Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Angola - Aposta em iniciativa para transformar setor agrícola

AgriConnect Angola visa impulsionar produtividade, segurança alimentar, emprego e crescimento nas zonas rurais angolanas, o apoio foca-se nos corredores do Lobito e de Malanje


O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, IFAD, lançou, em parceria com as autoridades angolanas e o Grupo Banco Mundial, a iniciativa AgriConnect Angola, um plano inovador que visa a transformação dos sistemas agroalimentares do país africano.

A iniciativa vem reforçar os ecossistemas agrícolas, ao fortalecer as organizações de agricultores, melhorar as ligações aos mercados, expandir o acesso ao financiamento e às soluções digitais e promover uma maior participação do setor privado nas redes dos sistemas alimentares.

Desenvolvimento rural inclusivo

Em Angola, o AgriConnect irá apoiar o desenvolvimento agrícola nos Corredores do Lobito e de Malanje. Ao incentivar as parcerias entre instituições e o setor privado, o programa procura libertar o potencial agrícola do país e acelerar o desenvolvimento rural inclusivo.

Para o diretor do IFAD em Angola, Custódio Mucavele, a iniciativa representa uma oportunidade única de transformação dos meios de subsistência rurais, ao permitir o acesso a mercados, financiamento e infraestruturas produtivas por parte dos pequenos agricultores.

O responsável acrescenta ainda que o programa procura “garantir que as mulheres, os homens e os jovens de zonas rurais possam participar e beneficiar de uma economia agrícola mais produtiva, resiliente e inclusiva”.

Parceria para o desenvolvimento rural

Enquanto parceiro de longa data do desenvolvimento rural de Angola, o IFAD conta com décadas de experiência no apoio aos pequenos agricultores, no reforço das cadeias de valor e na melhoria do acesso aos mercados e aos serviços financeiros.

A agência prevê que estes investimentos aumentem a produtividade, reforcem a segurança alimentar, criem oportunidades de emprego e estimulem o crescimento económico nas zonas rurais.

Lançada em outubro de 2025, a iniciativa AgriConnect é concebida para ajudar 300 milhões de pequenos agricultores em todo o mundo a passar de uma produção de subsistência para uma produção excedentária. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 3 de junho de 2026

Argentina - Lusodescendentes brilham com negócio agrícola e comercial

A família Silva Pais, composta por lusodescendentes, está a afirmar o seu percurso de sucesso em Virrey del Pino, na Argentina, onde alia a atividade agrícola ao comércio, mantendo viva a ligação às suas origens


“Hoje visitámos a Ferreteria Industrial Fátima e a exploração agropecuária da família da Silva Pais, em Virrey del Pino, onde fomos recebidos por Pablo e toda a sua família, descendentes de portugueses oriundos da Guarda, Serra da Estrela, Viseu e Algarve”, lê-se na publicação feita pela embaixada de Portugal na Argentina.

Com raízes em várias regiões de Portugal, a referida família construiu uma história marcada pelo trabalho, pelo empreendedorismo e pela ligação à terra.

De acordo com a informação divulgada pela embaixada de Portugal na Argentina, o percurso começou ligado à agricultura, tendo evoluído ao longo dos anos para a produção avícola e o cultivo de cereais, consolidando uma forte presença no setor agropecuário. Em paralelo, desenvolveram também uma atividade comercial através de uma ferreteria industrial, reforçando a sua expansão no tecido económico local.

Segundo a referida fonte, “para além do seu espírito empreendedor, trata-se de uma família fortemente ligada à comunidade portuguesa e às suas tradições, mantendo vivas as suas raízes de geração em geração”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Brasil - Calor extremo ameaça agricultura e segurança alimentar

O aumento do calor extremo está a redefinir a agricultura no Brasil, com impactos crescentes na produção e na segurança alimentar, segundo um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)


No documento, elaborado em conjunto com a Organização Meteorológica Mundial, afirma-se que "o calor extremo está a tornar-se uma das ameaças mais graves para a agricultura a nível global", afetando culturas, pecuária, pescas e florestas de forma simultânea.

No caso brasileiro, o relatório inclui um estudo específico sobre a onda de calor de 2024 e 2025, destacando efeitos combinados de temperaturas elevadas e seca sobre vastas áreas agrícolas.

Segundo o relatório, estes fenómenos estão ligados às alterações climáticas - ampliadas por um forte El Niño - e tendem a tornar-se mais frequentes e intensos nas próximas décadas.

A FAO sublinha que o calor extremo "atua como um multiplicador de risco", agravando impactos já existentes sobre a produção alimentar, com quebras de colheitas e redução da produção nacional, inclusive na pecuária, o que pressiona a inflação de alimentos.

Em relação à soja, alimento que o Brasil mais exporta, a FAO observou que a produção foi duramente atingida, pois as temperaturas "excederam o limite crítico de 30°C" em mais de 60% dos dias durante a sua estação de crescimento.

Devido ao "stresse térmico implacável", a estimativa oficial para a colheita brasileira de soja foi reduzida em quase 10%, resultando em milhões de toneladas de alimentos perdidos.

O calor extremo também favoreceu a proliferação de pragas, como a "mosca-branca e fungos", que atacaram plantações de batata, feijão e cana-de-açúcar em várias áreas produtoras no estado de São Paulo.

A pecuária também foi amplamente afetada, com efeitos registados em praticamente todo o território brasileiro.

A pecuária leiteira também sofreu um "impacto significativo na saúde e produtividade" das vacas, especialmente no Sudeste brasileiro, segundo o documento.

Vacas sob forte stresse por calor, acrescenta-se no relatório, produzem menos leite e podem gerar descendentes com "desempenho reduzido", o que representa uma perda económica irreversível para o produtor rural.

Segundo a mesma fonte, em 2024 registou-se o "maior número de focos de incêndio e de área queimada" desde 2010, sendo que os picos mais evidentes foram no Centro-Oeste do Brasil atingindo os biomas da Amazónia, Pantanal e Cerrado.

"Os incêndios florestais devastaram uma área equivalente ao tamanho de Itália e causaram grave poluição atmosférica por micropartículas", sublinhou.

Sem a alteração climática induzida pela atividade humana, destaca-se no estudo, fenómenos devastadores como os incêndios no Pantanal em 2024 teriam sido "10.000 por cento menos frequentes" no território brasileiro.

Sobre a Amazónia, a FAO alerta que a combinação de calor extremo, seca e degradação ambiental pode reduzir a resiliência da floresta, aumentar o risco de incêndios e afetar o papel da floresta na regulação do clima global.

No relatório estima-se que cerca de 7% da floresta seja destruída para cada grau de aumento na temperatura global acima do limite de 1,5 °C.

Se o crescimento da floresta tornar-se negativo, aponta-se no estudo, a região corre o risco crítico de transitar para uma fonte líquida de emissões, acelerando o aquecimento global.

No relatório, chama-se a atenção para o mecanismo de retroalimentação, gerado pela perda de cobertura florestal e pela exposição do solo, o que provoca aquecimento da região.

Segundo a FAO, "em áreas da Amazónia, este ciclo de retroalimentação com solos expostos pode aumentar os efeitos locais do aquecimento em mais de 300%", agravando o impacto climático. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


Moçambique – Pretende empresários chineses a investirem na industrialização

O Presidente moçambicano convidou, na China, os empresários daquele país asiático a investirem em Moçambique para ajudar no desenvolvimento e industrialização através da transformação local das matérias-primas, afirmando que é preciso investir agora porque “o comboio não espera”


“Quero convidar os meus irmãos a investir em Moçambique, porque quanto mais cedo possível melhor, porque o comboio já está a andar e geralmente o comboio não espera, pode passar e chegar tarde, enquanto os outros já apanharam o comboio”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo.

O Presidente moçambicano falava na província de Hunan, na China, durante um encontro com cerca de 350 empresários no quadro da visita de Estado que efetua àquele país asiático, em que lembrou que Moçambique está agora a atravessar uma fase de desenvolvimento de vários projetos, sobretudo os ligados à exploração de gás, indicando que é preciso aproveitar o momento para investir.

Além do sector de gás, Chapo quer os empresários chineses a investirem em tecnologia, agricultura, indústria, infraestruturas, inovação, corredores logísticos que causam maior impacto económico e social.

Perante os empresários, o Presidente de Moçambique esclareceu que o país está a construir as bases para a sua independência económica “com foco, resiliência e determinação”, através de uma transformação estrutural da economia que pretende alcançar a industrialização e o desenvolvimento da cadeia de valor, pedindo investimentos dos empresários de Hunan, província considerada “capital das máquinas agrícolas, máquinas industriais, camiões, máquinas para a indústria mineira”. “Queremos convidar aos empresários do Hunan para juntos aos empresários virem investir em Moçambique na industrialização (…) A nossa visão como Governo é que os nossos recursos minerais sejam transformados em Moçambique e já começamos esse trabalho (…) essa é a nossa visão, gerar rendimento em Moçambique, pagar-se impostos e desenvolvermos o nosso país”, disse Chapo.

Ao apresentar as potencialidades de Moçambique, Chapo referiu-se aos projetos de desenvolvimento dos corredores logísticos e dos portos, incluindo a construção de fronteiras de paragem única juntos dos países vizinhos, indicando que estas decisões colocam o país numa posição estratégica para receber investidores.

Neste sentido, o chefe do Estado moçambicano mostrou também abertura do país para concessões de diversas infraestruturas como estradas, em períodos de 20 a 30 anos, indicando que é para as empresas chinesas recuperarem os investimentos que eventualmente poderão fazer. “Estamos dispostos a receber irmãos empresários da China da província de Hunan e de outras províncias para podermos desenvolver juntos Moçambique”, disse Chapo.

O Presidente moçambicano pediu ainda a estes empresários aposta na formação do capital humano, indicando que a China é um parceiro estratégico de “primeira linha” não apenas para financiamento, mas para a troca de conhecimentos. “Queremos evoluir de uma parceria baseada no volume, para uma baseada no valor acrescentado, transferência de tecnologia, criação de emprego qualificado e desenvolvimento de cadeias produtivas. A nossa localização geográfica confere-nos uma vantagem estratégica única”, explicou Chapo, referindo-se aos acessos ao mar com ligações através dos corredores desenvolvidos e também às potencialidades agrícolas.

Chapo quer também estes empresários a investirem no setor de energia para exportar para os países da região austral de África que “enfrentam desafios”, indicando que o país também tem agora potencial para a construção de centrais elétricas, além das potencialidades que surgem com a exploração do gás.

Chapo chegou a Pequim na quinta-feira para uma visita de Estado que decorre até esta semana, num contexto em que os dois países assinalam meio século de relações diplomáticas e procuram aprofundar a parceria estratégica. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Macau - Pode ter papel “importante” quando Timor-Leste legislar o jogo

Timor-Leste está a debater a possibilidade de introduzir uma lei que permita a abertura de casinos. Se isso for uma realidade, a experiência de Macau “pode ser importante” para o processo que se seguirá, dada a sua “grande experiência” no sector, disse ao Jornal Tribuna de Macau o embaixador timorense em Pequim. Loro-Horta referiu, por outro lado, que Timor tem de aproveitar a totalidade das vagas para bolsas de estudo concedidas pela RAEM para que alunos venham estudar nas universidades do território. “Isso não está a ser aproveitado, por desconhecimento”, revela. Sobre o investimento de empresários locais no país, o diplomata confirma que “há alguns”, sobretudo no sector do café, mas também na construção de hotéis e no consequente desenvolvimento do turismo


Em Timor-Leste existe jogo, em pequena escala, mas a maior parte é ilegal, pelo que o pequeno país asiático tem acelerado o debate para a introdução de uma lei sobre o jogo. Segundo referiu ao Jornal Tribuna de Macau o embaixador timorense em Pequim, numa breve passagem por Macau, caso sejam permitidos os casinos no seu país, Macau pode desempenhar um “importante papel” no desenvolvimento do sector, no processo seguinte à aprovação da lei.

“Dada a sua grande experiência na gestão da indústria do sector do jogo, não tenho dúvida de que Macau será o parceiro ideal para a concretização do processo de abertura dos casinos em Timor-Leste”, salientou Loro-Horta, sem especificar em que moldes esse apoio seria concretizado.

Para o diplomata, “devido aos laços históricos que Macau tem com Timor, e mesmo a proximidade geográfica, não fará muito sentido levar companhias europeias ou americanas, tomando em consideração que Macau é, há vários anos, a maior cidade do jogo, tendo ultrapassado Las Vegas, fazendo muito dinheiro com o jogo”.

Acrescenta que em Timor já existe uma “enorme cultura de jogo, permitindo-se certas casas de jogo, principalmente com ‘slot-machines’”. Assim sendo, diz-se a favor da legalização e apresenta a sua razão: “É muito simples, se as pessoas continuam a jogar, então mais vale legalizar e convidar-se companhias sérias que têm décadas de experiência neste sector, como Macau”. “O Estado beneficiaria de impostos pagos pelas operadoras, a que se junta tudo aquilo que os casinos podem trazer, ou seja, turismo, hotéis, restaurantes, todo um ecossistema que é criado”.

O timorense, de 47 anos, nascido em Moçambique, que exerce o cargo de embaixador na capital chinesa há cerca de dois anos e meio frisa que a questão de abertura de casinos “está a ser discutida há muito tempo, até porque há cada vez mais sectores da sociedade interessados em que isso se concretize”.

No entanto, admite que há algum receio, por causa dos problemas sociais. “Sim, é verdade, há esse risco, mas julgo que o importante é haver controlo, regras rigorosas, como existe em Macau, não permitindo que, por exemplo, os funcionários públicos entrem nos casinos, ou pelo menos exigir que, para jogar, provem o seu rendimento mensal”.

Na relação com Macau, Loro-Horta destaca a questão dos estudantes timorenses que pretendem estudar no território. Segundo sabe, há 10 vagas de bolsas de estudo que podem ser aproveitadas, “mas apenas cinco estão a ser utilizadas, por desconhecimento, uma vez que não há muita informação e os alunos não sabem como candidatar-se”, observa, desejando que “essas oportunidades de virem para Macau sejam em breve uma realidade para os estudantes de Timor-Leste, para que depois possam regressar e ajudar o país a desenvolver-se”.

Ainda na vertente da juventude, o representante de Timor-Leste em Pequim lamenta o alto grau de desemprego. “Esse é um dos grandes problemas que enfrentamos, já que 70% da nossa população tem menos de 35 anos de idade e os números do desemprego são de facto elevadíssimos”, constata, falando numa estimativa de entre 70% a 80% de falta de emprego em Díli e Baucau.

O Estado ainda é o maior empregador, dispondo de cerca de 50.000 funcionários públicos, para uma população de perto de um milhão e 400 mil pessoas. “É muito”, diz. “O máximo que devíamos ter era 20.000”, destaca, referindo que o problema é “não haver sector privado e por isso os governos vão dando trabalho no Estado para tentar aguentar a pressão social”.

A falta de trabalho, principalmente para os jovens, tem sido “um pouco aliviada” com os trabalhadores emigrantes. “Têm ido para a Austrália, trabalhadores agrícolas fundamentalmente, mas também em fábricas, outros para a Coreia do Sul, sobretudo para o sector da pesca, para os parques de pesca, e também para o Reino Unido, mas aqui o Brexit fez regressar muitos timorenses, que recebem incentivos para voltar à terra natal”, salienta.

Empresários chineses fazem investimentos

No que concerne às riquezas naturais, que podem ajudar a crescer o país económica e socialmente, mencionou o petróleo, o gás natural e os minerais, principalmente, mas também o café, que tem gerado o interesse de muitos empresários, incluindo os de Macau, em importar o produto. “Há, nesse sector, algumas empresas de Macau que se têm dirigido a Timor, mas existe outro tipo de investimento da RAEM, que é na construção de hotéis, o que julgo crescerá bastante com a possibilidade de abertura dos casinos”, reforça.

Admitindo que a grande prioridade do Governo liderado por Xanana Gusmão é diversificar a economia, Loro-Horta reconhece a “grande dependência” do petróleo e do gás natural.

“Existem três áreas em que nós estamos a ver possibilidades de investir para poder diversificar a economia, que são o turismo, o sector agrícola e também as pescas”, afirma, apontando para os investimentos que os empresários chineses podem fazer, sendo que “a China é actualmente o segundo parceiro económico de Timor-Leste, logo a seguir à Indonésia”.

Nesse sentido, muito do seu trabalho como embaixador tem sido direccionado para o contacto com companhias do sul da China, principalmente de Guangdong, mas também de Fujian, Guangxi e Wuhan. “Há de outras partes da China, mas fundamentalmente a maior parte das empresas chinesas e as comunidades chinesas residentes em Timor são pessoas do sul da China, da região da Grande Baía e zonas próximas, que já é uma tradição que vem desde o século XIX”, lembra.

Na área de pescas e da aquacultura existem, de acordo com o diplomata, companhias interessadas em instalar-se em Timor-Leste. Por isso, “queríamos ver a possibilidade de aprofundar mais essa cooperação para ver se conseguimos investimentos chinês no nosso sector de pescas e não só na economia azul de maneira geral”, indica.

Dá exemplos de investimento chinês em viveiros de camarão, na zona de Manatuto, havendo outros interessados no mesmo sector na zona de Viqueque. O governo já deu o terreno, tendo-se iniciado a construção de infra-estruturas, como tanques.

Quanto ao turismo, Loro-Horta, filho do Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, aborda a questão “fundamental” de haver no futuro mais voos regulares de acesso directo a Díli. “Para que o turismo se desenvolva, concretamente o turismo da China, é preciso mais voos directos para a capital”, reconhece.

Existem três vezes por semana, operados pela Aero Díli, entre Xiamen e Díli, e agora começou um voo também para outra cidade chinesa. “Tudo isso é um factor de desenvolvimento”, menciona, sublinhando que visita do Chefe de Estado timorense a Pequim, em 2024, onde se encontrou com o Presidente Xi Jinping, assim como a entrada de Timor-Leste na Associação de Nações do Sudeste Asiático, fez elevar o nível do país nas “Parcerias Estratégicas Abrangentes” da República Popular da China.

Loro-Horta conclui com o ponto da situação político-social de Timor-Leste. “O país está bastante estável, sobretudo se compararmos com alguns países da nossa região”, refere, afirmando que “a última vez que tivemos um caso sério de violência política foi em 2008, quando houve o atentado contra o Presidente Ramos-Horta”.

No ano passado registaram-se algumas manifestações de estudantes, protestos parecidos com o que se passou no Nepal, na Indonésia e nas Filipinas, com os jovens a criticarem o Parlamento por pretender comprar carros novos. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Portugal - Estudo da Universidade de Coimbra revela que polinizadores garantem mais de 2 mil milhões de euros anuais à agricultura portuguesa

Um estudo pioneiro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) revela, pela primeira vez, o valor económico dos polinizadores para a agricultura em Portugal: mais de 2 mil milhões de euros em 2023, dos quais cerca de metade (1,1 mil milhões de euros) são diretamente atribuíveis à ação dos insetos polinizadores, como abelhas selvagens, moscas-das-flores e outros insetos.


O estudo, publicado na revista Regional Environmental Change, foi desenvolvido por investigadores do FLOWer Lab que integra o Centre for Functional Ecology: Science for People & Planet   do Departamento de Ciências da Vida: Catarina Siopa, Hugo Gaspar, Helena Castro, João Loureiro e Sílvia Castro.

Os investigadores revelam que 54% das culturas agrícolas produzidas em Portugal dependem diretamente dos polinizadores. Catarina Siopa, primeira autora do estudo, explica que «o valor económico calculado tem origem não só nas culturas altamente dependentes da polinização como também nas culturas com menor grau de dependência, mas de grande importância económica. As culturas mais beneficiadas pela polinização incluem maçã, framboesa, pera, abacate, tomate industrial, mirtilo, amêndoa, kiwi, laranja e morango».

Os polinizadores não influenciam apenas a quantidade produzida, mas também a qualidade nutricional, o tempo de prateleira e a capacidade de conservação dos produtos agrícolas, gerando benefícios múltiplos, muitos deles ainda difíceis de quantificar. Embora a área agrícola total em Portugal tenha diminuído 49% desde 1980, a área dedicada a culturas dependentes de polinizadores aumentou 36% na última década, refletindo a expansão de culturas mais rentáveis e que dependem da polinização, como frutas frescas, frutos secos e hortícolas.

A nova investigação alerta para as ameaças crescentes aos polinizadores, incluindo a intensificação agrícola, a simplificação da paisagem, as alterações climáticas e a urbanização, que podem comprometer a sustentabilidade da produção agrícola e gerar défices de polinização.

«Os polinizadores são um verdadeiro pilar da economia agrícola nacional. Sem eles, muitas das culturas mais valiosas em Portugal deixariam de ser economicamente viáveis», afirma a docente e investigadora Sílvia Castro, autora do estudo.

Os resultados apresentados fornecem uma base científica sólida para o desenvolvimento de políticas agrícolas e ambientais, reforçando a necessidade de integrar medidas de conservação de polinizadores na gestão agrícola, nos programas de apoio ao setor, e nos planos de ordenamento do território, assegurando a resiliência e sustentabilidade da agricultura em Portugal. Universidade de Coimbra - Portugal


sábado, 25 de outubro de 2025

Macau - “PortugalFoods” de olho no mercado online chinês

A “PortugalFoods assinou um acordo com a “Tmall” para ter “uma forte presença portuguesa” numa das maiores plataformas de comércio electrónico da China, revelou a directora executiva da associação do sector agro-alimentar. Deolinda Silva considerou “muitíssimo interessante” o protocolo de cooperação assinado durante a 2ª Exposição Económica e Comercial China–Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), em Macau.


“O nosso objectivo é começarmos a trabalhar realmente na constituição de – eu não digo uma loja – uma forte presença portuguesa nesta plataforma”, explicou. “Não é fácil, mas eles estão ali prontos para nos ajudar, e nós também já vamos cada vez mais adquirindo mais conhecimento sobre o desafio que nos espera”, admitiu.

A cooperação arrancou com uma apresentação dos produtos de associados da “PortugalFoods” junto de empresas chinesas “das mais variadas categorias”, revelou. A associação trouxe produtos de 12 companhias à C-PLPEX, mas conta com mais de 200 associados entre empresas, entidades do sistema científico e da fileira agro-alimentar e outras actividades conexas.

A apresentação faz parte de uma estratégia da “Tmall” para promover os produtos agro-alimentares portugueses “de uma forma agregada, para se ganhar alguma dimensão”, referiu Deolinda Silva. “O trabalho que tem de ser feito junto destes parceiros chineses é imenso, porque praticamente não existe uma presença de produtos portugueses”, lamentou.

O primeiro contacto com a “Tmall” aconteceu durante a edição de 2024 do “FHC Shanghai Global Food Trade Show”. A “PortugalFoods” voltará a participar nesta feira, entre 12 e 14 de Novembro, para “percepcionar melhor o potencial que existe para criar parcerias” para encontrar futuros compradores, referiu a directora executiva.

A China “é um mercado com um potencial brutal, mas que deve ser trabalhado de forma faseada e por regiões”, disse Silva, apontando o sul da China como prioridade.

Segundo a “PortugalFoods”, as exportações agro-alimentares portuguesas atingiram 10 mil milhões de euros em 2024, um crescimento anual de 8,5%. A associação antecipa novo crescimento em 2025, embora mais modesto.

Empresa de Fafe quer exportar pudins para a China

Por sua vez, uma empresa de Fafe está a investir em robots para conseguir produzir, por ano, um milhão de pudins inspirados no pudim abade de priscos e começar a exportar para a China. O criador do Pudim da TV, Paulo Fernandes, anunciou que, até ao final do ano, a fábrica da empresa no distrito de Braga terá quatro robots a operar, atingindo assim a capacidade para produzir um milhão de pudins por ano.

A unidade fabril, criada há dois anos e meio, já fornece sobremesas a mais de 400 restaurantes em Portugal e exporta para nove países na Europa e América do Sul, disse Fernandes no segundo dia da C-PLPEX, que está a decorrer em simultâneo com a 30ª Feira Internacional de Macau.

Fernandes trouxe o Pudim da TV ao território “acima de tudo para tentar perceber como é que é o palato daqui dos chineses, se o pudim é bem aceite ou se nós temos que fazer alguma afinação ao sabor”.

A empresa, cujo volume de negócios atinge “umas centenas de milhares de euros”, pretende também “arranjar parceiros” para fazer a distribuição do pudim e repetir “o crescimento exponencial” do pastel de nata no estrangeiro.

Paulo Fernandes disse estar a analisar a possibilidade de aderir a um programa do Governo de Macau, que irá entrar em vigor em Novembro, para ajudar empresas estrangeiras a internacionalizar-se a partir da RAEM. O chef revelou que tinha reuniões marcadas com potenciais parceiros. Dependendo do interesse, Macau pode ser a “porta de entrada” do Pudim da TV para mercados como Hong Kong e a China continental. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Moçambique – Província de Manica inicia produção de cevada para bebidas alcoólicas

A província central de Manica já começou a produzir cevada destinada ao mercado doméstico e internacional de bebidas alcoólicas. O processo de colheita iniciou-se no distrito de Vandúzi, com uma primeira fase prevista de 180 toneladas, podendo a produção anual atingir 600 toneladas, quantidade considerada suficiente para abastecer as fábricas de bebidas.


A governadora de Manica, Francisca Tomás, afirmou, na terça-feira (21), durante a colheita em Vandúzi, que a produção da cevada pretende aproveitar as condições agro-ecológicas favoráveis da província, aumentar o rendimento das famílias produtoras e dinamizar a economia local.

Francisca Tomás destacou que este é apenas o primeiro passo das grandes realizações previstas na província, lembrando o interesse de empresas japonesas em investir na produção de culturas comerciais adaptáveis às condições agrícolas de Manica. “Estamos a mobilizar parceiros para investirem na nossa província. Recentemente estivemos no Japão, onde mantivemos contactos com investidores que se interessaram pelas potencialidades de Manica”, explicou.

A governadora acrescentou que outros distritos, como Macate, Sussundenga e Mossurize, também têm elevado potencial para culturas de rendimento, incluindo macadâmia, litchi e abacate. Estas culturas já são comercializadas internacionalmente, com destaque para a África do Sul e países da Europa, reforçando o potencial agrícola da província e contribuindo para o desenvolvimento económico de Manica e de Moçambique, em geral. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Japão - Aumento das temperaturas afeta duramente a agricultura

Nos últimos anos, o Japão registou temperaturas recordes, o que teve um grande impacto na agricultura. O aumento das temperaturas e as condições climáticas adversas afetam diretamente a qualidade e o rendimento do arroz, dos vegetais e das frutas que consumimos


Alterações causadas pelo aumento das temperaturas

O arquipélago japonês estende-sr de norte a sul e é uma ilha longa e estreita com uma ampla variedade de climas, desde Hokkaido, onde os invernos são frios e há muita neve acumulada, até Kyushu e Okinawa, no sul, onde o clima é subtropical.

No Japão, espera-se que as temperaturas aumentem drasticamente nos próximos anos.

As temperaturas do verão, em particular, aumentam a cada ano, com um número crescente de dias extremamente quentes com temperaturas máximas de 35°C ou mais. Uma das razões para isso é o fortalecimento do sistema de alta pressão do Pacífico no verão. Quando as temperaturas da superfície do mar aumentam, especialmente ao redor das Filipinas, no Pacífico Ocidental, o sistema de alta pressão ao redor do Japão fortalece-se, facilitando a continuidade do tempo ensolarado. Como resultado, as altas temperaturas persistem não apenas no verão, mas também no outono, e, embora haja breves períodos de frio no inverno, as temperaturas tendem a subir.

Além disso, o aumento das temperaturas aumenta a quantidade de vapor d'água na atmosfera, resultando em chuvas mais intensas num curto período. Isso levou a um aumento nos danos causados ​​por inundações, enquanto o risco de seca também está a aumentar devido à redução do número de dias chuvosos. Noutras palavras, o clima do Japão está alterando na direção de "calor e chuva extremos", criando um ambiente extremamente hostil para a agricultura.

A qualidade e os rendimentos do arroz, trigo e soja de marcas premium diminuíram

O arroz, alimento básico do Japão, sofre com a queda de qualidade devido às altas temperaturas. Se a temperatura média ultrapassar 26-27 °C nos 20 dias após a floração, o número de grãos brancos e imaturos aumenta, reduzindo o seu valor de mercado. Em 2023, isso afetou severamente as variedades de arroz de marcas de luxo do Japão, como o "Koshihikari" de Niigata e o "Tsuyahime" de Yamagata. Além disso, se o calor extremo de 35 °C ou mais persistir durante o período de floração, a polinização não ocorrerá de forma suave, resultando num fenómeno conhecido como "esterilidade por alta temperatura", no qual os grãos de arroz não produzirão grãos. Esse fenómeno generalizou em Kyushu e outras áreas em 2024.

A soja também está a ser afetada pelas alterações climáticas em áreas ao sul de Honshu, com exceção de Hokkaido. Em particular, no norte de Kyushu, onde a soja era originalmente produzida em grandes quantidades, as colheitas diminuíram nos últimos anos a ponto de se dizer que não haverá colheitas abundantes e, na melhor das hipóteses, haverá colheitas medianas.

Enquanto isso, em Hokkaido, onde os verões têm sido relativamente frescos, o aumento das temperaturas tem tido um efeito positivo na qualidade do arroz até agora. No entanto, em 2011, as altas temperaturas causaram uma queda na qualidade do arroz da marca "Yumepirika". Hokkaido produz não apenas arroz, mas também trigo, batata e beterraba (uma fonte de açúcar) em grandes quantidades. Altas temperaturas e chuvas prolongadas também podem reduzir o rendimento dessas culturas, afetando a sua qualidade.

Vegetais e frutas podem sofrer queimaduras solares, o que resulta na coloração ruim e afeta o seu sabor

Atualmente, muitas frutas e vegetais cultivados no Japão são vulneráveis ​​a altas temperaturas, e os danos foram generalizados por todo o país em 2023 e 2024. Frutas e vegetais, como tomates e beringelas, estão a enfrentar problemas como queimaduras devido à forte luz solar e altas temperaturas, além de polinização deficiente, que impede a frutificação.

Altas temperaturas do inverno à primavera podem acelerar o crescimento de hortaliças folhosas e raízes, causando avanços na colheita. No verão, as temperaturas podem ser muito altas e interromper o crescimento, resultando em produtividade reduzida. Isso torna o fornecimento de hortaliças instável e os preços mais propensos a flutuar.

No caso dos morangos, as altas temperaturas continuaram durante o período de formação dos botões florais, o que fez com que as remessas não pudessem ser feitas a tempo para a temporada de Natal.

Queimaduras solares e coloração ruim eram comuns em maçãs, uvas e tangerinas. Em particular, estima-se que cerca de 30% das maçãs em todo o país foram afetadas por coloração ruim em 2011. Além disso, com o aumento da temperatura, o teor de açúcar da fruta aumenta, mas a acidez diminui, alterando o equilíbrio do sabor.

Gado vulnerável a altas temperaturas, acelerando danos causados ​​por aves e animais

As alterações climáticas estão a ter um impacto multifacetado na indústria pecuária do Japão. Temperaturas mais altas tornam os animais como vacas, porcos e galinhas mais suscetíveis ao estresse térmico, resultando em redução na produção de leite, crescimento e capacidade reprodutiva. Enquanto isso, enquanto as altas temperaturas estão a causar mudanças nas espécies de pastagens para forragem e acelerando o crescimento de milho e pastagens, potencialmente aumentando a produtividade, novos desafios estão a surgir, como um declínio na qualidade e aumento dos danos causados ​​por pragas, doenças e animais selvagens. O aumento dos danos causados ​​por pragas, doenças e animais selvagens é comum a todas as culturas. Os impactos de temperaturas mais altas e menos neve devido ao aquecimento global também estão a mudar os habitats e as áreas de distribuição da vida selvagem. em parte, às pastagens e às culturas forrageiras por veados, javalis e ursos são particularmente graves, devido em parte à necessidade de manejar áreas maiores de terras agrícolas de forma mais extensiva do que para outras culturas.

Fortalecimento de medidas para evitar danos

Em resposta às alterações climáticas, diversas medidas estão a ser implementadas na agricultura japonesa. No cultivo de arroz, medidas estão a ser tomadas para reduzir o impacto das altas temperaturas, alterando a data de plantio, aprimorando os métodos de cultivo e gerenciando a água e os fertilizantes. Em particular, os verões dos últimos anos têm sido ensolarados e com altos níveis de luz solar, portanto, uma técnica de cultivo notável é evitar a queda na qualidade aplicando mais fertilizante antes que as espigas de arroz emerjam nessas condições. Além disso, houve progresso no desenvolvimento de variedades de arroz que podem suportar altas temperaturas, e um número considerável de variedades tolerantes ao calor está agora disponível, e a sua popularidade está a aumentar.

Para culturas de campo, como soja e trigo, a principal resposta até agora tem sido por meio de mudanças nos métodos de cultivo. Na região de Okhotsk, no norte de Hokkaido, onde a soja não era muito cultivada anteriormente, o cultivo está-se a expandir e, como resultado, isso está a contribuir para compensar o declínio da produtividade em áreas ao sul de Honshu.

Há muitas variedades de vegetais e frutas para escolher, por isso é relativamente flexível mudar para variedades que se adaptam ao clima. Em Hokkaido, culturas adequadas para climas quentes, como batata-doce e amendoim, estão a ser introduzidas. No cultivo em estufas, melhorias na estrutura das estufas e no ambiente de cultivo e trabalho permitiram o controlo de altas temperaturas, e esforços estão a ser feitos para aumentar o lucro.

Árvores frutíferas são culturas cultivadas ao longo de muitos anos, o que as torna suscetíveis aos efeitos das alterações climáticas. No entanto, como a qualidade é tão importante, pode ser difícil responder a essas mudanças. Excelentes fruticultores cultivam diversas variedades para diversificar os riscos e ajustar os períodos de colheita para evitar os efeitos das altas temperaturas.

Movimentos para criar novas áreas de produção

A introdução de novas árvores frutíferas também pode levar à criação de novas áreas de produção. Na província de Akita, os produtores de maçãs começaram a cultivar pêssegos, e a província está a atrair a atenção como a "área de produção mais ao norte", no sentido de que a temporada de colheita de pêssegos é a mais tardia do país.

No oeste do Japão, algumas regiões estão a migrar de tangerinas Satsuma para variedades cítricas tardias e começando a introduzir árvores frutíferas tropicais e subtropicais. No que diz respeito às uvas para vinho, há uma forte procura por um equilíbrio entre o teor de açúcar e a acidez para garantir vinhos de alta qualidade. Por esse motivo, a produção de uvas está cada vez mais a migrar para regiões mais frias e de altitude, como Hokkaido, onde variedades adaptadas ao clima estão a ser cultivadas. Além disso, há exemplos de vinícolas da Borgonha, uma prestigiosa região vinícola francesa, pioneiras em novos vinhedos e que concluíram a construção de vinícolas em Hokkaido. Isso também pode ser visto como um movimento internacional em direção a locais mais adequados devido aos efeitos das alterações climáticas.

As estratégias de vendas e distribuição também são fundamentais

Responder às alterações climáticas não se resume apenas à forma como as culturas são cultivadas; estratégias de vendas e distribuição, como "onde, o quê e como vender", também são importantes. Mesmo ao alterar as culturas cultivadas em resposta a mudanças de temperatura, é necessário considerar as necessidades de mercado dessas culturas. As culturas não são apenas produtos agrícolas, mas também commodities económicas. É por isso que os agricultores escolhem variedades com base não apenas na "facilidade de cultivo", mas também na "facilidade de venda". Mesmo que a produtividade seja alta, de nada adianta se a cultura não puder ser vendida. Ao selecionar variedades, é essencial considerar o lucro e as necessidades de mercado.

Quando se trata de frutas, a qualidade exigida varia dependendo do método de venda. No envio ao mercado, a beleza da aparência é enfatizada. As maçãs demoram a mudar de cor em anos quentes, então os agricultores usam folhas refletivas e retiram as folhas para melhorar a sua aparência. Por outro lado, ao vender diretamente aos consumidores pela internet ou em lojas de produtos agrícolas, o sabor é mais importante do que a aparência. Nesse caso, é importante atrasar a colheita e entregar a fruta totalmente madura. Ao contrário do envio ao mercado, esse tipo de venda direta pode, às vezes, ser uma oportunidade para agricultores individuais superarem as alterações climáticas por meio da sua engenhosidade única. Como tal, pode ser uma fonte estável de renda para pequenos agricultores e para aqueles que estão a começar na agricultura.

Se a pecuária leiteira pudesse engajar-se na sexta transformação industrial, processando leite em sorvetes e outros produtos para venda, poderia capitalizar o aumento da procura durante os períodos de calor como uma oportunidade de lucro. Esse lucro permitiria, então, investimentos de capital em medidas de combate ao calor. A pecuária sustentável em resposta às mudanças climáticas e à agricultura em áreas montanhosas exigirá estratégias integradas, desde a produção até a venda, bem como medidas comunitárias focadas na coexistência com o meio ambiente e a vida selvagem.

Rumo a um futuro sustentável para a gastronomia

O aquecimento global está a causar um grande impacto nas nossas dietas. A agricultura japonesa está atualmente a realizar diversos esforços para se adaptar às rápidas alterações climáticas, incluindo o aprimoramento de variedades, métodos de cultivo e a mudança de áreas de produção. Esses esforços compartilham muitos desafios comuns com a agricultura em todo o mundo e podem oferecer percepções importantes para a construção de um futuro alimentar sustentável. Tomoyoshi Hirota – Japão in “Nippon”


Moçambique - Governo apoia agricultores do distrito de Mossurize com novo lote de tractores

Dez produtores agrícolas do distrito de Mossurize, na província de Manica, beneficiaram recentemente de igual número de tractores, no âmbito de uma iniciativa do Governo destinada a dinamizar a produção e a produtividade no sector familiar


A acção enquadra-se no projecto MozRural, uma intervenção multissectorial financiada em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), que visa promover a inclusão produtiva no meio rural.

Os tractores, entregues formalmente esta semana, destinam-se a produtores de culturas diversas, com especial atenção para mulheres e jovens, que deverão comparticipar com 15% do valor de cada equipamento, estimado em cerca de 3,5 milhões de meticais. Esta abordagem visa assegurar o envolvimento directo dos beneficiários e a sustentabilidade do investimento.

A campanha agrária em curso no distrito de Mossurize prevê abranger uma área de 215 mil hectares, com uma expectativa de produção superior a 600 mil toneladas de culturas alimentares e comerciais. A introdução de meios mecanizados deverá contribuir para o aumento da eficiência, redução do esforço físico no campo e melhoria dos rendimentos familiares.

Com esta entrega, eleva-se para 21 o número total de tractores distribuídos pelo MozRural em Mossurize, reflectindo o compromisso do Governo com a modernização do sector agrícola e a redução das assimetrias regionais. A nível da província de Manica, o MozRural já aprovou 90 projectos produtivos, sendo a maioria direccionada para a aquisição de equipamentos agrícolas e respectivas alfaias. In “Diário Económico” - Moçambique


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Macau - Negócios em Angola seduzem empresários

Oportunidades de negócio em áreas como os têxteis, agricultura e tecnologia levaram o empresário de Macau Eduardo Ambrósio e um grupo de representantes de Hengqin a Angola. Em Luanda, o grupo manteve contactos com diversas entidades. O macaense disse ao Jornal Tribuna de Macau que a deslocação visou principalmente “estudar formas de enviar ‘know-how’ para aquele país africano e sensibilizar os empresários chineses que estão interessados em apostar no mercado angolano”


O empresário de Macau Eduardo Ambrósio e alguns representantes industriais de Hengqin estiveram em Luanda durante alguns dias para estudar formas de levar “know-how” para Angola, em áreas como os têxteis, a agricultura e as tecnologias.

O empresário macaense liderou as visitas efectuadas a diversas entidades bancárias e associações comerciais, e esteve reunido com o Ministro da Economia e Indústria angolano, Rui Miguêns de Oliveira, numa altura em que na capital daquele país africano estavam a ocorrer tumultos.

“Apesar da situação que se verificava, mas que acalmou ao fim de três dias, pude manter diversos contactos e ajudar os elementos de Hengqin, que tinham estado antes na Guiné-Bissau, a deslocar-se à Zona Económica Especial da Catola”, revelou ao Jornal Tribuna de Macau Eduardo Ambrósio, presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos.

O sector do vestuário é uma das principais áreas de investimento possível de estabelecer com Angola, “uma vez que não há nenhuma fábrica que faça uniformes”, disse o dirigente.

As primeiras abordagens foram feitas na capital angolana. A partir daqui, “vou falar com os empresários da China que estejam interessados em fazer ali negócios no ramo dos têxteis, expandindo também para outros países do continente africano”, salientou.

Para Ambrósio, Macau servirá de ponte para levar empresários da Grande Baía a Angola, ajudando os jovens daquele país a desenvolver a indústria têxtil e ter trabalho. “O objectivo é levar técnicos, especialistas e peritos nesta área”, frisa, acrescentando que “a China está agora numa crise e pretende exportar muita tecnologia para África”.


Constatando que a maioria dos chineses que estão em Angola são do norte, o que dificulta a comunicação com os líderes angolanos, afirma que “Macau tem a vantagem de falar português”.

Apontando que Angola tem um vizinho com milhões de habitantes, o Congo, frisa que “poderá desenvolver esse grande mercado”. O Brasil tem igualmente potencial, “mas fica muito longe”, admite.

A agricultura será outra das apostas a explorar em terreno angolano pelos homens de negócios do Interior da China, concretamente no reerguer da indústria do café. “Angola foi o terceiro maior exportador de café do mundo antes da guerra e agora quer recomeçar, por isso, a ideia é tentar levar pessoas a Timor-Leste para os ensinar na plantação de café, para que depois possam desenvolver a indústria em Angola”, afirma.

No que diz respeito às trocas comerciais entre a China e a África, o empresário refere que “o futuro está no continente africano” e que pode haver um maior intercâmbio. “Os chineses poderão importar diamantes e peças preciosas e exportar tecnologia, para além de algumas empresas da China terem um papel importante na construção civil em Angola”, sublinha.

Estes temas dominaram o encontro de Eduardo Ambrósio com o Ministro da Economia e Indústria angolano. “Foi uma conversa bastante positiva, durante cerca de quatro horas, período em que tivemos oportunidade de abordar várias questões de uma forma geral e no qual o ministro mostrou grande interesse e abertura para que a China faça investimentos em Angola”, concluiu. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”






domingo, 6 de julho de 2025

Timor-Leste - Fundação Carbon Offset Timor – Plantar um futuro mais verde no país

Com mais de 219 mil hectares de terras agrícolas, Timor-Leste pode ser um exemplo na economia verde. No entanto, os agricultores — que representam a maioria da população rural — continuam a integrar o estrato social mais vulnerável do país


Segundo o relatório do Censo Agrícola de 2019, Timor-Leste dispõe de mais de 219 mil hectares de áreas agrícolas. A maioria da população rural dedica-se à agricultura, dependendo fortemente das plantações para garantir o sustento diário.

O Global Forest Watch indica que 67% do terreno timorense é coberto por floresta natural, contando com 1,01 milhão de hectares de áreas florestais em 2020. No entanto, tem havido uma tendência para a perda de “cobertura arbórea”, como mostram os dados de 2024, em que se registou uma perda de 1,36 mil hectares de floresta natural, o que equivale a 520 mil toneladas de emissões de CO.

A Fundação Carbon Offset Timor (FCOTI) é uma ONG local, instituída legalmente em outubro de 2018, mas que tem trabalhado na plantação comunitária de árvores desde 2009. A iniciativa já beneficiou mais de 225 famílias e mais de 2000 agricultores individuais em zonas rurais, contribuindo simultaneamente para a mitigação das alterações climáticas globais, através de créditos de remoção de carbono baseados no reflorestamento comunitário.

O Diligente entrevistou o diretor-executivo da FCOTI, Alexandre Sarmento, para falar sobre os projetos desenvolvidos ao longo da existência da fundação. Com apoio suficiente, o objetivo da FCOTI passa por alargar os serviços e beneficiar mais pessoas.

“Dependendo dos recursos, queremos expandir-nos para outros municípios em Timor-Leste e, eventualmente, para outros países vizinhos na região, especialmente a Indonésia Oriental e os Estados insulares do Pacífico”.

Atualmente, quais são as principais atividades desenvolvidas pela fundação?

Desenvolvemos ações de reflorestamento comunitário e agroflorestal, concedemos bolsas de estudo a estudantes do ensino secundário em Laclubar — em parceria com a GTNT-Darwin Austrália — e disponibilizamos microcrédito a agricultores que gerem os seus pequenos negócios. Também formamos mulheres da comunidade na confeção de marmelada, utilizando produtos locais, e reabilitamos pequenas infraestruturas, como salas de aula e casas de banho escolares em zonas rurais, em parceria com o Rotary Club.

A FCOTI também tem estabelecido contratos com o PNUD (UNDP em inglês) e com um projeto chamado EARTH (Enhanced Agroforestry for Resilient Timorese Households), em parceria com a World Vision. O EARTH é financiado pela União Europeia e pela World Vision.

Em que consistem os projetos Carbon Offset e Halo Verde?

O nome completo do nosso principal projeto de carbono é Halo Verde Timor Community Forest Carbon. Numa forma mais curta, chamamos de Projeto Halo Verde. Consiste em atividades agroflorestais e de reflorestamento, com agricultores dos municípios de Manatuto, Manufahi e Viqueque.

As atividades são pensadas e executadas segundo os princípios de não emissão de dióxido de carbono.

Quem são os principais parceiros da fundação?

GTNT-Darwin Australia, Rotary Club NSW, Australia, UNDP, JICA, World Vision & EU, The Plan Vivo Foundation no Reino Unido, vários compradores de créditos de carbono da Austrália, Europa (Dinamarca, Reino Unido, Portugal, Alemanha) e Estados Unidos da América.

Quais são as principais conclusões das pesquisas realizadas pela FCOTI sobre agricultura e alterações climáticas em Timor-Leste?

Normalmente, realizamos pesquisas regulares junto das famílias, para determinar as suas opiniões e perceções, e avaliar o impacto económico a nível familiar e ambiental. A última pesquisa foi realizada em 2021. Há uma pesquisa em curso (em 2025).

O que significa “Carbon Credit Sell” e como funciona?

Um crédito de carbono, também conhecido como compensação de carbono (carbon offset), é uma licença negociável que representa uma tonelada métrica de dióxido de carbono (ou seu equivalente em outros gases de efeito estufa) que foi reduzida, evitada ou removida da atmosfera. Esses créditos são gerados por projetos que mitigam ativamente as mudanças climáticas, como o desenvolvimento de energia renovável, o reflorestamento ou tecnologias de captura de carbono. Essencialmente, permitem que empresas ou indivíduos compensem as suas próprias emissões, apoiando projetos que reduzem as emissões noutros lugares.

Por exemplo, se um agricultor planta um hectare de árvores, esse hectare absorve 100 toneladas de CO2, então esse agricultor tem 100 créditos (uma tonelada métrica de dióxido de carbono é cotada em um crédito). Se um crédito custa 20 dólares, o agricultor ganha 2000 dólares.

Pode explicar o que é o Acordo de Pagamento de Serviços Ecossistémicos (PES Agreement)?

O acordo PES é um acordo entre o agricultor e a fundação. Define as tarefas e responsabilidades de cada parte. O pagamento aos agricultores varia, dependendo da sobrevivência da árvore e da venda do crédito de carbono no mercado, com base no preço esperado. Se essas duas condições não forem cumpridas, o pagamento aos agricultores será retido.

Porque é que os agricultores recebem pagamentos de 10 anos, se o acordo tem a duração de 30?

Uma vez plantada, uma árvore deve permanecer no solo por mais de 30 anos. Idealmente, nenhuma árvore deve ser cortada.

O nosso acordo inicial com os agricultores é de 10 anos. Terminado esse período, são oferecidos pequenos incentivos aos agricultores para que continuem a manter as árvores nos 20 anos seguintes. É importante observar que a maioria das nossas áreas são agroflorestais. A floresta é mais rentável para os agricultores que os créditos de carbono, cujo mecanismo gera apenas um dinheiro extra para os agricultores. Os créditos de carbono não devem ser tratados como o principal produto da floresta ou agrofloresta.

Quais foram os principais resultados alcançados até hoje?

Até hoje, mais de 250 mil árvores foram distribuídas e plantadas pelas comunidades. Temos mais de 150 hectares sob o programa de carbono e mais de 91 mil dólares pagos aos agricultores até 2024. Mais de 35 créditos de carbono vendidos em mercados internacionais, 226 acordos de PES assinados com as comunidades e mais de 600 bolsas de estudo concedidas desde 2011.

Quais os maiores desafios enfrentados pela fundação ao longo do tempo?

Somos uma pequena fundação local, timorense, com recursos limitados. Precisamos de aumentar a nossa capacidade em termos de administração, mas também em termos de estrutura, para que nos possamos expandir para outras áreas. Sem recursos suficientes, os nossos planos futuros ficam apenas no papel. Ainda temos vários desafios pela frente.

Os maiores desafios que enfrentamos na comunidade incluem o pasto de animais, a queima de florestas e a falta de registos de propriedade dos terrenos.

Que recomendações deixaria à sociedade civil, às instituições e ao Governo?

Todos nós precisamos de fazer a nossa parte e dar o nosso contributo para a Mãe Natureza. O que fazemos pode ser uma pequena gota no oceano. No entanto, se agirmos em conjunto, podemos ter um impacto maior.

Como podem os cidadãos ajudar ou envolver-se com a Fundação?

Qualquer agricultor pode participar no programa desde que cumpra com os critérios mínimos mencionados anteriormente.

Quais são os critérios utilizados para selecionar os agricultores participantes?

Por se tratar de um compromisso de longo prazo – 30 anos –, temos dois níveis de critérios.

O primeiro nível é para as terras elegíveis: a terra não deve estar sob disputa, não deve ser usada para desenvolvimento futuro de infraestruturas, como o alargamento de estradas, a construção de escolas e clínicas e, portanto, o local deve estar longe de áreas residenciais. A terra deve ser desmatada. É estritamente proibido, de acordo com o nosso guia, cortar árvores para plantar árvores.

No segundo nível, avaliamos os agricultores: devem ser timorenses, residir em áreas rurais, estar saudáveis ​​para plantar árvores, devem garantir a propriedade da terra e devem assinar um acordo connosco para cuidar das árvores sem as cortar ao longo desses 30 anos.

Existem planos para envolver jovens ou escolas em atividades de sensibilização ambiental?

Tentamos sempre envolver jovens e estudantes do ensino secundário em Laclubar, Lacluta e Lospalos, em ações de treino agroflorestal, como uma atividade extracurricular. Em Laclubar, além de oferecer bolsas de estudo, também oferecemos formação e treino em biodiversidade.

A fundação também ofereceu bolsas de estudo a 13 estudantes universitários. No entanto, devido à falta de financiamento, o programa foi descontinuado. Um dos nossos bolseiros universitários está agora a trabalhar com a fundação.

A FCOTI recebe financiamento do Estado timorense ou apenas de parceiros externos?

Durante a pandemia da COVID-19, o Governo de Timor-Leste concedeu um pequeno subsídio à FCOTI para cobrir os custos operacionais do escritório e manter o pessoal essencial. O Governo também concedeu um subsídio adicional em 2021, para a realização de atividades de campo, mas 93% do financiamento da fundação vem de parceiros internacionais, especialmente compradores de créditos de carbono.

Como é feita a monitorização dos resultados ambientais obtidos?

A monitorização anual é muito rigorosa e envolve o proprietário da fazenda e a equipa de campo: medem e reportam o crescimento das árvores, as taxas de sobrevivência, o diâmetro à altura do peito, a altura das árvores, etc. Os dados devem ser reportados ao Plan Vivo, que concede a certificação internacional ao nosso projeto. O relatório também é publicado no site. Reportamos regularmente às autoridades locais e mantemos uma boa relação com elas. Antónia Martins – Timor-Leste in Diligente