O Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau encerrou o 40.º Curso de Verão de Língua Portuguesa. Para os coordenadores, a iniciativa voltou a ser um sucesso, tendo contado com a participação de cerca de quatro centenas de inscrições. A professora Tânia Ferreira, envolvida pela primeira vez na organização, disse ao Jornal Tribuna de Macau ter ficado surpreendida por “ainda haver esta chama” de interesse pela aprendizagem da cultura e da língua portuguesa
A tendência cada vez maior pelo
interesse na aprendizagem da cultura e da língua portuguesa ficou comprovada
pela “dedicação inspiradora”, dos alunos participantes na 40.ª edição do Curso
de Verão de Língua Portuguesa da Universidade de Macau (UM).
A expressão é de Tânia Ferreira, coordenadora da
iniciativa juntamente com Lu Chunhui, que ao Jornal Tribuna de Macau fez o
balanço da formação que decorreu durante três semanas e que contou com cerca de
400 inscrições.
“O balanço é bastante positivo”, salienta a professora do
Departamento de Português da Faculdade de Letras da UM, para quem a oferta
formativa foi “muito rica”, uma vez que “eles tiveram oportunidade de aprender
um pouco sobre danças folclóricas e participar noutros workshops
dedicados à língua portuguesa, à cultura dos países lusófonos, à literatura, à
história e à tradução”.
Além disso, referiu que, “uma vez que também temos
colegas que são especialistas na área do ensino da língua portuguesa e na
certificação da aprendizagem do português”, foi oferecido um workshop
dedicado ao funcionamento dos exames de proficiência da língua lusa, onde não
faltou o patuá e a sua importância em Macau.
Para o sucesso de mais um Curso de Verão da UM, a
coordenadora destaca a boa parceria feita com Lu Chunhui. “Ele fala chinês e
coordenou bem uma equipa que integrou também alunos que nos ajudaram em toda a
área da organização”, indica, sublinhando que o “interesse foi tanto que as
inscrições esgotaram horas depois de terem sido lançadas”.
Tânia Ferreira está no Departamento desde Janeiro deste
ano, tendo sido contratada para leccionar na área da linguística e coordenação
de iniciativas como este Curso de Verão de Língua Portuguesa. Foi, por isso, a
sua primeira experiência à frente da iniciativa.
Tendo trabalhado na China, em Pequim, há 12 anos, a
docente constatou “com muita alegria” esta “entrega dos alunos”, porque também
não conhecia este grande interesse pela língua portuguesa, pelo seu potencial,
sobretudo económico, para trabalhar nos países de língua portuguesa (PLP), em
especial em África e no Brasil.
Os participantes na formação eram todos de etnia chinesa,
incluindo alguns que vivem fora do Continente e Macau, e não só provenientes de
universidades, mas igualmente de outras áreas. Demonstraram “uma grande vontade
de apreender”, o que achei incrível, e com uma dedicação inspiradora”,
enfatizou, concluindo ter ficado surpreendida pelo interesse que existe em
aprender a língua portuguesa.
“Não tinha essa noção e, de facto, pude depois confirmar
que nos últimos anos tem sido essa a tendência”. Por isso, diz, “estou muito
satisfeita por ainda haver esta chama”.
Na cerimónia de encerramento, os dois coordenadores do
Curso de Verão da UM destacaram a variedade de actividades incluídas na
formação, com temas que abrangeram, para além da dança, a interpretação de
grandes autores como Camões e Fernando Pessoa, a evolução cultural e literária
do Brasil, a prática de tradução poética, visitas guiadas à história e cultura
de Macau, orientações de preparação para os exames CAPLE e a partilha de
experiências por uma intérprete profissional, entre outros.
A concepção do curso, apoiado pela Fundação Macau, teve
em conta a diversidade temática e geográfica, “articulando-se em diferentes
níveis de acesso para que os formandos de todas as etapas pudessem obter
resultados frutuosos”, segundo se pode ler num comunicado da UM.
Na sessão final, que incluiu a entrega de diplomas aos
participantes, representantes dos alunos de diferentes níveis partilharam as
suas vivências académicas e pessoais na universidade.
Lin Xi, da Universidade de Comunicação da China,
salientou que o curso lhe permitiu consolidar os conhecimentos de gramática
portuguesa e alargar o seu contexto cultural, esperando “aplicar o que aprendeu
para promover o intercâmbio sino-estrangeiro e contar melhor a história da
China”.
Feng Maomao, da Universidade de Estudos Estrangeiros de
Pequim, referiu que o curso lhe proporcionou a vivência da cultura e literatura
dos PLP, como a cultura popular do Brasil e o folclore de Portugal, o que
representou para si a abertura de “uma nova porta para o mundo”.
Por seu turno, Li Qianyu, aluna do nível avançado,
aprofundou a sua compreensão sobre a história e literatura de Macau, afirmando
que UM é “uma plataforma de excelência para o intercâmbio intercultural”.
Já Huang Wai Kuan, prestes a ingressar na Faculdade de
Direito da UM, explicou que o Direito de Macau exige o domínio tanto do chinês
como do português, conseguindo assimilar gradualmente os conhecimentos básicos
de português em três semanas.
Durante a cerimónia, os formandos apresentaram diversas
actuações, evidenciando não só o que assimilaram durante o curso, mas também a
sua paixão pela cultura dos PLP. Como já é tradição no Curso de Verão, alunos
de diferentes níveis subiram ao palco para actuar em conjunto na dança
folclórica portuguesa, sob a orientação da docente Mirandolina, “num ambiente
bastante animado”, realça o comunicado da UM.
Além disso, a sessão final contou ainda com a declamação
do poema “Orelhas” e a interpretação das canções “Não Precisa”, de Paula
Fernandes, e “Flor de Lis”, famosa canção brasileira escrita e gravada pelo
cantor e compositor Djavan. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal
Tribuna de Macau”