Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 5 de março de 2026

Guiné Equatorial - Escritor Jorge Abeso Ndong Nneme apresentará a epopeia Fang na 4ª edição do Grande Fórum Africano de Publicações, nos Camarões

O evento vai realizar-se de 11 a 14 de março de 2026 na esplanada do Museu Nacional de Yaoundé (Camarões), sob o lema "O livro versus a inteligência artificial"


O escritor, editor e jornalista guineense-equatorial Jorge Abeso Ndong Nneme foi oficialmente convidado a participar da quarta edição do Salão Internacional da Indústria do Livro de Yaoundé (SILLY 2026), um dos eventos mais importantes do setor editorial africano. O evento realizar-se-á de 11 a 14 de março de 2026, na esplanada do Museu Nacional de Yaoundé (Camarões), com o tema O Livro Diante da Inteligência Artificial.

A cada ano, o SIILY reúne escritores, editores, investigadores, livreiros e promotores culturais de diversos países africanos, consolidando-se como um espaço de reflexão sobre o futuro dos livros no continente, os desafios da indústria editorial e o impacto das novas tecnologias na produção e circulação do conhecimento.

Nesta edição, a Guiné Equatorial será representada pela primeira vez por Jorge Abeso Ndong Nneme, que participará como convidado especial no dia 14 de março. Durante o evento, o autor apresentará a sua obra "Sobre a Epopeia Fang", um ensaio vencedor do primeiro Prémio de Ensaio da AEGLE, que analisa a tradição épica Fang como um dos pilares da literatura oral africana. Ele também fará uma apresentação intitulada "O Setor Editorial e de Livros na Guiné Equatorial", na qual abordará o estado atual da indústria editorial do país, os seus desafios estruturais, a promoção da leitura e as perspectivas para o desenvolvimento dos livros guineenses no contexto africano.

A relevância desta pesquisa é ainda mais reforçada por um momento significativo para a cultura Fang. Em 2025, a UNESCO reconheceu oficialmente o Nvet Oyeng, inscrevendo-o na Lista do Património Cultural Imaterial que Necessita de Salvaguarda Urgente. Neste contexto, diversos investigadores consideram a obra "Sobre a Epopeia Fang" um dos estudos mais abrangentes dedicados ao Nvet Oyeng e à tradição épica Fang na Guiné Equatorial, abordando sistematicamente as suas origens, estrutura narrativa, simbolismo filosófico e dimensão cultural. É também a primeira pesquisa a examinar este tema de forma abrangente no país.

A participação da Abeso Ndong Nneme neste fórum internacional representa uma oportunidade para apresentar o património cultural da Guiné Equatorial e fortalecer a diplomacia cultural do país, bem como abrir novos caminhos para a publicação e a cooperação académica com outros países africanos, num momento em que o debate sobre a relação entre livros e inteligência artificial ocupa um lugar central na esfera cultural global.

Abeso Ndong Nneme recebeu inúmeros prémios nacionais e internacionais por ensaios, narrativas e poesia. O seu estilo inspira-se na tradição oral, na história e na identidade cultural africana. Entre as suas distinções, destacam-se três Prémios AECID de Narrativa (2007, 2008 e 2011), o Prémio AECID de Poesia (2008) e o Primeiro Prémio AEGLE de Ensaio (2019) pelo seu estudo sobre a poesia épica Nvet e Fang. As suas obras mais conhecidas incluem romances como O Devorador de Homens, o Filho das Sombras e Correntes e Pólvora, uma antologia de poesia e um ensaio sobre a poesia épica Fang (2022).

A sua presença nestes fóruns internacionais ajuda a posicionar a literatura e o pensamento da Guiné Equatorial no diálogo cultural africano contemporâneo, dando visibilidade ao património intelectual do país e permitindo que a epopeia Fang tenha voz num dos mais importantes centros editoriais da África. Após a sua participação em Yaoundé, o escritor guineense também foi convidado para outro evento internacional que será realizado em abril em Libreville, Gabão, para o qual conta com o apoio do Ministério da Informação, Imprensa e Cultura, que já iniciou os preparativos necessários para viabilizar a sua participação. Benjamin Eyang – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”

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Jorge-Abeso Ndong Nneme, nasceu na Guiné Equatorial, em 20 de dezembro de 1984. Trabalhou no Centro Cultural Ecuatoguineano como editor da revista Ilusión, Chefe do departamento de investigação e estúdio de projetos, e Coordenador Geral.

Possuí formação universitária como professor diplomado em ciências da educação, licenciado em ciências da informação e comunicação, e vários diplomas de antropologia e história de África.


Macau - Paralisação do Estreito de Ormuz provoca atrasos no transporte de produtos portugueses

O bloqueio do Estreito de Ormuz, crucial para o transporte marítimo de petróleo, poderá provocar atrasos superiores a três meses nas rotas entre a Europa e a Ásia. Segundo Sunny Ip, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, os actuais desafios geopolíticos poderão afectar o transporte e a importação de produtos portugueses como vinho, azeite e sardinhas


O conflito no Médio Oriente está a impactar o transporte marítimo de mercadorias entre a Europa e a Ásia, com possíveis consequências para os preços de alguns produtos de origem europeia vendidos em Macau.

De acordo com o jornal Ou Mun, o recente bloqueio do Estreito de Ormuz e as restrições à navegação comercial no Mar Vermelho estão a repercutir-se no “aumento persistente” da duração e do custo do transporte marítimo entre ambos os continentes.

O prolongamento do conflito poderá também resultar na subida dos preços das importações europeias. Sunny Ip, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, nota que incidentes anteriores no Mar Vermelho já tinham prolongado o transporte marítimo euro-asiático “de um mês para mais de dois meses”, afectando produtos portugueses como vinho, azeite e sardinhas.

Após o Irão ter anunciado esta segunda-feira o encerramento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas a nível mundial, o tempo de trânsito poderá subir “para três meses ou mais”, afirma o responsável – o que, por sua vez, contribuirá para aumentar os custos de armazenamento e manuseamento das mercadorias.

Também o aumento do preço do petróleo Brent, que já subiu mais de 12% em apenas três dias, vem elevar os custos de transporte. Segundo a mesma fonte, as tarifas para o transporte de um único contentor entre a Europa e a Ásia já atingiram mais de 10.000 renminbis. Por outro lado, as taxas de câmbio dos países envolvidos encontram-se actualmente numa fase de elevada volatilidade, fazendo com que o mercado financeiro passe a operar sob maior tensão.

Sonny Ip refere que as mercadorias com origem na Europa e na África “representam apenas 10% a 20% do total das importações de Macau”, com destaque para os produtos de luxo e os lacticínios. As reservas do inventário de mercadorias garantem, por enquanto, a estabilidade do abastecimento por mais “dois a três meses”, ao mesmo tempo que a diversificação das fontes de fornecimento – com a crescente importação de produtos lácteos do interior da China, da Austrália e da Nova Zelândia – reduz a dependência do mercado europeu.

Por sua vez, a cadeia logística dos produtos do mercado de massa não deverá ser afectada pelo conflito do Médio oriente, uma vez que estes bens são maioritariamente originários da China continental e do Sudeste Asiático.

Os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque militar contra o Irão no passado sábado, que o presidente norte-americano justificou com o objectivo de “eliminar ameaças iminentes do regime iraniano”. O Irão respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra o Iraque, a Jordânia, o Kuwait, o Bahrein, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e Israel. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) anunciou esta segunda-feira o encerramento do Estreito de Ormuz, que já tinha sido parcialmente encerrado em Fevereiro, com consequências para o preço do petróleo e de bens e serviços em todo o mundo. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


Macau - Desfile Internacional vai contar com participação de equipas de Portugal

Grupos artísticos de Portugal vão estar presentes na edição deste ano do Desfile Internacional de Macau, que se realiza no dia 29 deste mês e vai juntar mais equipas nacionais e internacionais. Leong Wai Man, presidente do Instituto Cultural, revelou ainda que será aberto um novo programa de formação de jovens músicos de Macau, lançado pela Sociedade Orquestra de Macau, para cultivar profissionais de música locais


Macau vai voltar a acolher o Desfile Internacional este ano com participação de grupos de artes performativas de diversos países e regiões, incluindo a presença de equipas de Portugal, confirmou Leong Wai Man, presidente do Instituto Cultural (IC).

Numa conferência de imprensa realizada do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural, à margem da sua primeira reunião plenária do ano, Leong Wai Man afirmou que o Desfile Internacional de Macau vai ter lugar no dia 29 deste mês.

“Vamos reunir, como sempre, diversos grupos artísticos nacionais e internacionais para o evento. Esperamos que, com os trajes impressionantes e cores vibrantes, percorrerão os vários bairros de Macau, mostrando o carácter único do nosso Centro Histórico”, salientou Leong, acrescentando que mais detalhes sobre o desfile serão anunciados mais tarde com a apresentação dos grupos artísticos, bem como disposições do evento e de trânsito.

O Desfile Internacional é realizado anualmente em Macau desde 2011, tendo sido suspenso durante quatro anos entre 2020 e 2023 devido à pandemia. Na edição do ano passado, o desfile juntou 83 grupos participantes, locais e vindos de 15 países e regiões, com cerca de 1800 artistas.

Leong Wai Man anunciou também uma nova iniciativa da Sociedade Orquestra de Macau, que vai lançar um programa de formação de jovens músicos de Macau. O objectivo é cultivar mais quadros qualificados musicais locais, proporcionando-lhes uma plataforma para participarem em apresentações de orquestras profissionais.

“Através da iniciativa, aumentará o número de oportunidades para os profissionais de música locais, especializados em instrumentos para orquestras sinfónicas ou tradicionais, garantirem um emprego em orquestras profissionais, reforçando assim o desenvolvimento de talentos das artes performativas de Macau”, sublinhou.

O programa será lançado este ano, segundo o IC, com um planeamento preliminar de recrutar mais de dez jovens músicos estagiários para a Orquestra de Macau e para a Orquestra Chinesa de Macau, a fim de garantir uma “formação focada e de alta qualidade”.

Os participantes do programa receberão formação ao longo de toda a temporada de concertos nas duas orquestras profissionais de Macau, incluindo a participação em actuações comunitárias, mentoria individual e participação em ensaios de orquestras. “Esta abordagem imersiva permite aos formandos experimentar plenamente o ambiente de um conjunto profissional, melhorando as suas competências de desempenho e reforçando a sua competitividade e experiência para futuras audições com orquestras profissionais”, explicou.

Além disso, vai ser realizado o 3.º Festival Internacional de Comédia de Macau em Abril, que este ano continua a adoptar uma organização de dois locais, em Macau e Hengqin, com vista a “promover o intercâmbio cultural regional”. Leong Wai Man revelou também que será introduzido no território um novo evento de “Carnaval da Cultura e do Desporto”, com actividades como mini-regatas de barcos-dragão e outros eventos desportivos. O IC espera apresentar exibições e experiências culturais e desportivas integradas em várias comunidades e atracções. Será também criada uma feira no local.

A presidente do IC adiantou ainda que realizar-se-á a semana de leitura de Macau no próximo mês, em resposta à política nacional de promoção da leitura e para coincidir com o Dia Mundial do Livro, a 23 de Abril. O evento irá colaborar com outros serviços de educação e de acção social, bem como várias organizações de serviços comunitários, para lançar uma série de actividades de promoção da leitura ao longo do mês de Abril, fomentando uma cultura de leitura que envolva toda a comunidade. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


Irão - Aiatolá Khamenei, herói ou tirano?

Quem era Ali Khamenei, o chefe da teocracia iraniana, líder e guia supremo do governo do Irão?

Vamos deixar de lado se Israel e os Estados Unidos têm o direito de bombardear o Irão, ou vamos deixar de lado uma pergunta parecida mas relacionada com outros países - a Rússia tinha o direito de invadir e tem o direito de manter uma guerra de quatro anos contra a Ucrânia?

Por uma questão de direito internacional e de respeito à soberania, a resposta seria "não", mas por uma questão política, que alguns poderão qualificar de hipocrisia, quem justifica a invasão da Ucrânia pela Rússia geralmente condena os ataques ao Irão pelos EUA e Israel e vice-versa.

Será que a figura do aiatolá Khamenei consegue uma unanimidade de avaliação? O sucessor do aiatolá Khomeini, líder da revolução iraniana que derrubou o Xá Reza Phalevi, que desde 1989, até ontem, encarnava o Guia Supremo da Revolução Islâmica Iraniana, isso durante 37 anos, pode ser saudado na sua morte, ou assassinato, como um herói?

Ou será, como resume o jornal francês Le Monde, que Khamenei encarnava o governo islâmico, decidindo a linha política interna e externa do país, e no seu reinado optou por um endurecimento do regime e por uma repressão feroz de toda contestação? Ele era a autoridade suprema, guardião do dogma teocrático. Ou, fazendo-se um resumo - era um ditador e um tirano.

E surge, então, uma pergunta - quando os tiranos são aceitáveis e mesmo glorificados? O cinema brasileiro, na época da ditadura militar, denunciava os militares tiranos da época, o cinema iraniano denunciava e continua denunciando os crimes da tirania iraniana.

Foram os Festivais de Cinema de Berlim e de Locarno, nos quais fui um assíduo frequentador como jornalista, os primeiros a me chamarem a atenção para uma gradativa e discreta politização do cinema iraniano, depois do sucesso dos filmes de Abbas Kiarostami. Até ali, a esquerda estava entusiasmada com a derrubada do Xá Reza Pahlevi e a ascensão ao poder do imã Ruhollah Musavi Khomeini, o líder xiita iraniano.

Mas uma parte ficou de sobreaviso com a criação da chamada República Islâmica do Irão, quando se fundaram as bases de uma teocracia fundamentalista com perseguição dos próprios comunistas, que haviam apoiado a revolução contra o Xá, dos homossexuais e um rebaixamento do status feminino pondo fim à igualdade entre os sexos.

A República do Irão nada tinha e nada tem a ver com as repúblicas democráticas laicas ocidentais, era um governo repressivo, apoiado pelos Guardiães da Revolução, encarregados de repelir pela força seus opositores. É dessa época a fátua decretada por Khomeini contra o escritor Salman Rushdie por ter escrito o livro Versos Satânicos.

Com a morte do imã promovido a aiatolá, Khomeini, dez anos depois da revolução islâmica e queda do Xá, seu sucessor, com mais poderes que os de um Papa cristão, Ali Khamenei, apertou ainda mais os rigores do governo teocrático, provocando reações duramente reprimidas como aos manifestantes pelo assassinato da jovem curda Amina Mahi pelos guardiães da teocracia, pelo simples delito de não colocar corretamente o véu sobre os cabelos. Em fevereiro novas manifestações contra o regime foram ainda mais duramente reprimidas.

Mas retornando ao papel do cinema como divulgador do regime autoritário iraniano, por cineastas premiados em festivais como Jafar Panahi e Mohammad Rasoulof, cabe registrar uma feliz, embora infeliz coincidência. 

Dois filmes denunciam o tema e atos de tirania e concorrem mesmo ao próximo prêmio Oscar. São o Agente Secreto, de Kleber Mendonça, que trata da ditadura brasileira, na época do coronel Ustra, do Doi Codi; e do filme Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi premiado em Cannes, que trata da repressão, crimes e torturas, durante a teocracia iraniana.

Será que a repressão, a tortura, a tirania têm pesos diferentes segundo o cenário político e econômico internacional? São desculpáveis e elogiáveis ou condenáveis e puníveis? Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Internacional - Universidade de Coimbra lidera Experiência GLOSS que regressa à Terra da Estação Espacial Internacional

A experiência científica GLOSS (Gamma-ray Laue Optics and Solid State detectors: Optica para raios gama e sensores de estado sólido), liderada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), regressou à Terra a bordo da cápsula Cargo Dragon C211 da Space X, tendo amarado no Oceano Pacífico ao largo de San Diego, Califórnia, EUA.


A missão SpX-33 foi liderada por Rui Curado Silva, docente da FCTUC, e por Jorge Maia, da Universidade da Beira Interior (UBI), ambos investigadores do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) Coimbra.

Durante cerca de um ano, amostras de materiais (CZT: telureto de cádmio e zinco) das câmaras dos futuros telescópios de raios gama estiveram expostas ao ambiente espacial (radiação orbital, amplitudes térmicas extremas e oxidação).  «Estes sensores quando em operação no espaço, as suas prestações degradam-se e perdem sensibilidade observacional. Até ao presente, a relação entre o tempo de exposição destes sensores ao ambiente espacial e a degradação das suas prestações nunca foram estudadas com a requerida profundidade», revela Rui Curado Silva.

«Para observarmos o Universo nas bandas dos raios X e dos raios gama (astrofísica de altas energias), é necessário colocar no espaço telescópios equipados de sensores capazes de captar imagens do céu nestas bandas do espectro eletromagnético porque a atmosfera absorve este tipo de radiação antes de chegar à superfície da Terra», explica Jorge Maia.

De acordo com os especialistas, estes sensores estiveram na plataforma Bartolomeo da Estação Espacial Internacional, exposta em permanência ao ambiente exterior de radiação, bem como a variações de temperatura extremas, cerca de -150°C quando a Estação Espacial orbita do lado noturno da Terra, e a temperaturas na ordem dos 120°C quando a Estação se encontra do lado do sol.

Os sensores expostos ao ambiente espacial da Estação Espacial Internacional serão devolvidos a Coimbra dentro de dois meses, onde serão testados para avaliar o nível de degradação operacional quando as suas prestações serão comparadas com as prestações de sensores iguais que permaneceram na Terra.

«A partir desta análise, vamos validar a viabilidade destes sensores serem integrados nos futuros telescópios espaciais para astrofísica de altas energias, bem como perceber de que forma será possível produzir sensores ainda melhores. Desta forma, esperamos contribuir para o desenvolvimento de instrumentação para astrofísica de altas energias e, por consequência, para a sensibilidade de observação, que poderá ter impactos importantes na compreensão da física das ondas gravitacionais, recém-descobertas», concluem.

Além da Universidade de Coimbra, a experiência GLOSS integra equipas do Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço de Bolonha, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAF/OAS-Bologna) e do Instituto de Materiais para Eletrónica e Magnetismo do Conselho Nacional de Investigação de Parma (CNR/IMEM-Parma, Itália). Esta experiência foi financiada pelo programa PRODEX da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial Portuguesa. Universidade de Coimbra - Portugal


Internacional - As alterações climáticas são uma má notícia para as baterias de veículos elétricos

Temperaturas mais elevadas aceleram a degradação das baterias em veículos elétricos, representando um fator decisivo para quem está a considerar a transição


As alterações climáticas criaram um dilema para a transição para veículos elétricos (VE), mas os avanços na tecnologia de baterias podem superar o aumento das temperaturas.

Nos últimos anos, as preocupações ambientais têm motivado muitas pessoas a optarem por veículos elétricos. De acordo com dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), as vendas de carros totalmente elétricos ultrapassaram as de veículos movidos exclusivamente a gasolina na União Europeia pela primeira vez em dezembro de 2025.

Apesar da UE ter suavizado a sua proibição de emissões de automóveis para 2035, o bloco também registou mais carros híbridos elétricos no ano passado, sinalizando uma mudança substancial. No final de 2025, os registos de carros a gasolina caíram 18,7%, com declínios em todos os principais mercados.

No entanto, um dos principais fatores decisivos que impedem as pessoas de optarem por um veículo elétrico é a sua capacidade de lidar com condições climáticas extremas.

O aquecimento global está a prejudicar as vendas de veículos elétricos?

2025 foi o terceiro ano mais quente em todo o mundo e na Europa, com temperaturas médias globais atingindo 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Segundo o serviço de monitorização meteorológico Copernicus, o pico foi atribuído ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera e ao aumento da temperatura da superfície do mar – ambos fatores amplificados pela atividade humana.

Um estudo de 2025 da revista What Car? revelou que os veículos elétricos podem perder até 44% da sua autonomia declarada quando expostos a temperaturas entre 32 e 44°C.

A Polestar, fabricante de carros elétricos de alto desempenho, afirma que a temperatura tem um "grande impacto" na degradação da bateria, pois afeta as reações químicas no seu interior.

“Assim como as baixas temperaturas desaceleram tudo, as altas temperaturas podem criar reações mais rápidas, o que pode levar a reações indesejadas que fazem com que a sua bateria se degrade mais rapidamente”, acrescenta a empresa.

No entanto, um estudo da Universidade de Michigan descobriu que as recentes melhorias na tecnologia de baterias de veículos elétricos já podem estar a superar a degradação causada pelas alterações climáticas.

Investigadores analisaram a durabilidade de baterias antigas de veículos elétricos, fabricadas entre 2010 e 2018, em comparação com baterias novas, fabricadas entre 2019 e 2023.

Num cenário em que o planeta aquecesse em média 2°C, os veículos elétricos com baterias fabricadas entre 2010 e 2018 teriam a sua vida útil reduzida em até 30%.

Mas, para baterias novas, os investigadores descobriram que a queda média na vida útil é de apenas três por cento, com uma queda máxima de 10 por cento.

'Mais confiança' em veículos elétricos, mas apenas nalguns países

“Graças aos avanços tecnológicos, os consumidores devem ter mais confiança nas baterias dos seus veículos elétricos, mesmo num futuro mais quente”, afirma Haochi Wu, autor principal do estudo, publicado na revista Nature.

O autor principal, Michael Craig, destaca que o estudo tem uma ressalva importante: a equipa utilizou apenas dois veículos elétricos representativos no seu trabalho. Esses veículos foram o Tesla Model 3 e o Volkswagen ID.3.

“Em regiões como a Europa e os EUA, acreditamos ter um bom domínio da tecnologia de baterias disponível nessas regiões”, diz Craig.

“Mas quando analisamos cidades na Índia ou na África subsaariana, por exemplo, elas podem ter frotas de veículos muito diferentes – e quase certamente têm. Portanto, os nossos resultados podem ser otimistas para essas regiões.”

Muitas dessas regiões sentirão os efeitos mais severos das alterações climáticas, o que, segundo os investigadores, demonstra como as desigualdades são agravadas pelo aquecimento global. Euronews


Moçambique – Mina de Balama vai fornecer grafite para carros eléctricos do Japão

A mina moçambicana de Balama vai fornecer até 68 mil toneladas de grafite, utilizado nas baterias de carros eléctricos, para o mercado japonês nos próximos sete anos, anunciou a mineradora australiana Syrah


“O acordo reforça a importância crítica do grafite natural de Balama para a cadeia de suprimentos de ânodos e baterias fora da China”, explica a Syrah, concessionária daquela mina em Cabo Delgado, norte de Moçambique, numa informação aos mercados em que dá conta da assinatura de um contrato plurianual para fornecimento de grafite natural com a NextSource.

O contrato com a NextSource prevê a entrega de 34 mil a 68 mil toneladas de grafite ao longo dos próximos sete anos, a partir de Junho, tendo como destino a unidade de ânodos de baterias que está a instalar em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, para depois abastecer um “cliente japonês do sector downstream”. “O contrato de fornecimento destaca a posição única de Balama como um importante fornecedor de grafite natural de alta qualidade e em grande volume fora da China”, sublinha ainda a Syrah.

A mina de Balama produziu 26 mil toneladas de grafite no terceiro trimestre de 2025, recuperando após seis meses de paragem provocada pela agitação social no país, fornecendo o mercado de baterias de viaturas eléctricas norte-americano e indonésio, noticiou a Lusa no final de Outubro.

De acordo com informação sobre o desempenho do terceiro trimestre de 2025 enviada aos mercados pela Syrah, a mina registou ainda, no mesmo período, um total de 24 mil toneladas de grafite vendido e enviado para clientes a um preço médio por toneladas de 625 dólares. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau