"Sou guineense e continuarei, assim que possível, este combate", garantiu o opositor guineense, recebido em euforia por dezenas de guineenses no aeroporto com bandeiras, gritos de apoio e cânticos
O opositor guineense Domingos Simões
Pereira chegou na madrugada desta sexta-feira ao aeroporto de Lisboa, após sair
da cadeia, onde se encontrava em prisão preventiva na Guiné-Bissau, e prometeu
regressar ao país para continuar “este combate”.
Questionado pelos jornalistas, à saída do lounge VIP do
aeroporto de Lisboa, se tencionava regressar, Domingos Simões Pereira foi
taxativo: “Absolutamente”.
“Eu sou guineense e continuarei, assim que possível, este
combate”, garantiu o opositor guineense, que foi recebido em euforia por
dezenas de guineenses a residir em Portugal e que encheram o aeroporto com
bandeiras e gritos e cânticos de apoio. “Eu não posso virar costas ao meu
povo”, sublinhou.
O responsável admitiu estar a sentir uma “sensação de
liberdade” e “agradecido pela população que o vem acolher”. Quanto aos
pormenores da sua estadia em Portugal, admitiu que ainda não conhece as
condições, “porque quem trata de tudo são as autoridades portuguesas”.
Questionado sobre os assuntos internos no país, Domingos
Simões Pereira escusou-se a responder diretamente às perguntas, dizendo apenas
que “alguém trabalhou, as autoridades trabalharam” e permitiram que estivesse
em Portugal. “Eu quero respeitar esse esforço que foi feito. Assim que conhecer
todos os contornos”, falará, assegurou.
Quanto ao seu estado de saúde, disse ainda não saber,
respondendo apenas que se “sente bem”.
Domingos Simões Pereira chegou por volta da 1h00 a
Lisboa, tendo saído no dia anterior da cadeia, onde se encontrava em prisão
preventiva, por ordem do juiz de instrução criminal, Mamadú Embaló, que
autorizou que viajasse para Portugal, onde vai submeter-se a tratamento médico.
Simões Pereira estava a cumprir prisão preventiva desde o
passado dia 10 de julho, no âmbito de um processo em que é acusado pela justiça
militar de participação em alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida em
novembro de 2025. Agora foi autorizado a ausentar-se da Guiné-Bissau durante
noventa dias, período durante o qual não poderá desenvolver atividade política.
Segundo o despacho, o juiz baseou-se num
relatório médico do Hospital Militar de Bissau, segundo o qual seria necessário
que o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC)
fosse observado num centro médico especializado em Portugal.
Simões Pereira viajou para Portugal na companhia da
esposa e do irmão, o médico Camilo Simões Pereira.
A decisão do juiz de instrução criminal (JIC) respondeu a
um requerimento da defesa e contou com o parecer favorável da Promotoria de
Justiça Militar, tendo em conta “razões humanitárias e legais, fundamentadas
num atestado emitido pelo Dr. Domiciano Bernardo Nacocam Mango, médico do
Hospital Principal Militar de Bissau”.
No despacho do JIC, é referido que a “prisão preventiva
fica suspensa pelo período de três meses, ao abrigo do artigo 164º do Código de
Processo Penal (CPP)” da Guiné-Bissau.
“O suspeito está sujeito à obrigação de abster-se de
desenvolver qualquer atividade político-partidária durante a vigência da
suspensão. Findo o prazo de três meses, a situação processual do suspeito será
novamente reapreciada pelo tribunal”, sublinha-se.
Presidente eleito do Parlamento guineense, Simões Pereira
estava em prisão preventiva desde o passado dia 10, no âmbito de um processo em
que é acusado pela justiça militar de participação em alegada tentativa de
golpe de Estado ocorrida em novembro de 2025.
A Guiné-Bissau foi palco de um golpe de Estado em
vésperas da publicação dos resultados provisórios das eleições legislativas e
presidenciais, que tinham decorrido sem incidentes em novembro de 2025.
Em comunicado, o Governo português confirmou que Portugal
vai acolher “por razões médicas e humanitárias” o opositor guineense Domingos
Simões Pereira.
“Portugal acolhe Domingos Simões Pereira, conforme
solicitado pelos seus familiares, depois da libertação hoje ocorrida por razões
médicas e humanitárias”, lê-se no comunicado divulgado pelo Ministério dos
Negócios Estrangeiros.
“Reconhecendo o gesto humanitário, continuaremos a
trabalhar com empenho e recato, pelas vias diplomáticas, no quadro da CPLP
[Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e em cooperação com a CEDEAO
[Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental] e União Africana, em
prol do regresso das instituições da Guiné-Bissau à normalidade constitucional
e democrática”, sublinhou a diplomacia portuguesa. “Agência Lusa”
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