Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Guiné Equatorial – O pavilhão do país na 61.ª Bienal de Arte de Veneza recebeu a visita do embaixador dos Estados Unidos na Itália

O embaixador dos EUA foi recebido por Chiara Modicà Dona Dallè Rose, Presidente da Fundação Dona Dallè Rose, e pelo Comissário-Geral da Secção da Guiné Equatorial, Jerónimo Nsue Asumu Nchama


O pavilhão da Guiné Equatorial na 61.ª Bienal de Arte de Veneza recebeu a visita do embaixador dos Estados Unidos na Itália, Tilman Fertitta.

Durante a visita, o diplomata conheceu em primeira mão a proposta artística e cultural apresentada pela Guiné Equatorial e destacou o valor da cultura como instrumento de projeção internacional.

Na sua deslocação, Fertitta ficou a conhecer os principais eixos conceptuais da exposição, uma proposta que destaca a diversidade cultural, o património histórico, a riqueza artística e a identidade nacional da Guiné Equatorial.

O encontro também serviu para trocar ideias sobre o papel da cultura como veículo para fortalecer o entendimento, o diálogo intercultural e a cooperação entre os povos.

Como parte de seu roteiro, Tilman Fertitta também visitou a coleção histórica do Palazzo Dona Dallè Rose, que abriga o pavilhão da Guiné Equatorial. O edifício guarda um património que abrange mais de três séculos de história familiar e é um dos locais culturais mais representativos de Veneza.

No final da visita, o embaixador expressou o seu apreço pela qualidade da proposta apresentada pela Guiné Equatorial e valorizou positivamente a presença do país num dos eventos artísticos mais importantes do mundo. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Angola - Academia de Letras e Universidade Roma Tre assinam protocolo de cooperação cultural

A Academia Angolana de Letras (AAL) e a Cátedra Agostinho Neto da Universidade Roma Tre formalizam em Itália, um protocolo de cooperação estratégica para consolidar os laços culturais e académicos entre as duas instituições


O documento vai ser rubricado em Roma, capital daquele país europeu, pelo presidente da AAL, Paulo de Carvalho, e pelo director da cátedra, o professor italiano Giorgio de Marchis, tendo como objectivo central a promoção do estudo da língua, literatura e cultura angolana, bem como a valorização da vida e obra de António Agostinho Neto.

Segundo a nota enviada à imprensa, a parceria estabelece uma base para o intercâmbio de conhecimentos, a realização de conferências internacionais, publicações conjuntas e programas de mobilidade para investigadores e escritores.

Como primeira materialização deste protocolo, está agendado, no mesmo dia, a realização de um Colóquio Internacional, intitulado “Angola Perante a África e o Mundo”, um evento de elevada relevância diplomática e académica que assinala a celebração dos 50 anos da proclamação da Independência de Angola e o 50.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Angola e a Itália.

O colóquio, que vai decorrer na Sala Ignazio Ambrogio, em Roma, vai contar com comunicações de destacados especialistas e académicos angolanos e italianos, abordando temas como a diversidade cultural angolana, o poder simbólico da língua e a análise de obras literárias contemporâneas.

O programa inclui ainda uma romagem ao busto de Agostinho Neto, no Largo Beato Placido Riccardi, simbolizando o compromisso contínuo com a preservação da memória histórica e o fortalecimento da cooperação angolana-italiana no domínio das Letras e das Ciências Sociais.

Com uma validade inicial de três anos, renovável por acordo entre as partes, este compromisso visa não apenas a valorização da História e do património angolano, mas também o incentivo à inovação nos domínios da Educação, Ciência e Cultura. Por meio de acções coordenadas, as instituições pretendem elevar o estudo da cultura angolana num contexto global, honrando o legado de Agostinho Neto e criando oportunidades de investigação que consolidem, de forma duradoura, a cooperação científica entre Luanda e Roma. In “Jornal de Angola” - Angola


sexta-feira, 1 de maio de 2026

UCCLA - Ricardo Henrique Rao é o vencedor do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa

Na data em que se comemora o Dia Mundial da Língua Portuguesa - 5 de maio -, a UCCLA vai anunciar que o livro “Antologia Brutalista”, de Ricardo Henrique Rao, é o vencedor da 11.ª edição do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa. O anúncio será feito na Biblioteca das Galveias, em Lisboa, às 17 horas, no âmbito do Festival Literário de Lisboa - 5L.


De referir que Ricardo Henrique Rao é de nacionalidade italo-brasileira, tem 55 anos, e estará presente na sessão.

Esta edição do prémio reuniu 650 candidaturas, oriundas de diversos países não só de língua portuguesa - como Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique -, mas também da Alemanha, França, Itália, Reino Unidos, Países Baixos, entre outros.

O Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa é uma iniciativa da UCCLA que conta com a parceria da Câmara Municipal de Lisboa e editora Guerra e Paz, e com o apoio do Movimento 2014 - 800 anos da língua portuguesa. Já foram editadas 12 obras (10 primeiros prémios e 2 menções honrosas, cujos autores - 5 portugueses e 5 brasileiros), são maioritariamente jovens. Os 4 primeiros livros foram publicados pela A Bela e o Monstro, e os restantes 6 com a chancela da Guerra e Paz.

O prémio foi criado em 2015 e tem como objetivo estimular a produção de obras literárias, nos domínios da prosa de ficção (romance, novela, conto e crónica) e da poesia, em língua portuguesa, por escritores que nunca tenham publicado uma obra literária.

O júri desta última edição foi constituído pelas seguintes personalidades do mundo literário e cultural de língua portuguesa: 

Hélder Simbad (ex-diretor da Biblioteca Nacional de Angola);

Godofredo Oliveira Neto (representante da Academia Brasileira de Letras, Brasil);

Germano de Almeida (Prémio Camões de Cabo Verde);

Yao Jingming (professor catedrático e jubilado da Universidade de Macau);

Tony Tcheka (presidente da Associação de Escritores da Guiné-Bissau, escritor e editor da Guiné-Bissau);

Luís Carlos Patraquim (poeta laureado de Moçambique);

José Pires Laranjeira (professor jubilado de Literatura Africana da Universidade de Coimbra, Portugal);

Luís Cardoso (romancista laureado de Timor-Leste);

João Pinto Sousa (Movimento 800 anos de Língua Portuguesa e cofundador do Prémio);

Rui Lourido (coordenador do júri em representação da UCCLA).

Vencedores das edições anteriores:

Publicações da editora Guerra e Paz:

10.ª edição: Boi de Claúdio da Silva (Angola e Portugal);

9.ª edição: Cantagalo de Fernanda Teixeira Ribeiro (Brasil);

8.ª edição: Breviário de Medo e Malícia de Leonel Araújo Barbosa (Portugal);

7.ª edição: Caligrafia de Alexandre Siloto Assine (Brasil);

6.ª edição: O Sonho de Amadeu de Leonardo Costa Oliveira (Brasil);

5.ª edição: O Heterónimo de Pedra de Henrique Reinaldo Castanheira (Portugal);

 

Publicações da editora A Bela e o Monstro:

4.ª edição: Praças de António Pedro Serrano de Sousa Correia (Portugal/Angola);

3.ª edição: Equilíbrio Distante de Óscar Maldonado (Paraguai/Brasil);

2.ª edição: Diário de Cão de Thiago Rodrigues Braga (Brasil);

1.ª edição: Era uma vez um Homem de João Nuno Azambuja (Portugal).


quarta-feira, 4 de março de 2026

Internacional - Universidade de Coimbra lidera Experiência GLOSS que regressa à Terra da Estação Espacial Internacional

A experiência científica GLOSS (Gamma-ray Laue Optics and Solid State detectors: Optica para raios gama e sensores de estado sólido), liderada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), regressou à Terra a bordo da cápsula Cargo Dragon C211 da Space X, tendo amarado no Oceano Pacífico ao largo de San Diego, Califórnia, EUA.


A missão SpX-33 foi liderada por Rui Curado Silva, docente da FCTUC, e por Jorge Maia, da Universidade da Beira Interior (UBI), ambos investigadores do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) Coimbra.

Durante cerca de um ano, amostras de materiais (CZT: telureto de cádmio e zinco) das câmaras dos futuros telescópios de raios gama estiveram expostas ao ambiente espacial (radiação orbital, amplitudes térmicas extremas e oxidação).  «Estes sensores quando em operação no espaço, as suas prestações degradam-se e perdem sensibilidade observacional. Até ao presente, a relação entre o tempo de exposição destes sensores ao ambiente espacial e a degradação das suas prestações nunca foram estudadas com a requerida profundidade», revela Rui Curado Silva.

«Para observarmos o Universo nas bandas dos raios X e dos raios gama (astrofísica de altas energias), é necessário colocar no espaço telescópios equipados de sensores capazes de captar imagens do céu nestas bandas do espectro eletromagnético porque a atmosfera absorve este tipo de radiação antes de chegar à superfície da Terra», explica Jorge Maia.

De acordo com os especialistas, estes sensores estiveram na plataforma Bartolomeo da Estação Espacial Internacional, exposta em permanência ao ambiente exterior de radiação, bem como a variações de temperatura extremas, cerca de -150°C quando a Estação Espacial orbita do lado noturno da Terra, e a temperaturas na ordem dos 120°C quando a Estação se encontra do lado do sol.

Os sensores expostos ao ambiente espacial da Estação Espacial Internacional serão devolvidos a Coimbra dentro de dois meses, onde serão testados para avaliar o nível de degradação operacional quando as suas prestações serão comparadas com as prestações de sensores iguais que permaneceram na Terra.

«A partir desta análise, vamos validar a viabilidade destes sensores serem integrados nos futuros telescópios espaciais para astrofísica de altas energias, bem como perceber de que forma será possível produzir sensores ainda melhores. Desta forma, esperamos contribuir para o desenvolvimento de instrumentação para astrofísica de altas energias e, por consequência, para a sensibilidade de observação, que poderá ter impactos importantes na compreensão da física das ondas gravitacionais, recém-descobertas», concluem.

Além da Universidade de Coimbra, a experiência GLOSS integra equipas do Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço de Bolonha, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAF/OAS-Bologna) e do Instituto de Materiais para Eletrónica e Magnetismo do Conselho Nacional de Investigação de Parma (CNR/IMEM-Parma, Itália). Esta experiência foi financiada pelo programa PRODEX da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial Portuguesa. Universidade de Coimbra - Portugal


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Internacional - Cientistas estabelecem diagnóstico mais antigo de doença genética utilizando ADN de indivíduo pré-histórico de há mais de 12 mil anos

Um novo estudo, liderado por Daniel Fernandes, investigador do Centro de Investigação de Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), relata o diagnóstico mais antigo de uma doença genética em seres humanos anatomicamente modernos — e redefine a nossa visão sobre doenças raras na pré-história.

Através da combinação de técnicas de vanguarda na análise de ADN antigo e genética clínica contemporânea, uma equipa de investigação internacional e multidisciplinar estabeleceu o diagnóstico de ADN mais antigo de uma patologia genética num indivíduo pré-histórico, datado de há mais de 12 mil anos.

Publicado na revista New England Journal of Medicine, o estudo demonstra que os avanços nas técnicas de ADN antigo vão além do mapeamento de populações e migrações humanas, permitindo, igualmente, estabelecer diagnósticos genéticos raros em restos ósseos de indivíduos que viveram há vários milénios.

Esta investigação centra-se num notável enterramento do Paleolítico Superior, com mais de 12 mil anos, descoberto em 1963 na Grotta del Romito, uma gruta no sul de Itália. Dois indivíduos foram depositados em conjunto, num abraço. Um adolescente com encurtamento severo dos membros (Romito 2), jazia envolvido pelos braços de um adulto (Romito 1).

De acordo com os investigadores, não foram encontrados sinais de trauma em nenhum dos esqueletos. O esqueleto de Romito 2 apresentava uma estatura severamente reduzida (110 cm), sugerindo uma patologia esquelética rara denominada displasia acromesomélica. Contudo, tal diagnóstico não poderia ser confirmado de forma definitiva apenas através da análise osteológica. Curiosamente, a estatura da adulta Romito 1 (145 cm) era também inferior à média da altura adulta daquela era.

A equipa extraiu ADN do ouvido interno, uma das fontes mais fiáveis de preservação de ADN em esqueletos antigos. As evidências genéticas esclareceram, inicialmente, duas questões fulcrais. Contrariamente às hipóteses anteriores, comprovou-se que tanto Romito 1 como Romito 2 eram do sexo feminino. Num achado que acrescenta uma perspetiva crucial à interpretação do enterramento, a análise de ADN revelou, também, que eram familiares de primeiro grau — possivelmente, mãe e filha.

Em Romito 2, foi identificada uma variante homozigótica (duas cópias) no gene NPR2, que desempenha um papel vital no crescimento ósseo. Este achado genético confirmou o diagnóstico de displasia acromesomélica do tipo Maroteaux, uma condição hereditária raríssima caracterizada por uma deficiência de crescimento severa e um encurtamento acentuado dos membros.

Os dados de Romito 1 sugerem que esta era possivelmente portadora de uma cópia anómala do gene NPR2, o que constitui uma causa genética de baixa estatura moderada. Estas descobertas em indivíduos pré-históricos coincidem perfeitamente com as características clínicas de doentes modernos com uma ou duas cópias anómalas do referido gene.

«Podemos agora aplicar a ciência da análise de ADN antigo para confirmar mutações específicas e, por extensão, variantes genéticas particulares. Esta abordagem e estes métodos podem não só fornecer uma cronologia confirmada para a idade mínima de certas condições genéticas raras, como também levar à descoberta de variantes anteriormente desconhecidas. Espero que este seja o início de um novo campo de investigação que combine a especialização da genética médica, da paleogenómica e da antropologia biológica», considera Ron Pinhasi, investigador da Universidade de Viena, Áustria.

Daniel Fernandes, investigador do CIAS/FCTUC e primeiro autor do estudo, ressalva que «revelar que estes indivíduos eram ambos do sexo feminino e familiares de primeiro grau transforma este enterramento num estudo genético familiar. Embora a cobertura de ADN para o indivíduo mais velho fosse limitada, a sua estatura mais baixa reflete provavelmente um estado heterozigótico da mutação NPR2 — proporcionando uma perspetiva rara sobre como um único gene afetou diferentes membros da mesma família pré-histórica».

Do ponto de vista médico, os resultados lançam uma nova luz sobre o campo das doenças raras na história humana. Para além do feito técnico, as descobertas transmitem uma mensagem humana. Apesar das severas limitações físicas, Romito 2 sobreviveu até ao final da adolescência ou idade adulta — sugerindo cuidados sociais contínuos numa comunidade de caçadores-recoletores há mais de doze milénios.

O estudo destaca como as ferramentas desenvolvidas para a genética clínica moderna podem iluminar a história humana, unindo a medicina, a genómica e a arqueologia — e lembrando-nos de que as doenças raras, e as pessoas que com elas vivem, sempre fizeram parte da narrativa humana. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Portugal – Universidade do Porto a caminho de máximo histórico na mobilidade internacional

Só em 2025/2026, 2425 estudantes de 84 nacionalidades já fizeram ou vão fazer uma mobilidade académica na Universidade. Números reforçam tendência dos últimos anos


A Universidade do Porto já superou, em 2025/2026, a barreira dos 2400 estudantes acolhidos ao abrigo de programas de mobilidade no ensino superior, número que, a confirmar-se a tendência dos últimos anos, poderá evoluir para um novo máximo histórico da instituição.

Numa altura em que ainda estão por fechar os dados do ano letivo em curso, são já 2425 os/as estudantes de 84 nacionalidades que passaram ou ainda vão passar pelas 15 faculdades da U.Porto para realizar uma mobilidade de estudos. Um registo que supera largamente os 2058 de estudantes de 63 nacionalidades registados em igual período, no letivo 2024/2025, o qual culminou com um máximo histórico de 2741 mobilidades IN, provenientes de 95 países.

Se as previsões de concretizarem, a U.Porto vai assim reforçar a tendência verificada no pós-pandemia de Covid-19, período em que ultrapassou sempre a barreira das 2000 mobilidades por ano. Durante o pico da pandemia, o número de estudantes de mobilidade acolhidos pela U.Porto ficou-se pelos 938 (e, 2020/2021), subindo para 1927 em 2021/2022, 2240 em 2022/2023 e 2283 em 2023/2024.

Somando todos os registos desde 2018, a U.Porto ultrapassa o número das 17.000 mobilidades acolhidas nos últimos oito anos letivos, com Brasil, Espanha e Itália a liderarem o “top” das nacionalidades mais representadas.

Refira-se que aos estudantes de mobilidade há ainda que juntar os mais de 5000 estudantes estrangeiros que estão atualmente inscritos num curso completo na U.Porto. No seu conjunto, os estudantes internacionais – de grau e de mobilidade – representam já cerca de 20% de toda a comunidade estudantil da Universidade.

Brasil e Erasmus lideram “contingente” de mobilidade

Entre as nacionalidades mais representadas no “contingente” de estudantes de mobilidade IN deste ano, destaca-se uma vez mais o Brasil, com 469 estudantes, seguido pela Itália (322) e pela Espanha (311).

Alemanha (192), França (140), Polónia (211), República Checa (74), Suécia (52), Países Baixos (47), Bélgica (46), Turquia (42), Grécia (34), Finlândia (31) e Macau, SAR China (30) são outras nacionalidades em destaque numa listagem que inclui ainda a China, Índia, Jordânia, México, Palestina, Síria, Tanzânia, Uzbequistão ou o Vietname.

Nota também para os 54 estudantes portugueses que optaram por deixar as suas instituições de origem para cumprir um período de estudos na U.Porto ao abrigo do Programa Almeida Garrett.

Boas-vindas à distância

Dos estudantes que optaram por fazer uma mobilidade na U.Porto em 2025/2026, 1088 chegam já no próximo mês de fevereiro para fazer a sua mobilidade ao longo do segundo semestre. E, à semelhança do que aconteceu nos últimos anos, a Universidade decidiu “antecipar” a sua chegada com um programa de receção online, organizado pelo Serviço de Relações Internacionais (SRI).

Realizada entre os dias 19 e 23 de janeiro, em formato online, a 10.ª edição da Pre-Arrival Week teve como objetivo promover um primeiro contacto entre os estudantes de mobilidade IN e a instituição, assegurando assim um soft landing e uma rápida integração na Universidade e na cidade.

No total, foram dinamizadas dez sessões online com a participação de 1134 estudantes (inscritos). Para além de receberem informações sobre o funcionamento da U.Porto, os participantes puderam ainda frequentar um crash course de Português, participar numa Pausa Ativa orientada pelo Centro de Desporto da U.Porto (CDUP-UP), ou conhecer as atividades da ESN Porto.


Nestas sessões partilharam-se ainda dicas/conselhos sobre como ultrapassar as dificuldades que poderão surgir durante a mobilidade. Foi o caso da sessão dinamizada em parceria com a Polícia de Segurança Pública e que teve como objetivo fornecer aos estudantes um conjunto de informações úteis e práticas para uma estadia segura na cidade. Já a psicóloga Rita Começanha, dos Serviços de Ação Social da U.Porto (SASUP), partilhou um “guia” de soft skills úteis para a adaptação e integração dos estudantes.

Esta semana preparatória será complementada com as habituais Reuniões de Registo, onde os estudantes terão direito a um acolhimento personalizado – presencial ou online – e receberão mais informações sobre a Universidade e a cidade do Porto.

A decorrer em formato presencial e virtual, estas reuniões terão lugar – no caso do formato presencial – no edifício da Reitoria e incluirão a entrega de cartão de estudante e do kit de boas-vindas à instituição. Universidade do Porto - Portugal




sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Itália - Obra de Joana Vasconcelos em destaque na cidade de Roma

A artista portuguesa Joana Vasconcelos expõe mais um dos seus trabalhos, a partir de 18 de janeiro, numa nova exposição em Roma que estará patente no PM23, situado na Piazza Mignanelli 23, no coração da capital italiana


“Potência, velocidade, desejo. DRAG RACE por Joana Vasconcelos no Ara Pacis. Uma visão barroca em diálogo com o mosaico permanente de Mimmo Paladino, onde a arte contemporânea encontra símbolos antigos. VENUS. Valentino Garavani através dos olhos de Joana Vasconcelos”, lê-se numa publicação partilhada esta sexta-feira nas redes sociais da artista.

A mostra propõe um diálogo entre o universo criativo de Joana Vasconcelos e o legado estético de Valentino Garavani. Na obra “Drag Race” há um encontro entre a arte contemporânea e símbolos ancestrais. Joana Vasconcelos cruza linguagens, materiais e referências históricas, criando uma narrativa visual onde o passado e o presente se interligam.

De acordo com o sítio Fashion Press “o icónico carro desportivo transformado em objeto ritualístico com penas, estuque e materiais codificados como “femininos” convida à reflexão sobre identidade, poder e representação, demonstrando como os símbolos que conduzimos são, muitas vezes, mais poderosos do que imaginamos”.



“Atribuindo matéria palpável ao luxo que constitui a expressão própria sem restrições, Joana Vasconcelos deu vida nova a um Porsche 911 Targa Carrera. Partindo da opulência do Barroco e das curvas generosas da talha dourada, a pesquisa da artista plástica levou-a ao Mosteiro de Tibães, em Braga, expoente máximo dos motivos marinhos na talha dourada em Portugal e ao triunfal espécime dos Oceanos que integra a coleção do Museu dos Coches em Lisboa. Na concretização do projeto recorreu aos artesãos da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva – do tratamento da madeira ao douramento, passando pela cinzelagem e gravação – para criar uma obra única no mundo que também é uma celebração da perícia manual. Mesmo sem sair do lugar, figuras angelicais e plumas sensuais conferem à peça a ilusão de voo proporcionada pela velocidade, convidando a uma viagem ao charme do can-can parisiense e estabelecendo a ligação às drag races dos Estados Unidos da América a que a artista foi buscar o título.”, lê-se no sítio da artista.

“A atenção aos detalhes, a exuberância e o sentido de humor – que julgo estar presente em quase tudo o que faz – tornam esta obra preponderante no percurso de Vasconcelos. Julgo que se fará, facilmente, uma das mais requisitadas para qualquer antológica.”, escreveu Valter Hugo Mãe sobre a referida obra.

A exposição “VENUS” foi criada em colaboração com a Câmara Municipal de Roma, o Departamento de Cultura de Roma Capitale, a Superintendência Capitolina do Património Cultural e a Superintendência Especial de Arqueologia, Belas Artes e Paisagem de Roma.

Reconhecida internacionalmente, Joana Vasconcelos continua a afirmar-se como uma das mais relevantes artistas portuguesas da atualidade, com exposições em alguns dos mais prestigiados museus e instituições culturais do mundo. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



domingo, 21 de dezembro de 2025

Atravessar cada corpo


 









Atravessar cada corpo

 

atravessar cada corpo

tocar o espesso do osso

que é nosso e do outro

estar onde se padece

com fúria de paciência

estar onde se lavra uma horta

onde se lava uma roupa

onde se reza e se cura uma dor

estar onde se vive e onde se fenece

e ser esse morar e entrar nesse morrer

 

Vera de Oliveira – Brasil

 

In Minha língua roça o mundo (2018, São Paulo, Editora Patuá)

___________________

Vera Lúcia de Oliveira – Nasceu em Cândido Mota, São Paulo, Brasil, a 05 de Agosto de 1958, é professora de Literatura Portuguesa e Brasileira na Università di Perugia em Itália, onde vive desde 1985.

Publica poesia nas línguas portuguesa e italiana, com traduções e edições em vários países.

Escreveu os seguintes livros de poesia: A porta range no fim do corredor, Editora Scortecci, São Paulo, 1983; Geografia d’ombra, 1989; Pedaços / Pezzi, poesia bilingue (português/italiano), 1998; La guarigione (poesia em italiano), 2000; No coração da boca / Nel cuore della parola, (poesia bilingue), 2003; Verrà l’anno, (poesia em italiano), 2005; A poesia é um estado de transe, 2010; La carne quando è sola, (poesia em italiano), 2011; Vida de boneca, (poesia infantil), 2013; O músculo amargo do mundo, 2014; Vou andando sem rumor, (antologia poética organizada por terceiros), Editora Gazeta Santa Cruz, 2015; Ditelo a mia madre, (poesia em italiano), 2017; Minha língua roça o mundo, Editora Patuá, 2018; Esses dias partidos, (coletânea com poemas inéditos e selecionados de obras publicadas), Editora Patuá, 2022. Ensaio literário: Poesia, mito e história no Modernismo brasileiro, (1.ª edição), Editora Unesp, 2001; Poesia, mito e história no Modernismo brasileiro, (2.ª edição), Editora Unesp, 2015. Antologia: A chuva nos ruídos: antologia poética, Editora Escrituras, 2004. Tem trabalhos académicos, capítulos de livros, antologias e artigos em revistas, além de traduções e participações em coletâneas.

Prémios: Destacam-se o Prémio Sandro Penna (Perugia, 1988), o Prémio Nacional de Poesia "Spiaggia di Velluto" (Senigallia, 2000), o Prémio de Poesia da Academia Brasileira de Letras (Rio de Janeiro, 2005) e o Prémio "Popoli in cammino" (Milão, 2005). Foi uma das três vencedoras do Prémio Internacional de Poesia "Pasolini" (Roma, 2006) e recebeu em Brasília, em 2006, o Prémio "Literatura para todos", promovido pelo Ministério da Educação do Brasil, pela coletânea inédita Entre as junturas dos ossos, publicada no mesmo ano e distribuída nas escolas do Brasil. Em 2009, recebeu o Prémio Internacional de Poesia "Alinari", promovido pela Fundação Vittorio e Piero Alinari de Florença em colaboração com a Cátedra "Giuseppe Ungaretti" da Universidade Columbia em Nova York, pela coletânea La carne quando è sola.

Desde 2006, idealiza e organiza Encontros com a Poesia do Mundo / Encotros com a poesia do mundo, um Festival Internacional de Poesia que reúne poetas de diversas nacionalidades com edições em (Perugia 2016, 2018, 2022, Brasília 2018, São Paulo 2018, Perugia 2019, Araraquara 2019, Lisboa 2022).

Como parte das atividades de pesquisa do Centro de Estudos Comparativos Ítalo-Luso-Brasileiro CILBRA, que fundou juntamente com Paula de Paiva Limão, organizou em 2016 o Congresso Internacional Culturas e Literaturas em Diálogo, congresso que mais tarde se tornou bienal ("Identidades em Movimento" Perugia 2016, "Identidades Silenciadas" Brasília 2018, "Identidades Plurais" Araraquara 2020). Baía da Lusofonia com “Wikipédia”


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Europa - Investigadores alertam para elevada contaminação das ribeiras urbana europeias por fármacos

Um estudo internacional, liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), revelou uma contaminação generalizada por fármacos nas águas de ribeiras urbanas europeias, incluindo as de Coimbra. A investigação, publicada na revista Journal of Hazardous Materials, está integrada no projeto OneAquaHealth e analisou 102 ribeiras situadas nas cidades de Benevento (Itália), Coimbra (Portugal), Ghent (Bélgica), Toulouse (França) e Oslo (Noruega).


Os resultados deste estudo apontam para a presença de 16 fármacos pertencentes a seis grupos terapêuticos, detetados em 91% dos locais de amostragem. Misturas de fármacos foram encontradas em 79% dos pontos analisados.

«Entre os compostos mais frequentes destacam-se os irbesartan e bisoprolol (anti-hipertensores), bem como carbamazepina (anticonvulsivo), identificado em mais de metade das ribeiras urbanas. O paracetamol apresentou maiores concentrações, enquanto irbesartan, bisoprolol e fluoxetina atingiram níveis recorde face ao reportado anteriormente na literatura científica», revela Fernanda Rodrigues, estudante de doutoramento da FCTUC.

Em Coimbra, foram detetados 14 fármacos nas ribeiras urbanas, com destaque para carbamazepina, irbesartan, losartan, atenolol e venlafaxina. «Um dos locais de amostragem da cidade apresentou 70% dos compostos analisados. As concentrações mais elevadas correspondem aos anti-hipertensores irbesartan e atenolol. Embora menos frequentes, quatro dos sete antibióticos testados também foram encontrados nas águas coimbrãs, um dado particularmente preocupante face à crescente resistência antimicrobiana, considerada uma das mais graves ameaças à saúde pública global», alerta Maria João Feio, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da FCTUC.

O estudo identificou diferenças estatísticas significativas entre os padrões de contaminação das cidades, com Coimbra e Oslo a apresentarem níveis mais baixos. No caso português, a presença de fármacos foi estatisticamente associada à condição morfológica e ecológica das ribeiras e ao grau de impermeabilização urbana. Segundo os investigadores, estes resultados demonstram que a poluição não depende apenas do consumo de medicamentos, mas também da qualidade ecológica e do estado de conservação dos ecossistemas ribeirinhos.

«Esta investigação evidencia a necessidade urgente de restaurar os ecossistemas de água doce e de implementar novas tecnologias de remoção de fármacos nas estações de tratamento de águas residuais. Estas medidas são essenciais para reduzir o impacto destes contaminantes nos rios e ribeiras urbanos e alinhar a gestão da água com os princípios da Saúde Única (One Health) – uma abordagem integrada que liga a saúde humana, animal e ambiental», concluem os especialistas.

O trabalho foi liderado por Fernanda Rodrigues e Maria João Feio, coordenadora do projeto OneAquaHealth, e contou com a participação de Ana R. Calapez, André Pereira, Liliana Silva, Janine Silva, Luísa Durães e Nuno Simões, com o envolvimento dos departamentos de Ciências da Vida, Engenharia Civil e Engenharia Química da FCTUC e da Faculdade de Farmácia. Universidade de Coimbra - Portugal


domingo, 12 de outubro de 2025

Itália – Cidade de Génova acolhe conferência internacional sobre José Cardoso Pires

Nos dias 22 e 23 de outubro, a Universidade de Génova, em Itália, recebe a conferência internacional “José Cardoso Pires – Escritor Excelentíssimo”, dedicada a um dos maiores escritores portugueses do século XX, por ocasião do centenário do seu nascimento


A iniciativa será inaugurada com a assinatura do acordo entre o Camões, I.P. e a Universidade de Génova, que formaliza a criação da Cátedra José Cardoso Pires no ateneu genovês. O momento contará com a presença de Bernardo Futscher Pereira, Embaixador de Portugal em Roma, e de Roberto Francavilla, professor da universidade. Esta será a 14.ª cátedra do Camões, I.P. em Itália. Seguir-se-á a conferência inaugural, proferida por Carlos Reis, da Universidade de Coimbra.

O colóquio contará ainda com a participação de especialistas de universidades portuguesas e italianas, incluindo Coimbra, Lisboa, Roma Tre, Veneza Ca’ Foscari, Parma e Génova, que irão explorar os temas centrais da obra de Cardoso Pires: memória, liberdade e a força ética da literatura. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


A iniciativa tem o apoio da Embaixada de Portugal em Roma e do Camões, I.P..




sábado, 6 de setembro de 2025

Itália - Empresas portuguesas na maior feira mundial de calçado

A MICAM, considerada a maior feira mundial dedicada ao calçado, celebra este ano um marco histórico: a 100.ª edição. De 7 a 9 de setembro, Milão será palco de um certame que junta 870 marcas expositoras – 401 italianas e 469 internacionais – e espera acolher mais de 30 mil compradores de 150 países


Este evento, que se tornou sinónimo de prestígio e tendências no setor, volta a contar com uma forte presença portuguesa. Ao todo, 39 marcas portuguesas vão expor na feira, confirmando o posicionamento de Portugal como um dos principais ‘players’ da indústria mundial.

As empresas portuguesas apresentam-se com as suas novas coleções Primavera-Verão 2026, apostando em propostas que conciliam design, conforto, sustentabilidade e qualidade, valores que têm sustentado a imagem internacional do setor.

A participação portuguesa em Milão não se limita à MICAM. Ao longo de setembro, mais de 80 empresas nacionais vão marcar presença em vários certames internacionais na capital da moda. Além da MICAM, onde estará representado o calçado, Portugal participa também no MIPEL (marroquinaria), na Lineapelle (componentes e peles) e na SIMAC (tecnologia para calçado e couro), num esforço conjunto que reforça a transversalidade e solidez do cluster português da fileira.

De acordo com Luís Onofre, presidente da APICCAPS, a presença nestes eventos é vital: “O cluster português do calçado e marroquinaria exporta mais de 90% da sua produção, por isso a presença em eventos internacionais é particularmente importante. Em 2025, depois de dois anos de contenção, é o momento de consolidar a posição de Portugal nos mercados internacionais.”

O dirigente sublinha ainda que “o primeiro semestre correu bem, e estamos a fazer tudo o que podemos para manter esta trajetória até ao final do ano”, realçando a importância estratégica da participação portuguesa em Milão. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 26 de agosto de 2025

Itália - Reforça apoio a Moçambique no quadro da aliança global de vacinas

A República da Itália reafirmou a sua determinação em apoiar Moçambique no sector da saúde, através da Aliança Global para Vacinas (GAVI). O compromisso foi anunciado pela primeira-ministra do país europeu, Giorgia Meloni, durante a recente Cimeira da GAVI, em resposta ao apelo formulado pelo Presidente da República, Daniel Chapo.


O Governo italiano assegurou um contributo de 250 milhões de euros, o equivalente a perto de 19 mil milhões de Meticais, para o período 2026-2030, valor que representa um aumento de 25 por cento em relação ao ciclo anterior.

Esta decisão reforça o papel da Itália como um dos principais doadores da GAVI e sublinha a importância da cooperação bilateral na promoção da saúde pública em Moçambique.

O Presidente da República, Daniel Chapo, destacou que “as valiosas contribuições da Itália através da GAVI têm sido determinantes na expansão da cobertura de imunização em Moçambique e na redução das disparidades em saúde”.

Recordou ainda que, nos últimos anos, o país enfrentou desafios severos que ameaçaram os ganhos que já tinham sido alcançados no domínio da saúde pública. “Moçambique tem enfrentado um aumento do número de crianças não vacinadas devido a múltiplas crises, incluindo a Covid-19, sucessivos eventos extremos, como ciclones, e surtos de cólera, pólio e sarampo. Além disso, a malária continua a ser um desafio nacional, responsável por um terço de todas as mortes e por quase metade das mortes de crianças com menos de cinco anos”, frisou.

Apesar destas adversidades, Chapo sublinhou os progressos obtidos graças à parceria com a GAVI, que “está a ajudar Moçambique a retomar o caminho certo”.

Moçambique foi um dos primeiros países a aprovar o seu Plano de Recuperação no âmbito da campanha “Big Catch-Up”, e os progressos iniciais no alcance dos mais vulneráveis, em especial as “crianças sem qualquer dose”, são encorajadores.

“Contudo, não podemos avançar sozinhos. Um financiamento pleno da GAVI é essencial para o sucesso contínuo, e esperamos poder contar com o forte apoio de Itália para o seu período estratégico 2026-2030.”

O Chefe do Estado moçambicano realçou ainda o impacto transformador da GAVI a nível global, lembrando que, desde a sua fundação, há 25 anos, a iniciativa ajudou a vacinar mais de 1,1 mil milhões de crianças, salvando mais de 18,8 milhões de vidas.

Na sua próxima fase, a organização prevê proteger mais 500 milhões de crianças, das quais mais de 60 por cento em África, e salvar oito milhões de vidas adicionais.

Nesse sentido, o Presidente da República destacou o papel dos países africanos na sustentabilidade do modelo, referindo que os beneficiários irão financiar mais de 40 por cento dos seus próprios custos com vacinas e que, até 2030, sete países africanos deverão transitar para uma situação em que já não necessitam do apoio da GAVI, o que demonstra a robustez do modelo. In “O País” - Moçambique

Sobre a Gavi, a Aliança para Vacinas

A Gavi, a Aliança para Vacinas, é uma parceria público-privada que ajuda a vacinar mais da metade das crianças do mundo contra algumas das doenças mais mortais do planeta. A Aliança para Vacinas reúne governos de países em desenvolvimento e doadores, a Organização Mundial da Saúde, o UNICEF, o Banco Mundial, a indústria de vacinas, agências técnicas, a sociedade civil, a Fundação Gates e outros parceiros do setor privado. Veja a lista completa de governos doadores e outras organizações líderes que financiam o trabalho da Gavi aqui.

Desde a sua criação em 2000, a Gavi ajudou a imunizar uma geração inteira – mais de 1,1 bilhão de crianças – e evitou mais de 18,8 milhões de mortes futuras, contribuindo para reduzir pela metade a mortalidade infantil em 78 países de baixo rendimento. A Gavi também desempenha um papel fundamental na melhoria da segurança sanitária global, apoiando os sistemas de saúde e financiando estoques globais de vacinas contra ébola, cólera, meningococo e febre amarela. Após duas décadas de progresso, a Gavi agora está focada em proteger a próxima geração, sobretudo as crianças que receberam dose zero e que ainda não receberam uma única dose da vacina. A Vaccine Alliance emprega financiamento inovador e a mais recente tecnologia – de drones à biometria – para salvar vidas, prevenir surtos antes que se espalhem e ajudar os países no caminho para a autossuficiência. Gavi


segunda-feira, 14 de julho de 2025

Portugal - Investigador da FEUP e CIIMAR recebe bolsa Marie Curie para revolucionar a energia das ondas

Rodeada por mais de 68 mil quilómetros de costa, a Europa possui um enorme potencial, em grande parte inexplorado, para um melhor aproveitamento da energia das ondas – uma fonte renovável emergente que é mais previsível do que o vento e complementar à energia solar, particularmente durante os meses de inverno.


Para revolucionar este aproveitamento deficitário da energia das ondas, o investigador Gianmaria Giannini, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), lançou o projeto WEC-Pro que é apoiado com uma bolsa de pós-doutoramento Marie Skłodowska-Curie (Marie Curie), com um orçamento total de aproximadamente 200 mil euros, naquela que é uma das bolas de investigação mais competitivas atribuídas pela Comissão Europeia, no âmbito do programa Horizonte Europa.

Ao qualificar-se para este financiamento com uma pontuação total de 98,40%, o investigador da Universidade do Porto irá, nos próximos dois anos, desenvolver um conversor de energia das ondas (WEC), impresso em 3D, que transforma a energia mecânica das ondas do mar em eletricidade.

Este avanço pode simplificar e reduzir, significativamente, o custo e a complexidade do desenvolvimento dos mesmos, através da integração de restrições no fabrico destas peças na fase inicial de conceção e simulação, levando a uma melhoria técnica e económica dos WEC.

A caminho de Itália, mas com viagem de regresso

A investigação do projeto WEC-Pro permitirá uma produção automatizada e em grande escala destes conversores de energia das ondas, investindo numa energia que desempenhará um papel fundamental na construção de um sistema energético mundial mais resiliente e diversificado, com baixo teor de carbono.

Os primeiros passos desta investigação foram dados na secção de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente (SHRHA) do Departamento de Engenharia Civil da FEUP, e no grupo de investigação de Energia Marinha do CIIMAR. Gianmaria Giannini vai seguir, agora, para o Marine Offshore Renewable Energy Lab (MORE) do Politécnico de Turim, em Itália, onde o projeto será desenvolvido nos próximos dois anos, em colaboração com a Caracol, um dos principais fabricantes de sistemas de impressão 3D industrial para produção de peças grandes e complexas a partir de materiais termoplásticos reforçados.

O investigador italiano agradeceu todo o apoio que recebeu na FEUP e no CIIMAR, com a promessa de regressar para implementar esta tecnologia inovadora.

“Estes anos aqui em Portugal foram uma valiosa experiência e desempenharam um papel fundamental na definição da direção desta investigação. Foi aqui que nasceu o projeto WEC-Pro. Quando regressar, pretendo trazer de volta novos conhecimentos, ferramentas e ideias para contribuir ainda mais para a investigação e inovação em curso no setor das energias renováveis marinhas em Portugal”, vaticina Gianmaria Giannini. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 12 de maio de 2025

Itália - Equipa da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto premiada por ferramenta para ajudar médicos

A ferramenta "Medlink" valeu a dois docentes e um estudante da Faculdade de Ciências a conquista do "Best Demo Paper", na conferência internacional ECIR



Uma equipa de docentes e investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do INESC TEC desenvolveu uma nova ferramenta para apoiar os médicos nas decisões clínicas, nomeadamente em casos complexos, raros ou difíceis de diagnosticar. O trabalho “MedLink: Retrieval and Ranking of Case Reports to assist Clinical Decision Making” foi recentemente premiado com o “Best Demo Paper” na 47.ª edição da European Conference on Information Retrieval (ECIR), uma das mais prestigiadas conferências na área de recuperação de informação, que teve lugar em Itália.

“A principal ideia por trás do MedLink é que este possa ser utilizado como uma ferramenta de apoio à decisão durante a prática clínica. Foi concebido para que, ao inserir um relatório médico, os profissionais de saúde recebam uma lista ordenada de casos clínicos semelhantes já publicados”, explica Nuno Guimarães, docente no Departamento de Ciência de Computadores da FCUP (DCC-FCUP) e um dos mentores deste trabalho.

A equipa integra também o professor do DCC-FCUP, Alípio Jorge e o estudante de doutoramento em Ciência de Computadores na FCUP, Filipe Cunha.

Para desenvolver o MedLink, apresentado em posoter na conferência ECIR, os investigadores utilizaram dados dos artigos publicados na revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. Com esse conjunto de dados, treinaram dois modelos de linguagem baseados no BERTimbau, uma variante do BERT, criado pela Google, para português: um para selecionar candidatos (artigos) iniciais e outro para reordenar essa seleção. Para este segundo modelo, a equipa contou com a colaboração da médica Alexandra Mendes, da Unidade Local de Saúde de Braga, que também assina o trabalho premiado.

De acordo com os investigadores, esta ferramenta pode ser adaptada para integrar dados clínicos provenientes dos próprios hospitais ou do Sistema Nacional de Saúde, expandido assim significativamente o seu potencial de aplicação e impacto.

“Conquistar o Best Demo Paper nesta conferência é um reconhecimento significativo da inovação e aplicabilidade prática da demo apresentada, demonstrando não só a sua relevância científica, mas também o potencial impacto real em contextos clínicos”, destacam.

O objetivo é agora dar continuidade a este trabalho e apresentar o MedLink noutros fóruns relevantes, em particular na área da Medicina. Os investigadores querem também alargar o âmbito desta plataforma para além da Medicina Interna, adaptando-a outras especialidades médicas.

“Estamos novamente a colaborar com a coautora Alexandra Mendes, com o objetivo de apresentar este trabalho num contexto clínico — seja através da participação em congressos médicos, seja por via da publicação de um artigo em revista sendo a mais provável a Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna”, detalha Nuno Guimarães.

Este trabalho foi desenvolvido também em conjunto com o docente da Universidade da Beira Interior, Ricardo Campos. 

A 47.ª edição da ECIR realizou-se na cidade de Lucca, região de Toscana, Itália, no início do mês de abril. É uma das conferências mais prestigiadas na área de recuperação de informação, especialmente na Europa, com um core rank de A. É também um dos fóruns mais importantes para a apresentação de novos contributos científicos em Information Retrieval e Natural Language Processing.

Sobre o MedLink

O MedLink começou a ser desenvolvido em agosto de 2024 na sequência de um brainstorming entre Nuno Guimarães e Filipe Cunha, que tem como uma das vertentes de trabalho de doutoramento o desenvolvimento de recursos e ferramentas de processamento de linguagem natural para a língua portuguesa.

Esta ferramenta está disponível em modo demonstração em português e em inglês e dedica-se à ligação de pacientes e estudos de caso para melhores decisões clínicas.

O trabalho foi desenvolvido com apoio financeiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia, através dos projetos Health from Portugal e StorySense. Universidade do Porto - Portugal


domingo, 23 de março de 2025

Itália - Banda desenhada do português António Jorge Gonçalves premiada em Bolonha

A banda desenhada infanto-juvenil “Dita Dor”, inspirada na infância do autor, António Jorge Gonçalves, durante a ditadura salazarista, ganhou o prémio internacional de melhor obra na categoria de banda desenhada infanto-juvenil, em Itália



O livro foi considerado a melhor obra na categoria de banda desenhada infanto-juvenil, no âmbito dos prémios internacionais da feira de Bolonha. Publicado numa coleção literária da Assembleia da República, dirigida aos mais novos, o livro inspira-se na infância de António Jorge Gonçalves, passada ainda em ditadura, uma vez que o autor tinha 9 anos quando aconteceu a revolução de 25 de Abril de 1974.

A partir da experiência pessoal do autor, em família, António Jorge Gonçalves aborda o tempo do Estado Novo e os primeiros anos de democracia, referindo não só momentos históricos (como a morte de Salazar, a Guerra Colonial, a revolução, etc), mas também as subtilezas do quotidiano e dos costumes dos portugueses.

Para a organização da feira, “Dita Dor” é um livro importante para os tempos atuais, pois “demonstra como, em pouco tempo, uma democracia se pode transformar numa ditadura, e pode ensinar os jovens a reconhecer os sinais do fascismo e a lutar pela liberdade”.

O livro foi lançado em 2024, no âmbito de coleção literária intitulada “Missão Democracia”, lançada pela Assembleia da República, a propósito dos 50 anos da “Revolução dos Cravos”.

Sobre o autor

Nascido em Lisboa em 1964, António Jorge Gonçalves descreve-se como um “autor de novelas gráficas, performer visual e professor”, como se lê na página oficial, mas também expõe regularmente e faz ilustração em nome próprio e para outros autores. “Barriga da baleia”, “Eu quero a minha cabeça” e “Estás tão crescida” são alguns dos livros ilustrados para a infância que o referido autor já publicou.

Refira-se que António Jorge Gonçalves soma já vários prémios, nomeadamente no Festival BD Amadora, no World Press Cartoon e no Prémio Nacional de Ilustração, que venceu na edição de 2013. Nos prémios da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, há ainda a destacar uma menção especial, na categoria de banda desenhada para primeiros leitores, para o livro “O Sr. Gato Mágico”, do autor brasileiro Henrique Coser Moreira, publicado pela Planeta Tangerina.

A feira de Bolonha já distinguiu a literatura ilustrada portuguesa em anos anteriores, em primeiros prémios e menções especiais. Em 2019, o livro “Atlas das viagens e dos exploradores”, de Isabel Minhós Martins e Bernardo P. Carvalho, venceu na categoria Não Ficção. Em 2015, “Lá fora: guia para descobrir a natureza”, de Maria Ana Figueiredo Peixe Dias e Inês Teixeira do Rosário, ilustrada também por Bernardo P. Carvalho, venceu na categoria Opera Prima. Ambos foram publicados pela Planeta Tangerina.

Considerada a mais relevante feira de negócios e dedicada ao mercado livreiro infantil e juvenil, a 62.ª edição da feira de Bolonha decorrerá de 31 de março a 3 de abril. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo