Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 20 de abril de 2026

França - Elsinha lança “Liberdade”, um álbum que cruza culturas e histórias pessoais

A artista lusófona baseada em Paris, Elsinha, prepara-se para lançar o seu primeiro álbum de estúdio, “Liberdade”, no próximo dia 3 de junho. Depois do EP “Salvação” (2019), o projeto afirma uma identidade artística construída a partir da fusão de múltiplas influências culturais.


Nascida em França de pais portugueses, Elsinha cresceu num ambiente onde a música fazia parte da própria história familiar. Neste novo trabalho, a cantora apresenta uma sonoridade híbrida, onde se cruzam referências afro-brasileiras, elementos da tradição lusófona e influências ibéricas, incluindo melodias andaluzas e nuances do fado. O resultado é um álbum emocionalmente intenso, que reflete tanto o percurso pessoal da artista como a sua experiência multicultural.

Um álbum com identidade definida

Comparado com o trabalho anterior, a artista considera que este novo projeto revela uma maior maturidade artística e uma direção mais clara. “Este álbum tem cores mais harmoniosas e uma identidade mais comum”, explica, destacando uma maior coesão sonora e conceptual com o apoio e direção artística do coletivo Mix et Métisse.

O projeto inclui temas em português e espanhol, refletindo o percurso internacional da artista, que já viveu em França, Brasil e Espanha. A artista integra de forma intuitiva influências adquiridas nos diferentes países onde viveu. Das palmas flamencas às sonoridades brasileiras e incluindo elementos mais clássicos constrói uma linguagem musical própria e não deixa de sublinhar o impacto que teve na sua música o facto de ter crescido em Paris, num ambiente que caracteriza como “marcado pela diversidade cultural”.

O single “Soledad”, já disponível com videoclipe, antecipa o tom intimista do disco: “é uma música carregada de lembranças de infância, uma época onde me sentia sozinha e incompreendida”, explica.

A herança e a reconstrução do passado

Para além da dimensão cultural, Liberdade afirma-se como um projeto profundamente pessoal, onde a artista revisita a sua história familiar e a relação ambivalente com a música. Com raízes numa família onde o bisavô tocava acordeão nas Arcadas do Fado, em Almancil, e a mãe tinha paixão pelo fado, este caminho foi durante anos visto com receio: “Na minha família, a perceção era que não dava para viver da música”.

Durante anos, o tema foi um tabu na família, até ao momento marcante em que a mãe assistiu, pela primeira vez, a um concerto seu no Café de la Plage, em Paris. “Ela segurou-me a mão, a chorar, e disse: agora percebo porque é que queres fazer isto, foste feita para isto”.

Iniciado há três anos, sem uma direção definida, o projeto foi ganhando forma à medida que a artista revisitava o passado e transformava esse processo num caminho de cura e libertação. “Foi toda uma recompilação do passado que depois se revelou no meu trabalho, e a direção foi-se mostrando aos poucos”.

O resultado é um disco que cruza memória e presente, num gesto de cura que a própria define também como coletivo: “Sinto que este trabalho foi feito para mim, mas também para libertar as memórias da minha mãe, da minha avó e dos meus ancestrais”. A participação da mãe na última faixa reforça esse simbolismo, encerrando o álbum como um momento de união e reconhecimento. Catarina Franco – França in “LusoJornal”


Angola - Escritor João Rosa Santos defende mais união entre escritores da CPLP

O escritor angolano, João Rosa Santos, reafirmou, recentemente, a necessidade e pertinência de união entre escritores de diferentes territórios que conformam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).


João Rosa Santos falava no acto de lançamento da 6.ª edição do projecto Elos da Língua Portuguesa, antologia lançada em homenagem à Guiné Equatorial, que decorreu no último sábado, na cidade do Rio Preto, Estado de São Paulo, no Brasil.

‎Mais do que uma simples reunião de textos, a sexta edição  da Antologia de Língua Portuguesa contou com a participação de 154 escritores, entre os quais, alguns angolanos.

‎De acordo com o também imortal da Academia Brasileira de Escritores, o projecto Elos da Língua Portuguesa amplia o horizonte da Lusofonia e fortalece a pluralidade de vozes que nela habitam.

‎Para os organizadores do evento, João  Paulo Vani, presidente da Academia Brasileira de Escritores e Samira Camargo, coordenadora do projecto, nesta edição, a colectânea percorre paisagens culturais marcadas pela convivência  entre tradições pela memória histórica e pelas múltiplas formas de expressão, que encontram no português um ponto de encontro.

Segundo soube O País, a próxima edição da Antologia Elos da Língua Portuguesa está prevista para o ano de 2027, com uma homenagem à República de São Tomé e Príncipe. Flávio da Costa – Angola in “O País”

Internacional - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde lidera programa doutoral para estudar o cérebro

Consórcio internacional reúne 23 parceiros de 12 países para formar 15 doutorandos e explorar novas abordagens terapêuticas para doenças neurológicas e psiquiátricas


O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto vai coordenar, pela primeira vez, um consórcio internacional no âmbito das Marie Skłodowska-Curie Actions – Doctoral Networks, tendo sido distinguido com um financiamento europeu de 4,5 milhões de euros para a criação de um programa doutoral pioneiro no domínio das neurociências.

Coordenado por Olga Sin e denominado AstroCirc, este programa doutoral reúne 23 parceiros académicos e não académicos, de 12 países europeus, incluindo Portugal, Reino Unido, Noruega, Áustria, República Checa e Alemanha. O objetivo principal é investigar o papel dos astrócitos — as células não neuronais mais abundantes no cérebro — na formação, funcionamento e manutenção dos circuitos cerebrais.

“Queremos compreender os mecanismos que estão na base da disfunção dos astrócitos num conjunto alargado de doenças neurológicas e psiquiátricas, incluindo epilepsia, depressão, doença de Alzheimer e doença de Parkinson, e abrir caminho a abordagens terapêuticas mais integradas e inovadoras”, sublinha Olga Sin.

Formação doutoral internacional e intersetorial

Com início previsto para 2027 e duração de três anos, o AstroCirc vai formar 15 estudantes de doutoramento, especializados nas interações astrócito-neurónio e na dinâmica dos circuitos neurais.

Os doutorandos serão distribuídos por 12 instituições académicas do consórcio e terão a oportunidade de realizar estágios noutras instituições académicas e parceiros não académicos, promovendo uma verdadeira mobilidade internacional e intersetorial. Dois estudantes vão ficar sedeados no i3S, cabendo ao Instituto da U.Porto receber mais quatro doutorandos de outras instituições em sistema de rotatividade.

De acordo com Olga Sin, o programa distingue-se por uma abordagem simultaneamente interdisciplinar e intersetorial: “É interdisciplinar porque reúne investigadores de renome internacional em biologia glial, provenientes de backgrounds científicos muito diversos, que colaboram pela primeira vez para responder a questões científicas complexas a partir de perspetivas complementares”.

Por outro lado, continua a gestora do programa, “é intersetorial porque expõe os doutorandos a contextos para além da academia, através de estágios, cursos e workshops dinamizados por empresas de biotecnologia, indústria farmacêutica, editores-chefes de revistas científicas, associações de doentes e profissionais da área do direito”.

Preparar carreiras dentro e fora da academia

Para além de proporcionar uma formação científica de excelência, o AstroCirc pretende capacitar os doutorandos para tomarem decisões informadas sobre os seus percursos profissionais, seja na investigação académica, na indústria ou outros setores da sociedade.

Para Olga Sin, este programa doutoral tem um significado pessoal e profissional profundo. Tendo feito a transição da investigação para a gestão de projetos científicos, explica, a coordenação do AstroCirc é “a concretização de um sonho profissional”.

“Conceber um programa educativo de raiz, ajustado às necessidades atuais da nossa área de investigação, é exactamente onde queria estar nesta fase da minha carreira. Vou ter o privilégio de moldar a próxima geração de cientistas, gestores de ciência ou líderes em setores não académicos, e fazê-lo num contexto internacional”, sublinha.

A gestora destaca ainda a importância do contacto próximo com os doutorandos e da colaboração com parceiros fora da academia: “Motiva-me a poder contribuir de forma ativa e próxima para a educação e carreira de jovens promissores, trabalhando lado a lado com cientistas de renome e com exemplos de sucesso na biotecnologia, farmacêutica, advocacia, edição científica e empreendedorismo”.

Sobre as MSCA Doctoral Networks

As redes de doutoramento Marie Skłodowska-Curie Actions constituem um dos instrumentos centrais de financiamento do Horizonte Europa, focado na formação de doutorandos de elevado nível.

Cada rede apoia um grupo de investigadores em fase de doutoramento, distribuídos entre as instituições parceiras do consórcio, promovendo a mobilidade internacional, a colaboração interdisciplinar e a articulação com o setor não académico.

Para mais informações, consultar a página da iniciativa. Universidade do Porto - Portugal


Uma obra para recuperar a história de Setúbal

Projeto prevê três volumes que, por sua pluralidade de temas, tornar-se-ão instrumento de consulta obrigatória para historiadores, professores e estudantes

                                                                                                     

                                                            I


Setúbal, a cidade onde nasceu o poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805), acaba de ganhar um projeto editorial que pretende se tornar a maior obra de investigação sobre a história do município, trazendo à luz informações sobre temas pouco conhecidos, além de incentivar novas investigações. Nesse sentido, foi lançado em julho de 2025 o primeiro volume do Dicionário de História de Setúbal, trabalho coordenado pelo historiador Albérico Afonso Costa e publicado pelo jornal O Setubalense, com o apoio da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra e da Câmara Municipal de Setúbal.

Para julho de 2026, está previsto o lançamento do segundo volume. E, para julho do ano seguinte, o terceiro e último. O primeiro volume marcou também a passagem do 170.º aniversário de fundação de O Setubalense, o mais antigo jornal em circulação em Portugal continental. No total, os três volumes contam com a colaboração de quase uma centena de profissionais de áreas como arqueologia, sociologia, antropologia, economia, arquitetura e jornalismo.

Com a participação de 76 historiadores, o primeiro volume, que já foi distribuído para as bibliotecas escolares da cidade, traz cerca de 500 entradas que vão de A até E e, como os demais, abrange um período de cerca de dois mil anos, desde a presença romana, quando o vilarejo era conhecido como Cetóbriga, até a época contemporânea (ano de 1976), sendo os temas dos séculos XIX e XX de maior presença, como observa o coordenador no prefácio. Por isso, o leitor vai encontrar nos três volumes desde a época em que o burgo não passava de uma medieval vila amuralhada contra piratas e invasões até a sua transformação numa cidade industrial e moderna.

De surpreender é que, ao contrário do que comumente se lê em tradicionais livros de História, os verbetes trazem também referências sobre a chamada Setúbal rebelde, ou seja, sobre as lutas de tendência anarquista que a levaram a ser conhecida como Barcelona portuguesa, sem deixar de  mostrar igualmente a cidade assolada pela opressão fascista nos anos salazaristas (1933-1974), bem como a luta dos menos favorecidos que moravam em bairros com construções precárias, até se transformar num burgo industrial a partir da década de 1960, situado na margem norte do estuário do rio Sado, a cerca de 50 quilômetros ao Sul de Lisboa. Enfim, uma cidade com fortes ligações com o mar, a pesca e o turismo, famosa também por suas mulheres conserveiras, que trabalhavam nas indústrias de conservas de pescado e eram parte integrante de um proletariado que buscava um futuro digno.

 

 

                                                            II

Como não poderia deixar de ser, a família Bocage recebeu largo espaço neste Dicionário, a começar pela entrada dedicada ao famoso poeta, que vai da página 195 à de número 199, de autoria do professor e historiador António Chitas, que foi vice-presidente do Centro de Estudos Bocagianos (2006-2014) e é autor de numerosos artigos e crônicas sobre a história e figuras de Setúbal. Com base em quatro obras do historiador Daniel Pires, especialmente a mais recente, O essencial sobre Manuel Maria de Barbosa du Bocage (Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2023), do investigador Jorge Morais, autor de Bocage Maçon (Coimbra, Via Occidentalis Editora, 2007), e sobretudo deste articulista, Bocage: o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003), além da citação de uma famosa conferência do poeta Olavo Bilac (1865-1918) no Teatro Municipal de São Paulo, em 1917, Chitas traça, em rápidas palavras, a trajetória do poeta, desde sua infância e adolescência em Setúbal, sua vida um tanto desregrada em Lisboa, suas viagens, a partir de 1786, a princípio como guarda-marinha, a Goa  e, posteriormente, já como desertor, a Surrate, na Índia, Cantão e Macau, na China. Quatro anos depois, já de volta à Lisboa e sua vida boêmia, Bocage inicia uma carreira literária com sua inscrição na Nova Arcádia e a publicação, a partir de 1791, de pelo menos três obras. Influenciado pelo clima de liberdade provocado pela Revolução Francesa (1789-1799), produz poemas e traduz obras que não haveriam de agradar às autoridades constituídas, o que o levou até a projetar uma fuga para o Brasil, que lhe não foi possível empreender. Acusado de autor de “papéis ímpios, sediciosos e críticos”, seria colocado na Cadeia do Limoeiro e, depois, transferido para os cárceres da Inquisição. Recuperaria a liberdade no último dia de 1798 e passaria a trabalhar como revisor e tradutor na Tipografia do Arco do Cego, período em que, em 1799, publicaria o segundo tomo de suas Rimas, cuja primeira edição é de 1791.

Em 1802, ainda seria denunciado como pedreiro-livre (maçom) e passaria por novos dissabores, que incluiriam seu encarceramento. Em 1804, publica o terceiro volume de Rimas para, no ano seguinte, adoecer gravemente, vítima de um aneurisma nas carótidas, e vir a falecer a 21 de dezembro, com apenas 40 anos. Da família Bocage, há ainda verbetes sobre Gilles Hedois Ledoux du Bocage, avô materno do poeta, Mariana Joaquina Caetana Xavier Lustoff du Bocage, sua mãe, Gil Francisco Barbosa du Bocage, seu irmão mais velho, José Luís Soares de Barbosa, seu pai, além de outros parentes. Sem contar as entradas que tratam das comemorações bocagianas que se realizaram durante os séculos XIX e XX, entre as quais a história da colocação da estátua do poeta na antiga Praça do Sapal que passaria a ser chamada de Praça Bocage, inaugurada no dia 21 de dezembro de 1871.

 

                                                                III

Nos demais verbetes, o leitor tomará conhecimento de vários aspectos que emolduram a história de Setúbal, como, por exemplo, fatos que ocorreram em 1949, à época da realização de eleições para a presidência da República, quando pela primeira vez, após o golpe de 28 de maio de 1926, hostes contrárias ao regime concorreram, tendo à frente o general Norton de Matos (1867-1955), contra o general Óscar Carmona (1869-1951), candidato da situação. Como diz em extenso verbete o historiador Albérico Afonso Costa, o movimento, iniciado em 1948, “tentará reerguer dos escombros o movimento antifascista que havia sido destroçado no pós-guerra”.

Da resistência ao fascismo salazarista, há ainda vários verbetes que tratam da história de vida de setubalenses militantes da causa da liberdade que foram perseguidos pela PIDE, a polícia política do regime, inclusive à época das eleições marcadas para 1958, que apoiavam a candidatura do general Humberto Delgado (1906-1965), igualmente derrotado em pleito fraudulento contra o almirante Américo Tomás (1894-1987), candidato do regime.

Além de fatos ligados diretamente à História de Setúbal, o leitor irá encontrar centenas de verbetes que relembram personagens que foram reconhecidos por suas atuações na cidade, biografias de personalidades políticas, culturais, desportivas, militares e religiosas, além de jornalistas, empresários, artistas plásticos, pintores, escultores, médicos, poetas, escritores, jogadores de futebol e outros profissionais. Como observa o coordenador, houve a preocupação de selecionar apenas pessoas já falecidas.

Outra preocupação, segundo ele, foi a de dar realce àqueles que habitualmente são esquecidos pela História e que, “fazendo parte de sua matéria-prima, deixaram no seu mundo/cidade uma nítida impressão digital”. Nesse sentido, também foram lembradas instituições que marcaram (e ainda marcam) sua existência na História de Setúbal, como a Casa de Bocage, onde se acreditava erroneamente que teria nascido o poeta, a Casa dos Pescadores, o Casino Setubalense, associações representativas de diversas profissões, clubes de futebol, jornais e publicações impressas já desaparecidas, igrejas, conventos, ermidas e capelas católicas, confrarias e irmandades negras, além de relatos de viajantes estrangeiros que estiveram na Setúbal nos séculos XVIII e XIX.  Enfim, trata-se de uma obra que, com certeza, ficará na História de Setúbal.

 

                                                                    IV


Albérico Afonso Costa (1951) é historiador e investigador integrado do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL). Professor coordenador na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS). Doutor em História Contemporânea, na especialidade de História Cultural e das Mentalidades, pela FCSH da UNL, tem colaborado e coordenado projetos na área da História, formação de professores e formação profissional.

Tem vários trabalhos publicados nestas áreas de investigação, com destaque para: FPA, a Fábrica LeccionadaAventuras dos Tecnocatólicos no Ministério das Corporações (2008); Roteiro Republicano de Setúbal, coord. (2010); História e Cronologia de Setúbal - 1248-1926 (2011);   Salazar e a Escola TécnicaUma reforma tolerada num regime intolerante (2011); Setúbal sob a Ditadura Militar – 1926-1933 (2014) e Setúbal Cidade VermelhaSem perguntar ao Estado qual o caminho a tomar —1974/1975 (2017); Lugares de José Afonso na Geografia de Setúbal (2019); Setúbal no Centro do Mundo, 165 anos do jornal O Setubalense, coord. (2020); Setúbal sob o Estado Novo – A Resistência  a Salazar, vol. 1, 1933-1949, 2021, e Setúbal sob o Estado NovoA Resistência a Salazar e a Caetano, vol. 2, 1950-1974 (2023); e O Círculo Cultural de Setúbal – De Ninho Oposicionista a Quartel-General da Revolução, um redondo vocábulo, pela mão de José Afonso (2024).

Tem proferido dezenas de comunicações e conferências sobre os temas de História Contemporânea e formação de professores. Tem ainda publicações em livros coletivos, revistas e atas de eventos científicos. Diretor da revista Medi@ções da Escola Superior de Educação de Setúbal, é também coordenador do Departamento de Ciências Sociais e Pedagogia e membro do Conselho Técnico Científico da Escola Superior de Educação do IPS.

Em 2019, recebeu da Câmara Municipal de Setúbal a medalha de honra da cidade na classe de atividades culturais. Em 2020, foi homenageado pela Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão (LASA) pelo “valioso contributo que tem dado à comunidade setubalense”. Adelto Gonçalves - Brasil

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Dicionário de História de Setúbal, vol. I:A-E, de Albérico Afonso Costa (coordenação). Setúbal, Jornal O Setubalense, 20 euros, 456 páginas, 2025. E-mail: geral@osetubalense.com

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Adelto Gonçalves (1951), jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos. E-mail: marilizadelto@uol.com.br




domingo, 19 de abril de 2026

Portugal - Imigrantes pagam centenas por cursos de português com certificados inválidos

Imigrantes que não falam português estão a pagar largas centenas de euros por cursos de Português Língua de Acolhimento (PLA), com o objetivo de conseguirem a nacionalidade, mas alguns dos certificados passados não são válidos

A prova de conhecimento de língua portuguesa, que se obtém com o aproveitamento de um nível A2 do curso de PLA, dispensa o imigrante de fazer a “prova da nacionalidade” e por isso a sua procura tem aumentado, assim como as fraudes nesta área.

“Tem aumentado o número de fraudes que vamos tendo conhecimento e que afetam sobretudo pessoas muito vulneráveis”, afirmou à Lusa a diretora do Centro de Avaliação e Certificação de Português Língua Estrangeira (CAPLE), uma unidade orgânica da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Segundo Nélia Alexandre, algumas instituições privadas cobram milhares de euros por formações online, como o caso de um imigrante que pagou cerca de 6000 euros por um curso alegadamente certificado, mas que na realidade não tinha qualquer valor.

Os casos chegam ao CAPLE através dos próprios lesados, convencidos que cabe a este centro a sua fiscalização, uma vez que é a única entidade portuguesa que avalia e certifica as competências escritas e orais em português como língua estrangeira.

Contudo, a responsabilidade sobre o desenvolvimento dos cursos PLA é das entidades que os promovem: Os estabelecimentos de ensino da rede pública, a rede de centros do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP) e a rede de Centros Qualifica, o que se traduz no envolvimento de várias tutelas.

Com o crescimento da imigração em Portugal, sobretudo de cidadãos que não falam português, aumentou a procura destes cursos, com a oferta a não ser suficiente.

A falta de formadores dificulta a resposta, o que em parte se deve à legislação que obriga a que estes docentes sejam da área da língua portuguesa, como disse à Lusa a diretora do Departamento de Formação Profissional do IEFP, Luz Pessoa e Costa.

Atentas a esta procura, algumas empresas e associações privadas que estabelecem protocolos com as entidades oficiais cobram os valores que entendem por cursos que, em determinadas situações, não conduzem a um conhecimento mínimo do português e terminam com um certificado que não faz prova para efeitos de pedido de concessão de autorização de residência permanente, de concessão de estatuto de residente de longa duração e de nacionalidade portuguesa, o que estes imigrantes procuram.

A agência Lusa falou com vários imigrantes que pagaram largas centenas de euros para frequentar cursos de PLA, sobretudo online, porque os gratuitos tinham listas de espera de vários meses e receavam não conseguir a nacionalidade devido ao apertar das regras da imigração em Portugal.

Apesar de a lei determinar que a formação termina com a obtenção de um certificado, o que estes imigrantes procuram na esmagadora maioria dos casos, há registo de situações em que os diplomas não têm qualquer valor para o efeito pretendido.

“Já fomos contactados pela AIMA por esta ter dúvidas sobre determinados certificados de cursos, alegadamente promovidos pelo IEFP. Os casos que eram falsificações e com o uso indevido do símbolo do instituto foram encaminhados para o Ministério Público”, revelou Luz Pessoa e Costa.

Estas situações lesaram, sobretudo, os formandos que ficaram com um certificado sem validade para a aquisição da nacionalidade portuguesa e sem o dinheiro que pagaram pela formação.

Nélia Alexandra garante que, quando chegam ao CAPLE denúncias de situações irregulares, das mesmas dá conta à AIMA, ao IEFP e à ANQEP.

À AIMA, por exemplo, enviou, por email, à respetiva secção da Língua Portuguesa, correspondência e imagens a suportar as acusações, afirmou.

Contactada pela Lusa, a AIMA disse não ter registo de denúncias de situações fraudulentas, esclarecendo que não existe “um mecanismo oficial de reporte de fraude sob a sua responsabilidade”.

E indicou que “a qualidade dos cursos é da responsabilidade das respetivas entidades promotoras e das entidades que as tutelam”.

Isto apesar de a AIMA coordenar, desde 2021, o Grupo de Trabalho PLA, que tem como objetivos a monitorização e a avaliação dos cursos PLA, entre outros.

Em relação aos cursos de PLA ministrados por estabelecimentos de ensino da rede pública, fonte do gabinete do ministro da Educação, Ciência e Inovação disse que as situações de fraude que são reportadas à ANQEP dizem respeito a custos e à obtenção de certificados em entidades que não se enquadram nas entidades promotoras previstas na legislação.

E acrescentou que todas as situações de fraude “são objeto de análise pelas entidades competentes, podendo conduzir à revisão de procedimentos, cessação de protocolos, devolução de apoios financeiros ou outras medidas legalmente previstas”.

“Sempre que as denúncias contenham indícios suscetíveis de configurar a prática de ilícitos, nomeadamente de natureza criminal, as mesmas poderão ser encaminhadas para o Ministério Público, para efeitos de averiguação, nos termos legais aplicáveis”, adiantou. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Estados Unidos da América - Carolina Figueiredo vence Prémio Vera Rubin New Frontiers 2026

A física portuguesa Carolina Figueiredo venceu o Prémio Vera Rubin New Frontiers 2026 pelo seu contributo para a estrutura geométrica das amplitudes de dispersão, revelando relações ocultas entre as teorias quânticas de campos. O galardão, anunciado sábado pela Breakthrough Prize Foundation, reconhece trabalho de excelência na área da física de partículas e tem o valor de 50 mil dólares

O Presidente da República, António José Seguro, felicitou publicamente a cientista, sublinhando o orgulho nacional pela distinção alcançada. “Hoje é um dia de orgulho para Portugal”, afirmou, acrescentando que “os jovens não são apenas o futuro, são o presente que precisamos de escutar, valorizar e mobilizar”. O chefe de Estado destacou ainda que este prémio é “mais uma prova” do talento existente no país e concluiu: “Parabéns, Carolina. O teu percurso inspira Portugal.”

Também o Ministério da Educação, Ciência e Inovação saudou a conquista, destacando o significado da distinção e o impacto do trabalho desenvolvido pela investigadora. Em comunicado, o ministério sublinhou que a atribuição do prémio reconhece o contributo notável de Carolina Figueiredo para a física de partículas, incluindo a identificação de uma ligação geométrica oculta entre teorias quânticas e a descoberta de que “colisões que envolvem três tipos de partículas podem produzir os mesmos resultados”, considerada uma abordagem inovadora às interações fundamentais.

O Prémio Vera Rubin New Frontiers é atribuído anualmente a mulheres físicas que tenham concluído o doutoramento nos últimos dois anos, podendo distinguir até três investigadoras por edição.

A cerimónia da entrega de prémios está marcada para domingo, 26 de abril, às 15h00 (horário da costa leste dos Estados Unidos), e será transmitida em direto através do YouTube.

Carolina Figueiredo, estudante de doutoramento na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, licenciou-se em Engenharia Física Tecnológica pelo Instituto Superior Técnico, em Lisboa, onde foi distinguida com o Prémio de Mérito McKinsey. A sua investigação, publicada em 2024, contribui para uma compreensão mais profunda do universo e coloca-a entre as cientistas mais promissoras na área da física de partículas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Contramão












Vamos aprender português, cantando

 

Contramão

 

Vou remar contra a corrente

vou nadar contra a maré

na corrida contra o vento

se acredito, tenho fé

 

Vivo em contramão

brindo em contramão

pra não perder a direção

vivo em contramão

brindo em contramão

levanto o copo na mão

 

Vivo em contramão

brindo em contramão

vem dançar até ao chão

vivo em contramão

brindo em contramão

só pra criar confusão

 

Vamos brindar a alegria

viver mais um dia

a vida é uma festa

um brinde aos que estão aqui pra ti

 

Não vem ninguém que não presta

não sei se esta vida é uma só

não dá pra ficar parado

não há volta pro passado

 

Vivo em contramão

brindo em contramão

pra não perder a direção

vivo em contramão

brindo em contramão

levanto o copo na mão

 

Vivo em contramão

brindo em contramão

vem dançar até ao chão

vivo em contramão

brindo em contramão

só pra criar confusão

 

Se vou ao chão

levanto e sigo

não dá pra ficar parado

não dá, não dá, não dá

esta vida é uma só

não há volta pro passado

só pra criar confusão

 

Nunca soube a direção,

nem sei o caminho errado.

Passo a vida em contramão,

mas não volto pro passado,

 

O sentido, vou sentindo.

Não me peças para ficar.

Não perguntes onde vou amanhã.

Eu não vou parar.

Não vou parar.

Não vou parar.

Não vou parar

 

Bia Caboz – Portugal