Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 4 de março de 2026

Internacional - As alterações climáticas são uma má notícia para as baterias de veículos elétricos

Temperaturas mais elevadas aceleram a degradação das baterias em veículos elétricos, representando um fator decisivo para quem está a considerar a transição


As alterações climáticas criaram um dilema para a transição para veículos elétricos (VE), mas os avanços na tecnologia de baterias podem superar o aumento das temperaturas.

Nos últimos anos, as preocupações ambientais têm motivado muitas pessoas a optarem por veículos elétricos. De acordo com dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), as vendas de carros totalmente elétricos ultrapassaram as de veículos movidos exclusivamente a gasolina na União Europeia pela primeira vez em dezembro de 2025.

Apesar da UE ter suavizado a sua proibição de emissões de automóveis para 2035, o bloco também registou mais carros híbridos elétricos no ano passado, sinalizando uma mudança substancial. No final de 2025, os registos de carros a gasolina caíram 18,7%, com declínios em todos os principais mercados.

No entanto, um dos principais fatores decisivos que impedem as pessoas de optarem por um veículo elétrico é a sua capacidade de lidar com condições climáticas extremas.

O aquecimento global está a prejudicar as vendas de veículos elétricos?

2025 foi o terceiro ano mais quente em todo o mundo e na Europa, com temperaturas médias globais atingindo 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Segundo o serviço de monitorização meteorológico Copernicus, o pico foi atribuído ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera e ao aumento da temperatura da superfície do mar – ambos fatores amplificados pela atividade humana.

Um estudo de 2025 da revista What Car? revelou que os veículos elétricos podem perder até 44% da sua autonomia declarada quando expostos a temperaturas entre 32 e 44°C.

A Polestar, fabricante de carros elétricos de alto desempenho, afirma que a temperatura tem um "grande impacto" na degradação da bateria, pois afeta as reações químicas no seu interior.

“Assim como as baixas temperaturas desaceleram tudo, as altas temperaturas podem criar reações mais rápidas, o que pode levar a reações indesejadas que fazem com que a sua bateria se degrade mais rapidamente”, acrescenta a empresa.

No entanto, um estudo da Universidade de Michigan descobriu que as recentes melhorias na tecnologia de baterias de veículos elétricos já podem estar a superar a degradação causada pelas alterações climáticas.

Investigadores analisaram a durabilidade de baterias antigas de veículos elétricos, fabricadas entre 2010 e 2018, em comparação com baterias novas, fabricadas entre 2019 e 2023.

Num cenário em que o planeta aquecesse em média 2°C, os veículos elétricos com baterias fabricadas entre 2010 e 2018 teriam a sua vida útil reduzida em até 30%.

Mas, para baterias novas, os investigadores descobriram que a queda média na vida útil é de apenas três por cento, com uma queda máxima de 10 por cento.

'Mais confiança' em veículos elétricos, mas apenas nalguns países

“Graças aos avanços tecnológicos, os consumidores devem ter mais confiança nas baterias dos seus veículos elétricos, mesmo num futuro mais quente”, afirma Haochi Wu, autor principal do estudo, publicado na revista Nature.

O autor principal, Michael Craig, destaca que o estudo tem uma ressalva importante: a equipa utilizou apenas dois veículos elétricos representativos no seu trabalho. Esses veículos foram o Tesla Model 3 e o Volkswagen ID.3.

“Em regiões como a Europa e os EUA, acreditamos ter um bom domínio da tecnologia de baterias disponível nessas regiões”, diz Craig.

“Mas quando analisamos cidades na Índia ou na África subsaariana, por exemplo, elas podem ter frotas de veículos muito diferentes – e quase certamente têm. Portanto, os nossos resultados podem ser otimistas para essas regiões.”

Muitas dessas regiões sentirão os efeitos mais severos das alterações climáticas, o que, segundo os investigadores, demonstra como as desigualdades são agravadas pelo aquecimento global. Euronews


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Internacional – Segundo estudo apresentado pelas Nações Unidas a sabotagem dos gasodutos Nord Stream levou à maior libertação de metano pelo homem

A sabotagem dos gasodutos russos Nord Stream em 2022 resultou na maior libertação de metano provocada pelo homem no planeta, indicou a ONU, referindo-se às conclusões de um estudo no qual participaram dezenas de cientistas.


A informação foi transmitida ao Conselho de Segurança da ONU pelo secretário-geral adjunto para a Europa, Ásia Central e Américas, o eslovaco Miroslav Jenca, numa reunião convocada pela Rússia para discutir a investigação às explosões que ocorreram em setembro de 2022 e que danificaram os gasodutos no Mar Báltico.

De acordo com Jenca, cerca de 70 cientistas de 30 organizações de investigação participaram no estudo que concluiu que a variação plausível da fuga registada no Nord Stream foi de 445.000 a 485.000 toneladas de metano – quantidade que representa mais do dobro do que se pensava anteriormente.

De acordo com os especialistas, a curto prazo, esta fuga de metano – muito prejudicial para o ambiente – contribuiu para o aquecimento global na medida equivalente à utilização de oito milhões de automóveis num ano.

“Embora o incidente represente apenas uma pequena parte das emissões globais de metano, é um importante lembrete do impacto ambiental no aquecimento global causado pela destruição de infraestruturas críticas”, frisou Jenca, destacando que o estudo foi coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

O secretário-geral adjunto reforçou ainda que a ONU não possui detalhes adicionais sobre o incidente e não está em condições de verificar ou confirmar as alegações ou outros relatórios sobre o caso.

Na semana passada, o procurador-geral da Alemanha anunciou a detenção em Itália de um ucraniano suspeito de coordenar os ataques contra o Nord Stream.

O detido é suspeito de ter causado uma explosão, destruição de infraestruturas e sabotagem contrária à Constituição baseada no artigo 88.º do código penal alemão.

O ucraniano rejeitou a sua extradição voluntária para a Alemanha, que será agora decidida em tribunal a partir de 03 de setembro.

Na reunião do Conselho de Segurança, a Rússia expressou relutância face ao papel que este cidadão ucraniano terá desempenhado no incidente, avaliando que a dimensão da sabotagem “é algo que apenas um pequeno grupo de países pode fazer, países que possuem as capacidades militares e técnicas necessárias”.

“Apesar de esta versão ser completamente incongruente, tem uma grande vantagem para o Ocidente (…): Desvia a atenção e coloca os holofotes diretamente em bodes expiatórios que talvez estivessem envolvidos, mas não agiram sozinhos”, advogou o embaixador interino da Rússia na ONU, Dmitry Polyanskiy.

O Nord Stream é um conjunto de gasodutos de gás natural, composto pelo Nord Stream I e pelo Nord Stream II, que vão da Rússia à Alemanha através do Mar Báltico.

Em setembro de 2022, quatro fugas foram detetadas nos gasodutos, perto da ilha de Bornholm, na Dinamarca. As fugas ocorreram em águas internacionais dentro das zonas económicas da Dinamarca e da Suécia.

Após o incidente, autoridades dinamarquesas, alemãs e suecas iniciaram investigações separadas sobre as explosões, com a Rússia a argumentar que se tratou de um ato deliberado de terrorismo.

Em fevereiro de 2023, Dinamarca, Alemanha e Suécia indicaram que o incidente deveu-se a um ato de sabotagem.

Em fevereiro de 2024, as autoridades dinamarquesas e suecas encerraram as suas respetivas investigações, alegando falta de fundamento para a instauração de um processo criminal. A Alemanha é o único país com uma investigação nacional em andamento sobre o incidente. In “Departamento de Assuntos Políticos e de Construção da Paz” – Nações Unidas com “Agências Internacionais”



quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Internacional - Dois terços das emissões globais de metano vêm agora da atividade humana, dizem os investigadores

Apesar dos esforços globais para reduzir as emissões, houve um aumento de 20% nas fontes de metano produzidas pelo homem nas últimas duas décadas


As emissões globais de metano estão a atingir níveis recordes, impulsionadas em grande parte pela atividade humana e isso está a colocar as metas climáticas em risco.

O Global Methane Budget 2024, publicado no periódico Earth System Science Data, é uma análise abrangente das tendências do metano e suas implicações para as alterações climáticas. Foi produzido pelo Global Carbon Project, uma coligação internacional de cientistas.

O relatório revela que as atividades humanas são agora responsáveis ​​por pelo menos dois terços das emissões globais de metano. Apesar dos esforços globais para conter as emissões, houve um aumento de 20 por cento nas fontes de metano produzidas pelo homem nas últimas duas décadas, de acordo com novas estimativas.

As concentrações atmosféricas do gás atingiram 1923 partes por bilhão em 2023. Esse é um nível 2,6 vezes maior do que nos tempos pré-industriais e a maior concentração em pelo menos 800.000 anos.

Esta tendência “não pode continuar se quisermos manter um clima habitável”, escrevem os investigadores num artigo separado publicado junto com o relatório. A trajetória atual, eles descobriram, colocaria o limite de aquecimento global de 1,5°C do Acordo de Paris em risco.

Por que as emissões de metano são um problema?

O metano é um gás de efeito de estufa altamente potente que tem vida curta na atmosfera. Ele vem de fontes naturais como pântanos ou fontes causadas pelo homem (antropogénicas), como a agricultura e a indústria de combustíveis fósseis.

Nos primeiros 20 anos após a sua libertação, este gás aquece a atmosfera quase 90 vezes mais rápido que o dióxido de carbono.

Lidar com as emissões de metano é crucial para atingir as metas climáticas, pois atualmente não há tecnologias capazes de remover diretamente este gás da atmosfera.

De onde vêm as emissões de metano causadas pelo homem?

Os cinco maiores emissores de metano do mundo são China (16%), Índia (9%), EUA (7%), Brasil (6%) e Rússia (5%).

O relatório conclui que a agricultura, incluindo a pecuária e os arrozais, ainda é a maior fonte, respondendo por 40 por cento das emissões antropogénicas globais de metano. A atividade de combustíveis fósseis contribui com 34 por cento, o manuseio de resíduos com 19 por cento e a queima de biomassa com 7 por cento.

As emissões aumentaram nestes setores devido ao aumento da atividade nas regiões em desenvolvimento e à exploração intensificada de combustíveis fósseis.

Mas os investigadores fizeram uma mudança importante na sua avaliação mais recente das fontes de metano. Anteriormente, eles categorizavam todas as emissões de pântanos, lagos, lagoas e rios como naturais. A edição mais recente do relatório tenta quantificar a influência que a atividade humana está a ter nas crescentes emissões dessas fontes.

Reservatórios construídos por pessoas, por exemplo, geram cerca de 30 milhões de toneladas de metano emitidas por ano, porque a matéria orgânica recém-submersa liberta metano à medida que se decompõe.

Os cientistas estimam que cerca de um terço das emissões de metano de áreas húmidas e de água doce nos últimos anos foram influenciadas por fatores causados ​​pelo homem, incluindo reservatórios e emissões aumentadas pelo escoamento de fertilizantes, águas residuais, uso da terra e aumento das temperaturas.

O mundo está no caminho certo para atingir as metas de redução de metano?

Existem compromissos internacionais significativos para reduzir as emissões de metano, incluindo o Global Methane Pledge, assinado por 150 países, que visa uma redução de 30% até 2030.

Os objetivos desta promessa agora “parecem tão distantes quanto um oásis no deserto”, de acordo com o cientista da Universidade de Stanford, Rob Jackson, presidente do Projeto Global de Carbono.

Investigadores do Global Carbon Project encontraram poucas evidências de que o mundo esteja a progredir nas promessas de redução de emissões de metano.

Entre 2020 e 2023, dados de satélite mostram que as emissões de metano cresceram mais 5%. Os maiores aumentos foram vistos na China, sul da Ásia e Oriente Médio. As emissões da mineração de carvão na China e da extração de petróleo e gás no Médio Oriente foram as principais contribuintes.

“Apenas a União Europeia e possivelmente a Austrália parecem ter diminuído as emissões de metano provenientes de atividades humanas nas últimas duas décadas”, afirma Marielle Saunois, da Université Paris-Saclay, na França, principal autora do artigo Earth System Science Data.

Se as tendências atuais continuarem, o relatório alerta que é improvável que atinjamos as metas estabelecidas no Compromisso Global sobre Metano.

O crescimento nas emissões que eles observaram segue os cenários de gases de efeito estufa mais pessimistas do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas. Isso pode significar um aumento da temperatura global de mais de 3°C acima dos tempos pré-industriais até ao final do século. Euronews


quinta-feira, 6 de junho de 2024

Nações Unidas – “Soa o alarme”: o mundo provavelmente ultrapassará temporariamente o limite de 1,5°C até 2028, alerta a agência meteorológica da ONU

Também é provável que pelo menos um dos próximos cinco anos estabeleça um novo recorde de temperatura, afirmou a Organização Meteorológica Mundial


Há 80 por cento de probabilidade de que as temperaturas globais médias ultrapassem a meta de 1,5ºC estabelecida no histórico acordo climático de Paris durante pelo menos um dos próximos cinco anos, de acordo com as previsões da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

É também provável – uma probabilidade de 86 por cento – que pelo menos um destes anos estabeleça um novo recorde de temperatura, superando 2023, que é actualmente o ano mais quente.

Um novo relatório da agência meteorológica da ONU divulgado esta quarta-feira diz que a temperatura média global perto da superfície para cada ano de 2024 a 2028 deverá variar entre 1,1ºC e 1,9ºC mais quente do que no início da era industrial.

Também estimou que há quase uma possibilidade em duas, 47 por cento, de que as temperaturas globais médias durante todo este período de cinco anos possam ultrapassar 1,5°C.

Este é um aumento de pouco menos de uma probabilidade em três projetada para o período de 2023 a 2027. Em 2015, essa hipótese era próxima de zero e vem aumentando desde então.

“Por trás destas estatísticas está a triste realidade de que estamos muito longe de cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris”, disse o secretário-geral adjunto da OMM, Ko Barrett.

“Temos urgentemente de fazer mais para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, ou pagaremos um preço cada vez mais elevado em termos de biliões de dólares em custos económicos, milhões de vidas afetadas por condições meteorológicas mais extremas e danos extensos ao ambiente e à biodiversidade.”

Barret enfatizou que, embora a OMM esteja “a soar o alarme”, ultrapassar temporariamente 1,5ºC não significa que a meta esteja permanentemente perdida porque se refere ao aquecimento de longo prazo ao longo de décadas.

‘Jogando à roleta russa com o nosso planeta’

O relatório foi citado num discurso abrangente sobre a ameaça das alterações climáticas proferido pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para assinalar o Dia Mundial do Ambiente.

“Estamos a jogar à roleta russa com o nosso planeta”, disse ele.

“Precisamos de uma rampa de saída da rodovia para o inferno climático. E a boa notícia é que temos o controlo do volante. A batalha para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus será vencida ou perdida na década de 2020 – sob a vigilância dos líderes de hoje.”

O secretário-geral da ONU também recolheu dados publicados pelo serviço de monitorização climática da UE, Copernicus, que mostram que cada um dos últimos 12 meses estabeleceu um novo recorde de temperatura global para esta época do ano.

António Guterres apelou às economias avançadas do Grupo dos 20 (G20) – que realizarão uma cimeira no Brasil no próximo mês – para assumirem a liderança.

“Não podemos aceitar um futuro onde os ricos estejam protegidos em bolhas de ar condicionado, enquanto o resto da humanidade seja fustigado por condições meteorológicas letais em terras inabitáveis”, disse Guterres.

Acrescentou que as emissões globais de dióxido de carbono devem cair 9% ao ano até 2030 para que a meta de 1,5°C se mantenha viva. Euronews.green




terça-feira, 4 de abril de 2023

Nações Unidas - Pnuma ajuda a mapear emissões de metano em Angola e Gabão


Angola e Gabão acolhem um novo estudo apoiado pela ONU e que pretende expor a quantidade de metano que escapa dos poços petrolíferos no litoral. Com a Nigéria, os dois países ocupam o topo dos principais produtores de petróleo na África.

A análise é do Observatório Internacional de Emissões de Metano do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma. A meta é cobrir a lacuna regional da “falta de dados sobre emissões no setor de petróleo e gás”.

Aquecimento global

O metano tem potencial de aquecimento global mais de 80 vezes maior que o do dióxido de carbono, chegando a durar até 20 anos após a libertação na atmosfera.

A emissão deste gás de efeito estufa pode ocorrer nos estágios da produção, exploração, extração, transporte e armazenamento do produto. Existem fugas de equipamentos como válvulas, bombas e tubulações durante o transporte e armazenamento de gás natural.

A agência da ONU destaca que a redução das emissões de metano é uma das medidas mais eficazes a ser tomada pelo setor energético para ajudar a enfrentar a crise climática.

Os alvos de redução do Acordo de Paris não podem ser atingidos sem o corte das emissões de metano em 40%-45% até 2030, destaca o Pnuma. Para a agência, é necessário ser preciso no alcance desta meta.

Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas

Em 2021, o Pnuma lançou o Observatório Internacional de Emissões de Metano para ajudar a acelerar as reduções até 2030 limitando o aquecimento a 1,5°C ou 2°C, como prevê o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

A agência defende uma ação pelo clima baseada em dados empíricos com uma atuação mais produtiva.

Outra recomendação é que os investimentos e ações tenham como foco o que causa essas emissões.

O Pnuma defende que baixar o uso de combustíveis fósseis, atuar na agricultura e nos resíduos poderiam ajudar a alcançar todas as reduções de metano e evitar quase 0,3°C de aquecimento até 2050.

Para tal, a agência sugere que o setor energético, com ênfase para a produção de petróleo, gás e carvão, dispõe de soluções técnicas disponíveis a custo baixo e até negativo. ONU News – Nações Unidas


 

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Portugal - Cientistas da Universidade de Coimbra estudam o efeito do aquecimento global na Serra da Estrela

O aquecimento global tem impacto nas principais espécies de arbustos existentes na Serra da Estrela e no crescimento das pastagens da região, indicam os primeiros resultados do projeto de investigação ESTRELA, liderado por uma equipa da Universidade de Coimbra (UC).


O projeto “ESTRELA - Efeito do aquecimento global na diversidade e funcionamento dos ecossistemas alpinos da Serra da Estrela” é coordenado por Susana Rodríguez Echeverría, Cristina Nabais e Marta Correia, do Centro de Ecologia Funcional do Departamento de Ciências da Vida, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e tem como parceiro o Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE) da Câmara Municipal de Seia. Conta ainda com o apoio do Geoparque Estrela e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O objetivo é estudar o efeito do aquecimento global, um fator primário das alterações climáticas, no funcionamento e diversidade dos ecossistemas do planalto superior da Serra da Estrela, especialmente nas comunidades de arbustos e nos cervunais (pastagens onde predomina o cervum, uma planta da família das gramíneas que nasce de forma espontânea na Serra da Estrela).

As coordenadoras do projeto, iniciado em 2020, explicam que o seu trabalho se tem focado no estudo dos «anéis de crescimento do zimbro (Juniperus communis ssp alpina), e do piorno (Cytisus oromediterraneus), espécies típicas da alta montanha na Península Ibérica e que em Portugal aparecem quase exclusivamente na Serra da Estrela».


Os resultados obtidos até agora indicam «um maior crescimento destes arbustos (zimbro e piorno) nos últimos anos devido ao aumento de temperatura mínima na primavera e no outono, que resulta numa estação de crescimento mais longa», relata Susana Rodríguez Echeverría, esclarecendo que, ainda assim, «existem diferenças entre as espécies. O zimbro começa a crescer antes devido ao aumento de temperatura na primavera, enquanto o piorno não responde à temperatura da primavera, mas atrasa o fim do crescimento pelo aumento de temperatura no outono. Já o aumento da temperatura mínima no verão e a diminuição da precipitação no inverno têm um efeito negativo apenas no crescimento do zimbro».

Isto significa, acrescenta a investigadora do Centro de Ecologia Funcional da FCTUC, que «é preciso ter em conta o padrão sazonal das alterações climáticas para entender os efeitos na diversidade e funcionamento dos ecossistemas».

A equipa está também a realizar um estudo experimental de manipulação da temperatura em cinco cervunais, tendo já comprovado que «o aumento de temperatura leva a um maior crescimento das pastagens, mas que depende da disponibilidade de água e das condições do solo. Ainda está em estudo se este rápido crescimento, em resposta a temperaturas mais altas, afeta a qualidade nutritiva destas pastagens», revela Susana Rodríguez Echeverría.

A investigadora refere ainda que, além da rápida resposta destas espécies vegetais ao aquecimento, a equipa tem observado «a necessidade de realizar a monitorização das condições climáticas a pequena escala em paralelo a estudos ecológicos que permitam uma melhor inferência das respostas dos ecossistemas ao clima», salientando que  «há poucos estudos ecológicos e funcionais na Serra da Estrela, e os dados fornecidos pelo observatório das Penhas Douradas ou pelos modelos climáticos atuais não conseguem recolher a diversidade de topoclimas e microclimas na Estrela».

O projeto ESTRELA é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do programa Portugal 2020, no âmbito do Programa Operacional Regional do Centro, e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através de fundos nacionais (PIDDAC). Universidade de Coimbra - Portugal

 


 


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Internacional – Subida da água do mar pode provocar 280 milhões de deslocados, alerta a ONU

A subida do nível das águas do mar, em consequência do aquecimento global, pode fazer 280 milhões de deslocados, segundo um relatório preliminar científico que a ONU divulga em setembro



O relatório preliminar da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado pela agência France Press, é da responsabilidade do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC na sigla original), cuja versão final será divulgada em setembro.

Com o aumento da frequência dos ciclones, diz o documento, muitas grandes cidades podem ser inundadas todos os anos a partir de 2050.

E até ao fim do século as previsões do relatório é que 30 a 99% do terreno permanentemente congelado (permafrost) deixe de o ser, libertando grandes quantidades de dióxido de carbono e de metano.

Ao mesmo tempo, os fenómenos resultantes do aquecimento global podem levar a um declínio constante da quantidade de peixe, um produto do qual muitas pessoas dependem para se alimentar.

O relatório vai ser discutido pelos representes dos países membros do IPCC, que se reúnem no Mónaco a partir de 20 de setembro, por alturas da cimeira mundial sobre o clima em Nova Iorque, marcada para 23 de setembro pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O objetivo é alcançar compromissos mais fortes dos países para reduzir as suas emissões de dióxido de carbono, que caso se mantenham no ritmo atual farão subir as temperaturas de 02 a 03 graus celsius até ao fim do século.

Especialistas temem que a China, Estados Unidos, União Europeia e Índia, os quatro principais emissores de gases com efeito de estufa, estejam a fazer promessas que não cumprem.

Estas regiões do mundo vão também ser afetadas pela subida das águas do mar, alerta o relatório, especificando que não serão só afetadas as pequenas nações insulares ou as comunidades costeiras expostas.

Xangai, a cidade mais populosa da China, está localizada num delta, formado pela foz do rio Yangtze e pode começar a ser inundada regularmente se nada for feito para parar as alterações climáticas. E o país tem mais nove cidades em risco.

Essa subida do nível do mar coloca os Estados Unidos como um dos países mais vulneráveis, a aumentar em cinco vezes o risco de inundações, incluindo em Nova Iorque.

A União Europeia está menos vulnerável, mas os especialistas do IPCC alertam para inundações no delta do Reno. E para a Índia esperam que milhões de pessoas tenham de ser deslocadas.

A elevação do nível das águas do mar deve-se ao aumento das temperaturas que está a derreter as grandes massas de gelo nos polos.

Segundo o documento as calotes polares da Antártica e da Groenlândia perderam mais de 400 mil milhões de toneladas de massa por ano na década antes de 2015. Os glaciares das montanhas também perderam 280 mil milhões de toneladas. Ana Cardoso – Luxemburgo in “Contacto”

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Internacional – Estudo alerta para os impactos do aquecimento global nas comunidades de fungos de água doce

O aquecimento global pode induzir mudanças nas comunidades de fungos de água doce, especialmente em comunidades dominadas por espécies adaptadas a ambientes mais frios ou a ambientes com oscilações mínimas de temperatura, e provocar uma alteração gradual nas teias alimentares modificando os ciclos biológicos e geoquímicos e comprometendo os serviços do ecossistema e do bem-estar humano, alerta um estudo internacional liderado pela investigadora Seena Sahadevan, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Este é o primeiro estudo realizado à escala global sobre a diversidade de fungos aquáticos em ribeiros de floresta distribuídos ao longo de um gradiente latitudinal (do equador em direção aos polos), baseado em técnicas moleculares de nova geração (Illumina NGS).

Ao contrário dos micro-organismos do solo, cujos padrões de distribuição das espécies pelo globo estão bem definidos, a distribuição em larga escala dos micro-organismos aquáticos, apesar do seu valor ecológico, não tem tido a mesma atenção.

Os ecossistemas de água doce têm um papel relevante no ciclo global do carbono, inclusive os pequenos ribeiros de floresta em que a principal fonte de carbono reside nas folhas e detritos vegetais que caem sobre o leito e aí se decompõem. Este processo de decomposição é conduzido pelos fungos aquáticos: ao libertarem substâncias para digerir as folhas também as tornam apetecíveis para consumidores invertebrados, e por sua vez estes servirão de alimento a predadores como ninfas de libélula e peixes, dinamizando as relações tróficas.

A investigação, já publicada na revista “Science of the Total Environment”, envolveu 32 investigadores de 31 instituições distribuídas por 18 países, designadamente: Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China (Hong Kong), Equador, Espanha, Estados Unidos da América, França, Guiné, Índia, Itália, Japão, Malásia, Noruega, Portugal - incluindo os Açores - e Nova Zelândia.

A partir da análise das comunidades de fungos de 19 rios, distribuídos pelos dois hemisférios, a equipa verificou «que o número de espécies de fungos varia consoante a latitude, isto é, o número de espécies é maior nas regiões temperadas de média latitude, como por exemplo Portugal e Espanha. Este padrão de distribuição diverge do padrão global, pois enquanto o número de espécies de plantas e animais diminuem quando nos afastamos do equador, os fungos aquáticos diminuem perto do equador e dos polos», relata Seena Sahadevan.

A investigadora do MARE sublinha que «outro ponto relevante do estudo foi verificar que a composição das comunidades de fungos difere claramente com a temperatura da água, tendo sido registados três grupos distintos independentemente do hemisfério onde se encontravam.» Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

sexta-feira, 18 de maio de 2018

OIT - 24 milhões de empregos serão criados na economia verde

GENEBRA – 24 milhões de novos postos de trabalho serão criados no mundo até 2030 se as políticas certas para promover uma economia mais verde forem implementadas, afirma um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com a publicação Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo 2018: “Greening with Jobs”, a ação para limitar o aquecimento global a dois graus Celsius resultará numa criação de empregos muito maior do que o necessário para compensar as perdas de seis milhões de postos de trabalho em outros setores.



Novos empregos serão criados com a adoção de práticas sustentáveis no setor de energia, incluindo mudanças no mix de energia, promovendo o uso de veículos elétricos e melhorando a eficiência energética dos edifícios.

Os serviços de ecossistemas – incluindo purificação do ar e da água, renovação e fertilização do solo, controle de pragas, polinização e proteção contra condições climáticas extremas – sustentam, entre outros, atividades agrícolas, pesqueiras, florestais e turísticas que empregam 1,2 bilhão de trabalhadores.

No entanto, os aumentos de temperatura projetados farão com que o estresse térmico, particularmente na agricultura, seja mais comum. Isso pode levar a várias condições médicas, incluindo exaustão e derrame. O relatório calcula que o estresse térmico causará uma perda global de 2% nas horas trabalhadas até 2030 devido a doenças.

“As conclusões do nosso relatório reforçam o fato de que os empregos dependem fortemente de um ambiente saudável e dos serviços que ele fornece. A economia verde pode permitir que milhões de pessoas superem a pobreza, além de proporcionar condições de vida melhores para a atual geração e também para futuras. Esta é uma mensagem de oportunidade muito positiva em um mundo de escolhas complexas”, disse a Diretora-Geral Adjunta da OIT, Deborah Greenfield.

No nível regional, haverá criação líquida de cerca de 3 milhões de empregos nas Américas, 14 milhões na Ásia e no Pacífico e 2 milhões na Europa, graças a medidas tomadas na produção e uso de energia.

Em contraste, pode haver perdas líquidas de empregos no Oriente Médio (-0,48%) e na África (-0,04%) se as tendências atuais continuarem, devido à dependência dessas regiões de combustíveis fósseis e mineração, respectivamente.

O relatório pede aos países que tomem medidas urgentes para treinar os trabalhadores nas habilidades necessárias para a transição para uma economia mais verde, além de lhes oferecer uma proteção social que facilite a transição para novos empregos, contribua para prevenir a pobreza e reduza a vulnerabilidade das famílias e comunidades.

“Mudanças de políticas nessas regiões poderiam compensar as perdas de empregos antecipadas ou seu impacto negativo. Os países de renda baixa e média ainda precisam de apoio para desenvolver a coleta de dados e adotar e financiar estratégias para uma transição justa para uma economia e sociedade ambientalmente sustentáveis, que inclua todas as pessoas de todos os grupos da sociedade”, diz a principal autora do estudo, Catherine Saget.

Outras descobertas importantes

A maioria dos setores da economia se beneficiará da criação líquida de empregos: dos 163 setores econômicos analisados, apenas 14 perderão mais de 10 mil empregos em todo o mundo.

Apenas dois setores, extração e refino de petróleo, apresentam perdas de 1 milhão ou mais de empregos.

2,5 milhões de postos de trabalho serão criados em eletricidade baseada em fontes renováveis, compensando cerca de 400.000 empregos perdidos na geração de eletricidade baseada em combustíveis fósseis.

6 milhões de empregos podem ser criados através da transição para uma “economia circular”, que inclui atividades como reciclagem, reparos, aluguel e remanufatura – substituindo o modelo econômico tradicional de “extração, fabricação, uso e descarte”.

Nenhum ganho sem as políticas certas

Embora as medidas para lidar com as mudanças climáticas possam resultar em perdas de empregos no curto prazo em alguns casos, seu impacto negativo pode ser reduzido por meio de políticas apropriadas.

O relatório pede sinergias entre a proteção social e as políticas ambientais que apoiam os rendimentos dos trabalhadores e a transição para uma economia mais verde. Uma combinação de políticas que inclua transferências de renda, seguros sociais mais fortes e limites no uso de combustíveis fósseis levaria a um crescimento econômico mais rápido, maior geração de empregos e uma distribuição de renda mais justa, bem como menores emissões de gases de efeito estufa.

Os países devem tomar medidas urgentes para antecipar as habilidades necessárias para a transição para economias mais verdes e oferecer novos programas de treinamento. A transição para sistemas agrícolas mais sustentáveis poderia criar empregos em fazendas orgânicas de médio e grande porte, além de permitir que os pequenos proprietários diversifiquem suas fontes de renda, especialmente se os agricultores tiverem as habilidades certas.

O relatório também mostra que leis, regulamentos e políticas ambientais que incluem questões trabalhistas oferecem um meio poderoso para promover a Agenda do Trabalho Decente da OIT e os objetivos ambientais.

“O diálogo social, que permite aos empregadores e aos trabalhadores participar do processo de tomada de decisão política junto com os governos, desempenha um papel fundamental na conciliação dos objetivos sociais e econômicos com as preocupações ambientais. Há casos em que esse diálogo não só ajudou a reduzir o impacto ambiental das políticas, como também evitou um impacto negativo no emprego ou nas condições de trabalho”, conclui Saget. Organização Internacional do Trabalho - Brasil

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Aquecimento

Dados climáticos, descrevendo as alterações das estações anormalmente quentes ou frias, tornaram-se mais e mais presentes nos últimos trinta anos, coincidindo com o rápido aquecimento global. A distribuição dessas alterações da temperatura média sazonal alterou as temperaturas mais elevadas e aumentou a série de anomalias. Uma mudança importante é o surgimento de uma categoria diferente de verões extremamente quentes, mais de três desvios-padrão mais quentes que a climatologia do período base de 1951 – 1980. Esse extremo quente, que cobria muito menos do que 1% da superfície da Terra, durante o período de base, agora tipicamente cobre cerca de 10% da área de terra. Daqui decorre que podemos afirmar, com um alto grau de confiança, que as anomalias extremas, tais como aquelas que ocorreram no Texas e em Oklahoma em 2011 e Moscovo em 2010 foram uma consequência do aquecimento global, porque a probabilidade, na ausência de aquecimento global era muito pequena. Nós discutimos as implicações práticas deste substancial crescimento na mudança climática.” James Hansen - Estados Unidos da América
Tradução: Baía da Lusofonia

Ambientalismo

“Há poucos anos, escrevi um texto de opinião (ou talvez até mesmo mais de um texto) em que me debruçava sobre a problemática do aquecimento global. Terá sido, segundo me lembro, aquando de uma reunião cimeira mundial dedicada à definição de estratégias e políticas para o seu combate. Fi-lo, reconheço, suportado pela minha relativa ignorância em relação a essa matéria.

Como é meu apanágio, pretendi apenas sensibilizar a nossa opinião pública para os riscos que todos corremos, caso os grandes decisores mundiais não tomem as medidas julgadas as mais adequadas e urgentes. Limitei-me, naturalmente, a colocar a tónica na dimensão económica dessa questão – como é minha obrigação. Como não podia ser de outro modo, o restante espaço científico ficaria ao cuidado dos argumentos dos físicos, dos ecologistas e de outros especialistas correlacionados.
Infelizmente, a minha abordagem não teve a pretendida sequência, talvez porque a questão ainda não prenda devidamente a atenção da maioria dos nossos comentadores, possivelmente mais preocupados, por enquanto, com outras matérias eventualmente mais apaixonantes. Mesmo assim, mantenho a esperança de que as questões ambientais venham a fazer parte, no futuro, das pautas políticas e sociais do nosso país.” Justino de Andrade – Angola

Ambiente

“De acordo com os registos dos últimos 110 anos não houve ondas superiores a 3 metros junto a costa. Contudo, nos últimos 10 anos ondas gigantes tem vindo a invadir as rodovias costeiras, isolando temporariamente regiões do país.
 Nunca é demasiado, voltar a lançar um vibrante apelo, tal como já o fiz anterior daqui deste mesmo pódio, aos países principais responsáveis pelo aquecimento global do nosso planeta que tomem muito mais a sério este fenómeno e os meios de o reduzir.” Fradique Menezes – São Tomé e Príncipe