Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 7 de novembro de 2026

Cabo Verde - Novos vestígios arqueológicos indiciam ocupação humana pré-colonial mais complexa

Mindelo – Novos vestígios arqueológicos identificados em Cabo Verde poderão indicar uma ocupação humana no País anterior ao século XV, mais intensa e complexa do que uma presença ocasional de pescadores, revelou hoje o professor Nuno Ribeiro.


A revelação foi feita durante a conferência internacional “Breve introdução à História e Arqueologia Pré-colonial da Macaronésia”, promovida pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), na qual o investigador apresentou os resultados preliminares de um projecto desenvolvido há cerca de 16 anos pela Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica.

Segundo Nuno Ribeiro, durante as visitas realizadas em Cabo Verde, a equipa identificou novos concheiros, além dos já estudados em 1998 e 2005, bem como outras estruturas, nomeadamente, mamoas e uma possível estrutura megalítica.

“Acabámos por encontrar mais concheiros, para além daquilo que já existia e que já tinha sido estudado em 1998 e em 2005, e outras estruturas como mamoas e uma possível estrutura megalítica”, explicou.

O investigador ressalvou, contudo, que se tratam de dados ainda provisórios, uma vez que não foram realizadas datações, escavações ou sondagens, tendo as conclusões resultado apenas da observação directa dos vestígios.

Apesar disso, considerou que os elementos encontrados apontam para uma ocupação que poderá não ter sido apenas esporádica, mas possivelmente permanente, envolvendo diferentes grupos populacionais.

“Há uma ocupação, com grande probabilidade de ser permanente, e não só de uma área cultural, neste caso dos povos da Senegâmbia, mas também povos vindos do Norte de África”, avançou.

Nuno Ribeiro referiu, neste sentido, possíveis influências líbio-berberes, associadas a povos que habitavam as Canárias e a costa da Mauritânia, cujos vestígios poderão estar representados nas estruturas identificadas em território cabo-verdiano.

“Os vestígios que hoje encontrámos indiciam, de facto, estas duas influências”, afirmou, acrescentando que, por comparação com outros contextos arqueológicos, os elementos observados apontam para uma presença humana anterior ao século XV e de maior dimensão do que uma simples passagem de pescadores.

O investigador considerou que estas descobertas poderão abrir perspectivas para o estudo da História da Arqueologia de Cabo Verde e para a compreensão das relações de diferentes povos na antiguidade.

“Assim, de repente, Cabo Verde entra na Arqueologia Internacional e, aparentemente, pelos vestígios, terá tido, na Antiguidade, um papel de contacto entre vários povos”, salientou.

A iniciativa contou com a colaboração da Uni-CV e enquadra-se no trabalho de investigação que a Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica desenvolve sobre as ocupações pré-coloniais da Macaronésia, que integra os arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde. In “Inforpress” – Cabo Verde


Reino Unido - Centro Comunitário Português lança campanha solidária para o Natal na cidade de Londres

O Centro Comunitário Português (Portuguese Community Centre) lançou uma campanha de recolha de alimentos e bens essenciais para preparar cabazes de Natal e reforçar o banco alimentar. A iniciativa apela à solidariedade de todos, para que seja possível ajudar quem mais precisa nesta época natalícia


A campanha está a recolher diversos produtos alimentares, entre os quais bacalhau, azeite, conservas, leite UHT, açúcar, farinha, massa, arroz, biscoitos e bolachas. São também necessários bolo-rei e outros produtos natalícios, assim como artigos de higiene pessoal, como champô, pasta de dentes e gel de banho, e produtos de limpeza, incluindo detergente, lixívia e produtos multiusos.

Para facilitar a participação, foram disponibilizados quatro pontos de recolha em Londres: Zarco Delicatessen, no número 110 de Dorset Road (SW8 1AA), de segunda-feira a sábado, entre as 8h00 e as 19h00 (hora local); O Cantinho de Portugal, no número 137 de Stockwell Road (SW9 9TN), todos os dias, das 10h00 às 22h00 (hora local); Casa FC Porto Londres, no número 82 de Landor Road, em Clapham North (SW9 9PE); e o consulado de Portugal, no número 3 de Portland Place (W1B 1HR), de segunda a sexta-feira, entre as 8h30 e as 16h00 (hora local).

Com esta iniciativa, o Centro Comunitário Português pretende mobilizar a comunidade em torno de um gesto solidário e reunir bens essenciais para os cabazes de Natal e o banco alimentar. Como lembra o cartaz, “A sua doação faz a diferença!” In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Timor-Leste - “Jardim da Cultura” leva livros, música e histórias à embaixada portuguesa em Díli

A embaixada de Portugal em Díli vai abrir as portas do seu jardim à comunidade para uma tarde dedicada à cultura, no dia 14 de novembro, entre as 15h00 e as 19h00 (hora local)


A iniciativa, intitulada “Jardim da Cultura”, propõe um programa para todas as idades, com livros disponíveis para leitura, sessões de histórias em voz alta, música ao ar livre e atividades de animação para crianças. O encontro é promovido em parceria com o Movimentu Letras. A entrada é livre.

“Traga a família e os amigos e venha partilhar connosco o gosto pela cultura”, lê-se na nota publicada pela embaixada nas redes sociais. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Cabo Verde - Simenti apresenta “Minimal” na Cidade da Praia

O primeiro álbum de Simenti, “Minimal”, já está disponível nas plataformas digitais e, na passada quinta-feira, 5, o grupo subiu ao palco do Auditório Nacional para apresentar ao vivo este trabalho, num concerto intimista, de entrada gratuita


Segundo a InSulada, o título do álbum é inspirado num dos temas que integram o alinhamento e traduz uma proposta musical que parte das raízes da música cabo-verdiana, mas que se abre também aos ritmos urbanos e a outras influências contemporâneas.

“O resultado reflecte a diversidade de experiências, referências e sensibilidades dos seis músicos, dando origem a uma sonoridade exploratória e diferenciadora”, revela.

Constituído por Ndu Carlos, Gilmar, Elias, Nene, Alex Figueiredo e Dino, o grupo reúne músicos com percursos individuais consolidados, que têm desenvolvido trabalho como freelancers ao lado de alguns dos principais nomes da música cabo-verdiana.

A mesma fonte explica que o álbum é uma nova abordagem à música instrumental cabo-verdiana. “Minimal apresenta-se, assim, como uma proposta inovadora no cenário musical cabo-verdiano, afirmando a música instrumental como espaço de experimentação, diálogo e expressão artística”.

Em relação à apresentação do álbum, a InSulada informou que o público teve a oportunidade de conhecer todos os temas. “O grupo apresentou o álbum na sua totalidade, proporcionando uma viagem pelo universo sonoro que define este primeiro trabalho. O concerto contou ainda com um momento de interacção, permitindo ao público colocar questões sobre o álbum, as suas composições e o processo criativo do Simenti”.

A InSulada conta que, além do espectáculo, Simenti preparou também uma edição limitada de merchandising, composta por T-shirts e tote bags, desenvolvida em colaboração com a artista Lua Oliveira.

“Esta primeira colecção representa mais um elemento da construção da identidade visual e conceptual do grupo, aproximando a música de outras formas de expressão artística”, salienta.

A mesma fonte refere que Simenti é um projecto da editora Xintidu e começa já a despertar curiosidade no panorama musical da Praia. “Com uma identidade própria e uma proposta artística diferenciadora, o grupo tem outras actuações previstas, incluindo apresentações noutras ilhas do arquipélago”. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Brasil - Pedro Pereira Lopes é o único moçambicano finalista do Prémio Oceanos 2026

O escritor moçambicano Pedro Pereira Lopes é o único representante de Moçambique entre os finalistas do Prémio Oceanos 2026, na categoria de poesia, com a obra Tratado das Coisas Sensíveis. A lista dos seleccionados foi anunciada na noite de quarta-feira, após a avaliação de 54 semi-finalistas.


A edição deste ano recebeu três mil obras de autores de 13 nacionalidades, das quais foram seleccionadas 54 para a fase semifinal. A lista final integra 12 obras, sendo seis de poesia e seis de prosa, com representação de Moçambique, Angola, Brasil e Portugal.

Moçambique esteve representado na fase semifinal por oito obras, cinco na categoria de poesia e três na de prosa. Contudo, apenas “Tratado das Coisas Sensíveis”, de Pedro Pereira Lopes, conseguiu avançar para a etapa decisiva.

O reconhecimento surge depois de o livro ter conquistado, em 2024, a décima edição do Prémio Imprensa Nacional Vasco Graça Moura. A obra foi publicada em Portugal, em 2025, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

Na categoria de poesia, o escritor moçambicano vai disputar o galardão com os brasileiros Adriana Lisboa, Nina Rizzi, Adélia Prado e Edimilson de Almeida Pereira, além do português Helder Macedo. Na categoria de prosa, concorrem autores de Portugal, Brasil e Angola, entre os quais José Eduardo Agualusa, com a obra “Tudo Sobre Deus”.

Os vencedores das duas categorias serão anunciados a 11 de Dezembro, numa cerimónia a realizar-se no Itaú Cultural, em São Paulo, Brasil. Cada vencedor receberá um prémio de 150 mil reais, equivalente a cerca de um milhão e meio de meticais.

Criado em 2007, o Prémio Oceanos é uma das principais distinções literárias dedicadas à valorização da produção escrita em língua portuguesa.

Nascido em 1987, na província da Zambézia, Pedro Pereira Lopes estudou Políticas Públicas em Pequim e é investigador e professor na Universidade Joaquim Chissano, em Maputo. A sua produção literária abrange poesia, romance, contos, relatos de viagens, ensaios e literatura infantojuvenil.

Ao longo da carreira, recebeu várias distinções, entre as quais o Prémio Eugénio Lisboa, em 2017, e o Prémio Nacional de Literatura Infantojuvenil, em 2024. Em 2022, o seu livro de microcontos O Homem Líquido também integrou a lista de finalistas do Prémio Oceanos. É ainda fundador e coordenador editorial da Gala-Gala Edições, criada em 2020. Daniel Matlombe – Moçambique in “Moz Entretenimento”


República Democrática do Congo - Ébola: A epidemia mais difícil de combater é também a que mais gera exclusão social para a qual urge encontrar respostas

À 17.ª epidemia de Ébola registada desde 1976 as populações da República Democrática do Congo (RDC) começam a perceber as melhores estratégias para combater a dispersão do vírus, mas ainda falta muito caminho para aprender a combater a estigmatização social daqueles que adoeceram e conseguiram recuperar da mais severa febre hemorrágica que se conhece


Com mais de 10.500 casos registados e cerca de 5400 mortos, num mapa de contágios que, desde 15 de Maio, data oficial da detecção dos primeiros casos, embora se suspeite que já em Fevereiro estavam a adoecer pessoas no leste congolês, chegou ao Quénia, Uganda e Nigéria, esta epidemia pode estar a revelar-se diferente das outras.

Não apenas porque a estirpe do vírus, a Bundibugyo, não tem nem vacina nem tratamento conhecidos, ou porque está a preocupar as organizações internacionais de uma forma só comparável com a epidemia de 2013-2015 na África Ocidental, mas porque é aquela onde as questões de aceitação social dos doentes recuperados mais se estão a colocar.

Mesmo depois do sofrimento que a doença provoca em quem é contagiado, como veio agora denunciar a ONG Médicos Sem Fronteiras (OMS), e consegue recuperar, depara-se no regresso à "vida" com a resistência e estigmatização das suas comunidades de origem, com múltiplos casos de exclusão social graves.

Os MSF sugerem numa declaração pública que estão a verificar inúmeros casos de rejeição social nos doentes que acompanham em processos de ressocialização e acompanhamento psicológico, o que retarda muito o regresso à vida normal de muitos destes doentes totalmente curados.

Para ultrapassar este problema, os especialistas aconselham campanhas de sensibilização de forma a deixar claro que se trata de pessoas normais sem quaisquer sintomas da doença ou possibilidades de reinfecção além das que se apresentam a quem nunca tenha contraído a infecção.

Além desta barreira a ultrapassar após a cura são as sequelas emocionais que os especialistas apontam como sendo agora mais evidentes que nas epidemias anteriores porque as pessoas que passaram pelo problema falam agora mais dele, especialmente pelo crescendo de uso das redes sociais, por exemplo.

E com isso foi sendo claro que também neste campo é urgente investir em mecanismos de resposta porque há casos graves de depressão que sem acompanhamento especializado podem evoluir para situações mais complexas e até perigosas.

Isto num contexto social de uma doença que já se apresenta com graves problemas relacionados com a procura de soluções alternativas às unidades de saúde oficiais que vão deste os curandeiros ao isolamento em pequenas comunidades de origem onde o vírus continua a espalhar-se tendo como motorização a ignorância e o crendismo ancestral. In “Novo Jornal” - Angola




África - Novo relatório mostra que a pobreza vivida continua elevada

A pobreza vivida continua persistentemente elevada nos países africanos, com a maioria dos cidadãos a enfrentar uma escassez de bens básicos como alimentos, água potável e cuidados de saúde, de acordo com o mais recente Perfil Pan-Africano do Afrobarómetro.


Com base em inquéritos com representatividade nacional em 38 países africanos, a análise constata que níveis moderados ou elevados de pobreza vivida afectam, em média, seis em cada dez cidadãos, atingindo mais de oito em cada dez no Chade e no Gabão.

Depois de se terem agravado constantemente entre 2014 e 2023, os níveis de pobreza vivida não mostram sinais de melhoria na última ronda do inquérito. Muitos entrevistados afirmam ter recorrido a redes informais de apoio, como familiares, amigos e organizações comunitárias, para obter ajuda e conseguir sobreviver.

Os resultados revelam ainda que a pobreza vivida está associada a dificuldades de acesso a serviços públicos essenciais, incluindo cuidados de saúde, assistência policial e documentação governamental. Enquanto isso, os indivíduos que experienciam elevados níveis de pobreza vivida têm menos probabilidade de possuir uma conta bancária, ao passo que o dinheiro móvel é relativamente acessível em todos os níveis de pobreza vivida.

Principais conclusões

Em média, em 38 países, oito em cada dez cidadãos (79%) afirmam que eles ou um membro da família ficaram sem rendimentos em dinheiro pelo menos uma vez no ano anterior, incluindo 43% que passaram por isso “muitas vezes” ou “sempre”.

Em 30 países inquiridos tanto em 2014/2015 como em 2024/2025, a proporção de cidadãos que experienciam níveis de pobreza moderados ou elevados aumentou 13 pontos percentuais, de 47% para 60%.

Quase metade (47%) dos inquiridos afirma ter necessitado de pedir ajuda a familiares no ano anterior para se conseguir sustentar, enquanto 33% procurou ajuda junto de amigos ou vizinhos e 12% solicitaram assistência a grupos religiosos, comunitários ou de caridade.

A pobreza é agravada pelo acesso reduzido a serviços essenciais. Os cidadãos mais pobres têm aproximadamente o dobro da probabilidade, em comparação com os mais ricos, de comunicarem dificuldades em obter assistência médica, um documento de identificação governamental e ajuda policial.

Os cidadãos com baixos rendimentos têm metade da probabilidade de possuir uma conta bancária em comparação com os cidadãos com rendimentos elevados (40% contra 83%). No entanto, a posse de contas de dinheiro móvel é generalizada e bastante consistente entre os diferentes níveis de rendimento, atingindo 69% entre os mais pobres e 71% entre os mais ricos. Afrobarometer