Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 17 de julho de 2026

CPLP - Mensagem da Secretária Executiva por ocasião do 30.º Aniversário que hoje, 17 de julho, se comemora


Mensagem da Secretária Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Embaixadora Maria de Fátima Jardim, por ocasião do 30º Aniversário da CPLP, assinalado a 17 de julho de 2026

 

UCCLA – Acolhe o lançamento do livro “Marrabenta - A Cadência de Moçambique” de Costa Neto

Vai acontecer no dia 24 de julho, às 17h30, a apresentação do livro Marrabenta - A Cadência de Moçambique da autoria de Costa Neto, no auditório da UCCLA.


Com a chancela da editora Chiado Books, a obra será apresentada pela arqueóloga Conceição Lopes.

Sinopse:

É um livro acessível ao leitor comum pela sua explícita dissertação, mas igualmente estruturado e recomendado para o ensino académico pelos seus ensaios técnicos complementares.

Um livro que proporciona uma concertação de ensaio e dissertação sobre um género de música moçambicana, a “Marrabenta”, resultante de pesquisas do autor no seu longo percurso de carreira profissional forjada numa experiência intensa, nacional e internacional.

Biografia do autor:

Costa Neto nasceu na Ponta do Ouro, a sul de Moçambique. É músico, compositor, intérprete, produtor e escritor. Radicado em Portugal há mais de três décadas, é considerado um dos maiores impulsionadores da música urbana moçambicana e da cultura lusófona.

Membro cofundador da Banda ABC 78 (1978), músico efetivo da Gestão Hoteleira/Moçambique (1978-1979), membro do Grupo 1 - Moçambique (1981), membro cofundador e diretor do Agrupamento Mbila/Moçambique (1982), diretor interino do Clube da Juventude/Maputo (1983-1988).

Fundador e coordenador do projeto filantrópico "FAZER" em 1996, em Portugal, patrocinado pelas Nações Unidas, com o envolvimento de artistas africanos (PALOP) residentes em Portugal, para além de personalidades e instituições públicas.

Co-padrinho de “Juntos Contra a Fome”, projeto de parceria CPLP e FAO de luta contra a fome nos países de língua oficial portuguesa.

Cofundador e presidente de Direção da “Razão d’Arte”, Associação Cultural dos Artistas da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Autor dos hinos:

  • “A Lusófona”, dedicado às comunidades dos países de língua oficial portuguesa: 

https://www.youtube.com/watch?v=4eXzuoOknTE

  • “Juntos Contra a Fome” da campanha internacional de luta contra a fome nos países de língua oficial portuguesa da parceria CPLP-FAO:

https://www.youtube.com/watch?v=9anxtoJ_2lk  

Autor e intérprete da música “Mandjolo”, uma das mais emblemáticas músicas de Moçambique

Criador do projeto “Kanimambo Quero Um Abraço”, inspirado no contexto da solidariedade internacional às vítimas das intempéries em Moçambique e com intervenção social e sensibilização no âmbito da pandemia do Covid-19:

https://www.youtube.com/watch?v=ReIIFsydugQ


quinta-feira, 16 de julho de 2026

Angola - Leitores de diferentes gerações reflectem em torno da obra literária de Manuel Rui

A Biblioteca Contr’Ignorância, no município do Rangel, em Luanda, realiza neste Sábado, 18, mais uma edição do Clube de Leitura Handyman, desta vez para reflectir em torno da obra “Quem Me Dera Ser Onda”, do escritor angolano Manuel Rui, publicado pela primeira vez em 1982


A iniciativa vai reunir crianças, adolescentes, jovens e adultos a fim de descobrir novos mundos e conversar sobre a referida obra, com o objectivo de incentivar o diálogo, a reflexão e a descoberta de novos conhecimentos através dos livros, bem como valorizar a literatura angolana e a produção literária do país.

Segundo o coordenador de Projectos da biblioteca, Dilson Maria, uma das maiores virtudes desta sessão reside na diversidade de interpretações que cada participante construirá a partir da mesma obra. Na sua perspectiva, embora todos leiam o mesmo livro, cada leitor desenvolve uma leitura própria, influenciada pelas suas vivências, pela realidade social e pela sua sensibilidade.

“O clube não pretende convencer ninguém de que uma determinada obra é boa ou má. Pelo contrário, acreditamos que são precisamente os livros que suscitam dúvidas, desconforto ou opiniões divergentes que proporcionam conversas mais profundas e enriquecedoras”, afirmou.

O responsável esclareceu ainda que o encontro está aberto para quem já leu a obra e para aqueles que desejam apenas conhecer o funcionamento do clube de leitura.

Questionado sobre a escolha de “Quem Me Dera Ser Onda” para esta edição, explicou que a equipa acompanha regularmente os títulos mais procurados pelos utilizadores da biblioteca, procurando seleccionar obras capazes de despertar o interesse de crianças, adolescentes e adultos e estimular um debate participativo. Musseque Segunda – Angola in “O País”


Timor-Leste – Banco Nacional Ultramarino entrega certificados a 19 formandos e promete reforçar aposta no ensino da língua portuguesa

O curso gratuito de iniciação, promovido em parceria com a Embaixada de Portugal e a Escola Portuguesa de Díli para assinalar os 114 anos do BNU em Timor-Leste, termina com promessa de continuidade. Responsáveis destacam a importância da formação para a qualificação profissional e para a consolidação da língua portuguesa no país


Os 19 participantes do curso de iniciação em Língua Portuguesa promovido pelo Banco Nacional Ultramarino (BNU) receberam, esta terça-feira, 14 de julho, os certificados de conclusão da formação, numa cerimónia que assinalou o encerramento da iniciativa lançada para celebrar os 114 anos da instituição em Timor-Leste.

O curso, gratuito, teve a duração de 60 horas e foi promovido pelo BNU em parceria com a Embaixada de Portugal e a Escola Portuguesa de Díli (EPD), destinando-se a funcionários públicos e estudantes universitários timorenses.

Menos celebrações, mais investimento na comunidade

O diretor-geral do BNU, Paulo Lopes, explicou que o banco optou por assinalar o aniversário de uma forma diferente, canalizando os recursos habitualmente destinados às comemorações para uma iniciativa de responsabilidade social.

“Em vez de assinalarmos o aniversário do Banco com uma festa, fogo de artifício e confetes, utilizámos esses recursos para um ato de responsabilidade social, devolvendo à comunidade timorense algo em troca daquilo que também nos tem proporcionado”, afirmou.

Segundo Paulo Lopes, a aposta na formação, quer na língua portuguesa quer noutras áreas do conhecimento, é essencial para reforçar as competências dos recursos humanos. O responsável sublinhou que essa evolução já é visível tanto na melhoria da qualidade do trabalho desenvolvido pelos funcionários do banco como no crescente interesse de timorenses em integrar os quadros da instituição.

“De ano para ano, há cada vez mais quadros timorenses mais qualificados e preparados para serem bem-sucedidos no mundo profissional”, afirmou.

O embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, elogiou a iniciativa do BNU, desenvolvida em parceria com a EPD e a Embaixada de Portugal, considerando que contribui para reforçar o ensino da língua portuguesa no país.

“É uma iniciativa muito importante porque dá prioridade à língua portuguesa, à sua disseminação e ao seu enraizamento, uma das grandes prioridades da Embaixada, fortalecendo e formando jovens capacitados com um melhor domínio da língua portuguesa”, sublinhou.

Também presente na cerimónia, o ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Gastão de Sousa, agradeceu a oportunidade dada aos funcionários do ministério para frequentarem a formação.

“Quero agradecer muito aos meus colegas portugueses, que proporcionaram esta oportunidade de aprender português, porque isso facilitará a progressão na carreira dos funcionários públicos.”

O governante manifestou ainda o desejo de que esta iniciativa tenha continuidade, permitindo que mais funcionários possam beneficiar da formação. Apelou igualmente aos trabalhadores da Administração Pública para continuarem a aprender português, lembrando que “já é hora de aprender português, a língua oficial de Timor-Leste”.

Formandos destacam evolução e pedem continuidade

Entre os participantes, Isaura Mota de Jesus, funcionária da Secretaria de Estado dos Assuntos da Toponímia e Organização Urbana, explicou que utiliza diariamente a língua portuguesa para redigir e responder a correspondência oficial, razão pela qual considerou a formação particularmente útil.

A formanda destacou a dinâmica das aulas e a metodologia utilizada pela professora, afirmando que a evolução dos participantes foi evidente ao longo do curso.

“No início, foi difícil, porque não sabíamos como nos expressar em português. Mesmo tendo dúvidas, não tínhamos coragem para perguntar. Mas agora é diferente: fazemos prática no curso e aprendemos tanto a falar como a escrever.”

Isaura Mota de Jesus agradeceu ainda a oportunidade proporcionada pelo BNU, considerando que a iniciativa reforçou o orgulho dos participantes numa das línguas oficiais de Timor-Leste. “Foi uma oportunidade muito interessante para nós e espero que este curso tenha uma segunda etapa, para podermos avançar para o nível seguinte”, afirmou.

BNU e Embaixada prometem dar continuidade ao projeto

No encerramento da cerimónia, Paulo Lopes felicitou os formandos e incentivou-os a continuarem a investir na sua formação ao longo da vida.

“A mensagem que vos posso deixar é que isto vos sirva de incentivo para procurarem mais formações, estarem disponíveis para aprender e serem melhores profissionais e, dessa forma, contribuírem para o futuro e para o desenvolvimento do país”, afirmou.

O diretor-geral anunciou ainda a intenção de reforçar esta iniciativa no próximo ano, quando o BNU assinalar os 115 anos de presença em Timor-Leste.

“Para o ano, como se assinalam os 115 anos, um número mais redondo, acho que merece ser comemorado de forma mais abrangente, com mais iniciativas, mas sempre dentro desta lógica de menos festas e mais devolução à comunidade timorense.”

A mesma garantia foi deixada pelo embaixador de Portugal, que manifestou o compromisso de apoiar a continuidade do projeto, permitindo que os atuais formandos avancem para o nível intermédio e que novos participantes possam integrar futuras edições.

Segundo Duarte Bué Alves, a evolução do domínio da língua portuguesa em Timor-Leste é claramente percetível. “Mesmo estando no país há apenas dez meses, tenho tido oportunidade de falar com profissionais que trabalham em várias áreas em Timor-Leste. Toda a gente me diz que, se olharmos para o domínio da língua portuguesa hoje em dia, comparando com há dez ou 20 anos, a situação é muito melhor.” InDiligente” – Timor-Leste


Angola - Inclusão de yuan nas reservas obrigatórias angolanas significa maturidade das relações, diz Câmara de Comércio Angola China

O presidente da Câmara de Comércio Angola China considerou a introdução do Yuan, moeda chinesa, na economia angolana um passo bastante significativo de maturidade das relações entre os dois países


Luís Cupenala reagia, em declarações à Lusa, à recente autorização do Banco Nacional de Angola (BNA) aos bancos comerciais para inclusão do Renminbi (Yuan) nas suas reservas obrigatórias em moeda estrangeira.

O responsável destacou que esta medida acontece nos 43 anos de relações bilaterais, dos quais 16 anos de parceria estratégica, com uma cooperação marcada por intensas trocas comerciais entre os dois países.

Segundo Luís Cupenala, com a implementação da taxa zero pela China, os produtores angolanos são obrigados a expandir a sua visão além do mercado de consumidores nacionais de 36 milhões de habitantes, olhando para o país asiático com 1,4 mil milhões de consumidores. “Isso precisa da circulação de recursos. Esta abertura que se dá agora da presença da moeda Renmimbi vai facilitar, com certeza, as nossas zungueiras [pequenas comerciantes], homens de negócios, para aumentarem os seus negócios com a China, fundamentalmente no quadro das exportações e importações”, referiu.

Por outro lado, a medida vai igualmente eliminar as barreiras da dependência de uma única moeda, tendo a partir de agora como moedas estrangeiras de transação o dólar norte-americano, o euro, o yuan e o rand (moeda sul-africana). “Todas essas medidas visam mitigar dificuldades e certamente facilitar que os negócios e as trocas comerciais entre os dois países fluam com facilidade e sem problemas”, sublinhou.

O líder da Câmara de Comércio Angola-China destacou que o Governo chinês tem acordos bilaterais comerciais, com os 53 países africanos, sendo Angola o parceiro económico mais importante do país asiático. “Este passo que se tomou hoje tardou, mas, seja como for, é o início de uma nova era na melhoria, no aprofundamento, das relações entre os dois países, no aumento das exportações, das trocas comerciais, da transferência do ‘know-how’ e da tecnologia e de investimentos em Angola”, realçou.

Cupenala destacou que, até se chegar a esta medida, o processo de cooperação entre os dois países passou por vários estágios de maturidade e de consolidação, tendo, em 2024, Angola e a China assinado o acordo de cooperação e parceria estratégica abrangente, “sem limitações nos vários domínios do comércio e de investimentos”. “Também é preciso recordar que, em 2023, um dos mais importantes instrumentos de promoção e proteção recíproca de investimentos foi assinado para estimular o investimento de empresas chinesas no nosso país e os angolanos a investirem na República Popular da China”, disse. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Irão - A ingenuidade de Tom Altman no Opera Mundi

 

Um dos traços principais do jornalista é a curiosidade. ele sempre quer saber o que há por detrás da porta. Felizmente, porque assim são expostas situações nem sempre muito claras, facilitando ao público a formação de sua opinião. O curioso remexe nas estantes de livros, levanta panos, abre gavetas, desce até o porão ou sobe ao sótão ou, mais moderno, vai ao Google, aciona IA, até encontrar a ponta de alguma coisa que lhe intriga, por mera curiosidade...

Vez ou outra, nós jornalistas somos convidados a uma inauguração, ao lançamento de uma peça teatral, a um festival de cinema, a uma exposição de pinturas, sem custos de nossa parte, com a única obrigação de escrevermos ou falarmos a respeito na nossa mídia. A favor ou contra? tanto faz, o objetivo é falar a respeito, elogios ou críticas são bem-vindos.

Mas nem sempre é assim. Quando envolve um investimento, uma atração ou o lançamento de um investimento turístico, espera-se do jornalista convidado um certo envolvimento. Aceita o convite quem quiser. Porém, o convite pode estar inserido numa campanha publicitária a ser lançada pelo jornal, tevê ou canal. Neste caso, o jornalista obedece ao editor.

Entretanto, quando o convite envolve um país com interesse político na formação de sua imagem internacional, esperam-se reportagens favoráveis. Mesmo porque o convidado partilha das mesmas ideias.

Por que toda essa introdução?

Porque fiquei muito curioso com a viagem de alguns jornalistas brasileiros ao Irão para cobrir o funeral do aiatolá Ali Khamenei, num momento em que tais viagens são praticamente impossíveis, fora o risco do jornalista viajante ser preso como espião.

Exceto se tais viagens fossem organizadas pelo próprio Irão. E foi assim que ocorreu: um pequeno grupo de jornalistas brasileiros - três pelo menos, Tom Altman, Stefani Costa e Leila Salim - foi levado ao Irão e ali permaneceu por uma semana.

Tomei conhecimento pelo anúncio do canal

Opera Mundi - O funeral do aiatolá Ali Khamenei, com Breno Altman entrevistando Tom Altman. Como o jovem Tom não contou quem organizou a viagem e nem Breno perguntou, dei uma procurada e fiquei sabendo ter sido o Canal Notícias Arresala, Vozes do Sul Global, ativo no Instagram, dedicado a cobrir temas de política, economia, sociedade e cultura para as comunidades islâmicas, com foco no Líbano e geopolítica do Oriente Médio. Faz parte do Centro Islâmico no Brasil com sede em São Paulo.

Curioso, ouvi o longo relato de viagem do jovem Tom Altman sobre o Irão, me chamando a atenção seu entusiasmo pelos iranianos, todos nacionalistas unidos contra o agressor norte-americano, e afirmando haver mesmo iranianos da diáspora retornando ao país para participar de uma resistência. Tom desmente ter havido qualquer tipo de pressão sobre a população iraniana para ir ao enterro e acompanhar seu trajeto.

Para ele 90% da população iraniana é devota, estava no enterro por religiosidade sem serem obrigados a isso. Havia, sim ódio e raiva daquele pessoal contra os EUA e Israel. E cartazes diziam: vamos matar o Trump e o Netanyahu, inclusive carregados por crianças. É um povo sem medo. Bem politizados querem primeiro defender o país para depois resolver os problemas internos.

Para Tom, as Faculdades iranianas são muito boas e 60% dos alunos são mulheres - uma conclusão um tanto apressada para quem ficou apenas sete dias. Ele também afirma que as pessoas vivem bem, poucos pobres e poucos ricos, a maioria é classe média. O Irão, segundo Tom, vive uma vida normalizada.

Ele acha haver no Irão uma democracia evidente, com eleições, mesmo se o aiatolá tem a última palavra. Para Tom, ninguém tem medo da Guarda Revolucionária, não se sabe no que se baseia. Nacionalistas, estão lá para defender o país, nem que a população seja sacrificada. O islamismo é uma religião revolucionária e coletiva. O Irão é um país bom de se viver. Não tem ninguém pedindo dinheiro nas ruas. Ele nega que tenha havido tantos assassinatos nas recentes manifestações, isso foi inventado ou exagerado. Eles se manifestam mas não para derrubar o governo.

Tom mostra ingenuidade ao aceitar as explicações do governo iraniano e recusar ter havido mais de mil mortos na repressão da Guarda Revolucionária aos manifestantes. Nem havia controle das entrevistas que fazia... diz ele.

"Temos de ser justos, é uma sociedade conservadora, na qual há códigos de vestimentos, das funções dos homens e mulheres na sociedade, certos trabalhos que cabem às mulheres e aos homens. As mulheres devem ser médicas, professoras, etc. mas há mulheres, embora em número reduzido no parlamento. Há trabalhos só para mulheres e trabalho só para homens e para ambos. As mulheres são por mudanças mas sem intervenção externa.

E vai por aí, depois de mais de uma hora, acabei frustrado por não ter ouvido nada sobre os grandes problemas da ditadura teocrática iraniana, a violência contra as manifestações do movimento feminino Mulher, Vida e Liberdade pela paridade e igualdade com os homens e por mais liberdade dentro da família.

Embora Tom Altman tenha se entusiasmado com o Irão, num canal respeitado de esquerda, ficaram de fora questões importantes levantadas em tantos filmes iranianos, premiados em Cannes, Berlim ou Locarno, dirigidos por cineastas como Jafar Panahi, Mahammadi Rasoulof (que fugiu do Irão para não ser preso), Mehdi Mahmoudian, Mostafa Al-Ahmad, e outros.

Não podem ser esquecidos os crimes cometidos pelo Líder Supremo, falecido, e sua Guarda Revolucionária, os enforcamentos matinais de jovens por terem se manifestado contra o regime, a morte da jovem Amina Mahsi por não ter colocado direito o véu cobrindo os cabelos, assim como a prisão da líder feminina Narges Mohammadi, prêmio Nobel em 2023 por ter lutado pelos direitos humanos e denunciado a opressão contra as mulheres no Irão.

E são verdadeiras as denúncias de recentes massacres, em diversas cidades iranianas, de manifestantes contra a situação econômica no Irão.

Tanto Anistia Internacional como Mediapart ou Reporters sans Frontières condenam a ditadura teocrática iraniana, cujos crimes já eram cometidos antes mesmo dos ataques dos EUA e Israel. Seguem, em primeiro lugar, alguns links das publicações condenando o Irão. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins - Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cabo Verde - Arqueólogos redescobrem um dos primeiros hospitais do Atlântico

Cidade Velha – Arqueólogos estão a escavar uma encosta da Cidade Velha, primeira capital de Cabo Verde, e a devolver à luz do dia as ruínas de um dos hospitais pioneiros no Atlântico, com cerca de 500 anos.


"Será mesmo um dos primeiros", admite André Teixeira, arqueólogo da Universidade Nova de Lisboa, que colabora com o Instituto do Património Cultural (IPC) cabo-verdiano.

O espaço “aparece em documentação desde finais do século XV, portanto, entre 30 a 40 anos após a descoberta de Cabo Verde”, em 1460.

“Desde o início da expansão além-mar que se percebe que é preciso haver espaços de assistência. Esta é uma dessas primeiras experiências. Cabo Verde é, a muitos títulos, um espaço de experimentação” nas rotas portuguesas da época, refere.

Os trabalhos já duram há ano e meio e a redescoberta levou as autoridades a redesenhar o projeto de requalificação daquela zona da cidade classificada como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês).

Num projecto com apoio do Banco Mundial, as ruínas do complexo da Misericórdia vão acolher o primeiro núcleo museológico da Cidade Velha, a 10 quilómetros da cidade da Praia, com muitas histórias para contar.

Por exemplo, André Teixeira mostra à Lusa os restos de um cachimbo que se supõe tenha sido usado no antigo hospital, encontrado no subsolo, ao lado de pedaços de porcelanas.

“O fumo para aliviar as dores não é inédito nestes contextos hospitalares”, descreve.

Um dos membros da equipa, num trabalho minucioso, continua a picar o chão e bate em alguma coisa: devagar e com ajuda de uma escova, surge do meio da terra mais um pedaço de cerâmica – certamente de produção local, aponta André.

Tem sinais de ter ido ao lume e há ossos de galinha desenterrados mesmo ao lado, naquilo que pode ter sido uma cozinha ou refeitório no rés-do-chão do antigo hospital.

A equipa vai “removendo a montanha e as estruturas vão emergindo”, acrescenta.

O edifício, incrustado numa encosta rochosa que os séculos se encarregaram de cobrir com terra, teria um primeiro andar com enfermarias (nota-se o nível do chão) e terá sido abandonado no século XIX, reflexo da mudança da capital para a cidade da Praia.

Com o tempo, acabou por ficar soterrado, tal como a base da antiga Igreja da Misericórdia, cuja nave central está à vista, mas das paredes restam apenas vestígios, alguns com pedaços de azulejos pintados junto ao chão, com as variações de cor a testemunhar a passagem do tempo.

A torre sineira – que era o único pedaço do complexo que estava à superfície –, continua de pé e completa o quadro, juntamente com as capelas laterais e o que se julga ter sido a residência do bispo, com um pavimento e escadaria preservados, acima do complexo.

“Este espaço funcionou como Sé de Cabo Verde durante mais de um século, enquanto não era concluída a construção da catedral, lá no alto”, detalha André Teixeira.

Há “uma grande presença religiosa, central, como era tradição, a igreja, em comunicação com o hospital”, evocando “a dupla função das misericórdias, a assistência social e na saúde”.

Em fevereiro de 2025, numa fase inicial das prospeções, André Teixeira dizia à Lusa, no mesmo local, que ainda só se vislumbrava “a ponta do iceberg”.

Havia “o topo de dois murinhos” e “não se via mais nada”, recorda, mas o resultado surpreendeu a equipa da Nova e do IPC.

“Só víamos pequenas estruturas do complexo da Misericórdia, mas agora, depois de várias campanhas de escavação, estamos a descobrir uma estrutura monumental, com maior dimensão do que pensávamos”, refere à Lusa Jaylson Monteiro, arqueólogo do IPC.

A prazo, “tudo vai estar completamente diferente: há um projeto de arquitetura finalizado, vai haver um espaço musealizado e uma estrutura de proteção, para evitar degradação por chuvas ou intempéries. Isto vai ter outra imagem”, diz.

O objectivo é enriquecer o roteiro de visita da Cidade Velha, com a preservação do património aliada ao usufruto dos residentes e ao turismo – motor da economia cabo-verdiana e em crescimento nos últimos anos, fruto do aumento de ligações aéreas com a Europa. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”