Um estudo desenvolvido pelo Centro da Política da Sabedoria Colectiva, ligado aos ‘Kaifong’, abordou soluções para a transformação do ZAPE. Segundo o estudo, os investigadores defendem a criação de uma “zona de experimentação da cultura sino-portuguesa” no sul do ZAPE, onde o público possa passar numa “rua de estilo da cultura portuguesa”
O Centro da Política da Sabedoria
Colectiva, associado à União Geral das Associações dos Moradores de Macau
(‘Kaifong’), promoveu um estudo com o intuito de identificar medidas para
impulsionar a transformação do ZAPE e injectar dinamismo na respectiva economia
comunitária. Segundo o Centro, o estudo visa “dar impulso à reconfiguração das
funções do ZAPE e à transformação da economia comunitária”.
Segundo os ‘Kaifong’, os autores do estudo consideram que
alguns terrenos desaproveitados no sul do ZAPE à beira-mar poderiam ser
aproveitados para acolher uma “zona de experimentação da cultura
sino-portuguesa”, tirando partido da localização geográfica e paisagem natural
da área costeira no sul do ZAPE e tomando como referência o modelo de
remodelação da Rua Fremont em Las Vegas. Isso incluiria a criação de uma “rua
de estilo da cultura portuguesa”, virada para os turistas e visitantes de
lazer, refere o documento.
Além disso, citado pelo Canal Macau da TDM, Leong Hong
Sai, subdirector do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, sugeriu a
introdução de réplicas de alguns monumentos de Portugal nessa zona, como a
Torre de Belém e pontos turísticos do bairro de Alfama, bem como o recurso a
tecnologia interactiva de realidade virtual. O também deputado sugeriu ainda a
abertura no ZAPE um hotel focado no tema de Portugal e um pavilhão para
exposições sobre a cultura portuguesa.
Por outro lado, Leong Hong Sai propôs uma zona de
espectáculos musicais na zona da beira-mar e um mercado de gastronomia, aberto
durante a noite, além da realização de alguns mercados com produtos criativos e
culturais.
Segundo o resumo divulgado pelos ‘Kaifong’, de um modo
geral, o estudo defende a redefinição das funções e do posicionamento do ZAPE,
para o transformar gradualmente numa zona multifuncional onde se possa
encontrar serviços comerciais, consumo comunitário, experiências culturais e
turísticas e elementos da economia nocturna. Neste ponto, destaca a importância
de optimizar o sistema pedonal e acrescentar mapas de orientação multilingues
que sejam explícitos, para reforçar a acessibilidade entre o ZAPE, a zona da
Praia Grande e os pontos turísticos circundantes.
Em relação às áreas no centro e norte do ZAPE, o Centro
da Sabedoria mostra-se favorável à criação de uma “área central para os
assuntos governamentais e comerciais”, através do aproveitamento dos
escritórios e hotéis existentes no centro e no norte desta parte da cidade.
Ao mesmo tempo, defende que as autoridades devem recorrer
a instituições profissionais para prestarem formação e “serviços de diagnóstico
caso a caso” às pequenas e médias empresas na zona, ajudando-as a reforçar as
capacidades de atrair clientes, transformar a clientela no volume económico e
impulsionar novas compras entre os turistas. Nesse aspecto, propõe, inclusive,
a criação de uma “aliança de comerciantes do ZAPE”.
Ademais, os ‘Kaifong’ apelam à aceleração do planeamento
da Linha Sul do Metro Ligeiro, com vista a facilitar o acesso à zona, assim
como o reforço da articulação entre a Doca dos Pescadores, Centro Cultural,
Centro de Ciência e Universidade Politécnica com os recursos culturais e
turísticos na San Ma Lou e na Praia Grande. Em termos de instalações
complementares, sugerem mais instalações de arte públicas, mais assentos para
descanso, a actualização da cobertura do “wi-fi” e apoios ou subsídios que orientem
os comerciantes a prolongar o horário de operações nocturnas dos seus
estabelecimentos.
O estudo adverte ainda que, desde o encerramento dos
casinos-satélite na zona no final de 2025, a economia comunitária continua a
enfrentar um cenário marcado pela falta da força motriz no consumo interno,
embora as medidas de incentivo ao consumo lançadas pelas autoridades tenham
contribuído, a curto prazo, para um maior fluxo de pessoas na zona. In “Jornal
Tribuna de Macau” - Macau
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