O líder da junta militar do Burkina Faso diz que a democracia “mata” e que, neste momento, é inadequada para a realidade do seu país. Ibrahim Traoré afirma que a prioridade deve ser o restabelecimento da segurança e da soberania nacional, antes de qualquer processo eleitoral.
As declarações foram feitas recentemente, num discurso
dirigido à nação, num contexto de agravamento da crise de segurança no país,
marcada por ataques persistentes de grupos armados em várias regiões. Traoré
sustenta que a realização de eleições, nas actuais circunstâncias, não
resolveria os problemas estruturais e poderia, inclusive, agravar a
instabilidade.
No mesmo posicionamento, o líder militar defendeu que o
modelo democrático liberal não responde às especificidades do Burkina Faso e de
outros países africanos, argumentando que, em certos contextos, a sua aplicação
tem contribuído para o enfraquecimento do Estado e para o aumento da
insegurança. Como exemplo, apontou situações de instabilidade vividas noutros
países, associadas a processos políticos considerados frágeis.
Ibrahim Traoré chegou ao poder em Setembro de 2022,
através de um golpe de Estado que derrubou o então líder da transição, num
cenário já marcado por forte contestação popular e deterioração das condições
de segurança. Na altura, a junta militar assumiu o compromisso de conduzir uma
transição com vista ao regresso à ordem constitucional.
Entre as promessas iniciais estava a realização de
eleições e a transferência do poder para um governo civil, assim que estivessem
reunidas condições mínimas de estabilidade. No entanto, desenvolvimentos
recentes indicam um afastamento desse calendário, com o prolongamento da
transição e a adopção de medidas que reforçam o controlo do poder pela junta.
O Burkina Faso insere-se num contexto regional mais
amplo, marcado por uma vaga de regimes militares no Sahel, onde a luta contra o
terrorismo e a contestação à influência externa têm servido de base para
redefinir modelos de governação. In “O País” - Moçambique