Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 4 de outubro de 2026

Timor-Leste - Guteriano Neves: “O petróleo foi uma bênção, mas pode tornar-se uma maldição para o país

Com o fim da produção de Bayu-Undan e a crescente dependência do Fundo Petrolífero, o economista e investigador Guteriano Neves alerta para os riscos de manter um modelo económico assente nas receitas do petróleo. No livro Dependência do Petróleo: Bênção ou Maldição?, defende uma transição baseada na diversificação económica, no reforço do setor privado e numa utilização mais estratégica dos recursos públicos


Durante mais de duas décadas, o petróleo esteve no centro da economia de Timor-Leste. As receitas provenientes dos recursos petrolíferos permitiram financiar o Estado, construir infraestruturas, apoiar serviços públicos e criar o Fundo Petrolífero, que se tornou um dos principais pilares das finanças públicas do país.

Com o fim da produção de Bayu-Undan, em junho de 2025, Timor-Leste entrou numa nova etapa. A questão já não é apenas quanto petróleo ainda existe, mas sobretudo como construir uma economia capaz de crescer, criar emprego e melhorar as condições de vida da população sem depender estruturalmente das receitas petrolíferas.

É neste contexto que Guteriano Neves, escritor, investigador e economista, lançou o livro Dependência do Petróleo: Bênção ou Maldição?, no sábado, 26 de setembro, na Galeria Memória Viva, no Farol, em Díli.

Com mais de duas décadas de investigação e acompanhamento das políticas económicas, petrolíferas e de finanças públicas de Timor-Leste, Guteriano Neves apresenta uma análise crítica sobre os efeitos da dependência petrolífera no desenvolvimento do país.

Nesta entrevista exclusiva ao Diligente, Guteriano Neves fala sobre as razões que o levaram a escrever o livro, os limites da diversificação económica, a gestão das receitas petrolíferas, o futuro do Fundo Petrolífero, o papel do setor privado e os desafios colocados pelo Greater Sunrise.

Leia a entrevista a Guteriano Neves na integra aqui. Rilijanto Viana – Timor-Leste in “Diligente”


Argentina - Inês Lobo participa na XX Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires

A arquiteta portuguesa Inês Lobo participa na segunda-feira na XX Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires, no âmbito do Programa Internacional de Conferências, com o apoio da Embaixada e do Camões, I.P.


Fundadora do atelier Inês Lobo Arquitectos, com sede em Lisboa, Inês Lobo tem desenvolvido uma carreira profissional e académica reconhecida. Participou nas Bienais de Arquitectura de Veneza de 2016 e 2018 e foi comissária da representação portuguesa na edição de 2012.

O seu trabalho foi distinguido, entre outros, com o título de Oficial da Ordem do Mérito de Portugal, o Prémio Mulheres Criadoras da Cultura, o ArcVision – Women in Architecture e o Prémio AICA.

Inês Lobo participa na jornada de abertura da Semana Internacional da XX Bienal, onde irá apresentar o seu trabalho e a sua visão sobre a arquitectura contemporânea, juntamente com profissionais de vários países.

A apresentação decorre pelas 17h15, na Associação Amigos do Museu Nacional de Belas Artes, em Buenos Aires. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Um Mais Um


 










Vamos aprender português, cantando

 

Um Mais Um

 

Um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Ai, da vida a morte a morte é noiva

e todos que estão em pé têm véu branco

ao andares tu vais varrendo a terra

ai, que cobre o teu caixão

 

Tempo roda em roda e é tornado

que torna a tornar e tudo entorna

entorna a tua vida em cova funda

e funde o corpo com a terra escura

 

Um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Ai, oh meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

 

Ai, oh meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

 

Ai, oh meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

 

Ai, oh meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

se nos salvasses, meu senhor

 

Mas, um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Um mais um, passou mais um dia

e o pé que anda no chão cava cova

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

cada passo afunda um pouco o nosso corpo

e tira o pó da campa

 

Ana Lua Caiano - Portugal


sábado, 3 de outubro de 2026

Japão - Centenário de Shinichi Hoshi: Contos à frente de seu tempo e o mundo misterioso de um escritor que sobreviveu a tempos difíceis

Em 2026, celebra-se o centenário do nascimento de Shinichi Hoshi, (6 September 1926 – 30 December 1997) mestre dos contos ultracurtos. Hoshi criou obras que ressoam com a sociedade moderna e são amadas por muitas gerações. Como ele conseguiu produzir obras tão leves e inspiradoras em meio a uma vida marcada por tempos difíceis? A escritora de não ficção Hazuki Saiso, autora da biografia "Shinichi Hoshi: O Homem que Criou 1001 Histórias" (Shinchosha), desvenda esse mistério


Inteligência Artificial e a Internet

Este ano marca o centenário do nascimento de Shinichi Hoshi, e diversos meios de comunicação estão a dar-lhe destaque, enquanto livrarias realizam feiras. Uma das condições para um livro tornar-se um sucesso de vendas é a rotatividade de leitores. Isto significa que novos leitores são conquistados ao longo das gerações, de pais para filhos e de filhos para netos. Observando os rankings de autores favoritos do último meio século, fica claro que Shinichi Hoshi tem sido lido por todas as gerações desde a sua estreia em 1957.

O motivo pelo qual as obras de Hoshi conquistaram um público tão amplo e duradouro é simplesmente porque os seus contos, conhecidos como "curtinhos", são fáceis de ler, imaginativos e divertidos. São curtos, geralmente com apenas cerca de uma dúzia de páginas de papel manuscrito, e não contêm eventos da atualidade, costumes ou nomes próprios. Não retratam violência extrema, sexo ou assassinato. Não utilizam caracteres kanji que não estejam incluídos na lista de kanji de uso comum, o que os torna fáceis de ler para crianças.

As suas obras são frequentemente citadas em livros didáticos, e muitas pessoas provavelmente já leram os seus trabalhos mais representativos, como Bokko-chan e Hey, Come Out!. Algumas das suas obras, surpreendentemente, previram o futuro, como The Secretary on My Shoulder, que parece antecipar uma era em que a comunicação depende de inteligência artificial generativa, e o longo romance The Network of Voices, que retrata o mundo da internet.

Por que Shinichi Hoshi continuou a escrever mais de 1001 contos ao longo da sua vida? Para entender isso, precisamos primeiro de analisar a sua criação. Isso porque, além dos seus contos, Hoshi também escreveu três livros sobre a sua família.

O meu pai foi um homem pioneiro da era Meiji

Sobre o seu pai, Hajime Hoshi, fundador da Hoshi Pharmaceutical e conhecido como o "maior rei farmacêutico do Oriente", além de membro do parlamento, ele escreveu três livros: O Povo é Fraco, os Oficiais são Fortes e Meiji, Meu Pai, América. Sobre o seu avô materno, professor emérito da Universidade Imperial de Tóquio e cientista médico, ele escreveu três livros: Memórias do Meu Avô, Yoshikiyo Koganei. A esposa de Yoshikiyo, Kimiko, era irmã mais nova de Mori Ogai e é conhecida como poetisa e tradutora.

Shinichi Hoshi nasceu em Akebono-cho, Hongo, Tóquio, na casa da família da sua mãe, Sei. Como filho mais velho, Hoshi foi carinhosamente criado pelos avós, já que o pai estava envolvido em turbulências políticas. O seu forte desejo de compreender a sua família através da escrita deve ter sido a base da sua vida como escritor.

Os saltos de imaginação e as ideias inesperadas características das obras de Hoshi são fortemente influenciados por seu pai, Hajime, um espírito pioneiro nascido na era Meiji. Tendo estudado na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Hoshi Hajime possuía uma ampla rede de contatos nos mundos político e empresarial, incluindo Shinpei Goto, então Diretor de Assuntos Civis do Governador-Geral de Taiwan. Dizia-se que ele era o braço direito de Goto, possuindo uma criatividade excepcional, e também era um otimista que declarou: "Decidi que não vou morrer", mesmo após se envolver num acidente de avião.

Após a guerra, Shinichi, o filho mais velho, viu-se subitamente sobrecarregado com um "legado negativo" quando o seu pai faleceu nos Estados Unidos durante uma viagem para arrecadar fundos. Embora o seu relacionamento com o pai fosse complicado, ele recorda: "Devo dizer que sou afortunado por ter aprendido este único segredo para ter ideias. Acredito piamente nisso" ("Pai", "Notas de uma Estrela Fantástica").

Shinichi Hoshi e a Guerra

Outra pista para entender a perspectiva de Shinichi Hoshi é que ele nasceu em 1926 (Taisho 15). Os seus colegas de classe nasceram em 1926, 1926 (Showa 1) e 1927 (Showa 2) e, dependendo da data de nascimento e se eram da área de ciências ou humanas, alguns foram convocados para o serviço militar e outros não. Hoshi, por ser da área de ciências, foi dispensado do serviço militar e a guerra terminou com ele participando apenas da mobilização de trabalhadores. Quando escrevi a minha biografia, Shinichi Hoshi: O Homem que Criou 1001 Histórias, entrevistei os colegas de classe de Hoshi e jamais me esquecerei das palavras de Noboru Asagi, um amigo de Hoshi da Escola Primária Anexa à Escola Normal Superior Feminina de Tóquio.

"No nosso caso, alguém sabia. Os adultos diziam: 'O Japão vai perder' e 'Até a Batalha de Midway foi uma derrota'. Hoshi-kun provavelmente sabia mais detalhes por causa do pai dele. <...> Então, quando a guerra terminou, foi só uma sensação de 'acabou'. A diferença entre quem foi para a guerra e quem não foi é enorme. Quem foi para a guerra, serviu em navios de guerra e voltou vivo, você consegue ver um senso de expiação por ser o único sobrevivente. Mesmo na Escola Normal Superior, você consegue ver uma grande diferença em relação aos alunos de cinco anos a mais. E ainda tem o facto de eles serem jovens e adaptáveis."

Hoshi, que ingressou na Universidade Imperial de Tóquio, tinha 20 anos quando a guerra terminou, foi diretamente ao Palácio Imperial após ouvir o decreto de rendição do Imperador no Auditório Yasuda. Sem saber que o discurso havia sido gravado previamente, ele pensou que o Imperador retornaria após a transmissão.

Mais tarde, ele escreveu que sempre que via imagens ou fotos de pessoas ajoelhadas e chorando em frente ao Palácio de Miyagi, perguntava por que não havia ninguém assim lá. No entanto, a sua curiosidade de ir ao local esperando que algo acontecesse, combinada com a sua calma de capacidade de observação, é semelhante ao estilo de Hoshi de olhar para a sociedade a partir de um ângulo não convencional.

A lacuna de seis anos

Por volta dessa época, Hoshi trabalhava como secretário parlamentar de seu pai e, quando tornou-se estudante de pós-graduação, foi nomeado gerente de vendas da Hoshi Pharmaceutical, passando a acompanhar o pai no seu trabalho. Ele não deixou registos escritos do que aconteceu entre a morte do pai e a transferência da empresa para outra pessoa. Entre os envolvidos, esse período era chamado de "seis anos em branco", mas, após a análise dos pertences do pai com a permissão da sua esposa, Kayoko, e com base no depoimento de amigos, os eventos que o levaram a tornar-se escritor foram revelados.

Para mais detalhes, consulte o meu livro, mas o ponto de mudança aconteceu quando, um dia, enquanto eu estava ocupado com a reestruturação da empresa, fui por acaso à "Sociedade Japonesa de Pesquisa de Discos Voadores" para mudar um pouco de ares. Era um encontro do qual Yukio Mishima e Shintaro Ishihara também eram membros, e ninguém se intrometia na vida pessoal de ninguém; eles apenas conversavam sobre os misteriosos discos voadores.

Ele cofundou uma magazine chamada "Uchujin" (Poeira Cósmica) com outros fãs de ficção científica (mais tarde conhecida como FC), e o seu romance "Sekistra", publicado nele, chamou a atenção de Edogawa Ranpo, abrindo as portas para a sua estreia como escritor.

Nascimento de 'Bokko-chan'

Dois meses depois, essa obra finalmente nasceu: "Bokko-chan", apresentando uma linda robô como personagem principal.

"Quando terminei de escrever, exclamei interiormente: 'É isso!' Senti como se me tivesse descoberto. Para usar uma expressão dramática, senti como se Deus tivesse me dado essa capacidade." (Stardust Cage, nº 1)

Escrito em duas folhas de papel timbrado da empresa, o título é Bokko-chan, a que não bajula. A maioria dos rascunhos dos seus contos são escritos em letras minúsculas no verso de folhas de manuscrito descartadas, com o início, o desenvolvimento, o clímax e a conclusão claramente visíveis, mas esse método ainda não havia sido estabelecido nessa época.

Contudo, o estilo de escrita já apresenta características das obras posteriores de Shinichi Hoshi. As frases são curtas e rítmicas. O período, o local e os nomes dos personagens são desconhecidos. O diálogo, no qual o cliente fala com Bokko-chan e Bokko-chan repete o que ele diz, já se encontra na sua forma aperfeiçoada.

"Eu gosto muito desta obra, e ela também serviu de protótipo para os meus contos subsequentes. Descobri um estilo que me agradava. Considero este trabalho o ponto de partida para tudo. Devo o meu sucesso atual a 'Bokko-chan'." (De "Uma História Natural Fantástica, Continuação")

Para ser um escritor único, não se deve fazer o mesmo que todos os outros. Segundo uma amiga da sua época como secretária, Hoshi tinha um grande interesse nisso e reunia informações de diversas fontes, incluindo jornais e revistas descartados pelas forças de ocupação, para desenvolver as suas ideias criativas. Embora algumas das suas obras, como O Último Terrestre, sejam baseadas na Bíblia, os seus diários da época também revelam que ele frequentou a igreja por um período.

Ninguém consegue imitar isso

Há evidências de que ele devorava romances estrangeiros um após o outro. Segundo o seu discípulo, Yu Esaka, que herdou grande parte da coleção de livros de Hoshi, ele possuía quase todos os exemplares das três principais revistas de mistério: Hitchcock Magazine, Manhunt e EQMM Japan Edition. Ao que tudo indica, ele aconselhava os seus discípulos a "lerem contos estrangeiros com frequência" durante a sua vida.

Segundo Hiroshi Aramata, que lê as obras de Hoshi desde a sua estreia, "Qualquer um pode pensar que consegue escrever assim e tentar imitá-lo, mas logo percebe que não consegue escrever muito". Embora a sua obra às vezes fosse descrita como ocidentalizada, talvez uma melhor compreensão venha da afirmação de Aramata de que ele "introduziu a cordialidade e o snobismo da cultura americana".

Tendo descoberto o seu próprio estilo único com "Bokko-chan", Shinichi Hoshi abriu caminho para contos curtíssimos que ninguém conseguiu imitar, tornando-se um escritor amado por pessoas de todas as idades.

Em outubro de 1983, ele alcançou a marca de 1001 publicações. A partir daí, adoptou a postura de publicar apenas quando escrevia algo que considerava bom, explorando novos territórios com obras baseadas em contos populares e lendas, enquanto continuava a revisitar os seus trabalhos mais antigos para usar expressões mais universais, como trocar "discar" por "fazer uma ligação telefónica".

Ao vasculhar os seus pertences, descobri um grande volume de rascunhos, notas conceituais e manuscritos sem título, e fiquei impressionado com a quantidade. Eram o completo oposto de romances que podem ser produzidos instantaneamente por IA generativa e evocavam a agonia da criação. Este ano, no centenário de seu nascimento, a sua segunda filha, Marina, descobriu uma obra inédita, Terra Santa. "Nesta era moderna em que a eletricidade usada pela IA é um tema em voga, pode-se dizer que a sua perspectiva — de que a IA pode fazer qualquer coisa, mas gera custos de eletricidade — foi bastante profética", explica ela em "Whimsical Capsule".

Com base na minha experiência criando um banco de dados dos seus pertences, suspeito que ainda existam muitas obras inéditas por aí. A ideia de que tudo isso fazia parte do plano de Shinichi Hoshi é bastante divertido. Hazuki Saiso – Japão in “Nippon”


Timor-Leste - Mais 50 estudantes vão estudar Direito em universidades portuguesas

O Governo de Timor-Leste vai enviar na próxima semana para Portugal mais 50 estudantes timorenses para estudar Direito no âmbito de um acordo assinado em 2024 com cinco universidades portuguesas para formar quadros naquela área.

“Vão todos os dias lembrar-se de que estão lá para voltar mais capacitados para servir”, disse o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, ao grupo de estudantes, numa cerimónia, que decorreu no Palácio do Governo.

Do grupo de 50 estudantes, 41 vão fazer licenciatura em Direito, seis mestrados e três doutoramentos.

“Não é uma ação de caridade do Governo, é uma prova de que o Governo está a ver o problema que estamos a enfrentar”, afirmou Xanana Gusmão, que é bastante crítico em relação ao trabalho dos tribunais no país.

“Não se esqueçam deste compromisso: eu venho a Portugal para voltar e servir. Isto é que tem de ir com a vossa cabeça e o vosso coração. Aprender para servir, estudar para servir”, salientou o líder timorense.

Presente na cerimónia esteve também o embaixador de Portugal, Duarte Bué Alves, que destacou o empenho de Portugal na capacitação do capital humano de Timor-Leste.

“Educação, formação é a prioridade número um de Portugal na nossa cooperação com Timor-Leste”, afirmou o diplomata, insistindo na disponibilidade de Portugal para a formação de timorenses, em particular, de juristas.

O embaixador português destacou também o facto de um “número significativo” dos 50 alunos que vai para a semana para Portugal ser proveniente das Escolas CAFE e da Escola Portuguesa de Díli.

“Isso dá uma enorme alegria”, disse o embaixador, acrescentando que a aposta no setor da educação, no âmbito da cooperação, “está a dar frutos”.

O projeto dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE, iniciou-se em 2014, e está presente nos 14 municípios timorenses.

As escolas CAFE, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são frequentadas por milhares de alunos.

Em 2024, o Governo de Timor-Leste assinou um acordo com as faculdades de Direito da Universidade Católica, Universidade do Minho, Universidade de Lisboa, Universidade do Porto e Universidade Nova de Lisboa para formar entre 200 e 300 timorenses.

A iniciativa é promovida pelo Grupo de Trabalho para a Reforma do Setor da Justiça, coordenado pela antiga ministra timorense Lúcia Lobato.

O objetivo é reforçar as magistraturas e a Defensoria Pública timorenses, mas também preparar quadros jurídicos para a administração pública do país.

O projeto, com um investimento de cerca de 16 milhões de dólares (13,6 milhões de euros), é financiado na totalidade pelo Governo timorense. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Brasil - Empresários portugueses pedem menos burocracia

Representantes de câmaras de comércio portuguesas no Brasil pedem ao próximo Presidente menos burocracia, segurança jurídica e regras tributárias mais claras para facilitar a atividade empresarial, independentemente do vencedor das eleições presidenciais de domingo


“As câmaras não devem dizer aos empresários em quem votar; devem dizer aos candidatos aquilo de que as empresas precisam para continuar a investir”, disse à Lusa Carlos Alberto Lopes, presidente da Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, que pediu segurança jurídica e previsibilidade judicial, simplificação tributária, redução do custo do capital, menos burocracia e melhores infraestruturas e qualificação profissional.

“O investidor precisa não apenas conhecer as regras, mas também ter uma expectativa razoável sobre a forma como serão interpretadas e aplicadas”, frisou.

Também à Lusa, o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Portugal de Santa Catarina, Jatyr Ranzolin, pediu “estabilidade e clareza nas questões tributárias”, considerando que alterações à lei provocaram  “muita insegurança e a falta de clareza deixou o mercado estagnado”.

Jatyr Ranzolin afirmou que “as questões de importação e exportação estão em compasso de espera, pois, a partir dos resultados da eleição, o mercado brasileiro pode aquecer muito”, referindo-se ao facto de as eleições decorrerem num contexto de tensões comerciais entre Brasília e Washington, após a imposição de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

Já o presidente da Câmara Portuguesa de Negócios do Espírito Santo, Alvimar Pinto, defendeu a “segurança jurídica e estabilidade regulatória”, bem como a simplificação tributária e a redução dos custos de energia, crédito e logística.

“O que a câmara postula de quem for legitimado pelas urnas é governabilidade institucional, estrita responsabilidade fiscal, avanço ininterrupto nas reformas estruturais”, afirmou à Lusa.

Por sua vez, o presidente da Câmara de Comércio Portuguesa no Pará, Reginaldo Ferreira, pediu “uma política realista de redução de gastos do Governo, privatizações em massa rapidamente, negociação responsável com os governos dos USA, China e Europa”.

“Não permitindo que ideologias atrapalhem o nosso desenvolvimento”, sublinhou, à Lusa, frisando ainda que “o setor produtivo não consegue sobreviver com juros tão elevados”, com a taxa básica de juro brasileira atualmente em 13,75% ao ano.

O responsável apelou ainda a investimento em rodovias, ferrovias e portos, maior segurança e cumprimento dos contratos.

Apesar das prioridades comuns, Carlos Alberto Lopes e Jatyr Ranzolin consideram que o vencedor não é indiferente, dadas as diferentes propostas económicas. O presidente da Federação apontou diferenças “em matéria fiscal, papel do Estado, investimento e privatizações”, enquanto o representante de Santa Catarina criticou uma eleição “sem propostas de melhora do Brasil, mas sim de propostas individuais de candidatos”.

Carlos Alberto Lopes sublinhou que o rumo económico dependerá também da composição da Câmara dos Deputados e do Senado, já que as reformas exigirão uma agenda comum entre o executivo e o Congresso.

“Não vejo uma retração do interesse português pelo Brasil. Vejo maior seletividade”, afirmou Carlos Alberto Lopes, admitindo que algumas decisões de investimento possam ser adiadas até haver maior clareza sobre o rumo económico após as eleições.

No Espírito Santo, Alvimar Pinto referiu ajustamentos no calendário de novos investimentos de grande dimensão, mas salientou que “os projetos estruturantes não foram descontinuados”, considerando que “o compasso eleitoral impõe um custo de oportunidade temporário, mas não paralisia decisória”.

Mais de 158 milhões de brasileiros são chamados às urnas no domingo para a primeira volta das presidenciais altamente acirradas entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro e para eleger governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.

O Presidente Lula da Silva procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o mesmo adversário que tenta agora derrotar.

Tal como há quatro anos, o Brasil chega às urnas profundamente polarizado e com o desfecho em aberto, como indicam as sondagens que apontam para um empate técnico entre os dois principais candidatos. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Cabo Verde - Mindela Soares lança primeiro álbum “A Filha d’Lua” inspirado na tradição musical

Cidade da Praia – A cantora cabo-verdiana Mindela Soares lançou o seu primeiro álbum, A Filha d’Lua, com 14 faixas, um trabalho dedicado à música tradicional cabo-verdiana e que procura aproximar a tradição das novas gerações.


O lançamento é acompanhado pelo videoclipe do tema “Lua Dja Paga”, disponível, à semelhança do álbum, nas plataformas digitais.

Segundo a artista, o título do álbum surgiu de um sonho com o seu falecido pai, a quem procurava uma resposta sobre o nome a atribuir ao seu primeiro trabalho discográfico.

“No sonho perguntava ao meu pai qual o nome que daria ao meu álbum, e ele respondeu: ‘Mindela, A Filha d’Lua’”, contou.

A cantora explicou que o nome está ligado às suas vivências desde a infância e ao fascínio pelas noites de música cabo-verdiana em Mindelo.

Para Mindela Soares, A Filha d’Lua representa a sua trajectória e a relação construída com a música ao longo dos anos, mas também retrata a mulher cabo-verdiana e a sua capacidade de se reinventar.

“A Filha d’Lua traz ainda a mensagem de uma mulher comum do dia-a-dia, que, assim como a lua, tem as suas imperfeições quando vista de perto, mas que durante a noite transforma-se na artista que sou e com uma história para contar”, explicou.

A cantora acrescentou que o trabalho procura também representar “um legado e tradição da luta da mulher cabo-verdiana”.

Essencialmente dedicado à música tradicional cabo-verdiana, o álbum percorre géneros como morna, coladeira, mazurca e funaná lento, incorporando elementos de modernidade como forma de aproximar estes géneros das novas gerações.

“Os temas que compõem este álbum foram bem pensados e escolhidos com o coração”, afirmou Mindela Soares, indicando que o disco reúne temas inéditos e outros já gravados anteriormente, mas que, na sua perspectiva, “merecem ser ouvidos por várias gerações”.

O single “Lua Dja Paga”, da autoria de Eurico Jorge, representa uma estreia tanto para a intérprete como para o compositor.

O álbum reúne ainda composições de nomes consagrados da música cabo-verdiana, entre os quais Luís Morais, B. Leza, Vasco Martins, Manuel d’Novas, Paulino Vieira, Dionísio Maio, Zezé de Nha Reinalda, Jota C, Manuel d’Candinho, Vlu e Nando da Cruz.

A produção do trabalho esteve a cargo dos músicos Bau e Hernani Almeida.

Com dez anos de percurso enquanto intérprete da música tradicional cabo-verdiana, Mindela Soares tem participado em diversos espectáculos realizados no país, destacando-se a presença no Kriol Jazz Festival 2024, onde partilhou o palco com o músico maliano Salif Keita, e no Atlantic Music Expo 2026.

Com A Filha d’Lua, a artista dá agora um novo passo na carreira, apresentando um trabalho que procura conciliar a preservação da música tradicional cabo-verdiana com uma abordagem contemporânea. In “Inforpress” – Cabo Verde