Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Moçambique – Estudantes vão continuar a estudar ao relento na província de Nampula

Com o ano lectivo à porta, volta o debate de turmas ao relento e o seu impacto pedagógico. É que nos dias de chuva, milhares de alunos ficam sem estudar. Nampula equaciona recorrer aos parceiros de cooperação para a montagem de tendas para aulas.


O ano lectivo 2026 inicia a 27 de Fevereiro, com abertura oficial, e as aulas arrancam em todo o país no dia 2 de Março. As escolas preparam-se para receber os alunos, com os professores já na fase terminal da preparação dos programas.

“E já fizeram actas, já fizeram planificações quinzenais, quase já receberam o material, já está tudo pronto. Nós só estamos à espera do dia chegar e daí arrancarmos”, confirmou Horácio Luís, Director-adjunto Pedagógico de uma das escolas de Nampula.

Entretanto, há uma situação que inquieta: Novo ano, e velhos problemas.

A Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vai funcionar com mais de 3500 alunos e porque as salas convencionais são poucas, muitos alunos estudam ao relento, para a preocupação de pais e encarregados de educação.

“Quando chove não há nada, não costumam dar aulas porque os alunos ficam debaixo das árvores. Aí não têm hipóteses de ficar para estudar”, lamenta Cidália João, encarregada de educação.

Durante o período lectivo, as árvores servem de salas de aula. São turmas que correspondem a cada árvore. É lá onde parte dos alunos da Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vão iniciar o ano lectivo e o chão está húmido, justamente porque ainda é período chuvoso.

E em Nampula são muitas escolas que estão na mesma situação e condições, onde os alunos poderão ter as suas aulas debaixo das árvores.

Horácio Luís confirma que a situação vai continuar, até porque não houve acréscimo das salas de aula. “No ano passado nós tivemos 30 salas ao ar livre, no relento, e espero que também este ano este número vai permanecer porque as salas que tivemos no ano passado são as mesmas”, disse.

Ou seja, cresce o número de alunos a cada ano e o ritmo de construção de novas salas é muito baixo. Na falta da melhor solução, a direcção provincial de Educação em Nampula pensa em recorrer às tendas.

“Estamos num período chuvoso, estamos a rezar para que não haja catástrofe, mas como sabem nós trabalhamos com parceiros, sempre temos tido backups. A educação sempre sofreu por conta das épocas chuvosas, como também da época ciclónica”, frisou William Tuzine, Director de Educação em Nampula.

Até ao ano passado, ao nível da província de Nampula, estimava-se que cerca de 290 mil crianças estudam ao relento, pelo menos no ensino primário, um cenário que provavelmente não vai alterar bastante, mas para pior. In “O País” - Moçambique


Guiné Equatorial - O seguro de saúde universal obrigatório entra numa fase decisiva

O Ministério da Saúde da Guiné Equatorial e especialistas da OMS estão a rever as fases finais antes do lançamento do sistema, previsto para este ano de 2026


A vice-ministra da Saúde, Bem-Estar Social e Infraestrutura de Saúde, Praxedes Rabat Makambo, realizou uma reunião de trabalho na última segunda-feira com especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e técnicos de vários departamentos envolvidos para avaliar o progresso e definir os próximos passos antes da implementação do Seguro Saúde Universal Obrigatório na Guiné Equatorial, cuja implementação está prevista para antes do final de 2026.

A iniciativa reflete o compromisso do Governo em garantir o acesso a serviços de saúde de qualidade para toda a população, em consonância com a agenda nacional de saúde e as metas internacionais de desenvolvimento em saúde. Nesse sentido, o Poder Executivo foi incumbido de agilizar os estudos e mecanismos necessários para a implementação de um sistema universal de saúde no país.

Durante a reunião, foram analisados ​​os progressos alcançados até ao momento, incluindo a criação, em 2024, do Comité Diretivo para o Seguro Saúde Universal Obrigatório e do Comité Técnico Multissetorial responsável pela coordenação dos trabalhos técnicos. Também foi destacada a realização de um workshop de capacitação para 25 especialistas em Riaba e a definição dos custos dos benefícios e pacotes de serviços de saúde que serão incluídos no seguro.

Além disso, foi confirmada a adoção de resoluções relacionadas ao âmbito da cobertura, aos benefícios de saúde incluídos e aos métodos de pagamento do sistema, aspectos fundamentais para garantir a viabilidade e a sustentabilidade do futuro Seguro Universal de Saúde Obrigatório, que agora entra numa fase decisiva rumo ao seu lançamento oficial. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Cabo Verde - Neusa Correia Lopes publica livro sobre “Educar durante a pandemia: sala de aula tradicional vs espaço virtual”

Cidade da Praia – A investigadora Neusa Correia Lopes é a única mulher cabo-verdiana e em África que, até agora, publicou sobre “Educar durante a pandemia: sala de aula tradicional versus espaço virtual”, apurou a Inforpress.


Com o aproximar do mês de Março, que é dedicado às mulheres, a Inforpress abordou a escritora que, no seu livro, explora os desafios provocados pela crise sanitária da pandemia do covid-19, com foco no impacto emocional e social.

Em declarações à Inforpress, Neusa Correia Lopes afiançou que o livro, escrito durante a pandemia, aborda a cultura, a diversidade cultural e adaptação no contexto educativo e a experiência dos imigrantes, em particular, dos cabo-verdianos, ao chegarem aos EUA durante a pandemia, bem como o multiculturalismo e as mudanças necessárias no sistema educativo para acolher estes novos alunos.

“O objectivo foi compreender como integrar os recém-chegados nas nossas comunidades, mesmo em tempos difíceis”, enfatizou.

Segundo a autora, um dos temas centrais do livro é a importância da língua inglesa e das barreiras linguísticas enfrentadas pelos imigrantes, numa altura em que o ensino sofreu uma transformação significativa com a transição para as aulas virtuais, trazendo novos desafios e oportunidades.

Neusa Correia Lopes adiantou que o livro vem na sequência das pesquisas realizadas em vários países, incluindo Portugal e Cabo Verde, para melhor compreender os diferentes contextos educativos e o impacto da pandemia, destacando a sua experiência de dar aulas virtualmente em universidades cabo-verdianas enquanto residia nos EUA.

A autora indicou que objectivo é de se reflectir sobre o impacto emocional e psicológico do ensino “online”, procurando criar um espaço confortável para que alunos e professores possam enfrentar as dificuldades deste novo paradigma, vincado numa filosofia a que deu o nome de “between dimensions” (entre dimensões).

Frisou por outro lado, que é preciso manter um equilíbrio psíquico, emocional e social, analisar a situação, observar e manter a calma perante a sociedade em que vivemos, algo que conferiu durante a pandemia com os seus alunos, por isso criou a filosofia “between dimensions”.

“Percebi que a cultura e a língua são cruciais para os indivíduos, especialmente no momento em que o emigrante multilingue e a população estudantil foram desafiados pela covid-19, com o uso de máscaras, o distanciamento social e a necessidade de adaptação a uma nova vida social”, precisou.

Desafios a que, na sua opinião, os professores devem estar atentos, desde à forma emocional, psicológica e fisiológica como devem abordar os alunos numa “sala de aula do Zoom”, de modo a não perderem a identidade e criarem uma nova forma de adaptação social com a transformação tecnológica, que este condicionalismo trouxe ao sistema educativo e que obriga à criação de estratégias para construir resiliência.

A escritora alega que, a chegada da pandemia, lhe causou algum choque inicial e foi então que começou a dar aulas pelo WhatsApp, para garantir a continuidade do ensino.

Além disso, Neusa Lopes acompanhou, de perto, debates científicos internacionais, nomeadamente, os fóruns da Harvard School, onde especialistas como o Dr. Anthony Fauci discutiam a evolução da covid-19, o que lhe permitiu aprofundar a sua investigação.

No final, o livro propõe uma reflexão sobre se a educação pós-pandemia regressará à “normalidade” ou se a crise provocará mudanças permanentes no modo de ensinar e aprender e ao mesmo tempo deixar uma pista para os procedimentos a se ter em conta, caso venha a surgir uma nova pandemia, de modo a que o sistema de ensino esteja preparado para dar resposta as novas exigências.

Finalizou defendendo que, “língua da inteligência artificial (IA) é cultura e dimensão tecnológica também é língua. Isto porque, esta dimensão apresenta sua própria linguagem, os seus próprios parâmetros, pelo que é preciso descodificar esta linguagem. É preciso aproveitar as oportunidades que surgem”. In “Inforpress” – Cabo Verde


Angola - Projecto “12 Escritores na Biblioteca” reforça importância da leitura na comunidade

O Projeto Leitura ao Domicílio vai lançar, no sábado, 21, a iniciativa intitulada “12 Escritores na Biblioteca Comunitária”, que vai receber, na primeira edição, o escritor angolano Nelson Soquessa, com o objectivo de promover a leitura e a escrita por meio do contacto directo entre escritores e a comunidade


O convidado desta edição, o escritor angolano Nelson Soquessa, que em 2021 lançou a obra Histórias Místicas e, em 2023, publicou a segunda obra Isunji, que significa “Maravilha”, e valoriza o grupo etnolinguístico do Songo, actualmente prepara-se para lançar o livro Os Segredos do Jardim da Alma.

Segundo Aniceto da Silveira, presidente do projecto, a iniciativa visa promover o hábito da leitura, valorizar a literatura nacional e aproximar os escritores da comunidade, utilizando a biblioteca comunitária como espaço de inclusão, aprendizagem e desenvolvimento humano. “A leitura vai muito além do conhecimento, pois estimula o raciocínio, activa o cérebro, aumenta a imaginação, melhora o vocabulário, desenvolve o pensamento crítico, combate o estresse, amplia a criatividade e estimula a concentração”, descreveu.

O projecto prevê a realização de 12 sessões literárias, semanais ou quinzenais, com cada sessão dedicada a um escritor convidado. Cada encontro contará com a apresentação do escritor e das suas obras; leitura comentada de excertos; conversa interativa com o público; sessão de perguntas e respostas. O presidente do projecto destacou que, neste ano, os escritores de diferentes áreas da literatura, prosa, poesia ou declamação, estão convidados a participar, com a intenção de partilharem os seus conhecimentos com os cidadãos na comunidade. Maria Custódia – Angola in “O País”


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Burkina Faso – Dispara produção de ouro após reforma que nacionaliza minas

Em 2025, o governo de transição concluiu a nacionalização de 5 activos de mineração de ouro, finalizando o processo iniciado em 2024 para reforçar o controlo sobre recursos minerais. Produção de ouro cresceu 47% num ano

O Fundo Monetário Internacional elogiou a "ambiciosa agenda de reformas governamentais" e a "gestão macroeconómica sólida" do Burkina Faso, no final de uma visita ao quarto maior produtor de ouro em África, que em 2025 atingiu uma produção recorde de 94 toneladas, mais 30 toneladas do que no ano anterior, segundo dados do ministro da Energia, Minas e Pedreiras, Yacouba Zabré Gouba.

O país é dirigido por um governo de transição presidido pelo capitão Ibrahim Traoré, desde Setembro de 2022, na sequência de um segundo golpe militar em oito meses. No espaço de quatro anos, as reformas do presidente interino fizeram disparar a produção de ouro, em 62% (de 58 toneladas em 2022 para 94 toneladas em 2025). A reforma incluiu a nacionalização de duas minas de ouro e a exigência de uma participação mínima de 15% em todos os investimentos estrangeiros no sector. Fiscalização mais apertada, para evitar o contrabando e a venda ilegal de ouro, também contribuíram para aumentar a produção.

"Políticas económicas sólidas e um rápido aumento das exportações contribuíram para o crescimento" e ajudaram o Burkina Faso a "manter a dívida pública numa trajetória sustentável, mantendo ao mesmo tempo a inflação sob controlo", afirmou Kenji Okumura, director-geral adjunto do FMI, chefe da delegação que visitou o país.

Segundo o FMI, que esteve no país poucos dias depois de o governo dissolver por decreto todos os partidos, num total de mais de 100 formações políticas, a economia do Burkina Faso têm-se mostrado "resiliente" no "meio de desafios humanitários e de segurança", graças a uma "gestão macroeconómica sólida" e uma "ambiciosa agenda de reformas governamentais".

Não é a primeira vez que o FMI elogia o governo interino do Burkina Faso, que, juntamente com o Mali e o Níger, iniciou um processo de ruptura com o Ocidente, principalmente com a antiga potência colonizadora da região do Sahel, a França. Os três países anunciaram a saída da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), em Janeiro de 2024, após sanções da organização na sequência dos golpes de estado, e criaram a Aliança dos Estados do Sahel, organização apoiada pela Rússia, com quem formalizou uma parceria estratégica de defesa e de segurança.

Reformas tiram o país da lista cinzenta do GAFI

No relatório sobre a quarta revisão ao programa aprovado em 2023, com um financiamento de 302 milhões USD, divulgado em Novembro de 2025, o FMI diz que as autoridades locais cumpriram "todas as metas indicativas quantitativas, com excepção de uma", graças a um "desempenho sólido" do governo, prevendo um crescimento de 5% em 2025, impulsionado pela "forte produção de ouro".

Segundo o FMI, as reformas implementadas pelas autoridades locais permitiram ao Burkina Faso sair da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira (GAFI), organismo que vela pelo cumprimento das leis do branqueamento de capitais e melhoraram os indicadores estruturais que promovem a governação fiscal e a transparência. Isabel Bordalo – Angola in “Expansão”


Portugal – Cosmoparolismo

Em despacho de 30 de Janeiro, o reitor da Universidade Nova determinou o que deveria ser óbvio: que “a denominação própria e característica das Instituições de Ensino Superior” deve ser feita de forma “inequívoca em língua portuguesa”, permitindo a designação bilingue das faculdades que o entendam, por exemplo, nas suas comunicações com organizações internacionais, desde que não suprimam a denominação em Português.

Não parece uma decisão disparatada ou insensata, muito pelo contrário. Aliás, o que parece estranho é que Instituições de Ensino Superior públicas se tenham começado a apresentar com designações em inglês (branding). Ou, em nome das alegadas vantagens de marketing da “internacionalização”, a direccionarem para o estrangeiro uma parte substancial do recrutamento dos seus alunos e à maioria das aulas, mesmo quando asseguradas por docentes indígenas, serem leccionadas em língua inglesa.

Em defesa dessas opções alega-se que, assim, conseguem maiores receitas com as matrículas e que a anglicização é um factor importante para a presença dessas instituições em posições de destaque em rankings internacionais. Em particular as faculdades (Schools) de Gestão (Business) e Economia (Economics) parecem cativadas por essa tendência e nota-se em muitos dos seus docentes um especial orgulho em fazerem parte de instituições que se esforçam por apagar a sua ligação a (menos a geográfica, porque o sol, as praias e a comida são trademarks de) Portugal.

A este respeito, para não me alongar no sarcasmo quanto à predominância da imagem em relação à substância, diria que o prestígio de uma instituição não depende da sua designação em língua estrangeira, por universal que seja. As alemãs TUM (Technische Universität München) ou LMU (Ludwig-Maximilians-Universität München) não precisaram de se anglicizar para manterem a sua reputação. A Sorbonne será sempre conhecida como tal. A École Polytechnique de Paris está no topo sem negar a sua origem. A ETH Zürich (Eidgenössische Technische Hochschule Zürich) está em 7.º lugar no QS World University Rankings 2026 sem necessitar de mais do que ter a funcionalidade, agora quase automática, de apresentar as suas informações em diferentes línguas no seu site. As restantes Universidades do Top-10 têm designações em inglês porque estão em países onde essa é a língua oficial (ou uma das oficiais, como em Singapura).

Além disso, no caso de instituições da rede pública, seria de pensar que as suas prioridades se direccionariam para os alunos nacionais e para o desenvolvimento do país, através da formação de capital humano altamente qualificado. Só que, em particular na área de business and economics, está bem à vista que a sua maior especialidade é na formação de comentadores mediáticos ou de autores de estudos de impacto muito discutível no desenvolvimento do “tecido empresarial”, se exceptuarmos fugazes unicórnios. Paulo Guinote – Portugal in Diário de Notícias

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Paulo Guinote - Professor do Ensino Básico

 

Angola - 25 em cada 100 jovens com mais de 5 anos nunca frequentou a escola

Número ascende A 7,6 milhões de pessoas. Os indicadores do Censo 2024 destapam a falta de investimento, e até de cuidado, na implementação de políticas públicas para melhorar o desempenho do sistema de educação, que é essencial para dotar a população de ferramentas que ajudam a quebrar ciclos de pobreza e de exclusão social


Os resultados do recenseamento geral da população e da habitação realizado em 2024, apesar das dúvidas sobre a qualidade da informação recolhida, trazem vários indicadores e pistas para entender melhor o País. No caso da educação, mesmo considerando alguma evolução em determinados segmentos, o Censo 2024 revela que, entre os 31,4 milhões de angolanos com mais de 5 anos, mais de 7,6 milhões nunca frequentaram uma escola. São quase 25 em cada 100 cidadãos acima dos 5 anos (24,2%).

Entre o elevado número de pessoas que nunca viram uma carteira escolar ou um professor, 4,4 milhões são mulheres, enquanto 3,2 milhões são homens, o que assinala uma disparidade de género no acesso à educação, em prejuízo do sexo feminino. Segundo os cálculos do Expansão, tendo em conta os resultados do Censo 2014, a proporção de pessoas que nunca frequentaram um estabelecimento de ensino aumentou na última década: passou de 22,5% (4,7 milhões entre 20,8 milhões de cidadãos com mais de 5 anos) para os referidos 24,2% apurados em 2024.

A mesma realidade verifica-se entre os 5 e 18 anos, onde a percentagem da população fora do sistema de ensino "aumentou em 12 pontos percentuais entre 2014 e 2024, passando de 22%, em 2014, para 34%, em 2024". "O maior aumento verifica-se no grupo etário 12-14 anos", admite o Instituto Nacional de Estatística no relatório final do Censo 2024.

"São factores como a pobreza, a falta de infraestruturas escolares nas zonas rurais, barreiras culturais, desigualdade de género e as limitações no acesso à educação, especialmente em áreas remotas, que justificam esta situação", explica Lando Pedro, professor universitário e especialista em Educação. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”