Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Guiné-Bissau - Domingos Simões Pereira constituído suspeito e chamado ao Tribunal Militar

O principal líder da oposição na Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, foi constituído suspeito numa alegada tentativa de golpe de Estado e convocado para comparecer no Tribunal Militar Superior, disse à Lusa fonte próxima do visado. O presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) foi notificado, na segunda-feira, para comparecer esta quinta-feira no Tribunal Militar Superior na qualidade de suspeito, confirmou Rute Monteiro.

A jurista guineense e directora do gabinete de Simões Pereira, enquanto presidente da Assembleia Nacional Popular, indicou que o líder partidário foi também notificado do despacho judicial em que é constituído suspeito na alegada tentativa de golpe de Estado de 25 de Outubro de 2025.

Domingos Simões Pereira foi detido um mês depois no golpe de Estado em que os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau e que interrompeu as eleições gerais de 23 de Novembro de 2025, em que, pela primeira vez, não participaram o histórico partido PAIGC e o líder, por decisão judicial.

Algumas semanas antes das eleições, o Estado-Maior das Forças Armadas anunciou a detenção de vários militares na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado perpetrada, a 25 de Outubro, por generais e oficiais de alta patente do Exército. Um dos detidos foi o brigadeiro-general Dabana Na Walna, que terá solicitado armas, veículos e coletes à prova de bala, aproveitando a sua posição de instrutor num centro de formação, para posteriormente os utilizar no alegado plano de golpe.

No despacho judicial conhecido nesta segunda-feira, e a que a Lusa teve acesso, Domingos Simões Pereira é declarado suspeito neste caso “por factos susceptíveis de integraram, em cumplicidade, a prática de crimes contra a segurança do Estado, atentando contra o chefe de Estado e demais crimes conexos”.

O documento refere indícios de que Simões Pereira “terá prestado apoio material, financeiro e logístico aos autores da referida tentativa de golpe de Estado, incluindo alegada disponibilização de meios financeiros destinados a preparação e execução”. Acrescenta que os indícios apontam para que tenha cedido o “seu domicílio para realização de encontros e reuniões”.

O despacho sustenta os indícios em “elementos probatórios até ao momento recolhidos, designadamente declarações de testemunhas, informações constantes dos autos e demais diligencias realizadas”. “Tais elementos tornam necessária a constituição formal do referido cidadão como suspeito, para garantia do exercício do contraditório e demais direitos processuais legalmente consagrados”, conclui.

Para Rute Monteiro, este despacho assenta “na violação flagrante de vários princípios do direito” e “alguma engenharia”, já que, segundo disse, baseia-se numa testemunha que terá dito que envolveu Simões Pereira numa confissão “sob tortura”.

Simões Pereira tinha sido ouvido, em Fevereiro, na qualidade de declarante no mesmo Tribunal Militar que “considerou que não havia como validar qualquer ligação” do mesmo ao caso, segundo a jurista que continua a acompanhar o líder do PAIGC.

Rute Monteiro disse que os magistrados que chegaram a essa conclusão foram afastados e substituídos por outros que garantam “uma decisão de acordo com a vontade de quem determina tudo isto” e que considera ser Umaro Sissoco Embaló, o antigo Presidente da República.

A jurista acrescenta que o Tribunal Militar não tem competência para julgar um civil e defende que Simões Pereira continua a ter imunidade parlamentar por ser deputado e presidente da Assembleia Nacional Popular, dissolvida em 2023 pelo então Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló. Desde então, não houve eleições e o parlamento foi substituído por um Conselho Nacional de Transição com o golpe militar de Novembro de 2025, que depôs o Presidente Embaló, e candidato a um segundo mandato nas eleições gerais em que a oposição reclamou vitória, mas os resultados oficiais não foram divulgados.

Depois do golpe militar, o presidente do PAIGC esteve na cadeia durante dois meses e continua detido em prisão domiciliária, uma figura que não existe no regime jurídico da Guiné-Bissau, como vincou Rute Monteiro, que já foi ministra da Justiça do PAIGC.

A análise que faz do que está a acontecer ao líder do partido é “uma vontade de impedir que Simões Pereira possa ser um cidadão livre, de trabalhar, de fazer política, de fazer a sua vida familiar, social, etc”.

“Ele é perseguido porque o povo está com ele. Se ele tivesse condescendido com os seus valores e aquilo em que acredita, ele não estava a ser perseguido. Foi dos poucos líderes partidários que não se deixou vender”, afirmou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”




Moçambique - Mélio Tinga lança romance “Névoa na Sala” em Portugal

O escritor moçambicano Mélio Tinga lançou a sua mais recente obra literária, intitulada Névoa na Sala, em Portugal, sob a chancela da The Poets and Dragons Society.

O romance foi apresentado no dia 27 de Maio, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto; no dia 28 de Maio, na Cena Lusófona, em Coimbra; e no dia 31 de Maio, na Feira do Livro de Lisboa. Está ainda previsto um Book Talk, hoje, 04 de Junho, em Lisboa, onde o autor estará acompanhado por nomes como António Cabrita, Teresa Noronha, Luís Cardoso e José Luiz Tavares.

Conhecido pelo seu percurso na ficção moçambicana contemporânea, Mélio Tinga volta a abordar temas ligados à memória, violência, trauma e relações humanas. Em Névoa na Sala, o autor conduz os leitores à história de um homem que, de forma acidental, acaba envolvido na guerra no Norte de Moçambique, passando a enfrentar os fantasmas do conflito, traumas emocionais e experiências marcadas pela dor, amor e desilusão.

A narrativa desenvolve-se a partir de três vozes distintas, cruzando elementos do fantástico, da morte e da fragilidade humana. A obra foi descrita pelo jornalista moçambicano Leonel Matusse como “um espectáculo perturbador vivido em três actos”.

Vencedor do Prémio Mia Couto 2025, na categoria de Melhor Livro do Ano, e do Prémio Imprensa Nacional Casa da Moeda/Eugénio de Lisboa 2020, Mélio Tinga é considerado uma das 100 Personalidades Negras Mais Influentes da Lusofonia pela Revista Bantumen, além de integrar actualmente a lista de finalistas do Prémio Nacional de Literatura Infanto-Juvenil 2026.

Segundo o autor, o lançamento pretende criar momentos de partilha afectiva e aproximação entre o público e a literatura, valorizando o colectivo acima do individualismo. A mobilidade internacional de Mélio Tinga conta com o apoio do programa Cultiv’Arte. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Brasil - Jornalista da Folha de São Paulo em reportagem especial durante doze dias no Irão

A Folha de São Paulo tem um pioneirismo: foi o primeiro grande jornal brasileiro a enviar uma correspondente ao Irão, logo depois dos ataques dos Estados Unidos e Israel. Trata-se da colega Patrícia Campos Mello, repórter especial, que ficou 12 dias no Irão.

Essa reportagem foi importante por levar aos leitores da Folha uma visão neutra, jornalística, de um país sobre o qual se criaram mitos, existindo muita curiosidade sobre a real situação das mulheres e sobre a estrutura política de governança no país. A atual guerra dos EUA e Israel contra o Irão tem dificultado uma fria avaliação do país entre os progressistas brasileiros, mesmo porque o Irão faz parte do Brics e se inclui entre os países antiimperialistas ou antiocidentais, embora muito diferenciados, do Sul Global.

Nem todos puderam ler a série de reportagens publicada pela Folha, mas o  Uol ao convidar Patrícia para uma entrevista, um tanto curta, permitiu se fazer uma ideia resumida do Irão e sua estrutura político-religiosa. E, ao mesmo tempo, com base nos comentários e críticas publicados online, pode-se ter uma ideia de como o público ia reagindo no decorrer da entrevista.

Até agora, certos canais e redes sociais vinham favorecendo a ideia de uma república iraniana com eleições e minimizando a questão da situação das mulheres em termos de direitos humanos, realçando ser um país onde as mulheres são bem escolarizadas e ocupam posições importantes nas estruturas do país. A ideia de ser uma teocracia, para não dizer ditadura religiosa, e de ter um ditador com amplos poderes é sempre descartada mesmo nos canais de esquerda.

Uma exceção foi a entrevista, no canal Opera Mundi, de Breno Altman com a historiadora e escritora Arlene Clemesha, na qual se fica sabendo que, o 12. imã xiita iraniano, infalível e escolhido por Deus, foi substituído pelo aiatolá Líder Supremo, numa teocracia fundamentalista patriarcal, na qual as mulheres são secundárias e não chegam aos postos de comando.

Nem todos os comentários elogiaram ou aprenderam com as informações trazidas do Irão por Patrícia, principalmente quando ela acentuou ser "um governo que oprime as mulheres" ou quando lembrou ter havido, em 2022, uma revolta principalmente feminina depois da morte da jovem curda iraniana Mhasa Amini, por não usar o hijab ou o véu cobrindo os cabelos. "Não é super-tranquilo ser mulher no Irão, existem muitas leis, como no divórcio, que são repressivas".

O lado positivo de ser mulher, para Patrícia durante sua reportagem, foi uma maior facilidade para ter acesso às mulheres e famílias locais, nem sempre usando o véu nos cabelos. "Havia muitas restrições para fazer a reportagem, lá não existe liberdade de imprensa. Há mesmo um jornalista japonês preso, desde janeiro, por estar cobrindo os protestos contra o governo". Sabendo haver jornalistas presos, ela tomou a decisão com a redação da Folha, de só serem publicados os textos mais sensíveis da reportagem - sobre Internet, censura ao governo, condição das mulheres - quando já estivesse de volta no Brasil.

"Enquanto eu estava lá, fui alertada por alguns recados recebidos, que me deixaram preocupada, pois não estava acostumada com isso, quando publiquei sobre a inflação e a vida difícil das pessoas. Diante disso é que decidimos segurar os textos mais sensíveis. Eu fiquei com medo, é um país em guerra e não é um país democrático".

Josias de Souza quis saber se a guerra reforçou o nacionalismo iraniano. Patrícia acha que sim, "a tentativa de mudança de regime pelo regime Trump saiu pela culatra. Não há uma pesquisa de opinião, mas na parcela que apoia o governo, que é grande, toda noite existem manifestações, principalmente das camadas religiosas. Essas pessoas estão muito mobilizadas, a guerra incentivou o patriotismo e o nacionalismo.

Existe uma parcela que se opõe ao governo, difícil de calcular o tamanho, mas eles estão com medo. Ainda que essas pessoas sejam contra o governo não irão apoiar os EUA e pedir para que venham ajudar".

Continua no Irão a interrupção do acesso à Internet. É o mais longo bloqueio à Internet, 80 dias, já registrado num país. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins, jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

 

Cartografando a melancolia

O caso d´O corpo a pender-lhe uma solidão, de Maria Joana Almeida



Autora de Estamos todos em fila de espera para a morte (2022) e Histórias de Amor (2023), Maria Joana Almeida dá-nos a ler agora O corpo a pender-lhe uma solidão (2026).

A escritora entra no mundo literário com uma obra impulsionada pela transição física de dois dos seus propínquos e fortalece a sua presença poética com a publicação de um segundo livro no qual explora as dinâmicas do amor.

No seu mais recente trabalho literário, o terceiro livro com a casa Elefante editores, O corpo a pender-lhe uma solidão, Maria Joana Almeida mantém a forma prosopoética de escrever, mas há uma outra leveza nas linhas que tecem as estrofes deste poemário, assemelhando-as, em muitos casos, aos poemas escritos em versos.  Em nosso entender, no que diz respeito à forma, a autora está num processo de lapidar e de dissecar a palavra como exige a grande poesia.

Quanto à substância, O corpo a pender-lhe uma solidão é um livro literário que nos leva a mapearmos as ausências e as memórias de pessoas e de lugares que conhecemos ao longo do exercício de viver: “tenho nomes/ colados de forma frágil/ e que quebram/ estrondosamente/ a cada memória” (p.17).

Nos 15 poemas do livro (“desabitada”, “Sim”, “casa”, “desnorte”, “sorriso”, “noite escura”, “melancolia”, “falta”, “peso”, “tu”, “travessia”, “casa”, “nítida luz”, “leme” e “dialecto”), a autora trabalha com três sentimentos caros aos bons poetas: saudade, melancolia e amor: “abre-me o peito de jeito brando/ como quem descobre uma nova casa/ não fales em esperança” (p.25).

A soma da saudade e do  amor, neste livro literário, levá-nos ao campo da apreciação da melancolia: “com o inverno por entre os dedos/ resgatando as minhas mortes/ para que me declare viva numa outra voz” (p.28).

Num mundo em constante mudança, os textos que compõem O corpo a pender-lhe uma solidão revelam a incerteza permanente do estado das coisas durante a vida e surpreendem o leitor pela fruição: “ruma a vida ao leme/ só por breves dias” (p.27).

Maria Joana Almeida convoca a palavra neste livro para, portanto, representar o “que foi e o que vem” (p.3), “fixando a ausência e o movimento” (p.11), “sem som nem sombra” (p.13), “num apocalipse” (p.13), “para que o silêncio se torne mais cúmplice do coração” (p.17).

Mutatis mutandis, O corpo a pender-lhe uma solidão, de Maria Joana Almeida, é um poemário cujo objectivo é mesclar o texto escrito com o texto pictórico e fazer uma cartografia do que consome os humanos na modernidade líquida: a melancolia diante da realidade de que nada é sólido para sempre. Lendo este livro, reforça-se a ideia segundo a qual as pessoas queridas, os amores e até  mesmo o genius loci [o espírito dos lugares] não duram para sempre, porque, como alerta a sabedoria dos homens que se perderam nas noites dos tempos, tudo passa. João André – Angola

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Maria Joana Soares de Almeida – Nasceu a 04 de outubro de 1982, portuguesa, reside na cidade de Lisboa, é professora de Educação Especial e formadora na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Tem artigos publicados, na área da educação, no blogue Pedimos Gomas Como Resgate de sua autoria e artigos de opinião no jornal Público.

Na literatura, destaca-se na poesia e na prosa poética. Publicou: Estamos Todos em Fila de Espera para a Morte, 2022, Elefante editores, romance / ficção contemporânea; Histórias de Amor, 2023, Elefante editores, poesia e O corpo a pender-lhe uma solidão, 2026, Elefante editores, prosa e poesia.

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João Fernando André (Kalunga) – nasceu em Cahama, Angola, a 14 de junho de 1995. É professor, investigador, ensaísta, escritor e consultor cultural angolano. Associado ao Institute for Humanities in Africa at the University of Cape Town, à Universidade de Lisboa, ao Projecto ECO-África e à Alliance Française. Doutorando em Literaturas, Artes e Culturas Modernas. Publicou Evangelho Bantu; O dia em que uma pedra virou lua; LumbuA alquimia das palavras, e COnVIDem o Vírus. Participou em várias antologias. Actua nos seguintes campos do saber:  Literaturas, Artes e Culturas Modernas; Português/Inglês Língua Estrangeira; Cultura Angolana, História da Língua Portuguesa; Técnicas de expressão oral e escrita; Literatura Angolana; Poesia moderna e contemporânea de Angola; Historiografia das literaturas em língua portuguesa; Análise de discurso; Neologia; Dicionarística; Filosofia.

Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/João_Fernando_André

Móveis: (+351) 933 468 290 / (+244) 942 697 594 / (+244) 912 867 868




quarta-feira, 3 de junho de 2026

Argentina - Lusodescendentes brilham com negócio agrícola e comercial

A família Silva Pais, composta por lusodescendentes, está a afirmar o seu percurso de sucesso em Virrey del Pino, na Argentina, onde alia a atividade agrícola ao comércio, mantendo viva a ligação às suas origens


“Hoje visitámos a Ferreteria Industrial Fátima e a exploração agropecuária da família da Silva Pais, em Virrey del Pino, onde fomos recebidos por Pablo e toda a sua família, descendentes de portugueses oriundos da Guarda, Serra da Estrela, Viseu e Algarve”, lê-se na publicação feita pela embaixada de Portugal na Argentina.

Com raízes em várias regiões de Portugal, a referida família construiu uma história marcada pelo trabalho, pelo empreendedorismo e pela ligação à terra.

De acordo com a informação divulgada pela embaixada de Portugal na Argentina, o percurso começou ligado à agricultura, tendo evoluído ao longo dos anos para a produção avícola e o cultivo de cereais, consolidando uma forte presença no setor agropecuário. Em paralelo, desenvolveram também uma atividade comercial através de uma ferreteria industrial, reforçando a sua expansão no tecido económico local.

Segundo a referida fonte, “para além do seu espírito empreendedor, trata-se de uma família fortemente ligada à comunidade portuguesa e às suas tradições, mantendo vivas as suas raízes de geração em geração”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Macau - Projecto de ampliação da Escola Portuguesa de Macau poderá concretizar-se em breve

A ampliação das instalações da Escola Portuguesa, com a construção de um novo bloco, poderá avançar logo que haja aprovação do Governo, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau Jorge Neto Valente. O presidente da Fundação EPM adiantou que foi feita uma “proposta concreta”. O bloco deverá ter quatro andares e ocupará uma das áreas do actual recinto desportivo ao ar livre, integrando igualmente uma cave com parque de estacionamento. A expansão permitirá albergar entre 1000 e 1200 alunos. Enquanto isto, outras obras de melhoramento, como alargamento das salas, substituição dos elevadores, instalação de software e renovação da fachada vão começar neste Verão


A Escola Portuguesa de Macau (EPM) poderá finalmente ver a ‘luz do dia’ no que respeita ao projecto de ampliação das instalações, isto se for aceite a “proposta concreta” feita pelos responsáveis da instituição, a pedido do Governo.

Segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau o presidente da Fundação Escola Portuguesa, a concretização da ambição, “que tem já mais de uma década”, poderá assim estar para breve.

“A ampliação nunca avançou ao longo de todo este tempo, mas agora foi feita uma proposta concreta para ver se o Governo concorda ou não em financiar as obras que pretendemos realizar”, salientou Jorge Neto Valente.

“Perguntaram-nos o que queríamos fazer e nós enviámos as propostas para ver se eles aceitam ou não”, expressou, admitindo que, se houver ‘feedback’ positivo, “avançaremos com o projecto, porque para já só temos o esboço”.

A concretizar-se, a obra de ampliação incluirá essencialmente a construção de um novo bloco, de quatro andares (com cave destinada a parque de estacionamento), a ser erigido numa área onde actualmente existe o campo desportivo ao ar livre.

“Os alunos poderão continuar a utilizar esse espaço, que terá então por cima quatro andares com salas de aula e laboratórios, permitindo o aumento de estudantes para entre 1000 e 1200, não mais do que isso”, prevê.

Se as obras de expansão forem para a frente, como espera Neto Valente, arrancarão logo que possível, devendo demorar não menos do que um ano. “Mesmo escolhendo tempo bom, sem chuva, e até chegar ao apetrechamento final, acabamentos, interiores e outros aspectos, a construção demorará certamente pelo menos um ano”, referiu.

A ideia é que os trabalhos sejam realizados sem prejuízo escolar. “Temos de fazer as coisas de maneira a não impedir o normal funcionamento das aulas”, sustentou.

Recorde-se que esta questão da ampliação e até mesmo da mudança das instalações já vem de longe, tendo, ao longo dos anos, sido alvitrados diversos locais da cidade para a construção de uma nova escola, sem, no entanto, haver uma decisão concreta.

A mais recente abordagem aconteceu em Abril de 2023, na sequência da deslocação de Ho Iat Seng a Lisboa, quando o então Ministro da Educação de Portugal, João Costa, se mostrou confiante de que o projecto iria arrancar precisamente nesse ano. No quadro de uma cooperação “muito boa”, os Governos de Portugal e da RAEM têm “uma perspectiva de parceria que permitirá a ampliação” da EPM, sublinhou o governante em declarações ao JTM e à TDM, após ter discutido esse dossiê com o Chefe do Executivo.

João Costa assegurou ainda que estavam lançadas as bases para “começar a trabalhar o projecto”. Tendo em conta que os valores finais da propalada para a ampliação não tinham sido definidos, o ministro escusou-se a apontar a dimensão absoluta ou percentual desse apoio, adiantando apenas que estava prevista uma “comparticipação muito expressiva” do Governo de Macau.

“Não sei dizer um prazo concreto de construção, mas há já um acordo para fazermos a ampliação”, e assim “permitir uma melhoria muito significativa das instalações da escola, que é muito necessária”, salientou ainda, em declarações proferidas à margem da recepção oferecida pelo Governo da RAEM na capital portuguesa.

Na altura, Ho Iat Seng não abordou em pormenor essa matéria, mas deixou uma forte garantia: “Se a escola precisar do nosso apoio sobre a questão do aumento dos estudantes, de certeza que iremos apoiar e providenciar as medidas necessárias para isso”.

Melhoramentos gerais arrancam no Verão

Relativamente a outras obras, de pequena e média dimensão, que começarão já neste período de férias de Verão, o presidente da Fundação EPM disse que os projectos já estavam pedidos. “Primeiro nós dizemos o que pretendemos fazer e depois o Governo diz se aceita financiar ou não”, mencionou.

Acrescentou que, como foi dada uma resposta positiva quanto às intenções de beneficiação, havia um prazo, até início de Abril, para entrar com uma proposta definitiva sobre os trabalhos a realizar, seguindo-se a aprovação ou não dos preços apresentados. Esse processo deverá demorar pouco tempo e, assim, logo que haja aprovação “arrancaremos com estas obras, pagando-as primeiro e esperando que o dinheiro nos seja devolvido”, esclareceu.

Este novo ciclo de pequenos melhoramentos interiores, a serem introduzidos nos próximos meses, tem um orçamento de cerca de 18 milhões de patacas, e englobarão trabalhos diversificados.

A substituição dos elevadores será uma das prioridades. “Já têm mais de 30 anos”, afirmou Jorge Neto Valente, para quem há outros melhoramentos que têm de ser feitos. Por exemplo, beneficiação dos laboratórios de línguas e de inteligência artificial, instalação e actualização do software, instalação de novos aparelhos de ar condicionado no ginásio e no auditório, novos sanitários no Bloco B, insonorização das paredes e substituição das janelas. Um dos jardins interiores será nivelado, proporcionando um maior espaço para a horta pedagógica.

Ademais, a fachada da EPM sofrerá também melhoramentos. “A frente da escola será pintada e haverá uma intervenção ao nível dos azulejos, alguns dos quais se soltaram”, explicou.

Sobre as obras planeadas para este Verão, Acácio de Brito, director da EPM, considera virem na sequência de uma “melhoria contínua”. Para o responsável, procura-se, “em cada momento que passa, criar as melhores condições, na base de um princípio ético e ecológico”.

Isto é, concretizou, “a melhoria dos espaços é condicionadora das formas comportamentais”. “Se escola tiver uma ecologia e uma organização dos espaços, podemos ter melhores resultados, o mesmo acontecendo se tivermos melhores recursos humanos, melhores pais e se formos mais exigentes, num conjunto de valências que, se estiverem reunidas, podemos ter bons resultados”, garantiu.

Recorde-se que em 2025 a EPM sofreu obras de remodelação e manutenção no seu interior, focadas na melhoria da cantina/bar (que mudou de local), dos balneários junto ao ginásio e da sala de professores. Os trabalhos decorreram maioritariamente aos fins-de-semana e férias para não perturbar as aulas, e as novas instalações foram inauguradas no início do ano lectivo, em Setembro.

Acácio de Brito afirmou que “não há qualquer tipo de dúvidas” de que a escola tem “uma outra cara”, ao melhorar substancialmente as instalações. “São evidências”, enfatizou.

EPM vai registar aumento de alunos no próximo ano

A Escola Portuguesa irá registar um aumento de estudantes no ano lectivo de 2026/2027, a avaliar pelos números apurados até meados de Maio, que apontam para 826, segundo informou o director do estabelecimento de ensino. Acácio de Brito disse ao Jornal Tribuna de Macau que o processo ainda está a decorrer, “até porque há pessoas que ainda estão a pedir transferências”. No entanto, considera que o crescimento será uma realidade e “tem sido constante nos últimos anos”. O responsável sublinhou que o aumento irá incidir principalmente no ensino secundário e em concreto no 12º ano. No que concerne aos novos alunos, cuja maioria sai dos jardins de infância, o número deverá rondar entre 60 e 70 crianças. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Angola - Domingas Monte e Lucas Cassule lançam obra conjunta de contos dedicada a crianças e adolescentes

A literatura infantil angolana ganha, no Sábado, 06, mais uma contribuição com o lançamento da obra literária O Pavão Vermelho, a Avestruz e a Lagoa Mágica, um projecto que reúne dois contos infantis dos escritores angolanos Domingas Monte e Lucas Cassule, cujo acto de lançamento decorrerá na sede da União dos Escritores Angolanos


Os dois contos, com cerca de 30 páginas, procuram dar a conhecer às crianças elementos ligados à realidade nacional, desde a fauna, as cores do país, às tradições, aos alimentos e às lendas que integram o património cultural angolano.

“A obra destina-se sobretudo a crianças, mas poderá igualmente despertar o interesse dos adolescentes, uma vez que aborda temas universais e apresenta elementos ligados à identidade cultural angolana”, destacou Lucas Cassule, um dos autores.

Embora a publicação reúna os dois escritores num único volume, cada conto foi concebido de forma autónoma. Lucas esclareceu que cada autor escolheu livremente o tema, a estrutura narrativa e os elementos que pretendia desenvolver, tendo a partilha dos textos ocorrido apenas após a conclusão dos manuscritos. Relativamente ao seu conto, o escritor explicou que se trata de um texto criado especificamente para integrar o projecto.

O processo de escrita foi relativamente rápido, concluído em poucas horas. “As duas histórias apresentam narrativas distintas, mas convergem na mesma preocupação pedagógica. A intenção é proporcionar momentos de diversão sem descurar a componente educativa”, salientou. Musseque Segunda – Angola in “O País”