Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 1 de setembro de 2026

UCCLA - Lança Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA para distinguir projetos das cidades

A União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) lança, no dia 1 de setembro, a primeira edição do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA, criado para reconhecer, valorizar e divulgar projetos de mérito desenvolvidos pelas cidades que integram a organização.


Com periodicidade anual, o prémio homenageia Nuno Krus Abecasis, presidente da Câmara Municipal de Lisboa entre 1980 e 1990 e mentor da criação da UCCLA, instituição que, ao longo de quatro décadas, tem contribuído para o fortalecimento de relações duradouras entre cidades de língua portuguesa.

O galardão contempla quatro categorias - Cultura e Língua Portuguesa, Desenvolvimento Social, Transição Verde e Turismo -, correspondentes a áreas fundamentais da atuação da UCCLA e das suas cidades-membro.

Excecionalmente, nesta primeira edição, será atribuída apenas a categoria Cultura e Língua Portuguesa, destinada a distinguir uma cidade que tenha promovido ações de particular relevância nesta área, atendendo à sua especificidade, originalidade e projeção.

Podem candidatar-se todas as cidades efetivas, associadas ou observadoras da UCCLA. As candidaturas deverão apresentar, de forma sucinta, clara e fundamentada, a iniciativa que se pretende ver reconhecida, de acordo com os requisitos estabelecidos no regulamento.

Em 2026, as candidaturas decorrem entre 1 de setembro e 15 de novembro. A cidade vencedora será anunciada no dia 15 de dezembro.

Com a criação do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA, a instituição presta homenagem ao seu mentor e reafirma o compromisso de dar visibilidade às boas práticas, à capacidade de inovação e ao trabalho desenvolvido pelos seus membros em prol das respetivas comunidades. UCCLA

Aviso de abertura do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA

Regulamento do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA



Macau - James Chu apresenta sete anos de trabalho artístico no Lisboeta Macau

Sete anos de um mesmo gesto diário transformaram-se em escultura, instalação e matéria. A Associação Cultural da Taipa apresenta a partir de 16 de Setembro, no Lisboeta Macau, a exposição “A Prática do Tempo”, do artista James Chu. A mostra reúne obras que partem da caligrafia repetida ao longo do tempo sobre papel tridimensional e se expandem para outras linguagens, num percurso que cruza o património artesanal com a instalação contemporânea


O que acontece quando um gesto diário se repete durante sete anos? Se o tempo é, por definição, algo que escapa à fixação, James Chu encontrou uma forma de o capturar. Nesse lapso temporal, dedicou-se a uma labuta diária: escrever à mão textos em caligrafia chinesa durante 2556 dias. A nova colecção de trabalhos, que ocupa a galeria R70 do Lisboeta Macau até ao final de Novembro, procura concentrar o pensamento nesse gesto repetitivo do ofício e devolvê-lo ao público em formato físico. Esse exercício, aparentemente simples, está no centro da mostra que a Associação Cultural da Taipa apresenta a partir de 16 de Setembro.

A obra principal, uma escultura de papel tridimensional, materializa a passagem do tempo em apenas 260 caracteres, projectados em todas as direções. As páginas escritas ao longo dos mais de dois mil dias foram sobrepostas, transformando um texto breve numa estrutura física imponente, onde a linguagem se torna matéria para uma escultura. Na contínua repetição, o gesto tornou-se ritual, deixando de ser apenas escrita para ser lida. A disciplina Zen e a contrectação metódica, transformou o acto num registo visual sobre a própria passagem do tempo.

A exposição, que reúne caligrafia, escultura, instalação, técnicas mistas, luz e sombra, leva o visitante por uma proposta de contemplação. O percurso expositivo inclui várias obras criadas nos últimos 7 anos que ocupam o espaço de forma a “abrandar” o olhar.

João Ó, curador da exposição, explica que a mostra “considera como uma prática criativa contínua pode transformar um gesto simples numa experiência física e contemplativa”. Cada peça parece exigir tempo, e o tempo, por sua vez, parece dilatar-se perante a repetição e o detalhe. É nesse espaço entre o gesto e a sua repetição que a obra de James Chu encontra a sua força. A curadoria sublinha ainda que, em vez de apresentar as formas históricas da escrita e da criação como tradições fixas, a exposição aborda-as como “linguagens visuais em evolução”, onde a memória, o material, o tempo e a contemplação convergem.

Para lá da obra central escultórica, a exposição desdobra-se em suportes artísticos como grandes figuras em papel e mãos em escala ampliada, que foram produzidas recorrendo a técnicas artesanais tradicionais de património cultural imaterial, que dialogam com a linguagem contemporânea da instalação escrita. Os textos manuscritos são iluminados de forma a revelar a relação “entre a escrita, a transparência, a sombra e o espaço”. Noutras peças, também são utilizadas técnicas de pintura sobre tela e tijolos recuperados de construções antigas que cruzam-se com a delicadeza da obra mais recente, numa camada extra de leitura sobre o que é o tempo acumulado.

James Chu, natural de Macau, estudou gravura na Academia de Artes Visuais de Macau nos anos 90 e completou um mestrado em Estudos Culturais na Universidade de Lingnan, em Hong Kong, em 2008. A sua carreira inclui dez exposições individuais e mais de cem colectivas em vários países. Foi o artista seleccionado para representar Macau no Pavilhão de Macau da 54.ª Bienal de Veneza, em 2011, e já recebeu mais de 50 prémios internacionais. As suas obras fazem parte de colecções como a Fundação Macau, a Fundação Oriente, o Museu de Arte de Macau e a Philippe Charriol Foundation.

Para além da criação artística, Chu tem um papel activo na dinamização da cena cultural de Macau, sendo um dos fundadores do Macau Design Centre e coordenador do Macau Art Garden, e tem contribuído para a organização de mais de uma centena de exposições em cidades como Lisboa, Nova Iorque, Paris e Tóquio.

James Chu já tinha deixado pistas sobre a sua filosofia de trabalho. “Ser criativo todos os dias é difícil, mas ao mesmo tempo, gosto de desafios. […] Não esperes demasiado dos outros, pergunta sempre a ti mesmo primeiro. Tudo deve começar de dentro”, afirmou o artista em entrevista à Macau Lifestyle em 2016, resumindo a atitude que parece atravessar toda a sua prática, culminando neste trabalho actual.

A abertura oficial da exposição “A Prática do Tempo” está marcada para as 17h30 do dia 18 de Setembro. Fica patente até 27 de Novembro, com entrada livre, no piso L1 da R70, no Lisboeta Macau. O horário é das 12h00 às 20h00. Mais informações podem ser encontradas na página oficial da Associação Cultural da Taipa. A mostra leva consultoria artística da Impromptu Projects e conta com o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento Cultural. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


China - Como a falta de mulheres faz homens caírem em fraudes

Aos 37 anos, Wang Zhuang quase havia perdido a esperança de encontrar uma esposa, até que viu anúncios de agências matrimoniais. Elas prometiam que ele não precisaria de perder anos a construir um relacionamento sem futuro e ofereciam-se para apresentá-lo a uma mulher recatada e dedicada.


“As agências disseram que as mulheres de Guizhou são frugais”, conta Wang. “Disseram que são boas em administrar uma casa, capazes de fazer os trabalhos domésticos e que as suas famílias são muito pobres. Por isso, depois de se casarem, elas estabelecer-se-iam e viveriam uma vida comigo”.

Então Wang viajou para Guiyang, cidade na província de Guizhou, no sudoeste da China, na esperança de encontrar a sua alma gémea. E realmente pensou tê-la encontrado quando foi apresentado a uma mulher que parecia preencher todos os requisitos.

Encontraram-se algumas vezes e acabaram por casar. Mas, quase tão rapidamente como a sua nova vida começou, tudo acabou. “A minha família inteira ficou num caos”, diz, balançando a cabeça. Ainda está a tentar recuperar-se mais de um ano depois de descobrir que era mentira tudo o que a esposa lhe havia dito. Afinal, ela trabalhava num karaoke, tinha-se casado três vezes, tinha três filhos, uma grave infecção sexualmente transmissível e estava profundamente endividada.

Agora, Wang luta pelo divórcio e não pode retomar a sua antiga vida, pelo menos até recuperar parte das economias, que, segundo ele, pagou à agência poucas horas depois de ser apresentado a várias pretendentes em potencial. “Os meus pais culpam-me. Tenho insónias e ansiedade. Não consigo concentrar-me no trabalho”, conta.

A história de Wang é um sintoma extremo da crise demográfica que se formou na China. Durante décadas, o Partido Comunista decretou que os casais só poderiam ter um filho. Reverteu essa decisão em Janeiro de 2016, mas, até então, a política do filho único, juntamente com a preferência por meninos, produziu um número cada vez menor de mulheres e um gritante desequilíbrio de género.

Agora, há 30 milhões de homens a mais do que mulheres no país. Isso deixou homens como Wang, que estão perto dos 40 anos e vivem em cidades menores ou áreas rurais remotas, com poucas opções. As mulheres nesses locais podem dar-se ao luxo de ser exigentes, pois sabem que são desejadas.

“Os requisitos para os homens são muito altos na minha cidade. Precisam de ter um carro, uma casa e a família deve ter um negócio”, queixa-se.

Muitas famílias também exigem um alto “preço da noiva”, um antigo costume chinês em que a família do noivo dá dinheiro à noiva. Nalgumas partes da China, onde os homens superam em muito o número de mulheres, isso tornou-se um fardo financeiro significativo.

Daí o apelo de agências de encontros como as de Guizhou, que propõem uma solução rápida e completa, um “casamento relâmpago”.

O ramo de encontros não é novidade na China, mas muitas agências parecem ter encontrado alvos vulneráveis em homens que têm dificuldade em encontrar parceiras à medida que envelhecem. Tanto que a mídia estatal noticiou recentemente que o sector teve um “crescimento rápido” que “gerou práticas ilegais e caos”.

É difícil determinar a dimensão desse tipo de fraude em toda a China, mas ela cresceu o suficiente para chamar a atenção das autoridades chinesas.

No entanto, Wang estava convencido de que podia confiar na agência depois de esta garantir fazer uma verificação completa de antecedentes e que ele teria direito a indenização caso fosse vítima de fraude. Então, ele pagou, e as apresentações começaram.

Wang conheceu sete mulheres em diferentes salas de “encontros às cegas” ao longo de alguns dias, sob a supervisão atenta da equipa da agência. Fazia perguntas sobre a origem delas, se já haviam sido casadas e se tinham filhos.

Ele apaixonou-se pela oitava mulher que conheceu. Ela vestia-se de forma muito simples, “parecia introvertida e honesta”, lembra.

Encontraram-se quatro ou cinco vezes, por apenas oito a 10 minutos cada vez. Wang diz que receberam instruções rigorosas para não trocarem números de telefone ou quaisquer detalhes em mensagens privadas, sob pena de serem multados.

Depois de dois ou três dias, Wang decidiu que ela era a pessoa certa e concordou em pagar um dote substancial. “Gastei mais de 300 mil yuans”, diz, com uma pilha de documentos legais na mão para comprovar. “Se incluir o banquete de casamento e tudo mais, gastei entre 400 e 500 mil yuans”.

Porém, apenas alguns meses após o casamento, cobradores de dívidas começaram a ligar, alegando que ela lhes devia dinheiro. Wang ficou desconfiado e quis saber o que mais ela lhe escondera. No telemóvel dela encontrou detalhes da sua vida anterior como a certidão de nascimento e documentos de um casamento anterior.

Quando a confrontou, ela ofereceu-lhe o divórcio, mas recusou devolver um único centavo do dote. Quando voltou ao escritório, a agência tinha desaparecido.

Agora, Wang passa o tempo a fazer vídeos para as redes sociais, tentando alertar outros homens. E encontrou outros homens que também caíram na fraude. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências internacionais”


Macau - Jardim Infantil da Caritas integrado na Escola São João de Brito

O Jardim Infantil da Caritas passa a integrar a Escola São João de Brito, também da Caritas, a partir de hoje, revelou o secretário-geral da instituição. Assim, os alunos matriculados no jardim de infância vão poder passar directamente para a secção inglesa do ensino primário da escola. Simultaneamente, a escola abriu mais uma turma para o 1.º ano do ensino secundário geral, da secção inglesa, em resposta à carência de vagas do género no território


A partir de hoje, no arranque do novo ano lectivo, o Jardim Infantil da Caritas, com uma história de 30 anos, passa a integrar a Escola São João de Brito, estabelecimento de ensino católico da mesma instituição que completou quatro décadas de funcionamento, revelou Paul Pun, secretário-geral da Caritas e presidente dos Comités de Gestão das duas unidades de ensino.

A transformação do agora designado Jardim Infantil da Caritas Afiliado da Escola São João de Brito representa um processo de “integração”, “o desenvolvimento de uma nova área” e o início do “funcionamento integrado”, afirmou ao Jornal Tribuna de Macau.

Paul Pun explicou que a instituição aproveitou os aniversários dos dois estabelecimentos de ensino para concretizar a integração, trabalho que coincidiu com a tarefa de fusão de escolas que tem sido preconizada pelo Governo. Recorde-se que o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, Kong Chi Meng, revelou que, entre nove e 11 escolas estariam disponíveis para fusão ou transformação, prevendo que quatro unidades escolares tenderiam a fundir-se no ano lectivo 2026/2027.

Para Paul Pun, uma das vantagens da integração reside no facto de os alunos matriculados no jardim de infância poderem passar directamente para a secção inglesa do ensino primário da Escola São João de Brito. Isso “facilita pouco a pouco os estudantes e os seus pais que decidam escolher a secção inglesa”, até porque as propinas adoptadas por esta secção não seguem os padrões das escolas internacionais. “As propinas são mais acessíveis e adequadas para as famílias comuns de Macau”, vincou.

Além do aspecto pedagógico, Paul Pun também mencionou a vantagem dos contactos e interacções interculturais entre alunos de diferentes nacionalidades da secção inglesa, incluindo com várias culturas europeias. Actualmente, esta secção conta com alunos de mais de 10 países e regiões.

Concomitantemente, a Escola São João de Brito abriu mais uma turma para o 1.º ano do ensino secundário geral, da secção inglesa, em resposta à escassez de vagas para esta fase de ensino em Macau.

Ao mesmo tempo, “recorremos à inteligência artificial e à programação, apostando no pensamento lógico, nas actividades lectivas do jardim infantil”, indicou Paul Pun, assumindo a intenção de “melhorar gradualmente os resultados da escola nos trabalhos relacionados com o Exame Unificado de Acesso”, para que os alunos possam prosseguir os estudos na universidade.

Reunindo centenas de alunos no total, a Escola São João de Brito dispõe das secções chinesa, inglesa e nocturna. Segundo o secretário-geral da Caritas, a escola não possui condições para abrir uma secção portuguesa, sobretudo devido ao reduzido espaço físico. “Não é que não queiramos ter [a secção de] Português. Cada turma conta com duas dezenas de alunos e as salas de aula são pequenas”, lamentou.

O responsável destacou que, nesta escola da Caritas, as interacções com os alunos portugueses e o interesse fomentado através deste tipo de contacto também constituem um aspecto que propicia o desenvolvimento dos estudantes.

Por outro lado, Paul Pun realça o apoio concedido pelo Fundo Educativo, que permitiu concluir a renovação das salas de aula e a remodelação das casas de banho, entre outras obras de optimização. In “jornal Tribuna de Macau” - Macau


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Países Baixos - Biblioteca Municipal de Utrecht inaugura espaço dedicado à língua portuguesa

A comunidade de língua portuguesa em Utrecht, nos Países Baixos, vai estar em destaque no próximo dia 6 de setembro, com a inauguração, na Biblioteca Municipal de Utrecht, da KeuzeKast Lusofonia: Mundo da Língua Portuguesa, uma estante dedicada à diversidade cultural dos países onde se fala português


O espaço será preenchido com livros, incluindo obras para crianças e livros de culinária, provenientes de diferentes países e culturas do mundo lusófono.

A inauguração será assinalada com um programa que inclui música, intervenções literárias e poéticas, bem como sabores de diferentes culturas de língua portuguesa.

As crianças terão também um programa próprio, com uma sessão de leitura em português e uma mesa dedicada a atividades manuais, aberta igualmente à participação de adultos.

A iniciativa pretende celebrar a diversidade da língua portuguesa e está aberta tanto aos membros da comunidade lusófona como a todos os que tenham curiosidade em conhecer melhor a língua e as culturas que a partilham.

O programa começa às 14h00 (hora local), com uma sessão de leitura em português. A abertura oficial da KeuzeKast Lusofonia está marcada para as 14h30 (hora local).

A partir das 14h45 (hora local), haverá uma mesa de atividades para crianças e adultos, a par de momentos musicais e de intervenções literárias e poéticas. O encerramento está previsto para as 16h00 e inclui convívio e petiscos.

A iniciativa integra o projeto KeuzeKasten, através do qual são criadas estantes especialmente concebidas para e com as comunidades de Utrecht. Estes espaços podem reunir livros, objetos e, em alguns casos, conteúdos áudio, sendo acompanhados por uma programação relacionada com o tema escolhido.Durante alguns meses, cada KeuzeKast fica em destaque, dando a conhecer a diversidade das diferentes comunidades que fazem parte da cidade de Utrecht. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



Suíça - Zinco usado para a doença de Wilson anima tratamento raro em Genebra

Investigadores da Universidade de Genebra procuram em medicamentos já aprovados novas terapias para doenças raras, uma estratégia mais rápida e barata que o desenvolvimento tradicional de fármacos

Há cinco anos, o laboratório de Vladimir Katanaev, na Universidade de Genebra, fez uma descoberta surpreendente. Eles constataram que sais de zinco amplamente disponíveis, que haviam sido aprovados nos EUA em 1997 para o tratamento de um distúrbio metabólico conhecido como Doença de Wilson, poderiam também tratar uma doença rara e potencialmente fatal causada por uma mutação no gene GNAO1.

O gene GNAO1 codifica a proteína G chamada Gαo, que é um dos principais reguladores de sinalização do cérebro. Ela atua como uma chave molecular, que liga e desliga para impedir que os neurónios fiquem demasiado ativos ou demasiado inativos. Mutações no gene GNAO1, que afetam cerca de 400 pessoas em todo o mundo, causam convulsões, atrasos no desenvolvimento e problemas motores.

As primeiras mutações no gene GNAO1 só foram identificadas em 2013, mas Katanaev, que é professor de fisiologia celular e metabolismo, já vinha estudando a proteína Gαo há quase 20 anos. Desse modo, quando pais de crianças diagnosticadas com doenças relacionadas ao gene GNAO1, que não têm tratamento aprovado, começaram a procurar especialistas, acabaram deparando-se com as pesquisas de Katanaev.

Com um financiamento de aproximadamente 175 mil francos suíços, proveniente de fundações e associações de pacientes, o investigador e a sua equipa conseguiram descobrir como as mutações prejudicam a proteína Gαo e causam a doença. Especificamente, a equipa constatou que as mutações patogénicas deslocam de posição um único aminoácido, chamado de glutamina 205, interferindo na atividade da GTPase, que é o mecanismo de desativação.

Diante dessas novas informações, a equipa de Katanaev cogitou uma forma de restaurar essa proteína disfuncional. Para investigadores académicos, a ideia de desenvolver um novo medicamento parece assustadora, visto que, segundo estimativas, são necessários cerca de 810 milhões a 1,6 mil milhões de francos suíços e uma década ou mais para desenvolver e levar um medicamento ao mercado. O laboratório não dispunha de recursos financeiros para descobrir ou criar uma molécula totalmente nova e conduzir todas as etapas necessárias para fazer com que ela chegasse aos pacientes.

“Seria necessário um investimento alto demais, considerando o número reduzido de pacientes”, afirma Katanaev. Em vez disso, a equipa decidiu verificar se conseguiria encontrar um medicamento já aprovado que pudesse ter novas funcionalidades.

Estabelecer novos usos para medicamentos antigos não é exatamente um conceito novo. Muitos dos remédios mais populares, como os GLP-1 para obesidade ou o Viagra para a disfunção erétil, haviam sido originalmente testados e aprovados para outros fins.

O conceito de reposicionamento começou, contudo, a atrair mais atenção no que diz respeito às doenças raras, um grupo de cerca de 7 mil enfermidades pouco comuns, das quais apenas 6% têm tratamento aprovado. Embora haja aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo com alguma doença rara, cada uma delas afeta apenas um pequeno número de indivíduos.

“Não é possível utilizar o processo convencional de descoberta de medicamentos para doenças raras, pois ele é muito demorado e caro”, afirma Katanaev. “Isso só faz sentido quando o mercado é grande o suficiente”, completa o investigador.

Na procura de outro caminho

Incentivos regulatórios, como aprovações aceleradas de medicamentos e períodos mais longos de exclusividade, têm ajudado a estimular as grandes da indústria farmacêutica a destinar recursos ao desenvolvimento de medicamentos para doenças raras, mas há sinais de que esse tipo de investimento vem diminuindo.

Um estudo da Evaluate, empresa de inteligência de dados, estima que a participação dos medicamentos para doenças raras que estão a ser desenvolvidos cairá de 30% em 2027 para 22% em 2032. Os autores do relatório argumentam que isso reflete o interesse crescente das grandes da indústria farmacêutica em doenças que afetam um número maior de pessoas, como a obesidade, por exemplo.

“Precisamos de outras abordagens”, afirma Katanaev. “O reposicionamento de fármacos é um atalho que pode viabilizar um medicamento num período relativamente curto com um investimento relativamente baixo”, explica.

Os enormes avanços na nossa compreensão da genética estão a facilitar o trabalho de laboratórios académicos, como o de Katanaev, na pesquisa de mutações e no entendimento de como elas causam doenças. A inteligência artificial (IA) também está a ajudar alguns laboratórios a interpretar enormes quantidades de dados moleculares e a criar modelos computacionais para testar medicamentos.

Hoje, muitos laboratórios contam com instalações de triagem de alto rendimento, que vêm sendo amplamente utilizadas pelas grandes do setor farmacêutico, a fim de identificar e desenvolver novas moléculas.

A equipa de Katanaev utilizou o processo para analisar um banco de cerca de 3 mil fármacos aprovados nos EUA. Posteriormente, a equipa testou esses medicamentos, a fim de verificar se apresentavam alguma atividade sobre a proteína Gαo. Foi aí que apareceu o zinco. O teste mostrou que o zinco poderia restaurar parcialmente a função da proteína mutante. A equipa de Katanaev testou a hipótese em modelos de moscas e camundongos e constatou que era segura e eficiente.

Diante desses resultados pré-clínicos promissores e considerando que a terapia com zinco já estava aprovada para a Doença de Wilson, Katanaev e médicos do Hospital Universitário de Colónia, na Alemanha, iniciaram o primeiro teste em humanos com um menino de três anos portador de uma mutação no gene GNAO1. Pouco depois do início do tratamento, o garoto passou a ter menos convulsões e os seus movimentos bruscos e espasmódicos cessaram quase que totalmente. Um ano após o tratamento, o seu quadro clínico continua estável.

Embora não se trate de uma cura propriamente dita, a qualidade de vida do paciente e da sua família melhorou significativamente. A equipe de Colónia está agora a testar o zinco em 13 pacientes com doenças relacionadas ao GNAO1 num ensaio clínico, graças a uma campanha de financiamento coletivo promovida pela associação alemã de pacientes com GNAO1.

O laboratório de Katanaev vem sendo procurado por famílias de pacientes de todo o mundo, interessadas em saber se é possível aplicar a mesma abordagem para identificar uma possível eficácia de medicamentos já existentes no tratamento de outras doenças genéticas raras. No momento, o laboratório, que conta com uma equipa de investigadores de pós-doutorado em Genebra, pesquisa seis enfermidades genéticas.

Impulso crescente

Com os sistemas de saúde sob pressão, um número crescente de iniciativas e grupos de pacientes vem trabalhando para promover o reposicionamento de medicamentos, especialmente na Europa. Especialistas acreditam que 75% dos medicamentos já existentes poderiam ser usados de maneira diferente para o tratamento de outra enfermidade. Ao contrário de alguns fármacos novos, como as terapias génicas, cujos preços variam entre 2 e 3 milhões de dólares por dose, muitos medicamentos utilizados para novos fins já são genéricos sem patente, o que os torna mais acessíveis para os pacientes.

Em 2022, o Horizon Europe, principal programa de financiamento da União Europeia para pesquisa e inovação, com duração de sete anos, investiu, durante cinco anos, um total de 22 milhões de francos suíços na criação da Plataforma Europeia para Reposicionamento de Medicamentos (REMEDi4ALL). A iniciativa visa acelerar o desenvolvimento e o acesso a terapias reposicionadas, reunindo conhecimentos especializados e promovendo a colaboração entre pacientes, investigadores, médicos, órgãos reguladores e outras partes interessadas.

Entretanto, ainda restam enormes desafios. Para um fármaco já existente, mesmo que antigo, a aprovação regulatória e o reembolso estão longe de seguir um caminho simples. Embora medicamentos reposicionados para novos usos possam, muitas vezes, utilizar dados de segurança já existentes, evitando, em alguns casos, ensaios clínicos de Fase I, eles ainda precisam passar por alguns testes clínicos, a fim de comprovar a sua eficácia para a nova doença e determinar a dosagem correta. Como por exemplo os sais de zinco, que estão disponíveis em farmácias como suplemento nutricional em dosagens muito inferiores àquelas necessárias para tratar a Doença de Wilson e enfermidades relacionadas ao GNAO1.

“Ainda não existe um caminho regulatório específico para o reposicionamento de medicamentos que pudesse otimizar e acelerar o processo”, diz Claudia Fuchs, gerente sénior de projetos da EURORDIS – Organização Europeia de Doenças Raras, uma aliança de mais de mil organizações de pacientes com enfermidades pouco comuns.

Alguns estudos estimam que o reposicionamento de um fármaco pode continuar custando cerca de 300 milhões de dólares, levando de seis a oito anos desde o laboratório até ao paciente – ainda assim uma vantagem em comparação com os 10 a 15 anos necessários para lançar um novo medicamento. Katanaev acredita que o fluxo de trabalho do seu laboratório pode reposicionar medicamentos em dois a três anos por cerca de 1 milhão de dólares, incluindo ensaios clínicos.

Aos laboratórios académicos faltam muitas vezes os recursos, o conhecimento regulatório e a experiência em desenvolvimento clínico necessários para levar o processo de reposicionamento de medicamentos adiante em contextos lentos e complexos. Embora pudesse assumir essa tarefa, a indústria farmacêutica não costuma demonstrar interesse em testar e comercializar fármacos antigos.

“Há muitos investimentos sendo direcionados a abordagens inovadoras”, diz Fuchs. “Mas, quando se trata de encontrar novos usos para medicamentos genéricos, as empresas não têm interesse”, acrescenta.

Sem o apoio da indústria, são principalmente as associações de pacientes que precisam arcar com os custos e tomar decisões difíceis sobre como e onde gastar seus recursos extremamente limitados.

O reposicionamento ainda não é uma solução milagrosa. Normalmente, não há garantia de que um medicamento aprovado vá ser adequado para outra doença específica. E, mesmo que seja, não se sabe até que ponto cada paciente será beneficiado.

“Se tivermos sorte, como no caso do zinco, o reposicionamento pode levar à descoberta de um medicamento para uma doença que, de outra forma, não teria tratamento e permaneceria intratável para sempre”, aponta Katanaev. Pois, “atualmente, o desenvolvimento convencional de medicamentos não é economicamente viável”. In “Swissinfo” - Suíça

Portugal – A 12.ª Coimbra Space Summer School 2026 inspira-se na missão Artemis II para impulsionar a inovação e o empreendedorismo espacial

A escola de verão regressa de 2 a 4 de setembro, desafiando estudantes, investigadores e empreendedores a criarem soluções para a exploração lunar. A 12.ª edição marca também a estreia do evento na Pampilhosa da Serra.


O ecossistema de inovação ligado ao setor aerospacial prepara-se para acolher a 12.ª edição da Coimbra Space Summer School (CSSS), que decorre já entre os dias 2 e 4 de setembro de 2026. Este ano, o programa inspira-se diretamente no feito histórico da missão Artemis II — a primeira viagem tripulada a sobrevoar a Lua desde a Apollo 17 em 1972, ocorrida em abril deste ano —, utilizando esse marco como catalisador para desafiar a próxima geração de talentos a moldar o futuro da economia do espaço.

Concebida como uma plataforma intensiva de capacitação, a Coimbra Space Summer School dirige-se a estudantes do Ensino Superior, investigadores, empreendedores e entusiastas que pretendam transformar ativos e tecnologias espaciais em modelos de negócio viáveis. Ao longo de três dias, os participantes serão incentivados a analisar os avanços científicos e humanos que viabilizaram o regresso à órbita lunar e a responder aos complexos desafios que a permanência no espaço ainda coloca.

O programa de trabalho está desenhado para converter ideias em projetos concretos através do trabalho em equipas multidisciplinares. Com o apoio contínuo de mentores e o acompanhamento de especialistas nacionais e internacionais, os grupos vão desenvolver propostas em áreas críticas como a preservação da saúde humana em ambientes de radiação e gravidade extrema, a garantia de comunicações resilientes em espaço profundo, a prospeção responsável de recursos minerais na superfície lunar e a otimização logística de missões tripuladas de longa duração. A experiência culmina numa competição de ideias de negócio, onde as equipas apresentarão as suas propostas perante um júri de especialistas.

A edição de 2026 introduz uma novidade estrutural ao descentralizar as suas atividades. No dia 4 de setembro, o encerramento do evento terá lugar na Pampilhosa da Serra, permitindo aos participantes conhecer de perto o ecossistema e as infraestruturas espaciais do município, um território que tem vindo a consolidar a sua posição como polo regional estratégico e de referência no setor aerospacial.

A Coimbra Space Summer School é uma iniciativa organizada pelo Instituto Pedro Nunes (IPN), no âmbito da incubadora da Agência Espacial Europeia, o ESA BIC Centro. A organização conta com a parceria do Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (OGAUC), do Mestrado Conjunto Erasmus Mundus em Geociências Planetárias - GeoPlaNet e do Município da Pampilhosa da Serra. Instituto Pedro Nunes - Portugal