Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Argentina - Investigada morte de centenas de baleias na Patagónia do país

Cientistas estão a investigar as causas da morte de centenas de filhotes de baleias-francas na Patagónia argentina desde Junho, dezenas dos quais foram encontrados na semana passada em praias próximas de Puerto Madryn, em Chubut, informou o especialista Mariano Coscarella à AFP.


Embora o óbito de filhotes seja comum, “particularmente nesta temporada a mortalidade tem sido bastante alta”, explicou Mariano Coscarella, investigador no Laboratório de Mamíferos Marinhos do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), em Puerto Madryn.

Segundo o especialista, os veterinários que estudam os casos suspeitam de um surto de erisipela, uma doença causada por uma bactéria que normalmente vive na pele dos cetáceos. Contudo, essa hipótese ainda precisa ser confirmada.

“Aparentemente, trata-se de uma causa natural; no entanto, os efeitos da acção humana não podem ser totalmente descartados”, afirmou Mariano Coscarella.

O governo de Chubut assinalou em comunicado que trabalha “de maneira articulada com a comunidade científica e equipas de pesquisa especializadas no levantamento dos exemplares encontrados sem vida e na análise de amostras”.

“De acordo com as informações disponíveis até ao momento, tratar-se-ia de uma bactéria comum no mar que pode causar afecção sistémica em baleotes, não havendo evidências que permitam atribuir a mortalidade registada a factores de origem antrópica”, sublinha o comunicado divulgado na última semana.

Puerto Madryn é reconhecida internacionalmente por abrigar a maior concentração reprodutiva de baleias-francas-austrais do Atlântico sudoeste. O censo de 2025 atingiu o recorde de 2110 animais, com mais de 800 filhotes nascidos na região, enquanto o levantamento deste ano contabilizou 1375 exemplares, entre eles cerca de 400 filhotes, detalhou Mariano Coscarella.

Os investigadores haviam assinalado, ao divulgar o último censo, que a diferença em relação ao ano anterior se encontrava dentro das flutuações naturais esperadas para essa população.

“Esse tipo de evento de mortalidade aguda, em geral, quando afecta a fracção de recém-nascidos em animais que têm uma longevidade tão grande como a baleia-franca, não representa um perigo para a população no médio prazo”, destacou o cientista.

No entanto, advertiu que será necessário esperar até ao fim da temporada “para compreender o fenómeno e poder tentar modelar o que vai acontecer com essa população”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “AFP”


China - Marcas portuguesas juntam forças para conquistar mercado nacional de gama alta

Marcas portuguesas de mobiliário e decoração estão a apostar no design e no segmento de gama alta para crescer na China, procurando contornar a crise imobiliária através de uma presença conjunta que lhes permita ganhar escala.


Num dos principais centros de mobiliário e decoração de Xangai, candeeiros inspirados em formas orgânicas, porcelanas, cortiça, têxteis e outros produtos portugueses compõem a exposição “Not a Love Story – A Journey Through Portuguese Contemporary Design”.

A mostra, patente no Cimen Mall até 7 de Outubro, reúne 12 marcas portuguesas – Serip, Carolim, Porcel, Cockburn’s, Abyss, Habidecor, Costa Nova, Delta, Cutipol, Herdmar, Vista Alegre e Healsi –, numa iniciativa que procura apresentar de forma integrada uma oferta habitualmente dispersa por diferentes distribuidores e espaços comerciais na China.

“Queremos mostrar que existe esta quantidade e variedade”, explicou à Lusa, Huang Liu, representante na China da marca portuguesa de iluminação Serip e uma das coordenadoras da iniciativa. “Num mercado local, os produtos portugueses ainda estão bastante dispersos”, observou.

Para Luís Costa, delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) em Xangai, a dimensão do mercado chinês torna particularmente importante uma actuação conjunta. Explicou que a iniciativa permitiu estabelecer contactos entre as empresas portuguesas participantes e distribuidores e importadores chineses que operam no Cimen, espaço onde lojas de uma ou várias marcas funcionam como ‘showrooms’ para consumidores, designers e profissionais do sector.

Apesar da dimensão do mercado, a China tem ainda um peso reduzido nas exportações portuguesas de produtos ligados à casa e decoração. Portugal exportou 1,2 milhões de euros em mobiliário para a China no primeiro semestre deste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística fornecidos à Lusa pela AICEP. Nos têxteis-lar, as vendas atingiram 1,46 milhões de euros, menos 8% do que no mesmo período de 2025, representando a China apenas 0,4% das exportações portuguesas do sector. A cutelaria registou, em sentido contrário, um forte crescimento: as exportações para a China aumentaram 468,1%, para 290 mil euros, tornando o país o nono maior cliente de Portugal nesta categoria. A exposição surge numa altura particularmente difícil para o sector chinês de mobiliário e decoração, após vários anos de crise no mercado imobiliário, que durante décadas constituiu um dos principais motores da economia do país.

Desde o pico do mercado, em 2019, os preços da habitação na China caíram cerca de 20% segundo dados oficiais, embora estimativas não oficiais apontem para uma queda próxima de 40%. A exposição das famílias chinesas ao sector é particularmente elevada: perto de 70% da riqueza dos agregados familiares está concentrada em habitação.

Para um sector dependente da compra e decoração de habitações, a mudança é particularmente relevante. Huang Liu, que trabalha com a Serip no mercado chinês desde 2011, acompanhou de perto essa transformação.

“A mudança foi muito grande”, afirmou, depois de, entre 2011 e 2019, o sector imobiliário chinês ter atravessado um período de forte expansão. A responsável mantém, no entanto, uma perspectiva optimista sobre as possibilidades para produtos portugueses que ocupem nichos específicos.

No Cimen, explicou Luís Costa, as empresas não tiveram de deslocar recursos humanos para manter a exposição e beneficiam da promoção realizada no próprio espaço, que deverá registar maior afluência durante a “Semana Dourada”. A exposição transforma os produtos numa narrativa sobre Portugal, dividida em vários espaços inspirados em Lisboa, na Madeira e no Algarve. O percurso parte da história de um casal e passa pelo encontro, casamento e início de uma vida em comum, recorrendo a paisagens, materiais e objectos portugueses para construir cada cenário. O título “Not a Love Story” joga precisamente com essa contradição: “Mostramos produtos de design, mas a história que contamos é uma história de amor”, explicou Huang.

À entrada do Cimen, candeeiros da Serip inspirados em dentes-de-leão representam sementes transportadas pelo vento e capazes de voltar a crescer noutro lugar. Para Huang, a imagem resume também a ambição da iniciativa: levar o design e os produtos portugueses “para diferentes partes do mundo”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com João Pimenta, delegado da “Lusa” em Pequim


Nações Unidas – Curso de língua portuguesa para funcionários esgota vagas em menos de 24 horas

É a primeira vez que a língua será ensinada a diplomatas, funcionários e associados ao lado dos seis idiomas oficiais da organização; iniciativa resulta de parceria das Nações Unidas com o Governo de Portugal; número de matrícula em tempo recorde e criação de lista de surpreendeu até mesmo os professores do Instituto Camões, que ministrarão as aulas


A língua portuguesa começou a ser ensinada neste 28 de setembro no curso regular de idiomas estrangeiros da Organização das Nações Unidas, com sede em Nova Iorque. Segundo os organizadores, é a primeira vez que uma língua não-oficial será compartilhada pela Unidade de Treinamento de Língua e Comunicação da ONU.

Em entrevista à ONU News, na semana passada, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, lembrou algumas credenciais do português que é falado num universo de mais de 300 milhões de pessoas em quatro continentes, além de ser o maior idioma do Hemisfério Sul em número de locutores.

Desafio e promoção

O representante e coordenador do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua nos Estados Unidos, João Caixinha, explicou como surgiu o projeto.

“Nesta visão, estratégia de implementar mais cursos de português em organizações internacionais, o Camões aceitou este desafio da nossa Missão Permanente de Portugal nas Nações Unidas, nomeadamente o desafio que o embaixador Rui Vinhas lançou à Coordenação do Ensino do Camões, no sentido de ensinarmos novos cursos de português junto das Nações Unidas e dos seus funcionários, diplomatas, e outros funcionários como a Monica referiu. E é muito importante que o português tenha uma presença cada vez mais forte junto das Nações Unidas. Até porque não é ainda uma língua oficial, e isto também permite que nós possamos alavancar o nível que queremos para promoção da língua portuguesa junto das organizações internacionais.”

O ritmo recorde com que as vagas foram preenchidas, em menos de 24 horas, surpreendeu até mesmo os tutores do curso, como explicou a professa Carla Gomes da Silva que assumirá as turmas de Português Nível 1, para Principiantes.

Interesse crescente pelo idioma

“E pelo que nos foi dito, há até uma lista de espera. E neste momento, nós iríamos começar com 15 alunos por cada turma, e vamos começar por ter 18 alunos em cada turma. E pelo que foi dito, pelo que entendi, e que foi falado com o dr. João Caixinha, é que no futuro, se possível, é continuar a alargar, não é? Porque realmente há muito interesse. E eu penso que o interesse virá dos profissionais aqui da ONU que realmente querem ter outra ferramenta que é a língua portuguesa para trabalhar na cooperação, para conversar uns com os outros. E eu penso na minha opinião que o interesse virá daí: do interesse crescente pela língua portuguesa.”

A língua portuguesa já é ensinada, há vários anos, a crianças, como disciplina opcional, na Escola das Nações Unidas, aberta a filhos de diplomatas e outros estudantes como língua estrangeira e que tem sede em Nova Iorque.

Este primeiro curso de português para adultos na ONU é coorganizado pelo Escritório do Departamento de Apoio Operacional das Nações Unidas. Já o Governo de Portugal delegou ao Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, a tarefa de ensinar o português.

Línguas que vêm do latim

O representante do Camões, João Caixinha explica a abordagem didática para os novos alunos.

“Eu acho que a nossa dinâmica, o approach, é um pouco diferente, claro, da Escola das Nações Unidas porque é um público estudantil para crianças. Aqui, é um público adulto em que vamos focar, sobretudo, naqueles alunos que ainda não dominam a língua. Esses são claros, obviamente, iniciação. Apesar de poderem conhecer outras línguas, vai depender do perfil de cada aluno, é evidente. E isto a Carla tem experiência para ver quais são as línguas que o aluno já domina. Se forem línguas europeias talvez mais ligadas ao latim como o francês, ou o espanhol, ou outras que tenham a base o latim, talvez a base gramatical seja mais incidente e mais próxima do português.”

Lista de espera e razões para aprender

Considerada a “primeira língua a ser globalizada no mundo”, o português lançou-se aos mares de Norte a Sul com as históricas e pioneiras Grandes Navegações portuguesas numa altura em que para se negociar, comprar e vender, era preciso fazê-lo em português. 



Hoje, quem se interessa pelo idioma aponta esta e outras razões: a importância geoestratégica dos países lusófonos, oportunidades económico-comerciais, avanços na carreira, cultura, história, redes sociais e ainda laços familiares como explicaram as estudantes americanas Chanel Jackson e Kristen Antunes, neste vídeo gravado de Boston para a ONU News.

“Eu queria aprender a língua porque o meu marido é do Brasil e tenho família dos Açores. E agora eu estou grávida e queria ensinar ao meu bebé a língua e a cultura de Portugal.”

Kristen: “E eu queria aprender o português porque o meu pai é da Madeira. E ele emigrou para Massachussetts com a minha família. Muitas pessoas em Massachussetts e nos Estados Unidos falam português no dia a dia.”

A italiana, Lara Palmisano, que trabalha na ONU em Nova Iorque, entrou na lista de espera, e explicou o porquê de querer aprender o português.

Lara conta que escuta bastante música portuguesa e brasileira e que gostaria de entender a letra das canções. Ela também tem planos de visitar o Brasil e Portugal e se comunicar diretamente com as pessoas.

E para outros futuros alunos que querem aprender o português, a professora Carla termina com uma dica:

“Bom. A minha dica é sempre a exposição à língua. Seja ela que maneira for, seja na leitura. Seja pela à música. Seja pelas férias em Portugal. Eu sou professora das escolas comunitárias há mais de 20 anos. E realmente, quando os miúdos iam a Portugal passar férias e voltavam em setembro era uma riqueza. Ouvir todos os alunos a falarem português de uma forma incrível. Então nós dizíamos que esse era o melhor remédio: era ir a Portugal, passar umas férias e passar tempo com a família e falar português. Mas para quem não pode fazer isso, realmente, o importante é expor-se à língua. Tentar conversar com pessoas que saibam falar essa língua. Até tentar ler uma notícia, ou um pequeno livro em português. A exposição à língua é muito importante.”

As línguas oficiais da ONU já ensinadas na organização são: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo.

O Instituto Camões lembra que as aulas irão de 28 de setembro até 11 de dezembro com possibilidade de continuidade para um segundo trimestre.

O curso é inteiramente gratuito para funcionários da organização, que só pagam uma taxa simbólica em caso de ausência ou reprovação. ONU News – Nações Unidas


Obra resgata história da Justiça Federal do Paraná

Desembargador mostra como esse ramo do Poder Judiciário participou de momentos decisivos da vida paranaense e brasileira

                                                                                             

                                                           I

Uma obra de memória do Poder Judiciário é o que o leitor vai encontrar no mais recente livro do desembargador federal aposentado Vladimir Passos de Freitas, A história da Justiça Federal do Paraná – 1891-2024 (Curitiba, Editora CRV, 2026), que reúne processos, atas, fotografias, depoimentos, registros institucionais, recortes de jornais e documentos de toda ordem, traçando uma trajetória ampla e perfeita da Justiça Federal no Estado do Paraná. Trata-se de obra que “contém ricas informações sobre as ações judiciais da época, a forma como se julgava, os hábitos, as práticas forenses, instrumentos de trabalho, realizações”, como observa no texto de apresentação o autor, que não apenas pesquisou a história desse organismo judiciário, mas a viveu por dentro.

Recentemente, o desembargador coordenou a edição do livro A Justiça em Santos, do Brasil Colônia ao Século XXI (Santos, Instituto Memória Editora, 2026), que reúne textos preparados por juízes, promotores, defensores públicos, advogados e outros intelectuais para traçar a evolução do sistema judiciário e a atuação de personagens célebres na cidade litorânea. Além de organizar a obra, Vladimir Passos de Freitas assina os textos “A Justiça em Santos, da Colônia à Proclamação da República” e “A Justiça em Santos, da Proclamação da República (1889) à Era Vargas (1930)”.

Já em A história da Justiça Federal do Paraná – 1891-2024, o desembargador conduz o leitor por uma trajetória que começa com a instalação da Justiça Federal em Curitiba, atravessa sua extinção e recriação, acompanha sua consolidação após a Constituição Federal de 1988 e chega à expansão para o interior do Estado. Com linguagem direta e sólida pesquisa documental, Vladimir Passos de Freitas mostra como a Justiça Federal participou de momentos decisivos da vida paranaense e brasileira.

 

                                                 II

Dividida em duas partes, a obra mostra primeiro a evolução da Seção Judiciária, separando as fases de acordo com as mudanças ocorridas no Estado e na sociedade, enquanto a segunda parte está reservada às subseções da Justiça Federal no interior do território paranaense. Para tanto, o autor valeu-se principalmente do material disponibilizado pelo Núcleo de Memória Institucional da Divisão de Documentação e Memória da Seção Judiciária do Paraná. E produziu uma obra que faz uma análise sistemática da instituição desde seus primórdios na República Velha (1889-1930), época dominada pelas elites agrárias, passando pela Era Vargas (1930-1945), que culminou com a sua extinção e recriação na década de 1960, até o desenvolvimento experimentado depois da Constituição de 1988.

Como observa no prefácio Fernando Quadros da Silva, ex-juiz federal no Paraná e presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a recriação da Justiça do Paraná e a consolidação trazida pela Constituição de 1988, com o início da interiorização, constituem tema tratado com bastante profundidade, “um momento marcado por um certo heroísmo, de parcos meios materiais e sóbrios e dedicados juízes e servidores”. Para o ex-juiz federal, a publicação desta obra “vem ao encontro da moderna tendência de tratar os assuntos em textos com formato direto e objetivo, se distanciando dos rebuscados artigos laudatórios e permeados de adjetivações desnecessárias”.

Em outras palavras: eis uma obra essencial para compreender o passado, valorizar o presente e preservar a memória da Justiça no Paraná. Se se pode acrescentar algo, é para dizer que, apesar do rápido apanhado que o autor faz no primeiro capítulo, fica agora restando uma pesquisa tão aturada como esta do período que vai de quando o Paraná se desmembrou de São Paulo, em 19 de dezembro de 1853, transformando-se na mais nova província do Império, até 1889, que marca a proclamação da República, um desmembramento marcado por vários motivos, como o apoio de paulistas à Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos (1835-1845), na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, ou a participação paulista nas revoltas liberais de 1842, bem como o argumento econômico, a grande e lucrativa produção de erva-mate na região do que viria a constituir o Estado do Paraná.

Como observa o autor, embora tenham sido criadas em 1854 as comarcas de Curitiba, Castro e Paranaguá, com apenas três juízes de Direito, os recursos nas ações que tramitavam na província paranaense continuaram a ser julgados pelo Tribunal da Relação de São Paulo, até que, em 1891, depois de proclamada a República, “foi criado o Tribunal de Apelação do Paraná e reconhecido um sistema de Justiça próprio e autônomo”.

Ainda como sugestão fica a proposta de um estudo sobre a atuação dos ouvidores das comarcas de Paranaguá e Curitiba à época em que esta região estava sob a jurisdição da capitania de São Paulo, o que incluiria forçosamente uma pesquisa na documentação do Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), de Lisboa, que se encontra digitalizada e em microfilmes no Arquivo do Estado de São Paulo (AESP). Um desses foi Antônio Álvares Lanhas Peixoto, nomeado, em 1726, primeiro ouvidor-geral da comarca de Paranaguá, que seria morto num ataque dos índios paiaguás a um comboio que vinha trazendo para São Paulo os quintos de Cuiabá, em 1730.

 

                                                           III


Vladimir Passos de Freitas (1945), jurista de renome e magistrado, é desembargador aposentado do TRF-4 e professor do programa de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Graduou-se em Direito pela Faculdade Católica de Santos em 1968, obteve o título de mestre em Direito Público pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1991, e concluiu o doutoramento em Direito do Estado, em 1999, também pela UFPR. É pós-doutor em Direito Ambiental e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo (USP) e em História Judiciária pela Universidade de Lisboa.

Foi secretário nacional de Justiça junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.  Em 1967, foi aprovado em concurso para delegado da Polícia Federal. Ingressou no Ministério Público do Paraná em julho de 1970 e no de São Paulo em dezembro daquele ano. Foi promotor de Justiça até março de 1980 quando, aprovado em concurso público nacional, assumiu como juiz do TRF-4, em Porto Alegre.

Em 31 de agosto de 1991, foi promovido a desembargador do TRF-4, do qual foi presidente entre 2003 e 2005. Foi presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), de 1994 a 1996, vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e presidente do Instituto Brasileiro de Administração do Sistema Judiciário (Ibrajus) e da International Association for Court Administration (IACA) de 2016 a 2018, entidade criada em 2004, em Lijubljana, na Eslovênia, com sede em Arlington, nos Estados Unidos, para promover estudos de aprimoramento de tribunais.

Foi coordenador de capacitação de juízes em Direito Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e da União Internacional para Conservação da Natureza. Em 2010, integrou a equipe da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça. No TRF-4, foi ainda diretor da revista do órgão e corregedor-geral da Justiça Federal (1999-2001). Em 2004, foi admitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao grau de comendador especial da Ordem do Mérito Militar. Aposentou-se do Tribunal em 3 de maio de 2006.

Possui 38 livros publicados como autor, co-autor e coordenador. É autor de História da Faculdade de Direito de Santos (2022), em co-autoria com seu irmão Gilberto Passos de Freitas, desembargador e corregedor-geral no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) durante o biênio 2006/07. Entre março de 2020 e maio de 2021, foi secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante a gestão do ministro Sérgio Moro. É presidente da Academia de Letras Jurídicas do Paraná desde 2021, segundo vice-presidente do Observatório da Cultura Paranaense e diretor da Associação Paranaense de Juízes Federais. Fez palestras em todos os Estados brasileiros e em 19 países. Foi campeão mundial de masters em natação em Singapura (2025). Adelto Gonçalves - Brasil

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A História da Justiça Federal do Paraná – 1891-2024, de Vladimir Passos de Freitas, com prefácio de Fernando Quadros da Silva, ex-juiz federal no Paraná e presidente do TRF-4. Curitiba, Editora CRV,  304  páginas, R$ 188,40, 2026. Site da editora: www.editoracrv.com.br E-mail da editora: sac@editoracrv.com.br E-mail do autor: vladimir.freitas@terra.com.br

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Adelto Gonçalves (1951), jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; LetraSelvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos. E-mail: marilizadelto@uol.com.br





segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Alemanha - Livro infantil do Mia Couto entre os mais recomendados internacionalmente para 2026

O livro infantil As Sementes do Céu, da autoria do escritor moçambicano Mia Couto, com ilustrações de Susa Monteiro, foi seleccionado para uma lista internacional dos  livros infantis mais recomendados para 2026

A selecção foi feita pela International Children and Youth’s Literature, que reuniu 200 títulos de autores de literatura infantil, publicados em 46 línguas e 62 países.

Segundo os critérios apresentados pela organização, a escolha considera a relevância universal dos temas abordados, a qualidade literária e visual das obras e a inovação temática ou gráfica.

A lista será divulgada em bibliotecas internacionais e em eventos de referência do sector, incluindo a Feira do Livro de Frankfurt e a Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha.

Publicado em 2026, As Sementes do Céu chegou ao mercado simultaneamente em Moçambique, pela Fundação Fernando Leite Couto, e em Portugal, pela Editorial Caminho. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Portugal – Programa BIP Acceleration premeia inovação no combate aos tumores cerebrais

O projeto GlioBrain-Plate, liderado por investigadoras do i3S, venceu a 5.ª edição do programa BIP Acceleration. CARGO e MyGene conquistaram o 2.º e o 3.º lugares


Qualquer diagnóstico de tumor cerebral é assustador e, muitas vezes, acompanhado de uma sensação de impotência para os pacientes. Isso é exacerbado quando a espera, quer para a confirmação da doença, quer para a decisão do melhor tratamento a adotar, é demorada. Foi com isso em mente que uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3) desenvolveu o GlioBrain-Plate. A tecnologia inovadora para triagem pré-clínica de terapias contra tumores cerebrais valeu às cientistas a conquista do primeiro lugar na edição 2026 do BIP Acceleration, o programa de aceleração da Universidade do Porto que ajuda equipas de investigação a transformar projetos em negócios.

Criado em laboratório, o GlioBrain-Plate tem como objetivo testar novos tratamentos para tumores cerebrais. “Num único teste, conseguimos perceber se um medicamento chega ao cérebro e, depois, se consegue matar ou de alguma forma atuar sobre o tumor”, explicam as investigadoras. Isto porque a inovação reproduz o tumor juntamente com a barreira natural que protege o cérebro e que impede a entrada de mais de 98% dos medicamentos. Assim, consegue identificar mais rapidamente as terapias, bem como reduzir custos, riscos, testes em animais, e acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos.

A tecnologia destina-se a empresas farmacêuticas que desenvolvem novos medicamentos. “Ao ajudá-las a identificar, numa fase inicial, os tratamentos com maior risco de falhar nos ensaios clínicos, esperamos evitar investimentos de anos e milhões de euros”, antecipam as cientistas do i3S, na esperança de que isso permita “concentrar os recursos nas terapias mais promissoras e acelerar a chegada de novas opções terapêuticas à ciência”.

Da equipa de investigação fazem parte Cláudia Martins, Cecília Ferreira, Ana Olival, Diana Ribeiro e Bárbara Macedo. Para as cientistas, conquistar o primeiro lugar no BIP Acceleration reconhece um percurso que começou fora da sua zona de conforto: “Transformar uma descoberta científica em algo que possa ser usado por outras pessoas abriu-nos as portas de um mundo novo e, até há pouco tempo, desconhecido”, avançam.

O financiamento recebido será aplicado na gestão da propriedade intelectual, e vão também aproveitar o período na UPTEC para “dar os próximos passos com mais estrutura”. As investigadoras pretendem entrar no mercado com um modelo de serviço, “trabalhando com a indústria para testar os seus medicamentos de interesse”, concluem.

Robôs inteligentes para trabalho em armazéns

No segundo e terceiro lugares do BIP Acceleration 2026 ficaram, respetivamente, os projetos CARGO e MyGene.

Nascido no INESC TEC, CARGO é um robô para a intralogística e descarregamento de contentores em armazéns. Um processo atualmente realizado maioritariamente de forma manual, sendo fisicamente exigente, não ergonómico e sujeito a condições de trabalho difíceis (como temperaturas extremas) pode, com esta solução inovadora, passar a ser automatizado e industrializado.

“Existe ainda uma lacuna de soluções robóticas europeias que sejam simultaneamente flexíveis e acessíveis para PME”, explica a equipa composta por Maria Silva Lopes, Artur José Cordeiro, Luís Freitas Rocha e João Pedro Souza.

Mas o CARGO, sendo capaz, “de forma autónoma, de retirar caixas do interior de contentores marítimos em armazéns logísticos”, não só torna o processo mais seguro e menos exigente para os trabalhadores como, consequentemente, contribui para “reduzir o impacto da crescente dificuldade de contratação de mão de obra para estas tarefas”, acrescentam. O sistema combina, numa única plataforma móvel, navegação autónoma, manipulação robótica e perceção 2D/3D com recurso a inteligência artificial (IA).

O segundo lugar no BIP Acceleration representa “um importante reconhecimento do potencial do CARGO”. Para além da visibilidade do projeto, o apoio permitirá “dar um passo importante na validação da tecnologia em contexto real, melhorando e validando os pilotos em contexto empresarial. “Apesar de já termos um piloto funcional, precisamos de o testar e validar a solução em operações reais, avaliando o seu desempenho, segurança e interação com os utilizadores”, concluem os investigadores.

E atenção redobrada para os cancros hereditários

O projeto MyGene, vencedor do terceiro prémio, está também focado na doença oncológica. Trata-se de uma plataforma digital de genética psicossocial que apoia famílias que enfrentam a angústia associada aos cancros hereditários.

“O MyGene é uma ferramenta que apoia famílias com risco de cancro hereditário, indo desde o teste genético até à comunicação do risco”, explica Esperança Lima, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da U.Porto (FPCEUP).

Da equipa criadora do MyGene fazem ainda parte António Coelho (INESC TEC e Faculdade de Engenharia da U.Porto), as investigadoras Célia Sales, Cláudia de Freitas, Juliana Monteiro e Paula Mena Matos (do Centro da Psicologia da U.Porto, FPCEUP), Hernâni Oliveira (Universidade de Évora e CPUP) e João Fernando Silva (IPO Porto).

“Quando uma pessoa descobre que tem uma mutação genética que pode causar cancro, enfrenta o choque do diagnóstico e a difícil tarefa de informar os filhos e os irmãos da que também podem estar em risco”, explica a equipa.

Prescrito pelo médico e atuando como um complemento da consulta de genética, o MyGene é um kit físico “que dá acesso a uma plataforma digital segura, na qual se disponibiliza informação validada e com linguagem simples”, acrescentam. Os conteúdos interativos – e validados pelos profissionais de saúde – ajudam a família a compreender o risco e incentivam os seus membros a realizarem testes genéticos preventivos que podem salvar vidas.

O projeto está, atualmente, a concluir “com sucesso os estudos piloto em dois hospitais portugueses”. Para a equipa, estar entre os premiados do BIP Acceleration é uma “validação crucial, pois demonstra que a investigação científica na área da genética psicossocial pode transformar-se em soluções sustentáveis, escaláveis e com impacto real na vida das pessoas e na redução de custos com a prestação de cuidados de saúde.”

“Um programa muito importante para a Universidade”

A grande final do da edição 2026 decorreu no passado dia 22 de setembro, nas instalações da Porto Business School (PBS), parceira desta edição. A avaliar os projetos finalistas esteve um júri composto por Filipa Ferreira (Portugal Ventures), Raphael Stanzani (UPTEC) e Rodrigo de Alvarenga (PBS).

Antes de anunciar os vencedores, a Vice-reitora da U.Porto para Investigação e Valorização do Conhecimento Ana Paula Pêgo, afirmou que “este é um programa muito importante para a Universidade”,

“Ganharam todos. Posso dizer-vos, da minha experiência, que todos os projetos que tive recusados vieram depois melhorados. Quando há uma nega fecha-se uma porta, mas abre-se também uma janela”, acrescentou a também investigadora do i3S, depois dos devidos agradecimentos aos membros do júri, organização e participantes.

Ao longo das cinco edições do BIP Acceleration já realizadas, foram distinguidas 15 ideias, totalizando perto de 50 mil euros em prémios atribuídos. Concorreram à iniciativa, desde 2022, 63 ideias, mobilizando mais de 200 participantes.

O BIP Acceleration 2026 teve o apoio da Caixa de Geral de Depósitos e a parceria da Porto Business School, da UPTEC e da Portugal Ventures. Universidade do Porto - Portugal


Portugal - Rita Nabais conta a história do rock português “para pais fanáticos e filhos com punkada”

A história do rock português, onde cabem vários géneros musicais, desde aos anos 1950 até agora, é contada através de centenas de artistas e bandas num livro ilustrado para “pais fanáticos e filhos com punkada”, editado neste passado sábado

O livro de Rita Nabais, com ilustrações de Tiago Albuquerque, A História do Rock Português (para pais fanáticos e filhos com punkada), da Edições Escafandro, surgiu na sequência de um outro, da mesma autora e editora, A História do Rock (para pais fanáticos e filhos com punkada), com ilustrações de Joana Raimundo, editado em 2017 e que teve uma edição revista e aumentada em 2019.

“Quando comecei a fazer as apresentações da história do rock internacional, havia sempre alguém que me perguntava por que é que não havia bandas portuguesas. E foi ficando a crescer essa ideia”, recordou Rita Nabais, em declarações à Lusa.

Por considerar que não seria justo juntar poucas bandas portuguesas ao livro inicial, decidiu fazer um livro sobre rock português.

Há uns quatro, cinco anos, a autora chegou a uma primeira “protolista” de bandas e artistas, “uma coisa muito incipiente”, que serviu de ponto de partida.

“Depois sentei-me a sério, comprei todos os livros que havia para comprar sobre rock português, que não são assim tantos, e comecei a fazer pesquisa”, contou.

Na obra estão representados centenas de artistas e bandas, dos anos 1950 à atualidade, do rock, mas não só, visto que o livro foi “contaminado” pelo modo como Rita Nabais vê a música: “O rock é muita coisa, tem muitos subgéneros, mas há outros géneros, que estão ligados de alguma forma ao rock”.

“E há artistas que são tão importantes que eu não podia deixar de os referir. Por exemplo, hoje [dia em que Rita Nabais falou com a Lusa] é um dia triste para o nosso país, porque morreu o Jorge Palma, um dos maiores, cantautores portugueses e compositores e pianista e tudo. O Jorge Palma não fez propriamente rock, embora tenha participado em bandas de rock, mas está no livro. Tal como o Sérgio Godinho, o Fausto, o José Mário Branco e o Zeca Afonso. Ou seja, não é rock, mas eu arranjo sempre maneira de os ligar de uma forma em que seja justo estarem no livro. Porque influenciaram tantas bandas”, disse.

O livro está dividido em vários capítulos, como “Os primeiros rockers”, “Yeah! Yeah!”, “Escritores de canções”, “Modernidade”, “Geração Rendez-Vous”, “Nação Alternativa”, “Anos 90 bem medidos”, “Rimas e Batidas”, “Coimbra tem mais…punk rock!”, “Rock musculado”, “Guitarras a Norte”, “Poptrónica” e “Super bandas”, entre outros.

“Há ali géneros que fogem um bocadinho ao rock, mas mesmo assim estão lá”, disse.

Ao longo dos capítulos estão 164 artistas e bandas com direito a pequenos textos e um retrato ilustrado. Além desses, há centenas de outros nomes de artistas e bandas, com sugestões de músicas de cada um.

“Deixo sempre uma sugestão de outras bandas do mesmo género com temas que os leitores podem conhecer. Não dá para pôr as bandas todas num capítulo, mas dá para deixar sugestões e isso enriquece um pouco e tira-me também aquela sensação de ‘bolas, não posso pôr todas as bandas que se calhar mereciam estar no livro’”, disse.

Com o primeiro livro, Rita Nabais pensou que fosse “apanhar mais os adultos, mas também apanhou as crianças”.

Inicialmente as reações chegaram de pais, “especialmente os pais melómanos, pessoal que gosta muito de música ou gosta de rock, que achou o livro interessante e engraçado”.

“Depois fomos recebendo reações completamente inesperadas: ‘Obrigada Rita, o meu filho só ouvia kizomba e finalmente tenho um livro para poder explorar com ele outros tipos de música’. Tive pais também que me disseram que liam um artista por noite [aos filhos] e depois iam ouvir as músicas que eu sugeria. Houve dezenas e dezenas de pais a darem um feedback muito positivo. É um livro intergerações”, partilhou.

Quando o primeiro livro foi editado, em 2017, Rita disse à agência Lusa que aquela enciclopédia do rock (também com contaminações na pop, punk ou hip-hop) pretendia preencher um vazio no campo dos livros informativos para os mais novos.

Quase dez anos depois, “ainda há um vazio, até porque continua a não haver, pelo menos até agora, um livro, por exemplo, sobre música portuguesa para crianças”.

“Há vários livros, há uma biografia infantil sobre António Variações, há um sobre o Zé Pedro. Agora um livro que tenha, num formato tipo enciclopédia, para crianças, que explique as origens, os sons, os contextos, de uma maneira divertida, acho que não havia mesmo nada”, disse.

O livro anterior acabou por ser editado noutros países, como a Suécia, os Estados Unidos, o México e o Canadá, mas com este será mais difícil: “Talvez o Brasil e a Espanha pudessem ter interesse em artistas do rock português. Nada é impossível. Gostava muito, mas é de facto um livro mais de consumo interno e para tentar preencher também uma lacuna”.

“Há muita gente que pensa que o rock [português] só começou com o Rui Veloso e isso não é verdade. Isso foi a coisa mais maravilhosa de pesquisar neste livro. Além disso, há muito pouca literatura, comparando com outros países, é claro, sobre o rock português. Há biografias de bandas, há alguns livros, mas ainda há muita coisa por fazer em Portugal, especialmente para o mundo das crianças”, disse.

“A História do Rock Português (para pais fanáticos e filhos com punkada)” contou com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), através do Fundo Cultural daquela instituição, o que “permitiu imprimir o livro”.

“Nós conseguimos suportar os custos todos, mas têm aumentado imenso. Por exemplo, o preço do papel, as pessoas às vezes não têm ideia, quase que duplicou. Fazer um livro agora, ou fazer há nove anos, é muito diferente”, lamentou.

Sem o apoio da SPA, “seria muito difícil” para uma editora pequena como a Escafandro, da qual Rita Nabais faz parte, ter conseguido concretizar a obra.

O livro foi apresentado este sábado em Alcobaça, no Armazém das Artes, por Rita Nabais, com o editor Nuno Marques Valente, o músico Fernando Ribeiro, dos Moonspell, e Tiago Albuquerque.

Após a apresentação houve sessões de DJ set, de António Manzarra, que fez parte da banda Us Forretas Ocultos, “que vai estar só a pôr música portuguesa em vinil”, e de Fernando Ribeiro.

Depois, haverá apresentações em lojas da cadeia FNAC pelo país, “sempre com convidados de luxo ligados à música”, estando a primeira marcada para 02 de outubro na loja da Avenida de Roma, numa sessão que contará com o investigador musical João Carlos Callixto, o fundador dos Claves, banda dos anos 1960, Luís Freitas Branco e os cantores Carlos Mendes, que foi dos Sheiks, e Benjamim.

O livro já está disponível no ‘sítio’ da Edições Escafandro, em livrarias independentes e nas lojas FNAC. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”