Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 29 de agosto de 2026

Moçambique - Noémia de Sousa celebrada no centenário do seu nascimento

O legado e a obra da poetisa moçambicana Noémia de Sousa estiveram em destaque numa sessão de conversa realizada, esta quinta-feira, na cidade de Maputo, no âmbito das celebrações do centenário do seu nascimento.

O encontro reuniu artistas, escritores e outras personalidades ligadas às artes e à cultura, que revisitaram a trajectória e a contribuição da autora de Sangue Negro para a literatura moçambicana.

Convidada para o encontro, a actriz Ana Magalhães destacou a importância de preservar e divulgar o legado de Noémia de Sousa, que considera uma mulher de luta e uma referência na formação de jovens através da arte e da poesia.

Para a actriz, uma das melhores formas de Moçambique continuar a homenagear a poetisa é promover iniciativas que mantenham viva a sua obra, levando os seus escritos às novas gerações e divulgando também a sua luta.

Ana Magalhães defendeu igualmente a necessidade de aproximar os jovens da obra da poetisa e incentivá-los à leitura e à escrita, sublinhando que o desenvolvimento de qualquer talento exige dedicação, aprendizagem e estímulo.

“Os jovens devem ler, devem tentar escrever e devem tentar perceber o que os rodeia. Ninguém nasce a saber”, afirmou a actriz.

A artista lembrou ainda que nenhuma profissão ou vocação surge de forma espontânea, sendo necessário tempo, dedicação e apoio para desenvolver capacidades.

Nascida em Catembe, em 1926, Noémia de Sousa destacou-se como poetisa, jornalista e tradutora. A sua obra, marcada por uma forte dimensão social e de afirmação da identidade moçambicana, tornou-a numa das principais referências da literatura nacional.

A autora de Sangue Negro morreu em 2002, deixando uma obra que continua a influenciar novas gerações de escritores e artistas moçambicanos. In O País” - Moçambique


Cabo Verde - Paulo Rosa apresenta “Ocultação” numa viagem entre a cultura cabo-verdiana e a arte contemporânea

Cidade da Praia – O batuque, a tabanca, o funaná, a emigração e outras referências da cultura cabo-verdiana ganham novas formas na exposição “Ocultação”, do artista plástico Paulo Rosa, numa proposta que cruza memória, identidade e arte contemporânea.


Com 17 obras, a exposição encontra-se patente na Câmara Municipal da Praia, até ao final deste mês, e convida o público a descobrir, entre figuras, cores e formas, diferentes leituras da identidade e da cultura cabo-verdiana.

“O próprio título da exposição é ‘Ocultação’, como uma mistura de sibites, qualquer coisa relacionada com forças misteriosas que actuam na mente humana”, explicou Paulo Rosa à Inforpress.

Nascido na cidade da Praia, em 1969, o artista construiu um percurso ligado às artes plásticas e à formação artística, com estudos de arte em Portugal e experiências como professor de pintura e coordenador de workshops e cursos.

Na exposição, recupera elementos da cultura cabo-verdiana e apresenta-os através de uma linguagem contemporânea, com o propósito de aproximar diferentes gerações da criação artística.

“Os temas são bem relacionados com os tradicionais. O batuque, a tabanca, o coração de João, a emigração”, afirmou.

Através da pintura, Paulo Rosa revisita manifestações culturais que, em determinados períodos, enfrentaram resistência e perderam espaço na sociedade cabo-verdiana. Entre elas está a tabanca que, segundo o artista, chegou perto do desaparecimento antes de recuperar a visibilidade.

O batuque também ocupa um lugar na exposição, numa abordagem que procura preservar a ligação às raízes culturais e, ao mesmo tempo, acompanhar novas linguagens artísticas.

“A arte é também a própria época”, defendeu, considerando que o artista deve acompanhar a modernidade sem abandonar os elementos da sua realidade.

Entre as obras apresentadas está “Cotxipó”, inspirada na música e na dança modernas de Cabo Verde.

A relação entre realidade e imaginação constitui outra dimensão de “Ocultação”. As figuras humanas surgem entre diferentes camadas de cor e matéria, sem uma representação totalmente definida, deixando ao visitante espaço para construir a sua própria interpretação.

A aproximação às novas gerações acompanha também o percurso de Paulo Rosa, que durante vários anos se dedicou ao ensino da pintura em diferentes instituições do país.

“Estou feliz por ver novas gerações com trabalhos artísticos modernos”, afirmou o artista, que defende a continuidade da criação e a renovação das formas de expressão.

Com várias exposições realizadas em Cabo Verde e na diáspora, Paulo Rosa recebeu distinções no domínio das artes plásticas, entre as quais o primeiro prémio num concurso nacional de pintura e um Diploma de Mérito Cultural atribuído pelo Ministério da Cultura.

Actualmente, é membro da Comissão de Artes Plásticas da Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA) e mantém uma actividade artística independente.

Depois de “Ocultação”, o artista prepara novos projectos. Entre os planos estão possíveis exposições na Assembleia Nacional e num espaço localizado na zona da Trópico, além de convites para apresentar os seus trabalhos em São Vicente e Santa Maria.

Paulo Rosa admite ainda uma deslocação ao Ceará, no Brasil, com o propósito de levar a sua pintura a novos públicos e mostrar a dimensão universal de temas inspirados na realidade cabo-verdiana.

“A fim de poder mostrar aos outros povos a universalidade dos temas que também são pintados em Cabo Verde”, explicou.

Em “Ocultação”, Paulo Rosa parte de elementos reconhecíveis da cultura cabo-verdiana para construir uma linguagem que não se revela por completo ao primeiro olhar.

Entre figuras, cores e formas, cada visitante é convidado a descobrir aquilo que a pintura revela e o que permanece oculto. In “Inforpress” – Cabo Verde


China - Reforma abre novas oportunidades a advogados portugueses em Macau

Os advogados de Macau, incluindo os portugueses, vão poder, a partir de 01 de setembro, exercer em nove cidades do sul da China, segundo uma reforma aprovada pelo parlamento chinês


O Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, o órgão legislativo máximo da China, aprovou na sexta-feira alterações à lei que regula o exercício da advocacia.

As mudanças abrem as portas da região da Grande Baía a advogados das duas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong, que passam a poder prestar serviços jurídicos específicos nas áreas cível e comercial.

A Grande Baía é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

Para exercer na província vizinha, os advogados de Macau terão de primeiro passar num exame jurídico organizado pelo departamento de administração judicial do Conselho de Estado (o Executivo chinês).

O mesmo departamento irá definir também os requisitos de inscrição para o exame, os procedimentos de candidatura para o exercício da advocacia e o âmbito da prática permitida.

O secretário para a Justiça de Hong Kong, Paul Lam Ting-kwok, disse que a reforma aprovada pelo parlamento acaba por tornar definitivo um programa-piloto lançado em agosto de 2020.

Paul Lam sublinhou que, em junho, o programa já permitia que mais de 650 advogados de Hong Kong e Macau prestassem serviços jurídicos na Grande Baía em matéria civil e comercial.

Alguns atuaram perante tribunais da China continental como representantes em litígios e conduziram casos de arbitragem, acrescentou o dirigente, num comunicado.

Em 2024, o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Vong Hin Fai, disse que, dos cerca de 450 inscritos, 40% eram oriundos de países lusófonos e 80% dominavam a língua portuguesa.

Vong Hin Fai falava antes de liderar uma delegação da Ordem de Advogados de Macau numa visita a Portugal, onde se encontrou com a Ordem dos Advogados de Portugal.

No entanto, não houve qualquer anúncio sobre uma eventual reativação de um protocolo entre as duas ordens que facilitava a inscrição e o início do exercício para advogados portugueses em Macau, e que está suspenso desde 2013. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Cabo Verde - Elly Paris lança novo single “A Bh Oia Caga” focado no autoconhecimento e na superação

Cidade da Praia - A cantora cabo-verdiana Elly Paris disponibilizou no sábado, 22, nas plataformas digitais o seu mais recente single, intitulado A Bh Oia Caga, informou em comunicado a produtora da artista.


De acordo com a nota, o tema apresenta uma sonoridade dançante e motivadora, pretendendo incentivar os ouvintes a ignorar críticas externas e imposições que condicionem o seu processo criativo e crescimento pessoal.

“Afirmar a necessidade de autoconhecimento e blindar-se de opiniões externas. Demonstra ainda que conseguimos sempre enquadrar-nos e adaptar-nos em qualquer área em que nos empenhamos”, explicou a artista no comunicado.

Elly Paris destaca ainda que o trabalho pretende transmitir uma mensagem de resiliência, sublinhando que as falhas fazem parte do percurso e que o foco deve residir na capacidade de superação e continuidade dos projectos.

O single nasce da colaboração entre Elly Paris e os compositores Ginguh e Hamilton, contando com a produção musical e beat a cargo de Kelton Beats. In “Inforpress” – Cabo Verde


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Macau - Mostra colectiva celebra 23 anos da Creative

Três dezenas de artistas dão corpo à exposição “Present” que hoje será inaugurada na Galeria da Creative. A mostra colectiva assinala o aniversário do centro para actividades criativas. Lúcia Lemos, antiga directora e também artista, disse ao Jornal Tribuna de Macau que “o espírito do projecto inicial” se tem mantido, atraindo os criadores locais


A Creative está a celebrar 23 anos desde que foi fundada, em 2003, e para assinalar a data inaugura hoje, pelas 18h30, a exposição colectiva dos seus membros, denominada “Present” (“Presente”, na tradução para português), que integra obras diversificadas de 30 artistas residentes de Macau.

A mostra, que estará patente até 25 de Setembro, “acende a paixão artística do centro para as actividades criativas por ocasião do aniversário, celebrando a liberdade criativa sem limites”, diz o manifesto divulgado pela Creative. A exposição “defende cada voz única e convida os membros da Creative a darem asas às suas visões interiores através da arte visual surrealista”.

Explorando o duplo significado de “Present” – “como um presente artístico que transporta as emoções mais profundas do criador e como o momento fugaz congelado na arte eterna”, sublinha a introdução da mostra, na qual os “talentos” da Creative são encorajados a aproveitar a linguagem vanguardista do surrealismo – “utilizando metáforas simbólicas, perspectivas distorcidas e colagens irracionais em vários meios de comunicação – para transcender a realidade”, expressa o curador.

Em última análise, reforça, “estes trabalhos estabelecem uma ponte entre o criador, a obra de arte e o público, oferecendo reflexões profundas sobre o momento presente como um presente para o mundo”.

Os artistas participantes são: Alex Chao Io Chong, Alice Costa (Lili), Angel Chan, Angela Hoi Ka Ian, Christopher Lei, Coco Ut Man, David K.K. Chio, Denis Murrell, Fernando Simões, Ho Kuan Mui, Ho Si Man, Huang Min Yi, Irene Chio, Jenny Chio, José Sales Marques, Julia Lam, Justin Chiang, Justin Ung, Ken C.I. Chau, Liesl Lee, LiLi, Lúcia Lemos, Lynette Clennell, m.chow, Maria João Das, mavin zin, Papa Osmubal, Sofia Ung, Tchusca Songo e Yaya Vai.

Ao longo dos 23 anos, a Creative já organizou cerca de 230 exposições, a nível individual e colectivo, num percurso que contou com a divulgação de mais de seis mil obras. Actualmente, a organização cultural possui mais de 500 membros.

Men Chow, coordenador da Creative e curador da mostra. disse ao Jornal Tribuna de Macau que a galeria “funciona como uma plataforma dinâmica para que os criativos locais possam CRIAR, capacitando-os a transformar pensamentos intangíveis, ideias e observações pessoais em obras tangíveis e visualmente cativantes, através de abordagens criativas distintas e orientadas para o indivíduo”. Nesse sentido, “os profissionais são convidados a experimentar, para além dos limites convencionais, e a darem forma física a conceitos que, de outra forma, poderiam permanecer por expressar”, salienta.

Para esta exposição, a Creative lançou um desafio temático deliberado aos seus membros participantes. Na sua maioria, as peças são totalmente novas, moldadas através de uma perspectiva surrealista.

“Estas obras de arte imaginativas e impregnadas de sonhos assinalam um marco significativo, constituindo um presente comemorativo sincero para o nosso aniversário”, enfatiza Men Chow. Mais importante ainda, diz, “cada peça representa um ponto de viragem criativo para cada artista envolvido: estabelece as bases para o seu conjunto de obras pessoais em desenvolvimento e para futuras colecções”.

Consequentemente, o que o público encontra nesta exposição é uma forma “Presente”, “um instantâneo vivo – o momento presente e vívido da colecção artística em evolução de cada criador, captando o ponto em que a sua prática se encontra neste momento, ao mesmo tempo que sugere as direcções que a sua arte poderá tomar nos anos que se seguem”, conclui.

Lúcia Lemos, antiga directora da instituição, que exerceu o cargo durante duas décadas, disse ao Jornal Tribuna de Macau que a Creative tem mantido o objectivo para o qual foi criada.

“O projecto em que me envolvi, com o apoio do Instituto de Estudos Europeus, era uma ideia antiga que eu ajudei a concretizar”, salienta, mostrando-se satisfeita por ver que “actualmente o espírito do projecto inicial, que era de convidar e atrair pessoas com ligação a Macau para que pudessem expor as suas ideias, continua de pé e a apoiar os artistas locais, a quem sempre se exigiu o mínimo de qualidade”.

A criadora, que considera ser uma “sensação boa” ela própria continuar a expor numa casa onde trabalhou durante vários anos, vai apresentar dois trabalhos nesta exposição “Present”. Um deles, “Geração das Mulheres Silenciosas”, utiliza técnicas mistas e expressão plástica, incluindo pintura e colagem.

“É uma espécie de memória, que pretende partilhar e lembrar às pessoas aquela história das mulheres de família, donas de casa, jovens que não tinham possibilidade de ser independentes economicamente, numa história trágica da geração feminina da minha mãe”, salienta.

A outra obra, uma instalação intitulada “Ninho de Pássaro”, utiliza mais de 200 metros de recibos enrolados que Lúcia Lemos guardou, de despesas pagas em hospitais e clínicas, das muitas sessões de fisioterapia a que teve de se sujeitar durante cerca de dois anos, na sequência de uma queda que lhe provocou uma lesão na mão e no braço. “Esses muitos metros de recibos deram voz à minha angústia desse período e, por isso, criei de forma simbólica um ninho como abrigo”, disse a artista. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Moçambique - Énia Lipanga entre os 54 semifinalistas do Oceanos 2026 e única mulher moçambicana na lista

Énia Lipanga, João Paulo Borges Coelho e Lucílio Manjate estão entre os escritores moçambicanos selecionados para a semifinal do Prémio Oceanos 2026, que reúne 54 livros de prosa e poesia escolhidos entre 3086 obras inscritas. Lipanga é a única mulher moçambicana entre os oito autores de Moçambique que avançaram nesta edição.

A escritora e activista social Énia Lipanga foi selecionada na categoria de prosa com o livro Sob a capulana do destino e outros contos, publicado pela editora Nandyala. A obra integra a lista de 26 semifinalistas de prosa, ao lado de autores brasileiros e portugueses, entre outros nomes da literatura de língua portuguesa.

Na mesma categoria, Moçambique é representado ainda por João Paulo Borges Coelho, com Narração nocturna, publicado pela Editorial Fundza, e Lucílio Manjate, com Última memória entrevista com Sthoe, da Alcance Editores.

Na poesia, os cinco autores moçambicanos semifinalistas são Zacarias Nguenha, com Costurar a linguagem; Ben Jone, com Para espantar horror do tempo; Britos Baptista, com Para o naufrágio do fogo; Pedro Pereira Lopes, com Tratado das coisas sensíveis; e Whaskety Fernando, com Tratado sobre noite.

Com oito autores selecionados, Moçambique integra o grupo de países representados na semifinal do Oceanos 2026, ao lado de Angola, Brasil e Portugal. A seleção reúne 26 títulos de prosa e 28 de poesia, publicados por selos editoriais brasileiros, moçambicanos e portugueses.

A próxima fase será conduzida por dois júris intermediários, um dedicado à prosa e outro à poesia, compostos por integrantes de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal. Até 12 de outubro, os júris deverão avaliar os 54 semifinalistas e selecionar cinco livros de cada categoria para a fase final.

Os dez finalistas serão posteriormente avaliados por um novo júri internacional, que escolherá um vencedor na categoria de prosa e outro na categoria de poesia.

A presença de Énia Lipanga entre os semifinalistas coloca Sob a capulana do destino e outros contos no circuito de uma das principais premiações dedicadas à literatura escrita em língua portuguesa, ao mesmo tempo que marca a presença de uma mulher moçambicana entre os autores do país selecionados nesta edição. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Estados Unidos da América - Angola participa nas celebrações do African Landing

O ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, encabeça uma delegação angolana que participa nas comemorações do African Landing, que decorre de 28 e 29 de Agosto, no estado da Virgínia, Estados Unidos da América.


Segundo uma nota de imprensa a que tivemos acesso, no programa do evento, que terá lugar na cidade de Hampton, consta a inauguração, no Memorial do Desembarque Africano 1619, das esculturas de Isabella, Anthony e William Tucker.

O programa reserva ainda, para a delegação angolana, uma participação numa noite de jazz promovida pela William Tucker 1624 Society, assim como a apreciação de uma exposição organizada pela Embaixada da República de Angola nos Estados Unidos da América.

Segundo a nota, a exposição será dedicada às relações bilaterais entre Angola e os Estados Unidos, com enfoque para os principais resultados da cooperação diplomática, política, económica e cultural entre os dois países.

A comitiva angolana é composta pelo embaixador de Angola nos Estados Unidos da América, Agostinho Vand-Dúnem, membros do Gabinete do Ministério da Cultura e diplomatas nacionais. In “O País” - Angola