Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 26 de abril de 2026

Portugal - Documentário “Mulheres de Abril” recupera histórias de resistência feminina

O documentário “Mulheres de Abril“, de Raquel Freire, cruza as vidas e as histórias de resistência de 10 mulheres portuguesas e africanas que lutaram contra o fascismo e o colonialismo e tem ante-estreia marcada para sexta-feira no IndieLisboa


Mulheres de Abril propõe uma viagem pela memória e pela história recente do país, através das vozes de Margarida Tengarrinha, Julieta Rocha, Ana Maria Cabral, Isabel do Carmo, Maria Emília Brederode Santos, Luísa Sarsfield Cabral, Teresa Loff Fernandes, Zezinha Chantre, Helena Neves e Ruth Rodrigues, cujas vidas foram marcadas pela perseguição, prisão, tortura, censura, exílio, clandestinidade, luta e resistência.

“A história até agora foi contada por homens e sobre homens. É o momento de serem as mulheres a contar a história da luta e da resistência antifascista e anticolonialista. E eu sei isso por experiência pessoal da minha família, das minhas ancestrais”, explicou a realizadora à Lusa.

Desde logo a sua mãe, Ruth Rodrigues, uma das 10 “capitãs de abril”, como gosta de dizer e que participa no filme.

“Eu sou uma filha da Revolução. Cresci a ouvir as histórias desta resistência das mulheres da minha família que lutaram pela liberdade. Começou logo na minha bisavó, depois a minha avó, a minha mãe. De um lado da família e do outro lado”, disse.

“E eu cresci a ouvir estas histórias de como os meus pais, por exemplo, me usaram como disfarce para esconderem propaganda para uma greve dentro das minhas fraldas, quando eu tinha uns meses, numa sessão de distribuição clandestina durante a madrugada”, contou a autora.

Perante o legado familiar, Raquel Freire, que já tinha feito o filme Histórias das Mulheres do meu País (2020), sabia que haveria de contar também as histórias das mulheres de Abril: “Uma das mulheres do filme é a minha mãe, que foi uma grande resistente antifascista e é ainda”.

A vontade de escutar as vozes africanas, através dos testemunhos de Teresa Loff Fernandes, Zezinha Chantre e Ana Maria Cabral (viúva de Amílcar Cabral) – todas integraram as fileiras do Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) – pareceu-lhe justa e natural.

“A luta anticolonialista foi o berço de muita desta revolta que envolve o 25 de Abril. E, portanto, este filme tem estas duas perspetivas, de ser a história contada pelas mulheres e, ao mesmo tempo, ser a história contada pelas mulheres portuguesas e pelas mulheres que, em África, lutavam pela independência dos seus países. E era uma luta comum”, afirmou.

“Várias mulheres africanas lutaram ativamente contra a guerra e pela independência e autodeterminação dos seus países, que estavam ocupados (…) não só na luta armada, mas lutaram a criar redes, a criar escolas, a criar hospitais. A alfabetizar também”, disse.

A guerra colonial é, para Raquel Freire, determinante, no envolvimento e no papel que as mulheres assumem a partir de então.

“O testemunho da Margarida Tengarrinha fala disso. Estamos a falar claramente das mulheres que vão ao mercado, que falam com as outras e que começam a dizer não à guerra. São os preços que sobem, são os filhos e os maridos que desaparecem. E, portanto, as mulheres tomam aqui a dianteira nesta luta contra a guerra colonial. E a paz torna-se uma palavra política, que é também uma coisa a que nós assistimos hoje em dia”, referiu.

Também por isto a realizadora considera que o filme “tem um lado atual” perante as guerras atuais.

“Eu penso que este filme tem este lado tão atual, porque nós hoje em dia enfrentamos guerras. Enfrentamos injustiças tremendas. Enfrentamos novas formas de fascismo. E a sabedoria que estas mulheres acumularam, que estas mulheres tiveram para lutar contra um sistema tão opressor, que tinha uma polícia política que matava, perseguia, é-nos fundamental hoje em dia para nós também termos as nossas ferramentas para lidarmos com a violência quotidiana que temos neste momento em 2026”, disse.

Cinquenta e dois anos após a Revolução de Abril e 51 das independências africanas, o filme é um posto de escuta e reconhecimento, que celebra uma participação silenciada durante décadas, e que a autora entrega agora às novas gerações.

“Estas mulheres são museus vivos de sabedoria democrática com várias ferramentas e, sobretudo, com um amor pelos outros e pela liberdade que são profundamente inspiradores. Portanto, sim, este é um filme para as novas gerações, porque é um filme com o pé no presente e no futuro. E o final do filme é mesmo dirigido aos mais jovens e às mais jovens”, conclui a realizadora.

Com um tema original de A garota não, “Fazia tudo de novo (uma revolução nunca acaba)”, Mulheres de Abril terá a sua antestreia no dia 01 de maio, no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, e estreará nas salas de cinema no final do ano.

Filmado entre 2023 e 2025 por uma equipa inteiramente feminina, com produção da MadameFilmes, é dedicado a três das 10 mulheres de abril que já faleceram: Margarida Tengarrinha, Teresa Loff Fernandes e Maria Emília Brederode Santos.

“Essa é a parte que me custa, mesmo sabendo que elas vão continuar vivas connosco, através da sua presença no cinema”, confessou Raquel Freire. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Cabo Verde - Redução do financiamento internacional pode comprometer combate à malária

Cidade da Praia — A investigadora e docente Lara Goméz alertou que a redução do financiamento internacional poderá comprometer o combate à malária, sobretudo em países africanos com menor capacidade financeira.


O alerta foi feito na sessão de abertura da quarta conferência internacional “Malária nos PALOP”, promovida pela Universidade Jean Piaget de Cabo Verde.

Segundo a investigadora, a diminuição dos apoios à saúde em África, incluindo através do Fundo Global, estará associada a mudanças políticas nos Estados Unidos, embora tenha ressalvado não dispor de dados totalmente confirmados.

Lara Goméz defendeu uma abordagem integrada no combate à doença, sublinhando a necessidade de articulação entre saúde humana, sanidade animal e ambiente, bem como o reforço da vigilância e da consciencialização das populações.

A docente considerou ainda que uma eventual redução da ajuda internacional poderá afectar países com fraca capacidade económica, ao limitar os recursos disponíveis para programas de combate à malária, incluindo em Cabo Verde.

Recordou que, após a pandemia da COVID-19, se registou um retrocesso nos indicadores da doença, com aumento da mortalidade, que ultrapassou as 600 mil mortes de crianças, maioritariamente em África, devido ao redireccionamento de recursos para o combate à pandemia.

Relativamente a Cabo Verde, indicou que o país já eliminou a malária por três vezes, mas enfrentou reintroduções associadas a casos importados.

Alertou que a presença de mosquitos e o aumento da sua densidade podem favorecer novos surtos, acrescentando que, entre o final de 2024 e 2025, foram registados casos de transmissão autóctone na zona de Fonton, entretanto controlados pelas autoridades sanitárias.

A conferência realiza-se pelo quarto ano consecutivo, no âmbito do Dia Mundial da Malária, com o objectivo de divulgar conhecimento científico e reforçar competências técnicas. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”


Regresso à Infância


 









Vamos aprender português, cantando

 

Regresso à Infância

 

Sete espadachins e um pirata,

dúzias de soldados pelo chão;

bolas e berlindes numa lata,

lápis numa caixa de cartão.

 

Quem sabe brincar nunca se cansa,

dor ou amargura é ilusão;

hoje eu voltaria a ser criança

só pra não te ouvir dizer que não.

 

Quem me mandou ser maior

no desejo vão de te ter,

se o castigo foi sentir amor

por alguém que nunca me vai querer?

 

Jogos de aprender numa gaveta,

gomas e bolachas sempre à mão;

flautas e tambores e uma corneta,

carros de bombeiros e um balão.

 

Tão feliz que eu era, ai que saudade

desse quarto antigo onde era Deus.

Queria ter de novo essa outra idade

só pra não te ouvir dizer-me adeus.

 

Quem me mandou ser maior

no desejo vão de te ter,

se o castigo foi sentir amor

por alguém que nunca me vai querer?

 

Quem me mandou ser maior

no desejo vão de te ter,

se o castigo foi sentir amor

por alguém que nunca me vai querer?

 

Quem me mandou ser maior

no desejo vão de te ter,

se o castigo foi sentir amor

por alguém que nunca me vai querer?

 

Se o castigo foi esta dor,

antes ser pequeno e não saber.

 

António Zambujo – Portugal

Composição:

(Letra) Maria do Rosário Pedreira – Portugal

(Música) João Gil - Portugal


sábado, 25 de abril de 2026

Macau - Chefe do Executivo diz que língua portuguesa “não merece preocupação”

Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, partiu de Lisboa para Madrid referindo que as ligações do território com Portugal estão cada vez mais estreitas e que o caminho da cooperação está traçado. Em encontros com ministros, destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais

“Posso garantir que a língua não é questão que mereça preocupação.” Foi desta forma que o Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, se referiu ao panorama do ensino e uso da língua portuguesa no território em reuniões com ministros portugueses. Na conferência de imprensa de balanço da visita da delegação da RAEM a Lisboa, que decorreu entre sábado e esta terça-feira, Sam Hou Fai destacou alguns pontos abordados na intensa agenda que teve na capital portuguesa.

Tanto nos encontros com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, ou com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o uso do português foi abordado. “Eles mostraram interesse sobre a formação em língua portuguesa”, disse Sam Hou Fai.

“Após o retorno de Macau à China, Macau fez muito pela formação e nunca houve uma formação tão abrangente. Nunca houve tantas escolas [a ensinar a língua] e, na história de Macau, nunca houve tantos estudantes a aprender português. Eles [ministros] sabem que, actualmente, há mais chineses a aprender português em Macau do que as pessoas de Portugal a aprender português. Sabem que damos importância à utilização do português, sobretudo no sistema judicial”, destacou.

Sam Hou Fai lembrou que a ministra da Justiça e a sua equipa tem conhecimento de que no Tribunal de Última Instância (TUI) “a maioria das sentenças, sobretudo a nível civil, continuam a ser em língua portuguesa”.

“Eles têm conhecimento da utilização da língua portuguesa em Macau, qual a situação e que continuamos a apostar na forte formação da língua portuguesa. Eles ficaram satisfeitos com a minha resposta”, adiantou.

O governante não deixou de lembrar que esta foi a primeira vez, em quase 27 anos, que um líder da RAEM foi recebido pelos “quatro líderes nacionais dos poderes executivo, legislativo e judicial”. Sam Hou Fai disse ainda que desenvolveu “um programa destinado a aprofundar a amizade e a promover a cooperação, obtendo resultados positivos e atingindo os objectivos previstos”.

Salários mais altos

No contexto da necessidade de mais quadros qualificados em Macau, Sam Hou Fai disse ter feito “uma apresentação muito pormenorizada sobre a força laboral de Macau” no encontro com o ministro português da Economia, sem que tenha havido espaço para questionar, concretamente, a questão da atribuição de residência a portugueses.

“Temos cerca de 180 mil trabalhadores não residentes em Macau. Não tenho aqui o número exacto, mas muitos deles são de países de língua portuguesa. No âmbito da terceira fase de importação de quadros qualificados do Governo da RAEM, expliquei que às pessoas que dominam a língua portuguesa, nomeadamente de universidades de excelência de Portugal, pode dar-se um valor [salarial] mais elevado para que possam ser atraídas a ir para Macau.”

Sam Hou Fai referiu-se concretamente às pessoas oriundas dos países de língua portuguesa, “incluindo Portugal”, para que tenham condições laborais mais atractivas. Tudo para que haja uma maior atracção de “quadros qualificados [para participar] no desenvolvimento de Macau”.

Mercado em projecção

Foi um corre-corre de encontros e visitas desde sábado, e que só terminou na tarde de terça-feira, dia em que se deu a partida da comitiva da RAEM para Madrid. O líder do Governo de Macau reuniu também com o Presidente da República, António José Seguro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano.

Nestes encontros, Sam Hou Fai foi destacando o papel de Macau enquanto ponte nas relações sino-portuguesas. “Os principais líderes da República Portuguesa reconheceram que Macau desempenha um papel importante como plataforma nas relações estratégicas e de cooperação entre a China e Portugal, e manifestaram o desejo de aproveitar ainda mais as funções e vantagens únicas desta plataforma”, afirmou.

De acordo com Sam Hou Fai, o Governo português manifestou particular interesse em potenciar uma plataforma para permitir que empresas chinesas e de Macau utilizem e aproveitem as vantagens de Portugal como uma porta de entrada para novos mercados em África, Europa e América Latina.

Em contrapartida, foi explorada “a possibilidade de promover a colaboração entre empresas de Macau e de Portugal para explorar os mercados dos países da Península Ibérica”. “A cooperação entre a China e Portugal está voltada para o futuro e irá criar melhores oportunidades de desenvolvimento”, afirmou.

Sam Hou Fai adiantou que vai exigir ao IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e Investimento que “promova esses projectos, ao nível da cultura, educação, assuntos sociais e também da economia, para que possam ter acompanhamento e avançar”.

Citado por uma nota oficial, Luís Montenegro, primeiro-ministro português, “afirmou que Portugal está empenhado em aprofundar a cooperação amigável luso-chinesa, esperando continuar, através da estreita ligação e cooperação pragmática com Macau, a consolidar ainda mais e até elevar ininterruptamente a amizade tradicional”.

Montenegro disse que “Macau é uma janela importante para o sector português entrar no mercado chinês”, e que Portugal “poderá igualmente ser uma plataforma de cooperação económica e comercial para as empresas do Interior da China e de Macau entrarem no mercado europeu”. Por essa razão, deve ser reforçada “a articulação e cooperação”, a fim de se chegar, por parte dos dois territórios, “a um maior mercado”.

O governante português afirmou que o país “espera ter mais empresas chinesas e de Macau a investir em Portugal”, apostando-se na cooperação nas áreas “judiciária, cultura e turismo, promoção da língua portuguesa e quadros qualificados de alto nível”. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


Moçambique - Edson Martinho lança “Apanhados da Vida” na Beira

O escritor moçambicano Edson Martinho prepara-se para lançar o seu livro de estreia, Apanhados da Vida, no próximo dia 27 de abril, na Beira. O evento terá lugar no Centro Cultural Português, a partir das 18h, com apresentação a cargo do escritor e activista literário Lino Chicamisse.


Publicada pela Mapeta Editora, a obra insere-se no género poesia e apresenta uma colectânea que cruza temas como dor, amor, resistência e identidade. Com uma escrita intensa e directa, o autor aborda questões como injustiça social, violência em Cabo Delgado, corrupção académica e racismo, sem deixar de lado momentos de ternura, memória e reflexão.

Apanhados da Vida destaca-se pela linguagem expressiva e pelas imagens marcantes, transformando experiências e cicatrizes em versos que dialogam com a realidade moçambicana e, ao mesmo tempo, com questões universais.

Natural da Beira, Edson Martinho é licenciado em Ensino de Português pela Universidade Licungo. Para além da literatura, é professor de formação e exerce também actividades como electricista, mantendo uma ligação prática com diferentes dimensões da vida quotidiana.

O autor é membro fundador do Clube do Livro da Beira, uma iniciativa juvenil voltada à promoção da leitura, e já participou na colectânea Gritamos por Cabo Delgado (2024), marcando os seus primeiros passos no universo literário.

O lançamento promete reunir amantes da literatura e agentes culturais, num momento que assinala a chegada de uma nova voz no panorama poético moçambicano. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Angola - Escritora Elsa Bárber realiza sessão de leitura para crianças

A escritora Elsa Bárber celebrou o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, assinalado na quinta-feira, com uma sessão de leitura e assinatura de autógrafos para os alunos da Escola Camilo Castelo Branco, em Luanda, numa parceria com a Plural Editora, responsável pela edição das suas obras


Membro da União dos Escritores Angolanos, Elsa Bárber tem dedicado particular atenção à literatura infantil, usando como recurso para ensinar, de forma lúdica e pedagógica, o percurso de grandes figuras da história nacional.

Em Dezembro de 2024, iniciou este ciclo de figuras históricas com o lançamento do conto infanto-juvenil Njinga Mbande - A Rainha de Angola, no qual narra o percurso de Njinga Mbande em 32 páginas, começando pelo seu núcleo familiar, infância, assim como destaca o significado do Ndongo, denominação do reino que a rainha governou. A obra também traz a sucessão após a morte do pai e do seu irmão, o tratado de paz, e a sua consagração como Rainha Njinga Mbande.

A escritora tem na forja uma nova obra, a ser lançada em breve, que narra o percurso histórico de Kimpa Vita, seguindo a sequência da narração infanto-juvenil. In “O País” - Angola


Cabo Verde - Livro sobre batuku evidencia transformações sociais e artísticas do género na última década

Cidade da Praia – O livro Batuku de Cabo Verde – Percurso Histórico-Musical lançado na cidade da Praia, “reforça a consolidação do batuku” como género nacional, evidenciando “profundas transformações culturais, sociais e artísticas” na última década.

Segundo a autora, a jornalista e investigadora Gláucia Nogueira, a obra analisa a consolidação do batuku como género nacional, deixando de ser visto como uma expressão regional e reforçando a sua presença em diversos espaços culturais, académicos e mediáticos.

Contactada pela Inforpress, a investigadora afirmou que o período recente foi marcado por uma maior visibilidade do batuku, pelo surgimento de novos grupos e pela redefinição de papéis nas formações tradicionais, destacando-se novas protagonistas que recorrem a ferramentas contemporâneas de comunicação e imagem, afirmando-se simultaneamente como intérpretes e compositoras.

O estudo aponta ainda a crescente participação masculina nas rodas de batuku, fenómeno que, embora com antecedentes históricos pontuais, ganhou maior expressão na última década, conforme a mesma fonte, refletindo transformações sociais e a flexibilização de normas de género na sociedade cabo-verdiana.

Outro aspecto evidenciado é a evolução musical do género, com a introdução de novos instrumentos, como o djembé, e a fusão com outras expressões como o funaná, além da incorporação de elementos instrumentais de cordas e teclas em algumas formações contemporâneas.

A obra também analisa a projecção internacional do batuku após a sua inclusão na música “Batuka”, da artista norte-americana Madonna, no álbum “Madame X” (2019), episódio que gerou intenso debate em Cabo Verde sobre visibilidade cultural e apropriação de património imaterial.

Durante a investigação, contou a autora, a discussão dividiu opiniões entre os que valorizam a projeção global do género e os que criticam a apropriação de elementos culturais tradicionais por artistas internacionais.

A autora contextualiza ainda o fenómeno com exemplos de outras interações globais entre música popular e expressões tradicionais, sublinhando que a visibilidade internacional, embora relevante, não constitui o fator central da transformação do batuku.

Na sua análise, o principal marco do período é a consolidação do batuku como género nacional “plenamente integrado no panorama musical cabo-verdiano”, com presença em repertórios de artistas diversos e crescente circulação em espaços institucionais, incluindo museus e universidades.

O estudo refere igualmente a institucionalização do Dia Nacional do Batuku, celebrado a 31 de Julho, por decisão da Assembleia Nacional, em 2021, coincidindo com o Dia da Mulher Africana, como reconhecimento formal da importância cultural do género.

A investigação conclui que o género batuku mantém um percurso dinâmico, caracterizado por novas gerações de intérpretes, reconfiguração estética e expansão de espaços de actuação, processo que, segundo a autora, continua em evolução e pode ser acompanhado também através de plataformas digitais e projetos de arquivo cultural. In “Inforpress” – Cabo Verde