Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Fundação Calouste Gulbenkian - Alianza Ceibo vence Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2026

O Prémio ajudará a Alianza Ceibo a ampliar o seu modelo de governação comunitária, a reforçar a proteção da floresta tropical e a investir na educação e na formação de lideranças, e em oportunidades para as próximas gerações


A Alianza Ceibo é uma organização sem fins lucrativos que trabalha para proteger terras ancestrais essenciais para o clima na bacia superior do Amazonas. Reunindo as nações indígenas A’i Kofán, Siekopai, Siona e Waorani, a Alianza protege mais de dois milhões de hectares de floresta tropical rica em biodiversidade no Equador, Peru e Colômbia. A organização apoia também os povos indígenas na resposta às ameaças à sua cultura e à autonomia, através de estratégias enraizadas nas comunidades e centradas no reforço da liderança das mulheres e dos jovens. Destacam-se a Escola de Empreendedorismo e Liderança para Mulheres, que ao longo dos últimos dez anos formou 260 mulheres indígenas em alternativas de economia sustentável, e a Escola de Comunicação Indígena, que forma os jovens em narrativa, fotografia, cinema e jornalismo, contribuindo para preservar a memória e a cultura.

Ao atribuir este Prémio, a Fundação Calouste Gulbenkian reconhece o trabalho que a Alianza Ceibo desenvolve há uma década a unir comunidades, defender os territórios ancestrais da Amazónia, a promover os direitos dos Povos Indígenas e a contribuir para a justiça climática. O Prémio, no valor de 1 milhão de euros, ajudará a Aliança de Povos Indígenas da Amazónia a manter e ampliar o seu modelo liderado por Povos Indígenas, reforçando a proteção da floresta tropical e investindo simultaneamente na educação promovida pelas comunidades, na formação de lideranças, e na criação de oportunidades para a próxima geração de jovens indígenas.

Para o Presidente da Fundação, António Feijó, “A vencedora deste ano é um exemplo poderoso da liderança indígena na luta pela justiça climática num dos ecossistemas mais preciosos da Terra—a floresta amazónica. Perante a adversidade, a Alianza Ceibo uniu esforços além-fronteiras para tomar nas suas mãos o futuro dos seus territórios ancestrais. Mostra-nos o que pode ser alcançado quando nos unimos em torno de um propósito comum.”

A força do modelo único da Alianza Ceibo, assente na liderança das comunidades, tem permitido alcançar resultados significativos na proteção das suas terras contra a exploração de recursos, incluindo vitórias históricas para travar a desflorestação e assegurar direitos territoriais, bem como a introdução de fontes de energia limpa e de água potável para proteger as comunidades dos rios contaminados pela indústria extrativa.

Entre as principais conquistas alcançadas pela Aliança até à data, destacam-se:

  • O desenvolvimento de modelos educativos e referenciais curriculares liderados pelas comunidades, cujo reconhecimento oficial pelo Governo equatoriano, em setembro de 2026, constituiu um marco histórico e permitiu a sua adoção pelo sistema público de ensino nos territórios A’i Kofán, Siekopai e Waorani. Este reconhecimento possibilita a integração formal dos conhecimentos ancestrais, das línguas e das cosmovisões destes povos no ensino público, estabelecendo simultaneamente um importante precedente para que outros povos indígenas do Equador possam seguir o mesmo caminho.
  • A obtenção de uma decisão judicial histórica que atribuiu ao povo Siekopai o título de propriedade do seu território ancestral;
  • A obtenção de uma decisão judicial que anulou 52 concessões mineiras ilegais no território A’i Kofán, protegendo a montante todo o sistema do rio Aguarico;
  • A vitória em processos judiciais que estabeleceram um precedente nacional em matéria de Consentimento Livre, Prévio e Informado, um instrumento poderoso que ajuda os Povos Indígenas a contestar a indústria extrativa;
  • A instalação de 1164 sistemas de filtragem de águas pluviais, que dão acesso a água potável a mais de 6500 pessoas afetadas pela contaminação por petróleo na Amazónia equatoriana e na Colômbia;
  • A construção de 200 sistemas de energia solar, que fornecem eletricidade a 208 agregados familiares, três associações de mulheres, sete escolas e 14 postos de patrulhamento territorial.

Nemonte Nenquimo, do povo Waorani, e cofundadora da Alianza Ceibo, declara: “Aceitamos humildemente este reconhecimento em nosso nome e em nome das nossas comunidades, dos nossos anciãos e dos territórios. Este prémio reconhece a luta que travamos desde os nossos antepassados e demonstra o seu verdadeiro impacto no mundo: os Povos Indígenas, que sempre viveram aqui, são fundamentais para proteger a floresta tropical e encontrar soluções para as alterações climáticas. A Amazónia é vital para o equilíbrio do planeta e, ainda assim, continua a ser destruída. Temos de permanecer firmes na sua defesa, porque as nossas vidas dependem dela.”

Por seu lado, Hernán Payaguaje, do povo Siekopai, e também cofundador da Alianza Ceibo, afirma: “Este prémio enche-nos de uma enorme gratidão. É um reconhecimento do trabalho que desenvolvemos a partir dos nossos territórios, apoiando processos comunitários, reforçando lideranças, desenvolvendo capacidades e promovendo a autonomia dos povos. Reconhece também o impacto positivo nas comunidades e a confiança construída com organizações, aliados e parceiros. Estas alianças permitiram-nos chegar a mais territórios, estabelecer ligação com mais pessoas e fazer crescer um movimento regional. Acreditamos que mais investimento na autonomia dos nossos povos, das suas organizações e dos seus territórios é uma verdadeira alternativa e uma garantia para assegurar a defesa dos nossos territórios e das nossas vidas.”

O Júri, presidido pela antiga Chanceler alemã Angela Merkel, selecionou o vencedor de entre 304 nomeações, oriundas de 73 países. Numa altura em que os defensores indígenas da terra enfrentam hostilidade e interferências políticas, a atribuição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade à Alianza Ceibo reconhece o papel fundamental dos Povos Indígenas na salvaguarda deste que é um dos ecossistemas mais importantes do mundo.

Este Prémio, refere a Presidente do Júri, Angela Merkel, “distingue quem demonstra um compromisso excecional com a Terra e com a coexistência global entre as pessoas e o planeta. O Prémio recorda-nos que cada pessoa, onde quer que esteja no mundo, tem o poder de fazer a diferença — e que uma única ação, quando inspira outras pessoas, pode tornar-se uma poderosa força de mudança em todo o mundo.”

Num contexto em que os Povos Indígenas enfrentam, a nível mundial, uma falta de financiamento grave e persistente, o Prémio de 1 milhão de euros ajudará a Alianza Ceibo a salvaguardar a liderança indígena num dos ecossistemas mais importantes do mundo.

Saiba mais aqui. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal


Brasil e Espanha promovem luta global contra fome, em meio a guerras e desastres

O ministro brasileiro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, falou à ONU News sobre impactos dos conflitos e da crise climática sobre os mais pobres; ele afi,rmou que a garantia da segurança alimentar requer investimentos urgentes. A Aliança Global criada em 2024 já conta com 218 membros


As guerras e as alterações climáticas representam obstáculos cada vez maiores para a erradicação da fome e da pobreza no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, 40 milhões de pessoas entraram no mapa da fome nos últimos anos por causa de conflitos.

Estes dados serão apresentados na reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma plataforma de cooperação que é copresidida pelo Brasil e pela Espanha.

Efeito colateral das guerras sobre os mais pobres

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, representa o Brasil no encontro, realizado às margens da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Em entrevista para a ONU News, ele disse que o esforço pela paz é prioridade máxima.

“Nós estamos no caminho certo, vamos estragar esse projeto humanitário por um projeto desumano como as guerras? Ou seja, vamos tirar dinheiro de ajudas humanitárias para salvar vidas, para colocar num plano de tirar vidas com as guerras?”.

Dias lembrou que os esforços realizados nos últimos anos deram resultado, levando a uma redução de 750 milhões para 645 milhões de pessoas no mapa da fome. O caos gerado pelas guerras, no entanto, ameaça este progresso.

“O lado perverso das guerras, dos conflitos armados, é primeiro que desorganiza a migração e ela termina criando uma desordem onde muitas pessoas, sem planejar, saem dos seus países, às vezes da sua região para outras regiões do mundo. Veja o tamanho do problema nos Estados Unidos, na Europa, no Brasil, em outras partes do mundo. E ela impacta na economia. É o caso, por exemplo, do efeito do preço dos combustíveis, do petróleo e dos fertilizantes para a agricultura, que impacta no preço de alimentos. E isso gera inflação. Quem são os que mais pagam? os pobres”.

A crise climática é cada vez mais urgente

O ministro acrescentou que os eventos climáticos extremos também são um fator de grande preocupação, pois ameaçam a produção e distribuição de alimentos.

“A realidade dura da elevação da temperatura e mudança do clima é uma realidade. O que aconteceu com o Nepal não é um acaso. Os Estados Unidos. O Brasil. Os países sempre tiveram situações de uma seca, de uma enchente, às vezes até de um tornado, mas não nesta frequência. Dentro do Brasil. Para falar um exemplo, a gente raramente tinha seca na Amazónia. Agora é todo ano, todo ano, ou seja, cada vez mais forte”.

Ele adicionou que os que mais sofrem com os eventos climáticos extremos são ribeirinhos, pescadores e povos indígenas. 

Dias fez um apelo para que os trilhões de dólares que são investidos em guerras passem a ser usados para reduzir a fome e a pobreza, e para lidar com as mudanças do clima.

Crescimento da Aliança Global

Ele destacou a importância da Aliança Global Contra a Fome a Pobreza, criada em 2024, durante a presidência do Brasil no G20, o bloco das 20 maiores economias do mundo.

De dois anos para cá, a iniciativa cresceu de 148 para 218 membros, e conta com países de todos os continentes, organismos da ONU, instituições de investigação, setor privado e bancos multilaterais.

O ministro explicou que dentro do grupo existem países como o Brasil, que são capazes de executar os seus próprios planos nacionais de combate à fome e à pobreza, mas também países na procura de apoio, que já são cerca de 20.

Nesse sentido, ele destacou a preocupação com quedas acentuadas do financiamento internacional, citando por exemplo a decisão de países europeus de cortar 17% da verba para ajuda externa. Isso restringe a capacidade da Aliança de apoiar países em desenvolvimento.

Fundo de Garantia

A iniciativa também funciona como uma “cesta” de políticas que já foram testadas e consideradas eficientes como a transferência de rendimento, que contribui para o desenvolvimento económico dos mais pobres, e o reforço da merenda escolar, que contribui para as metas de educação.

O ministro compartilhou que já sentiu na pele a insegurança alimentar e sabe como ela afeta a aprendizagem.

Sobre políticas aplicadas no Brasil, ele citou a criação de um Fundo de Garantia que possibilitou investimentos de R$ 4 mil milhões em pequenos negócios, fazendo com que pessoas que antes recebiam benefícios do governo, como a Bolsa Família, hoje consigam gerar emprego para tirar outras pessoas da pobreza.

Dias revelou que, durante a Assembleia Geral, o governo brasileiro vai discutir com o Banco Mundial e com o Banco Interamericano estratégias para replicar este modelo do Fundo de Garantia para beneficiar países pobres. ONU News – Nações Unidas


Galiza - Henrique Marques Samyn visita Compostela para falar sobre literatura negra brasileira

O professor, investigador e escritor brasileiro Henrique Marques Samyn estará na Galiza nos primeiros dias de outubro para participar em diferentes atividades dedicadas à literatura negra brasileira, promovidas no âmbito da Semana do Livro de Compostela (SELiC) e da Universidade da Corunha (UDC)


Henrique Marques Samyn é professor do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde desenvolve investigação na área dos estudos literários e trabalha, entre outros temas, sobre literatura de autoria negra. A sua investigação inclui atualmente um projeto dedicado às poéticas negras brasileiras durante e depois da ditadura brasileira, entre outras linhas de trabalho relacionadas com as literaturas de autoria negra.

A sua passagem pela Galiza começa no domingo, 4 de outubro, no âmbito da SELiC, onde participará em duas atividades.

Às 12:30h, na Aula do COAG (Colégio de Arquitetos da Galiza), desenvolverá uma palestra a modo de introdução crítica à Literatura (Negra) Brasileira, questionando algumas das ideias mais convencionais sobre o Brasil e sobre aquilo que entendemos por literatura brasileira. No mesmo dia, às 17:30h apresentará Para acordar os da casa-grande, (alguns) novos escritos de mulheres negras brasileiras, antologia publicada pela Através que reúne textos de 21 escritoras negras brasileiras contemporâneas. Acompanhado pela professora Alva Martínez Teixeiro, conversará sobre literatura, identidade e representação a partir da diversidade de vozes reunidas no volume.

A visita terá continuidade na segunda-feira, 5 de outubro, na Universidade da Corunha. Marques Samyn dará a aula-conferência Uma (breve) aproximação às poéticas negras brasileiras, dirigida à comunidade universitária e integrada numa sessão de Literatura Portuguesa 2. A atividade, que terá lugar às 12h30, está relacionada com o trabalho desenvolvido no âmbito do projeto de investigação INTERBR.

As três atividades permitem assim aproximar o público galego e a comunidade universitária de uma parte particularmente rica e diversa da produção literária brasileira contemporânea, ao mesmo tempo que reforçam os vínculos académicos e culturais entre a Galiza e o Brasil. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


Nações Unidas - Depois de Guterres, uma mulher na ONU?

O último discurso de António Guterres como secretário-geral da ONU marcou um momento de transição: no próximo ano, talvez, seu lugar será ocupado por uma mulher. Não é certo, existe um movimento nessa direção, porém não se pode esquecer haver muitos países, onde não é reconhecida a igualdade das mulheres com os homens. Entretanto, o atual Conselho de Segurança, responsável pela triagem gradativa dos candidatos, é integrado atualmente por países sem essa restrição.

Essa situação favorável a uma candidatura feminina, é provavelmente a responsável pela existência de diversas candidatas e apenas três candidatos. A imprensa em geral praticamente aposta na escolha de uma primeira secretária geral da ONU, que deverá ser eleita pela Assembleia Geral em novembro ou mesmo em dezembro.

Na semana passada, os membros do Conselho de Segurança votaram secretamente, pela terceira vez, no processo de chegarem a uma maioria para indicação de um só nome à Assembleia Geral.

Os resultados dessa terceira votação, que acabam de ser conhecidos, derrubaram o favoritismo da ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet, ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos. Diante disso e por ter perdido o apoio de seu país, agora dirigido pelo presidente de direita José Antonio Kast, Bachelet retirou sua candidatura. Como se vê, a posição política tem muita importância nessa eleição, mas existe também o fator de alternância regional, que embora não obrigatório, favorece desta vez América Latina e Caríbas, por rotação geográfica. 

Por isso, a tendência, embora por poucos votos, é em direção da escolha da ex vice-presidente costariquenha Rebeca Grynspan e ex-secretária geral da UNCTAD, seguida de perto pela ex-ministra das Relações Exteriores da Guiana Carolyn Rodrigues Birkett. Nesta época de grande antissemitismo, é ainda prematuro contar com a escolha de Rebeca Grynspan, pois é filha de judeus fugidos da Shoah, nome que designa o extermínio de seis milhões de judeus pela Alemanha nazista.

São também candidatas menos votadas Maria Fernanda Espinosa, ex-chanceler equatoriana, e Ivonne A-Baki, ex-ministra do Comércio do Equador.

Há ainda três nomes masculinos, no terceiro e quarto lugares: o do ugandês Olara Otunnu, ex-secretário-geral adjunto da ONU e representante especial junto às crianças e conflitos armados; segue-se o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica; e por último , o ex-presidente do Senegal, Macky Sall.

Quem vencer assumirá o cargo no dia 1 de janeiro de 2027.

Dez membros não-permanentes do Conselho de Segurança participam da escolha, mas os cinco países membros permanentes podem se opor utilizando o direito ao veto. Donald Trump tentou se impor sem conseguir, com um candidato, o coordenador do Conselho da Paz recém-criado, o búlgaro Nickolay Mladenov, ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores da Bulgária.

Quem for escolhida (o) irá dirigir uma ONU enfraquecida, dividida, quase inativa e com seus recursos bastante diminuídos depois dos cortes das verbas concedidas pelos EUA, decididas pelo presidente norte-americano. Problemas que a ONU tem pela frente para ajudar o mundo a resolver: a mudança climática, a proliferação das armas nucleares, o respeito dos tratados internacionais com o restabelecimento da paz que as grandes potências não respeitam e os desafios da Inteligência artificial. Rui Martins

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Macau - Bibliotecas públicas já têm 120 mil livros em língua portuguesa

As bibliotecas públicas de Macau tinham um total de aproximadamente 120 mil livros escritos em língua portuguesa até ao fim do ano passado, tendo o volume aumentado cerca de 2% face a 2021, constatou o Instituto Cultural (IC), em resposta ao Jornal Tribuna de Macau. Por outro lado, o IC revelou que, de 2022 ao corrente ano, o Fundo de Desenvolvimento da Cultura subsidiou a publicação de 28 livros e publicações na Língua de Camões, para os quais concedeu apoios financeiros de 1,5 milhões de patacas no total. Já o próprio IC publicou 45 obras em português, entre 2021 e Maio deste ano


Até ao final de 2025, as bibliotecas públicas em Macau acolhiam um total de cerca de 120 mil livros em língua portuguesa, o que representa um acréscimo de aproximadamente 2% em relação a 2021, revelou o Instituto Cultural (IC), numa resposta enviada ao Jornal Tribuna de Macau. Segundo frisou, essas bibliotecas subordinadas ao IC têm enriquecido de forma contínua o acervo, conforme o princípio das “Políticas de Desenvolvimento de Colecções”. Em simultâneo, as bibliotecas públicas disponibilizam diariamente cerca de oito jornais em língua portuguesa para leitura.

Actualmente, a RAEM conta com 16 bibliotecas públicas, sendo que 13 se localizam na Península, duas em Coloane e uma na Taipa. Por outro lado, no antigo Hotel Estoril, está a ser construída a Nova Biblioteca Central de Macau, cuja obra de superestrutura deverá estar concluída em Março de 2028.

De acordo com o Anuário Estatístico referente a 2025, no ano passado, as bibliotecas e salas de leitura públicas em Macau contavam com mais de 2,375 milhões de livros no total. Face ao volume de 2,32 milhões contabilizado em 2021 (indicado no Anuário Estatístico de 2023), houve um aumento de quase 2,4%. Com base nesses dados, no ano transacto, os livros escritos em português representavam 5% do total dos livros nas bibliotecas e salas de leitura públicas no território.

Por outro lado, o IC revelou que, em 2025, as bibliotecas públicas emprestaram cerca de 4100 livros em língua portuguesa a um total de 2400 pessoas/vezes.

Presentemente, existem também livros antigos em formato digital em língua portuguesa, compostos por aproximadamente 280 títulos e 330 volumes, observou o IC. Segundo continuou, no ano passado, houve um total de 17 consultas bibliográficas relacionadas com os respectivos livros digitais.

O IC indicou ainda ter feito 45 publicações em português, entre 2021 e Maio deste ano, englobando, por exemplo, catálogo de exposições, colecção de desenhos de levantamento arquitectónico e informação urbana. A par disso, publica anualmente a Edição Internacional da Revista de Cultura, escrita em inglês e português.

Adicionalmente, lembrou ter publicado, este ano, a versão em língua chinesa dos contos “Mong-Há”, de Henrique de Senna Fernandes, por forma a “ajudar a conhecer a situação real da vida dos portugueses e chineses em Macau no passado”.

Segundo revelou, de 2022 ao presente ano, o Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC) subsidiou a publicação de um total de 28 livros e publicações na Língua de Camões, tendo atribuído apoios financeiros que totalizaram cerca de 1,5 milhões de patacas.

17 milhões para actividades de cultura portuguesa

Noutra esfera, o IC recordou que, nos últimos anos, tem vindo a impulsionar activamente o intercâmbio e a cooperação culturais entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), através da realização de actividades culturais sino-lusófonas. Em paralelo, revelou que, por via do “Plano de Apoio Financeiro para Actividades / Projectos Culturais” e do “Plano de Apoio Financeiro aos Projectos do Património Cultural Intangível”, o FDC apoiou associações locais sem fins lucrativos na realização de 157 actividades culturais relacionadas com a cultura portuguesa, entre 2022 e Maio deste ano, tendo concedido cerca de 17 milhões de patacas em apoios financeiros.

Em relação às actividades culturais sino-lusófonas realizadas pelo IC, o organismo liderado por Leong Wai Man destacou que, em 2025, o “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, que incluiu o Festival da Lusofonia, atraiu a participação de mais de 90 mil pessoas / vezes, com mais de 80 programas, englobando exposição anual de artes, exposição de livros ilustrados, espectáculos na comunidade, festival de cinema, concerto e workshops.

Além disso, mencionou a realização de diversas exposições artísticas e culturais sino-lusófonas, exemplificando com “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância”, “Reflexos das Ligações Marítimas: O Intercâmbio Cultural Sino-Português entre os Séculos XVI e XIX”, bem como “Reflexos do Mar de Espelhos: Exposição de 500 Anos de Intercâmbio entre as Civilizações Chinesa e Ocidental em Macau”, realizada em Abril deste ano em Lisboa. Para o IC, essas actividades “reflectem plenamente o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as culturas chinesa e portuguesa”.

Questionado sobre se planeia lançar novas actividades culturais ligadas à lusofonia no futuro ou se tem intenção de alargar a dimensão das actividades do género existentes, o organismo referiu que “o IC e o FDC irão rever continuamente a eficácia das actividades, integrando e optimizando os projectos existentes, na esperança de, através de actividades diversificadas de intercâmbio cultural sino-lusófono, reforçar os laços humanísticos e artísticos entre a China e os PLP, fazendo com que Macau desempenhe plenamente o papel enquanto ‘Uma Plataforma, Uma Base’, impulsionando o intercâmbio e a cooperação culturais entre a China e os países lusófonos”.

Edição de “Os Livros e a Cidade” mostra quotidiano na Macau de Senna Fernandes

A 43.ª edição de “Os Livros e a Cidade”, publicada pela Biblioteca Pública, está já disponível, informou o Instituto Cultural (IC). Na secção “Fala o Autor”, Iok Lan Fu Barreto, tradutora da obra literária portuguesa de Macau “Mong-Há”, apresenta aos leitores o antigo modo de vida de Macau, retratado por Henrique de Senna Fernandes, recriando o quotidiano das comunidades portuguesa e chinesa da época. Além disso, a secção “Novos Lançamentos” recomenda uma variedade de livros e revistas recentes, incluindo também 10 recensões de livros em chinês, português e inglês, “visando alargar os horizontes e servir de inspiração na escolha de futuras leituras”. O IC indica ainda que esta edição é dedicada ao tema “Leitura Divertida na Comunidade”, apresentando as diversas actividades e serviços oferecidos pela Biblioteca Pública. A secção “Lupa”, por seu turno, destaca os novos recursos electrónicos recentemente disponibilizados e várias exposições de livros de temas específicos que terão lugar no segundo semestre do ano. Estão disponíveis para levantamento gratuito 3.000 exemplares de “Os Livros e a Cidade”, quer em bibliotecas, quer em instituições de ensino superior, na Galeria Tap Seac e em várias livrarias, bem como nos diversos espaços culturais e artísticos da cidade. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Angola - Portugueses apresentam pela primeira vez performance de dança contemporânea “Umbilical – As cordas que comandam a guerra”

O Centro Cultural Português alberga, pela primeira vez em Luanda, na Quinta-Feira, 24, a performance de dança contemporânea “Umbilical – As cordas que comandam a guerra”, montada pelos coreógrafos portugueses Amélia Caldas e David Amado. Na apresentação, segundo a organização, as cordas comandam a guerra, numa instalação performativa criada no âmbito de uma residência artística a decorrer ao longo desta semana


A direcção artística do projecto de dança contemporânea é formada pelos portugueses, Magna Araújo Amorim, Tiago Bastos Nunes e António Bernardes de Sá. Para a exibição da performance, Magna Araújo Amorim garantiu ao Jornal O País que farão a apresentação de uma instalação de dança sobre cordas, que unem os conflitos e como os movimentos dos corpos influenciam-se uns aos outros, numa guerra, com base na história de um determinado povo.

“O Umbilical vai exibir a dança contemporânea. Fizemos um primeiro teste em Lisboa, com cerca de 15 padrinhos e vimos que podia se adaptar a diferentes territórios, com diferentes bailarinos locais, porque cada país tem uma história e uma questão de conflitos. Angola é muito próxima a nós, então decidimos fazer uma apresentação com bailarinos angolanos”, disse.

Ladeada dos outros directores artísticos, que conhecem o solo angolano pela primeira vez, Magna Amorim recordou a estreia da apresentação do projecto, definindo-a por uma espécie de ensaio aberto, com a coreógrafa Amélia Caldas, não propriamente uma performance.

No momento em que abordava sobre o “Umbilical- As cordas que comandam a guerra” com a equipa deste jornal nas instalações do Centro Cultural Português, a integrante da direcção artística reiterou que a coreógrafa Amélia Caldas estava a preparar os bailarinos num outro espaço.

Questionada sobre a possibilidade de se adaptar estilos de danças angolanas à performance, Magna Amorim salientou que “os bailarinos angolanos podem trazer um pouco de si para a coreografia”. Francisca Gonga – Angola in “O País”


Japão - Mostra em Tóquio celebra o cinema português contemporâneo

O Athénée Français Cultural Center, em Tóquio, recebe, entre 29 de setembro e 3 de outubro, uma mostra dedicada ao cinema português contemporâneo, com a presença da realizadora Leonor Teles


Entre os nomes em destaque está Leonor Teles, vencedora do Urso de Ouro para Melhor Curta-Metragem no Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2016, com “Balada de um Batráquio”. Aos 24 anos, tornou-se a mais jovem realizadora de sempre a receber esta distinção.

A programação inclui também “Mal Viver”, de João Canijo, filme vencedor do Urso de Prata na competição de longas-metragens do Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2023, bem como “Fuck the polis”, a obra mais recente de Rita Azevedo Gomes.

Integra ainda a mostra “Água-Mãe”, da dupla Hitoatsu Suzuki e Rossana Torres, cineastas que desenvolvem o seu trabalho em Portugal.

Leonor Teles estará presente no certame, onde partilhará com o público a sua experiência enquanto realizadora e também como diretora de fotografia de “Mal Viver”, de João Canijo, que morreu recentemente.

A mostra assinala igualmente a primeira vez que filmes de Leonor Teles e João Canijo são exibidos nas salas de cinema do Japão. A iniciativa conta com o apoio do Camões, I. P.. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo