Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Macau - Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento deu oportunidades de estágio a centenas de quadros bilingues

O IPIM assegura que tem promovido o desenvolvimento de quadros bilingues chinês-português, tendo proporcionado, nos últimos cinco anos, oportunidades de estágio a centenas de quadros no IPIM ou nas actividades de MICE que organiza. Além disso, gerindo uma base de dados onde se registam mais de 2200 quadros chinês-português (10% são locais), o IPIM revelou que, através dos serviços de conjugação online, foram concretizados 80 emparelhamentos de emprego para quadros bilingues no último ano, envolvendo áreas como a tradução. Por outro lado, os serviços da Conduta do Comércio China-PLP receberam 200 novos projectos entre Janeiro e Maio deste ano


Com recursos a “canais diversificados”, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) tem proporcionado oportunidades de estágio para quadros que dominam a língua portuguesa, tendo oferecido oportunidades de estágio a “centenas” de quadros bilingues chinês-português nos últimos cinco anos, revelou o organismo ao Jornal Tribuna de Macau, sem especificar um número concreto.

Segundo indicou, uma das acções passa por coordenar instituições de ensino superior locais para levar alunos provenientes dos países de língua portuguesa (PLP) a estagiarem no IPIM, “para que experimentem presencialmente o funcionamento da plataforma sino-lusófona, conhecendo a situação dos intercâmbios económicos e comerciais entre a China e os PLP”.

A par disso, o IPIM salientou que costuma convidar, nas convenções e exposições económicas e comerciais de grande escala que organiza, quadros que dominam a língua de Camões de instituições de ensino superior a participar nos trabalhos relacionados com convenções e exposições (MICE), tradução, atendimento e conjugações.

Em paralelo, o organismo continua a gerir o “Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, onde criou uma “Base de Dados de Profissionais Qualificados em Chinês e Português” e uma rede de serviços de conjugação online, com foco no desenvolvimento de talentos bilingues chinês-português, referiu o IPIM.

Actualmente, mais de 2200 quadros chinês-português estão registados nessa Base de Dados, sendo profissionais dedicados às áreas como a tradução (51,23%, 727 pessoas), Direito (3,24%, 46 pessoas), finanças (3,6%, 51 pessoas) e MICE (3,52%, 50 pessoas). Em concreto, a maioria é oriunda do Interior da China (1827 pessoas) ou dos nove países lusófonos (incluindo 32 talentos portugueses e 107 brasileiros), representando os talentos da RAEM cerca de 10% do total (211 pessoas).

Questionado sobre o número de casos bem-sucedidos através das conjugações online de emprego que tem promovido, o IPIM revelou que, no último ano, foram concretizadas mais de 80 acções de emparelhamento, tendo sido conjugadas com sucesso as necessidades tanto do lado da oferta como da procura em áreas como a tradução. Quanto ao tempo médio necessário entre o registo do talento e o sucesso na conjugação, o organismo disse que não existe uma periodicidade fixa, uma vez que o processo é influenciado por uma combinação de factores, como os requisitos da vaga, o ritmo de recrutamento da empresa e a disponibilidade dos próprios talentos.

Segundo recordou, ao longo do último ano, a equipa do Portal, além de ter publicado “recomendações para bons empregos” nas redes sociais, realizou a “LusoPartilha – Sessão de Partilha com Empresas e Sectores” na Universidade de Macau e na Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, onde convidou representantes empresariais a apresentar a procura de talentos nos respectivos sectores, tendo as empresas realizado ainda o recrutamento de quadros durante as sessões. Depois de ter recolhido a procura de extensão derivada dessas actividades, a equipa organizou entrevistas online e offline, para ajudar a conjugação de empresas com os quadros chinês-português que reúnam os requisitos, acrescentou.

“Baseado continuamente no posicionamento de Macau como ‘Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os PLP’, o IPIM tem promovido os trabalhos de desenvolvimento de quadros bilingues e de optimização dos serviços económicos e comerciais ao mesmo tempo”, enfatiza o organismo liderado por Alex Che.

Conduta do Comércio China-PLP com mais de 200 novos projectos

Por outro lado, em termos dos serviços económicos e comerciais, a este jornal, o IPIM revelou que, nos primeiros cinco meses deste ano, os serviços da Conduta do Comércio China-PLP receberam mais de 200 novos projectos.

A Conduta do Comércio China-PLP é um serviço de apoio do IPIM vocacionado para ajudar as empresas dos PLP na exploração dos mercados do Interior da China, além de apoiar as empresas da China Continental, de Macau e de outras regiões interessadas em desenvolver os respectivos negócios nos países lusófonos. Os serviços abrangem “apoio em todo o processo”, incluindo alinhamento de projectos, consultoria de mercado e emparelhamento comercial, segundo o IPIM.

Até ao momento, esses serviços contribuíram para promover o estabelecimento de bases de produção no Brasil e em Angola por empresas que fazem parte das 500 maiores empresas da China, bem como a aquisição de matérias-primas brasileiras por empresas entre as 10 principais empresas de cereais e óleos da China, constatou o organismo.

Segundo descreveu, os utilizadores dos serviços são principalmente provenientes do Interior da China, da RAEM e dos nove países lusófonos, sendo que os de Portugal e do Brasil representam cerca de 10% cada.

Duas marcas portuguesas elegíveis para abrir “primeira loja”

Ademais, sobre o “Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau”, na primeira fase, houve 20 candidaturas que cumprem os objectivos e requisitos preliminares, sendo as marcas interessadas provenientes do Interior da China, da RAEHK, de Taiwan e de Portugal. A este jornal, o IPIM adiantou que duas marcas são de Portugal.

Além de marcas dos sectores tradicionais, como restauração e retalho, registam-se marcas de novos modelos de negócio com elementos tecnológicos, por exemplo, jogos interactivos e sensoriais e centros de experiência de produtos, reitera o organismo.

Em relação à segunda fase de candidaturas, que decorreu até 31 de Julho deste ano, o IPIM afirmou que irá proceder, de acordo com o mecanismo estabelecido, à apreciação dos pedidos através do Comité de Investimentos, para verificação das marcas, e avaliar, de forma abrangente, a capacidade orçamental e o interesse público, entre outros factores, sendo as informações relativas à 2.ª fase do “Plano” divulgadas ao público em tempo oportuno.

De um modo geral, observou que, desde o lançamento, o “Plano” tem recebido “respostas activas” por parte de marcas tanto nacionais como internacionais. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Turquia - Fernando Ribeiro, dos Moonspell, apresenta novo livro de poesia

Fernando Ribeiro, músico e fundador dos Moonspell, vai estar no auditório da Universidade Nişantaşı, em Istambul, na Turquia, no dia 18 de setembro, para participar no Career Talk do Bosphorus Music Conference


O encontro terá lugar no auditório da Universidade Nişantaşı e será dedicado ao percurso artístico do músico português e ao seu novo livro de poesia, Purgatorial, que será publicado em breve na Turquia.

Reconhecido sobretudo como vocalista e principal figura dos Moonspell, Fernando Ribeiro mantém também, há mais de três décadas, uma ligação à literatura e à poesia. Purgatorial reúne textos que exploram algumas das imagens, inquietações e atmosferas presentes no universo artístico do músico.

A participação no Bosphorus Music Conference permitirá ao público turco conhecer uma dimensão menos conhecida do percurso de Fernando Ribeiro, num encontro que pretende aproximar a música e a literatura através da carreira e da criação artística do português.

A presença do músico em Istambul conta com o apoio da embaixada de Portugal na Turquia e do Camões, I.P.

No dia seguinte, 19 de setembro, os Moonspell atuam na quinta edição do Bosphorus Open Air Metal Fest, considerado o mais importante festival de música metal da Turquia e uma presença cada vez mais consolidada no circuito europeu dedicado ao género. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Timor-Leste - Portugal apoia formação de professores de português

A embaixada de Portugal em Díli recebe, durante os meses de agosto e setembro, um ciclo de formação destinado a professores de português timorenses


A iniciativa é promovida pelo Ministério do Ensino Superior, com a colaboração da embaixada de Portugal, que disponibiliza o espaço do Centro Cultural para a realização da formação.

O programa aborda dois temas relacionados com o ensino da língua portuguesa: “Ensino de Língua Portuguesa em tempos digitais” e “Avaliação do ensino da Língua Portuguesa”.

A formação pretende assim proporcionar aos professores participantes um espaço de aprendizagem e reflexão sobre diferentes desafios associados ao ensino e à avaliação da língua portuguesa, incluindo o impacto das novas ferramentas digitais.

O embaixador de Portugal em Timor-Leste esteve presente na sessão de abertura da iniciativa, tendo desejado a todos os participantes um bom trabalho ao longo do ciclo de formação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


China - Um departamento de língua curda foi inaugurado na Universidade de Pequim

China – Um departamento de língua curda acaba de ser inaugurado na Universidade de Pequim, capital da China, como parte de uma estreita cooperação com a Universidade Salahaddin em Erbil. Este novo programa oferecerá instrução nos dialetos sorani e kurmanji.

Num comunicado divulgado na terça-feira, 18 de agosto, a Universidade Salahaddin, em Erbil, anunciou ser a principal coordenadora e parceira na abertura do departamento de língua curda na Universidade de Pequim, na China. "A Universidade Salahaddin, em Erbil, é a principal coordenadora e parceira na abertura do departamento de língua curda na Universidade de Pequim, na China", especifica o comunicado.

Questionado pela Rudaw, o porta-voz da universidade, Saman Abdullah, indicou que o departamento tem como público-alvo principal estudantes chineses. "O departamento receberá os seus primeiros alunos este ano. Inicialmente, está prevista uma cota de 10 a 20 alunos ", afirmou.

Segundo ele, esta iniciativa constituirá "uma ponte entre a região do Curdistão e a China". Ela fortalecerá os laços académicos e culturais entre as duas regiões.

Sobre o programa, Saman Abdullah explicou: “Os alunos admitidos no programa de língua curda na China estudarão sorani durante os três primeiros anos dos seus estudos e, em seguida, kurmanji no quarto e último ano. O nosso principal objetivo é garantir que os alunos formados tenham um domínio completo dos diferentes dialetos e da riqueza da língua curda.”

Vale destacar que a Universidade Salahaddin, em Erbil, abriga o único departamento de língua chinesa do Iraque e da Região do Curdistão. Atualmente, conta com 100 alunos matriculados e formará a sua terceira turma este ano.

Esta cooperação bilíngue ilustra o desenvolvimento das trocas académicas entre Erbil e Pequim. In “kurdistan au feminin” - França


República Democrática do Congo - Expansão do vírus ébola ameaça atravessar fronteiras

Três meses após o alerta de emergência internacional, a epidemia da variante bundibugyo acelera e cruza fronteiras congolesas rumo a novos países, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde relata uma velocidade sem precedentes


O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, discursou durante a 2.ª reunião do Comité de Emergência, realçando o registo de quase 5 mil pessoas infectadas por ébola e mais de 2,3 mil mortos em seis províncias e 55 zonas de saúde na República Democrática do Congo.

Uma das prioridades das autoridades neste surto é conter a escalada das infecções a nível internacional e mitigar a ameaça iminente de colapso sanitário nas fronteiras. Teme-se, sobretudo, que o risco transfronteiriço provoque um alastramento de casos na vizinha República Centro-Africana.

Expansão geográfica do surto

O país enfrenta forte insegurança devido ao deslocamento populacional e ao intenso movimento comercial e de mineração ao longo de estradas e rios. O perigo de o vírus atravessar as fronteiras centro-africanas é uma preocupação constante.

A expansão geográfica do surto para as províncias do norte da RD Congo, como Tshopo e Haut-Uélé, também é motivo de temor pois a crise de saúde irá sobrepor-se a graves desafios humanitários já existentes.

A introdução da variante bundibugyo num cenário de extrema fragilidade poderia desencadear uma catástrofe regional.

No Uganda, a contaminação resultou em 20 casos e duas mortes. Embora o governo ugandense tenha sido elogiado pela resposta decisiva que travou à transmissão local rápida, o nível de alerta permanece máximo.

Controlar a epidemia congolesa

A situação na França contraria a percepção de que o surto estaria restrito ao continente africano. No mês passado, um viajante infectado transportou o vírus para o país europeu, o que reforça que as fronteiras “podem atrasar a resposta, mas não impedem a circulação de um vírus”.

A OMS realçou a transmissão oculta nas comunidades e as complexas dificuldades de controlar a epidemia em território congolês.

O vírus teve um forte avanço inicial, forçando as equipas médicas a atuarem de forma reativa para conter os estragos.

O padrão de casos fatais é o que mais assusta as autoridades: pessoas estão a morrer em casa, nas suas próprias comunidades, à margem dos centros de tratamento e fora das listas de contatos conhecidos.

Ensaios clínicos em humanos

Cada um dos óbitos registados representa uma cadeia de transmissão oculta. Segundo o chefe da OMS, enquanto cada elo dessa cadeia não for rastreado e interrompido, a epidemia continuará o seu avanço arrasador.

Sob a liderança do Governo da RD Congo, em parceria com a agência da ONU e o Centro de Controlo de Doenças da África, todas as frentes de resposta estão sendo ampliadas.

Pela primeira vez, duas vacinas foram desenvolvidas especificamente contra o vírus bundibugyo e avançaram para ensaios clínicos em humanos.

Os esforços incluem uma terceira vacina que demonstrou proteção cruzada em testes com animais e avançou diretamente para um ensaio de Fase 3. Além disso, o ensaio de tratamentos terapêuticos apoiado pela OMS já cadastrou os seus primeiros 100 pacientes.

Financiamento sustentado e reforço da segurança

Para agilizar o progresso, a agência da ONU fez um apelo urgente pelo compartilhamento rápido de dados, financiamento sustentado e reforço da segurança e coordenação transfronteiriça com a República Centro-Africana e o Uganda.

Por fim, o diretor-geral fez um apelo para que o mundo não se esqueça de que o ébola é apenas uma das muitas provações enfrentadas pela população da RD Congo e dos países vizinhos.

Mortalidade materna, malária, cólera, doenças diarreicas e pneumonia continuam a ceifar vidas. É essencial que a grande mobilização contra o atual surto não interrompa o acesso rotineiro a outros serviços essenciais de saúde. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 18 de agosto de 2026

Centro de Estudos Internacionais Iscte - Relatório da Democracia 2026: Desvendar a Era Democrática?

O CEI-Iscte disponibiliza a versão portuguesa do Relatório da Democracia 2026: Desvendar a Era Democrática?, publicado pelo Varieties of Democracy Institute (V-Dem).


Enquanto membro da rede internacional V-Dem (Varieties of Democracy), o CEI-Iscte assegura a tradução e divulgação desta publicação, contribuindo para tornar acessível ao público uma das mais importantes análises internacionais sobre o estado da democracia no mundo.

A edição de 2026 examina as principais tendências globais da democracia, recorrendo à base de dados V-Dem, reconhecida como uma das mais abrangentes fontes de informação comparada sobre regimes políticos e qualidade democrática.

A versão portuguesa inclui um artigo dedicado ao caso português, da autoria de por Tiago Fernandes (CEI-Iscte) e Sara Pina (U.Lusófona). Com base nos indicadores da V-Dem, a análise aborda a evolução recente da democracia em Portugal, explorando temas como a polarização política, a qualidade da deliberação democrática e as dinâmicas de mobilização em torno da democracia e da autocratização.

Os resultados evidenciam desafios relevantes para a democracia portuguesa, mas também destacam a importância da sociedade civil e da resiliência das instituições democráticas perante as transformações do contexto político contemporâneo.

Aceda ao relatório

Internacional - Brasileiro viajou sete meses em estradas de 30 países africanos

O brasileiro Anderson Araújo relatou à Lusa o seu percurso por África, durante sete meses, onde atravessou 30 países ao volante de um Toyota Land Cruiser, num roteiro que começou em Angola e terminou em Portugal.


A viagem, com uma distância estimada de cerca de 42.000 quilómetros, que tinha uma previsão de três meses e se prolongou por mais quatro, não tinha um itinerário definido nem um número de países estabelecido, apenas a intenção de percorrer os caminhos menos conhecidos e de ir descobrindo as histórias e culturas dos povos ao longo do caminho.

“A ideia era simplesmente viajar e, eventualmente, dar a volta ao mundo”, diz Anderson Araújo, de 42 anos, que trabalha entre Portugal e Angola.

O gestor de projectos comprou, em 2019, um Toyota Land Cruiser 78 – um veículo muito comum em África, segundo explicou – depois de abandonar a ideia inicial de fazer a viagem de mota. O carro, de 2006, acabou por se tornar a sua casa durante grande parte do percurso e atravessou com ele cerca de 30 países do continente africano, com paisagens tão díspares que vão desde selvas densas ao deserto do Sahara.

Do automóvel observou os céus estrelados do continente, pores-do-sol cujas cores são indescritíveis, viu manadas de animais a correr parques selvagens à noite e fez do pouco que tinha o seu maior conforto “do lar”.

Na primeira fase da viagem passou pelas nações mais austrais e orientais.

Entre safaris, praias e montanhas, uma das experiências que mais o marcou aconteceu no Quénia, onde explorou uma cratera vulcânica e acabou por se perder com o guia que o acompanhava. “Estávamos perdidos, mas a situação estava sob controlo”, conta, explicando que o momento acabou por se transformar numa “experiência aleatória e fantástica”.

Outro momento que destaca foi a passagem pelo Burundi, um dos países mais pobres do mundo, que o surpreendeu pelo acolhimento das pessoas, sempre dispostas a ajudar.

A segunda etapa da viagem foi a África Central e Ocidental. Foi também nesta fase que surgiram alguns dos momentos mais difíceis, particularmente por ter apanhado malária no Senegal e ter sofrido uma tentativa de assalto na Nigéria, em Lagos.

Do Senegal – nação vizinha da Guiné-Bissau – seguiu-se outra etapa muito complicada, quando o objectivo era rumar ao norte de África e, posteriormente, à Europa. Daqui, teve o seu visto negado 10 vezes para a Mauritânia, sendo que, para si, seguir a viagem pelo Mali – país em conflito com grupos terroristas – não seria opção e, por isso, as alternativas começavam a escassear.

Quando finalmente conseguiu entrar na Mauritânia, atravessou parte do Sahara e pôde percorrer o famoso caminho dos vagões de minério de ferro. Uma experiência ilegal, mas que, nas suas palavras, é “turisticamente permitida”. São cerca de 12 horas num vagão cheio de ferro, sob um sol abrasador e uma sensação térmica de perto de 50 graus Celsius.

Da Mauritânia seguiu para Marrocos e, posteriormente, atravessou o Estreito de Gibraltar em direcção à Europa.

Apesar dos percalços que teve pelo caminho, o veículo não sofreu avarias graves. Teve um pneu furado e precisou de trocar um radiador, mas nunca ficou parado na estrada durante os cerca de 42.000 quilómetros.

“Eu acho que eu tenho mais sorte do que juízo”, afirma, lembrando que, quando começou a viagem, nem sequer sabia trocar um pneu e, para dificultar, o único idioma que domina é o português.

Ao longo da viagem, não sentiu dificuldades em abastecer o veículo, mas explicou que geriu os seus recursos e abastecia mais em países com combustíveis mais baratos.

Questionado sobre o impacto desta viagem na sua vida, diz que ainda não “assimilou bem a experiência” e que esta foi apenas a conclusão de uma etapa que, assim que possível, será retomada a partir da Europa.

Em termos de aprendizagens, destaca que os países são mais do que os preconceitos que, por vezes, lhes são incutidos e que pode haver surpresas.

“Há mais pessoas para ajudar do que para atrapalhar pelo caminho”, conclui. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”