Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Cabo Verde - V volume de “Mulheres e Seus Destinos” lançado sexta-feira na cidade da Praia com foco nas vítimas das cheias do Tarrafal

Cidade da Praia – O V volume da antologia “Mulheres e Seus Destinos”, intitulado Chuvas de Lágrimas: Poemas de Dor e Resiliência, será lançado sexta-feira, 29, na cidade da Praia, numa edição inspirada nas cheias que devastaram o Tarrafal.


A informação foi avançada pela mentora e coordenadora do projecto, Lena Marçal, em entrevista à Inforpress, ao destacar que esta edição reúne poemas marcados pela dor, perda e resiliência das populações afectadas pelas enxurradas.

Segundo aquela responsável, a obra nasceu depois de ter presenciado de perto os estragos provocados pelas cheias no Tarrafal, experiência que descreveu como “uma tristeza enorme”.

“Vi casas destruídas, ruas cobertas de lama e pessoas que perderam praticamente tudo. Senti necessidade de transformar essa realidade em poesia”, afirmou.

A coordenadora explicou que, pela primeira vez, a antologia apresenta um subtítulo temático, diferenciando-se dos quatro volumes anteriores da colectânea “Mulheres e Seus Destinos”.

O livro conta com 123 participantes, entre os quais 106 mulheres e 17 homens, reunindo textos sobre as vivências das famílias afectadas, os pescadores, as mulheres, as praias e a identidade cultural do Tarrafal.

Alguns poemas retratam igualmente os impactos da tempestade Erin na ilha de São Vicente.

Lena Marçal considerou, por outro lado, que a forte adesão feminina demonstra o crescimento da presença das mulheres no universo literário cabo-verdiano, embora reconheça que a participação masculina continua reduzida.

Além da vertente literária, a coordenadora destacou o carácter social do projecto, lembrando que as receitas da venda dos livros revertem integralmente para o Gabinete de Acção Social da Câmara Municipal do Tarrafal.

“É um projecto de cariz social que procura despertar nas pessoas o sentido de responsabilidade social”, sublinhou.

Aquela responsável revelou ainda que as diferentes edições da antologia já permitiram apoiar associações e causas sociais com valores próximos de um milhão de escudos.

Lena Marçal apelou à participação do público e incentivou os presentes a adquirirem pelo menos um exemplar da obra em apoio às famílias e causas sociais beneficiadas pelo projecto. In “Inforpress” – Cabo Verde


Moçambique - Severino Ngoenha lança “Mementos de Moçambique”

Severino Ngoenha diz que Moçambique é uma “Grande Selva” seca, e por qualquer rastilho pode pegar fogo. Segundo o académico e Reitor da Universidade Técnica de Moçambique, a reconciliação no país deve incluir a África do Sul, potência regional que subjuga a economia nacional.


Através de Mementos de Moçambique, Severino Ngoenha uma das mentes panafricanistas da actualidade, traz à memória e problematiza conflitos e caminhos de reconciliação em Moçambique. Usa metáfora de um guarda chuva que, em princípio, devia cobrir todos os moçambicanos, mas por alguns motivos, uma parte, aliás, boa parte, continua fora da sombra e está susceptível a inundações sempre que chove ou que a seca sempre faz temperaturas altas.

Ngoenha regressa às negociações dos acordos de Roma e encontra Joaquim Chissano, Presidente da República e da Frelimo, abraçando Afonso Dhlakama, Presidente da Renamo,  marcando o fim do conflito que durou 16 anos. Cerca de 35 anos depois, Ngoenha aponta o dedo aos beligerantes e acusa-os de derrotados.

Mementos de Moçambique foi apresentado por Ernesto Maguengue e Luís Bernardo Honwana. Os apresentadores chamaram Severino Ngoenha de profeta secular. In “O País” - Moçambique


Moçambique – Ministério da Educação proíbe uso de livro gratuito em escolas particulares

É proibida a venda e uso de livros escolares de distribuição gratuita em escolas privadas, no país. O Ministério da Educação diz que as escolas que desobedecerem a ordem serão responsabilizadas criminalmente.


A medida entrou em vigor através de um despacho do dia 07 deste mês. O Ministério da Educação diz ter constatado que há alunos de escolas privadas a usar livros escolares destinados à distribuição gratuita no ensino primário público no país.

“A aquisição desses livros tem como base levantamento estatístico. Se há algum livro que está a circular fora do circuito normal, é crível que algum aluno dentro das nossas estatísticas não tenha o livro. Acontece o mesmo com relação aos alunos que frequentam as escolas particulares, que, em princípio, não estão abrangidos pela distribuição gratuita. Entretanto, aparecem alguns com este manual, daí o Ministério da Educação e Cultura ter exarado um despacho que orienta para a não utilização nessas escolas do livro de distribuição gratuita”, explicou Silvestre Dava, porta-voz do Ministério da Educação.

O despacho obriga gestores de escolas privadas a impedir a entrada, circulação e uso dos manuais gratuitos. Em alternativa, os pais e encarregados de educação, com filhos em escolas particulares, devem adquirir os livros nas editoras e livrarias credenciadas para o efeito.

“E a diferença é que este a venda não tem a etiqueta de distribuição gratuita e venda proibida”, esclareceu.

De acordo com o porta-voz do Ministério da educação há equipas de fiscalização ordenadas a recolher os manuais nas escolas onde se acharem. “Depois disso, vai ser produzido um relatório conjunto entre a inspeção da educação e a inspeção de actividades económicas. Então, depois de termos o relatório, poderemos dizer, com propriedade, quantos livros estavam nas mãos de alunos de escolas particulares e outros no mercado paralelo”.

A venda ilegal de livros escolares de distribuição gratuita não é recente. O Ministério da Educação diz estar a trabalhar para responsabilizar quem pratica este crime. In “O País” - Moçambique


Brasil - Mulheres de esquerda nos canais Youtube

Este texto não é exatamente um comentário, mas nasceu de uma curiosidade: depois de ter acompanhado alguns canais do Youtube dirigidos por mulheres politicamente de esquerda, eu quis saber se esses vídeos tinham muitas visualizações e inscritos. Fiquei sabendo e houve também muitas surpresas.

Assim, lancei na Internet o tema - vídeos feitos por mulheres de esquerda no Youtube - e logo surgiram diversas informações, entre as quais a mais precisa vinha pelo Instagram do canal "mídialivreoficial", me exibindo uma lista atualizada dos maiores canais de esquerda do Youtube. Bastava ir separando os canais de direção feminina.

Minha surpresa foi a de constatar ser da jornalista, Ana Lesnovski, doutora em Comunicação, o canal com maior número de inscritos, num total de 1,78 milhão. Meteoro Brasil foi criado em abril de 2017 com o objetivo de divulgar cultura pop, política, ciência e jornalismo. Nessa época e até 2024, o canal pertencia ao casal Ana Lesnovski e Álvaro Borba. Com a separação do casal, comentada aqui no OI, Ana herdou o canal Meteoro e passou a contar com a participação da jornalista Sophia La Banca, passando a se dedicar apenas aos comentários políticos e entrevistas.

Na sétima posição dos maiores e mais vistos vem o canal de Rita von Hunty, com o título de Tempero Drag, que eu ainda não conhecia e me apressei a visitar e me inscrever. Na verdade, Rita não existe, é uma "persona" criada e vivida por Guilherme Terreri Lima Pereira, drag queen, formado em arte cênica, ator, Youtuber. O sucesso de Rita von Hunty é espetacular porque a soma de seus seguidores, nos canais em diversas redes, ultrapassa 3 milhões. O canal Tempero Drag tinha por objetivo tratar de veganismo, mas hoje Rita discorre com bastante verve, na sua excelente e rápida expressão oral, sobre marxismo, política, ecologia, LGBTQIA, feminismo, sociologia e literatura.

Na oitava posição, vem a influenciadora Andréa Gonçalves, cujo crescimento no Youtube acompanhei, logo nos seus primeiros posts. Ela comenta três vezes ao dia, ao vivo, as principais atualidades políticas. Advogada, teve um crescimento rápido no Youtube, ultrapassando em pouco tempo os canais Ninja, o Portal do José e o portal do Clayson e reunindo mais de 1,30 milhão de inscritos. Não tem papas na língua.

Reunindo política e humorismo vem a pernambucana Damares de Oliveira com seu canal com nome bem sugestivo -  Igreja Biscateriana, no qual ela se identifica como Bispa Damares sem Goiabeira. Numa entrevista para o canal Forum, no qual fala do seu estilo escrachado, da sua linguagem chula, na qual distorce e debocha, (deboche santo, diz ela) dos nomes e dos políticos da extrema-direita bolsonarista.

Ela conta ter recebido um telefonema da senadora Damares, no qual ela pedia para não usar seu nome e nem a referência à goiabeira (a senadora dizia ter tido um encontro com Jesus, quando tinha subido numa goiabeira). Mas a Youtuber explicou ter também o nome de Damares, só poderia mesmo tirar a goiabeira. Agora seus vídeos têm a assinatura Damares sem Goiabeira. Ex-empregada de supermercado, sem ter completado seu curso de jornalismo, Damares diz viver hoje do seu canal e das contribuições por Pix dos inscritos.

Enfim, ainda não colocada entre os canais mais vistos, vem a influenciadora Aline Câmara, a primeira especialista brasileira na Síndrome do Trauma Religioso, como ela mesmo define, uma epidemia nacional vivida pelos evangélicos.

De origem pobre, lutadora e boa debatedora, Aline, ex-evangélica, tendo sofrido as repressões próprias da religião, faz no Youtube o inverso dos pastores - prega com inteligência e bons argumentos o ateísmo.  Seu sucesso chamou a atenção do influenciador Breno Altman, que a entrevistou no canal Opera Mundi. Rui Martins - Suíça

 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Moçambique - Sergio Bambo lança a sua nova obra “Problemas que Não Acabam”

O escritor, jornalista e professor Sergio Bambo, apela para maior responsabilidade na resolução de qualquer problema, apresentado de forma transversal na sua mais recente obra literária intitulada Problemas que Não Acabam.

Trata-se de uma colectânea de crônicas de intervenção social, em que o escritor intitulou-as de Problemas que Não Acabam com o intuito de convidar a todos a mergulharem na reflexão profunda e minuciosa do seu dia-a-dia, tendo em conta os infindos problemas que apoquentam a sociedade.

Chamado a falar da sua obra na cerimónia de lançamento das comemorações do dia dos museus, Bambo explicou que o livro retrata situações vividas nas comunidades, que afecta em grande medida, várias famílias sobretudo os jovens, daí a necessidade de abordar com profundidade, temas educativos que colocam a responsabilidade do cidadão em arcar com os seus próprios problemas.

Durante a apresentação, Bambo destacou que muitos dos problemas enfrentados pela sociedade, surgem da tentativa de fugir das responsabilidades, daí que uma das crónicas narradas no livro, retrata história de tentativas não sucedidas de fugir aos próprios problemas.

Por outro lado, o escritor aproveitou o momento para chamar atenção aos encarregados de educação, defendendo maior acompanhamento dos filhos no processo educativo, visto que no seu entender, a educação começa de casa e não deve ser atribuída exclusivamente à escola.

Escrita na língua portuguesa e traduzida em dois idiomas inglês e gitonga, Problemas que Não Acabam de Bambo visa valorizar a identidade cultural moçambicana e ampliar o alcance da literatura nacional junto de leitores estrangeiros que visitam a província.

A obra também apresenta histórias ligadas ao comportamento dos estudantes, com destaque para o conto “Três Putinhos”, que retrata tentativas de manipulação contra professores e reforça a importância da honestidade e disciplina no ambiente escolar.

No fim, Sérgio Bambo afirmou que, apesar das dificuldades da vida, é necessário manter esperança e perseverança, usando frequentemente a expressão “Se nalunga”, símbolo de fé de que tudo poderá melhorar no final. Rivaldo Massunda – Moçambique in “Moz Entretenimento”

 

Macau - Músicos portugueses nas “batalhas” do 2.º Festival Luso-Chinês

Para o director musical do 2.º Festival Luso-Chinês de Música e Artes, importa salvaguardar “as raízes” da cultura local e promovê-las junto das gerações mais novas. Já este sábado, o destaque do dia inaugural do festival vai para a batalha musical, que contará com a participação de músicos portugueses, segundo avançou Casimiro de Jesus Pinto a este jornal


Num mundo globalizado com uma cultura universal, é cada vez mais importante valorizar “as raízes”, defendeu ontem Casimiro de Jesus Pinto, director musical da 2.ª edição do Festival Luso-Chinês de Música e Artes, à margem de uma conferência de imprensa sobre o evento patrocinado pela Galaxy Entertainment. A este jornal, o director musical vincou a importância de divulgar “esta convivência que já existe há séculos”, entre os povos lusófonos e chineses, e de promover a herança cultural junto dos mais novos.

“É importante não só a parte de demonstração musical, mas também haver uma parte de intercâmbio, de conhecer as músicas, as culturas”, frisou Casimiro de Jesus Pinto. “Já houve cantores de fado em Macau, a interpretar os seus temas com uma orquestra chinesa”, observou o director. “Macau já fez várias experiências dessa natureza. Mas é bom que haja uma continuação. E o mais importante é esforçarmo-nos para que a nova geração conheça essas identidades culturais”, reiterou.

Foi precisamente este mote que levou a organização a acrescentar o programa “Artistas nas Escolas” à edição deste ano, que terá lugar em Hengqin e contará com tradução para participantes que não falem chinês, segundo avançou Casimiro de Jesus Pinto.

“O workshop em Zhuhai vai envolver estudantes, docentes, professores e profissionais de música”, explicou o director. “Desde a primeira conversa com Zhuhai que eles manifestaram interesse em querer participar e promover essa cultura”, anotou. “Às vezes a proximidade geográfica não significa proximidade cultural. E Macau tem o seu papel. É importante preservar essa identidade porque é o nosso diferencial dentro da Grande Baía”, rematou.

Já no próximo sábado, as actividades arrancarão pelas 15h00, com uma mostra e um workshop interactivo centrado na cultura tradicional do “guqin”, ambos de entrada gratuita, no centro de experiências de realidade virtual do Galaxy Macau. A exposição e o workshop acontecerão novamente no domingo, sendo que serão também realizadas a “Experiência Hanfu” e a actividade “Criativo de Pintura à Portuguesa”, uma sessão dedicada à pintura portuguesa do azulejo conduzida por Erica Leong, uma artesã local. O workshop de azulejo custa 50 patacas por pessoa. A última actividade será uma sessão de partilha de Canções dos Macaenses.

A “G-Box” do Galaxy Macau vai acolher a cerimónia inaugural do festival que começará às 17h45 do dia 30 deste mês. Pelas 19h00, terá lugar o concerto “Aliança Sónica: Batalha Musical”, inspirado na clássica “Competição de Esgrima no Monte Hua”, no qual músicos da Grande Baía serão convidados a formar equipas e a enfrentar-se numa batalha ao vivo. Nesta competição participarão músicos portugueses, incluindo o baterista Luís Bento que estará acompanhado por duas guitarristas portuguesas, de acordo com o director musical do festival. Os bilhetes custam entre 288 e 488 patacas.

No dia 31 e no mesmo local, terão lugar o 2.º Concurso Internacional de Orquestra e Música de Câmara, o Campeonato de Canto da Tuna Macaense, para o qual já se tinham inscrito 15 participantes segundo Casimiro de Jesus Pinto, e o Torneio de Música “Chine-Chic” da Grande Baía, sob a filosofia “música sem fronteiras, culturas em harmonia”, todos de entrada gratuita.

No dia 2 de Junho, para além do workshop educativo, o Colégio de Arte de Zhuhai receberá duas sessões de partilha, uma conduzida pela pianista de Hong Kong Zoie Tse e a segunda dedicada novamente às Canções dos Macaenses.

A 5 de Junho, o Centro de Arte Ponte 1915 e o restaurante Riquexó organizarão a Noite da Tuna Macaense, com um jantar musical, sob o tema da música e gastronomia local. A participação custa 430 patacas por pessoa.

Durante a manhã do dia 6 de Junho, a Casa Lou Kau será palco da Maratona Musical, onde músicos locais e do exterior demonstrarão os seus talentos. De entrada livre, a participação requer uma inscrição prévia. Na parte da tarde, o mesmo espaço acolherá a artista Bossa Eva, para um concerto de música brasileira com obras originais. No final do dia, o Colégio de Arte de Zhuhai receberá uma nova ronda do Torneio de Música “Chine-Chic”.

A cerimónia de entrega dos prémios acontecerá a 7 de Junho, no Colégio de Arte de Zhuhai. Por fim, no dia 8, a Tuna Macaense conduzirá uma visita guiada ao campus da Escola de Hengqin afiliada à Escola Secundária Hou Kong, cuja participação necessita de convite.

O Festival Luso-Chinês de Música e Artes conta o apoio do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, do Instituto Cultural e dos Serviços de Turismo, sendo co-organizado pela Associação Sino-Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau, “Macau Music Art Space, MMAS” e “Zhuhai Art College”. Pedro Milheirão – Macau in Jornal Tribuna de Macau”


França - Dança e fotografia unem gerações portuguesas e francesas na cidade de Paris

O projeto “Choreo.Portraits III“, dirigido pelo coreógrafo Rafael Alvarez, vai decorrer entre os dias 11 e 13 de junho, em Paris, reunindo participantes de França e Portugal num laboratório artístico interdisciplinar que cruza dança contemporânea e fotografia


A iniciativa propõe um laboratório criativo de três dias, culminando numa apresentação pública marcada para 13 de junho, às 19h00 (hora local), na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cité Internationale Universitaire de Paris. A entrada é gratuita.

Inspirada em “O Jogo das Nuvens”, de Goethe, esta terceira edição do projeto explora a ideia de transformação e metamorfose através da observação das nuvens, propondo uma reflexão poética sobre a relação entre corpo, imagem e mundo.

O projeto integra o ciclo dos Laboratórios Mensais de Dança Contemporânea +55 anos e conta com o apoio do Camões – Centro Cultural Português em Paris.

A direção artística e mediação estão a cargo de Rafael Alvarez, enquanto a produção e difusão pertencem à BODYBUILDERS – Rafael Alvarez. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo