Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 2 de agosto de 2026

Europa - Fundada por portugueses, Native Scientists continua a crescer

A organização pan-europeia sem fins lucrativos Native Scientists, fundada em 2013 por investigadores portugueses, continua a afirmar-se na promoção da literacia científica junto de crianças provenientes de comunidades migrantes, minoritárias e socialmente desfavorecidas


De acordo com o jornal As Notícias UK, o balanço do ano letivo 2025/2026, a organização revelou ter inspirado 6917 crianças através dos programas Same Home Town (SHT) e Same Migrant Community (SMC), um aumento de mais de duas mil crianças em relação ao ano letivo anterior. Mais de metade dos participantes (55%) tiveram, pela primeira vez, a oportunidade de conhecer e conversar diretamente com um cientista.

A Native Scientists conta atualmente com uma rede de mais de 3000 cientistas voluntários distribuídos por vários países europeus. Estes participam em oficinas práticas nas escolas, aproximando a ciência das crianças e mostrando que o conhecimento científico pode estar ligado à sua realidade e identidade cultural.

Segundo a referida fonte, entre os destaques do último ano está também a publicação de um artigo científico desenvolvido em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e o Centro de Linguística da mesma universidade. O estudo apresenta o “Relational Engagement Model”, um novo modelo de comunicação de ciência que propõe uma relação de proximidade entre cientistas e comunidades, baseada em experiências, cultura e contextos partilhados, em substituição da tradicional transmissão unilateral de conhecimento. Os programas da Native Scientists são apresentados como casos de estudo que demonstram a eficácia desta abordagem.

A organização lançou ainda a primeira edição do seu Programa de Estágios, que envolveu 22 participantes em funções de gestão e coordenação. Ao longo do ano, a iniciativa contribuiu para o desenvolvimento de mais de 60 novas parcerias.

Outro momento em destaque foi o encontro Ponto de Interrogação, realizado na Fundação Calouste Gulbenkian, que reuniu investigadores, professores e responsáveis políticos para debater temas como a educação, a equidade e a comunicação científica. A Native Scientists participou igualmente na conferência nacional SciComPT 2026, em Évora, onde apresentou três comunicações dedicadas à comunicação inclusiva da ciência. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




quarta-feira, 29 de julho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra e Active Space Technologies estabelecem parceria para reforçar a inovação e a formação no setor aeroespacial

Protocolo promove a colaboração em ensino, investigação e desenvolvimento tecnológico, aproximando a academia da indústria de alta tecnologia


A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Active Space Technologies assinam amanhã, dia 30 de julho, às 14h30, um protocolo de colaboração que pretende reforçar a cooperação entre a academia e a indústria, promovendo a formação avançada, a investigação aplicada e o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para os setores aeroespacial e industrial.

A cerimónia de assinatura realiza-se na Sala do Conselho do Edifício Central do Polo II, e contará com a presença do Diretor da FCTUC, Edmundo Monteiro, e de representantes do Conselho de Administração da Active Space Technologies.

Com uma duração inicial de três anos, o protocolo estabelece um quadro de cooperação nas áreas da engenharia aeroespacial, mecânica, eletrotécnica e de computadores, informática, física, materiais, ambiente e gestão industrial, criando oportunidades de colaboração entre investigadores, docentes, estudantes e a empresa.

Entre as iniciativas previstas destacam-se a realização de estágios curriculares e de verão, dissertações de mestrado e teses de doutoramento em contexto empresarial, bem como a participação de engenheiros e especialistas da Active Space Technologies em aulas, seminários, workshops e outras atividades da FCTUC. O acordo contempla ainda o desenvolvimento conjunto de projetos de investigação e inovação, nacionais e internacionais, recorrendo às infraestruturas laboratoriais da Faculdade, assim como a prestação de serviços especializados nas áreas da caracterização de materiais, análise estrutural, simulação, prototipagem e validação de sistemas aeroespaciais.

A parceria prevê igualmente a criação de programas de formação executiva, cursos de curta duração e microcredenciais dirigidos aos colaboradores da empresa, promovendo a atualização de competências e a transferência de conhecimento entre a universidade e o setor empresarial.

Esta é a segunda parceria estratégica estabelecida pela FCTUC com empresas do setor aeroespacial no espaço de uma semana. Depois do protocolo celebrado com a Critical FlyTech, a colaboração agora firmada com a Active Space Technologies reforça a estratégia da FCTUC de estreitar a ligação à indústria, contribuindo para a consolidação da nova Licenciatura em Engenharia Aeroespacial e para a criação de mais oportunidades de estágio, investigação aplicada e empregabilidade para os seus estudantes.

A Active Space Technologies é uma empresa portuguesa especializada no desenvolvimento de soluções de engenharia para os setores do espaço, aeronáutica, defesa e indústria, colaborando com algumas das principais organizações e empresas internacionais destas áreas. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 28 de julho de 2026

Brasil - Unesco reconhece teatros da Amazónia como Património Mundial

Os teatros da Amazónia, nesta segunda-feira (27/07), foram aprovados, na cidade de Busan, Coreia do Sul, como Património Mundial


Após uma grande avaliação, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), na sua 48.ª edição que se realizou em Busan, na Coreia do Sul, anunciou que o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, seriam reconhecidos como Património Cultural Mundial, representando os primeiros bens culturais da região Norte a conseguirem tal feito.

O Teatro Amazonas é um dos maiores símbolos culturais do Brasil e um dos mais famosos da América Latina. A sua história está ligada diretamente ao Ciclo da Borracha, que ocorreu no final do século XIX, sendo este um período de grande movimentação económica no estado. A sua construção ocorreu para mostrar a prosperidade e o desenvolvimento da cidade.

O Teatro foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896, tendo como a sua primeira apresentação a ópera “La Gioconda", do compositor italiano Amilcare Ponchielli. A arquitetura do Teatro possui materiais importados de toda Europa, como por exemplo mármore italiano, vidros e cristais franceses e estruturas metálicas da Inglaterra.

Após um declínio económico da cidade de Manaus, o teatro passou por um longo período com poucas atividades, sendo assim obrigado a fechar por vários anos. Na segunda metade do século XX, o edifício foi restaurado.

Atualmente, o Teatro Amazonas virou um património histórico para todo o Brasil. Há diversos concertos, óperas, apresentação de dança, peças de teatro e eventos culturais, como o Festival Amazonas de Ópera.


Já o Theatro da Paz, em Belém, surgiu também por conta do ciclo da Borracha, no século XIX. O objetivo de construir o Theatro era para suprir os desejos da elite paraense de assistir a espetáculos e óperas. A sua arquitetura representa o estilo neoclássico.

O seu projeto começou em 1869, mas só foi concluído em 1878 por conta de atrasos e mudanças no projeto. Em 1878, foi inaugurado com a apresentação do drama françês “As Duas Orfãs”, do dramaturgo Adolphe d’Ennery. Até hoje, o Theatro da Paz recebe óperas, companhias de teatro e concertos.

Os dois teatros foram candidatados pelo Governo Brasileiro como “Teatros da Amazónia”, criando dois grupos, sendo assim: o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus, e o Theatro da Paz e a Praça da República, em Belém.

Desta forma, o Brasil passou a ter 26 sítios reconhecidos pela organização da ONU, sendo eles 16 culturais, 9 naturais e 1 misto. In “Vatican News” – Vaticano

A presença portuguesa nos teatros da Amazónia aconteceu logo no final do séc. XIX através da Companhia de Operetas Portugueza dirigida pelo maestro Thomaz Del Negro e propriedade do empresário Juca Carvalho. Nela participou o ator Alfredo Carvalho. Primeiro, a Companhia apresentou-se no Teatro Amazonas em Manaus, tendo o teatro perdido o seu arquivo da época. Seguidamente a Companhia deslocou-se para o Theatro da Paz em Belém, onde a comunicação social referenciou a sua presença, destacando os enormes êxitos dos espetáculos e cuja investigação de Mário Alexandre Dantas Barbosa do Colégio Pedro II e da Universidade Federal do Rio de Janeiro compilou em documento apresentado no final de 2015.

Nele, o autor destaca a notícia publicada no jornal A Província do Pará, publicado a 09 de dezembro de 1899, na página 3, na secção Espectáculos e Concertos onde se elogia o maestro Thomaz Del Negro como diretor musical da Companhia Portugueza de Operetas e compositor de uma das peças por ela postas em cartaz. Aqui fica o seu registo:

“Maestro Thomaz Del Negro - Entregue á laboriosidade do seu cargo de empresario e director da orchestra da companhia portugueza de operetas que acaba de nos deixar, mal teve tempo para uma modesta ividenciação, despercebida tem sido entre nós a estada de Thomaz Del Negro, uma incontestavel individualidade musical do paiz nosso irmão e amigo.

Para os que andam ao corrente da actividade da vida artistica dos grandes centros europeus e que acompanham o movimento d’esses meios de arte - para esses, diziamos, o nome que epigrapha estas linhas não é o de um desconhecido; desde annos e bem annos que a sua reputação se tem vindo fazendo, consolidando-se no merito, fortificando-se no esforço intelligente, alentando-se nas próprias difficuldades que aqui como em toda a parte surgem aquelles que trilham a verdade da arte. Está hoje entre nós, e muito não é que esta secção, dedicada exclusivamente á divulgação de tudo que de perto ou de longe se ligue a coisas de arte, registre a sua estada no Pará, noticie mesmo o seu breve apparecimento em publico, rodeado e solicitado como está pelas nossas melhores summidades musicaes.

Motivos estranhos ao nosso espontaneo desejo fazem com que deixemos escapar esta occasião para transladarmos aqui notas biographicas de importantes revistas italianas e portuguezas sobre o merito do musicista primoroso e compositor fulgurante. O pouco que possamos dar extrahimol-o d’O Amphiom, o magnifico jornal de arte pouco avezo ao elogio e mais rigorista nos seus principios.

É um modesto que só um grande valor tem conseguido inferiorizar aquella qualidade, diminuindo o prejuizo que lhe tem causado. Vivendo para si e para a sua arte, os applausos e os encomios não o têm despertado para a exteriorização da vida; entregue ao goso do seu intimo, tem olvidado do o que há de carencia para o artista, quando este se isola no seu merito e deixa que a fama leve nas azas pandas da reclame muita vulgaridade desvalorizada pelo commum.

Apezar de todo o seu temperamento contrario á divulgação, Thomaz Del Negro não tem conseguido passar desconhecido, razão pela qual o seu valor é de ha muito tempo conhecido, inclusive no Brazil, onde trabalhos seus têm merecido honrosíssimas referencias da imprensa e critica fluminense.

Como Cyriaco Cardoso, Alfredo Kell, Freitas Gazul, Arnoso e outras celebridades musicaes de Portugal, o maestro Del Negro é hoje no seu paiz um dos compositores valorizados pelo seu inconstestavel merito, valor que se accentuou desde o seu primeiro anno como discipulo do conservatorio de Lisboa, estabelecimento onde Del Negro tem o seu nome como o do alumno mais premiado. Mais tarde foi nomeado professor de instrumentos de metal do mesmo estabelecimento.

Cêrca de vinte e cinco annos foi o 1º trompa de São Carlos, ocupando idêntico logar durante dois annos no Real Theatro de Madrid. Por essa occasião foi agraciado com a nomeação de musico da real camara da côrte de Madrid. Ao regressar ao seu paiz, o rei dom Fernando concedeu-lhe identica graça.

Já no reinado do finado rei dom Luiz foi por este soberano agraciado Cavalleiro da Ordem de Christo.

A notavel agremiação musical Vinte e Quatro de Junho, de Lisbôa, por diversas vezes o teve como seu director, e ainda estão á memoria de muitos os grandes concertos classicos que organizou em Portugal, por si dirigidos, e dos quaes faziam parte músicos taes como Barbieri, Metra, Ed.Colenne, Rodroff e outras notabilidades.

Voltando novamente a Espanha, foi nomeado 1º trompa da grande sociedade de concertos de Madrid, e sócio honorario da Union Musical d’aquella cidade.

Como maestro, tem regido as orchestras do Principe Real, Dom Affonso e São João, do Porto, e Gymnasio e Dona Amelia, de Lisbôa. Além de innumeras peças para piano, canto, bandas, pequenas operetas, revistas, etc.

Thomaz Del Negro tem partituras suas de um grande successo, como sejam: Kinfá na China, Filhos do Capitão Mór, Tentação, Kiki, Ilha do Diabo, Capitão Lobisomen, Aventura Regia, Basoche, Rosario - peças estas representadas nos theatros de Lisbôa, Porto e Rio de Janeiro, onde despertaram grande agrado. Não é, portanto, uma vulgaridade o artista de quem hoje nos occupamos; tem um passado supedaneando o presente, e este não é mais do que a prova da sua intelligencia, o resultado do seu estudo, a consequencia do seu trabalho.

Apresentando-o, não o fazemos para os seus irmãos de arte, estes o conhecem pelo seu merito; trazemos o seu nome a publico como uma noticia que queremos dar e que despertará na nossa sociedade espiritual e de gosto delicado uma anciedade: alguns membros da honrada colônia portugueza, unidos a distinctos musicistas do Pará, promovem um sarau dramatico musical em homenagem ao nosso distincto hospede.

Se visar este fim o motivo d’estas linhas, uma outra utilidade ellas tiveram: evidenciar o merito onde elle existe.” Rio de Janeiro, v. 29, n. 1, p. 165-179, jan./jun. 2016

173 Revista Brasileira de Música - Programa de Pós-Graduação em Música - Escola de Música da UFRJ

Joaquim Thomaz Del Negro era tio materno do poeta José Miguel Barros de Seixas. Baía da Lusofonia




Suíça - Filme luso-suíço concorre ao principal prémio do Festival de Locarno

O filme O Jacaré, coprodução entre Suíça e Portugal dirigida por Basil Da Cunha, está entre os concorrentes ao Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, que acontece de 5 a 15 de agosto


A organização do Festival de Locarno anunciou que O Jacaré disputará o principal prémio da mostra internacional. A longa-metragem encerra a trilogia do cineasta Basil Da Cunha, radicado em Lausanne, e passa-se num subúrbio de Lisboa, o bairro da Reboleira, na cidade da Amadora.

Misturando drama e suspense, a produção acompanha as consequências de um assalto e é resultado de uma coprodução entre a Suíça e Portugal.

Na tradicional exibição ao ar livre da Piazza Grande será apresentado The Invite, da diretora norte-americana Olivia Wilde (Don’t Worry Darling), na sua estreia na Suíça. O público também poderá assistir a Frank & Louis, primeiro filme em língua inglesa da diretora suíça Petra Volpe (The Divine Order e Heldin). As duas cineastas participarão do festival.


Entre 5 e 15 de agosto, o Festival de Locarno exibirá 233 filmes, dos quais 103 serão apresentados em estreia mundial. In “Swissinfo” - Suíça




Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde acelera valorização de terapias para tumores cerebrais

Quatro investigadoras do instituto concluíram um dos principais programas nacionais de transferência de tecnologia para projetos de investigação


Uma equipa de investigadoras do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto concluiu com sucesso a edição de 2026 do HiTech by HiSeedTech, um dos mais prestigiados programas nacionais de valorização e transferência de tecnologia para projetos deep tech com potencial de mercado.

O projeto GlioBrain-Plate, desenvolvido por Ana Olival, Cecília Ferreira e Diana Ribeiro, sob a liderança de Cláudia Martins, integra o grupo Nanomedicines and Translational Drug Delivery do i3S, liderado por Bruno Sarmento. “Estamos a desenvolver uma plataforma pré-clínica inovadora para o teste de novas terapias dirigidas a tumores cerebrais sólidos, com foco inicial no glioblastoma, o tumor cerebral maligno mais frequente e mortal em adultos”, explica Cláudia Martins.

A tecnologia reproduz, em laboratório, a interação entre a barreira hematoencefálica e o tumor, permitindo avaliar, em simultâneo, a capacidade de uma terapia atravessar esta barreira natural de proteção do cérebro e a sua eficácia terapêutica.

“Ao disponibilizar um modelo mais preditivo da resposta humana, o GlioBrain-Plate pretende acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos, reduzir os custos e riscos associados ao desenvolvimento clínico e contribuir para aumentar a probabilidade de sucesso de novas terapias para pacientes com tumores cerebrais”, sublinha a investigadora.

A participação no HiTech permitiu à equipa aprofundar competências em inovação, empreendedorismo e transferência de tecnologia ao longo de 18 semanas de formação, mentoria e contacto com a indústria, empreendedores e investidores. Entre todas as candidaturas submetidas a nível nacional, apenas 10 projetos foram selecionados para integrar a edição de 2026.

O programa terminou com a apresentação do pitch final no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, perante representantes da indústria, investidores, empreendedores e especialistas do ecossistema nacional de inovação. O percurso constituiu um passo importante na valorização da tecnologia desenvolvida pela equipa e na preparação da sua futura transferência para o mercado. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 27 de julho de 2026

CPLP - “Com honra e responsabilidade”: Portugal assume presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da Organização

O presidente da Assembleia da República portuguesa disse esta sexta-feira, em Luanda, que Portugal abraçou com grande honra e sentido de responsabilidade a presidência da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)


Portugal vai assumir, em 2027, a presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da CPLP (APCPLP), atualmente presidida pelo parlamento de Moçambique.

Aguiar Branco, em declarações à imprensa no final da XV Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), destacou que Portugal vai assumir, pela primeira vez, a presidência para o biénio 2027/2029.

O presidente do parlamento português desejou ainda que a presidência de Portugal «possa fortalecer a CPLP», no espírito de que estão imbuídos todos os Estados-membros.

Sobre o encontro que terminou esta sexta-feira, Aguiar Branco fez um balanço positivo, que serviu para tratar muitos temas da atualidade, como a digitalização, a resiliência das instituições democráticas, o prestígio dos parlamentos, o estimular da participação das mulheres na atividade política.

«Foi muito rica e muito variada as matérias que tratámos», considerou Aguiar Branco. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


A globalização no Brasil do século XVIII

Obra reúne textos do historiador inglês Kenneth Maxwell que mostram a influência da independência dos EUA na Conspiração de Minas em 1789

                                                                       

                                                             I

Exatamente no ano que marca o 250º aniversário da assinatura da Declaração de Independência dos Estados Unidos, a 4 de julho de 1776, o professor e historiador britânico Kenneth Maxwell acaba de lançar Globalização do Século XVIIIa Conspiração de Minas e o Atlântico Revolucionário (Dunstable, Grã-Bretanha, Robbin Laird, editor, 2026), obra que  mostra como aquele acontecimento desencadeou uma série de movimentações políticas no mundo, em especial no Império português que se abalou com a aspiração de súditos que, em 1788 e 1789, sonharam com a separação de Minas Gerais e outras capitanias da América Portuguesa. Como se sabe, a chamada revolução americana começou em 1765 e durou até 1783, mas o marco principal foi a Declaração de Independência que selou a separação das treze colônias do domínio britânico.

Em sua mais recente obra, que sai por uma editora inglesa com edições impressas em Português, Inglês e Francês,  Maxwell demonstra que a fundação dos Estados Unidos não se limitou à Filadélfia, mas que a experiência republicana acabou por influenciar no mundo  espíritos que já não se conformavam com o predomínio dos ideais monárquicos. E isso se deu inspirado numa coletânea de documentos constitucionais norte-americanos no idioma francês, que à época predominava como língua universal, originalmente reunidos pelo diplomata, escritor, jornalista, cientista e empresário Benjamin Franklin (1706-1790) como ferramenta de propaganda.

Trata-se do livro Recueil des Loix Constitutives des Etats-Unis, volume de 1778 organizado por Franklin com traduções das constituições americanas —, elaborado em Paris para convencer os ministros do rei francês Luís XVI (1754-1793), deposto em 1792, de que os Estados Unidos dispunham de uma ordem constitucional coerente e exportável. Foi essa coletânea que acabou trazida para o Brasil por dois ex-estudantes brasileiros na Universidade de Coimbra, uma por José Álvares Maciel (1760-1804) e outra por José Pereira Ribeiro (1765-1798), que, ao que se supõe, teria sido levada para fora de Minas Gerais à época das prisões dos conspiradores, em junho de 1789, para Pernambuco, onde pode ter influenciado a revolta federalista de 1817.

Seriam edições piratas com as indicações de “Filadélfia” e “Suíça”, que correram entre as mãos de estudantes brasileiros formados em Coimbra, Montpellier, Bordeaux e Birmingham. Dessa coleção, que trazia a Declaração de Independência, constava também a Constituição da Pensilvânia, de 1776, que surgia como modelo para a república que os conspiradores mineiros planejavam instituir. Dessa coleção, resta hoje um exemplar preservado no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, a antiga Vila Rica, aquele que foi comprado por Álvares Maciel em Birmingham por dois xelins.

É de se ressaltar que, para a época, aquela seria uma constituição de inspiração muito radical, pois previa até a liberdade para os escravos, o que logo haveria de suscitar entre os escravocratas a ideia segundo a qual essa medida iria causar muitos prejuízos, já que eles haviam construído suas fortunas às custas dos escravizados. É de se notar que se trata de argumento que, hoje em dia, ainda é exercitado pelas classes dominantes diante da possibilidade de o Congresso Nacional aprovar a escala 5x2, que prevê cinco dias de trabalho e dois de folga (geralmente nos fins de semana) para os trabalhadores.

Seja como for, como diz Maxwell, os conspiradores viam na Declaração de Independência e nos demais documentos recolhidos na Recueil um modelo de revolta colonial bem sucedida, bem como uma estrutura moderna para a formação das instituições que um governo republicano poderia criar depois do êxito da rebelião.

 

                                                   II

Com base em décadas de pesquisas em arquivos no Brasil, em Portugal, na França, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, Maxwell reconstrói uma densa rede atlântica de mediadores — incluindo Franklin e Thomas Jefferson (1743-1826) em Paris, estudantes brasileiros como José Joaquim Maia e Barbalho (1757-1788) e José Álvares Maciel e conspiradores como os poetas Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) e Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), que teriam interpretado a coletânea de maneira um tanto equivocada, adaptando-a à situação local de endividamento, escravidão e crise imperial.

Na verdade, segundo o brazilianist, os insurgentes haviam avaliado muito mal as prioridades dos Estados Unidos, ao esperar que houvesse um apoio prático da nova nação norte-americana às suas aspirações. Afinal, Jefferson havia concluído que os interesses dos Estados Unidos eram mais bem servidos por um acordo com Portugal do que pelo incentivo a uma aventura arriscada na América do Sul. “A demanda de Portugal por arroz e cereais era um mercado para a produção norte-americana, especialmente para as exportações da Virgínia”, observa o historiador.

Num dos textos reunidos em sua obra, “As propostas constitucionais”, o historiador explica que a conspiração havia sido desmantelada antes mesmo da denúncia do arrematante de contratos Joaquim Silvério dos Reis (1756-1819). E lembra que, para aproveitar a explosão da insatisfação dos colonos, a revolta estava marcada para o dia da imposição da “derrama”, uma operação fiscal que previa a cobrança forçada de impostos atrasados imposta pela Coroa, na tentativa de garantir que 20% do ouro extraído, o chamado quinto, atingissem uma cota mínima anual de 100 arrobas, o que deixava a elite local à beira do pânico.

Como ressalta Maxwell, o governador Luís Antônio Furtado de Castro (1754-1830), visconde de Barbacena, porém, temeroso diante das possíveis consequências da medida, não seguiu as instruções de Martinho de Melo e Castro (1716-1795), ministro da Marinha e Ultramar de Portugal, desistindo de impor a “derrama”. Isso levou Silvério, um dia depois do adiamento da “derrama”, a procurar Barbacena para denunciar a conspiração. Em troca, queria aquilo que o levara a apoiar inicialmente os conspiradores: receber em troca o perdão de suas dívidas com o Erário.

Obviamente, por trás dos conspiradores, estavam mesmo os interesses pecuniários de Silvério e de João Rodrigues de Macedo (1739-1807), outro grande arrematante de contratos, em se livrar das dívidas com a Coroa. Explica-se: numa espécie de privatização, os dois arrematantes faziam o trabalho de recolher os tributos, mas sempre se “esqueciam” de repassar o dinheiro para a Coroa, tornando-se grossos devedores (termo da época). Aliás, para o vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa (1742-1809), Silvério teria sido o “motor” da conspiração, aquele que imaginara a separação da capitania de Minas Gerais porque queria se livrar de suas grandes dívidas.

 

                                                           III

Maxwell destaca ainda uma profunda contradição que havia entre os conspiradores, que, em suas conversações e nas primeiras anotações sobre como funcionaria a futura república, invocavam os direitos humanos universais, embora fossem frequentemente os beneficiários da escravidão. E lembra: “Alguns argumentavam que os escravos deveriam ser libertados para se tornarem defensores da Nova República. Outros apontavam o problema econômico: se os escravos fossem libertados, os proprietários ficariam sem ninguém para trabalhar nas minas”, observa, lembrando que a solução imaginada seria a de libertar apenas “negros e mulatos nascidos no país”. Obviamente, “uma medida incompleta que revelou o profundo abismo entre seus ideais e seus interesses”, acrescenta o historiador.

Enfim, a nova obra de Maxwell merece uma leitura essencial e especial de quem se interessa em conhecer a verdadeira história do Brasil, que, adaptada aos dias de hoje, pode mostrar também que os brasileiros não devem mesmo esperar dos atuais governantes dos Estados Unidos nenhuma ação de boa vontade, mas apenas medidas que visam a explorar a matéria-prima e as riquezas da terra sul-americana, para cujo objetivo não prescindem nem mesmo de medidas arbitrárias como invadir os demais países e até aprisionar os seus principais dirigentes.

   

                                                           IV

Kenneth Maxwell (1941) foi diretor e fundador do Programa de Estudos Brasileiros do Centro David Rockefeller de Estudos Latino-Americanos (DRCLAS), da Universidade de Harvard (2006-2008), e professor do Departamento de História de Harvard (2004-2008). De 1989 a 2004, foi diretor do Programa para a América Latina no Conselho de Relações Exteriores e, em 1995, tornou-se o primeiro titular da cátedra Nelson e David Rockefeller em Estudos Interamericanos. Atuou como vice-presidente e diretor de Estudos do Conselho em 1996. Lecionou anteriormente nas universidades de Yale, Princeton, Columbia e Kansas.

Fundou e foi diretor do Centro Camões para o Mundo de Língua Portuguesa em Columbia e foi diretor de Programa da Tinker Foundation, Inc. De 1993 a 2004, foi revisor de livros do Hemisfério Ocidental para Relações Exteriores. É colaborador regular da New York Review of Books, foi colunista semanal entre 2007 e 2015 do jornal Folha de S. Paulo e é colunista mensal de O Globo desde 2015.

Foi ainda Herodotus fellow no Instituto de Estudos Avançados de Princeton e Guggenheim fellow e membro do Conselho de Administração da The Tinker Foundation, Inc. e do Conselho Consultivo da Fundação Luso-Americana. Também é membro dos Conselhos Consultivos da Brazil Foundation e da Human Rights Watch Americas. Fez  bacharelado e mestrado no St. John's College, na Universidade de Cambridge, e mestrado e doutorado na Universidade de Princeton. É colaborador regular do site Second Line of Defense (www.SLDinfo.com).

Publicou também A Devassa da Devassaa Inconfidência Mineira: Brasil-Portugal 1750-1808 (Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1978), Marquês de Pombal – Paradoxo do Iluminismo (Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1996), A Construção da Democracia em Portugal (Oeiras, Portugal, Editorial Presença, 1999), Naked Tropics: essays on empire and other rogues (Hove, Eats Sussex, Inglaterra, Psychology Press, 2003), Chocolate, piratas e outros malandros (Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1999),  Mais malandros – ensaios tropicais e outros (Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 2005); Kenneth Maxwell on Global Trendsan historian of the 18th century looks at the contemporary world (Londres, Robbin Laird, editor, 2023), Brazil in a Changing World Order (Londres, Robbin Laird, editor, 2024); Perspectives on Portuguese History (Londres, Robbin Laird, editor, 2025); e The Tale of Three Cities (Londres, Robbin Laird, editor, 2025),  entre outros. Adelto Gonçalves - Brasil

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Globalização do Século XVIII – A Conspiração de Minas e o Atlântico Revolucionário (18th Century Globalization – The American Revolutionary Ideal Comes to Brazil  / 18e siècle Mondialisation – Le Point de transit intellectuel français), de Kenneth Maxwell. Dunstable, Grã-Bretanha, Robbin Laird, editor, edições impressas em Português, Inglês e Francês, 201, 199 e 176 páginas, R$ 113,38 (Amazon), 2026.

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Adelto Gonçalves  (1951), jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002); Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003; São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, LetraSelvagem, 2015), e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2023), publicado na Inglaterra e nos Estados Unidos. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


domingo, 26 de julho de 2026

Portugal – Adultos têm nível baixo de vitamina D

Médico de família alerta que viver num dos países mais soalheiros da Europa não garante níveis adequados de vitamina D. Estilo de vida, envelhecimento e fatores de risco ajudam a explicar o fenómeno


Portugal é um dos países mais ensolarados da Europa, mas essa realidade não se traduz, necessariamente, em níveis adequados de vitamina D. Apesar das muitas horas de sol ao longo do ano, cerca de dois em cada três adultos portugueses apresentam níveis insuficientes desta vitamina, segundo um estudo representativo da população nacional.

À primeira vista, trata-se de um aparente contrassenso. Afinal, a vitamina D é produzida sobretudo através da exposição da pele à radiação ultravioleta B (UVB). Então, porque continua a deficiência a ser tão frequente?

Para Bruno Moreno, médico de família da Unidade de Saúde Familiar Coimbra Sul, a resposta está muito para além das condições climatéricas. “O verdadeiro paradoxo português não é a falta de sol. É continuarmos a encontrar níveis insuficientes de vitamina D num dos países mais soalheiros da Europa”, afirma.

O problema não acontece apenas no inverno

A ideia de que a deficiência de vitamina D é uma preocupação exclusiva dos meses mais frios continua enraizada, mas o médico explica que essa perceção está longe da realidade.

Embora o inverno reduza naturalmente a exposição solar, a insuficiência pode manter-se durante todo o ano. A produção de vitamina D depende de vários fatores, como a idade, a pigmentação da pele, a área corporal exposta, a intensidade da radiação solar e o tempo de exposição. A alimentação e, quando indicada clinicamente, a suplementação também desempenha um papel importante.

Passamos cada vez menos tempo ao sol

Uma das principais razões para este fenómeno é a mudança dos estilos de vida. Hoje, a maioria das pessoas passa grande parte do dia em ambientes fechados, seja no trabalho, na escola ou durante as deslocações. Mesmo no verão, a exposição solar efetiva acaba por ser muito inferior à percecionada.

“O número de horas de sol disponível não corresponde, necessariamente, ao tempo em que a nossa pele está efetivamente exposta à radiação que permite produzir vitamina D”, explica Bruno Moreno.

Ao mesmo tempo, a crescente consciencialização para os riscos da exposição solar levou a uma maior utilização de protetor solar e de outras medidas de fotoproteção.

Segundo o médico, esta evolução é positiva e não deve ser posta em causa. “A mensagem não é expormo-nos mais ao sol sem proteção, mas compreender que a simples existência de muitas horas de sol não garante, por si só, níveis adequados de vitamina D.”

Um problema silencioso

Na maioria dos casos, a insuficiência de vitamina D não provoca sintomas evidentes, o que faz com que muitas pessoas desconheçam que apresentam níveis baixos.

Quando a deficiência é mais acentuada e prolongada, pode surgir fraqueza muscular, dores ósseas e um aumento do risco de quedas e fraturas, sobretudo entre a população idosa.

A importância da vitamina D na saúde óssea está bem estabelecida, uma vez que é essencial para a absorção do cálcio e para a manutenção da resistência do esqueleto.

Quem está mais vulnerável?

Embora qualquer pessoa possa apresentar níveis insuficientes, existem grupos que requerem maior vigilância clínica.

Entre eles encontram-se os idosos, pessoas institucionalizadas ou com mobilidade reduzida, pessoas com obesidade, doentes com patologias que dificultam a absorção intestinal e quem toma medicamentos que interferem com o metabolismo da vitamina D.

Nestes casos, a avaliação médica individualizada assume particular relevância.

Nem toda a gente precisa de fazer análises

Perante a elevada prevalência de insuficiência, pode parecer lógico defender o rastreio universal da vitamina D. No entanto, essa não é a recomendação da evidência científica atual.

Bruno Moreno sublinha que os adultos saudáveis não devem realizar análises por rotina apenas para avaliar os níveis desta vitamina.

“A decisão de dosear a vitamina D deve resultar da avaliação clínica e da existência de fatores de risco”, afirma, defendendo uma abordagem personalizada que evite exames e tratamentos desnecessários.

Mais literacia, menos mitos

Para o médico de família, o principal desafio passa por aumentar a literacia em saúde sobre este tema, combatendo a ideia de que viver num país com muito sol é suficiente para garantir bons níveis de vitamina D.

A mensagem, conclui, é simples: mais do que contar as horas de sol, importa compreender os fatores de risco, adotar estilos de vida saudáveis e recorrer à avaliação médica sempre que exista indicação clínica. Num país onde o sol nunca falta, o verdadeiro desafio pode estar, afinal, na forma como vivemos e não na quantidade de luz que recebemos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Açores - Legado do pintor luso-canadiano Miguel Rebelo em exposição em Angra do Heroísmo

O Museu de Angra do Heroísmo, nos Açores, inaugurou no sábado uma exposição do artista luso-canadiano Miguel Rebelo, com peças doadas pelos herdeiros após a sua morte, algumas exibidas pela primeira vez em Portugal


“A sua obra é uma obra dura, martirizada, é uma obra que expressa um sentimento de vivência difícil que ele teve durante o seu período de vida, mas é uma obra que tem uma atualidade muito grande e de excecional qualidade”, afirmou, em declarações à Lusa, o diretor do Museu de Angra do Heroísmo, Jorge Paulus Bruno.

Neto do pintor Domingos Rebelo, natural da ilha de São Miguel, e filho do arquiteto João Correia Rebelo, Miguel Rebelo, que morreu em 2016, com 58 anos, foi um dos artistas açorianos da diáspora com maior reconhecimento.

Com uma obra “marcadamente modernista”, o arquiteto João Correia Rebelo “não foi compreendido no seu tempo” e acabou por emigrar para Montreal, no Canadá, quando Miguel Rebelo tinha apenas 12 anos.

Foi entre Portugal e o Canadá que o pintor desenvolveu “uma linguagem plástica de carácter muito pessoal, marcada pela experimentação, pela intensidade ‘matérica’ e por uma pintura gestual onde a cor, a textura e a memória ocupam um lugar central”, refere uma nota da Direção Regional da Cultura dos Açores sobre a exposição no Museu de Angra do Heroísmo.

“A sua obra afasta-se de fórmulas convencionais e explora uma expressão livre, frequentemente associada ao abstracionismo lírico e ao expressionismo contemporâneo. Críticos e curadores destacam na sua produção a permanente tensão entre a tradição familiar e a procura de uma linguagem autónoma e inovadora”, acrescenta.

Referenciado nos arquivos da National Gallery of Canada, Miguel Rebelo era representado em Portugal pela Galeria 111, uma das mais importantes de arte contemporânea do país (com artistas como Paula Rego e Lourdes Castro, entre muitos outros), e a sua pintura está integrada em coleções públicas e privadas.

Na exposição “Belo Insubmisso”, o Museu de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, expõe cerca de 40 obras de Miguel Rebelo, de um total de 60 doadas pelos herdeiros, após a morte do pintor.

“Foi uma doação muitíssimo importante, que o Museu de Angra, com muito orgulho, acolheu”, porque, sendo um museu açoriano, “o conjunto desta obra vem enriquecer todo o património da arte contemporânea” dos Açores, salientou Jorge Paulus Bruno.

A ligação de Miguel Rebelo à ilha Terceira decorre de duas exposições, em 2005 e 2007, na Carmina Galeria, do artista plástico terceirense Dimas Simas Lopes.

Quando a galeria de arte contemporânea foi doada ao Museu de Angra do Heroísmo, a instituição tentou adquirir cerca de uma dezena de obras de Miguel Rebelo que lá se encontravam e o filho Rapahël doou-as.

“Há dois anos, veio aqui, conheceu o museu, conheceu a Carmina Galaria e ficou convencido de que o destino das obras que estavam em Lisboa deveria ser o Museu de Angra”, revelou Jorge Paulus Bruno.

“É um conjunto de 60 obras notáveis. Deixou algumas à Fundação Calouste Gulbenkian, também, o que engrandece esta doação”, acrescentou.

O diretor do Museu de Angra do Heroísmo frisou que Miguel Rebelo é “um nome grande da arte contemporânea, não só portuguesa, mas acima de tudo internacional”.

O pintor luso-canadiano utilizava uma “linguagem única” para refletir os seus sentimentos nas suas obras. Chegava mesmo a utilizar uma lixadora e a rasgar as suas telas.

“É uma obra que expressa uma angústia do criador. Nem todas as obras de arte expressam sentimentos confortáveis”, ressalvou Jorge Paulus Bruno.

A ideia é corroborada pelo filho do pintor, Rapahël Rebelo, num texto emotivo que escreveu para a inauguração da exposição.

“Embora o seu trabalho seja fruto de uma exigente pesquisa intelectual, as suas emoções transpiram através da pele das suas telas. As cores correspondem à sua alegria de viver e aos períodos felizes da sua existência, o que, para o meu pai, significava quase sempre períodos de amor. Já os cinzentos, os negros e os brancos são o reflexo de um homem que foi entrando progressivamente em depressão e que lutou, durante os últimos dez anos da sua vida — demasiado breve, apenas 58 anos — contra episódios psicóticos e contra as consequências devastadoras de vinte anos de terapêutica antirretroviral para combater o VIH”, adiantou.

Rapahël Rebelo destacou a “enorme coragem” do pai para “viver à margem”, na escola, na carreira e na vida política e amorosa.

“É difícil existir numa sociedade que parece não ter previsto um lugar para nós. É, por isso, a coragem que, antes de mais, retenho da vida do meu pai. Manteve-se de pé contra ventos e marés e entregou-se inteiramente à pintura, apesar dos juízos e das incompreensões que o seu modo de vida inevitavelmente suscitava”, sublinhou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Guiné-Bissau – Domingos Simões Pereira viajou para a cidade de Lisboa

"Sou guineense e continuarei, assim que possível, este combate", garantiu o opositor guineense, recebido em euforia por dezenas de guineenses no aeroporto com bandeiras, gritos de apoio e cânticos

O opositor guineense Domingos Simões Pereira chegou na madrugada desta sexta-feira ao aeroporto de Lisboa, após sair da cadeia, onde se encontrava em prisão preventiva na Guiné-Bissau, e prometeu regressar ao país para continuar “este combate”.

Questionado pelos jornalistas, à saída do lounge VIP do aeroporto de Lisboa, se tencionava regressar, Domingos Simões Pereira foi taxativo: “Absolutamente”.

“Eu sou guineense e continuarei, assim que possível, este combate”, garantiu o opositor guineense, que foi recebido em euforia por dezenas de guineenses a residir em Portugal e que encheram o aeroporto com bandeiras e gritos e cânticos de apoio. “Eu não posso virar costas ao meu povo”, sublinhou.

O responsável admitiu estar a sentir uma “sensação de liberdade” e “agradecido pela população que o vem acolher”. Quanto aos pormenores da sua estadia em Portugal, admitiu que ainda não conhece as condições, “porque quem trata de tudo são as autoridades portuguesas”.

Questionado sobre os assuntos internos no país, Domingos Simões Pereira escusou-se a responder diretamente às perguntas, dizendo apenas que “alguém trabalhou, as autoridades trabalharam” e permitiram que estivesse em Portugal. “Eu quero respeitar esse esforço que foi feito. Assim que conhecer todos os contornos”, falará, assegurou.

Quanto ao seu estado de saúde, disse ainda não saber, respondendo apenas que se “sente bem”.

Domingos Simões Pereira chegou por volta da 1h00 a Lisboa, tendo saído no dia anterior da cadeia, onde se encontrava em prisão preventiva, por ordem do juiz de instrução criminal, Mamadú Embaló, que autorizou que viajasse para Portugal, onde vai submeter-se a tratamento médico.

Simões Pereira estava a cumprir prisão preventiva desde o passado dia 10 de julho, no âmbito de um processo em que é acusado pela justiça militar de participação em alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida em novembro de 2025. Agora foi autorizado a ausentar-se da Guiné-Bissau durante noventa dias, período durante o qual não poderá desenvolver atividade política.

Segundo o despacho, o juiz baseou-se num relatório médico do Hospital Militar de Bissau, segundo o qual seria necessário que o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) fosse observado num centro médico especializado em Portugal.

Simões Pereira viajou para Portugal na companhia da esposa e do irmão, o médico Camilo Simões Pereira.

A decisão do juiz de instrução criminal (JIC) respondeu a um requerimento da defesa e contou com o parecer favorável da Promotoria de Justiça Militar, tendo em conta “razões humanitárias e legais, fundamentadas num atestado emitido pelo Dr. Domiciano Bernardo Nacocam Mango, médico do Hospital Principal Militar de Bissau”.

No despacho do JIC, é referido que a “prisão preventiva fica suspensa pelo período de três meses, ao abrigo do artigo 164º do Código de Processo Penal (CPP)” da Guiné-Bissau.

“O suspeito está sujeito à obrigação de abster-se de desenvolver qualquer atividade político-partidária durante a vigência da suspensão. Findo o prazo de três meses, a situação processual do suspeito será novamente reapreciada pelo tribunal”, sublinha-se.

Presidente eleito do Parlamento guineense, Simões Pereira estava em prisão preventiva desde o passado dia 10, no âmbito de um processo em que é acusado pela justiça militar de participação em alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida em novembro de 2025.

A Guiné-Bissau foi palco de um golpe de Estado em vésperas da publicação dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais, que tinham decorrido sem incidentes em novembro de 2025.

Em comunicado, o Governo português confirmou que Portugal vai acolher “por razões médicas e humanitárias” o opositor guineense Domingos Simões Pereira.

“Portugal acolhe Domingos Simões Pereira, conforme solicitado pelos seus familiares, depois da libertação hoje ocorrida por razões médicas e humanitárias”, lê-se no comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“Reconhecendo o gesto humanitário, continuaremos a trabalhar com empenho e recato, pelas vias diplomáticas, no quadro da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e em cooperação com a CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental] e União Africana, em prol do regresso das instituições da Guiné-Bissau à normalidade constitucional e democrática”, sublinhou a diplomacia portuguesa. “Agência Lusa”


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Portugal - Prémio de Jornalismo Adriano Lucas 2026 com candidaturas abertas

As candidaturas para a 11.ª edição do prémio promovido pela Universidade de Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra e Diário de Coimbra estão abertas de 22 de julho a 30 de outubro


Criado em 2011 pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC) em parceria com a Universidade de Coimbra (UC) e o grupo empresarial proprietário do Diário de Coimbra, o Prémio de Jornalismo Adriano Lucas pretende distinguir trabalhos jornalísticos inéditos, em língua portuguesa, homenageando Adriano Mário da Cunha Lucas (1925-2011), figura incontornável da comunicação social portuguesa. A iniciativa prevê a atribuição de um prémio pecuniário no valor de 3000 euros.

Na sua 11.ª edição (após um interregno entre 2019 e 2024), o Prémio pretende distinguir um trabalho jornalístico, na forma escrita, privilegiando o género reportagem, que promova, preferencialmente, temas relacionados com Coimbra e a Região das Beiras. A iniciativa procura, simultaneamente, incentivar a escrita jornalística junto de estudantes e de recém-licenciados das áreas da comunicação, jornalistas em início de carreira, profissionais da comunicação social e todos aqueles que revelem interesse pela prática do jornalismo.

As candidaturas decorrem entre 22 de julho e 30 de outubro de 2026 e devem ser submetidas digitalmente, através dos Serviços Online do Município de Coimbra, ou presencialmente, nos balcões de atendimento da Câmara Municipal, mediante o preenchimento do formulário de candidatura disponível no sítio da Internet da autarquia.

O Regulamento prevê a atribuição de um prémio pecuniário no valor de 3000 euros ao autor da obra vencedora, contribuindo cada uma das entidades com 1000 euros. O júri pode, ainda, atribuir menções honrosas, sem prémio pecuniário, não sendo admitida a atribuição de prémios ex aequo. Os trabalhos a concurso devem ser inéditos, escritos em língua portuguesa e apresentados com pseudónimo. Cada concorrente pode submeter apenas um trabalho. O júri vai ser constituído por cinco elementos, três designados pelas entidades promotoras e dois convidados por estas, sendo presidido por um representante da CMC.

A entrega do Prémio vai ter lugar em sessão solene até 31 de dezembro de 2026, preferencialmente associada a uma efeméride relacionada com a fundação do Diário de Coimbra ou com o aniversário do nascimento de Adriano Lucas (celebrado a 14 de dezembro).

Em 2025, ano em que assinalou a 10.ª edição do Prémio de Jornalismo Adriano Lucas, o prémio foi conquistado por Rafael Vieira, autor da reportagem inédita “A Água das Catacumbas de Coimbra”. Universidade de Coimbra - Portugal