra foi distinguida com vários prémios internacionais, incluindo o galardão “Literatura e Divulgação da Língua Portuguesa – Ano 2025”, atribuído pelas As Notícias / RTV Lusa, em Londres, bem como o Prémio Literário “Suisse Littérature Network” e o prémio “Award Suisse: Conexões que Resplandecem”, ambos em 2026. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Alemanha - Aberta bolsa de formação para países lusófonos

Está aberto o concurso para uma bolsa de formação no Secretariado da UNFCCC, na Alemanha, na área da adaptação climática. A iniciativa, apoiada pelo Camões, I.P., destina-se a jovens quadros da função pública de países lusófonos


O objetivo é proporcionar uma experiência profissional internacional em contexto real de trabalho. A bolsa tem a duração de um ano e permite aos participantes integrar atividades relacionadas com políticas e práticas de adaptação às alterações climáticas, num ambiente internacional.

O prazo de candidatura decorre até 8 de junho. Veja mais informações aqui. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo 


Angola - Portos de Cabinda e Soyo passam para a Sogester

O Ministério dos Transporte procedeu, segunda-feira, em Luanda, a passagem da gestão dos terminais marítimos e fluviais dos portos de Cabinda e Soyo à Sociedade Gestora de Terminais (SOGESTER S.A)


O processo decorre no quadro da modernização do sector portuário nacional e o impulso do serviço de cabotagem enquanto alternativa logística.

Os terminais agora concessionados desempenham também um papel central na integração socioeconómico das províncias de Cabinda e Zaire.

O Porto de Cabinda inaugurado em 2021 dispõe de uma estrutura moderna e capacidade para movimentar mais de 100 mil passageiros. A concessão com o prazo de 20 anos vai permitir uma maior eficiência operacional, reduzir os custos logísticos e dinamizar a cabotagem dos portos de Cabinda e Soyo.

De acordo com o secretário de Estado para os sectores de Aviação Marítima e Portuária, Adilson Catala, a construção e operacionalização destes terminais enquadra-se na orientação clara do Executivo, a fim de criar condições para a dinamização do transporte marítimo de passageiros e bens, reduzir os constrangimentos logísticos e responder de forma concreta às necessidades das populações e dos agentes económicos.

Adilson Catala disse que no caso de Cabinda, esta visão assume uma relevância ainda maior, tendo em conta a descontinuidade territorial, o que impõe ao Estado a responsabilidade de assegurar soluções regulares, eficientes e sustentáveis de mobilidade e abastecimento.

Segundo o secretário de Estado, estas infra-estruturas não são apenas activos físicos, mas instrumentos concretos de mobilidade, integração económica, dinamização do comércio e melhoria da qualidade de vida das populações. Winnie António – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 28 de abril de 2026

Cabo Verde - Número de eleitores cresce 5,95% com maior expressividade na diáspora

Os dados provisórios da Direcção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) indicam que, em comparação com as últimas eleições, o número de eleitores registados aumentou em 23.384, o que representa uma variação de 5,95%. O crescimento é mais expressivo na diáspora, onde se registou uma subida de 36,5%, passando de 52.752 eleitores em 2021 para os actuais 72.051, distribuídos por 22 países


Conforme explicou a presidente da CNE, Maria do Rosário Pereira Gonçalves, o aumento do número de eleitores na diáspora deve-se, sobretudo, à implementação de um novo sistema de recenseamento, que permite aos cidadãos cabo-verdianos residentes no exterior inscreverem-se no recenseamento eleitoral quando recorrem aos serviços consulares para emissão ou renovação do passaporte.

No total, encontram-se inscritos para estas eleições 416.335 eleitores, dos quais 344.284 no território nacional e 72.051 na diáspora.

Ainda no que se refere à diáspora, verificou-se um crescimento significativo no número de mesas de voto, que passaram de 236, em 2021, para 284 nas presentes eleições. A nível do território nacional, foram constituídas 1058 mesas de votação.

No que se refere às candidaturas, a CNE recebeu dos tribunais um total de 48 listas apresentadas por cinco partidos políticos. O Movimento para a Democracia (MpD) e o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) lideram, com 13 candidaturas cada, sendo os únicos a concorrer em todos os círculos eleitorais.

O Partido Popular (PP) e o Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS) apresentaram seis candidaturas cada. O PP concorre nos círculos de Santiago Sul, Santiago Norte, Boa Vista e na diáspora (África, América e Resto do Mundo), enquanto o PTS apresenta listas em Santiago Sul, Santiago Norte, São Vicente e também nos círculos da diáspora.

Já a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) submeteu 10 candidaturas, ficando de fora dos círculos da Brava, Maio e Boa Vista.

Das 48 listas admitidas, que representam um total de 556 candidatos, 300 são efectivos e 256 suplentes.

Em termos de distribuição por sexo, 294 candidatos (52,88%) são do sexo masculino e 262 (47,12%) do sexo feminino. A CNE destacou que todas as listas cumprem a Lei da Paridade, não se registando qualquer candidatura com representação inferior a 40% de um dos sexos.

Questionada sobre a avaliação do período pré-eleitoral, a presidente da CNE considerou que se tratou de uma fase “bastante competitiva”, marcada por elevada atenção por parte das candidaturas e dos partidos proponentes às eleições legislativas.

A presidente da CNE revelou ainda que foram registadas várias queixas durante a pré-campanha, sobretudo relacionadas com alegadas violações do dever de neutralidade e imparcialidade da administração pública.

“O que nós podemos dizer é que, sim, houve bastante discussão em torno desta questão, que já é recorrente. O respeito pelo princípio da neutralidade e da imparcialidade continua a merecer centralidade na fase da pré-campanha eleitoral em Cabo Verde”, concluiu a presidente da CNE.

A conferência de imprensa culminou com a entrega dos fac-símiles às candidaturas às eleições, na presença dos membros da CNE. Anilza Rocha – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


Macau - Aeroporto planeia rota Macau - Lisboa com escala em Hangzhou

Uma rota Macau-Lisboa, via Hangzhou e com serviço de bagagem despachada até ao destino final, está em planeamento da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, que está a estudar com a Beijing Capital Airlines para a operação desta ligação. A empresa revelou também que o transporte de mercadorias de Macau para a Europa representou um terço do volume total de carga do aeroporto local no ano passado


A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) adiantou estar em negociações com a Beijing Capital Airlines para lançar voos entre Macau e Lisboa, com escala em Hangzhou, no interior da China, com registo das malas directo até ao destino final.

A negociação tem como objectivo “promover voos da Beijing Capital Airlines entre Hangzhou e Macau, utilizando Hangzhou como ponto de escala para voos directos para Lisboa”, explicou Edman Lee, director adjunto do Departamento de Marketing da CAM ao Canal Macau em língua chinesa.

Recorde-se que a Beijing Capital Airlines opera já uma ligação directa entre Lisboa e a cidade chinesa de Hangzhou, sendo actualmente a única rota aérea directa entre Portugal e a China. Essa ligação tem agora uma frequência de dois voos semanais e a rota tem uma duração aproximada de 13 horas.

O plano actual entre a CAM e a Beijing Capital Airlines é permitir que os passageiros do território possam apanhar voos Macau-Hangzhou com a mesma companhia aérea chinesa e fazer a viagem directa de Hangzhou para Lisboa, sem passar o controlo de migração em Hangzhou e recolher a bagagem só na capital portuguesa.

A CAM indicou que será também possível fazer escala em Pequim para chegar a Lisboa, com a ligação entre as duas cidades a ser lançada em breve.

Recorde-se que a Beijing Capital Airlines já anunciou que vai lançar, durante o Verão, uma ligação aérea directa entre Pequim e Lisboa, numa operação sazonal com início no final de Junho e duração de cerca de três meses. O voo terá uma frequência semanal que parte de Lisboa à segunda-feira.

Além disso, a CAM pretende ainda utilizar cidades da China continental, como Pequim, Chengdu e Chongqing, como pontos de escala com tempo de espera em menos de três horas, para lançar voos com transferência de bagagem directa para destinos europeus, como a Espanha.

A empresa gestora do Aeroporto de Macau assegurou que está a “promover activamente” a expansão do mercado do Sudeste Asiático e do Nordeste Asiático, com plano de aumentar a frequência dos voos e o número de destinos nestas áreas, como a ligação a Fukuoka, no Japão.

No que diz respeito às rotas de médio e longo curso, a CAM está a analisar o desenvolvimento de rotas para a Índia e outras opções de voos com escalas.

As informações da empresa indicam que o Aeroporto Internacional de Macau conta actualmente com 29 companhias aéreas que operam 44 rotas.

Carga de Macau para a Europa

A CAM, por outro lado, abordou também o transporte de mercadorias, sublinhando os resultados das rotas exclusivamente de carga entre Macau e a Europa.

No ano passado, o volume de mercadorias transportadas de Macau para a Europa foi de cerca de 31.700 toneladas, representando cerca de 29,2% do volume total de carga do aeroporto. Entre elas, 8700 toneladas corresponderam à rota de Madrid, representando 8% do total.

Os dados fornecidos por Frank Wu, director do Departamento de Logística e Desenvolvimento da Aviação Geral da CAM, mostram ainda que o comércio electrónico transfronteiriço é o principal contribuinte para a carga do aeroporto, representando 90% do volume total.

A CAM afirmou que os voos directos de carga da Ethiopian Airlines entre Macau e Espanha já entraram em operação regular. Para as rotas de longo curso no futuro, a CAM irá lançar voos “que se relacionam com a plataforma sino-lusófona”, com vista a uma expansão do mercado para a América do Sul, por exemplo, para países como o Brasil, “que tem uma população numerosa e uma elevada frequência de utilização de serviços de comércio electrónico”, frisou.

O porta-voz da CAM referiu ainda que a situação no Médio Oriente está a afectar os preços dos combustíveis, estando o aumento dos custos a levar a uma redução dos voos de carga. Mas, “por enquanto, o impacto não é significativo”, assegurou.

Quanto à previsão da União Europeia de, no segundo semestre deste ano, cobrar uma taxa fixa de 3 euros e uma taxa de processamento de 2 euros sobre pequenas encomendas com valor inferior a 150 euros, a CAM acredita que tal medida irá a afectar, a curto prazo, as exportações de mercadorias de Macau para a Europa. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


Macau - Posição oficial contrasta com “erosão silenciosa” da língua portuguesa na Região, dizem advogados

Vários advogados defenderam à Lusa que a posição oficial do Governo de Macau sobre a língua portuguesa contrasta com a “erosão silenciosa” desta enquanto idioma oficial na região


O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, realizou uma visita oficial a Portugal de 18 a 21 de Abril, marcada por encontros institucionais e declarações diplomáticas de reforço da cooperação entre Portugal e a China, e em que destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais.

No entanto, de acordo com a advogada Sofia Linhares, a trabalhar no território, “o sorriso diplomático contrasta com a realidade administrativa”, marcada pela “erosão silenciosa do português” como língua oficial na região. Linhares recorda que a Lei Básica de Macau estabelece que “o português é igualmente uma língua oficial”, e que decretos-lei consagram que “o chinês e o português têm igual dignidade”.

No entanto, a advogada alertou existir “resistência de funcionários e magistrados ao uso do português em funções oficiais” e uma diminuição da proficiência entre os quadros da administração pública.

Uma delegação parlamentar portuguesa, que visitou Macau em Dezembro de 2025, identificou num relatório resistência de funcionários públicos e de alguns magistrados locais à utilização da língua portuguesa no exercício das suas funções, bem como a necessidade de responder ao aumento da procura por cursos de português, num contexto em que existe o risco de contratação directa de docentes por parte da China.

Para a advogada, a contradição é evidente: de um lado, Portugal e China celebram a “dinâmica cooperação” e do outro, “muitos cidadãos – e até funcionários públicos – não conseguem recorrer ao português em procedimentos administrativos rotineiros”. “Documentos são predominantemente em chinês, tribunais enfrentam atrasos por falta de quadros bilingues e serviços públicos redirecionam falantes de português para cantonês ou inglês”, alertou.

Apesar disso, Linhares reconheceu existir uma “resistência tenaz em Macau” por parte de “uma pequena comunidade de juristas, tradutores e funcionários públicos” que continua a usar o português diariamente nos órgãos administrativos, funcionando como “guardiões da linha temporal até 2049”.

De acordo com a Declaração Conjunta, assinada por Pequim e Lisboa e que levou à transição de administração de Macau em 1999, a cidade deveria manter os direitos, liberdades e garantias durante um período de 50 anos. Mas, sem reforço sistémico de Lisboa e Pequim, “a extinção prática do português administrativo ocorrerá muito antes” dessa meta temporal.

O advogado Sérgio Almeida Correia partilha a mesma preocupação, considerando que “a situação da língua portuguesa nos tribunais e na administração pública tem sofrido uma involução nos últimos anos”. “Estamos pior do que há cinco ou dez anos,” alertou à Lusa. De acordo com Correia, embora haja mais pessoas a aprender o idioma, “são cada vez menos os que falam português nos tribunais”. O jurista disse que “mais grave são os despachos, promoções, sentenças e acórdãos em chinês na primeira instância, embora haja alguns juízes sensíveis ao problema”.

A situação nos serviços do Ministério Público “é dramática”, diz Correia, descrevendo que “ultimamente, não há um despacho, uma notificação que seja, que chegue em língua portuguesa”. “Ao menos podiam recorrer às ferramentas de tradução que usam a inteligência artificial, que atualmente estão cada vez mais perfeitas, dizendo-o no despacho ou notificação. Já seria uma ajuda”, notou.

O advogado critica a falta de tradutores qualificados e considera incompreensível que “uma região com orçamentos superavitários, que factura só no jogo mais de 20 mil milhões de patacas todos os meses”, não consiga contratar “gente qualificada e bem paga” para fazer traduções nos tribunais ou na Polícia Judiciária.

Nos tribunais, acrescenta, “os tradutores estão sobrecarregados e a tradução durante diligências é muitas vezes incompleta, deixando advogados e arguidos em desvantagem”. “O Código de Procedimento Administrativo e a Lei Básica garantem que os residentes podem apresentar requerimentos e receber resposta numa das línguas oficiais. Nos tribunais isto é muitas vezes ignorado” descreveu.

Para o profissional de advocacia, isto contraria a Declaração Conjunta e a Lei Básica, e é “mau para Macau e é mau para a China”. “Dá uma péssima imagem da justiça que aqui se faz”, concluiu. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Macau - Festival de Artes traz “Novas Correntes de Inspiração” em Maio

O 36.º Festival de Artes de Macau, um dos grandes eventos artísticos da cidade, está prestes a tornar-se ainda maior. Este ano, o festival vai decorrer durante quase dois meses, de 8 de Maio a 27 de Julho, sob o tema “Novas Correntes de Inspiração”. A iniciativa arranca na segunda sexta-feira de Maio com um espectáculo gratuito de um grupo de dança do Cazaquistão, ecoando os valores de interculturalidade e descoberta de novos mundos que caracterizam esta edição


O programa da 36.º edição do Festival de Artes de Macau (FAM) foi divulgado na sala de conferências do Centro Cultural de Macau, a poucas semanas do seu início oficial no dia 8 de Maio. A partir do tema “Novas Correntes de Inspiração”, a iniciativa deste ano convida residentes e visitantes a embarcar numa viagem multidisciplinar pelas culturas, artes e relações de amizade que se desenvolveram (e desenvolvem) ao longo da Rota Marítima da Seda.

O festival desde ano arranca a 8 de Maio e culmina no dia 27 de Junho, englobando uma série de experiências, actividades, workshops e espectáculos interpretados numa multiplicidade de línguas e expressões artísticas. Reflectindo o tema central de expansão geográfica e intercâmbio cultural, o espectáculo de abertura consiste numa apresentação do conjunto de dança folclórica BIRLIK, do Cazaquistão, que se vai unir a grupos de dança locais para a performance “O Lótus na Rota da Seda – Tradições em Movimento”. A entrada para esta sessão de arranque é gratuita, mediante aquisição prévia de bilhete.

A música continua a dominar a fase inicial do FAM, com a passagem do musical “A Noite Estrelada” pelo palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Macau nos dias 15 e 16 de Maio. A peça é produzida pela Actors’ Family, uma das principais companhias de teatro musical em Hong Kong. Nos dias 16 e 17 de Maio, está agendada outra apresentação que funde as artes do teatro e da música com “1014 – Nanyin x Jazz”, uma história sobre memória, tecnologia e a importância da música na sensibilidade humana.

Ainda no domínio do teatro, a peça “Entrelinhas”, do encenador Tiago Rodrigues, assinala a única presença portuguesa no programa deste ano. O monólogo terá lugar no Teatro Dom Pedro V, nos dias 19 e 20 de Maio, e esbaterá as linhas entre ficção e realidade ao relacionar o mito de Édipo com cartas escritas por um prisioneiro à mãe.

Nos dias 22 e 23, a cultura cazaque volta a sobressair com um espectáculo duplo da companhia de dança Jolde. A primeira parte, “Tamyr”, une a elegância da dança contemporânea às vozes de um coro para falar sobre rituais, humanidade e identidade, enquanto a segunda parte, “Intemporal”, explora a memória colectiva e a fluidez do tempo.

Outro dos grandes destaques do programa passa por um palco ainda maior: o Jardim do Mercado do Iao Hon, aberto a toda a comunidade. Neste local, entre os dias 22 e 24, vai decorrer uma mostra de espectáculos ao ar livre intitulada “Onde a Cultura Floresce, a Felicidade Acontece”. De acordo com as informações divulgadas na conferência de imprensa, as actividades vão desde actuações musicais e ‘flashmobs’ à troca de livros e à promoção da leitura. Haverá ainda actividades destinadas a toda a família, como oficinas temáticas, pinturas faciais e visitas guiadas.

Voltando ao Centro Cultural de Macau, é tempo também de recuar até 2006, quando estreou a peça “Eterna Juventude”. Vinte anos depois, a versão revista “2.0” chega ao Centro Cultural de Macau para uma história sobre a passagem do tempo, proporcionando uma reunião entre conhecidos actores de Macau e o dramaturgo local Lawrence Lei.

Outro dos eventos mais aguardados deste ano é o regresso dos Dóci Papiaçám, que voltam aos palcos com mais uma sátira mordaz em patuá. Desta vez, a peça intitula-se “Agora Como?” e tem como pano de fundo o fecho dos casinos-satélite e as suas consequências para a economia no território. As actuações estão marcadas para 23 e 24 de Maio.

Depois de Portugal, as artes europeias voltam a ter lugar no festival com “A Divina Comédia”, assinada pela companhia italiana NoGravity Theatre. Nos dias 29 e 30, os artistas cénicos vão interpretar o poema épico de Dante através de uma coreografia meticulosa e profundamente artística, com recurso a espelhos para criar uma dupla dimensão visual.

Junho traz ópera, ballet e homenagens à Macau antiga

O mês de Junho começa com uma homenagem à mitologia chinesa. No dia 6, o Sands Theatre recebe uma visita da Associação de Ópera Cantonense Zhen Hua Sing, que sobe ao palco com intérpretes locais. Trata-se de uma peça teatral de ópera inspirada na lenda de He Xiangu, a única mulher entre os Oito Imortais.

Nos dias 19 e 20 de Junho, Macau recebe uma interpretação de uma das mais importantes obras do ballet clássico: “Lago dos Cisnes”, do compositor russo Tchaikovski. O Ballet de Xangai traz uma versão criada pelo coreógrafo britânico Derek Deane, que combina a técnica clássica com técnicas contemporâneas como a inclusão de um conjunto de cisnes cintilantes em palco.

A peça “A Velha Casa das Orquídeas”, já estreada em 2025 no Festival Fringe, volta nos dias 20 e 21 com uma encenação repensada para o Centro Cultural. Mais uma vez, o público pode esperar uma narrativa sobre os bairros antigos de Macau, reimaginados ao som de música ao vivo.

Também nos dias 20 e 21, a Associação de Dança Hou Kong, sediada em Macau, apresenta “A Noite de Zheng Guanying”. A Casa do Mandarim vai então transformar-se num palco dinâmico, permitindo que os artistas percorram e dancem por pátios e corredores, como se recuando aos tempos do seu antigo proprietário.

A peça “A Dinastia Dela”, cuja estreia aconteceu no Festival de Teatro de Wuzhen em 2025, segue para Macau nos dias 25 e 27 de Junho. A narrativa centra-se em quatro noites na vida de Wu Zetian, a única imperatriz da China, e partilha com o público a sua ascensão ao poder e o seu espírito resiliente, que ousou desafiar o sistema patriarcal chinês.

Outro dos acontecimentos artísticos sobressaídos no programa é a exposição “Duetos da Natureza: Pinturas de Paisagem das Dinastias Ming e Qing do Museu Nacional da China”, já em exposição no Museu de Arte de Macau desde 24 de Abril. O projecto permanece patente até dia 26 de Junho, a véspera do encerramento do festival, possibilitando a apreciação de 65 obras-primas da pintura de paisagem das dinastias Ming e Qing.

Para além do extenso programa de espectáculos e apresentações artísticas, o FAM vai também realizar nove actividades relativas ao Festival Extra, que incluem workshops, conversas pós-espectáculo e palestras. Os bilhetes para o espectáculo de abertura, a título gratuito, podem ser adquiridos já a partir das 10h do dia 2 de Maio. Os restantes bilhetes vão ser vendidos entre 2 e 9 de Maio, na Bilheteira Enjoy Macau. O público pode consultar a programação completa, assim como os descontos disponíveis na compra de bilhetes, na página oficial do Instituto Cultural (IC).

De acordo com a presidente do organismo, Leong Wai Man, a iniciativa terá um custo de 22 milhões de patacas para o Governo. Este é um valor ligeiramente inferior ao do ano passado, quando o orçamento foi de 23,4 milhões de patacas, embora esta edição se prolongue por mais um mês do que a anterior. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Uma obra que mostra o verdadeiro Bocage

O historiador Daniel Pires consegue reunir numa pequena biografia os acontecimentos mais importantes da vida do poeta                                                                  

 

                                                             I

Uma biografia sucinta, que abriga os principais aspectos de uma vida breve, porém repleta de acontecimentos inauditos que não impediram o poeta de construir uma obra marcante na história da literatura de língua portuguesa, é o que o leitor vai encontrar em O essencial sobre Manuel Maria de Barbosa du Bocage (Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda – IN-CM, 2025), do historiador, pesquisador e professor Daniel Pires, autor de outros livros sobre o biografado e coordenador e editor de vários trabalhos de divulgação da produção bocageana.

Escrito em linguagem fluente que não exige maiores atenções do leitor com numerosas notas de rodapé, esta obra destinada a um grande público é mais um esforço para reverter a desgastada imagem de Bocage (1765-1805) como poeta chocarreiro, visto apenas como autor de sonetos eróticos e piadas maliciosas. Esta é uma imagem que se foi construindo através de tempos imemoriais e que permaneceu inalterada até há alguns anos, mas que, agora, enfim, é revertida e cumpre a aspiração de alguns dos contemporâneos do poeta que seria a de elevá-lo à condição de um novo Luís de Camões (1524-1580).

Afinal, como diz Daniel Pires, trata-se de um autor de obra vastíssima, apesar de ter falecido aos 40 anos, que nos legou “composições que, pela sua universalidade, depuração formal e autenticidade são intemporais”. E que, como acrescentou, “cultivou, de forma inovadora e autêntica, a poesia, o drama e a tradução, pondo em causa cânones, aparentemente inamovíveis, contribuindo para a construção de outros mais consentâneos com o dinamismo que caracterizou a sociedade do século XVIII”.

Para o pesquisador, esse Bocage, “livre-pensador insubmisso, heterodoxo”, foi “um arauto do porvir”, ao anunciar algumas das medidas que, mais tarde, a Revolução Liberal de 1820 e o regime republicano implementaram. E que, “aliando o gênio poético à sede de pugnar por direitos humanos inalienáveis, ponderou questões fraturantes que continuam pertinentes na atualidade”.

 

                                                    II

A obra começa mostrando como eram a época e a terra natal do poeta, a cidade de Setúbal, além de fazer um retrospecto da família Barbosa du Bocage, da qual ele descendia, que incluía ascendentes franceses, como o capitão de mar e guerra Gilles Hedois du Bocage (1658-1727), que, em 1711, já integrado às forças armadas lusas, ajudou a defender o Rio de Janeiro de um ataque empreendido pelo comandante francês René Duguay-Trouin (1673-1736). Sua mãe, Mariana Joaquina Xavier Lustoff du Bocage (1725-1775), descendia desse cidadão. Já o seu pai, José Luís Soares de Barbosa (1728-1802), formado em Cânones, em 1749, pela Universidade de Coimbra, ouvidor em Beja, seria acusado (sem provas) de desviar a arrecadação da décima e teve de cumprir pena na cadeia do Limoeiro, entre 1771 e 1777.

A breve biografia avança a partir dos anos escolares de Bocage e a influência da família sobre sua formação, inclusive sobre a sua opção pela poesia desde cedo, já que o pai também compunha poesias. E uma tia-avó, madame Anne-Marie du Bocage (1710-1802), interlocutora de Voltaire (1694-1778) e poetisa de vulto, seria uma figura tutelar sempre lembrada em conversas familiares.

Em seguida, há um retrospecto da carreira de armas de Bocage a partir dos 16 anos de idade, como soldado do Regimento de Infantaria de Setúbal, de 1781 a 1783, bem como sua viagem para o Oriente, a partir de 1786, a bordo da nau Nossa Senhora da Vida, Santo Antônio e Madalena, mais conhecida apenas como Vida, que passou pelo Rio de Janeiro e seguiu para a Ilha de Moçambique, ancorando depois em Goa. Por lá, em 1789, seria promovido a primeiro-tenente do Exército, e mobilizado para Damão, onde desertou sem causa conhecida. Depois, passou por Cantão e chegou a Macau, antiga colônia portuguesa, região administrativa especial da China desde 1999, de onde regressou ao reino.

Em Lisboa, passou a frequentar cafés, botequins, casas de pasto, tabernas e o Passeio Público, mantendo contatos com pessoas que eram mal vistas pelo intendente-geral da polícia, Diogo Inácio de Pina Manique (1733-1805), que espalhava seus agentes, os chamados moscas, por todos os lados a pretexto de combater a subversão, especialmente aqueles que se mostravam adeptos das ideias propaladas pela Revolução Francesa de 1789. Seus versos passaram a correr de mão em mão e o levaram a aderir à Academia de Belas Letras com o nome arcádico de Elmano Sadino.

Logo, porém, acusado de aderir à maçonaria e de dispor de papeis “ímpios”, conheceria as agruras do cárcere em 1797 e, depois, em 1802. Antes, em 1799, a convite de dom Rodrigo de Sousa Coutinho (1755-1812), então ministro do Negócios da Marinha e Ultramar, passou a trabalhar como tradutor na Oficina do Arco do Cego, tendo perdido o único emprego regular que teve na vida, em 1801, quando a editora passou para a jurisdição da Impressão Régia.

 

                                                   III

O estado de saúde de Bocage agravou-se no início de 1805, talvez em razão de sua vida desregrada, que incluiria alimentação irregular, uso imoderado de álcool e de tabaco e até “relações sexuais de risco”, como diz o biógrafo. Até então, já havia publicado o terceiro tomo de suas Rimas. Em seus dias de desespero diante da morte iminente, por iniciativa de um amigo, publicou Improvisos de Bocage na sua mui perigosa enfermidade, cuja venda de seus exemplares o teria ajudado a enfrentar aqueles dias difíceis. Por essa época, ainda publicou Colecção dos novos improvisos de Bocage, mas o aneurisma nas carótidas, enfermidade letal na época, de que sofria aumentou sua pressão e o levou à morte em 21 de agosto de 1805, pelas 22 horas e quinze minutos, um sábado de muitas chuvas.

Além da biografia, Daniel Pires faz ainda uma análise depurada da extensa e multímoda obra do poeta, que incluía praticamente todos os gêneros poéticos da época, como soneto, ode, glosa, epicédio, canto, cantata, décima, oitava, ditirambo, elogio, elegia, epigrama e outros. Só sonetos seriam cerca de 400, “os quais obreiam, bastas vezes, com os de Camões”. Mas “cerca de um quinto de seus poemas só viu os prelos postumamente”, observa o biógrafo, advertindo, porém, que muitas das composições que lhe teriam sido atribuídas não seriam de sua lavra, ou seja, muitas seriam da autoria de elmanistas, “que imitavam o seu mestre com destreza”, inclusive composições de caráter erótico e até pornográfico, que a tradição erroneamente atribuiu a Bocage.

O biógrafo mostra ainda Bocage como crítico do catolicismo. E lembra que no poema “Pavorosa ilusão da eternidade”, que circulou clandestinamente, ele acusa “o catolicismo de constituir uma caricatura do cristianismo porquanto se transformara numa doutrina punitiva”. E lembra que nesse poema a concepção teológica do poeta é radicalmente diferente, como se constata nestes versos:

 

           Oh Deus, não opressor, não vingativo,

            Não vibrando com a dextra o raio ardente

           Contra o suave instinto que nos deste;

            Não carrancudo, ríspido arrojando

            Sobre os mortais a rígida sentença.

            A punição cruel, que excede o crime. (...)

            Há Deus, mas Deus de paz, Deus de piedade”.

 

Por fim, o biógrafo faz uma resenha das múltiplas homenagens que até hoje são prestadas ao poeta, como a inauguração de uma estátua em sua homenagem em Setúbal, em 1871, as comemorações em 1905 a propósito do centenário de sua morte e outras como a de 1965, aquando do bicentenário do seu nascimento, bem como a influência do poeta nas artes plásticas, no teatro, no cinema e na música. Em outras palavras: por estes ligeiros apontamentos se vê que o leitor irá encontrar nesta obra, de poucas páginas, um perfil muito bem acabado dessa “personalidade indelével da cultura portuguesa”.

 

                                                            IV

Doutor em Cultura Portuguesa pela Universidade de Lisboa, Daniel Pires (1951) é mais conhecido por suas pesquisas sobre Bocage, sua paixão literária, o que o levou a fundar em 1999 o Centro de Estudos Bocageanos, em Setúbal, além de defender tese de doutoramento a respeito da obra do poeta. Foi responsável pela edição da Obra completa de Bocage, publicada pela editora Edições Caixotim, do Porto, entre 2004 e 2007. 

Nascido em Lisboa, é licenciado em Filologia Germânica e já deu aulas de inglês no ensino secundário e foi professor em Setúbal. Sua paixão pela pesquisa e seu gosto pelo conhecimento já o levaram a trabalhar em São Tomé, Angola, Moçambique, Macau, China, Goa e Escócia. Em Macau, viveu por três anos, entre 1987 e 1990, onde atuou na Universidade local, e, mais tarde, ensinou na Universidade de Cantão, a cerca de 120 quilômetros de Hong Kong.

Tem realizado numerosas atividades, como colóquios, conferências, visitas guiadas e exposições, e desenvolvido intensa atividade editorial, tendo editado já dezenas de livros. É editor de Obras completas de Bocage (Lisboa, IN-CM, 2016-2018, 3 volumes, 4 tomos) e autor de Bocage ou o elogio da inquietude (Lisboa, IN-CM, 2019) e Fábulas de Bocage (Setúbal, Centro de Estudos Bocageanos, 2000).

Organizou e publicou a brochura da Exposição biobibliográfica comemorativa dos 230 anos de nascimento e dos 190 anos da morte de Bocage (Setúbal, Câmara Municipal de Setúbal/Biblioteca Pública Municipal de Setúbal, 1995). Com Fernando Marcos, preparou a edição de uma pasta com 15 belos cartões postais (sépia) sobre Bocage na prisão (Setúbal, Centro de Estudos Bocageanos, 1999), além de fazer parte das comissões que organizaram as comemorações do bicentenário da morte de Bocage, em 2005, e as comemorações dos 250 anos do nascimento de Bocage, em 2015. 

Acaba de publicar Obra de Bartolomeu de Gusmão (Lisboa, IN-CM, 2026), com quinze inéditos desse sacerdote secular nascido em 1685, em Santos, no Brasil, que ficou conhecido como padre voador, por ter inventado o primeiro aeróstato operacional (balão de ar quente), a “Passarola”, com o qual subiu aos céus em 1709, em Lisboa. Diplomata, poliglota e erudito, é considerado o primeiro cientista do continente americano. Morreu em 1724, em Toledo, na Espanha.

Daniel Pires publicou ainda o Dicionário da imprensa periódica literária portuguesa no século XX (Lisboa, Editora Grifo, 1996), constituído por três volumes.  Colaborou no Dicionário de História de Portugal e no Dicionário de Fernando Pessoa e é autor do Dicionário da imprensa de Macau do século XIX, trabalho iniciado em 1990 em que descreve todos os periódicos que foram publicados em Macau no século XIX, incluindo os jornais ingleses que, durante a Guerra do Ópio (1839-1842 e 1856-1860), saíram simultaneamente em Macau e em Cantão, e do Dicionário de imprensa periódica do Antigo Regime em Portugal (Lisboa, Theya Editores, 2024).

É autor de A imagem e o verboFotobiografia de Camilo Pessanha (Instituto Cultural do governo da Região Administrativa Especial de Macau/Instituto Português do Oriente, 2005), além de artigos sobre esse poeta nascido em Coimbra em 1867 e que, a partir de 1894, viveu em Macau, onde morreu em 1926. Escreveu também trabalhos sobre o poeta Wenceslau de Moraes (1854-1929).  E organizou Camões pequenoObra completa de Francisco Álvares da Nóbrega (2024), que reúne produções desse poeta madeirense nascido em 1773, em Machico, e falecido em 1806, em Lisboa. Adelto Gonçalves - Brasil

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O essencial sobre Manuel Maria de Barbosa du Bocage, de Daniel Pires. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 5,40 euros, 86 páginas, 2023. Site da editora: www.imprensanacional.pt E-mail: editorial.apoiocliente@incm.pt E-mail do autor: danielbrspires@outlook.pt 

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Adelto Gonçalves (1951), jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; LetraSelvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos. E-mail: marilizadelto@uol.com.br