Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Cabo Verde - “As Marias” de Florizandra Porto com lançamento na cidade de Lisboa

A escritora cabo-verdiana Florizandra Porto lança, no dia 17 deste mês, no Palácio Baldaya, em Lisboa (Portugal), a obra “As Marias”, um romance que mergulha nas feridas, silêncios e resistências da mulher cabo-verdiana


Segundo uma nota enviada, a obra relata as marcas que ficam na pele e na memória, como a violência contra a mulher, constantemente presente nas notícias, que representa apenas uma pequena parte do que acontece dentro de muitas famílias cabo-verdianas.

As Marias acompanham mulheres de diferentes origens, gerações e histórias de vida que, apesar das suas diferenças, carregam um fardo semelhante: a violência, o sofrimento e a necessidade extrema de se reconstruírem”, refere.

A mesma fonte indica que a obra caracteriza-se por uma linguagem directa, intensa e sem censura, denunciando situações de feminicídio, violência doméstica e violência sexual.

“Mais do que um romance, As Marias surge como um retrato social contemporâneo e um tributo à resiliência feminina. O livro denuncia estruturas de violência e negligência, mas também celebra a capacidade de sobrevivência, luta e reinvenção das mulheres cabo-verdianas”, salienta.

O lançamento oficial decorrerá no dia 17 de Maio, em sessão pública com roda de conversa, reunindo leitores, convidados e membros da comunidade cultural. A apresentação contará com a participação de Sona Fati, Patrícia Mosso e Isabel Menezes, e terá lugar no Palácio Baldaya.

Natural da cidade de Mindelo, Florizandra Delgado Porto Barros fez os estudos primários e secundários na sua ilha natal. Formou-se em Educação de Infância na Escola de Formação de Professores, Instituto Pedagógico da Praia, e licenciou-se em Ensino Básico, Língua Portuguesa e Estudos Cabo-Verdianos pela UNICV-FAED.

Pós-graduada em Gestão e Administração Escolar pela Universidade de Coimbra e mestre em Ensino do Português como Língua Segunda pela Universidade de Santiago, Cabo Verde.

É professora de Ensino Básico Obrigatório. Em 2012, foi um dos integrantes do fanzine de poesia e banda desenhada "Banda Poética". Em Junho de 2015, lança a primeira obra literária, o livro infantojuvenil O melhor amigo.

Foi coautora das antologias de histórias carnavalescas e de assombração "Ninguém leva a mal" e "Sexta-feira 13", da editora Sui-generis, Lisboa em 2017.

Em 2021, arrebatou o 1º e 3º prémio do Concurso Dramaturgia "Festival de Teatro do Atlântico, TEARTI", Cabo Verde. Em 2024, lançou Vendedeiras de Prazer. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


Moçambique - Vence “Somos Imagens da Lusofonia” pelo segundo ano consecutivo

O fotógrafo moçambicano Hamir da Silva é o grande vencedor da sétima edição do concurso “Somos Imagens da Lusofonia”, que distinguiu também dois fotógrafos portugueses. A exposição fotográfica relativa a esta edição terá lugar no dia 29 de Maio, nas Casas da Taipa, com a presença do vencedor e a inclusão de cerca de 40 fotografias


O primeiro lugar do concurso “Somos Imagens da Lusofonia” voltou a ser conquistado por um fotógrafo moçambicano, pelo segundo ano consecutivo. A imagem “Resiliência da Comunicação”, de Hamir da Silva, foi distinguida pelo júri da Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP) com um prémio pecuniário de dez mil patacas e a oferta de uma viagem a Macau.

A sétima edição teve como tema “O Hoje do Passado”, propondo uma homenagem aos elementos “antigos” do mundo lusófono que ainda hoje perduram como testemunhos culturais, apesar do célere desenvolvimento sócio-económico e tecnológico que se observa a nível global. A imagem de Hamir da Silva ecoa esta tema ao representar um homem a sintonizar um rádio antigo, “que resiste ao tempo”, e crianças a brincar com latas unidas por um fio, “numa reinvenção da infância e da cultura de brincar que atravessa gerações”.

De acordo com a apreciação da Somos – ACLP, a fotografia “remete para a intemporalidade” destas actividades e demonstra que “o simples pode ser extraordinário e que a memória tem o poder de unir pessoas”. Para além do prémio numerário, o vencedor terá também direito a viagem e estadia em Macau para garantir a sua presença na cerimónia de inauguração da exposição fotográfica, a decorrer no final do mês.

O pódio de vencedores completa-se com duas imagens de fotógrafos portugueses. O segundo prémio foi conquistado por Adão Salgado, autor da fotografia “O mar como legado vivo”, que representa a arte xávega – uma técnica de pesca artesanal secular que vai sobrevivendo no litoral português, embora cada vez menos visível. “Apoiado pelo esforço dos pescadores, assiste-se à vitalidade de um ofício que resiste à globalização”, escreve a organização, que atribuiu a esta obra um prémio de sete mil patacas.

O terceiro prémio foi para Carlos Júlio Teixeira, com a fotografia “A fé cantada”. Tirada no interior de uma igreja, a imagem retrata um grupo de fiéis que participa numa festa devotada a São Vicente. “São as mulheres que cantam e é na sua voz que permanecem vivas as memórias de um povo que canta para não esquecer”, lê-se no comunicado. Os jurados recompensaram este trabalho com um prémio de cinco mil patacas.

Para além dos três premiados, o júri, composto por fotojornalistas a trabalhar em Macau, Portugal, Brasil e Moçambique, nomeou ainda três menções honrosas através de certificados. Os destaques foram para o português Carlos Costa, com uma representação da tradicional “Festa dos Rapazes” em Trás-os-Montes (“Varge”); a brasileira Clarice Carvalho, com uma imagem sobre a força da escrita a atravessar o tempo (“Presente do passado”); e ainda o moçambicano Marcos Júnior, vencedor da edição anterior, que desta vez apresentou uma fotografia de crianças a brincar à frente de uma casa com um passado colonial (“Crescer entre memórias”).

O fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro, presidente do júri, refere que esta edição do concurso “voltou a ser um sucesso ao nível da participação”, reunindo “centenas de fotografias” provenientes de diferentes países e regiões do mundo lusófono. A decisão do júri quanto aos premiados foi “unânime”, revela o representante da associação, realçando “a solidez e a clareza dos critérios aplicados”.

A par dos três vencedores e das três menções honrosas, foram ainda escolhidas 34 outras fotografias, “pela sua relevância ou valor para o tema do concurso fotográfico”, para integrar a exposição “Somos – Imagens da Lusofonia 2025/2026: O Hoje do Passado”. A inauguração decorre dia 29 de Maio, nas Casas Museu da Taipa, com curadoria do arquitecto e fotógrafo Francisco Ricarte.

Perspectivando já a próxima edição, a Somos – ACLP diz esperar que “o número de participantes aumente” continuamente e que a iniciativa continue a afirmar-se como “um concurso plural, vivo e representativo da fotografia contemporânea em língua portuguesa”.

No ano passado, recorde-se, o concurso foi subordinado ao tema “O Homem e o Divino”, propondo uma exploração sobre as várias tradições religiosas e filosofias teístas existentes nos países de língua portuguesa. O fotógrafo moçambicano Marcos Júnior arrecadou o primeiro prémio com uma imagem intitulada “Onde há fez, há luz que guia”, tornando-se assim o primeiro fotógrafo deste país a vencer o concurso. Carolina Baltasar – Macau in “Ponto Final”


Timor-Leste - Ministra da Educação afirma que ensinar e aprender português é um acto de memória

A ministra da Educação timorense considera que ensinar e aprender português em Timor-Leste é um acto de memória e que a língua portuguesa não foi imposta, mas escolhida. Dulce Soares disse também que o Ministério da Educação timorense tem desenvolvido um conjunto de iniciativas para promover o ensino e o uso da língua portuguesa, incluindo a distribuição de materiais pedagógicos


A ministra da Educação timorense, Dulce Soares, afirmou que ensinar e aprender português em Timor-Leste é um ato de memória e que a língua portuguesa não foi imposta, mas escolhida. “Ensinar e aprender português em Timor-Leste é um ato de memória, pois esta língua acompanhou a nossa resistência e afirmação enquanto povo, mas é também um ato de responsabilidade, porque aquilo que ensinamos hoje moldará o país que seremos amanhã”, disse Dulce Soares.

A ministra da Educação falava no Centro de Aprendizagem e Formação Escolar de Díli (escola CAFE), onde, com o secretário de Estado da Cultura de Portugal, Alberto Santos, celebrou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, que foi também assinalado na maioria das escolas públicas timorenses.

Na intervenção, Dulce Soares disse também que o Ministério da Educação timorense tem desenvolvido um conjunto de iniciativas para promover o ensino e o uso da língua portuguesa, incluindo a distribuição de materiais pedagógicos.

A ministra agradeceu também aos professores timorenses e portugueses pelo “trabalho dedicado, muitas vezes desenvolvido em contextos exigentes”.

Os Centro de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE é um projeto conjunto de Portugal e Timor-Leste, teve início em 2014, e já está presente em todos os municípios timorenses.

Aquelas escolas, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são, atualmente, frequentadas por mais de 11.100 alunos timorenses.

O CAFE tem dois grandes pilares, nomeadamente o ensino de qualidade na sala de aula e a formação complementar dos professores timorenses. Naquelas escolas, as aulas são dadas em português, mas os alunos têm também aulas de tétum, a outra língua oficial de Timor-Leste.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita que fez à Comissão da Função Pública, o Presidente timorense, José Ramos-Horta, afirmou que hoje cerca de 30% dos timorenses já falam português e que a tendência é para aumentar. “A língua portuguesa está a avançar. Se olharmos para o passado, em 2000 quase ninguém falava português, não chegava a 1%. Agora há muitos jovens, milhares e milhares, que já falam e continuará a evoluir gradualmente”, afirmou Ramos-Horta. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Brasil - Expande manejo sustentável de florestas, diz ONU

Relatório indica que entre 2020 e 2025, a área sob concessões federais saltou de 1,05 para 1,59 milhão de hectares, o Brasil também lidera Fundo para captar US$ 125 mil milhões em proteção de áreas verdes


A área florestal global diminuiu em mais de 40 milhões de hectares entre 2015 e 2025, de acordo com um novo relatório divulgado pela ONU nesta segunda-feira.

O Relatório Global de Florestas de 2026 afirma que, embora alguns países estejam a reforçar políticas de proteção das matas, o financiamento para a gestão florestal sustentável permanece muito abaixo das necessidades estimadas. O estudo foi divulgado na abertura do Fórum sobre Florestas, que acontece na sede da ONU.

Áreas verdes

Mas em algumas partes do globo, a tendência é ao revés. O Brasil, que aparece em segundo lugar no ranking de países com a maior quantidade de florestas no mundo, conseguiu ampliar o manejo sustentável.

Entre 2020 e 2025, o país que concentra 12% das áreas verdes no mundo, expandiu os territórios de florestas sob concessões federais de 1,05 para 1,59 milhão de hectares e aumentou significativamente a zona florestal sob planos de manejo sustentável de longo prazo.

Esse processo produziu mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira com origem garantida e rastreabilidade total, gerando mais de US$ 41,6 milhões, ou R$ 217 milhões, em receitas.

Instituto Chico Mendes

A iniciativa foi coordenada pelo Serviço Florestal Brasileiro, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O objetivo é assegurar o uso racional dos recursos florestais, a conservação da biodiversidade e a geração de benefícios para as comunidades locais.

O documento cita ainda o Fundo “Florestas Tropicais para Sempre”, TFF, lançado pelo Brasil em torno da 30.ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP30, com a meta de captar US$ 125 mil milhões junto a fundos soberanos e investidores institucionais.

Florestas Tropicais para Sempre

A iniciativa pretende proporcionar um financiamento previsível e com horizonte de várias décadas. Se totalmente capitalizado, o TFF poderia apoiar a proteção de mais de 1 bilhão de hectares de florestas tropicais em mais de 70 países em desenvolvimento.

O documento afirma que mecanismos inovadores de financiamento, instituições mais fortes e cooperação intersetorial são essenciais, num contexto em que pressões ligadas ao uso da terra, impactos climáticos, incêndios florestais, pragas e atividades ilegais continuam a ameaçar as florestas em muitas regiões. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 12 de maio de 2026

Suíça – Cidadãos podem aprovar limite populacional inédito e frear imigração no país

A pouco mais de um mês da votação nacional de 14 de junho, o resultado da iniciativa sobre imigração “Não aos dez milhões” ainda é incerto. O referendo contra a reforma do serviço civil conta com uma maioria apertada        


As campanhas estão lentamente a ganhar força, mas, neste momento, o resultado da votação sobre a limitação da população suíça a dez milhões ainda é incerto.

“Observamos um impasse em todos os níveis”, afirma Lukas Golder, do instituto gfs.bern, que realizou a pesquisa em nome da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SRG SSR), empresa controladora da Swissinfo.

O alto grau de polarização é demonstrado pelo facto de que a opinião dos eleitores já está, em grande medida, consolidada. Cerca de 79% dos entrevistados manifestaram a firme intenção de votar a favor ou contra a proposta. Embora se observem certas diferenças em função da idade, do género ou do rendimento, estas são, em geral, moderadas, afirmou Golder. A filiação partidária é um indicador fundamental.

Aqueles que apoiam o Partido Popular Suíço, de direita, estão praticamente unidos em torno da iniciativa, enquanto os de esquerda se opõem a ela de forma igualmente clara. No entanto, ela é controversa no centro político.

Os indecisos, que atualmente representam 6%, têm, portanto, um papel importante a desempenhar, assim como a capacidade de mobilização dos dois campos. Com 50%, a participação eleitoral prevista está acima da média de longo prazo de 47,1%.

“A mobilização é a grande questão nesta proposta”, afirma Golder.

O quadro é diferente para os cidadãos suíços no exterior: 55% são contra ou um pouco contra, e a proporção dos que são (um pouco) a favor é significativamente menor do que na Suíça, ficando em 38%.

“Esse é um padrão típico, já que a comunidade suíça no exterior tende a ver oportunidades quando se trata de imigração”, diz Golder. Mas também aqui a proporção de eleitores indecisos é da mesma ordem de grandeza que na Suíça.

Quando questionados sobre sua avaliação quanto à possibilidade de a iniciativa ser aprovada, uma maioria muito estreita de 51% dos entrevistados acredita que ela será rejeitada. A campanha ganhará agora força – pode-se esperar um resultado extremamente acirrado.

O argumento apresentado pelos defensores da iniciativa, de que a infraestrutura suíça está sobrecarregada devido ao crescimento populacional, é o mais convincente na pesquisa. Também é significativo o argumento de que o crescimento precisa ser limitado para proteger os recursos naturais.

Os argumentos mais convincentes dos que se opõem à iniciativa incluem as relações bilaterais com a UE, que não devem ser comprometidas, ou seja, a livre circulação de pessoas. Também é significativa a questão da mão de obra qualificada e da prosperidade da Suíça, que ficariam ameaçadas por um limite à população.

Estima-se que ambos os lados invistam um valor recorde de 15 milhões de francos suíços (19,25 milhões de dólares) na campanha – sendo que os opositores gastarão um pouco mais. As associações empresariais, os sindicatos e o Partido Socialista são os que mais gastam, enquanto o Partido Popular Suíço é o principal financiador da campanha pelo “sim”.

Uma pequena maioria é a favor da reforma do serviço civil

A primeira pesquisa mostra uma maioria de 52% a favor da alteração da lei do serviço civil. A esquerda, em particular, se opõe à medida, o que não é de se surpreender – ela também lançou um referendo contra a alteração prevista na lei.

“No entanto, a opinião pública aqui é muito menos estável do que no caso da iniciativa dos dez milhões”, afirma Martina Mousson, da gfs.bern. Esta proposta não está no centro das atenções.

O governo suíço e a maioria dos parlamentares consideram que há muitos homens prestando serviço civil em vez do serviço militar.

“Daria para pensar que existe uma escolha livre entre o exército e o serviço civil”, afirmou o presidente suíço Guy Parmelin antes da revisão da lei. No entanto, em teoria, o serviço civil deveria ser a exceção e não uma alternativa.

De acordo com a pesquisa, a segurança a longo prazo do exército é o argumento mais forte a favor do projeto de lei, que prevê maiores barreiras de acesso ao serviço civil.

“O contexto geopolítico, naturalmente, desempenha um papel importante na campanha”, afirma Mousson.

A oposição no exterior é tão forte quanto a da Suíça. Em contrapartida, o lado (mais) favorável é significativamente mais fraco, com 43%. No entanto, com 16%, a proporção de eleitores indecisos também é significativamente maior do que na Suíça.

No caso de propostas governamentais, a proporção a favor tende a aumentar durante a campanha, mas a posição inicial permanece em aberto. Como a vantagem é limitada e a formação da opinião ainda não está muito avançada, pode muito bem haver mudanças na fase da campanha.

O foco está no efeito de mobilização da iniciativa de imigração “Não aos dez milhões”. A dinâmica e as discussões em torno dessa campanha ainda podem influenciar a formação da opinião sobre a reforma proposta do serviço civil.

Os resultados da segunda pesquisa da SRG SSR serão publicados em 3 de junho. Giannis Mavris – Suíça in “Swissinfo”




UCCLA - Apresentação de série documental sobre São Tomé e Príncipe

A UCCLA vai acolher, no dia 14 de maio, às 17h30, a apresentação da série documental “Africanko São Tomé e Príncipe”, uma produção da RTP África que convida o público a descobrir a riqueza cultural, turística e humana do arquipélago de São Tomé e Príncipe.


Composta por oito documentários, a série revela paisagens, tradições, histórias e o potencial deste país, promovendo uma viagem autêntica pelo património e identidade santomense.

A sessão terá lugar no auditório da UCCLA e a entrada é livre.

Veja o trailer através da ligação https://we.tl/t-9FvHgtvnWjj0qGOX


Angola - José Luís Mendonça exalta a poesia contemporânea em nova obra literária

O escritor angolano José Luís Mendonça lançou, recentemente, em Luanda, a obra literária “30 Odes – Pouco ou Nada Ortodoxas”, um livro que reúne poemas escritos de um jeito fora do comum, em que os detalhes da vida aparentemente desinteressantes tornam-se o epicentro mais importante da linguagem poética

Com cerca de 63 páginas, a obra é uma exaltação à poesia contemporânea na medida em que o autor procura expressar com eloquência a grandeza das coisas mais insignificantes da vida e lhes atribui uma importância indispensável na linguagem poética.

Ao falar a este jornal, durante a venda e sessão de autógrafo, no Centro Cultural Camões, em Luanda, José Luís Mendonça disse que o seu livro se diferencia na poesia comum ou tradicional pelo facto de apresentar uma linguagem mais meticulosa e destacar coisas que a mente humana considera insignificantes.

“Geralmente toda a poesia começa com a canção, mesmo a poesia tradicional começou como uma canção, e evoluiu depois para a escrita, e, nesta minha obra, recorro a este estilo peculiar da poesia, exalto coisas que para outra pessoa podem parecer insignificantes, mas que, para mim, têm muito sentido e uma relevante importância”, explicou o autor.

A “ode”, salienta o autor, é uma composição que nasceu na Grécia antiga, há quase 3 mil anos, antes da nossa era. “Ela tem a característica de exaltar uma coisa simples ou insignificante da vida, mas dando-lhe uma abordagem esbelta, uma exaltação geralmente dada aos deuses”.

Quanto à escolha do título da obra, José Luís Mendonça justifica que 30 se refere ao número de poemas que compõem o livro, já o “odes” tem a ver com o estilo de escrita poética que decidiu adoptar na obra e que remete a uma exaltação à poesia contemporânea no seu estado mais genuíno.

Questionado sobre o que o inspirou a escrever uma obra com estas características fora do habitual, o autor referiu que a intenção é de recuperar as técnicas antigas e genuínas de fazer poesia.

José Mendonça considera estar a viver um estado de “xinguilamento poético” (êxtase) que o leva a sair do comum e repensar a poesia no seu sentido lacto.

“Esta é uma obra que exalta as coisas mais simples da vida e exalta o meu sentimento em relação a estas coisas. É uma série de exercícios de escrita poética, o que faço neste livro, mas tem um pendor muito presente de filosofia”, observou. In “O País” - Angola