Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 10 de março de 2026

Moçambique - Xituculuana lança “Rescaldo da Melancolia” na cidade de Maputo

O Centro Cultural Português – Camões, na cidade de Maputo, será palco, no próximo dia 24 de Março, de mais um momento marcante para a literatura moçambicana, com o lançamento do livro de poesia Rescaldo da Melancolia, da autoria do escritor Elídio Ermelinda Vilanculo, que assina literariamente como Xituculuana.


Editada pela Massinhane Edições, a obra apresenta uma colectânea de poemas marcada pela introspecção e pela intensidade emocional. Em Rescaldo da Melancolia, o autor transforma experiências íntimas, memórias e inquietações em versos que exploram as múltiplas dimensões da sensibilidade humana, propondo ao leitor um percurso literário profundo e reflexivo.

Segundo o anúncio da Massinhane Edições, a apresentação da obra estará a cargo do escritor e crítico literário Eusébio Sanjane, que conduzirá uma análise do livro e do seu lugar no panorama da poesia contemporânea moçambicana.

De acordo com a editora, mais do que o lançamento de um novo título, o evento pretende afirmar-se como um espaço de encontro e diálogo cultural, aproximando escritores, académicos, estudantes e apreciadores da literatura num ambiente de partilha e reflexão.

Sobre o autor, Xituculuana, pseudónimo de Elídio Ermelinda Vilanculo, é poeta, editor e fundador da Netos Editorial. Foi finalista da 7.ª edição do Prémio Literário FLC com a obra Memorial de um Vento e tem participado em diversas antologias literárias, consolidando gradualmente o seu percurso no universo da escrita.

A Massinhane Edições, editora independente sediada em Inhambane, dedica-se à publicação e promoção da literatura africana contemporânea, com especial enfoque na valorização da produção literária nacional.

Com Rescaldo da Melancolia, a poesia volta a ocupar o centro da cena cultural, convidando o público a redescobrir a força da palavra escrita e o poder transformador da literatura.

Importa salientar que a cerimónia terá lugar às 17h00, no Centro Cultural Português – Camões, reunindo leitores, escritores e agentes culturais num encontro dedicado à celebração da palavra poética. Rivaldo Massunda – Moçambique in “Moz Entretenimento”


PALOP e Timor-Leste - Projecto Procultura mudou vida de milhares de estudantes, professores, artistas e empreendedores culturais, diz Instituto Camões

O programa apoiou milhares de estudantes, professores, artistas e empreendedores culturais em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e Timor-Leste, nas áreas da música, artes cénicas e literatura infanto-juvenil.


A presidente do instituto Camões, Florbela Paraíba, admitiu em Maputo, que o projecto Procultura mudou, em sete anos, a vida de milhares de pessoas que, nos países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste, querem trabalhar na cultura.

“Houve formação, houve espaço de criação, os artistas precisam ter espaços tranquilos para criar, para aprender, para crescer juntos”, disse a presidente do Camões, à margem da apresentação dos resultados e encerramento do Procultura, que arrancou a 01 de Abril de 2019 e termina a 31 de Março, sessão que decorreu na cidade de Maputo.

Na ocasião, Paraíba disse que o projecto “permitiu-lhes internacionalizar as suas carreiras” e que “mais de 80% tiveram uma projecção internacional e regional, que é muito bom, mais de 60% têm hoje carreiras no sector”.

Para a Presidente do Instituto Camões, este sector da cultura “é sempre muito volátil, digamos assim, em termos de empregabilidade e fixar estas pessoas num sector em que elas querem trabalhar, em que elas sonham expressar-se, é muito importante. Portanto, os resultados são muito, muito positivos”, disse.

O programa apoiou, neste período, sob implementação do Instituto Camões com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e financiamento da União Europeia (UE), avaliado em 19 milhões de euros, milhares de estudantes, professores, artistas e empreendedores culturais em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e Timor-Leste, nas áreas da música, artes cénicas e literatura infanto-juvenil.

“Envolveu mais de 1800 estudantes, artistas, teve uma acção muito abrangente nas áreas da música, nas áreas da produção de literatura infanto-juvenil, nas artes cénicas e o objectivo era criar maior renda, maior possibilidade de emprego a estes profissionais, tanto aqueles que se exibem nas câmaras como aqueles que estão atrás das câmaras, técnicos de som, de iluminação, cenógrafos, no sentido de possibilitar espaço de criação cultural e artística”, apontou Florbela Paraíba.

Acrescentou a importância da formação que foi permitida a esses profissionais, além das várias residências artísticas e da mobilidade internacional, com a “possibilidade de intercâmbio de experiências”, incluindo entre as entidades de ensino superior e de ensino secundário destes países, que “puderem replicar” conhecimentos.

O Procultura, que terá continuidade para o Procultura II com 10 milhões de euros da UE entretanto anunciado, financiou o lançamento de cursos técnicos e de ensino superior na área cultural, actividades de 108 entidades, a maioria sem fins lucrativas, bolseiros do Ensino Superior, em que 106 estudantes terminaram os cursos.

Levou ainda à criação de mais de 600 postos de trabalho, além da realização de residências artísticas por 50 artistas e a mobilidade académica entre 11 universidades portuguesas e nove destes países.

“Formámos muitos professores também, formámos muitos estudantes, dando-lhes sensibilização. E, no fundo, isto é, um projecto para o Camões que corporiza aquilo que nós fazemos: O nexo cultura-desenvolvimento, a possibilidade de termos aqui um crescimento, uma cocriação em que nós e as entidades destes países agimos em parceria, potenciámos sonhos e damos acesso a igualdade de oportunidades a todos”, reconheceu Florbela Paraíba.

“A cultura não é residual, a cultura é investimento, é economia, é promoção da diversidade, é promoção da coesão nacional, de apropriação comunitária e, acima de tudo, é um factor de identidade e de futuro para todos aqueles que estão envolvidos”, enfatizou,

O Camões vai implementar o Procultura II, cuja nota conceptual já está a ser desenhada.

“Vai permitir, nesta segunda fase, consolidar as aprendizagens, continuar o crescimento e a mobilidade entre os artistas dos países, entre os técnicos dos países, entre os agentes culturais destes países, e dar-lhes também uma possibilidade de fortalecimento das capacidades a nível das entidades públicas de promoção da cultura nestes países, o que é também muito importante”, concluiu Florbela Paraíba. In “O País” - Moçambique


Angola – Avalia candidaturas do Tchitundo-hulo e Semba a Património Mundial

O ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, recebeu, recentemente, em Luanda, em audiência, a embaixadora Maria Cândida Pereira Teixeira, delegada permanente de Angola junto da UNESCO, com quem abordou o andamento de processos ligados à valorização e reconhecimento internacional do património cultural angolano.


Durante o encontro, a diplomata informou o governante sobre o estado de tramitação das candidaturas do Tchitundo-Hulo e do Semba à lista do Património Mundial da UNESCO. Segundo a embaixadora Maria Cândida Pereira Teixeira, os processos seguem os trâmites técnicos e administrativos exigidos por aquela organização das Nações Unidas, visando o reconhecimento destas importantes referências do património cultural nacional.

O Tchitundo-Hulo, localizado na província do Namibe, constitui um relevante complexo de arte rupestre, considerado um dos mais importantes testemunhos das primeiras manifestações culturais e artísticas no território angolano. Já o Semba é reconhecido como uma das mais emblemáticas expressões da música e identidade cultural de Angola.

O encontro serviu igualmente para reforçar a cooperação institucional entre o Ministério da Cultura e a missão diplomática de Angola junto da UNESCO, no sentido de promover a salvaguarda e valorização do património cultural do país.  In “O País” - Angola


Macau - Ministério Público quer cidade como interlocutor legal entre a China e a lusofonia

O Procurador-Geral de Macau, Tong Hio Fong, apontou que o Ministério Público da cidade irá desempenhar um papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos


Durante as Duas Sessões que decorrem em Pequim, o Governo Central da China voltou a destacar o papel estratégico de Macau na ligação com os países de língua portuguesa.

O relatório de trabalho apresentado pelo primeiro-ministro, Li Qiang, sublinhou que a região semi-autónoma deve potenciar as suas vantagens únicas e aprofundar a sua função como plataforma de interligação entre o interior da China e o espaço lusófono, de modo a promover "prosperidade e estabilidade a longo prazo".

Segundo destacou agora o Ministério Público, num comunicado de reação às Duas Sessões, a Região Administrativa Especial de Macau será consolidada como plataforma de cooperação judiciária e comunicação profissional, de modo a aproximar sistemas legais e promover intercâmbio entre magistrados e instituições dos países de língua portuguesa.

O mesmo organismo pretende aprofundar a colaboração na área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (ilha da Montanha), mas sempre com a perspetiva de que Macau deve servir como "cabeça-de-ponte" para a abertura da China ao mundo lusófono.

A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projeto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.

Segundo Tong, o objetivo é que Macau se afirme cada vez mais como "elo privilegiado entre a China e a comunidade internacional de língua portuguesa", contribuindo para o desenvolvimento nacional e para a consolidação da sua posição estratégica dentro da política `Um País, Dois Sistemas`.

Nos planos governativos de Macau para 2026 está incluído a celebração de um acordo para auxílio judiciário mútuo em matéria penal com Angola.

Angola e a China continental assinaram em 2006 um tratado de extradição, que só foi aprovado pelo Parlamento angolano em 2011, tendo sido ratificado pelo Governo de Luanda dois anos mais tarde.

De acordo com as Linhas de Ação Governativa para o próximo ano Macau quer também começar a negociar um "acordo sobre a confirmação e execução recíprocas de decisões judiciais em matéria civil e comercial" com Portugal.

No entanto, o documento não refere qualquer data para a conclusão das negociações e a eventual assinatura de um acordo afinal.

Macau e Portugal assinaram em 2019 um acordo relativo à entrega de infratores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa.

O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos na Assembleia da República. In “RTP” – Portugal com “Lusa”


segunda-feira, 9 de março de 2026

Cabo Verde - Djam Neguin apresenta espectáculo infantil “Buluku” em Portugal

O artista cabo-verdiano Djam Neguin apresenta nos dias 21 e 22 deste mês, em Portugal, o espectáculo infantil “Buluku”, no Teatro do Bairro, em Lisboa


Segundo o artista, o espectáculo propõe uma viagem afrofuturista para crianças e famílias, acompanhando um Afronauta que atravessa planetas e modos de vida ecológicos, combinando dança, videomapping, inteligência artificial e cosmologias africanas.

“Mais do que um espectáculo infantil, Buluku é uma afirmação artística e política sobre a necessidade de expandir o imaginário contemporâneo, deslocando narrativas eurocêntricas e abrindo espaço para outras cosmovisões”.

Para o artista, Buluku afirma-se como um espaço de convergência entre som, memória, tecnologia e cosmologia. O nome, simultaneamente sonoro e ancestral, abre um campo de criação onde imaginação, pedagogia e política cultural se entrelaçam.

Djam Neguin refere que o projecto propõe uma reflexão sobre o lugar da arte na construção de futuros possíveis. “Mais do que apresentar respostas fechadas, procura instaurar perguntas, abrindo caminhos para que o público participe na criação de novos imaginários, onde diversidade, inclusão e criatividade possam coexistir de forma expandida”.

O artista sublinha que o “Buluku” é um espectáculo cheio de aventuras. Viajamos pelo espaço com um afronauta curioso e brincalhão, que cria planetas, inventa danças e faz grandes perguntas, como: De onde vem o mundo?

No palco estarão brinquedos, imagens em movimento, luzes, sons e um corpo que brinca o tempo todo. Tudo se junta para criar mundos inspirados em antigas estórias de África sobre a origem do mundo.

“Em Buluku, não há respostas certas. Há imaginação, movimento e descoberta. Um espectáculo para crianças e adultos verem, sentirem e brincarmos juntos. Uma obra para a infância que cruza dança, performance, cosmologia africana e tecnologia digital, propondo uma experiência imersiva onde tradição e futuro coexistem”, aponta. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”



Moçambique – Província de Inhambane revela nova promessa literária com o lançamento da obra “Entre Ruínas e Renascença”

Entre memórias fragmentadas e sonhos reconstruídos, nasce uma nova voz da literatura moçambicana, colocando a província de Inhambane como berço cultural com a estreia de Carimo Francisco Gome, jovem natural de Inharrime que apresenta ao público a sua primeira obra literária, intitulada Entre Ruínas e Renascença, uma obra que, segundo o autor, promete tocar consciências e despertar reflexões profundas sobre o quotidiano.


Conhecido nos círculos artísticos como “escritor sem limites”, Carimo surge com uma proposta mais ousada, visto que, no seu entender, é preciso transformar experiências de perda, dor e superação numa narrativa poética intensa e universal.

Explicou ainda que o título traduz um percurso real de reconstrução interior, dividido em dois ciclos, sendo o primeiro de quebra e o outro de superação.

“As ditas ruínas simbolizam tudo aquilo que nos quebra, desde fracassos, desilusões e desafios. Por outro lado, a renascença representa o momento em que decidimos levantar, aprender e recomeçar, tendo em conta a experiência do nosso passado”, concluiu.

Numa altura em que novos talentos lutam por espaço e acesso ao mercado, algumas fontes ouvidas entendem que a estreia de Carimo Gome surge como um sinal encorajador para a cultura em Inhambane e no país de forma geral. A sua escrita, marcada por sensibilidade e coragem, convida o leitor a olhar para as próprias ruínas e descobrir nelas a possibilidade de recomeço.

Importa salientar que o livro está organizado em três momentos que conduzem o leitor para uma verdadeira travessia emocional, sendo: primeiro, o confronto com as perdas; depois, o silêncio e a incerteza da transição; e, por fim, a celebração do renascimento e da esperança. Mais do que poesia, trata-se de um manifesto íntimo sobre resiliência, traduzido numa mensagem expressivamente forte para a juventude que enfrenta adversidades sociais e económicas.

A obra Entre Ruínas e Renascença, de Carimo Gome, conta com 96 páginas de conteúdo denso e reflexivo, colocando o jovem não apenas como mais um escritor, mas como uma promessa literária pronta para deixar marca no panorama literário nacional. Rivaldo Massunda – Moçambique in “Moz Entretenimento”


Angola - Escritora Margarida Leite partilha experiências com crianças e incentiva a leitura na comunidade

O projecto “Leitura ao Domicílio” continua a merecer a devida atenção de figuras ligadas ao Universo das Letras, ao aproximarem se cada vez mais das comunidades


A Biblioteca Comunitária A.S Leituras realizou este Sábado, 07, no âmbito do projecto “Leitura ao Domicílio”, mais uma sessão com a escritora Margarida Leite, autora do livro Os Meus 11 Kambas. A actividade, visando aproximar o escritor ao leitor na Comunidade da Estalagem KM 12- A, município satélite de Viana, ocorreu poucas semanas após a anterior ter sido orientada pelo também escritor Boaventura Cardoso.

Neste seu primeiro contacto Literário com a comunidade local, a escritora Margarida Leite iniciou a sessão com uma conversa agradável e enriquecedora sobre os Direitos das Crianças, promovendo uma reflexão, partilha de experiência e incentivo à leitura na comunidade. Nesta sessão educativa, a escritora abordou, de forma lúdica e dialógica, os “Onze Compromissos” com a criança em Angola, enfatizando a importância do registo civil, da saúde e da protecção contra a violência.

A autora utilizou o conto de histórias para capacitar crianças e jovens sobre os seus direitos e o papel fundamental da família e do Estado. A conversa iniciou com a premissa de que o registo de nascimento é o que garante a existência de um indivíduo perante a sociedade e o Estado, sendo um direito fundamental para que a pessoa tenha uma identidade reconhecida.

Paralelamente, a educação na primeira infância foi apresentada como o “Quarto Compromisso” essencial para que as crianças possam progredir na vida, exigindo um esforço conjunto dos pais desde os primeiros anos de ensino.

Saúde, inclusão e combate ao estigma

Um outro ponto central do diálogo foi a desmistificação de doenças como o HIV/SIDA. Através do depoimento jovem, Isa destacou que o carácter e o aprendizado de uma pessoa são mais importantes do que sua condição de saúde, defendendo a não discriminação. O “Compromisso Sete” focou-se especificamente no atendimento a grupos vulneráveis e na prevenção, mencionando programas como o “Nascer para Brilhar”, que ajudaram a superar barreiras históricas de preconceito e exclusão familiar.

O “Compromisso Oito” tratou de situar os petizes em questões relacionadas a prevenção e do combate à violência contra a criança, abrangendo casos de negligência, abuso sexual e espancamento.

Nesta prestigiada sessão, a escritora Margarida Leite realçou que o Estado angolano estabeleceu mecanismos de denúncia, como o serviço SOS Criança, que actua em conjunto com o INAC (Instituto Nacional da Criança) e a Polícia Nacional para intervir em situações de risco, reforçando que a protecção é uma responsabilidade compartilhada, onde os pais cuidam e o Estado provê a infra-estrutura necessária.

Participação activa e investimento público

Quanto a este quesito, a escritora considerou que a criança deve ter voz activa na sociedade, o que é garantido pelo compromisso com a Comunicação Social, Cultura e Desporto.

Margarida sublinhou que iniciativas como o Parlamento Infantil permitem que deputados mirins de todas as províncias apresentem problemas das suas comunidades às autoridades. Para sustentar esses direitos, a escritora destacou o “Compromisso Onze”, que tem como foco o Orçamento Geral do Estado (OGE), defendendo que o investimento em hospitais e escolas deve ser prioritário para transformar a “esperança” de cada criança em “felicidade” real. Augusto Nunes – Angola in “O País”