Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 10 de outubro de 2026

Cabo Verde - Mureno lança novo single "Fastenta"

O cantor Mureno lançou na sexta-feira, 9, o seu mais novo single intitulado “Fastenta”. O single já se encontra disponível em todas as plataformas digitais e com videoclipe no Youtube


Segundo uma nota da produtora Harmonia, em “Fastenta”, Mureno fala sobre um amor maduro e compreensivo, capaz de suportar as fases mais difíceis de uma relação a dois.

“Fastenta retrata a realidade de muitas pessoas. Sempre existe aquele outro lado da relação, com desentendimentos, ciúmes, manias ou reclamações. Em contrapartida existe a outra parte que entende, suporta. Todo mundo tem uma ´Fastenta´ em sua vida, e mesmo com desentendimentos, no fim acaba sempre escolhendo um ao outro”, relata.

A mesma fonte indica que o tema mostra ainda que amar significa muitas vezes “equilibrar”, tendo o sentimento como a base que sustenta a relação.

O tema é um estilo Compa composição de Mureno e Manolo, enquanto o beat esteve a cargo de Aldo Baby e Mayou Beats.

De lembrar que Mureno lançou o seu primeiro EP intitulado “Garota” em Novembro de 2025, mas já era conhecido através dos temas como “Mor Di Nha Vida”, “Pikiniki Na Lua”, “Kusas d Coraçon” entre outros. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


Portugal - Festival Guadiana aproxima o país, África e América Latina através da literatura

A presidente da entidade gestora de Évora_27 considerou sexta-feira que o festival literário afro-ibero-americano da cidade mostra que a literatura “está viva” e é “uma disciplina artística poderosíssima” para aproximar continentes e pessoas


Em declarações aos jornalistas, à margem da abertura do 1.º Guadiana – Festival de Literaturas Afro-Ibero-Americanas, que decorre até domingo na cidade, Maria do Céu Ramos, presidente da Associação Évora 2027, gestora da Capital Europeia da Cultura (CEC) Évora_27, argumentou que a literatura “é um oceano de possibilidades artísticas”.

“O nome que o curador [do festival] escolheu para este projeto, Guadiana, simboliza esta raiz comum de água, esta matéria que é fluxo de união entre Espanha e Portugal” e “que nos leva até à Ibero-América e a África, com a nossa língua portuguesa [e] com a língua espanhola, ampliadas pelo tempo, revistas na imaginação de cada um dos autores”, continuou.

Segundo Maria do Céu Ramos, o festival literário Guadiana constitui “um espaço aberto ao encontro da Europa com África e com a América Latina”.

“E é uma demonstração de que a literatura está viva e é uma disciplina artística poderosíssima, não apenas para aproximar continentes, escritores e leitores, mas para aproximar pessoas, para estimular a imaginação e ajudar cada um de nós a encontrar o seu lugar no mundo”, argumentou.

Aludindo ao festival que arrancou sexta-feira no Teatro Garcia de Resende, com a participação de 28 autores, oriundos de nove países, a presidente de Évora 2027 afiançou que é “um pilar estruturante” do livro de candidatura que granjeou para a cidade alentejana o ‘selo’ de Capital Europeia da Cultura.

“Quando propusemos este projeto dentro do livro de candidatura de Évora_27 pensámos em abrir a Europa ao mundo através dos livros, das várias correntes de escrita que estão subterrâneas a este Oceano Atlântico que nos aproxima”, referiu.

E por isso, o que se pretende com o evento literário “é criar um grande espaço” para esta disciplina artística e cultural que é a literatura, frisou.

E, acrescentou, “aproximar as culturas que, tendo raiz nesta Península Ibérica, são de tês continentes e aproximam escritores, leitores e vários géneros literários, do ensaio à poesia e à ficção”.

Questionada sobre qual a marca que espera que seja deixada pelo festival literário, que vai ter segunda edição em outubro do próximo ano, em plena Évora_27, Maria do Céu Ramos escolheu “a marca da continuidade”.

O festival, precisou, “tem estrutura e ambição para ter um novo fôlego, isto é, para não se esgotar na Capital Europeia da Cultura no ano de 2027 e poder ficar no seu legado pós-27”.

“É muito importante o que fica daquilo que se passa e, portanto, o festival Guadiana, durante uns dias, vai estar aqui, aproximando escritores, leitores, pensando a escrita, mas a grande ambição é que possa repetir-se, consolidar-se e fazer parte de um legado que enriqueça a paisagem cultural de Évora e da região”, vincou.

Já o presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, considerou “muito importante” o festival e argumentou que “a literatura e o vagar [mote de Évora_27] são irmãos gémeos”.

“A nossa cultura decorre muito de um cruzamento entre o Atlântico Sul e o Mediterrâneo, a ligação à América do Sul, aos países ibero-americanos, a ligação a África”, disse, defendendo ser “muito positivo” acolher estes escritores em Évora, para demonstrar o potencial de uma cidade que já é “capital da cultura”, mas que, em 2027, vai ter “a particularidade de ser capital europeia da cultura”.

O Guadiana – Festival de Literaturas Afro-Ibero-Americanas, que tem como curador António Sáez Delgado, escritor e tradutor espanhol, professor e atual vice-reitor para a Cultura e Sociedade da Universidade de Évora (UÉvora), está integrado na programação da CEC Évora_27.

Organizado por Évora_27, UÉvora e Cátedra de Estudos Ibéricos da academia alentejana, o certame inclui mesas de conversa, música, oficinas de desenho e literatura, uma sessão de ‘spoken word’ e momentos de encontro entre autores e leitores. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Portugal - Leitores de português no estrangeiro criam sindicato

Os leitores de português no estrangeiro anunciaram a criação do SiLPE – Sindicato dos Leitores de Português no Estrangeiro, numa reação ao processo de revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro (RJEPE), que consideram não responder às especificidades da profissão nem garantir uma adequada valorização destes docentes


Num comunicado divulgado na passada terça-feira, 6 de outubro, os promotores do novo sindicato afirmam que as informações que têm sido divulgadas pelo Governo sobre o novo RJEPE não correspondem à realidade vivida pelos leitores e lamentam não terem tido representação efetiva à mesa das negociações.

Entre as principais críticas está o aumento das responsabilidades atribuídas aos leitores, que, segundo o comunicado, acumulam atualmente funções de docência universitária com a gestão de atividades culturais de embaixadas, Centros de Cultura Portuguesa, Centros de Língua Portuguesa, redes de professores, cátedras de investigação e centros de exames de certificação, entre outras tarefas.

Os leitores afirmam que o novo regime não limita esta acumulação de funções, nem prevê uma redução da carga letiva, o pagamento de horas extraordinárias ou compensações financeiras pela acumulação de responsabilidades.

Outra questão considerada particularmente grave pelo recém-criado sindicato é a eliminação do subsídio de residência. Segundo os leitores, muitos trabalham fora da União Europeia, em países onde enfrentam condições de vida e trabalho particularmente exigentes, incluindo dificuldades no acesso a cuidados de saúde, educação para os dependentes, isolamento geográfico e riscos para a segurança pessoal.

O SiLPE contesta igualmente os números apresentados pelo Governo relativamente à atualização das remunerações. Os Leitores sustentam que o vencimento base não é atualizado desde 1999 e que os subsídios de residência não acompanham há décadas a evolução do custo de vida.

O novo RJEPE prevê, segundo o comunicado, aumentos remuneratórios que o Governo apresenta como podendo atingir, em média, cerca de 20% entre 2027 e 2029. Os leitores contrapõem que, devido à alteração da fórmula de tributação, a maioria poderá acabar por receber menos em termos líquidos.

De acordo com os dados apresentados pelo sindicato, 49 dos atuais 56 leitores poderão sofrer uma redução do rendimento líquido, que em alguns casos poderá chegar aos 31%, com perdas superiores a mil euros mensais. Os restantes sete Leitores teriam aumentos líquidos que, segundo o comunicado, variariam entre 0,8% e 13,6%.

O SiLPE critica ainda a ausência de valorização da experiência profissional e do percurso académico dos Leitores. Os docentes consideram particularmente problemática a manutenção da obrigação de voltar a realizar provas de admissão sempre que pretendam mudar de posto, defendendo que a experiência acumulada deveria ser reconhecida no processo de recrutamento e progressão.

Os promotores do sindicato alertam também para a falta de atratividade da rede de leitorados. Segundo os números apresentados no comunicado, 17 dos 58 leitorados existentes, cerca de 29%, não estão atualmente preenchidos por leitores em comissão de serviço.

Na sua perspetiva, as condições remuneratórias e profissionais contribuem para esta falta de atratividade, situação que poderá agravar-se com o novo regime, que, alegam, prevê condições menos favoráveis para os novos Leitores e limita a renovação das comissões de serviço dos novos profissionais da Rede EPE a um máximo de nove anos.

É neste contexto que surge o SiLPE – Sindicato dos Leitores de Português no Estrangeiro. Os seus promotores explicam que, apesar de muitos leitores estarem já sindicalizados noutras estruturas, entenderam ser necessário criar uma organização sindical própria, capaz de representar especificamente as características e reivindicações desta profissão.

O novo sindicato afirma ter como objetivo “visibilizar as especificidades da profissão de leitor e as condições nas quais desempenham as suas funções, próprias e acumuladas”, bem como defender “a justa valorização da profissão”.

A criação do SiLPE acontece num momento de particular importância para a rede de ensino português no estrangeiro, perante a revisão do regime jurídico que enquadra a atividade dos leitores e as restantes estruturas da Rede EPE.

No comunicado de apresentação, os leitores deixam claro que pretendem continuar a contestar aquilo que consideram ser uma desvalorização da profissão e defender uma revisão das condições remuneratórias, profissionais e de exercício de funções.

O sindicato apresenta-se, assim, como uma nova voz organizada dos leitores de português no estrangeiro, numa altura em que as alterações ao RJEPE estão a suscitar forte preocupação entre estes docentes. In “Bom dia Europa”


Moçambique - Eduardo Quive e Sangare Okapi vencem Prémio Literário Mia Couto

Os escritores moçambicanos Eduardo Quive e Sangare Okapi são os vencedores da quarta edição do Prémio Literário Mia Couto, nas categorias de Prosa e Poesia, respectivamente. Os resultados foram anunciados na cidade da Beira.


Sangare Okapi foi distinguido na categoria de Poesia pela obra Utse, enquanto Eduardo Quive conquistou o prémio de Prosa com o livro Mutiladas. Cada vencedor recebe um valor de 400 mil meticais.

Os dois autores integravam a lista dos dez finalistas seleccionados pelo júri entre 63 candidaturas, das quais 34 correspondiam a obras de poesia e 29 a obras de prosa.

Promovido pela Cornelder de Moçambique, em parceria com a Associação Kulemba, o Prémio Literário Mia Couto tem como objectivo reconhecer e incentivar a produção literária moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Macau - Defendida aposta na publicação bilingue chinês-português

O deputado Lam Fat Iam defende que Macau pode desempenhar uma “função única” na publicação bilingue chinês-português e chinês-espanhol. “No futuro, poderá impulsionar, com prioridade, a tradução e divulgação de publicações chinesas de excelência para o mundo lusófono e hispânico”, sugere, querendo também que mais obras académicas, literárias e históricas dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola sejam trazidas para o conhecimento dos leitores chineses

Na óptica do deputado e presidente da Associação de Publicações de Ensino Cultural de Macau, Lam Fat Iam, Macau, enquanto plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), pode desempenhar uma “função única” na publicação bilingue chinês-português e chinês-espanhol, no intercâmbio sobre direitos de autor, na cooperação em tradução e nas feiras internacionais do livro.


“No futuro, poderá impulsionar, com prioridade, a tradução e divulgação de publicações chinesas de excelência para o mundo lusófono e hispânico, bem como trazer obras académicas, literárias e históricas excelentes dos PLP e dos Países de Língua Espanhola para o conhecimento dos leitores chineses”, defendeu. No geral, apelou à RAEM para que se esforce para se tornar “um importante intermediário editorial e um centro de conhecimento para a entrada da cultura chinesa no mundo lusófono e hispânico”.

As declarações do deputado nomeado pelo Chefe do Executivo foram feitas em reacção ao “Plano de Desenvolvimento da Indústria Editorial para o 15.º Plano Quinquenal”, divulgado recentemente pela Administração Nacional de Imprensa e Publicações. Para Lam Fat Iam, este Plano “proporciona uma orientação clara para a causa editorial e cultural de Macau” e significa “uma oportunidade importante para Macau se integrar na conjuntura geral de desenvolvimento cultural do país, e fazer uso das vantagens institucionais de ‘Um País, Dois Sistemas’ e das características de confluência cultural entre a China e o Ocidente”.

O Plano determina que, até 2030, a indústria editorial deve ser impulsionada a alcançar resultados notáveis no desenvolvimento de alta qualidade. Sobre Macau, o deputado vincou que “desde que a RAEM consiga transformar os recursos culturais locais em frutos editoriais de elevada qualidade, converter as vantagens derivadas da plataforma sino-lusófona em capacidades de transmissão internacional e transformar a força académica das instituições de ensino superior num novo motor para a inovação editorial, Macau poderá certamente dar o seu contributo com características próprias para o desenvolvimento de alta qualidade da indústria editorial nacional”.

O Plano sugere ainda a organização e publicação de obras clássicas com grande valor cultural e impulso dado à publicação académica inovadora, de literatura juvenil e de obras literárias “de excelência”. Na opinião de Lam Fat Iam, nesse sentido, Macau deve elevar a sua identidade cultural, através da publicação de obras de alta qualidade.

Especificamente, propôs que, em torno de temas como “a prática bem-sucedida de ‘Um País, Dois Sistemas’, o desenvolvimento social alcançado desde o regresso de Macau à Pátria, a tradição de amor à Pátria e a Macau e a transmissão da cultura chinesa em Macau”, se planeie “uma série de projectos editoriais de excelência”.

Neste ponto, defendeu ainda que é necessário reforçar prioritariamente “a organização sistemática de livros e documentos antigos, materiais de jornais e revistas, arquivos locais, documentos familiares e memórias populares”, para impulsionar projectos editoriais “emblemáticos”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Cabo Verde - Carla Semedo lança livro que propõe uma “nova narrativa” sobre a migração cabo-verdiana para São Tomé e Príncipe

Cidade da Praia - A investigadora Carla Semedo lançou na Livraria Pedro Cardoso, na Praia, o livro Ilusões do Contrato?, obra que dá voz aos migrantes cabo-verdianos e analisa as vivências construídas nas roças de São Tomé e Príncipe.

Em entrevista à Inforpress, a autora explicou que a publicação nasceu da necessidade de desconstruir narrativas exclusivamente negativas associadas à presença cabo-verdiana naquele arquipélago.

O objectivo é apresentar outras dimensões dessa experiência migratória, dando visibilidade às relações sociais, às expressões culturais e ao quotidiano comunitário edificado ao longo do tempo.

Segundo Carla Semedo, o livro procura mostrar que, para além das tensões, dos maus-tratos e das dificuldades enfrentadas pelos migrantes nas roças, existem também pessoas, famílias e comunidades que construíram as suas vidas naquele país.

“Com esse livro, quero poder trazer uma outra narrativa”, afirmou a autora, sublinhando a importância de compreender outras dinâmicas e relações para além das representações negativas que têm marcado o discurso sobre os cabo-verdianos em São Tomé.

A obra resulta de uma investigação na área da Antropologia Social, desenvolvida no âmbito do seu doutoramento e que começou com uma primeira aproximação a São Tomé, em 2010, e prosseguiu com a investigação académica iniciada em 2012.

Carla Semedo realizou trabalho de campo no país em 2013 e regressou em 2015, antes de apresentar a investigação em 2016.

Inicialmente, o interesse da investigadora estava relacionado com o batuque, prática musical e cultural cabo-verdiana que pretendia conhecer no contexto são-tomense. Contudo, a investigação evoluiu para uma abordagem mais ampla sobre a migração, as representações sociais dos cabo-verdianos e a forma como estes compreendem a sua própria trajetória.

Carla Semedo esclareceu que Ilusões do Contrato? não é uma obra exclusivamente histórica, mas um estudo antropológico que privilegia os testemunhos e as narrativas das pessoas que viveram essa experiência.

A investigação procura, assim, compreender o processo migratório a partir das vozes dos próprios protagonistas, complementando as interpretações construídas com base nos arquivos históricos.

Com esta publicação, Carla Semedo pretende contribuir para um conhecimento mais abrangente da história da migração cabo-verdiana, acrescentando novas perspetivas ao debate sobre os deslocamentos, a memória e a identidade.

A apresentação do livro aconteceu na Livraria Pedro Cardoso, no bairro da Fazenda, na cidade da Praia. In “Inforpress” – Cabo Verde


Cabo Verde - Jornalista Eduíno Santos cruza guerra colonial, emigração e memória no romance “Noca, meu amor”

Mindelo – O jornalista Eduíno Santos lançou no Mindelo, Noca, meu amor – Entre Mindelo, Guileje e Lisboa, obra que cruza ficção, memória e documento para acompanhar a trajectória de três amigos separados pela guerra, mar e emigração.

Em nota enviada à Inforpress, o autor explica que a obra se centra na trajectória de três amigos, Caluca, Naise e Nhela, que cresceram nos bairros populares do Mindelo, em São Vicente, na década de 1960, e cujas vidas se separam com o agravamento da guerra colonial.

A narrativa desenvolve-se entre Mindelo, Santo Antão, Guiné-Bissau, Roterdão e Lisboa e atravessa o período que vai da memória familiar anterior à guerra colonial ao pós-independência.

Conforme o mesmo documento, Caluca parte para a luta armada na Guiné-Bissau, onde se torna artilheiro do Partido Africano para a Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Naise, por sua vez, embarca como marinheiro em petroleiros e cargueiros, enquanto Nhela permanece na ilha, guardando cartas, memórias e uma profecia atribuída ao curandeiro Nhô Joaquim Esquinha, nas montanhas de Santo Antão.

“Enquanto a guerra avança e o mundo muda com o 25 de Abril e a independência, o romance constrói-se através de cartas enviadas clandestinamente, amores suspensos, silêncios prolongados e regressos adiados”, destaca o documento.

A história de Naise acompanha, por outro lado, a experiência da emigração, entre o mar, Roterdão e Lisboa, onde muitos cabo-verdianos procuram documentos, trabalho e uma ligação às suas origens.

Nesse percurso surgem Noca e Djodja, duas mulheres cuja história de amor, abandono e resistência atravessa gerações.

“Sem transformar a história em cenário decorativo, Noca, meu amor aproxima os grandes acontecimentos das suas consequências humanas" referiu ainda a mesma nota, que lembra ainda que "a guerra chega à consciência de Caluca, a emigração chega ao corpo e à identidade de Naise, a espera instala-se na vida de Nhela"

Acontecimentos históricos, que observou, interferem nas suas vidas e atravessam gerações.

Eduíno Santos é jornalista cabo-verdiano, director do jornal online Notícias do Norte, sediado em São Vicente. Foi fundador do jornal Notícias, em 1987, delegado e jornalista na Rádio Televisão Cabo-Verdiana (RTC) e colaborador do Expresso das Ilhas e A Nação.

Em Noca, meu amor, o autor combina a sua experiência jornalística e o contacto com a memória política e social de Cabo Verde com uma narrativa de ficção centrada nas personagens, nas cartas, nas ausências e nos afectos.

A obra, segundo o autor, nasce da necessidade de preservar a memória de pessoas comuns e de compreender a forma como a história entra na vida privada e como as suas feridas atravessam gerações.

Noca, meu amor é apresentado como “uma carta do passado enviada para o futuro”, tendo como pano de fundo a guerra, a diáspora e a memória de uma geração cabo-verdiana. In “Inforpress” – Cabo Verde