Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Portugal – Xanana Gusmão distinguido com o Prémio Jorge Miranda na Universidade de Lisboa

O primeiro-ministro timorense recebeu a distinção que destaca a defesa dos Direitos Humanos e da Constituição, dedicando o galardão ao povo de Timor-Leste


O primeiro-ministro de Timor-Leste, Kay Rula Xanana Gusmão, foi distinguido com o Prémio Professor Doutor Jorge Miranda - Constituição e Direitos Humanos, numa cerimónia que decorreu na Aula Magna da Universidade de Lisboa. Promovida pela Faculdade de Direito da ULisboa, a iniciativa reconhece personalidades que se destacam na defesa do Estado de Direito e dos valores constitucionais.

Durante o seu discurso, o líder timorense dedicou o prémio aos mártires da pátria e aos milhares de cidadãos que lutaram pela independência do país. Xanana Gusmão sublinhou que a homenagem não se centrava na sua figura individual, mas sim no percurso coletivo de um povo que lutou, sofreu e perseverou para alcançar a liberdade, a dignidade e a autodeterminação.

O governante manifestou ainda o seu orgulho por receber um galardão associado ao nome de Jorge Miranda, a quem considerou uma das maiores referências do constitucionalismo na língua portuguesa e um amigo de longa data de Timor-Leste. Na ocasião, destacou também o contributo fundamental do jurista para o debate constitucional e para o fortalecimento da cultura jurídica do país. Universidade de Lisboa - Portugal


Europa - Preços ao consumidor: Quais são os países mais caros e os mais baratos?

Da Islândia à Macedónia do Norte, os preços ao consumidor variam drasticamente em toda a Europa. Novos dados do Eurostat mostram onde os bens e serviços do dia a dia são mais caros — e por que os preços, por si só, não contam toda a história


O mesmo cabaz de compras pode custar quase quatro vezes mais, dependendo de onde estiver na Europa. Mas quais são os países mais caros e como podemos compará-los de forma justa?

Os índices de nível de preços do Eurostat fornecem a resposta. Eles comparam o custo de bens e serviços de consumo em cada país com a média da UE.

Em termos simples, se o mesmo cabaz de bens e serviços custa em média €100 em toda a UE, quanto custaria esse cabaz em cada país?

Para tornar a comparação representativa, o Eurostat baseia os índices nos preços médios nacionais anuais de mais de 2000 bens e serviços.

Existem duas maneiras de medir os preços. Uma considera apenas os gastos diretos das famílias, enquanto a outra inclui também serviços financiados publicamente, como saúde e educação.

Este artigo utiliza a medida mais abrangente, conhecida como Consumo Individual Real (CIR), que, segundo o Eurostat, é mais adequada para comparações internacionais. O gráfico também inclui a medida de gastos das famílias (GFF).

Um nível de preços de 100 corresponde à média da UE. Uma pontuação acima de 100 significa que um país é mais caro, enquanto uma pontuação abaixo de 100 significa que é mais barato.

Esses números comparam apenas preços. Eles não levam em consideração os níveis de rendimento, o que significa que um país mais caro não é necessariamente menos acessível para os seus residentes.

Então, quais são os países mais caros e quais são os mais baratos?

Dentro da UE, a diferença é gritante. Luxemburgo lidera a lista, enquanto a Roménia tem os preços mais baixos. Os preços ao consumidor no Luxemburgo são 2,5 vezes maiores do que na Romênia.

Ao incluir os países candidatos à UE e os membros da EFTA, a Islândia torna-se o país mais caro e a Macedónia do Norte o mais barato, ampliando a diferença para 3,7 vezes.

De um modo geral, a Europa Ocidental e do Norte tendem a ter preços mais elevados, enquanto a Europa Central e Oriental permanecem mais baratas.

Os preços e os lucros contam toda a história.

A Islândia é 83,7% mais cara do que a média da UE, e a Suíça, 81%.

“Os números devem sempre ser analisados ​​em conjunto com os rendimentos. O que importa para o padrão de vida não é se os preços são altos, mas sim o que um salário local compra localmente — poder de compra , e não apenas o preço”, disse o professor Robert Inklaar, da Universidade de Groningen, à Euronews Business.

Por exemplo, ele observou que a Suíça parece cara, mas os salários suíços são altos o suficiente para que o poder de compra lá esteja entre os mais fortes da Europa; o mesmo nível de preços com um salário muito mais baixo seria percebido de forma muito diferente.

Dinamarca (40,2%), Irlanda (39,6%) e Noruega (38,4%) também estão entre os países mais caros da Europa, cerca de 40% acima da média da UE.

A Suécia e a Finlândia seguem-nas, mas os seus índices são comparativamente mais baixos. Os preços são 28,4% mais altos na Suécia e 26,1% mais altos na Finlândia do que a média da UE.

Nos Países Baixos, um consumidor paga 120,4 €, na Áustria 119 € e na Bélgica 118,1 € pelo mesmo cabaz de bens e serviços, que custa em média 100 € na UE.


Classificação das maiores economias da Europa

Entre as quatro maiores economias da UE, a Alemanha é a mais cara, com preços 9,1% superiores à média da UE, enquanto a Espanha é 8,9% mais barata. Isso significa que uma pessoa pagaria €18 a mais na Alemanha do que na Espanha pelo mesmo cabaz de produtos.

A França (106,4) está ligeiramente acima da média da UE e a Itália (98) está ligeiramente abaixo.

Na outra ponta do ranking, os preços são significativamente mais baixos em grande parte do sudeste da Europa.

Na Macedónia do Norte, um cabaz de produtos no valor de 100 euros, considerando a média da UE, custaria apenas 49,7 euros, menos da metade.

Na Turquia, o custo seria de € 52,2, seguido pela Bósnia (€ 55,7), Roménia (€ 58,9) e Bulgária (€ 60). Estes países são pelo menos 40% mais baratos que a UE.

Montenegro (61), Sérvia (62,5), Albânia (65,7), Polónia (71,1) e Hungria (71,6) também estão entre os países mais baratos, com preços pelo menos 25% abaixo da média da UE.

Países que também são mais baratos do que a média da UE incluem Croácia (76,3), Eslováquia (81,4), Lituânia (81,4), Chéquia (82), Grécia (84) e Portugal (85,3).

O que causa as diferenças nos níveis de preços?

"O principal motivo para a variação de preços em toda a Europa é a variação salarial, que por sua vez está ligada à produtividade", disse Robert Inklaar à Euronews Business.

"Onde os trabalhadores são mais produtivos, eles ganham mais, e esses salários mais altos impactam diretamente o preço de tudo o que precisa ser produzido e consumido localmente — uma refeição num restaurante, um corte de cabelo, uma consulta ao dentista, o aluguer, a creche. Nada disso pode ser importado, então o seu preço simplesmente acompanha os custos da mão de obra local."

Inklaar destaca que seria um erro pensar que isso se aplica apenas a serviços. Ele observa que mesmo bens que parecem totalmente comercializáveis ​​— como os alimentos na prateleira de um supermercado ou uma peça de roupa — carregam um grande componente local: a loja, os funcionários, o transporte e o aluguer do imóvel. Portanto, os salários locais também estão embutidos nos preços dos bens, embora em menor grau do que nos serviços.

Os salários não são o único fator.

Ele também afirmou que a distância, a distribuição, a regulamentação e a própria fronteira contribuem para o aumento dos custos, de modo que produtos idênticos não acabam tendo preços idênticos em todos os lugares. As diferenças no IVA e em outros impostos sobre o consumo representam um encargo adicional.

“Uma comparação mais completa, portanto, relaciona o nível de preços com os salários ou o rendimento (disponível) , idealmente em termos de poder de compra, levando em consideração as diferenças cambiais e tributárias”, disse ele.

O professor Rainer Maurer, professor aposentado da Universidade de Pforzheim, enfatizou que os níveis de preços dos estados-membros da União Monetária Europeia mostram uma clara correlação positiva com o PIB per capita.

Noutras palavras, os países mais caros da Europa também tendem a ser os mais ricos. Preços altos geralmente andam de mãos dadas com rendimentos mais altos, razão pela qual os economistas afirmam que os níveis de preços devem sempre ser considerados juntamente com o poder de compra. Euronews business




Livro de acordar o leitor: “A vizinha das sete cordas”

Todos os textos de Hugo Almeida, uns mais outros menos, são tributos a escritores, à literatura em geral

O recente livro de Hugo Almeida, A vizinha das sete cordas (São Paulo: Sinete, 2026), é composto de 15 contos, distribuídos em três partes: Dentro de Casa, Fora de Casa e Além – Tributo a três eternos. Nessa última parte, o tributo é dedicado a três grandes escritores brasileiros: Osman Lins, Clarice Lispector e Manuel Bandeira.

Em verdade, todos os textos de Hugo, uns mais outros menos, são tributos a escritores, à literatura em geral. Há uma rede de epígrafes, começando com Lima Barreto, Lord Bulwer Lytton e Ivan Lins, abordando crimes, erros, desgraça e perdão, e se espalham praticamente em cada conto, ocorrendo, inclusive, uma epígrafe (ou hipógrafe?) no final do texto “Ponto cego”, com versos de Jorge de Lima: “surdo-mudo/ cegara. / Agora vê”.

Creio que esses versos e o título do conto indicam bem a sensação que uma primeira leitura vai despertar nos leitores dessa coletânea (que conta com o lúcido prefácio de Eltânia André). A obra é repleta de pontos cegos, assim como se o autor valesse de um palimpsexto sentido para captar movimentos, sensações, lugares, crueldades e afetos disseminados ao longo das narrativas.

Em termos de afeto, sinto-me honradamente contemplado, pois, em meio a tantas dedicatórias, Hugo Almeida lembra-se de meu humilde nome no final de “Assim de touca e máscara?”, conto que recebe epígrafe de belo verso do poema “Maçã”, de Manuel Bandeira e sua intricada trama joga com antiguidade romana, reminiscências bíblicas, Chopin, Mallarmé, Dalí, Lorca, Tasso e taça de vinho, sem omitir um pintor de origem espanhola, seria Carlos Alonso? O que gosto desse e de demais textos é a força poética que insufla as narrativas, pois o autor põe a poesia em bom lugar, daí “verso, poema, pedra preciosa” são elementos estruturantes, irrigando de lirismo, mas sem evitar os impactos desumanizantes que são denunciados. No conto alusivo a Manuel Bandeira, “O poeta e a estrela da manhã”, lê-se que, na esteira de Mallarmé, “escrever poesia é fazer música com a dor” (p.144).

O leitor não pode dormir de touca: há muitos toques intertextuais, paratextuais e outros que tais. Por exemplo, em “O casal do farol”, Hugo toca em tema que sempre me atraiu, desde que li “Os faroleiros”, conto de Urupês, de Monteiro Lobato. E não costumo perder filmes ambientados em faróis. No conto de Hugo, com epígrafe do recorrente Osman Lins, que empresta nomes de suas personagens para os protagonistas são designados por dois nomes: Alex (fora da lei) e Sóstrato (que remete ao arquiteto e engenheiro que projetou o Farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do Mundo Antigo). O casal é formado por ele e por Nancy, que também é chamada de Bárbara. Nomes tirados de textos de Osman, o mentor de Hugo. Nesse conto, em que o homem é ilha e mulher é arquipélago, dramatizam-se amor, isolamento, desencontro.

O número sete assinala a trama do conto que dá título ao livro, curiosa história das vizinhas Elvira e Mira, nomes que remetem ao olhar e ao comportamento humano, em sua ordem e desordem. A epígrafe de Fernando Pessoa/Álvaro de Campos dá o tom irônico que pontuará o texto: “Sim, está tudo certo. / Está tudo perfeitamente certo”.

Uso de uma expressão de José Miguel Wisnik para afirmar que Hugo Almeida é dos escritores que dão “pérolas aos poucos”, uma vez que sua erudição e prodigalidade em saltos de longa distância de um texto para outros não dão vida fácil para leitores muito acomodados. E o leitor tem todo o direito de gostar mais de um conto do que de outro. Por exemplo, além dos já citados, entre os quinze contos impressionou-me “Nas nuvens”, primor de minimalismo, pegada para uma narrativa fantástica, simbologia bíblica com a Estrela de Belém, os nove meses da gravidez de Maria (as datas 22 de março e o Natal), o casal que sai da casa para um apartamento e é atraído pela maquete.

Em tempos de Copa do Mundo, é de se ler e de se rir de “Influxologia alemã”, neologismo criado para referir-se ao absurdo de um juiz que decide invalidar os impiedosos 7 x 1 que os alemães aplicaram no selecionado nacional, no Mineirão, em 2014. O humor também pontua “Dona Justina”, em que aparece pela segunda vez um personagem chamado Túlio, não sei se Hugo pensou num personagem de Avalovara, de Osman, ou se viu no seu significado de “o que cria ou dá origem às coisas”. Como sou chegado a um trocadilho, prefiro brincar com “entulho”, levando para uma metáfora dos fragmentos que povoam nossa memória, nosso inconsciente, que abruptamente surgem na criação ou na fruição da ficção.


Vale a pena acordar para os textos desse admirável escritor mineiro, nascido em Nanuque (nome de morador da serra) em 1952, mas saiu de lá ainda bebê, viveu nove anos na Bahia e 22 em Belo Horizonte. Mora em São Paulo desde 1984. A vizinha das sete cordas é o seu 17º livro e 5º de contos. Hugo Almeida é autor dos romances Mil corações solitários (5ª edição) e Vale das ameixas (2ª), e do ensaio livre A voz dos sinoso sagrado, a mulher e o amor na obra de Osman Lins, todos também publicados pela Editora Sinete.  Caio J. Maciel – Brasil

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A vizinha das sete cordas (contos), de Hugo Almeida, Editora Sinete, 152 páginas, R$ 60,00. Disponível nos sites da editora e na Amazon.

https://link.amazon/B0gvagtCi

e www.editorasinete.com.br

E-mail: editorasinete@gmal.com. Site do autor: https://hugoalmeidaescritor.com.br

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Caio Junqueira Maciel, professor e escritor, é mestre em Literatura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), autor, entre outros, dos ensaios A escritura do tempo na poesia de Dantas Mota e O sangue que rejuvenesce o Conde Drácula, dos poemas Pele de jabuticaba e do romance Um estranho no Minho, sobre o período em que viveu em Portugal.




quinta-feira, 25 de junho de 2026

Angola - Escritores abordam problemática da literatura infantil na IV edição do Conexões Letras e Artes

A IV edição do programa Conexões Letras e Artes vai contar com as participações dos escritores Kardo Bestilo, Domingas Monte e Lucas Cassule, que se vão debruçar sobre os vários aspectos em torno da literatura infantil em Angola e os seus desafios face à realidade global


Os escritores Kardo Bestilo, Domingas Monte e Lucas Cassule estarão esta tarde, a partir das 16 horas, a participar de uma mesa-redonda sob o tema “Literatura infantil em Angola: preservar a memória e inspirar o futuro”, com o objectivo de olhar para a realidade angolana e também global, no Memorial António Agostinho Neto, enquadrada no festival multicultural da IV edição do programa Conexão Letras e Artes.

O encontro pretende reunir diversos especialistas e entendedores na matéria, desde investigadores, críticos literários, escritores, estudantes, psicólogos, sociólogos, professores e todos interessados dos diferentes ramos da ciência.

Juntos, eles poderão analisar os pontos positivos e negativos da literatura voltada para os mais pequenos, bem como os avanços, retrocessos e metas a seguir para o crescimento e desenvolvimento desta área.

Entretanto, a programação desta edição do Conexão Letras e Artes, que decorre até ao dia 27, além do debate, trará outras performances em diferentes disciplinas artísticas, desde momentos culturais, exposição de materiais de artesanato, sessão de apresentação de livros, entre eles Eu e os meus três óbitos, do escritor, Beni Dya Mbaxi, e No submundo da minha’alma, da autoria de Sebastião Gonga, palco livre e uma série de actividades paralelas à mesma festividade. Maria Custódia – Angola in “O País”


Hong Kong - Gonçalo Lobo Pinheiro reúne passado e presente nas paredes do Foreign Correspondents’ Club

O fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro apresenta a partir de 2 de Julho, no Foreign Correspondents’ Club (FCC), o seu projecto “O que foi não volta a ser…”, desta vez em exposição. Com curadoria do fotógrafo e professor canadiano Ben Marans, a mostra reúne 30 imagens impressas seleccionadas de um conjunto mais vasto de 80 fotografias publicadas em dois volumes, em 2022 e 2025.


A cerimónia oficial de inauguração terá lugar no dia 7 de Julho, às 18h30, na Van Es Wall do FCC, um espaço dedicado à apresentação de trabalhos de fotógrafos e artistas de referência. A exposição estará patente até 31 de Julho.

O trabalho de Gonçalo Lobo Pinheiro, que tem vindo a construir uma obra centrada na memória, na impermanência e na transformação dos territórios, oferece um olhar documental e sensível sobre paisagens culturais e urbanas. O projecto nasceu da recolha de imagens antigas de Macau, captadas entre as décadas de 1930 e 1990, a preto e branco, adquiridas em leilões, na internet, a particulares, em lojas e até em Portugal. Nas palavras do fotógrafo, “cada imagem é uma tentativa de reconstituir o que já pouco ou nada existe, mas que continua a habitar o espaço como fantasma, como sombra que insiste em permanecer”.

Durante pouco mais de um ano, o fotógrafo foi juntando esses registos de épocas passadas, confrontando-os com a paisagem actual da cidade. Se alguns cenários ainda são reconhecíveis, outros simplesmente já não existem. Quando questionado sobre o acto de “fotografar fotografias”, Gonçalo Lobo Pinheiro diz ser “quase performativo”. Ao Ponto Final, descreveu o trabalho como “um diálogo silencioso entre o fotógrafo e a cidade, uma coreografia de paciência e insistência. A fotografia torna-se ponte entre tempos distintos, revelando que o espaço urbano é sempre reescrito e nunca definitivo”, referiu.

O fotógrafo, nascido em 1979 e radicado em Macau há mais de 12 anos, passou por várias publicações portuguesas e estrangeiras, incluindo Público, Expresso, Washington Post, BBC e The Guardian, antes de se fixar em Macau, onde contribui actualmente para a agência Lusa. Vencedor de vários prémios ao longo da carreira, publicou também diversos livros de fotografia, incluindo os da actual exposição. É membro fundador da associação Halftone.

A exposição actual surge após o encerramento do projecto, em finais de 2025, e convida o público a reflectir sobre a inevitabilidade da mudança e a certeza de que o que foi não volta a ser, “mesmo que muito se queira”… Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”




França - A menina Lyhanna, vítima de um pedófilo

O assassinato de uma menina de 11 anos, depois de violentada por um homem de 41 anos, pai de duas crianças que frequentavam a mesma escola da vítima, traumatizou toda França.

O crime poderia ter sido evitado, pois o pedófilo já havia traumatizado outra criança em outra cidade, cuja mãe dera queixa à polícia, sem ter havido sequer convocação do acusado e muito menos abertura de um processo. A denúncia tinha se perdido no meio da papelada na delegacia da cidade de Gers.

Diante da alegação da falta de recursos da Justiça para tratar de tantas denúncias, o governo francês afirmou não estar havendo priorização pela polícia e Justiça para os crimes de violência sexual contra menores.

O crime contra a menina Lyhanna revelou a situação de vulnerabilidade vivida pelas meninas diante de seus predadores, não só na França mas em todo o mundo.

A UNICEF, Fundos Internacionais das Nações Unidas para a Infância, denuncia haver milhões de mulheres, em todo mundo, que já foram forçadas a atos sexuais antes dos 18 anos.

A mesma UNICEF denuncia a ocorrência no mundo de casamentos de adultos com menores que, apesar de uma aparente legalidade, constituem, na verdade, uma violação dos direitos humanos por privar as meninas de sua infância, de sua escolaridade, serem mais facilmente alvos de violência doméstica e as exporem a riscos de saúde.

Isso não tem impedido certas religiões de permitirem tais casamentos.

Uma proteção aos menores e principalmente às meninas é a inclusão nos currículos escolares de aulas de educação sexual. Além de lhes permitirem conhecer melhor seu sexo e suas particularidades, essas aulas lhes informam como melhor se proteger.

Entretanto, nem todos os governos são favoráveis à educação sexual nas escolas. É o caso de Gorgia Melloni, primeira-ministra italiana, com seu projeto de deixar aos pais a decisão de permitir que seus filhos frequentem ou não as aulas de educação sexual. 

Na Bélgica, os cursos de educação sexual provocaram muitos debates e rejeição por parte de grupos de pais de religião islâmica. Esses cursos são obrigatórios para alunos de 11 e 12 anos e visam principalmente orientar as crianças no que se refere ao consentimento, prevenção e respeito. Os pais não podem impedir essas aulas aos seus filhos a pretexto de religião ou ingerência na educação familiar. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

Brasil - Organização Mundial da Saúde elogia ação que transforma surfistas em salva-vidas contra afogamentos

Surf-Salva quer combater acidentes que matam uma pessoa a cada 90 minutos no país. O programa treina atletas para salvamentos e transforma cultura do surf em rede de proteção comunitária


A cada 90 minutos, uma vida é perdida por afogamento no Brasil. Diante desta realidade, a Organização Mundial da Saúde, OMS, alerta para a urgência de ações coordenadas de prevenção a nível global.

É nesse cenário que o programa Surf-Salva, idealizado pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, Sobrasa, atua há 26 anos.

Parceria local com impacto global

A iniciativa transformou a relação dos entusiastas do mar com as praias do país ao capacitar mais de 40 mil surfistas como socorristas qualificados, habilitando os amantes do desporto a intervirem em situações de extremo risco.

A agência da ONU defende a urgência de decisões que integrem diferentes setores e parcerias comunitárias para conter a ameaça do afogamento pelo mundo.

O Surf-Salva responde a essa chamada por meio da descentralização do conhecimento técnico, levando a educação sobre segurança aquática e o treino prático de salvamento para quem vive o dia a dia do ocêano.

Como o surf no Brasil ocorre maioritariamente em águas abertas e imprevisíveis, o ambiente impõe altos riscos tanto para banhistas quanto para os próprios atletas.

Desafio crítico de saúde pública

Para mitigar esses perigos, o programa instrui os participantes com técnicas avançadas de resgate aplicadas a surfistas e nadadores, protocolos essenciais de primeiros socorros e manobras de ressuscitação cardiopulmonar para vítimas de afogamento.

Além disso, o projeto promove a consciencialização sobre os perigos locais voltada para a comunidade e os turistas, garantindo a presença constante de pessoas preparadas para agir rapidamente em cenários de desespero.

A mobilização local ganha ainda mais relevância quando analisada sob a ótica dos dados globais monitorizados pela OMS.

O afogamento é uma das principais causas de mortes acidentais no planeta, somando mais de 236 mil vítimas anuais, das quais 90% se concentram em nações de rendimentos baixo e médio.

Poder da prevenção comunitária

No cenário brasileiro, as crianças menores de cinco anos figuram entre os grupos mais vulneráveis, dividindo o foco de atenção com a população jovem que frequenta o litoral em massa.

Ao aliar a cultura de proteção a uma prática desportiva de imenso apelo popular e acessibilidade, o Surf-Salva revela o poder da prevenção por meio da participação comunitária ativa.

Como o desporto está enraizado na identidade costeira do Brasil, treinar os surfistas como salva-vidas amplia significativamente a cobertura de vigilância nas praias.

Estes atletas passam a atuar também como embaixadores da segurança aquática, estimulando a intervenção consciente e segura de testemunhas.

O conceito dessa iniciativa ganha destaque com a proximidade do Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, em 25 de julho, reforçando a premissa de que, em comunidades costeiras, cada nova sessão de surf pode ser a oportunidade de salvar uma vida. ONU News – Nações Unidas