Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 3 de março de 2026

Angola - Livro “O Jardim das Almas”, de Nelson Soquessa, explora as complexas relações entre o Estado e a Igreja

O linguista e docente universitário Nelson Soquessa vai lançar, amanhã, 04, na União dos Escritores Angolanos, a sua mais recente obra literária, com o título, “O Jardim das Almas”, sob a chancela da Editora Kukoma, com a qual almeja incitar uma reflexão sobre a angolanidade e as instituições


O livro, com o prefácio de Gabriel Caia, historiador e investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade de Évora, reúne 117 páginas distribuídas por 13 capítulos complementares e surge como um manifesto profundo sobre a Identidade Angolana, explorando as complexas relações entre o Estado e a Igreja.

A obra foi escrita num período de vulnerabilidade pessoal, propondo uma crítica à desigualdade e uma renovação necessária no sistema educacional e literário do país. O trabalho é descrito como uma manifestação de repúdio contra a desigualdade em todas as suas vertentes, focando-se no papel da Igreja na construção do indivíduo e da sociedade.

Aqui, o autor não se limita a uma análise teórica, mas reflecte a “Angolanidade”, uma experiência de identidade que transcende a sabedoria tradicional e se manifesta na actuação real perante os dilemas nacionais. Em conversa, Nelson Soquessa afirmou que a escrita ocorreu num momento delicado de reencontro pessoal, marcado pela ausência de figuras próximas, o que conferiu à obra uma carga emocional e crítica significativa.

Um dos pontos centrais desta obra é, sobretudo, a sua abordagem estilística única: o autor trata de temas densos e sérios, como a dicotomia entre Estado e Igreja, através de um prisma humorístico.

Por isso, considera que a referida obra não é apenas estética, mas um desafio às convenções da prosa angolana actual. A par disso, a publicação é impulsionada pela experiência do autor como docente, que identifica uma lacuna crítica no sistema de ensino: a dependência de textos gramaticais obsoletos da década de 80, que já não reflectem a realidade contemporânea.

“O motivo da publicação é mais pelo facto de ser docente e achar que o nosso sistema de educação precisa de se actualizar. Como é possível ensinar gramática com texto escrito nos anos 1980?”, questionou Soquessa.

O livro desperta curiosidades e atenção pela tríade: título, tema e estilo, visto que não é habitual na prosa angolana, mas sobretudo pela Escola dos Lexemas. “Se me perguntar o porquê, não lhe responderei aqui.

O tema é o outro desafio. Não é fácil escrever um livro sobre duas instituições: Estado e Igreja. Parece um desafio inconcebível. O terço, penso ser estilo, que é meu, trato de assuntos sérios humoristicamente”, salientou. Augusto Nunes – Angola in “O País”


Moçambique - Georgina Florindo lança “Ecos de um Grito Calado” e dá voz às mulheres que sofrem em silêncio

A cidade de Vilankulo foi palco, no último sábado (28.02), do lançamento da obra Ecos de um Grito Calado, da escritora moçambicana Georgina Florindo, publicada pela editora Gimacu. O evento reuniu amantes da literatura, académicos e membros da sociedade civil, num momento marcado por emoção e reflexão em torno de uma das problemáticas mais sensíveis da sociedade moçambicana: a infertilidade feminina e o peso social que a acompanha.


Licenciada em Letras e Ciências Sociais, a autora explicou que o livro nasceu de conversas profundas com mulheres que não podem conceber e que, por essa razão, enfrentam opressão nos seus lares, famílias e comunidades. “É um apelo à empatia por estas senhoras, que sofrem em silêncio”, afirmou Georgina Florindo, sublinhando que a obra pretende provocar uma mudança de mentalidade e maior sensibilidade social.

A apresentação esteve a cargo de Sodito Mananze, que destacou a qualidade narrativa da autora e a atualidade do tema abordado. Segundo o apresentador, a história acompanha a vida de uma mulher marcada por estigmas e humilhações por não conseguir ter filhos.

Mananze sublinhou ainda que a personagem vive sob o “peso de um silêncio ensurdecedor”, enfrentando rejeição, desprezo e pressão cultural no próprio lar. A narrativa, segundo frisou, retrata de forma crua a realidade de muitas mulheres moçambicanas, transformando a literatura num espaço de denúncia e reflexão social. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Portugal - Jornalista angolano apresenta livro para reflexão sobre “Influência dos desenhos animados na vida das crianças”

A obra literária Influência dos desenhos animados na vida das crianças, do jornalista angolano Simão Yuri Carlos Rebelo, foi apresentada sexta-feira, em Lisboa, Portugal, pela editora NH Conteúdos.


O livro comporta 59 páginas que propõem uma reflexão profunda e actual sobre o impacto dos desenhos animados no comportamento e no desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças, num contexto marcado pela forte presença dos meios audiovisuais no quotidiano infantil.

A obra, a primeira do género do autor, analisa de que forma os conteúdos animados influenciam valores, atitudes e percepções, alertando aos pais, educadores e a sociedade, em geral, para a importância de uma mediação consciente e responsável.

Segundo o autor, o livro é resultado de um estudo científico realizado para a obtenção do grau de licenciatura. Yuri Rebelo alertou para o facto de existirem desenhos animados que podem incentivar a rebeldia nas crianças e questionou a existência de um controlo adequado sobre o que elas têm acesso.

O jornalista sublinhou ainda a necessidade de reflectir sobre o tipo de crianças que se quer para o futuro e que mensagens são transmitidas, lembrando que, na verdade, é uma obra dirigida para os pais que poderão ter mais detalhes sobre a mensagem que se pretende transmitir.

Yuri Rebelo é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Metropolitana de Angola, em 2016, e, actualmente, é mestrando em Ciências Politicas e Administração Pública, pela faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto.

Yuri Carlos Rebelo, ingressou ao Movimento associativo em 1998 pela organização de Pioneiros Agostinho Neto-OPA, tendo sido Pioneiro, Chefe Infantil, Guia de Pioneiros e Principal no município da Ingombota, actualmente Distrito, assim como foi técnico do secretariado nacional entre 2014 a 2017.

Fundou, em 2005, o projecto comunitário Resgata a Floresta da Ilha, que anualmente plantava mais de 500 árvores na floresta e arredores e é membro da associação de defesa do Ambiente Futura Verde e da Liga dos Naturais e Amigos do Mulenvo-Linam.

No ano 2017, integrou os quadros do Conselho de Juventude de Luanda, como assessor para a comunicação e imagem, Luanda, em 2019, foi nomeado para desempenhar as funções de assessor da Comissão Directiva do Conselho Nacional de Juventude. In “O País” - Angola


Angola - Escritor João Melo lança quatro novas obras na União dos Escritores Angolanos

O escritor e jornalista João Melo vai realizar a venda e sessão de autógrafos de quatro livros lançados recentemente no exterior, mas que agora pretende apresentar aos cidadãos angolanos na União dos Escritores Angolanos.


São as obras O Acumulador, Os Sonhos Nunca São Velhos, Será Este Livro um Romance e Quitad la rodilla de mi cuello, edição em espanhol do livro Diário do Medo, produções recentes lançadas em países como Espanha, Portugal, Brasil, Estados Unidos da América e Reino Unido.

Aníbal João da Silva Melo, ou simplesmente João Melo, nasceu em Luanda, a 5 de Setembro de 1955. É membro fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA).

Reconhecido como um dos grandes escritores da sua geração, é um nome incontornável da poesia angolana pós-independência, considerado um mestre do humor e da ironia, assim como um dos criadores do pós-modernismo africano. In “O País” - Angola


segunda-feira, 2 de março de 2026

Macau - Passeio Cultural do Coro Gulbenkian de Portugal no Hong Kong Arts Festival (HKAF) 2026

O aclamado Coro Gulbenkian de Portugal trará três apresentações ao Hong Kong Arts Festival (HKAF) deste ano, e está a ser organizado um passeio cultural para proporcionar uma compreensão mais profunda da cultura sino-portuguesa, da culinária e do desenvolvimento da música sacra.


Durante a primeira paragem do tour, os participantes podem optar por obter informações sobre a gastronomia macaense-portuguesa junto da famosa chef Antonieta Manhão (Neta), ou consultar o guia de viagem do HKAF para explorar locais como o Bairro de São Lázaro e a Igreja de São Lázaro.

A segunda paragem será conduzida pelo Diretor Diocesano de Música Sacra da Diocese de Macau, Andrew Leung, que guiará uma visita à Catedral da Natividade de Nossa Senhora, ao Seminário de São José e ao Arquivo Histórico e Património Diocesano, descobrindo a beleza dos órgãos instalados nas duas igrejas.

Para completar esta experiência culturalmente enriquecedora, os participantes irão desfrutar de música sacra portuguesa na Igreja do Seminário de São José, antes de organizarem o seu próprio jantar.

O evento é organizado pelo Hong Kong Arts Festival (HKAF).

Para mais informações e aquisição de bilhetes consulte a ligação aqui. Instituto Português do Oriente - Macau



Portugal - Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra aposta no futuro com três novas licenciaturas em áreas estratégicas

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) acaba de anunciar o lançamento de três novas licenciaturas que reforçam a sua posição na linha da frente do ensino da engenharia em Portugal: Engenharia Aeroespacial, Construção Digital e Engenharia Naval e Oceânica. As novas formações arrancam já no ano letivo de 2026/2027 e refletem uma aposta clara na inovação e na transformação tecnológica.


A licenciatura em Engenharia Aeroespacial surge como resposta direta ao forte crescimento do setor aeronáutico e espacial, preparando profissionais para atuar em áreas como aviação, espaço, drones, satélites e novos sistemas de mobilidade aérea.

Já o curso de Construção Digital vem transformar a formação tradicional na área da construção, integrando tecnologias digitais avançadas, modelação BIM, automação, fabrico digital e princípios de sustentabilidade. Esta licenciatura pretende formar profissionais altamente qualificados para liderar a modernização de um setor em profunda transformação, respondendo aos desafios da eficiência energética, da digitalização e da construção sustentável.

A nova licenciatura em Engenharia Naval e Oceânica, que funcionará no Campus da Universidade de Coimbra na Figueira da Foz, aposta no enorme potencial estratégico do mar, formando engenheiros capazes de intervir nos domínios da construção naval, engenharia costeira, energias renováveis marinhas, exploração oceânica e proteção dos ecossistemas marinhos. Trata-se de uma área-chave para o desenvolvimento da chamada economia azul, com crescente impacto científico, tecnológico e económico.

Com esta aposta, a FCTUC reforça o seu compromisso com uma formação de excelência, fortemente ligada à investigação científica, à inovação e à proximidade ao tecido empresarial. As novas licenciaturas abrem portas a carreiras de elevado valor acrescentado, num contexto nacional e internacional, contribuindo para a captação de talento jovem e para o desenvolvimento sustentável do país.

As candidaturas decorrem no âmbito do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior. Universidade de Coimbra - Portugal


Reino Unido - Deportou 141 criminosos portugueses em 2025

O número de criminosos portugueses deportados do Reino Unido subiu 68% em 2025 relativamente ao ano anterior, segundo estatísticas oficiais publicadas pelo Ministério do Interior britânico

No ano passado, 141 portugueses condenados por crimes foram deportados, contra 84 em 2024, ficando Portugal atrás apenas da Albânia, Roménia, Polónia, Lituânia e Bulgária em número de deportações deste tipo.

Em sentido inverso, o número de cidadãos portugueses impedidos de entrar no Reino Unido na chegada à fronteira e subsequentemente reenviados diminuiu 30%, descendo de 424 em 2024 para 298 em 2025.

A recusa de entrada em portos e aeroportos a cidadãos europeus aumentou desde 2020, quando a liberdade de movimento cessou devido ao ‘Brexit’ e passou a ser exigido visto para aqueles que pretendem ficar a trabalhar no Reino Unido.

Os mesmos dados indicam ainda que o total de portugueses obrigados a regressar ao país de origem cresceu 38% em 2025 (145 casos), comparativamente a 107 em 2024.

Os regressos voluntários, que abrangem pessoas sujeitas a controlo ou ação de imigração, mas que saem por iniciativa própria, por vezes com apoio logístico ou financeiro das autoridades britânicas, registaram uma subida de 52%, passando de 54 em 2024 para 82 em 2025.

No conjunto, 592 portugueses sem direito legal a permanecer no Reino Unido, e sujeitos a expatriação administrativa ou a uma ordem de deportação regressaram em 2025, menos 14% do que os 688 registados no ano anterior.

O aumento dos retornos de portugueses enquadrase numa linha de endurecimento gradual da política migratória britânica, que o Governo trabalhista tem vindo a aplicar.

Desde 2024, mais de mil funcionários foram transferidos para os serviços de fronteiras, com o objetivo de “proteger as fronteiras” através do aumento do número de repatriações. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo