Nos últimos anos, o Fórum de Macau tem procurado promover o intercâmbio cultural sino-lusófono e a difusão da Língua de Camões, com destaque para a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa e as acções de formação de quadros lusófonos, que já produziram frutos como o aumento do conhecimento e do interesse do público sobre as culturas lusófonas e a elevação do nível do Português entre os jovens de Macau, considera o Secretariado Permanente do organismo. Ao Jornal Tribuna de Macau, o Secretariado garante que continuará a “criar ainda mais condições favoráveis” à formação de quadros bilingues e à difusão das culturas de língua portuguesa
Criado
em Outubro de 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a
China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), vulgo Fórum de Macau, tem-se
dedicado, além das conferências ministeriais e da consolidação do intercâmbio
económico e comercial entre os dois blocos, às esferas do “intercâmbio
cultural” e “educação e formação”, designadamente através da Semana Cultural da
China e dos Países de Língua Portuguesa.
Numa
resposta a questões formuladas pelo Jornal Tribuna de Macau, o Secretariado
Permanente do Fórum sublinha que, nos últimos cinco anos, a Semana Cultural tem
evidenciado uma tendência de crescimento contínuo em termos do número de
participantes e uma “expansão drástica da influência”, especialmente graças à
adopção de um modelo de realização trans-regional do evento a partir de 2025.
Isso “reflecte que a actividade possui atractividade e potencial de
desenvolvimento fortes”, entende o Fórum, destacando também o “reconhecido
papel” da Semana Cultural para a promoção da língua portuguesa.
O
organismo considera que esse evento anual, que já acumulou 18 edições, tem sido
“eficaz” no aumento do conhecimento e do interesse do público sobre as culturas
dos países de língua portuguesa (PLP), numa “atmosfera cultural relaxante”.
Ao
expandir-se para mais cidades do Interior da China, a Semana Cultural
contribuiu para fomentar potenciais aprendentes e utilizadores da Língua de
Camões, atraindo sobretudo mais jovens. O Fórum mostra-se convicto que, a longo
prazo, o evento continuará a contribuir para a expansão gradual do grupo de
aprendentes da língua portuguesa, “desempenhando um papel promotor duradouro
para a formação de quadros bilingues em Chinês e Português” e também uma função
“positiva” para a difusão linguística.
Olhando
para o futuro, o Fórum promete optimizar o conteúdo das actividades integradas
na Semana Cultural e as formas de realização, com o objectivo de “aproveitar
ainda mais as vantagens de Macau como plataforma sino-lusófona”. Desse modo,
sustenta, será possível “promover a formação e concentração de mais quadros
altamente qualificados para a cooperação económica e comercial e o intercâmbio
humanístico entre a China e os PLP”.
Em
2021 e 2022, sob o impacto da pandemia, a Semana Cultural adoptou actividades online
e offline, tendo atraído mais de 35 mil visualizações online e
cerca de 3000 participantes presenciais, por cada edição. Em 2023 e 2024, com o
regresso da sociedade à normalidade, a dimensão de participantes presenciais
voltou para cerca de 30 mil pessoas/vezes, segundo dados do Fórum.
Em
2025, pela primeira vez, o evento foi repartido por Macau, Pequim e Zhongshan,
modelo inovador que contribuiu para um total de 138 mil participantes,
incluindo mais de 115 mil nas actividades offline. Ao mesmo tempo, 23
mil pessoas assistiram às transmissões em directo das actividades pertinentes,
o que “ilustra uma expansão notória da escala de participação”.
Quanto
a 2026, as estatísticas preliminares indicam que o evento atraiu cerca de 6700
espectadores presenciais e 250 mil das transmissões em directo. Além disso,
pelo menos 200 mil leram notícias e reportagens sobre o evento.
A este
jornal, o organismo acentua que continuará a aproveitar as vantagens de Macau
enquanto plataforma e a ter como base os trabalhos existentes, para “aprofundar
continuamente os trabalhos de promoção do Português e de formação de quadros,
explorando activamente modelos de promoção mais diversificados, no sentido de
criar ainda mais condições favoráveis à formação de quadros bilingues
Chinês-Português e à difusão das culturas de língua portuguesa”.
63 colóquios de formação para
1600 lusófonos
Por
outro lado, desde a sua criação, em 2011, o Centro de Formação do Fórum de
Macau tem vindo a fomentar a cooperação sino-lusófona na área dos recursos
humanos. Até à primeira metade deste ano, o Centro já realizou 63 colóquios de
formação (incluindo seis online), tendo convidado, no total, mais de 1600
formandos para intercâmbios em Macau, principalmente direccionados a dirigentes
governamentais, pessoal técnico ou quadros superiores de algumas instituições,
oriundos dos nove países lusófonos.
As
áreas de formação incluem administração pública, economia e comércio, finanças,
saúde, educação, entre diversos domínios. Ao mesmo tempo que oferece formação a
oficiais governamentais lusófonos e os leva a “participar em várias actividades
económicas e comerciais de relevo no Interior da China e em Macau”, e em
visitas a províncias e cidades do Continente chinês, o Centro de Formação tem
convidado instituições de ensino superior de Macau para a organização das
respectivas acções de formação. Assim, “aproveitou as vantagens educacionais da
RAEM e fomentou uma atmosfera propícia para os jovens locais contactarem com o
Português e conhecerem culturas dos países lusófonos”.
Embora
não tenha estatísticas concretos sobre o número de alunos, jovens e professores
locais envolvidos anualmente nos colóquios de formação, o Fórum constata que,
no âmbito desses programas, jovens locais puderam participar em actividades
económicas e comerciais e visitas no Continente chinês e na RAEM. Envolveram-se
nessas iniciativas como voluntários, tradutores presenciais ou guias, e
utilizaram o Português em cenários reais de trabalho.
“Através
do intercâmbio e da partilha de experiências com profissionais de diversas
áreas dos PLP, conseguiu elevar-se o nível da língua portuguesa de jovens de
Macau num ambiente imersivo, com alargamento da sua visão internacional” e, em
paralelo, “aprofundou-se o seu conhecimento sobre culturas de diferentes países
lusófonos”, conclui o Fórum, asseverando que os jovens locais “demonstraram
grande entusiasmo” nessas actividades e têm dado um “feedback positivo”.
De um modo geral, acredita que os colóquios de formação e outras actividades
assumem um “papel promotor positivo” no crescimento dos jovens de Macau.
Acções “a múltiplos níveis”
Por
outro lado, o Fórum realça que, ao longo da última meia década, um dos reflexos
do seu empenho em aproveitar as funções abrangentes da RAEM enquanto plataforma
de serviço para a cooperação comercial entre a China e os PLP assenta na
“promoção activa a múltiplos níveis” dos trabalhos relacionados com a
divulgação da língua portuguesa e a formação de talentos, tanto a nível
académico como no que respeita ao intercâmbio cultural, à tradução de obras
literárias e à participação juvenil.
Por
outro lado, o Fórum frisa que tem apoiado instituições no estabelecimento de
plataformas de investigação focadas na cooperação sino-lusófona. A título de
exemplo, menciona o apoio ao Instituto de Gestão de Macau para a criação da
“Aliança de Estudos da Cooperação China-Países de Língua Portuguesa” em 2025,
que perspectiva a integração de recursos de investigação locais, mobilizando
instituições de ensino superior, centros de reflexão, especialistas e forças de
diversos sectores do Interior da China e dos PLP, para promover conjuntamente o
desenvolvimento da plataforma sino-lusófona e o aprofundamento da investigação
nas áreas relevantes.
O
Fórum salienta também que tem impulsionado activamente trabalhos de tradução e
publicação de obras literárias de autores lusófonos, incluindo de escritores
angolanos para chinês. Iniciativas desse género ofereceram a mais leitores
chineses a oportunidade de conhecer e compreender a criação literária nos
países lusófonos, contribuindo assim para promover, a um nível mais amplo, o
intercâmbio cultural e a promoção linguística, enfatiza.
Paralelamente,
o Fórum aponta para o apoio concedido a actividades de inovação vocacionadas
para jovens, tal como o “Concurso de Vídeos Curtos para Jovens da China e dos
Países de Língua Portuguesa 2026”, para estimular o interesse e entusiasmo pelo
universo cultural lusófono. Ademais, tem recorrido a “variadas exposições e
convenções económicas e comerciais” e “actividades de divulgação”, por forma a
proporcionar uma “janela de exibição” para as culturas lusófonas ao promover a
cooperação económica e comercial. In “Jornal
Tribuna de Macau” - Macau






