Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Moçambique – Estudantes vão continuar a estudar ao relento na província de Nampula

Com o ano lectivo à porta, volta o debate de turmas ao relento e o seu impacto pedagógico. É que nos dias de chuva, milhares de alunos ficam sem estudar. Nampula equaciona recorrer aos parceiros de cooperação para a montagem de tendas para aulas.


O ano lectivo 2026 inicia a 27 de Fevereiro, com abertura oficial, e as aulas arrancam em todo o país no dia 2 de Março. As escolas preparam-se para receber os alunos, com os professores já na fase terminal da preparação dos programas.

“E já fizeram actas, já fizeram planificações quinzenais, quase já receberam o material, já está tudo pronto. Nós só estamos à espera do dia chegar e daí arrancarmos”, confirmou Horácio Luís, Director-adjunto Pedagógico de uma das escolas de Nampula.

Entretanto, há uma situação que inquieta: Novo ano, e velhos problemas.

A Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vai funcionar com mais de 3500 alunos e porque as salas convencionais são poucas, muitos alunos estudam ao relento, para a preocupação de pais e encarregados de educação.

“Quando chove não há nada, não costumam dar aulas porque os alunos ficam debaixo das árvores. Aí não têm hipóteses de ficar para estudar”, lamenta Cidália João, encarregada de educação.

Durante o período lectivo, as árvores servem de salas de aula. São turmas que correspondem a cada árvore. É lá onde parte dos alunos da Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vão iniciar o ano lectivo e o chão está húmido, justamente porque ainda é período chuvoso.

E em Nampula são muitas escolas que estão na mesma situação e condições, onde os alunos poderão ter as suas aulas debaixo das árvores.

Horácio Luís confirma que a situação vai continuar, até porque não houve acréscimo das salas de aula. “No ano passado nós tivemos 30 salas ao ar livre, no relento, e espero que também este ano este número vai permanecer porque as salas que tivemos no ano passado são as mesmas”, disse.

Ou seja, cresce o número de alunos a cada ano e o ritmo de construção de novas salas é muito baixo. Na falta da melhor solução, a direcção provincial de Educação em Nampula pensa em recorrer às tendas.

“Estamos num período chuvoso, estamos a rezar para que não haja catástrofe, mas como sabem nós trabalhamos com parceiros, sempre temos tido backups. A educação sempre sofreu por conta das épocas chuvosas, como também da época ciclónica”, frisou William Tuzine, Director de Educação em Nampula.

Até ao ano passado, ao nível da província de Nampula, estimava-se que cerca de 290 mil crianças estudam ao relento, pelo menos no ensino primário, um cenário que provavelmente não vai alterar bastante, mas para pior. In “O País” - Moçambique


Guiné Equatorial - O seguro de saúde universal obrigatório entra numa fase decisiva

O Ministério da Saúde da Guiné Equatorial e especialistas da OMS estão a rever as fases finais antes do lançamento do sistema, previsto para este ano de 2026


A vice-ministra da Saúde, Bem-Estar Social e Infraestrutura de Saúde, Praxedes Rabat Makambo, realizou uma reunião de trabalho na última segunda-feira com especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e técnicos de vários departamentos envolvidos para avaliar o progresso e definir os próximos passos antes da implementação do Seguro Saúde Universal Obrigatório na Guiné Equatorial, cuja implementação está prevista para antes do final de 2026.

A iniciativa reflete o compromisso do Governo em garantir o acesso a serviços de saúde de qualidade para toda a população, em consonância com a agenda nacional de saúde e as metas internacionais de desenvolvimento em saúde. Nesse sentido, o Poder Executivo foi incumbido de agilizar os estudos e mecanismos necessários para a implementação de um sistema universal de saúde no país.

Durante a reunião, foram analisados ​​os progressos alcançados até ao momento, incluindo a criação, em 2024, do Comité Diretivo para o Seguro Saúde Universal Obrigatório e do Comité Técnico Multissetorial responsável pela coordenação dos trabalhos técnicos. Também foi destacada a realização de um workshop de capacitação para 25 especialistas em Riaba e a definição dos custos dos benefícios e pacotes de serviços de saúde que serão incluídos no seguro.

Além disso, foi confirmada a adoção de resoluções relacionadas ao âmbito da cobertura, aos benefícios de saúde incluídos e aos métodos de pagamento do sistema, aspectos fundamentais para garantir a viabilidade e a sustentabilidade do futuro Seguro Universal de Saúde Obrigatório, que agora entra numa fase decisiva rumo ao seu lançamento oficial. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Cabo Verde - Neusa Correia Lopes publica livro sobre “Educar durante a pandemia: sala de aula tradicional vs espaço virtual”

Cidade da Praia – A investigadora Neusa Correia Lopes é a única mulher cabo-verdiana e em África que, até agora, publicou sobre “Educar durante a pandemia: sala de aula tradicional versus espaço virtual”, apurou a Inforpress.


Com o aproximar do mês de Março, que é dedicado às mulheres, a Inforpress abordou a escritora que, no seu livro, explora os desafios provocados pela crise sanitária da pandemia do covid-19, com foco no impacto emocional e social.

Em declarações à Inforpress, Neusa Correia Lopes afiançou que o livro, escrito durante a pandemia, aborda a cultura, a diversidade cultural e adaptação no contexto educativo e a experiência dos imigrantes, em particular, dos cabo-verdianos, ao chegarem aos EUA durante a pandemia, bem como o multiculturalismo e as mudanças necessárias no sistema educativo para acolher estes novos alunos.

“O objectivo foi compreender como integrar os recém-chegados nas nossas comunidades, mesmo em tempos difíceis”, enfatizou.

Segundo a autora, um dos temas centrais do livro é a importância da língua inglesa e das barreiras linguísticas enfrentadas pelos imigrantes, numa altura em que o ensino sofreu uma transformação significativa com a transição para as aulas virtuais, trazendo novos desafios e oportunidades.

Neusa Correia Lopes adiantou que o livro vem na sequência das pesquisas realizadas em vários países, incluindo Portugal e Cabo Verde, para melhor compreender os diferentes contextos educativos e o impacto da pandemia, destacando a sua experiência de dar aulas virtualmente em universidades cabo-verdianas enquanto residia nos EUA.

A autora indicou que objectivo é de se reflectir sobre o impacto emocional e psicológico do ensino “online”, procurando criar um espaço confortável para que alunos e professores possam enfrentar as dificuldades deste novo paradigma, vincado numa filosofia a que deu o nome de “between dimensions” (entre dimensões).

Frisou por outro lado, que é preciso manter um equilíbrio psíquico, emocional e social, analisar a situação, observar e manter a calma perante a sociedade em que vivemos, algo que conferiu durante a pandemia com os seus alunos, por isso criou a filosofia “between dimensions”.

“Percebi que a cultura e a língua são cruciais para os indivíduos, especialmente no momento em que o emigrante multilingue e a população estudantil foram desafiados pela covid-19, com o uso de máscaras, o distanciamento social e a necessidade de adaptação a uma nova vida social”, precisou.

Desafios a que, na sua opinião, os professores devem estar atentos, desde à forma emocional, psicológica e fisiológica como devem abordar os alunos numa “sala de aula do Zoom”, de modo a não perderem a identidade e criarem uma nova forma de adaptação social com a transformação tecnológica, que este condicionalismo trouxe ao sistema educativo e que obriga à criação de estratégias para construir resiliência.

A escritora alega que, a chegada da pandemia, lhe causou algum choque inicial e foi então que começou a dar aulas pelo WhatsApp, para garantir a continuidade do ensino.

Além disso, Neusa Lopes acompanhou, de perto, debates científicos internacionais, nomeadamente, os fóruns da Harvard School, onde especialistas como o Dr. Anthony Fauci discutiam a evolução da covid-19, o que lhe permitiu aprofundar a sua investigação.

No final, o livro propõe uma reflexão sobre se a educação pós-pandemia regressará à “normalidade” ou se a crise provocará mudanças permanentes no modo de ensinar e aprender e ao mesmo tempo deixar uma pista para os procedimentos a se ter em conta, caso venha a surgir uma nova pandemia, de modo a que o sistema de ensino esteja preparado para dar resposta as novas exigências.

Finalizou defendendo que, “língua da inteligência artificial (IA) é cultura e dimensão tecnológica também é língua. Isto porque, esta dimensão apresenta sua própria linguagem, os seus próprios parâmetros, pelo que é preciso descodificar esta linguagem. É preciso aproveitar as oportunidades que surgem”. In “Inforpress” – Cabo Verde


Angola - Projecto “12 Escritores na Biblioteca” reforça importância da leitura na comunidade

O Projeto Leitura ao Domicílio vai lançar, no sábado, 21, a iniciativa intitulada “12 Escritores na Biblioteca Comunitária”, que vai receber, na primeira edição, o escritor angolano Nelson Soquessa, com o objectivo de promover a leitura e a escrita por meio do contacto directo entre escritores e a comunidade


O convidado desta edição, o escritor angolano Nelson Soquessa, que em 2021 lançou a obra Histórias Místicas e, em 2023, publicou a segunda obra Isunji, que significa “Maravilha”, e valoriza o grupo etnolinguístico do Songo, actualmente prepara-se para lançar o livro Os Segredos do Jardim da Alma.

Segundo Aniceto da Silveira, presidente do projecto, a iniciativa visa promover o hábito da leitura, valorizar a literatura nacional e aproximar os escritores da comunidade, utilizando a biblioteca comunitária como espaço de inclusão, aprendizagem e desenvolvimento humano. “A leitura vai muito além do conhecimento, pois estimula o raciocínio, activa o cérebro, aumenta a imaginação, melhora o vocabulário, desenvolve o pensamento crítico, combate o estresse, amplia a criatividade e estimula a concentração”, descreveu.

O projecto prevê a realização de 12 sessões literárias, semanais ou quinzenais, com cada sessão dedicada a um escritor convidado. Cada encontro contará com a apresentação do escritor e das suas obras; leitura comentada de excertos; conversa interativa com o público; sessão de perguntas e respostas. O presidente do projecto destacou que, neste ano, os escritores de diferentes áreas da literatura, prosa, poesia ou declamação, estão convidados a participar, com a intenção de partilharem os seus conhecimentos com os cidadãos na comunidade. Maria Custódia – Angola in “O País”


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Burkina Faso – Dispara produção de ouro após reforma que nacionaliza minas

Em 2025, o governo de transição concluiu a nacionalização de 5 activos de mineração de ouro, finalizando o processo iniciado em 2024 para reforçar o controlo sobre recursos minerais. Produção de ouro cresceu 47% num ano

O Fundo Monetário Internacional elogiou a "ambiciosa agenda de reformas governamentais" e a "gestão macroeconómica sólida" do Burkina Faso, no final de uma visita ao quarto maior produtor de ouro em África, que em 2025 atingiu uma produção recorde de 94 toneladas, mais 30 toneladas do que no ano anterior, segundo dados do ministro da Energia, Minas e Pedreiras, Yacouba Zabré Gouba.

O país é dirigido por um governo de transição presidido pelo capitão Ibrahim Traoré, desde Setembro de 2022, na sequência de um segundo golpe militar em oito meses. No espaço de quatro anos, as reformas do presidente interino fizeram disparar a produção de ouro, em 62% (de 58 toneladas em 2022 para 94 toneladas em 2025). A reforma incluiu a nacionalização de duas minas de ouro e a exigência de uma participação mínima de 15% em todos os investimentos estrangeiros no sector. Fiscalização mais apertada, para evitar o contrabando e a venda ilegal de ouro, também contribuíram para aumentar a produção.

"Políticas económicas sólidas e um rápido aumento das exportações contribuíram para o crescimento" e ajudaram o Burkina Faso a "manter a dívida pública numa trajetória sustentável, mantendo ao mesmo tempo a inflação sob controlo", afirmou Kenji Okumura, director-geral adjunto do FMI, chefe da delegação que visitou o país.

Segundo o FMI, que esteve no país poucos dias depois de o governo dissolver por decreto todos os partidos, num total de mais de 100 formações políticas, a economia do Burkina Faso têm-se mostrado "resiliente" no "meio de desafios humanitários e de segurança", graças a uma "gestão macroeconómica sólida" e uma "ambiciosa agenda de reformas governamentais".

Não é a primeira vez que o FMI elogia o governo interino do Burkina Faso, que, juntamente com o Mali e o Níger, iniciou um processo de ruptura com o Ocidente, principalmente com a antiga potência colonizadora da região do Sahel, a França. Os três países anunciaram a saída da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), em Janeiro de 2024, após sanções da organização na sequência dos golpes de estado, e criaram a Aliança dos Estados do Sahel, organização apoiada pela Rússia, com quem formalizou uma parceria estratégica de defesa e de segurança.

Reformas tiram o país da lista cinzenta do GAFI

No relatório sobre a quarta revisão ao programa aprovado em 2023, com um financiamento de 302 milhões USD, divulgado em Novembro de 2025, o FMI diz que as autoridades locais cumpriram "todas as metas indicativas quantitativas, com excepção de uma", graças a um "desempenho sólido" do governo, prevendo um crescimento de 5% em 2025, impulsionado pela "forte produção de ouro".

Segundo o FMI, as reformas implementadas pelas autoridades locais permitiram ao Burkina Faso sair da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira (GAFI), organismo que vela pelo cumprimento das leis do branqueamento de capitais e melhoraram os indicadores estruturais que promovem a governação fiscal e a transparência. Isabel Bordalo – Angola in “Expansão”


Portugal – Cosmoparolismo

Em despacho de 30 de Janeiro, o reitor da Universidade Nova determinou o que deveria ser óbvio: que “a denominação própria e característica das Instituições de Ensino Superior” deve ser feita de forma “inequívoca em língua portuguesa”, permitindo a designação bilingue das faculdades que o entendam, por exemplo, nas suas comunicações com organizações internacionais, desde que não suprimam a denominação em Português.

Não parece uma decisão disparatada ou insensata, muito pelo contrário. Aliás, o que parece estranho é que Instituições de Ensino Superior públicas se tenham começado a apresentar com designações em inglês (branding). Ou, em nome das alegadas vantagens de marketing da “internacionalização”, a direccionarem para o estrangeiro uma parte substancial do recrutamento dos seus alunos e à maioria das aulas, mesmo quando asseguradas por docentes indígenas, serem leccionadas em língua inglesa.

Em defesa dessas opções alega-se que, assim, conseguem maiores receitas com as matrículas e que a anglicização é um factor importante para a presença dessas instituições em posições de destaque em rankings internacionais. Em particular as faculdades (Schools) de Gestão (Business) e Economia (Economics) parecem cativadas por essa tendência e nota-se em muitos dos seus docentes um especial orgulho em fazerem parte de instituições que se esforçam por apagar a sua ligação a (menos a geográfica, porque o sol, as praias e a comida são trademarks de) Portugal.

A este respeito, para não me alongar no sarcasmo quanto à predominância da imagem em relação à substância, diria que o prestígio de uma instituição não depende da sua designação em língua estrangeira, por universal que seja. As alemãs TUM (Technische Universität München) ou LMU (Ludwig-Maximilians-Universität München) não precisaram de se anglicizar para manterem a sua reputação. A Sorbonne será sempre conhecida como tal. A École Polytechnique de Paris está no topo sem negar a sua origem. A ETH Zürich (Eidgenössische Technische Hochschule Zürich) está em 7.º lugar no QS World University Rankings 2026 sem necessitar de mais do que ter a funcionalidade, agora quase automática, de apresentar as suas informações em diferentes línguas no seu site. As restantes Universidades do Top-10 têm designações em inglês porque estão em países onde essa é a língua oficial (ou uma das oficiais, como em Singapura).

Além disso, no caso de instituições da rede pública, seria de pensar que as suas prioridades se direccionariam para os alunos nacionais e para o desenvolvimento do país, através da formação de capital humano altamente qualificado. Só que, em particular na área de business and economics, está bem à vista que a sua maior especialidade é na formação de comentadores mediáticos ou de autores de estudos de impacto muito discutível no desenvolvimento do “tecido empresarial”, se exceptuarmos fugazes unicórnios. Paulo Guinote – Portugal in Diário de Notícias

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Paulo Guinote - Professor do Ensino Básico

 

Angola - 25 em cada 100 jovens com mais de 5 anos nunca frequentou a escola

Número ascende A 7,6 milhões de pessoas. Os indicadores do Censo 2024 destapam a falta de investimento, e até de cuidado, na implementação de políticas públicas para melhorar o desempenho do sistema de educação, que é essencial para dotar a população de ferramentas que ajudam a quebrar ciclos de pobreza e de exclusão social


Os resultados do recenseamento geral da população e da habitação realizado em 2024, apesar das dúvidas sobre a qualidade da informação recolhida, trazem vários indicadores e pistas para entender melhor o País. No caso da educação, mesmo considerando alguma evolução em determinados segmentos, o Censo 2024 revela que, entre os 31,4 milhões de angolanos com mais de 5 anos, mais de 7,6 milhões nunca frequentaram uma escola. São quase 25 em cada 100 cidadãos acima dos 5 anos (24,2%).

Entre o elevado número de pessoas que nunca viram uma carteira escolar ou um professor, 4,4 milhões são mulheres, enquanto 3,2 milhões são homens, o que assinala uma disparidade de género no acesso à educação, em prejuízo do sexo feminino. Segundo os cálculos do Expansão, tendo em conta os resultados do Censo 2014, a proporção de pessoas que nunca frequentaram um estabelecimento de ensino aumentou na última década: passou de 22,5% (4,7 milhões entre 20,8 milhões de cidadãos com mais de 5 anos) para os referidos 24,2% apurados em 2024.

A mesma realidade verifica-se entre os 5 e 18 anos, onde a percentagem da população fora do sistema de ensino "aumentou em 12 pontos percentuais entre 2014 e 2024, passando de 22%, em 2014, para 34%, em 2024". "O maior aumento verifica-se no grupo etário 12-14 anos", admite o Instituto Nacional de Estatística no relatório final do Censo 2024.

"São factores como a pobreza, a falta de infraestruturas escolares nas zonas rurais, barreiras culturais, desigualdade de género e as limitações no acesso à educação, especialmente em áreas remotas, que justificam esta situação", explica Lando Pedro, professor universitário e especialista em Educação. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”


Guiné-Bissau - Teve iniciativa de cancelar missão da CPLP

O Governo de transição da Guiné-Bissau afirmou que foi sua a iniciativa de cancelar a missão da CPLP ao país por não reconhecer legitimidade à presidência de Timor-Leste na organização de países de língua portuguesa.

Timor-Leste assumiu a liderança da Comunidade depois de a Guiné-Bissau, que tinha a presidência, ter sido suspensa na sequência do golpe de Estado de novembro de 2025, em que os militares tomaram o poder.

As autoridades timorenses anunciaram, na segunda-feira, o envio de uma missão de bons ofícios da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), prevista para de 17 a 21 de fevereiro, que deram como cancelada, num documento assinado pelo primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, a que a Lusa teve acesso.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, contactou a Lusa para esclarecer que “não foi Timor-Leste que cancelou” a missão, mas “foi o Governo da Guiné-Bissau”.

Segundo disse, a decisão foi comunicada às autoridades timorenses, numa carta com a data de 13 de fevereiro, em que Bissau informa que “não reconhece Timor-Leste como sendo presidente da CPLP ´Pro Tempore` (por um tempo)”.

O representante da diplomacia guineense acrescenta que “a Guiné-Bissau soube através da Comunicação Social que haveria uma Missão de bons ofícios a vir ao país”.

“Não houve concertação nenhuma”, vincou o ministro, numa alegação que consta da carta enviada por Bissau ao ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Benedito dos Santos Freitas, que deveria chefiar a missão.

A carta foi enviada um dia depois de o Governo da Guiné-Bissau ter sido informado pela embaixada de Timor-Leste em Lisboa do pedido de autorização para a missão se deslocar ao país, segundo ainda a diplomacia guineense.

Na resposta, o Governo da Guiné-Bissau assinala a inexistência de “qualquer concertação prévia com as autoridades guineenses relativamente às datas, modalidades ou condições de uma eventual missão”.

O Governo guineense regista ainda “as declarações recorrentes e públicas do primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão”, as últimas das quais se referiu à Guiné-Bissau como “um estado falhado”.

Para as autoridades guineenses, estas declarações “têm assumido um carácter abertamente hostil e desrespeitoso”, classificando-as “de natureza imprópria e incompatível com o decoro institucional”.

Refere ainda que “configuram uma interferência indevida nos assuntos internos da Guiné-Bissau e contribuem para a deterioração injustificada do ambiente político entre os dois Estados”.

Na carta, o Governo da Guiné-Bissau dirige-se também diretamente à CPLP, vincando que “no atual quadro das relações institucionais não reconhece, nem reconhecerá a alegada presidência ‘Pro Tempore’ da CPLP por Timor-Leste”.

Consequentemente, as autoridades guineenses referem que não lhes “é possível autorizar ou receber em território nacional uma missão mandatada em seu nome, até que haja a devida clarificação formal do enquadramento jurídico e político aplicável”.

A carta termina afirmando que o Governo da Guiné-Bissau mantém “a sua abertura a um diálogo franco e respeitoso, bem como a iniciativas bilaterais ou multilaterais que se fundem numa base clara, mutuamente acordada e plenamente respeitadora da soberania nacional”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Portugal - Casa dos Livros celebra 50 anos da morte de Agatha Christie

A mostra "Mistérios em Exposição: a Dama do Crime nos Espólios da Casa dos Livros" está patente ao público até 8 de maio. Entrada livre


Em 2026, assinalam-se os 50 anos do falecimento da eterna Dama do Crime. Para destacar esta efeméride, a Casa dos Livros | Centro de Estudos da Cultura em Portugal da Universidade do Porto apresenta, pela primeira vez, uma exposição bibliográfica dedicada a narrativas de mistério e dedução, centrando-se exclusivamente na obra de Agatha Christie (1890-1976).

Dos espólios incorporados na Casa dos Livros, apenas três contêm obras desta escritora inglesa: as bibliotecas Ana Luísa Amaral, Maria Virgínia Monteiro e Vasco Graça Moura. Representam, no entanto, um pequeníssimo núcleo face ao conjunto de obras de mistério incorporadas nestes acervos.

A maioria dos livros exibidos na mostra Mistérios em Exposição: a Dama do Crime nos Espólios da Casa dos Livros pertence à Biblioteca Ana Luísa Amaral e foi publicada pela Livros do Brasil, editora das célebres coleções Vampiro e Vampiro Gigante, que marcaram gerações de leitores portugueses.

Esta é então uma oportunidade para desvendar os enigmas Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, entre outros personagens que imortalizaram o nome de Agatha Christie.

Um desafio para os visitantes

Como em qualquer bom mistério, nem tudo é o que parece. Como tal, os visitantes da exposição são desafiados a olhar com atenção redobrada: ao terminar de ler as legendas ou o catálogo, devem tentar resolver um enigma que ficou aí escondido. O segredo? 36 letras. Dispersas ou camufladas, quando reunidas, formam uma das frases mais representativas de uma das obras da autora.

Estará o visitante à altura da perspicácia de Miss Marple ou das “pequenas células cinzentas” de Hercule Poirot? Uma questão para responder de 10 de fevereiro a 8 de maio, na Casa dos Livros.

Com entrada livre, Mistérios em Exposição: a Dama do Crime nos Espólios da Casa dos Livros pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10h30 às 12h30 e das 14h30 às 17h30. Universidade do Porto - Portugal


Brasil - Museu da Língua Portuguesa seleciona interessados em pesquisar a língua portuguesa falada na América, África, Europa e Ásia

As pessoas escolhidas vão receber bolsas para participar de encontros e desenvolver pesquisas em cima do conteúdo da experiência da exposição principal Nós da Língua


O Museu da Língua Portuguesa abriu um edital para selecionar interessados em pesquisar a língua portuguesa e suas interdependências nos territórios da América, África, Europa e Ásia. A ideia é focar no conteúdo apresentado na experiência da exposição principal Nós da Língua, que explora a língua portuguesa falada nas nações da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e em outros territórios, como Macau, na China, e Goa, na Índia. Localizado na Estação da Luz, em São Paulo, o Museu é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo de São Paulo.

Iniciativa do Centro de Referência do Museu, o edital Língua Portuguesa no Mundo vai selecionar duas pessoas que já concluíram a graduação ou algum curso de pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado) em áreas como linguística, história, ciências sociais ou museologia. Cada uma delas receberá uma bolsa de R$ 3100 mensais por 6 meses, com possibilidade de renovação.

As pessoas selecionadas deverão produzir um levantamento do conteúdo da experiência Nós da Língua, elaborar artigos sobre a pesquisa realizada a serem publicados no sítio do Museu da Língua Portuguesa e desenvolver e ministrar palestras e oficinas sobre o que tem sido estudado. Ao longo do período de pesquisa, as pessoas serão acompanhadas pela área de Pesquisa e Documentação do Centro de Referência, que realizará encontros periódicos para supervisionar o andamento das pesquisas. 

Interativa, a experiência Nós da Língua permite que o visitante do Museu tenha acesso a dados a respeito de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe, entre outros territórios em que o português é falado. Além de curiosidades sobre a língua portuguesa falada nesses locais, há fotos, mapas e vídeos que apresentam informações sobre a história, conflitos e tradições culturais desses locais.

As inscrições podem ser feitas até o dia 19 de fevereiro por meio desta ligação. Por lá, há todas as informações sobre o edital e os documentos exigidos. In “Mundo Lusíada” - Brasil  


Cabo Verde - Concurso internacional para expansão do Porto Grande avaliado em 83 milhões de euros

O ministro do Mar anunciou que o concurso internacional para a construção da terceira fase do Porto Grande, do Mindelo, cujo investimento está avaliado em 83 milhões de euros, será lançado no dia 28 de Fevereiro


Jorge Santos falava ao presidir ao acto de assinatura de protocolos de cooperação entre a Enapor – Portos de Cabo Verde e a administração dos portos de Sines e do Algarve, bem como com a administração dos portos de Lisboa e de Setúbal e Sesimbra, todos de Portugal.

Segundo o ministro, com a expansão, o Porto Grande ganhará mais 400 metros e terá novos terminais, principalmente ao nível do transbordo, além de aumentar a capacidade de bunkering.

“Vamos fazer a duplicação do nosso porto, isto numa óptica de extensão, modernização e transformação do Porto do Mindelo, cada vez mais num porto transatlântico, com esse nível, e aumentar a capacidade de oferta de serviços a nível nacional, mas também a nível do Atlântico Médio”, explicou.

Além disso, conforme o governante, o Porto Novo, em Santo Antão, por seu lado, ganhará uma extensão de 275 metros, o que vai permitir a acostagem de grandes cruzeiros ou que grandes navios que saem de Portugal ou de qualquer outra origem possam também fazer a sua descarga nesse porto.

Conforme Jorge Santos, o Governo também projecta a terceira fase do Porto de Palmeira, na ilha do Sal, tendo em conta que se encontra numa ilha turística que recebe mais de 420 mil turistas por ano.

Segundo o ministro, o Governo também pensa priorizar, no próximo ciclo governativo, obras de expansão e modernização do Porto da Praia, para construir o corredor Praia-Dakar-Abidjan, bem como a modernização do Porto do Tarrafal de São Nicolau, na sua vertente de pesca, e do Porto de Vale de Cavaleiros, na ilha do Fogo.

Sobre os protocolos assinados entre a Enapor e os portos de Portugal, o ministro considerou que demonstram o alinhamento de Cabo Verde com as melhores práticas do mundo, uma vez que estabelecem o desenvolvimento de iniciativas conjuntas nas áreas da inovação, logística, sustentabilidade, segurança e formação.

Para o presidente do conselho de administração da Enapor, Ireneu Camacho, essa cooperação é “particularmente relevante”, pois permite à empresa “acelerar os processos de inovação, reforçar as competências técnicas” e aproximar o sistema portuário de Cabo Verde de padrões internacionais “de eficiência, segurança e sustentabilidade”.

Por seu lado, o presidente do conselho de administração dos portos de Sines e do Algarve, Pedro Ramos, em Sines existem mais de 20 rotas regulares que ligam essa cidade do distrito de Setúbal ao resto da Europa e ao mundo.

Por isso, vincou que “incluir Cabo Verde nesse eixo Europa-África-América, através do Atlântico, é absolutamente fundamental”.

Mas, sublinhou, o mais importante é “assinar e executar esses protocolos”.

Pedro Ramos informou que “são vários os eixos” que pretendem desenvolver com Cabo Verde, entre os quais a “digitalização, para simplificar processos, a descarbonização, a cibersegurança e a capacitação e qualificação” das pessoas.

O presidente do conselho de administração do Porto de Lisboa, do Porto de Setúbal e do Porto de Sesimbra, Vítor Caldeirinha, considerou que os portos de ambos os países podem “trocar experiências técnicas”, com destaque para a “descarbonização, a digitalização, concessões, a capacitação e a formação”. In “Balai Cabo Verde” com “Inforpress”



São Tomé e Príncipe - Centro de psiquiatria vai ser requalificado e apetrechado pelo Japão

O donativo financeiro do governo japonês de mais de 75 mil euros, atende a uma das principais exigências do sistema de saúde de São Tomé e Príncipe, na actualidade, pois o número de doentes mentais não pára de aumentar no país.


Os dados mais recentes e divulgados pelo centro de psiquiatria no ano 2024 indicam que os casos de doentes mentais atingiram mais de 2000 pessoas atendidas no centro de psiquiatria. 

O ministro da solidariedade Jouceril Tiny dos Ramos em substituição do ministro da saúde, alertou para a importância estratégica da ajuda do governo do Japão, no quadro do sistema nacional de saúde. Segundo o ministro, para além dos doentes internados no centro, o donativo do Japão vai apetrechar a unidade psiquiátrica com meios que permitam recolher outros doentes que deambulam pelas cidades e vilas do país.

«O projecto que hoje assinamos no valor de 75.076 euros ilustra a vontade do Japão de acompanhar São Tomé e Príncipe nos seus esforços para fortalecer o sistema de saúde, incluindo num domínio muitas vezes pouco reconhecido, mas fundamental, a saúde mental», afirmou o embaixador do Japão.

O embaixador Ando Yoshio fez a doação do financiamento para requalificar o único centro de psiquiatria do país, na mesma semana em que entregou as cartas credenciais ao Presidente da República Carlos Vila Nova.

O novo embaixador com residência no vizinho Gabão garantiu que a unidade psiquiátrica vai ser apetrechada com equipamentos modernos. «A reabilitação do serviço e o fornecimento de equipamentos modernos, tais como camas hospitalares e aparelhos de ar condicionado, com o objectivo de proporcionar um ambiente mais seguro, mais limpo e mais humano, portador de esperança, solidariedade e respeito por cada vida humana», reforçou Ando Yoshio.

O diplomata nipónico recordou que o seu país mobilizou 1 milhão de euros para o reforço do sector da saúde de São Tomé e Príncipe. Valor que permitiu o fornecimento ao sistema de saúde do país de equipamentos médicos essenciais como laringoscópios, reguladores de oxigénio etc.

«A este esforço acresce a aquisição iminente de duas ambulâncias adicionais contribuindo assim para o reforço da capacidade de resposta e de atendimento às urgências sanitárias», pontuou.

O programa de doações para micro-projectos locais lançado pelo Governo do Japão está aberto a todas as organizações sem fins lucrativos cujos projectos visam responder às necessidades essenciais da população são-tomense. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Portugal - Federação Nacional da Educação pede reunião urgente para revisão do regime do Ensino Português no Estrangeiro

A Federação Nacional da Educação (FNE) pediu uma reunião urgente ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP), com vista à abertura de um processo negocial sobre a revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro.


O pedido da FNE surge após as declarações do governante à Lusa, na semana passada, nas quais Emídio Sousa garantiu que o Governo vai trabalhar na revisão do regime jurídico que regula o ensino do português no estrangeiro “nos próximos meses” para “mitigar algumas das dificuldades, principalmente as financeiras, mas não só”.

A federação sublinha “a ampla divulgação pública” das palavras do Secretário de Estado, mas recorda, em comunicado, que, “até à presente data, e apesar das várias propostas de alteração a diversos artigos do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro enviadas pela FNE ao longo dos mandatos dos anteriores Secretários de Estado das Comunidades Portuguesas, tal revisão nunca se concretizou”.

Acrescenta que os anteriores SECP Berta Nunes e Paulo Cafôfo “reiteradamente anunciavam uma revisão para breve”.

Contudo, a organização sindical dos professores lembra que, “até hoje, não foram remetidas à FNE quaisquer propostas da tutela para estudo, nem teve lugar qualquer diálogo formal sobre esta matéria”, bem como assinala a ausência de “resposta aos ofícios e pedidos de negociação apresentados pela FNE e pelo seu sindicato filiado, o SPCL [Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas]”.

Ainda assim, a FNE “mantém a expectativa de que as intenções agora manifestadas pela tutela se traduzam, finalmente, em concretizações efetivas”.

O comunicado realça a importância desta matéria para os docentes em exercício no Ensino Português no Estrangeiro e o “impacto direto que uma eventual revisão do regime jurídico poderá ter nas suas condições de trabalho, carreira e estabilidade profissional”, para reclamar um processo a ser conduzido “com base no diálogo social, em sede de negociação”.

Por último, a FNE dá nota do envio deste pedido à tutela, reafirmando “total disponibilidade para participar, de forma construtiva e responsável, num processo negocial que assegure a valorização da profissão docente, a defesa dos direitos dos trabalhadores e a qualidade do ensino público de língua e cultura portuguesas no estrangeiro”, ficando a aguardar a marcação de uma reunião “com carácter de urgência”.

Na semana passada, durante uma visita a Londres, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, revelou estar a trabalhar na melhoria das condições financeiras dos professores de ensino da língua portuguesa no estrangeiro para combater as dificuldades no recrutamento. “O estatuto remuneratório e os benefícios atuais não são muito atrativos porque muitos dos professores que até poderiam ter interesse em vir deparam-se com dificuldades financeiras, porque a habitação é muito cara”, afirmou Emídio Sousa.

Além da componente salarial para melhorar a atratividade da carreira, o governante anunciou a revisão de aspetos como “o próprio ensino, o método, o desempenho, as capacidades”, sem dar pormenores.

O Governo, garantiu, está determinado em manter e melhorar o ensino de português no estrangeiro porque o considera um “ativo estratégico para o país”, mas reconheceu que “a profissão de professor, para a minha grande tristeza, perdeu alguma atratividade”.

“Isto está a acontecer muito em todo o mundo e em Portugal”, vincou. In “LusoJornal” - França


Dinamarca – Comunidade portuguesa lança plataforma de produtos nacionais no país

A comunidade portuguesa na Dinamarca acaba de dar um novo passo no reforço da ligação às raízes portuguesas com o lançamento da plataforma online “Produtos Portugueses na Dinamarca”, um projeto comunitário que pretende facilitar o acesso a bens portugueses naquele país nórdico


A iniciativa surgiu na sequência de um questionário previamente partilhado junto da comunidade, com o objetivo de avaliar o interesse na importação periódica de produtos portugueses. Segundo os promotores, em nota publicada esta quinta-feira nas redes sociais, a resposta foi “muito positiva”, o que motivou o avanço para a criação da primeira versão do site/app, já disponível online e com vários dos produtos mais solicitados incluídos.

O conceito é simples: reunir encomendas da comunidade, importar os produtos diretamente de Portugal e, dessa forma, conseguir preços mais justos e custos de transporte mais reduzidos face às opções atualmente disponíveis. Os responsáveis sublinham que não se trata de uma loja tradicional, mas sim de um projeto colaborativo, construído com base no feedback dos portugueses residentes na Dinamarca.

Numa fase inicial, a plataforma encontra-se ainda em desenvolvimento, podendo apresentar erros ou aspetos a melhorar. A equipa apela, por isso, à participação ativa da comunidade, solicitando sugestões de novos produtos, comentários sobre os artigos já disponíveis e as primeiras encomendas, essenciais para dar escala e viabilidade ao projeto.

“O projeto é da comunidade e só funciona com a comunidade”, destaca Inês Marques em nota publicada nas redes sociais, incentivando os portugueses na Dinamarca a explorarem a plataforma e a contribuírem desde o início para a sua consolidação.

Os interessados podem enviar sugestões e comentários através do endereço eletrónico disponibilizado pelos promotores. “Quanto mais rápido tivermos volume, mais rápido conseguimos ter o projeto em funcionamento e garantir envios regulares”, lê-se na referida publicação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


As pegadas no passeio do vento











As pegadas no passeio do vento

 

Tu dormes minha virgem África!

Dormes mais que uma pedra estática

Enquanto não despertas

O teu mundo murcha.

Levanta-te do silêncio

E esgravata no meu corpo precioso.

 

Ó mãe África misteriosa

Vestida do aroma de ouro

E mineral

Como vagueias no alto da solidão?

 

Minha mãe

Minha rainha

Minha virgem

E idolatrada vaidosa

Enxergo-te a lacrimejar

Entre as paredes insólitas da panela de barro

Curvando-se aos pés da cacana e nhangana;

Das resinas verdes sob as folhas do embondeiro.

 

Minha mãe

Teus olhos nus reflectem

Feridas de desespero

Marcas de solidão

Sorrisos de omissão

Governação histórica

E mortes das órbitas nos hospitais.

 

Mãe

Enxergo-te clamando

Sobre as montanhas do Zambeze

Rios e lagos do Nilo.

Lamento seus acutilantes sorrisos

Que hoje te condenam à solidão e desespero.

 

Mãe

Oiço o romper da sua corda vocal

Chorando a histeria de uma política

(velha e caiada).

 

Seus filhos (em troca da liberdade)

Recatando feitiços

E dívidas acumuladas.

Condenados ao trabalho

E à glória atrasada

Enxergo-te a lamentar

(de joelhos) cavando túmulos

Desterradas no umbigo do seu olhar.

 

Minha mãe

Oiço-te a gargalhar com a sua enxada de pau

Rasgando a terra por uma migalha.

 

Diz-me mãe

Porque carregas cicatrizes

Meu berço coração

Filhos magistrados condenados sem razão?

 

Seu sangue mãe

Irrigando areia no orvalho da manhã

Porque tantos mistérios?

Guerras no save

E delírios das armas em muchungwe

Estiagem e secas imundos.

 

Minha mãe

Seu corpo põe-me a duvidar

De ti, minha amada

Mamã África.


Ernesto Moamba – Moçambique

In Liberta-te, Mãe África, (2016, Brasília, Editora do Carmo)

1º Prémio Internacional Varal Literário, Divinópolis, Brasil

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Ernesto António Moamba (Ernesto Moamba), nasceu a 04 de Agosto de 1994, na cidade de Maputo, Moçambique, África, onde reside. Concluiu o seu nível pré-universitário em 2014, hoje é formado em Contabilidade Geral Básica e Financeira, Gestão de Materiais e Educação Financeira. Poeta e escritor, iniciou com apresentação dos seus trabalhos literários (poesias, contos, crónicas) nas escolas e mais tarde resolveu divulgá-los em jornais, revistas e redes sociais. A temática de sua escrita é marcada pela dor, desespero e o sofrer da sua África esquecida. O poeta sublinha ter participado de duas Antologias (nacional e internacional), nomeadamente O mundo dos sonhadores e Corpo Negro, na qual teve participação de 4 países lusófonos (Moçambique, Angola, Portugal e Brasil). Em 2014-2016, recebeu Menção Honrosa nos prémios Quatro estacões e XIV Concurso Fritz Teixeira de Salles de poesia, com os poemas “Mãe África“ e “liberta-te África”, respectivamente. Pela primeira vez o autor participa na revista literária intitulada “kamba” editada em Angola com participação de 4 países lusófonas.

É membro do grupo Intercâmbio dos Escritores da Língua Portuguesa e presidente do grupo Lusofonidades-: Divulgando literatas lusófonas. In “Wordpress.com”

Ernesto Moamba, um garoto da África, um poeta maduro, filho da pura essência do sofrimento humano, inequivocamente a sua poesia singular foi forjada neste crisol incomparável. Não encontrei nas suas lágrimas poéticas, nem nos seus raros sorrisos de encantamento existencial, nas suas frases ou versos alguma influência direta de Camões ou de Fernando Pessoa, grandes mestres da poética portuguesa. Todavia o que me parece é que aquilo que Moamba expressa no seu canto de lamento, é algo muito visceral, a sua voz é a voz da verdade, da sua própria alma, que se debate nas paredes de uma prisão cultural, num país que ainda não se libertou das algemas da escravidão social que priva os africanos da dignidade mínima que merece a alma humana. Por isso o título é tão apropriado, Liberta-te Mãe África. Portanto não se trata de mais uma cópia de poeta clássico, como Rimbaud, que desenvolveu a sua arte de fazer poesia copiando e reescrevendo grandes nomes da poesia ocidental. Ernesto é puro, simples e verdadeiro, sem firulas ou retóricas consegue atingir o seu objetivo, o de nos convencer que é um estupendo poeta na flor da sua idade biológica. Contudo, com apenas 22 anos não tem idade para escrever como escreve, sobretudo poesia, e poesia com uma inconfundível paixão e autenticidade que intrigam poetas experientes e a mim em uma análise breve como faço hoje. A poesia de Ernesto é um cântico de lamento, uma ODE à África que reverbera em todas as almas que têm sensibilidade e empatia com a dor do homem. Viva a África, viva e venha para imortalidade efémera da poesia, Senhor Ernesto Moamba. 

Evan do Carmo, Brasília, em 15 de julho de 2016. In “Editora do Carmo”

Principais obras publicadas:

Liberta-te, Mãe África – Foi o seu livro de estreia e reúne poemas marcados pela temática da dor e sofrimento de África — uma “ode à África”. Publicado originalmente pela Editora do Carmo, Brasília (2016).

Free Yourself, Mother Africa – (em inglês). Versão traduzida de Liberta-te, Mãe África, publicada nos Estados Unidos, em Nova Iorque (2020).

Libérate, Madre África – (em espanhol). Tradução da obra em espanhol, publicada na Colômbia pela Editorial Torcaza (2020).

O Coelho Fugitivo: Entre a Esperteza e o Medo – literatura infanto-juvenil. Publicado pela Editora Folheando, Pará, Brasil (2018-2020).

O Abecedário que se Fingiu de Mudo – literatura infanto-juvenil. Publicado pela Ibis Libris Editora; baseia-se numa narrativa reflexiva sobre identidade e valor pessoal via personagens do alfabeto (2022).

O Julgamento e a Sentença – Poesia. Mencionado como sendo a sua segunda obra de poesia, publicada em Belém (Brasil) pela Editora Folheando.

O Coelho e o Crocodilo às Margens do Rio – literatura infanto-juvenil. Título mencionado entre as suas obras infanto-juvenis publicadas no Brasil (2022).

Abecedário que Finge ser Mudo – Publicada na cidade da Beira, Moçambique pela Editorial Fundza.

A Rainha e os Sábios do Campo – literatura infanto-juvenil editada no Brasil pela Avant Gard Edições. (2024). 

Angola – Escritor moçambicano Ernesto Moamba apresenta o livro infantil "Abecedário que se fingiu de mudo"

Moçambique - Livros de Andreia Edna da Silva e Ernesto Moamba lançados no CCBM