O escritor, docente e investigador moçambicano Lucílio Orlando Manjate alcançou a classificação máxima (20 valores) na defesa da sua tese de doutoramento na Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo).
A investigação, intitulada “Estudo das representações
discursivas das narrativas sobre Magaíza: um contributo para a didáctica da
língua portuguesa”, propõe uma mudança na forma como a língua portuguesa é
ensinada em Moçambique, defendendo o regresso da literatura ao centro do
processo de aprendizagem.
Numa entrevista concedida ao jornal O País,
Manjate explica que a pesquisa analisa a forma como diferentes gerações de
escritores moçambicanos representaram a figura do Magaíza e demonstra como
essas narrativas podem ser utilizadas para melhorar o ensino da língua
portuguesa. Para o investigador, a substituição de textos literários por
conteúdos institucionais e exercícios gramaticais tem contribuído para as
dificuldades de leitura, interpretação e comunicação observadas entre muitos
estudantes.
O académico defende que a literatura deve ser usada não
apenas para ensinar gramática, mas também para formar cidadãos críticos,
alertando ainda para a reduzida presença de escritores moçambicanos
contemporâneos nos programas escolares. Na sua perspectiva, uma reforma
curricular que valorize a literatura nacional poderá tornar o ensino mais
próximo da realidade social e cultural do país.
Além do reconhecimento académico, Lucílio Manjate
destacou ao O País que concluiu o doutoramento sem bolsa de estudos,
conciliando a investigação com a actividade docente e contando com o apoio da
família para superar os desafios do percurso. Após alcançar a nota máxima, o
escritor afirma que pretende continuar a desenvolver investigações sobre a
figura do Magaíza em diferentes manifestações artísticas, como a música, o
cinema e as artes plásticas. In “Moz Entretenimento” - Moçambique
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