Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Moçambique - Tomás Dinis lança livro “Regras 6 por 6” que propõe nova abordagem ao desenvolvimento pessoal

Lançado hoje, dia 23 de abril, no Nedbank Business Lounge, o livro Regras 6 por 6, da autoria do engenheiro e gestor Tomás Dinis, numa sessão que reuniu convidados dos sectores empresarial, cultural e académico.


A obra apresenta uma proposta estruturada de desenvolvimento pessoal, organizada em torno de seis áreas essenciais da vida: saúde, desenvolvimento pessoal, paixão, relações, contribuição e riqueza. Com uma abordagem prática e acessível, o autor partilha princípios e ferramentas voltadas para a disciplina individual, tomada de decisões e construção de uma vida mais equilibrada e intencional.

Um dos destaques do livro é o seu modelo de implementação em seis semanas, com exercícios e desafios que incentivam o leitor a transformar conhecimento em acção concreta, promovendo mudanças consistentes no dia-a-dia.

A obra resulta também da experiência pessoal de superação de Tomás Dinis, que utiliza a sua trajectória como base para inspirar leitores a reorganizarem as suas vidas com maior clareza, foco e propósito.

O evento de lançamento contou com a apresentação da obra por Hosten Yassine Ali, intervenção do autor, exibição de uma curta-metragem sobre o seu percurso e um momento de interacção com o público, seguido de sessão de autógrafos.

Formado pela Universidade Eduardo Mondlane, Tomás Dinis tem um percurso ligado ao sector energético e à gestão de negócios, sendo também activo nas áreas de empreendedorismo e desenvolvimento pessoal.

Com Regras 6 por 6, o autor posiciona-se como uma nova voz no cenário do desenvolvimento pessoal em Moçambique, propondo uma abordagem prática, estruturada e baseada na experiência vivida. In “Moz Entretenimento” - Moçambique




Angola – Escritores ainda “desconhecem” aspectos legais vinculados aos direitos de autor no Dia Mundial do Livro

Assinala-se hoje, 23 de Abril, o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor. E no dia 26 do corrente mês, o Dia Mundial da Propriedade Intelectual. O volume, como receptáculo moderno, evoluiu desde as inscrições rupestres e papiros para se tornar uma ferramenta dinâmica de preservação da memória

Numa breve conversa com alguns autores do nosso mercado, podemos observar que a maioria dos escritores angolanos não domina aspectos legais vinculados à sua própria produção.

Iniciamos com Hélder Simbad, escritor e docente universitário que, analisando o actual contexto do livro e dos direitos de autor no país, considerou que existe uma profunda “iliteracia jurídica” entre os autores, uma vez que a maioria dos escritores não domina aspectos legais vinculados à sua própria produção.

Ao analisar a importância histórica da escrita e do livro, contrastando-a com a actual precariedade dos direitos autorais no país, Simbad defendeu a profissionalização do sector e a necessidade urgente de uma estrutura institucional que proteja efectivamente os escritores contra a pirataria e a iliteracia jurídica. O escritor apontou a ausência de uma indústria do livro profissionalizada e a falta de fiscalização como resultados de um cenário de pirataria desenfreada, onde obras são vendidas em mercados informais, como no Asa Branca, sem qualquer defesa para o criador.

O autor salientou que o SENA DIAC e outras instituições correlatas ainda não são percebidos como estruturas capazes de oferecer protecção real ao escritor angolano.

A visão predominante, segundo Simbad, é de que, enquanto a literatura não for tratada como uma indústria profissionalizada e não houver uma rede complexa de institutos colaborando entre si, o direito autoral continuará a ser ignorado ou desprezado pelos próprios autores, que não vêem vantagens práticas no registo de suas obras.

Considerou que a Protecção da Propriedade Intelectual em Angola transcende a mera burocracia; ela exige uma reforma estrutural que transforma a literatura numa indústria viável. Sem fiscalização contra a pirataria e uma educação jurídica acessível aos autores, o livro permanecerá vulnerável, e o direito autoral será apenas um conceito distante da realidade prática dos criadores angolanos. Augusto Nunes – Angola in “O País”


Portugal - Instituto Pedro Nunes assegura coordenação nacional do Programa MIT Portugal até 2030

O Instituto Pedro Nunes (IPN), em conjunto com a Universidade do Minho (UMinho), vai assegurar a gestão e coordenação nacional da Fase IV do Programa MIT Portugal (MPP) até 2030. O contrato foi assinado com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e prevê um orçamento anual de cerca de 500 mil euros


A nova fase do programa traz uma mudança na sua governação reforçando a sua abrangência nacional. Após a coordenação pelo Instituto Superior Técnico (Fases I e II) e pela Universidade do Minho (Fase III) a responsabilidade passa agora a ser partilhada com a Universidade de Coimbra, através do IPN, que assume a direção executiva do programa. Os Diretores Nacionais do Programa MIT Portugal serão João Pedro Barreto, da Universidade de Coimbra, e Alexandre Ferreira da Silva, da Universidade do Minho.

Para João Gabriel Silva, Presidente da Direção do IPN, esta nomeação reflete o percurso da instituição. “A escolha do IPN para a Direção Executiva do Programa MIT Portugal é um marco que valida o nosso percurso de décadas na ponte entre o conhecimento académico e o mercado. Estamos prontos para dar ao MIT Portugal uma grande eficácia operacional.", frisa.

A Fase IV do Programa MIT Portugal continuará a promover a colaboração entre o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e universidades, centros de investigação, laboratórios e empresas portuguesas, com o objetivo de reforçar a excelência científica e a transferência de conhecimento para a economia.

"Esta fase pretende dar atenção redobrada à ciência aplicada, onde a colaboração com o MIT resultará em soluções tangíveis para desafios concretos, através de um modelo de projetos mais ágil e orientado para o impacto”, sublinha João Pedro Barreto, Diretor Nacional do Programa MIT Portugal.

O reforço desta parceria é também visto como um passo relevante para a internacionalização do sistema científico nacional. “Este programa consolida Coimbra como um hub tecnológico de relevância internacional, criando condições para que o talento nacional lidere novas transformações tecnológicas”, destaca o Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão.

Entre as novidades já em curso destacam-se um novo modelo de projetos de investigação colaborativa, com concurso aberto até 25 de maio, e a iniciativa de empreendedorismo universitário “MIT Portugal 100K”, organizada por estudantes para estudantes, cuja final nacional decorreu recentemente nas instalações do IPN.

Desde a sua criação, em 2006, o Programa MIT Portugal tem desempenhado um papel central na internacionalização e modernização do sistema científico nacional, envolvendo centenas de investigadores, projetos colaborativos e empresas em áreas estratégicas como energia, bioengenharia e transportes. Instituto Pedro Nunes - Portugal


França – Extrema-direita quer controlar Edições Grasset

Hoje, quando qualquer um pode editar, publicar e vender seu livro pela Amazon, alguém pode perguntar se as editoras são ainda importantes. Sim, são importantes porque sem elas, sem a seleção dos originais, sem a impressão desses originais para serem vendidos nas livrarias, muitos autores de valor ficariam desconhecidos.

Por coincidência, relembra-se nesta semana (23 de abril) a morte de dois monumentos da literatura mundial, há 410 anos, William Shakespeare e Miguel Cervantes. Ambos se tornaram lidos e conhecidos por terem seus originais publicados depois da criação da imprensa por Gutenberg.

Os primeiros livros impressos, surgidos na segunda metade do século XV, marcaram o fim do monopólio da cópia manual de livros em pergaminhos feita nos mosteiros, pela qual a Igreja controlava a escassa produção de livros.

O surgimento das primeiras gráficas de Gutenberg, de custo bem mais barato, permitiu a produção em série de livros, tornou a Bíblia acessível a todos, criando a livre interpretação de seus textos e provocando uma fratura no cristianismo com a Reforma de Lutero. Ao mesmo tempo, abriu caminho para a literatura com o surgimento da indústria editorial e permitiu a livre expressão das ideias.

Mas, logo depois, como contrapeso, surgiram a censura e a proibição da leitura dos livros proibidos. Resumindo, a edição de livros abriu o caminho para a modernidade e foi o germe das revoluções sociais com o acesso facilitado ao mundo das ideias. Outras invenções vieram e depois do livro se chegou aos jornais, ao rádio, à tevê e agora à internet com suas redes sociais e à expansão das mídias.

E chegamos aqui ao tema desta semana - quem detém a produção de livros, pode controlar o pensamento dos intelectuais e do público melhor informado, assim como a TV e as redes sociais podem controlar o pensamento e o comportamento do povo, bem como dirigir suas opções políticas.

Toda imprensa francesa tem noticiado com destaque, nestes dias, a decisão de mais de 300 autores de romperem com a Editora Grasset, pela qual seus livros são editados. Grasset vinha sendo desde 1907, ano de sua criação, uma prestigiosa editora de literatura francesa e estrangeira, ensaios, romances, ciências humanas, etc.

Agora, importantes jornais franceses prevêem mesmo o risco de Grasset fechar pela recusa dos bons autores a ela entregarem seus originais para publicação. Nem sempre autores militantes de extrema-direita têm o talento de Louis-Ferdinand Céline, notório militante pró-nazistas durante a Ocupação francesa. Isso limita o acesso da editora aos bons e inovadores originais.

Até agora, o prestígio da Grasset provinha de sua independência na seleção e publicação de bons originais, sem procurar favorecer este ou aquele conteúdo político. 

O responsável pela crise é o milionário Vincent Bolloré, proprietário de Editions Grasset, mas igualmente do Canal+, Europe1, CNews, Le Journal du Dimanche, hoje transformados em órgãos de propaganda política.

Diante da proximidade das eleições francesas, com o fim do mandato de Emmanuel Macron, o milionário Bolloré deseja utilizar a penetração do seu aparelho mediático para a eleição do candidato Jordan Bardella, da extrema-direita francesa, Rassemblement National, caso a atual presidenta do partido seja declarada inelegível em julho, pela Justiça francesa.

Sua intervenção na Grasset, da qual é proprietário, consistiu em demitir Olivier Nora, o respeitado responsável pela seleção dos originais e pela publicação dos livros Grasset há 26 anos.

Antes de demitir Olivier Nora para intervir na seleção de autores e originais da Grasset, Vincent Bolloré já havia provocado a mobilização dos estudantes de jornalismo ao liderar um grupo de investidores na compra da Escola Superior de Jornalismo de Paris. Rui Martins – Suíça

__________

Rui Martins - Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Brasil - Calor extremo ameaça agricultura e segurança alimentar

O aumento do calor extremo está a redefinir a agricultura no Brasil, com impactos crescentes na produção e na segurança alimentar, segundo um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)


No documento, elaborado em conjunto com a Organização Meteorológica Mundial, afirma-se que "o calor extremo está a tornar-se uma das ameaças mais graves para a agricultura a nível global", afetando culturas, pecuária, pescas e florestas de forma simultânea.

No caso brasileiro, o relatório inclui um estudo específico sobre a onda de calor de 2024 e 2025, destacando efeitos combinados de temperaturas elevadas e seca sobre vastas áreas agrícolas.

Segundo o relatório, estes fenómenos estão ligados às alterações climáticas - ampliadas por um forte El Niño - e tendem a tornar-se mais frequentes e intensos nas próximas décadas.

A FAO sublinha que o calor extremo "atua como um multiplicador de risco", agravando impactos já existentes sobre a produção alimentar, com quebras de colheitas e redução da produção nacional, inclusive na pecuária, o que pressiona a inflação de alimentos.

Em relação à soja, alimento que o Brasil mais exporta, a FAO observou que a produção foi duramente atingida, pois as temperaturas "excederam o limite crítico de 30°C" em mais de 60% dos dias durante a sua estação de crescimento.

Devido ao "stresse térmico implacável", a estimativa oficial para a colheita brasileira de soja foi reduzida em quase 10%, resultando em milhões de toneladas de alimentos perdidos.

O calor extremo também favoreceu a proliferação de pragas, como a "mosca-branca e fungos", que atacaram plantações de batata, feijão e cana-de-açúcar em várias áreas produtoras no estado de São Paulo.

A pecuária também foi amplamente afetada, com efeitos registados em praticamente todo o território brasileiro.

A pecuária leiteira também sofreu um "impacto significativo na saúde e produtividade" das vacas, especialmente no Sudeste brasileiro, segundo o documento.

Vacas sob forte stresse por calor, acrescenta-se no relatório, produzem menos leite e podem gerar descendentes com "desempenho reduzido", o que representa uma perda económica irreversível para o produtor rural.

Segundo a mesma fonte, em 2024 registou-se o "maior número de focos de incêndio e de área queimada" desde 2010, sendo que os picos mais evidentes foram no Centro-Oeste do Brasil atingindo os biomas da Amazónia, Pantanal e Cerrado.

"Os incêndios florestais devastaram uma área equivalente ao tamanho de Itália e causaram grave poluição atmosférica por micropartículas", sublinhou.

Sem a alteração climática induzida pela atividade humana, destaca-se no estudo, fenómenos devastadores como os incêndios no Pantanal em 2024 teriam sido "10.000 por cento menos frequentes" no território brasileiro.

Sobre a Amazónia, a FAO alerta que a combinação de calor extremo, seca e degradação ambiental pode reduzir a resiliência da floresta, aumentar o risco de incêndios e afetar o papel da floresta na regulação do clima global.

No relatório estima-se que cerca de 7% da floresta seja destruída para cada grau de aumento na temperatura global acima do limite de 1,5 °C.

Se o crescimento da floresta tornar-se negativo, aponta-se no estudo, a região corre o risco crítico de transitar para uma fonte líquida de emissões, acelerando o aquecimento global.

No relatório, chama-se a atenção para o mecanismo de retroalimentação, gerado pela perda de cobertura florestal e pela exposição do solo, o que provoca aquecimento da região.

Segundo a FAO, "em áreas da Amazónia, este ciclo de retroalimentação com solos expostos pode aumentar os efeitos locais do aquecimento em mais de 300%", agravando o impacto climático. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


Moçambique – Pretende empresários chineses a investirem na industrialização

O Presidente moçambicano convidou, na China, os empresários daquele país asiático a investirem em Moçambique para ajudar no desenvolvimento e industrialização através da transformação local das matérias-primas, afirmando que é preciso investir agora porque “o comboio não espera”


“Quero convidar os meus irmãos a investir em Moçambique, porque quanto mais cedo possível melhor, porque o comboio já está a andar e geralmente o comboio não espera, pode passar e chegar tarde, enquanto os outros já apanharam o comboio”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo.

O Presidente moçambicano falava na província de Hunan, na China, durante um encontro com cerca de 350 empresários no quadro da visita de Estado que efetua àquele país asiático, em que lembrou que Moçambique está agora a atravessar uma fase de desenvolvimento de vários projetos, sobretudo os ligados à exploração de gás, indicando que é preciso aproveitar o momento para investir.

Além do sector de gás, Chapo quer os empresários chineses a investirem em tecnologia, agricultura, indústria, infraestruturas, inovação, corredores logísticos que causam maior impacto económico e social.

Perante os empresários, o Presidente de Moçambique esclareceu que o país está a construir as bases para a sua independência económica “com foco, resiliência e determinação”, através de uma transformação estrutural da economia que pretende alcançar a industrialização e o desenvolvimento da cadeia de valor, pedindo investimentos dos empresários de Hunan, província considerada “capital das máquinas agrícolas, máquinas industriais, camiões, máquinas para a indústria mineira”. “Queremos convidar aos empresários do Hunan para juntos aos empresários virem investir em Moçambique na industrialização (…) A nossa visão como Governo é que os nossos recursos minerais sejam transformados em Moçambique e já começamos esse trabalho (…) essa é a nossa visão, gerar rendimento em Moçambique, pagar-se impostos e desenvolvermos o nosso país”, disse Chapo.

Ao apresentar as potencialidades de Moçambique, Chapo referiu-se aos projetos de desenvolvimento dos corredores logísticos e dos portos, incluindo a construção de fronteiras de paragem única juntos dos países vizinhos, indicando que estas decisões colocam o país numa posição estratégica para receber investidores.

Neste sentido, o chefe do Estado moçambicano mostrou também abertura do país para concessões de diversas infraestruturas como estradas, em períodos de 20 a 30 anos, indicando que é para as empresas chinesas recuperarem os investimentos que eventualmente poderão fazer. “Estamos dispostos a receber irmãos empresários da China da província de Hunan e de outras províncias para podermos desenvolver juntos Moçambique”, disse Chapo.

O Presidente moçambicano pediu ainda a estes empresários aposta na formação do capital humano, indicando que a China é um parceiro estratégico de “primeira linha” não apenas para financiamento, mas para a troca de conhecimentos. “Queremos evoluir de uma parceria baseada no volume, para uma baseada no valor acrescentado, transferência de tecnologia, criação de emprego qualificado e desenvolvimento de cadeias produtivas. A nossa localização geográfica confere-nos uma vantagem estratégica única”, explicou Chapo, referindo-se aos acessos ao mar com ligações através dos corredores desenvolvidos e também às potencialidades agrícolas.

Chapo quer também estes empresários a investirem no setor de energia para exportar para os países da região austral de África que “enfrentam desafios”, indicando que o país também tem agora potencial para a construção de centrais elétricas, além das potencialidades que surgem com a exploração do gás.

Chapo chegou a Pequim na quinta-feira para uma visita de Estado que decorre até esta semana, num contexto em que os dois países assinalam meio século de relações diplomáticas e procuram aprofundar a parceria estratégica. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Do “legado histórico” à relação “singular” entre Macau e Portugal

Na recepção oficial do Governo da RAEM em Portugal, Sam Hou Fai discursou na língua de Camões perante 400 convidados. Na ocasião, tanto o Chefe do Executivo como o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas destacaram o legado histórico e a relação “singular” entre Macau e Portugal, perspectivando um futuro de maior proximidade e cooperação. Emídio Sousa defendeu ainda que a comunidade portuguesa é “um elo vivo e permanente” das relações entre Portugal, Macau e a China. Antes, foi inaugurada uma exposição sobre a implementação do princípio “um país, dois sistemas”, onde José Cesário discursou, defendendo que é “essencial” dar passos para facilitar “ainda mais” o fluxo humano entre as partes


Foi em português que Sam Hou Fai decidiu discursar na recepção oficial do Governo da RAEM, que decorreu ao final da tarde de segunda-feira, em Lisboa, e contou com cerca de 400 convidados. O legado histórico das relações entre Macau e Portugal foi vincado quer pelo Chefe do Executivo, quer pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. Ambos apontaram ainda para o reforço da ligação e da cooperação, lembrando os mais de cinco séculos de história que unem Portugal e Macau, bem como a República Popular da China.

O líder da RAEM afirmou que a visita a Portugal “constitui simultaneamente um meio simbólico eficaz para transmitir o legado de tradição de amizade e uma iniciativa destinada a avançar na concretização dos importantes consensos alcançados” entre o Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, e o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.

Defendendo que, desde a transferência, “Macau tem aplicado com sucesso o grande princípio de ‘um país, dois sistemas’, alcançando conquistas notáveis reconhecidas mundialmente”, apontou igualmente para “a prosperidade e a estabilidade duradouras”.

Neste âmbito – e perante membros da delegação do Governo da RAEM, representantes da delegação empresarial, representantes da Embaixada da República Popular da China em Portugal, e personalidades de diversos sectores da sociedade portuguesa -, Sam Hou Fai afirmou ainda que “todos os direitos dos residentes de Macau, incluindo os dos Macaenses de origem portuguesa, são efectivamente salvaguardados nos termos da lei”.

Por outro lado, assegurou que Macau está “cada vez mais empenhado” em “potenciar o papel singular” do território com “ponte” e como “interlocutor de precisão”, “reforçando o aperfeiçoamento dos diversos mecanismos e plataformas de cooperação sino-lusófona”. O objectivo, acrescentou, é que Macau “se torne numa plataforma importante para toda a comunidade internacional, especialmente os países de língua portuguesa”, contribuindo para a concretização de cooperações “mutuamente benéficas de nível mais elevado”.

Na ocasião, fez votos para que “a árvore da amizade entre a China e Portugal permaneça para sempre viçosa e cheia de vitalidade” e para que “a cooperação entre Macau e Portugal em todos os domínios dê frutos ainda mais abundantes”.

Afirmando que a estratégia de “Macau + Hengqin” é “cada vez mais aceite e enraizada na população”, Sam Hou Fai defendeu que “o desenvolvimento integrado entre Macau e Hengqin tem um potencial ilimitado”. Depois, convidou as pessoas presentes a visitar o Interior da China, Macau e Hengqin com vista a “descobrir as oportunidades existentes na China, a investir em Macau e Hengqin” e de olhos postos no futuro.

Já o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, começou por dizer que a decisão de Sam Hou Fai de escolher Portugal como destino da sua primeira visita oficial ao exterior “tem um forte valor simbólico”. “Interpretamos [a decisão] como um sinal inequívoco da importância que Portugal continua a ocupar no quadro das relações da RAEM. Trata-se de uma escolha que honra o nosso país e que reforça a natureza especial do vínculo que nos une. Portugal olha, como sempre olhou, com especial significado para Macau”, afirmou ainda.

Emídio Sousa assinalou que “essa relação singular assenta numa história comum de quase cinco séculos que ligou Portugal a Macau e por essa via a República Popular da China”, acrescentando que, ao longo do percurso histórico, Macau se afirmou como “espaço ideal entre culturas, sistemas e visões do mundo, desempenhando um papel único e irrepetível”. “Esse legado histórico não se encerrou com a retroversão de Macau à soberania da República Popular da China, pelo contrário, marcou o início de uma nova etapa nas relações entre Portugal e Macau, enquadrada num contexto distinto, mas firmemente ancorada nos mesmos valores da confiança mútua, respeito e amizade”, considerou.

“É sobre esse património comum que o Governo de Portugal reafirma a sua determinação em aprofundar e reforçar a ligação com Macau, em estreita articulação com as autoridades da RAEM. A amizade entre Portugal e Macau traduz-se, antes de mais, nas pessoas”, prosseguiu o Secretário de Estado, acrescentando que a comunidade portuguesa residente em Macau “é importante” e “constitui um dos pilares fundamentais desta relação, sendo um elo vivo e permanente entre as nossas sociedades”.

Cesário pede “passos” para facilitar o fluxo humano

Antes da recepção oficial, o Chefe do Executivo presidiu à inauguração da exposição “Macau, Êxitos de ‘Um País, Dois Sistemas’: Transmitir o Legado de Tradição da Amizade Sino-Portuguesa e Escrever Um Novo Capítulo do Princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”, onde disse que Macau zela “sempre” pela defesa do princípio formulado por Deng Xiaoping.

José Cesário, presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, esteve igualmente presente na inauguração da mostra, tendo também assinalado, à semelhança do Secretário de Estado, a relevância da visita de Sam Hou Fai ao país. “Macau é um território que jamais deixará de fazer parte da nossa história, sendo essencial para a nossa presença no Oriente no passado, no presente e no futuro”, afirmou.

Cesário defendeu que é “essencial darmos passos no sentido de facilitarmos ainda mais o fluxo humano entre os nossos países e os nossos territórios”, apontando que as especificidades e a relevância das comunidades portuguesas em Macau e na China, e das comunidades macaense e chinesa em Portugal, são igualmente questões que requerem acompanhamento permanente.

Recorde-se que Macau não aceita, desde Agosto de 2023, novos pedidos de residência para portugueses, para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. Orientações que eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999.

Antes, tinha elogiado as “excelentes relações” entre as partes e a “a forma exemplar como a transição da administração de Macau se processou”. Numa altura em que a conjuntura política e económica globais são complexas, José Cesário assinalou a “relevância” da visita, tendo em conta o actual contexto geopolítico. Disse ainda estar certo de que resultará daqui “uma ainda maior proximidade”.

Disse ainda que “a luta pela paz a nível mundial, o entendimento entre os povos, o respeito pelo Direito Internacional e a melhoria da nossa relação política, económica e cultural serão questões que, naturalmente, estarão muito presentes nesta visita”.

Exposição mostra “forte vitalidade” do princípio “um país, dois sistemas”

Patente até 28 de Junho nas instalações da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa, a exposição “Macau, Êxitos de ‘Um País, Dois Sistemas’: Transmitir o Legado de Tradição da Amizade Sino-Portuguesa e Escrever Um Novo Capítulo do Princípio ‘Um País, Dois Sistemas’” está dividida em seis capítulos. São eles “Prefácio”, “O princípio ‘um país, dois sistemas’ é o alicerce da Região Administrativa Especial”, “Ponte de ligação para a abertura ao exterior e janela para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações”, “Zona de cooperação em Hengqin cria novo espaço de desenvolvimento para Macau”, “Sociedade harmoniosa e estável garante uma vida saudável e segura” e “Conclusão”. Através de textos em português e chinês e mais de 100 fotografias, a mostra “faz uma retrospectiva histórica, foca o presente e olha para o futuro, destacando os notáveis feitos alcançados por Macau nas áreas política, económica, social e de bem-estar da população”. São ainda exibidos vários vídeos, incluindo testemunhos de várias figuras emblemáticas que acompanharam a transição de Macau. Catarina Pereira – Portugal in “Jornal Tribuna de Macau”