Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Timor-Leste - Fretilin felicita acordo para compra de parte australiana no consórcio do Greater Sunrise

O líder da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, felicitou ontem o acordo para aquisição pela Timor GAP da participação da empresa australiana Woodside no consórcio para explorar o campo de petróleo e gás Greater Sunrise


“Esta aquisição coloca Timor-Leste numa posição mais forte no que diz respeito ao desenvolvimento do campo Greater Sunrise”, afirmou Mari Alkatiri, em comunicado divulgado à imprensa.

O líder da oposição timorense salientou também que a aquisição é coerente com a exigência que fez enquanto primeiro-ministro de que, por uma questão de justiça, o gasoduto do Greater Sunrise deveria vir para Timor-Leste, depois de o gasoduto do Bayu-Undan ter sido construído para a Austrália.

A petrolífera Woodside e a Timor GAP anunciaram na terça-feira a celebração de um acordo no valor de 200 milhões de dólares (cerca de 179 milhões de euros) para a aquisição pela petrolífera timorense da participação da empresa australiana (33,44%) no consórcio para explorar o campo de gás Greater Sunrise.

A Timor GAP, que detém uma participação de 56,56%, anunciou em setembro a aquisição dos 10% da japonesa Ozaka Gas.

Quando os dois acordos estiverem finalizados, a Timor GAP passará a deter 100% do consórcio para exploração do Greater Sunrise. “Uma participação de 100% significa 100% de responsabilidade, mas isto não implica que Timor-Leste seja agora o único decisor no desenvolvimento do campo Greater Sunrise”, salvaguardou Mari Alkatiri.

O líder da Fretilin explicou que o Tratado de Fronteiras Marítimas de 2018 entre Timor-Leste e a Austrália no Regime Especial do Greater Sunrise estabelece que qualquer desenvolvimento daquele campo de gás está sujeito a aprovação do Conselho de Governação, onde estão representados os dois países, que decide por consenso.

Ou seja, segundo Mari Alkatiri, apesar de a Timor GAP passar a ser a “única titular de interesses, com 100% de participação no Greater Sunrise, não detém o poder exclusivo de decidir sobre o desenvolvimento do campo”.

No comunicado, o secretário-geral da Fretilin alerta também para o “perigo real” de o país “cair num abismo fiscal” e pediu prudência ao Governo na utilização dos recursos financeiros para evitar que o Greater Sunrise se “torne num fardo e uma maldição”. “A Fretilin considera que este é o momento oportuno para o Governo envolver todas as partes interessadas, de modo a garantir que o Greater Sunrise sirva de pilar para a diversificação económica com vista ao desenvolvimento sustentável e que não seja transformado numa mera mercadoria eleitoral”, acrescentou.

Localizado no Mar de Timor, a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o Greater Sunrise, composto pelos campos Sunrise e Troubadour, é uma das maiores reservas de recursos naturais ainda por explorar na região e representa para os timorenses um grande potencial económico.

Os campos Greater Sunrise possuem recursos contingentes estimados em 5,13 biliões de pés cúbicos de gás e 225,9 milhões de barris de condensado. In “Ponto Final” - Macau


Portugal - Universidade do Porto lidera entre as universidades nacionais com mais pedidos de patente europeu

A U.Porto e o INESC TEC surgem em destaque num estudo da Organização Europeia de Patentes (EPO) sobre o panorama da transferência de tecnologia na Europa


A Universidade do Porto foi, em 2025, a universidade portuguesa com mais pedidos de patente europeia e a segunda instituição pública de investigação nacional mais ativa neste domínio, com um total de 13 pedidos apresentados. Os dados constam do mais recente relatório da Organização Europeia de Patentes (EPO – European Patent Office) e colocam no primeiro lugar o INESC TEC, Laboratório Associado da U.Porto, com 14 pedidos, cinco dos quais em cotitularidade com a Universidade.

Esta é a sétima vez que a U.Porto sobe ao pódio do EPO, repetindo, assim, os feitos de 2024 (22 pedidos), 2023 (29 pedidos), 2020 (23 pedidos), 2019 (17 pedidos), 2018 (17 pedidos) e 2017 (12 pedidos). O INESC TEC, por sua vez, tem tido uma presença sólida no top 10 nacional desde 2017 tendo chegado, no ano passado, ao terceiro lugar no ranking geral.

Dos 13 pedidos submetidos pela Universidade no ano passado, sete estão relacionados com a área das saúde e um destes já foi, entretanto, concedido. Já os pedidos de patente submetidos pelo INESC TEC atuam em áreas como a fotónica e sensorização avançada, saúde digital, energia limpa, robótica, entre outros.

Em Portugal, depois do INESC TEC e da U.Porto, surgem a Universidade de Coimbra, com 11 pedidos, a Universidade NOVA de Lisboa, com 10, e a Universidade de Aveiro, com nove.

Na vanguarda da transferência de tecnologia

O relatório agora disponibilizado pela EPO analisou a atividade de mais de 800 gabinetes de transferência de tecnologia europeus. O documento destaca a importância de reforçar a capacidade destas equipas, melhorar o acesso a financiamento e promover uma maior ligação entre instituições de investigação, empresas e investidores.

Neste contexto, a U.Porto surge então numa posição favorável no que diz respeito aos principais desafios na transformação da investigação científica em inovação e valor económico.

Importa igualmente destacar que a U.Porto é a instituição pública de investigação nacional com o maior número de co requerentes (11). Ou seja, 77% dos pedidos submetidos pela Universidade do foram feitos em colaboração com outras entidades portuguesas e internacionais.

O número ganha especial expressão considerando que, dos cinco principais parceiros científicos da U.Porto no último ano, quatro são nacionais (a exceção é a Universidade de Aalborg, da Dinamarca). Um dado que revela a preocupação da Universidade em reforçar a colaboração científica, dinamizar a rede nacional e valorizar a cooperação interinstitucional das entidades de investigação em Portugal.

Refira-se que a U.Porto tem, à data, mais de 400 patentes concedidas (e ativas) em diversos países europeus. Este número aumentou significativamente depois da adoção do novo sistema de patente europeia com efeito unitário, que entrou em vigor em junho de 2023. Inclui, além de Portugal, mais 17 países.

Este sistema “oferece uma via simplificada para proteção por patente, uniforme e territorialmente ampla, reduzindo significativamente a burocracia e os custos”, pode ler-se no sítio do Instituto de Propriedade Industrial (INPI). Só em 2025, mais de 150 patentes em diversos países europeus foram concedidas, em nome da U.Porto, ao abrigo deste sistema. Em 2026, a Universidade já conta mais de 120.

O estudo do EPO destacou também o lado empreendedor das instituições e universidades europeias, com dados adicionais na sua ferramenta Deep Tech Finder (DTF).

Os dados colocam Portugal na 15.ª posição na Europa em número de spin-offs de investigação com pedidos de patente europeias, estando identificadas 53 spin-offs portuguesas. Destas, 17 têm o selo spin-off U.Porto, estando a Sphere, Abyssal, DIGESTAID e Addvolt no “top 10”. Universidade do Porto - Portugal


República Democrática do Congo - Ébola avança no país e expõe falhas no controlo da epidemia

Mais de nove mil casos confirmados e 4300 mortes fazem da atual epidemia de Ébola na República Democrática do Congo uma das mais graves já registadas no país. Um médico que trabalha para a ONG suíça Medair explica por que a contenção da epidemia fracassou até agora


A República Democrática do Congo confirmou oficialmente um novo surto de ébola. É o 17.º na história do país e um dos mais devastadores até agora. “É preciso ter uma ideia da dimensão da área em crise”, afirma Pierre-Olivier Ngadjole, médico e nutricionista da organização suíça de ajuda humanitária Medair. “A epidemia estende-se por uma área maior do que a Suíça.”

O surto já abrange mais de nove mil infecções confirmadas e mais de 4300 mortes, segundo informa o Instituto Nacional de Saúde Pública. Nas províncias orientais de Ituri – o epicentro -, bem como em Kivu do Norte e Haut-Uélé, o vírus circula sem controlo entre a população.

Sete rios até ao hospital mais próximo

No centro de tratamento do ébola de Katwa, em Butembo, os números traçam um quadro igualmente sombrio: “Dos 252 pacientes internados, mais de 70 morreram até agora”, relata Ngadjole. A letalidade é de cerca de 48%.

Para o médico, o principal motivo da elevada mortalidade não é a agressividade do vírus, mas o atraso no tratamento. Os pacientes simplesmente chegam tarde demais às clínicas.

Além disso, as pessoas doentes refletem a estrutura social da região: a faixa etária mais afetada é a dos 15 aos 49 anos, o que se deve ao trabalho nos acampamentos de mineração. Crianças pequenas também se infectam rapidamente no ambiente familiar.

Os trajetos até os focos de infecção muitas vezes assemelham-se a uma odisseia. “O estado das estradas é desastroso. Durante a estação chuvosa, nem mesmo as motocicletas conseguem mais passar”, afirma Ngadjole. Algumas pessoas doentes precisam viajar durante dias e atravessar numerosos rios. Na falta de meios de transporte, as famílias recorrem a remédios caseiros. O resultado é uma perda de tempo fatal.

Efeito devastador dos mitos

Além do isolamento geográfico, no início houve uma falha de comunicação desastrosa. Circulava o boato de que não existiam vacinas nem cura contra a atual cepa do vírus. “Então, por que ir ao hospital?”, pensavam muitos. “Essa mensagem desmobilizou profundamente a população”, explica o médico.

De facto, ainda não existe uma terapia específica aprovada para a variante responsável, Bundibugyo. Mesmo assim, os cuidados intensivos precoces – por exemplo, por meio de infusões de eletrólitos – aumentam drasticamente as possibilidades de sobrevivência. Ao mesmo tempo, o isolamento no hospital interrompe as cadeias de transmissão.

A situação de segurança precária no local torna tudo ainda mais difícil. As pessoas infectadas temem ataques de milícias armadas no caminho para o hospital. Além disso, comunidades religiosas incentivam os doentes a rezar em vez de procurar assistência clínica. Por isso, organizações de ajuda humanitária como a Medair estão a recorrer cada vez mais à participação de pessoas recuperadas para construir confiança. “Deixamos os sobreviventes contar as suas histórias”, afirma Ngadjole.

Problema do rastreamento de contactos

Segundo o destacado infectologista parisiense Xavier Lescure, porém, a contenção da epidemia esbarra em outro problema: o rastreamento de contactos. “Precisamos rastrear integralmente as cadeias de transmissão”, afirma o responsável pela missão francesa de coordenação de riscos epidémicos e co-coordenador de redes internacionais de pesquisa da OMS. Atualmente, o rastreamento no Congo alcança cerca de 75% das pessoas que tiveram contacto com infectados.

“É um resultado considerável nessas circunstâncias, mas simplesmente não basta para “apagar o fogo”: para isso, precisaríamos de mais de 95%”, afirma Lescure. O infectologista parisiense também atribui parte da situação no Congo às condições de informação. Ele fala de uma “epidemia da pós-verdade”: mitos sem fundamento e desconfiança comprometem, assim, as medidas de saúde pública.

Uma morte causada pelo ébola tem um peso duplo nesse contexto: devido ao risco de contágio, as cerimónias tradicionais de velório são proibidas. Os falecidos precisam de ser enterrados imediatamente, sob medidas de segurança. Além disso, todos os pertences da casa – roupas, colchões, lixo – precisam ser queimados. Para famílias que já vivem na pobreza extrema, isso significa perder dos seus últimos bens. Por esse motivo, a Medair também presta ajuda material para repor o que foi perdido.

Preço da nossa prosperidade digital

Para Ngadjole, a luta contra o ébola não pode limitar-se à assistência médica emergencial. “É necessária uma transformação estrutural que abranja toda a cadeia de produção”, enfatiza o médico, referindo-se às condições sanitárias catastróficas nas regiões de mineração.

Assim, o surto também reflete o nosso consumo global, lembra Xavier Lescure: “Os minerais extraídos no Congo estão presentes nos nossos smartphones, computadores e inúmeros outros aparelhos do dia a dia. Por trás disso, escondem-se graves consequências: exploração predatória dos recursos naturais, destruição de ecossistemas, tensões geopolíticas e o sofrimento da população local.”

Epidemias nunca são fenómenos puramente naturais, mas também expressam decisões económicas e sociais, afirma Lescure. “Os nossos hábitos de consumo têm consequências globais.” In “Swissinfo” - Suíça


Tailândia - Prepara regulamentação para centros de dados, tendo em conta o seu consumo de água e energia

A Tailândia está a preparar novas regras relativas à localização, abastecimento de água e energia e gestão ambiental dos centros de dados, fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial. O objectivo do projecto é garantir um fornecimento “mais eficiente” de electricidade e água,


A Tailândia está a preparar novas regras relativas à localização, abastecimento de água e energia e gestão ambiental dos centros de dados, fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), seguindo o exemplo de outros países.

O Governo tailandês anunciou esta semana que o Comité de Políticas para Centros de Dados da Tailândia aprovou, na última reunião, realizada na segunda-feira, um projecto com requisitos mínimos relativos à adequação dos locais, ligações às redes eléctricas e de água e boas práticas ambientais, que será apresentado na próxima semana ao Conselho de Ministros.

O projecto faz parte de uma iniciativa mais ampla, sob a supervisão do Ministério da Economia, destinada a regulamentar as operações dos centros de dados, bem como as aprovações e licenças concedidas, indicou o Ministério do Interior nas redes sociais.

O objectivo do projecto Centro Digital - Balcão Único (DC-OSS, na sigla em inglês) é garantir um fornecimento “mais eficiente” de electricidade e água a estas instalações, a fim de evitar “qualquer impacto indevido no modo de vida local, nos recursos naturais e no ambiente das comunidades afetadas”.

O anúncio do Governo tailandês surge depois de as autoridades de Banguecoque terem suspendido em setembro novas autorizações para grandes centros de dados na capital, que estão a ser analisados quanto ao seu consumo, impacto ambiental e armazenamento de combustível.

A IA e a crescente infraestrutura física desta, incluindo os centros de dados, entraram na campanha eleitoral para as eleições intercalares de 3 de novembro nos Estados Unidos, face à preocupação de muitos cidadãos e ao investimento milionário da indústria tecnológica.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, exigiu recentemente que os novos centros de dados ligados à IA produzam a própria energia e forneçam o excedente para promover reduções nos preços da electricidade.

Estas infraestruturas, essenciais para alimentar modelos de IA, suscitam críticas devido ao consumo massivo de água e eletricidade, e vários países, entre os quais a Espanha e a Austrália, estão a promover medidas regulatórias.

O Governo espanhol indicou recentemente que pretende aprovar um decreto real sobre requisitos de resiliência e soberania digital aplicáveis aos centros de dados antes das eleições de 29 de novembro.

Entretanto, o estado australiano de Victoria (sul) anunciou que irá proibir a construção de novos centros de dados em zonas residenciais e que lhes exigirá que produzam a sua própria energia renovável. In “Ponto Final” - Macau


domingo, 1 de novembro de 2026

Cabo Verde - Escritor Nelson Miranda lança livro sobre ciclone Beryl que devastou a ilha Brava em 1982

Nova Sintra – O escritor bravense Nelson Miranda apresentou, em Nova Sintra, um livro que retrata a passagem do ciclone Beryl pela ilha Brava, na noite de 28 de Agosto em 1982, visando preservar a memória histórica do acontecimento.


Em declarações à comunicação social, o escritor explicou que a obra surge da necessidade de perpetuar a história da ilha e evitar que acontecimentos marcantes do passado sejam esquecidos pelas gerações vindouras.

Segundo o autor, o ciclone deixou a ilha praticamente destruída, com um cenário de devastação que marcou profundamente a população bravense, razão pela qual decidiu transformar esse acontecimento histórico numa narrativa literária.

O escritor, que também se dedica à investigação histórica, considerou que existe uma lacuna no conhecimento dos acontecimentos do passado da ilha, sobretudo entre os mais jovens, que nem sempre demonstram interesse em conhecer a história da Brava.

Neste sentido, alertou para a importância de registar esses acontecimentos por escrito, tendo em conta o falecimento e a migração de pessoas que testemunharam o temporal de 1982, o que poderá dificultar a transmissão dessa memória no futuro.

Nelson Miranda assegurou que pretende continuar a investigar e a dar a conhecer outras histórias da ilha através da literatura, defendendo o livro como um instrumento importante para preservar a memória colectiva e divulgar a cultura bravense.

Relativamente aos desafios da produção literária na ilha Brava, o escritor apontou os elevados custos de edição e publicação como uma das principais dificuldades enfrentadas pelos autores, considerando que a falta de apoios financeiros compromete a produção e a comercialização das obras.

Na sua perspectiva, os valores obtidos com a venda dos livros nem sempre permitem recuperar os investimentos feitos na produção, pelo que defendeu a criação de subsídios e apoios por parte do Governo, da Câmara Municipal e de outras instituições.

Para Nelson Miranda, um maior apoio à literatura permitirá aos escritores continuar a produzir obras, preservar a história e contribuir para a divulgação da cultura cabo-verdiana. In “Inforpress” – Cabo Verde


Portugal e Moçambique querem transformar potencial marítimo em oportunidades económicas

Moçambique e Portugal vão reforçar a cooperação na administração e gestão do espaço marítimo, com enfoque na formação, capacitação técnica, fiscalização e mapeamento, ao abrigo de um memorando de entendimento assinado entre as autoridades marítimas dos dois países


Segundo uma nota consultada pela Lusa, o acordo foi rubricado pelo Instituto Nacional do Mar (Inamar) e pela Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) de Portugal e prevê também a modernização dos serviços, o ordenamento do espaço marítimo e a prevenção e combate à poluição marinha.

O presidente do Conselho de Administração do Inamar, Adolfo José Albino, afirmou que o mapeamento e o ordenamento marítimo são prioridades para Moçambique, que pretende aproveitar a experiência portuguesa para desenvolver sistemas de monitorização e delimitar áreas em função dos respectivos usos.

“Para Moçambique, o mapeamento e o ordenamento marítimo são a prioridade”, afirmou Albino, citado na nota, acrescentando que o país já dispõe de legislação e regulamentos nesta área e pretende avançar na sua implementação com apoio técnico de Portugal.

O responsável reconheceu que Moçambique ainda tem trabalho por realizar no mapeamento da sua costa e considerou que a cooperação permitirá beneficiar da experiência portuguesa, tanto na componente técnica como na formação de quadros nacionais.

O secretário de Estado das Pescas e Mar de Portugal, Salvador Malheiro, afirmou que a parceria deverá traduzir-se em ações concretas e anunciou que os dois países estão a preparar uma feira, que poderá incluir uma conferência, para aproximar armadores e empresas portuguesas dos principais operadores moçambicanos e promover oportunidades de negócio.

“Estamos muito direcionados para ações em concreto, para o chamado pragmatismo”, afirmou Malheiro, defendendo que a cooperação poderá contribuir para criar riqueza nos dois países. O governante português acrescentou que Moçambique tem potencial para se tornar uma nação marítima de excelência e que a parceria poderá abranger também o carbono azul e a valorização económica das Zonas Económicas Exclusivas.

No âmbito da visita de trabalho a Portugal, a delegação do Inamar tem ainda prevista uma visita à Escola de Autoridade Marítima. Malheiro sublinhou que o mar representa não apenas recursos pesqueiros e biodiversidade, mas também “uma enorme fonte de riqueza”. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Timor-Leste - Exposição em Díli desafia visitantes a redescobrir 800 anos de literatura portuguesa

O Centro Cultural Português em Díli inaugurou esta semana uma exposição com as 30 grandes obras de autores portugueses para indignar as pessoas, provocar o debate e a revisitação da história da literatura portuguesa

© DR

Imaginada há um ano pelo embaixador de Portugal em Díli, Duarte Bué Alves, a exposição foi montada pela curadora Maria João Branco, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Denominada “Desfralda na tua alma o inventário – 30 Clássico da Literatura Portuguesa”, a exposição foi buscar o título a um verso do poeta Ruy Cinnati, que viveu em Timor-Leste entre 1946 e 1947 e de 1951 a 1955, tendo regressado uma última vez em 1966, antes de ser proibido de voltar à ilha por Salazar.

Maria João Branco explicou à Lusa que a ideia e o desejo da exposição é provocar um “debate sobre a literatura portuguesa, mas também, e sobretudo, uma releitura” dos livros expostos e uma “revisitação da história da literatura portuguesa”.

“A exposição está concebida cronologicamente, mas a ideia não é deixar as obras reféns da sua época, pelo contrário, o passado tem futuro, é um exercício de liberdade, a releitura e recriação daqueles que continuamos a chamar hoje os clássicos”, disse Maria João Branco, salientando que é também uma “homenagem à língua portuguesa”.

A exposição inclui peças de arte contemporâneas, como, por exemplo, a música do compositor João Madureira, um pequeno filme de João César Monteiro sobre Sophia de Mello Breyner e a declamação da poesia de Herberto Hélder por Luís Miguel Cintra.

“Penso que são maneiras de reanimar a língua, que, na verdade, é um organismo vivo e temos essa responsabilidade e também essa liberdade de o fazer constantemente”, afirmou a curadora.

Desde as Cantigas de Amigo até Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares, a exposição conta 800 anos de história da literatura portuguesa.

“Esta lista é uma lista possível, mas cada pessoa que fizesse esta reflexão teria a sua própria lista”, explicou o embaixador de Portugal.

“O que nós queremos fazer é lançar um desafio, um debate, é que as pessoas atravessem esta exposição e acabem indignadas, porque falta o livro do autor A, B ou C, porque o livro preferido é X, Y, Z”, disse Duarte Bué Alves, salientando que o importante é as pessoas fazerem o exercício do que leram e do que podem ler.

Todos os livros expostos podem ser requisitados na biblioteca do Centro Cultural Português.

A exposição, inaugurada na quarta-feira com a presença do Presidente timorense, José Ramos-Horta, já recebeu centenas de visitantes, incluindo alunos de várias escolas.

“Se nós conseguirmos que nas escolas em Timor-Leste haja um ou outro debate sobre o que estes livros ou esta lista significa, para mim, cumprimos o objetivo”, acrescentou o embaixador de Portugal.

A exposição vai estar patente ao público durante todo o mês de novembro e o livro e o autor em falta podem ser escritos num quadro no final da visita. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”