Os comboios de mercadorias que ligam a China à Europa realizaram mais de 130 mil viagens na última década, representando um comércio superior a 520 mil milhões de dólares.
Actualmente, transportam por mês a mesma quantidade de
mercadorias registada em todo o ano de 2016. Estes foram alguns dos dados
revelados por Liang Linchong, director-geral do Departamento de Abertura
Regional da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (principal órgão de
planeamento económico da China), durante uma conferência de imprensa realizada
em Pequim.
Citado pelo jornal oficial “Global Times”, Liang
sublinhou que o número de viagens nesta ligação ferroviária comercial aumentou
de 1702 em 2016 – quando estes serviços foram unificados sob um único nome –
para mais de 20.000
no ano passado, representando uma taxa média de crescimento anual superior a
30%. O mesmo responsável indicou ainda que a digitalização dos processos
alfandegários permite agora que estes sejam concluídos em cerca de meia hora e
que os horários fixos dos comboios reduziram o tempo de viagem em mais de um
terço em rotas como a entre Xi’an (China central) e Duisburg (Alemanha
ocidental), que passou de 15 para 11 dias.
Os comboios têm operado com 100% da sua capacidade de
carga durante 46 meses consecutivos, observou Liang, acrescentando que a
proporção de mercadorias que saem da China em relação às que chegam da Europa
está a aproximar-se de um “equilíbrio de um para um”, o que representaria uma
“forte procura bidireccional”.
A expansão das rotas que ligam a China à Europa também
aumentou a atractividade para os comerciantes transfronteiriços, afirmou o
representante da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, mencionando as
novas ligações abertas através do corredor do Mar Cáspio, através da Turquia, e
do porto russo de São Petersburgo para a Alemanha. A volatilidade das rotas
marítimas devido à escalada dos conflitos geopolíticos também beneficiou estes
comboios, especialmente para as empresas que procuram um acesso rápido à
Europa, como os fabricantes de ar condicionado Midea e Gree, que reduziram os
prazos de entrega de cerca de 40 dias para aproximadamente 15 em resposta à
onda de calor que afecta o continente. In “Jornal
Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”
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