Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 7 de julho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde valida estratégia para vacinas contra cancro colorretal

Estudo identificou vulnerabilidades persistentes em tumores colorretais e fornece bases para o desenvolvimento de imunoterapias personalizadas


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificou vulnerabilidades imunológicas persistentes em tumores colorretais que poderão ser exploradas no desenvolvimento de vacinas terapêuticas personalizadas contra o cancro.

O estudo, agora publicado na prestigiada revista científica Gut, centrou-se em tumores colorretais conhecidos por produzirem muitos neoantigénios, isto é, moléculas alteradas que podem ser reconhecidas pelo sistema imunitário como sinais de perigo. Na maioria das situações, o sistema imunitário consegue interpretar esses sinais e eliminar completamente as células tumorais.

O problema surge quando este mecanismo falha. “Nesses casos, o tumor promove um ambiente imunossupressor que impede o sistema imunitário de completar a tarefa e, por isso, o tumor desenvolve-se”, explica Helena Xavier Ferreira, primeira autora do artigo.

Apesar de o tumor crescer, ele não deixa de ser reconhecido pelo sistema imunitário. Na verdade, muitas das suas células sofrem mutações que resultam na produção de mais neoantigénios. “O desafio passa a ser ajudar o sistema imune adormecido pelo ambiente imunossupressor a fazer aquilo que já sabe fazer: atacar estas células com neoantigénios”, acrescenta Carlos Resende, um dos autores seniores do artigo.

Esta descoberta tem importantes implicações clínicas. Ao identificar os neoantigénios que provocam uma verdadeira resposta imunológica, este trabalho fornece conhecimento fundamental para o desenvolvimento de vacinas terapêuticas contra o cancro. Estas vacinas são concebidas a partir das características genéticas específicas de cada tumor.

“Estamos perante uma das expressões mais avançadas da medicina personalizada. Cada vacina tem de ser desenhada para um doente específico, tendo em conta as mutações e os neoantigénios presentes no seu tumor. Uma mesma vacina não será eficaz em doentes diferentes”, sublinha José Carlos Machado, coordenador do grupo de investigação.

Além de contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, este trabalho ajuda a compreender melhor a forma como os tumores evoluem sob a pressão exercida pelo sistema imunitário. Os resultados reforçam a perspetiva de uma nova geração de imunoterapias personalizadas, capazes de explorar as vulnerabilidades únicas de cada tumor e de potenciar a capacidade natural do organismo para combater o cancro. Universidade do Porto - Portugal


Sem comentários:

Enviar um comentário