Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 15 de março de 2026

Timor-Leste - Portugueses procuram aprender tétum

“Neineik, neineik” (devagar), é assim que a professora timorense Beatriz Sarmento lida com o desânimo dos seus alunos portugueses, que estão a aprender tétum, língua oficial de Timor-Leste a par do português, na Escola Portuguesa de Díli (EPD)


Desde o início de fevereiro, que mais de 20 portugueses se inscreveram na nona edição do curso de tétum, nível básico, do Centro de Formação da EPD.

Beatriz Sarmento não tem dúvidas que aumentou a procura de portugueses a querer aprender tétum.

“Já avançámos até à nona edição do curso tétum e tenho pedidos individuais de portugueses que querem aprender. Na verdade, cresceu. Este ano a turma cresceu bastante”, afirmou à Lusa.

A professora explicou o aumento do interesse pela aprendizagem do tétum com a integração social, mas também por razões profissionais.

“Estou a aprender tétum principalmente por uma questão profissional e depois também por uma questão de integração em Timor-Leste. No meu caso, acho que me devo render ao tétum e integrar-me na sociedade timorense”, afirmou à Lusa Bruno Pereira, um dos alunos do curso, que trabalha como assessor no Governo timorense.

Mário Coutinho, professor em Timor-Leste, disse que decidiu aprender tétum por “curiosidade” e por “necessidade” de perceber como os alunos comunicam.

Questionado pela Lusa sobre se é uma língua difícil de aprender, Mário Coutinho disse que é um “bocadinho complicado”.

“O sistema gramatical, a sintaxe semântica é um bocadinho diferente da língua portuguesa, mas ‘neineik, neineik’, aos poucos iremos conseguir”, afirmou Mário Coutinho.

Para Amélia Costa, que trabalha como jurista no Governo timorense, a aprendizagem do tétum é essencial para quem trabalha com a Administração.

“Só as pessoas mais idosas é que falam e percebem português e para acompanharmos reuniões e falar em reuniões é absolutamente necessário o tétum”, disse.

Amélia Costa afirmou também que é um bocado difícil aprender a falar tétum até porque a estrutura da língua é completamente diferente do português.

“Eu supunha que havia muito mais palavras portuguesas no tétum, que tinha uma base essencialmente portuguesa e não tem tanto como eu pensava, e depois há palavras que querem dizer várias coisas ao mesmo tempo, por isso, é um bocadinho difícil”, considerou Amélia Costa.

Apesar da grande percentagem de palavras emprestadas do português, mas que se escrevem de outra forma, a professora Beatriz Sarmento salienta que “não é fácil adquirir o tétum” para os portugueses.

É que o tétum, explicou, tem uma estrutura frásica bastante diferente do português e as palavras que se usam diariamente são muito diferentes.

Depois há também verbos que se encontram implícitos e as letras aspiradas, como o “h”, que não existem no português, e a troca e adaptação da ortografia.

“Outra dificuldade é o sentido duplo ou triplo de uma palavra”, acrescentou.

Mas, “neineik, neineik”, a aprendizagem lá se vai fazendo e após um mês de aulas, o curso termina no final de março, os alunos já conseguem articular algumas frases e ter os conhecimentos básicos para as necessidades diárias, incluindo ir às compras.

Sobre se a aprendizagem da língua portuguesa também está a ter mais procura por parte dos timorenses, Beatriz Sarmento, que trabalha igualmente como professora no Centro de Língua Portuguesa da Universidade Nacional de Timor-Leste, afirmou que há cada vez mais pedidos.

“Neste momento não temos recursos humanos suficientes para atender os pedidos que chegam” ao centro da universidade pública timorense, acrescentou.

Após a restauração da independência, em 20 de maio de 2002, Timor-Leste adotou as línguas tétum e portuguesa como línguas oficiais, e o indonésio e o inglês como línguas trabalho. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Medos










Medos

 

Não sei dizer

porque tenho medos

sei que os tenho

sou dona de cada um

proprietária absoluta

escritura lavrada

em purgatório

fiel depositária

de um por um

quando me esqueço

eles saem a passeio

vão ao largo

vão ao fundo

bem ao leito

rio seco

enxurradas

em segundos.

 

Não sei dizer

por que existem

os meus medos

não me atrevo

a detê-los

são rebeldes

são peraltas

pulam muros

abrem asas

voam longe

voltam fortes

me devoram

bem aos goles.

 

Não sei dizer

porque persistem

os meus medos

são altivos

são vorazes

andam sozinhos

pelos ares

fazem festa

ou alarde

destemidos

são meus medos.

 

Não sei dizer

porque tenho medos

só sei dizer

que os temo

um por um

em segredo

bem por isso

são meus medos.

 

Nic Cardeal – Brasil

Sem referência bibliográfica com a data de 08 de junho de 2017 na web.

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Eunice Maria Cardeal (Nic Cardeal), natural de Brusque (SC) onde nasceu em 1963, reside em Curitiba (PR) desde 2006. Graduada em direito, é funcionária pública federal aposentada pelo TRF da 4ª Região, com atuação como assessora jurídica / oficial de gabinete na Justiça Federal do Paraná e de Santa Catarina. Seus textos literários estão compilados na página do Facebook Escrevo porque sou rascunho. Colabora, como autora e editora adjunta, na publicação eletrônica Revista Feminina de Arte Contemporânea Ser MulherArte.

Para conhecer a sua bibliografia e alguns dos seus poemas aceda aqui.

 

Quantos mortos

 

Quantos mortos na Palestina?

Não há contas que sustentem

os horrores, os temores

nem memórias ou histórias.

A mídia desconhece

(ou conhece

mas se esquece).

Nos pratos em estilhaços

nem comida

- ou seu resto -

que pague o preço.

Tantos mortos caem em Gaza

às avessas

escondidos em escombros

sem futuro

sem mais nada.

Nós, aqui

- sem sentido -

prosseguimos aos tropeços

   preocupados com desejos

         ocupados com as vestes

                                   e os festejos.

O que faremos dos nossos gestos

                      desumanos indigestos?

 

Nic Cardeal – Brasil

in Facebook Escrevo porque sou rascunho em 09 de junho de 2025

 

Canção do medo











Vamos aprender português, cantando

 

Canção do medo

 

Dentro de um homem que nasce

debaixo da pele e do sangue lá está

o medo que ronda os sentidos

que atravessa o tempo de tudo o que há

que vem do ventre da memória

e pousa leve sobre a imaginação

e cria este desassossego

este mistério fundo no teu coração

 

Dentro da tua lembrança

há monstros e lobos que te vêm buscar

nos sonhos que alguém te deixou

e nunca paraste de procurar

o mundo não é o que te dão

mas sim esse medo que podes quebrar

abre os teus olhos à noite

e vê como a treva te vai libertar

 

Ai esta sombra dentro de nós

ai chega sempre tarde ou cedo

eu oiço sempre a sua voz

mas sou mais forte do que o medo

 

ai este não saber porquê

ai quando gela o arvoredo

eu trago sempre a sua voz

mas sou mais forte do que o medo

 

Dentro de um homem que nasce

debaixo da pele e do sangue lá está

o medo que ronda os sentidos

que atravessa o tempo de tudo o que há

que vem do ventre da memória

e pousa leve sobre a imaginação

e cria este desassossego

este mistério fundo no teu coração

 

Dentro da tua lembrança

há monstros e lobos que te vêm buscar

nos sonhos que alguém te deixou

e nunca paraste de procurar

o mundo não é o que te dão

mas sim esse medo que podes quebrar

abre os teus olhos à noite

e vê como a treva te vai libertar

 

Dentro da tua lembrança

há monstros e lobos que te vêm buscar

nos sonhos que alguém te deixou

e nunca paraste de procurar

o mundo não é o que te dão

mas sim esse medo que podes quebrar

abre os teus olhos à noite

e vê como a treva te vai libertar

 

Marco Oliveira - Portugal

 

sábado, 14 de março de 2026

Angola - Abertas candidaturas para a I edição do Prémio Provincial de Literatura do Huambo

Está em curso a recepção das obras para a I edição do Prémio Provincial de Literatura, nas categorias de texto lírico, dramático e narrativo, promovido pelo Gabinete da Cultura e Turismo do Huambo

Trata-se de livros já publicados ou inéditos, a serem entregues em formato físico e digital apenas pelos autores residentes nesta região do Planalto Central, até 31 do corrente mês, numa iniciativa do Governo Local, com o objectivo de preservar a cultura e valorização do esforço dos escritores, que contribuem para o desenvolvimento da literatura.

Em conferência de imprensa, o director do gabinete local da Cultura e Turismo, Jeremias Piedade Chissanga, disse ser um prémio que visa, entre outros, incentivar a produção de mais obras de qualidade e a promoção da leitura à nova geração.

Referiu que as obras serão entregues ao Arquivo “Constantino Camõli”, bibliotecas do Centro Cultural “Manuel Rui Monteiro” e Provincial do Huambo e no gabinete da Cultura e Turismo, assim como nas 17 administrações municipais. Segundo o cronograma, adiantou, a gala de divulgação e premiação dos vencedores será feita a 23 de Abril próximo, Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, instituído pela UNESCO, em 1995.

Assegurou que o vencedor de cada categoria terá como prémio a edição de 100 exemplares do livro pela Mayamba Editora e um milhão de Kwanzas. O responsável afirmou que, para além dos livros inéditos, a intenção desta I edição será, também, dar a possibilidade de participação de obras já publicadas, mas que, até agora, nunca tiveram a oportunidade de estar num concurso do género.

Realçou que, para a escolha da melhor obra de cada categoria vencedora do prémio, o jurado deverá reger-se pelos princípios da originalidade, valorização da cultura, género literário, interesse público, transparência, rigor artístico e moralidade.

O jurado é liderado pelo presidente do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED-Huambo) Alfredo Maria Paulo. O prémio foi lançado a 8 de Janeiro deste ano pelo governador da província do Huambo, Pereira Alfredo, enquanto factor de incentivo à escrita, à leitura e à valorização dos escritores, para contribuir no fortalecimento da cultura, da consciência cívica e da identidade nacional. In “O País” - Angola


Espanha - "Biblioteca oculta de Barcarrota": fidalgo português emparedou livros proibidos no século XVI em Badajoz

O proprietário da famosa "biblioteca oculta de Barcarrota", com livros do século XVI, descoberta em 1992 dentro das paredes de uma casa perto de Badajoz, era de um fidalgo português, Fernão Brandão, perseguido pela inquisição, segundo um estudo recentemente publicado

O estudo A biblioteca oculta de Barcarrota e o fidalgo português Fernão Brandão, de Pedro Martín Baños, doutorado em Filologia Hispânia, foi publicado recentemente pela Universidade da Extremadura e pela Universidade Autónoma de Barcelona.

"A hipótese defendida neste trabalho é, precisamente, que o ocultador dos livros emparedados foi o fidalgo português Fernão Brandão, perseguido pela Inquisição no seu país, que deve ter passado algum tempo em Roma e depois veio parar a Barcarrota", afirma Pedro Martín Baños.

Acusações da Inquisição a Fernão Brandão

A biblioteca encontrada em 1992 incluía 12 volumes, um manuscrito e um elemento determinante para a identificação de Fernão Brandão, um amuleto de papel que tinha inscrita "uma dedicatória com um nome, um lugar e uma data: Fernão Brandão, de Évora; 23 de abril de 1551. Roma, 23 de abril de 1551."

A partir desta inscrição, Pedro Martín Baños centrou a investigação em registos com o nome de Fernão Brandão e identificou o fidalgo português nos arquivos da Inquisição de Évora, onde foi alvo de diversas acusações e queixas entre 1547 e 1549, e depois em Barcarrota, em documentos relacionados com transferências de propriedades da localidade.

Fernão Brandão foi acusado pelo Tribunal da Inquisição de Évora por "impiedade e irreligiosidade" e "sodomia", por possuir "um livro de sodomia", forrado como se fosse religioso, "em que estão homens representados cavalgando contra a natura uns a outros por trás".

Segundo as acusações da inquisição portuguesa, citadas no estudo agora publicado, estavam que comia peixe e carne todas as sextas-feiras, domingos e outras festas religiosas, nunca rezava, jogava à bola com os criados em vez de ir à missa, desaparecia da cidade durante a Quaresma para se refugiar numa casa no campo, não se confessava, blasfemava contra Deus e os santos e possuía pequenas figuras de metal com que praticava rituais de magia e feitiçaria.

Fernão Brandão exilou-se em Castela "pelos excessos cometidos no seu reino", segundo genealogistas portugueses citados no estudo.

Livros do século XVI proibidos pela Inquisição em Portugal e Espanha

Os livros da "biblioteca oculta de Barcarrota", comprada pelo governo regional da Extremadura em 1995, são do século XVI e estão escritos em castelhano, português, francês, italiano e latim.

O conjunto inclui livros proibidos e não só pela Inquisição em Portugal e Espanha, como uma edição desconhecida de "Lazarillo de Tormes" (impressa em Medina del Campo, Espanha, em 1554), um exemplar de Alborayque, uma sátira aos judeus convertidos, dois tratados sobre quiromancia, um manual de exorcismos, uma obra de Erasmo de Roterdão, um livro de orações em vários idiomas, uma Oração da Emparedada em português e um diálogo erótico de carácter homossexual, La Cazzaria, do italiano Antonio Vignali.

O livro agora publicado em Espanha sugere que Fernão Brandão emparedou a sua biblioteca entre finais de 1559 e início de 1560, quando se publicou em Espanha o "Índice de Livros Proibidos do Inquisidor Fernando de Valdés".

A lista do inquisidor Fernando de Valdés, de 1559, foi o primeiro índice sistemático da inquisição espanhola e proibiu 698 obras por serem consideradas hereges ou imorais. In “SIC Notícias” – Portugal com “Lusa”


Portugal - Campanha Educativa “O meu Atum”

No âmbito da Campanha Educativa “O Meu Atum”, realizaram-se visitas de estudo à Conserveira Portugal Norte, em Matosinhos, e à Conserveira Freitas Mar, em Olhão, unidades de referência do setor, que proporcionaram aos formandos um contacto direto com a realidade da indústria conserveira portuguesa.


Estas iniciativas tiveram como principal objetivo aproximar os participantes dos processos produtivos associados às conservas de pescado, permitindo-lhes compreender de forma prática as diferentes etapas que compõem esta atividade tradicional e perceber o seu papel económico em Portugal.

Durante as visitas, os formandos tiveram a oportunidade de conhecer o funcionamento das linhas de produção, desde a receção e seleção da matéria-prima até às fases finais de embalagem e rotulagem de espécies como a sardinha, a cavala e o atum. Os visitantes acompanharam várias etapas do processo produtivo, incluindo a preparação e limpeza do pescado, o corte e a colocação manual ou semi-automatizada nas latas, a adição de diferentes tipos de molhos ou azeites e o posterior processo de esterilização, que garante a conservação e segurança alimentar do produto.

As empresas apresentaram uma ampla gama de conservas, desde produtos de consumo corrente, designados como Standard, até linhas premium e gourmet, caracterizadas por matérias-primas selecionadas, métodos de preparação mais artesanais e apresentações diferenciadas.

Outro aspeto relevante observado pelos formandos foi a combinação entre tradição e inovação que caracteriza o setor conserveiro nacional. Apesar de muitas operações continuarem a exigir um elevado nível de intervenção manual, especialmente nas fases de preparação e colocação do pescado nas latas, as unidades visitadas integram também tecnologia moderna, que permite melhorar a eficiência produtiva, garantir elevados padrões de qualidade e assegurar o cumprimento rigoroso das normas de higiene e segurança alimentar.

Estas visitas constituíram um momento de aprendizagem relevante para os participantes da campanha educativa, permitindo-lhes aprofundar conhecimentos sobre a cadeia de valor das conservas de pescado e compreender melhor o papel que a indústria conserveira desempenha na valorização dos recursos marinhos e na economia das regiões costeiras portuguesas. In “Instituto Português do Mar e da Atmosfera” - Portugal


Cabo Verde - Hélio Batalha revela capa do novo álbum “Testamentu” e celebra nascimento da filha

Hélio Batalha revela capa do novo álbum “Testamentu” e celebra nascimento da filha Helena


O artista cabo-verdiano Hélio Batalha partilhou nas redes sociais um momento muito especial da sua vida pessoal e artística. Nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, o artista apresentou oficialmente a capa e a contra-capa do seu novo álbum intitulado “Testamentu”.

Segundo o próprio artista, este projeto tem um significado profundamente pessoal e está fortemente ligado à família. A ideia do álbum nasceu com o objetivo de deixar uma mensagem e um legado para as pessoas mais próximas, especialmente para aqueles que fazem parte da sua vida.

Entre os elementos mais marcantes do trabalho estão cartas dedicadas à sua filha e à sua mãe, que fazem parte do conceito do álbum e reforçam o lado emocional e íntimo da obra.

O dia tornou-se ainda mais simbólico para o artista com o nascimento de Helena, a sua segunda filha, um acontecimento que Hélio Batalha descreveu como um dos momentos mais felizes e realizados da sua vida.

Na publicação, o músico também convidou os fãs e seguidores a abraçarem e sentirem esta obra, que segundo ele foi criada com muito amor.

O lançamento oficial do álbum “Testamentu” está previsto para 27 de março, data que coincide também com o aniversário do artista. In “Dexam Sabi” – Cabo Verde