Em 2025, o Governo da RAEM contava com
363 funcionários da carreira de intérprete-tradutor, maioritariamente de
Chinês-Português, revelou a Direcção dos Serviços de Administração e Função
Pública (SAFP) ao Jornal Tribuna de Macau. Isto significa que o número de
intérpretes-tradutores na Função Pública sofreu uma quebra de 12,3% (menos 51
pessoas) nos últimos cinco anos, tendo em conta os 414 registados em 2021.
Relativamente ao volume de serviços de tradução, os SAFP
observam que, “com o rápido desenvolvimento de modelos linguísticos de grande
escala nos últimos anos, a tecnologia de tradução por inteligência artificial
está a servir como uma ferramenta de forte apoio na tradução a diversos
interessados em diferentes contextos”.
Ainda assim, de um modo geral, em termos dos serviços
prestados pela Divisão de Tradução do então Departamento dos Assuntos
Linguísticos dos SAFP, o volume de tradução no ano transacto foi semelhante ao
de 2021. Actualmente, esta Divisão disponibiliza serviços de tradução escrita
de documentos, de Chinês para Português e vice-versa, bem como serviços de
interpretação simultânea ou consecutiva nas duas línguas, prestados in loco em
reuniões oficiais ou cerimónias públicas, aos serviços e entidades públicos que
necessitam de apoio nessa área.
Entre 2019 e 2021, os SAFP realizaram três edições do
“Programa de Aprendizagem de Tradução e Interpretação das Línguas Chinesa e
Portuguesa”, que aliviaram “consideravelmente a escassez de recursos humanos
nesta área”.
Questionado sobre se planeia voltar a lançar iniciativas
semelhantes, o organismo sublinhou que, seguindo as linhas de acção governativa
de “elevação do nível de precisão na gestão para melhor valorização dos
recursos humanos”, irá “analisar, com base nas necessidades reais, a
possibilidade de uma nova implementação do programa”.
Segundo alguns comunicados dos SAFP, nas três edições do
programa, um projecto com uma concepção nova, foram formados, no total, cerca
de 60 intérpretes-tradutores das línguas chinesa e portuguesa. Os formandos são
divididos em dois grupos, com um grupo a deslocar-se para a Bélgica e Portugal
para aprender técnicas de interpretação de conferência e outro a deslocar-se
para a Universidade de Estudos Internacionais de Xangai para adquirir
conhecimentos de língua chinesa e de tradução Português-Chinês.
Antes disso, o Governo da RAEM organizou, desde 2005, em
conjunto com a Direcção-Geral da Interpretação da Comissão Europeia, três
edições do Seminário de Formação de Tradução e Interpretação das Línguas
Chinesa e Portuguesa para Conferências, com 12 participantes a concluírem o
curso. Entre 2010 e 2013, dando continuidade à cooperação com aquela
instituição europeia, promoveu quatro edições do Programa de Formação de
Tradução e Interpretação das Línguas Chinesa e Portuguesa. Por último, entre
2013 e 2017, foram realizadas mais três edições do Programa de Aprendizagem de
Tradução e Interpretação das Línguas Chinesa e Portuguesa. Com estes dois
programas, foi dada formação a cerca de 60 tradutores de Chinês-Português.
Segundo estatísticas disponíveis na “Plataforma de Dados
Abertos do Governo da RAEM”, a RAEM contava em 2025 com 33.856 funcionários
públicos (incluindo o Chefe do Executivo, titulares dos principais cargos,
trabalhadores das fundações e outros organismos públicos sujeitos ao regime de
direito privado).
Este jornal tentou saber o número de funcionários
públicos que dominam a língua portuguesa, tendo os SAFP sugerido uma pesquisa
na referida plataforma, “onde são disponibilizados, em formatos padronizados,
dados estatísticos detidos por cada serviço público”. No entanto, a informação
solicitada não foi encontrada na plataforma.
Numa segunda resposta, o organismo referiu apenas que
“não tem mais a acrescentar” sobre o número de funcionários públicos que
dominam a língua portuguesa.
A Plataforma mostra que, entre 2016 e 2022, o número de
funcionários públicos que nasceram em Portugal seguiu uma tendência de
diminuição contínua, tendo caído de 320 para 226. Em 2023, o número de
funcionários nascidos em Portugal subiu para 257. Voltou a cair para 246 em
2024 e atingiu novamente 226 em 2025.
Formação ininterrupta em Português
No que concerne às acções de formação de língua
portuguesa para os trabalhadores dos serviços públicos, os SAFP salientaram a
organização de três workshops práticos destinados aos
intérpretes-tradutores em 2025.
Segundo esclareceram, o corpo docente dos cursos de
formação de português e de tradução é composto por pessoal com experiência
prática dos SAFP e formadores profissionais do Instituto Português do Oriente.
Informações divulgadas na “Plataforma de Dados Abertos do
Governo da RAEM” indicam que a formação linguística dos SAFP, relacionada com o
português, engloba três cursos: Língua Portuguesa (lançado em 2000), Língua
Portuguesa para as Forças de Segurança de Macau (FSM) (que se estreou em 2002)
e Língua Chinesa e Língua Portuguesa (Interpretação-Tradução), criado em 2009.
Os primeiros dois cursos têm sido promovidos de forma contínua durante mais de
duas décadas, todavia, na Plataforma, não há dados sobre o curso de Língua
Chinesa e Língua Portuguesa (Interpretação-Tradução) de 2011 a 2016.
Em 2017, este curso de tradução voltou a ser realizado,
continuamente, até 2024. Relativamente ao ano passado, só há dados sobre os
cursos de Língua Portuguesa e de Língua Portuguesa para as FSM.
Sem responder se foi cancelada a formação em
interpretação-tradução nas línguas chinesa e portuguesa em 2025 e se voltará a
ser promovida no futuro, os SAFP apontaram que “as matérias abordadas nos
cursos são ajustadas consoante as necessidades decorrentes da reforma da
Administração Pública, das funções dos serviços e do desenvolvimento dos
trabalhadores dos serviços públicos, reforçando-se assim a sua pertinência e
utilidade”.
Nesse sentido, asseguraram que “irão continuar a
organizar diversos tipos de workshops de acordo com as necessidades,
concretizando as linhas de formação orientada para a prática”. Quanto à
avaliação da eficácia dessas acções de formação, garantiram que, “depois de
concluído cada curso, é realizado um questionário de avaliação, de modo a aperfeiçoar
o futuro planeamento de formação”.
Os SAFP prometeram ainda continuar a desenvolver diversos
trabalhos, alinhando-se com o posicionamento de Macau como plataforma de
serviços para a cooperação comercial sino-lusófona. Na última meia década, o
Governo “tem participado activamente no estabelecimento da Grande Baía
Guangdong-Hong Kong-Macau, aprofundando o intercâmbio internacional e
reforçando ainda mais o papel singular de Macau como ‘interlocutor de precisão
entre a China e os Países de Língua Portuguesa’”, acentuaram.
Nos últimos cinco anos, o número de acções do curso de
“Língua Portuguesa” oscilou entre 17 e 30, o número de formandos entre 143 e
244 e a carga horária entre 1825 e 3680 horas. Em 2025, os SAFP organizaram 18
acções de formação em Língua Portuguesa, com duração de 1825 horas, para 170
formandos.
Quanto ao curso “Língua Portuguesa para as FSM”, o pico
do número de acções foi de 24 nos últimos cinco anos, registado em 2023. Nesse
ano, o curso juntou 628, quase 1,7 vezes do número registado em 2022.
Em 2024, o pessoal das FSM que recebeu a formação dos
SAFP em Português continuou a aumentar, tendo atingido 646, antes de diminuir
para 573 em 2025. Na vertente da carga horária, no ano passado, os formandos
cumpriram 366 horas, num total de 21 acções.
Ao Jornal Tribuna de Macau, os Serviços de Alfândega (SA)
referiram que, na fase de formação de integração para alfandegários, dispõem
sempre de um curso de português. “A Alfândega tem encorajado activamente o
pessoal a participar na formação contínua, sendo a formação em serviço na
língua portuguesa que o pessoal da Alfândega recebe coordenada e prestada pelos
SAFP, podendo todo o pessoal inscrever-se livremente”, responderam os SA.
Na mesma linha, o Corpo de Polícia de Segurança Pública,
a Polícia Judiciária, o Corpo de Bombeiros e a Escola Superior das Forças de
Segurança asseguram todos que a formação em serviço em Português para o seu
pessoal é coordenada e proporcionada pelos SAFP, “podendo todos os colegas
inscrever-se de forma livre”.
Já quanto ao curso “Língua Chinesa e Língua Portuguesa
(Interpretação-Tradução)”, realizaram-se duas acções de formação tanto em 2021
como em 2022, e uma em 2023 e 2024. Entre 2021 e 2024, os formandos desse curso
fixaram-se em 23, 15, 11 e 15, respectivamente. Já a carga horária diminuiu
continuamente de 100 horas em 2021 para 30 em 2024. In “Jornal
Tribuna de Macau” - Macau