Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

CPLP – A sede da Organização acolheu lançamento do «Barometro da Lusofonia»

O lançamento da primeira edição do «Barometro da Lusofonia» decorreu a 28 de janeiro de 2026, no auditório da Sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa. O evento, que teve transmissão em direto no canal Youtube da organização, constituiu o primeiro acontecimento público do ciclo comemorativo dos 30 anos da CPLP.


Na intervenção de abertura, a Embaixadora Maria de Fátima Jardim, Secretária Executiva da CPLP, considerou que o «Barometro da Lusofonia» constitui um instrumento de grande valor estratégico e uma ferramenta que permite auscultar, de forma sistemática, prioridades, inquietações e expectativas.

Com os indicadores apresentados, fortalece-se a oportunidade de programar o progresso e a cooperação, realçou a Embaixadora Maria de Fátima Jardim, contribuindo para melhorar os debates e a ação multilateral concertada da CPLP.

O Representante Permanente do Brasil junto à CPLP, Embaixador Juliano Nascimento, sublinhou a qualidade do estudo, resultante de um processo que envolveu equipas nos Estados-Membros da CPLP, e ressaltou o valor inestimável do conteúdo que retrata pela primeira vez este tipo de perceções.

O coordenador do «Barometro da Lusofonia», professor António Lavareda, do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), destacou que os dados confirmam que a CPLP dispõe de um ativo político e simbólico de grande relevância, com uma legitimidade social ampla e reconhecida pelas populações nacionais de contextos muito distintos.

O professor António Lavareda afirmou, também, que num enquadramento em que os países não partilham fronteiras, a língua portuguesa deixa de ser um instrumento funcional e converte-se num espaço simbólico de pertença.

O estudo revela, assim, a sua importância não só pela abrangência temática, mas por enunciar vínculos simbólicos, culturais e identitários, sendo que as informações sistematizadas deverão fomentar iniciativas de cooperação e intercâmbio nas dimensões económica, educacional, social, cultural e institucional.

Nesta primeira edição, foi realizada uma pesquisa junto a 5400 pessoas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.  O Barómetro da Lusofonia aborda temas como a identidade cultural, heranças históricas, indústrias criativas, desinformação, consumo de informação e media. Além disso, inclui dados sobre relações de trabalho, educação, sustentabilidade ambiental, minorias, migrações, governança e funcionamento das instituições democráticas.

O «Barometro da Lusofonia» conta com o apoio institucional da CPLP e é realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), sob coordenação do professor António Lavareda, com os principais objetivos de analisar e ampliar o conhecimento mútuo entre os países de língua portuguesa.

Além da CPLP, o «Barometro da Lusofonia» conta com apoio do Ministério da Cultura do Brasil, da Missão do Brasil junto à CPLP, da AULP, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Fundação Itaú, da FGV Conhecimento, da Fundação Joaquim Nabuco e da Universidade de Coimbra, entre outras instituições académicas e culturais. In Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”



sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Europa - Apoio à Ucrânia "até vencer" cai drasticamente na Europa Ocidental, revela inquérito

Pesquisa YouGov descobre que o fim negociado da guerra com a Rússia é a opção preferida em quatro dos sete países analisados



A disposição de apoiar a Ucrânia "até que ela vença" caiu drasticamente na Europa Ocidental num momento crítico para o país, sugere uma pesquisa, enquanto o retorno iminente de Donald Trump à Casa Branca levanta questões sobre o futuro da assistência militar dos EUA a Kiev.

Inquéritos de dezembro feitas pela YouGov na França, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia, Dinamarca e Reino Unido revelaram que o desejo público de apoiar a Ucrânia até à vitória — mesmo que isso significasse prolongar a guerra — havia caído em todos os sete países nos últimos 12 meses.

O apoio a uma resolução alternativa para o conflito – um fim negociado para os combates, mesmo que isso deixasse a Rússia no controlo de partes da Ucrânia – aumentou em todos os países, segundo a pesquisa, e foi a opção preferida em quatro deles.

Houve alguma insatisfação com a ideia de um acordo imposto que envolveria a Ucrânia cedendo território à Rússia, mas também uma crença generalizada de que o novo presidente dos EUA abandonaria a Ucrânia após a sua posse em 20 de janeiro.

Donald Trump enalteceu, sem fornecer detalhes, de que pode acabar com a guerra “em 24 horas”, e o seu enviado à Ucrânia, Keith Kellogg, deve viajar para as capitais europeias no início de janeiro. Analistas expressaram dúvidas de que o presidente russo, Vladimir Putin, entrará em negociações em termos que sejam de alguma forma aceitáveis para Kiev.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, comemorou a vitória de Trump em meio à exasperação com a política e estratégia incrementada de “gestão de escalada” do governo Biden.

Os dados vêm quase três anos após a invasão em larga escala de Putin e num momento crítico para a Ucrânia. Este ano, a Rússia tem avançado no seu ritmo mais rápido desde a primavera de 2022, quando as suas colunas fizeram uma tentativa malsucedida de tomar Kiev.

Tropas russas invadiram várias cidades na região oriental de Donbass, com as forças armadas da Ucrânia lutando para defender assentamentos urbanos diante da falta de tropas na linha de frente e da contínua superioridade militar da Rússia.

Kiev admite que as táticas do Kremlin têm sido eficazes, incluindo a implantação de aviação para atingir posições defensivas com bombas planadoras, depois usando barragens de artilharia e pequenos grupos de infantaria. A Rússia também tem sido adepta a identificar brigadas ucranianas mais fracas.

A pesquisa mostrou que a disposição de apoiar a Ucrânia até que ela derrotasse a Rússia permaneceu alta na Suécia (50%) e na Dinamarca (40%), com o Reino Unido em 36%, mas esses níveis caíram até 14 pontos em relação aos números de janeiro de 57%, 51% e 50%.

No mesmo período, as percentagens dos que disseram preferir uma paz negociada aumentaram de 45% na Itália para 55% na Espanha, 46% (38%) na França e 45% (38%) na Alemanha, acompanhadas por quedas correspondentes na disposição de apoiar a Ucrânia até que ela vencesse.

Não estava claro se a mudança refletia o interesse em declínio ou o aumento da fadiga. Na França, Alemanha e Suécia, as proporções que queriam que a Ucrânia vencesse — e se importavam que ela vencesse — permaneceram estáveis desde o início de 2023, embora tenham caído noutros lugares.

A menos de um mês do regresso de Trump, a maioria ou quase maioria em todos os países, exceto um, achava provável que o presidente eleito dos EUA cortasse o apoio à Ucrânia: 62% dos alemães, 60% dos espanhóis, 56% dos britânicos, 52% dos franceses e 48% dos italianos.

Eles estavam menos certos se Trump retiraria os EUA da aliança defensiva da OTAN, com dinamarqueses, alemães, italianos, espanhóis e suecos mais propensos a pensar que isso não iria acontecer, mas britânicos e franceses estavam divididos igualmente.

As pessoas também estavam divididas sobre como se sentiriam em relação a um acordo de paz que deixaria a Rússia no controlo de pelo menos algumas das partes da Ucrânia que ela tomou ilegalmente desde a invasão de fevereiro de 2022, como Trump pode estar planeando.

A maioria na Suécia (57%), Dinamarca (53%) e Reino Unido (51%), e uma minoria considerável (43%) na Espanha, disseram que se sentiriam muito ou razoavelmente negativas sobre tal acordo, em comparação com apenas 37% na França e 31% na Alemanha e Itália.

Não está claro como qualquer acordo sobre a Ucrânia poderia ser feito. Putin reafirmou na semana passada os seus objetivos maximalistas, incluindo o controlo russo da Crimeia e quatro regiões ucranianas “anexadas”, além da desmilitarização da Ucrânia e um veto à sua filiação à OTAN.

Zelenskyy não está disposto a entregar território ocupado à Rússia. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, criticou a conversa ocidental sobre um processo de paz como prematura, dizendo que a Ucrânia deveria obter o que precisa para impedir que Putin vença.

A pesquisa mostrou que a maioria dos europeus ocidentais sentia que os aliados da Ucrânia não estavam fazendo o suficiente, tanto em termos de sanções económicas contra Moscovo quanto de assistência militar e de outros tipos a Kiev, para impedir que a Rússia vencesse a guerra.

Cerca de 66% dos dinamarqueses, 63% dos suecos e espanhóis, 59% dos britânicos, 53% dos alemães e italianos e 52% dos franceses disseram que a assistência geral à Ucrânia não foi suficiente ou não foi nem de longe suficiente. No entanto, poucos achavam que seu país deveria aumentar o apoio.

Minorias que variam de 29% na Suécia a 21% no Reino Unido e Alemanha, 14% na França e apenas 11% na Itália acham que o seu governo deveria aumentar a ajuda à Ucrânia, com proporções maiores em todos os países dizendo que ela deveria ser mantida ou reduzida.

Em termos de medidas específicas, como aumento de sanções, envio de mais armas, envio de mais tropas para apoiar os membros da OTAN no leste europeu ou coordenação de ataques aéreos contra alvos russos na Ucrânia, o apoio ficou estável ou menor do que antes.

Questionados sobre o que achavam que aconteceria dentro de um ano, poucos europeus ocidentais achavam que a Rússia ou a Ucrânia teriam vencido, com a maioria acreditando que os dois países ainda estariam em conflito ou que a paz teria sido negociada.

Um acordo foi visto como mais provável pelos que estavam na Dinamarca (47%), Alemanha (40%), Reino Unido e França (38%) e Itália (36%), com a continuação dos combates vista como o cenário marginalmente mais provável pelos que estavam na Espanha (36%) e Suécia (35%). Jon Henley e Luke Harding – Reino Unido in The Guardian


sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Brasil – Santa Catarina é o estado com a maior proporção de leitores do Brasil, aponta pesquisa

Santa Catarina é o estado do Brasil com mais pessoas que se declaram leitoras, segundo a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada nesta quarta-feira (18). No território catarinense, 64% se declaram leitores. A média brasileira é de 47%

A região Sul é a única das cinco do país onde ainda há uma maioria de leitores na população: atualmente, 53% dos moradores desses três estados (Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná) leu total ou parcialmente pelo menos um livro nos últimos três meses.

Os dados apontaram, ainda, que 53% dos entrevistados não leram nem mesmo parte de uma obra nos três meses anteriores à pesquisa.

É a primeira vez na série histórica que o levantamento conclui que a maioria dos brasileiros não leem livros.

Considerando a estimativa populacional brasileira, os dados apontam que o país tem atualmente 93,4 milhões de leitores (considerando a população com 5 anos ou mais). Nos últimos quatro anos, houve uma redução de 6,7 milhões de leitores no país, de acordo com os dados.

Entretanto, a pesquisa revelou um alerta: o dado é cinco pontos percentuais menor do que na edição anterior da pesquisa, quando a mesma região registou 58% de leitores.

Foram feitas 5504 entrevistas com pessoas com idade mínima de 5 anos, alfabetizadas ou não, em 208 municípios. A amostra permite a leitura para 21 estados e o Distrito Federal.

A exceção são os estados de Rondônia, Acre, Roraima, Amapá e Tocantins, cujos resultados foram lidos de forma conjunta.

A pesquisa foi feita entre 30 de abril e 31 de julho deste ano. Foram feitas entrevistas domiciliares face a face por meio de tablets com um questionário de 147 perguntas.

O levantamento considera tanto a leitura de livros impressos quanto digitais, além de não restringir qualquer género, incluindo didáticos, bíblia e religiosos. In “Milénio Stadium” – Canadá com “G1”


quarta-feira, 19 de junho de 2024

Brasil - Cientistas ensinam software a identificar novas drogas psicoativas

Inovação obtém informações de substâncias pouco conhecidas e estabelece referências para drogas ainda não detectadas


A batalha contra o rápido surgimento e popularização de Novas Substâncias Psicoativas (NPS, do inglês novel psychoactive substances) – projetadas para driblar a legislação ao imitar efeitos das tradicionais em fórmulas químicas diferentes – ganha um aliado que usa tecnologia de ponta. Equipe do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP anuncia ter criado uma ferramenta capaz de analisar substâncias químicas e reconhecer as novas drogas utilizando química computacional e aprendizagem de máquina (do inglês machine learning).

Responsável pelo estudo que deu origem à inovação, o pesquisador Christiano dos Santos desenvolveu algoritmos a partir de informações de espectros de infravermelho (tecnologia que identifica composição de uma amostra) de 75 substâncias de cinco categorias de NPS. Com os dados, aplicou aprendizado de máquina por meio de um software que classifica os espectros e prevê a substância contida na amostra.

Os resultados dos testes com a nova ferramenta, publicados na edição de maio da Psychoatives, mostraram “excelente desempenho, com precisão, especificidade e sensibilidade acima de 90%, permitindo um melhor entendimento e previsão das propriedades de moléculas e materiais”, informa Santos.

Para a orientadora da pesquisa, a professora Aline Thais Bruni, os profissionais da área têm agora em mãos uma ferramenta poderosa na identificação e análise de substâncias químicas, podendo enfrentar o desafio relacionado ao surgimento acelerado das NPS. Segundo ela, será possível implementar procedimentos de monitoramento que ajudem a desvendar casos complexos relacionados ao tráfico de drogas e a entender melhor as substâncias envolvidas.

A ideia também é que os dados espectroscópicos coletados pelo estudo sejam disponibilizados em uma biblioteca aos profissionais – forenses e outros – que trabalham com análises dessas substâncias químicas. “Essa pode ser uma orientação crucial na tomada de decisão sobre as análises, permitindo identificar com maior confiabilidade a estrutura química que está sendo investigada”, acrescenta Aline Bruni.

Ferramenta é treinada para identificar padrões nos dados

A equipe utilizou métodos computacionais (ou in silico) para obter o espectro infravermelho das substâncias presentes nos cinco grupos estudados, dentre eles as anfetaminas e os canabinoides. Foram obtidos dados de espectroscopia de infravermelho utilizando a Teoria do Funcional da Densidade (DFT, do inglês Density Functional Theory), técnica usada para entender a estrutura dos átomos e moléculas usando a densidade dos elétrons. Os métodos, diz a professora Aline Bruni, representam uma alternativa para conseguir informações de espectros de substâncias pouco conhecidas e “podem, inclusive, auxiliar a criar referências para potenciais drogas, que ainda não foram detectadas.”

Já o treinamento da ferramenta contou com uso de duas aproximações de machine learning: aprendizagem não supervisionada, em que os algoritmos identificam padrões nos dados, e supervisionada, na qual há treinamentos por meio de conjuntos conhecidos de amostras. Assim, “os modelos classificatórios gerados pela aprendizagem de máquina podem fornecer um diagnóstico inicial sobre a que grupo pertencem esses compostos”, informa a professora.

NPS e política contra drogas

Segundo Santos, com a política de guerra às drogas e os esforços internacionais na repressão do tráfico e do consumo dessas substâncias, surgem as NPS para burlar a legislação e dificultar o trabalho investigativo e pericial. As NPS imitam as drogas ilícitas tradicionais, como cocaína e MDMA (ecstasy), mas com estruturas químicas diferentes para evitar a fiscalização. A popularização desses novos compostos químicos representa “um desafio para os métodos de análise forense”, acrescenta o pesquisador Christiano dos Santos.

São compostos, na maioria sintéticos, que fogem do controle internacional por não constarem das listagens da Convenção Única de Entorpecentes (1961) e da Convenção sobre Substâncias Psicoativas (1971). De acordo com o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC), entre 2010 e 2021, o total de NPS identificadas no mercado de drogas saltou de 162 para 618. Somente em 2021, foram descobertas 87 novas NPS, dentre elas “há diversos grupos entre alucinógenos, estimulantes, canabinoides e opioides sintéticos, e outros tipos de NPS”, conta a professora Aline.

Além de fugir da legislação, questões regulatórias também influenciam o desenvolvimento de métodos experimentais, já que as NPS são frequentemente detectadas por meio de operações policiais. Para os pesquisadores, compreender o comportamento dessas substâncias é crucial para auxiliar os procedimentos de investigação e controle do tráfico.

Os resultados desse estudo integram o trabalho de doutorado Métodos Computacionais e Machine Learning aplicados ao estudo de propriedades espectroscópicas de Novas Substâncias Psicoativas desenvolvido por Santos sob orientação de Aline Bruni e apresentado à FFCLRP em 1º de março de 2024.

Mais informações pelos e-mails: aline.bruni@ffclrp.usp.br, com Aline Bruni; christiano.sts@gmail.com, com Christiano dos Santos. Felipe Faustino – Brasil in “Jornal USP”


sábado, 8 de julho de 2023

Brasil - Buscas por navio escravista do século 19 avançam em Angra dos Reis

Marilda de Souza Francisco, 60 anos de idade, é líder do Quilombo Santa Rita do Bracuí, em Angra dos Reis, no sul fluminense. Quando era pequena, sempre ouvia do pai a história de um navio e de um traficante de escravos com detalhes curiosos.


“A gente não sabia o nome do navio. Só sabia que tinha vindo lá da África trazendo os negros e depois afundado. E que o capitão tinha fugido vestido de mulher. Quando o meu pai contava essa história, até falava ‘que vergonha, um homem vestido de mulher’. Era essa a história. A gente até achava que era uma ficção, que alguém tinha inventado. Mas era verdade mesmo”, conta Marilda.

Relatos como esse fazem parte da memória oral do quilombo, transmitida por escravizados e descendentes por gerações, desde a década de 1850 até os dias de hoje. A ajuda das comunidades quilombolas atuais foi fundamental para o avanço das pesquisas que buscam vestígios do brigue Camargo, um navio roubado em 1851 na Califórnia, Estados Unidos, pelo capitão Nathaniel Gordon.

Ele viajou até Moçambique, trouxe cerca de 500 africanos escravizados para o porto clandestino do Bracuí e afundou a embarcação em 1852, para evitar a prisão. O tráfico, naquela época, já estava proibido no Brasil. O disfarce com roupas femininas, como o da história, foi uma das estratégias usadas para sair escondido do país. Deu certo por um tempo. Em 1862, ele foi o único norte-americano enforcado nos Estados Unidos por participar do tráfico negreiro.

As buscas arqueológicas pelo navio começaram de forma sistemática em 2022, com a participação de mergulhadores pesquisadores, e avançaram com a descoberta recente de materiais que podem ser da embarcação.

“Nos últimos dias, temos ampliado os esforços para conseguir atuar naquela área e chegar mais rápido a esses materiais. A gente usa tecnologias oceanográficas para tentar encontrar o Camargo. Estamos na fase de processamento de dados. A resposta que posso dar agora é que temos encontrado materiais, mas ainda é difícil dizer que eles são parte do Camargo. Temos que pegar cada um deles e analisar. E também avançar nas escavações. Cada embarcação tem a sua assinatura e precisamos fazer essa identificação”, disse Luis Felipe Freire Dantas Santos, doutor em arqueologia e presidente do Instituto AfrOrigens, projeto de mapeamento do tráfico transatlântico de africanos, que está à frente das buscas pelo brigue.

Caso os pesquisadores encontrem os vestígios do navio, a ideia é que eles continuem no local, no fundo do mar, para serem estudados e preservados. Um dos objetivos do projeto é estimular o envolvimento das comunidades locais em iniciativas sociais, culturais e turísticas.

O projeto também conta com apoio e investimentos de instituições de ensino e pesquisa norte-americanas. É o caso da George Washington University e do Smithsonian Institution National Museum of African American History and Culture. Uma colaboração que permite olhar de forma crítica para um passado comum, de escravidão e de exploração nas Américas.

“É muito importante que esse trabalho seja parte da comunidade local. Estamos trabalhando juntos, mas com protagonismo deles, dos quilombolas, para que digam como essa história deve ser contada. É uma pesquisa que ainda vai durar anos. Mas entendemos que vai ter um grande impacto não só aqui no Brasil, mas no mundo todo. Essa história ajuda a conectar pessoas de diferentes lugares, que viveram problemas graves relacionados à escravidão”, disse Paul Gardullo, professor da George Washington University.

Os detalhes da pesquisa foram apresentados nesta sexta-feira (7), na sede do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. Para a diretora da instituição, historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto, eventos como esse ajudam a sociedade a lidar com problemas do passado e atuar para combater o legado deles até os dias atuais.

“Isso é algo a ser revisitado em 2023, para que a gente compreenda melhor não só como a escravidão se estruturou e tinha muitos defensores, mas como ela foi confrontada. A partir disso, promover reflexões sobre abolicionismo, liberdade e cidadania. A atividade de hoje marcou esses esforços de promover reparação histórica. Devemos investir nisso para que outros crimes contra a humanidade não voltem a acontecer. Afinal, ainda enfrentamos os ecos da escravidão no tempo presente”, disse Ana Flávia.

Tráfico ilegal

No contexto internacional, o tráfico de escravos foi proibido em colônias britânicas e nos Estados Unidos a partir de janeiro de 1808. Por interesses ideológicos, econômicos e políticos, a Grã-Bretanha passou a ser a principal força internacional de pressão sobre outros países que mantinham as atividades de tráfico.

O Brasil tentava se equilibrar entre a pressão dos ingleses e os interesses dos grandes proprietários de terras e escravos nacionais. Em 1826, em meio ao processo de consolidação da independência brasileira, D. Pedro assina um tratado com a Inglaterra e se compromete a tornar ilegal o comércio de africanos e a tratá-lo como pirataria em 1830. Os protestos internos e o peso da atividade para a economia nacional ajudam a tornar o acordo sem efeito.

Em 1831, o governo regencial do Império (D. Pedro havia abdicado do trono), promulga a Lei Feijó, que confirma a proibição e declara liberdade de todos os escravos trazidos ilegalmente para o país. Igualmente ignorada pelos proprietários, traficantes e pelo próprio Estado, que não fiscalizava. Um exemplo é que, só em 1837, entraram pelo menos 45 mil escravos nas províncias do Rio de Janeiro e de São Paulo. A medida mais efetiva aconteceu em 1850, com a Lei Eusébio de Queirós. O Império brasileiro, nesse período, passou a ser mais efetivo no controle e combate ao tráfico. Mas, como o caso do brigue Camargo comprova, algumas tentativas de desembarque clandestino foram bem-sucedidas.

“Esses acontecimentos falam de toda uma história abafada de omissão e cumplicidade do governo imperial, que não punia quem cometesse o crime do tráfico de africanos previsto desde 1831. Mais de um milhão de africanos entraram ilegalmente no Brasil”, disse a historiadora Martha Abreu, também envolvida no projeto.

“Já no final dos anos 1820, a fazenda de Santa Rita do Bracuí foi montada para receber os escravizados, que não podiam mais chegar pelo Cais do Valongo, que havia sido fechado. Na década de 1840, muitos Camargos chegaram pelo Bracuí. E muitos africanos em péssimas condições foram mandados para as plantações de café”.

A proibição do tráfico não significou o fim da própria escravidão. Essa só terminaria oficialmente em 13 de maio de 1888, quando o Brasil foi o último do continente americano ao abolir a exploração e a tortura de africanos e descendentes. Rafael Cardoso – Brasil in “Agência Brasil” com “Mundo Lusíada”


domingo, 2 de julho de 2023

Brasil - Fiocruz assina parceria com universidade angolana

O Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e a Universidade Agostinho Neto (UAN), em Luanda (Angola), assinaram um memorando de entendimento para futuras parcerias em ensino e pesquisa entre as instituições.


Segundo a Agência Fiocruz, no estreitamento de laços com instituições africanas, a parceria tem como objetivo a colaboração mútua nas seguintes áreas: doenças tropicais negligenciadas, com destaque para malária e tuberculose; doenças transmissíveis; arboviroses; resistência antimicrobiana (AMR); HIV; clima e saúde; saúde materna, infantil e reprodutiva; entre outras. A vigência do memorando de entendimento assinado entre as instituições é de cinco anos.

Participaram da assinatura, realizada em formato virtual em 22/6, a diretora do IOC/Fiocruz, Tânia Araújo-Jorge, e os vice-diretores Luciana Garzoni (Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação) e Ademir Martins (Ensino, Informação e Comunicação). A coordenadora da Cooperação Institucional do Instituto, Anna Cristina Calçada Carvalho, estava presente na reitora da Universidade Agostinho Neto durante a solenidade.

Pelo lado angolano, participaram o reitor da UAN, Pedro Magalhães; os professores da Faculdade de Medicina da Universidade, Maria Fernanda Dias Afonso Monteiro e Joaquim Van Dunem, e o cônsul-Geral de Angola no Rio de Janeiro, Mateus de Sá Miranda.

“Faz parte da política de cooperação institucional reforçar as parcerias técnico-científicas com países do hemisfério sul, sobretudo os de língua portuguesa. O foco do IOC está em contribuir para a formação de recursos humanos nesses lugares. Nós podemos ajudá-los a enfrentar problemas de saúde pública ligados, especialmente, a doenças transmissíveis”, comentou Anna Cristina.

A coordenadora destacou, também, que todos os Programas de Pós-graduação Stricto sensu do Instituto estão envolvidos na parceria. “A Fiocruz e o IOC têm longa história de colaboração com Angola e Moçambique. Em acordos anteriores firmados para a formação de recursos humanos, mais de cinquenta pessoas foram tituladas mestres ou doutores”, pontuou, adiantando que o próximo passo consiste em elaborar, junto à UAN, um plano de trabalho para dar seguimento à parceria.

“Temos agendada para agosto uma reunião com representantes da universidade angolana para tratar do assunto”, completou. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quarta-feira, 12 de abril de 2023

Brasil - Parceria internacional com Portugal avança em pesquisa sobre a doença de Parkinson

Um grupo de trabalho do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF, sob gestão da Ebserh) participa de um projeto que está fazendo tradução e validação de escala de sintomas não motores da Doença de Parkinson. Trata-se de uma parceria entre 20 centros de pesquisa do Brasil e de Portugal, em que o HU-UFJF é o centro coordenador. São dez instituições de pesquisa em cada país, distribuídos por regiões, com o objetivo de ter diversidade geográfica e cultural.


O dia 11 de abril foi instituído como Dia Mundial do Parkinson para conscientizar a população sobre a doença. Cerca de 4 milhões de pessoas no mundo vivem com a doença, sendo aproximadamente 200 mil no Brasil.

O Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum nos idosos, perdendo apenas para a doença de Alzheimer. É caracterizada por sintomas motores, tremor de repouso, rigidez na musculatura, lentidão nos movimentos, que são os sinais mais importantes na doença. No entanto, hoje se reconhece também uma proporção de sinais não motores que impactam na qualidade de vida desses pacientes, como depressão, fadiga, declínio cognitivo, sudorese, alterações autonômicas ou desautonômicas, como retenção, incontinência urinária, dor, enumera o neurologista e professor da Faculdade de Medicina da UFJF Thiago Cardoso Vale, coordenador da pesquisa no HU.

A ideia do projeto é ter uma escala traduzida para o português para avaliar os sintomas não motores da doença. Tal escala já é utilizada em outros países, tanto do ponto de vista assistencial quanto de pesquisa, sendo originada da Sociedade Internacional de Doença de Parkinson e Distúrbio de Movimento, sediada nos Estados Unidos. O objetivo é que se faça uma tradução tanto para o português brasileiro quanto o europeu, visando ter uma escala em comum para os países de língua portuguesa, explica o professor.

Cada um dos centros de pesquisa será responsável por incluir 20 pacientes, totalizando 200 no Brasil e 200 em Portugal, para que seja validada e comparada com a escala original e ver se ela realmente é útil. A equipe envolvida no HU é a mesma do Ambulatório de Distúrbios do Movimento, do Serviço de Neurologia, coordenado pelo professor Tiago e contando com um neurologista assistente, Daniel Sabino de Oliveira, e uma aluna do mestrado do Programa de Pós-graduação em Saúde da Faculdade de Medicina, Daniela da Silva, responsável pela coleta de dados e análise final do projeto, que se pretende em publicação da área da Neurologia.

“Nosso centro aqui já está bem avançado, foi o primeiro com aprovação do Comitê de Ética de Pesquisa. A tradução em comum já foi feita, por médicos independentes com fluência em português e inglês, tomando-se o cuidado de encontrar palavras semelhantes ao português de Portugal. Existem situações como a da palavra ‘quadril’ no português do Brasil, mas ‘anca’ no português de Portugal”, conta.

Outra boa notícia é que o projeto conseguiu um patrocínio de US$ 40 mil (R$ 200 mil) da Sociedade Internacional de Doença de Parkinson e Distúrbio de Movimento a fim de facilitar a aplicação da escala.

Exemplo

O caminhoneiro Fábio Viana é um exemplo de que o Parkinson não atinge apenas idosos. Aos 38 anos, ele recebeu o diagnóstico da doença. “Foi muito difícil. Tive que parar de trabalhar e entrei em depressão”, conta. Hoje, aos 42, ele já conhece melhor a enfermidade e segue todas as orientações da equipe do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/Ebserh), onde realiza o tratamento. “A depressão melhorou e alguns sintomas diminuíram. Agradeço por ter descoberto a doença cedo. Vou investir também na fisioterapia e atividade física para conseguir aproveitar muitos momentos com a minha família”, acrescenta Fábio, que é casado e tem quatro filhos.

O Parkinson não tem cura e o tratamento inclui um acompanhamento multiprofissional, com medicamentos, fisioterapia, fonoaudiologia, suportes psicológico e nutricional e atividade física. Em alguns casos, também pode ser indicado cirurgia.

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG/Ebserh), o Ambulatório de Distúrbios de Movimento, criado na década de 1990, já atendeu aproximadamente dois mil e quinhentos pacientes. A neurologista Sarah Teixeira Camargos reforça que os sintomas não são necessariamente os mesmos para todos os pacientes. “É uma doença muito individual. Há uma linha evolutiva e grande parte dos pacientes segue essa linha, mas nem todos são iguais”, assegura.

O Ambulatório de Distúrbios do Movimento do HUB atende cerca de 50 pacientes e é referência para pessoas com Parkinson no Distrito Federal. A neurologista responsável pelo serviço, Ingrid Faber, lembra que é importante ficar atento aos sintomas emocionais da doença. “O Parkinson provoca neurodegenerações no cérebro que podem favorecer sintomas depressivos. Além disso, receber o diagnóstico costuma abalar o paciente. Por isso, é muito importante ter uma rede de apoio, com convívio com familiares e amigos, e um tratamento psicológico”, explica Ingrid.

A família tem um papel fundamental, podendo ajudar a monitorar a progressão dos sintomas e auxiliando na administração de medicamentos e terapias prescritos. Além de tudo, é necessário ter a consciência de que a doença também pode afetar a dinâmica familiar e as relações pessoais, demandando adaptações para melhoria da autoestima e da autoconfiança. Os familiares também podem se beneficiar de terapia de aconselhamento para aprender a lidar com a doença e seus efeitos no cotidiano.

O neurologista Pedro Brandão atua como voluntário no ambulatório do HUB e é secretário do Departamento de Transtornos do Movimento da Academia Brasileira de Neurologia. “Ter a doença de Parkinson não é uma sentença, muitos pacientes têm uma expectativa de vida igual à da população geral. Hoje temos muitos recursos de tratamento e, se o paciente for bem acompanhado, pode ter qualidade de vida. É importante identificar os sintomas para acelerar o diagnóstico”, afirma Pedro.

Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Os hospitais da Rede Ebserh oferecem atendimento para pacientes com Parkinson.

Sinais precoces da Doença de Parkinson

A idade mais comum de aparecer sintomas é a partir de 60 anos. As causas mais precoces geralmente têm origem genética.

Atenção

Durante a caminhada do paciente, um dos lados, um dos braços, não se movimenta da mesma forma que o outro;

Perda do movimento conjugado dos braços, um fica mais grudado no corpo, que às vezes causa até dor no ombro e leva à procura inicialmente de um ortopedista.

Tratamento

O tratamento principal da doença é sintomático, feito com medicação, mas o arsenal terapêutico é diverso e amplo, grande parte adquirido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em alguns casos, há encaminhamento para cirurgia, como de colocação de elétrodo no cérebro, para melhorar a qualidade de vida do paciente.

Prevenção

Existem estratégias preventivas. O que está mais avançado em termos da literatura é a realização de exercício físico de moderada intensidade, de 4 a 5 vezes na semana, tanto para prevenção ao Parkinson quanto para outras doenças neurodegenerativas. In “Mundo Lusíada” - Brasil


domingo, 12 de junho de 2022

Brasil - Encontro de História e Genealogia reúne pesquisadores dos Açores e do Rio Grande do Sul


Dando sequencia ao I Encontro Internacional de História e Genealogia Açoriana de 2019, começou dia 10, e segue até hoje, 12 de junho, a segunda edição do encontro, aproveitando os 250 anos da fundação de Porto Alegre e os 270 anos da chegada dos açorianos no Rio Grande do Sul.

O programa do II Encontro traz uma robusta programação permitindo a retomada do diálogo entre agentes culturais e de educação para o passado, assim como pesquisadores dos Açores e do Rio Grande do Sul.

Tem como alvo a divulgação de pesquisas recentes sobre a açorianidade, associando os Açores e o Rio Grande do Sul, bem como a apropriação das fontes documentais mapeadas e publicadas no Guia Geral de Fontes Documentais relacionadas à açorianidade, a partir dos acervos dos Arquivos Municipais e Estaduais, públicos e privados existentes no estado do Rio Grande do Sul, em conexão com o mapeamento dos acervos arquivísticos existentes nos Açores, no tocante à diáspora dirigida ao Brasil Meridional, entre o século XVIII e o XX.

Nesta oportunidade, está sendo lançado o e-book intitulado “Guia de Fontes Documentais para a história e a genealogia açoriana: possibilidades de pesquisa nos Açores e no Rio Grande do Sul”, cumprindo, o Termo de Cooperação Técnica, aguardado pelos genealogistas e historiadores da temática em foco.

Promovido pelo Centro Histórico-Cultural Santa Casa de Porto Alegre, tem como instituições apoiadoras: a Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul (CAERGS), o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, o Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, o Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre e a Oficina das Origens.

Contou também com apoio da Direção Regional das Comunidades Açorianas e da Direção Regional da Cultura, do Governo da Região Autônoma dos Açores/Portugal.

O evento de abertura, no dia 10, trouxe participação da Vice-Cônsul de Portugal em Porto Alegre, Filipa Mendonça, do Diretor Regional das Comunidades, José Andrade (em representação do Presidente do Governo da Região Autônoma dos Açores, José Manuel Bolieiro), do Secretário Municipal da Cultura de Porto Alegre, do Conselheiro da Diáspora Açoriana do Governo da Região Autônoma dos Açores/Portugal no Rio Grande do Sul, Régis Albino Marques Gomes, da Presidente da Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul, Viviane Peixoto Hunter, do Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Alfredo Guilherme Englert.

Homenagem nos Açores

Na última semana, a participante do encontro e professora Vera Maciel Barroso, responsável do arquivo histórico da CHC Santa Casa e diretora do Departamento de História da Casa dos Açores do Rio Grande do Sul, foi condecorada pela Assembleia Legislativa dos Açores, no Conselho da Lagoa, na Ilha de São Miguel, em Portugal.

A professora Vera estuda a cultura açoriana no Estado brasileiro e nos Açores há muitos anos, com diversas publicações sobre o tema. “Estou muito feliz com a distinção, mas acredito que o mais importante é cada um fazer a sua parte bem-feita, como um alicerce positivo para a construção de um mundo melhor”, salientou a homenageada.

As insígnias honoríficas açorianas foram criadas por Decreto Regional, em 2002, há precisamente 20 anos, para distinguir cidadãos e pessoas coletivas que se notabilizaram por méritos pessoais ou institucionais, atos e feitos cívicos, os serviços prestados à região, em diferentes áreas. Neste ano, as condecorações foram entregues durante as comemorações do Dia dos Açores, feriado que celebra a açorianidade e a autonomia do arquipélago. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Brasil - Polícia queima barcos de mineiros ilegais atraídos por ouro na Amazónia

As autoridades brasileiras queimaram quase 70 embarcações numa operação de combate contra mineiros ilegais atraídos por rumores de uma descoberta de ouro num grande afluente amazónico, disse o governo e a organização ambientalista Greenpeace

O ministro da Justiça, Anderson Torres, disse que 69 embarcações foram destruídas e divulgou fotografias e um vídeo dos barcos em chamas nas margens do rio Madeira.

Pelo menos 300 barcos de dragagem, estavam alinhados lado a lado no rio, na semana passada, na sequência de rumores de uma nova descoberta de ouro. Mas ao mesmo tempo que as imagens da corrida ao ouro se espalhavam, as autoridades preparavam a operação para impedir que surgissem explorações mineiras ilegais.

Até ao último sábado (27), muitos barcos tinham dispersado para outras áreas próximas, refere a Greenpeace Brasil, que também publicou fotos de barcos de dragagem em chamas. A “operação mostra que o Brasil tem capacidade para enfrentar atividades ilegais e assegurar a proteção dos nossos rios, florestas tropicais e povos tradicionais”, disse aquela organização ambientalista.

“Tudo o que é necessário é vontade política”, acrescentou.

Embora a extração ilegal de ouro seja comum na Amazónia, esta corrida aos metais preciosos, a cerca de 100 quilómetros da cidade de Manaus, tem atraído particular atenção, referiu a Greenpeace na semana passada.

A organização apelou às autoridades para que avançassem o mais rapidamente possível para pôr fim ao que chamou um crime ambiental.

Um relatório da Universidade Federal de Minas Gerais, feito em colaboração com o Ministério Público Brasileiro, revelou, em julho, que apenas 34% das 174 toneladas de ouro extraídas no Brasil entre 2019 e 2020 tinham uma origem legal comprovada.

Os ambientalistas acusam o governo de Jair Bolsonaro de prosseguir políticas contra o ambiente e de enfraquecer as proteções.

Desde que Bolsonaro subiu ao poder, em janeiro de 2019, a desflorestação na Amazónia aumentou, principalmente devido à mineração ilegal e à criação de gado. In “Milénio Stadium” - Canadá


terça-feira, 3 de agosto de 2021

Timor-Leste - Ministério da Agricultura e Pescas e Universidade Nacional de Singapura assinam acordo de pesquisa sobre flora e fauna


Díli – O Ministério da Agricultura e Pescas (MAP) e o Museu de História Natural de Lee Kong Chian da Universidade Nacional de Singapura assinaram um memorando de entendimento para realizarem uma pesquisa sobre flora e fauna em Timor-Leste.

O Vice-Ministro da Agricultura e Pescas, Abílio Xavier de Araújo, afirmou que esta assinatura pretende fundamentar a capacitação e pesquisa em todas as áreas para descobrir os recursos naturais do país.

“Devemos criar as condições para conservarmos a flora e fauna e fundamentarmos a pesquisa no sentido de desenvolver os recursos naturais. O Estado de Timor-Leste depende, até à data, de recursos minerais. Contudo, o MAP tem potencial para responder às necessidades da economia do país e do povo”, disse o governante à margem da assinatura do memorando de entendimento, em Caicoli, Díli.

Também o Diretor da Conservação Internacional em Timor-Leste, Manuel Mendes, destacou a importância deste acordo para salvaguardar a biodiversidade e outras áreas relevantes.

“É um passo importante para o Ministério da Agricultura e Pescas. Comprometemo-nos a continuar o nosso apoio ao ministério”, concluiu. Isaura de Deus – Timor-Leste in “Tatoli”


 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Brasil - Projeto estuda alternativas para agregar valor à farinha de mandioca

Trabalho de pesquisa faz parte do projeto “Agregação de valor e qualidade aos produtos derivados da mandioca”

Entre os dias 10 e 14 de fevereiro, pesquisadores da Embrapa Acre realizaram atividades em casas de farinha de Cruzeiro do Sul, para elevar o valor nutricional da farinha de mandioca, a partir do uso de misturas alimentícias, e o seu potencial de mercado. Iniciado em 2019, o trabalho de pesquisa faz parte do projeto “Agregação de valor e qualidade aos produtos derivados da mandioca”, integrante do projeto MANDIOTec, desenvolvido no âmbito do Fundo Amazônia, com foco no fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca.

Entre outros objetivos, o projeto visa desenvolver e validar tecnologias para agregar valor a produtos derivados da mandioca, principalmente as farinhas temperadas com matérias-primas regionais como gengibre e buriti. Essas misturas contribuem para tornar a farinha de mandioca mais nutritiva, sem alterar o sabor e qualidade do alimento, e podem melhorar a competitividade comercial do produto, além de representar uma nova alternativa de geração de renda para as famílias rurais.

Farinha com gengibre

A farinha de mandioca temperada com gengibre foi desenvolvida durante o Projeto Farinhavaj, executado pela Embrapa com recursos da Financiadora de Projetos (Finep) e parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/AC), já finalizado. O produto teve boa aceitação nos testes sensoriais realizados com consumidores, entretanto, carece de avaliações econômicas em unidade agroindustrial para determinação dos custos de produção.

Com o novo projeto, a continuidade desse trabalho tem a parceria de uma agroindústria familiar rural do município de Cruzeiro do Sul. “É importante a participação direta de quem vai produzir o alimento e colocar no mercado, para garantir eficiência no processo produtivo, o cumprimento dos critérios de qualidade e segurança alimentar para o consumidor”, diz a pesquisadora Joana Souza, uma das responsáveis pelos estudos.

Farinha com polpa de buriti

Abundante na Amazônia, o buriti é rico em betacaroteno, uma fonte natural de vitamina A, considerada essencial para a saúde humana, especialmente para os olhos. A fruta também é fonte de minerais como ferro e cálcio, entretanto, ainda é pouco explorada como produto extrativista. Segundo Joana Souza, a adição da polpa de buriti à farinha de mandioca representa uma excelente alternativa para agregar valor nutricional a esse alimento e poderá contribuir para melhorar a qualidade da dieta da população. “Além disso, visa fortalecer a farinha de Cruzeiro do Sul como produto comercial, atribuindo o status de farinha enriquecida com beta caroteno”, ressalta.

Segundo o pesquisador Marcus Arthur Vasconcelos, são utilizados diferentes percentuais de polpa de buriti e as farinhas temperadas são analisadas quanto à composição adequada para a mistura e características físico-químicas, para identificação de teores de fibra e betacaroteno, cor e sabor do alimento. A validação do produto também inclui a realização de estudos socioeconômicas para definição do custo de produção”, afirma.

Outras iniciativas de apoio à produção no Juruá

Também é prioridade do projeto investir na melhoria do processo de produção em casas de farinha do Juruá, por meio de ações de transferência de tecnologias. Entre as capacitações realizadas em 2019 estão quatro cursos para multiplicadores em Boas Práticas de Fabricação de farinha de mandioca, oferecidos nos municípios de Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul. Além disso, auxilia o processo de adequação das estruturas de processamento, tanto em relação ao espaço físico como aos equipamentos utilizados nas casas de farinha. As atividades buscam fortalecer a produção no Juruá e contribuir para consolidar a Indicação Geográfica (IG) da farinha da região, conhecida no mercado com a denominação farinha de Cruzeiro do Sul.

O selo de IG, conquistado em 2017, na modalidade Indicação de Procedência, foi concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPE) em função da comprovada notoriedade e modo artesanal de fabricação do produto. O processo durou mais de dez anos e teve o protagonismo de produtores rurais da região e apoio de instituições de pesquisa e fomento à produção, entre elas a Embrapa e Sebrae.

Para assegurar as características particulares da farinha de Cruzeiro do Sul e a segurança alimentar do consumidor, o projeto apoia a execução de pesquisas de rastreamento e controle da produção, que auxiliam os agricultores no cumprimento de critérios necessários para garantir a origem e qualidade do alimento comercializado, requisitos para a manutenção da Indicação Geográfica.  O trabalho, realizado nos laboratórios de Tecnologia de Alimentos e de Bromatologia da Embrapa Acre, a partir de 2019, envolve a análise de amostras de farinha coletadas nos mercados locais para verificação de teores de fibra bruta, umidade e cinzas entre outros fatores que podem comprometer a qualidade do produto.

Os estudos permitem, ainda, identificar possíveis falhas no processo de produção e orientar os produtores rurais para adequação. Os resultados, compartilhados com as comunidades rurais, mostram que nas primeiras análises apenas 13% das amostras foram classificadas como farinha do tipo 1, status considerado pela legislação vigente como de elevado padrão de qualidade. Com adoção de pequenos ajustes recomendados pela pesquisa, atualmente 70% das amostras analisadas já se enquadram nessa classificação.

Mandiotec

O projeto “Agregação de valor e qualidade aos produtos derivados da mandioca” é um dos cinco Projetos Componentes do Projeto “Tecnologias para agregação de valor e produção sustentável de mandioca por produtores familiares na Amazônia – MANDIOTec em Rede”, liderado pela Embrapa Acre e executado em todos os estados da Amazônia Legal, exceto o Tocantins.

O MANDIOTec faz parte do Projeto Integrado da Amazônia, financiado pelo Fundo Amazônia e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em cooperação com o Ministério do Meio Ambiente, e tem como desafio promover o fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca na região para aumento da renda e promoção da qualidade de vida das famílias rurais. Diva Gonçalves – Brasil in Embrapa”

sábado, 14 de dezembro de 2019

Moçambique - Pesquisa de gás natural no bloco de Búzi, no centro do país

A empresa indonésia Buzi Hydrocarbons vai começar, nos próximos dias, perfurações no terreno para pesquisa de gás natural no bloco de Búzi, no centro de Moçambique, anunciou fonte oficial

Trata-se de uma área ainda relativamente pouco explorada e, na primeira fase, a empresa indonésia vai realizar o furo em terra, explicou o presidente do Instituto Nacional do de Petróleos (INP), citado hoje pelo diário Notícias.

A única exploração comercial de gás natural nas proximidades daquele ponto está a ser feita pelo grupo sul-africano Sasol, nos jazigos de Pande e Temane, na província de Inhambane, que exporta a maior parte da produção para a África do Sul.

A Buzi Hydrocarbons detém 75% dos direitos sobre Bloco de Búzi e o Governo moçambicano 25%, através da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

A intenção investir no local, cujos registos de possível ocorrência de gás datam 1962, foi anunciada 2015 e, na altura, o plano era perfurar de cerca de 15.225 pés de profundidade nos poços de BD1 e BD2, ambos no interior do campo de gás de Búzi". In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

sábado, 7 de dezembro de 2019

Angola - Estudantes investigam na Torre do Tombo em Lisboa colaboradores da PIDE


Já descobriram alguns que são membros dos partidos da independência. Brevemente vão apresentar a lista com nomes sonantes da nossa praça política



Afinal a luta pela independência de Angola não foi isenta da influência perniciosa da polícia política portuguesa, vulgo PIDE. Nos seus arquivos, localizados na Torre do Tombo, em Lisboa, um grupo de estudantes angolanos efectua a análise e recolha de documentos para um trabalho sobre o processo de luta de libertação nacional.

Na consulta efectuada constam elementos  e técnicas de recolha de informações que permitiram à polícia secreta portuguesa, infiltrar agentes e controlar as movimentações das organizações políticas angolanas.

Segundo os mesmos há um conjunto de informações que dão conta do envolvimento de conhecidas figuras angolanas, algumas delas ainda no activo dos três partidos que participaram na luta de libertação do país.

Brevemente prometem organizar as informações numa obra que sintetiza a história da luta de libertação nacional. In “Novafrica” - Angola

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Brasil - Cientistas juntam-se ao Boticário para criar corantes cosméticos a partir de microrganismos

Um grupo de cientistas brasileiros vai utilizar fungos, bactérias e microalgas no processo de produção de corantes naturais para a indústria cosmética. Para isso, foi firmada uma parceria entre a Embrapa Agroenergia (DF) a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Grupo Boticário.

A pesquisa vai desenvolver-se no âmbito do projecto “Produção de corantes por via biotecnológica” com duração de dois anos e irá produzir as cores a partir da fermentação de microrganismos e microalgas.

“A gente acredita na capacidade de inovação brasileira e nas sinergias entre instituições de pesquisa tecnológica e empresas industriais”, afirma Paulo Roseiro, director de P&D do Grupo Boticário.

Consumo consciente

“O projecto de corantes naturais para cosméticos atende o desejo do consumo consciente. O consumidor está cada vez mais atento à origem e aos métodos de produção. A produção de novos conhecimentos facilita esse encontro”, afirma o director-presidente da Embrapii, Jorge Guimarães.

Por sua vez, Patrícia Abrão, pesquisadora da Embrapa que coordena o projecto conta que o trabalho usará a colecção de microrganismos e microalgas do centro de pesquisa que conta com mais de dez mil espécies da biodiversidade brasileira.



Desse banco, serão seleccionados os mais promissores para a produção de corantes por fermentação, e no fim do projecto, será identificado pelo menos um microrganismo produtor de corante com base nas características químicas.

Selecção de microrganismos

“Para desenvolver esse trabalho, iremos caracterizar quimicamente os corantes produzidos pelos candidatos seleccionados”. Além disso, será optimizado o cultivo de um microrganismo seleccionado para a produção de corante em meio de cultura. Esses corantes poderão ser empregados como pigmentos em cosméticos coloridos e também conferindo cor em outros tipos de formulações cosméticas.

A pesquisadora explica que a produção de corantes por bactérias fungos e microalgas é altamente influenciada pela fonte de carbono e nitrogénio utilizados, além de outros factores relacionados às condições de cultivo. Para isso, destaca Abrão, é necessário um estudo prospectivo com o objectivo de optimizar a produção dessas substâncias.

Embrapii financia um terço do projecto

Toda essa acção só foi possível pela parceria com a Embrapii, que financia um terço do projecto incentivando empresas privadas a investir em inovação.



A Embrapa participa com um terço do recurso total do projecto referente à contrapartida económica (estrutura e pessoal qualificado), e a empresa parceira também apoia o outro terço restante recurso financeiro.

“O investimento em inovação permite às empresas responderem às demandas por produtos mais sustentáveis apoiadas pelas Unidades Embrapii, que contam com toda estruturam, pesquisadores e profissionais capacitados para encontrar soluções às necessidades da indústria”, destaca Jorge Guimarães.

As pesquisas já começaram nos laboratórios da Embrapa Agroenergia com o suporte técnico de uma equipa de pesquisadores e analistas das áreas farmacêutica, biológica e engenharia química. In “Agricultura e Mar Actual” - Portugal