Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 18 de julho de 2026

Reino Unido - Portugueses da cidade de Londres unidos contra encerramento do restaurante Lusitânia

Está a decorrer no município de Lambeth, em Londres, um processo de licenciamento urbanístico que prevê a demolição de anexos e estruturas nas traseiras do edifício histórico “The Britannia”, situado no número em Wandsworth Road, onde funciona o Restaurante Lusitânia, ponto de encontro da comunidade portuguesa


A proposta apresentada prevê a construção de uma extensão de quatro pisos, com a escavação de uma cave, destinada à criação de seis frações residenciais independentes, a que se soma a edificação de três novas habitações no logradouro das instalações.

A iniciativa motivou uma forte reação por parte da comunidade portuguesa local, impulsionada por Pedro Xavier. O conselheiro das comunidades portuguesas tem liderado o apelo público à contestação deste projeto de planeamento, cujo prazo de consulta pública terminou a 7 de julho.

Pedro Xavier considera que o Restaurante Lusitânia assume uma relevância que ultrapassa a mera vertente comercial, classificando o espaço como um símbolo de união e um ponto de encontro geracional para os cidadãos portugueses residentes na capital britânica. O conselheiro sublinha que o estabelecimento faz parte da história da emigração nacional na cidade e da própria identidade do bairro onde se insere.

Segundo Pedro Xavier, a aprovação do atual projeto urbanístico coloca em risco a integridade de um marco considerado fundamental para a preservação das memórias e do património cultural da comunidade portuguesa na região.

O representante tem vindo a apelar, por isso, à mobilização de residentes, familiares e amigos para que submetam observações formais e objeções ao processo, com o intuito de travar os planos de demolição parcial e a subsequente reconfiguração do espaço. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Alemanha - Centro Português de Dürnau comemora 60 anos de atividade

O Centro Português de Dürnau, na Alemanha, celebra este sábado, 13 de junho, 60 anos de atividade, numa altura em que os seus responsáveis admitem dificuldades em atrair novas gerações para a associação


A comemoração deverá reunir entre 200 e 250 pessoas, incluindo representantes da comunidade portuguesa e o cônsul-geral de Portugal em Estugarda, num encontro que pretende assinalar seis décadas de uma instituição que acompanhou a história da emigração portuguesa no sul da Alemanha.

“Quando eles vieram todos para aqui, eram tudo rapazes novos e, para estarem juntos, para jogarem cartas, para beber um copo, para falar, fizeram esse centro”, recordou Sílvia Oliveira, atual responsável pela associação.

Filha de emigrantes portugueses, Sílvia Oliveira nasceu na Alemanha em 1976. Os pais chegaram ao país no início da década de 1970 para trabalhar numa fábrica de vidro, num movimento migratório que trouxe para a região dezenas de trabalhadores, muitos deles oriundos da Marinha Grande, tradicional centro da indústria vidreira portuguesa.

“O meu pai foi um dos fundadores desse centro”, contou à agência Lusa.

Os primeiros encontros decorriam numa cave cedida por uma empresa local. Mais tarde, os emigrantes adquiriram um terreno e construíram uma pequena barraca para se reunirem. Com o crescimento da comunidade, o espaço foi sendo ampliado, ganhou cozinha própria e passou a organizar refeições, festas e atividades desportivas.

Durante anos, o centro funcionou como um dos principais pontos de encontro dos portugueses da região. Chegou a abrir regularmente às sextas-feiras, sábados e domingos.

“No princípio do ano fazia-se uma assembleia geral. Depois faziam grupos de 16 pessoas, sempre quatro pessoas num grupo. Cada semana era um grupo a cozinhar”, explicou, acrescentando que era tudo em regime de voluntariado.

Os torneios de sueca e chinquilho, os jogos de futebol e as festas anuais com artistas vindos de Portugal marcaram várias gerações de emigrantes.

“Nós crescemos nessa vida, estávamos sempre no centro. Ao domingo ia-se ao centro, crescemos lá, dormíamos lá nas cadeiras ao fim de semana”, lembrou, entre risos.

A evolução da comunidade portuguesa na região acabaria, contudo, por alterar profundamente a realidade da associação.

“Tínhamos aqui muitos portugueses, muitos mesmo, mas eles eram todos vidreiros e quando a empresa dos vidros fechou, muitos voltaram para Portugal”, explicou Sílvia Oliveira.

Atualmente, o centro abre apenas aos sábados e conta com cerca de 16 voluntários ativos, responsáveis pela confeção das refeições e pela gestão da associação. Funciona apenas mediante reserva prévia.

Entre os pratos mais procurados estão o bacalhau, as sardinhas assadas, a dourada, o peixe-espada, os choquinhos e as gambas.

Apesar da estabilidade financeira, o principal desafio é hoje a renovação geracional.

“Já somos todos para os 40, 50 anos e é muito cansativo cozinhar para tanta gente […] tenho muita pena, mas não sei como é que a gente pode puxar-lhes (aos mais jovens) o interesse”, confessou.

As celebrações dos 60 anos incluem música ao vivo, gastronomia portuguesa, fogo-de-artifício e uma esplanada com bifanas, sardinhas assadas, filetes, pastéis de nata e outras especialidades.

Enquanto prepara a festa, Sílvia Oliveira espera que o aniversário sirva também para recordar o papel que o centro desempenhou na vida de várias gerações de emigrantes portugueses.

“Estão agora a cozinhar e a dar vida ao centro ainda”, sublinhou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Macau - Recepção de “Junho, Mês de Portugal” volta a decorrer na Escola Portuguesa

Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação do Governo português, estará em Macau para as comemorações do 10 de Junho. Nesse dia, a recepção à comunidade lusa residente no território será este ano realizada nas instalações da Escola Portuguesa. A EPM foi escolhida por ser “um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas”, disse Alexandre Leitão na apresentação do programa do “Junho, Mês de Portugal”. A edição deste ano contará com 37 actividades


O Estado português volta a estar este ano representado nas celebrações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Macau. Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação, foi a figura escolhida pelo Governo para se deslocar ao território, depois de em 2025 as celebrações não terem contado com qualquer representante vindo de Lisboa.

Recorde-se que a deslocação do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a Macau para as cerimónias do 10 de Junho do ano passado, foi cancelada devido à situação política interna do país.

As comemorações serão assinaladas, como é habitual, com o hastear da bandeira, nos Jardins do Consulado, na manhã de 10 de Junho, seguindo-se a tradicional romagem à Gruta de Camões. O Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, revelou que a recepção à comunidade portuguesa, que nos últimos anos tem sido realizada na Residência Oficial da Bela Vista, terá desta feita por palco as instalações da Escola Portuguesa (EPM), ao final da tarde do mesmo dia 10, repetindo-se o que aconteceu em 2023.

A EPM foi escolhida “por ser um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas, e porque é uma instituição que materializa esta ideia de fusão entre povos e de plataforma”, salientou o Cônsul, referindo que em vários países onde existem escolas portuguesas, estas são normalmente o local onde se faz o dia de celebração de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Tem tudo a ver, é o presente, o passado e naturalmente o futuro, e o futuro está na escola”, enfatizou.

A Residência Oficial, no entanto, não fica fora das celebrações, uma vez que abrirá portas na tarde do dia 25 de Junho, no âmbito de um programa que permite a observação de obras de vários artistas, que decoram algumas salas da Residência Consular. “Queremos abrir o mais possível o Bela Vista às comunidades, não só portuguesas, mas todas as comunidades que devem conhecer aquele património magnífico”, frisou Alexandre Leitão.

O Cônsul-Geral proferiu estas declarações no decorrer da apresentação do programa de mais uma edição do evento “Junho, Mês de Portugal”.

Através de representantes das principais entidades que organizam o certame, nomeadamente a Casa de Portugal, Instituto Português do Oriente (IPOR), Fundação Oriente (FO), Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e o próprio Consulado, foram detalhadas as diversas actividades que vão decorrer oficialmente entre amanhã, com uma primeira exposição, da responsabilidade da SOMOS – Associação de Comunicação de Língua Portuguesa, e 3 de Julho.

No programa, “que ainda não está fechado”, segundo referiu Patrícia Quaresma, directora do IPOR, estão incluídos 37 eventos, entre exposições, workshops, espectáculos performativos e na área da literatura, concertos e conferências, para além da quarta edição do “Roteiro Gastronómico: Comer e Beber à Portuguesa”.

Neste caso, a iniciativa conta com 35 estabelecimentos participantes, o que é um número recorde. “Pretendemos também consolidar o maior número de visitantes, de participações dos restaurantes, e que no ano passado alcançou já 2000, representando um crescimento de 300% face à segunda edição”, sublinhou Bernardo Pinho, delegado da AICEP em Macau.

“Mais uma vez estes estabelecimentos aderentes representam aquela que é a diversidade da gastronomia de pratos típicos portugueses em Macau, nomeadamente não só os restaurantes das concessionárias do jogo, mas também de estabelecimentos de rua, bares, cafés, padarias e take-away”, disse.

Durante o mês de Junho, cada um destes espaços de restauração promoverá uma oferta específica, com desconto de 10%. O BNU volta a ser parceiro nesta festa gastronómica, oferecendo uma viagem a Portugal após sorteio dos clientes do banco que consumirem nos estabelecimentos aderentes.

O evento destinado à promoção da comida portuguesa, que abarca também iniciativas do Clube Militar e do Hotel Sofitel, assume um papel importante no conjunto de actividades, conforme foi destacado por Alexandre Leitão. “O crescimento deste programa excedeu as nossas expectativas e a gastronomia é extraordinariamente importante quando se faz a acção cultural e projecção do que se chama o softpower de um país, cuja própria imagem assenta muito na capacidade que os chefes têm em traduzir no prato muita da cultura”, observou.

Concertos, espectáculos para crianças e exposições

O “Junho, Mês de Portugal” apresenta ainda concertos diversificados, alguns dos quais para crianças na Casa Garden, e uma actuação de jazz no Roadshow, com um quarteto de saxofone.

Em termos de espectáculos performativos, a Casa de Portugal irá apresentar já neste fim-de-semana um evento dedicado às crianças, nomeadamente bebés acompanhados pelos pais, em quatro sessões. “Será um espectáculo de cariz sensorial, em que os pequeninos têm oportunidade de experienciar texturas e sons, porque ainda não têm idade para palavras”, vincou Amélia António.

Para a presidente da associação de matriz lusa, estes eventos virados para os mais pequenos têm posto “muito em evidência” a crise de natalidade em Macau. “De ano para ano, nós sentimos pelas actividades que organizamos para esses sectores etários, que vemos mirrar, definhar, o universo dessa faixa etária, que é de facto uma coisa extremamente preocupante”, disse a dirigente.

Além de uma exposição dedicada a Camilo Pessanha, acompanhada pela leitura de poesia e música interpretadas por dois artistas que virão de Portugal, e uma outra mostra sobre a calçada à portuguesa, na Casa de Vidro, o Fado à Janela, no edifício-sede, será outra das apostas da Casa, que fechará a sua participação com um concerto de Afonso Cabral, no Teatro D. Pedro V. O evento incluirá ainda o Arraial de Santo António, nas instalações da EPM, a 13 e 14 de Junho.

Um recital lírico, no Teatro D. Pedro V, no dia 6, é uma das novidades do programa, tendo a particularidade de ser uma proposta de uma cooperativa de ópera de câmara de Hong Kong e com a produção de uma empresa local. Michel Reis, um dos promotores, afirmou que o objectivo é apresentar uma perspectiva de música composta para voz, com vários compositores. “Vamos ter algumas obras de autores do Brasil e a colaboração do Concurso Internacional de Canto – Cascais Ópera, que tem projectado cantores de todo o mundo e também portugueses, como Sílvia Sequeira, que vai estar em Macau juntamente com uma soprano, um barítono e uma pianista francesa, todos de Hong Kong”, destacou.

A Casa Garden receberá algumas actividades, uma das quais uma exposição, em conjunto com o IPOR, de Eduardo Leal, fotógrafo documental português, que “revela um trabalho sobre a condição humana e sobre como vivem outras pessoas noutros lugares”, referiu Catarina Cottinelli, delegada da Fundação Oriente.

O Instituto Internacional de Macau colabora também no programa de eventos, recebendo exposições e conferências, uma das quais gira em torno da missão empresarial a Macau de entidades da Região Autónoma da Madeira. A outra, intitulada “Raízes e rumo: construir o presente e fortalecer o futuro”, a 13 de Junho, é uma iniciativa do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, explicou que os debates se focarão na renovação geracional, com a participação de vários jovens talentos.

Além disso, o evento dedicado a Portugal durante o próximo mês inclui outras exposições, como a “Ilha dos Amores”, organizada pelo Círculo dos Amigos da Cultura no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, “O Estúdio de Alexandre Marreiros – Dez Anos de Desenho e Pintura” na Fundação Rui Cunha, e mostra de trabalhos de Raquel Gralheiro, na Amagao.

No que diz respeito ao convite a artistas do exterior, o cônsul-geral de Portugal em Macau admitiu que seja agora mais difícil, devido aos custos acrescidos das viagens, em consequência da crise no estreito de Ormuz. A situação teve “impacto directo na organização deste programa cultural”, lamentou o diplomata. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 7 de maio de 2026

UCCLA - Busto de Luís de Camões a caminho dos Estados Unidos da América

A UCCLA vem desenvolvendo o projeto de levar o busto de Luís de Camões a várias cidades onde se fala português, no intuito de reforçar a matriz da nossa organização, assente num idioma comum a um tempo uno e diverso.


Desta feita, o busto do poeta maior foi levado para Washington D.C., nos Estados Unidos da América, e transportado pelo navio-escola Sagres a partir do Porto de Lisboa, no dia 30 de abril.

A presente iniciativa congrega não só a simbologia do nosso idioma junto das diásporas das várias cidades membros da UCCLA, mas também o facto de o Campeonato Mundial de Futebol decorrer nos Estados Unidos da América (além do México e Canadá) pretendendo, outrossim, prestar homenagem às seleções portuguesa e cabo-verdiana de futebol.

A UCCLA agradece à Marinha Portuguesa, nomeadamente ao senhor Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Jorge Manuel Nobre de Sousa, e ao senhor Comandante do NRP SAGRES, CFR José Eduardo de Sousa Luís, a pronta disponibilidade manifestada para o transporte do busto de Luís de Camões, a cuja simbologia e significado um navio com o prestígio da Sagres muito acresceu. UCCLA


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Portugal - Federação Nacional da Educação pede reunião urgente para revisão do regime do Ensino Português no Estrangeiro

A Federação Nacional da Educação (FNE) pediu uma reunião urgente ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP), com vista à abertura de um processo negocial sobre a revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro.


O pedido da FNE surge após as declarações do governante à Lusa, na semana passada, nas quais Emídio Sousa garantiu que o Governo vai trabalhar na revisão do regime jurídico que regula o ensino do português no estrangeiro “nos próximos meses” para “mitigar algumas das dificuldades, principalmente as financeiras, mas não só”.

A federação sublinha “a ampla divulgação pública” das palavras do Secretário de Estado, mas recorda, em comunicado, que, “até à presente data, e apesar das várias propostas de alteração a diversos artigos do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro enviadas pela FNE ao longo dos mandatos dos anteriores Secretários de Estado das Comunidades Portuguesas, tal revisão nunca se concretizou”.

Acrescenta que os anteriores SECP Berta Nunes e Paulo Cafôfo “reiteradamente anunciavam uma revisão para breve”.

Contudo, a organização sindical dos professores lembra que, “até hoje, não foram remetidas à FNE quaisquer propostas da tutela para estudo, nem teve lugar qualquer diálogo formal sobre esta matéria”, bem como assinala a ausência de “resposta aos ofícios e pedidos de negociação apresentados pela FNE e pelo seu sindicato filiado, o SPCL [Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas]”.

Ainda assim, a FNE “mantém a expectativa de que as intenções agora manifestadas pela tutela se traduzam, finalmente, em concretizações efetivas”.

O comunicado realça a importância desta matéria para os docentes em exercício no Ensino Português no Estrangeiro e o “impacto direto que uma eventual revisão do regime jurídico poderá ter nas suas condições de trabalho, carreira e estabilidade profissional”, para reclamar um processo a ser conduzido “com base no diálogo social, em sede de negociação”.

Por último, a FNE dá nota do envio deste pedido à tutela, reafirmando “total disponibilidade para participar, de forma construtiva e responsável, num processo negocial que assegure a valorização da profissão docente, a defesa dos direitos dos trabalhadores e a qualidade do ensino público de língua e cultura portuguesas no estrangeiro”, ficando a aguardar a marcação de uma reunião “com carácter de urgência”.

Na semana passada, durante uma visita a Londres, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, revelou estar a trabalhar na melhoria das condições financeiras dos professores de ensino da língua portuguesa no estrangeiro para combater as dificuldades no recrutamento. “O estatuto remuneratório e os benefícios atuais não são muito atrativos porque muitos dos professores que até poderiam ter interesse em vir deparam-se com dificuldades financeiras, porque a habitação é muito cara”, afirmou Emídio Sousa.

Além da componente salarial para melhorar a atratividade da carreira, o governante anunciou a revisão de aspetos como “o próprio ensino, o método, o desempenho, as capacidades”, sem dar pormenores.

O Governo, garantiu, está determinado em manter e melhorar o ensino de português no estrangeiro porque o considera um “ativo estratégico para o país”, mas reconheceu que “a profissão de professor, para a minha grande tristeza, perdeu alguma atratividade”.

“Isto está a acontecer muito em todo o mundo e em Portugal”, vincou. In “LusoJornal” - França


Dinamarca – Comunidade portuguesa lança plataforma de produtos nacionais no país

A comunidade portuguesa na Dinamarca acaba de dar um novo passo no reforço da ligação às raízes portuguesas com o lançamento da plataforma online “Produtos Portugueses na Dinamarca”, um projeto comunitário que pretende facilitar o acesso a bens portugueses naquele país nórdico


A iniciativa surgiu na sequência de um questionário previamente partilhado junto da comunidade, com o objetivo de avaliar o interesse na importação periódica de produtos portugueses. Segundo os promotores, em nota publicada esta quinta-feira nas redes sociais, a resposta foi “muito positiva”, o que motivou o avanço para a criação da primeira versão do site/app, já disponível online e com vários dos produtos mais solicitados incluídos.

O conceito é simples: reunir encomendas da comunidade, importar os produtos diretamente de Portugal e, dessa forma, conseguir preços mais justos e custos de transporte mais reduzidos face às opções atualmente disponíveis. Os responsáveis sublinham que não se trata de uma loja tradicional, mas sim de um projeto colaborativo, construído com base no feedback dos portugueses residentes na Dinamarca.

Numa fase inicial, a plataforma encontra-se ainda em desenvolvimento, podendo apresentar erros ou aspetos a melhorar. A equipa apela, por isso, à participação ativa da comunidade, solicitando sugestões de novos produtos, comentários sobre os artigos já disponíveis e as primeiras encomendas, essenciais para dar escala e viabilidade ao projeto.

“O projeto é da comunidade e só funciona com a comunidade”, destaca Inês Marques em nota publicada nas redes sociais, incentivando os portugueses na Dinamarca a explorarem a plataforma e a contribuírem desde o início para a sua consolidação.

Os interessados podem enviar sugestões e comentários através do endereço eletrónico disponibilizado pelos promotores. “Quanto mais rápido tivermos volume, mais rápido conseguimos ter o projeto em funcionamento e garantir envios regulares”, lê-se na referida publicação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 7 de dezembro de 2025

Argentina - Galeria De Sousa mantém viva herança de raízes portuguesas em Buenos Aires

Pablo de Sousa é designer gráfico e filho de Aldo de Sousa, lusodescendente e fundador da histórica Galeria De Sousa, criada em 1972, em Buenos Aires

A história da família De Sousa tem profundas raízes portuguesas. O avô de Pablo chegou à Argentina vindo de Loulé durante a Primeira Guerra Mundial, dedicando-se inicialmente ao ofício de antiquário. Mais tarde, o seu filho Aldo e a esposa estabeleceram-se em Villa Elisa. Aldo, também ele formado na arte de antiguidades, viria a orientar a sua carreira para as artes, fundando a então Galeria Aldo de Sousa.

Após passar por vários espaços ao longo das décadas, a galeria encontra-se atualmente instalada entre as ruas Paraguay e Maipú, numa zona emblemática da cidade conhecida como a “manzana loca” (quarteirão louco, em português). Este quarteirão ganhou esse nome por, há várias décadas, ter sido ponto de passagem e trabalho de figuras como Marta Minujín e Jorge Luis Borges, ícones da cultura argentina.

Atualmente, é Pablo de Sousa quem dá continuidade a este legado familiar. Há cerca de um ano e meio, a galeria está instalada no espaço da Paraguay 675, uma área com cerca de 500 metros quadrados, distribuída por três pisos. O espaço está aberto de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 18h00 (hora local).

Antes de entrarem na zona expositiva, os visitantes encontram uma loja da galeria, onde é possível adquirir peças de vários artistas. Está igualmente prevista, para breve, a abertura de um espaço de cafetaria, que permitirá ao público desfrutar da visita num ambiente ainda mais acolhedor.

De acordo com a informação patente no sítio da galeria, “o projeto concentra-se em reunir artistas de diferentes gerações e origens para forjar uma ligação intemporal através da sua arte. A galeria presta consultoria a coleções e museus internacionais, promovendo uma plataforma para a visibilidade global ao exportar o seu trabalho para países como os Estados Unidos, Canadá, Espanha, Brasil, Colômbia, Peru, Chile, Venezuela, Porto Rico e Uruguai.”.

A embaixada de Portugal na Argentina visitou recentemente a galeria e deu conta dessa iniciativa através de uma publicação feitas nas redes sociais. Veja aqui, o vídeo da visita e consulte aqui as exposições que pode apreciar neste espaço. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Suíça – Portugueses são a população maioritária no município de Täsch

Colada a um dos destinos turísticos mais conhecidos da Suíça, Täsch abriga 62% de estrangeiros e tem maioria portuguesa desde os anos 2000. A força de trabalho vinda de Portugal sustenta o turismo local, mas a integração entre comunidades ainda é limitada.


À primeira vista, poucos lugares são mais tipicamente suíços do que Täsch, com os seus tradicionais chalés de madeira, trilhos para caminhadas e proximidade direta com o Matterhorn, uma montanha tão icónica que há muito tempo adorna as barras de chocolate Toblerone. O pequeno vilarejo do cantão do Valais, situado num vale a mais de 1400 metros de altitude, é conhecida como a principal porta de entrada para Zermatt, um dos principais pontos turísticos do país.

Noutras palavras, em Täsch está a entrar na Suíça dos cartões-postais. E, no entanto, é talvez um dos lugares onde tem menos probabilidade de encontrar falantes nativos de “Wallisertitsch”, o dialeto local.

6 em cada 10 habitantes não são suíços

O município abriga a maior proporção de estrangeiros do país. Das 1366 pessoas que residiam lá durante todo o ano em 2023, 848 não tinham nacionalidade suíça, ou 62%, segundo o Departamento Federal de Estatísticas (BfS, na sigla em alemão). No total, vivem lá quase quarenta nacionalidades.

Num país onde mais de um quarto da população é estrangeira, não é surpreendente que algumas localidades tenham uma alta percentagem de estrangeiros. No entanto, é possível contar nos dedos das mãos os municípios que, como Täsch, abrigam mais estrangeiros do que suíços.

Mas o que torna Täsch verdadeiramente único na Suíça é o facto de uma nacionalidade estrangeira formar a maioria da população. Há vários anos, homens e mulheres portugueses superam em número os suíços (41% e 38% da população da vila, respectivamente).

Mais de 255 mil cidadãos portugueses vivem na Suíça, tornando-os a terceira nacionalidade estrangeira mais representada no país. O cantão de Valais, e em particular o Vale de Zermatt, é um dos seus locais preferidos.

Migrantes mantêm Zermatt em funcionamento

A explicação está justamente no forte poder de atração de Zermatt. O terceiro município mais visitado da Suíça recebe, todos os anos, turistas do mundo inteiro e registou, em 2024, 1,6 milhão de dormidas, distribuídas ao longo do ano.

É preciso muita gente para manter uma máquina turística deste porte a funcionar, e a maioria é de estrangeiros – em grande parte, portugueses. Centenas de trabalhadoras e trabalhadores imigrantes ocupam empregos de baixa remuneração nos setores de hotelaria e restauração (como ilustra este recente projeto fotográfico), manutenção e serviços de todo tipo.

Uma parte importante da população estrangeira vive na própria Zermatt. Mas a falta de moradias acessíveis na estação, somada ao facto de ser um local de difícil acesso (carros são proibidos), leva muitas pessoas que trabalham ali a preferirem morar em vilarejos vizinhos – Täsch, mas também Randa ou Saas-Fee.

A crise económica impulsionou a imigração

A presença da comunidade portuguesa na área de Zermatt remonta à década de 1980. Naquela época, essa força de trabalho, muitas vezes não qualificada, emigrou para encontrar trabalho nas regiões turísticas dos Alpes.

No início dos anos 2000, a entrada em vigor da livre circulação de pessoas incentivou a imigração para a Suíça de cidadãos de toda a União Europeia, permitindo que eles se estabelecessem permanentemente e trouxessem as suas famílias.


Posteriormente, a crise económica da década de 2010, que atingiu severamente vários países do sul da Europa, em particular Portugal, amplificou significativamente o fenómeno. Desde a melhoria da situação económica em Portugal, o crescimento da população portuguesa em Täsch estabilizou-se.

Choque cultural

No auge da crise em 2012, quando a imigração portuguesa estava a aumentar em Täsch, a Swissinfo foi um dos primeiros veículos de comunicação a relatar o choque cultural que isso representava, tanto para a pequeno vilarejo no Alto Valais quanto para os recém-chegados.

Vários meios de comunicação internacionais, incluindo a BBC e o jornal português Público, interessaram-se posteriormente por este enclave português aos pés do Matterhorn, onde se pode encontrar bacalhau e pastéis de nata no supermercado e onde também são celebradas missas em português.

“Os portugueses podem ser muito barulhentos”, brincou o representante da comunidade lusófona à BBC. “Os moradores vão dormir às nove da noite, ou mesmo meia-hora antes, e não gostam muito que façamos barulho antes das dez da noite. É algo a que temos de nos adaptar.”

Um membro da diretoria da Täsch disse à Swissinfo que os contactos eram bons, mas que os principais problemas eram o baixo nível de alemão e a baixa participação da população portuguesa na comunidade. Ele acrescentou, no entanto, que havia observado uma melhoria: “Os portugueses estão a investir aqui, comprando casas ou abrindo pequenos negócios. Eles estão a mostrar que vieram para ficar.”

Convivência pacífica

Noutra reportagem mais recente do canal de televisão SRF (em alemão), vários moradores de Täsch observam que estrangeiros e suíços vivem mais lado a lado do que realmente juntos. “Já não é mais uma única aldeia unida”, lamenta um homem entrevistado, garantindo, no entanto, não ter nenhum problema com a outra metade da população.

A delegada de integração Eva Jenni, por sua vez, fala de uma “convivência pacífica”, em que “cada um deixa o outro em paz”.


A política de integração de Täsch faz com que a localidade seja regularmente apresentada como um laboratório em matéria de imigração e convivência. As autoridades locais já haviam adotado, há vários anos, uma série de medidas para favorecer a aproximação entre as comunidades. Isso inclui, principalmente, um forte foco no ensino de alemão nas escolas, campanhas de informação e a organização de eventos interculturais.

Mas, ressalta Eva Jenni, “não se pode obrigar as pessoas a misturarem-se”. Os portugueses e portuguesas de Täsch “não têm realmente pressão para se integrar”, explica ela. A maioria deles vem não apenas do mesmo país, mas também da mesma região, e possui muitos parentes no local. Os membros da comunidade mantêm laços estreitos e poderiam, sem dificuldade, viver no dia a dia sem sequer precisar falar alemão.

Vilarejo revitalizado

Esses desafios, no entanto, são menos presentes na segunda geração, que na sua maioria domina melhor o idioma e tem mais vínculos com os habitantes locais.

Além disso, Täsch, cuja população nativa diminui ano após ano, também reconhece o quanto deve à imigração. “Se não houvesse mais estrangeiros aqui, teríamos menos mão de obra no setor do turismo. As escolas fechariam e os professores perderiam o sustento. Haveria toda uma série de problemas”, resume um morador entrevistado pela SRF. “Podemos analisar a questão de todos os ângulos, mas no fim das contas precisamos viver juntos.” Pauline Turuban – França in “Swissinfo”






domingo, 15 de junho de 2025

Alemanha - Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha lança inquérito para a comunidade portuguesa

A ASPPA (Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha) está a desenvolver um inquérito dirigido à comunidade portuguesa residente no país. O objetivo é traçar um retrato mais preciso do perfil, das necessidades e dos desafios enfrentados pelos portugueses a viver na Alemanha


O estudo pretende recolher dados relevantes que ajudem a associação a compreender melhor as características demográficas da comunidade e identificar as principais dificuldades vividas no quotidiano. A informação recolhida também ajudará a referida associação a desenvolver programas e serviços mais ajustados às necessidades reais, além de reforçar a sua capacidade de representação e apoio junto dos portugueses. A participação é totalmente confidencial. Participe aqui.

Fundada em 2012, a ASPPA é uma organização independente e sem fins lucrativos com o propósito último de representar, promover e defender os interesses dos portugueses com grau académico a residir na Alemanha. Desta forma, a associação pretende ainda fortalecer a sua ligação ao meio académico e empresarial, tanto alemão como português. Além disso, a ASPPA também apoia a integração de novos membros na sociedade alemã e potencia a sua reintegração em Portugal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 12 de junho de 2025

Macau - Enaltecido “inegável contributo” dos portugueses para a RAEM

É “inegável” o “contributo” dos portugueses para o desenvolvimento da RAEM – palavras do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, por ocasião das comemorações locais do 10 de Junho. O papel da comunidade tem sido “importante” em “múltiplos aspectos”, vincou o líder da RAEM, na recepção oficial. Já o Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, defendeu que “nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau” como o português, pedindo que a comunidade seja estimada


A música “Avião de Papel”, pela voz dos “Portugalitos”, o coro da Casa de Portugal, abriu a recepção oficial do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, – lado a lado com o Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, assistiu ao momento musical de sorriso no rosto. Mais tarde, enalteceu o “inegável contributo” da comunidade para o desenvolvimento da RAEM, renovou as promessas de “abertura ao exterior” e garantiu que o Governo irá manter “inalterados” por “um longo tempo” o sistema capitalista e a “maneira de viver”. Já o embaixador português falou num “propósito comum” de crescimento, diversificação de economias e internacionalização, e defendeu que “nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau” como o português.

Depois, ouviram-se os hinos da República Popular da China e de Portugal, mas não sem antes serem lançados ao ar aviões de papel, pelas crianças que cantavam na varanda do edifício da Bela Vista. Foi então altura de “Marcha dos Voluntários” e “A Portuguesa”. Vários elementos da comunidade portuguesa e macaense marcaram presença no local, além de titulares de altos cargos, como o Comissário dos Negócios Estrangeiros da RPC em Macau, Liu Xianfa, o director-geral do Departamento de Publicidade e Cultura do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, Wan Sucheng, e o Secretário para a Administração e Justiça, André Cheong.

“Nestes últimos 25 anos em que Macau conheceu mudanças profundas, o contributo das comunidades portuguesas tem sido importante para o desenvolvimento saudável, em múltiplos aspectos, desta Região”, vincou Sam Hou Fai, durante o seu discurso. Aproveitou ainda a ocasião para agradecer “todo o apoio, esforço e cooperação” que a comunidade portuguesa tem prestado ao trabalho do Governo da RAEM, “bem como o inegável contributo que tem vindo a dar para o desenvolvimento económico e social de Macau”.

Sam Hou Fai garantiu depois que o Governo da RAEM continuará, “com o forte apoio do Governo Central”, a implementar o princípio “um país, dois sistemas” de uma forma que descreve como “abrangente, precisa e inabalável”, bem como a “cumprir a Lei Básica”. Nesse sentido, assegurou que irá manter “inalterados, por um longo tempo, o sistema capitalista e a respectiva maneira de viver, o estatuto de porto franco internacional e de zona aduaneira autónoma da RAEM e o sistema de direito europeu continental”.

No discurso que proferiu, afirmou que as autoridades continuarão a “defender as características multiculturais de Macau e a promover o desenvolvimento em todas as vertentes”, procurando assegurar e melhorar continuamente o bem-estar de todos os residentes de Macau, “incluindo as comunidades portuguesas”.

Dizendo que “os fortes e profundos laços históricos entre Portugal e Macau” já são conhecidos, encontrando-se reflectidos no Dia de Portugal, Sam Hou Fai sublinhou que se celebra também o maior poeta português, “que viveu uns anos em Macau e fez parte dos primeiros momentos deste encontro histórico de dois povos”. “Nunca é demais recordar que é por conta deste encontro centenário de culturas, nesta ‘janela para o exterior’ da China, que surge a ‘singularidade’ de Macau enquanto ‘único local do mundo que tem como línguas oficiais o português e o chinês’”, prosseguiu, citando o Presidente chinês, Xi Jinping.

Para Sam Hou Fai, a “cooperação amistosa” e “as boas relações” entre a China e Portugal “revelam um modelo exemplar de colaboração e intercâmbio entre dois países, prevalecendo sempre o respeito e consideração pelas suas diferenças sociais e culturais”. Também assinalou o reforço da cooperação entre a RAEM e Portugal nos domínios da economia e do comércio, da inovação científica e tecnológica, dos recursos humanos, dos cuidados médicos e de saúde, da educação e da cultura. E disse estar convicto de que, no futuro, serão “aprofundados, tirando-se bom proveito das características únicas de Macau”.

Aproveitando novamente as palavras do líder chinês sobre Macau como “lugar onde as culturas chinesas e ocidental se encontram”, devendo Macau “promover o intercâmbio internacional entre as pessoas”, o Chefe do Executivo reiterou o “empenho e compromisso” do Governo da RAEM na “concentração de esforços para a construção de uma plataforma de abertura ao exterior de nível mais elevado, no reforço da abertura bilateral com a Lusofonia e na promoção de uma cooperação abrangente de benefícios mútuos, que enriqueça e alargue ainda mais o papel e as funções de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”.

“Nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau”

Por sua vez, Alexandre Leitão, também se fez valer das palavras do Presidente da RPC, que em Dezembro, ao recordar que Macau é o único local do mundo onde o chinês e português são línguas oficiais, “reforçou a esperança numa difusão alargada e no uso generalizado do português na Administração e na sociedade da RAEM” que, prosseguiu o Cônsul-Geral, “seriam inegavelmente vantajosos para a ‘plataforma importante para a promoção da cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa’”.

Assegurando que as empresas portuguesas estão preparadas para aproveitar uma “postura mais aberta e inclusiva para intensificar os laços internacionais e aumentar a projecção e a atractividade globais e o renome de Macau como metrópole internacional”, palavras que citou novamente, o embaixador acrescentou que “todos, na RAEM, estão conscientes do contributo das empresas e dos trabalhadores portugueses para o crescimento e a qualidade dos serviços da economia” do território.

Alexandre Leitão disse ainda ao Chefe do Executivo que “pode contar com a comunidade portuguesa para participar activamente no ambicioso desígnio de diversificação económica da RAEM” e pediu-lhe que estime a comunidade: “Compreendemos bem e partilhamos o desejo de abertura. Peço-lhe que acredite, senhor Chefe do Executivo, que nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau como o nosso. Peço-lhe, por conseguinte, que estime os portugueses, todos os de Macau e os que vêm de fora, para contribuir para um futuro de prosperidade partilhada e a realização dos grandes projectos da RAEM”.

Recordou igualmente que, ao longo de séculos, os portugueses de Macau e os que aqui foram chegando “criaram laços afectivos indeléveis a este pequeno canto da grande China”. “Um pequeno canto que se fez grande, com o contributo da comunidade portuguesa que, como em qualquer parte do mundo, é trabalhadora, ordeira, dedicada à terra onde vive e desejosa de criar condições para que os seus filhos aqui possam viver”.

Apontando que está prevista a deslocação do líder da RAEM a Portugal, o Cônsul mencionou também a intenção de, como já foi dito, realizar em breve uma Comissão Mista. Já em relação aos serviços consulares, agradeceu o trabalho da equipa, “constituída quase na íntegra por macaenses”. Depois de ultrapassados os desafios pós-pandemia no Consulado, agora é tempo de “dedicar mais tempo a outros domínios”, como “o aprofundamento das relações diplomáticas, económicas e culturais de Portugal com as RAE de Macau e Hong Kong”.

Lembrando que o Chefe tem defendido a aceleração da abertura e da diversificação da economia, Alexandre Leitão acrescentou que “Portugal tem o mesmo desígnio”, pelo que há “um propósito comum”: crescer, diversificar as economias, internacionalizando-as, para “benefício dos nossos povos”.

Na ocasião, houve ainda um outro momento musical, pela Banda da Casa de Portugal, além dos habituais petiscos, numa celebração que se estendeu até às 20h30. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 1 de junho de 2025

Luxemburgo - Joaquim Prazeres: o rosto do ensino português abre o livro

Depois de 28 anos no Grão-Ducado, Joaquim Prazeres reformou-se. A partir do Luxemburgo, coordenou o ensino da língua portuguesa em todo o Benelux. Conversa na hora da despedida, para avaliar as vitórias que alcançou, tudo o que falta fazer e esta capacidade única que a educação tem de mudar vidas

Em 2017, parecia mesmo que o caldo estava entornado. É isso que Joaquim Prazeres, 67 anos, recorda quando se lhe pergunta o momento mais difícil que viveu em quase três décadas como professor e coordenador do ensino do português no Luxemburgo. “Na altura houve um acordo entre os dois países e a nossa língua deixou de fazer parte do sistema integrado. Ou seja, ficou de fora do horário escolar e passou a ser uma atividade complementar. Isto afastou muita gente da vulgarmente chamada ‘escola portuguesa’, até porque os pais, geralmente de classes trabalhadoras - e muito trabalhadoras, com horários difíceis -, não tinham na maior parte das vezes disponibilidade para levar as crianças de um lado para o outro”, conta agora. “Foi um retrocesso enorme e um golpe duro para o trabalho que estávamos a tentar erguer.”

O caso foi badalado na altura e teve eco ao mais alto nível. Em visita oficial, aliás, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa acabaria por apelar à comunidade que insistisse e inscrevesse os seus filhos no ensino do português. “Foram as próprias escolas que passaram a escolher os currículos e as disciplinas que queriam. Então nós tínhamos de tentar organizar-nos ao mesmo tempo com seis ou sete estabelecimentos de ensino diferentes para poder dar aulas a todos os alunos inscritos. Isto acabou por reduzir imenso a participação”, diz com um encolher de ombros, e, nota-se sem sombra para dúvidas, esta é uma frustração que ainda carrega nos ombros.

“Quando temos tanta gente que já fala português neste país, era bom ver as pessoas investirem no potencial delas mesmas e desenvolverem a escrita. Porque isso só as vai beneficiar.”

Mas Joaquim Prazeres é lutador pela sua causa – e mesmo depois da reforma recusa-se a baixar os braços. Ou os argumentos. “Aqui no Luxemburgo já vamos na terceira geração da emigração”, diz Prazeres. “Temos números que nos dizem que 28 por cento da população fala a língua de Camões em casa. Mas às vezes há esta ideia de que basta o português de casa, não é preciso muito mais do que isso. A aprendizagem da escrita, da gramática, é importantíssima, até porque o português é uma língua de futuro.”

Fala do papel do português no mundo. Tem 300 milhões de falantes e é uma das línguas mais falada do planeta. Alguns registos apontam-na como a quinta língua mundial, atrás do inglês, do mandarim, do espanhol e do hindi. Outros colocam-na na oitava posição, atrás do árabe e do francês. “Seja como for, é um património vasto, com um potencial incrível para abrir portas, criar pontes, desenvolver negócios”, sublinha Prazeres. “Quando temos tanta gente que já fala português neste país, era bom ver as pessoas investirem no potencial delas mesmas e desenvolverem a escrita. Porque isso só as vai beneficiar.”

Nos anos que comandou os destinos do ensino da língua, tentou fazer perceber a importância do português ao Grão-Ducado. Dentro da comunidade portuguesa, mas fora dela também. Orgulha-se de ver agora muitos professores do sistema educativo luxemburguês a quererem aprender a língua, para melhor ensinarem os seus alunos – algo que o jornal Contacto recentemente reportou. Orgulha-se de ver o interesse que cresce nos estrangeiros, mesmo nas crianças. Vitórias suas, também. E, mesmo que o cartão de cidadão diga o contrário, Prazeres tem um esgar de infância, de quem se atreve a dar alimento aos sonhos. “Há muito trabalho para fazer”, diz quase em tom de aviso.

Gostaria de ver o português ser ensinado como língua estrangeira, com o mesmo estatuto que o inglês, por exemplo. Gostaria que várias disciplinas pudessem ser lecionadas na língua de Camões, como as ciências ou a cidadania, de forma opcional. E se há hoje escolas internacionais no Luxemburgo com sistemas educativos em francês e inglês porque não criar uma instituição em português, também? “O Luxemburgo é um dos países do mundo onde o português não é língua oficial, mas mais gente o fala e aprende. Os espanhóis fizeram da sua língua uma prioridade política, defendida pelas altas esferas. E está na altura de nós fazermos o mesmo”, atira para cima da mesa, bebendo um golo de água para aclarar a garganta. A conversa ainda agora começou.

Grandes mudanças na comunidade lusófona

Quando fala da comunidade portuguesa no Grão-Ducado, Joaquim Prazeres não consegue deixar de se emocionar. “Eu já tinha trabalhado em França e Espanha como professor de português e, quando cheguei ao Luxemburgo, percebi imediatamente que a emigração aqui era diferente. Era uma comunidade mais fechada do que é hoje, porque provavelmente ainda havia pouca gente de segunda geração. Mas tinham uma grande vontade de aprender”, conta. “E sobretudo de aprender português.”

Os miúdos que apanhou por aqui, no final dos anos 1990, provinham normalmente de duas circunstâncias. “Ou tinham nascido em Portugal e tinham algumas bases da língua ou então tinham nascido aqui e as famílias tinham o desejo de voltar a casa, de levar os miúdos para fazerem o liceu e a universidade lá em baixo”, explica. “Mas uma coisa era certa. Todas as famílias aqui percebiam que a educação era uma ferramenta importantíssima para as gerações seguintes. Para saírem do círculo de trabalho duro e sacrifício a que eles, os pais e os avós deles, tinham estado votados.”

Em 1998 havia 40 professores de português no Luxemburgo. No ano letivo 2005/06, atingiu-se o pico: eram 54. “Hoje há 29, e isso também se explica pelas mudanças estruturais que houve na comunidade”, avança o antigo coordenador de ensino. “É que foram nascendo segundas e depois terceiras gerações, que foram integradas no sistema luxemburguês. Falam em casa com os pais, mas comunicam entre si numa mistura de vários idiomas. E, seja porque as escolas não ajudam ou os pais não promovem, não têm o mesmo interesse em aprender verdadeiramente a língua portuguesa.”

Não será também isso reflexo de uma má promoção do lado português? “Sim, também. Tivemos embaixadores que não estavam interessados na defesa estrutural do idioma, os sucessivos governos também desenvolveram muitas políticas desadequadas e desligadas da realidade a partir de Lisboa. Mas, também acho natural que haja uma certa dispersão da comunidade, à medida que ela cresce, que têm filhos e netos aqui”, e abre os braços para explicar a sua ideia. “O interesse no regresso tornou-se mais longínquo, a integração é mais efetiva, vieram muitas pessoas de outros países que falam português. E com isso os laços, de alguma forma, dispersaram.”

A ligação às terras de origem foi uma das suas lutas, e muitas vezes sacrificou-se pessoalmente para o conseguir fazer. Mas também tem memórias que lhe trazem o sorriso de volta aos lábios, como daquela vez em que levou 75 alunos e dez professores durante uma dezena de dias a Portugal. “Eu estava num liceu de Esch-sur-Alzette e fazia parte do conselho da escola. Então consegui implementar esta ideia, arranjar patrocínios, custear a excursão por quase nada. Mas o mais extraordinário foi que não foram apenas portugueses, foram miúdos de todas as nacionalidades, muitos deles luxemburgueses. O orgulho com que os portugueses mostravam as suas origens aos outros foi qualquer coisa de que nunca me conseguirei esquecer”, avisa, e o fio de voz a cortar-se outra vez.

“A escola tem de ser um espaço de diálogo, de fraternidade. Bati-me por isso toda a minha vida.”

Muitos dos gaiatos nunca tinham viajado de avião. À chegada de Lisboa, deram de caras com uma comitiva do Benfica, que haveria de convidá-los a visitar o estádio da Luz. Depois rumaram uns dias a Setúbal, apanharam o barco para Troia, e os golfinhos vieram cumprimentá-los ao estuário do Sado. “Os garotos foram todos para um lado do barco e quase que virávamos. Tivemos de fazer grupos, ir rodando, mas nada paga ver aqueles rostos tão felizes”, diz com uma gargalhada.

Joaquim Prazeres reformou-se a 1 de fevereiro deste ano. Vinte dias depois, recebeu das mãos do embaixador de Portugal no Luxemburgo, Pedro Sousa e Abreu, as insígnias de Comendador da Ordem de Instrução Pública. O Estado português prestou-lhe homenagem pelos 45 anos que dedicou ao ensino, 39 deles no estrangeiro. Mas, como bom professor, aquilo que o comove verdadeiramente é quando encontra um dos seus antigos alunos e ouve o elogio de ter ajudado alguém a mudar de vida, abrir a cabeça, encontrado luz em estrada de sombras. Não se pode tratá-lo de outra forma que não esta, em letras maiúsculas: Senhor Professor.

Uma vida dedicada à educação

Joaquim Reduto Prazeres nasceu em 1958 na aldeia da Pêga, concelho da Guarda. Era filho de agricultores e neto de comerciantes de gado. A sua terra era de feirantes e artesãos, o que permitia aos pais mandar os filhos estudar. “Era uma circunstância rara naquele tempo, mas em quatrocentos habitantes havia 50 professores ali”, conta.

A capital do distrito era conhecida por albergar um Magistério, “então dizia-se que a Guarda era boa a produzir duas coisas: professores e batatas”, lembra-se ele com mais uma gargalhada. No entanto, no início dos tempos, a vida parecia levá-lo em todas as direções, menos ao ensino. “Quando eu tinha seis anos o mau pai emigrou para França e nós fomos todos atrás dele”, conta. “Os meus primeiros anos de alfabetização foram em Paris. Mas, quando fiz dez, a minha família quis que eu estudasse em Portugal e puseram-me num colégio interno na Guarda. Tinha a quarta classe, fiquei na segunda. Era a atração da escola, o afrancesado”, e volta a rir das memórias.

Lembra-se do 25 de Abril como se fosse hoje. “Naquele tempo era habitual os alunos terem um pequeno rádio nos quartos, para ouvirem música e as notícias. Vieram confiscar-nos isso e impediram-nos de abandonar o colégio”, lembra. “No dia seguinte, vieram os alunos do liceu da Guarda ‘libertar-nos’. Foi uma alegria.” Nos tempos seguintes viu a gente da cidade chegar aos campos, alfabetizar as aldeias, e isso fascinava-o. “Houve muitas crianças que só sabiam pegar numa sachola e agora aprendiam a pegar num lápis, e num instante já sabiam escrever o nome, ler, escrever.”

Nesses tempos percebeu nos professores uma arte que podia mudar vidas. Então concorreu ao Magistério. E entrou. “Havia 600 candidaturas para 90 vagas, os meus pais ficaram muito orgulhosos”, lembra com alguma saudade. Contra todas as probabilidades, Joaquim Prazeres formou-se em 1980 como professor e, desde o primeiro dia, percebeu que ia usar essa arma para conhecer o mundo.

Nos primeiros seis anos esteve em Setúbal, onde ensinou português a adultos. “Tenho muito boas memórias desse tempo, da força daquela gente que lutava contra a pobreza, mas queria aprender. Queriam recuperar as oportunidades que não tinham tido quando eram jovens e isso é qualquer coisa de especial”, diz, dando exemplos concretos. “Havia trabalhadores das salinas que vinham à noite. Havia peixeiras que vendiam na praça e mesmo assim iam de noite estudar, quase sem poderem dormir. Que respeito guardo por aquela gente”, suspira.

Em 1986, abriu um concurso para ensinar português no estrangeiro e ele concorreu para França. Entrou. “Passados 20 anos, voltei a casa dos meus pais. Fiquei numa escola dos arredores da capital, onde vivia gente muito humilde. Trabalhadores da construção civil, da agricultura, das limpezas, com algumas dificuldades de integração. Então comecei a pensar como haveria de ajudar a resolver isso na geração mais nova, como podia ajudá-los a fintar o destino”, e enrodilha os dedos enquanto fala, como se fosse hoje que está a estabelecer o plano.

Então fez nascer uma fórmula que haveria de utilizar, muitos anos mais tarde, no Luxemburgo: levar os miúdos a Portugal. Duas semanas, entre Porto e Coimbra, envolvendo ministérios dos dois países, embaixadas e assistentes sociais, para que ninguém deixasse de ir por falta de fundos. “Foi um sucesso, desde o primeiro dia. Aqueles miúdos, habituados a sentirem-se no fim da linha, sentiam-se assim valorizados, podiam fazer-se valer aos outros da sua cultura. E isso dá resultados diretos de integração.”

Passou sete anos assim, nas escolas dos arredores da capital francesa, até um dia o ministério da Educação reformular o ensino português no estrangeiro e ele perder lugar no sistema. “Concorri novamente e fui parar a Espanha. Estive um ano em Miranda del Ebro, em Castela e Leão, e três em San Sebastian, no País Basco”, diz. No primeiro caso foi dar aulas a crianças de etnia cigana, que viviam em tendas e sem acesso a cuidados básicos de higiene. “Consegui convencer a escola a deixá-los vir meia hora mais cedo, tomarem banho nos balneários, tomarem pequeno-almoço. Depois arranjei roupas, pu-los a falar da cultura cigana, de Portugal, e a integração melhorou”, conta.

Em San Sebastian os problemas eram outros. “Era sobretudo gente que vinha da Póvoa do Varzim para trabalhar na indústria da pesca de arrasto. O grande problema ali era a língua, porque as escolas ensinavam em euskera (basco) e havia um grande sentimento anti-espanhol”, e Joaquim Prazeres põe as coisas em contexto. “Foi entre 1993 e 1996, altura em que o terrorismo da ETA estava no auge. Chegou a haver atentados à porta da escola onde eu dava aulas. Era difícil integrar os alunos portugueses.”

Usou a fórmula do costume: trazer as turmas a Portugal, com miudagem de todas as nacionalidades. Depois ainda teve uma ideia que funcionou às mil maravilhas: organizar umas jornadas multiculturais na escola. As crianças traziam comida, danças, falavam das tradições de cada país e, com isso, comunicavam umas com as outras. “A escola tem de ser um espaço de diálogo, de fraternidade. Bati-me por isso toda a minha vida”, advoga Prazeres.

Em 1998, mudou de ares. Estava na dúvida se haveria de seguir caminho para Genebra ou Luxemburgo, mas a mulher, que já tinha passado por aqui, dissera-lhe que o Grão-Ducado era um lugar adorável. Então veio, sem grandes planos, ao sabor do destino. O resto é história. “Sorte a minha”, diz Joaquim Prazeres, em jeito de despedida. Não, não, Senhor Professor. Sorte a nossa. Ricardo Rodrigues – Luxemburgo in “Contacto”