Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Europa – Cinco países vão economizar 58% nas contas de energia este ano graças à energia limpa

Consumidores em cinco países da UE economizarão até € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano, em comparação com aqueles que possuem a matriz energética mais poluente.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.


Os países da UE com a matriz energética mais limpa estarão protegidos do aumento vertiginoso do preço do petróleo e do gás, uma vez que a guerra contra o Irão continua a evidenciar o verdadeiro custo da dependência dos combustíveis fósseis.

Dois dias após os bombardeamentos atingirem o Médio Oriente, os preços do TTF holandês (referência para os preços do gás no grosso em toda a Europa) dispararam 68%, chegando a € 52,8 por megawatt-hora, o nível mais alto em dois anos.

No início desta semana (segunda-feira, 20 de abril), o TTF holandês estava a ser negociado a um preço bem mais baixo, de € 40,2 por MWh. A queda ocorre após sinais de significativa desaceleração em meio a um cessar-fogo de duas semanas, mas ainda é consideravelmente mais alta do que antes do início do conflito (€ 31,5 por MWh).

Grande parte da volatilidade se deve ao controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem de 38 km que transporta cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás. Em março, as exportações de gás natural liquefeito (GNL) para a UE caíram 11%.

Isso levou o comissário de energia da UE a recomendar que os países reabasteçam os seus estoques de forma constante durante o verão para "mitigar a pressão sobre os preços e evitar uma corrida no final do verão".

Isso também abriu caminho para um rápido interesse em energias renováveis ​​produzidas localmente, que são cada vez mais consideradas um investimento mais estável em vista das tensões geopolíticas.

“Não há aumentos acentuados nos preços da luz solar nem embargos à energia eólica”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no mês passado.

Será que a energia limpa pode proteger a UE do aumento dos preços do gás?

Um novo relatório do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA) constatou que, apesar da forte alta dos preços e dos crescentes temores sobre a diminuição da oferta, o bloco permanece "mais bem protegido" da sensibilidade aos preços do que em 2022 – após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

Isso deve-se principalmente ao crescimento explosivo das energias renováveis, que atingiram novos recordes em 2025 e poderão economizar para a UE a impressionante quantia de € 5,8 mil milhões em 2026, substituindo o gás natural, que é caro.

Especialistas apontam que esse valor seria significativamente maior se os preços do gás não fossem responsáveis ​​por definir o preço da energia em muitos países, devido ao mecanismo de precificação marginal da UE.

Em 2025, cada aumento de €1/MWh no preço do gás levou a um aumento de €0,37 por MWh nos preços da eletricidade – uma redução de oito por cento em relação a 2022.

“Isto está diretamente ligado à separação [do preço da eletricidade] do gás e aos investimentos em energia limpa, cuja participação na geração de eletricidade na UE cresceu 14% em 2025, em comparação com 2022”, explica o relatório.

Quais são os países da UE que estão mais protegidos do aumento dos preços do gás?

Todos os Estados-membros da UE têm observado uma redução na sua sensibilidade às flutuações dos preços do gás nos últimos anos, na sequência do aumento da energia limpa.

Mas são os consumidores de cinco países da UE em particular – Dinamarca, Finlândia, França, Suécia e Eslováquia – que beneficiam da maior participação de energia limpa na sua matriz elétrica. O relatório afirma que estas nações economizarão € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano. Isso representa uma redução de 58% nas contas em comparação com os países com a matriz energética mais poluente (Polónia, Itália, Grécia, Estónia e Países Baixos).

A estimativa baseia-se na premissa de que o consumo permanecerá o mesmo este ano em comparação com 2025, levando em consideração os preços mais altos e a sensibilidade do preço do gás.

De acordo com dados de 2025, a Suécia saiu vitoriosa como o país da UE com a menor sensibilidade às oscilações do preço do gás. Em média, para cada aumento de €1 no preço do gás, a Suécia regista um aumento de apenas €0,04/MWh nos preços da eletricidade no mercado grossista.

“Embora a Suécia seja um dos nove países com reservas de gás natural significativamente abaixo da média da UE, a sua baixa dependência dessa fonte de energia – com 99% de sua eletricidade proveniente de energia limpa – protege ainda mais o mercado de eletricidade de choques de preços”, afirma o relatório.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.

Ao mesmo tempo, a sensibilidade de ambos os países aos choques nos preços do gás diminuiu 53%. No ano passado, para cada aumento de €1 no preço do gás, a zona de produção conjunta de Espanha e Portugal registou um aumento de €0,089 por MWh, o terceiro mais baixo do bloco.

A França também testemunhou uma redução acentuada na sua sensibilidade aos preços do gás, principalmente devido ao crescimento da energia limpa, que fez com que a sua sensibilidade ao gás caísse pela metade entre 2022 e 2025.

Quais são os países que estão a pagar o preço pela sua dependência de combustíveis fósseis?

Apesar de ter registado um aumento de 31% na geração de energia limpa, os Países Baixos continuam mais sensíveis aos preços do gás do que em 2022.

Apesar da participação da energia solar e eólica na geração de eletricidade do país ser superior à média da UE, o gás continua sendo a principal fonte individual de eletricidade no país.

“A sua sensibilidade também está ligada à sua elevada integração no mercado europeu de gás – muitas vezes como tomadores de preços – e, portanto, à sua suscetibilidade a choques transmitidos por países vizinhos como a Alemanha”, acrescenta o relatório.

“O gás tem tradicionalmente desempenhado um papel desproporcional na produção centralizada de eletricidade nos Países Baixos (22%), enquanto as fontes de energia limpa, especificamente a solar, têm um papel mais importante na geração descentralizada de eletricidade.”

Por exemplo, nos Países Baixos, a energia solar é muito utilizada durante o dia, mas à noite é preciso recorrer a outras fontes de energia, muitas vezes com necessidade de gás.

A Polónia é outra anomalia na tendência geral da UE. Apesar de registar um crescimento anual de 48% em energias renováveis ​​desde 2022, a sensibilidade do país aos preços do gás permanece alta.

Isso deve-se principalmente ao facto de a Polónia estar a incentivar a geração de eletricidade a gás, num esforço para substituir e reduzir o carvão, que continua sendo essencial para mais da metade da produção total de eletricidade no país.

“A mudança de foco da Polónia para o gás, em vez de fontes de energia limpas, fez com que a geração de energia a partir dessa commodity aumentasse 132% em 2025 em comparação com 2022”, explica o estudo.

“Essa maior dependência, que representou 13% do total em 2025, fez com que a sensibilidade aos preços do gás também aumentasse em 87%.”

Para cada aumento de €1 no preço do gás, a Polónia regista um aumento de €0,36 por MWh na eletricidade.

A Hungria também demonstrou maior sensibilidade aos preços do gás em comparação com 2022, registando um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Embora o país tenha testemunhado um crescimento expressivo da energia solar, a falta de capacidade de conexão à rede elétrica faz com que a Hungria ainda seja obrigada a depender do gás natural para manter a estabilidade. Euronews


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Angola e Namíbia avançam para interligação eléctrica e exportação de energia até 500 megawatts

O acordo foi assinado na segunda-feira, 14 de Abril. O projecto prevê, do lado angolano, a construção de uma linha de transporte de muito alta tensão de 400 kilovolts (kV), com cerca de 160 quilómetros, bem como a ampliação da subestação da Cahama, na província do Cunene, e outras infraestruturas associadas


Angola e a Namíbia deram, em Luanda, um novo passo na cooperação energética com a assinatura dos acordos contratuais do Projecto de Interligação Elétrica Angola-Namíbia (ANNA), uma infraestrutura que permitirá a exportação de até 500 megawatts (MW) de electricidade.

Os documentos foram firmados entre a Rede Nacional de Transporte de Eletricidade (RNT) e a empresa pública namibiana NamPower, na presença do ministro angolano da Energia e Águas, João Baptista Borges, e do ministro da Indústria, Minas e Energia da Namíbia, Modestus Tshitumbu Amutse.

A assinatura ocorre na sequência de um Despacho Presidencial que autorizou, no início deste mês, a celebração de um acordo de desenvolvimento conjunto com a Namíbia, para o projecto de interligação de transporte de eletricidade entre os dois países vizinhos.

O projecto prevê, do lado angolano, a construção de uma linha de transporte de muito alta tensão de 400 kilovolts (kV), com cerca de 160 quilómetros, bem como a ampliação da subestação da Cahama, na província do Cunene, e outras infraestruturas associadas.

Segundo o Ministério da Energia e Águas, a iniciativa vai viabilizar a exportação de energia elétrica até 500 MW, contribuindo para o reforço da segurança energética regional e para a criação de novas oportunidades de investimento. Do total previsto, 300 MW serão assegurados através de contratos do tipo "take or pay", garantindo receitas mínimas, enquanto os restantes 200 MW serão direccionados para os mercados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

O financiamento do projecto ficará a cargo da NamPower, estando prevista a recuperação do investimento por via da estrutura de preços da energia acordada entre as partes, com mecanismos de atualização anual.

De acordo com o despacho presidencial que autorizou o acordo, o modelo adotado não implica o aumento da dívida pública angolana, assegurando ao mesmo tempo a sustentabilidade financeira do projeto e a previsibilidade das receitas.

Citado numa nota oficial, João Baptista Borges destacou que o ANNA representa uma parceria estratégica baseada na confiança política e na integração regional, considerada pelo Executivo como um caminho para a prosperidade partilhada.

O projecto enquadra-se nas prioridades do Governo angolano para o reforço da segurança energética e para a afirmação do país como fornecedor de energia na região da África Austral, dando continuidade ao entendimento firmado entre Angola e a Namíbia em 2018. Henrique Kaniaki – Angola in “Expansão”


domingo, 16 de novembro de 2025

CPLP - Países de língua portuguesa apresentam plano para acelerar transições energéticas

A implementação de um projeto regional de cozinha limpa é uma das iniciativas previstas no roteiro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a energia e clima, apresentado na sexta-feira na conferência do clima (COP30)


Segundo o documento, consultado pela Lusa, a taxa de acesso a tecnologias de cozinha limpa (como fogões melhorados e gás de cozinha) era, em 2023, de 100% em Portugal, de 93% no Brasil e de 84% em Cabo Verde e não ia além dos 50% em Angola, 22% na Guiné-Equatorial e 19% em Timor-Leste.

A taxa em Moçambique era de 7%, em São Tomé e Príncipe de 5% e na Guiné-Bissau de 1%.

O objetivo é que a iniciativa, inserida no eixo estratégico da aceleração das transições energéticas, seja implementada em 2026.

No total, são quatro os eixos estratégicos do Roteiro de Cooperação 2030 em Energia e Clima nos Países da CPLP: planeamento energético, liderança e capacitação, mobilização e financiamento e aceleração das transições energéticas.

O “desenvolvimento de uma plataforma CPLP de partilha de informação, troca de experiências e alinhamento de políticas e instrumentos de planeamento”, a formação para a implementação de sistemas de monitorização, reporte e verificação para o planeamento climático, o “estímulo à replicação de mecanismos de troca de dívida soberana entre os Estados-Membros da CPLP” e a preparação de um proposta a um programa do Fundo Verde Para o Clima são outras das dez iniciativas previstas.

O documento – promovido pela presidência são-tomense da CPLP e lançado em outubro, em Moçambique, durante a Semana de Energia e Clima da CPLP – é coordenado pela Comissão Temática de Energia e Clima dos Observadores Consultivos da CPLP e constitui “o primeiro instrumento que integra de forma estratégica as dimensões de energia, clima e finanças verdes no âmbito” da Comunidade.

A apresentação na COP30, que decorre em Belém, Brasil, aconteceu no Pavilhão de Portugal e contou com intervenções da ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável de São Tomé e Príncipe, Nilda Borges da Mata, do secretário de Estado da Energia de Portugal, Jean Barroca, e do secretário de Estado da Ação Climática e Desenvolvimento Sustentável de Angola, Nascimento Soares, entre outros. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Argélia e Angola reforçam cooperação nos recursos minerais e energéticos

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, reuniu-se esta quinta-feira, com o embaixador da Argélia em Angola, Mounir Bourouba, para abordar o fortalecimento da cooperação bilateral no domínio dos recursos minerais e energéticos


O diplomata argelino destacou a importância do intercâmbio de experiências entre os dois países que possuem um histórico de colaboração nas áreas da exploração de petróleo e pesquisa subterrânea.

Segundo Mounir Bourouba, Angola e Argélia têm um grande potencial de cooperação, tendo acordado o envio de missões técnicas para ambos os países, com vista a aprofundar e expandir a parceria.

O embaixador afirmou que está em curso a discussão de um acordo bilateral no sector dos hidrocarbonetos, abrangendo também programas de formação técnica para quadros angolanos, uma prática que remonta desde os anos 70.

Recordou, ainda, o recente encontro entre o ministro Diamantino Azevedo e o seu homólogo argelino, Mohamed Arkab, ocorrido em Junho, à margem do 17.º Cimeira de Negócios EUA – África, onde foram analisadas novas oportunidades para ampliar a cooperação entre os dois países.

“Estou hoje aqui para dar seguimento a esse compromisso e acelerar o processo de consolidação das nossas relações bilaterais”, concluiu. In “Jornal de Angola” - Angola


segunda-feira, 16 de junho de 2025

Portugal –Universidade de Coimbra apresenta soluções para a flexibilidade da rede elétrica nacional para mitigar efeitos de potenciais cortes de energia

O Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai apresentar, no próximo dia 25 de junho, pelas 14h30, os resultados do projeto BungEES - Building Up Next-Generation Smart Energy Services Offer and Market Up-take Valorising Energy Efficiency and Flexibility at Demand-Side. O evento é organizado em cooperação com a Ordem dos Engenheiros da Região Centro e decorrerá na sede da Ordem.


Nos últimos dois anos e meio, a equipa do ISR tem vindo a trabalhar no desenvolvimento de serviços de energia inovadores e inteligentes que visam a otimização e redução dos consumos de energia nos edifícios, bem como em estratégias de orquestração/conjugação de serviços de energia, que reduzam os consumos e criem flexibilidade para a rede elétrica nacional, de forma mitigar os efeitos de potenciais cortes de energia ou apagões.

O projeto BungEES tem mais de 100 projetos piloto a decorrer em Portugal, Espanha, França, Républica Checa e Eslováquia. De acordo com Nuno Quaresma, investigador do ISR, os projetos pilotos, um dos quais instalado no Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, pretendem comprovar que a gestão concertada de serviços de energia permite, não só reduzir custos, como também eliminar os desperdícios de energia (consumos em standby e a utilização incorreta dos equipamentos), permitindo obter poupanças energéticas muito significativas. 

«Os resultados são muito promissores. O pacote integrado de serviços de eficiência energética, que está a ser testado, combina a eficiência no consumo, a produção de energia renovável distribuída, a resposta à procura, a mobilidade elétrica e o armazenamento de energia. No piloto do DEEC, estamos a testar a orquestração de serviços de energia, como solar fotovoltaico, armazenamento de energia em baterias, carregamento inteligente de veículos elétricos e a gestão automatizada de bombas de calor com recurso a termóstatos inteligentes», explica o coordenador do projeto.

«Os pilotos em curso pretendem ainda validar o modelo de negócio desenvolvido no âmbito deste projeto. Modelo que valoriza a eficiência energética, a flexibilidade do lado da procura e promove a comercialização de pacotes de serviços de energia de forma integrada. Nesse sentido, os principais objetivos centram-se em facilitar a vida dos consumidores, reduzir custos, maximizar a utilização das fontes renováveis e otimizar a operação das empresas de serviços energéticos», elucida Nuno Quaresma.

Acima de tudo, este projeto pretende demonstrar que as conjugações destes serviços de energia, em conjunto com as tarifas de compra de eletricidade, possibilitam a maximização dos recursos renováveis (solar e armazenamento de energia) e, ao mesmo tempo, a redução dos consumos e dos custos energéticos dos edifícios.

«O projeto BungEES representa um passo importante na transformação do setor energético europeu, em que a orquestração/conjugação de serviços energéticos, como fonte de flexibilidade, irá assumir um papel fulcral na eletrificação dos edifícios, de forma a criar condições para um futuro mais eficiente e sustentável», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 30 de abril de 2025

Portugal - Universidade de Coimbra tem microrrede elétrica que pode garantir fornecimento de energia em situações extremas

O Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) tem uma microrrede elétrica resiliente, para grandes edifícios ou comunidades de energia, que pode garantir o fornecimento elétrico a cargas críticas durante situações extremas ou catastróficas, em que ocorra falha da rede elétrica pública.


 

No passado dia 28 de abril, aquando do maior apagão que afetou toda a Península Ibérica e parte da Europa, esta tecnologia, desenvolvida no Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) da FCTUC, teve a sua prova de fogo com condições reais, conseguindo, com sucesso, fornecer eletricidade às cargas críticas do edifício e funcionar de forma autónoma da rede publica. 

«As microrredes são uma tecnologia que permite ter um sistema elétrico independente da rede elétrica inserido numa área geográfica específica e definida, como, por exemplo, um edifício, bairro ou localidade pequena. São usadas para fornecer eletricidade em zonas remotas onde a infraestrutura é fraca ou inexistente, para otimizar eficiência energética, custos e integração de energia renovável e, em casos extremos, garantir o fornecimento de energia elétrica aos clientes por si abrangidos quando tudo o resto falha», revela Alexandre Matias Correia, estudante do mestrado em Engenharia Eletrotécnica ISR/FCTUC. 

Esta microrrede tem como foco a resiliência e está concebida precisamente para fornecer eletricidade a cargas críticas (substituindo os geradores de emergência diesel) durante períodos prolongados de tempo (até 72h). Para tal, tem instalado um sistema fotovoltaico dedicado, dois sistemas de baterias, equipamento de potência especializado para gestão e sincronização de rede e carregamento bidirecional para veículos elétricos.


 

De acordo com o estudante da FCTUC, «este último sistema permite alimentar a rede elétrica local através da energia armazenada em veículos elétricos o que possibilita aumentar ainda mais a duração do fornecimento de energia elétrica, assim como disponibilizar potência em locais onde a infraestrutura é inexistente ou foi danificada». Para além disso, conclui Alexandre Matias, «a microrrede possui também uma capacidade regenerativa, usando os painéis fotovoltaicos e um sistema de gestão de cargas para recarregar baterias durante o dia, prolongando ainda mais o fornecimento às cargas críticas».

A microrrede resiliente é um projeto desenvolvido no âmbito da tese de Doutoramento de Alexandre Matias Correia, intitulada "Optimization and management of microgrids to deliver high power quality in critical and disaster situations", tendo sido já utilizada como protótipo piloto para outros trabalhos de investigação e ensino de Engenharia Eletrotécnica. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 1 de abril de 2025

A China é uma oportunidade irrecusável para as empresas portuguesas

Há um mercado vasto e com grande poder de compra à espera de produtos diferenciados e com selo de qualidade europeu

A China tem vindo a consolidar-se como um dos mais importantes parceiros económicos da Europa. Portugal e Espanha encontram-se em posições privilegiadas para beneficiar desta tendência. Para Portugal, a aposta chinesa na Península Ibérica não é só mais um reflexo de uma estratégia global. É, sobretudo, uma oportunidade única para as empresas portuguesas reforçarem a sua competitividade e presença nos mercados internacionais.

A recente decisão da China Aviation Lithium Battery (CALB) de investir cerca de dois mil milhões de euros numa fábrica de baterias em Sines é um momento histórico para a economia portuguesa. Este projeto, que poderá representar mais de 4% do PIB nacional, não só impulsionará o setor industrial como criará 1800 postos de trabalho diretos. Este empreendimento demonstra a confiança dos investidores chineses no potencial do país, ao mesmo tempo que fortalece a posição de Portugal na cadeia de valor das energias renováveis e da mobilidade sustentável.

Mas o interesse chinês em Portugal não se limita ao setor das baterias. O embaixador da China em Portugal reforçou, numa recente visita aos Açores, a vontade de estabelecer parcerias para a importação de produtos de alta qualidade como leite, carne, queijo e peixe. Para as empresas portuguesas, este é um sinal claro de que há um mercado vasto e com grande poder de compra à espera de produtos diferenciados e com selo de qualidade europeu.

O crescimento do investimento chinês na Península Ibérica não acontece por acaso. Com os Estados Unidos a adotar uma política comercial cada vez mais protecionista sob a liderança de Donald Trump, a China tem reforçado a sua presença na Europa. Em Espanha, 2024 foi um ano recorde para o investimento direto chinês, com 33 novos projetos em setores estratégicos como energia limpa e produção de baterias. Esta tendência deverá continuar, consolidando a Península como um polo fundamental para a expansão chinesa na Europa.

Para Portugal, esta aproximação à China pode representar uma alavanca económica fundamental. O setor automóvel europeu, por exemplo, enfrenta desafios significativos, e a China pode desempenhar um papel-chave na sua reestruturação. A Volkswagen já admitiu conversações com investidores chineses para a venda de fábricas na Alemanha, numa altura em que os fabricantes chineses procuram formas de evitar tarifas da UE sobre veículos elétricos importados da China. Considerando que a indústria automóvel representa cerca de 7% do PIB da União Europeia e emprega 13 milhões de pessoas, uma maior presença chinesa pode ser crucial para garantir a sua sustentabilidade.

Outro fator determinante é o lítio. A Europa precisa urgentemente deste recurso para impulsionar a transição energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Atualmente, a UE importa 97% do lítio necessário à sua economia da China. O investimento chinês em Sines reforça esta dependência, mas também cria oportunidades para o desenvolvimento da indústria nacional e para a captação de novos projetos de inovação e tecnologia.

No contexto da nova ordem económica mundial, Portugal tem tudo a ganhar com uma estratégia de cooperação ativa com a China. Seja no setor energético, no agroalimentar ou na indústria automóvel, a entrada de capital chinês pode significar crescimento, inovação e emprego para o país. Em tempos de incerteza geopolítica e económica, Portugal e as empresas portuguesas não podem ignorar esta oportunidade. João Santos – Portugal in “Sapo”

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João Rodrigues dos Santos - Professor Associado e Coordenador da área de Economia e Gestão da Universidade Europeia


sexta-feira, 21 de junho de 2024

Angola - Utiliza Macau como “ponte” para acordos com empresas chinesas

O Ministro da Energia e Águas de Angola assinou em Macau dois importantes acordos de entendimento com empresas chinesas estatais do sector da energia, concretamente a “Power China” e “State Grid”, na sequência da sua deslocação ao território para participar no Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas. Em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau, João Baptista Borges destacou o papel da RAEM como ponte para a concretização de vários projectos de desenvolvimento em Angola apoiados pela China


Utilizar Macau como “ponte” para a concretização de acordos com empresas chinesas, tendo em vista o apoio a projectos de desenvolvimento em Angola, concretamente na área da energia, é para o Ministro da Energia e Águas do país africano de expressão portuguesa uma vantagem que se deve aproveitar.

“Nós, os que falamos português, que temos este património que é a língua, digamos que o facto de Macau falar também o português pode ajudar, e muito, a conhecermos particularidades da cultura, dos hábitos, do modo de ser da China e do povo chinês, que tem, como se sabe, uma cultura muito distante da nossa”, frisou. Essa aproximação “implica também conhecermos um pouco essa forma de ser e de estar e Macau pode ajudar-nos muito nisso, até porque aqui estão instaladas muitas das grandes empresas chinesas”, referiu João Baptista Borges ao Jornal Tribuna de Macau.

O governante angolano deslocou-se ao território para participar no Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas (IIICF), onde assinou alguns acordos com companhias chinesas, entre as quais a “Power Construction Corporation of China” (“Power China”), empresa totalmente estatal dedicada à indústria de construção civil e engenharia pesada, e a “China State Grid”, que é a Companhia Nacional da Rede Eléctrica da RPC, responsável pela maior parte da operação do sector no Continente.

Os protocolos de entendimento “têm para já um efeito ‘umbrella’”, como diz o Ministro, ou seja, uma protecção e segurança que representam a natureza empresarial e comercial de um acordo. “É um conjunto de acordos ou de contratos para a futura construção de sistemas de transporte de electricidade”, explicou.

João Baptista Borges reconhece que a grande prioridade em Angola é expandir os sistemas eléctricos, quer para sul, quer para os países da região. “A perspectiva é vermos as trocas de energia serem uma realidade de elevada importância na nossa região, até porque vivemos uma época, uma realidade, em que os efeitos das alterações climáticas estão cada vez mais presentes”, comenta, acrescentando que Angola tem “períodos de estiagens e de grandes cheias”. Nesse sentido, “sem dúvida, que a segurança energética, a segurança hídrica, são importantes”.

Os acordos assinados ontem têm por finalidade “promover também essas trocas com a construção de infra-estruturas que permitam, então, que tenhamos economias mais resilientes e trocas comerciais por via da energia eléctrica mais efectivas”, acentuou.

Por outro lado, João Baptista Borges referiu que o Governo de Angola, liderado por João Lourenço, pretende reforçar a expansão do acesso à electricidade por parte da população. “Na África subsaariana, como se sabe, as taxas de acesso à electricidade estão abaixo dos 50%, particularmente em Angola temos 43%, e nós almejamos fazê-la subir rapidamente e atingir 50% até ao final de 2027, ou seja, queremos que aproximadamente 16 milhões de habitantes tenham acesso à electricidade”, afirmou.

Para isso, acrescentou, “é preciso primeiro produzirmos uma energia cada vez mais barata e mais verde, utilizando, no fundo, abundantes recursos hídricos que o nosso país dispõe, mas também recursos solares, empregando tecnologias baratas, e, como sabemos, a China é pioneira no desenvolvimento da tecnologia solar e outras tecnologias de baixo custo”.

Investimentos na energia atingem 20 mil milhões USD

Angola tem feito grandes investimentos no sector da energia nos últimos anos, com recurso à linha de crédito da China. “Em Angola, seguramente, já foram investidos mais de 20 mil milhões de dólares com o apoio chinês”, afirmou o governante.

Só num projecto, a construção da central hidroeléctrica de Caculo Cabaça, no norte do país, naquela que é a maior hidroeléctrica que Angola está a desenvolver, e uma das maiores da África, com 2170 megawatts, o valor global do investimento ascende a cerca de 4,5 mil milhões de dólares. “É, provavelmente, o maior financiamento chinês para um só projecto no nosso país e na região, o que atesta aquilo que tem sido o nível de cooperação e o suporte que a China tem dado na construção de infra-estruturas”, salientou.

Relativamente à presença de Angola neste Fórum em Macau, João Baptista Borges indicou ser a “expressão do nosso interesse em ver reforçados os laços com a República Popular da China”. Lembrando que Angola celebrou recentemente 40 anos de estabelecimento de relações diplomáticas com a RPC e que em Março o Presidente angolano, João Lourenço, se deslocou a Pequim, “onde se celebraram importantes acordos”, o governante sustentou que essas acções “traduzem o interesse que existe em ver cada vez mais investimento privado em Angola, sobretudo em infra-estruturas”.

Representando o sector da energia e da água, o Ministro frisou que se trata de “duas infra-estruturas básicas, nas quais assenta o desenvolvimento económico do país e também social”. Por isso, “a nossa participação no Fórum visa, sobretudo, não só conhecer melhor as potencialidades da indústria e a tecnologia chinesas, como também conhecer melhor as empresas chinesas que actuam nestas áreas”, avançou.

De Macau, onde está pela primeira vez, João Baptista Borges levará a imagem “de uma cidade com uma velocidade de construção de edifícios surpreendente e uma cidade de beleza arquitectónica notável”.

O programa da 15ª edição do Fórum IIICF incluiu um seminário destinado à Cooperação em Infra-estruturas entre a China e os PLP, organizado pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau. Destaque para as palavras do presidente da Associação dos Construtores Civis Internacionais da China, que considerou que “as infra-estruturas têm sido uma área chave de cooperação” e que, ao longo dos anos, a China e os países lusófonos têm cooperado nos domínios dos transportes, comunicações, conservação da água, electricidade, entre outros, “promovendo a conectividade das infra-estruturas, das regras e normas e da amizade com os povos dos PLP”.

O Fórum, que hoje termina, é subordinado ao tema “Inovação Ecológica, Conectividade Digital” e junta 3000 convidados provenientes de 69 países e regiões, incluindo ministros ou quadros superiores das instituições financeiras. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 29 de março de 2024

Angola - Parque Fotovoltaico de Saurimo vai ser inaugurado

O Ministério da Energia e Águas (MINEA) inaugura, na próxima terça-feira, o Parque Fotovoltaico de Saurimo, na província da Lunda-Sul, que vai ter uma potência instalada de 26,13 megawatts (MW)


De acordo com um comunicado do MINEA, o parque vai garantir electricidade verde e abastecer mais de 170 mil famílias e uma poupança de mais de 19 milhões de litros de combustível por ano.

O objectivo do Governo, identificado no Plano "Energia Angola 2025”, é diversificar a matriz energética do país e que este tenha cerca de 60 por cento da sua população rural com acesso à electricidade.

Orçado em 38,8 milhões de euros, a empreitada comporta um total de 44850 painéis solares e vai produzir mais de 49000 MWh/ano. De forma a escoar esta energia, será construída uma linha de média tensão de 15 kV que interligará o parque solar ao posto de seccionamento que estará preparado para as futuras ligações dos postos de Tchicumina e Nhama, bem como a interligação da linha da Hidrochicapa.

Além de uma poupança de mais de 19 milhões de litros de combustível por ano, esta solução vai evitar emissões de mais de 68 mil toneladas de Dióxido de Carbono (CO2) por ano.

O Parque Fotovoltaico de Saurimo faz parte de um conjunto de sete, com uma capacidade total de 370 MWp, nas províncias de Benguela, Huambo, Bié, Lunda-Norte (Lucapa) e Moxico (Luena), que deverão estar operacionais até ao final deste ano.

No seu conjunto, os sete parques solares foram desenvolvidos por um consórcio internacional composto pelas empresas Sun Africa e MCA, estando esta última com a componente de engenharia. Isso vai permitir fornecer electricidade renovável e limpa a 2,4 milhões de angolanos, contribuindo ainda para a redução anual de emissões poluentes de cerca de um milhão de toneladas de CO2.

Os parques solares permitem, também, eliminar a necessidade de consumo de cerca de 1,4 milhões de litros de gasóleo em geradores e produção térmica, com efeitos fortemente poluentes, o que permitirá uma poupança muito significativa nos gastos com importação de combustíveis. In “Jornal de Angola” - Angola




quarta-feira, 7 de junho de 2023

China - Testou com sucesso a produção de hidrogénio com água do mar

A produção de hidrogénio carece de acesso a água pura e os especialistas têm procurado formas de facilitar o acesso. A China conseguiu ir mais além e, com sucesso, produziu-o recorrendo à água do mar


O hidrogénio ainda não capta todas as atenções, mas já há quem deposite nele a esperança no futuro, nomeadamente, do transporte - desde carros, autocarros e camiões, até aviões e ferries.

Os especialistas estão empenhados em encontrar alternativas para o fornecimento de água destinada à produção de hidrogénio. Uma das opções é a água do mar, pois além de ser uma fonte (quase) infinita, torná-lo-ia muito acessível.

A fabricante de turbinas eólicas, Dongfang Electric, na China, já realizou testes nesse sentido e os resultados foram promissores. A empresa conseguiu produzir hidrogénio, numa plataforma flutuante em alto mar, durante 10 dias de teste, na baía de Xinghua, perto da província de Fujian.

A plataforma inclui "gestão inteligente de conversão de energia" e funcionou sob ventos e ondas fortes, bem como uma tempestade. Durante as 240 horas, o processo foi alimentado pela energia fornecida por um parque eólico instalado perto.

Apesar de o sucesso do teste não resultar numa redução do preço final do hidrogénio, a tecnologia testada na China poderia eliminar a necessidade de construir centrais de dessalinização, em terra. O hidrogénio poderia ser produzido diretamente no mar, utilizando energia eólica para o bombear para a costa. In “Pplware” - Portugal


sexta-feira, 21 de abril de 2023

Namíbia e África do Sul cooperarão em hidrogénio verde

O presidente Hage Geingob e o seu colega sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciaram planos para cooperar no desenvolvimento de uma economia de hidrogénio verde para beneficiar os dois países


Os dois líderes falaram durante a visita de estado de Geingob à África do Sul.

Geingob disse que a África do Sul é um parceiro bem-vindo no hidrogénio verde por causa da sua grande economia, forte base industrial e infraestrutura estabelecida.

“Vamos trabalhar com eles (África do Sul) se tivermos novas ideias sobre hidrogénio verde. Eles estarão lá para nos facilitar. Será bom, portanto, que eles estejam a bordo e discutamos como eles podem entrar”, disse Geingob.

Geingob disse que os detalhes sobre esta cooperação serão discutidos longamente durante a próxima comissão binacional Namíbia-África do Sul.

A Namíbia, que possui recursos solares e eólicos significativos, já começou a explorar o potencial de produzir hidrogénio verde para exportação e aumentar a sua segurança energética.

Enquanto isso, a África do Sul também abriga vários projetos de energia renovável, incluindo a maior central de energia solar do mundo.

Ramaphosa disse que tanto a Namíbia quanto a África do Sul estão a passar por uma era em que estão expostos a novas oportunidades.

“O setor de hidrogénio verde é um setor novo e ambos os países estão bem posicionados para explorar este sector. Já existe um desejo profundo de que nós dois cooperemos”, disse Ramaphosa.

Ramaphosa disse que parceiros locais e internacionais estão a conversar com os dois países sobre como explorar o sector de hidrogénio verde, acrescentando que ambos os governos querem usar o hidrogénio verde para melhorar as condições de vida dos seus cidadãos e óptimos empregos. Donald Matthys - Namíbia In “The Namibian”



quinta-feira, 4 de agosto de 2022

França - Famílias terão 20 mil milhões de euros em apoios

O parlamento francês aprovou esta quarta-feira um pacote de medidas no valor de 20 mil milhões de euros para ajudar famílias em dificuldades a lidar com o aumento dos preços da energia e da alimentação

A votação com 395 votos a favor e 112 contra, decorreu após um aceso debate na Assembleia Nacional (câmara baixa do parlamento de França), onde o Presidente da República, Emmanuel Macron, já não dispõe de maioria.

A lei foi uma das principais promessas eleitorais de Macron, que foi reeleito para um segundo mandato presidencial em abril. Foi também um teste essencial à capacidade do executivo para governar – e à capacidade das forças da oposição para influenciar o processo legislativo.

A aliança centrista de Macron conquistou a maioria dos assentos da Assembleia Nacional em junho, mas perdeu a sua maioria absoluta, ao passo que uma coligação de esquerda e a extrema-direita ambas obtiveram grandes vitórias, reforçando as suas posições como forças da oposição.

A inflação anual atingiu um recorde de 8,6% nos 19 países da Zona Euro, devido a um enorme aumento dos preços dos produtos alimentares e da energia, em parte causados pela guerra na Ucrânia. Em França, a inflação anual estima-se neste momento em 6,5%.

“O vosso poder de compra é a nossa prioridade”, escreveu o porta-voz do Governo francês, Olivier Veran, na rede social Twitter.

“Para vos proteger da inflação, mantivemos o preço dos combustíveis e da eletricidade tabelado e estabelecemos um limite de 3,5% para o aumento das rendas”, acrescentou.

A lei inclui também um aumento de 4% das pensões e de algumas prestações sociais. Nos combustíveis, um desconto financiado pelo Estado que é atualmente de 18 cêntimos por litro aumentará para 30 cêntimos em setembro e outubro.

As empresas privadas estão igualmente a ser encorajadas a dar aos empregados um bónus anual livre de impostos de até 6000 euros.

O diploma foi apoiado por membros da aliança centrista de Macron, pelo partido conservador Os Republicanos e pela União Nacional, de extrema-direita. Foi debatido no parlamento francês juntamente com uma versão atualizada da lei orçamental, que será votada ainda esta semana.

A coligação de esquerda Nupes – a maior força da oposição, composta pela esquerda radical, pelos comunistas, os socialistas e os ecologistas – criticou as medidas, considerando-as insuficientes e pronunciou-se hoje quase na totalidade contra a lei.

Discussões acaloradas na Assembleia Nacional levaram ao prolongamento do debate durante serões e fins-de-semana, com os deputados da aliança de Macron a precisarem por vezes de correr para a Assembleia Nacional para impedirem que propostas de alteração da oposição fossem aprovadas.

“Estamos a viver uma das mais graves crises energéticas de sempre, que representa cerca de 60% da atual inflação”, disse a ministra da Transição Energética francesa, Agnès Pannier-Runacher.

Segundo a ministra, esta lei prevê medidas para impulsionar a produção e a distribuição de energia, incluindo a possível requisição de centrais de produção de eletricidade alimentadas a gás, se o abastecimento de gás natural estiver ameaçado.

Outra medida prevê a instalação de um terminal flutuante no porto ocidental de Le Havre para permitir importar mais gás natural liquefeito, que é transportado em navios de países como os Estados Unidos e o Qatar.

As últimas semanas de debates na Assembleia Nacional contrastaram com as ocorridas em anos anteriores, quando Macron tinha maioria absoluta, o que lhe permitia a aprovação quase automática de medidas.

A sessão parlamentar termina esta semana para as duas câmaras do parlamento, Assembleia Nacional e Senado, e será retomada novamente em outubro. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 9 de junho de 2022

União Europeia - Novo Mestrado em Cidades e Comunidades Sustentáveis


No próximo ano letivo, a Universidade de Coimbra (UC), a Universidade de Poitiers (França) e a Universidade de Turku (Finlândia) vão ministrar, em conjunto, um novo mestrado em “Cidades e Comunidades Sustentáveis”.

Criado no âmbito da Aliança EC2U – Campus Europeu de Cidades Universitárias, este é um mestrado de dois anos, lecionado em inglês, que visa formar futuros profissionais nacionais e internacionais com diversas formações de base, nos domínios do ambiente, energia, planeamento urbano e recursos naturais.

«Os planos e metas políticas da União Europeia na área do Desenvolvimento Sustentável, juntamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, implicarão a necessidade de um grande número de especialistas nas áreas de sustentabilidade», fundamenta Manuel Gameiro da Silva, coordenador do novo mestrado.

Para o docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), este grau «irá garantir aos alunos o desenvolvimento de competências instrumentais em análise e síntese, resolução e planeamento, permitindo que iniciem a sua carreira com conhecimentos avançados no campo da sustentabilidade em cidades e comunidades. O Campus EC2U oferece aos alunos a oportunidade de estudar no exterior, desenvolver experiências multiculturais e expandir sua rede profissional».

Ao longo do percurso académico, os alunos terão a oportunidade de estudar em até 4 das 7 universidades EC2U. As candidaturas ao novo mestrado estão abertas até 15 de julho em https://inforestudante.uc.pt/nonio/security/login.do.

Mais informação disponível em:

https://ec2u.eu/ec2u-master-programmes/sustainable-cities-and-communities/

O vídeo sobre a nova oferta formativa pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra - Portugal



 

terça-feira, 24 de maio de 2022

Angola - Novo projecto vai levar água e energia ao sul do país

O memorando foi assinado em Setembro do ano passado, mas o ajuste directo e o empréstimo foram autorizados agora. São quase 2000 mil milhões de dólares para levar água e energia a quatro províncias do sul do país. O empréstimo será disponibilizado pelo ING Bank com apoio do US Exim Bank e de outras instituições financeiras internacionais. Quanto à execução, está a cargo da Omatapalo

No despacho 128/22, o Presidente da República autoriza a despesa e formaliza a abertura do procedimento de contratação simplificada, no valor global de 1,95 mil milhões de dólares norte-americanos para a adjudicação da empreitada de obras públicas para a electrificação de uma das 26 sedes municipais e 56 comunas, nas províncias do Namibe, Kuando Kubango, Huíla e Cunene, através de sistemas híbridos de geração fotovoltaica, programas integrados de abastecimento de água potável.

Autoriza igualmente a empreitada de construção de duas centrais fotovoltaicas nas localidades de Catete e Laúca.

No documento é ainda aprovada a empreitada para a construção de mini-redes solares de produção de energia eléctrica, armazenamento de energia eléctrica, infra-estruturas de ligação, expansão da rede de distribuição de água, nas províncias do Namibe, Kuando Kubango, Huila e Cunene, compreendendo 65 mini-redes solares com uma capacidade de produção de energia de aproximadamente 220,319 MWdc e armazenamento de energia de aproximadamente 287,040 MWh, cabines solares, sistemas de produção de energia doméstica, respectivas infra-estruturas de ligação, expansão da rede de distribuição de energia através de 45.422 novas ligações domiciliárias e sistemas rurais de captação, tratamento e distribuição de água.

Este valor inclui ainda a empreitada para o desenvolvimento, concepção do projecto de engenharia, fornecimento, supervisão, construção e testes de uma central fotovoltaica de grande escala de produção de energia eléctrica na Localidade de Laúca, com uma capacidade de produção de 400 MWdc.

O contrato abrange também a empreitada para o desenvolvimento, concepção do projecto de engenharia, fornecimento, supervisão, construção e teste de uma central fotovoltaica de grande escala de produção de energia eléctrica na localidade de Catete, com uma capacidade de produção de 104 MWdc.

O Ministro da Energia e Águas é autorizado a celebrar os contratos com a Global Sun África LLC, constituído pelas empresas angolanas Omatapalo - Engenharia e Construções e Omatapalo Inc.

Já a ministra das Finanças é autorizada a iniciar a negociação do empréstimo e a assinar os documentos e contratos necessários para o financiamento do projecto liderado pelo ING Bank, com o apoio do US Exim Bank e de outras Instituições Financeiras Internacionais em representação da República de Angola. In “Novo Jornal” - Angola


domingo, 22 de maio de 2022

Portugal – Solução que permite eliminar espera pela água quente ganha prémio de inovação

A empresa Hoterway propõe-se a eliminar o tempo de espera pela água quente, acabar com o desperdício de água em casa e, em 98% das vezes, sem qualquer recurso à eletricidade

A Hoterway, empresa 100% portuguesa, acaba de receber o Prémio Inovação 2022, atribuído ao seu produto, INstant Water, que elimina o tempo de espera pela água quente em todas as torneiras da casa. O prémio foi atribuído durante a Feira Tektónica, que decorreu de 12 a 15 de maio, na FIL, em Lisboa, onde o produto foi lançado oficialmente.

A empresa propõe-se, assim, a eliminar o tempo de espera pela água quente, acabar com o desperdício de água em casa e, em 98% das vezes, sem qualquer recurso à eletricidade.

Como funciona o sistema

Através de fenómeno termodinâmico, o material utilizado é o PCM (Phase Changing Material), uma parafina mineral de alta performance que, com a passagem da água do sistema AQS a 50ºC, passa do estado sólido ao estado líquido e tem a capacidade de reter o calor durante 24h em painéis de vácuo, dispensando-o quando abrir a torneira e aquecendo a água fria estagnada na tubagem, de forma instantânea, até 42ºC.

O problema da espera pela água quente é uma questão de sempre, mas para a qual nunca houve nenhuma solução que não implicasse o pagamento de quantias exorbitantes em energia.


Para além disto, existe a questão do desperdício de água enquanto se espera pela água quente. Segundo a Deco Proteste, em 2020, desperdiçaram-se mais 174 milhões de metros cúbicos de água tratada e pronta a beber, que daria para abastecer mais de um milhão de famílias, e o equivalente a 93,6 milhões de euros.

Assumindo a sua mais alta performance em fase de projeto de construção de casa (vivenda, moradia, apartamento, prédio, urbanização), existem soluções para fase de remodelações menos invasivas e sem necessidade de qualquer intervenção.

Há ainda um caminho longo que todos temos que fazer relativamente à eficiência hídrica global, mas foi feito um avanço considerável no que toca à eficiência hídrica predial. In “Mood Sapo” - Portugal