Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 31 de outubro de 2026

Projecto Macau-Lisboa quer formar médicos para uma realidade dominada pela Inteligência Artificial

O director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (UL) afirmou que o curso conjunto com a futura Faculdade de Medicina da Universidade de Macau (UM) pretende formar médicos preparados para uma realidade transformada pela inteligência artificial (IA).


Durante o 1.º Simpósio Conjunto entre as faculdades de medicina da UM e da UL, realizado em Macau, João Eurico Fonseca considerou que o principal desafio do novo projecto passa por preparar profissionais para um sistema de saúde cujo futuro ainda é incerto.

“Temos um problema em todo o mundo nas escolas médicas. A medicina está a evoluir muito mais depressa do que as faculdades de medicina. Estamos sempre a tentar alcançar essa evolução”, afirmou.

Segundo o responsável, a nova escola médica deve ser concebida já a pensar nas necessidades da próxima década, quando os primeiros diplomados iniciarem a actividade profissional.

“O desafio é educar médicos para uma medicina que, na verdade, não sabemos exactamente como será quando eles forem médicos”, afirmou. “Se tudo correr bem, em 2028 teremos os primeiros estudantes e, em 2034, os primeiros médicos. O que vamos precisar nessa altura?”, questionou.

Fonseca apontou quatro grandes factores que estão a transformar a prática clínica: a IA e a medicina digital, os avanços da medicina de precisão e das terapias avançadas, o envelhecimento populacional e a crescente pressão sobre os sistemas de saúde.

“Na medicina, a IA é ainda mais relevante do que no quotidiano”, afirmou o também director do Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, defendendo que os futuros médicos terão de compreender tanto o potencial como os limites destas tecnologias.

O director da Faculdade de Medicina da UL destacou ainda o impacto do aumento da esperança média de vida, que em Macau ronda os 84 anos, uma das mais elevadas do mundo, associado ao crescimento do volume de doenças crónicas e de múltiplas patologias que exigem tratamento.

“Isso cria uma enorme pressão sobre os sistemas de saúde. É o que acontece em todo o mundo”, disse, referindo como exemplos o Hospital Conde de São Januário, em Macau, e o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Embora a aposta em tecnologia e inovação seja central no novo currículo, Fonseca sublinhou que as competências humanas continuarão a ser essenciais na formação médica.

“Ninguém aceitará uma prescrição, um diagnóstico ou uma cirurgia se não houver envolvimento humano”, afirmou. “Se não sentirem empatia e compaixão, essa relação não funciona.”

Outra prioridade será estimular a capacidade de investigação e pensamento crítico dos estudantes.

“Queremos que façam melhores perguntas”, afirmou. “Queremos que sejam capazes de avaliar criticamente a evidência científica e compreender o percurso que vai da descoberta ao benefício para o doente.”

Fonseca acrescentou que o modelo pedagógico prevê contacto precoce com doentes, utilização intensiva de simulação clínica e uma estreita articulação entre ensino, investigação e prestação de cuidados de saúde.

“Não existe espaço para o Dr. House”, afirmou, numa referência à popular série televisiva. “Na realidade, não temos médicos que sabem tudo. Temos equipas que trabalham em conjunto e isso tem de ser incutido desde cedo nos jovens médicos.”

O responsável destacou ainda o potencial da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau como ambiente privilegiado para a formação médica e para a investigação biomédica.

“Estamos na Grande Baía. São 80 milhões de pessoas, inovação produzida todos os dias, patentes em todas as áreas tecnológicas que possamos imaginar”, afirmou. “Esta faculdade fica dentro de um ambiente fantástico.”

Segundo Fonseca, a colaboração entre Lisboa e Macau deverá estender-se muito para além do ensino, através da mobilidade de docentes, investigação conjunta e desenvolvimento de novos programas académicos. “Já existem três projectos de investigação a decorrer”, revelou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Macau - Faculdade de Medicina vai apoiar aprendizagem de Português

Os alunos da futura Faculdade de Medicina da Universidade de Macau (UM) vão poder aprender português durante o curso, facilitando o acesso à profissão em Portugal, disse à Lusa o director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (UL).

João Eurico Fonseca indicou que o programa conjunto entre a UM e a UL se encontra na fase final de acreditação externa pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), após uma recente visita da entidade avaliadora.

“O curso está previsto abrir em Agosto de 2028, para o ano escolar 2028-2029”, afirmou à margem do 1º Simpósio Conjunto entre a Faculdade de Medicina da UM e a Faculdade de Medicina da UL.

A UM está a construir em Hengqin a sua primeira faculdade pública de medicina, integrada num novo campus. A nova faculdade deverá ter capacidade para acolher até 4000 estudantes, e segundo Fonseca, toda a estrutura organizativa do programa está já definida e as obras decorrem de acordo com o previsto.

O responsável explicou que o diploma conjunto permitirá aos graduados obterem reconhecimento imediato em Portugal através da UL. “O diploma vem da Universidade de Lisboa, é imediatamente reconhecido. Claro que, para exercer medicina [em Portugal], é necessário ter um nível mínimo do domínio da língua portuguesa”, explicou.

Fonseca considerou que a própria UM oferece condições favoráveis para os estudantes que pretendam seguir esse percurso profissional. “Há estudos de língua portuguesa e vai ser possível a quem o quiser aprender português enquanto está a fazer o curso de medicina”, disse.

Segundo o responsável, embora alguns alunos possam já entrar no curso com conhecimentos de português, mandarim e inglês, a universidade dispõe dos recursos necessários para apoiar aqueles que pretendam adquirir competências linguísticas que lhes permitam mais tarde exercer em Portugal ou até noutros países europeus.

O director sublinhou, no entanto, que a prioridade da nova faculdade será responder às necessidades de Macau. “Macau precisa de médicos e esta faculdade vai formar médicos para Macau”, afirmou.

Segundo explicou, os candidatos provenientes do território deverão ter prioridade no acesso ao curso, aumentando a probabilidade de os diplomados permanecerem no sistema de saúde local.

Fonseca destacou também o papel que será desempenhado pelo Centro Hospitalar Conde de São Januário e pelo novo Macau Union Hospital na formação dos alunos, e estão a ser estabelecidas colaborações com ambas as instituições, que irão apoiar o ensino através de formação clínica e utilização de tecnologias de simulação.

“O Hospital Conde São Januário tem de facto uma actividade clínica muito viva, muito intensa, que é óptima para o treino nas fases finais de um médico”, afirmou o também director do Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria.

O médico afirmou ter ficado particularmente impressionado com o funcionamento do serviço de urgência do hospital público do território, apesar da forte pressão assistencial.

“Os números não são muito diferentes dos números do Serviço de Urgência do Hospital de Santa Maria e foi feito um investimento muito inteligente para estruturar as vias internas dos doentes, os circuitos dos doentes”, explicou.

“O serviço médico em Macau é já muito bom e eu acho que esta Faculdade de Medicina vai torná-lo excelente”, afirmou.

Paralelamente à criação da nova licenciatura em Medicina, a UL está a liderar o desenvolvimento de um mestrado internacional destinado a acelerar a transferência dos resultados da investigação biomédica para a prática clínica.

Fonseca revelou à Lusa que o programa está actualmente na fase de instalação e criação, no âmbito da iniciativa europeia Erasmus Mundus. Além da UL, o curso envolverá a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM) e a Universidade Humanitas, em Milão.

O programa terá a duração de dois anos e pretende aproximar profissionais provenientes da medicina e de outras áreas científicas relacionadas. “Visa criar uma linguagem comum em pessoas que têm licenciaturas ou em medicina ou outras áreas próximas”, afirmou.

Segundo Fonseca, o objectivo é formar especialistas capazes de servir de ligação entre a investigação científica e a prática clínica, acelerando a transformação das descobertas feitas nos laboratórios em diagnósticos, tratamentos e benefícios concretos para os doentes. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Brasil - É destaque em relatório sobre avanço da restauração da natureza no mundo

Estudo da ONU revela que 252 milhões de hectares estão a ser restaurados, no maior esforço já visto para salvar a biodiversidade. O Brasil tem 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação e está a conseguir assegurar o retorno de espécies que estavam ameaçadas de extinção


O mundo está a realizar, neste momento, o maior esforço global já documentado de restauração da natureza com 252 milhões de hectares sendo recuperados em 149 países. Além de beneficiar plantas e animais, a iniciativa está a gerar um milhão de empregos verdes.

Mas para alcançar a meta acordada entre os países, de restaurar mil milhões de hectares até 2030, o financiamento precisa quadruplicar e o ritmo das ações deve ser mais rápido com um foco em ecossistemas de água doce, marinhos e costeiros.

Retorno de onças-pintadas e micos-leões-de-cara-dourada no Brasil

O Relatório de Progresso da Restauração: O Retorno da Natureza, divulgado nesta quinta-feira, é a primeira avaliação abrangente do progresso dos países na recuperação da biodiversidade.

O documento inclui iniciativas de sucesso no Brasil como a recuperação da Mata Atlântica, em parceria com o Paraguai e Argentina. Mais de 300 organizações estão a restaurar a paisagem, criando corredores ecológicos para espécies ameaçadas de extinção.

O projeto, conhecido como Pacto Trinacional da Mata Atlântica, é reconhecido como uma das 35 Iniciativas de Referência da ONU para a Restauração Mundial e está a assegurar o retorno de onças-pintadas e micos-leões-de-cara-dourada à Mata Atlântica brasileira. As ações já estão a contribuir para salvar 700 mil hectares de floresta no caminho para restaurar 1 milhão até 2030.

No país como um todo, os sistemas de satélite e monitorização indicam que 3,4 milhões de hectares estão a ser recuperados.

Reconhecimento do papel dos povos indígenas

O relatório está a ser lançado na metade da Década da Restauração de Ecossistemas, um esforço global criado pela ONU em 2021, sob liderança do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e pela Organização da ONU para Alimentação e Agricultura, FAO, que também são responsáveis pelo relatório.

Dentre as fontes de dados utilizadas estão os documentos nacionais apresentados pelos países no marco da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Apesar da contribuição significativa dos Povos Indígenas para a gestão dos ecossistemas, apenas duas nações, Brasil e Iêmen, relataram a existência de áreas em processo de restauração em territórios indígenas nos seus relatórios nacionais.

Os povos indígenas administram ou detêm direitos de posse sobre pelo menos 3,9 mil milhões de hectares de terra ao redor do globo, o que representa mais de um quarto da superfície terrestre do planeta. Estas áreas abrangem cerca de 40% de todas as zonas protegidas e paisagens ecologicamente intactas.

Iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre alcança US$ 7,8 mil milhões

O Brasil também é reconhecido por liderar a iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre, Tfff, na qual os rendimentos do capital aportado pelos patrocinadores são usados para financiar a manutenção e restauração das matas em países com florestas tropicais.

Até o encerramento da 30.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas, COP30, realizada em 2025 no Brasil, mais de US$ 6,7 mil milhões haviam sido prometidos frente a uma meta inicial de US$ 25 mil milhões. A meta total de capitalização é de US$ 125 mil milhões.

Compromissos recentes, como dos Países Baixos, em 26 de outubro, e do Reino Unido, no mês passado, elevaram a captação para US$ 7,8 mil milhões. No momento, o mecanismo está a ser copresidido pelo Brasil e pela Noruega.

Restauração ajuda a enfrentar os maiores desafios globais

O relatório do Unep e da FAO ressalta que restaurar 15% das áreas prioritárias no mundo poderia evitar 60% das extinções projetadas de espécies. Também poderia absorver grandes quantidades do gás dióxido de carbono, CO², que aquece o planeta, uma função crucial para manter o aquecimento global abaixo de 2°C.

Ao mesmo tempo, a agrofloresta, que combina árvores com culturas ou gado, poderia melhorar a segurança alimentar de 1,3 mil milhões de pessoas.

A coordenadora da Divisão de Ecossistemas do Pnuma, Natalia Alekseeva, destaca que restaurar ecossistemas degradados está entre as formas mais eficazes de enfrentar alguns dos maiores desafios do mundo.

Segundo ela, as ações de restauração podem reverter a perda de biodiversidade, ajudar as comunidades a se adaptarem às alterações climáticas, produzir alimento suficiente para uma população global em rápido crescimento e garantir meios de subsistência. Felipe de Carvalho – Brasil ONU News


Cabo Verde - Natacha Magalhães regressa aos livros infantojuvenis com “O dia em que tudo mudou”

Cidade da Praia – A nova aposta literária infantojuvenil da escritora cabo-verdiana Natacha Magalhães, O dia em que tudo mudou, lançada na sexta-feira, 30 de Outubro, anunciou a escritora, após uma paragem de nove anos neste género literário.


Em declarações à Inforpress, Natacha Magalhães explicou que o livro reúne três contos - “Uma poderosa coroa”, “Papá para sempre” e “Preciosa como tu” - que exploram “universos emocionais complexos e fundamentais” nesta fase de pré-adolescentes e adolescentes.

Conforme referenciou a escritora, o conto “Uma poderosa coroa” celebra a beleza e a identidade afrodescendente, onde a história ressalta a importância de aceitar as raízes e herança cultural.

No conto “Papá para sempre” aborda a mudança para uma nova vida e a força do amor paterno que se mantém presente apesar da distância.

Já a narrativa “Preciosa como tu”, focada na saúde mental e na autoestima, segundo a autora, aborda a superação da ansiedade e a descoberta do valor próprio.

“Eu quis de certa forma, dar esse contributo, trazer encontros temáticas que refletem os desafios, que é certo que os pré-adolescentes enfrentam. Que são temáticas que são viventes deles, fazem parte da realidade deles”, frisou.

A mesma fonte acrescentou que o processo criativo surgiu de histórias que foi ouvindo e que refletem “a realidade de muitos adolescentes”.

Segundo a autora, o livro traz um pouco de fantasia, diversão, mas também pedagógico, tratando-se de “um público mais crescido”, e que pode ser também acompanhado pelos encarregados de educação.

A obra tem o selo da Livraria Pedro Cardoso e marca o regresso da autora neste género literário, pois a sua última publicação infantojuvenil ocorreu em 2017 com a obra A Viagem mais fantástica do mundo. In “Inforpress” - Cabo Verde


sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Macau - Alunos de Coimbra poderão estagiar na função pública da Região

O Governo de Macau demonstrou interesse em receber na função pública estagiários dos programas de Administração Pública da Universidade de Coimbra (UC), revelou à Lusa um dirigente da instituição. O vice-reitor para Relações Internacionais e Alumni da UC, João Nuno Calvão da Silva, disse que reuniu na quarta-feira com o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng.


Calvão da Silva disse que “o objectivo primeiro” do encontro foi tentar garantir estágios na função pública de Macau para os estudantes da licenciatura e mestrado em Administração Pública da UC.

O dirigente defendeu que a possibilidade de os alunos terem em Macau “uma parte do seu percurso formativo” seria “bom para ambas as partes”, assim como “muito importante para a internacionalização da Universidade de Coimbra”.

Kong Chi Meng “mostrou vontade política de operacionalizar” o programa de estágios, confirmou Calvão da Silva, acrescentando que o seu interlocutor garantiu “flexibilidade para também encontrar as melhores soluções que sirvam” a Macau.

Macau conta com cerca de 34 mil funcionários públicos. As estatísticas oficiais não revelam quantos trabalhadores da função pública têm nacionalidade portuguesa, mencionando apenas que 226 nasceram em Portugal.

A Lusa pediu mais informações à DSEDJ e à Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, mas não obteve até ao momento qualquer resposta.

A ideia, explicou Calvão da Silva, é alargar a rede de estágios disponíveis para os estudantes de Administração Pública da UC, que já conta com mais de 90 entidades, não só em Portugal, mas também em outros países lusófonos. O dirigente revelou ainda que a UC ofereceu ao Governo de Macau a possibilidade de “jovens quadros qualificados da Administração Pública” da região chinesa poderem aceder à rede de estágios profissionais da instituição.

Calvão da Silva aproveitou ainda a viagem para “pôr em prática” um acordo com a Faculdade de Direito da Universidade de Macau (UM), patrocinado pela operadora de casinos MGM. O protocolo, válido durante quatro anos, prevê a realização anual de dois eventos científicos internacionais, um em Coimbra e outro em Macau, referiu o vice-reitor da UC.

“Em breve vai também ser concretizado com bolsas de investigação”, acrescentou Calvão da Silva, permitindo a estudantes de Direito da UC fazerem mestrados ou doutoramentos em Macau e vice-versa.

O dirigente falava à margem da abertura de uma conferência internacional para debater as reformas jurídicas de Macau, organizada em conjunto pela UC e pela UM, com juristas de Portugal, China continental, Angola, Moçambique e Brasil. A conferência é um exemplo do “diálogo entre culturas jurídicas”, que, defendeu Calvão da Silva “vai propiciar que Macau mantenha uma cultura jurídica de cruzamento entre Portugal e a República Popular da China”.

“O nosso ordenamento jurídico mantém uma profunda ligação histórica à tradição jurídica portuguesa”, sublinhou, na abertura do evento, o director da Faculdade de Direito da UM, Gabriel Tong Io Cheng.

Após a transição de administração em 1999, “foi assegurada a continuidade do sistema jurídico anteriormente vigente, que tem vindo a adaptar-se progressivamente às necessidades da sociedade”, disse Gabriel Tong.

Calvão da Silva disse acreditar que o sistema jurídico de Macau “perdurará muito para além do compromisso internacional” que “une” a região e Portugal “neste período transitório até 2049”.

Na abertura da conferência, também Ng Chi Kin, nomeado na quarta-feira director dos Serviços de Assuntos de Justiça, descreveu o direito de Macau como “uma ponte de ligação entre o direito chinês e português”. Ng defendeu que a reforma do Código do Procedimento Administrativo de Macau, actualmente em consulta pública, “não pode ser bem feita à porta fechada”, e beneficia das “visões dos juristas” de língua portuguesa.

A opinião foi partilhada pelo presidente da Associação dos Advogados de Macau, Vong Hin Fai, que apelou à “colaboração com instituições e juristas” da China e dos países lusófonos para “elevar os padrões” do direito administrativo. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Moçambique - Hipólito Sengulane lança duas obras literárias na cidade de Maputo

O escritor e vice-reitor da Universidade Save, Hipólito Sengulane, lança, no próximo dia 5 de Novembro, em Maputo, duas obras literárias intituladas Vidas Cruzadas em Tempo de Espera e Revelações do Mundo ao Corpo do Velho, esta última na sua segunda edição.


A sessão de lançamento está marcada para as 17h30, no Camões – Centro Cultural Português, e será moderada pelo escritor e jornalista Eduardo Quive, com leitura de excertos pela escritora Matilde Uelissene. As obras são publicadas pela editora Catalogus.

Em Vidas Cruzadas em Tempo de Espera, o autor apresenta diferentes personagens cujas trajectórias se cruzam num contexto marcado pela espera, esperança e desafios do quotidiano. A narrativa explora experiências de vida distintas, colocando em evidência sonhos, frustrações, expectativas e a procura de sentido para a existência.

Já em Revelações do Mundo ao Corpo do Velho, Sengulane aborda a velhice, a solidão e as memórias através de um protagonista que revisita as experiências acumuladas ao longo da vida, reflectindo sobre o tempo e a necessidade de registar aquilo que viveu e sentiu.

Embora apresentem abordagens distintas, as duas obras têm como ponto de convergência a reflexão sobre a condição humana, as relações, as memórias e as experiências que marcam a existência.

Hipólito F. M. Salomão Sengulane nasceu em 1962, em Zandamela, distrito de Zavala, província de Inhambane. É doutorado em Educação e Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no Brasil, e actualmente exerce funções de vice-reitor para a Área Académica da Universidade Save.

Com publicações nas áreas científica e literária, o escritor é autor de obras como História das Instituições de Poder Político em Moçambique, Uma História do Anglicanismo em Moçambique e Um Pulsar de Fel, entre outras. In “O País” – Moçambique”


Angola - Lidera África em dispositivos pirateados por hackers

O país é terreno fértil para cibercriminosos. A elevada detenção de botnets está relacionada com as vulnerabilidades técnicas ou falta de segurança no ciberespaço e baixa literacia. Angola funciona como um terreno fértil para os cibercriminosos, que usam os equipamentos cibernéticos como armas para atacar outras economias


Angola lidera a lista dos países africanos com maiores índices de detecção de botnets, ou seja, redes de dispositivos ligados à internet (como computadores, telemóveis, routers ou aparelhos de IoT) controlados à distância por criminosos, revela o relatório de Avaliação das Ciberameaças em África 2026 da Interpol, com base em dados de 36 países do continente.

As botnets são redes de equipamentos electrónicos controlados por cibercriminosos através de malware (software malicioso) e servem, muitas vezes, como um importante meio de propagação de ransomware, ataques que sequestram os ficheiros ou o sistema de uma vítima através de encriptação, exigindo o pagamento de um resgate para devolver o acesso. Os dados do relatório de avaliação resultam de um inquérito a 36 países, cruzado com telemetria de empresas privadas de segurança no espaço digital como Fortinet, Shadowserver, TrendAI e outras.

Os dados de botnet baseiam-se na telemetria do FortiGuard Labs (laboratório global de investigação de ameaças no ciberespaço). Angola tem o maior índice entre os 36 países, com 38% das detecções registadas nos países analisados pela Interpol. Esta percentagem corresponde às detecções registadas por sensores do laboratório e não à percentagem de dispositivos infectados, ou seja, representa o volume de comunicações maliciosas captadas.

Esta elevada detecção de botnets revela vulnerabilidades técnicas ou falta de segurança no ambiente digital, onde proliferam dispositivos IoT inseguros, equipamentos electrónicos como câmaras de segurança e routers ligados à internet com palavras-passe de origem ou firmware desactualizado, bem como sistemas operativos piratas ou obsoletos e o fraco uso de ferramentas de protecção básicas, como antivírus e firewall (barreira de protecção), o que acontece um pouco nos vários organismos públicos... In “Expansão” - Angola


Itália - Em Pompeia, o guarda-roupa de uma mulher ressurge com objetos de beleza e joias

Joias, moedas, ferramentas e cosméticos: um armário na casa de Cornélio Máximo dá vida ao cotidiano das mulheres de Pompeia antes da erupção do Vesúvio em 79 d.C.


O guarda-roupa de uma mulher da antiga Pompeia voltou à luz. Graças ao trabalho de arqueólogos, foi possível recuperar o interior de um armário que guardava objetos de uso quotidiano na casa IX 11, 7, ou casa de Cornélio Máximo, na área central da cidade soterrada pelo Vesúvio.

Ao observar esses objetos, é quase como se pudéssemos evocar a vida de uma mulher de Pompeia antes da destruição do sítio arqueológico em 79 d.C. Entre os achados, encontram-se utensílios de maquilhagem (pinça, espátula para misturar pigmentos), um balsâmico de vidro, um queimador de perfume para perfumar a casa, uma lâmpada de bronze, além de pesos de chumbo, provavelmente usados ​​para fins comerciais e guardados numa pequena caixa de madeira da qual restam apenas vestígios.

O que havia no guarda-roupa da mulher de Pompeia?

Vasos e potes de bronze, vidro e cerâmica também foram encontrados: objetos domésticos do dia a dia, mas talvez carregados de memórias, como no caso de uma elegante jarrinha decorada com motivos de escamas de pinheiro. Há também um colar composto por pelo menos 24 objetos em miniatura de faiança, osso, pasta de vidro e cristal de rocha, todos perfurados para suspensão e representando divindades (Bes e Mercúrio podem ser identificados), pés e mãos, pinhas e cachos de uva.

Segundo especialistas, esses colares eram por vezes considerados objetos "mágicos" usados ​​em feitiços e poções; na realidade, são o que se conhece como crepundia, literalmente "chocalhos": colares com amuletos que eram dados a crianças para as proteger, mas também para que pudessem ser ouvidas quando se moviam.

Não era incomum que os adultos também os guardassem, frequentemente em pequenas caixas ou, como neste caso, em sacos de pano dentro de guarda-roupas, aparentemente como lembranças de uma infância da qual pouco mais restava. O mundo romano era caracterizado por um alto grau de mobilidade geográfica em todos os níveis, desde escravos a ricos mercadores, de modo que muitas pessoas se viam vivendo longe de parentes e pais e dos lugares da sua infância.

O pequeno tesouro escondido no guarda-roupa

Outro segredo guardado no guarda-roupa descoberto durante a escavação é um pequeno tesouro de moedas: são 38 moedas, todas de bronze, preservadas numa "cistella", um pequeno recipiente feito de material vegetal utilizando técnicas de cestaria, cujos restos foram analisados ​​após serem recuperados durante a escavação. A presença das moedas, em particular, sugere que o(s) proprietário(s) não tiveram tempo de recuperar os objetos de valor, seja económico ou sentimental.


Se eles estivessem na cidade na época da catástrofe, teriam tentado fugir. Se conseguiram escapar, não teriam retornado para escavar sob os pisos em busca dos seus pertences, ao contrário de outros cujos esforços deixaram vestígios revelados por escavações recentes.

Mas talvez não tenham tido sucesso e possam estar entre aqueles que, como recorda o historiador Tácito, morreram sem herdeiros e cujos bens teriam sido usados ​​para a refundação de Pompeia, que, no fim, nunca aconteceu. Essas são questões destinadas a permanecer em aberto.

A dimensão humana do passado de Pompeia reconstruída.

"Pompeia não é apenas um lugar de grandes obras de arte; é também um lugar onde os objetos mais comuns revelam a dimensão humana do passado. O valor desta descoberta reside na possibilidade de ler em conjunto os diferentes vestígios de uma vida: hábitos pessoais, trabalho, memórias", afirma o diretor do Parque Arqueológico, Gabriel Zuchtriegel.

"Não podemos reconstruir com certeza a identidade da pessoa que morava na casa, mas esses fragmentos nos aproximam do seu quotidiano", acrescenta o diretor.


O que sabemos sobre a Casa de Cornélio Máximo

A escavação ajudou a esclarecer alguns aspectos da casa onde o guarda-roupa foi encontrado. A fachada da residência, provisoriamente atribuída a uma figura chamada Cornélio Máximo com base em inscrições agora invisíveis, já havia sido escavada em 1912. Somente agora, porém, parte dos cômodos atrás dela foi investigada, como parte do grande projeto de restauração e acessibilidade da adjacente Insula dei Casti Amanti.

Embora o nosso conhecimento sobre a casa ainda seja parcial, alguns dados muito interessantes vieram à tona: por um lado, as refinadas pinturas murais do Quarto Estilo no cómodo com o guarda-roupa, atribuíveis à oficina na Via di Castricio, indicam um certo padrão de vida, condizente com a posição central da casa, que tem vista para uma das principais vias da antiga cidade.

Por outro lado, na época da erupção, várias obras estavam em andamento, o que deve ter afetado consideravelmente a habitabilidade. Soma-se a isso a descoberta de pelo menos dois esqueletos de ratos, encontrados dentro de uma ânfora num mezanino. De acordo com análises realizadas no laboratório do parque, eles provavelmente pertenciam à espécie Apodemus sylvaticus, também conhecida como "rato-do-campo".

Ratos deste tipo normalmente vivem em ambientes naturais e jardins, de onde frequentemente invadem sótãos e depósitos em residências humanas na procura de alimento. Os dois espécimes encontrados em Pompeia não eram totalmente maduros, como indica o grau de desenvolvimento dos seus esqueletos (117 minúsculos fragmentos). A descoberta reforça a evidência da presença de roedores em outros contextos vesuvianos, como as dependências de serviço da vila suburbana de Civita Giuliana ou os esgotos de Herculano, e oferece a imagem de uma sociedade urbana que também tinha de lidar com visitantes indesejados. Euronews










quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Cabo Verde - Literatura: “Paixão e Capricho” retrata as curvas da vida numa narrativa inspirada em histórias reais

Cidade da Praia – O escritor Inácio Borges apresenta, na cidade da Praia, o livro Paixão e Capricho – As Curvas da Vida de Natanael, uma obra de ficção inspirada em histórias reais que aborda o amor, a dignidade humana e a liberdade individual.


Com 148 páginas, em formato A5, a obra tem Natanael como uma das personagens principais e acompanha diferentes episódios da sua vida, marcada por paixões, relações e acontecimentos que dão origem ao subtítulo “As Curvas da Vida de Natanael”.

A narrativa começa com a paixão que Natanael sentiu por Rosabela ainda no ensino pré-escolar. Já na idade adulta, pediu-a em casamento, mas o pai da jovem, uma personagem conhecida como Cabo-Chefe, recusou o pedido e mandou realizar um teste de “virgindade” à filha.

Sentindo-se ofendido e desprezado, Natanael decidiu nunca mais se aproximar de Rosabela. “Daí este título – Paixão e Capricho”, explicou o autor.

A história prossegue com o envolvimento de Natanael com Maria Eduarda, professora natural de São Vicente e sua colega de trabalho, colocada em Chã de Baxu, em Assomada, localidade fictícia da narrativa.

O percurso da personagem inclui ainda o serviço militar em Portugal e a participação na guerra em Angola, experiências que contribuem para os sucessivos acontecimentos e mudanças na sua vida.

“A sua vida teve muitas curvas”, referiu Inácio Borges, ao explicar o subtítulo da obra.

Apesar de se tratar de uma narrativa de ficção, o livro foi construído a partir de histórias reais vividas por terceiros e relatadas ao autor por outras pessoas, que as reuniu com pequenos episódios através de um processo de encadeamento narrativo.

Entre os temas abordados encontram-se o amor e a paixão, a religião, a crença nos finados, os remédios de terra, as formas tradicionais de conquista amorosa e a política.

Segundo o autor, a mensagem central da obra assenta na defesa da liberdade de escolha, de pensamento e de expressão, bem como na valorização da dignidade humana.

A escrita começou em 2014, em Portugal, durante o período de recuperação e tratamento na sequência de um acidente vascular cerebral (AVC). Desde então, o manuscrito passou por várias melhorias e correcções linguísticas, com o apoio de uma pessoa mais experiente no domínio da escrita.

Em 2016, o autor conseguiu estabelecer uma parceria com a Câmara Municipal do Tarrafal de Santiago, numa altura em que pretendia publicar a obra no âmbito das comemorações do 50.º aniversário da Independência de Cabo Verde.

Para Inácio Borges, a apresentação pública do livro representa a concretização de um sonho antigo e poderá abrir caminho à publicação de outros trabalhos que já escreveu e que aguardam a sua vez.

Editada pelo Sítio do Livro, a obra destina-se especialmente a adolescentes e jovens, embora a diversidade de temas abordados possa despertar também o interesse de adultos, professores, pais e leitores com diferentes convicções religiosas e políticas.

O lançamento aconteceu na Sala dos Munícipes da Câmara Municipal da Praia, no Plateau, com apresentação de José Pedro Nunes Soares e Paulo Veríssimo. In “Inforpress” – Cabo Verde


Brasil - Lula e o fim da Dinastia Bolsonaro

Não me lembro bem onde li, mas o autor, criticando a fuga do ex-candidato quase presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, ironizava o fato do 01 ter saído na surdina, escondido como um bandido, disfarçado em guarda-chuva. Realmente, sair do Brasil às escondidas não foi um ato de coragem mas de pura covardia, definindo seu caráter de um poltrão e medroso.

Fugiu só com o susto da Polícia Federal lhe ter pedido o passaporte, sem ter sequer começado um processo, mas temendo o fim de sua imunidade parlamentar ao terminar seu mandato de senador.

Felizmente, o criador da programada dinastia, o pai Jair, além de bronco e inculto, é nota zero em termos de articulação, previsão e programação política. Se tivesse entregado as rédeas da família ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, talvez o bolsonarismo não estaria hoje no necrotério. O raposão tinha dois outros candidatos, recusados por Jair, atraído pela ideia de criar no Brasil uma Dinastia Bolsonaro, capaz de ficar no poder por algumas dezenas de anos.

Felizmente para a democracia brasileira, a proposta de Valdemar do PL foi rejeitada. A dobradinha seria Tarcísio de Freitas, formação militar, entreguista e também golpista, com Michelle Bolsonaro como vice, a evangélica anti-feminista, que falava línguas estranhas na posse do terrivelmente evangélico André Mendonça, o vaidoso que encobriu sua calvície prematura com implante de cabelos, segurou o quanto pôde as investigações sobre as ligações de Flávio Bolsonaro (ou melhor Rachadinha) com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Seria difícil uma vitória de Lula sobre Tarcísio-Michelle. E a história seria outra: a do Brasil virar uma republiqueta, cujo primeiro ato seria o de libertar Jair e os depredadores do 8 de janeiro de 2023.

Valdemar, que já reconheceu a vitória de Lula, Michelle eleita senadora e Tarcísio reeleito e já pensando em 2030 sem compromisso com Jair, devem estar rindo. Jair, ao contrário, deve estar se mordendo, ao ver desmoronado seu ambicioso projeto de Dinastia e desfeita sua esperança de recuperar a liberdade em janeiro, subindo a rampa do Planalto com seu primogênito.

A ilusão de Flávio

Todos se lembram da ilusão e da vaidade de Flávio, julgando-se já eleito presidente com os resultados do Primeiro Turno. O molecão mimado, amigo de milicianos, mestre na arte da mentira e corrupção, já nomeava ministros e dizia - imagina-se com o apoio do ministro Nunes Marques - vou subir a rampa com meu pai. Seria uma reatualização de uma velha frase de Getúlio Vargas, que fez época e inspirou gerações de políticos: "a lei, ora a lei".

Mas nunca se deve contar com o ovo ainda na galinha! Para estragar o sonho bolsonarista, os idosos, cadeirantes, indecisos se mobilizaram no Exército de Lula, do André Janones e foram votar, derrotando o miliciano.

Disso, Flávio vai sempre se lembrar, sentado numa cadeira de preguiça numa praia protegida e privatizada de Miami, já naturalizado cidadão norte-americano logo depois de seu irmão Eduardo. Exceto, exceto se, depois do governo catastrófico de Trump, os democratas retornarem ao poder e retirarem os vistos de permanência dos Bolsonaros nos EUA, antes de se terem naturalizado norte-americanos!

Moraes e Dino esperando

Neste caso, repatriados os dois irmãos serão recebidos com foguetes e festas pelos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, para cumprirem as penas já pronunciadas em suas ausências. Talvez Tarcísio, se eleito em 2030, os liberte, inclusive o pai, mas sabe-se lá... Sem Tarcísio, em prisão especial ou domiciliar, serão esquecidos e se transformarão numa daquelas curiosidades da nossa história. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

Timor-Leste - Integra esforços regionais de promoção do investimento verde

Os Estados-membros da Asean apostam na atração de investimento em biocombustíveis, biomassa e combustível sustentável. Oportunidades de aprendizagem coletiva e de promoção do país junto de investidores constituem oportunidade para indústria verde


Pela primeira vez, os Estados-Membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático, Asean, apresentaram a região a investidores internacionais de setores-chave das indústrias verdes.

A iniciativa permite a Timor-Leste, o país de língua portuguesa do grupo, conectar os recursos agrícolas às cadeias de valor emergentes dos combustíveis sustentáveis. Com isto, Timor pode obter novas oportunidades económicas para as suas comunidades agrícolas.

Um potencial regional enorme

O Sudeste Asiático tem um forte potencial para atrair investimento em biocombustíveis, biomassa e combustível sustentável para a aviação.

A região com recursos agrícolas abundantes tem uma procura crescente de energia e mercados em rápido desenvolvimento, como informa a Comissão Económica e Social das Nações Unidas para Ásia-Pacífico, Escap.

A plataforma “Invest Asean” liga os investidores a oportunidades ao longo das cadeias de valor regionais, aproveitando o potencial das economias da Asean e o apoio coordenado das agências de promoção do investimento.

Timor-Leste aposta na transição responsável

O responsável pelas relações externas do instituto público “TradeInvest Timor-Leste”, Reno Bernardo, ressalta que enquanto alguns países da Asean contam com setores industriais consolidados, países como Timor-Leste podem fornecer matérias-primas para indústrias emergentes.

Segundo Bernardo, a promoção junto de investidores constitui uma oportunidade para o desenvolvimento da indústria verde e a transição energética do país lusófono, reduzindo a sua dependência dos combustíveis fósseis.

Reno Bernardo acredita que a oportunidade de aprendizagem internacional poderá contribuir para que Timor-Leste desenvolva a transição verde de forma faseada e responsável, evitando abordagens insustentáveis.

Das conversas às oportunidades de investimento

Nove agências de promoção do investimento regionais compareceram à Conferência Argus sobre Biocombustíveis e na 34.ª Conferência e Exposição Europeia da Biomassa, dois eventos dedicados ao investimento verde, realizados este ano.

Para Timor-Leste, os eventos alargaram a rede de contactos com parceiros da Asean e fornecedores de tecnologia.

O próximo passo é transformar estas relações e contactos com potenciais investidores em projetos, aproveitando o espírito de colaboração da Invest Asean para mobilizar investimento para a transição verde da região. ONU News – Nações Unidas


Brasil – Lula da Silva vence as eleições no país após reduzir o desmatamento da Amazónia a um nível recorde

A vitória de Lula da Silva na eleição presidencial brasileira traz esperança para a Amazónia, mas o avanço da extrema-direita ameaça o progresso


A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras foi saudada como uma vitória para a democracia e para a Amazónia.

Desde que retornou ao cargo em 2023, o desmatamento na floresta amazónica brasileira atingiu um nível recorde de baixa, caindo 42% apenas no último ano.

A histórica reeleição do presidente de esquerda para um quarto mandato traz alívio aos ambientalistas que temiam o retorno à flexibilização das proteções climáticas e ambientais sob o governo do opositor de direita Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a sua presidência, de 2019 a 2023, as políticas ambientais foram desmanteladas e o desmatamento aumentou em cerca de 60%, com mais de 45.000 quilómetros quadrados desmatados.

Sob o governo de Lula, o desmatamento caiu 71% em relação ao nível de 2022.

O Greenpeace Brasil afirmou que o resultado das eleições de 2026 “é uma vitória para a democracia e mantém o compromisso de proteger a Amazónia e combater as alterações climáticas”.

Esse otimismo foi compartilhado por ambientalistas do mundo todo: “Viva a Amazónia, o Cerrado, o Pantanal e toda a natureza do Brasil!”, publicou Glenn Hurowitz, fundador e CEO da organização global de defesa da natureza Mighty Earth. “A reeleição de Lula é um alívio muito necessário para a floresta tropical e os demais ecossistemas extraordinários do país.”

Por que a Amazónia brasileira é importante para o mundo?

“O Brasil abriga a maior parte da maior floresta tropical do mundo e outros cinco biomas, que juntos representam cerca de 15% da biodiversidade global”, afirma Camila Jardim, especialista em política internacional do Greenpeace Brasil.

“A proteção desses ecossistemas é importante muito além das fronteiras do Brasil e é essencial para deter a perda de biodiversidade em todo o mundo.”

A floresta tropical também armazena enormes quantidades de dióxido de carbono, que contribui para o aquecimento global, e gera humidade atmosférica que ajuda a regular o clima muito além da América do Sul.

Sob o governo Lula, o desmatamento na Amazónia brasileira caiu para o nível mais baixo desde o início da monitorização, em 1988.

Como o Brasil conseguiu reduzir o desmatamento a níveis recordes?

O enorme progresso na redução do desmatamento deve-se ao Plano de Ação para a Prevenção e o Controlo do Desmatamento na Amazónia Legal (PPCDAm), que havia sido arquivado durante o governo Bolsonaro.

O plano reforçou a monitorização por satélite do desmatamento ilegal e a aplicação de sanções. Também utiliza regulamentações e incentivos financeiros para conter o desmatamento e promover ações sustentáveis.

“A eleição de Lula mantém viva a esperança de um financiamento ambiental que possa fazer com que as árvores valham mais vivas do que mortas”, afirma Hurowitz. “Sob o governo Lula, o Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, um sistema elegante no qual os investidores recompensam os países pela conservação, mas que precisa de mais capital.”

“Esse progresso deve ser mantido, e os esforços para proteger e restaurar os ecossistemas em todos os biomas do Brasil devem ser intensificados, respeitando os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais”, afirma Jardim.

Congresso de direita poderia enfraquecer o poder de Lula.

Flávio Bolsonaro afirmou que não reconhece o resultado da eleição de 2026 e que irá contestá-lo na justiça, citando uma decisão de última hora do Supremo Tribunal Federal que estendeu a votação por duas horas. Lula venceu com cerca de 4,4 milhões de votos, recebendo aproximadamente 51,8% contra 48,2% de Bolsonaro.

Apesar da vitória apertada de Lula, o partido do seu rival obteve ganhos expressivos no Congresso Nacional.

“Estas eleições testemunharam um aumento significativo da extrema-direita no Congresso Nacional, que inclui um grande contingente de negacionistas climáticos e antiambientalistas”, afirmou o Greenpeace Brasil em comunicado.

O Partido Liberal de Bolsonaro controlará 121 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e 28 das 81 cadeiras do Senado a partir de fevereiro de 2027. A Confederação dos Trabalhadores de Lula terá 88 cadeiras na Câmara dos Deputados. Os partidos de centro-direita serão decisivos para a aprovação de leis.

“Nos próximos quatro anos, a mobilização pública será essencial para defender os direitos e evitar retrocessos ambientais potencialmente irreversíveis”, afirmou o Greenpeace Brasil.

“Embora o governo enfrente um Congresso hostil, ele pode fazer cumprir a lei e designar novos parques e reservas indígenas – consolidando o progresso”, diz Hurowitz.

Persistem também as ameaças de incêndios florestais, exploração madeireira e seca, sendo que o forte El Niño deste ano deverá trazer condições mais quentes e secas, propícias a incêndios. Euronews


quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Portugal - Conferência em Lisboa quer aproximar o cinema dos países lusófonos

A construção de um espaço audiovisual lusófono estará em debate na Conferência Internacional do Audiovisual da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre de 9 a 13 de novembro, na Universidade Lusófona, em Lisboa


A iniciativa vai reunir responsáveis institucionais, realizadores, produtores, responsáveis por acervos públicos, representantes de televisões, fundos e organismos de cooperação, com o objetivo de promover o diálogo e a colaboração entre os diferentes territórios de língua portuguesa.

Entre os temas em discussão estão a coprodução, a circulação de filmes e outros conteúdos audiovisuais, a formação, o financiamento e a preservação do património audiovisual. A conferência pretende, assim, contribuir para a reflexão sobre os desafios e as oportunidades do setor, num contexto de cooperação entre os países da CPLP.

De acordo com a nota publicada pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual, o encontro é promovido pelo Programa CPLP Audiovisual (PAV), que assinala dez anos de atividade. Ao longo desta década, o programa apoiou a produção de 47 obras de ficção e documentário, promoveu mais de 250 ações de formação técnica e artística e contribuiu para a circulação de conteúdos através da Rede CPLP Audiovisual.

A conferência contará ainda com a participação de instituições e organismos internacionais, numa componente dedicada ao reforço da cooperação entre os vários territórios.

Veja o programa completo aqui. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Portugal - Coimbra recebe mais de 800 especialistas mundiais em fogos florestais

A Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI), unidade de investigação ligada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), organiza, em colaboração com a Câmara Municipal de Coimbra, a 10.ª edição da International Conference on Forest Fire Research, uma das conferências internacionais de referência na investigação sobre incêndios florestais. O encontro realiza-se de 31 de outubro a 6 de novembro, no Convento de São Francisco, em Coimbra.


A sessão de abertura terá lugar no dia 31 de outubro, às 09h00, e contará com a presença do Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, do Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, do Presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), Paulo Mateus, do Vereador da Câmara Municipal de Coimbra, Ricardo Lino, e de um representante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

Com mais de 420 participantes inscritos na conferência e cerca de 370 nos cursos especializados que a antecedem, provenientes de mais de 40 países de todos os continentes, esta edição será a maior em 36 anos de história da iniciativa. No conjunto das diferentes atividades previstas ao longo da semana, a organização estima uma participação global superior a 800 pessoas.

O programa científico reúne cerca de 350 comunicações aceites e aborda os principais desafios da gestão de incêndios rurais, com enfoque na ciência e na tecnologia. Entre os temas em destaque estão a avaliação e redução do risco, o comportamento do fogo e a segurança, os incêndios na interface urbano-florestal, os sistemas de apoio à decisão, incluindo a inteligência artificial e a robótica aérea e terrestre, e as estratégias de adaptação às alterações climáticas. As comunicações serão distribuídas por cinco sessões a decorrer em paralelo.

A apresentação dos avanços científicos mais recentes será complementada por sete conferências plenárias, proferidas por especialistas de reconhecido mérito internacional: Domingos Xavier Viegas, da Universidade de Coimbra; Marta Yebra, da Australian National University, na Austrália; Sally Archibald, da University of the Witwatersrand, na África do Sul; Amy Cardinal Christianson, da Indigenous Leadership Initiative, no Canadá; W. Matt Jolly, do US Forest Service, nos Estados Unidos; Imma Oliveras Menor, do Research Institute for Development, em França; e Dominique Morvan, da Aix-Marseille University, também em França.

Pela terceira vez na sua história, a conferência integra igualmente a 19th International Wildland Fire Safety Summit, organizada em parceria com a International Association of Wildland Fire. Esta iniciativa dedica-se à segurança nos incêndios rurais e reforça a ligação entre a investigação científica e a experiência dos profissionais que atuam no terreno.

Antes da conferência, terão lugar dois cursos internacionais de formação avançada. A 31 de outubro, realiza-se o 7.º Curso sobre Segurança em Incêndios Florestais, dedicado à segurança, à preparação e ao bem-estar dos operacionais. No dia 1 de novembro, decorre o 10.º Curso sobre Comportamento do Fogo, centrado na análise avançada da propagação e da física do fogo.

O programa inclui ainda uma visita técnica ao Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais (LEIF) da ADAI, localizado no Aeródromo da Lousã. Os participantes terão oportunidade de assistir a demonstrações experimentais com fogo real e de conhecer o trabalho científico e de formação desenvolvido no laboratório.

No último dia, 6 de novembro, terá lugar uma visita de estudo à região afetada pelo incêndio de Piódão, em 2025, que consumiu cerca de 65 mil hectares. A iniciativa permitirá analisar as características e os desafios do território após o incêndio, conciliando a componente técnica com o contacto com o património natural e cultural da região.

A visita integra também o programa ICFFR Zero Carbon Footprint, que visa reduzir o impacto ambiental da conferência e contribuir para a compensação das emissões de dióxido de carbono associadas ao evento, através de ações de reflorestação em áreas ardidas.

Será ainda apresentado o projeto APIS, desenvolvido pela ADAI em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que pretende implementar medidas inovadoras de gestão do risco de incêndio rural na Serra do Açor, com uma intervenção específica na Mata da Margaraça.

A conferência é presidida por Domingos Xavier Viegas, Professor Emérito da Universidade de Coimbra, e conta com Luís Mário Ribeiro, investigador sénior do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da ADAI, na vice-presidência. Universidade de Coimbra - Portugal