Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Sahara Ocidental - Greve de fome de Naâma Asfari entra no seu segundo mês

A Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental (AAPSO) manifesta a sua extrema preocupação com o estado em que se encontra o preso político saharaui Naâma Asfari, que entrou já no segundo mês de greve de fome numa prisão marroquina, chamando a atenção para a situação de todos os seus companheiros que sofrem as mesmas condições.

O Observatório para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos, uma parceria entre a Organização Mundial contra a Tortura (OMCT) e a Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH), solicitou uma intervenção urgente relativamente a este caso:

«O Observatório foi informado da greve de fome de Naâma Asfari, detido arbitrariamente na prisão de Kenitra, em Marrocos, há quinze anos. Naâma Asfari é um defensor dos direitos humanos saharauis que luta pela independência do Sahara Ocidental. É vice-presidente do Comité para as Liberdades e o Respeito pelos Direitos Humanos no Sahara Ocidental (CORELSO).

A 8 de junho de 2026, Naâma Asfari iniciou uma greve de fome por tempo indeterminado para exigir a aplicação do parecer 23/2023 emitido pelo Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre a Detenção Arbitrária. A 27 de março de 2023, este Grupo de Trabalho classificou a sua condenação como "arbitrária", apelando ao Reino de Marrocos para que libertasse imediatamente Naâma Asfari, lhe concedesse uma indemnização e abrisse um inquérito aprofundado e independente sobre a sua privação arbitrária de liberdade.

Através da sua greve de fome, Naâma Asfari protesta, de forma mais ampla, contra as condições de detenção desumanas e degradantes, bem como contra a negligência médica e as represálias sistemáticas de que são alvo os prisioneiros saharauis nas prisões marroquinas. Solicita também as suas transferências para o Sahara Ocidental, a fim de os aproximar das suas famílias.»

A 29 de Junho, a organização Frontline Defenders chamou a atenção para a deterioração das condições de saúde de Naâma Asfari, considerando que “os maus-tratos e a detenção prolongada de Naâma Asfari e dos outros membros detidos do grupo de Gdeim Izik resultam exclusivamente do exercício pacífico das suas atividades legítimas e pacíficas em defesa dos direitos humanos.”

No dia 8 de Julho, as famílias dos presos políticos saharauis do grupo de Gdeim Izik concentraram-se em frente da sede da Delegação Geral da Administração Prisional marroquina, em Rabat, exigindo:

A libertação imediata e incondicional de todos os prisioneiros civis saharauis, incluindo o prisioneiro Naâma Asfari.

Uma intervenção urgente e eficaz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, da Organização Mundial de Saúde e do Comité Internacional da Cruz Vermelha, para avaliar o seu estado de saúde e garantir a sobrevivência dos grevistas de fome.

A abertura de um inquérito internacional independente sobre todas as violações dos direitos humanos cometidas contra civis saharauis nas prisões marroquinas.

A AAPSO apela a que se dê a conhecer esta informação da forma mais ampla possível e a que todas as cidadãs e cidadãos, assim como as organizações da sociedade civil, utilizem os seus canais de comunicação e exprimam a sua solidariedade com os presos políticos saharauis, em particular Naâma Asfari. Recomenda também que sejam dirigidas mensagens à Embaixada de Marrocos em Lisboa, apelando à libertação imediata, de acordo com as recomendações das Nações Unidas, de todos os prisioneiros políticos saharauis. Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental – Portugal com “Sahara Press Service


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