Mindelo – Novos vestígios arqueológicos identificados em Cabo Verde poderão indicar uma ocupação humana no País anterior ao século XV, mais intensa e complexa do que uma presença ocasional de pescadores, revelou hoje o professor Nuno Ribeiro.
A
revelação foi feita durante a conferência internacional “Breve introdução à
História e Arqueologia Pré-colonial da Macaronésia”, promovida pela
Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), na qual o investigador apresentou os
resultados preliminares de um projecto desenvolvido há cerca de 16 anos pela
Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica.
Segundo
Nuno Ribeiro, durante as visitas realizadas em Cabo Verde, a equipa identificou
novos concheiros, além dos já estudados em 1998 e 2005, bem como outras
estruturas, nomeadamente, mamoas e uma possível estrutura megalítica.
“Acabámos
por encontrar mais concheiros, para além daquilo que já existia e que já tinha
sido estudado em 1998 e em 2005, e outras estruturas como mamoas e uma possível
estrutura megalítica”, explicou.
O
investigador ressalvou, contudo, que se tratam de dados ainda provisórios, uma
vez que não foram realizadas datações, escavações ou sondagens, tendo as
conclusões resultado apenas da observação directa dos vestígios.
Apesar
disso, considerou que os elementos encontrados apontam para uma ocupação que
poderá não ter sido apenas esporádica, mas possivelmente permanente, envolvendo
diferentes grupos populacionais.
“Há
uma ocupação, com grande probabilidade de ser permanente, e não só de uma área
cultural, neste caso dos povos da Senegâmbia, mas também povos vindos do Norte
de África”, avançou.
Nuno
Ribeiro referiu, neste sentido, possíveis influências líbio-berberes,
associadas a povos que habitavam as Canárias e a costa da Mauritânia, cujos
vestígios poderão estar representados nas estruturas identificadas em
território cabo-verdiano.
“Os
vestígios que hoje encontrámos indiciam, de facto, estas duas influências”,
afirmou, acrescentando que, por comparação com outros contextos arqueológicos,
os elementos observados apontam para uma presença humana anterior ao século XV
e de maior dimensão do que uma simples passagem de pescadores.
O
investigador considerou que estas descobertas poderão abrir perspectivas para o
estudo da História da Arqueologia de Cabo Verde e para a compreensão das
relações de diferentes povos na antiguidade.
“Assim,
de repente, Cabo Verde entra na Arqueologia Internacional e, aparentemente,
pelos vestígios, terá tido, na Antiguidade, um papel de contacto entre vários
povos”, salientou.
A
iniciativa contou com a colaboração da Uni-CV e enquadra-se no trabalho de
investigação que a Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica
desenvolve sobre as ocupações pré-coloniais da Macaronésia, que integra os
arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde. In “Inforpress”
– Cabo Verde






