Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 4 de março de 2026

Internacional - As alterações climáticas são uma má notícia para as baterias de veículos elétricos

Temperaturas mais elevadas aceleram a degradação das baterias em veículos elétricos, representando um fator decisivo para quem está a considerar a transição


As alterações climáticas criaram um dilema para a transição para veículos elétricos (VE), mas os avanços na tecnologia de baterias podem superar o aumento das temperaturas.

Nos últimos anos, as preocupações ambientais têm motivado muitas pessoas a optarem por veículos elétricos. De acordo com dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), as vendas de carros totalmente elétricos ultrapassaram as de veículos movidos exclusivamente a gasolina na União Europeia pela primeira vez em dezembro de 2025.

Apesar da UE ter suavizado a sua proibição de emissões de automóveis para 2035, o bloco também registou mais carros híbridos elétricos no ano passado, sinalizando uma mudança substancial. No final de 2025, os registos de carros a gasolina caíram 18,7%, com declínios em todos os principais mercados.

No entanto, um dos principais fatores decisivos que impedem as pessoas de optarem por um veículo elétrico é a sua capacidade de lidar com condições climáticas extremas.

O aquecimento global está a prejudicar as vendas de veículos elétricos?

2025 foi o terceiro ano mais quente em todo o mundo e na Europa, com temperaturas médias globais atingindo 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Segundo o serviço de monitorização meteorológico Copernicus, o pico foi atribuído ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera e ao aumento da temperatura da superfície do mar – ambos fatores amplificados pela atividade humana.

Um estudo de 2025 da revista What Car? revelou que os veículos elétricos podem perder até 44% da sua autonomia declarada quando expostos a temperaturas entre 32 e 44°C.

A Polestar, fabricante de carros elétricos de alto desempenho, afirma que a temperatura tem um "grande impacto" na degradação da bateria, pois afeta as reações químicas no seu interior.

“Assim como as baixas temperaturas desaceleram tudo, as altas temperaturas podem criar reações mais rápidas, o que pode levar a reações indesejadas que fazem com que a sua bateria se degrade mais rapidamente”, acrescenta a empresa.

No entanto, um estudo da Universidade de Michigan descobriu que as recentes melhorias na tecnologia de baterias de veículos elétricos já podem estar a superar a degradação causada pelas alterações climáticas.

Investigadores analisaram a durabilidade de baterias antigas de veículos elétricos, fabricadas entre 2010 e 2018, em comparação com baterias novas, fabricadas entre 2019 e 2023.

Num cenário em que o planeta aquecesse em média 2°C, os veículos elétricos com baterias fabricadas entre 2010 e 2018 teriam a sua vida útil reduzida em até 30%.

Mas, para baterias novas, os investigadores descobriram que a queda média na vida útil é de apenas três por cento, com uma queda máxima de 10 por cento.

'Mais confiança' em veículos elétricos, mas apenas nalguns países

“Graças aos avanços tecnológicos, os consumidores devem ter mais confiança nas baterias dos seus veículos elétricos, mesmo num futuro mais quente”, afirma Haochi Wu, autor principal do estudo, publicado na revista Nature.

O autor principal, Michael Craig, destaca que o estudo tem uma ressalva importante: a equipa utilizou apenas dois veículos elétricos representativos no seu trabalho. Esses veículos foram o Tesla Model 3 e o Volkswagen ID.3.

“Em regiões como a Europa e os EUA, acreditamos ter um bom domínio da tecnologia de baterias disponível nessas regiões”, diz Craig.

“Mas quando analisamos cidades na Índia ou na África subsaariana, por exemplo, elas podem ter frotas de veículos muito diferentes – e quase certamente têm. Portanto, os nossos resultados podem ser otimistas para essas regiões.”

Muitas dessas regiões sentirão os efeitos mais severos das alterações climáticas, o que, segundo os investigadores, demonstra como as desigualdades são agravadas pelo aquecimento global. Euronews


Moçambique – Mina de Balama vai fornecer grafite para carros eléctricos do Japão

A mina moçambicana de Balama vai fornecer até 68 mil toneladas de grafite, utilizado nas baterias de carros eléctricos, para o mercado japonês nos próximos sete anos, anunciou a mineradora australiana Syrah


“O acordo reforça a importância crítica do grafite natural de Balama para a cadeia de suprimentos de ânodos e baterias fora da China”, explica a Syrah, concessionária daquela mina em Cabo Delgado, norte de Moçambique, numa informação aos mercados em que dá conta da assinatura de um contrato plurianual para fornecimento de grafite natural com a NextSource.

O contrato com a NextSource prevê a entrega de 34 mil a 68 mil toneladas de grafite ao longo dos próximos sete anos, a partir de Junho, tendo como destino a unidade de ânodos de baterias que está a instalar em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, para depois abastecer um “cliente japonês do sector downstream”. “O contrato de fornecimento destaca a posição única de Balama como um importante fornecedor de grafite natural de alta qualidade e em grande volume fora da China”, sublinha ainda a Syrah.

A mina de Balama produziu 26 mil toneladas de grafite no terceiro trimestre de 2025, recuperando após seis meses de paragem provocada pela agitação social no país, fornecendo o mercado de baterias de viaturas eléctricas norte-americano e indonésio, noticiou a Lusa no final de Outubro.

De acordo com informação sobre o desempenho do terceiro trimestre de 2025 enviada aos mercados pela Syrah, a mina registou ainda, no mesmo período, um total de 24 mil toneladas de grafite vendido e enviado para clientes a um preço médio por toneladas de 625 dólares. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Uma obra dentro de outra

Em ‘Flores artificiais’, romance de Luiz Ruffato, narrador e personagem se combinam para criar um “eu”

                                                                               

                                                         I

Uma obra que leva a ficção até as últimas consequências, ao parecer que retrata acontecimentos reais – é assim que pode ser definido Flores artificiais (São Paulo, Companhia das Letras, 2014), do jornalista, romancista, poeta e contista Luiz Ruffato, que reúne memórias de um certo Dório Finetto, engenheiro que teria sido alto funcionário do Banco Mundial, atividade profissional que lhe havia dado a oportunidade de conhecer vários povos do planeta, ao participar de simpósios, reuniões e congressos.       

Nascido em 1951 e criado em Rodeiro, pequena cidade da Zona da Mata, em Minas Gerais, numa família de modestos agricultores, descendentes de italianos do Vêneto, Finetto desenvolveu uma personalidade aberta, capaz de se misturar com naturalidade em grupos de desconhecidos, ainda que de idiomas diferentes. De Beirute a Havana, passando por Hamburgo, Timor Leste, Buenos Aires e incontáveis lugares mundo afora, Finetto colecionou grandes histórias e pequenos acontecimentos. Sem a aspiração de se tornar escritor, teria procurado o próprio autor do livro, Ruffato, para lhe oferecer aqueles textos memorialísticos.

Segundo memorial escrito e assumido como de autoria do próprio autor, publicado no fecho do livro, Finetto teria largado ainda jovem o trabalho na lavoura para fazer o curso ginasial em Ubá, cidade vizinha a Rodeiro, às expensas do pai, apesar das dificuldades financeiras da família. Concluído o ginásio, no começo de 1970, instalou-se na casa de uma irmã, Hilda, em Juiz de Fora, para cursar o colegial na Academia de Comércio, convivendo com um cunhado que era terceiro-sargento do Exército e fervoroso defensor do regime militar (1964-1985), sempre disposto a encontrar comunistas em todos os lugares. 

Mais tarde, incomodado com a convivência, partiu para morar sozinho em tugúrios próximos à rodoviária de Juiz de Fora, sobrevivendo com aulas particulares de matemática e ainda com a ajuda do pai. Conseguiu, então, uma vaga na Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), dando início a uma carreira vitoriosa na profissão escolhida. Estagiou numa construtora e, mais tarde, fez pós-graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quando, então, tornou-se consultor do Banco Mundial, por indicação de seu professor e orientador de sua tese. A partir daí, começou a conhecer o vasto mundo e a escrever suas memórias.

 

                                                       II

É este, portanto, um livro dentro de outro livro, mas o que se detecta aqui é a existência de um fenômeno que, em poesia, o célebre escritor mexicano Octavio Paz (1914-1998) definiu com o neologismo otridade que a tradutora Olga Savary (1933-2020) traduziu por outridade, com a aprovação do filólogo Antônio Houaiss (1915-1999), ao invés de se limitar a traduzir por alteridade, que significa “quase” a mesma coisa, como ela mesma diz em nota à página 110 de O Arco e a Lira (Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1982).  Em outras palavras: também na construção de um romance, constata-se a existência do fenômeno da outridade, ou seja, uma operação durante a qual o escritor tira ou extrai de seu íntimo certas sensações e recordações e, “a cada passo, é outro e ele mesmo”, como observa Paz naquela obra (à página 215).

Trata-se da “outra voz” que o professor Massaud Moisés (1928-2018) sempre preferiu chamar de “eu”, para definir o ego ou um alter ego, ou seja, a existência de um protagonista típico do romance lírico, “no qual o narrador e a personagem se combinam para criar um “eu” no qual a experiência é moldada como imagens”, como observa em A Criação LiteráriaProsa II (São Paulo, Cultrix), à página 50, reproduzindo citação do professor e crítico literário alemão Ralph Freedman (1920-2016), em The Lyrical Novel (Princeton, Princeton University Press, 1966, p. 31).  

É o que faz Ruffato em Flores artificiais no qual o autor também se transforma em personagem, passando para o protagonista principal as experiências e emoções por ele vividas em vários lugares do mundo, embaralhando as fronteiras entre a ficção e a realidade, “sem jamais perder de vista a força literária que é a grande marca de sua obra”, como se lê no texto de apresentação (sem autoria) publicado nas “orelhas” do livro.

É o que se pode comprovar também neste trecho do capítulo intitulado “O homem que não tinha onde cair morto” em que é traçado um rápido perfil do memorialista-protagonista que, embora vivendo há mais de vinte anos em Washington, sendo proprietário de um apartamento na rua Paissandu, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, dizia que nada teria a quem legar:

“(...) Não pertenço a lugar algum, ou, sempre fui, um estranho, um estrangeiro... Não me entreguei à vida. – ela me largou num parque abandonado ... E não tive competência para formar família, filhos, cães, gatos, passarinhos... Amei algumas mulheres, mas sempre me apavorou a ideia de ser rejeitado – antes que me repelissem, abdicava delas... Para não sofrer no futuro, padecia no presente...”

 

                                                                 III

Luiz Ruffato (1961), nascido em Cataguases, em Minas Gerais, é formado em Comunicação Social pela UFJF. Como jornalista formado, trabalhou em diversos jornais até se mudar para São Paulo em 1990. Em 2003, abandonou a carreira de jornalista profissional para se tornar escritor em tempo integral. Neto de um imigrante português, é filho de um pipoqueiro e de uma lavadeira de roupas (muitas vezes descrita por ele como analfabeta), originária do Norte da Itália. Formou-se torneiro-mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e trabalhou como operário da indústria têxtil. Foi também pipoqueiro, além de atendente de armarinho, durante a juventude.

Dono de vastíssima obra, publicou os cinco volumes que formam a série Inferno Provisório, composto pelos romances Mamma, son tanto felice (2005), O Mundo Inimigo (2005), Vista Parcial da Noite (2006), O Livro das Impossibilidades (2008) e Domingos sem Deus (2011). Seu livro de estreia foi O Homem que Tece (1979), poemas sobre o operariado e a classe média baixa. Seu segundo livro foi Histórias de Remorsos e Rancores (1998), reunião de sete contos que giram em torno dos mesmos personagens, moradores do beco do Zé Pinto, em Cataguases.

Em 2000, publicou Os Sobreviventes, que recebeu menção especial do Prêmio Casa de las Américas, de Havana. O livro é composto por seis contos, cujos personagens são pessoas das classes baixa e média. Nos últimos anos, publicou pela Companhia das Letras os romances O Verão Tardio (2019) e O Antigo Futuro (2022).

É autor ainda de Eles eram muitos cavalos (2001), que recebeu o Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e Estive em Lisboa e lembrei de você (2009), resultado de sua participação, em 2007, no Projeto “Amores Expressos”, que apoiou viagens de diversos autores brasileiros a diferentes cidades do mundo, com o objetivo de que produzissem romances com a temática do “amor”. O romance conta a história do personagem Sérgio, morador de Cataguases que, devido a uma série de infortúnios, vê na emigração para Portugal a solução para os seus problemas, mas que acaba por enfrentar situações difíceis em Lisboa como imigrante.

Publicou ainda cinco livros de poesia, dois de crônicas, três em ensaios, um de literatura infantil e um de contos, A Cidade Dorme (São Paulo, Companhia das Letras, 2018), além de ter organizado coletâneas e participado de antologias. Em 2015, ganhou o Prêmio Jabuti, na categoria infantil, com o livro A História Verdadeira do Sapo Luiz.

Teve vários de seus livros traduzidos para os idiomas alemão, espanhol, italiano e francês. Três de seus livros foram publicados também em Portugal: Eles eram muitos cavalos (Espinho, Quadrante Edições, 2006), Estive em Lisboa e lembrei-me de ti (Lisboa, Quetzal Edições, 2010) e De mim nem se lembra. (Lisboa, Tinta da China, 2012). Seus livros estão publicados também em países da América Latina e da África. Foi escritor residente na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, em 2012, e recebeu o Prêmio Internacional Hermann Hesse, na Alemanha, em 2016. Adelto Gonçalves - Brasil

________________

Flores artificiais, de Luiz Ruffato. São Paulo, Companhia das Letras, 152 páginas, R$ 47,08, 2014. Site da editora: www.companhiadasletras.com.br  E-mail: sac@companhiadasletras.com.br

_________________________

Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP),  é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003; São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, LetraSelvagem, 2015), O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos.  E-mail: marilizadelto@uol.com.br


terça-feira, 3 de março de 2026

Angola - Livro “O Jardim das Almas”, de Nelson Soquessa, explora as complexas relações entre o Estado e a Igreja

O linguista e docente universitário Nelson Soquessa vai lançar, amanhã, 04, na União dos Escritores Angolanos, a sua mais recente obra literária, com o título, “O Jardim das Almas”, sob a chancela da Editora Kukoma, com a qual almeja incitar uma reflexão sobre a angolanidade e as instituições


O livro, com o prefácio de Gabriel Caia, historiador e investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade de Évora, reúne 117 páginas distribuídas por 13 capítulos complementares e surge como um manifesto profundo sobre a Identidade Angolana, explorando as complexas relações entre o Estado e a Igreja.

A obra foi escrita num período de vulnerabilidade pessoal, propondo uma crítica à desigualdade e uma renovação necessária no sistema educacional e literário do país. O trabalho é descrito como uma manifestação de repúdio contra a desigualdade em todas as suas vertentes, focando-se no papel da Igreja na construção do indivíduo e da sociedade.

Aqui, o autor não se limita a uma análise teórica, mas reflecte a “Angolanidade”, uma experiência de identidade que transcende a sabedoria tradicional e se manifesta na actuação real perante os dilemas nacionais. Em conversa, Nelson Soquessa afirmou que a escrita ocorreu num momento delicado de reencontro pessoal, marcado pela ausência de figuras próximas, o que conferiu à obra uma carga emocional e crítica significativa.

Um dos pontos centrais desta obra é, sobretudo, a sua abordagem estilística única: o autor trata de temas densos e sérios, como a dicotomia entre Estado e Igreja, através de um prisma humorístico.

Por isso, considera que a referida obra não é apenas estética, mas um desafio às convenções da prosa angolana actual. A par disso, a publicação é impulsionada pela experiência do autor como docente, que identifica uma lacuna crítica no sistema de ensino: a dependência de textos gramaticais obsoletos da década de 80, que já não reflectem a realidade contemporânea.

“O motivo da publicação é mais pelo facto de ser docente e achar que o nosso sistema de educação precisa de se actualizar. Como é possível ensinar gramática com texto escrito nos anos 1980?”, questionou Soquessa.

O livro desperta curiosidades e atenção pela tríade: título, tema e estilo, visto que não é habitual na prosa angolana, mas sobretudo pela Escola dos Lexemas. “Se me perguntar o porquê, não lhe responderei aqui.

O tema é o outro desafio. Não é fácil escrever um livro sobre duas instituições: Estado e Igreja. Parece um desafio inconcebível. O terço, penso ser estilo, que é meu, trato de assuntos sérios humoristicamente”, salientou. Augusto Nunes – Angola in “O País”


Moçambique - Georgina Florindo lança “Ecos de um Grito Calado” e dá voz às mulheres que sofrem em silêncio

A cidade de Vilankulo foi palco, no último sábado (28.02), do lançamento da obra Ecos de um Grito Calado, da escritora moçambicana Georgina Florindo, publicada pela editora Gimacu. O evento reuniu amantes da literatura, académicos e membros da sociedade civil, num momento marcado por emoção e reflexão em torno de uma das problemáticas mais sensíveis da sociedade moçambicana: a infertilidade feminina e o peso social que a acompanha.


Licenciada em Letras e Ciências Sociais, a autora explicou que o livro nasceu de conversas profundas com mulheres que não podem conceber e que, por essa razão, enfrentam opressão nos seus lares, famílias e comunidades. “É um apelo à empatia por estas senhoras, que sofrem em silêncio”, afirmou Georgina Florindo, sublinhando que a obra pretende provocar uma mudança de mentalidade e maior sensibilidade social.

A apresentação esteve a cargo de Sodito Mananze, que destacou a qualidade narrativa da autora e a atualidade do tema abordado. Segundo o apresentador, a história acompanha a vida de uma mulher marcada por estigmas e humilhações por não conseguir ter filhos.

Mananze sublinhou ainda que a personagem vive sob o “peso de um silêncio ensurdecedor”, enfrentando rejeição, desprezo e pressão cultural no próprio lar. A narrativa, segundo frisou, retrata de forma crua a realidade de muitas mulheres moçambicanas, transformando a literatura num espaço de denúncia e reflexão social. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Portugal - Jornalista angolano apresenta livro para reflexão sobre “Influência dos desenhos animados na vida das crianças”

A obra literária Influência dos desenhos animados na vida das crianças, do jornalista angolano Simão Yuri Carlos Rebelo, foi apresentada sexta-feira, em Lisboa, Portugal, pela editora NH Conteúdos.


O livro comporta 59 páginas que propõem uma reflexão profunda e actual sobre o impacto dos desenhos animados no comportamento e no desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças, num contexto marcado pela forte presença dos meios audiovisuais no quotidiano infantil.

A obra, a primeira do género do autor, analisa de que forma os conteúdos animados influenciam valores, atitudes e percepções, alertando aos pais, educadores e a sociedade, em geral, para a importância de uma mediação consciente e responsável.

Segundo o autor, o livro é resultado de um estudo científico realizado para a obtenção do grau de licenciatura. Yuri Rebelo alertou para o facto de existirem desenhos animados que podem incentivar a rebeldia nas crianças e questionou a existência de um controlo adequado sobre o que elas têm acesso.

O jornalista sublinhou ainda a necessidade de reflectir sobre o tipo de crianças que se quer para o futuro e que mensagens são transmitidas, lembrando que, na verdade, é uma obra dirigida para os pais que poderão ter mais detalhes sobre a mensagem que se pretende transmitir.

Yuri Rebelo é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Metropolitana de Angola, em 2016, e, actualmente, é mestrando em Ciências Politicas e Administração Pública, pela faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto.

Yuri Carlos Rebelo, ingressou ao Movimento associativo em 1998 pela organização de Pioneiros Agostinho Neto-OPA, tendo sido Pioneiro, Chefe Infantil, Guia de Pioneiros e Principal no município da Ingombota, actualmente Distrito, assim como foi técnico do secretariado nacional entre 2014 a 2017.

Fundou, em 2005, o projecto comunitário Resgata a Floresta da Ilha, que anualmente plantava mais de 500 árvores na floresta e arredores e é membro da associação de defesa do Ambiente Futura Verde e da Liga dos Naturais e Amigos do Mulenvo-Linam.

No ano 2017, integrou os quadros do Conselho de Juventude de Luanda, como assessor para a comunicação e imagem, Luanda, em 2019, foi nomeado para desempenhar as funções de assessor da Comissão Directiva do Conselho Nacional de Juventude. In “O País” - Angola


Angola - Escritor João Melo lança quatro novas obras na União dos Escritores Angolanos

O escritor e jornalista João Melo vai realizar a venda e sessão de autógrafos de quatro livros lançados recentemente no exterior, mas que agora pretende apresentar aos cidadãos angolanos na União dos Escritores Angolanos.


São as obras O Acumulador, Os Sonhos Nunca São Velhos, Será Este Livro um Romance e Quitad la rodilla de mi cuello, edição em espanhol do livro Diário do Medo, produções recentes lançadas em países como Espanha, Portugal, Brasil, Estados Unidos da América e Reino Unido.

Aníbal João da Silva Melo, ou simplesmente João Melo, nasceu em Luanda, a 5 de Setembro de 1955. É membro fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA).

Reconhecido como um dos grandes escritores da sua geração, é um nome incontornável da poesia angolana pós-independência, considerado um mestre do humor e da ironia, assim como um dos criadores do pós-modernismo africano. In “O País” - Angola