Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe reforçam cooperação

O encontro bilateral, realizado à margem da XI Cúpula da OASCP em Malabo, serviu para avaliar os acordos existentes e projetar novas linhas de colaboração entre os dois estados insulares


O Presidente da República, Obiang Nguema Mbasogo, recebeu este domingo, 29 de Março, em audiência o seu homólogo são-tomense, Carlos Vila Nova, na Sala de Conferências Internacional do Sipopo, no âmbito dos trabalhos da XI Cimeira da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OACPS), que se realiza em Malabo.

Durante o encontro, ambos os chefes de Estado felicitaram-se mutuamente pela participação ativa dos seus respectivos países nos debates da cúpula, que este ano decorre sob o tema "Uma organização transformada e renovada num mundo em constante mudança".

O encontro também proporcionou uma oportunidade para analisar o estado das relações bilaterais entre a Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe, duas nações unidas por laços históricos de amizade, boa vizinhança e cooperação estratégica em áreas como energia e segurança marítima no Golfo da Guiné.

Um dos pontos centrais da audiência foi a avaliação do nível de implementação dos acordos assinados entre os dois países, em particular aqueles relacionados ao tratado de delimitação marítima assinado em 1999 e à exploração conjunta de hidrocarbonetos em áreas transfronteiriças.

O encontro diplomático tornou-se, assim, uma plataforma favorável para reafirmar a vontade política de ambas as administrações em continuar a consolidar os seus laços, promover novas áreas de cooperação e reforçar a coordenação em matérias de interesse comum.

Os precedentes mais recentes para este diálogo presidencial incluem a última visita do presidente de Santo Tomé a Malabo, em 5 de junho de 2025, por ocasião da XXVI Cimeira Ordinária da CEEAC, o que demonstra a continuidade dos contactos ao mais alto nível entre os dois governos.

A Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe também partilham espaços de consulta no âmbito de organizações como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a Comunidade Económica dos Estados da África Central e a Organização dos Estados da África, das Caraíbas e do Pacífico, onde mantêm posições convergentes em matéria de integração regional, desenvolvimento e segurança. Catalina Nchama – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Angola - Escritoras defendem valorização da literatura infantil diante de crise crescente

Já foi o tempo em que o livro e a literatura infantil, numa data simbólica como a de hoje, 2 de Abril, faziam o deleite das crianças nas escolas, nos centros infantis, no ambiente familiar, nas avenidas e nos parques de diversão do país, onde cada uma procurava mostrar ao público as suas habilidades nos recitais, na leitura e na interpretação, nos contos, nos concursos de redacção e nas brincadeiras


Para trás, ficaram apenas lembranças de um princípio criativo e pedagógico que muito contribuiu para o amplo sucesso de muitas crianças da época no domínio da leitura e no desenvolvimento do seu género por parte de autores, de promotores, de familiares, de encarregados de educação e de núcleos de desenvolvimento de leitura pública.

Hoje, lamentavelmente, estas acções pedagógicas e de entretenimento deixaram de fazer parte do roteiro dos petizes e do cronograma institucional do Estado, sendo relegado para o segundo plano, situação que tem interferido negativamente na sua capacidade de desenvolvimento cognitivo.

Curiosamente, pouco ou nada tem sido feito por parte das instituições de direito para replicar as iniciativas que anteriormente despertavam os piôs, para que o livro se tornasse um amigo inseparável no seu seio, assim como da família. Mas, apesar de tudo, algumas iniciativas do fórum privado (pessoal, colectiva) vêm registando um pouco pelo país adentro, com parcos recursos, apenas para agradar os miúdos, enquanto as instituições de direito fazem-se passar despercebidos em relação ao assunto. Augusto Nunes – Angola in “O País”




África - Boicota Cimeira Africana das Energias em Londres

"Não participamos em ambientes onde jovens moçambicanos são discriminados apenas com base na cor da pele e não nas suas qualificações ou méritos decorrentes da experiência", justificou o presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave. Outros produtores de petróleo africanos juntaram-se ao boicote


Os ministros africanos do Petróleo anunciaram um boicote à Cimeira Africana das Energias (AES), que terá lugar de 12 a 14 de Maio em Londres, por "sérias preocupações" relacionadas com o conteúdo local, argumentando que esta é "uma prioridade inegociável" para a indústria petrolífera do continente.

A decisão, divulgada pela Câmara de Energia Africana, é anunciada dias depois de Moçambique acusar a entidade organizadora, a Frontier Energy Network, de "discriminação", por se recusar a pôr fim à política de não contratação de profissionais negros e resistir aos apelos para divulgar dados sobre a diversidade da força de trabalho.

"A Cimeira Africana de Energias obtém a maior parte das suas receitas de África, mas o seu padrão de discriminação equivale a um bloqueio intencional aos profissionais negros", resume a Câmara Africana de Energia (AEC, na sigla em inglês), num comunicado onde anuncia a decisão de Moçambique de se retirar da Africa Energies Summit 2026, numa altura em que o país está a reiniciar megaprojetos de gás e a pressionar para que os projectos sejam abertos a talentos locais.

Já o presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave, afirma que "em 2026, este não é o comportamento que se espera de quem quer que seja que utilize o nome de África", descartando a ida do país a Londres. "Não participamos em ambientes onde jovens moçambicanos são discriminados apenas com base na cor da pele e não nas suas qualificações ou méritos decorrentes da experiência", justifica.

A decisão de Moçambique acabou por ser seguida por outros países produtores de petróleo e gás africanos, que, ao boicotar o evento em Londres, enviam uma mensagem clara. "Se Gayle Meikle, da Irlanda, e Daniel Davidson, da Escócia, alterarem a sua política para que seja mais inclusiva, muitos africanos trabalharão com eles. As políticas de exclusão não reflectem os nossos valores nem os da indústria petrolífera.

A Frontier tem uma oportunidade incrível de fazer o que está certo", frisou NJ Ayuk, presidente executivo da Câmara Africana de Energia. Por outro lado, as nações produtoras de petróleo do continente enviam "um forte sinal" de que as plataformas do sector que operam sob a bandeira da energia africana "devem reflectir os valores e os objectivos de desenvolvimento do continente", acrescenta.

Compromisso com África

A Câmara Africana de Energia lembra que, em todos os sectores do oil & gas, tantos os mercados emergentes como os já estabelecidos estão a integrar políticas de conteúdo local, como forma de catalisar a criação de emprego, a participação local e o desenvolvimento de competências. Para isso, têm feito alterações à regulamentação interna, como mostram a Lei de Desenvolvimento de Conteúdo da Indústria do Petróleo e do Gás da Nigéria (NOGIC) e a Lei de Conteúdo Local de Angola, que "proporcionaram uma base sólida para a implementação do conteúdo local".

A Câmara Africana de Energia aponta ainda o projecto Greater Tortue Ahmeyim (GTA) no Senegal e na Mauritânia, que não só destina uma parte do gás a cada mercado interno, como apresenta uma estratégia de conteúdo local multifacetada centrada na cadeia de abastecimento, no desenvolvimento da força de trabalho e no investimento social.

Aponta ainda o projecto EG LNG na Guiné Equatorial como "um importante impulsionador" do conteúdo local. Em funcionamento desde 2007, o projecto "tem colocado ênfase no desenvolvimento e integração da força de trabalho local por meio de várias iniciativas que promovem a participação e um apoio económico mais amplo". Isabel Bordalo – Angola in “Expansão”


Brasil - Flávio quer intervenção de Trump no país se perder em outubro

Depois do comício pelas Reformas de Base no 13 de março de 1964, a queda do presidente Jango Goulart era questão de dias. Esta não é uma simples lembrança do golpe militar ocorrido há 62 anos, vale como uma advertência, pois tem gente querendo repetir a dose, com uma diferença: a situação política no Brasil de hoje nada tem a ver com o clima político da época de Goulart. Essa nova tentativa de golpe quer aproveitar o momento favorável da presidência de Donald Trump nos EUA.

Ninguém esqueceu dos esforços de Eduardo Bolsonaro, quando ainda deputado federal, junto ao governo Trump, por uma intervenção dos EUA no Supremo Tribunal Federal, conseguindo incluir o ministro Alexandre de Moraes em todos os rigores da lei Magnitsky, e a revogação do visto de entrada nos e EUA para outros 14 outros nomes do Judiciário, Ministério Público e Advocacia Pública.

A tentativa golpista acabou sendo prejudicial ao próprio Eduardo, mas isso não desestimulou seu irmão Flávio, agora candidato à presidência, de continuar no mesmo caminho. A atração exercida sobre os filhos de Bolsonaro pelo golpismo levou o próprio jornal Estadão a elaborar a teoria de ser genética essa tendência. Na verdade, seria mais que uma simples tendência natural, e sim uma estratégia empregada diante de resistência e obstáculos contrariando seus desejos e objetivos.

É importante assinalar essa posição do Estadão, uma espécie de mea culpa por ter se aliado aos militares golpistas em 1964. Lembro-me bem do telegrama recebido do velho Mesquita, quando secretariava, ao lado de Mário Martins, a última grande reunião pública de crítica e protesto contra a ditadura, o Encontro com a Liberdade, em janeiro de 1967, no Teatro Paramount abarrotado, em São Paulo.

No telegrama, o velho Mesquita se solidarizava com o Encontro contra a Lei de Imprensa. Enquanto eu lia o telegrama, esperava uma reação positiva daquele grande público formado, na grande maioria, de jovens. Mas veio, para minha surpresa, uma enorme vaia contra o Estadão e contra os Mesquitas.

No dia seguinte, o jornal deu algumas linhas ao Encontro sem mencionar as vaias. Sempre me ficou a impressão de se ter perdido ali uma grande oportunidade de união contra a ditadura, mas os ânimos estavam excitados e a moçada universitária de esquerda não perdoava o apoio do Estadão ao Golpe, três anos atrás.

Tantos anos depois, o candidato Flávio à presidência, da dinastia Bolsonaro, não aceitou a derrota golpista do pai e foi aos EUA, com já fizera seu irmão pedir apoio da extrema-direita, direta, evangélicos norte-americanos para uma nova tentativa golpista, desta vez com o apoio do presidente Trump. Indiretamente, Flávio sugere que Trump poderia repetir a extração do presidente Lula do Palácio do Planalto em Brasília, como fizera com Maduro em Caracas.

O argumento é o mesmo já empregado por Trump e por Bolsonaro:  se Flávio Bolsonaro ganhar em outubro, as eleições terão sido livres e corretas, mas se Flávio perder, terá havido fraude nas eleições e os EUA deverão intervir! E como reagem os patriotas vestidos com a bandeira ou com as cores da nossa bandeira?

Isso é grave, não se trata de uma hipótese de intervenção no Brasil, mas de um pedido quase direto de intervenção de um candidato à presidência, considerado pelas primeiras sondagens em situação de empate com Lula. Ou seja, se perder poderá provocar um novo 8 de janeiro para justificar uma intervenção militar norte-americana. Se ganhar, irá governar como um vassalo de Trump, um lacaio, um vendido, um entreguista de nossas riquezas e um traidor.

O próprio Estadão não deixa por menos no seu editorial com o título “Tal pai, tal filho”. O jornal se reporta ao discurso de Flávio Bolsonaro na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), um ponto de encontro da extrema-direita em Dallas, onde não pronunciam só discursos, mas se tramam golpes.

E continua o Estadão: Flávio defendeu o monitoramento das eleições brasileiras pelos EUA e sugeriu pressões diplomáticas externas para "garantir um pleito livre e justo", alegando que se perder terá havido fraude e manipulação nas eleições. Isso deveria ser suficiente para um processo de tentativa pré-golpista! Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Portugal - Investigadores da Universidade de Coimbra alertam que a avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta e propõem um método complementar

Um estudo coordenado pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com o laboratório Rede de Investigação Aquática (ARNET), alerta que a avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta e propõe um método complementar baseado na decomposição da matéria vegetal.


O trabalho, intitulado “Moderators of Organic Matter Decomposition in Portuguese Streams: A Field Study and Literature Review” e publicado na revista Freshwater Biology, envolveu 23 investigadores de sete instituições nacionais. A equipa analisou a decomposição de folhas e madeira em 37 ribeiros do continente e da Madeira, e realizou uma revisão de 61 estudos prévios sobre decomposição de detritos vegetais em rios portugueses.

Segundo os investigadores, medir a taxa de decomposição da matéria vegetal permite avaliar a integridade funcional dos ecossistemas aquáticos, um aspeto que não é considerado na avaliação oficial, que se baseia quase exclusivamente em indicadores estruturais, como as comunidades aquáticas ou a qualidade da água.

“Mesmo entre ribeiros praticamente intactos, observamos grande variabilidade nas taxas de decomposição”, afirma Verónica Ferreira, coordenadora do estudo. “Só conhecendo as taxas naturais de decomposição é possível identificar desvios que indiquem perturbações, mesmo antes de serem visíveis nas comunidades aquáticas.”

O estudo revela, ainda, que fatores como o tipo de detrito vegetal, a presença de macroinvertebrados fragmentadores, a temperatura da água, o regime hidrológico, a estação do ano e a composição química da água influenciam a velocidade de decomposição. Ribeiros permanentes e intermitentes apresentam dinâmicas distintas, refletindo diferenças na disponibilidade de água e na atividade biológica ao longo do ano.

Os autores defendem a padronização dos métodos de medição das taxas de decomposição - incluindo o tipo de detrito a usar, a duração da incubação e o acesso dos invertebrados - como ferramenta robusta para avaliação funcional e comparações entre diferentes ecossistemas.

“Este trabalho estimula a integração de indicadores funcionais na avaliação da saúde dos rios, permitindo uma visão mais completa e realista da condição destes ecossistemas”, concluem os investigadores. Universidade de Coimbra - Portugal


Índia - Vai combater a obesidade com injecções genéricas e baratas

Uma onda de medicamentos para emagrecer está prestes a transformar a luta global contra a obesidade, com a Índia a preparar-se para lançar versões genéricas de baixo custo de injecções como o Ozempic. A medida irá alargar drasticamente o acesso a tratamentos que há muito são considerados um luxo, especialmente nos países de rendimento médio, onde a crescente procura destes medicamentos choca com os preços elevados.


Nas clínicas de toda a cidade de Bombaim, os médicos notam um aumento do número de pacientes. Mais de 50 pessoas procuram o consultório do endocrinologista Nadeem Rais todas as semanas em busca de injecções para emagrecer.

“Temos cerca de 70 a 80 doentes em tratamento activo neste momento. Quando os genéricos forem lançados e os preços descerem, este número poderá facilmente chegar aos 200”, disse.

Segundo a sua colega, a Dra. Sunera Ghai, a procura é “muito elevada”, mas muitos “provavelmente não estão a consumir porque, neste momento, é realmente um artigo de luxo”.

A descoberta surge após a expiração da patente da semaglutida – princípio activo de medicamentos como o Ozempic e o Wegovy – na Índia, maior fornecedor mundial de medicamentos genéricos. Até ao final de 2026, as principais patentes da semaglutida expirarão em 10 países que representam 48% da carga global de obesidade, de acordo com um estudo publicado no início de Março por investigadores. Estes países incluem Brasil, China, África do Sul, Turquia e Canadá.

Para os gigantes farmacêuticos indianos, isto marca o início de uma nova e agressiva corrida. Pelo menos quatro grandes empresas já prepararam injecções genéricas de semaglutida, de acordo com os registos regulamentares e os documentos de conformidade.

Algumas, incluindo a Zydus Lifesciences, anunciaram lançamentos “no primeiro dia”, sugerindo que as versões genéricas poderão estar disponíveis já esta semana na Índia.

A empresa de estudos Pharmarack estima que o mercado indiano será em breve inundado de opções. “Mais de 50 marcas serão lançadas no mercado e mais de 40 empresas estarão a lançar estes medicamentos”, disse Sheetal Sapale, vice-presidente da Pharmarack.

O momento coincide com a mudança do panorama da saúde na Índia. Embora, segundo a Organização Mundial de Saúde, o país ainda represente um terço da subnutrição mundial, o aumento dos rendimentos e o estilo de vida urbano impulsionaram drasticamente as taxas de obesidade. Dados governamentais divulgados em Março de 2025 mostram que 24% das mulheres e 23% dos homens têm excesso de peso ou são obesos na Índia.

“Quando uma pessoa começa a ganhar dinheiro, torna-se mais sedentária”, disse o cirurgião Sanjay Borude, assinalando que “em contraste, no Primeiro Mundo, quando as pessoas ganham mais dinheiro, tornam-se mais activas e também dedicam mais tempo à saúde”.

Esta inversão da dinâmica económica tem sido muito benéfica para grandes empresas farmacêuticas como a Eli Lilly e a Novo Nordisk, que têm lucrado bastante com o mercado.

As vendas de medicamentos para emagrecer na Índia cresceram 10 vezes em cinco anos, atingindo 153 milhões de dólares em 2026, e a projecção é de que ultrapassem os 500 mil milhões até 2030.

Mas o uso destes medicamentos pode causar efeitos secundários, incluindo náuseas e problemas gastrointestinais. O Mounjaro, da Eli Lilly, tornou-se o medicamento mais vendido na Índia em 2025, ultrapassando mesmo os antibióticos comuns.

Ainda assim, os preços elevados – frequentemente entre 15.000 e 22.000 rupias (1300 a 1900 patacas) por mês – limitam o acesso, afirma a Dra. Swati Pradhan, que gere uma clínica de emagrecimento em Bombaim e que prevê um aumento do número de doentes quando os genéricos reduzirem o custo do tratamento para perto de 5000 rupias por mês.

O impacto internacional pode ser ainda mais profundo. A Índia fornece mais de metade dos medicamentos genéricos de África, e a semaglutida mais barata pode tornar-se uma tábua de salvação para os países onde a obesidade está a aumentar rapidamente.

“A semaglutida a um custo mais baixo pode expandir significativamente o acesso a um tratamento eficaz, particularmente nos países de rendimento médio, onde o preço tem sido uma grande barreira”, afirmou Simon Barquera, presidente da Federação Mundial da Obesidade, observando que “os medicamentos genéricos são um passo importante para quebrar a barreira de acesso, agora que a barreira científica foi ultrapassada”.

As empresas indianas serão uma força motriz fundamental, com a Reddy’s Laboratories a planear lançar a sua versão da semaglutida no Canadá até Maio de 2026.

Para doentes como Sukant Mangal, de 46 anos, que perdeu quase 14 kg em oito meses, um acesso mais alargado ao medicamento não podia chegar em melhor altura. Muitas pessoas que ele conhece simplesmente abandonaram o tratamento a meio quando perceberam que teriam de gastar 20.000 rupias por mês durante sete a oito meses.

“Se fosse mais barato, teria sido muito mais fácil obter o medicamento”, concluiu à agência AFP. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “AFP”


Moçambique - Celestino António Kasten lança a sua biografia em Tete

No dia 03 de Abril, pelas 16 horas, o Monumento e Centro de Interpretação Samora Machel, na cidade de Tete, vai acolher o lançamento do livro A resiliência do meu espírito, biografia de Celestino António Kasten. A apresentação do livro estará a cargo do Reverendo Dr. Júlio Calengo.


De forma sincera e envolvente, Celestino António Kasten revisita as várias etapas da sua vida, desde as origens humildes no bairro que o viu crescer, passando pelos tempos estudantis e pela experiência militar, até à formação em instituições de ensino técnico e superior. Entre desafios, superações e peripécias que marcaram o seu percurso, o autor revela como a força interior e a determinação moldaram a sua identidade.

Mais do que um simples relato biográfico, este livro é um testemunho de coragem, transformação e fé na capacidade humana de recomeçar.

Celestino António Kasten é Instrutor e Técnico em Pedagogia e Andragogia no Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Moatize, Mestrado em Administração e Gestão Escolar pela Universidade Púnguè e Licenciado em História Política e Gestão Pública pela extinta Universidade Pedagógica – Delegação de Tete. Tem diversos artigos de índole didáctico-pedagógico. Multifacetado, é também assessor político.

Júlio Calengo é Reverendo Padre da Igreja Anglicana afecto em Changara e Moatize. É também jurista, activista social, cantor e escritor. É formado em Direitos Humanos pelo Instituto Internacional René Cassin, Licenciado em Teologia e Ciências de Educação pelo Instituto Superior Hefsiba, mestrando em Teologia pelo Tinity University, e está a especializar-se em Ciências de Formação para Docência Superior Teológica pela TEDS – África do Sul com aulas semi-presenciais em Angola. É director geral da Associação dos Direitos Humanos de Tete, por si fundada, e director dos programas sociais da Igreja Anglicana em Tete. É também membro do Conselho Empresarial de Tete, onde desempenha funções de Presidente do Pelouro do Desenvolvimento do Capital Humano. In “Moz Entretenimento” - Moçambique