Vai ter no dia 31 de julho, às
16h30, o lançamento do livro Se a terra pudesse falar - Memórias de um tempo
- Timor da autoria de Luís Costa, no auditório da UCCLA.
A obra será apresentada pela Professora Lúcia Soares.
O lançamento do livro será transmitido, em direto,
através da página do Facebook da UCCLA em:
https://www.facebook.com/UniaodasCidadesCapitaisLinguaPortuguesa
Sinopse:
(O tempo timorense)
Escrevo com intenção de perpetuar a glória de um povo que
soube organizar-se para resistir, sob todas as formas, à agressão indonésia e
manter, nas montanhas, uma guerrilha que, de armas na mão, procurou manter viva
a chama do direito à autodeterminação.
Escrevo com intenção de refletir sobre os atos
realizados, a fim de não sacrificar mais este martirizado povo e com vontade de
contribuir para a felicidade do povo de Timor-Leste.
Escrevo com intenção de ajudar a comunidade timorense, na
diáspora, a desenvolver e manter viva a sua identidade cultural e histórica.
Escrevo para divulgar a situação em Timor, e a sua cultura, alertando a opinião
pública para o drama do povo e para os crimes de genocídio físico e cultural
que a Indonésia está a perpetrar no território de Timor. Escrevo para afirmar
que o sofrimento e a morte nunca hão de destruir a vontade do povo que quer
consolidar a sua identidade. Escrevo para afirmar que nenhum sistema, político
e social, poderá fazer desaparecer Timor, como Nação.
Rendo homenagem à Fretilin que, durante os anos mais
difíceis da sua luta, soube politizar o povo para que não se deixasse subjugar
e soubesse organizar os gloriosos guerrilheiros para resistir à agressão
indonésia.
Reconheço os erros dos membros da Fretilin. Reconheço os
abusos praticados por alguns responsáveis, menos conscientes, e por elementos
das Falintil que, no ambiente de euforia, esquecerem-se das suas
responsabilidades. Mas a eficácia das ações realizadas pela Fretilin
ultrapassou, de longe, os reveses de momento.
Em poucos meses de existência como partido que lutou por
um ideal e como partido que governou o território, a Fretilin soube incutir o
espírito crítico na mente de todos; a Fretilin e só a Fretilin é que criou
condições para a vitória final - a libertação.
Presto louvor à Igreja Católica de Timor-Leste que mantém
a sua vontade de lutar pela liberdade de um povo e não se cansa nem se
intimida, apesar das ameaças, em proclamar que Timor é para os timorenses.
Este manuscrito tem muitas falhas referentes a nomes de
pessoas com quem trabalhei, convivi e sofri nas montanhas, referentes a lugares
por onde passei e por onde passámos. Pois, os primeiros apontamentos foram
queimados em Kasohan em 1979, o segundo foi desfeito por mim em Díli antes de
sair para Jakarta, e este é o resultado duma terceira tentativa que pode ser
traída pela memória. A todos com quem convivi e partilhei alegrias e tristezas
peço compreensão, mas fica para sempre a amizade e carinho de quem muito vos
estima e de vocês guarda recordações inesquecíveis.
Biografia:
Luís Costa nasceu a
13 de dezembro de 1945, em Fatu-Berliu, Timor. Iniciou os estudos no Colégio de
Soibada e prosseguiu o ensino secundário em Dare. Mais tarde, frequentou cursos
de Filosofia e Humanidades em Macau e Évora, concluindo Teologia em Leiria.
Em novembro de 1974 regressou a Timor, onde trabalhou na
missão de Ossú. Com a invasão de 1975, refugiou-se nas montanhas, permanecendo
ali até abril de 1979. Após o regresso a Díli, ensinou no Externato de São José
e, em 1980, traduziu para tétum o Missal Romano, incluindo orações e leituras.
Em novembro de 1983 mudou-se para Portugal, onde
participou ativamente na divulgação da resistência timorense. Frequentou cursos
de fonética e morfologia, e dedicou-se à pesquisa e ensino da língua e cultura
de Timor-Leste.
Professor, investigador e autor, Luís Costa tem sido uma
figura fundamental na preservação da língua tétum e na formação de jovens
timorenses, tanto em Timor como em Portugal. Como atividades paralelas, Luís
Costa ajuda na preparação de professores e cooperantes para melhor compreender
a história, cultura e sociedade de Timor-Leste, e dá apoio a estudantes
timorenses na elaboração de monografias e pesquisas universitárias.
Bibliografia: Dicionário Tétum-Português (2000); Guia de
Conversação Português-Tétum (2001); Língua Tétum: Contributos para uma
Gramática (2015); Ué-Lenas: Lenda (2016); e, em preparação, Dicionário
Português-Tétum e Timor Lorosa’e (monografia).
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