Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 24 de outubro de 2026

Moçambique - Quer atrair indústrias chinesas para produzir e exportar em África

O presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM) defendeu ontem em Macau a transferência de indústrias chinesas para o país africano, considerando que este mercado pode assumir um papel estratégico para a China na região


“Moçambique poderia ser um país na região importante para a China. Primeiro, porque está bem localizado, segundo, porque penso que podíamos deslocar algumas indústrias da China hoje para Moçambique”, afirmou Lucas Chacine em declarações aos jornalistas à margem da abertura da 31.ª Feira Internacional de Macau (MIF).

Os sectores do vestuário, a indústria automóvel ou de maquinaria são áreas com potencial, apontou. Moçambique pode servir “como uma plataforma para produzir, nem que seja alguns componentes”, disse. “É possível produzir em Moçambique, para consumir em Moçambique, mas também para exportar para o vasto mercado regional”, continuou.

Chacine destacou a disponibilidade de mão de obra no país, onde todos os anos entram cerca de 500 mil jovens no mercado de trabalho. O dirigente considerou que a cooperação entre os dois países deve evoluir de uma relação não apenas centrada no consumo para uma maior aposta na produção em território moçambicano. Questionado sobre se a instabilidade em Moçambique pode afastar a China ou outros investidores, o presidente da CCM rejeitou a possibilidade.

O Banco de Moçambique identificou em junho a tensão pós-eleitoral e a instabilidade militar em Cabo Delgado como algumas das principais vulnerabilidades que afetaram a estabilidade financeira do país em 2025.

Os protestos que se seguiram às eleições gerais de outubro de 2024 durante os cinco meses seguintes provocaram mais de 400 mortos e a destruição de empresas e património público, afetando a atividade económica em vários setores.

Sobre esse contexto político, o Relatório de Estabilidade Financeira de 2025 do banco central moçambicano refere que “os efeitos da tensão pós-eleitoral sobre a maioria dos setores de atividade influenciaram o desempenho da economia”, afetando a circulação de pessoas e bens, reduzindo o volume de negócios e contribuindo para o aumento do desemprego. “Moçambique é um país estável. Temos alguns focos [de violência] hoje no norte de Moçambique, bem identificados, mas temos um país em paz. Houve naturalmente aquela bolha pós-eleitoral, mas está totalmente controlada”, declarou Lucas Chacine.

Sobre a cooperação com os restantes países de língua portuguesa, representados na 31.ª MIF, o responsável indicou ontem que a CCM propôs recentemente a criação de uma plataforma conjunta das câmaras de comércio lusófonas para reforçar o diálogo empresarial e a abordagem comum a mercados como Macau e a China.

A plataforma, continuou o líder da CCM, deverá permitir aos países lusófonos aproveitarem as respetivas experiências de desenvolvimento e discutirem formas de entrada em novos mercados.

Mais de duas décadas depois, o desígnio identificado em 2003 está agora a ser alargado aos países de língua espanhola. Sobre esta nova orientação, Chacine manifestou-se favorável, defendendo uma maior abertura económica e cultural, desde que exista reciprocidade no acesso aos mercados. “Desde que não haja países que só servem para importar e os outros para exportar. Penso que se houver uma abertura em que os nossos países, as nossas empresas tenham também acesso a esses mercados, é positivo e é muito bem-vindo. Acho que temos de mudar esse paradigma”.

O responsável sublinhou ainda que Moçambique tem vindo a adotar medidas para promover a transformação de matérias-primas antes da exportação. “Hoje a palavra de ordem é transformar pelo menos uma parte para podermos ver esses mercados, não apenas como fornecedores de matéria-prima, mas também de produtos manufaturados”, afirmou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Macau - Empresas chinesas querem usar a Região como “trampolim” para mercados lusófonos e hispanófonos

Empresários chineses afirmaram ontem querer utilizar “Macau como trampolim” para promover os seus produtos nos mercados de língua portuguesa e espanhola


“O objectivo de escolher Macau é aproveitar Macau como trampolim”, disse Liu Yusha, presidente do conselho de administração da empresa Guangdong Yidaominglei Health Industry Investment Group, no segundo dia da 31.ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF).

A companhia chinesa fundada em 2020 dedica-se à investigação e desenvolvimento biotecnológico, produtos de saúde e equipamentos inteligentes de saúde.

A China designou Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com o mundo lusófono em 2003, ano em que criou o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Mais de duas décadas depois, o desígnio foi alargado aos países de língua espanhola. “Através desta plataforma, esperamos que os nossos produtos possam circular por todo o mundo”, afirmou Liu, descrevendo a intenção da sua própria empresa.

Liu apontou que, no setor da saúde, o desenvolvimento interno enfrenta “muitos estrangulamentos políticos”, enquanto Macau e Hengqin (Ilha Montanha) oferecem agora “um forte apoio político” como base da indústria da saúde da Grande Baía.

O empresário mencionou também um evento organizado no ano passado pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que apresentou o seu grupo à Nam Yue Group, uma empresa estatal chinesa sediada em Macau. “A nossa empresa estabeleceu uma ligação com a medicina natural e temos agora uma cooperação profunda”, afirmou, referindo também uma colaboração com uma equipa de investigação biotecnológica da Universidade de Macau, que, afirmou, está a “ajudar a melhorar o desenvolvimento de produtos e a modernizar a medicina tradicional chinesa”. Liu elogiou ainda o Governo de Macau por proporcionar apoio financeiro e subsídios para a investigação e desenvolvimento, além de “um apoio político muito bom”.

Por seu lado, He Haiming, presidente do conselho de administração do Macau Expo Group, também presente na conferência, disse que a indústria de exposições do território pode servir de “ponte interna e externa”, ligando a região da Grande Baía ao mundo.

“A vantagem de Macau é o seu posicionamento em relação aos países de língua portuguesa”, afirmou He, acrescentando que a plataforma está a ser alargada aos países de língua espanhola, nove países lusófonos e 21 países hispanófonos. “A edição anterior foi muito boa e fomos muito ativos. Desta vez inscrevi-me mais cedo, por isso também fui selecionado como orador convidado para um fórum paralelo, porque esta edição construiu uma plataforma muito boa”, disse.

He destacou também o papel de ponte de Macau através das suas comunidades chinesas no estrangeiro. “Este ano, o chefe do executivo visitou o Sudeste Asiático. Muitos residentes de Macau são chineses no estrangeiro, e utilizamos esta rede de chineses no estrangeiro como ponte para sair. Neste evento, houve muitas visitas de retorno de Singapura, Indonésia e Malásia”, concluiu. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Internacional - 77 investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra integram lista dos 2% de cientistas com maior impacto mundial

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) conta com 77 investigadores na World’s Top 2% Scientists List, uma classificação internacional elaborada pela Universidade de Stanford, em parceria com a editora científica Elsevier, com base em dados bibliométricos da base de dados Scopus.


A lista contempla duas categorias: o impacto científico alcançado em 2025 e o impacto acumulado ao longo da carreira. Na primeira, estão incluídos 62 investigadores da FCTUC, enquanto 46 integram a classificação relativa ao percurso científico. Do total de 77 investigadores identificados, 31 figuram simultaneamente nas duas categorias.

A nível global, a Universidade de Coimbra conta com 111 investigadores na lista relativa ao impacto científico em 2025 e 72 na classificação que considera o impacto ao longo da carreira.

A Stanford / Elsevier World’s Top 2% Scientists List baseia-se em indicadores bibliométricos aplicados à produção científica indexada na Scopus, permitindo identificar investigadores com elevado impacto científico, tanto numa perspetiva anual como ao longo da carreira.

A lista completa pode ser consultada aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


Cabo Verde - Sos Mucci apresenta “Mantenha” uma canção que une batuku, memória e identidade cabo-verdiana

Cidade da Praia – O artista cabo-verdiano Sos Mucci lança, no dia 30 de Outubro, “Mantenha”, o seu novo single, que estará disponível em todas as plataformas digitais e que cruza o batuku, a memória e a identidade cabo-verdiana.


Segundo um comunicado da produtora, o novo tema conta com a participação de Ana Mileida e Mileny Gomes e desenvolve-se em torno de uma narrativa de amor, distância e arrependimento.

“A canção aproxima a saudade da possibilidade de reencontro. A mensagem que dá nome ao tema liga memória e identidade cabo-verdiana”, refere a produtora.

De acordo com a mesma fonte, o batuku ocupa um lugar central nesta proposta musical, que reúne os três artistas numa canção profundamente ligada à expressão musical cabo-verdiana.

O lançamento está agendado para 30 de Outubro, sendo Cabo Verde e Portugal os mercados prioritários da campanha de promoção.

Segundo a organização, esta prioridade não implica quaisquer restrições territoriais à distribuição do single. In “Inforpress” – Cabo Verde


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Portugal - Novo livro traz dimensão poética e voz “insubmissa” de Alda Espírito Santo

A dimensão literária de Alda Espírito Santo, cuja poesia conjugou resistência anticolonial, memória e afecto, é um dos propósitos da colectânea de ensaios que foi lançada em Lisboa, segundo a investigadora Inocência Mata.


Intitulada Alda Espírito Santo: Poéticas do Solo Sagrado, a obra publicada pela Rosa de Porcelana Editora, surge no ano em que se celebra o centenário do nascimento da escritora são-tomense, e reúne estudos académicos, procurando dar visibilidade a uma faceta menos conhecida de uma figura que marcou também a luta nacionalista e a vida política de São Tomé e Príncipe.

“Ela não é tão conhecida como poetisa”, afirmou Inocência Mata, em entrevista à Lusa, explicando que o livro nasceu da vontade de dar a conhecer a obra literária de Alda Espírito Santo, para além do seu percurso político.

Alda Espírito Santo foi uma das figuras do nacionalismo são-tomense e desenvolveu a sua actividade política no interior da então colónia portuguesa, num contexto de repressão. Para Inocência Mata, essa condição ajuda a compreender as características da sua escrita, em que a denúncia do colonialismo nem sempre surge de forma explícita.

“A ideia é ver como é que a poesia de Alda Espírito Santo transmitia uma militância muito sub-reptícia. E também em relação à condição feminina, em relação à ilha, à cultura”, afirmou.

Todo o seu discurso poético exalta a luta do povo são-tomense e as tradições culturais do seu país. É a autora do hino nacional e de várias obras literárias, em que se destacam Mataram o Rio da Minha Cidade, Mensagens do Solo Sagrado e Cantos do Solo Sagrado, entre outras.

Todos os anos, desde a independência de São Tomé e Príncipe, uma voz feminina recita “Trindade”, um dos poemas com que a escritora imortalizou o Massacre de Batepáde, em 1953.

“A minha leitura de Alda Espírito Santo faz-se dessa ideia que é realmente uma poesia de libertação, anticolonialista, nacionalista”, disse a investigadora, mas também uma “poética do afecto”, construída a partir dos lugares, das pessoas, das memórias e das experiências do quotidiano.

A poesia de Alda Espírito Santo recorria, assim, a uma linguagem aparentemente lírica para abordar questões sociais e políticas. No poema “Avó Mariana”, por exemplo, a história de uma mulher levada de Angola para trabalhar como contratada nas roças de São Tomé expõe as consequências de um sistema que limitava a liberdade e o regresso à terra de origem.

“É um poema muito lírico, mas de um lirismo social e de um lirismo político”, observou Inocência Mata, sublinhando que, no caso da escritora são-tomense, a resistência se expressava muitas vezes de forma mais subtil do que na poesia de autores que puderam escrever fora dos territórios colonizados.

A colectânea acompanha diferentes dimensões da escrita de Alda Espírito Santo, da consciência anticolonial à condição feminina, passando pela memória, a ancestralidade e as tensões do período pós-independência. Reúne ensaios de investigadores portugueses, brasileiros e são-tomenses, de áreas como a literatura, a história e a antropologia.

O título dialoga com É Nosso o Solo Sagrado da Terra, primeiro livro de poesia de Alda Espírito Santo, publicado em 1978, depois da independência de São Tomé e Príncipe. Para Inocência Mata, essa escolha permite recuperar a dimensão nacionalista da escritora, mas também acompanhar a evolução da sua escrita e o desencanto que emerge em obras posteriores, como Mataram o Rio da Minha Cidade.

Inocência Mata defende que a poesia da autora deveria passar a integrar a leitura obrigatória nas escolas, considerando que Alda Espírito Santo, a par com Francisco J. Tenreiro, são os nomes “maiores do século XX” da cultura são-tomense.

Como organizadora desta obra, destaca ainda a dimensão afectiva da poesia como forma de construção da pátria, através da representação dos espaços de sociabilidade, das mulheres, das crianças e das vivências quotidianas da ilha.

“Como por trás do afecto, dessa memória, do vivido, deste quotidiano, havia uma voz insubmissa”, resumiu.

O lançamento de Alda Espírito Santo: Poéticas do Solo Sagrado, organizado por Inocência Mata, decorreu no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Moçambique – Província de Tete reúne mais de 50 autores no lançamento de duas colectâneas literárias

Mais de 50 autores reuniram-se, hoje, dia 23 de Outubro, no Centro de Interpretação Samora Machel, na província de Tete, para a apresentação de duas obras colectivas: Kugumana Kwa Anyungue e Tete, Terra dos 6 Cs.


A iniciativa, promovida pela Editora Vértice Literário, pretende valorizar a produção literária local e dar maior visibilidade aos escritores naturais e residentes na província, reunindo diferentes vozes, experiências e perspectivas sobre a identidade cultural moçambicana.

A colectânea Kugumana Kwa Anyungue é dedicada à poesia e reúne diferentes formas de expressão, memória e interpretação da realidade através da palavra poética. Já Tete, Terra dos 6 Cs é uma antologia mista que integra diversos géneros literários e perspectivas sobre a província, destacando as suas vivências, tradições e património cultural.

Para além da apresentação das obras, o encontro pretende promover a interacção entre escritores e leitores, bem como incentivar a criação literária e a divulgação de novos talentos.

Com esta iniciativa, a Editora Vértice Literário reforça o seu compromisso com a promoção da literatura moçambicana e a criação de oportunidades para os autores, contribuindo para a dinamização da actividade cultural na província de Tete. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Cabo Verde - Caso de ébola na Nigéria coloca o país em alerta sanitário

Apesar de ser classificado pela OMS como um país de baixo risco de infecção por ébola, Cabo Verde vai reforçar a vigilância sanitária na sequência da confirmação de um caso na Nigéria


Cabo Verde vai reforçar a vigilância sanitária nos aeroportos internacionais e intensificar a preparação dos profissionais de saúde, na sequência da confirmação de um caso de ébola na Nigéria, apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificar o país como de baixo risco de infecção pelo vírus.

A diretora nacional de Saúde, Ana Paula Santos, explicou que as autoridades sanitárias vão reforçar as informações junto dos responsáveis e técnicos de saúde, com o objetivo de melhorar a identificação de sintomas e garantir uma resposta rápida perante eventuais casos suspeitos.

Segundo a responsável, será retomada uma plataforma de controlo que inclui um questionário dirigido aos passageiros à entrada no país, com perguntas sobre sintomas e os países por onde viajaram, permitindo identificar situações que possam exigir uma avaliação sanitária.

As medidas enquadram-se no plano de emergência aprovado em maio passado e visam reforçar a capacidade de prevenção e resposta das autoridades nacionais perante a evolução da situação epidemiológica na África Ocidental.

O ébola é uma doença viral grave, transmitida por contacto direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas infetadas, vivas ou mortas, bem como através de materiais contaminados.

A confirmação do caso na Nigéria volta a colocar em evidência a importância da vigilância sanitária na região, exigindo atenção redobrada das autoridades de saúde, mesmo em países considerados de baixo risco, como Cabo Verde. In “O País” – Cabo Verde