Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Luxemburgo - Saiu mais uma remessa com apoio às vítimas das tempestades em Portugal

Partiram esta sexta-feira para Portugal mais 20 toneladas de apoio humanitário para as vítimas das tempestades que entre janeiro e fevereiro assolaram a zona Centro do país. Esta é a segunda “remessa” enviada pelo Grupo Sopinor e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa (CCILL), e pelo menos mais duas sairão do grão-ducado nas próximas semanas


O apelo da CCILL e da Sopinor aos empresários do Luxemburgo gerou uma onda de solidariedade praticamente sem precedentes, e prova disso têm sido as toneladas de bens materiais feitas chegar ao centro de logística da Sopinor, em Schifflange, com destino a Portugal.

O primeiro semi-reboque encheu-se rapidamente com materiais de construção, ferramentas e equipamentos de proteção individual (EPI). Num total, 24 toneladas foram entregues na passada segunda-feira, 23 de fevereiro, aos concelhos de Ourém e Marinha Grande.

Esta nova carga tem sobretudo material de construção destinado à reparação de telhados, e terá como destino os distritos de Leiria e Santarém. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Macau - Trisneto gostaria que a cidade tivesse “feito mais” pelo poeta Camilo Pessanha

Dos descendentes de Camilo Pessanha estão apenas vivos os nove trisnetos, filhos da neta Ana Maria Jorge, falecida em 2018. O mais velho admitiu ao Jornal Tribuna de Macau conhecer pouco sobre o percurso do seu trisavô como poeta, apenas sabendo que “viajava muito” entre Macau e Portugal. Victor Jorge gostaria que “se tivesse feito mais no território para assinalar a carreira dele”. Sobre a aventada hipótese de trasladar os restos mortais para o Panteão Nacional, em Lisboa, confessa que “seria para mim uma honra, mas a minha mãe é muita supersticiosa e recusou o pedido”


Como o primogénito dos nove irmãos, todos trisnetos de Camilo Pessanha, Victor Jorge, de 76 anos, reconheceu ao Jornal Tribuna de Macau que não conhece muito sobre o percurso do trisavô como escritor. Apenas soube, pela boca da sua avó, Ana Maria Jorge, falecida em 2018, que o poeta “viajava muito” entre Macau e Portugal.

“O meu trisavô tinha uma neta (minha avó) e um neto que também tinha o mesmo nome do avô, ambos falecidos, e que eu saiba não há mais descendentes, apenas resta a minha família”, começou por referir.

Mesmo com a existência de alguns sinais da sua passagem pelo território, como por exemplo a estátua no Jardim das Artes e a rua com o seu nome, “Macau [as autoridades] devia ter feito mais sobre a carreira dele”, lamenta, ainda que se congratule com algumas iniciativas organizadas aquando da passagem dos 150 anos do nascimento de Camilo Pessanha.

Lembra-se, no entanto, de algumas histórias que foi ouvindo na família, que o trisavô sempre sustentou a neta. “Depois da morte do poeta, houve disputa das heranças que ele deixou, uma vez que tinha muitas antiguidades, e a madrasta não quis dividir para a minha avó invocando que ela não fazia parte da família por não ser filha legítima de Camilo Pessanha”, contou.

O caso foi para tribunal, que “deu razão à minha avó, após ter lido uma carta escrita pelo pai dela que a identificava como filha”, recorda.

No próximo mês de Maio, completam-se 10 anos desde que, em Portugal, foi aventada a possibilidade de trasladação dos restos mortais de Camilo Pessanha para o Panteão Nacional, onde se encontram túmulos de outros nomes do panorama literário, como por exemplo, Sophia de Mello Breyner Andresen, Almeida Garrett, Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro e João de Deus. A oposição dos familiares de Camilo Pessanha, acompanhada pela também não concordância do Instituto Cultural, foi decisiva para que a Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto da Assembleia da República encerrasse o caso.

Victor Jorge comenta essa intenção de Portugal. “Isso seria para mim uma honra, mas a minha mãe é muito supersticiosa e recusou o pedido”.

Mesmo depois da morte de Ana Maria Jorge, os seus filhos querem respeitar a opinião da família. “Julgo que é difícil voltar atrás a propósito da trasladação dos restos mortais para Portugal, uma vez que os familiares não querem que se mexa no túmulo, por entenderem que ele escolheu ficar em Macau”, destacou.

Para marcar a efeméride da morte do poeta, a família não tem nada de especial programado. “No dia 1 de Março vamos fazer a limpeza e colocar flores na campa instalada no Cemitério de São Miguel Arcanjo”, adiantou, ressalvando que “fazemos isso anualmente, para além de pagarmos a um operário para tratar do jazigo”.

Lembra também que o filho do Camilo Pessanha tinha um afilhado que residia em Hong Kong e que foi ele que mandou fazer a lápide da sepultura com caracteres em cantonense. “Não sei se ainda está vivo, perdi o contacto dele”, esclareceu.


Victor Jorge, que acedeu prontamente a tirar uma fotografia junto à estátua do trisavô no Jardim das Artes, a qual integra ainda um pedestal com o cão do poeta, Arminho, confessou a este jornal que o interesse pela vida e obra de Camilo começou na sua juventude. “Quando eu era ainda jovem, um colega mostrou-me uma nota de 100 patacas com a gravura do poeta e perguntou-me quem era, mas na altura eu não sabia que era o meu trisavô. Depois disso, comecei a inteirar-me sobre a história dele”, afirma.

Questionado sobre documentos que possivelmente se encontrem na posse dos familiares, o trisneto disse ter apenas um livro que fala de Camilo Pessanha e da sua família. “Tem alguns poemas ilustrados e também um documento oficial que relata a identidade da minha avó como filha ilegítima, por os pais não terem sido casados”, revela.

O poeta, recorde-se, era também filho ilegítimo de Francisco António de Almeida Pessanha, um aristocrata estudante de Direito e de Maria Espírito Santo Duarte Nunes Pereira, sua empregada.Tirou o curso de direito em Coimbra, foi procurador régio em Mirandela (1892), advogado em Óbidos, em 1894, e depois de se mudar para Macau foi, durante três anos professor de Filosofia Elementar no Liceu.

Entre 1894 e 1915, voltou a Portugal algumas vezes, para tratamentos de saúde, tendo, numa delas, sido apresentado a Fernando Pessoa, que era, como Mário de Sá-Carneiro, apreciador da sua poesia.

Morreu devido ao uso excessivo de ópio e a tuberculose pulmonar. Nos relatos sobre a sua morte, extraídos do livro Camilo Pessanha de António Dias Miguel, é referido que na manhã de 1 de Março de 1926 “falece Camilo Pessanha, depois de prolongado sofrimento”. O funeral realizou-se no dia seguinte, a meio da tarde.

O seu enterro, “singelo e civil”, foi muito concorrido. Transportado, a seu pedido, num armão militar, coberto pela bandeira nacional, o poeta foi conduzido por sargentos, cabos e soldados e ladeado pelos estudantes do Liceu e outras escolas.

No cemitério, a oração fúnebre foi pronunciada pelo reitor Borges Delgado, com estas palavras: “Espírito altamente filosófico e amplamente liberal, alma aberta a todas as dores e infortúnios, encarava a vida desprendidamente, sem os preconceitos vãos que por aí pululam, a contaminar tudo e todos”.

Os jornais de Lisboa deram grande relevo à morte de Camilo Pessanha. Em 1949, a Câmara Municipal da capital portuguesa homenageou o escritor dando o nome dele a uma rua junto à Avenida da Igreja, em Alvalade.

Estátua terá nova placa informativa

A escultura em bronze, de corpo inteiro, do poeta Camilo Pessanha, acompanhada pelo seu cão Arminho, no Jardim das Artes, vai ser alvo de colocação de uma placa informativa, uma vez que a “concepção original é de difícil leitura”, segundo referiu o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). Em resposta ao Jornal Tribuna de Macau, o organismo indicou que a escultura, da autoria do arquitecto Carlos Marreiros, foi erguida no local há mais de 10 anos, e na coluna de pedra atrás da mesma, encontra-se gravado o texto de apresentação do poeta. “Com vista a melhorar a situação, inicia-se, nesta fase, a recolha das respectivas informações”, complementou o IAM. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau” 





Portugal – Município de Santiago do Cacém abre candidaturas para o Prémio de Conto Manuel da Fonseca

As candidaturas para a 16.ª edição do Prémio de Conto Manuel da Fonseca decorrem de 2 de março a 16 de abril, desafiando autores lusófonos a apresentarem coletâneas de contos originais e inéditas.


O Município de Santiago do Cacém promove mais uma edição deste prestigiado galardão bienal, que presta homenagem ao escritor Manuel da Fonseca. Considerado uma figura incontornável da literatura portuguesa e mestre da narrativa curta, o autor santiaguense serve de inspiração a um concurso que visa não apenas celebrar o seu legado, mas também incentivar a revelação de novos talentos na língua portuguesa.

O prémio destina-se a autores maiores de idade, de nacionalidade portuguesa ou residentes em países de língua oficial portuguesa, que apresentem coletâneas de contos inéditos com temática livre. Estão excluídas da competição obras de cariz infantojuvenil ou de publicação póstuma, mantendo-se o foco em trabalhos originais dirigidos exclusivamente ao público adulto.

A obra vencedora, selecionada por um júri especializado, será distinguida com um prémio pecuniário de 4000 euros. Além do valor monetário, a Câmara Municipal de Santiago do Cacém assume a responsabilidade da edição do livro premiado, que será publicado no ano seguinte ao concurso, garantindo assim a sua promoção e distribuição junto dos leitores.

Na edição anterior, concluída em 2024, o vencedor foi Eduardo Palaio, sob o pseudónimo Joachim Guerra, com a obra Contos do Senhor Tomás da Graça (Dez Contos e Três Intervalos). A decisão foi tomada por unanimidade, reforçando a exigência e o mérito artístico que caracterizam este prémio ao longo das suas dezasseis edições. In “Canal Alentejo” - Portugal


Cabo Verde - Batucadeiras Delta Ramantxada apresentam “Lingua di Mundo”

No passado dia 22 de fevereiro as Batucadeiras Delta Ramantxada apresentaram a sua nova canção Lingua di Mundo, da autoria de Marisa Correia, a fundadora do grupo.  


O Grupo de Batuco Delta Ramantxadas foi criado há mais de 18 anos pela fundadora da associação Delta Cultura Marisa Correia Ramantxada, e desde então o grupo tem levado e continua a levar a Cultura do Concelho do Tarrafal Santiago e da Ilha de Santiago para todos os cantos do mundo.

O grupo já participou de inúmeros festivais de batuco internacional e nacional. Batucadeiras Delta Ramantxada – Cabo Verde


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Angola - Ciclo de palestras pretende homenagear heróis da Luta Armada de Libertação Nacional

O Arquivo Nacional de Angola, realizou nesta sexta-feira, 27 de Fevereiro, no auditório Agostinho Mendes de Carvalho ”Uanhenga Xitu”, o Ciclo de Palestras para comemorar o 65.º aniversário do início da Luta Armada de Libertação Nacional, que decorre sob o lema: Preservando os valores da Pátria, honremos os nossos heróis


O evento contou com a participação do Ministro da Cultura, Filipe Zau, com a sua delegação, nacionalistas, dirigentes dos órgãos de defesa e segurança, membros da sociedade civil entre outros.

Deste modo, o mesmo tem por objectivo preservar a memória colectiva, homenagear os heróis da luta de Libertação, e promover o debate académico e cívico, proporcionando um espaço de partilha de conhecimentos e experiências, assim como promover um diálogo inter-geracional.

Neste ciclo de palestras serão abordados temas como a actuação do movimento clandestino na Luta de Libertação Nacional (1956 - 1961), que terá como prelector o nacionalista, Manuel dos Santos Júnior, para o segundo tema será apresentado, a abordagem sobre a dimensão nacionalista do Cónego Manuel das Neves, na voz do preletor, Cónego Apolónio Graciano.

Por sua vez, o debate sobre o 4 de Fevereiro de 1961, no seu contexto histórico e as suas causas, que será orientado pela nacionalista e Tenente-General, Engrácia Cabenha. – Maria Custódia – Angola in “O País”




Portugal - Investigador da Universidade de Coimbra integra equipa de avaliação da Lista Vermelha das Abelhas Europeias da União Internacional para a Conservação da Natureza

O investigador Hugo Gaspar, do Centre for Functional Ecology: Science for People & Planet da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), é um dos autores da segunda avaliação da Lista Vermelha das Abelhas Europeias, conduzida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).


O especialista em taxonomia, ecologia e conservação de abelhas selvagens em Portugal contribuiu para esta avaliação, que revela um aumento significativo do conhecimento sobre estas espécies, mas evidencia também um agravamento preocupante do seu estado de conservação na Europa.

Segundo o novo relatório da IUCN, 10% das abelhas selvagens europeias (171 em 1928 espécies avaliadas) estão ameaçadas de extinção, mais do dobro das 77 espécies ameaçadas registadas em 2014, quando foi feita a primeira avaliação. Um dos principais objetivos alcançados nesta segunda edição foi reduzir o número de espécies com estatuto de “Dados Insuficientes” (Data Deficient), que passou de 57%, em 2014, para apenas 14%, em 2025, tornando esta a avaliação na mais abrangente alguma vez realizada sobre o estado de conservação das abelhas selvagens europeias.

Entre os grupos de espécies mais afetadas encontram-se, por exemplo, os abelhões (género Bombus) e as abelhas do género Colletes e Dasypoda. Estas espécies, juntamente com as restantes avaliadas, são essenciais para a polinização de plantas silvestres e de culturas agrícolas, desempenhando um papel vital na sustentação dos ecossistemas terrestres e na agricultura.

Das 171 espécies que estão ameaçadas de extinção na Europa, 67 ocorrem em Portugal, o que corresponde a 9% da fauna nacional (747 espécies). Das 25 espécies no nível mais alto de ameaça (“Criticamente em Perigo”) na Europa, apenas uma ocorre em Portugal – o Epéolo-de-faixas (Epeolus fasciatus Friese, 1895) – uma espécie de abelha cuco que parasita abelhas do género Colletes.

«Este documento é mais uma prova do aumento do conhecimento, ainda que limitado, resultante do investimento que tem sido feito no estudo das abelhas na Europa nos últimos anos», explica Hugo Gaspar, investigador do Departamento de Ciências da FCTUC.

«É importante compreender que o nível de ameaça depende do contexto geográfico e neste documento é recomendada a criação de listas vermelhas nacionais específicas de abelhas selvagens, ainda inexistente em Portugal», afirma, acrescentando que «uma espécie pode não estar ameaçada à escala europeia e estar ameaçada à escala nacional, ou vice-versa – isso tem implicações na conservação nacional das abelhas».

Na FCTUC e no FLOWer Lab têm sido desenvolvidos esforços contínuos para a conservação das abelhas selvagens e de outros polinizadores, através de vários projetos de investigação e ação. Entre eles, destaca-se, naturalmente, o doutoramento de Hugo Gaspar, que visa ampliar o conhecimento da distribuição e identificação das abelhas selvagens em Portugal; o projeto nacional PolinizAÇÃO, responsável pelo Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores em Portugal; o projeto ARCADE para o melhoramento das coleções de referência nacionais; e mais recentemente, o projeto europeu BeeConnected SUDOE, dedicado ao restauro ecológico de habitats e à conservação de polinizadores selvagens.

A Lista Vermelha das Abelhas, publicada recentemente, destaca ainda as principais ameaças à conservação das abelhas: 1) a intensificação agrícola, 2) as alterações climáticas, 3) a perda e fragmentação dos habitats, 4) as espécies invasoras e 5) a poluição. Também são apresentadas as prioridades para a conservação: 1) proteger e restaurar habitats, 2) promover práticas agrícolas favoráveis a polinizadores, 3) expandir a monitorização e investigação, 4) fortalecer a rede de especialistas e 5) integrar a conservação de abelhas nas políticas existentes. Universidade de Coimbra - Portugal  


Angola – Foi apresentada a obra de Natália Umbelina “Trabalho forçado em São Tomé e Príncipe – Os serviçais”

A sede da União dos Escritores Angolanos foi o palco para o lançamento do trabalho de investigação histórica realizado pela historiadora Natália Umbelina.


Angola que foi a principal fonte que o colonialismo português utilizou para tráfico de mão de obra escrava, e mais tarde contratada, para trabalhar nas roças em São Tomé e Príncipe acolheu com curiosidade, o lançamento da obra que investigou o trabalho forçado colonial de 1853 a 1903.

A intelectualidade angolana convergiu-se para a sede da União dos Escritores Angolanos para absorver a história do Trabalho forçado no arquipélago de São Tomé e Príncipe: Os serviçais.

Aki Neto, Cornélio Calei, Kanguimbu Ananaz, Hélder Simbad, são nomes de escritores angolanos que participaram no lançamento do livro.

Professores universitários, estudantes, jornalistas e cidadãos comuns de Angola também foram conhecer a história da escravatura colonial, que uniu para sempre angolanos e são-tomenses. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”