Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Portugal - Autocarro em Coimbra homenageia Camilo Pessanha

No centenário da morte de Camilo Pessanha (01/03/1926), a Câmara Municipal de Coimbra e os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos decidiram homenagear o poeta, que nasceu naquela cidade portuguesa, mas passou parte da vida em Macau, onde acabou por morrer. Assim, o autocarro 501 exibe um retrato do poeta, com a sua assinatura, acompanhado do verso que abre Clepsidra


O autocarro 501, que circula desde o início da semana em Coimbra, homenageia Camilo Pessanha, no ano em que se assinala o centenário da sua morte. A iniciativa partiu da Câmara Municipal de Coimbra e dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), que decidiram decorar a viatura com uma imagem evocativa do poeta, assinalando a sua vida e obra, segundo se pode ler numa nota publicada na página dos SMTUC.

O autocarro exibe um retrato de Camilo Pessanha, uma reprodução da sua assinatura e o verso que abre Clepsidra: “Eu vi a luz em um país perdido”. Camilo Pessanha (1867-1926) é considerado a principal figura do Simbolismo em Portugal e um dos mais importantes poetas da literatura portuguesa.

Nascido em Coimbra, licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, cidade onde iniciou a sua actividade literária. Em 1894, partiu para Macau, onde exerceu funções como professor de Filosofia e desempenhou diversos cargos na administração pública. Acabou por morrer no território, sendo que a sua campa se localiza no Cemitério de São Miguel Arcanjo.

A iniciativa da Câmara Municipal de Coimbra e dos SMTUC integra “uma estratégia de valorização de figuras maiores da cultura portuguesa com ligação a Coimbra”, segundo acrescenta o comunicado. Neste âmbito, no mês passado e a propósito da 37.ª edição da Feira do Livro de Coimbra, que teve como mote o livro A árvore das Palavras, foi dedicada uma outra viatura à escritora Teolinda Gersão.

Também no âmbito do centenário da morte de Pessanha, a Biblioteca Municipal de Coimbra associa-se às comemorações com duas iniciativas. Na Casa Municipal da Cultura, a exposição “Imagens de Coimbra na época de Camilo Pessanha (1867-1926)” estará patente até 28 de Setembro, com curadoria de Alexandre Ramires.

A exposição é organizada pela Divisão de Bibliotecas e Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Coimbra, em colaboração com o Centro de Literatura Portuguesa e com o Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, entidades promotoras das comemorações do centenário, às quais se associam igualmente a autarquia e a Universidade de Coimbra.

Além disso, realizou-se um recital performativo intitulado “Miragens do Nada – um olhar sobre a poesia de Camilo Pessanha”, apresentado pela Cooperativa Bonifrates. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Europa - Existe uma solução "imediata" para as energias eólica e solar na rede elétrica que está obsoleta?

“As ambições políticas não significam nada se os elétrons limpos ficarem presos em filas de conexão”


A rede elétrica "ultrapassada" da Europa está com dificuldades para acompanhar o crescimento das energias renováveis, mas especialistas afirmam que uma solução "imediata e sem intervenção" está prestes a ser descoberta.

Relatórios anteriores do think tank de energia Ember alertaram que mais de 120 GW de projetos de energia renovável previstos estão atualmente em risco devido a congestionamentos e "capacidade insuficiente da rede".

Para se ter uma ideia, uma central elétrica com capacidade de 1 GW poderia abastecer aproximadamente 876.000 residências durante um ano, caso elas consumam a média anual de 10.000 kWh de eletricidade.

Os parques solares e eólicos existentes também estão a ser limitados pela rede elétrica do continente, que foi originalmente construída em torno de centrais de carvão concentradas.

Isso, aliado à inflexibilidade da energia eólica e solar – que dependem das condições meteorológicas para a geração de energia, em vez da procura real – significa que enormes quantidades de energia limpa são desperdiçadas todos os anos.

Embora o armazenamento em baterias e o investimento a longo prazo na rede elétrica sejam frequentemente apontados como as únicas soluções reais para enfrentar este problema, uma nova análise da Ember descobriu que a Europa poderia adicionar 25 GW de energia eólica e solar em sete países da UE sem construir capacidade adicional na rede por meio da "hibridização".

O que é hibridização?

A hibridização combina tecnologias como energia eólica, solar e de armazenamento numa única conexão à rede elétrica. Imagine as três fontes a compartilhar a mesma "tomada" na rede de eletricidade.

A Ember afirma que, na Europa, as centrais hidroelétricas são "particularmente adequadas" para a hibridização, porque grande parte da sua capacidade de geração de energia fica ociosa durante o dia.

Isto ocorre porque as centrais hidroelétricas funcionam como baterias sob procura, que podem ter a sua produção aumentada quando o consumo de eletricidade aumenta (o que normalmente acontece no início da manhã e no início da noite, quando as pessoas estão em casa) ou operar com baixa produção nos horários de menor consumo.

“Ao adicionar energia eólica ou solar no mesmo ponto de conexão de uma central hidroelétrica, os desenvolvedores podem entrar em operação mais rapidamente e os operadores podem usar a infraestrutura da rede de forma mais eficiente – em média, dobrando a utilização – mantendo-se dentro dos limites de exportação”, afirma Elisabeth Cremona, líder de infraestruturas de energia da Ember.

O relatório constatou que, na Áustria, Bulgária, França, Itália, Portugal, Roménia e Espanha (os principais mercados de energia hidroelétrica da UE), a hibridização poderia integrar 18% das novas energias renováveis ​​previstas para 2030 sem exigir capacidade adicional na rede elétrica.

A hibridização oferece uma solução "imediata".

Dos sete mercados estudados pela Ember, apenas Portugal e Espanha possuem regras específicas para projetos híbridos. Os demais países carecem de "marcos regulatórios claros", segundo o relatório.

Os especialistas defendem, portanto, uma legislação nacional, juntamente com uma priorização mais rápida dos projetos híbridos, para remover as barreiras à implantação de energias renováveis ​​e fazer um melhor uso da infraestrutura existente.

“As ambições políticas não significam nada se os elétrons limpos ficarem presos em filas de conexão”, acrescenta Cremona. “Para os países que enfrentam congestionamentos, a hibridização oferece uma solução imediata e sem intervenção.” Euronews


terça-feira, 21 de julho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra e Critical FlyTech estabelecem parceria para reforçar formação e inovação no setor aeroespacial

Protocolo prevê colaboração no ensino, estágios e desenvolvimento de competências em Engenharia Aeroespacial


A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Critical FlyTech assinam, no próximo dia 22 de julho, quarta-feira, um protocolo de colaboração científica e pedagógica que pretende aproximar a formação universitária da realidade empresarial e contribuir para o desenvolvimento do setor aeroespacial em Portugal.

A cerimónia terá lugar às 10h00, na Sala do Conselho da FCTUC, no Polo II da Universidade de Coimbra, e contará com a presença do Diretor da FCTUC, Edmundo Monteiro, e por parte da Critical FlyTech, Ricardo Armas, CEO, e Gabriel Soumerou, CFO.

Com uma duração inicial de três anos, o protocolo estabelece um quadro de cooperação entre as duas instituições para promover a ligação entre a academia e a indústria, em particular nas áreas da engenharia aeroespacial e das tecnologias associadas.

Entre as principais iniciativas previstas está a participação de especialistas da Critical FlyTech em atividades letivas da nova Licenciatura em Engenharia Aeroespacial da FCTUC, através da realização de aulas, workshops e seminários, contribuindo para o enriquecimento curricular e para uma maior aproximação dos estudantes aos desafios do setor.

O protocolo contempla igualmente a criação de oportunidades de estágio para estudantes finalistas da FCTUC nas instalações da empresa, sediada no Parque Industrial de Taveiro, em Coimbra. Estes estágios poderão constituir uma porta de entrada para futuras oportunidades de emprego, de acordo com as necessidades da empresa e o perfil dos candidatos.

A Critical FlyTech é uma empresa portuguesa dedicada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para a Airbus, nos setores da aviação, espaço e defesa, apostando na inovação e na criação de tecnologias avançadas para aplicações de elevada exigência. Universidade de Coimbra - Portugal


Macau – 5100 alunos aprendem Português regularmente nas escolas e universidades

São 5100 os alunos que aprendem Português neste ano lectivo: mais de 3600 encontram-se a estudar num ambiente de ensino não superior em língua portuguesa, um aumento de 20% no espaço de dois anos escolares; enquanto mais de 1500 universitários frequentaram cursos em ou sobre a Língua de Camões, revelou a DSEDJ


No ano lectivo de 2025/2026, 10 escolas públicas ou particulares em Macau proporcionam um ambiente de ensino em língua portuguesa a mais de 3600 alunos. Em paralelo, no ensino superior, cinco instituições disponibilizavam 19 cursos em Português ou relacionados com a Língua de Camões, contando com mais de 1500 alunos, revelou a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) ao Jornal Tribuna de Macau. Segundo vincou, “o Governo da RAEM atribui importância ao ensino da língua portuguesa, empenhando-se em cultivar quadros bilingues versáteis em português alinhados com as necessidades de desenvolvimento de Macau”.

Face aos dados da DSEDJ referentes ao ano lectivo 2023/2024, o número de escolas que fornecem um ambiente em que a língua veicular de ensino era o Português subiu de oito para 10, e o número de alunos nesse ambiente registou um aumento de 20% (subiu de 3000 para 3600), no espaço de dois anos lectivos.

Ao mesmo tempo, no presente ano lectivo, mais de 110 docentes estão registados na DSEDJ como professores que leccionam a disciplina “Português”.

Quanto aos recursos pedagógicos, a DSEDJ lembrou que, para os enriquecer, elaborou e publicou os materiais didácticos de língua portuguesa para o ensino primário, tendo como referência o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas e as “Exigências das Competências Académicas Básicas da Educação Regular do Regime Escolar Local” sobre a língua portuguesa. Segundo observou, cerca de 90% das escolas que leccionam “Português” no ensino primário tomam como referência e utilizam esses materiais.

Em relação aos materiais didácticos do ensino secundário, apontou que já começaram a ser desenvolvidos de forma ordenada os trabalhos de elaboração, composição, concepção, revisão e correcção. Segundo a DSEDJ, são lançados sob a forma de recursos pedagógicos, com a versão electrónica a ser disponibilizada no sítio do Centro de Difusão de Línguas. Parte desses materiais já está disponível neste sítio e serão lançados mais.

Paralelamente, desde o lançamento no ano lectivo 2023/2024, o “Programa de Iniciação de Aprendizagem da Língua Portuguesa” com duração de quatro anos – composto por cursos faseados de Português, actividades de aprendizagem diversificadas, experiência cultural e exame de proficiência da língua – já atraiu mais de 450 aprendentes/vezes. O curso é destinado aos alunos locais no 2º ano do ensino secundário geral ou num nível ainda superior, interessados em prosseguir os estudos em Portugal ou frequentar cursos de ensino superior relacionados com o Português, cuja língua materna não é o Português.

Os alunos de ensino não superior podem ainda participar na “Viagem de estudo de língua e cultura no Verão – Programa de estudo em Portugal”. No âmbito deste programa, 65 frequentaram cursos intensivos de Português em Portugal, nos últimos dois anos, indica a DSEDJ.

Numa perspectiva geral, o organismo liderado por Kong Chi Meng sublinha que, na esfera do ensino não superior, o Governo da RAEM “empenha-se em, através de uma formação sistemática, cultivar, desde a infância, as competências de compreensão oral, expressão oral, leitura e escrita na língua portuguesa de alunos necessitados ou interessados” nesta área, cabendo às escolas a promoção da língua portuguesa, através de currículo regular, actividades extracurriculares ou complementares.

Num contexto em que o País atribui a Macau o posicionamento como Plataforma Sino-Lusófona e o papel enquanto “interlocutor de precisão” entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a DSEDJ mencionou anteriormente a meta de “construir activamente a Base de Formação de Quadros Qualificados Bilingues em Chinês e Português”.

Ensino nas universidades em “desenvolvimento estável”

Na esfera do ensino superior, a DSEDJ observa que, “nos últimos anos, os cursos relacionados com a língua portuguesa têm apresentado um desenvolvimento estável”. Em 2025/2026, mais de 1500 frequentam 19 cursos em Português ou ligados a este idioma, ministrados por cinco instituições, cenário quase idêntico ao verificado há dois anos lectivos.

Em 2014/2015, quatro universidades disponibilizavam mais de 10 cursos ligados à Língua de Camões, que, na altura, contavam com cerca de 700 alunos.

Por outro lado, de acordo com as estatísticas do plano “Subsídio para Aquisição de Material Escolar a Estudantes do Ensino Superior” do Fundo Educativo, entre 2020/2021 e 2024/2025, uma média de cerca de 200 alunos por ano lectivo deslocou-se a Portugal para frequentar cursos superiores.

Nesta vertente, a DSEDJ concluiu que, com o intuito de alargar os canais de prosseguimento de estudos em Portugal para os estudantes de Macau, nos últimos anos, tem cooperado com diversas instituições de ensino superior portuguesas, tendo lançado o “Programa de Estudos superiores na Universidade do Porto para alunos da RAEM” e o “Programa de Estudos na Universidade Católica Portuguesa para alunos de Macau”. Assim, alunos da RAEM do secundário podem frequentar cursos de licenciatura ou cursos integrados de licenciatura e mestrado dessas instituições.

Em Abril deste ano, a DSEDJ celebrou um acordo de cooperação em termos do prosseguimento de estudos com o Instituto Português do Oriente e a Universidade de Coimbra, para oferecer mais opções no prosseguimento de estudos em Portugal.

Segundo a DSEDJ, em paralelo, o Governo tem vindo a impulsionar o intercâmbio e cooperação com Portugal na área do ensino do Português, apoiando as instituições de ensino superior públicas e privadas na promoção de cooperações interinstitucionais e no desenvolvimento de projectos.

As acções concretas, segundo exemplifica, compreendem conceder a instituições de ensino superior privadas apoios financeiros para a formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português e para a cooperação na educação. Além disso, coordenar instituições de ensino superior locais para a criação da “Aliança para Formação de Quadros Bilingues Qualificados nas Línguas Chinesa e Portuguesa” (composta pela Universidade de Macau, Universidade Politécnica, Universidade de Ciência e Tecnologia, Universidade da Cidade e Universidade de São José), que aborda a cooperação no ensino e na investigação científica, intercâmbio de quadros, difusão da língua, entre outros domínios, com vista a aprofundar o intercâmbio e cooperação entre as instituições de ensino superior chinesas e portuguesas.

Por outro lado, o organismo frisa que tem impulsionado instituições de ensino superior das duas partes a celebrarem acordos em matérias como a partilha das informações de aprendizagem, intercâmbios pedagógicos e académicos, e cooperação em mobilidade de pessoal. Isto “proporciona aos jovens estudantes oportunidades diversificadas de aprendizagem, prática e desenvolvimento, aumentando assim a sua competitividade e qualidade geral”, destaca.

2800 usaram PDAC para aprender Português

No domínio da educação comunitária, a DSEDJ continua a apostar no Centro de Difusão de Línguas (CDL) e no Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo (PDAC) como canais através dos quais os residentes podem ter acesso a oportunidades de aprendizagem da Língua de Camões.

O CDL disponibiliza regularmente cursos em Português para os residentes conhecerem e dominarem a língua e a cultura portuguesas básicas. Segundo revelou a DSEDJ, nos últimos cinco anos, o Centro realizou mais de 300 cursos, com as vagas a superarem 1600.

Já no âmbito do PDAC, 33 instituições participantes lançaram cursos de Língua Portuguesa entre 2021 e 2025, tendo o número de inscritos atingido quase 2800. Focadas em diferentes dimensões, como “formação técnica” e “artes liberais”, essas actividades disponibilizam cursos para aprendizagem de Português aos residentes que possuam um certo nível de conhecimentos básicos da língua, estejam empregados ou interessados, descreve a DSEDJ. Em 2014, havia cerca de 10 instituições participantes no PDAC com este tipo de curso, altura em que havia cerca de 300 inscritos.

Segundo os dados mais actualizados dos Serviços de Estatísticas e Censos, entre 2011 e 2021, período em que a população local de Macau aumentou 16,63% para 550.374, o número de residentes que dominavam a língua portuguesa subiu quase 20,7% para 14.939. Este número representava apenas 2,71% do total dos residentes em 2021, sendo ainda assim ligeiramente superior aos 2,62% anotados em 2011.

No mesmo intervalo temporal, o número de habitantes locais que têm o Português como língua corrente cresceu 3,96% para 3751. O grupo de residentes que falavam Português no seu dia-a-dia correspondia a 0,68% da totalidade em 2021, aquém dos 0,76% registados em 2011. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


UCCLA - Lançamento do livro “Se a terra pudesse falar - Memórias de um tempo - Timor” de Luís Costa

Vai ter no dia 31 de julho, às 16h30, o lançamento do livro Se a terra pudesse falar - Memórias de um tempo - Timor da autoria de Luís Costa, no auditório da UCCLA.

A obra será apresentada pela Professora Lúcia Soares.

O lançamento do livro será transmitido, em direto, através da página do Facebook da UCCLA em:

https://www.facebook.com/UniaodasCidadesCapitaisLinguaPortuguesa


Sinopse:

(O tempo timorense)

Escrevo com intenção de perpetuar a glória de um povo que soube organizar-se para resistir, sob todas as formas, à agressão indonésia e manter, nas montanhas, uma guerrilha que, de armas na mão, procurou manter viva a chama do direito à autodeterminação.

Escrevo com intenção de refletir sobre os atos realizados, a fim de não sacrificar mais este martirizado povo e com vontade de contribuir para a felicidade do povo de Timor-Leste.

Escrevo com intenção de ajudar a comunidade timorense, na diáspora, a desenvolver e manter viva a sua identidade cultural e histórica. Escrevo para divulgar a situação em Timor, e a sua cultura, alertando a opinião pública para o drama do povo e para os crimes de genocídio físico e cultural que a Indonésia está a perpetrar no território de Timor. Escrevo para afirmar que o sofrimento e a morte nunca hão de destruir a vontade do povo que quer consolidar a sua identidade. Escrevo para afirmar que nenhum sistema, político e social, poderá fazer desaparecer Timor, como Nação.

Rendo homenagem à Fretilin que, durante os anos mais difíceis da sua luta, soube politizar o povo para que não se deixasse subjugar e soubesse organizar os gloriosos guerrilheiros para resistir à agressão indonésia.

Reconheço os erros dos membros da Fretilin. Reconheço os abusos praticados por alguns responsáveis, menos conscientes, e por elementos das Falintil que, no ambiente de euforia, esquecerem-se das suas responsabilidades. Mas a eficácia das ações realizadas pela Fretilin ultrapassou, de longe, os reveses de momento.

Em poucos meses de existência como partido que lutou por um ideal e como partido que governou o território, a Fretilin soube incutir o espírito crítico na mente de todos; a Fretilin e só a Fretilin é que criou condições para a vitória final - a libertação.

Presto louvor à Igreja Católica de Timor-Leste que mantém a sua vontade de lutar pela liberdade de um povo e não se cansa nem se intimida, apesar das ameaças, em proclamar que Timor é para os timorenses.

Este manuscrito tem muitas falhas referentes a nomes de pessoas com quem trabalhei, convivi e sofri nas montanhas, referentes a lugares por onde passei e por onde passámos. Pois, os primeiros apontamentos foram queimados em Kasohan em 1979, o segundo foi desfeito por mim em Díli antes de sair para Jakarta, e este é o resultado duma terceira tentativa que pode ser traída pela memória. A todos com quem convivi e partilhei alegrias e tristezas peço compreensão, mas fica para sempre a amizade e carinho de quem muito vos estima e de vocês guarda recordações inesquecíveis.

Biografia:

Luís Costa nasceu a 13 de dezembro de 1945, em Fatu-Berliu, Timor. Iniciou os estudos no Colégio de Soibada e prosseguiu o ensino secundário em Dare. Mais tarde, frequentou cursos de Filosofia e Humanidades em Macau e Évora, concluindo Teologia em Leiria.

Em novembro de 1974 regressou a Timor, onde trabalhou na missão de Ossú. Com a invasão de 1975, refugiou-se nas montanhas, permanecendo ali até abril de 1979. Após o regresso a Díli, ensinou no Externato de São José e, em 1980, traduziu para tétum o Missal Romano, incluindo orações e leituras.

Em novembro de 1983 mudou-se para Portugal, onde participou ativamente na divulgação da resistência timorense. Frequentou cursos de fonética e morfologia, e dedicou-se à pesquisa e ensino da língua e cultura de Timor-Leste.

Professor, investigador e autor, Luís Costa tem sido uma figura fundamental na preservação da língua tétum e na formação de jovens timorenses, tanto em Timor como em Portugal. Como atividades paralelas, Luís Costa ajuda na preparação de professores e cooperantes para melhor compreender a história, cultura e sociedade de Timor-Leste, e dá apoio a estudantes timorenses na elaboração de monografias e pesquisas universitárias.

Bibliografia: Dicionário Tétum-Português (2000); Guia de Conversação Português-Tétum (2001); Língua Tétum: Contributos para uma Gramática (2015); Ué-Lenas: Lenda (2016); e, em preparação, Dicionário Português-Tétum e Timor Lorosa’e (monografia).


Moçambique - Obedes Lobadias lança programa de formação em declamação de poesia

O declamador, escritor e dinamizador cultural, Obedes Lobadias, lança o WORD – Workshop de Declamação de Poesia, uma iniciativa de formação artística concebida para o desenvolvimento técnico, interpretativo e performativo de declamadores e demais interessados na arte de dar voz, alma e vida à palavra.


Nesta fase inaugural, o projecto realiza duas edições consecutivas, nas cidades de Maputo e Xai-Xai, marcando o início de um programa que se fundamenta na convicção de que a declamação constitui uma importante expressão artística e um poderoso instrumento de promoção da literatura, da leitura, da oralidade e da sensibilidade humana, fortalecendo, simultaneamente, a capacidade de comunicação e afirmando-se como um activo estratégico para o fortalecimento das indústrias culturais e criativas e para o desenvolvimento humano, educativo, cultural, social e cívico. Mais do que uma oficina artística, assume-se como uma ferramenta de construção, crescimento e transformação.

A edição de Xai-Xai representa o compromisso do projecto com a descentralização das oportunidades de formação artística de qualidade, promovendo a partilha de conhecimentos, o intercâmbio de experiências e a valorização de novos talentos, numa abordagem predominantemente prática, criativa e transformadora.

O programa privilegia a prática, a experimentação e a reflexão crítica, proporcionando aos participantes ferramentas técnicas e criativas para o aperfeiçoamento das suas competências expressivas e performativas.

O WORD é orientado por Obedes Lobadias, destacado declamador de poesia em Moçambique. É também escritor, activista, director artístico e dinamizador cultural, com experiência significativa na concepção, curadoria, produção e gestão de eventos. Integra regularmente júris de concursos de declamação de poesia e é co-fundador do Declamatório, do sarau cultural “Ao vivo & em verso” e de outros projectos de diferentes áreas de intervenção. Corredor Nacional - Moçambique


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Centro de Estudos Internacionais Iscte – Convite para assistir à exibição do filme "A Bem da Nação" no Museu do Aljube

No âmbito do projeto "Memórias da Resistência: A luta armada contra a ditadura em Portugal", da investigadora Raquel Beleza da Silva, financiado pela FCT e pela Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, convidamo-lo(a) para a sessão do filme "A Bem da Nação: Um filme em construção", de Miguel Dores, apresentada pelo coletivo Maus da Fita.

A apresentação terá lugar no próximo 28 de julho, às 18h00, no Museu do Aljube. A sessão é de entrada livre, sujeita à lotação do espaço.


Sinopse

Após a eleição fraudulenta de Américo Tomás em 1958, e a fuga de Humberto Delgado, Portugal vive uma tempestade silenciosa. A frustração da via democrática e o esforço de guerra em África tornarão os anos 60 em Portugal um período de grande convulsão. 50 anos após a Revolução dos Cravos, A BEM DA NAÇÃO retorna à memória deste período telúrico e insurrecional, a partir das vozes dos operacionais da LUAR (Liga de Unidade e Ação Revolucionária), ARA (Ação Revolucionária Armada) e BR (Brigadas Revolucionárias). Centro de Estudos Internacionais Iscte - Portugal