Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Portugal - Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolvem tecnologia que deteta sinais elétricos de microalgas marinhas

Nova tecnologia transforma flutuações elétricas aparentemente aleatórias em informação sobre populações de microalgas vivas, abrindo novas possibilidades para monitorização ambiental, aquacultura e sistemas bioeletroquímicos


Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveram uma nova tecnologia capaz de detetar e analisar os sinais elétricos produzidos por populações de microalgas marinhas, mesmo quando estes são muito fracos e ocorrem de forma aleatória. Os resultados foram publicados na revista científica Advanced Science.

O estudo, liderado por investigadores do Bioelectronics & Bioenergy Research Lab, do Centro de Ecologia Funcional e do Laboratório Associado TERRA, integrados no Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, centra-se na microalga marinha Phaeodactylum tricornutum, um organismo utilizado como modelo em investigação científica.

A equipa desenvolveu um elétrodo tridimensional, com uma estrutura porosa e uma impedância elétrica muito baixa, que permite estabelecer uma ligação mais eficiente entre os processos iónicos das células e os sinais elétricos medidos pelo dispositivo. Esta configuração torna possível identificar flutuações elétricas associadas à atividade das microalgas que são difíceis de observar através das técnicas convencionais.

Todos os organismos vivos apresentam processos elétricos associados, entre outros fenómenos, ao transporte de iões através das membranas celulares. No entanto, no caso de organismos microscópicos e não excitáveis, como as microalgas, estes sinais são particularmente difíceis de medir.

Neste trabalho, os investigadores demonstraram que a presença de células vivas altera de forma significativa as flutuações elétricas registadas pelo sistema. Verificaram também que, à medida que aumenta a concentração de microalgas, se alteram as características estatísticas dos sinais elétricos detetados.

Os resultados indicam, assim, que o chamado “ruído” eletroquímico pode conter informação sobre a atividade biológica das células. A análise destas flutuações permite obter informação sobre processos associados à atividade das membranas e ao transporte de iões, sem necessidade de marcar ou alterar as células.

“Estamos habituados a pensar no ruído elétrico como algo que deve ser eliminado. O que mostramos é precisamente o contrário: essas flutuações podem conter informação sobre o estado e a dinâmica de uma população viva. É como ganhar uma nova janela para observar processos biológicos que, até agora, eram praticamente invisíveis eletricamente”, refere Paulo Rocha, coordenador do projeto e docente da FCTUC.

“A longo prazo, esta abordagem poderá ajudar-nos a perceber como populações de microrganismos respondem a alterações ambientais e como emergem dinâmicas coletivas nestas comunidades. Poderá também inspirar novas tecnologias de monitorização para ecologia aquática, aquacultura, qualidade da água e sistemas bioeletroquímicos”, acrescenta.

A capacidade de acompanhar continuamente populações de microrganismos através das suas próprias assinaturas elétricas poderá, no futuro, criar novas formas de avaliar alterações no seu estado fisiológico e na dinâmica das populações sem necessidade de marcação. Para além da investigação fundamental, esta abordagem poderá ser explorada em monitorização ambiental e da qualidade da água, aquacultura e controlo de sistemas bioeletroquímicos, bem como no estudo de fenómenos coletivos em comunidades microbianas. Universidade de Coimbra - Portugal




UCCLA - Lançamento do livro “Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo”

A solidariedade e o apoio aos mais necessitados ocupam um lugar de destaque nas memórias de Nely Nyaka, reunidas no livro Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo, que será apresentado no dia 16 de outubro, pelas 18 horas, no auditório da UCCLA.


Relatada na primeira pessoa, a obra cruza o percurso pessoal da autora com as transformações históricas e sociais do país onde nasceu, incluindo o processo revolucionário. Entre experiências, desafios e vivências, sobressai a atenção dedicada aos outros e à ajuda a quem mais precisa, conferindo ao seu testemunho uma forte dimensão humana e solidária.

A sessão será moderada por Fernando Jorge Cardoso, especialista em assuntos africanos, e contará com a presença de Gita Honwana Welch, coautora e apresentadora da obra, e de José Manuel Lopes de Castro, editor da Blue Book.

O lançamento do livro será transmitido, em direto, através da página do Facebook da UCCLA em:

https://www.facebook.com/UniaodasCidadesCapitaisLinguaPortuguesa/

Sinopse:

O livro Mahanyela: A Vida na Periferia da Grande Cidade de Ka Mpfumo, Lourenço Marques, Maputo, da autoria da minha Mãe, Nely Nyaka, abrange um período de cerca de 100 anos.  Nasceu a 2 de novembro de 1920, em Ka Tembe, e veio a falecer a 5 de abril de 2024, aos 103 anos.

Mahanyela é uma palavra na língua Ronga (uma das mais de 40 línguas nacionais em Moçambique) que se traduz literalmente por ´Forma de Viver´/Forma de Ser/Forma de Estar.

O livro foi inicialmente publicado em outubro de 2018, uma semana antes de autora completar 98 anos, com o título Mahanyela: a Vida na Periferia da Grande Cidade, sob chancela da editora Moçambicana Marimbique. 

Através da sua história pessoal, a autora põe o leitor em contacto com a vida nos bairros suburbanos da grande cidade de Ka Mpfumo, mais tarde Lourenço Marques e hoje Maputo. 

Ela fá-lo assinalando os principais marcos geográficos e sociológicos da ‘sua’ zona da cidade. Mahanyela presenteia o leitor com uma cartografia urbana em que as referências importantes sãos os caminhos, as casas de famílias e os moradores,  as cantinas, as escolas, os locais de culto, os mercados, as relações entre os diferentes grupos de moradores, no contexto de mudanças profundas, convulsões sociais e transformações sociopolíticas e culturais que, ao longo de várias décadas foram influenciando as formas de viver dos habitantes de Ka Mpfumo / Lourenço Marques / Maputo, nos subúrbios da grande cidade e não só.

Os meus pais, acreditavam fervorosamente na importância de mandar os filhos à escola, custasse o que custasse, mas isso não diminuía a necessidade que sentiam de nos equipar, com outras formas de conhecimento, especialmente aquelas que nos dessem a consciência de quem somos e donde viemos.

Inspirada pela publicação, em 1985, do livro de Memórias do seu marido, Raúl Bernardo Honwana, Nely Nyaka achou importante deixar também por escrito a sua história de vida, como parte do um legado comum.

Neste livro ela refere também alguns dos temas que foram tratados no livro Memórias do meu pai, consequência inevitável dos 54 anos que tiveram de vida em comum e que a ambos marcaram profundamente. Mas no livro Mahanyela esses temas têm um tratamento diferente por ser também diferente a perspetiva do narrador. No relato da minha mãe (ao invés da dimensão política claramente presente em Memórias), ela ressalta a perspetiva local, o lado doméstico, da comunidade, a abordagem feminina, a candura da observação.

Dos 54 anos do seu casamento com o meu pai (falecido em outubro de 1994), 27 foram vividos na Moamba, uma vila localizada a 75 quilómetros da capital, onde o meu pai era o intérprete da administração. Segundo a autora, a Moamba moldou-nos de uma forma muito especial, a nós e aos nossos filhos.

Foi efetivamente na Moamba aonde ela começou a sua vida de mulher adulta, casada e mãe de família. Nesse percurso, ela invoca e reconhece a importância do apoio e solidariedade dos locais, nomeadamente amigos, compadres, régulos, comerciantes, pessoal para as crianças da saúde e caminhos de ferro. Mas é também nesse período que ela aprofunda laços de parentesco e amizade com famílias que viviam nas proximidades da Moamba, no Sábie, em Ressano Garcia, Pessene, Dingue, Tenga, entre outros.

A vila de Ressano Garcia próximo da fronteira de Komatipoort entre Moçambique e a África do Sul, tinha para nós um charme especial que incluía as compras anuais de Natal. Depois do ritual das compras em Komatipoort, havia os almoços e jantares em casa dos nossos familiares, os Mognes, e frequentemente a convivência com amigos de família como os Garridos, os Pintos, os Isaías, entre tantos outros. No fim da visita a Ressano Garcia havia sempre um refresco, na esplanada do glamoroso Hotel Costa Pereira.

A autora esteve no centro de grandes realizações e sucessos, que partilha connosco na sua narrativa - o seu ativismo social, capacidade de organização, carácter de grande frontalidade e coragem e extrema facilidade de criar empatia e se relacionar com outros seres humanos, incluindo, de origens, raças e culturas diferentes da sua. Mas ela esteve também no centro de grandes tragédias pessoais que partilha igualmente connosco, em Mahanyela - a cegueira do seu filho Raúl, aos seis anos, resultado de uma febre meningite, a prisão pela PIDE do seu marido, Raul Honwana em 1962, do seu filho Luís a 23 de dezembro de 1964, a morte trágica do seu filho Fernando, no desastre aéreo que igualmente vitimou o primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, e tantos outros episódios.

Nesta obra, a autora não se limitou a contar como eram as coisas no antigamente. Ela expressa preocupação com questões candentes da nossa sociedade, como a relação dos diferentes grupos linguísticos no mosaico nacional e os resquícios de tribalismo que ainda existem. Discute também temas da vida política do país, não hesitando em exprimir discordância ou desagrado em relação a certos posicionamentos oficiais no processo de governação de Moçambique.

Este livro contém histórias que ultrapassam, na sua dimensão, a memória de uma só família ou de uma só pessoa.

Coube-me a mim o privilégio de recolher da minha mãe esta narrativa, que é inteiramente sua, para a transformar num livro, que é agora publicado em Portugal.

Que privilégio!

Gita Honwana Welch

Biografia:

Nely Nyaka nasceu no dia 2 de novembro de 1920, na Catembe, Moçambique. O seu ativismo social começou cedo, primeiro no seio da Igreja Metodista Wesleyana e, mais tarde, no Instituto Negrófilo (que depois assumiu a designação de Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique). Esteve na criação e foi uma das mais notáveis dinamizadoras da Associação Pfuna, dedicada a mitigar a pobreza e a miséria de crianças órfãs.

Em 1939, casou-se com Raul Bernardo Honwana e foram viver para a Moamba, tiveram oito filhos.

Raul, que militou no Grémio Africano nos tempos de Karel Pott, publicou, em 1984, um livro de memórias, que vem constituindo referência em muitos trabalhos académicos.

Inspirada pelos trabalhos do seu marido, que faleceu em 1994, Nely decidiu também deixar, por escrito, o seu legado às novas gerações. Estas memórias percorrem uma longa e enriquecida vida de uma extraordinária personagem deste século moçambicano, mulher dotada de uma memória prodigiosa, exemplo de probidade e repositórios de valores.

Profunda conhecedora de Lourenço Marques (Maputo) e, mais particularmente, dos seus bairros periféricos, onde cresceu, Nely Nyaka fala-nos, em Mahanyela - A vida na periferia da grande cidade, dos marcos geográficos e sociológicos da sua cidade, das famílias que a habitavam, das práticas e dos costumes da comunidade e dos artifícios a que se recorria para mitigar a pobreza, e para vencer as enormes barreiras criadas pelo poder colonial a todos os que não fossem brancos.

Estendendo-se até aos nossos dias, o relato da Vovó Nely, como era carinhosamente chamada, acompanha com muito humor e surpreendente lucidez - que desmente os seus quase 100 anos de idade - as profundas transformações que ocorreram na história recente do país. Pelo seu ineditismo, este livro é um acervo imprescindível para o conhecimento e estudo futuros, transformando-se assim num referencial importante da moçambicanidade.

Faleceu a 5 de abril de 2024, aos 103 anos.


Internacional - Cientistas da Universidade do Porto lideram estudo sobre novas terapias contra a tuberculose

Estudo internacional reúne contributos de 24 investigadores de 13 países e analisa abordagens inovadoras que poderão contribuir para tratamentos mais curtos, seguros e eficazes


Investigadoras do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da REQUIMTE (Rede de Química e Tecnologia) e da Faculdade de Farmácia da U.Porto (FFUP) lideraram uma revisão internacional que reúne algumas das estratégias terapêuticas mais promissoras para o combate à tuberculose e a outras infeções causadas por micobactérias. O artigo foi publicado na revista Medicinal Research Reviews e envolveu 24 autores de 13 países.

Apesar dos avanços alcançados nas últimas décadas, a tuberculose continua a representar um importante desafio global de saúde pública. “O aumento dos casos de tuberculose multirresistente e a crescente incidência de infeções causadas por micobactérias não tuberculosas reforçam a necessidade de desenvolver tratamentos mais eficazes e capazes de ultrapassar os mecanismos de resistência aos medicamentos atualmente disponíveis”, afirma Tânia Silva, investigadora do grupo Host Targets of Infection do i3S e primeira autora do estudo.

Neste contexto, o estudo analisa diferentes abordagens terapêuticas emergentes. “Entre elas encontram-se pequenas moléculas dirigidas a alvos bacterianos essenciais, incluindo compostos concebidos para contornar fenómenos de resistência, bem como produtos naturais e fitoquímicos com potencial antimicrobiano”, explica Mafalda Sarraguça, investigadora da REQUIMTE na FFUP e última autora do artigo. A revisão científica explora ainda estratégias não convencionais, como os péptidos antimicrobianos e o uso de bacteriófagos (vírus que infectam bactérias).

Os autores dedicam também especial atenção às chamadas terapias dirigidas ao hospedeiro, uma abordagem inovadora que procura modular a resposta imunitária do organismo para promover uma eliminação mais eficaz das micobactérias e reduzir os danos causados pela infeção.

De acordo com os investigadores, o futuro do tratamento destas doenças passará, provavelmente, pela combinação de diferentes estratégias terapêuticas. “A integração de novos compostos antimicrobianos com terapias dirigidas ao hospedeiro e sistemas mais eficientes de administração de fármacos poderá contribuir para tratamentos mais curtos, seguros e eficazes”, esclarece Mafalda Sarraguça.

Rede europeia contra a tuberculose

Além da relevância científica do trabalho, a publicação constitui um dos resultados da COST Action ADVANCE-TB, uma rede europeia criada em 2022 para promover a colaboração entre investigadores, clínicos, indústria e organizações ligadas à investigação em tuberculose.

A iniciativa, financiada pela COST (European Cooperation in Science and Technology), tem impulsionado colaborações internacionais, missões científicas, atividades de formação, workshops e a participação em congressos, com especial enfoque no apoio a investigadores em início de carreira.

A participação portuguesa nesta rede tem sido particularmente expressiva, contando com vários investigadores em posições de liderança. Entre eles, Tânia Silva, que desempenha as funções de Vice-Chair da ADVANCE-TB. Esta presença tem contribuído para reforçar a projeção internacional da investigação desenvolvida em Portugal e para integrar equipas nacionais em redes científicas e consórcios europeus.

Com o término da ADVANCE-TB previsto para o final de setembro de 2026, Tânia Silva acredita que as colaborações estabelecidas ao longo dos últimos anos continuarão a traduzir-se em novos projetos, publicações e candidaturas conjuntas a financiamento. “O artigo agora publicado demonstra o impacto que estas redes internacionais podem ter na produção de conhecimento e no desenvolvimento de novas soluções para combater uma das doenças infecciosas mais persistentes à escala global”, conclui a Professora Auxiliar Convidada no ICBAS.

A COST (European Cooperation in Science and Technology) é uma agência de financiamento de redes de investigação e inovação que ajuda a interligar iniciativas de investigação em toda a Europa e permite que os cientistas desenvolvam as suas ideias, partilhando-as com os seus pares. Isto impulsiona a sua investigação, carreira e inovação. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Alemanha - Alice Neto de Sousa apresenta a sua poesia na cidade de Colónia dia 11 de outubro

A poeta e escritora Alice Neto de Sousa estará em Colónia no próximo dia 11 de outubro, para um encontro com o público promovido pela Associação dos Amigos do Ensino da Língua Portuguesa (AELP Köln)


A iniciativa, integrada no “Clube de Leitura Ilse Losa”, decorre entre as 15 e as 17 horas, na Alte Feuerwache, Kleines Forum, em Colónia.

O programa inclui a oficina de poesia “A Arte de Dizer”, um momento de poesia intitulado “Chuvas de Março” e uma oficina de poesia, acompanhados por chá e biscoitos. A participação é gratuita, mas requer inscrição através do endereço aelp-koeln@t-online.de.

Nascida em Portugal em 1993 e com raízes em Angola, Alice Neto de Sousa é licenciada e mestre em Reabilitação Psicomotora e pós-graduada em Práticas Artísticas e Inclusão Social. A sua intervenção artística tem-se desenvolvido sobretudo através da poesia dita e da presença em palco, abordando temas sociais e questões contemporâneas.

Alice Neto de Sousa foi poeta convidada para a abertura solene das comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril, onde apresentou o poema inédito “Março”. O manuscrito foi posteriormente depositado numa cápsula do tempo, que deverá ser aberta em 2074, assinalando os 100 anos da democracia portuguesa.

A sua poesia está também presente em várias antologias publicadas em Portugal e no Brasil. Em 2021, o poema “Terra” deu o título à colectânea Do que ainda nos sobra da guerra, publicada pela editora brasileira Ipêamarelo.

Entre 2021 e 2023, a autora foi presença assídua no programa “Bem-Vindos”, da RTP África, onde encontrou um espaço regular para a poesia e para a partilha de reflexões sobre a sociedade. Em 2022, o seu poema “Poeta” ganhou particular projecção nas redes sociais, alcançando leitores em vários países.

A experiência pessoal e a observação da sociedade são matérias recorrentes no trabalho de Alice Neto de Sousa. A sua poesia aborda questões sociais e temas contemporâneos, procurando levar para os palcos, através da palavra e da poesia dita, uma reflexão sobre a realidade que a rodeia.

O encontro de Colónia permitirá assim ao público lusófono contactar directamente com uma das vozes da nova poesia portuguesa, num programa que combina leitura, criação poética e participação do público.

A iniciativa é organizada pela Associação dos Amigos do Ensino da Língua Portuguesa (AELP Köln) e tem entrada livre.

Mais informações sobre a autora podem ser consultadas no seu sítio oficial: Alice Neto de Sousa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Angola - Poeta António Jacinto “deu voz aos oprimidos”

A crítica literária Noemi Alfieri recordou o percurso de António Jacinto nas letras e na luta anticolonial, tendo-o considerado como um poeta que “deu voz aos oprimidos” e contributo para a identidade nacional. A investigadora da Universidade Nova de Lisboa foi a conferencista na série “Conversas da Academia à Quinta-feira”, e abordou o tema “António Jacinto em Trânsito: Poesia, Censura e Circulações”

A Academia Angolana de Letras realizou a primeira conferência do ciclo de Outubro da série “Conversas da Academia à Quinta-feira”, uma edição que assinala o 10.º aniversário da proclamação da instituição e que serviu para saudar o 98.º aniversário natalício do poeta António Jacinto.

A sessão, moderada pelo pedagogo Isaac Paxe, contou com a presença de académicos de Angola, Bélgica, Brasil, França, Moçambique e Portugal.

Co-fundador do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola (1948), António Jacinto foi detido pela Polícia Política do regime colonial, julgado e condenado por acções consideradas subversivas, no âmbito do conhecido “Processo dos 50”, e deportado para o Tarrafal, em Cabo Verde.

A conferencista sublinhou que o poeta viveu num período de censura, com clara limitação da produção literária e jornalística. O debate incluiu a estética da obra de António Jacinto, a sua presença em publicações de resistência anticolonial e a influência da censura no seu estilo poético. Foi igualmente destacado o realismo social que caracteriza a sua obra, assente na denúncia das injustiças e no retrato do quotidiano das pessoas comuns.

Segundo Noemi Alfieri, “Sobreviver em Tarrafal de Santiago” aborda o mar, a saudade, a censura e o sentimento de revolta perante as difíceis condições de vida dos angolanos na sua própria terra.

Para a investigadora, esta poesia é vista como algo intangível, que surge onde tudo era censurado, restrito e regulamentado, mas escapa à domesticação, à ordem imposta e à repressão.

A dimensão humanista do poeta e político, cujos poemas integram várias antologias de poesia negra de expressão portuguesa, foi também realçada.

Noemi Alfieri referiu que o poeta se manteve firme nas suas convicções apesar da censura, tendo aprendido a conviver com a actuação das autoridades coloniais ao escrever uma poesia menos explícita.

A conferencista concluiu que António Jacinto deu voz aos oprimidos, sendo uma das vozes mais marcantes das letras angolanas, caracterizada por profundo engajamento político, social e humano em prol da liberdade e da identidade cultural de Angola.

Próxima conversa

A próxima série “Conversas da Academia à Quinta-feira” está agendada para 8 de Outubro, às 19 horas, também sob moderação de Isaac Paxe. O linguista polaco Eugeniusz Rzewuski, professor reformado da Universidade de Varsóvia, vai abordar o tema “Kiswahili: Macrolíngua Pan-africana de Identidade Regional”. A participação via Zoom é livre. In “Jornal de Angola” - Angola


Angola - Maya Zuda leva o livro “Quem Eu Sou?” aos leitores nas Irmãs Paulinas

A cantora Maya Zuda levou, no passado dia 01 de Outubro, quinta-feira, o livro “Quem Eu Sou” ao público leitor, no auditório das Irmãs Paulinas, Vila Alice. Segundo a autora, a obra de auto ajuda, com chancela da Editora Muenhu, propõe uma viagem de descoberta interior sobre as influências que moldam a personalidade e as diferentes “máscaras” que as pessoas constroem para se adaptarem em determinados contextos


Em declarações ao Jornal O País, Maya Zuda, que desempenha também a função de psicóloga comportamental, esclareceu as reais causas da criação do livro de cariz motivacional, centrado no autoconhecimento.

“Fiquei quase seis anos sem cantar. Neste processo, vivi várias inquietações pessoais, porque sentia que a função que exercia, na altura, afectava o meu comportamento pessoal, fazendo com que eu colocasse em causa os princípios bíblicos, que sempre moldaram quem sou hoje”, disse.

A partir daquele momento, frisou a artista, passou a procurar compreender se determinadas mudanças faziam parte do seu crescimento ou se eram resultados das influências de pessoas e dos ambientes que frequentava.

Para ampliar a investigação e aprofundar a compreensão sobre comportamentos, emoções e processos de construção da identidade, a autora disse que recorreu à leitura, a formação em Psicologia e o contacto profissional com diferentes pessoas.

Da experiência pessoal à escrita Maya Zuda declarou que procurou afastar-se da ideia de escrever simplesmente sobre a sua experiência profissional, razão pela qual espera que as questões abordadas ultrapassem a sua própria realidade, uma vez que a obra não foi concebida como uma autobiografia.

Partindo deste pressuposto, segundo ainda a autora, o livro apresenta-se como um instrumento de reflexão para diferentes leitores, independentemente da profissão, idade ou contexto em que estiverem inseridos. In “O País” - Angola




Suíça - Trabalho já não garante sair da pobreza

Mesmo com emprego, cerca de 360 mil pessoas na Suíça não ganham o suficiente para cobrir as despesas básicas do dia a dia

A organização Caritas alertou que a Suíça não está a fazer o suficiente para combater a pobreza entre pessoas que trabalham. Nas vésperas do anúncio de novos aumentos nos planos de saúde, a entidade pediu mais apoio para famílias de baixo rendimento.

Segundo a Caritas, cerca de 360 mil trabalhadores, o equivalente a 8,8% da população empregada, não conseguem cobrir as despesas regulares das suas famílias com o rendimento que recebem. Considerando também os familiares que vivem nesses lares, mais de 820 mil pessoas são afetadas.

A ONG afirma que o número de trabalhadores em risco de pobreza nunca foi tão alto desde o início da metodologia atual de medição, em 2014.

Famílias sem margem financeira

A Caritas apresentou o exemplo de um motorista que trabalha em tempo integral no cantão de Zurique. Mesmo empregado, ele mal consegue sustentar sozinho uma família de seis pessoas. Os custos da creche do filho mais novo já ultrapassam o orçamento doméstico.

Segundo a entidade, famílias de baixo rendimento gastam praticamente todos os seus recursos com despesas fixas e necessidades essenciais, restando pouca margem para absorver novos custos.

Pais solteiros estão entre os mais vulneráveis

A Caritas destaca que quase metade das pessoas em situação de pobreza apesar de terem trabalho vive com os filhos.

A falta de formação profissional após a escolaridade obrigatória também aumenta o risco de pobreza. Muitos trabalhadores ocupam empregos de baixa remuneração e horários irregulares, o que dificulta investir em qualificação.

Pais e mães solteiros estão entre os mais vulneráveis, pois precisam conciliar trabalho e cuidados com os filhos sem contar com uma segunda fonte de rendimento na família.

Caritas pede salário mínimo

A organização defende a criação de um salário mínimo nacional, além de horários de trabalho mais previsíveis e maior apoio financeiro para as famílias.

A entidade também propõe ampliar benefícios complementares e bolsas que permitam aos trabalhadores investir em formação profissional sem perder rendimento ou acesso a serviços de cuidado infantil. Fernando Hirschy – Suíça in “Swissinfo”