Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 4 de maio de 2026

O ombro como simbologia

Em seu mais recente livro, Raquel Naveira faz uma conexão íntima entre o “eu” lírico e a natureza em poemas e textos poéticos

                                                                                                            

                                                     I

Uma obra que explora a simbologia do ombro como lugar de refúgio, fardo e segurança é o que espera o leitor no mais recente livro de Raquel Naveira, poeta, romancista, contista, cronista, crítica literária, ensaísta e professora universitária sul-mato-grossense. Com um estilo marcado por grande sensibilidade, a autora apresenta em O ombro e outros textos poéticos (São Paulo Evoluce Editora, 2026) crônicas entremeadas por poemas sensíveis, em que transita por figuras históricas.

Entre essas figuras, a autora cita Dom Pedro II (1825-1891) , Napoleão Bonaparte (1769-1821), Paul Valéry (1871-1945), Pablo Picasso (1881-1973), Maria Antonieta (1755-1793), Gertrude Stein (1874-1946) e Carolina  Augusta Xavier de Novais (1835-1904), mulher de Machado de Assis (1839-1908), além de homenagear suas raízes pantaneiras junto às águas barrentas do rio Paraguai e uma escritora hoje praticamente esquecida, mas de grande importância para a literatura brasileira, Dinah Silveira de Queiroz (1911-1982), autora de A Muralha (1954), épico romance em que conta a história de uma família bandeirante que morava nos arredores da vila de São Paulo.

No posfácio, em artigo com o título “O lírio da poesia”, em que faz análise crítica do poema “Lírio”, de Raquel Naveira, Rosemary Ferreira de Souza, doutora em Letras: Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), faz observações tão pertinentes que podem ser extensivas aos demais textos do livro dessa que aponta como “uma das vozes mais significativas da poesia brasileira”. E lembra que Raquel Naveira “utiliza o lirismo para explorar questões essenciais e emocionais, estabelecendo uma conexão íntima entre o eu lírico e a natureza”.

De fato, como em “O lírio”, os demais poemas que acompanham os textos poéticos mostram uma estrutura e versos livres, que “proporcionam fluidez e musicalidade”, o que permite muitas interpretações. São poemas e textos poéticos introspectivos, que examinam a relação do ser humano com o mundo natural. E que, como diz a crítica, “são marcados por uma sensibilidade acentuada, onde cada palavra é escolhida com cuidado para evocar uma resposta emocional no leitor”.

 

                                                    II       

Dividido em três capítulos – “Ombro amigo”, “Ombro a ombro” e “Ombro rebelde” – , o livro mostra intertextualidade erudita, fazendo alusões a autores de obras clássicas, como Aristóteles (384a.C.-322a.C.), Goethe (1749-1832), Herman Hesse (1877-1962), Lev Tolstói (1828-1910), Pablo Neruda (1904-1973), Garcia Lorca (1898-1936) e Antonin Artaud (1896-1948),  além de referências a vários escritores que são ícones da literatura brasileira, como os poetas Hilda Hilst (1930-2004), Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Cassiano Ricardo (1895-1974), Álvares de Azevedo (1831-1852), Cora Coralina (1889-1985) e Manoel de Barros (1916-2014), e o romancista Aluízio Azevedo (1857-1913), entre outros.

Uma dessas figuras históricas é Paul Valéry, autor do poema “La jeune parque” (“A jovem parca”), em que o poeta francês, a propósito do pesado clima de pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1944), trata da luta da razão contra o apelo da carne, a sensualidade, e do qual Raquel Naveira retirou algumas expressões para compor o seu poema “As parcas”. Em seu texto, a poeta lembra que as parcas, na mitologia romana, são três deusas irmãs que tecem, medem e cortam a vida dos seres humanos, determinando o destino de nascimento à morte. Eis o trecho final desse poema:

(...) Somos três as Parcas, / Duras e impiedosas, /Filhas da Necessidade, / Lei que rege as mudanças, / Que planta e ceifa / As contínuas esperanças. / Somos três as Parcas, / Fixando símbolos, / Plantando sementes / Nos campos das mentes / Que lavramos. / Somos três as Parcas, / Somos três as |Moiras: / Índia, / Negra, / Ibérica, / Marcas deste continente / Que se fez América.

Como são textos em que a autora transforma história e memória em exercícios de intimidade, vale ressaltar a crônica na qual parece confessar um fracasso pessoal, ao reconhecer um último revés na vida, talvez por não ter tido coragem de partir. É o que se lê na crônica intitulada “Naufrágios” em que não aparece nenhum poema propriamente dito, mas cuja poesia escorre nas linhas formais do texto:

“(...) Naufraguei porque aquele a quem amei infinitamente me tratou com insultos. Porque me desviei e caí nas rochas. Não entendo a razão desse ataque selvagem do Mal, eu que sempre usei a palavra como bússola. (...) Fraca e pequena, fui atirada na praia. Estou viva. O corpo iluminado pelo brilho dos pirilampos. Coberta de sangue e espuma. Em mim, ficou apenas o essencial”.

 

                                                   III

Outro texto que atrai a atenção por sua sensibilidade em absorver e perdoar as fragilidades humanas é “Pombinha” em que recorda a personagem de Aluísio Azevedo que leva esse nome no romance O cortiço (1890), sua obra-prima. A cronista lembra que, nessa obra, o autor conta a transformação moral e social pela qual passa a personagem, uma rapariga ingênua, filha de uma viúva portuguesa, que teria um futuro digno pela frente, de dona de casa talvez, mas que se deixa levar pela lábia de Léonie, uma prostituta francesa, culta e sofisticada, que a atrai para uma vida de degeneração moral e social.  Mais adiante, acrescenta: “Pombinha vira, ao final, uma nova Léonie: elegante, resoluta, disposta a levar outras pombinhas para as arapucas e gaiolas da prostituição”. E conclui com este poema:

“Não entregues ao gavião / A tua pombinha, / Tão simples, / Tão pura, / Defende-a das garras / Dessa agressão. / É outono, / Há sol nas folhas, / Ele a viu de longe, / Cheia da graça, / E desceu, / Caçador alado / Que mata aquela / Que deseja / Seu coração. / Não entregues ao gavião / A tua pombinha, / Alma nascida da fonte da memória. / Do bosque da sagração. / Poupa a pombinha, / Que ela voe / Em tua direção”.

À falta de espaço para analisar os demais poemas e crônicas, é de se repetir o que se lê no texto afixado na primeira aba do livro, ou seja, que “o ombro é lugar de refúgio e existência”. E que Raquel Naveira trata essa articulação complexa da vida, mesclando a densidade de sua poesia com o fluxo da crônica. E escolhe o ombro físico que todo o ser humano carrega para fazer um fecundo simbolismo, utilizando-o como metáfora do peso da vida que todos carregamos. Ou, como ela mesma diz, na crônica que abre o livro:

“(...) Quanta dimensão espiritual nos ombros. Quantas jornadas. Sobre os ombros são depositados os desafios, as cargas emocionais, os fardos, as responsabilidades, as adversidades. Pela posição curvada dos ombros, percebemos quando uma pessoa está sobrecarregada, escondendo algo, mascarando situações difíceis. Jesus carregou nos ombros a cruz em direção ao calvário e ela perfurou sua clavícula até o sangue. Também carregou a ovelha perdida que era eu”.

 

                                                        IV


Raquel Naveira (1957), nascida em Campo Grande, formada em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco (1976), em sua cidade natal, é mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2001), de São Paulo. Graduou-se em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy (1981), na França, e em Letras pela Universidade Católica Dom Bosco (1994), onde deu aulas de Literaturas Brasileira, Latina e Portuguesa por 19 anos e aposentou-se.

Residiu no Rio de Janeiro, onde lecionou na Universidade Santa Úrsula e, em São Bernardo do Campo-SP, na Faculdade Anchieta. Deu aulas também na pós-graduação da Universidade Nove de Julho (Uninove), de Comunicação Aplicada na Faculdade de Tecnologia em Hotelaria, Gastronomia e Turismo (Hotec) e na pós-graduação da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Ministrou palestras e cursos em escolas e em várias instituições culturais como Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade, em São Paulo. Na Academia Paulista de Letras, participou do Ciclo de Memória da Literatura, discorrendo sobre o trabalho das romancistas Maria de Lourdes Teixeira (1907-1989) e Stella Carr (1932-2008).

É autora de mais de 40 títulos de poesia, crônicas, ensaios e romances, entre eles: Abadia, poemas (Editora Imago,1996), e Casa de Tecla, poemas, obra indicada ao Prêmio Jabuti de Poesia, pela Câmara Brasileira do Livro. Escreveu o livro infanto-juvenil Pele de Jambo (1996) e o de ensaios Fiandeira (1992). Publicou os romanceiros Guerra entre irmãos (1993), poemas inspirados na Guerra do Paraguai (1864-1870), e Caraguatá (1996), inspirados na Guerra do Contestado (1912-1916), conflito armado entre os Estados de Santa Catarina e Paraná, a partir de luta entre posseiros e pequenos proprietários pela posse de um território.

É autora também de: Via Sacra (1989); Fonte Luminosa (1990); Nunca-Te-Vi (1991); Sob os Cedros do Senhor (1994); Canção dos Mistérios (1994); Mulher Samaritana (1996); Maria Madalena (1996); O Arado e a Estrela (1997); Rute e a Sogra Noemi (1997); Intimidades Transvistas (1997); e Senhora (1999), que recebeu o prêmio Jorge de Lima-Brasil 500 anos, concedido pela Academia Carioca de Letras e pela União Brasileira de Escritores (UBE), seção do Rio de Janeiro, em 2000.

Publicou ainda: Stella Maia e Outros Poemas (2001); Xilogravuras (2001); Maria Egipcíaca (2002); Casa e Castelo (2002); Tecelã de Tramasensaios sobre interdisciplinaridade (2005); Portão de Ferro (2006); Literatura e Drogase outros ensaios (2007); Guto e os Bichinhos (2012); Sangue Português (2012); Álbuns de Lusitânia (2012); e Jardim Fechadouma antologia poética (2016), livro comemorativo dos seus 30 anos de carreira literária.

Nos últimos tempos, lançou Leque Aberto (2020), Romanceiro de Cabeza de Vaca: o andarilho das Américas (2020) e Manacá (2021), crônicas em que mescla em prosa poética tradição e modernidade. Em 2022, publicou No Mundo Encantado de Luciana, infanto-juvenil e, em 2023, Mundo Guaranifragmentos de uma alma da fronteira, obra de memória que está entre a crônica, a novela e o romance e obteve o Prêmio João do Rio, da UBE-RJ, narrativa que traz à tona o universo da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, em que recupera suas vivências com a herança indígena ainda extremante forte na cidade de Bela Vista, na fronteira com o Paraguai, à beira do rio Apa.

Em 2024, lançou Ponto de Fuga & Outros Poemas (São Paulo, Inmensa Editorial), coletânea de poemas originalmente publicados em dez de seus livros, que reúne também peças inéditas, os chamados poemas “vegetais”, gênero que, aliás, já estava presente em obras anteriores. Em 2025, publicou Ursa Maior (São Paulo, Scortecci Editora), que reúne reflexões de uma mulher madura, sensível, amante das Letras e das Artes, à janela, diante de uma noite salpicada de estrelas, obra de gênero de difícil classificação, para a qual a autora arrisca como definição que seria um “romance em desordem, fragmentário, um amontoado de estudos”.

Pertence à Academia Sul-mato-grossense de Letras, à Academia Cristã de Letras, de São Paulo, à Academia de Letras do Brasil, de Brasília, à Academia de Ciências de Lisboa e ao PEN Clube do Brasil. Escreve para várias revistas e jornais como Correio do Estado-MS, Jornal de Letras-RJ, Linguagem Viva-SP, Jornal da ANE-DF e O Trem-MG, entre outros. Adelto Gonçalves – Brasil

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O ombro e outros textos poéticos, de Raquel Naveira, com posfácio de Rosemary Ferreira de Souza. São Paulo, Evoluce Editora, 112 páginas, R$ 58,35, 2026. E-mail da editora: vendas@editoraevoluce.com E-mail da autora: raquelnaveira@gmail.com

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´el-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2024), publicado na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br



Internacional - Estudo liderado pela UC deteta microplásticos e contaminantes químicos em aves marinhas subantárticas

Um estudo internacional liderado por investigadores do Centre for Functional Ecology (CFE) do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) detetou microplásticos e compostos químicos associados à produção de plásticos (aditivos) em aves marinhas que se reproduzem em regiões subantárticas, nomeadamente na Geórgia do Sul. Alguns destes compostos são reconhecidos como disruptores endócrinos.


Neste estudo, publicado na revista Journal of Hazardous Materials, foram analisados indivíduos de sete espécies de aves marinhas subantárticas, algumas das quais classificadas como vulneráveis ou em perigo de extinção. No total, foram identificadas 1275 partículas de origem antropogénica nos tratos gastrointestinais dos indivíduos analisados, correspondendo a uma média de cerca de 17 partículas por indivíduo.

“As análises revelaram que a maioria das partículas identificadas era de origem sintética (59%), em particular plástico. Foram também identificadas partículas de origem natural, como celulose e algodão, mas de origem industrial, podendo conter compostos adicionais, como corantes, que podem persistir no ambiente”, explica Joana Fragão, aluna de doutoramento em Biociências da FCTUC e do British Antarctic Survey, no Reino Unido.

O estudo analisou ainda a presença de compostos com potencial ação como disruptores endócrinos no fígado e no músculo das aves. Estes compostos, que podem interferir com o sistema hormonal, foram detetados, incluindo retardadores de chama, com concentrações mais elevadas no fígado.

“Os resultados evidenciam a presença simultânea de microplásticos e destes compostos em aves marinhas de regiões remotas, não tendo sido ainda estabelecida uma relação direta entre ambos nem avaliados os seus efeitos biológicos”, sublinha Filipa Bessa, coautora do estudo.

Ainda assim, os investigadores destacam que estes dados contribuem para uma melhor compreensão da exposição da fauna marinha a diferentes tipos de poluentes, sublinhando a importância de reforçar medidas internacionais que visem a redução da poluição marinha e a proteção da biodiversidade, incluindo a implementação de programas de monitorização de plásticos e contaminantes químicos, mesmo em ecossistemas considerados isolados. Universidade de Coimbra - Portugal


Portugal - CIIMAR deteta microplásticos em larvas de peixes logo após a eclosão

Estudo mostra que a quantidade de microplásticos nas larvas reflete diretamente os níveis deste poluente presentes no ambiente envolvente


Um estudo liderado por investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), publicado na revista Frontiers in Marine Science, demonstra pela primeira vez que as larvas de peixes em ambiente natural já contêm microplásticos imediatamente após a eclosão, antes mesmo de começarem a alimentar-se.

Os microplásticos estão hoje amplamente distribuídos no ambiente: de água, ao ar, no solo e até no interior de organismos vivos, incluindo seres vivos marinhos. No entanto, a maioria dos estudos até à data têm-se focado em peixes adultos, entre eles os que servem a alimentação humana. A história destes microplásticos porém permanecia desconhecida: faltava perceber quando começa, exatamente, esta contaminação ao longo do ciclo de vida.

Foi durante o seu doutoramento em Ciências do Meio Aquático, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da U.Porto, que Sabrina Rodrigues, investigadora no grupo Ecologia de Peixes e Sustentabilidade do CIIMAR, recolheu larvas de peixes selvagens diretamente no meio natural, e analisou a presença de microplásticos em todas as fases iniciais de desenvolvimento, incluindo o seu estádio mais precoce, logo após a eclosão.

Microplásticos em estádios precoces do desenvolvimento

Os resultados agora publicados pela equipa do CIIMAR no estudo “Are fish larvae contaminated before they start eating? First evidence of microplastic contamination in the yolk-sac of wild fish larvae” mostram que estes microplásticos já estão presentes em larvas com saco vitelino, uma fase em que os organismos ainda não abriram a boca nem iniciaram a alimentação.

“Os estudos anteriores sobre microplásticos em peixes limitavam-se, em grande parte, a organismos de laboratório ou centravam-se apenas em adultos que já se alimentavam ativamente. Este estudo foi diferente porque procurou perceber o que se passa durante todas as fases do desenvolvimento” explica Sabrina Rodrigues, primeira autora do estudo.

Os resultados indicam que a contaminação por microplásticos nesta fase não ocorre por ingestão, mas provavelmente por transferência da mãe para a descendência, através do ovo ou do vitelo, a substância nutritiva no ovo, composta sobretudo por proteínas e gorduras, para alimentar o embrião durante o seu desenvolvimento. Esta via de exposição nunca tinha sido, até agora, documentada em peixes selvagens.

“Enquanto investigadora, encontrar microplásticos em larvas que nunca tinham aberto a boca foi simultaneamente fascinante e preocupante. Percebemos que a poluição por plástico atinge os peixes desde o início da sua vida”, acrescenta a investigadora.

Uma relação direta com o ambiente

Mas os resultados não ficam por aqui. O estudo liderado pelas investigadoras do CIIMAR Sandra Ramos e Marisa Almeida, verificou ainda que a quantidade de microplásticos nas larvas reflete diretamente os níveis deste poluente presentes no ambiente envolvente. Ou seja, quanto maior a concentração de microplásticos na água, maior a contaminação nas larvas, independentemente da espécie, tamanho ou estádio de desenvolvimento.

“Os nossos resultados abrem uma nova linha de investigação, nomeadamente sobre a forma como os microplásticos podem ser transmitidos dos adultos para a sua descendência, como a saúde dos peixes é afetada desde essas fases iniciais e o que isso significa para os ecossistemas marinhos e a segurança dos produtos do mar”, refere Sandra Ramos, abrindo os horizontes para investigação futura.

Com este trabalho levantam-se assim novas questões científicas relevantes: quais são os impactos desta exposição precoce no desenvolvimento, crescimento e sobrevivência dos peixes? E de que forma esta contaminação inicial pode propagar-se ao longo da cadeia alimentar marinha?

Ao demonstrar que a exposição a microplásticos começa mais cedo do que se pensava, o estudo amplia a compreensão sobre a vulnerabilidade dos organismos marinhos e “reforça a necessidade de reduzir a poluição plástica nos oceanos numa altura que que o público já se parece ter tornado insensível às notícias sobre a poluição por plástico”, remata Marisa Almeida. Universidade do Porto - Portugal


Angola - Novo Jornal é o vencedor do Prémio Liberdade de Imprensa 2026

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) e o Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA-Angola), promotores do Prémio Liberdade de Imprensa, distinguiram, este domingo, 3, o Novo Jornal com o Prémio Liberdade de Imprensa 2026, pelo seu contributo "na construção efectiva da liberdade de imprensa em Angola"


Este ano, a organização do Prémio Liberdade de Imprensa homenageou, a título póstumo, o jornalista Fernando Chicapa, da Rádio Nacional de Angola no Bié.

A realização da 3.ª edição do Prémio Liberdade de Imprensa aconteceu na província do Bié, onde o Sindicato dos Jornalistas Angolanos encerrou a sua jornada de trabalho.

Nesta edição, a organização do prémio decidiu atribuir apenas duas distinções honoríficas, uma homenagem póstuma ao jornalista Fernando Chicapa, que morreu vítima de acidente em Fevereiro último, e outra ao Novo Jornal, enquanto vencedor.

Em 2024, o Novo Jornal recebeu uma menção honrosa na 1.ª edição do Prémio Liberdade de imprensa.

Entretanto, nesta edição, a organização do prémio anunciou também mudanças de regras de inscrição ao prémio.

Nas próximas edições, as candidatura e admissão de concorrentes serão feitas por sugestões, apresentadas por terceiros (individuais ou colectivos), devidamente fundamentadas, ou seja, fica eliminada a auto-candidatura.

Segundo a organização, os novos regulamentos serão disponibilizados nos próximos dias.

O Prémio Liberdade de Imprensa é um reconhecimento anual dos melhores trabalhos jornalísticos que promovem a liberdade de expressão e a democracia no País. De iniciativa do SJA em parceria com o MISA-Angola, o Prémio Liberdade de Imprensa Prémio foi instituído a 3 de Maio de 2023. In “Novo Jornal” - Angola


domingo, 3 de maio de 2026

Alemanha – Cidade de Berlim acolhe debate sobre o papel global da língua portuguesa

A embaixada de Portugal em Berlim, em colaboração com a Coordenação do Ensino do Português na Alemanha do Camões, I.P., vai assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa com a realização da segunda mesa-redonda subordinada ao tema “Língua Portuguesa: Dos Afetos ao Conhecimento”


A iniciativa terá lugar no dia 8 de maio, entre as 17h30 e as 20h30, nas instalações da embaixada, em Berlim, e pretende destacar o papel do português enquanto língua de ciência e produção de conhecimento, com enfoque no contexto académico alemão.

O encontro vai contar com a participação de especialistas, investigadores e representantes de várias instituições, que irão debater a relevância do português na investigação científica, na cooperação universitária e na promoção do multilinguismo.

Esta sessão constitui uma “oportunidade para reforçar a importância da língua portuguesa como veículo global de cultura, saber e desenvolvimento”, lê-se na página de Facebook da embaixada. Os interessados em participar podem obter mais informações ou inscrever-se através do endereço eletrónico cepe.alemanha@camoes.mne.pt. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo

A Embaixada de Portugal / Camões Berlim associa-se às comemorações que ocorrem, desde então, um pouco por todo o mundo, promovendo uma sessão dedicada à poesia lusófona na Haus für Poesie, em Berlim, no dia 05 de maio, pelas 19h30, com Frederico Pedreira (1983, Lisboa) e Ana Hupe (1983, Rio de Janeiro). O momento musical será assegurado pelo Trio Fado.

Uma iniciativa do Camões Berlim e da Haus für Poesie que reafirma o compromisso com a promoção da diversidade e vitalidade da língua portuguesa, celebrando-a como património comum que se renova a cada dia. Embaixada de Portugal - Alemanha


Galiza - Conferência Internacional: O Caminho de Santiago na Perspetiva Brasileira

No próximo 4 de maio terá lugar em Santiago de Compostela a conferência internacional O Caminho de Santiago na Perspetiva Brasileira. Nela serão tratadas, de modo breve e dinâmico, questões como a primeira tradução do Codex Calixtinus para o português, sacralidades medievais na produção académica brasileira e, sobretudo, a primeira oficialização do Caminho de Santiago no Brasil, que é também a primeira na América, com mais de 20 quilómetros reconhecidos pela Catedral de Santiago de Compostela (2017).


Será no dia 4 de maio, às 16h30, na Sala de Graus da Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela.

O seminário será liderado pela Professora Catedrática Renata Nascimento, coordenadora do primeiro Centro de Estudos Compostelanos no continente americano, figura de referências nos estudos medievais e diretora do projeto O Jacobeu como Permanência: a popularização do Caminho de Santiago no Brasil, e membro do Comité de Expertos do Caminho de Santiago (Galiza). M. Isabel Morán Cabanas (USC) e Renata Nascimento (Universidade Federal e PUC de Goiás, Brasil) organizam esta jornada internacional para especialistas e o público interessado em geral. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


Estados Unidos da América - Autora luso-americana publica “Milagre das Rosas” bilingue para crianças

A autora luso-americana Angela Costa Simões publica domingo o livro infantil bilingue “Miracle of the Roses/O Milagre das Rosas”, inspirado na história da Rainha Santa Isabel e virado para as crianças da comunidade portuguesa nos Estados Unidos


“É um milagre muito conhecido em Portugal e que conheci a vida toda por causa das Festas aqui na Califórnia”, disse à Lusa a autora, referindo-se às celebrações da comunidade luso-americana.

“Fui rainha duas vezes e marchei em paradas todos os fins de semana até completar 18 anos”, lembrou. A comunidade de origem portuguesa na Califórnia, que tem uma grande preponderância de imigrantes açorianos, celebra a Festa do Divino Espírito Santo seguindo a tradição da Rainha Santa Isabel, que viveu entre os séculos XIII e XIV (1271 a 1336).

Ângela Costa Simões considerou que era importante documentar em livros infantis as histórias por detrás das celebrações, depois de perceber que muitas das crianças que participam em paradas e Festas não conhecem a sua origem.

Mas a própria autora foi surpreendida quando começou a pesquisar e trabalhou com um historiador para este livro, que sucede a outros dois na coleção “Herança” – um sobre a lenda do Galo de Barcelos e outro sobre a canção Uma Casa Portuguesa.

“Descobri que o Milagre das Rosas não é a razão pela qual fazemos as Festas. Fiquei estupefacta”, contou. “A razão é que ela era uma pacificadora e prometeu ao Espírito Santo que se lhe desse força para parar a guerra entre o filho e o marido, ela organizaria um banquete na aldeia”.

A tradição deste banquete é que esteve na origem das Festas, o que deixou Ângela Costa Simões “de queixo caído”. Bisneta de emigrantes portugueses, a autora foi várias vezes rainha e aia nas Festas da Califórnia.

“Foi uma ótima experiência de aprendizagem e descoberta sobre a vida dela, desde criança até à velhice, e como o seu legado continuou”, frisou. O Milagre das Rosas é o oitavo livro da luso-americana e tem ilustrações de Mariana Flores, uma artista de Leiria.

“Queria mesmo encontrar alguém em Portugal, porque se fosse uma pessoa de outra cultura ou etnia, acho que não ia conseguir transmitir a emoção, o sentimento e a herança cultural envolvidos”, explicou.

Ângela Simões considera que o livro terá particular ressonância junto de famílias católicas e cristãs que estão à procura de histórias infantis sobre santos, de pais e educadores que querem ensinar português através de histórias, e ainda leitores que procuram literatura infantil com raízes culturais diversas.

Publicado através da sua editora Riso Books, o livro estará disponível na Amazon (incluindo Portugal e Espanha) e noutras retalhistas, como Walmart e Barnes & Noble. Além da coleção Herança, em que este título se insere, a Riso Books tem outras três coleções de temas distintos: Diáspora, Educação e Coração. Ângela Costa Simões quer continuar a publicar estas histórias e gostaria de ver mais autores a fazer o mesmo.

“Penso que há muito espaço para mais livros infantis escritos especificamente para a comunidade portuguesa”, afirmou. “Infelizmente, estamos a perder o idioma e se os livros forem bilingues, pais e filhos poderão aprender juntos”, salientou. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”