Dirigentes do sector da cultura dos países lusófonos vieram a Macau para potenciar as vantagens do cruzamento das culturas chinesa e ocidental e aprofundar a cooperação. A delegação visitou locais do património cultural e encontrou-se com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, que salientou a importância do intercâmbio cultural a nível internacional
Durante três dias, uma delegação de 11
dirigentes da área da cultura dos países de língua portuguesa (PLP) esteve em
Macau para efectuar visitas a locais do património e participar em sessões
temáticas, para além de ter mantido um encontro com a Secretária para os
Assuntos Sociais e Cultura. Na ocasião, O Lam trocou impressões sobre o
desenvolvimento do sector cultural e referiu que, com vista a concretizar o
posicionamento da RAEM como “Uma Base de Intercâmbio e Cooperação para a
Promoção da Coexistência Multicultural, com Predominância da Cultura Chinesa”,
o Governo tem vindo a “empenhar-se activamente em transformar Macau numa
ligação relevante de alto nível do País na abertura ao exterior”.
Para além disso, destacou o objectivo de tornar a RAEM
numa “janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as
civilizações chinesa e ocidental, promovendo de forma contínua o diálogo e o
intercâmbio cultural a nível internacional”.
O programa visou estabelecer uma “ponte pragmática para o
intercâmbio cultural e humano entre a China e os PLP”, segundo um comunicado do
Instituto Cultural (IC).
A delegação visitou diversos pontos do património
cultural, incluindo as Ruínas de S. Paulo e a respectiva experiência em
realidade virtual, o Museu de Macau, a Fortaleza do Monte, o Edifício do
Instituto para os Assuntos Municipais, a Biblioteca do Senado, a Casa do
Mandarim e o Templo de A-Má. A comitiva teve ainda a oportunidade de vivenciar
a confecção de biscoitos de amêndoa, uma manifestação do património cultural
intangível local, e de assistir, no Teatro D. Pedro V, a uma actuação musical
conjunta da Orquestra Chinesa de Macau e de fadistas, “experienciando
plenamente a profunda riqueza cultural de fusão sino-ocidental em Macau”,
salienta a nota.
O IC promoveu ainda um encontro no Centro Cultural, no
qual deu a conhecer o ponto de situação do desenvolvimento cultural de Macau e
dos frutos da cooperação com os PLP. Foram também debatidas as futuras
direcções de cooperação nas áreas da protecção do património cultural,
exposições museológicas, livros e documentação, entre outras.
Para o IC, esta visita “não só consolidou a função de
Macau enquanto plataforma de intercâmbio cultural entre a China e os PLP, como
também evidenciou o seu papel de contacto único, impulsionando o diálogo
cultural recíproco e a cooperação pragmática para um novo patamar”.
A delegação dos dirigentes do sector da cultura dos PLP,
chefiada por Luís Filipe Rei dos Santos, director-geral do Livro, dos Arquivos
e das Bibliotecas do Ministério da Cultura de Portugal, e subliderada por
Marina Duque Lacerda, directora de Património Imaterial Substituta do Instituto
do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil, integrou ainda
elementos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique,
São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Aproveitando a presença no território da comitiva dos
PLP, a Fundação Macau (FM) promoveu um intercâmbio, durante o qual o seu
presidente do Conselho de Administração fez uma apresentação dos êxitos
socioeconómicos alcançados após a criação da RAEM, tendo sempre por base o
princípio “Um País, Dois Sistemas”. Wu Zhiliang destacou ainda a preservação
das características culturais únicas de Macau, salientando a importância de
manter uma relação de cooperação económica, comercial e cultural com os PLP.
A convite da FM, seis jovens académicos locais tiveram
uma troca de opiniões com a delegação cultural sobre temas relacionados com a
cooperação sino-lusófona, estudos de história de Macau e a “Macaulogia”. Vítor
Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”
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