Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 26 de março de 2026

Portugal - Escritor Mena Abrantes vence Prémio Guerra Junqueiro 2025

O escritor, jornalista e dramaturgo angolano José Mena Abrantes sagrou-se o grande vencedor do Prémio Literário Guerra Junqueiro, edição 2025, anunciou a Academia Angolana de Letras, em comunicado


Na nota, citada pela Televisão Pública de Angola, a Academia Angolana de Letras felicitou o escritor e dramaturgo pela conquista, destacando o seu contributo na cultura nacional, especialmente na literatura e no teatro. Instituído em 2017 pela Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta (Portugal), o Prémio Literário Guerra Junqueiro homenageia o poeta português e promove a literatura no vasto espaço da lusofonia.

O prémio foca em autores que fortalecem laços culturais nos países de língua portuguesa, com edições dedicadas à Lusofonia e a novos talentos. A distinção de José Mena Abrantes, segundo a nota, reforça o prestígio da literatura angolana no panorama internacional e reitera o papel de Angola como referência literária no espaço lusófono e na literatura mundial.

Trajectória de Mena Abrantes

Nascido em Malanje, a 11 de Janeiro de 1945, José Mena Abrantes é um jornalista, dramaturgo, diretor e escritor de ficção, teatro e poesia angolano. Licenciado em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, exerce a profissão de jornalista desde 1975, com colaboração em vários órgãos de informação angolanos, portugueses, franceses e moçambicanos.

É membro da União dos Escritores Angolanos há mais de 40 anos. Embora seja uma figura ligada à cultura e à comunicação de várias maneiras, José Mena Abrantes é popularmente conhecido por sua inclinação ao teatro. Dramaturgo genuíno, é um dos nomes mais sonantes da criação, difusão e valorização do teatro angolano, sendo inúmeras vezes distinguido e homenageado pelos fazedores desta arte cénica.

Prémios e Distinções

Como poeta e contista, recebeu por três vezes o Prémio Sonangol de Literatura, máximo galardão da literatura angolana da actualidade, com as obras Ana, Zé e os Escravos (1986), Meninos (1990) e Caminhos Des-encantados (1994). Obteve ainda Menção Honrosa no Concurso Sonangol de Literatura com a obra O Gravador de Ilusões (antes “O Pião”), de 1990, e Sequeira, Luís Lopes ou O mulato dos prodígios, de 1991.

Conquistou o 1.º Prémio de Poesia (ex-aequo) dos Jogos Florais de Caxinde por Objectos Musicais, Prémio PALOP do Livro em Língua Portuguesa (2.º lugar) em São Tomé e Príncipe com a obra Na Curva do Cão Morto e tantas outras distinções nacionais.

Ainda em 2025 foi condecorado pelo Presidente da República, no âmbito das celebrações dos 50 anos de Independência Nacional, em reconhecimento do seu contributo em prol da cultura angolana. In “O País” - Angola


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Internacional - Índice de Perceção da Corrupção 2025

No Índice de Perceção da Corrupção 2025, publicado anualmente pela  Transparency International, Portugal — avaliado no contexto dos países da Europa Ocidental e União Europeia — obteve 56 pontos, posicionandose na 46.ª posição entre 182 países. O resultado representa uma descida de 1 ponto face a 2024 e uma perda de 3 lugares no ranking global. Embora Portugal continue entre os desempenhos mais baixos da Europa Ocidental, o resultado enquadrase numa tendência negativa gradual iniciada em 2022, refletindo desafios persistentes no reforço da integridade pública e na eficácia dos mecanismos de prevenção e controlo da corrupção.


A descida registada em 2025 resulta sobretudo da evolução menos favorável de algumas das fontes que compõem o Índice, evidenciando áreas onde persistem desafios no reforço das salvaguardas de integridade no exercício de funções públicas. Em comparação com outros EstadosMembros, Portugal continua a posicionarse abaixo da média da União Europeia no que diz respeito à perceção de transparência, fiabilidade institucional e qualidade da administração pública.

Embora tenham sido dados passos relevantes no plano legislativo ao longo dos últimos anos, a perceção internacional indica que a implementação das políticas anticorrupção e os mecanismos de acompanhamento e fiscalização permanecem insuficientemente consolidados. Este enquadramento é agravado pelo facto de, neste momento, não existir uma Estratégia Nacional Anticorrupção em vigor, o que limita a existência de um quadro estruturado e coordenado de prioridades, metas e instrumentos de execução.

Os resultados do CPI 2025 sugerem, assim, que subsistem fragilidades de natureza estrutural no sistema nacional de prevenção e controlo da corrupção. A ausência de progressos consistentes na aplicação das medidas já previstas, bem como a necessidade de reforçar a capacidade institucional para prevenir, monitorizar e responder a riscos de integridade, continuam a refletirse na avaliação internacional do país.

O avanço nestas áreas — designadamente através da definição de um novo enquadramento estratégico, da operacionalização efetiva das políticas existentes e do fortalecimento das entidades responsáveis pela sua execução — será determinante para melhorar a perceção externa sobre o compromisso de Portugal com a integridade pública nos próximos anos.

Resultados globais e regionais

O Índice de Perceção da Corrupção 2025 evidencia a persistência de uma tendência global de estagnação e retrocesso no combate à corrupção. A média global dos 182 países e territórios avaliados desceu para 42 pontos, o valor mais baixo da última década. Mais de dois terços dos países (68%) continuam a apresentar pontuações abaixo de 50, sinalizando níveis elevados de corrupção percebida no setor público em grande parte do mundo.

O ranking global mantém-se liderado pela Dinamarca, com 89 pontos, seguida da Finlândia (88), Singapura (84) e Nova Zelândia (81). Em contraste, países com democracias frágeis ou regimes autoritários concentram, de um modo geral, os piores resultados, confirmando a forte relação entre corrupção, fragilidade institucional e ausência de mecanismos eficazes de responsabilização.

Com uma pontuação média de 64 pontos, a Europa Ocidental e a União Europeia continuam a ser a região mais bem classificada a nível global. No entanto, o desempenho regional tem vindo a deteriorar-se: a média desceu de 66 para 64 pontos, com 13 países a registarem descidas significativas desde 2012 e apenas 7 a apresentarem melhorias relevantes.

Esta evolução evidencia disparidades crescentes entre os quadros legais existentes, a sua aplicação efetiva e os padrões de integridade no exercício de funções públicas. Persistem fragilidades ao nível da responsabilização política, da independência institucional e da transparência na tomada de decisão, com impactos diretos na confiança dos cidadãos nas instituições democráticas.

Num contexto marcado por desafios geopolíticos, conflitos armados, tensões internas e crescente polarização política, a necessidade de liderança responsável e de instituições fortes e independentes torna-se ainda mais premente. No entanto, em vários países europeus, continuam a observar-se falhas na prestação de contas, concentração de poder e enfraquecimento de mecanismos de controlo, incluindo ataques à sociedade civil, aos meios de comunicação social e à proteção de denunciantes.

Em dezembro de 2025, a União Europeia adotou a sua primeira Diretiva Anticorrupção, com o objetivo de harmonizar a legislação penal entre os Estados-Membros. Apesar da relevância da iniciativa, o texto final resultou no enfraquecimento de disposições essenciais, limitando o seu alcance. No processo de transposição, caberá aos Estados-Membros utilizar a Diretiva como base mínima, reforçando os respetivos quadros legais e políticas anticorrupção, em linha com a conclusão central do CPI 2025: a corrupção não é inevitável, mas o seu combate exige vontade política duradoura, recursos adequados e mecanismos robustos de responsabilização. “Transparência Internacional” – Portugal

A melhor posição na Perceção de Corrupção entre os países da CPLP pertence a Cabo Verde

Numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro), Cabo Verde obteve uma pontuação de 62, acima de Portugal (56), sendo os únicos países da CPLP com pontuação "positiva" (acima de 50)

Cabo Verde é o país da CPLP mais bem colocado e a Guiné Equatorial com pior classificação no Índice de Perceção da Corrupção (IPC) de 2025 divulgado esta terça-feira pela organização não-governamental Transparência Internacional.

O Índice de Perceção da Corrupção (IPC) classifica este ano 182 países e territórios de acordo com os seus níveis percecionados de corrupção no setor público numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro).

Cabo Verde (62) surge como a nação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) com melhor classificação, seguida de Portugal (56), que cai um ponto em relação ao ano passado, sendo estes os únicos dois países a manterem-se acima dos 50 no IPC.

Os restantes países da CPLP obtêm classificações negativas: Timor-Leste (45), São Tomé e Príncipe (43), Brasil (35), Angola (32) – estando na ou acima da média de 32 em 100 na África Subsaariana –, Guiné-Bissau (21), Moçambique (21), Guiné Equatorial (15).

Este ano, a média global do IPC desceu pela primeira vez em mais de uma década, para apenas 42 em 100. O relatório da ONG revela que “a grande maioria dos países não está a conseguir manter a corrupção sob controlo”, sublinhando que “122 dos 182 países têm uma pontuação inferior a 50 no índice”.

Ao mesmo tempo, o número de países com pontuação acima de 80 diminuiu de 12 há uma década para apenas cinco este ano, destacando-se, em particular, “uma tendência preocupante de democracias que apresentam uma deterioração da perceção da corrupção”, enfatiza a ONG em comunicado.

Casos como os de Angola (32), que subiu 17 pontos no Índice de Perceção da Corrupção desde 2015, graças às medidas tomadas para combater a corrupção, são valorizados, mas, apesar dos progressos da última década, o relatório aponta o sentimento da população: “muitos angolanos classificam os esforços anticorrupção do Governo como insuficientes e acreditam que as pessoas comuns correm o risco de sofrer represálias por denunciarem a corrupção”.

Pela positiva, também Timor-Leste (44) é referido entre os países que apresentam uma ascensão consistente e estatisticamente significativa desde 2012, “devido a reformas estruturais que fortaleceram as instituições de supervisão”.

No entanto, estes países continuam a pontuar na faixa inferior do índice, “com muito espaço para melhorias”, refere.

Por outro lado, Moçambique (21) registou uma queda de 10 pontos na última década. A ONG cita os números oficiais que “registam 334 novos casos de corrupção no primeiro trimestre de 2025, a um custo de cerca de 4,1 milhões de dólares [cerca de 3,3 milhões de euros], o que demonstra a magnitude do desafio”, considera.

O escrutínio da ação governamental por parte da sociedade civil e pela imprensa, avaliado também pelo relatório, fornece aos eleitores as informações de que necessitam para sancionar a corrupção e recompensar a integridade nas urnas. O Brasil figura na lista de países que são “particularmente perigosos para os jornalistas que reportam sobre corrupção”, ao lado da Arábia Saudita, Peru, índia, México, Paquistão e Iraque.

François Valérian, presidente da Transparência Internacional, afirma que a investigação e experiência da ONG como movimento global de combate à corrupção “mostram que existe um plano claro de como responsabilizar o poder pelo bem comum, desde processos democráticos e supervisão independente até uma sociedade civil livre e aberta”.

“Numa altura em que assistimos a um perigoso desrespeito pelas normas internacionais por parte de alguns Estados, apelamos aos Governos e aos líderes para que atuem com integridade e cumpram as suas responsabilidades para proporcionar um futuro melhor às pessoas em todo o mundo”, salienta a organização. “Agência Lusa”


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Brasil - Comércio com a China cresce para valor recorde em 2025

As trocas comerciais entre Brasil e China cresceram 8,2% em termos homólogos, em 2025, para o valor recorde de 171 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). A China manteve-se como o principal parceiro comercial do Brasil, superando com larga vantagem os Estados Unidos, com quem o comércio bilateral somou 83 mil milhões de dólares no mesmo período. De acordo com o CEBC, o excedente comercial brasileiro com a China foi de 29,1 mil milhões de dólares, o equivalente a 43% de todo o saldo positivo do país com o mundo.


O crescimento das exportações brasileiras foi impulsionado principalmente pelo setor agropecuário e extrativo. Só a venda de petróleo bruto para a China atingiu o valor de 20 mil milhões de dólares, com um volume recorde de 44 milhões de toneladas – representando 45% de todo o petróleo exportado pelo Brasil.

As exportações de soja somaram 34,5 mil milhões de dólares, enquanto as de carne bovina cresceram quase 48%, chegando a 8,8 mil milhões de dólares, também um recorde. Em contraste, as vendas de carne de frango e suína caíram 53% e 36%, respectivamente.

Do lado das importações, destacou-se a aquisição de uma plataforma para a exploração de petróleo no valor de 2,66 mil milhões de dólares. As compras de automóveis híbridos também aumentaram 25%, totalizando 1,87 mil milhões de dólares. Por outro lado, os veículos 100% elétricos sofreram uma queda de 37% nas importações.

A China foi ainda o principal fornecedor de bens da indústria de transformação para o Brasil, com destaque para fertilizantes, produtos químicos e farmacêuticos, estes últimos com um crescimento de 39% nas compras, impulsionadas especialmente por medicamentos à base de insulina.

Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro liderou as exportações para a China pelo terceiro ano consecutivo, com 18,1 mil milhões de dólares, 94% dos quais oriundos da venda de petróleo.

Com os novos dados, a corrente de comércio Brasil – China representou 27,2% de todo o comércio exterior brasileiro em 2025, consolidando a importância da China na balança comercial do país sul-americano. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Brasil - Instituição que protege a Amazónia está entre os “Campeões da Terra”

Premiação internacional reconheceu trabalho pioneiro do Imazon que usa inteligência artificial para prever e impedir desmatamento na floresta amazónica. A abordagem já ajudou a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco, 71% das quais foram posteriormente preservadas


O instituto de pesquisa brasileiro Imazon, que utiliza tecnologia de ponta para combater o desmatamento na Amazónia, é um dos cinco vencedores do prémio “Campeões da Terra” de 2025.

A distinção, anunciada nesta terça-feira, foi concedida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, na 7.ª sessão da Assembleia Ambiental da ONU, Unea-7, que acontece em Nairóbi, no Quénia.

Alertas precoces para a proteção da floresta

O Imazon desenvolveu modelos de inteligência artificial para previsão do desmatamento, causado principalmente pela pecuária e pela exploração madeireira. O objetivo é criar alertas precoces, orientar políticas públicas e auxiliar as autoridades na proteção da floresta.

O pesquisador associado do Imazon, Carlos Souza Jr., explicou que nem o Brasil nem o mundo serão os mesmos sem a floresta amazónica.

“Se a Amazónia chegar num ponto de não retorno nós vamos ter vários impactos. Primeiro, a perda de biodiversidade. Segundo, a emissão de gases de efeito estufa, pois a Amazónia armazena muito carbono nas florestas e no subsolo.”

O instituto usa um mapa digital onde são lançados pontos amarelos, laranjas e vermelhos. Cada ponto representa um local onde o Imazon acredita que ocorrerá desmatamento, e cada cor indica o grau de risco, com base em dados de satélite e modelagem de inteligência artificial.

Uso da tecnologia ajudou a descobrir 99% dos casos de desmatamento ilegal

Em 2021, ano de lançamento do mapa, esses pontos ajudaram a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco, 71% das quais foram posteriormente preservadas.

Os dados também serviram de base para mais de 4,4 mil processos judiciais ambientais e ajudaram a descobrir 99% dos casos de desmatamento ilegal.

Carlos destacou a importância da tecnologia na defesa do meio ambiente.

“É uma mudança de paradigma significativa que a inteligência artificial, a computação em nuvem e os novos algoritmos permitem para que a gente tenha informações ainda mais precisas sobre o futuro próximo da Amazónia e tentar evitar estes cenários de destruição por desmatamento e degradação florestal.”

União da ciência com conhecimento ancestral

Os pesquisadores acompanharam a dinâmica do desmatamento na Amazónia de 1985 a 2024, para desenvolver uma ferramenta prática que permitisse à sociedade brasileira trabalhar em conjunto para evitar a destruição da Amazónia.

Outro foco da ONG é estimular o crescimento económico sustentável na região. Isso envolve trabalho de campo com as comunidades locais para apoiar práticas sustentáveis ​​e áreas florestais protegidas.

A entidade acredita na junção do conhecimento científico com o conhecimento ancestral local e a sabedoria dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

A pesquisa do Imazon demonstrou que a extração sustentável de madeira é possível e que as regulamentações de gestão florestal poderiam reduzir significativamente o impacto ambiental, mantendo os ganhos económicos. 

Com sede em Belém, no Pará, o Imazon é uma instituição científica sem fins lucrativos, que atua há 35 anos para promover a conservação e o desenvolvimento sustentável na Amazónia. ONU News – Nações Unidas



sábado, 29 de novembro de 2025

Macau - Revela nível “baixo” de proficiência em inglês

A China ficou em 86.º lugar no relatório EF Engish Proficiency Index de 2025, destinado a avaliar o domínio da língua inglesa em vários países do mundo. Por sua vez, Macau surge em 15.º lugar num ranking de 24 regiões e cidades chinesas, muito abaixo de Hong Kong e Zhejiang


O nível de proficiência na língua inglesa em Macau foi considerado “baixo” no novo relatório do EF Engish Proficiency Index (EF EPI), publicado recentemente pela EF Education First (EF). Os dados recolhidos em 2025 atribuíram apenas 478 pontos a Macau, que fica assim posicionado abaixo de outras regiões chinesas como Zhejiang, Guangdong e Sichuan.

A China situa-se no 86.º lugar do ranking global, com 464 pontos, numa lista que inclui 123 países e regiões da Europa, Ásia, América Latina, África e Médio Oriente. Dos cinco níveis atribuíveis a cada país (“muito elevado”, “elevado”, “moderado”, “baixo” e “muito baixo”), a proficiência em inglês na China foi classificada como “baixa”, entre o Malawi e Moçambique (empatados com 465 pontos) e a Palestina (com 463 pontos). A classificação chinesa ficou também abaixo da classificação média global, que atingiu os 488 pontos.

Olhando apenas para o continente asiático, a China surge a meio da tabela com uma proficiência superior à do Japão e da Tailândia, por exemplo, mas inferior à da Índia, do Paquistão, do Vietname ou da Coreia do Sul. A Malásia e as Filipinas lideram a tabela da Ásia, cada uma conquistando 581 e 569 pontos. Entre os 25 países e regiões aqui contemplados, a China fica na 13.ª posição.

Hong Kong e Zhejiang são as regiões chinesas que mais dominam o inglês, sobressaindo com classificações respectivas de 538 e 506 pontos, correspondentes a um nível “moderado”. Analisando por cidades, aquelas que mais se evidenciam são Hangzhou, Pequim, Nanjing, Changsha, Xangai e Jinan, todas avaliadas entre os 515 e os 502 pontos.

Os resultados da edição de 2025 mostram uma subida de nove pontos em relação ao relatório do ano passado, em que o país obteve apenas 455. Não obstante, a grande maioria das regiões e cidades chinesas continua a incidir no nível “baixo”. Para além de Macau, também se incluem nestes parâmetros regiões como Fujian (489), Hubei (482) e Hainão (458) e as cidades de Cantão e Shenzhen (ambas com 498 pontos), Chengdu (472) e Chongqing (460). Por último, no nível mais baixo de proficiência incluem-se as regiões de Gansu (447), Henan (433) e Guizhou (429), bem como a cidade de Zhengzhou (439).

Das quatro capacidades básicas essenciais à aprendizagem de uma língua estrangeira – “ler”, “ouvir”, “falar” e “escrever” –, os participantes chineses mostraram-se mais confiantes na leitura e na escrita, onde atingiram um nível “baixo” com pontuações respectivas de 492 e 455. Por outro lado, as capacidades de compreensão e produção oral totalizaram 436 e 448 pontos, respectivamente, e foram classificadas com o nível “muito baixo”.

A faixa etária com maior desenvoltura no inglês é a dos 21 aos 25 anos, verificando-se uma pontuação média de 485 neste grupo. Por outro lado, tanto os mais jovens (entre os 18 e os 20 anos) como os mais velhos (a partir de 41 anos) revelam pontuações mais baixas, de 452 e 449, respectivamente. No que respeita aos sexos, não se manifestam quaisquer diferenças: tanto os homens como as mulheres obtiveram uma pontuação igual de 464.

Os Países Baixos lideram o ranking geral com uma proficiência “muito alta” de 624 pontos. Portugal, no sexto lugar (612 pontos), é o único país do sul da Europa a conquistar o nível máximo de proficiência, situando-se entre países como a Noruega (613), a Dinamarca (611) e a Suécia (609). No fundo da tabela, estão a Líbia (395), a Costa do Marfim (393) e o Camboja (390).

O EF EPI foi elaborado a partir dos resultados de testes de proficiência realizados por cerca de 2,2 milhões de participantes de 123 países e regiões: 37 na Europa, 28 em África, 25 na Ásia, 20 na América Latina e 13 no Médio Oriente. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Brasil - FliParaíba 2025 transforma cidade de João Pessoa em palco literário internacional

Festival reúne autores do Brasil, África e Portugal e destaca diversidade literária, 170 lançamentos, mesas temáticas, manifestações culturais e shows de Maria Gadú e Mariana Aydar


João Pessoa - O Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa, será o ponto de encontro entre Brasil, África e Portugal com a abertura do 2.º Festival Literário Internacional da Paraíba (FliParaíba 2025), que começou nesta quinta-feira (27/11). A programação estende-se por três dias e reúne uma série de atividades voltadas para a literatura e a produção cultural em língua portuguesa, incluindo feiras de livros, encontros com escritores, ações formativas e shows de Maria Gadú e Mariana Aydar.

O festival apresenta 10 mesas literárias, cada uma composta por um autor estrangeiro, um escritor de alcance nacional e um representante da Paraíba. Entre os convidados estão Itamar Vieira Júnior e os vencedores do Prémio Camões Silviano Santiago e Germano Almeida. A agenda inclui ainda duas conversas especiais, com foco em questões relacionadas à língua, às práticas literárias e ao diálogo entre diferentes tradições lusófonas.

Ao todo, mais de 30 autores participam da edição, vindos de várias regiões do Brasil e de países como Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde e Portugal. Entre eles, destacam-se a escritora guineense Odete Semedo, o rapper MC Marechal e os portugueses Afonso Cruz e Inês Pedrosa.

Segundo Pedro Santos, Secretário de Cultura da Paraíba e Coordenador do FliParaíba 2025, a definição das mesas e da programação ocorreu por meio de “uma curadoria conjunta entre a Secretaria de Cultura, a Associação Portugal-Brasil 200 Anos e a Empresa Paraibana de Comunicação”. Tal processo colaborativo permitiu estruturar uma programação que conecta a produção contemporânea da Paraíba com debates do Nordeste, do Brasil e do universo lusófono.

A edição deste ano ainda reforça a presença feminina e a diversidade étnica que caracterizam o estado. “Levamos ao centro das discussões autores e pensadores indígenas, ciganos, quilombolas e periféricos”, afirma Santos. A pluralidade também se reflete nas línguas que circularão durante o festival: além do português, o público poderá ouvir o tupi, língua materna dos povos Tabajara e Potiguara, e o calon, dialeto da língua Romani falado pelo povo cigano — lembrando que a Paraíba abriga a maior população cigana sedimentada do Brasil.

A programação do FliParaíba reúne 170 lançamentos de livros, feiras literárias, saraus, oficinas de xilografia e cordel, exposições, batalhas de poesia, contação de histórias e apresentações teatrais. As mesas abordam temas como A Língua como Território de Cidadania, Vozes Ancestrais, Territórios Literários em Trânsito, O Corpo Político da Língua, Literatura em Travessia e Leitura, Edição e Democracia.

Realizado pela Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com a Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), a Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) e a Associação Portugal-Brasil 200 anos, o FliParaíba consolida seu papel como espaço de intercâmbio cultural e valorização da literatura produzida em países de língua portuguesa. Bianca Lucca – Brasil in “Correio Braziliense”


sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Centro Nacional de Cultura - Bolsas Criar Lusofonia 2025

Estão abertas as candidaturas para o concurso Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura com o apoio do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto/DGLAB.


Este programa tem por objetivo a atribuição de Bolsas no domínio da escrita, para cidadãos oriundos de países da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Mais informações aqui.

Regulamento


domingo, 26 de outubro de 2025

Bélgica - Projeto com cunho português conquista prémios em Bruxelas

O projeto AGEO – Plataforma Atlântica para a Gestão de Risco Geológico, que junta cinco países, incluindo Portugal, recebeu dois prémios para iniciativas financiadas pela União Europeia, nas categorias “Uma Europa Verde” e escolha do público


Segundo uma nota da representação da Comissão Europeia em Portugal, “o projeto AGEO – Plataforma Atlântica para a Gestão de Risco Geológico foi escolhido como vencedor do prémio do público deste ano e na categoria ‘Uma Europa Verde’ decidida pelo júri”.

O AGEO, projeto transnacional com a participação de Portugal, França, Irlanda, Espanha e Reino Unido, obteve a maioria dos votos, 1976 no total, sendo “claramente preferido entre os 25 finalistas dos prémios RegioStars 2025, que visam distinguir “projetos financiados pela UE que demonstram o impacto e a inclusão do desenvolvimento regional”.

O concurso é organizado anualmente pela Comissão Europeia desde 2008, tendo este ano decorrido na 23.ª Semana Europeia das Regiões e dos Municípios, em Bruxelas, e um júri composto por peritos de toda a Europa selecionou 25 finalistas aos RegioStars.

O projeto transnacional AGEO reúne “cientistas, comunidades locais e governos para fazer face aos riscos geológicos na região atlântica por meio da ciência cidadã, da observação da Terra e de instrumentos inovadores de gestão dos riscos”, explica a representação europeia.

Através de cinco observatórios-piloto de cidadãos na região atlântica, o projeto “mostrou como se pode capacitar as comunidades locais para participarem em sistemas de alerta precoce e enfrentarem desafios relacionados com o clima”, contribuindo “para proteger os cidadãos de eventos de grande impacto e de vários cenários de risco/perigo”.

De acordo com o AGEO, o programa Espaço Interreg Atlântico envolve 36 regiões atlânticas, um orçamento total de 185 milhões de euros, dos quais 140 milhões do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder) e cinco prioridades temáticas.

Os cinco projetos-piloto, com base nos quais serão formuladas recomendações, são os observatórios do cidadão sobre “queda de rochas nas Ilhas Canárias” e “em Giants Causeway e Carrick-a-Rede, Irlanda do Norte”, “multirriscos em Lisboa, Portugal”, monitorização da “instabilidade de taludes na Ilha da Madeira” e “vulnerabilidade aos riscos costeiros na Bretanha, França”.

A aplicação AGEO, projetada para monitorizar riscos geológicos no espaço atlântico, destina-se a “melhorar a segurança e a preparação para riscos geológicos por meio da cooperação com os cidadãos”, que podem relatar diferentes tipos de riscos, nomeadamente relacionados com deslizamentos, quedas de rochas, terramotos e inundações.

O consórcio do projeto integra o Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa (coordenador), Associação Portuguesa de Geólogos, Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Câmara de Lisboa, Universidade da Madeira, Instituto Geológico e Mineiro de Espanha, Universidade da Bretanha Ocidental, Serviço Geológico da Irlanda do Norte, Colégio Universitário de Dublin, entre outros.

Seis projetos financiados pela UE receberam os prémios RegioStars 2025 em Bruxelas, repartidos por cinco categorias temáticas e escolha do público, de entre um recorde de 266 candidaturas de toda a Europa.

Na categoria “Uma Europa Competitiva e Inteligente”, foi distinguido o projeto Mapas de Fertilização baseados em Radar de Satélite (Polónia), enquanto “Uma Europa Conectada” premiou o ‘Monocab Owl’ – Nova Mobilidade em Trilhos Antigos (Alemanha), um “sistema de cabine de monotrilho giro-estabilizado”.

Na temática “Uma Europa Social e Inclusiva”, o prémio foi para Apoio Precoce a Famílias em Risco (República Checa) e no domínio de “Uma Europa mais Próxima dos Cidadãos venceu o Centro Feminino Partilhado de Shankill (Irlanda, Reino Unido).

O projeto AGEO venceu na categoria “Uma Europa Verde” e na escolha do público, com cerca de 2000 votos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Brasil – Fliporto 2025

20 anos de Fliporto com duas edições, Portugal de 22 a 25 de outubro, Brasil de 13 a 16 de novembro


A Festa Literária Internacional de Pernambuco – Fliporto – celebra, em 2025, duas décadas de existência, com duas edições, sendo um patrimônio de Pernambuco, que se internacionaliza.

Em comemoração às duas décadas de trajetória, a Fliporto realiza uma Edição Portugal, de 22 a 25 de outubro/2025, em parceria com a Fundação Livraria Lello, em Matosinhos, região do Porto, que já está amplamente divulgada em Portugal pela Fundação Livraria Lello, que possui a Livraria Lello, ícone mundial de livrarias. Essa edição reforça os laços culturais e linguísticos entre Brasil e Portugal, marcando um novo capítulo da Fliporto, na sua internacionalização.

A Fliporto Brasil, comemorativa dos 20 anos, será realizada de 13 a 16 de novembro, no Parque Dona Lindu, em Recife (PE).



O tema deste ano será “Literatura, tecnologia, sustentabilidade, interfaces e diálogos”, refletindo o espírito de transformação e contemporaneidade que sempre marcou a trajetória da Fliporto.

Os homenageados desta edição são dois grandes poetas pernambucanos: Carlos Pena Filho e Miró da Muribeca.

O Teatro Luiz Mendonça, localizado no próprio parque, receberá 15 mesas-painéis com escritores, artistas e pensadores do Brasil e do exterior, promovendo debates sobre literatura, cultura, arte e os novos rumos da criação contemporânea.

Um dos pontos altos da programação será o espetáculo poético-musical Carlos Pena Filho e Miró da Muribeca cantam o Recife, criado e dirigido por Ronaldo Correia de Brito, especialmente concebido para esta celebração.

Será também lançado uma edição especial do Livro Geral de Carlos Pena Filho, organizado pelo escritor Mário Hélio Gomes e publicado pela Editorial Novembro (Portugal). A obra terá lançamentos em Portugal e em Recife, reforçando a ponte literária entre os dois países, do Poeta do Recife, que viveu parte de sua infância em Portugal.

A Livraria do Jardim será a livraria oficial da Fliporto 2025, coordenando os lançamentos e mantendo uma livraria no local.

A área de convivência contará com dois cafés temáticos, em homenagem ao histórico Café Savoy, ponto de encontro de poetas e intelectuais recifenses – entre eles, o próprio Carlos Pena Filho. O Savoy ressurgirá na Fliporto.

O evento disporá de infraestrutura completa, com segurança, bombeiros civis, estacionamento com serviço de valet, sinalização, projeções e áreas de apoio ao público.

A Fliporto Arte, sediada no Espaço Janete Costa, é uma feira de artes visuais, que celebra o centenário do artista Reynaldo Fonseca, entre outras homenagens. O espaço reunirá galerias, artistas, palestras e contará com gastronomia assinada pelo Chef César Santos, além de um café de apoio no local.

A Fliporto literária, no Teatro Luiz Mendonça, será gratuita, com inscrição prévia na plataforma Sympla e a Fliporto Arte, no espaço Janete Costa, terá ingresso pago, através do Sympla.

Outros núcleos complementam a programação:

  • Fliporto Cordel – Imeph, destacando a força da literatura popular nordestina, com feira de cordéis, violeiros e homenagens;
  • Espaço UBE/Fliporto, que enaltecerá a escrita feminina, com a presença de mais de dez autoras convidadas.

A Fliporto 2025 será um evento Carbon Free, comprometido com a sustentabilidade:

toda emissão de carbono do evento será neutralizada por meio de parceria com entidades de plantio de árvores. Nesta edição, a Fliporto também homenageará os Baobás de Pernambuco e destacará a importância da preservação da Caatinga e de sua riqueza ambiental e cultural.

A Fliporto 2025 conta com o apoio da Caixa Econômica Federal, do Governo do Estado de Pernambuco, através da Fundarpe e outras entidades, do Porto Digital, da Livraria do Jardim, da Imeph Editora, do Instituto Camões, do Instituto Cervantes, do Instituto Dom Hélder Câmara, do Instituto Asa Branca, da Pitú, da Uninassau, entre outros parceiros institucionais e patrocinadores. António Campos – Brasil in “Fliporto” (Pernambuco)








sábado, 18 de outubro de 2025

Angola - Cai oito posições e está entre os 13 piores no Índice Global da Fome

O país ocupa a 111.ª posição entre 123 países avaliados no Índice Global da Fome 2025 e consta dentre as nações com os piores índices de fome. No país, de acordo com o documento, 47,7% das crianças sofrem de atraso no crescimento e mais de 22% dos cidadãos estão subnutridos. Entre os lusófonos, Angola tem o pior registo


Angola caiu oito posições no Índice Global da Fome (em inglês Global Hunger Index - GHI) 2025, passando do 103.º lugar em 2024 para o 111.º este ano, e figura entre os 13 países com piores níveis de fome no mundo. De acordo com o relatório intitulado Índice Global da Fome de 2025: 20 anos de monitorização do progresso: hora de renovar o compromisso com a fome zero, divulgado pela organização alemã Welthungerhilfe e pela irlandesa Concern Worldwide, com 29,7 pontos, Angola continua no grupo de nações com níveis sérios de fome.

Apesar dos progressos registados nas últimas duas décadas - quando a situação era considerada "alarmante" -, no ano passado o País regrediu num dos indicadores sociais mais sensíveis: a desnutrição infantil. Os dados mais recentes do GHI consultados pelo Novo Jornal revelam índices alarmantes de desnutrição infantil: quase metade das crianças menores de cinco anos (47,7%) no País sofre de atraso no crescimento devido a uma má alimentação. Trata-se de um aumento de quase 50%, face aos indicadores registados em 2023 (32,1%). Para além disso, 5,1% das crianças enfrentam desnutrição aguda e 6,7% morrem antes de completar cinco anos. No geral, 22,5% da população, mais de oito milhões de habitantes, vive em situação de subnutrição.

Com esta classificação, Angola mantém-se entre os países com níveis de fome considerados graves e ainda distantes das metas globais de erradicação da fome até 2030. Teresa Fukiady – Angola in “Novo Jornal”


sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Moçambique - Emociona o público na Expo Osaka 2025 com um concerto de encerramento inesquecível

Os artistas Xixel Langa, Radja Ali, António Marcos, Sick Brain, May Mbira, Lucrécia Paco e Alvim Cossa subiram ao palco da Expo Osaka 2025, no Japão, para o concerto de encerramento da temporada de programas culturais, representando Moçambique com energia, emoção e autenticidade.


A actuação foi recebida com enorme entusiasmo pelo público da Expo, evidenciado pela presença massiva na plateia e pelas intensas manifestações de aplauso.

O concerto teve início com a entrada impactante de Matchume Zango, cujo desempenho misturou elementos cénicos e práticas artísticas comunitárias, transportando o público para uma experiência que ultrapassa os limites do palco, uma celebração da ideia de que a arte e a cultura pertencem ao povo.

O espetáculo, marcado pela fusão de Timbila, Mapiko, Xigubo e Ngalanga, ganhou uma dimensão arrebatadora com as interpretações de Lucrécia Paco e Alvim Cossa, que conduziram o público por um percurso de emoção, ancestralidade e modernidade.

Sob a Direcção Artística de David Abílio e Coreografia de Pérola Jaime, o concerto simbolizou o encerramento de um ciclo de grande visibilidade para a cultura moçambicana no cenário internacional, mostrando ao mundo a riqueza e a diversidade das expressões artísticas nacionais. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Lusofonia - Ana Paula Tavares vence Prémio Camões

A poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares é a vencedora da 37.ª edição do Prémio Camões, o mais prestigiado galardão literário de língua portuguesa, no valor de 100 mil euros

O prémio distingue a sua trajetória fecunda e coerente na criação estética, sublinhando o resgate da dignidade da poesia e a relevância antropológica e histórica da sua obra, que inclui poesia, crónica e ficção narrativa.

Nascida em 1952, no Lubango, Huíla, Ana Paula Tavares é licenciada em História e Mestre em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade de Lisboa. Entre 1983 e 1985, coordenou o Gabinete de Investigação do Centro Nacional de Documentação Histórica em Luanda, e foi membro do júri do Prémio Nacional de Literatura de Angola entre 1988 e 1990.

Em declarações à agência Lusa, Ana Paula Tavares afirmou que "espero que haja a possibilidade de continuar a provar que a poesia tem um lugar nas nossas vidas, nos nossos compromissos, nas nossas lutas diárias”.

Ana Paula Tavares afirmou que, desde o momento em que soube da notícia, a primeira coisa que lhe ocorreu foram as mulheres do seu país, Angola: “Aquelas que continuam em silêncio, a lutar pela vida todos os dias, a inventar a vida, a reconstruir essa mesma vida”.

“Não tenho pretensões de falar em nome das mulheres do meu país. Sou uma mulher angolana e essa é a minha função, mas se a minha palavra de alguma maneira puder tocá-las e tocar as instâncias que podem — ou que devem — mudar as coisas é um objetivo que gostava” de alcançar, afirmou a escritora.

A autora integra a “geração de 80”, preocupando-se especialmente com a condição da mulher na sociedade angolana. A sua poesia utiliza um “sujeito poético” feminino como veículo de denúncia e libertação, explorando símbolos como cores, frutos e ornamentos, mesclando religiosidade cristã e realidade africana. Entre os seus livros de poesia destacam-se: Ritos de Passagem (1985), O Lago da Lua (1999) e Dizes-me Coisas Amargas Como os Frutos (2001), tendo também publicado crónicas e ensaios sobre a história de Angola.

Em comunicado, a Editorial Caminho afirmou Ana Paula Tavares é "uma Referência incontornável no espaço da língua portuguesa" e "foi com imensa alegria que recebemos a notícia que a poeta e historiadora foi distinguida com o Prémio Camões 2025".

O júri do Prémio Camões 2025 foi composto por representantes de Portugal, Brasil e países africanos de língua portuguesa, reunindo-se virtualmente para deliberar. Pelo lado português participaram os académicos Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa) e José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra). Pelo Brasil, integraram o júri os académicos Maria Lucia Santaella Braga e Arno Wehling. Pelos países africanos de língua portuguesa, participaram o académico Francisco Noa (Moçambique, Universidade Eduardo Mondlane) e o poeta, escritor e crítico literário Lopito Feijó (Angola).

Ana Paula Tavares vive atualmente em Lisboa, onde é docente na Universidade Católica, e mantém uma colaboração regular com a RDP África, apresentando uma crónica semanal sobre história, literatura e cultura. In “Sapo” – Portugal com “Lusa”


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Internacional - Museu Virtual de bens culturais roubados abriu em Barcelona com seis objectos de Portugal

A UNESCO lançou o Museu Virtual de Objectos Culturais Roubados, que inclui seis peças reportadas como desaparecidas por Portugal.


O museu virtual da UNESCO, anunciado em 2022, resulta de uma colaboração com a Interpol e arranca, para já, com 250 objectos iniciais de 56 países. Na galeria de Portugal, há seis objectos roubados, entre os quais, jóias do Tesouro Real e o quadro “Busto de mulher romana”, de 1882, de Henrique Pousão.

Entre as joias portuguesas está um colar de diamantes de 1834 encomendado por D. Maria II (1819-1853) e um cabo de bengala de D. José I (1750-1777), feito a ouro e incrustado com 387 diamantes de vários tamanhos.

O Museu Virtual de Objectos Culturais Roubados da UNESCO (https://museum.unesco.org/), concebido pelo arquitecto Francis Kéré, natural do Burkina Faso e prémio Pritzker em 2022, é “um museu único no mundo”, “sem paredes, mas não sem memória”, disse o director-geral adjunto para a Cultura da UNESCO, Ernesto Ottone, na apresentação do projecto.

Ernesto Ottone sublinhou que os bens culturais roubados “ferem a memória” colectiva, rompem cadeias de transmissão cultural entre gerações e “impedem a ciência de evoluir”, por ocultarem conhecimento.

Este tipo de roubo é dos mercados negros “mais lucrativos”, resulta de crime organizado, financia o terrorismo e prospera especialmente em zonas de guerra, destacou ainda o director-geral adjunto da UNESCO, que sublinhou que o objectivo do museu virtual é recuperar e restituir objetos roubados, mas também sensibilizar para este tipo de crime e para o impacto que tem em diversos níveis, assim como apelar um “papel mais activo nesta luta” por parte de todos, em especial os mais jovens.

O museu virtual quer também ajudar na promoção da educação sobre bens culturais e “facilitar a transmissão inter-geracional” de conhecimento, acrescentou. “Aprender sobre estes objectos desaparecidos é o primeiro passo para a sua recuperação” e “quando um objecto cultural é roubado perdemos uma parte da nossa identidade” são, precisamente, as primeiras duas frases que lê quem entra na plataforma do museu virtual da UNESCO.

Ernesto Ottone apelou aos 60 estados-membros da UNESCO que não registaram oficialmente objectos culturais roubados para o fazerem, uma vez que só entram neste museu virtual peças que já estão na base de dados da INTERPOL.

A ambição da UNESCO é que o número de objectos expostos aumente no imediato, mas a esperança é que as galerias se vão esvaziando, à medida que forem sendo encontrados e restituídos aos países e donos de origem.

Segundo a Interpol, os 250 objectos integrados nas galerias inaugurais deste museu são apenas uma pequena amostra de um tráfico ilícito que envolve pelo menos 57.000 bens. Este tráfico resulta de roubo e contrafacção de obras de arte, mas também de pilhagens em zonas de conflito ou escavações arqueológicas clandestinas, diz a Interpol.

O Museu Virtual de Objectos Culturais Roubados da UNESCO foi apresentado, no primeiro dia da conferência MONDIACULT 2025, em Barcelona, Espanha. A MONDIACULT 2025 é a Conferência Mundial da UNESCO sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável e realiza-se este ano pela terceira vez, depois de edições no México em 1982 e 2022, sob o mote “libertar o poder da cultura para conseguir o desenvolvimento sustentável”.

Estão reunidos em Barcelona 120 ministros de todo o mundo. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Fundação Calouste Gulbenkian - Audições EGO – Estágio Gulbenkian para Orquestra 2025

Candidaturas até 28 de setembro


A Fundação Calouste Gulbenkian organiza mais uma edição do Estágio Gulbenkian para Orquestra, que decorrerá entre 25 e 31 de outubro de 2025, na sua sede em Lisboa. Este estágio terminará com dois concertos side-by-side com a Orquestra Gulbenkian, sob a direção do prestigiado maestro Aziz Shokhakimov.

Criado em 2013 sob a direção artística de Joana Carneiro, o Estágio Gulbenkian para Orquestra tem como objetivo promover a experiência orquestral e o desenvolvimento do nível artístico entre jovens instrumentistas portugueses ou residentes em Portugal. Os cerca de 35 instrumentistas, com idades compreendidas entre os 16 e os 26 anos, serão escolhidos através de rigorosas provas de seleção.

O Estágio integra tutores especializados com alargada experiência orquestral, que orientam os participantes na preparação das obras a executar em concerto.

Instrumentos: violino, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta, oboé, clarinete, fagote, trompa, trompete, trombone, tuba, tímpanos/percussão e harpa.

Candidaturas

Até 28 de setembro de 2025. Antes do preenchimento do Formulário de Inscrição, é essencial uma leitura atenta do Regulamento.

Regulamento

Formulário de Inscrição

Seleção de participantes

A seleção dos participantes é da exclusiva responsabilidade da Fundação Calouste Gulbenkian e será realizada através do envio das referidas provas exclusivamente por vídeo, o que poderá ser feito a partir do momento da inscrição e até ao fim do prazo de candidatura – 23:59 do dia 28 de setembro de 2025. O link do vídeo deverá ser partilhado através do e-mail ego@gulbenkian.pt. Os resultados das provas serão divulgados no dia 3 de outubro de 2025.

Consultar Repertório

Repertório do Estágio

Dmitri Chostakovitch

Sinfonia n.º 7, em Dó maior, op. 60, Leninegrado

Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal


sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Europa - Pianista Maria João Pires vence Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2025

A pianista Maria João Pires é a vencedora da edição de 2025 do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, anunciou o Centro Nacional de Cultura (CNC), promotor da iniciativa


"Este reconhecimento europeu presta homenagem à excecional contribuição de uma das maiores pianistas do nosso tempo para a promoção do património cultural e dos valores europeus", justifica o CNC, em comunicado.

De acordo com a decisão do júri, presidido por Maria Calado, presidente do CNC, "Maria João Pires é uma das pianistas mais poéticas e influentes da Europa. Além de ser uma extraordinária intérprete, é uma educadora visionária, uma pensadora cultural e uma revolucionária silenciosa no domínio do património musical".

O júri reconhece na carreira da pianista, "profundamente enraizada nos valores da empatia, da inclusão e da excelência artística", a essência da "missão do Prémio Helena Vaz da Silva: sensibilizar o público para o património cultural europeu através de um envolvimento humanista e de impacto".

Maria João Pires, numa reação ao prémio, citada pelo comunicado do CNC, disse: "Ter um prémio corresponde a ter uma honra. Ter uma honra e tomar consciência dela, é lembrar ao pormenor todas as pessoas que deram do seu tempo, colaboraram e ajudaram a que essa honra fosse atribuída. Por isso a minha primeira reação será sempre dizer 'muito obrigado' a todos por esta oportunidade."

A pianista, que nasceu em Lisboa em 1944, tornou-se numa das "artistas mais destacadas internacionalmente", escreve o CNC, recordando o percurso de Maria João Pires desde a sua primeira atuação em público, aos quatro anos, até à consagração nas décadas de 1980-1990.

Após a conquista do primeiro prémio do concurso internacional Beethoven, em 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das maiores editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das "Cenas Infantis", de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, em 1989.

Nesse ano, fundou o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco, projeto educativo, pedagógico e cultural dedicado à música, onde oferece 'workshops' interdisciplinares, concertos e gravações que, no futuro, segundo o CNC, podem vir a ser "partilhados com a comunidade digital".

Em 2012, na Bélgica, iniciou dois projetos complementares: os Partitura Workshops e os Partitura Choirs, destinados a coros infantis de crianças oriundas de ambientes desfavorecidos, como o Hesperos Choir.

De acordo com o CNC, "todos estes projetos têm como objetivo criar uma dinâmica altruísta entre artistas de diferentes gerações, propondo uma alternativa a uma realidade demasiado focada na competitividade".

No passado mês de junho Maria João Pires anunciou um afastamento dos palcos "por algum tempo", devido a um "problema de saúde cerebrovascular". Na altura, cancelou concertos e recitais que tinha agendados para Portugal e para diversas salas europeias e do Japão.

Em agosto, em nova mensagem, mostrou entusiasmo "com a ideia de dar de novo aulas 'online'": "Dar aulas [...] é muito mais do que isso, é uma forma de diálogo através da música, 'um dar e receber', uma troca de impressões, uma aprendizagem partilhada na arte de ouvir, uma procura de equilíbrio... Procurar em conjunto obriga a um acordo na experiência. Um trabalho sobre nós próprios, que nos dará certamente mais lucidez".

Ao longo da carreira, Maria João Pires recebeu o prémio do Conselho Internacional da Música, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970), o Prémio Pessoa (1989), a Medalha de Mérito Cultural do Governo português e o Prémio Personalidade do Ano/Martha de la Cal da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (2019), o Praemium Imperiale (2024), da Associação de Arte do Japão.

A nível discográfico, foi distinguida quatro vezes pela Academia Charles Cross, nomeada regularmente para os Grammy e recebeu um prémio Gramophone, destacando-se as suas interpretações de Sonatas e dos "Impromptus", de Schubert, dos "Nocturnos", de Chopin, e de Concertos de Mozart e Beethoven.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva foi instituído em 2013 pelo CNC, com a organização Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa, com apoio dos ministérios da Cultura, Juventude e Desporto, e dos Negócios Estrangeiros, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Além de Maria Calado, o júri foi composto por Francisco Pinto Balsemão, fundador do grupo Impresa, Piet Jaspaert, vice-presidente da Europa Nostra, João David Nunes, pelo Clube Português de Imprensa, Guilherme d'Oliveira Martins, administrador da Fundação Gulbenkian, Irina Subotic, presidente da Europa Nostra Sérvia, e Marianne Ytterdal, do Conselho da Europa Nostra.

A entrega do prémio a Maria João Pires realizar-se-á na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, em 01 de novembro, às 17:00.

A primeira edição do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, em 2013, distinguiu o escritor italiano Claudio Magris. No ano passado o vencedor foi o fotógrafo alemão Thomas Struth.

Para além destas duas distinções foram laureados o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk distinguido em 2014; o músico catalão Jordi Savall foi premiado em 2015; o cartoonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço venceram, ex-aequo, a edição de 2016 do Prémio; em 2017, o cineasta Wim Wenders foi o vencedor; em 2018 a vencedora foi a historiadora inglesa Bettany Hughes, em 2019 foi laureada a física de partículas italiana Fabiola Gianotti, em 2020 foi atribuído ao Cardeal José Tolentino Mendonça e em 2021 a vencedora foi a coreógrafa de Dança Contemporânea belga, Anne Teresa De Keersmaeker, em 2022 o prémio foi atribuído à maestra ucraniana Oksana Lyniv e em 2023 foi distinguido o barítono português Jorge Chaminé. Augusta Gonçalves – Portugal in “Notícias ao Minuto”