Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 13 de março de 2026

Moçambique propõe rede global de justiça social para fim da violência contra mulher

A Ministra do Trabalho, Género e Ação Social apresentou proposta em evento paralelo da 70.ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, em Nova Iorque. Moçambique aposta no empoderamento económico como caminho para reduzir agressões, em nível nacional iniciativas reforçam rede de atendimento a vítimas e envolvem influenciadores digitais na sensibilização da população


Para acabar com a violência de género é preciso eliminar a pobreza feminina. Essa é a mensagem que Moçambique quer marcar na 70.ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, que acontece na sede da ONU, em Nova Iorque, até 19 de março.

Em entrevista para a ONU News, a ministra do Trabalho, Género e Ação Social de Moçambique, Ivete Alane, revelou que o país está a propor a criação de uma articulação internacional para proteger as mulheres com abordagens que passam pelo empoderamento económico.

Relação entre pobreza e violência de género

“Assumimos dois compromissos, que é a zero violência e a eliminação da pobreza feminina. E nós viemos para esta sessão da CSW com um evento paralelo com a intenção de criarmos uma rede global de justiça social para o fim da violência baseada no género e a eliminação da pobreza feminina. E foi um evento bastante importante que nós realizamos à margem da CSW, em que tivemos diversos países que partilham dos mesmos objetivos e opiniões que nós temos, que assumem que existe uma ligação intrínseca, difícil de separar, entre a pobreza e a violência baseada no género”.

A ministra disse que o evento paralelo também serviu para colher experiências de outros países e definir novas parcerias para avançar em ações de igualdade de género.

Expansão do atendimento às vítimas

A nível nacional, ela destacou o lançamento recente do programa “Empodera”, que é focado na prevenção da violência baseada no género por meio de estratégias de sensibilização e reforço da rede de cuidados para sobreviventes.

“Vai ser um programa que prevê a expansão dos centros de atendimento integrados. Portanto, são centros que atendem vítimas da violência, onde as vítimas encontram no mesmo local todos os serviços que elas precisam para poderem ser devidamente atendidas sem ter de passar por várias portas de entrada, temos uma única porta de entrada. Aí a vítima evita passar por uma questão de revitimização. Não tem de contar a história várias vezes sobre o que aconteceu”.

Ivete Alane explicou que, nesses centros, as vítimas que forem vítimas atendidas poderão ter acesso a pacotes de empoderamento económico da mulher.

Influenciadores digitais apoiam combate ao feminicídio

A ministra destacou a importância do envolvimento de diversos setores da sociedade no combate à violência de género, inclusive celebridades e influenciadores das redes sociais.

“Nós estamos agora a iniciar uma campanha de combate ao feminicídio, que é uma das formas mais agressivas da violência baseada no género. E estamos a envolver os influenciadores, estamos neste momento a produzir um vídeo, spots de divulgação, uma campanha, e ainda ontem recebi com muita satisfação um vídeo produzido pela sociedade civil, porque as sociedades civis também são parceiros importantes, complementam a ação do governo. E a sociedade civil fez um vídeo muito recente com vários influenciadores em que eles falam da importância do combate à violência baseada no género, em que eles assumem o papel, e eles como homens devem sensibilizar outros homens”.

Ela ressaltou a importância de criar peças de comunicação que abordem o papel do homem na mobilização pelos direitos das mulheres.

“Estamos agora também a desenvolver e a desenhar a estratégia do engajamento masculino. Portanto, estamos a trabalhar com influenciadores masculinos, pois sentimos que é preciso trazer o homem para o barco. A mulher não pode ser a única que deve lutar ou promover a igualdade de género e combater a violência baseada no género. Se nos referimos à violência baseada no género, nós estamos a falar de duas pessoas: homem e mulher. Então precisamos de ter o homem. Precisamos de engajar o homem nesta luta”.

Uma luta de toda a sociedade

A representante moçambicana também mencionou o papel da primeira-dama do país, Gueta Chapo, que foi convidada para ser patrona da iniciativa “Empodera”.

O objetivo é fazer com que a mensagem chegue para diversas comunidades sobre a importância de prevenir a violência baseada no género, a exemplo de uma intervenção feita no lançamento do Mês da Mulher, na província de Cabo Delgado.

A ministra relatou que Gueta Chapo conseguiu transmitir para as comunidades mensagens sobre a necessidade de deixar as meninas estudarem e de pôr fim às agressões praticadas por homens.

A ministra enfatizou que os influenciadores, os membros do governo e todos os estratos da sociedade moçambicana devem reforçar a luta por igualdade e justiça para a população feminina. Felipe de Carvalho ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 12 de março de 2026

Cabo Verde e Portugal assinam memorando para reforçar cooperação no mar

Cabo Verde e Portugal assinaram um memorando de entendimento no domínio do mar para reforçar a cooperação institucional, técnica e científica entre os dois países, com foco no desenvolvimento da economia azul e na gestão sustentável dos recursos marinhos


“Assinámos este memorando de entendimento para hoje e para o futuro, mas com base numa análise profunda de tudo o que tem sido a cooperação entre Portugal e Cabo Verde no domínio do mar”, afirmou o ministro do Mar cabo-verdiano, Jorge Santos, durante a cerimónia realizada no arquipélago, na ilha de São Vicente.

Segundo o governante, o acordo permite consolidar a parceria entre os dois países num setor estratégico para o arquipélago, sublinhando o potencial da economia azul para gerar crescimento económico, emprego e novas oportunidades de investimento.

A cooperação deverá incidir, entre outros aspectos, na partilha de informação e dados científicos, na formação de recursos humanos e no reforço da capacidade institucional no domínio das políticas do mar.

Jorge Santos destacou ainda que o mar constitui uma das maiores riquezas de Cabo Verde e defendeu que a cooperação com Portugal pode contribuir para melhorar a organização do setor das pescas, a qualidade e certificação do pescado e o aproveitamento sustentável dos recursos marinhos.

O memorando foi assinado com o secretário de Estado das Pescas e do Mar de Portugal, Salvador Malheiro, e renova um entendimento anterior estabelecido entre os dois países em 2014.

Salvador Malheiro afirmou que a cooperação no domínio do mar tem sido consolidadas ao longo dos anos, refletindo as décadas de relações entre Cabo Verde e Portugal e o reforço dos laços institucionais e pessoais. “Temos uma ligação fortíssima pela nossa língua, mas antes da língua já tínhamos o mar que nos unia”, afirmou, acrescentando que a renovação do memorando surge num contexto em que a economia do mar e azul assumem crescente relevância a nível global. “Somos duas nações marítimas por excelência e chegou o momento de tirar partido dessa riqueza natural para melhorar a vida das pessoas”, disse, apontando que Cabo Verde tem sido “um país exemplo” na gestão do oceano e defendeu que o aproveitamento económico do mar deve estar sempre associado à sua preservação.

Além disso, avançou que estão a ser dados os primeiros passos para integrar Cabo Verde numa plataforma internacional dedicada à gestão do oceano. “Vamos com certeza concretizar essa integração de Cabo Verde numa plataforma internacional do mais alto nível, a chamada Alliance 100%, que visa, sobretudo, reconhecer esses países que olham para o mar e querem ter uma gestão a 100% do mar. E Cabo Verde pode contar com Portugal ainda para outros voos nesta matéria”, garantiu.

O governante acrescentou que Portugal está disponível para reforçar a cooperação com Cabo Verde em áreas como a pesca, o turismo náutico, a preservação dos ecossistemas marinhos e a construção e reparação naval.

Durante a visita de dois dias à ilha de São Vicente, Salvador Malheiro visitou várias infraestruturas ligadas ao sector marítimo e das pescas, nomeadamente os estaleiros navais, o Instituto do Mar e complexos de pesca. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Espanha - A revolução das energias renováveis manterá as contas de energia baixas, mesmo com a alta dos preços do gás

Nos últimos seis anos, a Espanha investiu fortemente em energia eólica e solar, o que resultou em alguns dos preços de energia mais baratos da Europa


A guerra com o Irão mergulhou o mundo numa crise energética repentina. O fecho do Estreito de Ormuz e a redução das exportações de energia do Oriente Médio geraram temores de contas mais altas para famílias já sobrecarregadas.

Mas um país europeu está bem posicionado para resistir a estes choques graças ao seu investimento em energia renovável.

Desde 2019, a Espanha duplicou a sua capacidade eólica e solar, adicionando mais de 40 GW – mais do que qualquer outro país da UE, excepto a Alemanha, cujo mercado de energia tem o dobro do tamanho do da Espanha.

Como resultado, o preço da eletricidade na Espanha é muito menos influenciado pelo custo sempre flutuante do gás, que aumentou 55% no dia seguinte ao início da guerra com o Irão e continuou a subir.

“O crescimento da energia eólica e solar na Espanha reduziu em 75% a influência das caras centrais a combustíveis fósseis no preço da eletricidade desde 2019. Essa redução nas horas em que o preço da eletricidade estava atrelado ao custo do gás foi mais rápida do que noutros países dependentes de gás, como Itália e Alemanha”, segundo um relatório do think tank de energia Ember, publicado em outubro do ano passado.

Especialistas concordam que a dependência da importação de combustíveis fósseis deixa os países perigosamente vulneráveis.

“A turbulência que testemunhamos hoje no Médio Oriente torna evidente que estamos diante de um sistema energético global amplamente atrelado aos combustíveis fósseis – onde o fornecimento está concentrado em poucas regiões e cada conflito corre o risco de gerar ondas de choque na economia global”, afirma o Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

As contas de energia na Espanha estão entre as mais baixas da Europa.

Segundo o relatório da Ember, entre 2020 e 2024, a Espanha "reduziu a sua fatura de importação do setor elétrico mais do que qualquer outro país da UE". Isso foi possível graças à instalação de novos parques solares e eólicos, que "evitaram a importação de 26 mil milhões de metros cúbicos de gás, o que representou um custo de € 13,5 mil milhões".

Em agosto de 2025, a Espanha não utilizou nenhuma fonte de energia a carvão. Uma realidade bem diferente de apenas 10 anos antes, quando o carvão representava um quarto da energia consumida no país.

A transição para energias renováveis ​​representou um grande ganho para as contas de energia das famílias. Em 2019, antes da revolução eólica e solar na Espanha, o país tinha alguns dos preços de eletricidade mais altos da Europa. Agora, possui alguns dos preços mais baixos.

“A Espanha começou [2026] com alguns dos preços de energia mais baratos da Europa, uma tendência que continuou na primeira semana de março”, afirma Chris Rosslowe, um dos autores do relatório da Ember.

O que ainda falta na Espanha, assim como em grande parte da Europa, é mais capacidade de armazenamento de energia – o seu parque de baterias de 120 MW é apenas o 13.º maior da Europa.

As energias renováveis ​​são custos fixos e pontuais

Com os governos sob pressão constante para reduzir dívidas e impostos, a produção de energia precisa custar o mínimo possível.

Ao contrário das turbinas eólicas e dos painéis solares, que os países compram e instalam uma única vez, o petróleo e o gás precisam ser adquiridos continuamente, com preços sujeitos a choques imprevisíveis, como guerras.

Alguns questionam se a guerra de Trump contra o Irão poderia, inadvertidamente, impulsionar a Europa em direção à tecnologia de energia limpa fabricada na China. O especialista em financiamento de energia, Gerard Reid, aponta para o facto das energias renováveis ​​terem custos de longo prazo mais baixos do que os combustíveis fósseis.

"Prefiro depender da China para a importação de painéis solares e baterias do que do petróleo e gás do Golfo, e vou explicar porquê: porque se eu comprar esse painel solar, essa bateria, essa turbina eólica, esse transformador, compro-os apenas uma vez a cada 25 anos. Não preciso comprá-los todos os dias."

Um novo relatório publicado em 11 de março pelo Comité de Alterações Climáticas do Reino Unido reforça esse ponto: o custo total para atingir emissões líquidas zero até 2050 provavelmente não será maior do que o custo de um único choque no preço dos combustíveis fósseis - como o desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

Ao simular uma crise semelhante que ocorreria em 2040, o estudo constatou que, se o Reino Unido estivesse no caminho para atingir emissões líquidas zero, as contas de energia das famílias aumentariam apenas 4%, em comparação com 59% sem medidas climáticas.

Será que a guerra com o Irão poderia desencadear uma mudança em direção à energia limpa?

Caroline Baxter, diretora do Laboratório de Riscos Convergentes do Conselho de Riscos Estratégicos em Washington, afirma que "não ficaria surpreendida" se houvesse alguma mudança em direção à energia limpa por causa do conflito, mesmo que apenas porque a energia renovável oferece mais estabilidade do que os combustíveis fósseis.

“Acredito que existe uma oportunidade, certa ou errada, para os países se voltarem para dentro e tentarem fortalecer-se de uma maneira que elimine a sua dependência de outras nações como fonte de recursos”, afirma Baxter, que foi subsecretário adjunto de defesa dos EUA para educação e treinamento das forças armadas de 2021 a 2024, durante o governo Biden.

Baxter afirma que, se ela estiver certa e se "todos fizerem isso nos seus quintais", isso limitará as alterações climáticas futuras "sem as espinhosas negociações diplomáticas, os apertos de mão e as maquinações a portas fechadas" das conferências climáticas internacionais.

A cúpula climática COP30 da ONU do ano passado terminou sem um compromisso com a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.

A guerra levará à instalação de mais painéis solares e bombas de calor nos próximos meses, afirma a analista de energia Ana Maria Jaller-Makarewicz, do IEEFA Europa.

É aqui que as pessoas comuns podem fazer a sua parte, não só para reduzir as suas próprias contas de energia, mas também para diminuir a dependência do seu país em relação aos combustíveis fósseis. Como afirma Marin Gillot, da Strategic Perspectives: "Cada bomba de calor, veículo elétrico, turbina eólica ou painel solar instalado significa menos moléculas de gás importado." Euronews com “Associated Press”


Fundação Calouste Gulbenkian - Apoio à realização de cursos de curta duração em artes cénicas nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa

Este apoio destina-se à realização de cursos de curta duração (masterclasses) em artes cénicas, através da atribuição de subsídios a instituições de produção artística sediadas em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique ou São Tomé e Príncipe.


O concurso responde à falta de oportunidades de formação para artistas emergentes dos PALOP e pretende reforçar o seu contacto com práticas e tendências contemporâneas das artes cénicas.

São elegíveis cursos nas áreas de encenação e direção artística, cenografia e espaço cénico, iluminação, sonoplastia, figurinos e caracterização, dramaturgia, entre outras, assegurados por formadores de reconhecido mérito, nacionais ou internacionais.

Condições de Elegibilidade

Podem candidatar-se instituições de produção artística privadas, sem fins lucrativos, com sede em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique ou São Tomé e Príncipe, com atividade comprovada na cena artística do país.

Cada instituição pode apresentar apenas uma candidatura no âmbito do presente concurso.

Os cursos devem:

- ter uma duração mínima de duas semanas;

- realizar-se até 30 de novembro de 2026;

- ser orientados por formadores de reconhecido mérito na área das artes cénicas.

Condições do apoio

As instituições são apoiadas até ao valor máximo de 7000 €, destinado exclusivamente a despesas elegíveis, nos termos definidos no Regulamento.

Como concorrer

- Só serão aceites candidaturas online;

- Faça o seu registo;

- Antes de submeter o formulário de candidatura, verifique todos os critérios de elegibilidade. Aconselhamos a leitura do Regulamento;

- A candidatura só será submissível depois de preenchidos todos os campos obrigatórios do formulário e feito o upload da documentação exigida no Regulamento;

- No final, clicar no botão “submeter candidatura”. De forma a prevenir dificuldades na submissão das candidaturas, evite submeter a sua candidatura nos últimos dias do prazo. Fundação Calouste Gulbenkian Portugal

Portugal - O escritor e jornalista Mário Zambujal partiu aos 90 anos

Mário Zambujal nasceu em Moura, Beja, a 5 de março de 1936. O escritor estreou-se em 1980 com o livro Crónica dos Bons Malandros, que se tornou num sucesso. A história foi adaptada ao cinema por Fernando Lopes e inspirou uma série de televisão realizada por Jorge Paixão da Costa.


Fim da Rua, À Noite Logo se Vê, Fora de Mão (coletânea de contos e crónicas), Primeiro as Senhoras, Uma Noite Não São Dias, Dama de Espadas, Longe É um Bom Lugar, O Diário Oculto de Nora Rute, Serpentina, Talismã, Romão e Juliana, Já Não se Escrevem Cartas de Amor, Então, Boa Noite, Rodopio, Fabíolo e Pirueta foram outras das obras do escritor.

Em dezembro, o escritor editou o livro O Último a Sair. “Estou a cumprir uma promessa que fiz a mim próprio. Esta é a tentativa de escrever um livro policial. Não será um típico. Um livro em que as personagens devem ter afeto e conflitos e contradições”, disse Zambujal.

Além de escritor, foi também jornalista desportivo na RTP. No canal, apresentou programa como "Grande Encontro".

Em 1984, o escritor foi distinguido com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2016, com a medalha de Mérito Cultural da Câmara de Lisboa. Presidiu à Direção do Clube de Jornalistas entre 2007 e 2021.

Em 2025, Mário Zambujal recebeu Prémio Gazeta de Mérito, atribuído pelo Clube de Jornalistas, em reconhecimento pela sua carreira.

Mário Zambujal, descrito como "um dos mais carismáticos prosadores portugueses", foi o principal homenageado da edição de 2020 do Festival Literário Escritaria, em Penafiel.

90 anos de vida e mais de 45 anos de carreira literária

Há menos de quinze dias, Rosa Margarida, no Clube de Leitura SAPO  recordou cinco obras do premiado autor com uma vasta biografia, entre contos, crónicas, romances e outros géneros literários, que ditaram a sua carreira ao longo dos anos.

CRÓNICA DOS BONS MALANDROS, edição comemorativa com lançamento em março de 2026, com selo Clube do Autor

"Sinto-me sequestrado por estes bons malandros. Aos livros que fui escrevendo, e outros que venha a escrever, não lhes valem possíveis méritos. Mais de trinta anos depois de saltarem à cena, sem outra pretensão do que fazer sorrir circunstanciais leitores, os bons malandros não arredam pé e ganharam a afeição de gerações sucessivas.

Nada mais surpreendente, para quem lhes deu vida, esta longevidade que permite divertir jovens de hoje, tal como acontecera com seus pais e mesmo avós. (…) Entretanto, o que o autor ambiciona é o mesmo de sempre: proporcionar prazer de leitura a quem se dispõe à descoberta das singulares aventuras destes bons malandros. Se eles vos divertirem, cumprem o seu destino".

"A síntese divertida de uma tragédia. Não se trata da queda de quem quis subir, mas bem pior do que isso: a queda de quem quis descer (da malandragem para o crime a sério). Eis uma síntese possível, mas há muitas outras. Por exemplo, esta: um livro divertido, rápido, que nos lembra que também já fomos novos (e isso é bondade e maldade ao mesmo tempo)".

Gonçalo M. Tavares in Prefácio

O ÚLTIMO A SAIR, lançado em novembro de 2025, numa edição Clube do Autor

Conheceremos a história de duas personagens caricatas: a psicóloga Lídia e o chefe de polícia reformado Rodrigo. Tudo começa com a morte estranha de um amigo e a decisão do casal de descobrir o culpado ou culpada. E, para gáudio dos leitores, eles vão até ao fim. Um livro repleto de bom humor, com o estilo inconfundível a que Mário Zambujal nos habituou ao longo dos anos.

Esta edição inclui a história Conto Final, Parágrafo, plena de humor e amor, num livro sempre fiel ao espírito do autor.

FABÍOLO, de novembro de 2021, com chancela Clube do Autor

Danças de um romântico incurável com deslizes pelo meio. Sedução, romance e suspense à boa maneira de Mário Zambujal.

Assente num divertido jogo de sedução, o romance do eterno bom malandro é um livro pleno de mistério, humor e criatividade. O protagonista, Fabíolo, é um homem de paixões. Honestas. E também de outros impulsos e deslizes.

Dividido entre dois romances com uma morena e outra ruiva, Fabíolo sucumbe facilmente aos encantos femininos. Mas é uma inesperada tentação de riqueza que leva este romântico por caminhos sombrios. Morte anunciada a prazo, 15 dias de espera e esquivas…

UMA NOITE NÃO SÃO DIAS, de outubro de 2020, com selo Clube do Autor Um romance pleno de humor e criatividade a que se junta a prosa escorreita tão característica do autor.

Tudo se passa na Avenida Vertical, nome de uma torre habitacional de 98 andares, símbolo citadino dos novos tempos, onde ocorrem dois misteriosos assaltos: o roubo de um helicóptero no heliporto que encima o edifício e o roubo da coroa da rainha Matilde, que casou com o infante D. Afonso e chegou a rainha de Portugal. É nesta atmosfera de mistério que desfilam as personagens principais: Antony, um historiador, a mulher deste, Grace, e o amigo escultor, James.

"O que vai ler é uma história verídica, a ocorrer, garantidamente, no ano de 2044. É possível que os inevitáveis cépticos e maldizentes tentem beliscar o rigor da narrativa, negando verosimilhança às novidades urbanas, técnicas e de costumes. Não importa, 2044 vem já aí. Depois conversamos.»

LONGE É UM BOM LUGAR, de outubro de 2011, numa edição Clube do Autor

Tânia Dulce é uma jovem com uma ampla capacidade para amar e cede aos rogos do Doutor Ângelo, narrador de uma movimentada relação de desfecho imprevisível. Médico com sonhos de romancista, o doutor Ângelo percorre caminhos paralelos, do romance real com Tânia Dulce e da trama ficcional que se esforça por escrever. E porque o resto são (também) histórias, o leitor acompanha uma sequência de pequenas ficções, originalmente publicadas na revista Tempo Livre, do Inatel, com o estilo inconfundível a que podemos chamar de zambujalesco. Mário Zambujal volta a cativar os leitores pelo ritmo vivo da prosa em que avultam as surpresas, o humor e a reflexão acerca de cumprimentos e situações.

Nas palavras de Mário Zambujal, "O longe é a meta quando se foge". Tiago David – Portugal in Sapo


quarta-feira, 11 de março de 2026

UCCLA - Apresentação do livro “Convento de São Francisco de Olivença - Entre o velho e o novo”

Terá lugar no dia 27 de março, às 18 horas, a apresentação do livro Convento de São Francisco de Olivença - Entre o velho e o novo da autoria de José Antonio González Carrillo e Mário Rui Simões Rodrigues, no auditório da UCCLA.


Convento de São Francisco de Olivença - Entre o velho e o novo, que será apresentado por Eduardo Machado, explora a cronologia e as particularidades daquela que foi a ordem religiosa com maior enraizamento e relevância no entorno: a Ordem de São Francisco.

O livro traz à luz uma preciosíssima documentação desconhecida e inédita, revelando descobertas fundamentais sobre a sua história e a sua configuração arquitetónica e resgata do esquecimento pormenores minuciosos, tradições ancestrais, capelas e aspetos singulares da sua expansão religiosa e cultural que, até agora, permaneciam ignorados pela historiografia contemporânea, com uma visão holística sobre um património secular irrepetível.

Uma leitura que ajuda a compreender as dinâmicas de poder, fé e criação que definiram a identidade cultural e religiosa de Olivença.

Sinopse:

Convento de São Francisco de Olivença - Entre o velho e o novo, dos autores Mário Rui Simões Rodrigues e o oliventino José Antonio González Carrillo, explora a cronologia e as particularidades daquela que foi a ordem religiosa com maior enraizamento e relevância no entorno de Olivença: a Ordem de São Francisco. Através de uma abordagem rigorosa, explora-se a dicotomia entre o primitivo cenóbio rural do início do século XVI e a subsequente transferência para o espaço urbano intra-muros no final da centúria de Quinhentos.

O presente volume destaca-se pelo seu valioso contributo histórico ao revelar:

- Documentação inédita: Com acesso a fontes primárias desconhecidas que permitem fazer uma nova leitura sobre a configuração histórica e patrimonial da Ordem em Olivença.

- Evolução: O exame detalhado da expansão cultural que consolidou este convento como um dos mais insignes complexos monásticos do Alentejo e de Portugal.

- Resgate historiográfico: A recuperação de numerosos pormenores que, até este momento, permaneciam à margem da historiografia contemporânea.

Este livro oferece uma visão holística e tecnicamente fundamentada sobre um património secular irrepetível, uma leitura imprescindível que ajuda a compreender as dinâmicas de poder, fé e criação que definiram a identidade cultural e religiosa de Olivença.

Biografias:

José Antonio González Carrillo (Olivença - 1975) formou-se na área da publicidade e do desenho, aprofundando disciplinas como a fotografia, a ilustração ou a edição. Especializou-se em conservação histórica, ampliando conhecimentos e bagagem profissional sobre estas matérias. O grosso principal da sua obra exprime-se em diversos livros onde o eixo gráfico e a criatividade partilham protagonismo com a narração histórica. A sua obra, definida pela crítica como “trabalho comprometido e de vincada personalidade”, é imparável, criando atualmente diferentes trabalhos e livros no prisma principal da sua inspiração: o contexto cultural e histórico do seu meio mais próximo. É autor das seguintes obras: Saudade; Olivença oculta; Herança portuguesa nas confrarias de Olivença; Almas da Madalena; Quando já não estivermos; Matriz e Ruas e Aldeias de Olivença. É coautor dos livros Oliventinos e O Foral Manuelino de Olivença.

Mário Rui Simões Rodrigues (Angola - 1967) licenciou-se em História pela Faculdade de Letras, da Universidade de Coimbra, e em Direito, pela Faculdade de Direito da mesma universidade. É autor dos seguintes estudos: Olivença na Conferência da Paz de 1919; Viagens pela História de Alvaiázere; Da Estrada Romana ao Telégrafo Visual: Dois mil anos de viagens e comunicações por terras de Alvaiázere; O Diário “Perdido” da Viagem de José Cornide por Espanha e Portugal em 1772; Sinóptica proposição para a autoria d’O Couseiro. É coautor das seguintes obras: Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas - Alvaiázere / Ansião; Informações Paroquiais e História Local. A Diocese de Coimbra. Século XVIII; Alvaiázere e os Seus Forais; Forais de Figueiró dos Vinhos; Foral Manuelino de Olivença; D. Frei Gaspar do Casal e o Convento de Santo Agostinho, em Leiria: Contributos para a sua História.


Macau - Novo fundo “abre portas” da China a empresários lusófonos

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC) em Macau disse à Lusa que o novo fundo de investimento lançado pelas autoridades locais “abre portas” a investidores lusófonos interessados na China. Carlos Cid Álvares apontou que o fundo de 20 mil milhões de patacas “poderá ser um passo significativo para a reestruturação do tecido económico de Macau”.

O dirigente disse que representa “uma mudança de paradigma”, pois as autoridades da cidade passam a assumir o papel de “capital paciente [investimento que aceita um retorno mais demorado] e orientador” da diversificação da economia.

O Governo anunciou em 27 de Fevereiro o lançamento de um Fundo de Orientação Governamental, que visa orientar capitais privados para investimento em sectores prioritários que ajudem a economia local a diversificar para além do sector dos casinos.

O fundo tem quatro alvos principais: indústria de saúde e bem-estar, indústria de finanças modernas, indústria de tecnologia de ponta e, por fim, a indústria de convenções, exposições e comércio, cultura e desporto. Macau prevê concluir ainda este ano a constituição do fundo.

“O foco em indústrias emergentes e na transformação de resultados científicos e tecnológicos abre portas para investidores estrangeiros, incluindo os lusófonos”, afirmou Álvares.

Para o presidente da CCILC, o fundo, que deverá arrancar este ano com uma injecção inicial de 11 mil milhões de patacas, podendo atingir 20 mil milhões com capitais privados, “poderá ser uma oportunidade para as empresas dos Países de Língua Portuguesa”.

“O fundo, ao privilegiar o investimento em projectos de inovação e modernização industrial, poderá funcionar como um catalisador para que essas empresas encontrem em Macau um parceiro estratégico e capital para escalar os seus projectos na Ásia”, descreveu Carlos Cid Álvares.

O representante empresarial recordou que a CCILC tem defendido o papel de Macau como plataforma sino-lusófona e que esta medida “concretiza essa visão de forma prática”.

O empresário salientou que os sectores alvo prioritários definidos pelo Executivo de Macau coincidem com áreas onde empresas do Brasil, Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) têm “know-how e competitividade internacional”.

“Veja-se o exemplo do Brasil, com forte presença no agronegócio tecnológico e nas energias renováveis, ou de Portugal, com um ecossistema de startups tecnológicas e fintechs muito dinâmico”, apontou.

Outro ponto relevante, segundo o presidente da CCILC, é a articulação com a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. O Governo Central chinês estabeleceu esta zona económica especial, adjacente a Macau, para diversificar a economia da RAEM, com foco em tecnologia, finanças e turismo.

Um Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhol foi estabelecido nessa área para fomentar o comércio, oferecendo serviços jurídicos, fiscais e linguísticos para empresas lusófonas e hispânicas no mercado chinês.

O presidente da CCILC acrescentou que o fundo “vem dar liquidez e peso institucional” ao modelo de cooperação conjunto estabelecido para Macau e Hengqin.

“Para os empresários lusófonos, poderá ser o cenário ideal: instalar a sua sede em Macau, beneficiando do seu sistema jurídico e da familiaridade com a língua portuguesa, e localizar em Hengqin a componente mais intensiva em espaço ou produção”, explicou.

“Presumimos que a voz da experiência da China e dos mercados lusófonos poderá acrescentar valor para o projecto”, concluiu Carlos Cid Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”