Com recursos a “canais
diversificados”, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM)
tem proporcionado oportunidades de estágio para quadros que dominam a língua
portuguesa, tendo oferecido oportunidades de estágio a “centenas” de quadros
bilingues chinês-português nos últimos cinco anos, revelou o organismo ao
Jornal Tribuna de Macau, sem especificar um número concreto.
Segundo indicou, uma das acções passa por coordenar
instituições de ensino superior locais para levar alunos provenientes dos
países de língua portuguesa (PLP) a estagiarem no IPIM, “para que experimentem
presencialmente o funcionamento da plataforma sino-lusófona, conhecendo a
situação dos intercâmbios económicos e comerciais entre a China e os PLP”.
A par disso, o IPIM salientou que costuma convidar, nas
convenções e exposições económicas e comerciais de grande escala que organiza,
quadros que dominam a língua de Camões de instituições de ensino superior a
participar nos trabalhos relacionados com convenções e exposições (MICE),
tradução, atendimento e conjugações.
Em paralelo, o organismo continua a gerir o “Portal para
a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e
os Países de Língua Portuguesa”, onde criou uma “Base de Dados de Profissionais
Qualificados em Chinês e Português” e uma rede de serviços de conjugação online,
com foco no desenvolvimento de talentos bilingues chinês-português, referiu o
IPIM.
Actualmente, mais de 2200 quadros chinês-português estão
registados nessa Base de Dados, sendo profissionais dedicados às áreas como a
tradução (51,23%, 727 pessoas), Direito (3,24%, 46 pessoas), finanças (3,6%, 51
pessoas) e MICE (3,52%, 50 pessoas). Em concreto, a maioria é oriunda do
Interior da China (1827 pessoas) ou dos nove países lusófonos (incluindo 32
talentos portugueses e 107 brasileiros), representando os talentos da RAEM
cerca de 10% do total (211 pessoas).
Questionado sobre o número de casos bem-sucedidos através
das conjugações online de emprego que tem promovido, o IPIM revelou que,
no último ano, foram concretizadas mais de 80 acções de emparelhamento, tendo
sido conjugadas com sucesso as necessidades tanto do lado da oferta como da
procura em áreas como a tradução. Quanto ao tempo médio necessário entre o
registo do talento e o sucesso na conjugação, o organismo disse que não existe
uma periodicidade fixa, uma vez que o processo é influenciado por uma combinação
de factores, como os requisitos da vaga, o ritmo de recrutamento da empresa e a
disponibilidade dos próprios talentos.
Segundo recordou, ao longo do último ano, a equipa do
Portal, além de ter publicado “recomendações para bons empregos” nas redes
sociais, realizou a “LusoPartilha – Sessão de Partilha com Empresas e Sectores”
na Universidade de Macau e na Universidade de Estudos Estrangeiros de
Guangdong, onde convidou representantes empresariais a apresentar a procura de
talentos nos respectivos sectores, tendo as empresas realizado ainda o
recrutamento de quadros durante as sessões. Depois de ter recolhido a procura
de extensão derivada dessas actividades, a equipa organizou entrevistas online
e offline, para ajudar a conjugação de empresas com os quadros
chinês-português que reúnam os requisitos, acrescentou.
“Baseado continuamente no posicionamento de Macau como
‘Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os PLP’, o
IPIM tem promovido os trabalhos de desenvolvimento de quadros bilingues e de
optimização dos serviços económicos e comerciais ao mesmo tempo”, enfatiza o
organismo liderado por Alex Che.
Conduta do Comércio China-PLP com mais de 200 novos
projectos
Por outro lado, em termos dos serviços económicos e
comerciais, a este jornal, o IPIM revelou que, nos primeiros cinco meses deste
ano, os serviços da Conduta do Comércio China-PLP receberam mais de 200 novos
projectos.
A Conduta do Comércio China-PLP é um serviço de apoio do
IPIM vocacionado para ajudar as empresas dos PLP na exploração dos mercados do
Interior da China, além de apoiar as empresas da China Continental, de Macau e
de outras regiões interessadas em desenvolver os respectivos negócios nos
países lusófonos. Os serviços abrangem “apoio em todo o processo”, incluindo
alinhamento de projectos, consultoria de mercado e emparelhamento comercial,
segundo o IPIM.
Até ao momento, esses serviços contribuíram para promover
o estabelecimento de bases de produção no Brasil e em Angola por empresas que
fazem parte das 500 maiores empresas da China, bem como a aquisição de
matérias-primas brasileiras por empresas entre as 10 principais empresas de
cereais e óleos da China, constatou o organismo.
Segundo descreveu, os utilizadores dos serviços são
principalmente provenientes do Interior da China, da RAEM e dos nove países
lusófonos, sendo que os de Portugal e do Brasil representam cerca de 10% cada.
Duas marcas portuguesas elegíveis para abrir “primeira
loja”
Ademais, sobre o “Plano para o Desenvolvimento Económico
no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau”, na primeira
fase, houve 20 candidaturas que cumprem os objectivos e requisitos
preliminares, sendo as marcas interessadas provenientes do Interior da China,
da RAEHK, de Taiwan e de Portugal. A este jornal, o IPIM adiantou que duas
marcas são de Portugal.
Além de marcas dos sectores tradicionais, como
restauração e retalho, registam-se marcas de novos modelos de negócio com
elementos tecnológicos, por exemplo, jogos interactivos e sensoriais e centros
de experiência de produtos, reitera o organismo.
Em relação à segunda fase de candidaturas, que decorreu
até 31 de Julho deste ano, o IPIM afirmou que irá proceder, de acordo com o
mecanismo estabelecido, à apreciação dos pedidos através do Comité de
Investimentos, para verificação das marcas, e avaliar, de forma abrangente, a
capacidade orçamental e o interesse público, entre outros factores, sendo as
informações relativas à 2.ª fase do “Plano” divulgadas ao público em tempo
oportuno.
De um modo geral, observou que, desde o lançamento, o
“Plano” tem recebido “respostas activas” por parte de marcas tanto nacionais
como internacionais. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau