Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

China - Regista forte crescimento do comércio ferroviário com a Europa

Os comboios de mercadorias que ligam a China à Europa realizaram mais de 130 mil viagens na última década, representando um comércio superior a 520 mil milhões de dólares.


Actualmente, transportam por mês a mesma quantidade de mercadorias registada em todo o ano de 2016. Estes foram alguns dos dados revelados por Liang Linchong, director-geral do Departamento de Abertura Regional da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (principal órgão de planeamento económico da China), durante uma conferência de imprensa realizada em Pequim.

Citado pelo jornal oficial “Global Times”, Liang sublinhou que o número de viagens nesta ligação ferroviária comercial aumentou de 1702 em 2016 – quando estes serviços foram unificados sob um único nome – para mais de 20.000 no ano passado, representando uma taxa média de crescimento anual superior a 30%. O mesmo responsável indicou ainda que a digitalização dos processos alfandegários permite agora que estes sejam concluídos em cerca de meia hora e que os horários fixos dos comboios reduziram o tempo de viagem em mais de um terço em rotas como a entre Xi’an (China central) e Duisburg (Alemanha ocidental), que passou de 15 para 11 dias.

Os comboios têm operado com 100% da sua capacidade de carga durante 46 meses consecutivos, observou Liang, acrescentando que a proporção de mercadorias que saem da China em relação às que chegam da Europa está a aproximar-se de um “equilíbrio de um para um”, o que representaria uma “forte procura bidireccional”.

A expansão das rotas que ligam a China à Europa também aumentou a atractividade para os comerciantes transfronteiriços, afirmou o representante da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, mencionando as novas ligações abertas através do corredor do Mar Cáspio, através da Turquia, e do porto russo de São Petersburgo para a Alemanha. A volatilidade das rotas marítimas devido à escalada dos conflitos geopolíticos também beneficiou estes comboios, especialmente para as empresas que procuram um acesso rápido à Europa, como os fabricantes de ar condicionado Midea e Gree, que reduziram os prazos de entrega de cerca de 40 dias para aproximadamente 15 em resposta à onda de calor que afecta o continente. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Moçambique - “O Veredicto” une música, teatro e dança no Centro Cultural Moçambique-China

O musical “O Veredicto” sobe ao palco na próxima sexta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China, com a proposta de unir teatro, canto, dança e performance visual numa reflexão sobre as histórias, vivências e expressões que compõem o património cultural moçambicano. Mais do que um espetáculo, os promotores apresentam a iniciativa como um apelo à valorização da cultura nacional e à aproximação do público às produções artísticas do país.


Durante a conferência de imprensa de apresentação do musical, o produtor Zé Pires afirmou que a obra pretende contribuir para o resgate da música moçambicana, que, na sua perspetiva, tem perdido espaço junto da própria sociedade.

“Fazemos com este musical, com esta obra que é um teatro musicado, um clamor a toda a sociedade para o resgate e a recuperação da nossa música como uma plataforma importante que foi praticamente abandonada pela própria sociedade.”

Segundo Zé Pires, a principal razão da criação do espetáculo é formar novos públicos e incentivar os moçambicanos a voltarem às salas de espetáculo.

“A essência deste espetáculo, aquilo que foi a razão por que foi criado, é a construção de uma audiência, a formação de audiências.”

O produtor reconheceu que um dos maiores desafios enfrentados pelos artistas nacionais é conquistar público para os seus eventos.

“Hoje em dia temos muita dificuldade de ter um espetáculo de música ou de qualquer arte sem a gente ter uma casa cheia. Estamos com uma casa de 1500 lugares e, para a ter cheia, é um transpirar que vocês não estão a imaginar.”

Também presente na conferência de imprensa, o artista Roberto Chitsondzo alertou para o que considera ser um progressivo afastamento dos artistas e do público em relação à cultura moçambicana.

“Nós, artistas, fugimos da nossa essência como artistas para ser melhor aplaudidos. A sociedade deixou de escutar a sua própria cultura para dar mais ‘likes’ àquilo que é dos outros.”

Embora reconheça a importância das influências internacionais na formação dos artistas, Chitsondzo defendeu que é necessário valorizar mais a produção cultural nacional.

“Eu próprio aprendi a cantar com músicas provenientes de outros sítios. Mas isso não significa que devemos deixar de ouvir e promover aquilo que é nosso.”

O artista criticou ainda a escassa presença de conteúdos culturais em alguns programas de entretenimento, considerando que a divulgação do trabalho dos criadores nacionais continua a ser insuficiente.

“Aquilo que a gente assiste ali é fofoca, aberrações, insultos. Daquilo que deveriam apresentar sobre os nossos colegas, eu não vejo nada.”

A organização acredita que “O Veredicto” poderá contribuir para aproximar o público da arte moçambicana, promovendo uma reflexão sobre a identidade cultural e reforçando o papel da música, do teatro e da dança como instrumentos de preservação do património nacional. Arnosso Cuco – Moçambique in “O País”


Moçambique - Associação Cultural da Universidade Pedagógica promove Ciclo de Cinema Moçambicano na Universidade Pedagógica de Maputo

A Associação Cultural da Universidade Pedagógica de Maputo (ACUP) vai promover, de 3 a 7 de Agosto, um Ciclo de Cinema Moçambicano, uma iniciativa que pretende aproximar a comunidade universitária da produção cinematográfica nacional e fomentar a reflexão sobre temas sociais, históricos e culturais retratados nas obras.


O evento terá lugar no Centro de Línguas da Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo, entre as 9h00 e as 12h00, e contará com a exibição de um filme por dia, seguida de debates com realizadores, actores, produtores, guionistas, editores de vídeo, docentes e estudantes. A organização considera que a iniciativa contribuirá para a valorização da sétima arte moçambicana como instrumento de formação académica e de promoção do pensamento crítico.

A programação inicia-se no dia 3 de Agosto com a exibição da longa-metragem Comboio de Sal e Açúcar, seguindo-se uma conversa que contará com a participação do realizador Licínio Azevedo e do actor Aquirasse Nipita.

No dia seguinte será apresentado O Ancoradouro do Tempo, com debate orientado por Amílcar Mascarenhas e a presença do realizador Sol de Carvalho e de Horácio Guiamba.

No dia 5 de Agosto será exibido Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, seguido de um encontro com o realizador João Ribeiro e a actriz Anabela Adrianoupolos, moderado por Félix Mambucho. Já no dia 6, o público poderá assistir a O Silêncio da Mulher, com debate conduzido por Daniel Tinga e participação do realizador Gabriel Mondlane e da actriz Júlia Novela. O ciclo encerra no dia 7 de Agosto com a projecção das curtas-metragens A Penumbra, de Jared Nota, e O Sonho, de Ivo Mabjaia, seguida de uma conversa moderada por José dos Remédios, com a participação do produtor Omar Faquirá e do cineasta Jared Nota.

Segundo a ACUP, a realização deste ciclo visa reforçar a formação de públicos mais conscientes e criar um espaço permanente de reflexão sobre os desafios e as potencialidades do cinema moçambicano, consolidando o compromisso da Universidade Pedagógica de Maputo com a cultura, a educação e a produção do conhecimento. In “O País” - Moçambique


Angola - Poeta Elsa Major lança livro no Memorial Dr. António Agostinho Neto

Depois da apresentação em Portugal, a poeta Elsa Major regressa ao país para o lançamento oficial da sua mais recente obra intitulada “Faro e Enigmas - Poesia”, cuja sessão ocorreu no Memorial Dr. António Agostinho Neto, um dos mais importantes espaços de promoção da cultura e da memória nacional


Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.Club, Faro e Enigmas - Poesia afirma-se como uma das mais significativas obras poéticas da autora, reunindo poemas em que o amor, a memória, a espiritualidade, a identidade e a paisagem se cruzam numa escrita profundamente sensorial. Inspirada pelo Namibe, pelo Atlântico e pelo Deserto do Kalahari, Elsa Major propõe uma poesia que convida à contemplação e à reflexão sobre a condição humana.

A sessão de lançamento contou com a participação de convidados especiais, entre os quais Conceição Cristóvão, Agnela Barros e o escritor e investigador João Fernando André, cuja presença reforça a dimensão literária do encontro.

O livro conta com o apoio de várias instituições e órgãos de comunicação social, entre os quais a Rádio Escola 88.5 FM, o Sistema Akwa Kisanji, a Rádio MFM 91.7 e outros parceiros culturais.

Depois da excelente recepção em Lisboa, onde a obra reuniu escritores, académicos, diplomatas e leitores num momento de celebração da literatura, Faro e Enigmas chega agora a Luanda para um encontro, de acesso livre, com o público angolano, num regresso particularmente simbólico da autora às suas raízes e ao universo cultural que inspira grande parte da sua criação poética.

Mais do que um lançamento literário, esta apresentação constituiu uma celebração da poesia contemporânea e da crescente afirmação das vozes femininas na literatura nacional, reforçando o papel do livro como espaço de diálogo entre memória, identidade e futuro.

Elsa Major é uma poeta, escritora e professora angolana, natural da província do Namibe e licenciada em Linguística pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da Universidade Agostinho Neto.

Destaca-se no panorama da literatura lusófona pela ligação à tradição oral e expressão feminina, com as obras Sensações, Emoções e Impressões, Versos Confessos e Faro e Enigmas. É co-autora em várias antologias e colectâneas da lusofonia, incluindo os volumes de Poiesis, Janelas do Universo e Eclética I. In “Jornal de Angola” - Angola


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Macau - Associação quer aprofundar intercâmbio jurídico entre a China e o mundo lusófono

Uma deslocação ao Brasil da Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau focou-se na cooperação, arbitragem internacional e nos impactos da inteligência artificial no sector jurídico. A delegação assinou memorandos de entendimento com sete instituições brasileiras, abrangendo associações empresariais, escritórios de advocacia, faculdades de direito, arbitragem e mediação. No futuro, a Associação pretende aprofundar a articulação de regras jurídicas entre Hengqin e Macau, promover o sistema de serviços jurídicos para a internacionalização da medicina tradicional chinesa e expandir a cooperação na área de resolução de disputas internacionais


A Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau (MLEPA, na sigla em inglês) realizou uma visita institucional ao Brasil focada na cooperação jurídica, arbitragem internacional e nos impactos da inteligência artificial (IA) no sector. A comitiva cumpriu uma extensa agenda, que incluiu diversos encontros focados nas oportunidades e desafios do uso de IA generativa na advocacia, protecção de dados e comércio transfronteiriço.

Durante a estada em São Paulo, a MLEPA assinou memorandos de entendimento com sete instituições brasileiras de referência, como o Ibrachina e o IBCJ, abrangendo associações empresariais, escritórios de advocacia, faculdades de direito, arbitragem e mediação.

Além disso, realizou visitas e encontros, com passagens por organismos de São Paulo, como o Tribunal de Justiça, a OAB/SP, a Assembleia Legislativa e a Faculdade de Direito da USP. O objectivo central foi consolidar Macau como uma plataforma de serviços para a cooperação jurídica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa (PLP).

A delegação promoveu igualmente o seu primeiro seminário jurídico no Brasil, construindo oficialmente um canal bilateral de serviços jurídicos “China Continental-Hengqin-Macau-Brasil”. Ao Jornal Tribuna de Macau, a associação disse que a conferência constituiu um “marco importante para a cooperação da associação com o país lusófono da América Latina”.

O painel com especialistas da RAEM contou com a participação de membros da MLEPA, nomeadamente Joaquim Vong e Brian Cheang, respectivamente presidente e vice-presidente executivo, e Stephen Hu, especialista em investimentos bilaterais.

O evento reuniu académicos e profissionais do Direito para debater oportunidades, desafios e tendências na profissão jurídica na era da IA generativa, com foco na troca de experiências sobre inovação, transformação digital e cooperação institucional entre o Brasil e a China.

Brian Cheang falou sobre a legislação relativa à protecção de dados pessoais na era da IA generativa, destacando o papel da MLEPA e a importância de laços mais estreitos com o Brasil. O advogado salientou que, “como temos muitos advogados em Macau que falam português, somos vistos como uma plataforma de interacção entre a China e os PLP, entre os quais o Brasil”, acrescentando que, “cada vez mais, os profissionais do Direito chineses estão a reconhecer a necessidade de uma maior interacção”.

Joaquim Vong abordou a aplicação da IA no Direito na China Continental e em Macau, afirmando a necessidade de “unir forças para construir uma plataforma de IA para o comércio jurídico entre a China e o Brasil, tendo Macau como centro nevrálgico”. Desta forma, expressou, “podemos promover a cooperação económica e comercial bilateral, aprofundando as relações de amizade”.

Por sua vez, Stephen Hu fez uma apresentação sobre as oportunidades e os desafios da IA generativa para os profissionais do Direito, propondo uma reflexão sobre os limites da sua utilização na prática jurídica. “Temos de verificar quais as plataformas mais adequadas para cada tarefa, analisando os dados e encontrando um equilíbrio entre o trabalho automatizado e a verificação humana”, mencionou.

Em termos de futuro, a MLEPA centrar-se-á na construção do “Corredor Económico e Jurídico China Continental – Hengqin/Macau – Brasil”, com foco em cinco áreas: resolução de disputas transfronteiriças, serviços jurídicos para investimentos bilaterais, serviços de internacionalização da medicina tradicional chinesa e comércio, intercâmbio de talentos e académico, e articulação de regras jurídicas entre Hengqin e Macau. “Iremos expandir gradualmente a rede de cooperação para todos os países lusófonos do mundo”, refere a nota enviada ao JTM.

Sobre o intercâmbio com os PLP, a MLEPA salienta que, “baseando-se no posicionamento de Macau como plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países lusófonos e no papel de apoio da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, aprofundar o intercâmbio jurídico entre a China continental e os países lusófonos é tanto um requisito para servir a estratégia de desenvolvimento nacional como uma medida necessária para usufruir das vantagens únicas de Macau e promover a sua diversificação económica adequada”.

A MLEPA, fundada em 2019, é composta por profissionais jurídicos diversificados: advogados locais em exercício, docentes de Direito de universidades, funcionários públicos da área jurídica e consultores jurídicos empresariais.

“A missão central é defender a autoridade da Constituição e da Lei Básica de Macau, promover a integração da comunidade jurídica da RAEM no desenvolvimento nacional, participar na articulação de regras da Grande Baía e da Zona de Cooperação de Hengqin, e construir uma ponte de intercâmbio jurídico entre a China continental e os países lusófonos”, salienta a associação.

Desde que foi criada, a MLEPA realizou, durante seis anos consecutivos o “Fórum de Inovação Jurídica da Grande Baía”, publicou diversos guias jurídicos, obteve autorização para estabelecer a Representação em Guangdong em Hengqin, criou a marca de intercâmbio juvenil “Rota da Seda Liga Macau: Jovens da Ibéria”, e conta com uma rede de cooperação global que abrange mais de 100 instituições profissionais. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Japão - Concerto celebra música portuguesa dos séculos XVIII e XIX

A embaixada de Portugal recebe, no dia 9 de setembro, o concerto “A Diva de Lisboa – Música portuguesa do final do século XVIII e do século XIX num piano quadrado de 1817”, uma iniciativa dedicada à redescoberta do repertório português anterior à consolidação do fado


O programa reúne canções portuguesas do final do século XVIII e do século XIX, selecionadas também a partir de fac-símiles de partituras preservadas na Secção de Música da Biblioteca Nacional de Portugal.

A interpretação estará a cargo da soprano portuguesa Ana Filipa Leitão e da especialista em fado e canto clássico Erika Fujisawa. O piano quadrado de 1817 será tocado por Michio O’Hara.

O concerto decorre entre as 18h00 e as 19h00 e tem um custo de participação de mil ienes.

A iniciativa é organizada pela O’Haras, com o apoio da Associação Nagoia Japão-Portugal e a colaboração da embaixada de Portugal, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e da Konoie Event. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Brasil - Golpe, invasão e roubo de nossas terras raras

Infelizmente não tenho bola de cristal e não posso prever o futuro, mas, com base em certas evidências, podemos imaginar certos riscos próximos à democracia e à soberania brasileiras. A existência desses riscos decorre da tolerância mantida com relação a certos políticos dispostos a traírem o país em favor dos Estados Unidos e aceitarem desempenhar funções de lacaios, em troca de terem apoio para instaurar uma ditadura familiar, uma dinastia, e assim desfrutarem do poder.

Ainda recentemente, o candidato Flávio Bolsonaro confirmou sua vocação golpista ao afirmar que libertará imediatamente seu pai, preso por tentativa de golpe, e reagirá contra o STF se seus ministros quiserem impedir essa libertação em nome de inconstitucionalidade.

Faz alguns dias, afirmou com seu sorriso cínico, que seu pai subirá com ele a rampa do Planalto na posse como presidente.

Diante dessa declaração, o jornalista e crítico político Reinaldo Azevedo disse, no canal Metrópoles, querer ter mais detalhes. Como seu pai poderá subir a rampa sem ter sido libertado e como Flávio poderá libertar seu pai antes de ser empossado? Ora, só depois de eleito Flávio poderia decretar o indulto e, mesmo assim, teria de esperar a reação do STF! Ou Flávio estaria programando um golpe logo depois das eleições, ou mais precisamente, logo depois de sua derrota nas eleições?

E outra: num encontro para o qual foram convidados embaixadores e representantes de diversos países, Flávio Bolsonaro veio com a velha história de urnas não seguras, defendida pelo pai e que lhe custou a inelegibilidade: a de que a Smartmatic, empresa venezuelana fabricante das urnas eletrônicas, não garante invulnerabilidade. Por que teria repetido o mesmo argumento já desmentido? Sua expectativa é a de que o Tribunal Superior Eleitoral, agora dirigido pelo ministro Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, aceite a história das urnas não seguras e crie um caos logo após a apuração, na hipótese mais provável de ser derrotado?

São três narrativas golpistas ou mesmo três projetos golpistas fadados ao fracasso, piores e menos consistentes que o plano golpista paterno. Mas aqui poderia entrar um apoio inexistente na derrota de Jair Bolsonaro: em lugar de apelar às Forças Armadas como costuma ocorrer nos países sul-americanos, Flávio e seu irmão Eduardo, mais o foragido neto de ditador, Paulo Figueiredo estariam negociando uma intervenção norte-americana no Brasil, a pretexto a priori de ter havido eleições fraudulentas, tema preferido do presidente Donald Trump. Um golpe rápido capaz de impedir reações e evitar uma guerra civil, perto do modelo aplicado na Venezuela. Para isso contariam com o apoio dos Estados governados por bolsonaristas e suas estruturas policiais e militares. O apoio de São Paulo e Estados sulistas seria decisivo, junto com o apoio religioso evangélico.

Si non è vero è bene trovato, como diria o filósofo Giordano Bruno, queimado pela Inquisição em 1600.

Descrevemos o quadro e os riscos, mas ficaria a pergunta: por que os EUA endossariam a intervenção e apoiariam o golpe?

Razões existem e seria bom ficarmos alertas. A imprensa francesa deu eco aos temores brasileiros do uso da força militar e a Agência France Presse e o jornal Le Figaro não deixaram por menos: "O Brasil se inquieta quanto ao risco dos EUA recorrerem à força militar no seu território, depois que Washington classificou como organizações terroristas dois grupos criminosos brasileiros". Na verdade, essa classificação é pretexto para justificar qualquer intervenção norte-americana no Brasil, mesmo porque, diz o jornal, "a oposição de direita saudou a decisão de Washington".

E por que tanto interesse pelo Brasil?

Antes já havia muitos países de olho nas riquezas da Amazônia. Agora, isso continua, mas reforçado com a cupidez pelas chamadas terras raras. E o jornal suíço Le Temps sintetiza bem essa ganância no título de primeira página - "O Brasil no centro de uma guerra fria econômica entre a China e os Estados Unidos por suas terras raras".

O texto trata do controle da sociedade mineira e de minerais Terra Brasil Minerals pelos EUA e Emirados Árabes com a participação da Inglaterra, Canadá, Austrália e União Europeia para a exploração de terras raras no Brasil, com o objetivo de concorrer com a China, detentora das maiores jazidas dessas terras.

O Brasil possui grandes jazidas mas é um simples exportador dessa matéria-prima, como ocorre com o ferro e a soja. O Brasil sabe extrair mas não tem o controle do processo que permite transformar a rocha em tecnologia e a tecnologia em soberania, comenta o jornal. E dá um exemplo, o lítio bruto exportado por 800 dólares a tonelada é importado, já transformado em hidróxido de lítio, por 8000 dólares.

O Brasil quer ter sua soberania nesse setor, mas a ganância norte-americana por essas terras pode criar mudanças políticas e fazer o Brasil continuar como simples exportador. Isso é o que tramam os chamados patriotas, na verdade traidores da pátria políticos e entreguistas de nossas riquezas. É o limiar de uma luta pela soberania e controle das terras raras como foi a luta da Petrobras pelo petróleo e que os patriotas também querem privatizar. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins, é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.