Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 12 de maio de 2026

Suíça – Cidadãos podem aprovar limite populacional inédito e frear imigração no país

A pouco mais de um mês da votação nacional de 14 de junho, o resultado da iniciativa sobre imigração “Não aos dez milhões” ainda é incerto. O referendo contra a reforma do serviço civil conta com uma maioria apertada        


As campanhas estão lentamente a ganhar força, mas, neste momento, o resultado da votação sobre a limitação da população suíça a dez milhões ainda é incerto.

“Observamos um impasse em todos os níveis”, afirma Lukas Golder, do instituto gfs.bern, que realizou a pesquisa em nome da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SRG SSR), empresa controladora da Swissinfo.

O alto grau de polarização é demonstrado pelo facto de que a opinião dos eleitores já está, em grande medida, consolidada. Cerca de 79% dos entrevistados manifestaram a firme intenção de votar a favor ou contra a proposta. Embora se observem certas diferenças em função da idade, do género ou do rendimento, estas são, em geral, moderadas, afirmou Golder. A filiação partidária é um indicador fundamental.

Aqueles que apoiam o Partido Popular Suíço, de direita, estão praticamente unidos em torno da iniciativa, enquanto os de esquerda se opõem a ela de forma igualmente clara. No entanto, ela é controversa no centro político.

Os indecisos, que atualmente representam 6%, têm, portanto, um papel importante a desempenhar, assim como a capacidade de mobilização dos dois campos. Com 50%, a participação eleitoral prevista está acima da média de longo prazo de 47,1%.

“A mobilização é a grande questão nesta proposta”, afirma Golder.

O quadro é diferente para os cidadãos suíços no exterior: 55% são contra ou um pouco contra, e a proporção dos que são (um pouco) a favor é significativamente menor do que na Suíça, ficando em 38%.

“Esse é um padrão típico, já que a comunidade suíça no exterior tende a ver oportunidades quando se trata de imigração”, diz Golder. Mas também aqui a proporção de eleitores indecisos é da mesma ordem de grandeza que na Suíça.

Quando questionados sobre sua avaliação quanto à possibilidade de a iniciativa ser aprovada, uma maioria muito estreita de 51% dos entrevistados acredita que ela será rejeitada. A campanha ganhará agora força – pode-se esperar um resultado extremamente acirrado.

O argumento apresentado pelos defensores da iniciativa, de que a infraestrutura suíça está sobrecarregada devido ao crescimento populacional, é o mais convincente na pesquisa. Também é significativo o argumento de que o crescimento precisa ser limitado para proteger os recursos naturais.

Os argumentos mais convincentes dos que se opõem à iniciativa incluem as relações bilaterais com a UE, que não devem ser comprometidas, ou seja, a livre circulação de pessoas. Também é significativa a questão da mão de obra qualificada e da prosperidade da Suíça, que ficariam ameaçadas por um limite à população.

Estima-se que ambos os lados invistam um valor recorde de 15 milhões de francos suíços (19,25 milhões de dólares) na campanha – sendo que os opositores gastarão um pouco mais. As associações empresariais, os sindicatos e o Partido Socialista são os que mais gastam, enquanto o Partido Popular Suíço é o principal financiador da campanha pelo “sim”.

Uma pequena maioria é a favor da reforma do serviço civil

A primeira pesquisa mostra uma maioria de 52% a favor da alteração da lei do serviço civil. A esquerda, em particular, se opõe à medida, o que não é de se surpreender – ela também lançou um referendo contra a alteração prevista na lei.

“No entanto, a opinião pública aqui é muito menos estável do que no caso da iniciativa dos dez milhões”, afirma Martina Mousson, da gfs.bern. Esta proposta não está no centro das atenções.

O governo suíço e a maioria dos parlamentares consideram que há muitos homens prestando serviço civil em vez do serviço militar.

“Daria para pensar que existe uma escolha livre entre o exército e o serviço civil”, afirmou o presidente suíço Guy Parmelin antes da revisão da lei. No entanto, em teoria, o serviço civil deveria ser a exceção e não uma alternativa.

De acordo com a pesquisa, a segurança a longo prazo do exército é o argumento mais forte a favor do projeto de lei, que prevê maiores barreiras de acesso ao serviço civil.

“O contexto geopolítico, naturalmente, desempenha um papel importante na campanha”, afirma Mousson.

A oposição no exterior é tão forte quanto a da Suíça. Em contrapartida, o lado (mais) favorável é significativamente mais fraco, com 43%. No entanto, com 16%, a proporção de eleitores indecisos também é significativamente maior do que na Suíça.

No caso de propostas governamentais, a proporção a favor tende a aumentar durante a campanha, mas a posição inicial permanece em aberto. Como a vantagem é limitada e a formação da opinião ainda não está muito avançada, pode muito bem haver mudanças na fase da campanha.

O foco está no efeito de mobilização da iniciativa de imigração “Não aos dez milhões”. A dinâmica e as discussões em torno dessa campanha ainda podem influenciar a formação da opinião sobre a reforma proposta do serviço civil.

Os resultados da segunda pesquisa da SRG SSR serão publicados em 3 de junho. Giannis Mavris – Suíça in “Swissinfo”




UCCLA - Apresentação de série documental sobre São Tomé e Príncipe

A UCCLA vai acolher, no dia 14 de maio, às 17h30, a apresentação da série documental “Africanko São Tomé e Príncipe”, uma produção da RTP África que convida o público a descobrir a riqueza cultural, turística e humana do arquipélago de São Tomé e Príncipe.


Composta por oito documentários, a série revela paisagens, tradições, histórias e o potencial deste país, promovendo uma viagem autêntica pelo património e identidade santomense.

A sessão terá lugar no auditório da UCCLA e a entrada é livre.

Veja o trailer através da ligação https://we.tl/t-9FvHgtvnWjj0qGOX


Angola - José Luís Mendonça exalta a poesia contemporânea em nova obra literária

O escritor angolano José Luís Mendonça lançou, recentemente, em Luanda, a obra literária “30 Odes – Pouco ou Nada Ortodoxas”, um livro que reúne poemas escritos de um jeito fora do comum, em que os detalhes da vida aparentemente desinteressantes tornam-se o epicentro mais importante da linguagem poética

Com cerca de 63 páginas, a obra é uma exaltação à poesia contemporânea na medida em que o autor procura expressar com eloquência a grandeza das coisas mais insignificantes da vida e lhes atribui uma importância indispensável na linguagem poética.

Ao falar a este jornal, durante a venda e sessão de autógrafo, no Centro Cultural Camões, em Luanda, José Luís Mendonça disse que o seu livro se diferencia na poesia comum ou tradicional pelo facto de apresentar uma linguagem mais meticulosa e destacar coisas que a mente humana considera insignificantes.

“Geralmente toda a poesia começa com a canção, mesmo a poesia tradicional começou como uma canção, e evoluiu depois para a escrita, e, nesta minha obra, recorro a este estilo peculiar da poesia, exalto coisas que para outra pessoa podem parecer insignificantes, mas que, para mim, têm muito sentido e uma relevante importância”, explicou o autor.

A “ode”, salienta o autor, é uma composição que nasceu na Grécia antiga, há quase 3 mil anos, antes da nossa era. “Ela tem a característica de exaltar uma coisa simples ou insignificante da vida, mas dando-lhe uma abordagem esbelta, uma exaltação geralmente dada aos deuses”.

Quanto à escolha do título da obra, José Luís Mendonça justifica que 30 se refere ao número de poemas que compõem o livro, já o “odes” tem a ver com o estilo de escrita poética que decidiu adoptar na obra e que remete a uma exaltação à poesia contemporânea no seu estado mais genuíno.

Questionado sobre o que o inspirou a escrever uma obra com estas características fora do habitual, o autor referiu que a intenção é de recuperar as técnicas antigas e genuínas de fazer poesia.

José Mendonça considera estar a viver um estado de “xinguilamento poético” (êxtase) que o leva a sair do comum e repensar a poesia no seu sentido lacto.

“Esta é uma obra que exalta as coisas mais simples da vida e exalta o meu sentimento em relação a estas coisas. É uma série de exercícios de escrita poética, o que faço neste livro, mas tem um pendor muito presente de filosofia”, observou. In “O País” - Angola


Angola - Colóquio sobre história e desafios ganha palco no Dondo

Com o objectivo de celebrar o 53.º aniversário da cidade do Dondo, sede do município de Cambambe, a assinar-se a 29 de Maio, foi realizado um colóquio dedicado à reflexão sobre a história e os principais desafios da cidade.


Considerada uma das localidades históricas mais importantes da província do Cuanza-Norte, o evento, decorrido sob o lema “Dondo, Terra de Cultura, Trabalho e Esperança” reuniu, no Sábado, diversas individualidades daquela região. O encontro permitiu aos participantes destacaram o valor histórico do Dondo, cuja origem remonta ao antigo reino do Ndongo, tendo sido um dos maiores centros comerciais da região no século XVI.

A cidade ganhou notoriedade pela realização da tradicional Feira do Dondo, importante ponto de intercâmbio comercial e cultural. Durante o evento, o historiador Edgar Marcolino destacou o processo de surgimento da cidade do Dondo, desde o povo amento pré-colonial da região, as migrações Bantu e a formação do Reino do Ndongo pelo povo Ambundu. Abordou também a origem do nome da cidade e à diversidade cultural que caracteriza a região.

Já o historiador Andelson Victor André apresentou uma reflexão sobre a presença colonial no Dondo, destacando o seu impactos sociais, cultural e históricos na construção da identidade local. Por sua vez, o escritor François Philstega, um dos prelectores, centrou a sua intervenção nos desafios contemporâneos da cidade, com enfoque nos sectores da educação, saúde, cultura e tecnologia.

Defendeu a necessidade das novas gerações estarem preparadas para responder às exigências de um mundo em constante transformação. A actividade proporcionou um espaço de partilha de conhecimentos e interação entre os palestrantes e os participantes, reforçando o compromisso das autoridades locais com a valorização da história, da cultura e do desenvolvimento sustentável da cidade do Dondo.

Os prelectores recordaram ainda que o Dondo foi, até à década de 1980, um dos principais pólos industriais de Angola, com destaque para as indústrias têxtil, de bebida e o comércio local. A reactivação de algumas unidades industriais, como a antiga fábrica Satec, actualmente denominada Comandante Bula, foi apontada como um sinal de recuperação económica da região.

Apesar do potencial económico e histórico, os participantes abordaram vários desafios que afectam actualmente a cidade, entre os quais a degradação de infraestruturas. Os munícipes defenderam também maior investimento em programas de educação patriótica, preservação dos monumentos históricos e promoção do turismo cultural, para transformar o Dondo num importante destino turístico e económico da província.

A palestra terminou com um apelo à participação activa da juventude na preservação da memória histórica do município e na busca de soluções para os desafios sociais e económicos que afectam a cidade. In “O País” - Angola


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Portugal - Departamento de Arquitetura mantém atividade plena noutros espaços da Universidade de Coimbra

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) informa que está concluído o processo de reorganização das atividades do Departamento de Arquitetura (DARQ), na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin e do início da empreitada de requalificação do Colégio das Artes, que até então era sede do Departamento. Está garantido o pleno funcionamento do DARQ noutros espaços da Universidade de Coimbra (UC), com todas as condições para os estudantes que frequentam o Departamento ou nele vão ingressar no próximo ano letivo.


Em resultado do esforço conjunto de toda a comunidade académica, para assegurar a continuidade das atividades com normalidade e o mínimo de perturbação possível, foi garantida a resposta coordenada e a mobilização de recursos que garantem o funcionamento pleno do DARQ, enquanto a utilização do Colégio das Artes estiver condicionada. As suas atividades estão neste momento distribuídas por diferentes espaços do Polo I da UC, como os Colégios de Jesus, de São Bento e das Artes [ala poente] e os Departamentos de Matemática, Física e Química.

Já as atividades do curso de Design e Multimédia da FCTUC, que também estava sediado no Colégio das Artes, foram transferidas para o Departamento de Engenharia Informática, no Polo II da UC.

“Com o esforço conjunto de toda a comunidade, envolvendo a colaboração de muitas Unidades Orgânicas e Unidades de Extensão Cultural e Apoio à Formação, foi possível resolver o impacto significativo que a tempestade Kristin e as intempéries que se seguiram tiveram em vários edifícios da UC. No caso concreto do Colégio das Artes, não posso deixar de sublinhar a estreita colaboração entre a FCTUC e a Reitoria, sempre envolvendo o DARQ, e o contributo solidário das Unidades que agora acolhem as atividades relocalizadas”, afirma o Vice-Reitor para o Património, Edificado e Turismo da UC, Alfredo Dias.

O Diretor da FCTUC, Edmundo Monteiro, refere “o empenho e a resiliência de toda a comunidade DARQ e a colaboração de vários departamentos que, em articulação com o Gabinete Técnico da FCTUC e a Reitoria, tornaram possível restabelecer rapidamente as condições necessárias ao funcionamento das atividades”.

Luís Miguel Correia, Diretor do DARQ, sublinha que, “atendendo aos efeitos da depressão Kristin verificados em janeiro no Colégio das Artes, foram muitos os desafios colocados à Reitoria da UC, à Direção da FCTUC e à comunidade do DARQ”, exigindo a reorganização do Departamento e a garantia de instalações adequadas para acolher aulas teóricas, práticas e laboratoriais, bem como outras atividades académicas e científicas dos cursos de Arquitetura e de Design e Multimédia.

O Diretor reconhece que, “cerca de dois meses depois, a vida do DARQ se aproxima do seu funcionamento regular, apesar dos condicionalismos”, sublinhando a importância de “instalações que promovam a aprendizagem e o trabalho coletivo, sem dispersão”, e expressando confiança de que os esforços em curso permitirão melhorar as condições no próximo ano letivo. Enaltece ainda a “paciência e resiliência da comunidade do DARQ” ao longo deste período.

Ao mesmo tempo que foram asseguradas as condições necessárias ao normal desenvolvimento das atividades do DARQ, foi também iniciada a primeira fase das obras de requalificação do Colégio das Artes, incindindo na ala norte do edifício, com um investimento de cerca de quatro milhões de euros. “A Reitoria vai continuar a trabalhar até ao limite da sua capacidade de ação, como tem feito desde 2019, em estreita articulação com a FCTUC, para concretizar as soluções robustas e duradouras pelas quais todos ansiamos”, conclui o Vice-Reitor Alfredo Dias. Universidade de Coimbra - Portugal


Portugal - Feira Medieval recordou Dinastia de Avis

A recriação histórica da Dinastia de Avis foi o grande destaque da Feira Medieval Ibérica de Avis, distrito de Portalegre, que decorreu no centro histórico daquela vila, durante todo o fim-de-semana.


Em comunicado, a Câmara de Avis, que promove este evento anual, explicou que a feira, que se realizou até domingo, sob o tema “Avis, a Dinastia”, fez este ano uma “abordagem aprofundada” à afirmação da Dinastia de Avis, “explorando diferentes momentos, figuras e estratégias” que marcaram este período da História de Portugal.

Anteriormente, em declarações à agência Lusa, a vereadora da Cultura na Câmara de Avis, Telma Bento, indicou que eram esperados nos três dias do evento “entre 15 e 20 mil visitantes”.

Com entrada livre, a autarca destacou que a feira contou “com cinco tasquinhas de restauração, de âmbito local, nove produtores e oito artesãos, também da região, e cerca de 50 inscrições de mercadores e artesãos de fora do concelho”.

“Para nós, um evento como este ou de natureza semelhante tem um impacto significativo na nossa economia, porque dinamiza o comércio, a restauração, o alojamento e, por outro lado, promover nacionalmente e mesmo internacionalmente os nossos produtores, os nossos artesãos e agentes económicos”, salientou.

Na sexta-feira, o certame foi inaugurado ao fim da tarde, estando em destaque no âmbito do programa temático “A Ordem: Comendas, Comendadores e Reuniões Capitulares”, dedicado à génese e organização da Ordem de Avis enquanto instituição militar e religiosa na estruturação do território. “Depois, a Feira Medieval Ibérica arrancou com um cortejo inaugural, que introduz o ambiente medieval e apresentou as diferentes figuras históricas presentes no evento”, disse o município.

Ao longo da noite, continuou, o público pôde “assistir a recriações evocativas da vida conventual e militar, complementadas por animação itinerante, teatro de rua e espectáculos de fogo”.

No sábado, esteve em destaque o tema “Leonor e Fernando III da Alemanha: uma imperatriz no reforço das políticas matrimoniais da Casa de Avis”, focado nas alianças matrimoniais enquanto estratégia de afirmação internacional. “A figura de D. Leonor de Portugal, imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico, surge como elemento central desta narrativa, evidenciando o papel das mulheres da dinastia na consolidação de relações entre casas reais europeias” explicou a autarquia.


Ao longo do dia, tiveram lugar recriações históricas e encenações que ilustravam estas alianças, num ambiente marcado por uma “forte componente cénica e simbólica”.

Já no domingo, o tema principal girou em torno de “D. Afonso V, o Africano, e a Beltraneja”, abordando um dos períodos mais conturbados da história daquela dinastia, centrado no reinado de D. Afonso V e nas disputas sucessórias que marcaram o final do século XV.

“A evocação da figura da chamada ‘Beltraneja’ introduz o contexto de conflito político e dinástico, proporcionando recriações que cruzam intriga, poder e legitimidade”, disse a organização.

Ao longo dos três dias, a Feira Medieval Ibérica de Avis contou ainda com torneios de armas a cavalo, espectáculos de fogo, teatro de rua e animação itinerante, danças e folias medievais, mercado medieval e tabernas, habitualmente alvo de interesse dos turistas.

Por outro lado, e à margem da popular Feira, a organização destacou, na sexta-feira, uma “Ensinança da arte de bem cozinhar o gado das Comendas da Ordem”, com o cozinheiro Fábio Bernardino, no Terreiro do Convento.

Na tarde de sábado, o município destacou a realização da conferência “D. Leonor de Portugal e Frederico III da Alemanha – Um Matrimónio Imperial”, no Centro Interpretativo da Ordem de Avis, com a Drª Maria Helena Cruz Coelho, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigadora do Centro de História da Sociedade e da Cultura. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”




Portugal – Universidade do Porto lidera estudo para mitigar desigualdades no acesso à Saúde

Trabalho inovador, coordenado por investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, vai estar em destaque na oitava sessão do Centro de Conferências da U.Porto


É possível mitigar as desigualdades no acesso à Saúde. Para tal, um grupo de investigação liderado por Sílvia Fraga, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), está a estudar e a procurar determinar as causas estruturais que moldam a saúde da população do Porto, freguesia a freguesia, a fim de procurar soluções que permitam, a nível global, corrigir também a reprodução desta injustiça.

O trabalho realizado pelo grupo de investigação em “Adversidade Social e Desigualdades em Saúde” do ISPUP vai ser apresentado por Sílvia Fraga na oitava sessão do Centro de Conferências da U.Porto, que terá lugar no dia 21 de maio, às 17h00, no Salão Nobre da Reitoria.

Intitulada “Justiça social e equidade em saúde: o que o Porto nos está a ensinar”, a conferência mostrará de que modo esta investigação, realizada à microescala do tecido urbano da cidade, permite inferir dados com possível impacto global. Sílvia Fraga defende, aliás, que as desigualdades em saúde “são evitáveis e injustas”, exigindo, por isso, «uma abordagem centrada nas condições de vida ao longo do seu curso».

Deste modo, a investigação realizada no Porto constitui “um laboratório privilegiado e único para a investigação das desigualdades em saúde”, possibilitando a obtenção de “informação e conhecimento novos”. Esta “base empírica” sustenta, por outro lado, uma “reflexão que, partindo do tecido da cidade, permite inferir globalmente”, explica a também docente da Faculdade de Medicina da U.Porto (FCUP).

Doutorada em Saúde Pública pela U.Porto (2013) e licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior de Serviço Social do Porto, Sílvia Fraga foi, entre 2016 e 2018, investigadora no Instituto de Medicina Preventiva da Universidade de Lausanne, na Suíça. É agora investigadora auxiliar no ISPUP, centrando a sua atividade na análise dos determinantes sociais da saúde, com enfoque na origem e na formação das desigualdades em saúde ao longo da vida

Sílvia Fraga é também membro integrado na Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit), onde coordena a pesquisa sobre “Sindemias, desigualdades em saúde e populações vulneráveis” no Laboratório de Investigação Integrativa e Translacional em Saúde Populacional (ITR). Lidera ainda o grupo de investigação “Adversidade Social e Desigualdades em Saúde”, centrado na compreensão dos mecanismos e processos envolvidos na produção de desigualdades em saúde desde as fases iniciais da vida. É vogal da Direção do ISPUP desde 2023.

Com entrada livre e aberta ao público em geral, a sessão terá também transmissão, em direto, através do canal YouTube da U.Porto.

Sobre o Centro de Conferências da U.Porto

Criado em julho de 2025, o Centro de Conferências da Universidade do Porto tem como missão afirmar a U.Porto como espaço privilegiado de diálogo e reflexão crítica e cívica sobre os grandes desafios da atualidade, envolvendo a comunidade académica, os decisores públicos e a sociedade civil.

O Centro é coordenado por Luís Valente de Oliveira e Elisa Ferreira, antigos docentes da U.Porto, e conta com um programa regular de sessões, em que são abordados  temas diretamente relacionados com as mais diversas áreas de estudo, da geopolítica à tecnologia, passando pela economia, o urbanismo, as artes, a saúde ou o desporto.

As sete primeiras sessões tiveram como temas a proposta de requalificação da Via de Cintura Interna do Porto desenvolvida por investigadores da FCUP, o trabalho inovador desenvolvido pelo IPO Porto, os desafios da inteligência artificial, os riscos geopolíticos para as empresas, a crise habitacional da cidade do Porto, a alteração dos programas financeiros plurianuais da União Europeia e o percurso do “unicórnio” tecnológico Feedzai. Universidade do Porto - Portugal