Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 10 de maio de 2026

Europa - Português à BeNeLux: Coordenação do Ensino inova nas redes sociais

A Coordenação do Ensino Português no Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos (CEPE BeNeLux) assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado a 05 de maio, com o lançamento da rubrica “Português à BeNeLux”, uma nova iniciativa pedagógica dedicada à forma como o português é falado, usado e transformado pelas comunidades lusófonas nestes três países


Nascida do trabalho desenvolvido nos cursos de Língua e Cultura Portuguesas, a rubrica envolve alunos e docentes do 3.º ciclo e do ensino secundário e pretende dar visibilidade à diversidade intralinguística do português, ao contacto entre línguas e às múltiplas realidades linguísticas existentes no espaço BeNeLux.

Com periodicidade semanal e divulgação nas redes sociais da CEPE BeNeLux, “Português à BeNeLux” propõe conteúdos curtos, acessíveis e dinâmicos, focados em expressões do quotidiano, sotaques, fenómenos de mistura linguística, mini-aulas explicativas, testemunhos e referências culturais. O objetivo é espelhar práticas reais de comunicação em português e mostrar a presença efetiva da língua nas comunidades de Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos, disse ao Bom Dia, Mónica Bastos, coordenadora do ensino de português nos três países.

Para além da dimensão cultural e identitária, o projeto assume um forte propósito pedagógico, promovendo competências de oralidade – fluência, clareza discursiva e adequação da linguagem a diferentes contextos – através da participação ativa dos alunos enquanto produtores de conteúdos.

A rubrica conta com o apadrinhamento do linguista e escritor Marco Neves, cuja colaboração contribui para o enquadramento conceptual e para o aprofundamento da reflexão sobre variação linguística e usos contemporâneos do português.

Com esta iniciativa, a CEPE BeNeLux reforça o compromisso com a valorização da língua portuguesa, a promoção da diversidade linguística e o reconhecimento do papel das comunidades lusófonas na construção de um português plural, vivo e em constante movimento.

O vídeo de lançamento de “Português à BeNeLux”, produzido no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, já está disponível nas páginas oficiais da Coordenação do Ensino Português no BeNeLux no Facebook e no Instagram, onde serão igualmente publicados, nas próximas semanas, os conteúdos da nova rubrica. Acompanhar estas plataformas é, sublinha a CEPE, uma forma de conhecer de perto o trabalho de alunos e docentes e de descobrir como o português se vive e se transforma no BeNeLux. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 24 de abril de 2026

Europa – Cinco países vão economizar 58% nas contas de energia este ano graças à energia limpa

Consumidores em cinco países da UE economizarão até € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano, em comparação com aqueles que possuem a matriz energética mais poluente.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.


Os países da UE com a matriz energética mais limpa estarão protegidos do aumento vertiginoso do preço do petróleo e do gás, uma vez que a guerra contra o Irão continua a evidenciar o verdadeiro custo da dependência dos combustíveis fósseis.

Dois dias após os bombardeamentos atingirem o Médio Oriente, os preços do TTF holandês (referência para os preços do gás no grosso em toda a Europa) dispararam 68%, chegando a € 52,8 por megawatt-hora, o nível mais alto em dois anos.

No início desta semana (segunda-feira, 20 de abril), o TTF holandês estava a ser negociado a um preço bem mais baixo, de € 40,2 por MWh. A queda ocorre após sinais de significativa desaceleração em meio a um cessar-fogo de duas semanas, mas ainda é consideravelmente mais alta do que antes do início do conflito (€ 31,5 por MWh).

Grande parte da volatilidade se deve ao controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem de 38 km que transporta cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás. Em março, as exportações de gás natural liquefeito (GNL) para a UE caíram 11%.

Isso levou o comissário de energia da UE a recomendar que os países reabasteçam os seus estoques de forma constante durante o verão para "mitigar a pressão sobre os preços e evitar uma corrida no final do verão".

Isso também abriu caminho para um rápido interesse em energias renováveis ​​produzidas localmente, que são cada vez mais consideradas um investimento mais estável em vista das tensões geopolíticas.

“Não há aumentos acentuados nos preços da luz solar nem embargos à energia eólica”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no mês passado.

Será que a energia limpa pode proteger a UE do aumento dos preços do gás?

Um novo relatório do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA) constatou que, apesar da forte alta dos preços e dos crescentes temores sobre a diminuição da oferta, o bloco permanece "mais bem protegido" da sensibilidade aos preços do que em 2022 – após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

Isso deve-se principalmente ao crescimento explosivo das energias renováveis, que atingiram novos recordes em 2025 e poderão economizar para a UE a impressionante quantia de € 5,8 mil milhões em 2026, substituindo o gás natural, que é caro.

Especialistas apontam que esse valor seria significativamente maior se os preços do gás não fossem responsáveis ​​por definir o preço da energia em muitos países, devido ao mecanismo de precificação marginal da UE.

Em 2025, cada aumento de €1/MWh no preço do gás levou a um aumento de €0,37 por MWh nos preços da eletricidade – uma redução de oito por cento em relação a 2022.

“Isto está diretamente ligado à separação [do preço da eletricidade] do gás e aos investimentos em energia limpa, cuja participação na geração de eletricidade na UE cresceu 14% em 2025, em comparação com 2022”, explica o relatório.

Quais são os países da UE que estão mais protegidos do aumento dos preços do gás?

Todos os Estados-membros da UE têm observado uma redução na sua sensibilidade às flutuações dos preços do gás nos últimos anos, na sequência do aumento da energia limpa.

Mas são os consumidores de cinco países da UE em particular – Dinamarca, Finlândia, França, Suécia e Eslováquia – que beneficiam da maior participação de energia limpa na sua matriz elétrica. O relatório afirma que estas nações economizarão € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano. Isso representa uma redução de 58% nas contas em comparação com os países com a matriz energética mais poluente (Polónia, Itália, Grécia, Estónia e Países Baixos).

A estimativa baseia-se na premissa de que o consumo permanecerá o mesmo este ano em comparação com 2025, levando em consideração os preços mais altos e a sensibilidade do preço do gás.

De acordo com dados de 2025, a Suécia saiu vitoriosa como o país da UE com a menor sensibilidade às oscilações do preço do gás. Em média, para cada aumento de €1 no preço do gás, a Suécia regista um aumento de apenas €0,04/MWh nos preços da eletricidade no mercado grossista.

“Embora a Suécia seja um dos nove países com reservas de gás natural significativamente abaixo da média da UE, a sua baixa dependência dessa fonte de energia – com 99% de sua eletricidade proveniente de energia limpa – protege ainda mais o mercado de eletricidade de choques de preços”, afirma o relatório.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.

Ao mesmo tempo, a sensibilidade de ambos os países aos choques nos preços do gás diminuiu 53%. No ano passado, para cada aumento de €1 no preço do gás, a zona de produção conjunta de Espanha e Portugal registou um aumento de €0,089 por MWh, o terceiro mais baixo do bloco.

A França também testemunhou uma redução acentuada na sua sensibilidade aos preços do gás, principalmente devido ao crescimento da energia limpa, que fez com que a sua sensibilidade ao gás caísse pela metade entre 2022 e 2025.

Quais são os países que estão a pagar o preço pela sua dependência de combustíveis fósseis?

Apesar de ter registado um aumento de 31% na geração de energia limpa, os Países Baixos continuam mais sensíveis aos preços do gás do que em 2022.

Apesar da participação da energia solar e eólica na geração de eletricidade do país ser superior à média da UE, o gás continua sendo a principal fonte individual de eletricidade no país.

“A sua sensibilidade também está ligada à sua elevada integração no mercado europeu de gás – muitas vezes como tomadores de preços – e, portanto, à sua suscetibilidade a choques transmitidos por países vizinhos como a Alemanha”, acrescenta o relatório.

“O gás tem tradicionalmente desempenhado um papel desproporcional na produção centralizada de eletricidade nos Países Baixos (22%), enquanto as fontes de energia limpa, especificamente a solar, têm um papel mais importante na geração descentralizada de eletricidade.”

Por exemplo, nos Países Baixos, a energia solar é muito utilizada durante o dia, mas à noite é preciso recorrer a outras fontes de energia, muitas vezes com necessidade de gás.

A Polónia é outra anomalia na tendência geral da UE. Apesar de registar um crescimento anual de 48% em energias renováveis ​​desde 2022, a sensibilidade do país aos preços do gás permanece alta.

Isso deve-se principalmente ao facto de a Polónia estar a incentivar a geração de eletricidade a gás, num esforço para substituir e reduzir o carvão, que continua sendo essencial para mais da metade da produção total de eletricidade no país.

“A mudança de foco da Polónia para o gás, em vez de fontes de energia limpas, fez com que a geração de energia a partir dessa commodity aumentasse 132% em 2025 em comparação com 2022”, explica o estudo.

“Essa maior dependência, que representou 13% do total em 2025, fez com que a sensibilidade aos preços do gás também aumentasse em 87%.”

Para cada aumento de €1 no preço do gás, a Polónia regista um aumento de €0,36 por MWh na eletricidade.

A Hungria também demonstrou maior sensibilidade aos preços do gás em comparação com 2022, registando um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Embora o país tenha testemunhado um crescimento expressivo da energia solar, a falta de capacidade de conexão à rede elétrica faz com que a Hungria ainda seja obrigada a depender do gás natural para manter a estabilidade. Euronews


quinta-feira, 26 de março de 2026

Internacional - Discurso antissemita viraliza na Internet

Procurando novas informações na Internet, vi o título O pior país do mundo, em destaque no Brasil de Fato, cliquei, havia um aviso: "Preparem-se para um artigo violento. A paciência da gente se esgota e com ela some também a capacidade de medir palavras e fazer as devidas ressalvas."

O aviso, colocado pelo próprio autor, queria dizer ser alguma coisa por ele bem elaborada, alguém ciente de ter escrito algo capaz de ferir, mas sua paciência esgotada levara a tirar os filtros com que se tratam certos temas.

Esse tipo de aviso preparatório funciona como um chamariz, desperta a curiosidade do leitor e garante alguma coisa diferente ou mais ousada. Por isso, cliquei e li, mas confesso ter percebido alguma tendência estranha, logo nas primeiras linhas nas referências aos ingleses e holandeses. Talvez possa estar exagerando, mas a maneira de se referir a esses dois povos europeus me lembrou textos da extrema-direita, textos racistas.

Achei estranho, não era uma crítica à Inglaterra e Holanda, seu colonialismo, seus antigos governantes, seus apoios ao escravagismo, eram críticas aos ingleses e aos holandeses antipáticos e preconceituosos. Holandeses que deram bastante liberdade aos judeus, mas depois os traíram juntando-se aos nazistas na sua perseguição.

Vêm a seguir elogios aos dinamarqueses, únicos na Europa a terem protegido os judeus, citando até Hannah Arendt para confirmar. Em lugar de falar do pior país do mundo, o autor teria mudado de rumo e falaria da Dinamarca como o melhor país do mundo por ter protegido os judeus?

Pista falsa. Não, ele reconhece ter se desviado do assunto, chama Holanda e Dinamarca de países irrelevantes, desvia para os Estados Unidos, mas antes de se criticar o Império americano, não resiste à tentação de criticar também os americanos, como já fizera com os ingleses e holandeses, "gente que pode ser desagradável e detestável", será que isso não se chama preconceito?

E, enfim, o autor se define, depois das piruetas iniciais, Hannah Arendet inclusive, ele vai falar de Israel, "que nunca deveria ter sido criado", do sionismo, "mas não propriamente do povo judeu e dos judeus em geral". E, en passant, vai falar do Irão.

Nessa altura, ia saltar para outro artigo, mas uma coisa me chamou a atenção - praticamente todas as redes sociais chamadas de esquerda, estavam republicando esse mesmo texto – Diário do Centro do Mundo, Outras Palavras, Brasil 247, Carta Capital, etc.

Decidi, então, ler todo o artigo e me surpreendi. E como sou um jornalista de esquerda, denunciando já há algum tempo, aqui nos meus comentários, uma islamização de uma parte da esquerda, não posso deixar de reagir: esse texto, apesar da importância de seu autor, é antissemita.

Lamento que a esquerda brasileira esteja desconectada de alguns críticos europeus do chamado movimento Sul Global, principalmente a professora socialista Renée Fregosi da Sorbonne, cujo último livro Le Sud Global à la Derive, não tem tradução brasileira (se alguma editora se interessar em publicar tradução no Brasil, pode me contatar).

Não é minha intenção responder ao texto tão viralisado ou polemizar com o autor, na base um economista de formação, mas destacar dentro do espírito do criador do OI, o texto tão publicado nas redes sociais e chamar a atenção, baseado em alguns trechos chavões já existentes num passado recente, que julgávamos superados depois do Holocausto nazista.

Não é minha intenção comentar a atual guerra contra o Irão, já deixei algumas opiniões rápidas em outros textos. Sobre o Irão já deixei muito comentários, fáceis de consultar no OI, denunciando ser uma ditadura religiosa, uma rigorosa e intransigente teocracia islâmica, me baseando principalmente nos depoimentos cinematográficos de importantes cineastas iranianos, presos depois de premiados em Cannes, Berlim e Locarno ou obrigados ao exílio para não serem presos.

Em 1979, eu também em exílio durante a ditadura militar brasileira, acompanhei as manifestações em favor do aiatolá Khomeini pela queda do Xá Reza Pahlevi, seguindo o pensamento dos líderes da esquerda francesa da época, Sartre e Foucault.

Rapidamente a expectativa de um governo socialista laico no Irão, se desfez com a criação de uma república factóide, na verdade uma teocracia sangrenta, que eliminou os próprios comunistas ateus e os homossexuais apoiadores de Khomeini. Imagino a decepção de Foucault.

No texto tão viralizado nas redes sociais de esquerda, o autor faz questão de exprimir seu desejo: "Vida longa ao Irão e ao grande povo iraniano! Que não lhes falte munição, mísseis e drones para deter Israel e outros inimigos da humanidade!"

Mas procurei e não achei, uma palavra que fosse de apoio ou de crítica, sobre a recente revolta popular contra o regime teocrático, na qual a repressão iraniana matou dezenas de milhares de jovens manifestantes e está enforcando outras dezenas de milhares presos nas manifestações.

Ou será que o autor confunde o povo iraniano com os Guardas da Revolução Iraniana, heróis que matam jovenzinhas desarmadas, ignoradas pelos movimentos feministas brasileiros mal informados sobre a situação das mulheres no Irão?

Pior ainda, depois de ter expressado, logo no início, sua decepção pela criação de Israel em 1948, espera que essa decepção seja vingada por munições, mísseis e drones. Ou em outras palavras, que Israel seja destruído, concretizando o objetivo guerreiro do Irão, o império persa ex-zorotroatista, do livre-arbítrio e da ética, transformado numa ditadura teocrática. O mesmo objetivo dos terroristas financiados pelo Irão, como o Hamas. Rui Martins – Suíça

__________

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Portugal - Novo cone de conífera com cerca de 133 milhões de anos descoberto no Cretácico Inferior

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) identificou uma nova espécie de conífera, com cerca de 133 milhões de anos, na flora de Vale Cortiço, na região de Torres Vedras. 


Trata-se de um cone masculino muito bem preservado, composto por microsporófilos imbricados e dispostos helicoidalmente, no qual se observam grãos de pólen do género Classopollis. O achado enquadra-se no género Classostrobus (porque produzia pólenes do género Classopollis) e foi descrito como Classostrobus amealensis, derivando o restritivo específico do nome da pequena localidade de Ameal, onde foi encontrado.

«As floras do Cretácico português são ricas em coníferas da família Cheirolepidiaceae (atualmente extintas) de grande importância para a compreensão das condições paleoclimáticas e dos ecossistemas em que viveram», explica Mário Miguel Mendes, investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) e professor da Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Nesta família enquadram-se os frenelopsídeos pertencentes aos géneros Frenelopsis e Pseudofrenelopsis. Atendendo ao que tem sido observado no registo fóssil, estas plantas tinham uma notável capacidade de adaptação, habitando uma ampla gama de habitats, desde ambientes semiáridos a áridos e, em certos casos, regiões interiores com condições mais amenas.

«A presença destes frenelopsídeos, mas, sobretudo, dos seus pólenes característicos atribuíveis ao género Classopollis, é um indicador chave de climas quentes, semiáridos ou áridos. A flora de Vale Cortiço é rica em restos de frenelopsídeos pertencentes às espécies Frenelopsis teixeirae e Pseudofrenelopsis dinisii, sendo a primeira, particularmente, abundante nos níveis fossilíferos de onde provém o novo cone masculino agora descrito. Portanto, além dos restos vegetativos, foi encontrada, agora, uma estrutura reprodutiva masculina», revela o especialista.

Mário Miguel Mendes já tinha estudado, com detalhe, a associação esporo-polínica desta jazida fossilífera e identificou pólenes que suspeitava pertencerem à espécie Classopollis martinottii. No entanto, e porque apenas os observou em microscopia ótica, optou por classificá-los dentro do género Classopollis e como espécie indeterminada.

«Os pólenes observados in situ foram estudados minuciosamente, através da técnica de microscopia eletrónica de transmissão. Os resultados obtidos permitiram concluir tratar-se da espécie Classopollis martinotii, o que significa que o novo cone, Classotrobus amealensis, produzia pólenes da espécie Classopollis martinottii. Todavia, o novo cone não se encontrava anexado a nenhum ramo vegetativo – Frenelopsis teixeirae ou Pseudofrenelopsis dinisii», esclarece o paleobotânico.

No entanto, conclui, «a predominância de fragmentos de Frenelopsis teixeirae, no mesmo nível fossilífero, e a organização dos estomas observada nas cutículas de Classostrobus amealensis, sugere que a espécie Frenelopsis teixeirae dava origem a cones da espécie Classotrobus amealensis que, por sua vez, produziam pólenes atribuíveis a Classopollis martinottii».

Este trabalho foi realizado em parceria com investigadores do Paleontological Institute of the Russian Academy of Sciences (Rússia), do National Museum Prague (República Checa) e do Naturalis Biodiversity Center (Leiden, Países Baixos), tendo recebido financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency.

O estudo será publicado no volume de maio da revista internacional Cretaceous Research e pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Timor-Leste - Bolseiros da Bolsa Sander Thoenes assumem compromisso de honrar legado do jornalista holandês morto no país

Quatro jornalistas de Timor-Leste e da Indonésia são os primeiros bolseiros da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa apoiada pelo Reino dos Países Baixos que promove o jornalismo ético, investigativo e independente. Após uma formação intensiva nos Países Baixos e encontros com instituições e redações de referência, os participantes assumem o compromisso de honrar o legado do repórter holandês assassinado em Díli, em 1999


Nas duas primeiras semanas de fevereiro deste ano, quatro jornalistas de Timor-Leste e da Indonésia, selecionados entre cerca de uma centena de candidatos, integraram a primeira edição da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa apoiada pelo Reino dos Países Baixos que promove o jornalismo ético, investigativo e de interesse público, perpetuando a memória do repórter holandês assassinado em Díli, em 1999.

Uma das selecionadas, Antónia Kastono Martins, jornalista e diretora do Diligente, em Timor-Leste, que destacou a importância da experiência. “É uma experiência muito rica, onde aprendi coisas novas, nomeadamente ferramentas e técnicas para melhorar o trabalho de investigação. Isso é muito importante para mim e para o nosso órgão de comunicação social, que pretende investir mais em reportagens investigativas”, afirmou.

Também Juan Robin, jornalista do Narasi, um conhecido órgão de comunicação social da Indonésia, sublinhou que o programa reforçou o seu sentido de responsabilidade perante o público. “Através da verificação de factos e de uma investigação informativa rigorosa e abrangente, conseguimos evitar a desinformação”, acrescentou.

A bolsa destacou igualmente a importância da ética e da responsabilidade no contexto digital. Retyan Sekar, jornalista do Kumparan, na Indonésia, salientou que ser jornalista na era digital exige uma postura crítica perante as novas ferramentas.

“Ser um jornalista responsável na era digital não significa apenas responsabilizar o poder, mas também utilizar a inovação digital, como a Inteligência Artificial, com pensamento crítico e responsabilidade ética”, partilhou.

“Para mim, esta bolsa de estudo é uma oportunidade para aprimorar as minhas competências de verificação de factos e de pensamento crítico, sempre que decidir produzir conteúdos para a minha plataforma”, afirmou Ricardo Valente Araújo, fundador da Gen Z Talk Timor-Leste, que cria conteúdos exclusivos dirigidos a jovens.

O legado de Sander Thoenes

Sander Thoenes foi um jornalista holandês que trabalhava na Indonésia em 1999 para o Financial Times, jornal britânico de referência.

Após 98,5% dos timorenses terem votado pela independência no referendo de 30 de agosto de 1999, foi destacado para cobrir a situação em Timor-Leste no período pós-consulta popular.

Os dias que se seguiram ao referendo ficaram marcados pelo medo e pela violência — um período conhecido como Setembro Negro. Registaram-se assassinatos, incêndios generalizados e deportações forçadas para a Indonésia. Sander Thoenes, então com apenas 30 anos, tornou-se uma das vítimas dessa tragédia.

Enquanto muitos procuravam fugir do conflito, Sander Thoenes, juntamente com outros jornalistas internacionais, deslocou-se para o território. Estiveram em Díli antes do referendo, mas foram expulsos logo após a votação devido à tensão que se seguiu. No entanto, com a entrada das forças australianas, os jornalistas aproveitaram para regressar ao território.

Thoenes chegou a Díli a 21 de setembro de 1999. No mesmo dia, pediu a um timorense que o conduzisse pela cidade, passando por Becora, considerada uma das zonas mais perigosas por ser um centro de presença militar indonésia. Apesar do alerta do condutor, decidiu avançar e acabou por ser morto em Becora, Díli.

“Percebemos que também podem silenciar-nos”

Para Step Vaessen, jornalista da Al Jazeera e amiga de Sander Thoenes, a sua morte representou um dia negro para o jornalismo.

“Foi um ponto de viragem para mim, porque percebi então que, enquanto jornalistas, não somos intocáveis. Eu achava que estava apenas a fazer o meu trabalho, a escrever uma história, e que não fazia parte da história. Mas, de repente, percebemos que também podem silenciar-nos, até para sempre”, confidenciou, recordando que também era jovem na altura.

Step Vaessen foi a primeira a propor a criação da bolsa, considerando que muitas pessoas ainda desconheciam a história do colega. Para si, a iniciativa pretende manter viva a memória de Sander Thoenes e dar continuidade ao seu legado, formando novos jornalistas comprometidos.

“Temos agora quatro a quem quisemos dar esta responsabilidade de continuar este trabalho. Há muito a discutir entre nós, porque temos de nos esforçar nesta carreira.”

Inspirados pela coragem e pelo impacto

Para Antónia Martins, a bolsa reforçou a necessidade de continuar a escrever com coragem, realizando investigações de forma cautelosa, ética e sustentada nas ferramentas adquiridas durante a formação.

Juan Robin afirmou que o legado de Sander Thoenes é claro: “produzir reportagens ousadas, impactantes e de grande relevância”. O próprio jornalista venceu recentemente um prémio com um vídeo-reportagem que expõe como a mineração de níquel na Indonésia é justificada em nome do bem público e da transição verde, quando, na prática, serve para extrair riqueza para elites, à custa da vida das populações, da saúde pública, do ambiente e da própria democracia.

Também Retyan Sekar afirmou sentir-se inspirada pela coragem de Sander Thoenes e motivada para se adaptar às mudanças no setor, “mantendo-me fiel a um jornalismo baseado em factos, na empatia e no interesse público”.

Ricardo compromete-se também a continuar a procurar a verdade e a produzir conteúdos escritos.

“Queremos mostrar às novas gerações de jornalistas o quão importante é continuar a nossa profissão e manter-nos fiéis aos factos, independentes, corajosos e firmes, tal como Sander Thoenes”, concluiu Step Vaessen.

Formação nos Países Baixos e contacto com instituições

Esta foi a primeira edição da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa da Foreign Policy Community of Indonesia, em colaboração com a Embaixada do Reino dos Países Baixos na Indonésia e a RNW Media.

Durante cinco dias, os bolseiros participaram num curso sobre jornalismo ético, impactante e corajoso no Centro de Formação em Media da RNTC, nos Países Baixos. Tiveram ainda oportunidade de visitar a Câmara Baixa dos Estados Gerais, órgão legislativo neerlandês, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde aprofundaram o conhecimento sobre o funcionamento do sistema político do país.

Os jovens jornalistas visitaram igualmente a Associação de Jornalistas Holandeses (NVJ) e reuniram-se com repórteres experientes na área da investigação, nomeadamente dos meios independentes Investico e Follow the Money.

O programa incluiu ainda visitas a órgãos de comunicação social de referência nos Países Baixos, como a NOS, serviço público de radiodifusão, e o de Volkskrant, jornal privado de circulação nacional e grande influência.

A experiência foi enriquecida pelo encontro com a família de Sander Thoenes, Peter e Eveline. Para Ricardo Araújo, este foi o momento mais inspirador, ao ouvir a história e os valores do jornalista holandês. As oportunidades de trocar ideias com jornalistas holandeses também lhe pareceram interessantes.

Juan Robin, por sua vez, destacou o momento de apresentação das ideias para futuros projetos com impacto público. “É memorável, porque consegui aplicar diretamente o valor da coragem de Sander Thoenes, algo que não pratico todos os dias”, partilhou. O jornalista espera poder produzir mais conteúdos de impacto, apesar dos desafios que a imprensa indonésia enfrenta atualmente.

O momento que mais inspirou Antónia Martins foi conhecer a história de um média independente e privado, dedicado exclusivamente à investigação. No início, não produzia notícias diárias, mas conseguiu sobreviver e atualmente conta com dezenas de jornalistas, publicando um artigo investigativo por dia. “O desafio deve ser enorme, mas mantiveram-se fiéis ao modelo que escolheram e conquistaram a confiança do público que os apoia, permitindo-lhes continuar a investigar e a escrever”, observou a jornalista.

Retyan Sekar também partilhou o seu momento mais memorável, quando conheceu os jornalistas de Timor-Leste e a família de Sander Thoenes. “Estamos ligados pela história, pela responsabilidade e, felizmente, por valores partilhados. É incrível pensar que este programa consegue reunir-nos, vindos de todos os cantos do mundo e de diferentes gerações, por causa do legado de um jornalista. Aquele momento fez-me perceber o quão poderoso pode ser o jornalismo na construção de ligações humanas.” In Diligente” – Timor-Leste


terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Portugal - Alumnus da Universidade do Porto recebe financiamento para travar doença de Alzheimer

Equipa liderada por Henrique Nogueira Pinto vai criar modelos laboratoriais mais realistas do cérebro humano, essenciais para testar novas terapias e compreender a doença


Aos 26 anos, Henrique Nogueira Pinto, antigo estudante do Mestrado Integrado em Bioengenharia (MIB) da Faculdade de Engenharia (FEUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, tornouse um dos nomes mais promissores da investigação em neurociências ao conquistar uma bolsa de um milhão de euros que lhe permitirá aprofundar, nos próximos quatro anos, o estudo do Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas.

A bolsa surge na sequência do trabalho inovador que o jovem investigador e atual estudante de doutoramento no prestigiado Amsterdam University Medical Center (UMC) tem desenvolvido nos Países Baixos, onde procura recriar em laboratório os vasos sanguíneos do cérebro humano, utilizando células de pessoas com e sem doença. O objetivo é compreender, com maior precisão, como funciona a barreira hematoencefálica, a estrutura que protege o cérebro, mas que também limita a entrada de fármacos, e de que forma esta se altera muito antes dos primeiros sintomas do Alzheimer.

Através da diferenciação de células estaminais induzidas e da criação de organoides cerebrais que integram vários tipos celulares, Henrique Nogueira Pinto estuda como os fármacos chegam ao cérebro e como atuam em condições normais e patológicas, abrindo caminho a diagnósticos mais precoces e terapias mais eficazes.

O financiamento agora atribuído através do Open Technology Programme do Dutch Research Council (NWO) permitirá transformar esta visão numa plataforma de investigação mais robusta: o montante será aplicado no seu pósdoutoramento, e na contratação de um estudante de doutoramento e dois assistentes de investigação, formando uma equipa dedicada ao desenvolvimento de um modelo inovador da barreira hematoencefálica, com maior capacidade preditiva do que os modelos atualmente disponíveis.

“Juntos, iremos criar um modelo com o qual será possível modelar doenças, em particular o Alzheimer, e testar fármacos com uma fiabilidade muito superior”, explica.

“A U.Porto deu-me a oportunidade de transformar a Ciência na minha vida”

A conquista desta bolsa não surgiu por acaso. E tudo começou há muito tempo, numa Universidade não muito distante… “Desde pequeno que sempre me senti atraído pelas coisas pequenas. A partir daí, surgiu o interesse pela Ciência e por descobrir o que o mundo é na realidade e o que cada coisa faz. A Universidade do Porto deu-me a oportunidade de agarrar nesse sonho e transformá-lo na minha vida. Desde o início do curso que senti que a U.Porto fornecia aos estudantes um ambiente de excelência a nível científico e académico”, confessava o então finalista de Bioengenharia num testemunho publicado pela U.Porto, em 2021.

Henrique destaca ainda o papel da FEUP na construção das bases que hoje sustentam o seu percurso científico. “No curso de Bioengenharia, a FEUP deu-me as ferramentas certas para desenvolver este projeto, não só a nível teórico, mas também estimulando o pensamento crítico e fomentando o ‘pensar fora da caixa’. A FEUP sempre apoiou os Núcleos de Estudantes, nomeadamente o Núcleo de Estudantes de Bioengenharia (NEB), do qual fiz parte em diferentes cargos e onde adquiri soft skills essenciais para conseguir esta bolsa, em particular o contacto com empresas, a liderança e a proatividade”.

Apesar das excelentes condições de trabalho que encontra nos Países Baixos, o investigador – quer desenvolver a sua tese de mestrado no i3S – Instituto de Investigação em Saúde da U.Porto – acompanha de perto a realidade científica portuguesa. Reconhece o enorme potencial académico do país e a reputação internacional dos investigadores portugueses, mas lamenta a falta de investimento que continua a empurrar talento para o estrangeiro.

“Portugal possui um enorme potencial académico. Os investigadores portugueses são muito bem vistos no estrangeiro, acima de tudo pela nossa capacidade de solucionar problemas, a nossa vontade de trabalhar, e a nossa excelente educação. Contudo, devido à falta de investimento governamental para a investigação, estes investigadores altamente capacitados decidem deixar o país em busca de melhores condições e recursos científicos. Ainda assim, Portugal é cada vez mais competitivo no panorama europeu e apresenta propostas de elevado valor em diversas bolsas europeias, como as ERC e as Marie Curie, devido à qualidade dos nossos investigadores”, nota Henrique Nogueira Pinto.

Quanto ao futuro, o alumnus da U.Porto mantém o foco na investigação translacional, sempre em articulação com hospitais e empresas. “Para já, desejo continuar no ambiente académico, mas sempre em investigação translacional, em colaboração com hospitais e empresas. Após este pós-doutoramento, em princípio irei rumar a outro país para consolidar a minha linha de investigação. Depois, tenciono voltar para Portugal e prosseguir com a minha carreira académica, sem fechar portas a outras oportunidades que poderão aparecer pelo caminho, mas sempre com regresso a casa marcado”. Universidade do Porto - Portugal



sábado, 13 de setembro de 2025

Europa – Países Baixos adere ao boicote do Festival Eurovisão da Canção 2026 devido à participação de Israel

A emissora pública holandesa, AVROTROS, confirmou que os Países Baixos juntar-se-á à Eslovénia, Islândia, Espanha e Irlanda no boicote ao Festival Eurovisão da Canção do ano que vem se Israel estiver envolvido


A emissora holandesa AVROTROS anunciou que boicotará o Festival Eurovisão da Canção do ano que vem se Israel for incluído na competição, juntando-se assim à Eslovénia, Islândia, Espanha e Irlanda no boicote do evento caso a União Europeia de Radiodifusão (EBU) mantenha Israel na programação.

Num comunicado, a AVROTROS afirmou: “O Festival Eurovisão da Canção foi fundado em 1956 para unir as pessoas após um período de profunda divisão e guerra. Desde a sua criação, há setenta anos, a música tem sido o cerne do Concurso como uma força unificadora, tendo a paz, a igualdade e o respeito como seus valores fundamentais.” No entanto, a emissora continuou afirmando que “não poderia mais justificar a participação de Israel na situação atual, dado o severo e contínuo sofrimento humano em Gaza”.

Assim como a emissora irlandesa RTÉ, a declaração da AVROTROS também cita preocupações sobre a liberdade de imprensa e alegou que havia “evidências comprovadas de interferência do governo israelita” durante o concurso de 2025 , e afirmou que Israel usou o evento “como um instrumento político”.

E continuou: "O sofrimento humano, a supressão da liberdade de imprensa e a interferência política estão em desacordo com os valores da radiodifusão pública."

O anúncio da RTÉ desta semana também levantou preocupações sobre os ataques a jornalistas e a negação de acesso da mídia a Gaza.

No início desta semana, o Ministro da Cultura espanhol, Ernest Urtasun, pronunciou-se sobre a participação da Espanha no Festival Eurovisão da Canção do próximo ano. A Euronews Culture noticiou que a Espanha também ameaçou retirar-se do festival caso Israel seja mantido no alinhamento.

“Não acho que possamos normalizar a participação de Israel em eventos internacionais como se nada estivesse a acontecer”, disse Urtasun durante uma entrevista no programa La Hora de La 1, da TVE. “Não é um artista individual que participa, mas alguém que participa em nome dos cidadãos daquele país.”

Urtasun disse que se Israel participar em 2026 "e não conseguirmos expulsá-lo, medidas terão que ser tomadas" - conforme citado pelo jornal espanhol La Vanguardia  - e lembrou aos telespectadores que o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediu anteriormente à EBU que banisse Israel da competição internacional.

Em maio, Sánchez pediu à UER que excluísse Israel, afirmando que "ninguém se mostrou contrariado" quando a Rússia foi banida de competições internacionais e da Eurovisão após a invasão da Ucrânia. Ele pediu que a mesma proibição fosse aplicada a Israel devido à guerra de Gaza.

Urtasun especificou que não é antissemita denunciar o “genocídio” que está ocorrendo em Gaza e descreveu Israel como um “governo genocida”.

A Eurovisão está envolvido em tensões políticas sobre a participação de Israel há dois anos, e os países mencionados juntam-se a mais de 70 ex-participantes da Eurovisão que assinaram uma carta aberta exigindo que Israel e a sua emissora nacional KAN sejam banidos do concurso. 

O vencedor do Eurovisão do ano passado, o cantor austríaco JJ, disse que também quer que Israel seja banido do Festival Eurovisão da Canção 2026.

A EBU estendeu o seu prazo de retirada sem penalidades até dezembro, quando uma decisão final sobre a participação de Israel é esperada na Assembleia Geral.

Desde o ataque do Hamas a cidadãos israelitas em 7 de outubro de 2023, vários especialistas em direitos humanos da ONU  declararam que as ações militares de Israel em Gaza equivalem a genocídio, com o Tribunal Internacional de Justiça considerando as alegações de genocídio plausíveis. 

No mês passado, a Classificação da Fase de Segurança Alimentar Integrada anunciou que a população da Faixa de Gaza está oficialmente enfrentando uma fome "provocada pelo homem" no território — apesar do que o governo israelita disse.

A edição de 70.º aniversário da Eurovisão acontecerá em Viena, Áustria. A final acontecerá em 16 de maio, após as semifinais em 12 e 14 de maio de 2026. Euronews.culture


domingo, 31 de agosto de 2025

Países Baixos - Evento celebra ligação de Jan Slauerhoff a Portugal

A cidade de Leeuwarden, nos Países Baixos, vai receber a 7 de setembro um mini-festival dedicado ao poeta neerlandês Jan Slauerhoff (1898-1936) e à sua forte ligação a Portugal. O evento terá lugar na Biblioteca dBieb, entre as 13h30 e as 17h00 (hora local), e promete uma tarde de literatura, música e sabores portugueses

O programa inclui uma palestra do Dr. Arie Pos, especialista na obra de Slauerhoff, centrada no “mundo português” do poeta, leituras conduzidas pelo artista Simon Mulder e um momento musical com a fadista Maria de Fátima, radicada nos Países Baixos desde 1981 e reconhecida pela divulgação do fado na Europa.

A fadista foi condecorada em 2016 com a Ordem do Infante D. Henrique, atribuída pelo Presidente da República, em reconhecimento pelo seu papel na difusão do fado e da cultura portuguesa além-fronteiras, com especial destaque nos Países Baixos, na Bélgica e na Alemanha.

A iniciativa contará ainda com a presença da Embaixadora de Portugal junto dos Países Baixos, Clara Nunes dos Santos, e haverá uma mostra de petiscos portugueses, evocando assim não só a dimensão literária como também a dimensão cultural do encontro.

Jan Slauerhoff, que exerceu como médico de navio, destacou-se pela sua obra marcada pelo espírito viajante e pela paixão pela cultura portuguesa e mediterrânica, sentindo-se muitas vezes mais em casa em Lisboa do que no seu próprio país.

Encontre aqui mais informações e bilhetes (9 euros) para o evento. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 1 de julho de 2025

Internacional - Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental liderou expedição à maior montanha submarina europeia

Campanha científica internacional para mapear e caracterizar o monte Gorringe integrou nove investigadores, seis dos quais são da Universidade do Porto


O Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) liderou este mês uma expedição ao mar profundo na área do monte submarino Gorringe, a maior montanha submarina portuguesa e europeia. A campanha, realizada no âmbito do projeto europeu TwinDEEPS, integrou uma equipa de nove investigadores, seis dos quais do CIIMAR, tendo ainda utilizado um veículo subaquático operado remotamente (ROV) português, pertencente à Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental – EMEPC.

A viagem a bordo do navio de investigação NIOZ RV Pelagia, do Royal Netherlands Institute for Sea Research (NIOZ, dos Países Baixos), partiu do porto de Las Palmas para o Gorringe no dia 3 de junho e terminou a 16 de junho, no Terminal do Porto de Leixões, onde há dias decorreu uma sessão de apresentação dos resultados preliminares da expedição. A paragem em Matosinhos permitiu ainda dar a conhecer a outros investigadores do CIIMAR, bem como a várias entidades com interesse no projeto, o navio e o ROV utilizado nesta expedição.

O mar profundo representa, refira-se, 98% da Zona Económica Exclusiva Portuguesa, sendo uma área de grande relevância para a Estratégia Nacional para o Mar 2030, que pretende equilibrar o desenvolvimento económico e social com a sustentabilidade dos recursos marinhos nacionais. Já o projeto TwinDEEPS tem como principal objetivo alavancar a capacidade de investigação nacional na área da exploração e observação em mar profundo, ligando o CIIMAR a três centros de excelência internacional: o norueguês IMR, o NIOZ dos Países Baixos e o AWI, da Alemanha. O projeto visa capacitar uma nova geração de investigadores e gestores de ciência altamente qualificados, com impacto na partilha e transferência de conhecimento e de tecnologia avançada entre as instituições parceiras.

Foi neste contexto que o CIIMAR liderou, juntamente com o NIOZ, a mais recente expedição ao banco submarino Gorringe. A campanha científica surgiu na sequência de um conjunto de workshops de planeamento, liderança e gestão de dados de campanhas oceanográficas também organizados no âmbito do TwinDEEPS, o qual permitiu já formar 11 investigadores e gestores de ciência de instituições portuguesas.

Os objetivos da campanha

Furu Mienis , do NIOZ, que liderou a campanha com a investigadora Joana Xavier (CIIMAR), aponta como principais objetivos da viagem “o mapeamento e a caracterização da biodiversidade do fundo marinho e da coluna de água, bem como a recolha de informação ambiental que nos permite compreender melhor o funcionamento deste grande ecossistema e dos seus diferentes habitats”. A expedição permitiu documentar a presença, distribuição e comportamento de várias espécies de megafauna, nomeadamente de baleias, aves e tartarugas marinhas, tendo sido ainda avaliada a diversidade de comunidades microbianas na coluna de água e caracterizada a sua estrutura físico-química e a disponibilidade de nutrientes. Adicionalmente foi também avaliada a extensão da influência humana no Gorringe, incluindo o impacto do lixo marinho e de contaminantes emergentes.

“Nos últimos anos houve um grande esforço por parte da comunidade científica para estudar este banco submarino. Esta campanha vem complementar esse trabalho, focando-se nas zonas mais profundas do Gorringe (entre os 500 e os 3000 metros de profundidade), implementando uma abordagem multidisciplinar que recorreu à mais avançada tecnologia de exploração e observação oceânica dos dois países”, refere Joana Xavier, coordenadora do projeto TwinDEEPS.

Todos os dados e amostras serão tornados públicos e disponibilizados às autoridades nacionais com competências na gestão e conservação da biodiversidade marinha. Entre estas, destaca-se o ICNF, que está a desenvolver o plano de gestão desta Zona Especial de Conservação integrada na Rede Natura 2000. “Esperamos que os dados e o conhecimento gerados no âmbito desta campanha venham a apoiar esse processo e, com isso, contribuam para a proteção deste hotspot de biodiversidade, de valor natural excecional no Norte Atlântico”, explica Joana Xavier.

Situado a aproximadamente 240 quilómetros a sudoeste do cabo de São Vicente, o Banco Gorringe é uma impressionante cadeia montanhosa submersa que se estende por cerca de 180 quilómetros de comprimento e 60 de largura. Esta estrutura eleva-se do fundo oceânico, a cerca de 5000 metros de profundidade, até atingir um planalto situado entre os 200 e os 300 metros; já os montes Gettysburg e Ormonde estão apenas a 60 e a 25 metros da superfície, respetivamente. Este banco submarino é amplamente reconhecido como um oásis de biodiversidade marinha, onde se encontram inúmeras espécies e habitats de grande importância de conservação, nos quais se alimentam e reproduzem jardins de esponjas e corais, peixes, mamíferos e aves marinhas. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 21 de abril de 2025

Países Baixos - Aberta "Casa de Angola" no país

A “Casa de Angola” no Reino dos Países Baixos foi aberta, no último sábado, em Roterdão



O projecto levado a cabo pelo Consulado Geral de Angola em parceria com empresários nacionais residentes naquela país vai servir como um centro cultural e integração de cidadãos angolanos na diáspora.

De acordo com uma nota, enviada ao JA Online, a cerimónia de abertura contou com diplomatas, membros da comunidade angolana residente nos Países Baixos e arredores, representantes de comunidades estrangeiras, em especial a comunidade Cabo Verdiana e actuação do ícone da música angolana “Bonga Kwenda”, refere a mesma fonte. In “Jornal de Angola” - Angola


segunda-feira, 7 de abril de 2025

Portugal - Arquitetos paisagistas da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto conquistam prémio internacional

Equipa da Faculdade de Ciências venceu a maior competição internacional para futuros arquitetos paisagistas, na categoria "Universidades"



Uma equipa de estudantes e docentes de Arquitetura Paisagista da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) acaba de conquistar o prémio – na categoria “Universidades” – da Streetlife Design Competition, a maior competição internacional para futuros arquitetos paisagistas.

Podiam competir na categoria “Universidades” as instituições de ensino que participem com três ou mais equipas. Desta forma, o trabalho coordenado pelos docentes da FCUP, José Miguel Lameiras e Paulo Farinha Marques, com as propostas finalistas “STREAM – Renaturalizing Riguinha to Protect Matosinhos beach”, “The Thread of Life” e “The Human Scale”, destacou-se das demais universidades concorrentes e conquistou a atenção do júri internacional do concurso, que analisou todos os trabalhos de forma anónima.

As candidaturas agora premiadas realizaram-se no âmbito de duas unidades curriculares do Mestrado em Arquitetura Paisagista. Com arranque na UC de Projeto de Estruturas Verdes Urbanas, de Paulo Farinha Marques, continuaram a ser desenvolvidos, em maior detalhe, numa UC de projeto apoiado por tecnologias digitais: Tecnologias de Informação em Planeamento e Projeto, de José Miguel Lameiras, na qual estudantes puderam testar os seus trabalhos ao nível do olho humano, com recurso à realidade virtual.

As propostas desenvolvidas

Neste concurso, os concorrentes devem escolher um “espaço perdido” – um local que necessite de intervenção – e apresentar uma proposta para o melhorar.  O bairro da “Biquinha”, em Matosinhos, foi um desses locais. O “The Human Scale“, de Carolina Gonçalves, João Ferreirinha, Margarida Sousa, Pedro Magalhães e Sofia Marçal, propôs uma nova estrutura para melhorar a acessibilidade e mobilidade dos moradores deste bairro, tornando o espaço mais agradável e confortável.

Já o “STREAM – Renaturalizing Riguinha to Protect Matosinhos beach“, dos estudantes Beatriz Coelho, Diogo Lopes, Luís Barbosa, Márcia Lopes e Margarida Madureira teve como objetivo resolver os problemas de poluição no solo e na água da Ribeira da Riguinha, junto à praia de Matosinhos, utilizando Soluções de Base Natural.

A pensar no mesmo local, os autores do “The Thread of Life” – Ana Tavares, Luís Castro, Maria Rodriguez, Margarida Baptista e Rúben Pinto –  propuseram uma ponte sob a Ribeira da Riguinha que serve a comunidade e liga os bairros por onde passa este curso de água.

Na cerimónia de entrega de prémios, que decorreu em Leiden, nos Países Baixos, no dia 28 de março, esteve presente José Miguel Lameiras, que apresentou os vários projetos em representação das equipas da FCUP.

Para o docente, que após a apresentação ouviu também elogios do júri, o método de ensino utilizado na FCUP, com a realidade virtual, foi determinante para o sucesso das candidaturas e atribuição do prémio.

Na edição deste ano, foram apresentadas 86 propostas de várias instituições de ensino de dentro e de fora da Europa. Esta é a segunda vez que uma equipa da FCUP é premiada no âmbito desta competição. Em 2023, estudantes da FCUP conquistaram o 2º lugar do prémio individual com uma proposta de uma “ligação dourada” para o Campo Alegre. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 24 de março de 2025

Portugal - Startup da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto lidera projeto para criar airbag de satélites

A startup da UPTEC vai desenvolver um dispositivo inovador que acelera a remoção de satélites inativos da órbita terrestre



O consórcio internacional liderado pela SpaceO, startup incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, venceu o contrato para o desenvolvimento de uma nova tecnologia de recolha de satélites em fim de missão e lixo espacial.

O projeto SWIFT (Spacecraft With Inflatable Termination), orçamentado em 3 milhões de euros e que conta com o apoio da Agência Espacial Europeia (ESA), prevê o lançamento no espaço de uma vela de arrasto insuflável para acelerar a desorbitação e garantir um ambiente espacial mais sustentável.

O SWIFT foi concebido para se tornar o equipamento padrão a bordo de todos satélites a serem lançados no futuro. “Atualmente, os satélites completam a sua missão e permanecem na órbita terrestre durante décadas, agravando o problema dos detritos espaciais,” sublinha João Pedro Loureiro, fundador da SpaceO.

O processo de remoção de satélites inativos – e existem cerca de 9900 a sobrevoar a Terra – pode demorar décadas. “A nossa tecnologia permitirá que, no futuro, os satélites sejam desintegrados de forma controlada – uma vez obsoletos iniciam uma trajetória descendente que os fará incandescer e desintegrar – contribuindo para reduzir o lixo espacial”, acrescenta o responsável da empresa.

O sistema tem dimensões compactas, ocupando apenas 100 mm3, e quando ativado insufla uma vela de arrasto de 1,5 m2 capaz de “abraçar” satélites do tipo 12U até 24 quilogramas de peso. “Embora tenha sido inicialmente concebido para pequenos satélites, o design o SWIFT é escalável e poderá ser adaptado para satélites de maior porte e até constelações de satélites,” refere Pedro Miguel Carneiro, co-fundador da SpaceO.

SpaceO: líder de consórcio multinacional europeu

A SpaceO vai liderar ambas as fases do projeto SWIFT: a fase de desenvolvimento em solo e a fase de lançamento e experimentação orbital. “Quando tudo estiver concluído em 2028, é muito provável que o lançamento do SWIFT seja feito nos Estados Unidos pela SpaceX,” esclarece João Pedro Loureiro.

O consórcio liderado pela SpaceO integra mais três empresas europeias: a luxemburguesa GomSpace, a francesa SpaceLocker e a neerlandesa SolidFlow.

A SpaceO recebeu, em 2023, financiamento da Portugal Ventures no âmbito da call INNOV-ID. Universidade do Porto - Portugal