Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Japão - Financia a reabilitação da Escola da Cruz Vermelha para Surdos na Guiné Equatorial

A Cruz Vermelha e a Embaixada do Japão assinam um acordo de doação para fortalecer a educação inclusiva para crianças com deficiência auditiva


A Cruz Vermelha da Guiné Equatorial e a Embaixada do Japão acreditada no país assinaram um acordo de doação em Malabo no valor de 68.639 euros, destinado à reabilitação e ampliação da Escola para Surdos da instituição humanitária, com o objetivo de melhorar a educação inclusiva para crianças com deficiência auditiva.

O acordo, assinado nesta quinta-feira, permitirá a renovação e ampliação das instalações existentes, bem como a construção de novos serviços sanitários, a fim de oferecer melhores condições de aprendizagem e cuidados aos alunos do centro.

A missão diplomática japonesa, sediada no Gabão, foi chefiada pelo encarregado de negócios, Yoshikawa Toru, que explicou que o projeto faz parte do programa de cooperação económica japonês chamado Doações para Microprojetos Locais que Contribuem para a Segurança Humana, destinado a apoiar iniciativas sociais com impacto direto nas comunidades.

Atualmente, a Escola da Cruz Vermelha para Surdos, fundada em 1992 e localizada em Malabo, atende 27 crianças. O projeto visa aumentar a capacidade do centro, facilitando o acesso à educação adaptada e segura para um número maior de crianças com deficiência auditiva.

Durante o evento, a delegação japonesa reafirmou o compromisso do seu país com o desenvolvimento social e educacional da Guiné Equatorial, em consonância com os objetivos nacionais de redução das desigualdades e fortalecimento do sistema educacional.

Desde o lançamento deste programa no país em 2019, o Japão financiou cinco microprojetos, três deles relacionados aos setores social e educacional.

Por sua vez, a Cruz Vermelha da Guiné Equatorial agradeceu ao governo japonês pelo apoio e destacou que a iniciativa irá melhorar o atendimento e a capacitação de um dos grupos mais vulneráveis ​​do país.

A cerimónia de assinatura ocorreu na sede da Escola para Surdos em Malabo e contou com a presença de representantes do PNUD, bem como dos Ministérios do Interior, da Educação e da Saúde, entre outras autoridades. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Portugal - Governo vai rever estatuto do ensino de português no estrangeiro para facilitar recrutamento de professores

O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, revelou ontem estar a trabalhar na melhoria das condições financeiras dos professores de ensino da língua portuguesa no estrangeiro para combater as dificuldades no recrutamento.


O governante disse que o Governo vai trabalhar na revisão do regime jurídico que regula o ensino do português no estrangeiro “nos próximos meses” para “mitigar algumas das dificuldades, principalmente as financeiras, mas não só”.

“O estatuto remuneratório e os benefícios atuais não são muito atrativos porque muitos dos professores que até poderiam ter interesse em vir deparam-se com dificuldades financeiras, porque a habitação é muito cara”, afirmou à Lusa.

Além da componente salarial para melhorar a atratividade da carreira serão revistos aspetos como “o próprio ensino, o método, o desempenho, as capacidades”, acrescentou, sem dar pormenores.

O Governo, garantiu, está determinado em manter e melhorar o ensino de português no estrangeiro porque o considera um “ativo estratégico para o país, mas reconheceu “a profissão de professor, para a minha grande tristeza, perdeu alguma atratividade”.

“Isto está a acontecer muito em todo o mundo e em Portugal”, vincou.

No total, estão por preencher 20 horários de 314 existentes na Europa e África do Sul, precisou à Lusa a Presidente do Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas (SPCL), Teresa Soares.

“Uma das razões principais para a falta de professores é o Instituto Camões recusar pagar o subsídio de instalação [equivalente a dois meses de vencimento], pagando apenas a leitores e coordenadores”, lamentou.

A dirigente sindical afirmou ter conhecimento de casos de “professores que se endividam para vir para o estrangeiro” e de outros que desistem durante os concursos ou após serem colocados ao aperceberem-se das condições.

Ao custo elevado do alojamento, agravado pela crise habitacional na Europa, acresce que os salários dos professores no estrangeiro não são atualizados desde 2009, pelo que não refletem o atual custo de vida, explicou Teresa Soares.

“O sindicato tem feito desde 2009 propostas de alteração a artigos do regime jurídico, mas este Secretário de Estado ainda não respondeu aos nossos pedidos de reunião ou esclarecimento”, criticou, aguardando informação sobre uma possível negociação. In “LusoJornal” – França com “Lusa”


Cabo Verde - Zul Alves lança segundo álbum intitulado “Txon” e enraizado na tradição musical do país

O álbum é composto por sete faixas, algumas das quais composições inéditas de Mário Lúcio, e surge cerca de quatro anos após o trabalho de estreia intitulado Buska


A cantora cabo-verdiana Zul Alves lançou a 1 de fevereiro o seu segundo álbum intitulado “Txon”, que é composto por sete faixas e conta temas inéditos de Mário Lúcio. O álbum enraizado na tradição musical cabo-verdiana já se encontra disponível em todas as plataformas digitais.

De acordo com o comunicado enviado ao Balai que cita a cantora, este álbum, que sucede Buska, representa a sua identidade musical no seu tempo, respeitando as raízes da música tradicional de Cabo Verde.

“Abro novos caminhos sonoros, exploro texturas e timbres, assumo o gueto, o bairro, o pouco que é muito. Por isso, optámos por um disco integralmente produzido no programa GarageBand, utilizando as ferramentas do quintal, da minha geração”, informa a fonte.

Para a cantora, “Txon” nasceu como “som, corpo e terra, uma travessia artística e sensorial, um mergulho profundo nas minhas origens e na ligação essencial entre o legado e o contemporâneo. “Txon é raiz, base e horizonte, é o ponto onde tudo desponta e para onde tudo retorna”.

“(…) é o txon onde caminho, tropeço e me levanto, onde canto, danço e a minha alma se liberta, com “Txon” senti o que é ser inteira”, e é isso que a artista quer transmitir ao mundo.

Através de composições inéditas de Mário Lúcio, Zul Alves apropria-se da palavra e da melodia com entrega e profundidade, transformando cada tema num espaço de expressão pessoal, onde memória, afeto e identidade se entrelaçam. O álbum nasceu do encontro e da convivência com o músico, pessoa pela qual a artista tem uma admiração e figura incontornável da cultura cabo-verdiana.

“Ele abriu-me o baú das suas composições inéditas. Cantar Mário Lúcio é, para mim, entrar num território de alma e memória, as suas canções têm chão e têm raiz, quando as interpreto, sinto-me parte desse térreo que fala através dele. O álbum ganha, assim, uma intensidade, uma autenticidade e uma unicidade próprias. Neste disco, interpretar é dar continuidade a um fio da história num gesto de gratidão e pertença” expressou a artista.

Este trabalho é composto por sete faixas nomeadamente, “Sem Nada”, “Sunyata” “Dos Mon de Dom”, “Mcorre Mka Pega” que conta com a participação de Mário Lúcio, “Prece”, “Sina de Sina” e “Reveillon Rebelion”.

A capa do trabalho é uma fotografia da artista grávida e como revela Zul nas redes sociais, quando produziu o álbum ainda não sabia que, “dentro de si, outra MELODIA se formava”.

“Quando a descobri, tudo fez sentido: o álbum já era um VENTRE fértil, criador, pleno. Tornou-se um manifesto de nascimento, um cântico à transformação e à continuidade”.

A artista avançou que cada tema é um reencontro com o seu próprio “Txon”, o lugar de onde veio, a terra interior e espiritual que sustenta quem a artista afirma ser, o barro, o simples, o primordial. “É reconhecer-me na herança viva da identidade cabo-verdiana, transformar emoção em som e devolver à terra a canção que dela nasceu”. Keila Rodrigues – Cabo Verde in “Balai Cabo Verde”



Cabo Verde - Nelson Freitas lança single “Não Deixa” que anuncia chegada de novo álbum

O tema conta com a participação do cantor, compositor e produtor português Nuno Ribeiro

O artista Nelson Freitas lançou na passada sexta-feira, 30, o single “Não Deixa”, que anuncia a chegada do seu novo álbum de originais. O tema, que já soma mais de 39 mil visualizações no YouTube, conta com a participação do cantor português Nuno Ribeiro, que também fez a produção.

“Sinto que a música é um grande tema. Obviamente, já andamos a testar esta canção há cerca de meio ano, e mostrei-a a várias pessoas, e o refrão fica mesmo na cabeça”, afirmou Nelson Freitas citado em comunicado.

“É daquelas (músicas) para cantar em conjunto, feita para transmitir uma boa sensação, apesar da mensagem da música ser algo como: será este o fim ou talvez não? Ou será que conseguimos encontrar uma forma de nos unirmos e fazer isto resultar? E quem sabe? Talvez consigamos mesmo fazer resultar”, acrescentou ainda.

Segundo um comunicado, este novo trabalho discográfico foi pensado com tempo, distância e intenção que assinala um momento simbólico na carreira de Nelson Freitas.

“Depois de 25 anos a somar êxitos, colaborações e palcos esgotados, o artista apresentará um disco que reflete maturidade, visão e uma relação ainda mais consciente com a música – e com o público”, lê-se no comunicado.

Com música e letra assinadas por Nelson Freitas e Nuno Ribeiro e videoclipe realizado por Nuno Pinto. “‘Não Deixa’ afirma-se pela sua energia contagiante e por um refrão imediato, daqueles que se cantam em coro.”

Segundo a mesma fonte, a canção transmite boa disposição, mas não foge à reflexão, abordando temas como a dúvida, a permanência e a vontade de fazer resultar, mesmo quando tudo parece em suspenso.

O comunicado avança ainda que este novo álbum – que “Não Deixa” agora apresenta – surge como o culminar natural de uma carreira construída com consistência, inovação e identidade própria, e como o retrato de um artista que sempre soube antecipar tendências, reinventar-se e manter-se relevante, sem nunca perder a sua essência.

“2026 será um ano em grande, com nova música, uma nova digressão e momentos que prometem ficar na memória”, conclui a mesma fonte.

É de salientar que no mês de abril do ano passado, Nelson Freitas celebrou 25 anos de carreira no Coliseu do Recreios, em Lisboa, com lotação esgotada.  Aline Oliveira – Cabo Verde In “Balai Cabo Verde”



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

São Tomé e Príncipe - A Conferência Internacional sobre os 150 Anos da Abolição da Escravatura: uma perplexidade sem tamanho

Adotei, há vários anos, de uma prima muito querida e grande amiga, a expressão ‘’desligar a ficha.’’ Quando consigo. A expressão era utilizada sempre que ela me visse em profundas e tensas cogitações sobre algo que ultrapassava os limites da minha capacidade de compreensão lógica. Os acontecimentos políticos mais recentes em São Tomé e Príncipe, e não só políticos, intimam-me, em nome da salvaguarda de um mínimo de sanidade mental, a observar a fórmula da minha prima: desligar a ficha. A insólita e inexplicável interrupção das comemorações dos 50 anos da independência nacional, que incluíam a condecoração das figuras fundadoras da nação e dos cidadãos são-tomenses (e alguns estrangeiros) que melhor serviram a causa coletiva de São Tomé e Príncipe, a moção de censura interposta e, depois, bizarramente retirada pelo partido maioritário, o ADI, entre uma série de justificações aparentemente ziguezagueantes, a súbita e prévia passagem de Abenildo de Oliveira, ex-vice – presidente da bancada parlamentar do ADI à condição de deputado independente, o acórdão do Tribunal Constitucional declarando inconstitucional o governo do Primeiro-ministro Américo Ramos mais de um ano depois da sua entrada em funções e em cima da marcação das datas das próximas eleições, a carnavalesca sessão parlamentar que alimentou o insaciável falatório nacional durante dias, os termos em que se dá a reconfiguração da maioria parlamentar, entre outros, são factos que me intimam simplesmente a dizer: ‘’desliga a ficha.’’


Convenhamos: vinda de uma jornalista, afastada embora da cobertura noticiosa política, será uma atitude censurável. Admito e faço o mea culpa. Contudo, não logrando ver em tudo isso mais do que encenações, (para não dizer ficções) e não conseguindo vislumbrar um grãozinho de motivo que possa ter levado a classe política são-tomense a embarcar numa monumental farsa a conta-gotas, vi-me obrigada a recorrer à prudente e auto – defensiva recomendação da minha prima. Aqueles que tiverem paciência suficiente para ler estas linhas, perguntarão: ‘’E por que razão decidiu voltar a ligar agora a ficha?’’

Respondo já, já e sem hesitações: a Conferência Internacional sobre os 150 anos da Abolição da Escravatura em São Tomé e Príncipe, a decorrer entre hoje e amanhã, aqui, em São Tomé. De mérito indiscutível, pensada com antecedência pela Direcção-Geral da Cultura na pessoa do seu chefe, Emir Boa Morte, esta iniciativa coloca os decisores culturais do país, ao mais alto nível, no tabuleiro do bizarro e do insólito.

A abolição, em São Tomé e Príncipe, de uma das mais abomináveis invenções da mente humana e da história da Humanidade, vai culminar num diálogo académico entre dois historiadores são-tomenses (Emir Boa Morte e Natália Umbelina) e vários estrangeiros. Ninguém consegue explicar (e julgo que tal explicação deveria ser extensiva a toda a nação), por que razão, historiadores são-tomenses reputados e competentes como Carlos Agostinho das Neves, Maria Nazaré Ceita ou Lúcio Pinto, estão ausentes do painel de conferencistas.

É estarrecedor que a Direção-Geral da Cultura, sabendo que qualquer narrativa histórica é uma interpretação, tenha, com valentia e destemor, optado, não por maximizar o leque de interpretações nacionais, mas por as diminuir ao mínimo. Não são segredo para ninguém as discórdias, desavenças, ressentimentos, “clubites” e uma espécie de rancor de estimação que grassa no seio da comunidade de historiadores residentes, com queixas mútuas de exclusão esvoaçando de tempos a tempos quando acontece acontecer algum evento. E, dada a envergadura deste evento em particular, o seu profundo significado e o destino das conclusões que daí poderão, eventualmente, emergir, torna-se difícil compreender que a máxima decisora cultural do país, a intrépida ministra Isabel Viegas de Abreu, não se tenha apercebido, ao longo de todo o processo preparatório, da afronta aos são-tomenses que esta conferência acaba por ser, salvaguardado o máximo respeito pela competência e pelas qualificações dos conferencistas estrangeiros, cujos olhares e contributos são e serão sempre necessários e benvindos. (Atrevi-me, sem que tal me tivesse sido solicitado, a propor convites a historiadores angolanos e nigerianos, países africanos na génese da nossa construção societária. Suspeito que a proposta terá sido tratada como irrelevante bizantinice.)

O pluridisciplinar investigador angolano, Mário Pinto de Andrade, defendeu tenazmente, ao longo do seu incansável percurso, a imprescindibilidade de uma História africana contada por africanos. Na mesma linha, o icónico historiador burkinabé, Joseph Ki Zerbo, cujo contributo foi decisivo para a coleção da UNESCO sobre a história de África, dedica a sua obra ‘’Histoire de l’Afrique noire, d’hier à demain/ História da África negra, de hoje a amanhã’’, a ‘’Todos aqueles que acreditam que os africanos são os que estão melhor posicionados para contar a sua própria história.’’

A comissão organizadora da Conferência Internacional sobre os 150 anos de Abolição da Escravatura pecou deliberadamente, acintosamente, quando decidiu não congregar todas as valências nacionais. Não pensou (não quis pensar) que uma seleção nacional deve incluir os melhores. Todos.

A lógica de exclusão que emana da representação nacional nesta conferência constitui um exemplo a não ser seguido jamais, um muito nefasto serviço prestado à nação são-tomense. E dito isto, espero que o evento venha a ser um êxito, dentro dos limites que comissão organizadora entendeu impor. Conceição Lima – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón” 

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Conceição Lima (Maria da Conceição de Deus Lima), de São Tomé e Príncipe, nasceu em 8 de dezembro de 1961. Jornalista, poeta e cronista, é membro-fundadora da União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomenses, UNEAS. Fez os estudos primários e secundários em São Tomé, onde reside e trabalha como jornalista da TVS, Televisão São-tomense. Foi durante longos anos jornalista e produtora dos Serviços em Língua Portuguesa da BBC, em Londres. É licenciada (com distinção) em Estudos Africanos, Portugueses e Brasileiros pelo King's College of London e possui o grau de Mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas na África sub-saariana, pela School of Oriental and African Studies (SOAS) de Londres.  

Pela Editorial Caminho, de Lisboa (Portugal), publicou os livros: "O útero da casa" (2004), "A dolorosa raiz do Micondó" (1ª ed., 2006; 2ª ed., 2008) e "O país de Akendenguê" (2011).   

Em São Tomé e Príncipe, sua terra, publicou pela editora Lexonics (com patrocínio do Banco Equador), em 2012, os livros: "O útero da casa""A dolorosa raiz do Micondó" e "O país de Akendenguê". O seu último livro "Quando florirem salambás no tecto do Pico", foi publicado em 2015, numa edição da Autora. 

No Brasil tem publicado o livro "A dolorosa raiz do Micondó", pela Geração Editorial (São Paulo, 2012). Em 2015, venceu o PNBE, Programa Nacional de Bibliotecas Escolares do Brasil, selecionada em primeiro lugar entre mais de 400 títulos concorrentes. O livro "A dolorosa raiz do Micondó" teve uma tiragem de 35.500 exemplares pelo Ministério da Educação (Brasil).  

Tem livros traduzidos para o alemão, espanhol e italiano: os seus 4 livros foram traduzidos para o alemão, em edição bilíngue "Útero da casa" e "A dolorosa raiz do Micondó" (Delta, 2010); "O país de Akendenguê" e "Quando florirem salambás no Tecto do pico" (Delta, 2021); para o espanhol, o livro "A dolorosa raiz do Micondó", publicado na Espanha (Baile del Sol, 2011) e na Venezuela (El Perro y la Rana, 2013); e para o italiano "A dolorosa raiz do Micondó" (Kolibris edizioni, 2014). ** Ver detalhes abaixo em: Obra (livros) traduzida em outras línguas. 

É o nome mais traduzido da literatura são-tomense de todos os tempos, foi traduzido para o alemão, árabe, espanhol, inglês, francês, italiano, checo, servo-croata, turco e galego.  Tem seus poemas publicados em jornais, revistas e antologias em diversos países. 

Em 2021, o "World Poetry Movement - WPM" designou 58 coordenadores nacionais, com representados de diversas regiões: América (13), África (17), Europa (18) e Ásia (9). A poeta Conceição Lima foi designada Coordenadora do Movimento Poético Mundial para São Tomé e Príncipe. Os trabalhos do WPM podem ser acompanhados na página e grupo do facebook. 

Em setembro de 2021, Conceição Lima vence o importante prêmio ex-aequo, com  poema "Afroinsularidade", do primeiro livro da poeta. O prêmio foi concedido dentro do Concurso de Tradução de Poemas 2021, organizado pela prestigiada revista literária Word Without Borders, em parceria com a Academia Americana de Poetas, nos EUA. InTemplo Cultural Delfos


Brasil - Adere à Convenção de transportes rodoviários e impulsiona Corredor Bioceânico

Acordo da ONU entra em vigor no país em 30 de julho deste ano e deverá reduzir tempos e custos no movimento transfronteiriço de mercadorias. A adesão do Brasil foi descrita como um sinal da relevância global do tratado


A adesão do Brasil à Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo de Cadernetas, TIR, foi administrada pela Comissão Económica da ONU para a Europa, UNECE.

Este marco foi anunciado como um passo central para reforçar a integração aduaneira e o comércio regional na América do Sul. O tratado entrará oficialmente em vigor no Brasil em 30 de julho de 2026.

Corredor Bioceânico liga Pacífico e Atlântico

Com esta adesão, o Brasil junta-se à Argentina, ao Chile e ao Uruguai, tornando-se o 79.º Estado Parte a nível mundial no acordo da ONU que foi concebido para acelerar o transporte internacional de mercadorias e reduzir custos nas fronteiras.

Segundo dados apresentados, o sistema pode reduzir os tempos de transporte transfronteiriço em até 92% e os custos em até 50%.

A adesão ocorre num momento em que Argentina, Brasil, Chile e Paraguai trabalham para melhorar as condições de trânsito seguro e eficiente de mercadorias ao longo da chamada Rota Bioceânica.

O corredor rodoviário de 2396 quilômetros conecta os portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, ao porto de Santos, no Brasil, passando por Paraguai e Argentina.

O porto de Santos, localizado próximo de São Paulo, foi destacado como o mais movimentado da América Latina, responsável por quase 30% do comércio externo brasileiro, avaliado em US$ 629 mil milhões.

As estimativas indicam que o Corredor Bioceânico poderá transportar mais de 8,6 milhões de toneladas de produtos por ano. Estima-se que o impacto económico supere US$ 3 mil milhões em setores produtivos estratégicos, incluindo agricultura, celulose, indústria de carnes e mineração.

Redução de custos e tempo pode fortalecer competitividade regional

De acordo com as projeções apresentadas, o reforço da conectividade ao longo do corredor deverá reduzir os custos de transporte de carga em 30% a 40% e encurtar os prazos de envio em até 15 dias.

A adesão do Brasil à Convenção TIR foi também associada ao contexto recente de assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, bloco composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Em comunicado, a secretária executiva da UNECE, Tatiana Molcean, afirmou que “a adesão do Brasil à Convenção TIR trará múltiplos benefícios”.

A representante acrescenta que, além de fortalecer a integração aduaneira e comercial regional, a medida deverá “impulsionar o desenvolvimento global e a competitividade internacional das economias sul-americanas”.

Sistema eTIR simplifica procedimentos aduaneiros

A Convenção TIR estabelece um sistema global de trânsito aduaneiro para transporte rodoviário e multimodal de mercadorias, baseado em procedimentos padronizados e mecanismos de segurança.

A UNECE destaca ainda a implementação do sistema eletrónico eTIR, que elimina a necessidade de cadernetas físicas e reduz a burocracia associada ao transporte internacional.

Segundo a UNECE, a digitalização pode diminuir os tempos de espera e as filas nas fronteiras, reduzindo também o impacto logístico e operacional do transporte.

A adesão do Brasil foi descrita como um sinal da relevância global do tratado para criar oportunidades de conectividade e desenvolvimento económico através de mecanismos multilaterais. ONU News – Nações Unidas


Japão - Sobreviventes de Hiroshima demonstram preocupação sobre fim do tratado New Start

Os sobreviventes japoneses dos bombardeamentos atómicos de 1945 disseram ontem que temem que o mundo esteja a caminhar para uma guerra nuclear, com o fim do último tratado de controlo de armas entre os Estados Unidos e a Rússia


A vigência do tratado New Start terminou, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado a proposta do homólogo russo, Vladimir Putin, de alargar os limites às ogivas nucleares por mais um ano.

Terumi Tanaka, dirigente da Nihon Hidankyo, uma organização de sobreviventes dos bombardeamentos atómicos norte-americanos contra as cidades de Hiroxima e Nagasáqui, em agosto de 1945, disse que “o mundo ainda não compreendeu a gravidade da situação”. Este grupo pacifista foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 2024.

O último pacto de armas nucleares entre a Rússia e os Estados Unidos expirou, removendo os limites para os dois maiores arsenais atómicos do mundo. O fim do Tratado New Start pode abrir caminho para a corrida ao armamento nuclear.

O Presidente russo, Vladimir Putin, declarou no ano passado estar pronto para respeitar os limites do tratado por mais um ano, caso Washington também corresponde-se nos mesmos termos. O presidente norte-americano, Donald Trump, não se comprometeu com uma prorrogação.

Putin discutiu o fim do pacto com o líder chinês, Xi Jinping, na quarta-feira, disse o conselheiro da Presidência russa, Yuri Ushakov, referindo que Washington não respondeu à proposta de prorrogação. A Rússia vai agir de forma equilibrada e responsável, com base numa análise minuciosa da situação de segurança, acrescentou Ushakov.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo afirmou, num comunicado divulgado durante a última noite, que “nas circunstâncias atuais”, presume que as partes do tratado já não estão vinculadas a obrigações ou declarações simétricas, incluindo as disposições principais.

O Tratado New Start, assinado em 2010 pelo então presidente norte-americano Barack Obama e o homólogo russo, Dmitri Medvedev, restringia as duas partes a um máximo de 1550 ogivas nucleares num máximo de 700 mísseis e bombardeiros prontos a usar. Originalmente, o tratado deveria expirar em 2021, mas foi prorrogado por mais cinco anos. O pacto previa inspecções para verificar o cumprimento das disposições. As inspecções foram interrompidas em 2020 devido à pandemia de COVID-19 e nunca mais foram retomadas.

Em fevereiro de 2023, Putin suspendeu a participação de Moscovo nas inspeções, alegando que a Rússia não podia permitir as visitas norte-americanas às instalações nucleares russas numa altura em que Washington e os aliados da Aliança Atlântica declaravam abertamente a derrota de Moscovo na Ucrânia. Ao mesmo tempo, a Rússia sublinhou que não se estava a retirar completamente do pacto, prometendo respeitar os limites estabelecidos sobre a posse de armas nucleares.

Ao oferecer, em setembro de 2025, o cumprimento dos limites do New Start, durante um ano, para dar tempo a ambas as partes de negociar um novo acordo, Putin afirmou que o fim do pacto seria desestabilizador e poderia provocar a proliferação nuclear. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”