Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 3 de maio de 2026

Não partas hoje










Vamos aprender português, cantando

 

Não partas hoje

 

Não partas hoje

parte amanhã

e sai p’ra sempre

em pés de lã

p’ra que eu acorde

já sem te ter

mas parte antes

de amanhecer

 

Não te despeças

p’ra eu fingir

que não te esgueiras

quando eu dormir

não deixes nada

p’ra devolver

já é difícil

que baste esquecer

 

Não partas hoje

parte amanhã

não vale nada

recomeçar

na madrugada

que traz o fim

sais pela entrada

melhor assim

 

Não partas hoje

parte amanhã

não vale nada

recomeçar

na madrugada

que traz o fim

sais pela entrada

melhor assim

 

Teresinha Landeiro – Portugal

Composição:

Mimi Froes - Portugal

 

sábado, 2 de maio de 2026

Guiné Equatorial - Malabo está a preparar-se para sediar três grandes fóruns que fortalecerão a cooperação entre África e China na atração de investimentos

O Governo e o Conselho Nacional para o Desenvolvimento Económico e Social estão a intensificar a coordenação para uma agenda internacional que colocará a Guiné Equatorial no centro do diálogo económico continental e sino-africano


Malabo está destinada a tornar-se um dos principais palcos do debate económico africano, a partir de 13 de maio. O Governo da Guiné Equatorial e o Conselho Nacional para o Desenvolvimento Económico e Social (CNDES) reforçaram a coordenação para finalizar os preparativos de três eventos internacionais de alto nível, com o objetivo de impulsionar a cooperação entre África e China e promover novas oportunidades de investimento.

Nesse contexto, o Primeiro-Ministro responsável pela Coordenação Administrativa, Manuel Osa Nsue Nsua, realizou uma sessão de trabalho com a Primeira Vice-Presidente do CNDES, María del Mar Bonkanka Tabares, com o objetivo de analisar o status organizacional destas reuniões estratégicas. O encontro ocorreu a pedido do próprio CNDES, que atua como ponte institucional com organizações congêneres em países como Marrocos e China.

A agenda planeada inclui três reuniões importantes que refletem a ambição do país de se consolidar como uma plataforma para o diálogo económico. Em primeiro lugar, a Assembleia Geral dos Conselhos Económicos e Sociais da África reunirá diversas instituições consultivas de todo o continente para trocar experiências e fortalecer políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável.

Este fórum é complementado pela Quinta Mesa Redonda China-África, que assume particular importância por ser realizada pela primeira vez em solo africano, após edições anteriores em Pequim. A escolha da Guiné Equatorial como país anfitrião marca um marco na cooperação sino-africana e abre caminho para novas alianças estratégicas, em consonância com os compromissos do Fórum de Cooperação China-África.

O terceiro evento, o Fórum Económico e Social, terá como foco a promoção de investimentos. Concebido como uma plataforma para a conexão direta entre os setores público e privado, o evento apresentará as oportunidades económicas do país, facilitará acordos de cooperação e fomentará o networking empresarial de alto nível. A participação de grandes empresas internacionais, incluindo as do setor de tecnologia, é esperada, reforçando a importância estratégica do evento.

A dimensão dessas reuniões será reforçada pela presença de organizações regionais e internacionais, como o Banco Africano de Desenvolvimento, a Comissão Económica das Nações Unidas para a África e a Agência de Desenvolvimento da União Africana, bem como diversas instituições africanas e chinesas ligadas à área económica e financeira.

Durante a reunião, o Primeiro-Ministro enfatizou a importância da coordenação eficaz entre todas as partes interessadas para garantir o sucesso do evento. Ele também destacou que estes eventos devem traduzir-se em resultados concretos, contribuindo para atrair investimentos, impulsionar a economia e promover o processo de diversificação.

Sob o lema “Diversificação económica e digitalização: quais caminhos para o desenvolvimento sustentável na África?”, a conferência será realizada sob o alto patrocínio do Chefe de Estado, consolidando o papel da Guiné Equatorial como um ator relevante na redefinição das estratégias de crescimento no continente.

Com esta iniciativa, Malabo reforça a sua posição como ponto de encontro para o diálogo económico internacional, num momento crucial em que a África procura consolidar modelos de desenvolvimento mais sustentáveis ​​e inclusivos, ligados à economia global. Benjamin Eyang – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”




Macau - Rodrigo Leal de Carvalho e o difícil acesso às suas obras

Num congresso online de homenagem à vida e obra de Rodrigo Leal de Carvalho, falou-se sobre aquele que é considerado um dos grandes ficcionistas do território pelos investigadores da área. E mencionou-se que a literatura de Macau é pouco valorizada, tornando-se difícil encontrar os livros da península asiática

Com a literatura de Macau, em língua portuguesa, a ter pouco destaque fora da região, é difícil ter acesso às obras dos escritores do território, como Rodrigo Leal de Carvalho. Os investigadores Dora Gago, Lola Xavier, David Brookshaw, Mónica Simas e Pedro d’Alte, em conjunto com o editor do autor, Rogério Beltrão Coelho, juntaram-se online num congresso, no âmbito do Seminário Permanente de Estudos sobre Macau, projecto impulsionado pelo historiador Rogério Miguel Puga, para discutir a obra e a vida do ficcionista do território.

O programa começou com a apresentação de Dois Olhares sobre a Obra de Rodrigo Leal de Carvalho, de Dora Gago e Anabela Freitas. “É o único livro que fala só sobre Rodrigo Leal de Carvalho — permite compreender melhor, valorizar e dar mais visibilidade à literatura de Macau em língua portuguesa”, divulgando e estudando a obra deste ficcionista. Trata-se de um livro que Lola Xavier, professora da Universidade Politécnica de Macau, considera particularmente importante, dado que as literaturas africanas e de Macau “continuam a ser vistas como periféricas”, havendo, por isso, pouca informação.

Rodrigo Leal de Carvalho era juiz e viveu grande parte da sua vida em Macau, referindo-se a esta como como a sua “pátria de adopção”, conforme citado no livro de Dora Gago e Anabela Freitas, numa entrevista. Com o maior número de romances escritos sobre Macau, a sua obra retrata o território, no século XX, e “quase todos os livros têm uma fundamentação real” ou são inspirados em cenas verdadeiras, “manipuladas, em alguns casos, ao interesse romanesco” da história, reflecte Lola Xavier.

A professora da Universidade Politécnica de Macau identifica algumas das características da escrita e temáticas encontradas na obra de Rodrigo Leal de Carvalho, como a visão positiva em relação aos macaenses, o retrato da mulher gentil e feminina, o território como espaço de encontro de culturas e a miscigenação.

O magistrado “discreto”, que não aceitava críticas

O editor do romancista, Rogério Beltrão Coelho, responsável pela Livros do Oriente, conheceu-o, pela primeira vez, em 1992, e quis publicá-lo. “Entre hesitações do autor e ultrapassada a vontade de usar um pseudónimo”, em Janeiro de 1993, nasce o Requiem por Irina Ostrakoff. “Estávamos perante um romance histórico, romance-saga ou romance psicológico, no qual eram interceptados factos históricos, tudo com uma rara qualidade literária”, descreve o editor, esclarecendo que se tratava de um apelo à situação dolorosa dos refugiados. Um livro que lhe valeria, no ano seguinte, um prémio do Instituto Português do Oriente, vindo, posteriormente, a ser traduzido para chinês e para búlgaro.

Nos títulos que se seguiram, nota-se a “ligação visceral a Macau, que é sempre apaixonada e irónica, sem deixar de exercer a crítica”. Elogiando a sua capacidade de recriar ambientes, usando uma linguagem moderna, Beltrão Coelho destaca o “levantamento das personagens” e a análise psicológica.

Como temperamento, Beltrão Coelho descreve-o como discreto, tanto que nunca ninguém pensou que pudesse ser autor de Requiem por Irina Ostrakoff, dado o comportamento “conservador, tímido e reservado”. Por isso, no dia do lançamento, havia muita curiosidade e expectativa, tratando-se este “do mais concorrido lançamento de sempre de um livro em Macau”, com 300 pessoas a acorrerem.

Nos outros títulos, que sempre contaram com uma larga presença de pessoas nos seus lançamentos, mantinha sempre “a preocupação com o estatuto de magistrado discreto” e era exigente com a discrição das capas. “Ia tendo um colapso quando apresentei a capa do Romance de Yolanda”, que era apelativa, mas, receoso do que os seus pares iriam dizer, viria a sair “com outra bela capa inofensiva”.

Em 2007, lançou As Rosas Brancas do Surrey, o seu último livro, em que a “escrita retoma a tradição de folhetim”, numa colaboração entre o jornal Ponto Final e a Livros do Oriente.

Na última Feira do Livro em que se cruzou com o autor, Leal de Carvalho chegou a falar com Beltrão Coelho sobre um enredo para um futuro romance. “Passados anos ainda insisti, mas sem resposta e, recentemente, perguntei junto da família por um romance inédito”, declara. Mas disso não há conhecimento.

No fim da apresentação, Beltrão Coelho, deixa a pergunta no ar. “Não será Leal De Carvalho o mais importante escritor que se refere ao Extremo Oriente”, na senda de um Rudyard Kipling ou de um Somerset Maugham?

Descrevendo-o ainda como um homem “teimoso”, com dificuldade em aceitar comentários, refere que tinha muitos amigos em Macau, deixando uma “obra notável”. “As pessoas de Macau viam nele as histórias que eles próprios conheciam e que estavam ali relatadas”, diz, esclarecendo que muito do que era escrito tinha por inspiração pessoas ou eventos nos quais esbarrou, no decurso do trabalho como magistrado. “No caso da Irina, aconteceu quando foi preciso dar vazão ao seu espólio”, recorda.

As características literárias

Pedro d’Alte, docente na Universidade Politécnica de Macau, destacou a importância de Rodrigo Leal de Carvalho, identificando-o como o autor do território com mais romances editados.

Como principais características, o professor refere que as obras demonstram “contornos de comunicação intercultural”, havendo, ao longo dos seus livros, muitas vezes, “várias explicações sobre questões de linguagem, com a presença de frases ou expressões em cantonense ou mandarim e inglês, que contribuem para criar uma esfera de exotismo”.

Além disso, destaca o investigador, Leal de Carvalho inclui, na sua obra, personagens femininas densas que contribuem para a construção da história local, com um narrador confiável.

Falta, porém, “contrariar a redoma literária”, diz, referindo-se ao desconhecimento generalizado que existe sobre a literatura de Macau. “Enquanto não tivermos estas obras a serem estudadas para exame, dificilmente vamos cumprir o propósito lusófono, pelo menos naquilo que têm de mais positivo”, diz.

Fernandes e Carvalho: o duopólio da ficção literária

David Brookshaw, professor da Universidade de Bristol, recorda que conheceu Leal de Carvalho em 1999, identificando-o como “um dos romancistas mais prolíficos de Macau”, a par de Henrique de Senna Fernandes”. Para o investigador britânico, os dois autores constituíam “o duopólio da ficção literária” naquele território.

Entre as principais diferenças entre ambos, Brookshaw destacou as fontes. “Para Fernandes, as fontes situavam-se no romantismo de meados de século XIX, enquanto, para Carvalho, no realismo que se seguiu”, diz.

Além disso, Fernandes defendia a identidade macaense, revelando uma noção da “futura família com visões mais progressistas”, enquanto mantinha “um valor moral permanente por eventos históricos” e Carvalho “inspirava-se nos grandes escritores do realismo e no estudo do sistema patriarcal contra um pano de fundo em que as suas personagens eram vítimas de grandes eventos históricos”. No fundo, “a manutenção da família patriarcal produtiva, embora mais liberal, de Fernandes, transforma-se na família desintegrada de Carvalho.”

Por outro lado, a professora brasileira Mónica Simas reflecte ainda sobre as personagens comuns nos vários romances do autor, contribuindo para o cruzamento de histórias. “É como se o escritor estivesse a prolongar a sua estada e chegada através de uma única narração”, diz.

Já Dora Gago optou por abordar as identidades transplantadas na obra deste escritor, neste congresso. “O conceito de identidade transplantada implica um sujeito arrancado do seu contexto de origem, que se tenta reescrever no espaço”, esclarece. “Macau sob administração portuguesa é um espaço paradoxal — um enclave colonial na China e refúgio de milhares de deslocados”, afirma, acrescentando: “Nos romances, Macau é porto de abrigo, território de marginalidade social e laboratório de convivência e multiculturalidade.”

Organizado pelo Centro de Humanidades (CHAM) e Centro de Estudos Ingleses, de Tradução e Anglo-Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e pela Universidade de Veneza – Ca’Foscari, este congresso online, de homenagem ao romancista e juiz, Rodrigo Leal e Carvalho, que morreu, no dia 24 de Janeiro, aos 93 anos, insere-se no âmbito do Seminário Permanente de Estudos sobre Macau, promovido por Rogério Miguel Puga. Luciana Leitão – Macau in “Ponto Final”


Cabo Verde - Festival Kontornu regressa ao país para a sua 4.ª edição com programação internacional de dança e artes performativas

A 4.ª edição do Festival Kontornu – Festival Internacional de Dança e Artes Performativas de Cabo Verde acontece de 11 a 16 de maio de 2026, afirmando-se como um dos principais encontros artísticos do país e um dos principais festivais de dança do continente africano da atualidade.


A programação estará centrada na cidade da Praia, com uma extensão especial na Cidade Velha e o seu já emblemático encerramento no Tarrafal de Santiago, reforçando a dimensão territorial e descentralizada do festival.

O Festival Kontornu reúne nesta edição cerca de 80 participantes provenientes de vários países, entre artistas, programadores, investigadores e profissionais das artes performativas (Portugal, Brasil, Grécia, Suíça, República Dominicana, Espanha, Senegal, França, Itália)

Mais do que um festival, o Kontornu posiciona-se como uma plataforma de criação, intercâmbio e pensamento crítico, cruzando linguagens como dança contemporânea, danças urbanas, performance, circo, teatro e práticas híbridas. O seu foco passa por estimular redes internacionais, promover e contribuir para a construção de novas narrativas no campo das artes performativas e tornar Cabo Verde um epicentro das artes performativas do mundo.

Ação social: “Menos Álcool, Mais Vida” celebra 10 anos

Nesta edição, o festival associa-se à campanha “Menos Álcool, Mais Vida”, que celebra 10 anos de existência.

Esta parceria reforça o compromisso do Kontornu com a responsabilidade social e a promoção de estilos de vida saudáveis, especialmente junto da juventude. A campanha tem sido fundamental na sensibilização para os impactos do consumo excessivo de álcool, incentivando escolhas conscientes e o bem-estar coletivo, alinhando-se com os valores educativos e comunitários do festival.

Kopano – Encontro Internacional de Programadores

O festival volta a acolher o Kopano – Encontro Internacional de Programadores, um espaço de reflexão, networking e cooperação entre profissionais das artes.

Esta iniciativa é realizada em parceria com o Restaurante Batuku e a Câmara Municipal da Cidade Velha, criando um ambiente de diálogo entre agentes culturais locais e internacionais. O Kopano tem como objetivo fortalecer circuitos de circulação artística, estimular coproduções e posicionar Cabo Verde no mapa global das artes performativas.

Homenagem a Marlene Monteiro Freitas

A 4.ª edição presta homenagem à coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, uma das mais reconhecidas artistas da cena contemporânea internacional. Esta homenagem celebra o seu percurso singular e o impacto da sua obra, que tem contribuído para redefinir a presença da criação cabo-verdiana nos grandes palcos do mundo. A sua abordagem radical, inventiva e profundamente autoral inspira novas gerações de artistas e reforça a importância da experimentação estética.

Kontornu Dance Camp – Nova geração em residência

Como novidade desta edição, surge o Kontornu Dance Camp, uma residência artística que reúne jovens bailarinos de diferentes partes do mundo.

Durante o festival, os participantes estarão em residência no Estádio Nacional, desenvolvendo práticas intensivas de formação, criação e intercâmbio. Esta iniciativa visa investir na próxima geração de artistas, promovendo o encontro entre culturas, linguagens e experiências.

Kontornu Dance Battle – Encerramento no Tarrafal

O festival encerra com o Kontornu Dance Battle, uma grande celebração das danças urbanas, que terá lugar no Tarrafal.

Esta atividade é realizada em parceria com o Festival IUFA (Açores), reforçando pontes entre territórios insulares e comunidades artísticas. A batalha promete reunir bailarinos, público e energia coletiva num momento de partilha, competição saudável e celebração da cultura urbana.

Sobre o Festival Kontornu

O Festival Kontornu é um evento dedicado à dança e às artes performativas, que promove a criação contemporânea, o intercâmbio internacional e a valorização das práticas artísticas africanas e da diáspora. Festival Kontornu - Cabo Verde




Cabo Verde - “Suficiente” é novo single da cantora e compositora Soraia Ramos

Cidade da Praia – A cantora e compositora cabo-verdiana, Soraia Ramos, lançou nas plataformas digitais, um novo single, intitulado “Suficiente”.

O título remete para uma canção que, de acordo uma nota enviada à Inforpress, nasce da experiência universal de dar tudo por alguém e, ainda assim, sentir que nunca é o bastante.

Entre chamadas sem resposta, discussões repetidas e tentativas falhadas, a música constrói-se, de acordo a mesma fonte, como um desabafo íntimo onde a dor não vem da falta de amor, mas da impotência de não conseguir preencher o outro.

"O refrão traduz essa ferida com uma simplicidade desarmante: Diz-me o que é que falta, se o amor que eu te dava nunca foi suficiente, pra ti", realça.

A canção percorre um equilíbrio delicado entre a força e a vulnerabilidade, alternando entre português e crioulo, elementos que reforçam, conforme a mesma fonte, a identidade artística de Soraia Ramos e aproximam ainda mais o ouvinte da sua verdade.

Mais do que uma música de amor, "Suficiente" é, segundo a autora, uma confissão crua sobre o peso de amar alguém que nunca soube reconhecer tudo o que recebeu.

“Retrata algumas emoções com as quais nós podemos, eventualmente, identificar a dada altura das nossas vidas, levantando também questões sobre a dependência versus interdependência nas relações amorosas”, refere a nota.

O single explora de que forma a felicidade e a segurança emocional podem ser influenciadas ou não pela validação e a necessidade de aprovação do outro, podendo afectar a confiança e o amor-próprio.

Este novo trabalho de Soraia Ramos sucede ao lançamento do tema “Fujo contigo”, de Nuno Ribeiro, que conta com a participação da artista.

A mesma nota realça que a artista cabo-verdiana actuará no dia 19 de Julho no festival Meo Marés 2026, em Portugal.

Soraia Ramos, cantora e compositora luso-cabo-verdiana, nasceu em Portugal onde viveu até aos 15 anos, antes de se mudar com sua família para a França e, posteriormente, para a Suíça.

Desde muito cedo demonstrou uma conexão profunda com a música, compartilhando essa paixão inicialmente com aqueles que lhe eram mais próximos, tendo já lançado vários trabalhos de sucesso. In “Inforpress” – Cabo Verde


sexta-feira, 1 de maio de 2026

Moçambique - Marrumbine Novela lança obras sobre segurança pública na ACIPOL

A Academia de Ciências Policiais (ACIPOL) acolhe, no próximo dia 15 de Maio, pelas 15h00, na Sala dos Grandes Actos do seu campus, a apresentação oficial de duas novas obras literárias do Mestre Francisco Marrumbine Novela, num evento que promete reforçar o debate académico sobre segurança pública e relações internacionais no país.


Com enfoque nos desafios contemporâneos da segurança e na política externa moçambicana, a cerimónia destaca o lançamento dos livros Segurança Pública: Leitura e Interpretação de Fontes Abertas de Informação e A Política Externa de Moçambique para África do Sul: Uma Abordagem na Área de Segurança Pública, ambos publicados pela Massinhane Edições.

A primeira obra propõe uma leitura aprofundada sobre o papel das fontes abertas de informação (OSINT) na análise e apoio à tomada de decisões em matéria de segurança pública, abordando fenómenos como criminalidade, terrorismo, migrações, geocriminalidade e policiamento democrático, com foco na realidade moçambicana.

Já a segunda obra oferece uma reflexão crítica sobre a política externa de Moçambique em relação à África do Sul, explorando as dinâmicas da cooperação regional em segurança e o posicionamento estratégico do país na África Austral.

Segundo informação disponibilizada pela editora, estas publicações representam um importante contributo para o fortalecimento do pensamento científico nacional e para a produção de conhecimento em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país.

O evento deverá reunir académicos, especialistas em segurança, estudantes e público interessado, num espaço de reflexão e partilha sobre temas centrais para o presente e futuro de Moçambique. Rivaldo Massunda – Moçambique in “Moz Entretenimento”


Moçambique - Paulina Chiziane distinguida como “Melhor Escritora de África” no African Award 2026

A escritora moçambicana Paulina Chiziane foi distinguida como “Melhor Escritora de África de 2026” no African Award – Creators and Directors Excellence 2026, prémio que reconhece figuras de destaque na promoção da cultura africana através da literatura, arte e criatividade.


A distinção reforça o impacto do percurso literário de Paulina Chiziane, considerada uma das vozes mais influentes da literatura africana contemporânea e referência na valorização das identidades, memórias e narrativas do continente.

A cerimónia de premiação decorreu na noite de 28 de abril, no EPIC SANA, reunindo personalidades ligadas ao cinema, moda, música e outras áreas criativas, numa celebração dedicada a talentos que têm contribuído para a afirmação cultural de África.

O reconhecimento surge como mais um marco na trajectória da autora, cujo trabalho continua a projectar a literatura moçambicana além-fronteiras e a consolidar o seu nome entre os maiores expoentes culturais do continente. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


UCCLA - Ricardo Henrique Rao é o vencedor do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa

Na data em que se comemora o Dia Mundial da Língua Portuguesa - 5 de maio -, a UCCLA vai anunciar que o livro “Antologia Brutalista”, de Ricardo Henrique Rao, é o vencedor da 11.ª edição do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa. O anúncio será feito na Biblioteca das Galveias, em Lisboa, às 17 horas, no âmbito do Festival Literário de Lisboa - 5L.


De referir que Ricardo Henrique Rao é de nacionalidade italo-brasileira, tem 55 anos, e estará presente na sessão.

Esta edição do prémio reuniu 650 candidaturas, oriundas de diversos países não só de língua portuguesa - como Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique -, mas também da Alemanha, França, Itália, Reino Unidos, Países Baixos, entre outros.

O Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa é uma iniciativa da UCCLA que conta com a parceria da Câmara Municipal de Lisboa e editora Guerra e Paz, e com o apoio do Movimento 2014 - 800 anos da língua portuguesa. Já foram editadas 12 obras (10 primeiros prémios e 2 menções honrosas, cujos autores - 5 portugueses e 5 brasileiros), são maioritariamente jovens. Os 4 primeiros livros foram publicados pela A Bela e o Monstro, e os restantes 6 com a chancela da Guerra e Paz.

O prémio foi criado em 2015 e tem como objetivo estimular a produção de obras literárias, nos domínios da prosa de ficção (romance, novela, conto e crónica) e da poesia, em língua portuguesa, por escritores que nunca tenham publicado uma obra literária.

O júri desta última edição foi constituído pelas seguintes personalidades do mundo literário e cultural de língua portuguesa: 

Hélder Simbad (ex-diretor da Biblioteca Nacional de Angola);

Godofredo Oliveira Neto (representante da Academia Brasileira de Letras, Brasil);

Germano de Almeida (Prémio Camões de Cabo Verde);

Yao Jingming (professor catedrático e jubilado da Universidade de Macau);

Tony Tcheka (presidente da Associação de Escritores da Guiné-Bissau, escritor e editor da Guiné-Bissau);

Luís Carlos Patraquim (poeta laureado de Moçambique);

José Pires Laranjeira (professor jubilado de Literatura Africana da Universidade de Coimbra, Portugal);

Luís Cardoso (romancista laureado de Timor-Leste);

João Pinto Sousa (Movimento 800 anos de Língua Portuguesa e cofundador do Prémio);

Rui Lourido (coordenador do júri em representação da UCCLA).

Vencedores das edições anteriores:

Publicações da editora Guerra e Paz:

10.ª edição: Boi de Claúdio da Silva (Angola e Portugal);

9.ª edição: Cantagalo de Fernanda Teixeira Ribeiro (Brasil);

8.ª edição: Breviário de Medo e Malícia de Leonel Araújo Barbosa (Portugal);

7.ª edição: Caligrafia de Alexandre Siloto Assine (Brasil);

6.ª edição: O Sonho de Amadeu de Leonardo Costa Oliveira (Brasil);

5.ª edição: O Heterónimo de Pedra de Henrique Reinaldo Castanheira (Portugal);

 

Publicações da editora A Bela e o Monstro:

4.ª edição: Praças de António Pedro Serrano de Sousa Correia (Portugal/Angola);

3.ª edição: Equilíbrio Distante de Óscar Maldonado (Paraguai/Brasil);

2.ª edição: Diário de Cão de Thiago Rodrigues Braga (Brasil);

1.ª edição: Era uma vez um Homem de João Nuno Azambuja (Portugal).


Angola – 1.ª edição do Sarau Poético exalta beleza e sensibilidade

O Centro Cultural Teatro Mar, situado no Futungo de Belas, em Luanda, realiza, hoje, sexta-feira, 1 de Maio, a 1.ª edição do “Sarau Poético”, um evento que procura elevar as características, a beleza e a sensibilidade da poesia angolana num palco onde a arte é vivida com intensidade

Projectado como uma iniciativa cultural para enaltecer e celebrar a poesia enquanto forma de expressão artística e de reflexão, o Sarau Poético assume-se como um espaço onde os amantes e apreciadores da poesia são convidados a expressar sentimentos, retirar da alma o que pouco é dito, com palavras, e expô-las por meio da poesia.

Nesta edição inaugural, o evento contará com a presença do artista Astronauta, que assinará o início de um ciclo de eventos, com foco em poesia, orientado para a partilha de experiências, valorização da palavra e fortalecimento do vínculo entre poetas e o público.

Segundo a direcção do Teatro Mar, o sarau assumirá um carácter intimista, visando criar proximidade entre o público e o artista convidado, podendo, deste jeito, o artista interagir com a plateia e criar um ambiente envolvente por meio da sua arte.

A interlocutora, que preferiu não ser identificada por não ser a responsável da área de comunicação da organização, avançou-nos que, nas próximas edições, pretendem proporcionar um ambiente em que se pode fortalecer a confiança e o talento de poetas emergentes e consagrados, com estímulo à expressão individual e/ou colectiva e ao desenvolvimento artístico.

“Com esta iniciativa, o Centro Cultural Teatro Mar reafirma o seu compromisso com a dinamização cultural e com a criação de espaços dedicados à valorização da Poesia e dos Poetas”, disse a jovem. Ressaltou que o principal objectivo do Sarau é olhar para a arte e dar oportunidade a vozes conhecidas, assim como dar oportunidades a quem nunca foi ouvido.

“Dar voz à comunidade, com abertura à partilha de vivências, identidades e narrativas diversas”, frisou. Ressaltou que a poesia é das poucas expressões artísticas que nos permite interiorizar o significado cultural, expressar sentimentos e tornar um público-alvo participativo naquilo que é escrito e/ou declamado.

Avançou que o Sarau terá início a partir das 19h00 e promete ser um momento único e inesquecível, em que a arte da palavra estará no centro da atenção e, ao mesmo tempo, será o ponto de transformação e conexão. In “O País” - Angola


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Portugal - Encontro “Esta Língua que Nos Une” na cidade do Porto

O Centro Português de Fotografia (sito na antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto - Largo Amor de Perdição), no Porto, vai receber, no dia 5 de maio - Dia Mundial da Língua Portuguesa -, o encontro “Esta Língua que Nos Une”, uma iniciativa dedicada à língua portuguesa como espaço vivo de criação literária, memória partilhada, circulação cultural e futuro comum entre Portugal, Brasil e o mundo lusófono. O evento é promovido pela Associação Portugal Brasil 200 anos, em parceria com a UCCLA e o Centro Português de Fotografia.


O encontro irá juntar escritores, intelectuais, curadores, professores e representantes institucionais dos dois lados do Atlântico para pensar a literatura como território comum da língua portuguesa.

A entrada é livre, mas sujeita à lotação do espaço. Poderá confirmar a sua presença para os números +351 218172950 ou +55 11995737932 (whastApp) ou através do email uccla@uccla.pt.

A iniciativa conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, do Instituto Guimarães Rosa, do Consulado-Geral do Brasil no Porto, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, do Centro Português de Fotografia, através da cedência do espaço, e do Hotel Vila Galé Porto, através do apoio à hospedagem.

O conceito curatorial parte de uma ideia central: a língua portuguesa não é uma herança imóvel, mas uma casa em movimento. Ao longo de um dia de programação, o encontro propõe o português como plataforma de pensamento crítico, diplomacia cultural, criação artística e cooperação entre comunidades.

O programa estrutura-se em torno de três eixos curatoriais - invenção, travessia e futuro - que traduzem a visão da Associação Portugal Brasil 200 anos para a cidadania da língua: uma língua que não se limita a comunicar, mas cria pertença, confiança, cooperação e novas possibilidades culturais.

A sessão de abertura, às 10 horas, contará com intervenções de Teresa Leitão, senadora brasileira, Luís Álvaro Campos Ferreira, Secretário-Geral da UCCLA, e José Manuel Diogo, presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos.

Às 10h30, a primeira mesa, “A Língua em Estado de Invenção”, reúne o escritor brasileiro Sérgio Rodrigues e o ensaísta português Arnaldo Saraiva, com moderação de José Manuel Diogo. A conversa abordará a língua como criação viva, cruzando norma, desvio, humor, literatura, modernismo, oralidade e identidade.

O projeto “O Mundo da Lusofonia”, desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas da Caparica, com parceria pedagógica da UCCLA e participação de escolas de Portugal, Cabo Verde e Brasil, será apresentado pelas 12 horas. A iniciativa trabalha a língua portuguesa como instrumento de comunicação, colaboração entre povos, cidadania global e valorização da diversidade multicultural dos países de língua oficial portuguesa. Participam na apresentação os professores Bruno Coimbra e Helena Silva, a Secretária-Geral Adjunta da UCCLA, Paula Leal Silva, e a coordenadora da Área Social da UCCLA Princesa Peixoto.

Pelas 15 horas decorrerá a segunda mesa “Corpo, Memória e Travessia”, reunindo o escritor brasileiro Álvaro Filho e a escritora portuguesa Inês Pedrosa, com moderação da artista, curadora e investigadora Ângela Berlinde. A conversa discutirá como os corpos atravessam países, afetos e imagens, e como a literatura regista pertencimento, desenraizamento, amor, memória, perda e reinvenção.

Às 16h30, a terceira mesa “Poesia, Mundo e Futuro da Língua”, contará com a participação de José Gardeazabal e do poeta brasileiro José Inácio Vieira de Melo, com moderação de Maria Bochicchio. A conversa propõe pensar a poesia como o lugar onde a língua portuguesa continua a arriscar o futuro - entre oralidade e escrita, voz, ritmo, corpo, território, memória e tempo histórico.

Pelas 17h45, terá lugar o lançamento da Leitura Coletiva Global de Os Lusíadas, projeto internacional concebido pela Associação Portugal Brasil 200 anos. A iniciativa convoca leitores de diferentes países lusófonos e das diásporas a partilharem, em voz alta, estrofes do poema camoniano, afirmando Os Lusíadas como património simbólico que atravessa nações, sotaques e gerações.

O encerramento, às 18h15, será marcado por um recital de José Inácio Vieira de Melo, poeta, jornalista e curador alagoano radicado na Bahia. A apresentação celebrará a musicalidade e a força da língua portuguesa através de textos clássicos e contemporâneos. UCCLA

Programa


Brasil - Líder indígena afirma que o país pode ter o primeiro partido político dos povos indígenas

Marcos Terena, do Mato Grosso do Sul, participou no Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, na ONU, em Nova Iorque. Segundo ele, o sonho de criar uma legenda partidária para defender os povos originários “não morreu” e continua a ser debatido por vários representantes indígenas de norte a sul do país


O Brasil pode ver nascer, nos próximos quatro anos, o primeiro partido político dos povos indígenas. O objetivo é criar uma legenda para representar os povos originários nos mais altos escalões do poder e decisões nacionais, que afetam a vida de todos os cidadãos brasileiros.

A declaração é do líder indígena Marcos Terena. Nascido no Mato Grosso do Sul, ele integra a luta pelos direitos dos povos indígenas, há várias décadas, inclusive em Brasília, onde vive e trabalha.

Mais de mil indígenas na ONU

Terena veio a Nova Iorque para participar da 25.ª Sessão do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas. Este ano, o encontro debateu o acesso à saúde para os indígenas incluindo durante conflitos.

Nessa entrevista à ONU News, Marcos Terena garantiu que o sonho de fundar o próprio partido não morreu para os indígenas e está a ser debatido por lideranças da causa de norte a sul do Brasil.

“O indígena, hoje no Brasil, tem ideologia também de esquerda, de direita. Tem muita gente que apoia o agronegócio. Tem muita gente que apoia o movimento de esquerda, né? Mas a construção do Partido Indígena, talvez quando esses indígenas se elegerem, seja possível através de uma recomendação dos próprios indígenas. Eu espero que sejam eleitos nessa eleição como senadores, como deputados federais e estaduais também.

ONU News: Então o sonho ainda existe?

Marcos Terena - Existe. A gente não pode matar esse sonho. Esse é um sonho de representação. Você imagina um Parlamento indígena com 300 membros que não são necessariamente partidários, mas que são 300 membros que vão representar sociedades indígenas distintas, línguas distintas dentro do Congresso Nacional?”

Pobreza extrema e conceito ideológico

O Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas foi aberto pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e pela presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock. Com mais de mil indígenas e integrantes da sociedade civil.

Guterres lembrou que os povos indígenas representam 6% de toda a população global e quase 19% das pessoas que vivem em pobreza extrema no mundo.

À margem do evento, com mais de mil pessoas, Marcos Terena contou que há avanços registados não somente no Brasil, como em outras partes do mundo, mas que somente uma força política dedicada aos povos originários poderia levar mais melhorias à vida dos indígenas brasileiros

Para Marcos Terena, que participou da criação do Fórum Permanente sobre Assuntos dos Povos Indígenas, em 2006, na sede da ONU, é preciso ainda criar “um conceito ideológico indígena” dentro do Brasil para que as crianças possam saber, desde pequenas, que são parte de uma nação advinda desse grupo étnico e de outros como europeus e africanos. Uma lição que iria além dos atuais livros escolares que retratam este encontro de culturas e raças.

Línguas esquecidas ou rejeitadas?

“A educação que é levada para as crianças hoje na aldeia é a educação formal levada do homem branco para os indígenas. Ou seja, não há uma educação nascida do sistema educacional de cada comunidade. Se fosse, seria uma maravilha porque prepararíamos as nossas crianças a não esquecer a língua. A primeira coisa que o indiozinho esquece é a língua porque ele tem de aprender o famoso bê-á-bá do português. Então, quando ele chega ali no Ginasial, ele já não quer mais falar (a língua indígena). Ele pode até entender. Como é o meu caso da criança. Tem vergonha da sua língua, da sua origem, da sua tradição. O sistema de educação é cruel. Ele anula a cabeça do indígena. Tira a gente de uma situação de dignidade indígena, dos vários povos e transforma ele num zumbi, andando de lá para cá no meio da cidade.”

Ministério e Câmara

Em fevereiro deste ano, a página do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, no Brasil, divulgou um artigo sobre a presença de representantes indígenas em audiências públicas da Corte.

Presentes a um encontro em Brasília, representantes dos povos Tikuna, da Amazónia, e Fulni-ô, de Pernambuco, defenderam mais candidaturas de indígenas. O evento incluiu interpretação das línguas indígenas tikuna, yaathe (fulni-ô) e kaingang.

Em 2018, o Brasil elegeu a primeira mulher indígena para a Câmara de Deputados, Joênia Wapichana. O primeiro deputado indígena da Câmara foi Mario Juruna, que venceu o pleito em 1982.

Há três anos, foi criado o Ministério dos Povos Indígenas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Ministério, o Brasil tem 305 povos indígenas e uma população de mais 1,7 milhão de pessoas. Monica Grayley – Brasil ONU News


Timor-Leste - Ensino superior terá pela primeira vez um curso de história

A Unesco apoiou o desenvolvimento da nova disciplina. A reitora da Faculdade que abrigará a cadeira diz que objetivo é honrar o passado e formar futuros educadores, a primeira turma começa no ano letivo de 2027


Timor-Leste está prestes a ter o seu primeiro Departamento Académico de História, marcando um passo significativo para fortalecer a forma como o país ensina, pesquisa e preserva o seu próprio passado.

Em fevereiro, o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura aprovou a criação do novo departamento sob a égide da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Nacional de Timor-Leste.

Rigor e honestidade

A reitora da Faculdade, madre Esmeralda Piedade, disse que o objetivo é honrar o passado da nação formando futuros educadores e garantir que a história do país de língua portuguesa, no sudeste da Ásia, “seja contada com o rigor e a honestidade que merece”.

Timor-Leste foi colonizado por mais de quatro séculos por Portugal, e depois ocupado pela Indonésia, a nação vizinha. A longa luta pela restauração da independência culminou num referendo organizado pela ONU em 1999, que garantiu o caminho para a autodeterminação dos timorenses, três anos depois.

Desde 2002, a educação em história tem sido reconhecida como essencial, não apenas para a identidade nacional, mas também para a reconciliação, direitos humanos e construção de uma cultura de paz.

No entanto, até agora, nenhuma universidade timorense oferecia um programa académico dedicado a esta disciplina. Professores ensinaram História sem treino especializado e investigadores trabalharam sem instituições de residência.

Dois caminhos académicos

A criação do novo departamento resolve essa lacuna no ensino superior, oferecendo dois caminhos académicos. A primeira opção será Educação em História, preparando futuros professores para escolas em todo o país.

A segunda é Gestão Cultural e do Património, construindo uma experiência nacional na preservação e promoção da cultura timorense.

A pedido de parceiros nacionais, a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, ofereceu suporte técnico para moldar o desenvolvimento do novo departamento.

A representante da agência no país, Maki Katsuno, disse que as universidades “são onde as sociedades se reúnem para documentar e preservar sistematicamente o seu passado e imaginar o futuro”.

Primeira turma

Ela afirmou que a Unesco tem orgulho de apoiar a Universidade Nacional de Timor-Leste, a única instituição pública de ensino superior do país, na construção de um Departamento de História que atuará com “um profundo compromisso com o povo de Timor-Leste”.

Espera-se que o Departamento receba a sua primeira turma de estudantes no ano letivo de 2027.

O plano estratégico, que será finalizado até junho de 2026, estabelece a visão do departamento, o currículo, a agenda de pesquisa, o caminho de desenvolvimento do corpo docente e as parcerias institucionais para os seus primeiros cinco anos. ONU News – Nações Unidas


Espanha, França e Portugal - A corrida pelas energias renováveis intensifica-se à medida que os governos se esforçam para reduzir as contas de energia

"Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos a pagar o preço das guerras de outros povos", disse o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu


Com a guerra entre EUA e Israel contra o Irão a mergulhar o mundo no que o chefe da AIE (Agência Internacional de Energia) chamou de "a maior crise energética que já enfrentámos", os governos estão a procurar soluções desesperadamente.

Felizmente, algumas das maiores economias da Europa têm a clareza de que as energias renováveis ​​são a forma mais confiável e barata de se proteger contra choques energéticos, ao mesmo tempo que atingem as metas de redução de emissões.

O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão e os numerosos ataques à infraestrutura energética no Médio Oriente levaram à "maior ameaça à segurança energética da história", de acordo com o Dr. Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA).

A dependência da importação de petróleo e gás já custou à UE 24 mil milhões de euros, para além do que já estava previsto. Sem as energias renováveis, esta despesa seria ainda maior.

A energia solar economizou mais de 100 milhões de euros por dia na Europa desde o início da guerra, e as energias renováveis, em geral, são um fator crucial para a redução das contas de luz. Graças ao aumento da disponibilidade de energia renovável, os preços da eletricidade foram, em média, 24,2% menores entre 2023 e 2025 em 19 países.

Após recuperarem do choque inicial da guerra, os governos começaram a aconselhar cidadãos e empresas a economizar energia sempre que possível. Dirigir de forma eficiente em termos de consumo de combustível, trabalhar em casa e até mesmo gerar a própria energia em casa foram algumas das recomendações feitas.

Mas a transição para a energia limpa depende muito mais das políticas governamentais do que das ações individuais.

Aqui, analisamos como Espanha, França e Portugal responderam à crise dos combustíveis fósseis.

Espanha intensifica seus esforços em energias renováveis.

A Espanha tem sido amplamente elogiada pelos seus investimentos em energias renováveis, e isso mostrou-se extremamente vantajoso durante a crise energética.

Entre 2019 e 2026, o país duplicou a sua capacidade de energia solar, atingindo 40 GW – mais do que qualquer outro país da UE, com exceção da Alemanha , cujo mercado de energia é o dobro do tamanho do espanhol. Essa visão de futuro fez com que as contas de luz dos espanhóis permanecessem entre as mais baixas da Europa, apesar da guerra com o Irão ter afetado gravemente o fornecimento de energia.

Desde o início da guerra com o Irão, a Espanha intensificou os seus esforços em energias renováveis. Num Decreto Real publicado em 20 de março, o país anunciou medidas para acelerar a eletrificação, a implantação de energias renováveis ​​e o armazenamento de energia. Estas medidas incluem a desburocratização, a melhoria da infraestrutura da rede elétrica para evitar o desperdício de energia renovável, a criação de normas mais rigorosas para a construção de data centers que não sejam comprovadamente sustentáveis ​​e o incentivo à criação de comunidades energéticas.

França proíbe caldeiras a gás em novos edifícios

A França está a investir fortemente na eletrificação, prometendo € 10 mil milhões em apoio estatal para a transição do petróleo, gás e seus derivados para a eletricidade, conforme noticiado pela Reuters.

As bombas de calor também fazem parte do plano, com a instalação de mais um milhão por ano, e as caldeiras a gás serão proibidas em edifícios recém-construídos a partir de 2027.

“Hoje, 60% do nosso consumo de energia provém desses combustíveis fósseis importados, embora a energia que produzimos internamente seja três vezes mais barata”, disse o primeiro-ministro Sébastien Lecornu ao anunciar as novas políticas. “Enquanto dependermos do petróleo e do gás, continuaremos a pagar o preço das guerras de outros povos, que infelizmente persistirão e nos empobrecerão”, acrescentou.

Portugal promete um limite máximo de preços

O aumento das contas das famílias tem sido uma preocupação mundial desde que os ataques dos EUA e de Israel ao Irão levaram ao encerramento do Estreito de Ormuz.

Portugal, conforme noticiado pela Reuters, prometeu limitar temporariamente os preços da eletricidade, se necessário. O mecanismo de proteção ao consumidor seria implementado caso os preços da eletricidade no retalho subissem mais de 70%, ou ultrapassem 2,5 vezes a média dos últimos cinco anos, ultrapassando € 180 por megawatt-hora. O governo cobriria o custo inicial do apoio, que “seria recuperado posteriormente”, segundo o Ministro António Leitão Amaro.

Portugal é menos dependente do gás natural para a sua eletricidade. em comparação com muitos países europeus e, nos dois primeiros meses do ano, cerca de 79% da eletricidade consumida em Portugal provém de fontes renováveis, de acordo com dados oficiais.

Polónia destina verbas para energias renováveis

“Ao longo da próxima década, o nosso país investirá 1 trilhão de zlotys em energia, infraestrutura, linhas de transmissão e centrais elétricas”, anunciou o primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, durante a Cúpula de Energia PowerConnect em Gdańsk, em 18 de março.

Desse montante, mais de 220 bilhões de zlotys (51,8 mil milhões de euros) serão destinados a energias renováveis ​​e armazenamento, 234 bilhões de zlotys (55 mil milhões de euros) à distribuição e 160 bilhões de zlotys (37 mil milhões de euros) à energia nuclear.

Em 2024, carvão, petróleo e gás representavam 83% da energia da Polónia.  

Mas o país está a esforçar-se para aumentar a participação de energias renováveis, passando de 21% em 2022 para 28% em 2023, segundo a AIE (Agência Internacional de Energia). Euronews