Fome, disseminação de doenças e falta de abrigo adequado são algumas das ameaças após os tremores do último dia 24. Os serviços de saúde e necrotérios estão em estado de colapso, a ONU intensifica apoio às vítimas e serviços de resgate
As operações de busca e resgate
continuaram na Venezuela nesta terça-feira, enquanto milhares de sobreviventes do
terremoto tentam encontrar abrigo após terem perdido as suas casas.
Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas confirmaram
1719 mortes, pelo menos 5034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores
consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter.
Comida em falta
Seis dias após os sismos, "a escassez de alimentos é
generalizada" em La Guaira, o estado mais afetado, segundo a agência da
ONU para refugiados, Acnur.
A porta-voz da entidade, Carlotta Wolf, afirmou nesta
terça-feira que “os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi
amplamente interrompida”.
Ela ressaltou que as tensões dentro das comunidades estão
a aumentar devido à dificuldade de acesso à assistência.
Abrigos abaixo do padrão
Uma avaliação rápida das necessidades realizada pelo
Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo
mostrou que metade dos entrevistados estava abrigada com vizinhos ou parentes
após o desastre.
Além disso, quase quatro em cada 10 estão a viver nas
ruas e espaços públicos, e outros em igrejas, escolas ou instalações improvisadas.
Carlotta Wolf alertou que “esses abrigos improvisados
não atendem aos padrões mínimos de proteção”, em termos de privacidade,
espaços seguros e níveis básicos de higiene e conforto.
A porta-voz do Acnur também expressou preocupação com a
presença de crianças desacompanhadas e separadas das famílias.
Caos no sistema de saúde
Já o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS,
Christian Lindmeier, disse que “os serviços de saúde estão sob extrema pressão
neste momento”.
Segundo ele, o aumento nos casos de trauma ultrapassa a
capacidade das instalações de saúde.
No sábado, a OMS analisou dados de 21 unidades de saúde
em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, concluindo que três estão "em
estado crítico", seis apresentam danos estruturais ou estão parcialmente
funcionais e as restantes "permanecem operacionais sob grande
pressão".
Lindmeier alertou para a “prestação de serviços caótica”
e fluxos de pacientes, marcados por superlotação, crescentes atrasos
cirúrgicos, falha nas medidas de biossegurança e equipa severamente estressada.
O porta-voz da OMS também destacou "lacunas
críticas" na prestação de cuidados de saúde, incluindo o colapso dos
serviços forenses e de necrotérios, bem como o registo inadequado de vítimas e
de pessoas desaparecidas.
Doenças podem espalhar-se
A OMS afirma ainda que há um risco de surtos de doenças
preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria, coqueluche, além de febre
amarela e outras doenças transmitidas por vetores e pela água, incluindo
dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.
Lindmeier explicou que muitos dos deslocados estão sob
alto risco, devido à baixa cobertura vacinal antes do terremoto e ao acesso
limitado às vacinas atualmente.
Ele adicionou que vários profissionais de saúde em La
Guaira continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis por cuidados
maternos na região, o que criou uma lacuna crítica na assistência obstétrica.
A resposta da ONU em números
- Libertou US$ 15 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências
- Estabeleceu três centros de atendimento em La Guaira para famílias que perderam as suas casas
- O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, está a coordenar a mobilização de 27 países e mais de 40 equipas de busca e salvamento
- O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem mais de 3 mil toneladas de alimentos em stock no país, quantidade suficiente para alimentar cerca de 10 mil famílias por dois meses.
- A Unicef mobilizou pessoal e suprimentos adicionais para atender cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças. Para viabilizar uma resposta imediata, alocou US$ 1,5 milhão dos seus recursos internos e US$ 1 milhão do Fundo Temático Humanitário Global
- A Organização Internacional para as Migrações, OIM, está se preparando para distribuir os seus suprimentos nas áreas de maior necessidade
- A
Organização Mundial da Saúde, OMS, por meio da Organização Pan-Americana da
saúde, Opas, já avaliou as condições de sete unidades de saúde, determinando
necessidades de medicamentos, oxigénio, combustível e outros consumíveis
essenciais. Além disso, está a mobilizar equipas médicas especializadas. ONU
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