Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Angola - Fragata de Morais defende aproximação dos escritores às escolas e aos bairros periféricos

O escritor, poeta e dramaturgo, Fragata de Morais realçou a importância de levar a literatura às comunidades rurais e ao ambiente escolar para inspirar os leitores, de maneira a desenvolver também o intelecto dos jovens


Fragata de Morais abordou o assunto ao jornal O País, no âmbito da sua participação no programa “12 Escritores na Biblioteca Comunitária”, em Viana, a decorrer este Sábado, 24. O escritor destacou a necessidade de haver um contacto directo entre autores e jovens, de modo a cultivar neles o gosto pela leitura, bem como combater o “embrutecimento” provocado pelo uso excessivo das tecnologias.

“A leitura é fundamental para o crescimento espiritual e cultural do indivíduo”, disse. Ao recordar a sua trajectória, Fragata de Morais contou que iniciou com bandas desenhadas, por exemplo, o “Tio Patinhas”, numa época em que não havia televisão ou internet, distinguindo a sua experiência com a realidade actual.

Segundo o escritor, a facilidade de acesso às informações rápidas via “Professor Google” pode, paradoxalmente, dificultar o desenvolvimento do interesse constante pela leitura. Fragata de Morais diz que iniciativas parecidas à “12 Escritores na Biblioteca Comunitária” deveriam ser replicadas nas instituições de ensino. Augusto Nunes – Angola in “O País”


Moçambique - Feira do Livro de Maputo homenageia Noémia de Sousa e Luís Carlos Patraquim

O Conselho Municipal de Maputo realiza, nos dias 22, 23 e 24 de Outubro, a 11.ª edição da Feira do Livro de Maputo, nos Paços do Município e no Jardim Tunduru. Sob o lema “Se me quiseres conhecer, vem sonhar com o livro”, inspirado no poema de Noémia de Sousa, a iniciativa pretende promover a literatura e valorizar o património literário moçambicano.


Noémia de Sousa é a patrona da edição deste ano, numa homenagem ao seu contributo para as letras nacionais e à influência da sua obra sobre escritores de Moçambique e de outros países. O lema foi retirado do poema “Se me quiseres conhecer”, publicado no livro Sangue Negro.

Durante os três dias, o programa inclui lançamentos e venda de livros, mesas-redondas, encontros entre escritores, bibliotecários, especialistas, alunos e professores, além de oficinas criativas de leitura e escrita e concursos literários.

Um dos momentos centrais será a homenagem a Luís Carlos Patraquim, poeta, escritor, guionista, dramaturgo e jornalista moçambicano, autor de obras como Monção, A Inadiável Viagem, O Osso Côncavo e Outros Poemas e A Canção de Zefanías Sforza.

Promovida pelo Conselho Municipal de Maputo, a Feira do Livro de Maputo constitui, há cerca de duas décadas, um espaço de promoção da língua portuguesa, da literatura e do intercâmbio cultural. O evento reúne escritores, editores, livreiros, professores, estudantes, jornalistas e leitores de diferentes idades, através de actividades literárias, educativas e artísticas. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Portugal - Como um buraco negro pode estar a eliminar estrelas binárias do centro da Via Láctea

Estudo da Universidade de Coimbra publicado na revista Astronomy & Astrophysics ajuda a explicar a reduzida presença de sistemas de estrelas binárias junto ao buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia


No centro da Via Láctea, a escassos anos-luz de distância, um conjunto de estrelas muito jovens orbita Sagittarius A*, o buraco negro supermassivo da nossa galáxia. A presença destas estrelas num ambiente de forças gravitacionais extremas tem intrigado a comunidade científica.

Um novo estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em parceria com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e a Universidade de Amsterdão, revela agora que a influência gravitacional do próprio buraco negro é responsável por destruir e alterar uma grande parte dos sistemas estelares duplos (sistemas binários) naquela região.

O trabalho, liderado por Rodrigo Silva, investigador e aluno de doutoramento da FCTUC (vinculado ao CFisUC e CENTRA), foi publicado na conceituada revista científica internacional Astronomy & Astrophysics (Letter).

As estrelas que orbitam Sagittarius A*, conhecidas como aglomerado S, são maioritariamente estrelas do tipo B, com idades de alguns milhões de anos. A sua presença nas proximidades de um buraco negro supermassivo constitui um desafio para a Astrofísica, uma vez que as intensas forças gravitacionais nesta região dificultam os processos habituais de formação estelar. Este problema é conhecido como «paradoxo da juventude».

Uma das hipóteses propostas para explicar a origem destas estrelas é a de que se tenham formado no próprio local onde hoje são observadas, a partir da fragmentação de uma camada de gás denso. Neste cenário, compreender a proporção de estrelas que integram sistemas binários pode ajudar a esclarecer as condições em que se formaram e a evolução que tiveram desde então.

Para testar esta hipótese, os investigadores recorreram a simulações numéricas que permitem acompanhar a evolução de sistemas binários sob a influência gravitacional de Sagittarius A*. Os resultados mostram que este ambiente pode alterar significativamente a população inicial de estrelas binárias: cerca de 20% dos sistemas simulados são separados pelas forças de maré do buraco negro, 18% acabam por se fundir e 62% sobrevivem como sistemas binários.

Partindo de uma proporção inicial de sistemas binários semelhante à observada noutras populações de estrelas massivas, as simulações apontam para uma proporção final de cerca de 38%. Este valor é compatível com a estimativa observacional de aproximadamente 43%, obtida pelos investigadores para o aglomerado S. A concordância entre os dois valores constitui o principal resultado do estudo e mostra que a reduzida proporção de sistemas binários nesta região pode ser explicada, pelo menos em parte, pelas interações gravitacionais com o buraco negro.

A estimativa observacional foi refinada com a inclusão do sistema D9, identificado em 2024 e considerado o primeiro sistema binário conhecido no aglomerado S. A sua descoberta permitiu melhorar as restrições observacionais utilizadas pelos investigadores para calcular a proporção destes sistemas na região central da Galáxia.

As simulações revelam ainda que a proporção de sistemas binários aumenta com a distância a Sagittarius A*, à medida que diminui a intensidade das forças de maré exercidas pelo buraco negro. Esta tendência é também compatível com os limites observa cionais obtidos em estudos anteriores para diferentes distâncias do centro galáctico.

Os resultados apoiam, assim, o cenário de formação no próprio local para as estrelas do aglomerado S. De acordo com esta interpretação, as estrelas poderão ter-se formado nas proximidades de Sagittarius A* e, ao longo do tempo, as interações gravitacionais terão alterado a proporção de sistemas binários inicialmente existente.

O episódio de formação estelar considerado neste cenário pelos autores poderá ainda estar associado a uma fase de atividade do centro galáctico que terá dado origem às bolhas de Fermi, enormes estruturas observadas em raios gama que se estendem acima e abaixo do plano da Via Láctea. Esta possível ligação constitui uma pista adicional para compreender a história de atividade do centro da nossa Galáxia, embora careça de confirmação.

Ao estudar a evolução dos sistemas binários num dos ambientes mais extremos da Via Láctea, os investigadores da FCTUC e FEUP contribuem para compreender melhor não só o comportamento das estrelas nas proximidades de um buraco negro supermassivo, mas também a sua possível origem e a história de formação estelar no centro galáctico. Universidade de Coimbra - Portugal




Nações Unidas - Desencoraja violência e repressão em protestos estudantis na Europa

O Chefe de Direitos Humanos apela a governos europeus para travarem a escalada de violência na sequência de protestos estudantis. O alerta surge após vários dias de confrontos entre manifestantes e forças de segurança no continente


O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, condenou a violência das manifestações que se alastram por vários países europeus. O representante revelou estar preocupado com o uso excessivo da força por parte das autoridades.

Portugal é um dos países que nas últimas semanas verifica protestos de milhares de jovens contestando o aumento do custo de vida, a crise habitacional e a deterioração dos serviços públicos. Os atos também têm lugar em ruas e praças de França, Espanha, Itália, Grécia e Albânia.

ONU preocupada com os protestos

As respostas policiais aos protestos preocupam as Nações Unidas. Em comunicado, Volker Turk apelou aos governos dos cinco países para que travem a escalada de violência que acompanha estas manifestações.

O representante sublinhou que os jovens têm o direito de se manifestar pacificamente e de fazer ouvir a sua voz e que os Estados devem facilitar o exercício desse direito.

O seu alerta surge após vários dias de confrontos entre manifestantes e forças de segurança, episódios marcados, por vezes, por roubo, incêndios e centenas de detenções.

Acampamentos marcam manifestações em Portugal

Em Portugal, a crise habitacional concentra o descontentamento dos estudantes. Na passada quinta-feira, forças policiais mobilizadas para desmantelar os acampamentos na Praça D. João I, no Porto, investiram contra dezenas de manifestantes, deixando vários feridos.

Na madrugada de terça-feira, as autoridades desmantelaram outros acampamentos montados em praças das cidades de Lisboa e do Porto. Os protestos organizados contra o aumento das rendas nas duas maiores cidades do país já se alastraram por vários distritos de Portugal continental.

Pelo menos 55 ativistas foram detidos por alegada resistência no acampamento pelo direito à habitação na capital. Os manifestantes compareceram esta quarta-feira em tribunal para o primeiro interrogatório.

Movimento estudantil com origem em França

As manifestações no continente tiveram início em França, ainda no mês de setembro, contra a falta de recursos no sistema de ensino. No decorrer das semanas, a subida dos preços e os cortes nos serviços públicos passaram a integrar as palavras de ordem dos manifestantes franceses.

No sábado, as manifestações degeneraram em várias cidades. Em Paris e Marselha, vários estabelecimentos comerciais foram saqueados e edifícios danificados. Mais de 2,4 mil pessoas foram detidas, avançam as agências.

Na Bélgica, grupos de estudantes do ensino secundário juntaram-se a um protesto mais vasto contra as medidas de austeridade do Governo Federal. As manifestações em Bruxelas e Liège resultaram em cerca de 200 detidos, entre os quais havia pelo menos 25 menores de idade.

Em Itália, sobretudo em Milão, os protestos contra o custo de vida e as dificuldades económicas também degeneraram em confrontos.

Na Albânia, onde os protestos são dirigidos contra o Governo de Edi Rama, os estudantes denunciam a corrupção, as condições do ensino e a falta de perspetivas económicas.

Ainda esta quarta-feira, milhares de estudantes e professores saíram às ruas na Grécia, exigindo maior financiamento estatal para a educação.

Resposta das autoridades deve ser proporcional

Volker Turk lamenta os atos daqueles que aproveitam as manifestações para cometer atos de violência e vandalismo contra bens públicos e privados, sublinhando que os autores devem ser individualmente responsabilizados.

O alto comissário também manifestou a sua preocupação com os relatos sobre o uso desnecessário e excessivo da força contra os manifestantes, incluindo crianças.

Turk lembra que toda a intervenção policial deve ser “legal, necessária e proporcional” e que as vítimas devem ter a possibilidade de obter reparação, devendo os responsáveis ser responsabilizados.

Tal como o direito de manifestação não protege os autores dos danos cometidos, a violência cometida por alguns manifestantes não pode justificar uma repressão indiscriminada, enfatiza o alto comissário. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O fim da privatização como panaceia

Obra do professor e economista Ricardo Paes Mamede contesta a ideia de que o Estado deveria intervir o mínimo possível na economia 

                                                                                                    

                                                                                I

Que a privatização não é uma panaceia para os problemas econômicos ou de infraestrutura é o que se vem constatando nos últimos tempos, especialmente no Brasil, a partir da privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), concluída em julho de 2024 pelo governo estadual, depois de uma série de incidentes graves, que incluíram uma explosão de gás no bairro do Jaguaré, na capital paulista, provocada pela inexperiência de operários de uma empresa terceirizada, que deixou um morto e dezenas de imóveis destruídos. 

No caso da Sabesp, o que se pode lembrar ainda é que, em vez a aumentar a eficiência operacional, a privatização gerou expressivo número de reclamações, cortes de pessoal técnico, aumento de tarifas, reajustes contratuais desfavoráveis aos trabalhadores e debates sobre a perda de controle estratégico em serviços essenciais, como água e esgoto. Mas, se alguém ainda alimenta dúvidas quanto à privatização como solução mágica, é recomendável que leia a obra Política industrial. Como os Estados transformam as economias (Lisboa, Contraponto Editores, 2026), do professor e economista Ricardo Paes Mamede, que contesta veementemente a ideia de que o Estado deveria intervir o mínimo possível na economia, assumindo-se apenas como mero legislador e regulador para garantir o funcionamento eficiente dos mercados.  Para o economista, o século XXI voltou a trazer a política industrial para o centro do debate político e econômico.

Em sua obra, o economista procura mostrar como os Estados podem agir para transformar a estrutura das atividades produtivas, tendo em vista determinados objetivos públicos, esgrimindo os prós e os contras da intervenção estatal enquanto ação modeladora das estruturas produtivas, bem como na promoção de atividades específicas. Para tanto, com base nas experiências ocorridas em séculos anteriores não só na Europa como nos Estados Unidos e na Ásia, mostra quais deveriam ser as prioridades e os instrumentos da política industrial na governação.

 

                                             II

O professor argumenta que essa mudança de mentalidade foi provocada, em grande parte, pelo sucesso econômico da China nas últimas décadas, considerado um “indício da eficácia de uma estratégia pública que dirigiu os apoios para atividades específicas”. E acrescenta: “Diversos estudos sobre os chamados “tigres asiáticos” (em particular, Coreia do Sul, Taiwan e Singapura) e sobre o papel do Estado na industrialização dos Estados Unidos, da Alemanha e do Japão, por exemplo, demonstraram que o sucesso é indissociável de um conjunto de intervenções seletivas, orientandas para setores sofisticados, geralmente acompanhadas de disciplina concorrencial e de uma forte orientação exportadora”.

Seja como for, o economista adverte que esse regresso à política de intervenção estatal também não está isenta de riscos, lembrando que os recursos a subsídios e taxas aduaneiras para favorecer produtores nacionais podem gerar ineficiências persistentes e intensificar tensões geopolíticas. E observa que a questão é saber como desenhar e implementar políticas que evitem esses riscos, mas que criem o ambiente material e institucional que permite que eles floresçam, intensificando efeitos de encadeamento, diversificação produtiva e ganhos de produtividade.

Um exemplo que se pode acrescentar é o do Estado de Goiás, que passou a apresentar altos níveis de desenvolvimento a partir da adoção de uma política de incentivos fiscais, que atraiu grandes indústrias para o Centro-Oeste, já que antes essas empresas optavam por Estados litorâneos, em razão da proximidade com os portos.

Depois de assinalar que a Inglaterra sempre foi protecionista até se tornar rica e que os Estados Unidos, às vésperas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), já eram a economia mais avançada do mundo, apoiada no protecionismo alfandegário, no controle público do crédito, no apoio estatal ao desenvolvimento de uma rede de trens e canais navegáveis, o economista observa que muitos países aprenderam com a experiência de industrialização e de avanço tecnológico dessas nações. E ressalta que a Alemanha foi um dos primeiros países a fazê-lo, inspirada nas ideias do economista alemão Friedrich List (1789-1846), para quem “a prosperidade não derivava apenas da liberdade de comércio, mas sobretudo da construção deliberada das forças produtivas: indústria, ciência, formação técnica, infraestruturas modernas e um sistema financeiro orientado para o investimento produtivo”.

Para List, como observa Mamede, o protecionismo e as políticas públicas não eram um obstáculo, mas sim instrumentos fundamentais para que um país jovem escapasse à condição de fornecedor periférico de matérias-primas e adquirisse a capacidade de competir, em pé de igualdade, com as potências industriais. Foi com esta aprendizagem americana, acrescenta o autor, que List regressou à Europa e elaborou o seu projeto político para a futura Alemanha unificada, já que, até então, a fragmentação aduaneira entre os Estados germânicos bloqueava a emergência de um mercado nacional, condenando a indústria alemã a uma posição secundária.

Em suas conclusões, Mamede diz que a política industrial não é uma mera técnica de governação econômica, mas uma atitude perante os desafios que os países enfrentam. Ou seja, é a decisão coletiva de não deixar a evolução das capacidades produtivas de uma nação ao sabor das interações de mercados, “assumindo que o destino das economias nacionais pode e deve ser orientado com sucesso através de processos de deliberação coletiva”. Isso quer dizer, segundo o economista, que as capacidades produtivas não se transformam por decreto, mas “dependem de infraestruturas, qualificações, sistemas de inovação, relações laborais, financiamento, regulação, expectativas e estratégias coletivas”.  Em suma: dependem de política.


                                                      III

Nascido em Coimbra, em 1974, Ricardo Nuno Ferreira Paes Mamede, economista, é professor de Economia Política no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Iscte), do Instituto Universitário de Lisboa (IUL), instituição pública. Frequentou a Escola Secundária de Odivelas e licenciou-se em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa, em 1996, e, na mesma instituição, fez o mestrado em Economia e Gestão de Ciência e Tecnologia, em 1999. Doutorou-se em Economia pela Universidade Bocconi, na Itália, em 2006. Leciona desde 1999 no Iscte-IUL nas áreas de Política Industrial e de Inovação, de Economia Política Internacional e de Avaliação de Políticas. É vice-reitor do Iscte para a Internacionalização e a Extensão Universitária desde março de 2026.

Foi presidente da Comissão Instaladora do Iscte-Sintra (Escola de Tecnologias Digitais Aplicadas) entre 2022 e 2025 e presidente da direção do Instituto para as Políticas Públicas e Sociais (Ipps-Iscte) entre 2018 e 2023. Entre 2008 e 2014, foi coordenador do Núcleo de Estudos e Avaliação do Observatório do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN). Foi diretor de Serviços de Análise Econômica e Previsão do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e da Inovação em 2007/2008.

É atualmente diretor do Mestrado em Economia e Políticas Públicas do Iscte-IUL e, desde 2017, membro do Conselho Econômico e Social, eleito na qualidade de “personalidade de reconhecido mérito”. É ainda comentarista no programa de televisão Tudo é Economia, da RTP3, tendo participado anteriormente em outro programa da mesma emissora, Números do Dinheiro.

É autor de A crise, a troika e as alternativas urgentes, em co-autoria com Alexandre Abreu, Hugo Mendes, João Rodrigues, José Gusmão, Nuno Serra, Nuno Teles, Pedro D. Alves (Lisboa, Tinta da China, 2013); Structural Change, Competitiveness and Industrial Policy: Painful Lessons from the European Periphery, co-organizador com Aurora Teixeira e Ester Silva (Londres, Routledge, 2014); O que fazer com este país (Lisboa, Marcador, 2015); A economia como desporto de combate (Lisboa. Relógio d´Água, 2016); e Economia com todos, em co-autoria com João Rodrigues, José Caldas, Nuno Teles, João Almeida, Diogo Martins, Nuno Serra, Jorge Bateira, Paulo Coimbra, Eugénia Pires, Alexandre Abreu, Hugo Mendes e José Gusmão (Lisboa, Relógio d'Água, 2017). Adelto Gonçalves - Brasil

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Política industrial. Como os Estados transformam as economias, de Ricardo Paes Mamede. Lisboa, Contraponto Editores, 272 páginas, 16,92 euros, 2026. Site da editora: www.contraponto.pt; E-mail da editora: contraponto@contrapontoeditores.pt; E-mail do autor: ricardo.mamede@iscte-iul.pt 

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Adelto Gonçalves (1951), jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; LetraSelvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos. E-mail: marilizadelto@uol.com.brParte superior do formulário




Argentina - Família de origem algarvia constrói negócio de sucesso

Uma empresa familiar de chocolates e alfajores, fundada por duas irmãs com raízes no Algarve, tornou-se uma referência comercial na província argentina de Chubut


Tudo começou em 1992, quando duas irmãs da família Luz Clara começaram a experimentar receitas de chocolates e alfajores em casa. O pequeno projeto familiar cresceu ao longo dos anos e deu origem a um negócio que mantém a produção artesanal.

Mais de três décadas depois, a Chocolates de la Colonia conta com dois estabelecimentos, localizados em Comodoro Rivadavia e Rada Tilly, e dispõe também de um salão de eventos.

A história da Chocolates de la Colonia foi destacada pela embaixada de Portugal na Argentina, durante uma visita a Comodoro Rivadavia. A visita da embaixada coincidiu com a véspera do Dia da Mãe na Argentina, uma altura em que muitas famílias se deslocavam ao estabelecimento para escolher presentes.

A embaixada de Portugal sublinha que este é mais um exemplo do contributo das famílias lusodescendentes para o desenvolvimento comercial e produtivo da Patagónia argentina. In “Bom dia Europa” - Portugal


Cabo Verde - Escritora cabo-verdiana Zaida Sanches nomeada para prémio internacional de literatura infanto-juvenil

Lisboa – A escritora cabo-verdiana Zaida Sanches foi nomeada para o Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA) 2027, um dos mais prestigiados prémios internacionais de literatura infanto-juvenil, que conta nesta edição com 277 candidatos de 80 países e regiões.


Em nota enviada à Inforpress, a autora lembrou que os 277 nomeados, dos quais 85 integram a lista pela primeira vez, foram anunciados pela organização no dia 14 de outubro e o vencedor ou a vencedora da edição 2027 será anunciado a 6 de abril de 2027.

A distinção foi criada em 2002, pelo Governo da Suécia, em homenagem à escritora Astrid Lindgren, oriunda daquele país, para reconhecer as pessoas e organizações cujo trabalho contribui para a literatura infanto-juvenil e para a promoção da leitura.

“Este reconhecimento é gratificante a título pessoal, mas também permite levar a cabo-verdianidade ao distinto palco, que celebra o mérito, a criatividade, a autenticidade e a promoção da leitura”, afirmou a também diplomata, que agradeceu à Arte-Via pela indicação e dedicou a nomeação a Cabo Verde.

Zaida Sanches tem sete obras infanto-juvenis publicadas, sendo quatro da colecção Stera, publicadas há 17 anos, que abordam temáticas tradicionais da cultura cabo-verdiana, resgatam elementos da tradição oral, preservam a cultura e a identidade.

Em 2019 publicou em forma de contos O Planeta Mágico, O Planeta Azul e Sou Diferente que compõem a Coletânea Direitos Humanos, Ambiente e Diversidade.

Os três livros abordam questões como os direitos fundamentais, a protecção ambiental, a inclusão e a convivência num mundo plural, conjugando a valorização da cultura cabo-verdiana com temas de cidadania global.

Duas obras da autora, A Sopa da Beleza e Sou Diferente constam do Manual de Língua portuguesa, do 2.º e do 4.º ano, do ensino primário em Cabo Verde, são estudadas nas rubricas “A minha família” e “Juntos com as nossas diferenças”, respectivamente.

Os seus livros têm sido mencionados em trabalhos académicos realizados por estudantes da Universidade de Cabo Verde, (Uni-CV) e objecto de estudo em artigos científicos em revistas internacionais de analise literária, por docente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O Planeta Azul é uma das obras que os estudantes da Escola Superior de Educação de Portugal narram para Cabo Verde no âmbito do Projecto Internacional Viajar com Livros. A anotar ainda que, foi publicado no Brasil, em 2024, o Manual Antirracista - Para uma Educação Plural - Memórias Negras e Afro-Indígenas, em que a bibliografia da escritora é estudada nesta edição, assim como aspectos culturais do seu país.

Para além da escritora de Cabo Verde, da lista dos candidatos lusófonos para o Prémio ALMA, constam nomeados de Portugal e do Brasil.  Os países com maior número de candidatos nomeados foram a Suécia, o Reino Unido, os Estados Unidos da América, a Finlândia, o México e a Noruega.

Na edição de 2026, o prémio foi atribuído ao escritor e ilustrador canadiano Jon Klassen. In “Inforpress” – Cabo Verde