Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 31 de maio de 2026

Estados Unidos da América - Lusodescendentes brilham nos maiores eventos

A empresa responsável pelo famoso espetáculo de fogo de artifício do 4 de Julho em Nova Iorque foi fundada por um emigrante açoriano. A curiosidade foi partilhada pelo consulado de Portugal em Nova Iorque


A Souza é a empresa de pirotecnia que, há várias décadas, organiza o espetáculo anual promovido pelo Macy’s para assinalar o Dia da Independência norte-americano.

A empresa foi criada em 1906, na Califórnia, por Manuel de Souza, natural dos Açores, e é atualmente gerida pelo seu neto, Jim Souza.

Segundo o consulado português, a Pyro Spectaculars by Souza é atualmente uma das maiores empresas de pirotecnia dos Estados Unidos e tem estado envolvida em vários eventos de grande dimensão no país.

Além das celebrações do 4 de Julho em Nova Iorque, a empresa já iluminou eventos como a Super Bowl, espetáculos nos parques da Disney e várias edições dos Jogos Olímpicos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Luxemburgo - “Euforia”: A celebração da lusofonia no verão do país

No cenário histórico da Abbaye de Neumünster, o centro cultural Neimënster acolhe mais uma edição de um evento que celebra a diversidade cultural através da música. Intitulado Euforia, este dia específico da programação destaca-se como uma homenagem às sonoridades da lusofonia, reunindo influências de Portugal, Cabo Verde e Brasil num ambiente festivo e aberto a todos


Agendado para o dia 11 de julho de 2024, entre as 17h30 e a meia-noite, Euforia propõe uma viagem musical que atravessa geografias e tradições, refletindo a riqueza cultural dos países de língua portuguesa. Integrado na programação de verão de Neimënster, o evento decorre ao ar livre, tirando partido do ambiente único da abadia.

Ao longo da tarde e da noite, o público é convidado a mergulhar em diferentes estilos musicais que, apesar das suas especificidades, partilham raízes comuns. O programa inclui a presença do Priscila da Costa Trio, que traz ao palco a expressividade do fado, género profundamente ligado à identidade portuguesa. Segue-se Carisa Dias & Band, com uma abordagem que cruza a morna cabo-verdiana com influências contemporâneas, evocando temas como a diáspora e a pertença. A energia do samba brasileiro chega com Samba de Lux, convidando à dança e à celebração coletiva, enquanto o encerramento fica a cargo da Banda Compacto, que transforma o espaço num verdadeiro baile ao ar livre.

Mais do que uma sucessão de concertos, Euforia afirma-se como um espaço de encontro entre comunidades. A programação inclui também momentos de convívio, animação e propostas pensadas para diferentes públicos, reforçando o carácter inclusivo do evento. A combinação entre música, gastronomia e ambiente ao ar livre contribui para criar uma experiência imersiva, onde o público não é apenas espectador, mas parte integrante da festa.

Num país marcado pela diversidade cultural como o Luxemburgo, iniciativas como esta assumem um papel relevante na valorização das comunidades lusófonas e das suas expressões artísticas. Euforia surge assim como um ponto de convergência entre tradição e contemporaneidade, promovendo o diálogo cultural através da música.

Ao reunir diferentes vozes e ritmos num mesmo palco, o evento sublinha a força da lusofonia enquanto espaço de partilha. Mais do que um momento de entretenimento, trata-se de uma celebração da identidade cultural comum, vivida de forma coletiva num dos espaços mais emblemáticos da cidade. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Em liberdade











Vamos aprender português, cantando

 

Em liberdade

 

Olho para trás sem dor

que lágrimas chorei

que coração larguei

cansada do que é triste e vão

 

Tanta pele e tanta cor

a história que eu herdei

a vida que eu mudei

sedenta do que existe e vim

 

Falar de onde eu venho

saber o meu tamanho

vim ao céu pedir amor pra onde eu for

ao mar pra ver o céu ficar maior

à terra ver o mar onde nasci

em liberdade

 

Olho para dizer adeus

se a saudade me quer

eu volto a não querer

cansada do cansaço vão

 

Tanta gente e tanto andor

a história vai pisar

eu canto pra avisar

sedenta de mais espaço e vim

 

Largar o que não tenho

trazer o que me é estranho

vim ao céu pedir amor pra onde eu for

ao mar pra ver o céu ficar maior

 

À terra ver o mar onde nasci

em liberdade, assim eu vim

ao céu pedir amor pra onde eu for

ao mar pra ver o céu ficar maior

à terra ver o mar onde nasci

em liberdade

 

Olho para a frente enfim

O sal eu já limpei

A cicatriz sarei

E saio para a rua assim

 

Em liberdade

 

Diana Vilarinho – Portugal

Composição:

(Letra) Rita Dias – Portugal

(Música) André Santos - Portugal

 

sábado, 30 de maio de 2026

Moçambique - Elias Beúla lança obra de estreia “A Sombra da Amargura” em Maxixe

O escritor moçambicano Elias Beúla lançou oficialmente, no passado dia 29 de Maio, a sua primeira obra literária intitulada A Sombra da Amargura, num evento que teve lugar na Sala de Sessões do SDEJT (Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia) da cidade da Maxixe, província de Inhambane.

Segundo um comunicado da Netos Editorial, responsável pela publicação da obra, o lançamento contou com a presença de leitores, convidados e membros da comunidade académica, num momento que se pretende promover a literatura nacional, incentivar o gosto pela leitura e proporcionar um espaço cultural aberto ao público.

A apresentação do livro esteve a cargo do escritor Alerto Bia, que fez uma análise da obra e do seu enquadramento na literatura contemporânea moçambicana. A organização acredita que o lançamento representa um importante marco para o surgimento de novas vozes literárias no país.

Com A Sombra da Amargura, Elias Beúla estreia-se oficialmente no universo literário, passando a integrar a nova geração de autores moçambicanos que procuram afirmar-se através da escrita e da valorização da cultura nacional. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Moçambique - Regimildo Augusto Rafael marca história em Jangamo com o lançamento da obra “Quando o Mundo Mostra a sua Face”

No coração da província de Inhambane, o Distrito de Jangamo viveu um momento histórico que promete marcar uma nova era cultural e literária na região.


Trata-se do primeiro lançamento oficial de uma obra literária no Distrito de Jangamo, do estreante escritor Regimildo Augusto Rafael, que de entre vários objectivos pretende com o seu novo trabalho, mergulhar nos dilemas da vida moderna e chamar a sociedade de modo a refletir profundamente sobre valores morais, responsabilidade e tomada de decisões conscientes.

Intitulada Quando o Mundo Mostra a Sua Face, não é apenas um livro, visto que, considera-se por alguns leitores críticos da província, como um espelho da sociedade, retrato cru das escolhas humanas e das consequências que moldam destinos.

Com 9 capítulos distribuídos em 83 páginas, a obra foi editada pela Kufuyiwa Editores e já está despertando enorme interesse entre jovens leitores e figuras ligadas ao sector cultural.

Durante o lançamento oficial da obra, a administradora de Jangamo, Cénia Maela, destacou que o acontecimento simboliza “o fim do silêncio literário” naquela parcela da província de Inhambane, desafiando a todos de modo a fazerem uma leitura crítica e reflexiva da obra, defendendo que a literatura pode desempenhar um papel decisivo na transformação social.

Baseando-se em algumas perguntas colocadas pelo autor na obra, como “O que te prende hoje ao chiqueiro” Maela, exortou a todos sobretudo aos jovens a ter uma disciplina de vida no seu cotidiano.

Por sua vez, o estreante escritor Regimildo Rafael, fala do resgate dos valores sociais que vêm perdurando ao longo dos tempos, com o seguimento das novas gerações.

Baseando-se em escrituras sagradas e em vivências reais, Regimildo Rafael chama à reflexão de diferentes actores da sociedade sobre a necessidade de adoção de disposições estruturadas, de modo a evitar fracassos na vida social e pessoal.

A estreia de Regimildo Augusto Rafael no mundo da literatura, sobretudo em Jangamo, surge como uma poderosa demonstração de que talento, coragem e visão podem transformar histórias locais em mensagens universais. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Cabo Verde - Zulu lança videoclipe de “Bubista d’Otrora”

A cantora Zulu lançou na passada sexta-feira, 22, o videoclipe de “Bubista d’Otrora” tema que compõe o seu primeiro disco intitulado “Briza”, editado em Março de 2025


Segundo uma nota da produtora Harmonia, com o lançamento do videoclipe oficial, a composição de Zulu, já reconhecida pela sua densidade cultural, ganha o movimento e a vivacidade que só o cordão umbilical que une a artista à sua terra poderia proporcionar.

A mesma fonte sublinha que este projecto é a materialização da missão de Zulu: ser a ponte viva entre a sabedoria das gerações passadas e a energia da nova geração.

“Não é por acaso que as crianças da Boa Vista se tornaram as fiéis seguidoras deste tema; nelas, a música desperta uma nova era de orgulho e valorização cultural, uma identidade quase perdida nos dias de hoje”, refere.

Bubista d’Otrora, conforme a mesma fonte convida-nos a escutar com o coração para sermos transportados a um tempo onde se vivia com verdade toda a imensidão e versatilidade que compõem a alma e a essência da ilha.

“O grande diferencial deste lançamento é a forma como o Landú, enquanto ritual de conquista, dança e celebração do casamento, transporta-se da profundidade histórica das gentes da ´ilha fantástica´ para ganhar vida através da expressividade de Bubista d'Otrora”, revela.

A mesma fonte relata que o videoclipe não se limita a acompanhar a música; ele documenta o gesto e a oralidade de um povo que mantém a sua sabedoria gigante, garantindo que o legado dos mais velhos floresça nas mãos dos mais novos.

Sob a direcção artística de Hernani Almeida, enquanto produtor e o coração pulsante arranjador desta faixa, que respeita a autenticidade das raízes da artista, e o olhar atento e aconselhamento de Djô da Silva, o tema encontra o equilíbrio perfeito entre a identidade de um povo e uma nova briza musical que paira sobre Cabo Verde.

Com o contributo de instrumentistas de peso do jazz caribenho, como o pianista Mario Canonge, cuja identidade musical está profundamente enraizada na cultura caribenha, sendo considerado um dos maiores expoentes do jazz caribenho e do jazz crioulo a nível mundial, Bubista d’Otrora efectiva a capacidade de novos compositores, como é o caso de Zulu, em elevar a música tradicional a um patamar universal.

O videoclipe percorre as localidades da Boa Vista, transformando as paisagens e as gentes de outrora num retrato atual e atemporal pelas lentes do Kevin (Emilio Garcia), jovem santiaguense que reside na ilha da Boa Vista.

É a materialização de um projecto que une a educação, a tradição e a arte contemporânea, consolidando Zulu como uma das vozes relevantes na salvaguarda do património imaterial de Cabo Verde.

Com o lançamento do videoclipe, Bubista d’Otrora deixa de ser apenas uma canção para ser vista, sentida e vivida como um pedaço pulsante da história boa-vistense e parte da diversidade cultural de Cabo Verde.

De lembrar que Zulu está nomeada nos Cabo Verde Music Awards nas categorias: de Artista Revelação; de Música Tradicional do Ano; de Coladeira do Ano e de Funaná do Ano. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Brasil - Estudo prevê secas acima da média nos próximos 5 anos

Relatório da Organização Meteorológica Mundial afirma que temperaturas devem subir de 1,3°C a 1,9°C acima da média entre 2026 e 2030. Os especialistas citam alta probabilidade de novo recorde de calor em 2027, redução de chuvas e condições de seca vão atingir especialmente o Hemisfério Sul


As temperaturas médias globais provavelmente continuarão em níveis recordes ou próximo deles até 2030, de acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial, OMM, produzido pelo Met Office do Reino Unido.

O estudo, divulgado nesta quinta-feira, afirma que as temperaturas médias globais próximas à superfície durante 2026 a 2030 devem variar entre 1,3°C e 1,9°C acima da média de 1850-1900, a era pré-industrial.

86% de possibilidades de um novo recorde de calor

Os dados revelam ainda uma eventualidade de 86% de que um dos anos de agora até 2030 ultrapasse 2024 como o ano mais quente já registado.

O autor principal do relatório, Leon Hermanson, ressaltou que há um El Niño previsto para o final deste ano, o que aumenta as possibilidades de que 2027, seja o próximo ano recorde.

Os especialistas afirmam ser excepcionalmente improvável que, nos próximos cinco anos, a temperatura ultrapasse 2°C acima da média pré-industrial.

Condições de seca afetam o Brasil

E o estudo cita o Brasil, ao afirmar que previsões de chuvas para as estações, de maio a setembro, sugerem anomalias húmidas na região do Sahel, norte da Europa, Alasca e Sibéria, e anomalias secas sobre a Amazónia entre 2026 e 2030.

O estudo ressalta ainda que partes do Brasil provavelmente ficarão mais secas do que o habitual.

Já em latitudes altas do Hemisfério Norte, as previsões de chuva favorecem condições mais húmidas que a média para as próximas cinco estações de inverno.

O padrão de aumento da precipitação nos trópicos e latitudes altas em comparação com o período de referência de 1991 a 2020, e a redução das chuvas nos subtrópicos, especialmente no Hemisfério Sul, é considerado consistente com as expectativas de um clima em aquecimento.

Temperaturas árticas 2,8°C acima da média

As temperaturas árticas nos próximos cinco invernos do Hemisfério Norte, de novembro a março, devem ser 2,8°C acima da média registada de 1991 a 2020.

Esta alta é 3,5 vezes superior à anomalia global de temperatura no mesmo período, segundo o estudo.

Além disso, as previsões para março de 2026 a 2035 sugerem novas reduções na concentração de gelo marinho nos Mares de Barents, Bering e Okhotsk. ONU News – Nações Unidas


Macau - Recepção de “Junho, Mês de Portugal” volta a decorrer na Escola Portuguesa

Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação do Governo português, estará em Macau para as comemorações do 10 de Junho. Nesse dia, a recepção à comunidade lusa residente no território será este ano realizada nas instalações da Escola Portuguesa. A EPM foi escolhida por ser “um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas”, disse Alexandre Leitão na apresentação do programa do “Junho, Mês de Portugal”. A edição deste ano contará com 37 actividades


O Estado português volta a estar este ano representado nas celebrações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Macau. Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação, foi a figura escolhida pelo Governo para se deslocar ao território, depois de em 2025 as celebrações não terem contado com qualquer representante vindo de Lisboa.

Recorde-se que a deslocação do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a Macau para as cerimónias do 10 de Junho do ano passado, foi cancelada devido à situação política interna do país.

As comemorações serão assinaladas, como é habitual, com o hastear da bandeira, nos Jardins do Consulado, na manhã de 10 de Junho, seguindo-se a tradicional romagem à Gruta de Camões. O Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, revelou que a recepção à comunidade portuguesa, que nos últimos anos tem sido realizada na Residência Oficial da Bela Vista, terá desta feita por palco as instalações da Escola Portuguesa (EPM), ao final da tarde do mesmo dia 10, repetindo-se o que aconteceu em 2023.

A EPM foi escolhida “por ser um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas, e porque é uma instituição que materializa esta ideia de fusão entre povos e de plataforma”, salientou o Cônsul, referindo que em vários países onde existem escolas portuguesas, estas são normalmente o local onde se faz o dia de celebração de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Tem tudo a ver, é o presente, o passado e naturalmente o futuro, e o futuro está na escola”, enfatizou.

A Residência Oficial, no entanto, não fica fora das celebrações, uma vez que abrirá portas na tarde do dia 25 de Junho, no âmbito de um programa que permite a observação de obras de vários artistas, que decoram algumas salas da Residência Consular. “Queremos abrir o mais possível o Bela Vista às comunidades, não só portuguesas, mas todas as comunidades que devem conhecer aquele património magnífico”, frisou Alexandre Leitão.

O Cônsul-Geral proferiu estas declarações no decorrer da apresentação do programa de mais uma edição do evento “Junho, Mês de Portugal”.

Através de representantes das principais entidades que organizam o certame, nomeadamente a Casa de Portugal, Instituto Português do Oriente (IPOR), Fundação Oriente (FO), Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e o próprio Consulado, foram detalhadas as diversas actividades que vão decorrer oficialmente entre amanhã, com uma primeira exposição, da responsabilidade da SOMOS – Associação de Comunicação de Língua Portuguesa, e 3 de Julho.

No programa, “que ainda não está fechado”, segundo referiu Patrícia Quaresma, directora do IPOR, estão incluídos 37 eventos, entre exposições, workshops, espectáculos performativos e na área da literatura, concertos e conferências, para além da quarta edição do “Roteiro Gastronómico: Comer e Beber à Portuguesa”.

Neste caso, a iniciativa conta com 35 estabelecimentos participantes, o que é um número recorde. “Pretendemos também consolidar o maior número de visitantes, de participações dos restaurantes, e que no ano passado alcançou já 2000, representando um crescimento de 300% face à segunda edição”, sublinhou Bernardo Pinho, delegado da AICEP em Macau.

“Mais uma vez estes estabelecimentos aderentes representam aquela que é a diversidade da gastronomia de pratos típicos portugueses em Macau, nomeadamente não só os restaurantes das concessionárias do jogo, mas também de estabelecimentos de rua, bares, cafés, padarias e take-away”, disse.

Durante o mês de Junho, cada um destes espaços de restauração promoverá uma oferta específica, com desconto de 10%. O BNU volta a ser parceiro nesta festa gastronómica, oferecendo uma viagem a Portugal após sorteio dos clientes do banco que consumirem nos estabelecimentos aderentes.

O evento destinado à promoção da comida portuguesa, que abarca também iniciativas do Clube Militar e do Hotel Sofitel, assume um papel importante no conjunto de actividades, conforme foi destacado por Alexandre Leitão. “O crescimento deste programa excedeu as nossas expectativas e a gastronomia é extraordinariamente importante quando se faz a acção cultural e projecção do que se chama o softpower de um país, cuja própria imagem assenta muito na capacidade que os chefes têm em traduzir no prato muita da cultura”, observou.

Concertos, espectáculos para crianças e exposições

O “Junho, Mês de Portugal” apresenta ainda concertos diversificados, alguns dos quais para crianças na Casa Garden, e uma actuação de jazz no Roadshow, com um quarteto de saxofone.

Em termos de espectáculos performativos, a Casa de Portugal irá apresentar já neste fim-de-semana um evento dedicado às crianças, nomeadamente bebés acompanhados pelos pais, em quatro sessões. “Será um espectáculo de cariz sensorial, em que os pequeninos têm oportunidade de experienciar texturas e sons, porque ainda não têm idade para palavras”, vincou Amélia António.

Para a presidente da associação de matriz lusa, estes eventos virados para os mais pequenos têm posto “muito em evidência” a crise de natalidade em Macau. “De ano para ano, nós sentimos pelas actividades que organizamos para esses sectores etários, que vemos mirrar, definhar, o universo dessa faixa etária, que é de facto uma coisa extremamente preocupante”, disse a dirigente.

Além de uma exposição dedicada a Camilo Pessanha, acompanhada pela leitura de poesia e música interpretadas por dois artistas que virão de Portugal, e uma outra mostra sobre a calçada à portuguesa, na Casa de Vidro, o Fado à Janela, no edifício-sede, será outra das apostas da Casa, que fechará a sua participação com um concerto de Afonso Cabral, no Teatro D. Pedro V. O evento incluirá ainda o Arraial de Santo António, nas instalações da EPM, a 13 e 14 de Junho.

Um recital lírico, no Teatro D. Pedro V, no dia 6, é uma das novidades do programa, tendo a particularidade de ser uma proposta de uma cooperativa de ópera de câmara de Hong Kong e com a produção de uma empresa local. Michel Reis, um dos promotores, afirmou que o objectivo é apresentar uma perspectiva de música composta para voz, com vários compositores. “Vamos ter algumas obras de autores do Brasil e a colaboração do Concurso Internacional de Canto – Cascais Ópera, que tem projectado cantores de todo o mundo e também portugueses, como Sílvia Sequeira, que vai estar em Macau juntamente com uma soprano, um barítono e uma pianista francesa, todos de Hong Kong”, destacou.

A Casa Garden receberá algumas actividades, uma das quais uma exposição, em conjunto com o IPOR, de Eduardo Leal, fotógrafo documental português, que “revela um trabalho sobre a condição humana e sobre como vivem outras pessoas noutros lugares”, referiu Catarina Cottinelli, delegada da Fundação Oriente.

O Instituto Internacional de Macau colabora também no programa de eventos, recebendo exposições e conferências, uma das quais gira em torno da missão empresarial a Macau de entidades da Região Autónoma da Madeira. A outra, intitulada “Raízes e rumo: construir o presente e fortalecer o futuro”, a 13 de Junho, é uma iniciativa do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, explicou que os debates se focarão na renovação geracional, com a participação de vários jovens talentos.

Além disso, o evento dedicado a Portugal durante o próximo mês inclui outras exposições, como a “Ilha dos Amores”, organizada pelo Círculo dos Amigos da Cultura no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, “O Estúdio de Alexandre Marreiros – Dez Anos de Desenho e Pintura” na Fundação Rui Cunha, e mostra de trabalhos de Raquel Gralheiro, na Amagao.

No que diz respeito ao convite a artistas do exterior, o cônsul-geral de Portugal em Macau admitiu que seja agora mais difícil, devido aos custos acrescidos das viagens, em consequência da crise no estreito de Ormuz. A situação teve “impacto directo na organização deste programa cultural”, lamentou o diplomata. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Macau – Universidade de Macau lançou ‘podcast’ dedicado à língua portuguesa

No âmbito das celebrações do 45.º aniversário da Universidade de Macau, o Centro de Ensino e Formação Bilíngue Chinês-Português lançou o ‘podcast’ intitulado “Diz Lá Dá Cá”. Com dois episódios já disponíveis, as conversas entre académicos, tradutores e profissionais da área incidem sobre a língua, a literatura e a interculturalidade


O Centro de Ensino e Formação Bilíngue Chinês-Português (CPC) da Universidade de Macau (UM) lançou um ‘podcast’ de conversas em língua portuguesa, de modo a assinalar o 45.º aniversário da UM. Para cada episódio do programa “Diz Lá Diz Cá” são convidados académicos, tradutores e profissionais da área da cultura de Macau, do Interior da China, de Portugal, do Brasil e outros países de língua portuguesa (PLP), para discussões sobre temas como a língua, a literatura e a interculturalidade, segundo uma nota da UM.

Os dois primeiros episódios contaram com a participação de Maria José Grosso, professora associada adjunta do Departamento de Português da UM e primeira directora do CPC, e Ana Cristina Alves, investigadora auxiliar e coordenadora do serviço educativo do Centro Científico e Cultural de Macau de Portugal. As convidadas falaram sobre assuntos “como os princípios fundamentais do ensino de línguas, os desafios da tradução de obras literárias clássicas e o intercâmbio cultural entre a China e Portugal”, refere a nota.

O nome do programa foi inspirado no cantonês, numa expressão que significa “fala disso e fala daquilo” e que “reflecte a paisagem linguística única da cidade”, ao mesmo tempo que “transmite o estilo relaxado das conversas do programa”. O ‘podcast’ oferece “uma plataforma auditiva dos contextos autênticos, que combina conhecimento e diversão” a alunos chineses que estudam a língua portuguesa, educadores e entusiastas da cultura sino-portuguesa, para além de constituir “um espaço de intercâmbio de vozes académicas dinâmicas”.

Os episódios podem ser reproduzidos nas plataformas “Ximalaya” e “Apple Podcasts”, assim como no sítio oficial do CPC, no qual os interessados podem obter mais informações e conteúdos complementares ao programa. A “Ximalaya” dispõe de uma função de compreensão assistida por inteligência artificial que auxilia os ouvintes “a acompanhar os pontos principais das entrevistas simultaneamente” e a reduzir a barreira linguística.

Ao possibilitar a partilha de experiências e de perspectivas que vão “além dos livros didáticos”, o “Diz Lá Dá Cá” constrói “uma nova ponte entre as culturas chinesa e dos PLP para professores, estudantes e entusiastas do português”, pode ler-se na nota.

Desde que foi estabelecido em 2017, o CPC tem-se dedicado a promover colaborações com o Interior da China e os PLP, estabelecendo ligações na formação de professores e dando ênfase à formação de talentos bilíngues de chinês-português. Além disso, tem fomentado investigações conjuntas no domínio do ensino da língua portuguesa e promovido o intercâmbio cultural sino-lusófono. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Brasil - Missão da ONU vai avaliar proteção de povos indígenas isolados

Os especialistas reunir-se-ão com lideranças para debater políticas públicas e estratégias de proteção, sugestões deverão fortalecer a proteção dos direitos dos povos nativos


Relatores independentes da ONU realizarão missão no Brasil para orientar organizações locais sobre a proteção de direitos dos povos indígenas em situação de isolamento.

A visita está prevista para as regiões Norte e Centro-Oeste, com encontros junto a autoridades e representantes indígenas.

Parceria com organizações locais

A iniciativa será feita em parceria com o Grupo de Trabalho Internacional de Proteção de Povos Indígenas em Situação de Isolamento e Contato Inicial, Gti-Piaci, aliança entre 21 organizações indianistas da América do Sul.

Durante dez dias, os especialistas visitarão a Terra Indígena Uru-eu-wau-wau, em Rondônia, e a capital do país, Brasília.

Nesses locais, eles reunir-se-ão com representantes indígenas, autoridades estaduais e federais, instituições de direitos humanos e entidades da sociedade civil.

Proteção dos direitos

Os objetivos incluem promover e proteger os direitos dos povos indígenas, avaliar boas práticas e desafios, além de sugerir leis, políticas e programas.

Entre as prioridades estão medidas protetivas especiais, avanço na demarcação de territórios e apoio à criação de marcos legais e políticos nacionais e transfronteiriços.

Ao final da visita, os relatores deverão publicar uma nota técnica com recomendações para o fortalecer a proteção dos direitos dos povos indígenas, em alinhamento com padrões internacionais de direitos humanos. ONU News – Nações Unidas

Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho


quinta-feira, 28 de maio de 2026

Cabo Verde - V volume de “Mulheres e Seus Destinos” lançado sexta-feira na cidade da Praia com foco nas vítimas das cheias do Tarrafal

Cidade da Praia – O V volume da antologia “Mulheres e Seus Destinos”, intitulado Chuvas de Lágrimas: Poemas de Dor e Resiliência, será lançado sexta-feira, 29, na cidade da Praia, numa edição inspirada nas cheias que devastaram o Tarrafal.


A informação foi avançada pela mentora e coordenadora do projecto, Lena Marçal, em entrevista à Inforpress, ao destacar que esta edição reúne poemas marcados pela dor, perda e resiliência das populações afectadas pelas enxurradas.

Segundo aquela responsável, a obra nasceu depois de ter presenciado de perto os estragos provocados pelas cheias no Tarrafal, experiência que descreveu como “uma tristeza enorme”.

“Vi casas destruídas, ruas cobertas de lama e pessoas que perderam praticamente tudo. Senti necessidade de transformar essa realidade em poesia”, afirmou.

A coordenadora explicou que, pela primeira vez, a antologia apresenta um subtítulo temático, diferenciando-se dos quatro volumes anteriores da colectânea “Mulheres e Seus Destinos”.

O livro conta com 123 participantes, entre os quais 106 mulheres e 17 homens, reunindo textos sobre as vivências das famílias afectadas, os pescadores, as mulheres, as praias e a identidade cultural do Tarrafal.

Alguns poemas retratam igualmente os impactos da tempestade Erin na ilha de São Vicente.

Lena Marçal considerou, por outro lado, que a forte adesão feminina demonstra o crescimento da presença das mulheres no universo literário cabo-verdiano, embora reconheça que a participação masculina continua reduzida.

Além da vertente literária, a coordenadora destacou o carácter social do projecto, lembrando que as receitas da venda dos livros revertem integralmente para o Gabinete de Acção Social da Câmara Municipal do Tarrafal.

“É um projecto de cariz social que procura despertar nas pessoas o sentido de responsabilidade social”, sublinhou.

Aquela responsável revelou ainda que as diferentes edições da antologia já permitiram apoiar associações e causas sociais com valores próximos de um milhão de escudos.

Lena Marçal apelou à participação do público e incentivou os presentes a adquirirem pelo menos um exemplar da obra em apoio às famílias e causas sociais beneficiadas pelo projecto. In “Inforpress” – Cabo Verde


Moçambique - Severino Ngoenha lança “Mementos de Moçambique”

Severino Ngoenha diz que Moçambique é uma “Grande Selva” seca, e por qualquer rastilho pode pegar fogo. Segundo o académico e Reitor da Universidade Técnica de Moçambique, a reconciliação no país deve incluir a África do Sul, potência regional que subjuga a economia nacional.


Através de Mementos de Moçambique, Severino Ngoenha uma das mentes panafricanistas da actualidade, traz à memória e problematiza conflitos e caminhos de reconciliação em Moçambique. Usa metáfora de um guarda chuva que, em princípio, devia cobrir todos os moçambicanos, mas por alguns motivos, uma parte, aliás, boa parte, continua fora da sombra e está susceptível a inundações sempre que chove ou que a seca sempre faz temperaturas altas.

Ngoenha regressa às negociações dos acordos de Roma e encontra Joaquim Chissano, Presidente da República e da Frelimo, abraçando Afonso Dhlakama, Presidente da Renamo,  marcando o fim do conflito que durou 16 anos. Cerca de 35 anos depois, Ngoenha aponta o dedo aos beligerantes e acusa-os de derrotados.

Mementos de Moçambique foi apresentado por Ernesto Maguengue e Luís Bernardo Honwana. Os apresentadores chamaram Severino Ngoenha de profeta secular. In “O País” - Moçambique


Moçambique – Ministério da Educação proíbe uso de livro gratuito em escolas particulares

É proibida a venda e uso de livros escolares de distribuição gratuita em escolas privadas, no país. O Ministério da Educação diz que as escolas que desobedecerem a ordem serão responsabilizadas criminalmente.


A medida entrou em vigor através de um despacho do dia 07 deste mês. O Ministério da Educação diz ter constatado que há alunos de escolas privadas a usar livros escolares destinados à distribuição gratuita no ensino primário público no país.

“A aquisição desses livros tem como base levantamento estatístico. Se há algum livro que está a circular fora do circuito normal, é crível que algum aluno dentro das nossas estatísticas não tenha o livro. Acontece o mesmo com relação aos alunos que frequentam as escolas particulares, que, em princípio, não estão abrangidos pela distribuição gratuita. Entretanto, aparecem alguns com este manual, daí o Ministério da Educação e Cultura ter exarado um despacho que orienta para a não utilização nessas escolas do livro de distribuição gratuita”, explicou Silvestre Dava, porta-voz do Ministério da Educação.

O despacho obriga gestores de escolas privadas a impedir a entrada, circulação e uso dos manuais gratuitos. Em alternativa, os pais e encarregados de educação, com filhos em escolas particulares, devem adquirir os livros nas editoras e livrarias credenciadas para o efeito.

“E a diferença é que este a venda não tem a etiqueta de distribuição gratuita e venda proibida”, esclareceu.

De acordo com o porta-voz do Ministério da educação há equipas de fiscalização ordenadas a recolher os manuais nas escolas onde se acharem. “Depois disso, vai ser produzido um relatório conjunto entre a inspeção da educação e a inspeção de actividades económicas. Então, depois de termos o relatório, poderemos dizer, com propriedade, quantos livros estavam nas mãos de alunos de escolas particulares e outros no mercado paralelo”.

A venda ilegal de livros escolares de distribuição gratuita não é recente. O Ministério da Educação diz estar a trabalhar para responsabilizar quem pratica este crime. In “O País” - Moçambique


Brasil - Mulheres de esquerda nos canais Youtube

Este texto não é exatamente um comentário, mas nasceu de uma curiosidade: depois de ter acompanhado alguns canais do Youtube dirigidos por mulheres politicamente de esquerda, eu quis saber se esses vídeos tinham muitas visualizações e inscritos. Fiquei sabendo e houve também muitas surpresas.

Assim, lancei na Internet o tema - vídeos feitos por mulheres de esquerda no Youtube - e logo surgiram diversas informações, entre as quais a mais precisa vinha pelo Instagram do canal "mídialivreoficial", me exibindo uma lista atualizada dos maiores canais de esquerda do Youtube. Bastava ir separando os canais de direção feminina.

Minha surpresa foi a de constatar ser da jornalista, Ana Lesnovski, doutora em Comunicação, o canal com maior número de inscritos, num total de 1,78 milhão. Meteoro Brasil foi criado em abril de 2017 com o objetivo de divulgar cultura pop, política, ciência e jornalismo. Nessa época e até 2024, o canal pertencia ao casal Ana Lesnovski e Álvaro Borba. Com a separação do casal, comentada aqui no OI, Ana herdou o canal Meteoro e passou a contar com a participação da jornalista Sophia La Banca, passando a se dedicar apenas aos comentários políticos e entrevistas.

Na sétima posição dos maiores e mais vistos vem o canal de Rita von Hunty, com o título de Tempero Drag, que eu ainda não conhecia e me apressei a visitar e me inscrever. Na verdade, Rita não existe, é uma "persona" criada e vivida por Guilherme Terreri Lima Pereira, drag queen, formado em arte cênica, ator, Youtuber. O sucesso de Rita von Hunty é espetacular porque a soma de seus seguidores, nos canais em diversas redes, ultrapassa 3 milhões. O canal Tempero Drag tinha por objetivo tratar de veganismo, mas hoje Rita discorre com bastante verve, na sua excelente e rápida expressão oral, sobre marxismo, política, ecologia, LGBTQIA, feminismo, sociologia e literatura.

Na oitava posição, vem a influenciadora Andréa Gonçalves, cujo crescimento no Youtube acompanhei, logo nos seus primeiros posts. Ela comenta três vezes ao dia, ao vivo, as principais atualidades políticas. Advogada, teve um crescimento rápido no Youtube, ultrapassando em pouco tempo os canais Ninja, o Portal do José e o portal do Clayson e reunindo mais de 1,30 milhão de inscritos. Não tem papas na língua.

Reunindo política e humorismo vem a pernambucana Damares de Oliveira com seu canal com nome bem sugestivo -  Igreja Biscateriana, no qual ela se identifica como Bispa Damares sem Goiabeira. Numa entrevista para o canal Forum, no qual fala do seu estilo escrachado, da sua linguagem chula, na qual distorce e debocha, (deboche santo, diz ela) dos nomes e dos políticos da extrema-direita bolsonarista.

Ela conta ter recebido um telefonema da senadora Damares, no qual ela pedia para não usar seu nome e nem a referência à goiabeira (a senadora dizia ter tido um encontro com Jesus, quando tinha subido numa goiabeira). Mas a Youtuber explicou ter também o nome de Damares, só poderia mesmo tirar a goiabeira. Agora seus vídeos têm a assinatura Damares sem Goiabeira. Ex-empregada de supermercado, sem ter completado seu curso de jornalismo, Damares diz viver hoje do seu canal e das contribuições por Pix dos inscritos.

Enfim, ainda não colocada entre os canais mais vistos, vem a influenciadora Aline Câmara, a primeira especialista brasileira na Síndrome do Trauma Religioso, como ela mesmo define, uma epidemia nacional vivida pelos evangélicos.

De origem pobre, lutadora e boa debatedora, Aline, ex-evangélica, tendo sofrido as repressões próprias da religião, faz no Youtube o inverso dos pastores - prega com inteligência e bons argumentos o ateísmo.  Seu sucesso chamou a atenção do influenciador Breno Altman, que a entrevistou no canal Opera Mundi. Rui Martins - Suíça

 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Moçambique - Sergio Bambo lança a sua nova obra “Problemas que Não Acabam”

O escritor, jornalista e professor Sergio Bambo, apela para maior responsabilidade na resolução de qualquer problema, apresentado de forma transversal na sua mais recente obra literária intitulada Problemas que Não Acabam.

Trata-se de uma colectânea de crônicas de intervenção social, em que o escritor intitulou-as de Problemas que Não Acabam com o intuito de convidar a todos a mergulharem na reflexão profunda e minuciosa do seu dia-a-dia, tendo em conta os infindos problemas que apoquentam a sociedade.

Chamado a falar da sua obra na cerimónia de lançamento das comemorações do dia dos museus, Bambo explicou que o livro retrata situações vividas nas comunidades, que afecta em grande medida, várias famílias sobretudo os jovens, daí a necessidade de abordar com profundidade, temas educativos que colocam a responsabilidade do cidadão em arcar com os seus próprios problemas.

Durante a apresentação, Bambo destacou que muitos dos problemas enfrentados pela sociedade, surgem da tentativa de fugir das responsabilidades, daí que uma das crónicas narradas no livro, retrata história de tentativas não sucedidas de fugir aos próprios problemas.

Por outro lado, o escritor aproveitou o momento para chamar atenção aos encarregados de educação, defendendo maior acompanhamento dos filhos no processo educativo, visto que no seu entender, a educação começa de casa e não deve ser atribuída exclusivamente à escola.

Escrita na língua portuguesa e traduzida em dois idiomas inglês e gitonga, Problemas que Não Acabam de Bambo visa valorizar a identidade cultural moçambicana e ampliar o alcance da literatura nacional junto de leitores estrangeiros que visitam a província.

A obra também apresenta histórias ligadas ao comportamento dos estudantes, com destaque para o conto “Três Putinhos”, que retrata tentativas de manipulação contra professores e reforça a importância da honestidade e disciplina no ambiente escolar.

No fim, Sérgio Bambo afirmou que, apesar das dificuldades da vida, é necessário manter esperança e perseverança, usando frequentemente a expressão “Se nalunga”, símbolo de fé de que tudo poderá melhorar no final. Rivaldo Massunda – Moçambique in “Moz Entretenimento”

 

Macau - Músicos portugueses nas “batalhas” do 2.º Festival Luso-Chinês

Para o director musical do 2.º Festival Luso-Chinês de Música e Artes, importa salvaguardar “as raízes” da cultura local e promovê-las junto das gerações mais novas. Já este sábado, o destaque do dia inaugural do festival vai para a batalha musical, que contará com a participação de músicos portugueses, segundo avançou Casimiro de Jesus Pinto a este jornal


Num mundo globalizado com uma cultura universal, é cada vez mais importante valorizar “as raízes”, defendeu ontem Casimiro de Jesus Pinto, director musical da 2.ª edição do Festival Luso-Chinês de Música e Artes, à margem de uma conferência de imprensa sobre o evento patrocinado pela Galaxy Entertainment. A este jornal, o director musical vincou a importância de divulgar “esta convivência que já existe há séculos”, entre os povos lusófonos e chineses, e de promover a herança cultural junto dos mais novos.

“É importante não só a parte de demonstração musical, mas também haver uma parte de intercâmbio, de conhecer as músicas, as culturas”, frisou Casimiro de Jesus Pinto. “Já houve cantores de fado em Macau, a interpretar os seus temas com uma orquestra chinesa”, observou o director. “Macau já fez várias experiências dessa natureza. Mas é bom que haja uma continuação. E o mais importante é esforçarmo-nos para que a nova geração conheça essas identidades culturais”, reiterou.

Foi precisamente este mote que levou a organização a acrescentar o programa “Artistas nas Escolas” à edição deste ano, que terá lugar em Hengqin e contará com tradução para participantes que não falem chinês, segundo avançou Casimiro de Jesus Pinto.

“O workshop em Zhuhai vai envolver estudantes, docentes, professores e profissionais de música”, explicou o director. “Desde a primeira conversa com Zhuhai que eles manifestaram interesse em querer participar e promover essa cultura”, anotou. “Às vezes a proximidade geográfica não significa proximidade cultural. E Macau tem o seu papel. É importante preservar essa identidade porque é o nosso diferencial dentro da Grande Baía”, rematou.

Já no próximo sábado, as actividades arrancarão pelas 15h00, com uma mostra e um workshop interactivo centrado na cultura tradicional do “guqin”, ambos de entrada gratuita, no centro de experiências de realidade virtual do Galaxy Macau. A exposição e o workshop acontecerão novamente no domingo, sendo que serão também realizadas a “Experiência Hanfu” e a actividade “Criativo de Pintura à Portuguesa”, uma sessão dedicada à pintura portuguesa do azulejo conduzida por Erica Leong, uma artesã local. O workshop de azulejo custa 50 patacas por pessoa. A última actividade será uma sessão de partilha de Canções dos Macaenses.

A “G-Box” do Galaxy Macau vai acolher a cerimónia inaugural do festival que começará às 17h45 do dia 30 deste mês. Pelas 19h00, terá lugar o concerto “Aliança Sónica: Batalha Musical”, inspirado na clássica “Competição de Esgrima no Monte Hua”, no qual músicos da Grande Baía serão convidados a formar equipas e a enfrentar-se numa batalha ao vivo. Nesta competição participarão músicos portugueses, incluindo o baterista Luís Bento que estará acompanhado por duas guitarristas portuguesas, de acordo com o director musical do festival. Os bilhetes custam entre 288 e 488 patacas.

No dia 31 e no mesmo local, terão lugar o 2.º Concurso Internacional de Orquestra e Música de Câmara, o Campeonato de Canto da Tuna Macaense, para o qual já se tinham inscrito 15 participantes segundo Casimiro de Jesus Pinto, e o Torneio de Música “Chine-Chic” da Grande Baía, sob a filosofia “música sem fronteiras, culturas em harmonia”, todos de entrada gratuita.

No dia 2 de Junho, para além do workshop educativo, o Colégio de Arte de Zhuhai receberá duas sessões de partilha, uma conduzida pela pianista de Hong Kong Zoie Tse e a segunda dedicada novamente às Canções dos Macaenses.

A 5 de Junho, o Centro de Arte Ponte 1915 e o restaurante Riquexó organizarão a Noite da Tuna Macaense, com um jantar musical, sob o tema da música e gastronomia local. A participação custa 430 patacas por pessoa.

Durante a manhã do dia 6 de Junho, a Casa Lou Kau será palco da Maratona Musical, onde músicos locais e do exterior demonstrarão os seus talentos. De entrada livre, a participação requer uma inscrição prévia. Na parte da tarde, o mesmo espaço acolherá a artista Bossa Eva, para um concerto de música brasileira com obras originais. No final do dia, o Colégio de Arte de Zhuhai receberá uma nova ronda do Torneio de Música “Chine-Chic”.

A cerimónia de entrega dos prémios acontecerá a 7 de Junho, no Colégio de Arte de Zhuhai. Por fim, no dia 8, a Tuna Macaense conduzirá uma visita guiada ao campus da Escola de Hengqin afiliada à Escola Secundária Hou Kong, cuja participação necessita de convite.

O Festival Luso-Chinês de Música e Artes conta o apoio do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, do Instituto Cultural e dos Serviços de Turismo, sendo co-organizado pela Associação Sino-Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau, “Macau Music Art Space, MMAS” e “Zhuhai Art College”. Pedro Milheirão – Macau in Jornal Tribuna de Macau”