Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Europa – Cinco países vão economizar 58% nas contas de energia este ano graças à energia limpa

Consumidores em cinco países da UE economizarão até € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano, em comparação com aqueles que possuem a matriz energética mais poluente.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.


Os países da UE com a matriz energética mais limpa estarão protegidos do aumento vertiginoso do preço do petróleo e do gás, uma vez que a guerra contra o Irão continua a evidenciar o verdadeiro custo da dependência dos combustíveis fósseis.

Dois dias após os bombardeamentos atingirem o Médio Oriente, os preços do TTF holandês (referência para os preços do gás no grosso em toda a Europa) dispararam 68%, chegando a € 52,8 por megawatt-hora, o nível mais alto em dois anos.

No início desta semana (segunda-feira, 20 de abril), o TTF holandês estava a ser negociado a um preço bem mais baixo, de € 40,2 por MWh. A queda ocorre após sinais de significativa desaceleração em meio a um cessar-fogo de duas semanas, mas ainda é consideravelmente mais alta do que antes do início do conflito (€ 31,5 por MWh).

Grande parte da volatilidade se deve ao controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem de 38 km que transporta cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás. Em março, as exportações de gás natural liquefeito (GNL) para a UE caíram 11%.

Isso levou o comissário de energia da UE a recomendar que os países reabasteçam os seus estoques de forma constante durante o verão para "mitigar a pressão sobre os preços e evitar uma corrida no final do verão".

Isso também abriu caminho para um rápido interesse em energias renováveis ​​produzidas localmente, que são cada vez mais consideradas um investimento mais estável em vista das tensões geopolíticas.

“Não há aumentos acentuados nos preços da luz solar nem embargos à energia eólica”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no mês passado.

Será que a energia limpa pode proteger a UE do aumento dos preços do gás?

Um novo relatório do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA) constatou que, apesar da forte alta dos preços e dos crescentes temores sobre a diminuição da oferta, o bloco permanece "mais bem protegido" da sensibilidade aos preços do que em 2022 – após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

Isso deve-se principalmente ao crescimento explosivo das energias renováveis, que atingiram novos recordes em 2025 e poderão economizar para a UE a impressionante quantia de € 5,8 mil milhões em 2026, substituindo o gás natural, que é caro.

Especialistas apontam que esse valor seria significativamente maior se os preços do gás não fossem responsáveis ​​por definir o preço da energia em muitos países, devido ao mecanismo de precificação marginal da UE.

Em 2025, cada aumento de €1/MWh no preço do gás levou a um aumento de €0,37 por MWh nos preços da eletricidade – uma redução de oito por cento em relação a 2022.

“Isto está diretamente ligado à separação [do preço da eletricidade] do gás e aos investimentos em energia limpa, cuja participação na geração de eletricidade na UE cresceu 14% em 2025, em comparação com 2022”, explica o relatório.

Quais são os países da UE que estão mais protegidos do aumento dos preços do gás?

Todos os Estados-membros da UE têm observado uma redução na sua sensibilidade às flutuações dos preços do gás nos últimos anos, na sequência do aumento da energia limpa.

Mas são os consumidores de cinco países da UE em particular – Dinamarca, Finlândia, França, Suécia e Eslováquia – que beneficiam da maior participação de energia limpa na sua matriz elétrica. O relatório afirma que estas nações economizarão € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano. Isso representa uma redução de 58% nas contas em comparação com os países com a matriz energética mais poluente (Polónia, Itália, Grécia, Estónia e Países Baixos).

A estimativa baseia-se na premissa de que o consumo permanecerá o mesmo este ano em comparação com 2025, levando em consideração os preços mais altos e a sensibilidade do preço do gás.

De acordo com dados de 2025, a Suécia saiu vitoriosa como o país da UE com a menor sensibilidade às oscilações do preço do gás. Em média, para cada aumento de €1 no preço do gás, a Suécia regista um aumento de apenas €0,04/MWh nos preços da eletricidade no mercado grossista.

“Embora a Suécia seja um dos nove países com reservas de gás natural significativamente abaixo da média da UE, a sua baixa dependência dessa fonte de energia – com 99% de sua eletricidade proveniente de energia limpa – protege ainda mais o mercado de eletricidade de choques de preços”, afirma o relatório.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.

Ao mesmo tempo, a sensibilidade de ambos os países aos choques nos preços do gás diminuiu 53%. No ano passado, para cada aumento de €1 no preço do gás, a zona de produção conjunta de Espanha e Portugal registou um aumento de €0,089 por MWh, o terceiro mais baixo do bloco.

A França também testemunhou uma redução acentuada na sua sensibilidade aos preços do gás, principalmente devido ao crescimento da energia limpa, que fez com que a sua sensibilidade ao gás caísse pela metade entre 2022 e 2025.

Quais são os países que estão a pagar o preço pela sua dependência de combustíveis fósseis?

Apesar de ter registado um aumento de 31% na geração de energia limpa, os Países Baixos continuam mais sensíveis aos preços do gás do que em 2022.

Apesar da participação da energia solar e eólica na geração de eletricidade do país ser superior à média da UE, o gás continua sendo a principal fonte individual de eletricidade no país.

“A sua sensibilidade também está ligada à sua elevada integração no mercado europeu de gás – muitas vezes como tomadores de preços – e, portanto, à sua suscetibilidade a choques transmitidos por países vizinhos como a Alemanha”, acrescenta o relatório.

“O gás tem tradicionalmente desempenhado um papel desproporcional na produção centralizada de eletricidade nos Países Baixos (22%), enquanto as fontes de energia limpa, especificamente a solar, têm um papel mais importante na geração descentralizada de eletricidade.”

Por exemplo, nos Países Baixos, a energia solar é muito utilizada durante o dia, mas à noite é preciso recorrer a outras fontes de energia, muitas vezes com necessidade de gás.

A Polónia é outra anomalia na tendência geral da UE. Apesar de registar um crescimento anual de 48% em energias renováveis ​​desde 2022, a sensibilidade do país aos preços do gás permanece alta.

Isso deve-se principalmente ao facto de a Polónia estar a incentivar a geração de eletricidade a gás, num esforço para substituir e reduzir o carvão, que continua sendo essencial para mais da metade da produção total de eletricidade no país.

“A mudança de foco da Polónia para o gás, em vez de fontes de energia limpas, fez com que a geração de energia a partir dessa commodity aumentasse 132% em 2025 em comparação com 2022”, explica o estudo.

“Essa maior dependência, que representou 13% do total em 2025, fez com que a sensibilidade aos preços do gás também aumentasse em 87%.”

Para cada aumento de €1 no preço do gás, a Polónia regista um aumento de €0,36 por MWh na eletricidade.

A Hungria também demonstrou maior sensibilidade aos preços do gás em comparação com 2022, registando um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Embora o país tenha testemunhado um crescimento expressivo da energia solar, a falta de capacidade de conexão à rede elétrica faz com que a Hungria ainda seja obrigada a depender do gás natural para manter a estabilidade. Euronews


sábado, 1 de novembro de 2025

Egipto - O poço Zohr-9 aumenta a produção de gás natural em 70 milhões de pés cúbicos por dia

O Ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Karim Badawi, anunciou a conclusão bem-sucedida das operações de perfuração no poço Zohr-9, localizado no campo de gás de Zohr, no Mediterrâneo. Espera-se que o novo poço adicione aproximadamente 70 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia à capacidade de produção do Egito, reforçando os esforços do país para atender à procura interna de energia e reduzir a dependência do gás importado.


Em comunicado divulgado pelo Ministério na quarta-feira, Badawi explicou que a camada de gás recém-descoberta no poço Zohr-9 contribuirá significativamente para o abastecimento energético do Egipto. Perfurado pela plataforma de perfuração Saipem 10000, o projeto foi concluído dentro do prazo e em total conformidade com as normas de segurança.

Esta conquista se baseia no sucesso do poço Zohr-6 e é um componente fundamental do plano em andamento para aumentar a produção do campo de Zohr, que continua demonstrando um potencial substancial para desenvolvimento futuro. O Ministro enfatizou que a descoberta reforça a solidez e a viabilidade a longo prazo do campo de Zohr.

Em paralelo, as operações de perfuração começaram esta semana no poço exploratório Denise W-1X, no Mar Mediterrâneo, ao largo da costa de Port Said. O novo poço, perfurado pela plataforma egípcia Al Qaher-2 (operada pela Modern Drilling Company), tem como alvo uma profundidade de mais de 4200 metros em águas com 98 metros de profundidade. Espera-se que o poço exploratório contribua ainda mais para o crescente setor energético do Egipto.

O Ministro Badawi também destacou o papel da Eni, a gigante italiana de energia, cujas atividades de perfuração em andamento nos campos offshore do Egipto refletem tanto a confiança da empresa no ambiente de investimento do país quanto ao seu compromisso em aprofundar a parceria com o Egipto. Ele ressaltou que estes esforços fazem parte da estratégia mais ampla do Ministério para fomentar o investimento, optimizar as operações e impulsionar o crescimento contínuo das indústrias de petróleo e gás do Egipto. In “Daily News” - Egipto


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Moçambique - Gás natural lidera exportações e gera receitas recorde

O gás natural tornou-se o principal produto de exportação de Moçambique no primeiro trimestre de 2025, superando o carvão mineral. As exportações de gás totalizaram 567,7 milhões de dólares, um crescimento homólogo de 28%, impulsionado pelo aumento do volume exportado na área 4 da bacia do Rovuma e pela valorização de 12,8% no preço médio internacional.




Em sentido oposto, segundo a agência Lusa, o carvão registou uma queda de 35%, totalizando 300,8 milhões de dólares, devido a paralisações em minas, interrupções na linha férrea causadas por intempéries e instabilidade social relacionada com o período eleitoral. Além disso, o preço médio do carvão caiu 6%.

O alumínio também ultrapassou o carvão, com exportações no valor de 380,7 milhões de dólares, representando um crescimento de 88,3% face ao ano anterior, alavancado pelo aumento de 45% no volume exportado e de 14% nos preços.

O Estado arrecadou até Junho 210 milhões de dólares em receitas provenientes da exploração de petróleo e gás natural, mais do que em todo o ano de 2024. Os valores, canalizados para o Fundo Soberano de Moçambique, incluem montantes referentes a exercícios passados e ao primeiro semestre de 2025. In “O País” – Moçambique com “Lusa”


terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Timor-Leste - Aberto à parceria chinesa num grande projecto de GNL

Durante uma recente viagem ao Japão, o Primeiro-Ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, sinalizou que o seu país está aberto a empresas chinesas como potenciais parceiras para o projecto offshore de gás natural do Greater Sunrise, segundo relatos.

Timor-Leste procura desenvolver um projecto offshore de gás natural liquefeito (GNL) com a Austrália nas águas entre os dois países. Ao mesmo tempo, Díli elevou o seu relacionamento com a China, concordando em cooperar em muitas áreas, incluindo o sector da energia. A potencial participação de Pequim no projecto Greater Sunrise irritou as potências ocidentais e o seu aliado, o Japão, que competem com a China pela influência geopolítica.

“Quando falamos de negócios, não dizemos que preferimos isto ou aquilo”, disse o Primeiro-Ministro Gusmão, explicando que o seu país está mais preocupado com custos e benefícios – e não com política – quando avalia parceiros.

O projecto Greater Sunrise, localizado a 150 quilómetros a sul de Timor-Leste, cobre uma área de quase 3.000 quilómetros quadrados e contém cerca de 5,1 biliões de pés cúbicos de gás e 226 milhões de barris de condensado, um tipo de petróleo bruto leve normalmente encontrado com gás.

O projecto multibilionário está paralisado há décadas devido a uma disputa sobre fronteiras marítimas que só foi resolvida em 2018. Agora a questão é sobre onde o gás será processado – Timor-Leste, onde pode criar empregos tão necessários, ou a Austrália , que já dispõe das infra-estruturas necessárias, noticiou o The Macao News.

Os poços estabelecidos em Timor-Leste estão a esgotar-se e os gastos excessivos do fundo soberano colocaram o país no caminho certo para atingir um muro fiscal na próxima década. Mais de 80% da economia depende dos gastos do governo para funcionar. Timor-Leste espera que o desenvolvimento dos campos do Greater Sunrise diversifique e fortaleça a sua economia – um dos principais impulsionadores de qualquer potencial parceria com a China no projecto. In “China-Lusophone Brief” - Macau


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Moçambique - Tribunal britânico rejeita impugnação a financiamento de gás natural

O Tribunal de Recurso britânico rejeitou hoje (13) um pedido de impugnação ao financiamento do Reino Unido a um projeto de extração de gás natural em Moçambique, mas a organização ambientalista britânica Friends of the Earth está a ponderar recorrer

Numa decisão publicada hoje (13), o juiz Geoffrey Vos rejeitou a ação judicial, considerando que a aprovação do apoio ao projeto está “dentro da margem substancial de apreciação permitida” aos políticos.

Em causa estão 1150 milhões de dólares (1095 milhões de euros no câmbio atual) prometidos pela agência de crédito à exportação britânica UK Export Finance (UKEF) para desenvolver o projeto gás natural liquefeito (LNG na sigla inglesa) `offshore` na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, norte de Moçambique.

A organização ambientalista britânica argumentou que o financiamento não foi devidamente avaliado em termos das emissões de gases com efeito de estufa, e que contraria o compromisso do Reino Unido para cumprir o Acordo de Paris sobre as Alterações Climáticas para limitar o aquecimento global.

A Friends of the Earth calculou que, ao longo dos anos de atividade, o projeto vai resultar até 4500 milhões de toneladas de gases com efeito de estufa.

“Esta decisão extremamente dececionante não muda a nossa firme convicção de que o Governo do Reino Unido não deve apoiar o projeto de gás de Moçambique, ou qualquer projeto de combustível fóssil no país ou no estrangeiro”, afirmou a ativista da organização britânica Rachel Kennerley.

Também Daniel Ribeiro, ativista da organização moçambicana Justiça Ambiental, considerou a sentença “uma má notícia para o povo de Moçambique afetado por este projeto e para todos os que globalmente sofrem impactos climáticos”.

“Está na hora de acabar com o financiamento do Governo britânico à extração destrutiva e colonial de combustíveis fósseis no estrangeiro e de perpetuar décadas de abusos dos direitos humanos e ambientais em países na linha da frente da crise climática”, afirmou, citado num comunicado.

O projeto em causa, promovido por um consórcio liderado pela petrolífera francesa TotalEnergies, na bacia do Rovuma, foi suspenso em 2021 após os ataques de grupos armados na província de Cabo Delgado.

Avaliado entre 20000 e 25000 milhões de euros, o megaprojeto de extração de gás é um dos maiores investimentos privados planeados para África, sendo suportado por diversas instituições financeiras internacionais. In “África 21 Digital” – Brasil com “Lusa”


sexta-feira, 10 de junho de 2022

Argélia - Suspende tratado de amizade com a Espanha sobre o Sahara Ocidental

O gabinete do presidente argelino anunciou nesta quarta-feira que a nação do norte de África estava “imediatamente” a suspender um tratado de amizade de duas décadas com a Espanha.

Foi o mais recente golpe nas relações cada vez mais vacilantes entre Argel e Madrid, que depende da Argélia para grande parte do seu fornecimento de gás natural.

As tensões aumentaram numa disputa complexa de três vias depois que a Espanha deu o seu apoio à posição de Marrocos sobre o território disputado do Sahara Ocidental.

A Argélia apoia o movimento de independência da Frente Polisário na região, que rejeita a anexação do Sahara Ocidental por Marrocos. Os membros da Frente Polisário estão acampados no sul da Argélia.

A declaração do gabinete do presidente argelino Abdelmadjid Tebboune citou o que disse ser a “injustificável reviravolta” em março sobre a posição da Espanha, equivalendo a um “facto consumado com argumentos falaciosos”. Afirmou que a Espanha desde então faz campanha “para justificar” a sua posição.

O comunicado disse que a Espanha está a abusar do seu papel como “potência administrativa” no Sahara Ocidental até que as Nações Unidas decidam o estatuto do vasto território rico em minerais. Está, portanto, “a contribuir diretamente para a degradação da situação no Sahara Ocidental e na região”, disse o gabinete do presidente argelino.

“Em consequência, a Argélia decidiu proceder imediatamente à suspensão” do tratado, que serviu de marco nos laços dos dois países, refere o comunicado. O tratado data de 2002.

O governo da Espanha lamentou a decisão da Argélia e reafirmou o seu compromisso com o tratado de amizade.

“O governo espanhol considera a Argélia como um país vizinho amigável e reafirma a sua total prontidão para manter e desenvolver a relação de cooperação especial entre os nossos dois países, em benefício do povo de ambos”, disse um comunicado do Ministério das Relações Exteriores espanhol.

A Espanha era a antiga potência colonial no Sahara Ocidental até ser anexada por Marrocos em 1975. Desde então, a Argélia e o vizinho Marrocos têm laços tensos sobre o destino do Sahara Ocidental. Marrocos quer alguma autonomia para a região com supervisão marroquina sobre o que chama das suas “províncias do sul”.

Os dois países africanos romperam relações diplomáticas em agosto no impasse.

A questão do Sahara Ocidental combinou-se com a turbulência sobre o fornecimento de energia da Argélia rica em gás. A imprensa argelina refere-se regularmente ao apoio da Espanha ao Marrocos como uma forma de “traição”.

A oposição diplomática da Argélia em Espanha ocorreu horas depois que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, discursou longamente no Parlamento da Espanha sobre a sua decisão de se aliar a Marrocos sobre o futuro do Sahara Ocidental. Sanchez disse que fazer o Sahara Ocidental operar de forma autónoma sob o domínio marroquino é “a iniciativa mais séria, realista e credível” para resolver a longa disputa pelo território.

Embora seja líder em energia eólica e solar, a Espanha ainda precisa importar gás natural para atender às suas necessidades energéticas.

Em 2021, a Sonatrach da Argélia forneceu à Espanha mais de 40% do seu gás natural importado, a maioria trazida pelo gasoduto submarino Medgaz. Outra rota de abastecimento para a Espanha era através do oleoduto Maghreb Europe, que passa por Marrocos, mas foi interrompido após a interrupção de agosto nas relações diplomáticas entre a Argélia e o Marrocos.

Nos últimos meses, os Estados Unidos assumiram o lugar de principal fornecedor de gás natural da Espanha.

Até agora, não há indicação de que a Argélia planeie não cumprir o seu contrato atual para enviar gás para a Espanha por gasoduto e navios-tanque. Mas anunciou recentemente que a Itália, com a qual tem um oleoduto separado, será um cliente preferencial, enquanto os países europeus lutam para encontrar alternativas à energia russa para puni-lo pela sua invasão da Ucrânia.

“A Argélia é conhecida por ser um fornecedor confiável (de gás) e deu garantias do mais alto nível do seu governo” de que o gás continuará fluindo, disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Albares. Euronews.com

 

quarta-feira, 2 de março de 2022

Itália – Está a considerar receber gás argelino para distribuição pela Europa

O ministro das Relações Exteriores da Itália está de visita à Argélia com o seu principal CEO de energia para discutir a cooperação à luz da crise na Ucrânia, informou o ministério nesta segunda-feira.

A medida ocorre no momento em que os governos ocidentais intensificam os esforços para explorar suprimentos alternativos de gás para reduzir a sua dependência da Rússia após a invasão da Ucrânia.

O gás natural é considerado o combustível fóssil mais limpo – mas não substitui fontes de energia renováveis ​​como a eólica e o solar, pois ainda emite uma grande quantidade de metano.

O Ministério das Relações Exteriores anunciou que o ministro Luigi Di Maio estava viajando para a Argélia com o presidente-executivo da Eni, Claudio Descalzi, e um representante do ministério da transição energética.

A Eni tem uma série de contratos de gás de longo prazo com a empresa de gás argelino Sonatrach e é um dos maiores produtores estrangeiros de energia do país.

Também tem contratos estratégicos de gás take-or-pay com a russa Gazprom. Euronews.green

 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Moçambique - Acelera crescimento para 3,2% este ano segundo a consultora Oxford Economics Africa

A consultora Oxford Economics Africa estima que a economia de Moçambique deverá acelerar o crescimento este ano para 3,2%, depois de ter registado uma expansão de 2,2% no ano passado

“Olhando em frente, esperamos que a tendência de acréscimo das exportações minerais seja mantida a médio prazo, alimentada principalmente pela contínua melhoria da produção de carvão e pelo início da produção de gás natural na bacia do Rovuma”, apontam os analistas, num comentário aos números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Moçambique.

“Além disso, antecipamos que os investimentos nas infraestruturas de expansão da rede energética, a reconstrução da infraestrutura danificada em Cabo Delgado, e o recomeço dos investimentos nos maiores projetos de gás também ajude a sustentar o crescimento económico”, lê-se na nota enviada aos clientes.

A economia de Moçambique cresceu 2,1% no ano passado, de acordo com os dados do INE, o que para os analistas da Oxford Economics Africa é desapontante, já que apesar de ter crescido 3,4% no último trimestre de 2021 em comparação com o mesmo período do ano anterior (variação homóloga), Moçambique até registou um crescimento negativo de 0,2% face ao terceiro trimestre do ano passado (variação em cadeia).

“Vários fatores pesaram no desempenho económico em 2021, incluindo questões operacionais temporárias nas principais minas, a destruição de infraestrutura e propriedades devido às cheias e o desalojamento de comunidades devido à insurgência em curso em Cabo Delgado”, apontam os analistas, concluindo, ainda assim, que “apesar dos desafios, a subida na produção de carvão na mina de Moatize, operada pela Vale, apoiada pela melhoria das exportações de outras matérias-primas e a redução das medidas de contenção à pandemia, deu à economia algum fôlego”. In “Milénio Stadium” - Canadá

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Moçambique - Grupo francês Total quer retomar este ano projeto de gás em Cabo Delgado

A Totalenergies, do grupo francês Total, pretende retomar este ano o projeto de gás natural em Cabo Delgado, norte de Moçambique, suspenso em março de 2021 após um ataque armado, anunciou o presidente executivo da empresa, Patrick Pouyanné

“O meu objetivo é que [o projeto] recomece em 2022, mas não estou sozinho. Nós estamos prontos”, referiu no edifício da Presidência da República em Maputo, após um encontro, segunda-feira (31), com o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi.

A construção da fábrica de liquefação de gás, extraído do fundo do mar (cerca de 40 quilómetros ao largo) é o maior investimento privado financiado atualmente em África e foi suspenso em março de 2021.

Um ataque armado à vila de Palma, que acolhia as empresas subempreiteiras e muitos dos trabalhadores do projeto, fez com que fosse invocada “force majeure” (termo contratual para ‘força maior’, em que nenhuma das partes pode ser responsabilizada) para travar todos os trabalhos em curso.

“Estou otimista”, disse Pouyanné, sobre a retoma dos trabalhos, embora sem compromissos.

O CEO da Totalenergies disse que quando voltar a Moçambique quer poder ir “a Palma, Mocímboa da Praia e Mueda: quando vir que a vida está de volta ao normal, com serviços do Estado e população, aí o projeto pode recomeçar”, referiu.

Patrick Pouyanné disse que “muitos progressos já foram feitos e quero dar os parabéns às autoridades moçambicanas que juntamente com o Ruanda e SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral] conseguiram que muita coisa fosse feita”.

Uma força militar conjunta tem combatido os grupos insurgentes na região.

Pouyanné fez referência a dois pontos cruciais, Mocímboa da Praia e Palma, apontando-os agora como sítios seguros.

“Mas há ainda algum progresso por fazer para termos uma segurança sustentada. Queremos ver a população e as vilas a voltar as suas vidas normais”, destacou.

Pouyanné assinou hoje com as autoridades moçambicanas um acordo para ações de formação de 2500 jovens de Cabo Delgado, com vista a criar oportunidades de trabalho decorrentes dos investimentos em curso.

Um tema que, referiu, está ligado às questões de segurança.

“A normalização da vida social é parte da segurança, não é só um assunto das forças armadas”, referiu.

O Presidente moçambicano disse que a petrolífera “não saiu porque quis”.

De igual modo, a população “saiu porque foi atacada, mas vai voltar”, à medida que a normalidade for retomada, referiu, recordando um pedido que lhe foi feito durante uma visita a Palma: ser possível viajar tranquilamente na província.

Satisfeito com o avanço militar sobre a insurgência, o chefe de Estado espera ver essa tranquilidade reinar em toda a província, em breve.

“Não é por cantar vitórias, mas estamos a trabalhar e a gostar do trabalho que os jovens [militares] estão a fazer”, sublinhou.

Sobre a presença de Pouyanné em Maputo, Nyusi comentou que “esta visita foi importante para se avaliar o que está a acontecer” e prometeu trabalho conjunto.

“Uma das coisas que vamos fazer rapidamente, juntos, é tentar trazer a tranquilidade à vida” de Cabo Delgado, disse o Presidente aos jornalistas no final do encontro com o líder da Totalenergies.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020. In “África 21 Digital” – Brasil com “Lusa”


quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Namíbia - Com o avanço da pesquisa de petróleo na Bacia do Okavango o país prepara-se para se tornar num player global

A Bacia do Okavango, entre a Namíbia e o Botsuana, está, com a conclusão dos "promissores" estudos sísmicos, à beira de se transformar num gigantesco projecto de exploração de petróleo onshore, tendo mesmo, quando foi noticiado que a pesquisa iria ter início, em 2020, sido apelidado por especialistas como a última grande descoberta viável da história do petróleo como a principal fonte de energia mundial antes da conclusão da transição energética, para as energias limpas, por causa das alterações climáticas. Mas o país vizinho também tem novidades importantes no seu offshore


Em Outubro de 2020 a empresa Reconnaissance Energy Africa (ReconAfrica) anunciou ao mundo que tinha ganho direitos de pesquisa em 35 mil quilómetros quadrados na Bacia do Okavango, uma das mais conhecidas reservas ambientais protegidas em todo o mundo, que se estende ao longo de cinco países, Angola, Botsuana, Namíbia, Zimbabué e Zâmbia, com ramificações ainda na África do Sul, e que vive, sobretudo, mas não só, das águas das chuvas no Planalto Central angolano e escorrem depois, por diversas linhas de água, para sul.

Esta notícia levou ao surgimento de protestos de ambientalistas em todo o mundo, mas especialmente na Namíbia, onde foram mesmo realizados protestos populares e formais junto do Governo de Windhoek, porque o Okavango é uma área extremamente sensível e frágil perante a possibilidade do avanço da extracção de petróleo e gás a partir do "fracking", uma tecnologia altamente poluente que consiste em injectar águas e químicos corrosivos a altas pressões e a grande profundidade de forma a fazer implodir a rocha que contém a matéria-prima, deixando um rasto de destruição nos lençóis freáticos mas também nos cursos de água de superfície.

Agora, menos de dois anos depois do início dos trabalhos de pesquisa, a ReconAfrica, uma pequena empresa canadiana, cuja actividade se cinge à prospecção e possível extracção nos 35 mil km2 do Okavango, onde possui direitos para tal, emitidos pelos governos do Botsuana e da Namíbia, como avança James Stafford, editor-chefe do site especializado OIlPrice, vem anunciar que está prestes a concluir a interpretação dos dados sísmicos em 2D recolhidos neste tempo em 450 km da Bacia do Okavango namibiana.

E o que a ReconAfrica já disse foi que os dados permitem concluir, embora ainda numa fase inicial da interpretação, que existe no subsolo local um "grupo diverso de perspectivas de alta qualidade" para avançar com a fase da perfuração, ao mesmo tempo que anunciava que estava em curso a preparação para avançar com o mesmo tipo de estudos sísmicos noutros 500 km2.

A petrolífera canadiana estima que, estando, para isso, dependente das autorizações do Governo de Windhoek, que a primeira perfuração possa ter lugar já nos primeiros meses deste ano, até finais de Abril, mais tardar.

Uma das estratégias da ReconAfrica para convencer o Governo namibiano é o apoio significativo à campanha nacional de vacinação contra a Covid-19, que já vai em cerca de um milhão USD, e ainda pequenos projectos de desenvolvimento, incluindo escolas, estradas... para as comunidades espalhadas pela área onde decorrem os estudos sísmicos e poderão, no futuro, erguer-se as torres de extracção onshore neste megaprojecto de exploração de crude através do fracking.

Negócio apetecível

Mas o que este projecto, que poderá colocar a Namíbia (Angola também está a dar passos no sentido de permitir a exploração petrolífera nos seus parques naturais) num lugar de destaque no mapa mundial dos países produtores e exportadores de crude, como já sucede a Angola, não clarifica é o papel que a existência formal de uma região protegida como a Bacia do Okavango atribui aos países que a partilham e de que modo os vizinhos Angola, Zimbabué, Zâmbia podem ou não ter uma palavra a dizer quando ao avanço do fracking nesta parte do continente.

Oficialmente, o que a empresa tem afirmado é que adquiriu os direitos de exploração em cerca de 26,3 mil km2 na Namíbia e perto de 10 mil km2 na parte sob responsabilidade do Botsuana, que poderão, sendo que udo indica que assim venha a ser, transformar-se num gigantesco campo petrolífero que, por exemplo, é já comparado no meio à bem conhecida Bacia do Permiana, no Texas, EUA, podendo evoluir para o mais rentável projecto petrolífero onshore em todo o planeta.

A Bacia do Okavango, que tem a maior parte da sua extensão em território da Namíbia e do Botsuana, mas que também de estende para Angola, Zimbabué, Zâmbia e África do Sul, é apontada como local, especialmente na área geográfica limitada pelo território namibiano, de grande potencial para a exploração comercial de hidrocarbonetos, havendo mesmo estudos em curso que o demonstram de forma clara.

Pode-se ainda salvar a Bacia do Okavango?

A especial importância desta região, de grande fragilidade ambiental, só é igualável à urgência de a salvaguardar porque dela dependem não só extensas comunidades humanas mas essencialmente milhares de espécies da fauna e da flora africanas, muitas delas únicas no mundo, alimentada pelo Rio Okavango, que é recebedor de vários efluentes com origem e nascentes no Planalto Central de Angola.

E essa fragilidade ambiental pode mesmo levar a que as perfurações e futura exploração de hidrocarbonetos na região do Okavango seja protelada - organismos locais e internacionais de defesa do ambiente estão empenhados nisso - até que a sua extracção comercial se torne inútil ou pouco atractiva devido à revolução que o mundo vive para combater as alterações climáticas que estão a ameaçar o planeta Terra e a sustentabilidade da vida tal como a conhecemos.

Tanto os governos de Windhoek como de Gaborone deram já oficialmente autorização para a pesquisa a esta empresa com inscrição em bolsa no Canadá, tendo a ReconAfrica admitido já que se trata de uma das maiores reservas onshore - em terra - de todo o mundo, ultrapassando mesmo uma das que é das mais conhecidas pelas suas imensas reservas, a de Eagle Ford, no Texas, EUA, que as autoridades norte-americanas consideram ser a maior em todo o mundo, incluindo petróleo e gás.

Porém, os riscos ambientais são de igual tamanho, sendo que o impacto que a exploração de hidrocarbonetos onshore na Bacia do Okavango-Zambeze não tem paralelo com a exploração no sul dos EUA, porque em causa está uma das mais importantes áreas naturais protegidas de todo o mundo.

Uma organização internacional de cientistas, denominada União dos Cientistas Preocupados, emitiu, ainda em 2020, um sério aviso para os riscos considerando que são "massivos" e que podem colocar mesmo em dissolução a prazo todo o complexo natural do Okavango-Zambeze.

Em causa está a tecnologia normalmente usada na extracção de crude e gás em terra, conhecida por fracking, que consiste, em síntese, na injecção de água e químicos altamente corrosivos no subsolo, implodindo a rocha para dela sugar hidrocarbonetos, como sucede em grande dimensão nos Estados Unidos gerando sérios problemas no ar respirável, na água dos lençóis freáticos e na vida e flora selvagens, havendo registos confirmados de um grande aumento de doenças cancerígenas entre as populações humanas.

Para além das áreas naturais, parques naturais, pelo menos uma considerada como património da humanidade, denominada Tsodilo Hills, no Botsuana, está ameaçada por estes planos para extracção de crude e gás, estando ainda em causa a comunidade San, a mais antiga comunidade humana na África Austral, a única que não tem origem Bantu, que já se encontra fortemente ameaçada devido ao "progresso".

O último fôlego da exploração petrolífera onshore

A comunidade científica, incluindo proeminentes geólogos, geoquímicos e perfuradores em todo o mundo admitem e concordam que o projecto existente para a Bacia do Okavango pode muito bem ser a última grande fonte de hidrocarbonetos onshore com viabilidade económica.

Isto, porque, para além da revolução verde em curso em todo o mundo, que tende a substituir a energia fóssil por energia verde, seja a eólica, a hídrica ou solar, não são conhecidos quaisquer registos no planeta da existência de reservas importantes onshore, incluindo a Nigéria e Angola, o 1º e o 2º maiores produtores africanos onde pouco controlo existe sobre as consequências ambientais do negócio do crude.

E o problema é que as estimativas existentes apontam para a possibilidade de o Okavango ser reservatório natural de mais de 120 mil milhões de barris de petróleo, um número de tal modo gigante que só um esforço global de associações defensoras do ambiente e a ONU poderá evitar este desastre ambiental em curso.

Como comparação, para mensurar a importância destas alegadas reservas, Angola tem comprovadas menos de 8 mil milhões de barris, a Nigéria cerca de 36 milhões e os EUA não chegam sequer aos 38 mil milhões de barris, sendo que o país com mais reservas provadas é a Venezuela, como cerca de 300 mil milhões enquanto a Arábia Saudita tem pouco mais de 260 mil milhões de barris em reservas testadas.

Bill Cathey, geólogo conhecido mundialmente e presidente do Earthfield Technologies, em Houston, Texas, disse, na altura, que não existe em lado nenhum do mundo uma bacia sedimentar com esta dimensão sem estar a produzir um único barril de crude.

Todo o cuidado é pouco

Para já, quem está à frente deste negócio e ou tem interesses, face ao período histórico que se vive, onde o petróleo é visto, cada vez mais, como o mau da fita ambiental, e quando as alterações climáticas são por demais evidentes, levando a esforços nunca vistos no investimento em tecnologias na área das energias verdes, a ReconAfrica mostra grade preocupação em garantir que cumpre à letra as normas ambientais e que o Governo namibiano tem muito a ganhar com este projecto que, segundo alguns geólogos ligados ao sector, tem um potencial de largas centenas de milhões de barris.

Na manga, os investidores têm o facto de a Namíbia ser um país com forte défice energético, viver tempos difíceis devido às secas prolongadas, com o turismo fragilizado devido à pandemia da Covid-19, e com a possibilidade de ter neste projecto uma fonte de rendimento que poderá, pelo menos, colmatar uma parte substancial dessas perdas de forma a manter o esforço de combater a pobreza intramuros.

O fim da história do petróleo está próximo, mas quão próximo?

O planeta vive momentos quentes, com temperaturas a baterem recordes ano após ano, com fogos imparáveis em todos os continentes, tempestades avassaladoras, as calotes polares a derreter, milhões de deslocados em África devido à fome provocada por períodos de secas nunca vistos...

Os mais prestigiados cientistas, nos vários domínios, não parecem ter dúvidas... por detrás desta tragédia ambiental em que o Planeta Terra está mergulhado, está o petróleo, e isso parece ser, a prazo, a sua condenação.

Mas, para já, não existe outra fonte de combustíveis com a densidade energética do petróleo, o que garante a esta matéria-prima mais alguns anos de vida útil, pelo menos até que as tecnologias novas possam substituir a sua densidade energética, como, por exemplo, a exigida para manter um avião comercial intercontinental no ar por horas a fio... ou fazer correr um porta-contentores gigantes pelos mares em torno do mundo...

Os ambientalistas admitem que o crude deixará de ser um negócio global em menos de duas décadas, pondo, assim, fim a uma história que foi erguida em cima de quase dois séculos, tendo o seu início, pelo menos na era moderna, começado, apesar de haver opiniões divergentes, em 1959, quando foi furado o primeiro poço comercial no estado norte-americano da Pensilvânia.

Desde então, apesar do avanço do nuclear, das eólicas, da energia hídrica, solar... o petróleo tem sido, ininterruptamente, rei e senhor da energia que move o mundo, e cada suspiro no seu fornecimento, tem tido como consequências crises gigantescas na saúde da economia global, como é disso exemplo as crises energéticas geradas nas décadas de 1970, 1980... ou ainda, mais recente, o acordo de controlo de produção da OPEP+, organização que agrega os países exportadores (OPEP) e um grupo de independentes, liderados pela Rússia, que desde 2017 gerem estrategicamente o fluxo de crude que chega aos mercados, sendo a razão principal para os preços que hoje se verificam, acima dos 85 USD por barril.

Com este cenário em pano de fundo, o que surge como questão essencial é: vale a pena destruir a pristina natureza da Bacia do Okavango para extrair alguns milhões de barris num projecto que está condenado a prazo e pode tornar irreversível a deterioração de um dos paraísos terrestres para milhares de espécies de fauna e flora, algumas delas únicas nesta especiosa geografia na parte austral do continente africano?

A descoberta da Shell

Entretanto, a catapultar ainda mais a Namíbia para a condição de player global no sector, e, quiçá, um dos maiores produtores africanos, a companhia holandesa Shell, acaba de anunciar a descoberta de um gigantesco reservatório offshore na costa da Namíbia, que pode valer mais de 22 mil milhões USD, incluindo uma parte em gás natural.

Esta descoberta, à qual está ainda ligada a Qatar Petroleum e a namibiana Namcor, esta última com 10% e as outras duas com 45% cada, foi feita numa área onde também estão a trabalhar na prospecção a norte-americana Exxon e a francesa Total, na costa sul do país.

Curiosamente, estas descobertas, são anunciadas depois de em 2021 o ministro da Energia, Tom Alweendo, ter vindo a público sublinhar a decisão estratégica do Governo de virar definitivamente para as energias verdes, apostando especialmente no hidrogénio.

Estas descobertas, ainda em fase inicial e com detalhes substanciais por revelar, pode ser um risco acrescido para Angola, visto que, se o breakeven da exploração destes depósitos, e se estes vierem a ser multiplicados, for inferior ao que ocorre em Angola, onde as suas maiores reservas estão em águas profundas e ultra-profundas, as companhias podem optar pelo país vizinho nestes últimos anos de exploração comercial viável da matéria-prima. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal”

 



terça-feira, 16 de novembro de 2021

Moçambique - Plataforma flutuante que vai produzir gás natural já está a caminho


O Presidente da República, Filipe Nyusi, reafirmou ontem na Coreia do Sul que a paz, segurança e a estabilidade são condições essenciais para o desenvolvimento da economia, incluindo os projectos de gás natural, pelo que o seu Governo está determinado a tudo fazer para remover o último obstáculo até se restaurar a segurança em Cabo Delgado.

Nyusi, que falava na cerimónia oficial que marcou o início (simbólico) do reboque da plataforma flutuante que vai produzir gás natural no campo Coral Sul, em Cabo Delgado, disse aos investidores que, nos últimos tempos, as forças armadas, apoiadas pelo Ruanda e a SADC, têm estado a registar avanços consideráveis no combate aos terroristas.

Neste quadro, encorajou os investidores dos projectos, sobretudo da Área 1 da Bacia do Rovuma, liderados pela Total, a equacionarem a retoma dos seus investimentos interrompidos devido à deterioração das condições de segurança.

Explicou que o Governo continua a manter a comunicação com as concessionárias para juntos avaliarem as condições e determinar o momento certo para a retoma das actividades na Área 1, tendo como atenção primária a protecção de vidas humanas nas comunidades e nos investimentos.

Referindo-se ao projecto Coral Sul-FLNG, liderado pela Eni, o Presidente da República disse que a sua entrada em actividade em 2022 é uma boa notícia, porquanto Moçambique de pequeno produtor de gás natural passará a ser um actor relevante no mercado mundial deste hidrocarboneto.

Acrescentou que a descoberta, em 2010, de uma das maiores reservas de gás do mundo mudou as perspectivas sobre a economia de Moçambique e abriu novos horizontes de desenvolvimento que começam a fazer-se sentir com a conclusão da plataforma e da perfuração dos seis poços submarinos em princípios de Novembro, o que permitirá o início da produção do gigantesco reservatório Coral Sul, na Bacia do Rovuma.

“Hoje temos a oportunidade de observar que, não obstante as contrariedades da pandemia da Covid-19 e outros desafios, foi possível implementar o projecto dentro do tempo previsto, garantindo que o início da produção do GNL continue agendado para 2022, o que evidencia a nossa determinação e resiliência”.

A cerimónia de início simbólico do reboque do Coral-FLNG contou, igualmente, com a participação do Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-In, para quem este evento vai, certamente, reforçar a cooperação entre Moçambique e a Coreia do Sul.

Já o director de Desenvolvimento, Operações e Eficiência Energética da Eni, Stefano Maione, fez saber que até ao momento o projecto Coral-Sul FLNG tem um progresso de 96 por cento, sendo que os trabalhos realizados obedecem ao cronograma traçado.

Garantiu que o Coral Sul-FLNG obedece a todos os padrões de eficiência e está na vanguarda em termos de tecnologia. Assegurou também que o projecto terá queima zero, colocando Moçambique na liderança em termos da tecnologia usada na indústria de gás natural liquefeito.

Refira-se que Coral Sul-FLNG é a quarta plataforma construída pela Samsung e a primeira especializada para produzir gás natural em águas profundas.

Para a Samsung, com a conclusão da construção da plataforma, não restam dúvidas de que Moçambique se tornará, nos próximos tempos, o centro do GNL no mercado global.

Importa realçar que a plataforma Coral Sul-FLNG foi baptizada pela primeira-dama, Isaura Nyusi, que, na ocasião, desejou uma viagem segura para a tripulação composta por 96 pessoas, incluindo três moçambicanos.

A cerimónia iniciou com a entoação dos hinos nacionais de Moçambique, pelo saxofonista Moreira Chonguiça, e da Coreia do Sul, pela banda militar deste país. Ainda houve espaço para o fogo de artifício. Titos Munguambe – Moçambique in “Jornal de Notícias”


 

domingo, 7 de março de 2021

Moçambique – Petrolífera Exxon volta a adiar decisão de investimento no projecto de exploração de gás natural


A Petrolífera norte-americana Exxon adiou, pelo terceiro ano consecutivo, a decisão final de investimento sobre o projecto de exploração de gás natural em Moçambique, colocando em dúvida um investimento de 30 mil milhões de dólares. Entretanto, as autoridades moçambicanas dizem não ter sido notificadas ainda sobre um adiamento do anúncio da decisão.

Em contacto sexta-feira (05) com o “Notícias”, o presidente do Instituto Nacional de Petróleo (INP), Carlos Zacarias, disse que “a última informação disponível é que a Exxon estava a trabalhar com vista à concretização da decisão final do investimento”.

Informações avançadas pela a agência de informação Bloomberg, citando o vice-presidente da empresa, Neil Chapman, durante uma conversa com analistas, indicam que não há previsão sobre quando será tomada a decisão final de investimento para a fábrica de gás natural na Bacia do Rovuma, já que a petrolífera precisa de garantir o fornecimento de energia por parte da fábrica vizinha, operada pela francesa Total.

“A Exxon também precisa de avaliar as condições gerais do mercado”, disse Chapman, sem explicar ao que se referia em concreto.

O Governo de Moçambique conta com o investimento da petrolífera norte-americana para começar a exportar gás natural liquefeito e assim equilibrar as finanças públicas e financiar o desenvolvimento económico.

A Exxon lidera o consórcio que inclui a Eni, a China National Petroleum, a Kogas, a portuguesa Galp e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, e desde 2018 que tem os contratos de venda de gás assinados com os clientes estrangeiros, tendo recebido em 2019 “luz verde” do Governo moçambicano.

Para o analista da Bloomberg Intelligence citado no artigo, a aprovação do projecto Rovuma LNG está altamente dependente da descida dos custos, da situação de segurança, de um potencial acordo de partilha de recursos com a Total e do facto de estar, ou não, na lista de projectos com elevada prioridade” para a empresa.

Moçambique aprovou três projectos para a exploração de gás natural ao largo da costa de Cabo Delgado.

Há dois projectos de grande dimensão que vão canalizar o combustível do fundo do mar para a terra, exportando-o em estado líquido. Um é liderado pela Total (consórcio da Área 1) e está a avançar para arrancar em 2024, sendo o outro o projecto adiado da Exxon Mobil e Eni (consórcio da Área 4).

Um terceiro projecto mais avançado e de menor dimensão pertence também ao consórcio da Área 4 e consiste numa plataforma flutuante que vai captar e processar o gás para a exportação directamente no mar, com arranque marcado para o próximo ano.

A plataforma flutuante deverá produzir 3,4 mtpa (milhões de toneladas por ano) de gás natural liquefeito. A Área 1 aponta para 13,12 mtpa e o plano em terra da Área 4 prevê 15 mtpa.

Actualmente, o projecto da Área 1 é o maior investimento privado em curso em África, avaliado entre 20 e 25 mil milhões de euros, e o empreendimento com decisão de investimento pendente da Exxon Mobil e Eni tem dimensão semelhante. In “Jornal de Notícias” – Moçambique 


 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Moçambique - Petrolífera Total instala operações ‘offshore’ do gás de na capital de Cabo Delgado


A Total vai instalar em Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, a base de operações ‘offshore’ (operações no mar) do megaprojeto de gás do norte de Moçambique, disse a empresa em resposta a questões colocadas pela Lusa.

A petrolífera francesa que lidera o consórcio da Área 1 – Mozambique LNG “irá desenvolver as suas operações ‘offshore’ em Pemba”.

“A Technip FMC – a principal contratada ‘offshore’ do projeto – partilhará as instalações da base logística da Total e do porto dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM)”, anunciou.

Além de Pemba, o projeto Mozambique LNG “está a analisar opções para realizar algumas operações de apoio ‘offshore’ na região para otimizar parte de sua cadeia logística e de planificação, incluindo em Mayotte, através da utilização das infraestruturas existentes”. Mayotte é um arquipélago francês do oceano Índico situado no norte do canal de Moçambique, a cerca de 500 quilómetros da costa de Cabo Delgado.

O megaprojeto da Área 1 vai ter operações em mar alto, uma vez que os 18 furos de onde vai ser extraído o gás natural estão localizados no fundo do oceano, bem como as válvulas e tubagens pressurizadas que o vão conduzir por cerca de 40 quilómetros até à fábrica de liquefação na península de Afungi.

A Technip FMC lidera o consórcio do projeto de engenharia, aquisições, produção e instalação das componentes a instalar no mar.

A Total reafirmou em declarações à Lusa o compromisso do projeto Mozambique LNG de “concretização dos seus objetivos de conteúdo local”, nomeadamente o “ambicioso plano” de adjudicar “2,5 mil milhões de dólares [cerca de dois mil milhões de euros] em contratos com empresas detidas por moçambicanos ou registadas em Moçambique”.

Ao mesmo tempo, a energética francesa referiu que as empresas a contratar também “têm um papel fundamental neste processo”.

“O nosso foco é garantir que cumpram com todas as obrigações legais e contratuais e tomem medidas adequadas para apoiar e desenvolver empresas e força de trabalho locais”, mantendo o avanço do projeto “de acordo com o cronograma e o orçamento”, apontou.

Avaliado em cerca de 20 mil milhões de euros, o megaprojeto de extração de gás da Total é o maior investimento privado em curso em África, suportado por diversas instituições financeiras internacionais e prevê a construção de unidades industriais e uma nova cidade entre Palma e a península de Afungi, em Cabo Delgado.

A primeira exportação de gás liquefeito está prevista para 2024.

A Total mantém a data apesar dos problemas de insegurança na região e que levaram a empresa a reduzir o pessoal no recinto de construção do empreendimento, numa desmobilização em curso desde há um mês.

No final de dezembro, rebeldes que há três anos aterrorizam a província de Cabo Delgado atacaram locais a cinco quilómetros do projeto. Algumas das incursões de insurgentes passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019. In “LusoJornal” - França