Mindelo
– O jornalista Eduíno Santos lançou no Mindelo, Noca, meu amor – Entre
Mindelo, Guileje e Lisboa, obra que cruza ficção, memória e documento para
acompanhar a trajectória de três amigos separados pela guerra, mar e emigração.
Em
nota enviada à Inforpress, o autor explica que a obra se centra na trajectória
de três amigos, Caluca, Naise e Nhela, que cresceram nos bairros populares do
Mindelo, em São Vicente, na década de 1960, e cujas vidas se separam com o
agravamento da guerra colonial.
A
narrativa desenvolve-se entre Mindelo, Santo Antão, Guiné-Bissau, Roterdão e
Lisboa e atravessa o período que vai da memória familiar anterior à guerra
colonial ao pós-independência.
Conforme
o mesmo documento, Caluca parte para a luta armada na Guiné-Bissau, onde se
torna artilheiro do Partido Africano para a Independência de Guiné e Cabo Verde
(PAIGC).
Naise,
por sua vez, embarca como marinheiro em petroleiros e cargueiros, enquanto
Nhela permanece na ilha, guardando cartas, memórias e uma profecia atribuída ao
curandeiro Nhô Joaquim Esquinha, nas montanhas de Santo Antão.
“Enquanto
a guerra avança e o mundo muda com o 25 de Abril e a independência, o romance
constrói-se através de cartas enviadas clandestinamente, amores suspensos,
silêncios prolongados e regressos adiados”, destaca o documento.
A
história de Naise acompanha, por outro lado, a experiência da emigração, entre
o mar, Roterdão e Lisboa, onde muitos cabo-verdianos procuram documentos,
trabalho e uma ligação às suas origens.
Nesse
percurso surgem Noca e Djodja, duas mulheres cuja história de amor, abandono e
resistência atravessa gerações.
“Sem
transformar a história em cenário decorativo, Noca, meu amor aproxima os
grandes acontecimentos das suas consequências humanas" referiu ainda a
mesma nota, que lembra ainda que "a guerra chega à consciência de Caluca,
a emigração chega ao corpo e à identidade de Naise, a espera instala-se na vida
de Nhela"
Acontecimentos
históricos, que observou, interferem nas suas vidas e atravessam gerações.
Eduíno
Santos é jornalista cabo-verdiano, director do jornal online Notícias
do Norte, sediado em São Vicente. Foi fundador do jornal Notícias,
em 1987, delegado e jornalista na Rádio Televisão Cabo-Verdiana (RTC) e
colaborador do Expresso das Ilhas e A Nação.
Em Noca,
meu amor, o autor combina a sua experiência jornalística e o contacto com a
memória política e social de Cabo Verde com uma narrativa de ficção centrada
nas personagens, nas cartas, nas ausências e nos afectos.
A
obra, segundo o autor, nasce da necessidade de preservar a memória de pessoas
comuns e de compreender a forma como a história entra na vida privada e como as
suas feridas atravessam gerações.
Noca,
meu amor é apresentado como “uma carta do passado enviada para o
futuro”, tendo como pano de fundo a guerra, a diáspora e a memória de uma
geração cabo-verdiana. In “Inforpress” – Cabo Verde