Parceria com a Fundação Kissama recebeu financiamento de 1,2 milhões de dólares para reforçar a conservação de uma das populações de elefantes mais ameaçadas de África
A Fundação Kissama, em parceria com o
Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade
do Porto (CIBIO), garantiu um financiamento de 1,2 milhões de dólares
norte-americanos para proteger os últimos elefantes-da-floresta que sobrevivem
no noroeste de Angola.
Apoiado pelo Elephant Crisis Fund (ECF), uma iniciativa
conjunta da Save the Elephants e da Wildlife Conservation Network, o projeto
representa o maior financiamento concedido por este programa desde a sua
criação, há 13 anos. Cerca de metade do montante será investida em Angola e a
restante em Portugal, reforçando uma colaboração científica e de conservação
que une os dois países há mais de uma década.
Proteger uma população única e ameaçada
Estima-se que restem menos de 200 elefantes-da-floresta
nas áreas florestais a leste e nordeste de Luanda. Vivendo fora de áreas
protegidas, estes animais enfrentam ameaças crescentes, como a desflorestação,
a caça furtiva, os atropelamentos e os conflitos com comunidades agrícolas.
Ao longo dos próximos três anos, a equipa irá estudar a
distribuição e a ecologia desta população, desenvolver medidas para reduzir os
conflitos entre pessoas e elefantes e apoiar estratégias de conservação de
longo prazo numa região considerada prioritária para a biodiversidade africana.
A componente científica será liderada por Pedro Vaz
Pinto, investigador do CIBIO, em estreita articulação com Ninda Baptista,
bióloga angolana, doutorada pela U.Porto e coordenadora do projeto. A
iniciativa combina investigação científica, conservação no terreno e
capacitação local, promovendo uma abordagem integrada para proteger uma das
populações de elefantes mais ameaçadas de África.
“Nos últimos anos, o BIOPOLIS-CIBIO tem desenvolvido
trabalho científico no âmbito de uma parceria com a Fundação Kissama para a
conservação do elefante-da-floresta em Angola. O lançamento desta nova fase do
projeto representa o reconhecimento desse trabalho e uma oportunidade para
reforçar uma colaboração de longo prazo que esperamos venha a produzir
resultados decisivos para a proteção da espécie”, afirma Pedro Vaz Pinto.
Uma colaboração científica com mais de 15 anos
Para o diretor do CIBIO,
Nuno Ferrand, este financiamento representa mais um passo numa
colaboração científica entre Portugal e Angola construída ao longo dos últimos
15 anos.
“Este projeto enquadra-se numa parceria que integra os
TwinLabs com as Universidades Mandume Ya Ndemufayo, no Lubango, e 11 de
Novembro, em Cabinda, e que foi recentemente reforçada com a criação do
primeiro mestrado internacional entre uma instituição africana e uma
instituição europeia, lecionado integralmente em Angola”, destaca.
Segundo o diretor do CIBIO, este mestrado, desenvolvido
entre a Universidade Mandume Ya Ndemufayo e a U.Porto, recebeu recentemente
apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua para financiar as duas
próximas edições. O financiamento permitirá também impulsionar novos projetos
de investigação, entre os quais se inclui esta iniciativa de conservação dos
elefantes-da-floresta. Universidade do Porto - Portugal
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