Em 2025, o governo de transição concluiu a nacionalização de 5 activos de mineração de ouro, finalizando o processo iniciado em 2024 para reforçar o controlo sobre recursos minerais. Produção de ouro cresceu 47% num ano
O Fundo Monetário Internacional
elogiou a "ambiciosa agenda de reformas governamentais" e a
"gestão macroeconómica sólida" do Burkina Faso, no final de uma
visita ao quarto maior produtor de ouro em África, que em 2025 atingiu uma produção
recorde de 94 toneladas, mais 30 toneladas do que no ano anterior, segundo
dados do ministro da Energia, Minas e Pedreiras, Yacouba Zabré Gouba.
O país é dirigido por um governo de transição presidido
pelo capitão Ibrahim Traoré, desde Setembro de 2022, na sequência de um segundo
golpe militar em oito meses. No espaço de quatro anos, as reformas do
presidente interino fizeram disparar a produção de ouro, em 62% (de 58
toneladas em 2022 para 94 toneladas em 2025). A reforma incluiu a
nacionalização de duas minas de ouro e a exigência de uma participação mínima
de 15% em todos os investimentos estrangeiros no sector. Fiscalização mais
apertada, para evitar o contrabando e a venda ilegal de ouro, também
contribuíram para aumentar a produção.
"Políticas económicas sólidas e um rápido aumento
das exportações contribuíram para o crescimento" e ajudaram o Burkina Faso
a "manter a dívida pública numa trajetória sustentável, mantendo ao mesmo
tempo a inflação sob controlo", afirmou Kenji Okumura, director-geral
adjunto do FMI, chefe da delegação que visitou o país.
Segundo o FMI, que esteve no país poucos dias depois de o
governo dissolver por decreto todos os partidos, num total de mais de 100
formações políticas, a economia do Burkina Faso têm-se mostrado
"resiliente" no "meio de desafios humanitários e de
segurança", graças a uma "gestão macroeconómica sólida" e uma
"ambiciosa agenda de reformas governamentais".
Não é a primeira vez que o FMI elogia o governo interino
do Burkina Faso, que, juntamente com o Mali e o Níger, iniciou um processo de
ruptura com o Ocidente, principalmente com a antiga potência colonizadora da
região do Sahel, a França. Os três países anunciaram a saída da Comunidade
Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), em Janeiro de 2024, após
sanções da organização na sequência dos golpes de estado, e criaram a Aliança
dos Estados do Sahel, organização apoiada pela Rússia, com quem formalizou uma
parceria estratégica de defesa e de segurança.
Reformas tiram o país da lista cinzenta do GAFI
No relatório sobre a quarta revisão ao programa aprovado
em 2023, com um financiamento de 302 milhões USD, divulgado em Novembro de
2025, o FMI diz que as autoridades locais cumpriram "todas as metas
indicativas quantitativas, com excepção de uma", graças a um
"desempenho sólido" do governo, prevendo um crescimento de 5% em
2025, impulsionado pela "forte produção de ouro".
Segundo o FMI, as reformas
implementadas pelas autoridades locais permitiram ao Burkina Faso sair da lista
cinzenta do Grupo de Acção Financeira (GAFI), organismo que vela pelo
cumprimento das leis do branqueamento de capitais e melhoraram os indicadores
estruturais que promovem a governação fiscal e a transparência. Isabel
Bordalo – Angola in “Expansão”