Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Angola - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto lidera esforço para salvar últimos elefantes-da-floresta

Parceria com a Fundação Kissama recebeu financiamento de 1,2 milhões de dólares para reforçar a conservação de uma das populações de elefantes mais ameaçadas de África


A Fundação Kissama, em parceria com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (CIBIO), garantiu um financiamento de 1,2 milhões de dólares norte-americanos para proteger os últimos elefantes-da-floresta que sobrevivem no noroeste de Angola.

Apoiado pelo Elephant Crisis Fund (ECF), uma iniciativa conjunta da Save the Elephants e da Wildlife Conservation Network, o projeto representa o maior financiamento concedido por este programa desde a sua criação, há 13 anos. Cerca de metade do montante será investida em Angola e a restante em Portugal, reforçando uma colaboração científica e de conservação que une os dois países há mais de uma década.

Proteger uma população única e ameaçada

Estima-se que restem menos de 200 elefantes-da-floresta nas áreas florestais a leste e nordeste de Luanda. Vivendo fora de áreas protegidas, estes animais enfrentam ameaças crescentes, como a desflorestação, a caça furtiva, os atropelamentos e os conflitos com comunidades agrícolas.

Ao longo dos próximos três anos, a equipa irá estudar a distribuição e a ecologia desta população, desenvolver medidas para reduzir os conflitos entre pessoas e elefantes e apoiar estratégias de conservação de longo prazo numa região considerada prioritária para a biodiversidade africana.

A componente científica será liderada por Pedro Vaz Pinto, investigador do CIBIO, em estreita articulação com Ninda Baptista, bióloga angolana, doutorada pela U.Porto e coordenadora do projeto. A iniciativa combina investigação científica, conservação no terreno e capacitação local, promovendo uma abordagem integrada para proteger uma das populações de elefantes mais ameaçadas de África.

“Nos últimos anos, o BIOPOLIS-CIBIO tem desenvolvido trabalho científico no âmbito de uma parceria com a Fundação Kissama para a conservação do elefante-da-floresta em Angola. O lançamento desta nova fase do projeto representa o reconhecimento desse trabalho e uma oportunidade para reforçar uma colaboração de longo prazo que esperamos venha a produzir resultados decisivos para a proteção da espécie”, afirma Pedro Vaz Pinto.

Uma colaboração científica com mais de 15 anos

Para o diretor do CIBIO,  Nuno Ferrand, este financiamento representa mais um passo numa colaboração científica entre Portugal e Angola construída ao longo dos últimos 15 anos.

“Este projeto enquadra-se numa parceria que integra os TwinLabs com as Universidades Mandume Ya Ndemufayo, no Lubango, e 11 de Novembro, em Cabinda, e que foi recentemente reforçada com a criação do primeiro mestrado internacional entre uma instituição africana e uma instituição europeia, lecionado integralmente em Angola”, destaca.

Segundo o diretor do CIBIO, este mestrado, desenvolvido entre a Universidade Mandume Ya Ndemufayo e a U.Porto, recebeu recentemente apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua para financiar as duas próximas edições. O financiamento permitirá também impulsionar novos projetos de investigação, entre os quais se inclui esta iniciativa de conservação dos elefantes-da-floresta. Universidade do Porto - Portugal



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