Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Venezuela - 4 em 10 deslocados por terremotos estão nas ruas ou espaços públicos

Fome, disseminação de doenças e falta de abrigo adequado são algumas das ameaças após os tremores do último dia 24. Os serviços de saúde e necrotérios estão em estado de colapso, a ONU intensifica apoio às vítimas e serviços de resgate


As operações de busca e resgate continuaram na Venezuela nesta terça-feira, enquanto milhares de sobreviventes do terremoto tentam encontrar abrigo após terem perdido as suas casas.

Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas confirmaram 1719 mortes, pelo menos 5034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter.

Comida em falta

Seis dias após os sismos, "a escassez de alimentos é generalizada" em La Guaira, o estado mais afetado, segundo a agência da ONU para refugiados, Acnur.

A porta-voz da entidade, Carlotta Wolf, afirmou nesta terça-feira que “os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi amplamente interrompida”.

Ela ressaltou que as tensões dentro das comunidades estão a aumentar devido à dificuldade de acesso à assistência.

Abrigos abaixo do padrão

Uma avaliação rápida das necessidades realizada pelo Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo mostrou que metade dos entrevistados estava abrigada com vizinhos ou parentes após o desastre.

Além disso, quase quatro em cada 10 estão a viver nas ruas e espaços públicos, e outros em igrejas, escolas ou instalações improvisadas.

Carlotta Wolf alertou que “esses abrigos improvisados ​​não atendem aos padrões mínimos de proteção”, em termos de privacidade, espaços seguros e níveis básicos de higiene e conforto.

A porta-voz do Acnur também expressou preocupação com a presença de crianças desacompanhadas e separadas das famílias.

Caos no sistema de saúde

Já o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Christian Lindmeier, disse que “os serviços de saúde estão sob extrema pressão neste momento”.

Segundo ele, o aumento nos casos de trauma ultrapassa a capacidade das instalações de saúde.

No sábado, a OMS analisou dados de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, concluindo que três estão "em estado crítico", seis apresentam danos estruturais ou estão parcialmente funcionais e as restantes "permanecem operacionais sob grande pressão".

Lindmeier alertou para a “prestação de serviços caótica” e fluxos de pacientes, marcados por superlotação, crescentes atrasos cirúrgicos, falha nas medidas de biossegurança e equipa severamente estressada.

O porta-voz da OMS também destacou "lacunas críticas" na prestação de cuidados de saúde, incluindo o colapso dos serviços forenses e de necrotérios, bem como o registo inadequado de vítimas e de pessoas desaparecidas.

Doenças podem espalhar-se

A OMS afirma ainda que há um risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria, coqueluche, além de febre amarela e outras doenças transmitidas por vetores e pela água, incluindo dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.

Lindmeier explicou que muitos dos deslocados estão sob alto risco, devido à baixa cobertura vacinal antes do terremoto e ao acesso limitado às vacinas atualmente.

Ele adicionou que vários profissionais de saúde em La Guaira continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis ​​por cuidados maternos na região, o que criou uma lacuna crítica na assistência obstétrica.

A resposta da ONU em números

  • Libertou US$ 15 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências
  • Estabeleceu três centros de atendimento em La Guaira para famílias que perderam as suas casas
  • O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, está a coordenar a mobilização de 27 países e mais de 40 equipas de busca e salvamento
  • O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem mais de 3 mil toneladas de alimentos em stock no país, quantidade suficiente para alimentar cerca de 10 mil famílias por dois meses.
  • A Unicef mobilizou pessoal e suprimentos adicionais para atender cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças. Para viabilizar uma resposta imediata, alocou US$ 1,5 milhão dos seus recursos internos e US$ 1 milhão do Fundo Temático Humanitário Global
  • A Organização Internacional para as Migrações, OIM, está se preparando para distribuir os seus suprimentos nas áreas de maior necessidade
  • A Organização Mundial da Saúde, OMS, por meio da Organização Pan-Americana da saúde, Opas, já avaliou as condições de sete unidades de saúde, determinando necessidades de medicamentos, oxigénio, combustível e outros consumíveis essenciais. Além disso, está a mobilizar equipas médicas especializadas. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Brasil - Missão da ONU vai avaliar proteção de povos indígenas isolados

Os especialistas reunir-se-ão com lideranças para debater políticas públicas e estratégias de proteção, sugestões deverão fortalecer a proteção dos direitos dos povos nativos


Relatores independentes da ONU realizarão missão no Brasil para orientar organizações locais sobre a proteção de direitos dos povos indígenas em situação de isolamento.

A visita está prevista para as regiões Norte e Centro-Oeste, com encontros junto a autoridades e representantes indígenas.

Parceria com organizações locais

A iniciativa será feita em parceria com o Grupo de Trabalho Internacional de Proteção de Povos Indígenas em Situação de Isolamento e Contato Inicial, Gti-Piaci, aliança entre 21 organizações indianistas da América do Sul.

Durante dez dias, os especialistas visitarão a Terra Indígena Uru-eu-wau-wau, em Rondônia, e a capital do país, Brasília.

Nesses locais, eles reunir-se-ão com representantes indígenas, autoridades estaduais e federais, instituições de direitos humanos e entidades da sociedade civil.

Proteção dos direitos

Os objetivos incluem promover e proteger os direitos dos povos indígenas, avaliar boas práticas e desafios, além de sugerir leis, políticas e programas.

Entre as prioridades estão medidas protetivas especiais, avanço na demarcação de territórios e apoio à criação de marcos legais e políticos nacionais e transfronteiriços.

Ao final da visita, os relatores deverão publicar uma nota técnica com recomendações para o fortalecer a proteção dos direitos dos povos indígenas, em alinhamento com padrões internacionais de direitos humanos. ONU News – Nações Unidas

Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Brasil - Expande manejo sustentável de florestas, diz ONU

Relatório indica que entre 2020 e 2025, a área sob concessões federais saltou de 1,05 para 1,59 milhão de hectares, o Brasil também lidera Fundo para captar US$ 125 mil milhões em proteção de áreas verdes


A área florestal global diminuiu em mais de 40 milhões de hectares entre 2015 e 2025, de acordo com um novo relatório divulgado pela ONU nesta segunda-feira.

O Relatório Global de Florestas de 2026 afirma que, embora alguns países estejam a reforçar políticas de proteção das matas, o financiamento para a gestão florestal sustentável permanece muito abaixo das necessidades estimadas. O estudo foi divulgado na abertura do Fórum sobre Florestas, que acontece na sede da ONU.

Áreas verdes

Mas em algumas partes do globo, a tendência é ao revés. O Brasil, que aparece em segundo lugar no ranking de países com a maior quantidade de florestas no mundo, conseguiu ampliar o manejo sustentável.

Entre 2020 e 2025, o país que concentra 12% das áreas verdes no mundo, expandiu os territórios de florestas sob concessões federais de 1,05 para 1,59 milhão de hectares e aumentou significativamente a zona florestal sob planos de manejo sustentável de longo prazo.

Esse processo produziu mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira com origem garantida e rastreabilidade total, gerando mais de US$ 41,6 milhões, ou R$ 217 milhões, em receitas.

Instituto Chico Mendes

A iniciativa foi coordenada pelo Serviço Florestal Brasileiro, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O objetivo é assegurar o uso racional dos recursos florestais, a conservação da biodiversidade e a geração de benefícios para as comunidades locais.

O documento cita ainda o Fundo “Florestas Tropicais para Sempre”, TFF, lançado pelo Brasil em torno da 30.ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP30, com a meta de captar US$ 125 mil milhões junto a fundos soberanos e investidores institucionais.

Florestas Tropicais para Sempre

A iniciativa pretende proporcionar um financiamento previsível e com horizonte de várias décadas. Se totalmente capitalizado, o TFF poderia apoiar a proteção de mais de 1 bilhão de hectares de florestas tropicais em mais de 70 países em desenvolvimento.

O documento afirma que mecanismos inovadores de financiamento, instituições mais fortes e cooperação intersetorial são essenciais, num contexto em que pressões ligadas ao uso da terra, impactos climáticos, incêndios florestais, pragas e atividades ilegais continuam a ameaçar as florestas em muitas regiões. ONU News – Nações Unidas


sábado, 9 de maio de 2026

Nações Unidas - Festa do português projeta a voz de 300 milhões

A semana de celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa termina num encontro de culturas com altos funcionários da organização incluindo o secretário-geral da ONU, diplomatas e representantes da diáspora na exaltação da força do idioma e da conexão lusófona


Na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, a semana de comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa terminou com um vibrante encontro de culturas, na noite de 7 de maio.

Altos funcionários da ONU, liderados pelo secretário-geral António Guterres, juntaram-se a diplomatas, convidados internacionais e residentes da diáspora nos Estados Unidos para demonstrar afeto por um idioma que conecta quase 300 milhões de vozes em todos os cantos do globo.

Conversas e exposição fotográfica

O espaço conhecido como Sputnik, na entrada da Assembleia Geral da ONU, transbordava diversidade. Eram vozes de todos os cantos, unidas pelo fascínio às nuances da lusofonia. Uma delas é a francesa Victoire Mandonnaud, habituada a transitar entre o francês, o inglês e o espanhol, e intrigada pela musicalidade da língua portuguesa, ela contou que expressão admira mais na língua portuguesa.

Esta foi a sétima comemoração anual desde que a data foi instituída pela Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, em 2019. Ao longo da semana, o edifício abrigou conversas, uma exposição fotográfica e finalizou um ano de mais de 20 intervenções em português.


A festa na entrada do salão da Assembleia Geral reuniu participantes atraídos pelo crescimento do idioma, pelo aumento do interesse de Estados observadores e pela expansão da influência lusófona no cenário global com países emergentes e com trânsito em quatro continentes.

Grande celebração

O ambiente descontraído logo abriu espaço para um banquete com pratos típicos, diversão e tudo o que se espera de uma grande celebração.

Dando início oficial ao evento, Mônica Grayley saudou os presentes lembrando a ocasião que celebrava a diversidade do bloco que partilha não apenas uma herança, mas as culturas e os povos que falam português e outras línguas locais.

“Bem-vindos, excelências, senhoras e senhores, e bem-vindos, caros amigos e colegas, à nossa celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa e da diversidade cultural dentro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP. Meu nome é Mônica Grayley. E hoje é Dia de Festa.”

Um marco histórico e o futuro na ONU

O embaixador Dionísio Babo Soares, de Timor-Leste, que ocupa a Presidência da CPLP, em Nova Iorque, foi o primeiro a discursar. E anunciou que em breve, o português será ensinado aos diplomatas da ONU.

“Este ano, assinalamos também um marco particularmente significativo, o 30.º aniversário da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa. Ao longo destas três décadas, a ONU afirmou-se como um espaço de concertação político-diplomática entre países unidos por uma língua comum. Nesse espírito, estamos a trabalhar no lançamento de um curso de língua portuguesa, a partir de setembro de 2026, dirigido a funcionários das Nações Unidas e delegados em Nova Iorque, com o objetivo de reforçar o uso da nossa língua no sistema multilateral.”

Solidariedade e multilateralismo

O convidado de honra da festa foi o secretário-geral da ONU, António Guterres. Segundo ele, o trabalho da CPLP é um pilar de diálogo, cooperação e parcerias, elementos vitais no atual cenário global. E a ONU News assim como outras equipas de língua portuguesa pelo mundo reforçam a amizade da ONU com as pessoas.

“Neste mundo marcado pela divisão e pela desconfiança, uma comunidade de nações distribuídas por quatro continentes representa, por si só, uma afirmação serena, mas poderosa. Um sinal claro de solidariedade e de confiança naquilo que é possível construir em conjunto. É este o espírito que as Nações Unidas hoje mais necessitam. O trabalho desenvolvido em língua portuguesa na ONU Notícias, bem como pelas nossas equipas em todo o mundo lusófono, contribui para aproximar as Nações Unidas das pessoas que servimos. O multilinguismo não se reduz a uma questão de cortesia, é uma condição especial para a compreensão entre povos, para a confiança entre os países e para um multilateralismo capaz de produzir resultados. E a CPLP é a expressão desta mesma atitude.”


A universalidade da língua é exaltada por aqueles que a observam de perto. A embaixadora do Catar, Alya Ahmed Saif Al Thani, lidera os representantes de 30 países observadores associados da CPLP, em Nova Iorque.

Ela disse que a língua portuguesa é falada por cerca de 300 milhões de pessoas em quatro continentes. É uma ponte de vida entre culturas, um veículo para a história compartilhada e um instrumento poderoso para o diálogo, a compreensão e a cooperação.

Na intervenção, ela lembra das ricas conexões históricas entre a língua árabe e a portuguesa, formadas por séculos de intercâmbio marítimo, aprendizagem de comércio e interações culturais compartilhadas.

A nação árabe orgulha-se de que muitas palavras do seu idioma estão cravadas na língua portuguesa.

Força do Sul Global

Um dos coorganizadores do evento, o Brasil, foi representado pelo embaixador, Sérgio Danese. Para ele, o idioma ajuda a afirmar a defesa de interesses dos países em desenvolvimento do bloco.

“Eu acho que é um momento de celebração, é um momento de reflexão também sobre como nós podemos utilizar ainda melhor a nossa língua para fazer essa união, que nos ajuda tanto no multilateralismo, nesse momento em que é tão necessário que nós reforcemos a ONU e as instituições multilaterais em geral.”

Já Djazalde dos Santos Aguiar, representando São Tomé e Príncipe, ecoou esse sentimento, descrevendo o português como um património inestimável, vital para a cultura, o saber e a escrita.

“É uma língua extremamente rica, é uma língua extremamente importante, sobretudo no Sul, quando é uma das mais faladas. E é, como digo, um património inestimável que nós todos devemos abraçar, devemos proteger e devemos continuar a reforçar a sua importância e a sua dinâmica. E se vê em vários fóruns multilaterais, a língua portuguesa, os países de expressão portuguesa têm sempre uma presença imprescindível, uma presença muito forte e conseguem obter resultados. A língua portuguesa transporta, mesmo no nível da cultura, no nível da literatura, no nível do cinema, das artes, quer dizer, está presente em todas as dinâmicas da vida e do mundo contemporâneo internacional. Absolutamente, ela continua atual, presente e com força.”

Ritmo que define os falantes

Com mais eventos previstos para este ano, em celebração aos 30 anos da CPLP, que serão marcados em julho, a noite nas Nações Unidas não poderia terminar de forma diferente: embalada por harmonia vocal e clássicos da Bossa Nova.

A música do Duo Bossa Brasil, da nação com o maior número de falantes, ecoou pelos salões da ONU, colorindo aquele pedaço de Nova Iorque com harmonias.

Na instituição global, a comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa carregava a prova viva de que a língua portuguesa não apenas se fala cada vez mais; ela se sente, se canta e promove união. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 5 de maio de 2026

Nações Unidas - No Dia Mundial da Língua Portuguesa, a ONU celebra poder e alcance do idioma

Em mensagem, o secretário-geral das Nações Unidas destaca o português como pilar diplomático. A secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, reforça aposta em democracia e novos rumos, já os criadores de conteúdos exaltam a língua como ponte para descobertas


Neste 05 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa, as Nações Unidas enfatizam o papel estratégico do idioma como uma ferramenta de multilateralismo e entendimento entre nações.

A mensagem do secretário-geral, António Guterres, aponta o multilinguismo como a base para a compreensão mútua em tempos de fragmentação global.

Renovação constante

O líder da ONU ressalta a pluralidade de vozes, de São Paulo a Díli, de Lisboa a Maputo, como a maior força de uma língua que se renova constantemente e carrega, nas palavras do poeta cabo-verdiano Corsino Fortes, a pátria dentro.

Durante a sua última entrevista à ONU News sobre o tema, em 2023, o líder das Nações Unidas destacou a força do idioma na disseminação de uma cultura de paz.

"É a riqueza da diversidade. Eu estou a ouvi-la falar em português do Brasil e é muito diferente no som do português que eu falo, mas é isto que é a nossa riqueza comum. A língua portuguesa está em quatro continentes e é uma ponte de união entre mulheres e homens de todo o mundo e que podem utilizar a língua portuguesa para incrementar o diálogo e a cooperação internacional e para serem todos eles fatores de paz. Porque a paz é o bem mais precioso e, infelizmente, é um bem que estamos longe de dar por adquirido neste momento."

Língua, cultura, histórias e tradições

Este ano, as celebrações destacam o 30.º aniversário da CPLP, em julho. Na presidência do bloco, Timor-Leste reafirma a consolidação democrática e o desenvolvimento de planos para o bem-estar comum.

Em pronunciamento antes do Dia Mundial da Língua Portuguesa, o embaixador de Timor-Leste na ONU, Dionísio Babo Soares, falou do impacto deste 05 de maio.

“O português liga-nos através de uma língua comum, mas também de culturas, histórias e tradições diversas. É uma língua moldada por muitas vozes, em diferentes geografias e gerações. Aqui nas Nações Unidas, os países da língua portuguesa são participantes ativos no multilateralismo, na promoção da paz e segurança, no desenvolvimento sustentável e na defesa e promoção do direito internacional. Neste espaço, a nossa língua continua a ser uma ponte para o diálogo e a cooperação.”

O grande marco da internacionalização do português ocorreu em 2019, quando a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, oficializou a data global. O dia era celebrado pela CPLP desde 2009.

Consolidando a união estratégica entre as nações

Mais do que um código de comunicação, a língua portuguesa é o fio invisível que costura oceanos, aproxima culturas e projeta o futuro, enfatiza a mensagem da secretária executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim.

De Lisboa, a líder do bloco lusófono destaca que a celebração visa, não apenas um legado histórico, mas a vitalidade de um idioma que se reinventa a cada sotaque e consolida a união estratégica entre as nações.

“A língua é a esperança viva e próspera para um futuro melhor, para a promoção da cidadania, para a criação de oportunidades, para o fortalecimento dos laços de colaboração e entre as nossas nações. Neste dia de celebração, é com grande apreço e reconhecimento que saúdo a promoção de iniciativas por todos os Estados-membros da CPLP, pelos grupos junto das organizações internacionais, pelos observadores associados, pelos observadores consultivos, pelas nossas diásporas, pelas nossas sociedades, que são atores e parceiros fundamentais para fortalecermos e difundirmos a língua portuguesa e a diversidade que nos une como uma verdadeira comunidade de países e povos que somos.”

Vivendo o quotidiano de milhões de falantes espalhados por quatro continentes, a ONU News também ouviu jovens que têm na festa do português o festejo de uma herança e de um “espaço de pertença” que ignora fronteiras geográficas.

Português de influenciadores

A influenciadora digital síria, Nabila Yousif, considera a língua portuguesa como algo que vai muito além de uma ferramenta de comunicação por se tornar o portal para uma nova vida. Ela atua a partir do solo brasileiro.

“Quando eu cheguei aqui no Brasil, na verdade, né. Eu não tinha opção. Era obrigatório ou aprender ou aprender. E aí, a partir da primeira semana, comecei eu mesma a estudar sozinha. E aí, decidi fazer um grande investimento. Falei, meu pai colocou para nós uma professora para ensinar a gente eu e as minhas irmãs. Fazia aulas intensivas três vezes por semana, e eu estudava quase 24 horas por dia, assim, sem parar. Estudava o tempo inteiro. Começava a escutar músicas do Luan Santana, sem entender. Eu assistia novelas, Carminha, Salve Jorge. Também não entendia nada, mas eu colocava lá na televisão e fazia assim, tipo, intensivo.”

DNA de uma cultura

Já o jovem angolano Baptista Miranda vê na língua o DNA de uma cultura. Para ele, falar português no Brasil é um exercício constante de descoberta.

“Esse lado do pessoal achar que o africano não. Talvez em África não tenha países que falam português, porque realmente não se propaga muito essa informação. É muito desconhecido. Então, eu fico muito feliz em ser uma das pessoas também que leva essa mensagem para diante, que tem mais de cinco, seis países em África que falam português, e tem culturas diferentes. Então, eu gosto muito disso.”

Ao ser declarado o Dia Mundial da Língua Portuguesa pela Unesco, o idioma de um universo de cerca de 300 milhões de pessoas em quatro continentes foi elevado ao status de património global e reconhecido o seu papel essencial no diálogo entre civilizações. Eleutério Guevane – Moçambique ONU News


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Brasil - Líder indígena afirma que o país pode ter o primeiro partido político dos povos indígenas

Marcos Terena, do Mato Grosso do Sul, participou no Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, na ONU, em Nova Iorque. Segundo ele, o sonho de criar uma legenda partidária para defender os povos originários “não morreu” e continua a ser debatido por vários representantes indígenas de norte a sul do país


O Brasil pode ver nascer, nos próximos quatro anos, o primeiro partido político dos povos indígenas. O objetivo é criar uma legenda para representar os povos originários nos mais altos escalões do poder e decisões nacionais, que afetam a vida de todos os cidadãos brasileiros.

A declaração é do líder indígena Marcos Terena. Nascido no Mato Grosso do Sul, ele integra a luta pelos direitos dos povos indígenas, há várias décadas, inclusive em Brasília, onde vive e trabalha.

Mais de mil indígenas na ONU

Terena veio a Nova Iorque para participar da 25.ª Sessão do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas. Este ano, o encontro debateu o acesso à saúde para os indígenas incluindo durante conflitos.

Nessa entrevista à ONU News, Marcos Terena garantiu que o sonho de fundar o próprio partido não morreu para os indígenas e está a ser debatido por lideranças da causa de norte a sul do Brasil.

“O indígena, hoje no Brasil, tem ideologia também de esquerda, de direita. Tem muita gente que apoia o agronegócio. Tem muita gente que apoia o movimento de esquerda, né? Mas a construção do Partido Indígena, talvez quando esses indígenas se elegerem, seja possível através de uma recomendação dos próprios indígenas. Eu espero que sejam eleitos nessa eleição como senadores, como deputados federais e estaduais também.

ONU News: Então o sonho ainda existe?

Marcos Terena - Existe. A gente não pode matar esse sonho. Esse é um sonho de representação. Você imagina um Parlamento indígena com 300 membros que não são necessariamente partidários, mas que são 300 membros que vão representar sociedades indígenas distintas, línguas distintas dentro do Congresso Nacional?”

Pobreza extrema e conceito ideológico

O Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas foi aberto pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e pela presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock. Com mais de mil indígenas e integrantes da sociedade civil.

Guterres lembrou que os povos indígenas representam 6% de toda a população global e quase 19% das pessoas que vivem em pobreza extrema no mundo.

À margem do evento, com mais de mil pessoas, Marcos Terena contou que há avanços registados não somente no Brasil, como em outras partes do mundo, mas que somente uma força política dedicada aos povos originários poderia levar mais melhorias à vida dos indígenas brasileiros

Para Marcos Terena, que participou da criação do Fórum Permanente sobre Assuntos dos Povos Indígenas, em 2006, na sede da ONU, é preciso ainda criar “um conceito ideológico indígena” dentro do Brasil para que as crianças possam saber, desde pequenas, que são parte de uma nação advinda desse grupo étnico e de outros como europeus e africanos. Uma lição que iria além dos atuais livros escolares que retratam este encontro de culturas e raças.

Línguas esquecidas ou rejeitadas?

“A educação que é levada para as crianças hoje na aldeia é a educação formal levada do homem branco para os indígenas. Ou seja, não há uma educação nascida do sistema educacional de cada comunidade. Se fosse, seria uma maravilha porque prepararíamos as nossas crianças a não esquecer a língua. A primeira coisa que o indiozinho esquece é a língua porque ele tem de aprender o famoso bê-á-bá do português. Então, quando ele chega ali no Ginasial, ele já não quer mais falar (a língua indígena). Ele pode até entender. Como é o meu caso da criança. Tem vergonha da sua língua, da sua origem, da sua tradição. O sistema de educação é cruel. Ele anula a cabeça do indígena. Tira a gente de uma situação de dignidade indígena, dos vários povos e transforma ele num zumbi, andando de lá para cá no meio da cidade.”

Ministério e Câmara

Em fevereiro deste ano, a página do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, no Brasil, divulgou um artigo sobre a presença de representantes indígenas em audiências públicas da Corte.

Presentes a um encontro em Brasília, representantes dos povos Tikuna, da Amazónia, e Fulni-ô, de Pernambuco, defenderam mais candidaturas de indígenas. O evento incluiu interpretação das línguas indígenas tikuna, yaathe (fulni-ô) e kaingang.

Em 2018, o Brasil elegeu a primeira mulher indígena para a Câmara de Deputados, Joênia Wapichana. O primeiro deputado indígena da Câmara foi Mario Juruna, que venceu o pleito em 1982.

Há três anos, foi criado o Ministério dos Povos Indígenas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Ministério, o Brasil tem 305 povos indígenas e uma população de mais 1,7 milhão de pessoas. Monica Grayley – Brasil ONU News


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Guiné-Bissau - ONU chocada com assassinato de ativista da sociedade civil

Vigário Luís Balanta foi espancado até à morte, o porta-voz do movimento Po di Terra foi um dos apoiantes das marchas de dezembro para pedir restauração da ordem constitucional após o golpe de Estado no país, em 26 de novembro de 2025


O Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas emitiu um comunicado expressando choque pelo “assassinato brutal” de um ativista da sociedade civil na Guiné-Bissau.

Segundo o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos em Nairobi, Seif Magango, o corpo de Vigário Luís Balanta, 35 anos, foi encontrado num local ermo, a 30km da capital Bissau, com marcas de espancamento. Em nota, a ONU pediu às autoridades de facto da Guiné-Bissau que investiguem, urgentemente, o assassinato de forma imparcial, que leve os responsáveis à Justiça.

Opositores presos, rádios fechadas

Balanta era líder do movimento Po di Terra e participou ativamente na organização de um protesto popular no fim de dezembro pedindo o retorno da ordem constitucional.

Um mês antes, em 26 de novembro de 2025, a Guiné-Bissau havia sofrido um golpe de Estado que tirou do poder o presidente Umaro Sissoco Embaló e prendeu o líder do PAIGC, o maior partido político do país, Domingos Simões Pereira, além de outros nomes da oposição guineense.

Para o Alto Comissariado da ONU, o assassinato de Vigário Luís Balanta ocorre num momento de uma crescente redução do espaço cívico e democrático.

Membros da oposição, defensores de direitos humanos estão a ser detidos arbitrariamente, atacados, assediados e intimidados.

Existe ainda uma repressão a protestos e suspensão de emissoras de rádio, que são um importante meio de comunicação na nação africana de língua portuguesa.

Restaurar ordem constitucional

Segundo agências de notícias, o líder da oposição e ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira teria reagido com tristeza e indignação ao assassinato do ativista Vigário Luís Balanta.

Simões Pereira está em prisão domiciliar após ser detido no dia do golpe de Estado e passar dois meses detido pelas autoridades militares da Guiné-Bissau.

Para os relatores de direitos humanos da ONU, esses atos não condizem com as obrigações dos direitos humanos internacionais da Guiné-Bissau e devem cessar imediatamente.

E as autoridades guineenses devem tomar providências para restabelecer a ordem constitucional. ONU News – Nações Unidas


sábado, 31 de janeiro de 2026

Moçambique - Membros da ONU discutem reforço urgente da resposta às cheias

As Nações Unidas pedem mais recursos e elogiam coordenação das atividades com parceiros após semanas de enchentes no sul e centro. As organizações humanitárias pedem US$ 187 milhões para ajudar 600 mil afetados com foco nos que estão mais expostos ao perigo


As chuvas intensas que causaram inundações em Moçambique e no sul da África foram tema de uma reunião dos Estados-membros realizada nesta sexta-feira pelo Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha.

A diretora das Operações de Emergência, Edem Wosornu, informou que Moçambique teve 700 mil vítimas do desastre. No total, cerca de 800 mil pessoas foram afetadas em 10 países pelas inundações que também causaram mortes na África do Sul, Maláui, Lesoto e Zimbábue.

Desastres relacionados ao clima

A representante do Ocha disse que vários meios de preparação e coordenação estão sendo fornecidos, além de equipamentos de assessoria que foram postos à disposição das autoridades. Ela destacou que as atuais inundações são um forte lembrete de que desastres relacionados ao clima se tornam mais frequentes, intensos e destrutivos.

O embaixador de Moçambique junto à ONU, Domingos Estêvão Fernandes, reiterou o pedido de apoio ao país apelando que continue a ajuda, solidariedade, flexibilidade e auxílio financiado e sustentável para atuar em três frentes.

O representante permanente disse que primeiro é necessária ajuda para que os afetados possam sobreviver, seguida de ações de limpeza, segurança alimentar, abrigo e proteção.

Em segundo lugar, é preciso investir em intervenções de recuperação para a prevenção de crises em vários sectores, incluindo deslocamentos, desastres, segurança alimentar, limpeza de resíduos, proteção, educação, meios de sobrevivência, infraestrutura crítica e degradação ambiental.

Por fim, o diplomata destacou a necessidade de investimentos que fortaleçam a preparação para desastres naturais, incluindo sistemas de alerta e ação antecipada. Ele defendeu também o reforço da resiliência para a recuperação após eventos extremos causados pelo clima.

Recuperar da tragédia com dignidade

A chefe da ONU em Moçambique, Catherine Sodzi, disse ter visitado Xai-Xai, na província de Gaza, e as vítimas disseram ter o desejo de recuperarem da tragédia com dignidade. Ela pediu fundos da comunidade internacional ao chamar a atenção para a necessidade de mobilizar mais apoio para atender os pedidos que continuam altos.

A também coordenadora de auxílio no país disse que os parceiros do setor lançaram um apelo para revisão do Plano de Resposta para as Necessidades Humanitárias.  A ONU busca US$ 187 milhões para ajudar 600 mil pessoas com um foco nos mais vulneráveis, incluindo crianças, mulheres, idosos, pessoas com deficiência e deslocadas.

Entre as prioridades da atuação da ONU estão segurança alimentar, saúde, água, saneamento, higiene, educação, proteção, logística e coordenação.

Num evento separado, em Genebra, a Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, disse que a forte queda de chuvas das últimas semanas deixou milhares de moçambicanos esperando por resgate, durante várias horas e até dias, em telhados de casas.

Condições extremamente difíceis

Acima de 400 mil pessoas que já haviam sido deslocadas pelas inundações tiveram de fugir novamente das suas áreas em condições extremamente difíceis.

Mais de meia centena de mulheres em locais de alojamento relataram os riscos de contrair doenças, violência sexual e de género, além da exploração dos acolhidos, particularmente mulheres e crianças. As mais de 100 mil pessoas vivendo nesses locais incluem famílias que foram separadas durante o salvamento.

O Acnur apoia as ações de resposta liderada pelo governo cobrindo infraestruturas importantes, como estradas, escolas e centros de saúde que foram destruídas.

Como parte da comunidade humanitária, a agência destaca o exemplo moçambicano de combate às alterações do clima, após ter sido marcado por inundações arrasadoras nos últimos 15 anos.

O Acnur fez contacto com pessoas que já haviam sido deslocadas três vezes e, a cada vez, perdiam casas, pertences, meios de subsistência e terras agrícolas. Todas estavam apreensivas por não terem sido capazes de semear a tempo na atual época de plantio.

Efeitos sociais e económicos

Com o conflito no norte de Moçambique, o desafio das enchentes torna-se mais uma situação de crises. A preocupação é com os efeitos sociais e económicos gerados pela fragilidade caso a situação piore.

O diretor de Preparação e Resposta a Emergências do Programa Mundial de Alimentos, WFP, Ross Smith, destacou a colaboração com o Acnur e o governo nas ações que acontecem no terreno.

A agência participou na preparação e no apoio à resposta, na divulgação de mensagens de alerta precoce e no reposicionamento de suprimentos que aceleram a chegada do auxílio da comunidade humanitária.

No terreno há grandes restrições de acesso, mas tem sido ampliada a resposta para apoiar mais de 450 mil afetados. A agência contou ainda que lida com a logística, incluindo o fornecimento de aeronaves, helicópteros e veículos anfíbios para alcançar pessoas em áreas inacessíveis.

Capacidade limitada

Outro constrangimento são os mais de 1,5 mil km de estradas destruídos e completamente inutilizáveis. O WFP compra alimentos usando recursos locais para interagir com fornecedores.

A dimensão do desastre é semelhante aos daqueles vistos no sudeste asiático, segundo a agência. Neste contexto, o WFP atua com capacidade limitada no terreno, pela crise de financiamento que obriga a atuar com 40% menos recursos do que em 2025. ONU News – Nações Unidas



segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Timor-Leste - Discute com parceiros combate à corrupção e crime transnacional

O chefe da diplomacia de Timor-Leste, Bendito Freitas, reuniu-se esta semana com a Interpol, a Austrália e a ONU para reforço da cooperação no combate à corrupção e ao crime transnacional, anunciou ontem o Governo timorense


Os encontros foram realizados em Doha, Qatar, à margem da 11.ª sessão da Conferência dos Estados Parte da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, que começou segunda-feira e terminou ontem.

“A Interpol manifestou disponibilidade para apoiar Timor-Leste na capacitação de recursos humanos, com vista ao reforço das competências nacionais no combate à corrupção, ao crime organizado e ao crime transnacional, incluindo por mecanismos regionais da ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático] e do recurso a tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, aplicadas à investigação criminal”, pode ler-se na informação do executivo timorense.

Com a Austrália, o ministro dos Negócios Estrangeiros timorense abordou o futuro “estabelecimento de uma parceria de cooperação bilateral” naquelas áreas.

O encontro permitiu também “trocar pontos de vista sobre a identificação de necessidades de capacitação de recursos humanos, em particular para investigadores, bem como sobre a partilha de experiências e boas práticas, incluindo no contexto da cooperação com os Estados-membros da ASEAN”.

Bendito Freitas esteve também reunido com uma equipa do Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para “discutir mecanismos de combate ao jogo ilícito, ao branqueamento de capitais, crimes relacionados com drogas e a utilização de tecnologias digitais e de inteligência artificial, tanto a nível regional como em Timor-Leste”. “As partes analisaram possibilidades de cooperação no domínio da capacitação técnica e do reforço das capacidades institucionais, incluindo a utilização de equipamentos forenses para a investigação e deteção de crimes transfronteiriços”, salienta o Governo.

A UNODC convidou o Governo de Timor-Leste para participar numa conferência internacional sobre o combate ao jogo ilícito e ao contrabando, a realizar-se em Viena, em 2026.

Nos encontros participaram também o Comissário da Comissão Anticorrupção, Rui Pereira dos Santos, o diretor nacional da Polícia Científica de Investigação Criminal, Vicente Brito, a procuradora-geral adjunta da República, Angelina Saldanha, e a deputada Virgínia Ana Belo.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alertou em setembro para a proliferação de redes criminosas em Oecussi, enclave timorense no lado indonésio da ilha de Timor, salientando que as recentes investigações mostram uma contaminação da região.

O documento da UNODC foi divulgado após uma investigação das autoridades timorenses que resultou na detenção de 10 pessoas por suspeita de envolvimento em atividade de exploração de jogos ilícitos e de burla informática em Oecussi.

No mesmo relatório, a UNODC afirma também que uma pessoa “que ocupa um cargo no governo de Timor-Leste” é um dos donos de um hotel que “parece acolher empresas” com atividade criminosa.

Na sequência daquela denúncia pública, o Governo timorense determinou cancelar as licenças concedidas para exploração de jogos e apostas ‘online’, bem como proibir a atribuição de novas licenças, devido a riscos para a segurança e estabilidade social.

Este mês, as autoridades timorenses encerraram a casa de jogos Lotaria Dragon, em Díli, bem como os escritórios da empresa Capital Ventures Timor por suspeita de jogo ilegal. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Filipinas - Pondera usar convenção da ONU para extraditar ex-deputado de Portugal

O Governo das Filipinas disse que pondera recorrer a um tratado anticorrupção da ONU para localizar e extraditar o ex-congressista Elizaldy Salcedo Co, que as autoridades de Manila acreditam estar em Portugal, foi divulgado esta semana

O antigo deputado, mais conhecido por Zaldy Co, é alvo de um mandado de detenção por alegado envolvimento no escândalo dos “projetos-fantasma” de infraestruturas para o controlo de cheias.

Dezenas de proprietários de empresas de construção, funcionários do Governo e representantes eleitos em todo o arquipélago são acusados de desvio de fundos ou de execução de projetos de baixa qualidade.

Em 24 de novembro, o Governo anunciou a detenção de oito funcionários do Ministério das Obras Públicas e Estradas, acusados de estarem ligados aos chamados “projetos-fantasma”.

A figura mais destacada, Zaldy Co, fugiu do país e divulgou vídeos acusando o Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., de ser um dos principais beneficiários dos esquemas de corrupção. Marcos Jr. classificou a campanha de Zaldy Co como um exemplo de “notícias falsas”.

Em 1 de dezembro, o secretário para o Interior das Filipinas, Jonvic Remulla, disse acreditar que Zaldy Co está em Portugal. “Há suspeitas de que possua um passaporte português obtido há muitos anos”, explicou.

Na segunda-feira, a assessora de imprensa presidencial e subsecretária Claire Castro afirmou que Manila está a estudar uma proposta do senador Panfilo Lacson para recorrer à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (UNCAC, na sigla em inglês). “Podemos explorar a UNCAC, uma vez que tem mecanismos de cooperação internacional, mas isso dependerá do país”, disse Castro, lendo uma declaração da secretária dos Negócios Estrangeiros, Maria Theresa Lazaro.

“Os países são obrigados a prestar, conforme aplicável e de acordo com a legislação nacional, a mais ampla assistência jurídica mútua possível uns aos outros”, acrescentou. O mandado de detenção de Zaldy Co foi emitido pelo Sandiganbayan, um tribunal especial para o combate à corrupção.

Em meados de novembro, Marcos prometeu que, pelo menos, 37 senadores e membros do Congresso filipino, bem como vários construtores civis alegadamente ligados ao escândalo, passariam o Natal na prisão.

Entre os suspeitos estão aliados e opositores de Marcos, como Martin Romualdez, primo do Presidente filipino, ou o senador Bong Go, próximo do antigo líder das Filipinas Rodrigo Duterte, tendo ambos negado as acusações.

Estão em causa 9855 projetos de controlo de drenagem, avaliados em mais de 545 mil milhões de pesos filipinos (oito mil milhões de euros), que deveriam ter sido construídos desde que Marcos assumir o poder, em meados de 2022.

Em Setembro, o ministro das Finanças das Filipinas, Ralph Recto, admitiu que, desde 2023, podem ter sido desviados 118,5 mil milhões de pesos (1,75 mil milhões de euros). In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


A ONU poderá falir em 2026?

António Guterres, secretário-geral da ONU, não esconde sua inquietação: a organização mundial com sedes em Nova York e Genebra pode chegar a uma situação equivalente à de uma falência, por falta de dinheiro em caixa.

Os cortes feitos pelo presidente dos EUA, Donald Trump, equivalentes a 9 bilhões de dólares, destinados aos diversos organismos onusianos, mais os atrasos de diversos países podem significar, numa primeira fase, uma onda de demissões e o abandono de Genebra e Nova Iorque em busca de cidades menos caras para os diversos organismos da ONU. Essa dispersão e fragmentação é capaz de fragilizar e diminuir a importância da ONU, já acusada de ineficácia por alguns países e pelo próprio Trump.

Dentro dessa linha de deslocalizações, a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) pretende se transferir para Roma com a maior parte dos seus funcionários, cerca de 300, deixando um grupo menor em Genebra para atender às urgências, a fim de provocar uma importante redução de custos. Essas deslocalizações e demissões já estão provocando perdas financeiras para a cidade de Genebra (o mesmo deve estar ocorrendo em Nova Iorque) com uma substancial diminuição na arrecadação de impostos sobre os bons salários pagos pela ONU a esses funcionários.

É provável também uma baixa no preço dos bons apartamentos com a partida dos locatários transferidos ou demitidos pela ONU, em síntese, uma crise que não se restringe apenas à  ONU, sem esquecer que muitos desses demitidos pela ONU não terão como viver em Genebra, cidade cara, e serão obrigados a retornar aos seus países, alguns em idade difícil para encontrar novo emprego.

O Jornal Le Monde publica uma reportagem, na qual é citado o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, onde já foi demitido o equivalente a um quarto dos funcionários efetivos, cerca de 5 mil contratados. Resta a pergunta: como a ONU poderá continuar agindo nesse setor e financiar as missões?

Esses programas da ONU, assim como o Programa Alimentar Mundial, dependem de doadores e sofreram cortes imediatos em situações dramáticas, nas quais pessoas em importantes funções ficaram desempregadas e sem seguro saúde. Na Organização Mundial da Saúde houve 2371 demissões. Somando-se as demissões com as aposentadorias e aposentadorias antecipadas chega-se a 45% do total dos empregados.

A situação da ONU vai ser dramática em 2026 com um corte de 25% nas operações de manutenção da paz, equivalente a 61 mil efetivos. Haverá o risco de atrasos nos pagamentos e apelos para que outros países ou multinacionais contribuam para compensar a retirada das subvenções dos EUA decididas pelo presidente Donald Trump.

Essa crise irá também ocorrer no número de capacetes azuis da ONU enviados às zonas em conflito. No momento, haverá uma redução de 25% do contingente atual, com o desligamento de 13 a 14 mil policiais e militares. Embora Trump se considere candidato a um Prêmio Nobel da Paz, seus cortes vão afetar setores importantes da ONU como as missões para a manutenção da paz, controle de cessar-fogo, proteção de civis no trabalho com ações humanitárias. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.