O Festival da Lusofonia regressa às Casas da Taipa de 23 a 25 de Outubro. Devido à ausência de patrocínio do Galaxy Entertainment Group (GEG), o evento vai voltar ao formato original de um único fim-de-semana e apostar sobretudo no talento local, segundo informações avançadas pela TDM
O Festival da Lusofonia vai regressar
a Macau entre os dias 23 e 25 de Outubro, nas Casas da Taipa. Ao contrário das
duas últimas edições, que decorreram ao longo de dois fins-de-semana
consecutivos, o evento regressa este ano ao seu formato original de apenas três
dias. Segundo avança a TDM, a interrupção do modelo alargado deve-se à ausência
de patrocínio do Galaxy Entertainment Group (GEG), uma mudança que obrigou a
limitações orçamentais e a uma reestruturação do programa.
Recorde-se que o GEG patrocinou o festival desde 2023,
assumindo a posição de co-organizador nas duas edições mais recentes. Em 2024,
a iniciativa do Instituto Cultural (IC) decorreu de 25 de Outubro a 3 de
Novembro, de forma a permitir que “os residentes locais e turistas tenham um
conhecimento mais profundo das tradições, costumes e cultura única dos países e
regiões da língua portuguesa”, como se descreveu na nota de apresentação. O
formato repetiu-se na edição do ano seguinte, que se prolongou de 24 de Outubro
a 2 de Novembro de 2025.
Em ambas as edições, para além dos habituais expositores
culturais, bancas de comida e bebida e jogos populares, a organização
apresentou um cartaz musical recheado e protagonizado por artistas de cada um
dos dez países e regiões lusófonos. Em representação de Portugal, vieram ao
território Fernando Daniel, em 2024, e Marisa Liz, em 2025.
Em declarações à TDM, o presidente da Associação dos
Macaenses, Miguel de Senna Fernandes, confirmou que nesta 29.ª edição o
Festival da Lusofonia vai voltar ao formato inicial de apenas um fim-de-semana,
num total de três dias. O responsável realça que, apesar da “desilusão”, o mais
importante “é que a edição se mantenha” de pé, apesar dos contratempos – mais
concretamente, a falta de financiamento do projecto, que este ano se vê
limitado ao orçamento do Governo de Macau.
A presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia
António, reconheceu que a decisão do GEG de não patrocinar o evento deste ano
obrigou a um programa mais reduzido do que nas últimas duas edições,
co-organizadas pela empresa. Como o orçamento e o número de dias da celebração
serão inferiores aos das edições anteriores, também a lista de convidados será
mais curta e assente, maioritariamente, nos talentos locais. O destaque desta
edição será, portanto, “a prata da casa”, como admitiu à TDM, embora antecipe “alguma
participação do exterior – mas mais pequena, óbvio”.
Segundo os dois responsáveis contactados pela TDM, a
grande maioria das associações mostrou-se desapontada com a notícia. “Estão
desiludidas e tristes”, revelou Amélia António, falando numa sensação de
retrocesso. “As pessoas tinham acabado por perceber, depois da adaptação, que
os dois fins-de-semana tinham muitas vantagens”. Por outro lado, Miguel de
Senna Fernandes notou que, para algumas associações, a redução do tempo de
celebração “é um alívio, tendo em conta as dificuldades financeiras e de
pessoal”.
A primeira edição do Festival da Lusofonia aconteceu em
Junho de 1998, tendo como principal objectivo homenagear as comunidades
lusófonas residentes em Macau. Na página do IC, lê-se que esta iniciativa se
tornou, ao longo dos anos, num “importante acontecimento de partilha da cultura
das comunidades de língua portuguesa com a cultura chinesa”, para além de
enfatizar o papel enquanto “plataforma de intercâmbio cultural” entre a China e
os países lusófonos. Carolina Baltazar – Macau in “Jornal
Tribuna de Macau”
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