Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Alemanha - Alice Neto de Sousa apresenta a sua poesia na cidade de Colónia dia 11 de outubro

A poeta e escritora Alice Neto de Sousa estará em Colónia no próximo dia 11 de outubro, para um encontro com o público promovido pela Associação dos Amigos do Ensino da Língua Portuguesa (AELP Köln)


A iniciativa, integrada no “Clube de Leitura Ilse Losa”, decorre entre as 15 e as 17 horas, na Alte Feuerwache, Kleines Forum, em Colónia.

O programa inclui a oficina de poesia “A Arte de Dizer”, um momento de poesia intitulado “Chuvas de Março” e uma oficina de poesia, acompanhados por chá e biscoitos. A participação é gratuita, mas requer inscrição através do endereço aelp-koeln@t-online.de.

Nascida em Portugal em 1993 e com raízes em Angola, Alice Neto de Sousa é licenciada e mestre em Reabilitação Psicomotora e pós-graduada em Práticas Artísticas e Inclusão Social. A sua intervenção artística tem-se desenvolvido sobretudo através da poesia dita e da presença em palco, abordando temas sociais e questões contemporâneas.

Alice Neto de Sousa foi poeta convidada para a abertura solene das comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril, onde apresentou o poema inédito “Março”. O manuscrito foi posteriormente depositado numa cápsula do tempo, que deverá ser aberta em 2074, assinalando os 100 anos da democracia portuguesa.

A sua poesia está também presente em várias antologias publicadas em Portugal e no Brasil. Em 2021, o poema “Terra” deu o título à colectânea Do que ainda nos sobra da guerra, publicada pela editora brasileira Ipêamarelo.

Entre 2021 e 2023, a autora foi presença assídua no programa “Bem-Vindos”, da RTP África, onde encontrou um espaço regular para a poesia e para a partilha de reflexões sobre a sociedade. Em 2022, o seu poema “Poeta” ganhou particular projecção nas redes sociais, alcançando leitores em vários países.

A experiência pessoal e a observação da sociedade são matérias recorrentes no trabalho de Alice Neto de Sousa. A sua poesia aborda questões sociais e temas contemporâneos, procurando levar para os palcos, através da palavra e da poesia dita, uma reflexão sobre a realidade que a rodeia.

O encontro de Colónia permitirá assim ao público lusófono contactar directamente com uma das vozes da nova poesia portuguesa, num programa que combina leitura, criação poética e participação do público.

A iniciativa é organizada pela Associação dos Amigos do Ensino da Língua Portuguesa (AELP Köln) e tem entrada livre.

Mais informações sobre a autora podem ser consultadas no seu sítio oficial: Alice Neto de Sousa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Angola - Poeta António Jacinto “deu voz aos oprimidos”

A crítica literária Noemi Alfieri recordou o percurso de António Jacinto nas letras e na luta anticolonial, tendo-o considerado como um poeta que “deu voz aos oprimidos” e contributo para a identidade nacional. A investigadora da Universidade Nova de Lisboa foi a conferencista na série “Conversas da Academia à Quinta-feira”, e abordou o tema “António Jacinto em Trânsito: Poesia, Censura e Circulações”

A Academia Angolana de Letras realizou a primeira conferência do ciclo de Outubro da série “Conversas da Academia à Quinta-feira”, uma edição que assinala o 10.º aniversário da proclamação da instituição e que serviu para saudar o 98.º aniversário natalício do poeta António Jacinto.

A sessão, moderada pelo pedagogo Isaac Paxe, contou com a presença de académicos de Angola, Bélgica, Brasil, França, Moçambique e Portugal.

Co-fundador do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola (1948), António Jacinto foi detido pela Polícia Política do regime colonial, julgado e condenado por acções consideradas subversivas, no âmbito do conhecido “Processo dos 50”, e deportado para o Tarrafal, em Cabo Verde.

A conferencista sublinhou que o poeta viveu num período de censura, com clara limitação da produção literária e jornalística. O debate incluiu a estética da obra de António Jacinto, a sua presença em publicações de resistência anticolonial e a influência da censura no seu estilo poético. Foi igualmente destacado o realismo social que caracteriza a sua obra, assente na denúncia das injustiças e no retrato do quotidiano das pessoas comuns.

Segundo Noemi Alfieri, “Sobreviver em Tarrafal de Santiago” aborda o mar, a saudade, a censura e o sentimento de revolta perante as difíceis condições de vida dos angolanos na sua própria terra.

Para a investigadora, esta poesia é vista como algo intangível, que surge onde tudo era censurado, restrito e regulamentado, mas escapa à domesticação, à ordem imposta e à repressão.

A dimensão humanista do poeta e político, cujos poemas integram várias antologias de poesia negra de expressão portuguesa, foi também realçada.

Noemi Alfieri referiu que o poeta se manteve firme nas suas convicções apesar da censura, tendo aprendido a conviver com a actuação das autoridades coloniais ao escrever uma poesia menos explícita.

A conferencista concluiu que António Jacinto deu voz aos oprimidos, sendo uma das vozes mais marcantes das letras angolanas, caracterizada por profundo engajamento político, social e humano em prol da liberdade e da identidade cultural de Angola.

Próxima conversa

A próxima série “Conversas da Academia à Quinta-feira” está agendada para 8 de Outubro, às 19 horas, também sob moderação de Isaac Paxe. O linguista polaco Eugeniusz Rzewuski, professor reformado da Universidade de Varsóvia, vai abordar o tema “Kiswahili: Macrolíngua Pan-africana de Identidade Regional”. A participação via Zoom é livre. In “Jornal de Angola” - Angola


Angola - Maya Zuda leva o livro “Quem Eu Sou?” aos leitores nas Irmãs Paulinas

A cantora Maya Zuda levou, no passado dia 01 de Outubro, quinta-feira, o livro “Quem Eu Sou” ao público leitor, no auditório das Irmãs Paulinas, Vila Alice. Segundo a autora, a obra de auto ajuda, com chancela da Editora Muenhu, propõe uma viagem de descoberta interior sobre as influências que moldam a personalidade e as diferentes “máscaras” que as pessoas constroem para se adaptarem em determinados contextos


Em declarações ao Jornal O País, Maya Zuda, que desempenha também a função de psicóloga comportamental, esclareceu as reais causas da criação do livro de cariz motivacional, centrado no autoconhecimento.

“Fiquei quase seis anos sem cantar. Neste processo, vivi várias inquietações pessoais, porque sentia que a função que exercia, na altura, afectava o meu comportamento pessoal, fazendo com que eu colocasse em causa os princípios bíblicos, que sempre moldaram quem sou hoje”, disse.

A partir daquele momento, frisou a artista, passou a procurar compreender se determinadas mudanças faziam parte do seu crescimento ou se eram resultados das influências de pessoas e dos ambientes que frequentava.

Para ampliar a investigação e aprofundar a compreensão sobre comportamentos, emoções e processos de construção da identidade, a autora disse que recorreu à leitura, a formação em Psicologia e o contacto profissional com diferentes pessoas.

Da experiência pessoal à escrita Maya Zuda declarou que procurou afastar-se da ideia de escrever simplesmente sobre a sua experiência profissional, razão pela qual espera que as questões abordadas ultrapassem a sua própria realidade, uma vez que a obra não foi concebida como uma autobiografia.

Partindo deste pressuposto, segundo ainda a autora, o livro apresenta-se como um instrumento de reflexão para diferentes leitores, independentemente da profissão, idade ou contexto em que estiverem inseridos. In “O País” - Angola




Suíça - Trabalho já não garante sair da pobreza

Mesmo com emprego, cerca de 360 mil pessoas na Suíça não ganham o suficiente para cobrir as despesas básicas do dia a dia

A organização Caritas alertou que a Suíça não está a fazer o suficiente para combater a pobreza entre pessoas que trabalham. Nas vésperas do anúncio de novos aumentos nos planos de saúde, a entidade pediu mais apoio para famílias de baixo rendimento.

Segundo a Caritas, cerca de 360 mil trabalhadores, o equivalente a 8,8% da população empregada, não conseguem cobrir as despesas regulares das suas famílias com o rendimento que recebem. Considerando também os familiares que vivem nesses lares, mais de 820 mil pessoas são afetadas.

A ONG afirma que o número de trabalhadores em risco de pobreza nunca foi tão alto desde o início da metodologia atual de medição, em 2014.

Famílias sem margem financeira

A Caritas apresentou o exemplo de um motorista que trabalha em tempo integral no cantão de Zurique. Mesmo empregado, ele mal consegue sustentar sozinho uma família de seis pessoas. Os custos da creche do filho mais novo já ultrapassam o orçamento doméstico.

Segundo a entidade, famílias de baixo rendimento gastam praticamente todos os seus recursos com despesas fixas e necessidades essenciais, restando pouca margem para absorver novos custos.

Pais solteiros estão entre os mais vulneráveis

A Caritas destaca que quase metade das pessoas em situação de pobreza apesar de terem trabalho vive com os filhos.

A falta de formação profissional após a escolaridade obrigatória também aumenta o risco de pobreza. Muitos trabalhadores ocupam empregos de baixa remuneração e horários irregulares, o que dificulta investir em qualificação.

Pais e mães solteiros estão entre os mais vulneráveis, pois precisam conciliar trabalho e cuidados com os filhos sem contar com uma segunda fonte de rendimento na família.

Caritas pede salário mínimo

A organização defende a criação de um salário mínimo nacional, além de horários de trabalho mais previsíveis e maior apoio financeiro para as famílias.

A entidade também propõe ampliar benefícios complementares e bolsas que permitam aos trabalhadores investir em formação profissional sem perder rendimento ou acesso a serviços de cuidado infantil. Fernando Hirschy – Suíça in “Swissinfo”


domingo, 4 de outubro de 2026

Timor-Leste - Guteriano Neves: “O petróleo foi uma bênção, mas pode tornar-se uma maldição para o país

Com o fim da produção de Bayu-Undan e a crescente dependência do Fundo Petrolífero, o economista e investigador Guteriano Neves alerta para os riscos de manter um modelo económico assente nas receitas do petróleo. No livro Dependência do Petróleo: Bênção ou Maldição?, defende uma transição baseada na diversificação económica, no reforço do setor privado e numa utilização mais estratégica dos recursos públicos


Durante mais de duas décadas, o petróleo esteve no centro da economia de Timor-Leste. As receitas provenientes dos recursos petrolíferos permitiram financiar o Estado, construir infraestruturas, apoiar serviços públicos e criar o Fundo Petrolífero, que se tornou um dos principais pilares das finanças públicas do país.

Com o fim da produção de Bayu-Undan, em junho de 2025, Timor-Leste entrou numa nova etapa. A questão já não é apenas quanto petróleo ainda existe, mas sobretudo como construir uma economia capaz de crescer, criar emprego e melhorar as condições de vida da população sem depender estruturalmente das receitas petrolíferas.

É neste contexto que Guteriano Neves, escritor, investigador e economista, lançou o livro Dependência do Petróleo: Bênção ou Maldição?, no sábado, 26 de setembro, na Galeria Memória Viva, no Farol, em Díli.

Com mais de duas décadas de investigação e acompanhamento das políticas económicas, petrolíferas e de finanças públicas de Timor-Leste, Guteriano Neves apresenta uma análise crítica sobre os efeitos da dependência petrolífera no desenvolvimento do país.

Nesta entrevista exclusiva ao Diligente, Guteriano Neves fala sobre as razões que o levaram a escrever o livro, os limites da diversificação económica, a gestão das receitas petrolíferas, o futuro do Fundo Petrolífero, o papel do setor privado e os desafios colocados pelo Greater Sunrise.

Leia a entrevista a Guteriano Neves na integra aqui. Rilijanto Viana – Timor-Leste in “Diligente”


Argentina - Inês Lobo participa na XX Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires

A arquiteta portuguesa Inês Lobo participa na segunda-feira na XX Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires, no âmbito do Programa Internacional de Conferências, com o apoio da Embaixada e do Camões, I.P.


Fundadora do atelier Inês Lobo Arquitectos, com sede em Lisboa, Inês Lobo tem desenvolvido uma carreira profissional e académica reconhecida. Participou nas Bienais de Arquitectura de Veneza de 2016 e 2018 e foi comissária da representação portuguesa na edição de 2012.

O seu trabalho foi distinguido, entre outros, com o título de Oficial da Ordem do Mérito de Portugal, o Prémio Mulheres Criadoras da Cultura, o ArcVision – Women in Architecture e o Prémio AICA.

Inês Lobo participa na jornada de abertura da Semana Internacional da XX Bienal, onde irá apresentar o seu trabalho e a sua visão sobre a arquitectura contemporânea, juntamente com profissionais de vários países.

A apresentação decorre pelas 17h15, na Associação Amigos do Museu Nacional de Belas Artes, em Buenos Aires. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Um Mais Um


 










Vamos aprender português, cantando

 

Um Mais Um

 

Um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Ai, da vida a morte a morte é noiva

e todos que estão em pé têm véu branco

ao andares tu vais varrendo a terra

ai, que cobre o teu caixão

 

Tempo roda em roda e é tornado

que torna a tornar e tudo entorna

entorna a tua vida em cova funda

e funde o corpo com a terra escura

 

Um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Ai, oh meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

 

Ai, oh meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

 

Ai, oh meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

 

Ai, oh meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

 

Mas, um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Ana Lua Caiano - Portugal