Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Guiné-Bissau – PAIGC denuncia a perseguição ao seu presidente e Presidente da Assembleia Nacional Popular Domingos Simões Pereira pela Junta Militar saída do golpe de estado de 2025

A Comissão Permanente do PAIGC reuniu-se online no dia 9 de julho de 2026, sob a presidência do camarada Califa Seidi, Vice-Presidente do Partido, a fim de se debruçar exclusivamente sobre os últimos desenvolvimentos relacionados com a perseguição política ao Presidente do Partido e também Presidente da Assembleia Nacional Popular, camarada Domingos Simões Pereira.

Desde o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025 que o Presidente Domingos Simões Pereira se encontra privado da sua liberdade. Encarcerado na II Esquadra durante 64 dias, e depois transferido para sua casa, num regime denominado de “residência vigiada”, mas que de facto não passa de um sequestro, o Presidente Domingos Simões Pereira tem sido vítima de todo o tipo de arbitrariedades, com implicações profundas na sua vida e na de toda a sua família.

As autoridades de facto passaram os últimos oito meses a tentar fabricar um processo judicial desprovido de qualquer credibilidade para justificar a restrição da liberdade imposta ao Presidente Domingos Simões Pereira. A acusação finalmente encontrada foi a da sua alegada participação numa pretensa tentativa de golpe de Estado, em Outubro de 2025. Não deixa de ser caricato que aqueles que consumaram um golpe de Estado estejam tão determinados a perseguir e a tentar condenar um cidadão por alegada tentativa de golpe de Estado.

Sob a capa de um pretenso processo judicial, assistimos de forma sistemática a violações grosseiras das leis, como por exemplo, o julgamento do Presidente da Assembleia Nacional Popular num Tribunal Militar; a substituição coerciva de juízes do Tribunal Militar Superior que se recusaram a cumprir ordens superiores; a criação, de facto, de um tribunal ad hoc, violando o princípio de juiz natural; o indeferimento pelo Supremo Tribunal de Justiça de um incidente de inconstitucionalidade, invocando a Constituição da República adoptada pelo Conselho Nacional de Transição, que o Comando Militar diz querer levar a referendum para a sua entrada em vigor; pressões fortes sobre os magistrados; afastamento coercivo do Juiz de Instrução Criminal e a sua substituição por um dos principais autores dessa coerção, etc. Hoje, está mais do que claro que toda esta manipulação da justiça visa apenas legitimar à posteriori a privação de liberdade do Presidente Domingos Simões Pereira, mesmo que para o efeito seja necessário violar princípios, leis e regras.

O objetivo deste regime, que continua a ser dirigido à distância por Umaro Sissoko Embalo, é claro: afastar o Presidente Domingos Simões Pereira da vida política e, eventualmente, eliminá-lo fisicamente. Por um lado, Umaro Sissoko Embalo não perdoa o facto do Presidente do PAIGC, impedido de concorrer às eleições presidenciais de 23 de novembro de 2025, ter tido, com o seu inequívoco apoio, um papel fundamental na vitória logo à primeira volta do candidato Fernando Dias da Costa nessas eleições. Por outro lado, no seu mísero calculismo político, Umaro Sissoko Embalo acredita que o afastamento da vida política de Domingos Simões Pereira, pela via judicial, ou através da sua eliminação física, aumentaria a probabilidade de finalmente vencer as próximas eleições presidenciais, em que ainda sonha poder concorrer.   

Perante todos estes factos, a Comissão Permanente delibera o seguinte:

  1. Reiterar a exigência de libertação imediata e incondicional do Presidente do PAIGC e da Assembleia Nacional Popular, Camarada Domingos Simões Pereira, a fim de retomar plenamente a sua vida pessoal, social e política;
  2. Repudiar a terrível perseguição política e judicial de que o Presidente Domingos Simões Pereira tem sido alvo e responsabilizar o regime por tudo quanto possa vir a acontecer à sua vida ou à sua integridade física;
  3. Manifestar, em nome dos militantes e simpatizantes do Partido, a nossa solidariedade com o Presidente Domingos Simões Pereira e a sua família nestes momentos difíceis da sua vida;
  4. Renovar a confiança política no camarada Domingos Simões Pereira, enquanto Presidente do PAIGC, para continuar a dirigir o Partido, como tem sabiamente feito até aqui;
  5. Apelar a todas as organizações internacionais e regionais, particularmente a União Africana e a CEDEAO, a continuarem a acompanhar a situação política do país, fazendo respeitar as decisões tomadas na Cimeira de Abuja;
  6. Convidar, mais uma vez, o Comando Militar a um diálogo sério e construtivo com as forças políticas representativas da sociedade guineense, tendo em vista encontrar soluções para a saída da crise política e o retorno à normalidade constitucional;
  7. Apelar à população a manter-se mobilizada na luta pela defesa da democracia e pelo respeito dos direitos humanos e dos princípios basilares do Estado de Direito Democrático. A Comissão Permanente do PAIGC – Guiné-Bissau 


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Macau - Patuá esteve em foco no Fórum das Línguas Chinesa e Portuguesa

A Universidade de Macau (UM) realizou recentemente o segundo Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa, onde se reuniram especialistas e académicos provenientes de países de língua portuguesa, do Interior da China e de Macau para “um intenso intercâmbio académico nas áreas da literatura, linguística, intercâmbio cultural, estudos de tradução e ensino de língua”. Ao longo dos dois dias, o programa incluiu cinco sessões livres e três conferências.


A cerimónia inaugural contou com a presença do académico português Raul Gaião, que aproveitou para apresentar os três volumes da sua mais recente obra, “Papiá Nôsso Lingu, Dicionário de Patuá di Macau”. Para a UM, a publicação “constitui não só um contributo académico de relevo, mas também um importante esforço de sistematização e de preservação do patuá macaense, património linguístico singular que reflecte a herança multicultural de Macau”.

As sessões de partilha foram conduzidas por académicos e estudantes distinguidos do Departamento de Português, incluindo o vencedor do “Prémio Fernão Mendes Pinto” do ano passado, Lu Chunhui, a vencedora do “Prémio Académico Henrique de Senna Fernandes” de 2023, Carla Lopes, e as estudantes premiadas no Concurso Internacional de Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa deste ano, Li Renlan e Wang Siyi.

Já nas conferências, participaram o professor Rui Pereira, da Universidade de Coimbra, a professora Xu Yixing, da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, e a professora Min Xuefei, da Universidade de Pequim. Os temas abordados abrangeram a linguística e o ensino do português, a inteligência artificial aplicada ao ensino de línguas e os estudos de literatura em língua portuguesa, tendo oferecido “reflexões de grande actualidade e profundidade”, de acordo com a UM.

Segundo a instituição universitária, o fórum assume-se como “uma plataforma privilegiada de diálogo académico, contribuindo para reforçar a compreensão mútua entre as línguas e culturas chinesa e portuguesa, bem como para promover a partilha de conhecimento e a construção de novas perspectivas”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Cabo Verde - Lançamento de “Minha Terra em Poesias” marca estreia literária de Celso Lobo na ilha do Fogo

São Filipe - O jornalista, poeta e escritor Celso Lobo apresentou, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de São Filipe, a sua primeira obra literária, intitulada Minha Terra em Poesias.


O livro, segundo o autor, retrata, em linguagem simples e acessível, algumas das principais vivências e desafios da história de Cabo Verde.

A apresentação da obra esteve a cargo dos professores reformados Fausto Rosário e João José Pires, convidados pelo autor para partilhar com o público uma análise da publicação, que representa a concretização de um projecto alimentado ao longo de vários anos.

Segundo Celso Lobo, Minha Terra em Poesias aborda temas marcantes da realidade cabo-verdiana, como as secas cíclicas, a fome, a miséria, a pobreza, o desemprego e a emigração forçada, sem deixar de reflectir sobre os conflitos armados que continuam a afectar diferentes países e regiões do mundo.

Embora seja uma obra poética, o autor explica que optou por uma linguagem simples, acessível tanto a crianças como a adultos, permitindo que qualquer leitor possa compreender e interpretar as mensagens transmitidas.

O livro está estruturado em nove secções, cada uma dedicada a um tema específico, mas interligadas entre si, de forma a proporcionar uma leitura fluida e despertar a curiosidade do leitor para a secção seguinte.

Celso Lobo revelou que a inspiração para escrever nasceu ainda na infância, quando convivia frequentemente com pessoas mais velhas, entre elas os pais, avós e outros familiares e amigos, ouvindo relatos sobre períodos de fome, emigração e dificuldades vividas em Cabo Verde.

Essas histórias, explicou, marcaram profundamente a sua formação e levaram-no a registar pequenos relatos, alimentando o desejo de, um dia, transformá-los numa obra que pudesse preservar essa memória para as gerações futuras.

"Prometi escrever um livro para os meus filhos e netos e também para que as novas gerações conheçam melhor a história de Cabo Verde. Hoje muitos jovens preocupam-se mais com a história de outros países do que com a do seu próprio país", afirmou.

Natural de São Filipe, ilha do Fogo, Celso Lobo descreve-se como um “simples homem do campo" que, ao longo da vida, exerceu diversas profissões, entre elas marinheiro, capitão de barco, motorista, mecânico de automóveis, bombeiro e professor.

Actualmente, além da actividade jornalística, dedica-se à escrita e à poesia e encontra-se a um ano de concluir a licenciatura em Direito.

O autor adiantou ainda que já tem outras três obras concluídas e prontas para publicação, sendo duas de poesia e uma de carácter literário dedicada à relação entre o professor e a sociedade cabo-verdiana.

Contudo, pretende aguardar até ao próximo ano para lançar os novos trabalhos, permitindo que os leitores desfrutem plenamente da sua obra de estreia, Minha Terra em Poesias.

O lançamento da obra está enquadrado na Semana da Cidade que decorre de 05 a 12 de Julho e que visa celebrar a Independência Nacional (05) e da elevação de São Filipe a categoria de cidade (12). In “Inforpress” – Cabo Verde


Cabo Verde - Primeiro-ministro quer aprofundar cooperação com CPLP e com Portugal

Lisboa – O primeiro-ministro Francisco Carvalho afirmou, em Lisboa, que o seu Governo pretende aprofundar a cooperação existente com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e reforçar a parceria “histórica e de excelência” com Portugal.


Francisco Carvalho falava aos jornalistas após visitar a sede da CPLP onde, acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional, Manuel da Rosa, foi recebido em sessão solene pela secretária-executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim, e pelos representantes permanentes dos Estados-membros.

O chefe do Governo cabo-verdiano explicou que a visita teve como objectivo demonstrar a importância que Cabo Verde atribui à CPLP e reafirmar o compromisso do novo executivo com o fortalecimento da organização e das relações entre os seus membros.

“Vamos aprofundar a relação que existe entre Cabo Verde e CPLP, garantindo a estabilidade no relacionamento entre a organização e os Estados-membros desta comunidade extraordinária”, afirmou.

Francisco Carvalho reiterou que o executivo cabo-verdiano está engajado em promover o desenvolvimento e o aprofundamento das relações entre os países da CPLP e entre Cabo Verde e a organização.

O primeiro-ministro justificou ainda a escolha de Portugal para a sua primeira deslocação oficial ao estrangeiro com a relevância histórica e estratégica das relações bilaterais.

“Portugal é um parceiro tradicional e de longa data de Cabo Verde. Temos excelentes relações, com uma cooperação que atinge diversas áreas. O caminho é o do aprofundamento e do reforço”, disse, acrescentando que a visita simboliza a importância que Portugal continua a assumir para Cabo Verde “em termos históricos, no presente e em relação ao futuro.”

Questionado sobre a situação da Guiné-Bissau, suspensa dos órgãos da CPLP, e sobre julgamento do líder do PAIGC e antigo secretário-executivo da organização, Domingos Simões Pereira, Francisco Carvalho escusou-se a comentar o processo judicial.

O governante cabo-verdiano limitou-se a afirmar que os Estados-membros da CPLP estão a trabalhar em conjunto, através do diálogo e da concertação, para encontrar soluções que contribuam para a estabilidade e respondam aos interesses do povo guineense.

A CPLP, organização fundada em 17 de Julho de 1996, é actualmente integrada por nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Inforpress” – Cabo Verde


Brasil - Fim do voto feminino?

Marli Gonçalves, a editora do site “Chumbo Gordo”, criado em 2015 por Carlos Brickmann, já falecido, talvez tenha sido quem deu o berro mais alto ao chamar Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo, "de um imbecil, geneticamente transtornado".

Porquê? Por ter defendido num áudio, nos EUA onde está foragido, e distribuído pelas redes sociais a ideia de que as mulheres não sabem votar -"Mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas em geral tendem a acompanhar o voto do marido".

Não é essa a primeira imbecilidade postada nas redes sociais, existem milhares invadindo seu celular ou computador. Mas essa declaração, logo depois curtida por milhares de outros transtornados, se tornou importante por ter sido dita e defendida pelo amigo próximo de dois filhos do ex-presidente, um deles, Flávio Bolsonaro, candidato à presidência nas próximas eleições de outubro. E isso se agrava, quando lembramos ser o próprio ex-presidente Bolsonaro um convicto misógino.

Origem: Chumbo Gordo

Mas para quem acha ser uma brincadeira de mau gosto essa história de acabar com o voto feminino, a realidade norte-americana mostra ser um projeto em andamento, defendido pela extrema-direita e por grupos evangélicos. 

A ideia básica é a de que as mulheres são emotivas na escolha de seus candidatos. Por isso, a solução seria a de se acabar com o voto individual feminino em favor do voto familiar, que poderia ser debatido dentro de casa, mas caberia ao marido, chefe do lar, exercer o ato de votar, havendo só seu nome na lista de votantes.

Uma reportagem no The New York Times mostra haver mesmo mulheres conservadoras favoráveis ao fim do voto feminino.

O direito ao voto feminino foi uma longa luta das chamadas sufragistas e entrou na Constituição em 1920. Para muitos conservadores, entre eles líderes evangélicos, o voto das mulheres é, na maioria, pelo partido democrata, progressista, em favor do aborto e pela política de gênero.

Entre os líderes contra o voto feminino, como Paulo Figueiredo, amigo de Flávio Bolsonaro, estão os pastores Douglas James Wilson, Dale Partridge e o influenciador Jack Neel Nick Fuentes.

O escritor norte americano Douglas Kennedy escreveu um livro tratando de uma secessão provocada pelo crescimento dos evangélicos conservadores (cujos missionários vieram ao Brasil) e pelo desenvolvimento do chamado nacionalismo cristão, seguidores da teologia do domínio, pela qual as regras bíblicas devem ser aplicadas na sociedade dirigida por líderes evangélicos pentecostais.

Um sinal estranho ocorreu no dia 9 de março, quando o governo dos Estados Unidos se negou a assinar, na ONU, as conclusões da Comissão da Condição Feminina. 

O mais estranho é constatar que essa ameaça de regressão dos direitos das mulheres nos EUA por pressão religiosa, combatida pela esquerda, progressistas e feministas em geral, já é realidade nos países islâmicos, inclusive na teocracia iraniana, sem haver o mesmo protesto e a mesma mobilização da esquerda, dos progressistas e feministas.

Talvez com uma ligeira diferença, as mulheres podem votar no Irão mas não são consideradas iguais aos homens e não podem se candidatar aos postos de comando. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Alemanha - Euclides Teixeira representa o cinema angolano no Festival Internacional de Cinema de Munique com “Meu Semba”

O actor angolano Euclides Teixeira, protagonista do filme Meu Semba, marcou presença no Filmfest München (Festival Internacional de Cinema de Munique), na Alemanha, onde a longa-metragem integra a prestigiada CineVision Competition, uma das principais secções competitivas do evento.


A presença de Euclides Teixeira no festival reforça a crescente projeção internacional de Meu Semba, que continua o seu percurso em importantes festivais de cinema, contribuindo para a afirmação do cinema angolano no circuito internacional.

Durante o evento, o actor participou em apresentações do filme, sessões de perguntas e respostas com o público e encontros com profissionais da indústria cinematográfica. A delegação angolana contou ainda com a presença do realizador Hugo Salvaterra e do produtor Jorge Cohen, que representaram a equipa do filme num dos mais relevantes festivais de cinema da Europa. A deslocação de Euclides Teixeira foi viabilizada pelo Goethe-Institut, reforçando a importância da cooperação cultural internacional na promoção da circulação de artistas e obras cinematográficas.

Reconhecido como um dos principais festivais de cinema da Alemanha, o Filmfest München reúne anualmente cineastas, produtores, distribuidores e novos talentos de diferentes países, destacando-se pela diversidade da sua programação e pela promoção do cinema contemporâneo.

A seleção de Meu Semba para a CineVision Competition coloca o filme entre as produções internacionais em competição numa secção dedicada à descoberta de novos realizadores. A categoria distingue primeiras e segundas longas-metragens que se destacam pela qualidade artística, inovação narrativa e linguagem cinematográfica.

Sobre “Meu Semba”

Produzido pela Geração 80 e realizado por Hugo Salvaterra, Meu Semba é uma longa-metragem integralmente angolana que acompanha a vida de três irmãos em Luanda. Com uma abordagem intimista, o filme cruza memória, identidade e cultura local numa narrativa contemporânea que retrata os desafios e as relações familiares na capital angolana. In “O País” - Angola


Bélgica - Tem o pior histórico em relação a produtos químicos permanentes na Europa

A ONG ambiental ClientEarth argumenta que as autoridades belgas não tomaram nenhuma providência, apesar de terem conhecimento dos altos níveis de poluentes há anos


Advogados apresentaram uma queixa contra a Bélgica pela sua falha em proteger os seus cidadãos dos significativos riscos à saúde causados ​​por substâncias químicas persistentes.

A ClientEarth apresentou uma queixa de violação dos direitos humanos ao Comité Europeu dos Direitos Sociais (CEDS). A Bélgica tem os níveis mais elevados de substâncias químicas PFAS persistentes (PFAS) de qualquer país europeu.

“Não só a contaminação existe há muito tempo, como também notamos que as autoridades têm informações sobre esta contaminação há anos, senão décadas, e que muito pouco foi feito”, afirma Hélène Duguy, advogada ambiental da ClientEarth.

A ONG ClientEarth tem um histórico sólido de ações judiciais contra governos e empresas em questões ambientais. Esta é a primeira vez que a organização se dirige ao ECSR, órgão de monitorização do Conselho da Europa que avalia se os Estados-membros estão respeitando a Carta Social Europeia. "Escolhemos este comité porque sabemos que ele tem um grande poder de fiscalização", disse Duguy à Euronews Earth.

Bélgica: o principal foco europeu de PFAS

PFAS, também conhecidos como "químicos eternos", são um grupo de mais de 10.000 substâncias químicas sintéticas amplamente utilizadas pela indústria pelas suas propriedades de resistência à água, manchas e gordura. Elas também são encontradas em caixas de pizza, panelas antiaderentes, absorventes higiénicos e roupas para atividades ao ar livre.

Eles têm sido associados a múltiplos riscos à saúde, como certos tipos de cancros, doenças metabólicas e problemas de fertilidade.

De acordo com o projeto The Forever Pollution Project , que coletou dados e mapeou a poluição por PFAS em todo o continente, a Bélgica apresenta os níveis mais elevados de poluição por PFAS na Europa.

Entre os principais locais belgas afetados pela poluição por PFAS, destacam-se Zwijndrecht, uma cidade próxima a Antuérpia fortemente impactada devido à sua proximidade com a fábrica da multinacional 3M, e Chièvres, perto da fronteira francesa, onde a contaminação foi associada a uma base aérea próxima. O mapa também mostra que Bruxelas é significativamente afetada pela poluição por PFAS, particularmente nas áreas ao redor de Anderlecht e Uccle.

A reclamação da ClientEarth baseia-se em exemplos como o de Zwijndrecht, onde as agências públicas tinham conhecimento do problema das PFAS anos antes do escândalo vir à tona em 2021.

Membros do governo flamengo, incluindo Bart De Wever, então prefeito de Antuérpia e atual primeiro-ministro da Bélgica, foram informados da contaminação já em 2017, mas não tomaram nenhuma providência.

Já no início dos anos 2000, a 3M e as agências flamengas discutiam a poluição por PFAS na área próxima à fábrica, mas subestimaram a dimensão do problema.

Quais são os riscos para a saúde associados aos produtos químicos eternos?

Os PFAS estão associados a diversas condições de saúde. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde classificou o ácido perfluorooctanoico (PFOA) como carcinogénico para humanos e o ácido perfluorooctanossulfônico (PFOS) como possivelmente carcinogénico para humanos.

Estas duas substâncias PFAS são proibidas na UE, mas, como podem levar centenas de anos para se decompor, ainda estão presentes no solo, na água e no sangue de pessoas em muitas áreas contaminadas da Europa.

O cancro não é o único risco à saúde associado aos PFAS. "Estes compostos estão associados a várias doenças metabólicas, como diabetes, diminuição da fertilidade e obesidade", disse Philippe Grandjean, professor de medicina ambiental do Instituto Nacional de Saúde Pública de Copenhague, à Euronews Earth.

Grandjean destacou que os PFAS representam um risco não apenas para os adultos atualmente expostos a eles, mas também para as gerações futuras.

“Os PFAS afetam a saúde do sêmen do pai, ou seja, a qualidade do sêmen, e aumentam o risco de infertilidade ou aborto espontâneo”, explicou. “Os PFAS atravessam a placenta e, portanto, a mãe transmite essa carga de PFAS para o feto. Além disso, os PFAS são excretados no leite materno”, acrescentou.

De acordo com Grandjean, todos esses riscos à saúde devem, portanto, servir como importantes incentivos para que os governos invistam em prevenção.

Como os produtos químicos eternos se tornaram uma questão de direitos humanos

Não é a primeira vez que a poluição por PFAS é associada a violações de direitos humanos. Em 2024, especialistas das Nações Unidas classificaram a poluição por PFAS gerada pela DuPont e pela Chemours na Carolina do Norte como uma questão de direitos humanos.

Ações judiciais sobre a poluição por PFAS estão em andamento em toda a Europa, com ONG ambientais e moradores a processar a França pela sua falha em lidar com a poluição por PFAS em maio de 2026. Uma decisão é esperada em 2027.

“Queremos mesmo apresentar uma queixa que apoie e seja complementar a essas ações [europeias]”, explica Duguy.

“PFAS não é apenas uma questão ambiental, é também uma questão humana, e os governos e as autoridades públicas têm o dever de proteger esses direitos”, continuou ela.

Num comunicado à imprensa, a ClientEarth observou que a ECSR deverá decidir sobre a admissibilidade da reclamação em 2027 e que uma decisão final é estimada em dois a três anos.

Com esta denúncia, a ClientEarth espera provocar mudanças concretas na regulamentação de PFAS na Bélgica.

Especificamente, eles querem que a Bélgica proíba todos os produtos químicos persistentes e forneça soluções para as comunidades afetadas. “Essas medidas incluem, por exemplo, garantir o monitoramento biológico sistêmico das pessoas, especialmente das populações vulneráveis, como crianças e gestantes. Mas também começar a remediar e descontaminar, algo que ainda é muito lento na Bélgica”, disse Duguy à Euronews Earth.

No entanto, a limpeza da poluição por PFAS é incrivelmente complexa. De acordo com um estudo publicado na segunda-feira (6 de julho) no periódico Environmental Science: Processes and Impacts, mesmo que a Europa investisse 100 mil milhões de euros por ano em remediação, isso removeria uma fração ínfima desses produtos químicos persistentes do meio ambiente. Euronews