O provedor dos Direitos Humanos e da Justiça de Timor-Leste defendeu que os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa devem estar mais comprometidos com os direitos humanos para a organização ter mais firmeza perante o mundo
Em declarações à Lusa, por ocasião do
30.º aniversário da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP), Virgílio Guterres disse que os Estados-membros da CPLP têm de estar
comprometidos com os princípios da organização, que passam também pela
democracia, boa governação e direitos humanos.
“E não é só um compromisso coletivo, porque todos os
Estados-membros da CPLP são Estados que saíram de uma luta contra o
colonialismo e têm um compromisso para provar ao seu povo que a independência é
boa em comparação ao colonialismo”, salientou Virgílio Guterres.
E, continuou o provedor, um dos esforços da “missão
sagrada” desses países é “marcar a sua firmeza perante as violações de direitos
humanos”.
“São esses os princípios que nortearam a luta de todos os
membros da CPLP. Então, agora, como já alguns comemoraram 50 anos da
independência, temos de fazer esta pergunta: estamos a cumprir as nossas
promessas ao nosso povo ou não? Só assim é que a CPLP pode garantir a sua
firmeza perante o mundo como uma plataforma que contribui para a paz mundial”,
salientou.
Caso contrário, a CPLP será “meramente uma plataforma de
troca de ideias, de troca de sentimentos, de saudosismos”, acrescentou.
Virgílio Guterres disse também esperar que os governantes
tenham sensibilidade para sentir as mudanças globais, lembrando que muitos
paradigmas estão obsoletos.
Apesar disso, afirmou estar otimista, porque, apesar das
situações menos positivas que afetam países da CPLP, há “esforço” e a “luta
continua” para a defesa dos direitos humanos e dos princípios da democracia.
A CPLP foi criada, em Lisboa, em 17 de julho de 1996 por
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé
Príncipe.
Timor-Leste aderiu à organização em 2002, após a
restauração da independência, em 20 de maio do mesmo ano, e a Guiné Equatorial
aderiu em 2014 na cimeira da Díli. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”
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