Terá lugar na próxima Quinta-feira,
dia 28 de Maio, às 17h45, na biblioteca do Camões — Centro Cultural
Português em Maputo, o lançamento do livro Entre Fronteiras Literárias e
Outros Textos, a mais recente obra da ensaísta e docente moçambicana Sara
Jona Laisse. A apresentação oficial estará a cargo do Professor Cristiano
Matsinhe.
Dividida em duas partes que totalizam 36 artigos
distribuídos por mais de 200 páginas, a obra propõe um diálogo cru e sem tabus
sobre a construção da identidade, os desafios das minorias e o papel da
literatura na desconstrução de estigmas sociais. Enquanto a primeira secção
mergulha nas sinuosidades das relações humanas e nas ambiguidades do
quotidiano, a segunda metade do volume actua como uma cartografia crítica, na
qual a autora estabelece pontes intertextuais com grandes referências da
literatura nacional, de Luís Bernardo Honwana a novos escritores
contemporâneos.
De acordo com Pedro Pereira Lopes, editor da Gala-Gala,
este volume de ensaios da professora Jona Laisse “faz uma cirurgia às nossas
convenções identitárias e rasga as costuras do cânone literário para nos
devolver um Moçambique cru, urgente e despido de disfarces”.
Entre Fronteiras Literárias e Outros Textos saí pela estampa da Gala-Gala Edições e integra a
colecção “Nossa gente, nossas línguas”.
Sobre a autora
Sara Jona Laisse é ensaísta no campo da literatura e da cultura
moçambicana. Doutorada em Literaturas e Culturas em Língua Portuguesa pela
Universidade Nova de Lisboa (2015), é docente na Universidade Católica de
Moçambique. Colabora no jornal digital 7 Margens e faz parte do conselho
editorial de revistas científicas moçambicanas e internacionais. A sua obra
foca especialmente a preocupação em relação às culturas moçambicanas e à
raridade de discussão sobre elas. É autora, de entre vários títulos, de Entre
o Índico e o Atlântico: Ensaios Sobre Literatura e Outros Textos (2013), Entre
Margens: Diálogo Intercultural e Outros Textos (2020), Moçambique,
Margem Sul: Arte, Interculturalidade e Outros Textos (2022) e Moçambiquero-te:
Literaturas, Culturas e Outros Textos (2024). In “Moz
Entretenimento” - Moçambique
Desporto é o passe para o recomeço de jovens que
escaparam da guerra e perseguição, os diplomatas da ONU entram em campo pela
causa. O português é a segunda língua global da modalidade que une o mundo, Joshua
Nascimento, filho do Rei Pelé, fala de ferramenta de inclusão e conexão
cultural para além de outros entrevistados
Quando o assunto é unir o planeta e
dar um gás nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, a bola mostra que
rola mais rápido do que vários compromissos oficiais na ONU em Nova Iorque.
Pelo globo, a festa do Dia Mundial do Futebol inclui a todos dentro e fora de
campo.
Pelo 25 de maio, o fato, a gravata e a mesa de debate
ficaram de parte até em certos eventos oficiais das Nações Unidas pela passagem
da data celebrada desde a aprovação da resolução da Assembleia Geral da ONU, em
2024.
Muito além de um pretexto para convivência
Este ano, muitos adeptos estão de olho no Campeonato do
Mundo e na taça Jules Rimet. Um momento em que a paixão por clubes locais se
intensifica com a formação da Seleção de Futebol de cada país.
Segundo a ONU, o desporto ignora fronteiras geográficas,
saldos bancários e diferenças culturais para ligar pontos distantes do mundo
através de uma paixão juntando comunidades e impulsionando o orgulho nacional.
E quem entende bem essa sinergia é Joshua Nascimento, que
carrega no sangue o orgulho de um DNA puramente genial: Edson Arantes do
Nascimento, o Pelé, pai de Joshua.
“E esse Dia Mundial do Futebol, que é muito importante
para mim, como filho de um atleta tão grande como o rei Pelé, e de um menino
que cresceu ouvindo falar sobre futebol, jogando futebol, é muito importante
para mim. Porque o futebol é um desporto que conecta pessoas de diferentes
culturas, de diferentes países, línguas, e todos se comunicam igual e conseguem
achar uma forma de jogar juntos e se divertir ou competir, se for no mais alto
nível. E é uma forma que traz todos juntos por uma causa, que é o jogo, o beautiful
game, como se diz em inglês.”
Centenário do primeiro torneio internacional
Por trás da celebração da bola está um marco: o
centenário do primeiro torneio internacional de futebol com representação
global, em 25 de maio de 1924. Foi nos Jogos Olímpicos de Verão em Paris onde
nasceu a atual Taça do Mundo.
A genialidade do futebol está na sua simplicidade e
acessibilidade, que faz dele uma ferramenta para promover saúde mental e
bem-estar físico. Dentro e fora das quatro linhas, este desporto tem servido
como uma plataforma vital para acelerar a igualdade de género e o empoderamento
de mulheres e jovens.
O que é chamado catalisador de inclusão social dentro e
fora do campo derruba barreiras para criar uma zona livre onde origens opostas
se encontram para aprender sobre tolerância, respeito mútuo e solidariedade.
O Português é a segunda língua global do futebol
E muitos atuam nos bastidores do futebol, como o
português Nuno Crisóstomo. O ex-funcionário do Fundo das Nações Unidas para a
Infância, Unicef, lidera voluntários da Taça do Mundo da FIFA, nos Estados
Unidos.
Sobre a paixão global, ele revela um detalhe: a segunda
língua mais falada nos relvados.
“O português, neste momento, é a segunda língua global do
futebol a seguir ao inglês. Não pelos jogadores, pelo número de jogadores
brasileiros, portugueses e de outros países que falam a língua portuguesa, mas
também pelos treinadores. Portanto, os técnicos que treinam os clubes. Neste
momento, há cerca de 136 treinadores portugueses no estrangeiro. E penso que no
Brasil, eu não tenho esses números, mas deve ser pelo menos 10 vezes mais.”
O enorme impacto move até o maior palco diplomático do
mundo que teve de se curvar à majestade da bola. Para celebrar o marco
histórico, a Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução carimbando o 25 de
maio como o Dia Mundial do Futebol.”
Espaço inigualável para a cooperação humana
A resolução da Assembleia Geral que criou o Dia Mundial
do Futebol reconhece “o alcance global do futebol e seu impacto em diversas
esferas, incluindo comércio, paz e diplomacia, admitindo que o desporto cria um
espaço inigualável para a cooperação humana.”
E se o futebol é património e identidade, o Brasil, que é
pentacampeão em Taças do Mundo, tem um espaço que preserva e memórias. A
diretora técnica do Museu do Futebol, Marília Bonas, faz o convite para quem
quiser mergulhar nessa linha do tempo.
“O Museu do Futebol existe desde 2008 e a gente conta o
porquê que o futebol é património brasileiro, porque que ele faz parte da nossa
identidade. Então, a gente conta a história do Brasil pela história do futebol,
desde a chegada do futebol na virada do Século 19 até aos dias de hoje,
passando pela história do futebol feminino, das modalidades adaptadas do
futebol indígena e toda essa diversidade de modalidades do futebol que fazem
parte do nosso dia a dia, da nossa paixão, enfim, da nossa história. Então, a
gente convida todo mundo a vir aqui no Museu do Futebol. A gente funciona de
terça a domingo, toda terça o museu é gratuito, para conhecer também as nossas
exposições temporárias e a nossa programação cultural. Além disso, a gente tem
muito material educativo disponível no nosso sítio, que é www.museudofutebol.org.br. A gente
espera vocês aqui.”
Bola no pé e atividade física para todos
A resolução da ONU dá crédito à Federação Internacional
de Futebol, FIFA, às federações que mantêm o jogo vivo, no texto que além de
instrumento diplomático é uma convocação geral.
A ordem é que além de ver como lazer, se comece a usá-lo
de forma ativa como ferramenta de paz, saúde e empoderamento feminino. O recado
para os governos é que criem políticas reais incentivando a bola no pé e a
atividade física para todos.
A convocação está aberta para Estados-membros, ONG,
universidades e empresas para espalhar as vantagens deste desporto pelo mundo
inteiro, seja em grandes arenas ou num campo pelado.
Nos Estados Unidos, o clima já é de contagem regressiva
para a Taça do Mundo 2026 que bate à porta em poucas semanas.
Vida transformada pela paixão por futebol
Cristopher Nassif, técnico do Clube de Futebol de
Ironbound, no estado de Nova Jersei, considerada uma das áreas mais lusófona
dos Estados Unidos, atua como um líder que influencia jovens. Ele explica como
viver transformado por esta paixão.
“Feliz em poder compartilhar e agradecer ao desporto, e,
agradecer ao futebol nesse vídeo, o quão ele foi benéfico para mim. É, poder
dizer que aqueles que amam o futebol, não existem formas corretas de amar algo.
Acho que você pode amar o futebol na torcida, você pode amar o futebol com os seus
amigos enquanto você tá no jardim jogando futebol com eles, você pode amar o
futebol como um treinador, como alguém que deseja ter isso como carreira, ou
simplesmente acompanha a Copa do Mundo, que vai acontecer daqui a algumas
semanas, eu diria, e a gente vai estar aqui, eu na torcida pela nossa Seleção
Brasileira, mas você pela torcida da Seleção que acompanha. Então eu deixo aqui
a minha mensagem, primeiro de agradecimento ao futebol, por tudo que me
proporcionou. É, se, se eu tivesse que hoje se sentar com o futebol, eu lhe
diria: obrigado, futebol, por me tornar um grande homem, por me tornar uma
grande pessoa.”
O treinador das categorias Sub-17 e Sub-19 diz que a
modalidade ajudou a ser melhor pai, marido e pessoa para auxiliar crianças e
adolescentes a ser cidadãos que se tornarão grandes jogadores de futebol e com carácter
admirável.
Poder de transformação da bola
Na demonstração do poder do jogo, a ONU exibiu a
iniciativa Futebol Sem Fronteiras escalando a “Seleção de Refugiados”. Já os
diplomatas que foram alinhados para suar a camisa participaram na iniciativa
dos “Amigos do Futebol”.
A convocação para as quatro linhas incluiu embaixadores,
representantes de alto escalão do Secretariado e estrelas do futebol mundial
onde dominou o poder de transformação da bola.
O Mundial de Futebol começa neste 11 de junho e a
primeira partida de uma país de língua portuguesa será dois dias depois, em
Newark entre Brasil e Marrocos. ONU News – Nações Unidas
Os dois livros de estreia do autor Zeka Mbueti,
apresentados, na província de Icolo e Bengo, visam melhorar o ambiente de
ensino e de aprendizagem
Os livros, Tchambassuco e Tchissola
e Rotulação de Alunos, visam despertar e preparar os alunos contra
situações de bullying e os professores.
Segundo o autor, resultam de experiências vividas pelo
autor, enquanto profissional de ensino e aprendizagem, e de leituras.
Os temas abordados são inspirados em experiências das
quais transformam a realidade em narrativa através das personagens que
reflectem situações muito próximas do quotidiano dos alunos.
O livro Tchambassuco e Tchissola nasce da vivência
directa em contexto educativo e da sensibilidade de testemunhos directos de
situações de bullying, insegurança e dificuldades na construção da
identidade dentro da escola.
São contos de duas crianças com o mesmo desafio, num
mundo de difícil concretização do seu imaginário. O livro aborda a história de
coragem, identidade, sonhos e superação de duas personagens, vítimas de bullying.
Tchambassuco transforma o seu nome numa força de orgulho
e identidade, após enfrentar insultos, enquanto Tchissola descobre as suas
raízes e origens em sonhos e viagens.
A obra Rotulação de Aluno é um subsídio para
professores e gestores escolares que analisa os impactos da rotulação de alunos
no ambiente escolar, mostrando como essas práticas podem afectar a auto-estima,
a motivação, o rendimento académico e nas relações com o ambiente escolar.
O livro visa prepará-los diante de situações inesperadas
que, no dia-a-dia escolar, acompanha de perto os desafios que as crianças
enfrentam no processo de crescimento. Manuela Mateus – Angola in “Jornal
de Angola”
Análise mundial desde 1980 - que conta com a participação
de investigadores da Universidade de Coimbra - revela desaceleração histórica
na Europa Ocidental, incluindo Portugal, mas alerta para o aumento do problema
em regiões desfavorecidas
Um estudo internacional publicado na
revista Nature, que conta com o contributo de investigadores da
Universidade de Coimbra (UC), revela que a evolução da obesidade a nível global
mostra sinais de estabilização e até de possível inversão em vários países de
elevado rendimento, após décadas de crescimento acelerado.
A investigação, liderada pelo NCD Risk Factor
Collaboration (NCD-RisC) em parceria com a Imperial College London, analisou a
evolução da obesidade em 200 países e territórios entre 1980 e 2024, com base
numa das mais abrangentes bases de dados epidemiológicos alguma vez reunidas
nesta área, integrando informação proveniente de milhares de estudos
populacionais e de centenas de milhões de participantes.
Os resultados mostram que, após um aumento rápido e
sustentado da prevalência da obesidade ao longo das últimas décadas do século
XX, observa-se um abrandamento claro desse crescimento na maioria dos países de
elevado rendimento. Em diversos contextos, verifica-se mesmo uma estabilização
das taxas e, em alguns casos, sinais de diminuição, particularmente entre
crianças e adolescentes, com reflexos posteriores nas populações adultas. Entre
os países onde estas tendências são mais evidentes incluem-se alguns exemplos
da Europa Ocidental, como Portugal, França e Itália.
Segundo os autores, estes padrões sugerem que a ideia de
uma “epidemia global de obesidade” pode ser uma simplificação excessiva, na
medida em que esconde trajetórias muito distintas entre países e regiões,
influenciadas por fatores sociais, económicos e, em particular, pela
disponibilidade e acessibilidade a alimentos saudáveis.
Apesar destes sinais encorajadores em alguns contextos, o
estudo sublinha que a obesidade continua a aumentar de forma consistente em
muitos países de baixo e médio rendimento, com especial incidência em várias
regiões de África, Ásia, América Latina e em ilhas do Pacífico e das Caraíbas,
evidenciando uma forte desigualdade global na evolução deste problema de saúde
pública.
Para o professor Majid Ezzati, coordenador do estudo no
Imperial College London, os resultados demonstram que “o aumento da obesidade
não é inevitável e pode ser travado, ou mesmo invertido, através de políticas
adequadas”. Ainda assim, o investigador alerta que os níveis atuais permanecem
elevados e que as desigualdades entre regiões continuam a ser muito
significativas.
Na mesma linha, Aristides Machado-Rodrigues, co-autor do
estudo e investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS)
da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e
docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC, sublinha
que “analisar não apenas a prevalência, mas também a velocidade de mudança da
obesidade ao longo do tempo, permite identificar com maior precisão os
contextos onde são necessárias intervenções mais urgentes, nomeadamente através
de políticas públicas robustas nas áreas da saúde e da alimentação, capazes de
acompanhar as transições económicas, tecnológicas e nutricionais em curso”.
O trabalho contou ainda com a participação de outros
docentes e investigadores da UC, nomeadamente Cristina Padez e Daniela
Rodrigues, da FCTUC, Helena Nogueira, da Faculdade de Letras, e Luísa Macieira,
Lélita Santos e Anabela Mota-Pinto, da Faculdade de Medicina. Universidade
de Coimbra - Portugal
Estudo internacional cruzou genética e neuroimagem para
perceber porque certas áreas do cérebro são mais vulneráveis a doenças como a
depressão ou a esquizofrenia
Um estudo com a participação da
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) desenvolveu mapas de
risco genético para doenças psiquiátricas com base em imagens da estrutura do
cérebro e numa técnica de biologia molecular que analisa a expressão de genes
num determinado momento, designada transcriptómica.
Publicado na prestigiada revista científica Molecular
Psychiatry, do grupo Nature, “este trabalho revela como o risco
genético para doenças psiquiátricas se organiza no cérebro humano e se
relaciona com alterações estruturais cerebrais observadas em neuroimagens”,
explica Daniel Martins, professor e investigador da FMUP na área das Neurociências.
Os investigadores utilizaram um método inovador que
integra dados genéticos de larga escala e a neuroimagem para analisar sete
doenças psiquiátricas, incluindo depressão, esquizofrenia, perturbação de
hiperatividade/défice de atenção (PHDA), autismo e perturbação
obsessivo-compulsiva. O objetivo era “compreender por que certas regiões
cerebrais são mais vulneráveis em cada uma das doenças psiquiátricas”.
Embora estas doenças tenham causas multifatoriais
resultantes da interação entre fatores genéticos, ambientais e do
neurodesenvolvimento, as abordagens tradicionais tendem a analisar a
suscetibilidade genética e as alterações neuroanatómicas separadamente.
Este novo estudo permite, assim, “projetar o impacto do
risco genético no espaço do cérebro, com base em mapas de risco derivados da
expressão génica. Esta abordagem estabelece uma ponte direta entre genes,
processos moleculares e alterações anatómicas observadas por ressonância
magnética”.
“As alterações estruturais do cérebro observadas em
algumas doenças psiquiátricas não surgem ao acaso, mas refletem, em parte, a
organização molecular do próprio cérebro. Na depressão major e na
esquizofrenia, por exemplo, há uma correspondência clara entre padrões de
expressão génica associados ao risco genético e as regiões cerebrais mais
afetadas”, explica Daniel Martins.
Segundo o docente da FMUP, os resultados indicam ainda
que diferentes doenças psiquiátricas parecem envolver mecanismos biológicos
distintos. “Enquanto a depressão e a esquizofrenia mostram forte envolvimento
de vias imunitárias e inflamatórias, a PHDA apresenta maior associação a
processos de neurodesenvolvimento”, elucida.
Os autores sublinham, aliás, que “esta abordagem não é
reducionista” e que “os genes não determinam isoladamente a doença, antes
interagem com fatores ambientais, desenvolvimento e experiência ao longo da
vida”.
“A publicação na Molecular Psychiatry — uma das
revistas mais prestigiadas na área da psiquiatria biológica — reforça a
visibilidade internacional da investigação desenvolvida com participação da
FMUP e o seu contributo para os avanços na área da psiquiatria”, conclui Daniel
Martins.
Além de Daniel Martins, que integra a área de
Neurociências e Saúde Mental da FMUP, liderada por Lia Fernandes (ambos
FMUP/RISE-Health), esta investigação é assinada também por cientistas do King’s
College London, Universidade de Londres (Reino Unido), Universidade Goethe
(Alemanha) e Universidade de Padova (Itália). Universidade do Porto -
Portugal
Andrew Stow estaria “muito orgulhoso” por ver o pastel
que criou tornar-se património intangível de Macau, mas a irmã disse à Lusa que
não há planos para expandir o negócio, que vende até 48 mil pastéis por dia
A vida do britânico, que chegou a
Macau para trabalhar como farmacêutico industrial em 1979, mudou por completo
em 1988, após casar com Margaret Wong, que atualmente ainda gere a pastelaria
“Café e Nata”, criada por ambos.
Foi durante a lua-de-mel que Stow (1955-2006) provou pela
primeira vez um “pastel de Belém” ao balcão de uma das confeitarias mais
famosas de Portugal e ponto de paragem obrigatório de quem visita a capital.
Andrew “viu a loucura em Lisboa para beber uma bica com
um pastel de nata e pensou ‘Porque é que isto não existe em Macau’?”, recorda
Eileen Stow, que gere o negócio desde a morte súbita do irmão, aos 51 anos.
O pastel de nata “aparecia ocasionalmente no ‘buffet’” do
antigo hotel Hyatt, na Taipa, onde Andrew chegou a trabalhar, “mas não havia
nada disponível, na rua, todos os dias”, diz a irmã.
Foi então que um “lunático britânico”, como classifica
Eileen, entre risos, abriu a loja Lord Stow’s no coração da pitoresca vila de
Coloane, em 1989, onde tentou criar a sua própria versão do pastel de nata.
Andrew “era o tipo de pessoa que nunca queria copiar
nada, não conseguia perceber porque é que alguém quereria só replicar uma
receita. Ele sempre achou que, se és criativo, tens de colocar o teu toque”,
diz a irmã.
Eileen recorda que a reação dos portugueses foi que o
resultado “não era bem um pastel de nata”, ao que Andrew respondeu: ” É isto
que eu vendo, não comprem se não gostarem”.
Os pasteleiros da Lord Stow’s acharam que “estava
queimado por cima, nenhum chinês o iria comprar”, diz a irmã, mas os turistas
renderam-se ao pastel que ficou conhecido em chinês como “tarte de ovo de
estilo português”.
Em outubro passado, o Governo de Macau inscreveu 12
manifestações, incluindo o pastel inventado por Andrew e a dança folclórica
portuguesa na Lista do Património Cultural Intangível do território.
Eileen diz que o irmão teria ficado “muito orgulhoso”,
porque “adorava Macau”. “Se Andrew tivesse uma bola de cristal e soubesse o
sucesso que ia ter, ter-lhe-ia chamado tarte de ovo de Macau”, acrescenta.
Mas a distinção não muda os planos para manter o tamanho
da operação, que atualmente vende em média “entre 35 e 38 mil pastéis por dia”,
chegando a 48 mil no período do Ano Novo Lunar, diz Eileen.
O pastel de nata tem sido reinventado um pouco por toda a
Ásia, tendo chegado mesmo, através de Margaret, ex-mulher de Andrew, aos
balcões da cadeia de “fast-food” norte-americana Kentucky Fried Chicken (KFC)
na China continental.
No final da década de 90, Andrew e Eileen, que se mudou
para Macau em 1993 para ajudar a gerir o sucesso da Lord Stow’s, decidiram
apostar no ‘franchise’ em Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul e Tailândia. Mas a
ambição de uma expansão alargada perdeu-se devido às muitas “imitações” das
tartes de ovo, mantendo actualmente uma presença apenas no Japão e Filipinas.
Foi na vizinha região de Hong Kong que a febre dos
pastéis atingiu o auge: “criando aquilo a que costumávamos chamar, em tom de
brincadeira, a guerra das tortas de ovo”, recorda Eileen. “Havia pessoas de
carteira na mão a entrar na nossa pastelaria para literalmente subornar a nossa
equipa. Isso é um livro que irei escrever um dia, depois de passar a negócio à
Audrey [filha de Andrew]”, diz a empresária.
O território esteve mais de quatro séculos, até 1999, sob
administração portuguesa, mas Eileen não estranha ter sido um inglês a promover
o pastel de nata na Ásia.
Antigamente, sublinha a empresária, “a maioria dos
portugueses vinha para cá como funcionários públicos de alto nível, não vinham
abrir um pequeno negócio e ficar em Macau”. “Há uma atitude muito diferente no
pensamento dos portugueses agora que os casinos estão cá e o turismo disparou”,
acrescenta Eileen. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”
O Governo acredita que faz mais sentido “alavancar as
redes internacionais” das operadoras aéreas que operam na RAEM, potenciando as
rotas de curta distância para outros destinos da Ásia que ofereçam ligações de
longa distância, no âmbito do lançamento de um voo directo entre Macau e
Portugal. Para a Autoridade de Aviação Civil de Macau, as “rotas directas de
longa distância apresentam desafios significativos”, segundo o último relatório
anual de sugestões, queixas e objecções do organismo. O total de queixas
submetidas à AACM caiu 19% face a 2024
No relatório anual sobre as sugestões,
queixas e objecções que a Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) recebeu
ao longo de 2025, é indicado que duas submissões apontaram para a abertura de
ligações directas entre a RAEM e Portugal. Em resposta às duas sugestões, o
organismo refere que o “lançamento de rotas directas de longa distância
apresenta desafios significativos”.
Segundo o documento consultado pelo Jornal Tribuna de Macau,
a AACM comentou ser uma abordagem mais apropriada “alavancar as redes
internacionais das operadoras actualmente em actividade em Macau para
providenciar aos residentes e turistas serviços de transferência e de voos de
ligação”.
O Governo defende que “de uma perspectiva comercial, as
operadoras aéreas precisam de avaliar factores como a procura do mercado de
passageiros e a relação custo-benefício”. Tendo em conta a escala actual da
indústria de transporte aéreo de Macau, a AACM acredita que fará mais sentido
oferecer voos com escala em locais como Banguecoque, Kuala Lumpur, Singapura,
Taiwan e Interior da China, com serviços de despacho de bagagem de bilhete
único incluídos.
Esta abordagem permite uma conexão entre as ligações de
curta distância de Macau com rotas longas, no âmbito da qual a Sociedade do
Aeroporto Internacional de Macau (CAM) se encontra “activamente a colaborar com
as operadoras para promover serviços de transferência e ligação”, no sentido de
expandir a rede de destinos da RAEM, refere o relatório.
Recorde-se que o primeiro voo directo entre Pequim e
Lisboa operado pela Beijing Capital Airlines está agendado para o dia 22 de
Junho, segundo adiantou no último mês Tiago Brito, director do Turismo de
Portugal na China, durante a Exposição Internacional de Turismo. A duração será
de cerca de três meses, sendo que o voo terá uma frequência semanal. O voo de
ida partirá na segunda-feira do Aeroporto de Pequim Daxing às 10:55, chegando a
Lisboa às 17:15 (hora local). Já o voo de regresso sairá às 18:55 de Lisboa,
com chegada a Pequim Daxing às 14:00 (hora local) do dia seguinte.
Mais recentemente, no encontro que o Chefe do Executivo
manteve em Portugal com o Presidente da República, António José Seguro propôs
que ambas as partes “reforcem a cooperação no sector turístico e estudem
activamente a viabilidade da abertura de uma rota aérea directa entre os dois
lados”.
Queixas à AACM decresceram 19%
No cômputo geral do ano passado, a AACM recebeu quatro
sugestões, o mesmo número que em 2024, e 160 queixas, que representam uma
descida homóloga de 18,75%. De um total de 164 casos, 158 estavam relacionados
com as operadoras aéreas e disseram respeito sobretudo a actividades comerciais
e serviços ao cliente. Estes incluíram 157 queixas e apenas uma sugestão, todas
relativas à categoria de “transportes e logísticas”, representando uma quebra
anual de 20,89%.
A AACM garante que já reencaminhou a sugestão e as
queixas para as respectivas empresas, sendo que em algumas situações poderá
solicitar às operadoras para dar uma resposta imediata aos queixosos.
Por outro lado, os seis restantes casos foram dirigidos
aos processos operacionais da própria AACM, incluindo três queixas e três
sugestões, o que corresponde ao dobro do total do ano anterior.
Para além das duas sugestões relativas às ligações aéreas
entre Macau e Portugal, três dos casos referiram-se às actividades de aeronaves
não-tripuladas. No documento, a AACM frisa que as operadoras podem operar na
área costeira por trás do Centro de Ciência de Macau, desde que respeitem as
regras de segurança e tenham recebido a devida autorização das autoridades, à
semelhança das actividades realizadas em áreas residenciais O organismo
salienta que a maior parte das actividades que envolvem naves não-tripuladas
decorrem à noite ou em eventos de larga escala.
Por fim, o último caso teve a ver com o serviço de teste
de proficiência em inglês designado pela AACM, acerca do qual o organismo
garante que irá cooperar com a entidade responsável pelo mesmo para rever e
melhorar a metodologia do exame. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna
de Macau”