Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 2 de maio de 2026

Cabo Verde - “Suficiente” é novo single da cantora e compositora Soraia Ramos

Cidade da Praia – A cantora e compositora cabo-verdiana, Soraia Ramos, lançou nas plataformas digitais, um novo single, intitulado “Suficiente”.

O título remete para uma canção que, de acordo uma nota enviada à Inforpress, nasce da experiência universal de dar tudo por alguém e, ainda assim, sentir que nunca é o bastante.

Entre chamadas sem resposta, discussões repetidas e tentativas falhadas, a música constrói-se, de acordo a mesma fonte, como um desabafo íntimo onde a dor não vem da falta de amor, mas da impotência de não conseguir preencher o outro.

"O refrão traduz essa ferida com uma simplicidade desarmante: Diz-me o que é que falta, se o amor que eu te dava nunca foi suficiente, pra ti", realça.

A canção percorre um equilíbrio delicado entre a força e a vulnerabilidade, alternando entre português e crioulo, elementos que reforçam, conforme a mesma fonte, a identidade artística de Soraia Ramos e aproximam ainda mais o ouvinte da sua verdade.

Mais do que uma música de amor, "Suficiente" é, segundo a autora, uma confissão crua sobre o peso de amar alguém que nunca soube reconhecer tudo o que recebeu.

“Retrata algumas emoções com as quais nós podemos, eventualmente, identificar a dada altura das nossas vidas, levantando também questões sobre a dependência versus interdependência nas relações amorosas”, refere a nota.

O single explora de que forma a felicidade e a segurança emocional podem ser influenciadas ou não pela validação e a necessidade de aprovação do outro, podendo afectar a confiança e o amor-próprio.

Este novo trabalho de Soraia Ramos sucede ao lançamento do tema “Fujo contigo”, de Nuno Ribeiro, que conta com a participação da artista.

A mesma nota realça que a artista cabo-verdiana actuará no dia 19 de Julho no festival Meo Marés 2026, em Portugal.

Soraia Ramos, cantora e compositora luso-cabo-verdiana, nasceu em Portugal onde viveu até aos 15 anos, antes de se mudar com sua família para a França e, posteriormente, para a Suíça.

Desde muito cedo demonstrou uma conexão profunda com a música, compartilhando essa paixão inicialmente com aqueles que lhe eram mais próximos, tendo já lançado vários trabalhos de sucesso. In “Inforpress” – Cabo Verde


sexta-feira, 1 de maio de 2026

Moçambique - Marrumbine Novela lança obras sobre segurança pública na ACIPOL

A Academia de Ciências Policiais (ACIPOL) acolhe, no próximo dia 15 de Maio, pelas 15h00, na Sala dos Grandes Actos do seu campus, a apresentação oficial de duas novas obras literárias do Mestre Francisco Marrumbine Novela, num evento que promete reforçar o debate académico sobre segurança pública e relações internacionais no país.


Com enfoque nos desafios contemporâneos da segurança e na política externa moçambicana, a cerimónia destaca o lançamento dos livros Segurança Pública: Leitura e Interpretação de Fontes Abertas de Informação e A Política Externa de Moçambique para África do Sul: Uma Abordagem na Área de Segurança Pública, ambos publicados pela Massinhane Edições.

A primeira obra propõe uma leitura aprofundada sobre o papel das fontes abertas de informação (OSINT) na análise e apoio à tomada de decisões em matéria de segurança pública, abordando fenómenos como criminalidade, terrorismo, migrações, geocriminalidade e policiamento democrático, com foco na realidade moçambicana.

Já a segunda obra oferece uma reflexão crítica sobre a política externa de Moçambique em relação à África do Sul, explorando as dinâmicas da cooperação regional em segurança e o posicionamento estratégico do país na África Austral.

Segundo informação disponibilizada pela editora, estas publicações representam um importante contributo para o fortalecimento do pensamento científico nacional e para a produção de conhecimento em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país.

O evento deverá reunir académicos, especialistas em segurança, estudantes e público interessado, num espaço de reflexão e partilha sobre temas centrais para o presente e futuro de Moçambique. Rivaldo Massunda – Moçambique in “Moz Entretenimento”


Moçambique - Paulina Chiziane distinguida como “Melhor Escritora de África” no African Award 2026

A escritora moçambicana Paulina Chiziane foi distinguida como “Melhor Escritora de África de 2026” no African Award – Creators and Directors Excellence 2026, prémio que reconhece figuras de destaque na promoção da cultura africana através da literatura, arte e criatividade.


A distinção reforça o impacto do percurso literário de Paulina Chiziane, considerada uma das vozes mais influentes da literatura africana contemporânea e referência na valorização das identidades, memórias e narrativas do continente.

A cerimónia de premiação decorreu na noite de 28 de abril, no EPIC SANA, reunindo personalidades ligadas ao cinema, moda, música e outras áreas criativas, numa celebração dedicada a talentos que têm contribuído para a afirmação cultural de África.

O reconhecimento surge como mais um marco na trajectória da autora, cujo trabalho continua a projectar a literatura moçambicana além-fronteiras e a consolidar o seu nome entre os maiores expoentes culturais do continente. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


UCCLA - Ricardo Henrique Rao é o vencedor do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa

Na data em que se comemora o Dia Mundial da Língua Portuguesa - 5 de maio -, a UCCLA vai anunciar que o livro “Antologia Brutalista”, de Ricardo Henrique Rao, é o vencedor da 11.ª edição do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa. O anúncio será feito na Biblioteca das Galveias, em Lisboa, às 17 horas, no âmbito do Festival Literário de Lisboa - 5L.


De referir que Ricardo Henrique Rao é de nacionalidade italo-brasileira, tem 55 anos, e estará presente na sessão.

Esta edição do prémio reuniu 650 candidaturas, oriundas de diversos países não só de língua portuguesa - como Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique -, mas também da Alemanha, França, Itália, Reino Unidos, Países Baixos, entre outros.

O Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa é uma iniciativa da UCCLA que conta com a parceria da Câmara Municipal de Lisboa e editora Guerra e Paz, e com o apoio do Movimento 2014 - 800 anos da língua portuguesa. Já foram editadas 12 obras (10 primeiros prémios e 2 menções honrosas, cujos autores - 5 portugueses e 5 brasileiros), são maioritariamente jovens. Os 4 primeiros livros foram publicados pela A Bela e o Monstro, e os restantes 6 com a chancela da Guerra e Paz.

O prémio foi criado em 2015 e tem como objetivo estimular a produção de obras literárias, nos domínios da prosa de ficção (romance, novela, conto e crónica) e da poesia, em língua portuguesa, por escritores que nunca tenham publicado uma obra literária.

O júri desta última edição foi constituído pelas seguintes personalidades do mundo literário e cultural de língua portuguesa: 

Hélder Simbad (ex-diretor da Biblioteca Nacional de Angola);

Godofredo Oliveira Neto (representante da Academia Brasileira de Letras, Brasil);

Germano de Almeida (Prémio Camões de Cabo Verde);

Yao Jingming (professor catedrático e jubilado da Universidade de Macau);

Tony Tcheka (presidente da Associação de Escritores da Guiné-Bissau, escritor e editor da Guiné-Bissau);

Luís Carlos Patraquim (poeta laureado de Moçambique);

José Pires Laranjeira (professor jubilado de Literatura Africana da Universidade de Coimbra, Portugal);

Luís Cardoso (romancista laureado de Timor-Leste);

João Pinto Sousa (Movimento 800 anos de Língua Portuguesa e cofundador do Prémio);

Rui Lourido (coordenador do júri em representação da UCCLA).

Vencedores das edições anteriores:

Publicações da editora Guerra e Paz:

10.ª edição: Boi de Claúdio da Silva (Angola e Portugal);

9.ª edição: Cantagalo de Fernanda Teixeira Ribeiro (Brasil);

8.ª edição: Breviário de Medo e Malícia de Leonel Araújo Barbosa (Portugal);

7.ª edição: Caligrafia de Alexandre Siloto Assine (Brasil);

6.ª edição: O Sonho de Amadeu de Leonardo Costa Oliveira (Brasil);

5.ª edição: O Heterónimo de Pedra de Henrique Reinaldo Castanheira (Portugal);

 

Publicações da editora A Bela e o Monstro:

4.ª edição: Praças de António Pedro Serrano de Sousa Correia (Portugal/Angola);

3.ª edição: Equilíbrio Distante de Óscar Maldonado (Paraguai/Brasil);

2.ª edição: Diário de Cão de Thiago Rodrigues Braga (Brasil);

1.ª edição: Era uma vez um Homem de João Nuno Azambuja (Portugal).


Angola – 1.ª edição do Sarau Poético exalta beleza e sensibilidade

O Centro Cultural Teatro Mar, situado no Futungo de Belas, em Luanda, realiza, hoje, sexta-feira, 1 de Maio, a 1.ª edição do “Sarau Poético”, um evento que procura elevar as características, a beleza e a sensibilidade da poesia angolana num palco onde a arte é vivida com intensidade

Projectado como uma iniciativa cultural para enaltecer e celebrar a poesia enquanto forma de expressão artística e de reflexão, o Sarau Poético assume-se como um espaço onde os amantes e apreciadores da poesia são convidados a expressar sentimentos, retirar da alma o que pouco é dito, com palavras, e expô-las por meio da poesia.

Nesta edição inaugural, o evento contará com a presença do artista Astronauta, que assinará o início de um ciclo de eventos, com foco em poesia, orientado para a partilha de experiências, valorização da palavra e fortalecimento do vínculo entre poetas e o público.

Segundo a direcção do Teatro Mar, o sarau assumirá um carácter intimista, visando criar proximidade entre o público e o artista convidado, podendo, deste jeito, o artista interagir com a plateia e criar um ambiente envolvente por meio da sua arte.

A interlocutora, que preferiu não ser identificada por não ser a responsável da área de comunicação da organização, avançou-nos que, nas próximas edições, pretendem proporcionar um ambiente em que se pode fortalecer a confiança e o talento de poetas emergentes e consagrados, com estímulo à expressão individual e/ou colectiva e ao desenvolvimento artístico.

“Com esta iniciativa, o Centro Cultural Teatro Mar reafirma o seu compromisso com a dinamização cultural e com a criação de espaços dedicados à valorização da Poesia e dos Poetas”, disse a jovem. Ressaltou que o principal objectivo do Sarau é olhar para a arte e dar oportunidade a vozes conhecidas, assim como dar oportunidades a quem nunca foi ouvido.

“Dar voz à comunidade, com abertura à partilha de vivências, identidades e narrativas diversas”, frisou. Ressaltou que a poesia é das poucas expressões artísticas que nos permite interiorizar o significado cultural, expressar sentimentos e tornar um público-alvo participativo naquilo que é escrito e/ou declamado.

Avançou que o Sarau terá início a partir das 19h00 e promete ser um momento único e inesquecível, em que a arte da palavra estará no centro da atenção e, ao mesmo tempo, será o ponto de transformação e conexão. In “O País” - Angola


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Portugal - Encontro “Esta Língua que Nos Une” na cidade do Porto

O Centro Português de Fotografia (sito na antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto - Largo Amor de Perdição), no Porto, vai receber, no dia 5 de maio - Dia Mundial da Língua Portuguesa -, o encontro “Esta Língua que Nos Une”, uma iniciativa dedicada à língua portuguesa como espaço vivo de criação literária, memória partilhada, circulação cultural e futuro comum entre Portugal, Brasil e o mundo lusófono. O evento é promovido pela Associação Portugal Brasil 200 anos, em parceria com a UCCLA e o Centro Português de Fotografia.


O encontro irá juntar escritores, intelectuais, curadores, professores e representantes institucionais dos dois lados do Atlântico para pensar a literatura como território comum da língua portuguesa.

A entrada é livre, mas sujeita à lotação do espaço. Poderá confirmar a sua presença para os números +351 218172950 ou +55 11995737932 (whastApp) ou através do email uccla@uccla.pt.

A iniciativa conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, do Instituto Guimarães Rosa, do Consulado-Geral do Brasil no Porto, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, do Centro Português de Fotografia, através da cedência do espaço, e do Hotel Vila Galé Porto, através do apoio à hospedagem.

O conceito curatorial parte de uma ideia central: a língua portuguesa não é uma herança imóvel, mas uma casa em movimento. Ao longo de um dia de programação, o encontro propõe o português como plataforma de pensamento crítico, diplomacia cultural, criação artística e cooperação entre comunidades.

O programa estrutura-se em torno de três eixos curatoriais - invenção, travessia e futuro - que traduzem a visão da Associação Portugal Brasil 200 anos para a cidadania da língua: uma língua que não se limita a comunicar, mas cria pertença, confiança, cooperação e novas possibilidades culturais.

A sessão de abertura, às 10 horas, contará com intervenções de Teresa Leitão, senadora brasileira, Luís Álvaro Campos Ferreira, Secretário-Geral da UCCLA, e José Manuel Diogo, presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos.

Às 10h30, a primeira mesa, “A Língua em Estado de Invenção”, reúne o escritor brasileiro Sérgio Rodrigues e o ensaísta português Arnaldo Saraiva, com moderação de José Manuel Diogo. A conversa abordará a língua como criação viva, cruzando norma, desvio, humor, literatura, modernismo, oralidade e identidade.

O projeto “O Mundo da Lusofonia”, desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas da Caparica, com parceria pedagógica da UCCLA e participação de escolas de Portugal, Cabo Verde e Brasil, será apresentado pelas 12 horas. A iniciativa trabalha a língua portuguesa como instrumento de comunicação, colaboração entre povos, cidadania global e valorização da diversidade multicultural dos países de língua oficial portuguesa. Participam na apresentação os professores Bruno Coimbra e Helena Silva, a Secretária-Geral Adjunta da UCCLA, Paula Leal Silva, e a coordenadora da Área Social da UCCLA Princesa Peixoto.

Pelas 15 horas decorrerá a segunda mesa “Corpo, Memória e Travessia”, reunindo o escritor brasileiro Álvaro Filho e a escritora portuguesa Inês Pedrosa, com moderação da artista, curadora e investigadora Ângela Berlinde. A conversa discutirá como os corpos atravessam países, afetos e imagens, e como a literatura regista pertencimento, desenraizamento, amor, memória, perda e reinvenção.

Às 16h30, a terceira mesa “Poesia, Mundo e Futuro da Língua”, contará com a participação de José Gardeazabal e do poeta brasileiro José Inácio Vieira de Melo, com moderação de Maria Bochicchio. A conversa propõe pensar a poesia como o lugar onde a língua portuguesa continua a arriscar o futuro - entre oralidade e escrita, voz, ritmo, corpo, território, memória e tempo histórico.

Pelas 17h45, terá lugar o lançamento da Leitura Coletiva Global de Os Lusíadas, projeto internacional concebido pela Associação Portugal Brasil 200 anos. A iniciativa convoca leitores de diferentes países lusófonos e das diásporas a partilharem, em voz alta, estrofes do poema camoniano, afirmando Os Lusíadas como património simbólico que atravessa nações, sotaques e gerações.

O encerramento, às 18h15, será marcado por um recital de José Inácio Vieira de Melo, poeta, jornalista e curador alagoano radicado na Bahia. A apresentação celebrará a musicalidade e a força da língua portuguesa através de textos clássicos e contemporâneos. UCCLA

Programa


Brasil - Líder indígena afirma que o país pode ter o primeiro partido político dos povos indígenas

Marcos Terena, do Mato Grosso do Sul, participou no Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, na ONU, em Nova Iorque. Segundo ele, o sonho de criar uma legenda partidária para defender os povos originários “não morreu” e continua a ser debatido por vários representantes indígenas de norte a sul do país


O Brasil pode ver nascer, nos próximos quatro anos, o primeiro partido político dos povos indígenas. O objetivo é criar uma legenda para representar os povos originários nos mais altos escalões do poder e decisões nacionais, que afetam a vida de todos os cidadãos brasileiros.

A declaração é do líder indígena Marcos Terena. Nascido no Mato Grosso do Sul, ele integra a luta pelos direitos dos povos indígenas, há várias décadas, inclusive em Brasília, onde vive e trabalha.

Mais de mil indígenas na ONU

Terena veio a Nova Iorque para participar da 25.ª Sessão do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas. Este ano, o encontro debateu o acesso à saúde para os indígenas incluindo durante conflitos.

Nessa entrevista à ONU News, Marcos Terena garantiu que o sonho de fundar o próprio partido não morreu para os indígenas e está a ser debatido por lideranças da causa de norte a sul do Brasil.

“O indígena, hoje no Brasil, tem ideologia também de esquerda, de direita. Tem muita gente que apoia o agronegócio. Tem muita gente que apoia o movimento de esquerda, né? Mas a construção do Partido Indígena, talvez quando esses indígenas se elegerem, seja possível através de uma recomendação dos próprios indígenas. Eu espero que sejam eleitos nessa eleição como senadores, como deputados federais e estaduais também.

ONU News: Então o sonho ainda existe?

Marcos Terena - Existe. A gente não pode matar esse sonho. Esse é um sonho de representação. Você imagina um Parlamento indígena com 300 membros que não são necessariamente partidários, mas que são 300 membros que vão representar sociedades indígenas distintas, línguas distintas dentro do Congresso Nacional?”

Pobreza extrema e conceito ideológico

O Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas foi aberto pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e pela presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock. Com mais de mil indígenas e integrantes da sociedade civil.

Guterres lembrou que os povos indígenas representam 6% de toda a população global e quase 19% das pessoas que vivem em pobreza extrema no mundo.

À margem do evento, com mais de mil pessoas, Marcos Terena contou que há avanços registados não somente no Brasil, como em outras partes do mundo, mas que somente uma força política dedicada aos povos originários poderia levar mais melhorias à vida dos indígenas brasileiros

Para Marcos Terena, que participou da criação do Fórum Permanente sobre Assuntos dos Povos Indígenas, em 2006, na sede da ONU, é preciso ainda criar “um conceito ideológico indígena” dentro do Brasil para que as crianças possam saber, desde pequenas, que são parte de uma nação advinda desse grupo étnico e de outros como europeus e africanos. Uma lição que iria além dos atuais livros escolares que retratam este encontro de culturas e raças.

Línguas esquecidas ou rejeitadas?

“A educação que é levada para as crianças hoje na aldeia é a educação formal levada do homem branco para os indígenas. Ou seja, não há uma educação nascida do sistema educacional de cada comunidade. Se fosse, seria uma maravilha porque prepararíamos as nossas crianças a não esquecer a língua. A primeira coisa que o indiozinho esquece é a língua porque ele tem de aprender o famoso bê-á-bá do português. Então, quando ele chega ali no Ginasial, ele já não quer mais falar (a língua indígena). Ele pode até entender. Como é o meu caso da criança. Tem vergonha da sua língua, da sua origem, da sua tradição. O sistema de educação é cruel. Ele anula a cabeça do indígena. Tira a gente de uma situação de dignidade indígena, dos vários povos e transforma ele num zumbi, andando de lá para cá no meio da cidade.”

Ministério e Câmara

Em fevereiro deste ano, a página do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, no Brasil, divulgou um artigo sobre a presença de representantes indígenas em audiências públicas da Corte.

Presentes a um encontro em Brasília, representantes dos povos Tikuna, da Amazónia, e Fulni-ô, de Pernambuco, defenderam mais candidaturas de indígenas. O evento incluiu interpretação das línguas indígenas tikuna, yaathe (fulni-ô) e kaingang.

Em 2018, o Brasil elegeu a primeira mulher indígena para a Câmara de Deputados, Joênia Wapichana. O primeiro deputado indígena da Câmara foi Mario Juruna, que venceu o pleito em 1982.

Há três anos, foi criado o Ministério dos Povos Indígenas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Ministério, o Brasil tem 305 povos indígenas e uma população de mais 1,7 milhão de pessoas. Monica Grayley – Brasil ONU News