Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 30 de junho de 2026

Cabo Verde - Henrique Correia reúne 23 composições em livro de cifras e partituras da música crioula

São Miguel – O escritor e compositor Henrique Correia considera que o livro Cifras e Partituras – Cabo Verde Música Crioula, que reúne 23 composições da sua autoria com cifras e partituras, constitui um contributo para a preservação e divulgação da música cabo-verdiana.


A obra, com 180 páginas, reúne músicas escritas em diferentes géneros da música crioula, como morna, coladeira e batuco, incorporando igualmente influências de estilos internacionais, entre os quais reggae, samba e slow, todos interpretados em língua crioula.

Segundo explicou, a inclusão das cifras e das partituras responde à necessidade de disponibilizar as composições numa linguagem musical universal, permitindo que possam ser interpretadas por músicos dentro e fora de Cabo Verde.

"Não é uma curiosidade, é técnica. A pauta musical é uma linguagem internacional. Qualquer pessoa que tenha conhecimentos de música pode pegar na partitura e interpretar a melodia", afirmou.

Para Henrique Correia, esta abordagem representa também uma forma de valorizar a música cabo-verdiana, sobretudo a morna, classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade, e de criar instrumentos que facilitem a sua transmissão às novas gerações.

Na sua perspectiva, o manual pode igualmente servir de apoio ao ensino da música, uma vez que reúne, de forma simples e organizada, os principais elementos técnicos necessários à aprendizagem.

"O Ministério da Educação pode utilizar este trabalho juntamente com os professores de música para ensinar as crianças de forma pedagógica e técnica", defendeu.

O primeiro volume reúne 23 composições originais, seleccionadas segundo critérios técnicos, procurando representar a diversidade da música crioula cabo-verdiana.

Além da componente musical, Henrique Varela explicou que as letras retratam diferentes aspectos da vida quotidiana, inspirados tanto nas suas experiências pessoais como nas vivências de outras pessoas.

Henrique Correia disse esperar que o livro contribua para aproximar mais pessoas da música cabo-verdiana, facilitar a interpretação das suas composições e reforçar a divulgação da cultura nacional além-fronteiras.

"Hoje fala-se muito da internacionalização da nossa cultura. Se a nossa música estiver escrita numa linguagem que qualquer músico compreende, será mais fácil levá-la ao mundo", concluiu. In “Inforpress” – Cabo Verde


França - Mercado Franco-Português leva música, folclore e tradição a Gond-Pontouvre

A associação As Estrelas de Gond-Pontouvre organiza, entre os dias 3 e 5 de julho, a edição de 2026 do Mercado Franco-Português, que terá lugar na Île de Foulpougne, em Gond-Pontouvre, França. A entrada é gratuita


O certame arranca na sexta-feira, 3 de julho, às 18h00 (hora local), com a abertura do mercado. A programação inclui atuações de rusgas, dedicadas aos cantares e danças tradicionais portugueses, um baile animado por Francky Salgado e um concerto de Nelson Costa e Emmanuel Gonçalves, além do sorteio da tombola.

No sábado, 4 de julho, o mercado reabre às 10h00 (hora local) e contará com animação musical ao longo de todo o dia. À noite realiza-se um festival de folclore com a participação do Rancho Folclórico As Estrelas de Gond-Pontouvre, do Rancho Folclórico Estrelas de Portugal de Pau, do Rancho Folclórico Da Minha Terra de Brive-la-Gaillarde e do Rancho Folclórico Coração do Minho de Camblanes. O programa prossegue com um concerto do grupo Luso Show e um novo sorteio da tombola.

O último dia do evento, domingo, 5 de julho, começa igualmente às 10h00 (hora local), com animação musical durante a manhã, encerrando às 14h00 (hora local).

Durante todo o fim de semana haverá serviço de restauração no recinto. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




Portugal - 400 artistas e intelectuais defendem ensino da língua portuguesa no estrangeiro

Preocupados com a nova proposta de reformulação do Regime Jurídico da Rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), mais de 400 artistas e intelectuais pedem ao Governo que defenda “o mais valioso ativo da diplomacia cultural”


Da literatura à música, do cinema às artes plásticas, nomes como os de Lídia Jorge, Teolinda Gersão ou José Luís Peixoto, Graça Morais, Sérgio Godinho ou Maria de Medeiros, incluindo quatro vencedores do Prémio Camões — Hélia Correia, João Barrento, Silviano Santiago e Ana Paula Tavares -, assinam o “Manifesto em Defesa da Rede EPE: a primeira linha da diplomacia portuguesa”.

Para os signatários, é “urgente e necessário rejeitar a precarização” da rede EPE, bem como “conferir estabilidade, reconhecimento e solidez às carreiras dos agentes desta rede”, que dignifiquem os profissionais que desempenham o seu trabalho “frequentemente em condições de insustentável vulnerabilidade”.

Afirmando a rede EPE como “o mais sólido espaço de diálogos, circulações, trânsitos e disseminação da literatura, arte e cultura portuguesas pelo mundo”, os subscritores do Manifesto sublinham o papel “decisivo” dos Leitores e Professores que todos os dias trabalham para divulgar autoras e autores de língua portuguesa em vários lugares do mundo.

“A rede de Ensino Português no Estrangeiro não só cria e garante visibilidade às letras e à cultura produzidas em língua portuguesa a uma escala global: esta rede cria pontes, todos os dias, entre escritores, comunidades, países e os públicos mais diversos”, lê-se no texto do Manifesto.

“Todos os dias, algures no planeta, há uma Leitora ou um Leitor da rede EPE a organizar uma conferência, um seminário, um colóquio, um debate, com artistas e autores de língua portuguesa. Graças a elas e a eles, todos os dias se fala em português nalgum ponto do planeta”, acrescentam, destacando o que consideram ser um trabalho “minucioso” e “constante”, que, ao longo dos anos, tem construído “um dos mais sólidos pilares de internacionalização” da cultura em língua portuguesa.

“Apesar de, a cada ano, o número de Leitorados ser menor e a situação profissional de quem neles trabalha mais vulnerável, são elas e eles que, todos os dias, levam a cabo a infinita e minuciosa tarefa de coordenar viagens, residências artísticas, traduções e festivais”, sublinham.

E prosseguem nos elogios aos Leitores e Professores que operam como artesãos que “tecem diariamente esta poderosa e simultaneamente frágil teia de contactos, ligações, colaborações e pontes que tornam as culturas em língua portuguesa das mais estudadas em todo o mundo”.

Há ainda o contributo da rede EPE junto das comunidades portuguesas na diáspora, que consideram ser um elo de ligação fundamental para a “reconexão com as raízes”.

“É a rede EPE que assegura que as filhas, netos e descendentes de portugueses espalhados pelo mundo encontrem os nossos romances, poesia, música, cinema e outras artes em língua portuguesa; também por esta via a nossa língua se inscreve continuamente em múltiplos, diversos e inovadores ambientes de produção, reflexão e fruição a nível mundial”.

Por tudo isto, consideram todos os espaços da rede EPE como “o mais valioso ativo da diplomacia cultural portuguesa pelo mundo” e pedem ao Governo que reconheça esta verdade, com “investimento sério”, “valorização” e “estabilidade laboral”.

“Quando atravessamos um momento histórico marcado por incógnitas, crises humanitárias e incertezas quanto ao futuro, a importância de reconhecer o trabalho humanístico, de promoção do diálogo, da leitura e das artes que a rede EPE leva a cabo, todos os dias, é mais premente do que nunca”, defendem.

“Para que possam continuar a desenvolver este trabalho, é fundamental que o seu mérito seja reconhecido, mas também que as estruturas legais em vigor acarinhem todos estes profissionais, garantindo-lhes a indispensável estabilidade, solidez de carreiras e vínculos laborais fortes”, acrescentam.

Terminam com o apelo ao Governo para “reconsiderar” a proposta de lei para o Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro, rejeitando a precarização e a falta de “empenho sério” no investimento na rede EPE e nos seus profissionais.

“Fazê-lo é do mais indispensável respeito pela língua que nos une”, concluem.

O “Manifesto em Defesa da Rede EPE: a primeira linha da diplomacia portuguesa” foi assinado até ao momento por 441 personalidades das artes e de universidades de todo o mundo, ligados à cultura e à língua portuguesa.

Os sindicatos representativos dos professores e o Governo iniciaram, no passado dia 28 de maio, as reuniões do processo negocial relativas à revisão RJEPE, cuja pasta é tutelada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

Após esse primeiro encontro, as propostas apresentadas pelo Governo têm sido contestadas pelos docentes e seus respetivos sindicatos. Hoje realizou-se nova reunião, estando ainda outra marcada para 13 de julho. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


Portugal - Casa de Angola tem as contas saneadas

A Associação Casa de Angola, nascida em Lisboa em 1971 e que não passou imune à turbulência da revolução, tem agora as contas saneadas, após um período de instabilidade, e quer reforçar-se como ponte entre Portugal e Angola


A Associação Casa de Angola, nascida em Lisboa em 1971 e que não passou imune à turbulência da revolução, tem agora as contas saneadas, após um período de instabilidade, e quer reforçar-se como ponte entre Portugal e Angola.

Na sequência de problemas de gestão, em 2020, foi criada uma comissão extraordinária que esteve nos últimos anos dedicada a "salvar a Casa de Angola", disse à Lusa o dirigente Carlos Bajouca.

Segundo o escultor e membro da direcção, "as dívidas passadas estão todas saneadas", tendo acabado de ser pagas este ano.

"A nossa intenção não era criar animações nem dar continuidade a projectos culturais, não havia dinheiro. A intenção era salvar a Casa de Angola", afirmou.

A partir de agora, acrescentou, a Casa de Angola quer empenhar-se em conseguir receitas estruturais, desde logo para manter a sede, o edifício situado na Travessa da Fábrica das Sedas (entre o Largo do Rato e o Jardim das Amoreiras), projectado pelo renomado arquitecto Cassiano Branco, que ali viveu com a família.

Daí, vêm surgindo ideias de alugar espaços a empresas ou instituições culturais ligadas a Angola. Quer ainda ser plataforma de divulgação de Angola e aproximação a Portugal.

Para Bajouca, "um livro sobre Angola seria muito interessante", descrevendo património, expressões culturais, etnias. Antevê ainda uma pequena rádio para promoção de artistas.

Contudo, disse, trata-se só de ideias e qualquer decisão caberá à nova direcção, pois este ano haverá eleições.

Actualmente, a âncora da Casa de Angola é o espaço gastronómico, liderado pelo chef Paulo Soares, uma referência na comida típica angolana.

"Atrai muita gente, pela sua qualidade e por permitir matar saudades da nossa terra", afirmou Bajouca.

A Casa de Angola foi fundada em 1971. O edifício-sede foi adquirido nesse ano por sete mil contos.

Gervásio Viana, actual membro da direcção, contou à Lusa que um dos mentores foi o seu padrasto, Burity da Silva, deputado pelo círculo de Angola na Assembleia Nacional entre 1961 e 1965, durante a ditadura.

Com o fim da Casa dos Estudantes do Império (criada em 1944 para acolher estudantes das antigas colónias e encerrada em 1965 pela PIDE), a comunidade angolana sentia falta de um espaço que a agregasse.

Gervásio Viana explicou que "inicialmente o regime era contra", especialmente o então ministro do Ultramar, Silva Cunha, pela memória de que a Casa dos Estudantes do Império se tinha tornado um viveiro da resistência anticolonial, abrigo de futuros líderes africanos como Agostinho Neto e Amílcar Cabral.

Para convencer o poder, foi criado um conselho estratégico com gente ligada ao regime (como Baltazar Rebelo de Sousa, pai do ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa). Em 1971, saiu o despacho governamental que cria a Casa de Angola.

Num depoimento publicado no n.º 5 da revista AfroLetras (2000), o jornalista Rui Romano, que foi dirigente da Casa de Angola, identifica Burity da Silva, Emílio Simões de Abreu e Fernando Laires como mentores de um projecto "com o intuito óbvio de congregar todos os angolanos e suas emanações num bloco que se opusesse, frontal e decididamente, ao peso do domínio estatal-colonial".

Romano relata que envolveram pessoas do regime para "salvaguarda de aparências" e que, nos primeiros anos, a Casa de Angola fez uso da "fraquíssima margem de manobra" política e financeira para organizar cursos e acções de apoio médico, social e educacional.

A revolução de 25 de Abril de 1974 foi marcante para a Casa de Angola. Gervásio Viana contou que, de imediato, jovens angolanos deslocaram-se para ali contestando a direcção e que, em 26 de Abril, são-lhes entregues as chaves da associação.

Segundo o relato de Rui Romano, a passagem das chaves deu-se "na presença de Jaime Neves e das suas chaimites".

Acrescenta Romano que, nessa noite, foi feito "um minuto de silêncio por todos, mas todos, os que tinham caído nas batalhas da Liberdade (africanos, portugueses, todos, todos, civis ou militares)" e enviado um telegrama à Junta de Salvação Nacional a exigir a "libertação imediata de todos os presos políticos".

Nos anos seguintes, já com a independência do país, a Casa de Angola transformou-se numa espécie de consulado de Angola, emitindo vistos e tratando de documentação de angolanos, relatou Viana.

Ao mesmo tempo, não escapou às turbulências da revolução, sendo alvo de vários atentados bombistas, atribuídos à extrema-direita.

A revista O Referencial (N.º 143, de 2021), da Associação 25 de Abril, conta no artigo "A rede bombista da extrema direita" que, em 24 de Outubro de 1975, houve um atentado à bomba na Casa de Angola, "a que se seguiu, no dia seguinte, um violento assalto às respectivas instalações depois de uma manifestação de retornados realizada em Lisboa nesse mesmo dia".

Uma cronologia do Museu do Aljube refere que, em outubro de 1975, uma "manifestação de desalojados/retornados de Angola termina com o assalto e a destruição da Casa de Angola". A acção foi reivindicada pelo Comando Operacional de Defesa da Civilização Ocidental (Codeco) e, no decurso desta, foi lançado contra o edifício um automóvel e colocada uma bomba.

Em Julho de 1976, nova bomba destrói a Casa de Angola.

A revista Vida Mundial de Julho de 1976 (n.º 1898) tem uma reportagem sobre ataques bombistas, incluindo à Casa de Angola. Descreve que esta ficou com "recheio, portas e janelas completamente destruídos" e que a esquerda "insinua Spínola nas actividades bombistas".

Uma fotografia que acompanha a reportagem mostra o exterior da Casa de Angola com centenas de pessoas concentradas.

A Casa de Angola foi, por essa altura, ocupada por famílias cabo-verdianas, que aí viveram nos anos seguintes.

Em Junho de 1996, a Lusa noticiava que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) as tinha realojado e que a direcção estava a reconstruir a sede, com projecto do arquitecto Troufa Real, funcionando provisoriamente a Casa de Angola na Rua do Forno do Tijolo.

Já em 24 de junho de 2001, a Lusa noticiava a cerimónia de reabertura da sede e que a reconstrução tinha contado com o apoio da CML, da petrolífera Sonangol e do Governo angolano.

Pouco antes da cerimónia, no exterior, um homem incendiou duas bandeiras da UNITA (oposição ao MPLA, no poder em Angola desde 1975). No dia seguinte, a UNITA repudiou "enérgica e veemente" a queima das bandeiras.

Na cerimónia, o então presidente da CML, João Soares, contou que, na última visita do seu pai, Mário Soares, a Angola como Presidente da República, umas das preocupações transmitidas foi precisamente o estado da Casa de Angola, pelo que o país se envolveu na reconstrução.

Segundo o escultor Carlos Bajouca, "há uma percepção errada da Casa de Angola", pois em geral as pessoas "pensam que é um complemento da Embaixada de Angola, quando é completamente autónoma, independente do poder político e do governante" no país. In “Novo Jornal” – Angola com “Lusa”


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Ásia – Digressão do cantor Afonso Cabral e do músico Pedro Branco traz concertos a Macau e Hong Kong

O cantor e compositor Afonso Cabral, um dos nomes mais falados da música portuguesa actual, inicia já esta semana uma tour asiática que o fará passar por Macau no próximo dia 3 de Julho. Acompanhado pelo guitarrista Pedro Branco, o músico apresenta-se na Casa Garden, num concerto integrado nas celebrações do Mês de Portugal em Macau. A passagem pelo território, patrocinada pela Casa de Portugal, Fundação Oriente e pelo restaurante Lvsitanvs, antecede concertos em Zhuhai e Hong Kong, depois de passar por Shenzhen



A música portuguesa contemporânea ganha novos horizontes com a digressão asiática de Afonso Cabral. Reconhecido como um dos mais relevantes compositores e intérpretes lisboetas, tem sido influente no cenário da música da capital durante a última década, e apresenta-se agora no dia 3 de julho, pelas 20h00, na Casa Garden, em Macau. O concerto, de carácter intimista, cruza canções do seu mais recente álbum, “Demorar”, com temas de alusão ao seu percurso artístico, e conta com a companhia do guitarrista Pedro Branco, grande instrumentista português da actualidade.

A passagem por Macau insere-se numa digressão mais ampla que arranca no dia 2 de Julho em Shenzhen, na Old Heaven Books, e prossegue a 4 de Julho para Zhuhai, onde vão tocar na Antique 3000, e a 5 de Julho passam para Hong Kong, no espaço da Chez Trente. A presença em Macau é especialmente significativa por se integrar no programa oficial das celebrações do Mês de Portugal e com a Grande Baía a servir de ponto de partida para o resto da Ásia.

Poucas semanas após a edição do novo single “Dança Comigo na Ilusão”, Afonso Cabral inicia esta viagem que o levará também ao Japão, com concertos agendados para Osaka, Kyoto, Nagoya e Tóquio entre 8 e 11 de Julho. A tournée acontece graças ao apoio do Programa Ibermúsicas, através da linha de “Apoio à circulação de profissionais da música”, na convocatória de 2025.

Afonso Cabral, nascido em Lisboa em 1986, tem sido uma presença recorrente na cena musical portuguesa. O seu percurso inclui projectos como os You Can’t Win, Charlie Brown, as bandas de Bruno Pernadas, Minta & The Brook Trout ou Mais Alto!. Como escritor ainda realizou trabalhos como “Perto”, interpretada por Cristina Branco, e “Anda Estragar-me os Planos”, escrita em parceria com Francisca Cortesão para o Festival da Canção 2018 e reinterpretada mais tarde por Salvador Sobral.

O percurso discográfico de Afonso Cabral conheceu ainda um novo capítulo no final de 2024, com a edição de “Demorar”, sucessor de “Morada”, lançado cinco anos antes. O álbum, construído em torno da sua voz, conta com a colaboração de dois nomes de peso, o músico japonês Shugo Tokumaru e Manuela Azevedo, vocalista dos Clã. O trabalho granjeou reconhecimento da crítica especializada, tendo sido distinguido com o terceiro lugar nas listas de melhores do ano da Blitz e da Radar. Uma das particularidades do disco é a presença marcante de influências nipónicas, visíveis tanto na faixa “Paraíso”, uma evocação a Haruomi Hosono, e noutro dueto gravado à distância entre Lisboa e Tóquio.

A afinidade de Cabral com o Japão não é um fenómeno recente. Antes da actual digressão, o músico já se tinha apresentado no país em diferentes contextos, nomeadamente ao lado de Bruno Pernadas, no Festival de Frue, e no WWW X, em Shibuya, em 2018, e novamente em 2022, no Fruezinho. Em 2023, regressou a Tóquio para um concerto a solo, no Kong Tong, com Minta & The Brook Trout.

Quem o acompanha agora na estrada é Pedro Branco, guitarrista cujo percurso transita entre o jazz e a pop independente. Membro dos You Can’t Win, Charlie Brown e fundador do projecto Old Mountain, Branco tem colaborado com uma vasta gama de artistas, de Tiago Bettencourt a Mazgani, passando por Lavoisier e Tipo. Em 2022, estreou-se a solo com “A Narrativa Épica do Quotidiano”. Actualmente, prepara um projecto que cruza jazz com o repertório de Marco Paulo, “Branco toca Marco Paulo”, enquanto lecciona no mestrado de Musicoterapia na Jazz Performance pelo Conservatorium van Amsterdam.

A digressão asiática de Afonso Cabral e Pedro Branco é promovida pela Louva-a-Deus, um espaço de música no coração de Lisboa que nasceu do desejo de criar um ponto de encontro para a comunidade musical após o encerramento do estúdio 15-A e da editora Pataca Discos devido à pressão do mercado imobiliário. O projecto, segundo a página oficial do estúdio, começou com a ambição de recuperar o mítico estúdio Xangrilá, em Campolide, mas o negócio não se concretizou. Mas agora encontram-se numa antiga igreja baptista, construída na cave de um edifício de habitação perto do Jardim Zoológico. É desta base que agora parte a música portuguesa contemporânea para a Ásia.

A entrada para o concerto na Casa Garden é gratuita, sem necessidade de reserva. A organização recomenda chegada antecipada devido à lotação do espaço. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


Macau - Banco dos BRICS emitiu dívida pela primeira vez na Região

O banco do bloco BRICS anunciou a primeira emissão de dívida na RAEM, no valor de 50 milhões de dólares americanos. Numa nota divulgada na sexta-feira, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) disse que a operação representa “um marco importante” nos esforços da instituição para diversificar as fontes de financiamento e expandir a presença em outros mercados.


O banco explicou que concluiu com sucesso, na quarta-feira, a emissão de dívida, com maturidade de três anos, denominada em euros e à taxa de juro diária do dólar (SOFR, na sigla em inglês) mais 0,3 pontos percentuais. A emissão foi organizada pela sucursal de Macau do Banco Industrial e Comercial da China, uma instituição estatal, e feita na Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários do território, que é detida pela Autoridade Monetária de Macau e foi inaugurada em Dezembro de 2021.

O NDB – fundado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – tem sede em Xangai e é liderado pela brasileira Dilma Rousseff. O nome da antiga Presidente do Brasil (2011-2016) foi proposto pela Rússia, tendo Rousseff sido reeleita em Março de 2025 para um mandato de cinco anos à frente do banco.

O NDB foi criado em 2014 e começou a funcionar um ano depois, com o objectivo de oferecer uma alternativa de financiamento aos países em desenvolvimento. Desde 2021 que tem alargado o número de membros, com a incorporação do Egipto, Irão, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e, por último, a Indonésia, que formalizou a sua entrada em Março de 2025, após uma visita de Rousseff a Jacarta.

A expansão do banco ocorre numa altura em que o grupo BRICS desempenha um papel mais proeminente nos fóruns multilaterais, no meio de debates sobre a reconfiguração da ordem económica mundial.

Macau tem apostado nos serviços financeiros para diversificar a economia da cidade, altamente dependente dos casinos e do turismo. Em Novembro, o líder do Governo, Sam Hou Fai, sublinhou que o valor dos títulos de dívida emitidos na região, sobretudo pelas autoridades centrais ou locais chinesas, tinha ultrapassado 100 mil milhões de patacas.

Em Janeiro, o Banco de Desenvolvimento da China tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir dívida em Macau, no valor de 5,5 mil milhões de yuan, para financiar projectos nos países de língua portuguesa. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Portugal - Cidadãos chamados a monitorizar uma das plantas invasoras mais problemáticas

Campanha nacional convida cidadãos a mapear inseto que combate a acácia-de-espigas. A equipa integra investigadores da Universidade de Coimbra


A plataforma INVASORAS.PT lançou a campanha de ciência-cidadã “Vamos mapear a Trichi!”, uma iniciativa que convida a população a ajudar a monitorizar a presença de um pequeno inseto australiano, chamado Trichilogaster acaciaelongifoliae, utilizado no controlo biológico da acácia-de-espigas, uma das espécies invasoras mais problemáticas dos ecossistemas costeiros portugueses.

A acácia-de-espigas encontra-se amplamente distribuída em Portugal continental, onde forma povoamentos densos, altera habitats naturais e compromete a biodiversidade. A sua elevada produção de sementes, capazes de permanecer viáveis no solo durante vários anos, contribui para a rápida expansão da espécie.

Para ajudar a controlar esta invasão, foi introduzido em Portugal, em 2015, o inseto Trichilogaster acaciaelongifoliae, conhecido pela equipa da INVASORAS.PT como “Trichi”. Este agente de controlo biológico desenvolve-se principalmente nas gemas florais da planta, originando galhas que impedem a formação de flores e, consequentemente, reduzem a produção de sementes.

Desde a sua introdução, a presença e dispersão da “Trichi” têm sido acompanhadas por investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e do Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra, que também realizaram os testes prévios à introdução.

Segundo Elizabete Marchante, investigadora da Universidade de Coimbra e membro da equipa INVASORAS.PT, “sabemos que o agente está espalhado por muitas zonas, mas precisamos de muito mais olhos no terreno para perceber onde está, onde ainda não chegou e que efeito está a ter na acácia-de-espigas. É aqui que a ciência-cidadã pode fazer toda a diferença”.

A campanha desafia qualquer pessoa a procurar galhas nos ramos da acácia-de-espigas, fotografá-las e registar a observação. Os dados recolhidos permitirão melhorar o conhecimento sobre a dispersão deste agente de controlo biológico e avaliar a sua eficácia na redução da capacidade invasora da planta. Mesmo a ausência de galhas é uma informação importante para a monitorização.

Os registos podem ser efetuados através da aplicação Epicollect5, no projeto “Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae”, ou, em alternativa, através da plataforma iNaturalist/BioDiversity4All.

A iniciativa dirige-se a cidadãos interessados pela natureza, voluntários ambientais, técnicos municipais, associações, escolas, estudantes, investigadores e profissionais envolvidos na gestão do território.

Com esta campanha, a INVASORAS.PT pretende reforçar a participação pública na monitorização de espécies invasoras e contribuir para uma das mais relevantes experiências de controlo biológico de plantas invasoras em curso na Europa.

Mais informações e instruções de participação aqui.

Sobre a INVASORAS.PT

A INVASORAS.PT é uma plataforma de informação e ciência-cidadã dedicada às plantas invasoras em Portugal. Disponibiliza recursos sobre identificação, impactes, gestão e mapeamento de espécies invasoras, promovendo a participação pública na sua deteção e monitorização. A plataforma integra investigadores do CFE – Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, da Universidade de Coimbra, e do CERNAS – Research Centre for Natural Resources, Environment and Society, do Instituto Politécnico de Coimbra. Universidade de Coimbra - Portugal


Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde inova no tratamento da leucemia mieloide aguda

Nova estratégia terapêutica que potencia quimioterapia contra a leucemia mieloide aguda deverá ser testada em colaboração com o IPO Porto


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificou uma nova estratégia terapêutica, agora publicada na Science Translational Medicine, que pode melhorar a eficácia da quimioterapia e reduzir complicações graves associadas ao tratamento da leucemia mieloide aguda.

O grupo, liderado por Delfim Duarte, provou que a administração de transferrina, uma proteína que transporta ferro pela corrente sanguínea, em conjunto com a quimioterapia, melhora a recuperação da medula óssea, aumenta a sobrevivência e reduz as complicações infecciosas associadas à terapia convencional.

A leucemia mieloide aguda é tratada, na maioria dos casos, com quimioterapia intensiva. “Apesar de eliminar células cancerígenas com eficácia, este tratamento provoca toxicidade elevada, nomeadamente a acumulação excessiva de ferro nos tecidos”, explica 0 hematologista do IPO Porto e líder do grupo de investigação Hematopoiesis and Microenvironments do i3S.

Neste estudo, os investigadores testaram a administração de apotransferrina humana, uma forma de transferrina sem ferro, para captar esse mineral em excesso e redistribuí-lo para células saudáveis da medula óssea e do sistema imunitário.

Utilizando vários modelos experimentais, incluindo ratinhos com leucemia, a equipa demonstrou que esta abordagem reduz significativamente os níveis de ferro tóxico circulante após a quimioterapia.

Nova terapia reforça combate a infeções graves

A equipa estudou ainda a segurança desta estratégia no contexto de infeção grave, uma das principais causas de morte em doentes com leucemia mieloide aguda.

Num modelo experimental de infeção por E. coli, os animais tratados com apotransferrina sobreviveram mais tempo. “Não porque se eliminaram as bactérias, mas devido a uma resposta inflamatória mais controlada. A apotransferrina reduziu a inflamação excessiva, ajudando o organismo a lidar melhor com a infeção”, esclarece Marta Lopes, primeira autora do estudo.

Com base nestes “dados pré-clínicos promissores”, a equipa espera poder avançar, num futuro próximo, com um ensaio clínico, em colaboração com a unidade de ensaios de fase precoce do IPO Porto, que avalie o uso da transferrina como terapêutica adjuvante à quimioterapia.

“O objetivo é avaliar, de forma preliminar, a segurança e a eficácia desta combinação [transferrina e quimioterapia] em doentes com leucemia mieloide aguda”, conclui Delfim Duarte. Universidade de Porto


domingo, 28 de junho de 2026

Hong Kong e Brasil negoceiam acordo para facilitar comércio bilateral

O Governo de Hong Kong anunciou o início das negociações com o Brasil para um acordo que poderá facilitar o comércio entre os dois mercados


A Alfândega de Hong Kong disse que assinou, no sábado, um plano de acção com a Secretaria Especial da Receita Federal, que está sob a tutela do Ministério da Fazenda do Brasil.

O plano “inicia oficialmente as negociações” com o Brasil para um Acordo de Reconhecimento Mútuo para Operadores Económicos Autorizados, disse a Alfândega, num comunicado.

O acordo permitirá aos operadores económicos autorizados “de ambas as economias usufruir de benefícios recíprocos de facilitação do comércio, incluindo taxas de inspeção reduzidas e desalfandegamento prioritário”, explica a nota.

O plano de acção foi assinado pelo comissário adjunto Li Kin-kei, e pelo coordenador-geral de Administração Aduaneira do Brasil, Felipe Mendes Moraes, em Bruxelas.

A assinatura aconteceu à margem de reuniões de vários órgãos da Organização Mundial das Alfândegas, que decorreram entre 22 e 27 de junho, na capital da Bélgica.

Também em Bruxelas, o comissário da Alfândega de Hong Kong, Chan Tsz-tat, assinou um Acordo de Reconhecimento Mútuo para Operadores Económicos Autorizados com o Chile.

O Governo da região sublinhou que este é o segundo protocolo assinado com uma economia da América do Sul, depois do acordo firmado com o Peru, em dezembro.

A Alfândega de Hong Kong prometeu prosseguir com discussões sobre acordos de reconhecimento mútuo com outras jurisdições e expandir a rede de operadores económicos autorizados.

O Governo apontou como alvos a Associação das Nações do Sudeste Asiático – da qual Timor-Leste é membro – estados árabes, países africanos e os que fazem parte da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota.

A iniciativa, anunciada pelo líder chinês, Xi Jinping, em 2013, envolve mais de 80 países – incluindo Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – para desenvolver ligações marítimas, rodoviárias e ferroviárias.

A Alfândega de Hong Kong já tinha assinado acordos de reconhecimento mútuo para operadores autorizados com 18 economias, incluindo a China continental, a vizinha região de Macau, Japão, Índia, Canadá e Austrália.

Em 17 de junho, o Governo de Hong Kong anunciou o alargamento a mais oito países, incluindo o Brasil, de um fundo criado para promover a internacionalização das pequenas e médias empresas (PME) locais.

O secretário para o Comércio e Desenvolvimento Económico, Algernon Yau Ying-wah, referiu também que o limite de financiamento por candidatura subiu de 100 mil para 150 mil dólares de Hong Kong.

O subsídio pode ser usado para participar em feiras e exposições numa das 48 economias abrangidas, assim como em publicidade, registo de marcas, testes ou certificações e em portais de PME na Internet. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”




Ásia - Professores de português alertam para risco de precariedade no novo regime

Professores de português destacados na Ásia manifestaram preocupação com a proposta de revisão do Regime Jurídico do Ensino do Português no Estrangeiro (RJEPE), considerando que introduz precariedade e compromete papel da língua portuguesa como “instrumento de diplomacia cultural”

Delfim Correia da Silva, leitor do instituto Camões e coordenador do Programa de Português e de Estudos Lusófonos da Universidade de Goa, sublinha que os artigos 50.º e 51.º da proposta representam “um retrocesso” ao suspender o vínculo dos docentes à função pública e limitar as comissões de serviço.

“A instabilidade e precariedade alarga-se a todos os docentes, quer estejam vinculados ou contratados”, afirma, lembrando que durante mais de uma década vigorou um modelo que favorecia a estabilidade profissional e familiar.

Correia da Silva alertou ainda para a ausência de carreiras estruturadas e progressão, que afeta a motivação e a retenção de professores.

“A não renovação das comissões significa o desemprego”, observou à Lusa, acrescentando que as novas tabelas salariais ignoram diuturnidades, currículo e condicionalismos geográficos, traduzindo-se em perdas financeiras significativas.

Para o docente, a precarização compromete também a diplomacia cultural: “Somos pequenos diplomatas da língua e da cultura portuguesas, mas trabalhamos como trapezistas, sem rede de proteção”.

O Instituto Camões assegura o ensino da língua e cultura portuguesas, ao nível do ensino superior, em diversos países, através da sua rede de leitorados, em cooperação com instituições de ensino superior e organizações internacionais.

Na Ásia, tem atualmente leitorados e docentes de português no interior da China, Macau, Vietname, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, Japão, Tailândia e Timor-Leste.

No Vietname, o leitor de português da Universidade de Hanói, Márcio Santos, indicou à Lusa que considera que o modelo proposto não promove verdadeira rotatividade, mas sim precariedade.

“Os nossos contratos cessariam sem possibilidade de renovação e sem termos um novo posto à vista”, critica, apontando para a exigência de repetir exames e entrevistas, apesar das avaliações periódicas já existentes.

O leitor destaca que a ausência de carreiras estruturadas agrava a dificuldade em preencher vagas e compromete a motivação. “A promoção da língua portuguesa depende de relações de confiança construídas ao longo do tempo. Uma rede precária fragiliza esse trabalho”, afirma.

Quanto às condições de trabalho, Santos refere a desadequação das remunerações face às qualificações e ao custo de vida, bem como a acumulação de responsabilidades que vão muito além da atividade letiva. “Os salários atuais não refletem o escopo das nossas funções e, por vezes, nem permitem uma vida condigna”, lamenta.

Ambos os docentes defendem soluções equilibradas que conciliem estabilidade com renovação da rede EPE.

Correia da Silva apela a uma “análise estratégica” que valorize a importância das relações históricas e culturais de Portugal com o subcontinente indiano, enquanto Santos sugere eliminar a exigência de novos exames para mudança de posto e rever condições remuneratórias.

A proposta de revisão do RJEPE, apresentada pelo Governo, está a provocar forte contestação entre docentes e coordenadores da rede EPE.

Além de duas cartas abertas divulgadas este mês, foi lançada uma petição que já reúne mais de oito mil assinaturas e que será entregue na Assembleia da República.

No documento alerta-se para o risco de precarização e eventual desmantelamento da rede, pedindo ao Governo que coloque no centro das prioridades a estabilidade laboral e financeira dos 381 docentes destacados em 48 países.

Entre as críticas mais recorrentes está a limitação das comissões de serviço, atualmente renováveis mediante avaliação positiva, mas que passariam a ter apenas duas renovações possíveis.

Os profissionais denunciam que esta alteração forçaria a substituição de docentes experientes e competentes, mesmo com avaliações positivas, e poderia traduzirse num “despedimento coletivo” de cerca de 350 professores e leitores.

As negociações com o Governo arrancaram em 28 de maio, com novas reuniões planeadas a 29 de junho e 13 de julho, nas quais deverá ser discutido o tema das carreiras. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Fujo contigo

















Vamos aprender português, cantando

 

Fujo contigo

 

A minha mãe tem mau feitio

a sorte é que gosta de ti

são da mesma rua

são do mesmo sítio

e até se olham da janela

 

Não tenhas medo de ir lá a casa

hoje eu pedi para pôr mais um lugar na mesa

e ao jantar eu vou-te chamar de amor

amor, amor, amor

amor, amor, amor

 

Ah, ah, ai….

se ela embirrar

não tem mal, não tem mal

se ela não gostar

não tem mal, não tem mal

se tu não quiseres ficar

não tem mal, não tem mal

linda, eu fujo contigo

 

Ah, ah, ah….

se ela embirrar

não faz mal, não faz mal

se ela não gostar

não faz mal, não faz mal

 

Se ka krem la na casa

não faz mal, não faz mal

lindo, eu fujo contigo

 

Aí, olha para mim sim, mas olha de lado

aí, lá vens com essa mania que está controlado

aí, eu não tenho culpa

ami nca teni culpa

que ela nem mande para mim

um sorriso lá da janela

 

Não tenhas medo de ir lá a casa

hoje eu pedi para pôr mais um lugar na mesa

e ao jantar eu vou-te chamar de amor

amor, amor, amor

amor, amor, amor

 

Ah, ah, ai….

se ela embirrar

não tem mal, não tem mal

se ela não gostar

não tem mal, não tem mal

se tu não quiseres ficar

não tem mal, não tem mal

linda, eu fujo contigo

 

Ah, ah, ah….

se ela embirrar

não faz mal, não faz mal

 

Se ela não gostar

não faz mal, não faz mal

se ka krem la na casa

não faz mal, não faz mal

lindo, eu fujo contigo

 

Nu bai … nu sai di li

n’cré bai ku bo … ali n’ka kredo…

nu bai … nu sai di li

n’cré bai ku bo … ali n’ka kredo…

 

Mas agora sabes que…

vais ter de conhecer a minha família

não é?

o meu pai…

a minha mãe…

ela também não é fácil!

 

Nuno Ribeiro - Portugal

Soraia Ramos – Cabo Verde


sábado, 27 de junho de 2026

Angola - Casa de Cultura Rainha Njinga A Mbande do Rangel focada na formação artística e intelectual da juventude local

A instituição, ocupando as instalações da antiga Biblioteca do Rangel, recuperadas pela Fundação Obra Bella com o aval do Governo da Província de Luanda, vem-se destacando na vertente educativa com resultados sólidos, especialmente na área da informática


A Casa de Cultura Rainha Njinga A Mbande, localizada no Bairro Nelito Soares, município do Rangel, destaca-se como um espaço vital para a formação artística e intelectual da juventude local, operando sob um modelo filantrópico e de parceria comunitária.

Apesar das limitações financeiras inerentes ao seu modelo filantrópico e dos desafios técnicos de infra-estrutura, projecta um crescimento estratégico para 2027, focado na profissionalização da sua promoção mediática e na estabilização de parcerias para eventos de maior porte.

Ocupando as instalações da antiga Biblioteca do Rangel, recuperadas pela Fundação Obra Bella com o aval do Governo da Província de Luanda, a Casa de Cultura Rainha Njinga A Mbande é constituída por uma Oficina de Artes, Biblioteca Manuel Pedro Pacavira, Sala de Convívio, Anfiteatro, Ginásio, Salas de Aulas, Escritórios, Casas de banho e cozinha.

Mas, entre elas, o teatro, informática, as artes plásticas são as actividades que mais se têm destacado. Para melhor conhecer por dentro a realidade deste importante Espaço Cultural, abordamos o seu responsável, Dom Caetano, que, numa curta visita guiada aos diferentes compartimentos da estrutura, detalhou o panorama operacional e a dinâmica que se impõe, realçando o compromisso da instituição com a formação comunitária e a preservação da identidade cultural local.

O responsável referiu que, apesar dos desafios financeiros e logísticos, a instituição mantém uma oferta cultural robusta e gratuita, focada no crescimento intelectual e artístico da juventude angolana. Realçou que, nesta sua acção educativa, em apenas 18 meses, mais de 60 formandos concluíram o curso, com muitos já inseridos no mercado de trabalho.

Ressaltou que, como instituição de direito privado vinculada à Fundação Obra Bela, o Centro Cultural tem como objectivo promover benfeitorias na comunidade do Rangel. Augusto Nunes – Angola in “O País”