Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Suíça – Comuna de Kriens recebe XVI Festival de Folclore português

O Rancho Folclórico Terras de Portugal de Lucerna vai organizar a 16.ª edição do Festival de Folclore, que terá lugar a 12 de setembro, na Krauerhalle, em Kriens, na Suíça


Com abertura marcada para as 18h30 (hora local), o festival promete uma noite dedicada às tradições portuguesas, reunindo vários ranchos folclóricos da comunidade portuguesa na Suíça. A entrada é gratuita.

Além do grupo anfitrião, o cartaz integra o Rancho Folclórico Aldeias de Portugal, de Baar, o Rancho Folclórico Centro Lusitano de Zurique e o Rancho Folclórico da Comunidade Católica de Genebra, proporcionando um programa dedicado à música, à dança e às tradições populares portuguesas. Depois das atuações folclóricas, a animação prossegue com o Grupo Musical Reviver.

Para quem pretenda jantar no recinto, as reservas podem ser efetuadas através do contacto disponibilizado pela organização (0763902756). O jantar tem o custo de 25 francos suíços (cerca de 27 euros) para adultos e 15 francos (cerca de 16 euros) para crianças. Sem reserva, o preço será de 35 francos suíços (cerca de 37 euros).

A organização convida a comunidade portuguesa e o público em geral a participar naquela que será mais uma celebração da cultura e das raízes portuguesas na Suíça. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




Macau - ‘Kaifong’ defendem zona sino-portuguesa para dinamizar negócios no ZAPE

Um estudo desenvolvido pelo Centro da Política da Sabedoria Colectiva, ligado aos ‘Kaifong’, abordou soluções para a transformação do ZAPE. Segundo o estudo, os investigadores defendem a criação de uma “zona de experimentação da cultura sino-portuguesa” no sul do ZAPE, onde o público possa passar numa “rua de estilo da cultura portuguesa”


O Centro da Política da Sabedoria Colectiva, associado à União Geral das Associações dos Moradores de Macau (‘Kaifong’), promoveu um estudo com o intuito de identificar medidas para impulsionar a transformação do ZAPE e injectar dinamismo na respectiva economia comunitária. Segundo o Centro, o estudo visa “dar impulso à reconfiguração das funções do ZAPE e à transformação da economia comunitária”.

Segundo os ‘Kaifong’, os autores do estudo consideram que alguns terrenos desaproveitados no sul do ZAPE à beira-mar poderiam ser aproveitados para acolher uma “zona de experimentação da cultura sino-portuguesa”, tirando partido da localização geográfica e paisagem natural da área costeira no sul do ZAPE e tomando como referência o modelo de remodelação da Rua Fremont em Las Vegas. Isso incluiria a criação de uma “rua de estilo da cultura portuguesa”, virada para os turistas e visitantes de lazer, refere o documento.

Além disso, citado pelo Canal Macau da TDM, Leong Hong Sai, subdirector do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, sugeriu a introdução de réplicas de alguns monumentos de Portugal nessa zona, como a Torre de Belém e pontos turísticos do bairro de Alfama, bem como o recurso a tecnologia interactiva de realidade virtual. O também deputado sugeriu ainda a abertura no ZAPE um hotel focado no tema de Portugal e um pavilhão para exposições sobre a cultura portuguesa.

Por outro lado, Leong Hong Sai propôs uma zona de espectáculos musicais na zona da beira-mar e um mercado de gastronomia, aberto durante a noite, além da realização de alguns mercados com produtos criativos e culturais.

Segundo o resumo divulgado pelos ‘Kaifong’, de um modo geral, o estudo defende a redefinição das funções e do posicionamento do ZAPE, para o transformar gradualmente numa zona multifuncional onde se possa encontrar serviços comerciais, consumo comunitário, experiências culturais e turísticas e elementos da economia nocturna. Neste ponto, destaca a importância de optimizar o sistema pedonal e acrescentar mapas de orientação multilingues que sejam explícitos, para reforçar a acessibilidade entre o ZAPE, a zona da Praia Grande e os pontos turísticos circundantes.

Em relação às áreas no centro e norte do ZAPE, o Centro da Sabedoria mostra-se favorável à criação de uma “área central para os assuntos governamentais e comerciais”, através do aproveitamento dos escritórios e hotéis existentes no centro e no norte desta parte da cidade.

Ao mesmo tempo, defende que as autoridades devem recorrer a instituições profissionais para prestarem formação e “serviços de diagnóstico caso a caso” às pequenas e médias empresas na zona, ajudando-as a reforçar as capacidades de atrair clientes, transformar a clientela no volume económico e impulsionar novas compras entre os turistas. Nesse aspecto, propõe, inclusive, a criação de uma “aliança de comerciantes do ZAPE”.

Ademais, os ‘Kaifong’ apelam à aceleração do planeamento da Linha Sul do Metro Ligeiro, com vista a facilitar o acesso à zona, assim como o reforço da articulação entre a Doca dos Pescadores, Centro Cultural, Centro de Ciência e Universidade Politécnica com os recursos culturais e turísticos na San Ma Lou e na Praia Grande. Em termos de instalações complementares, sugerem mais instalações de arte públicas, mais assentos para descanso, a actualização da cobertura do “wi-fi” e apoios ou subsídios que orientem os comerciantes a prolongar o horário de operações nocturnas dos seus estabelecimentos.

O estudo adverte ainda que, desde o encerramento dos casinos-satélite na zona no final de 2025, a economia comunitária continua a enfrentar um cenário marcado pela falta da força motriz no consumo interno, embora as medidas de incentivo ao consumo lançadas pelas autoridades tenham contribuído, a curto prazo, para um maior fluxo de pessoas na zona. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Portugal - Estudo do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde abre caminho para atrasar o envelhecimento do sistema imunitário

Cientistas identificaram proteínas essenciais para preservar a função do timo e a produção de células T


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto descobriu um mecanismo fundamental que ajuda o timo, um órgão central do sistema imunitário, a manter-se funcional ao longo da vida. Os resultados, publicados na prestigiada revista Cell Death & Differentiation, ajudam a explicar por que é que o sistema imunitário enfraquece com a idade e poderão contribuir para novas estratégias terapêuticas destinadas a promover um envelhecimento mais saudável.

O timo é um pequeno órgão localizado acima do coração que desempenha uma função essencial: é nele que se formam e se “treinam” as células T, um dos principais pilares das defesas do organismo contra infeções e cancro. Apesar da sua importância, o timo começa a perder tamanho e atividade logo após a adolescência. “Sabemos há muito tempo que o timo perde capacidade com a idade, diminuindo a resposta a vacinas e a nossa resistência contra infeções e cancro. No entanto, ainda não compreendemos os mecanismos que ajudam este órgão a manter-se funcional. Este estudo identifica peças-chave desse processo”, explica Nuno Alves, coordenador do trabalho.

A equipa descobriu que existem duas proteínas (ZFP36L1 e ZFP36L2) fundamentais para preservar o funcionamento das células que sustentam a estrutura do timo e permitem a formação adequada das células T. A equipa demonstrou também que os níveis destas proteínas diminuem naturalmente com a idade, reforçando a ideia de que podem estar envolvidas no processo de envelhecimento do sistema imunitário. Os cientistas acreditam que estas descobertas poderão abrir caminho a novas estratégias terapêuticas para atrasar ou contrariar a perda de função do timo.

“O objetivo não é apenas compreender como envelhece o sistema imunitário, mas também encontrar formas de o manter mais competente durante mais tempo. Se conseguirmos preservar a função do timo, poderemos contribuir para melhorar a resposta do organismo às infeções, às vacinas e até a algumas terapias contra o cancro”, sublinha Nuno Alves.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores utilizaram modelos animais e ferramentas genéticas avançadas. Quando as duas proteínas foram removidas, o timo envelheceu precocemente, perdeu capacidade para produzir células T e deixou de assegurar um funcionamento adequado do sistema imunitário. “Observámos que, sem estas proteínas, o timo começa a apresentar, muito cedo, características normalmente associadas ao envelhecimento. Isso sugere que desempenham um papel essencial na preservação da função deste órgão ao longo da vida”, afirma o investigador.

Para a equipa do i3S, o trabalho representa um passo importante na compreensão dos processos biológicos que influenciam a saúde ao longo do envelhecimento: “Durante muitos anos, o timo foi visto como um órgão importante apenas na infância. Sabe-se agora que indivíduos com um timo mais funcional podem estar mais protegidos contra doenças e responder melhor a terapias inovadoras, incluindo imunoterapias contra o cancro. Por isso, quanto melhor compreendermos o seu funcionamento, mais perto estaremos de desenvolver estratégias que ajudem a envelhecer melhor com um sistema imunitário mais forte”, conclui o investigador. Universidade do Porto - Portugal


Sahara Ocidental - Greve de fome de Naâma Asfari entra no seu segundo mês

A Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental (AAPSO) manifesta a sua extrema preocupação com o estado em que se encontra o preso político saharaui Naâma Asfari, que entrou já no segundo mês de greve de fome numa prisão marroquina, chamando a atenção para a situação de todos os seus companheiros que sofrem as mesmas condições.

O Observatório para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos, uma parceria entre a Organização Mundial contra a Tortura (OMCT) e a Federação Internacional dos Direitos Humanos (FIDH), solicitou uma intervenção urgente relativamente a este caso:

«O Observatório foi informado da greve de fome de Naâma Asfari, detido arbitrariamente na prisão de Kenitra, em Marrocos, há quinze anos. Naâma Asfari é um defensor dos direitos humanos saharauis que luta pela independência do Sahara Ocidental. É vice-presidente do Comité para as Liberdades e o Respeito pelos Direitos Humanos no Sahara Ocidental (CORELSO).

A 8 de junho de 2026, Naâma Asfari iniciou uma greve de fome por tempo indeterminado para exigir a aplicação do parecer 23/2023 emitido pelo Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre a Detenção Arbitrária. A 27 de março de 2023, este Grupo de Trabalho classificou a sua condenação como "arbitrária", apelando ao Reino de Marrocos para que libertasse imediatamente Naâma Asfari, lhe concedesse uma indemnização e abrisse um inquérito aprofundado e independente sobre a sua privação arbitrária de liberdade.

Através da sua greve de fome, Naâma Asfari protesta, de forma mais ampla, contra as condições de detenção desumanas e degradantes, bem como contra a negligência médica e as represálias sistemáticas de que são alvo os prisioneiros saharauis nas prisões marroquinas. Solicita também as suas transferências para o Sahara Ocidental, a fim de os aproximar das suas famílias.»

A 29 de Junho, a organização Frontline Defenders chamou a atenção para a deterioração das condições de saúde de Naâma Asfari, considerando que “os maus-tratos e a detenção prolongada de Naâma Asfari e dos outros membros detidos do grupo de Gdeim Izik resultam exclusivamente do exercício pacífico das suas atividades legítimas e pacíficas em defesa dos direitos humanos.”

No dia 8 de Julho, as famílias dos presos políticos saharauis do grupo de Gdeim Izik concentraram-se em frente da sede da Delegação Geral da Administração Prisional marroquina, em Rabat, exigindo:

A libertação imediata e incondicional de todos os prisioneiros civis saharauis, incluindo o prisioneiro Naâma Asfari.

Uma intervenção urgente e eficaz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, da Organização Mundial de Saúde e do Comité Internacional da Cruz Vermelha, para avaliar o seu estado de saúde e garantir a sobrevivência dos grevistas de fome.

A abertura de um inquérito internacional independente sobre todas as violações dos direitos humanos cometidas contra civis saharauis nas prisões marroquinas.

A AAPSO apela a que se dê a conhecer esta informação da forma mais ampla possível e a que todas as cidadãs e cidadãos, assim como as organizações da sociedade civil, utilizem os seus canais de comunicação e exprimam a sua solidariedade com os presos políticos saharauis, em particular Naâma Asfari. Recomenda também que sejam dirigidas mensagens à Embaixada de Marrocos em Lisboa, apelando à libertação imediata, de acordo com as recomendações das Nações Unidas, de todos os prisioneiros políticos saharauis. Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental – Portugal com “Sahara Press Service


domingo, 12 de julho de 2026

Moçambique - Irene Mafalacusser vence Prémio Literário Carlos Morgado 2026

A escritora Irene Mafalacusser foi anunciada como a grande vencedora da 4.ª edição do Prémio Literário Carlos Morgado, com o conto A Mulher que Levou o Gago Consigo, tornando-se na primeira mulher a conquistar a distinção desde a criação do prémio, há quatro anos. O anúncio foi feito na quinta-feira, 9 de Julho, na cidade de Maputo, durante a cerimónia que revelou as dez novas vozes da literatura moçambicana.


Além de Irene Mafalacusser, foram distinguidos como finalistas Aldo Mondulai, Arnaldo Tembe, Chaponda Marcos, Elton Cumbi, Elton Mahumane, Ericson Sembua, Gilberto Quefaz, Gonçalves Nhauando e Neyd Amadeu. A vencedora recebeu um prémio monetário de 50 mil meticais, enquanto os restantes finalistas foram contemplados com certificados de participação, um conjunto de livros de autores moçambicanos e exemplares da colectânea Novas Vozes, Novas Estórias 2026, num valor total de cinco mil meticais para cada um.

A edição deste ano registou 196 contos submetidos por concorrentes de diferentes pontos do país. Destes, 117 textos passaram à fase de avaliação, 30 foram seleccionados como semifinalistas e, posteriormente, foram escolhidos os dez finalistas e a vencedora. Todos os contos distinguidos integrarão a colectânea Novas Vozes, Novas Estórias 2026, publicação que visa promover novos talentos da literatura nacional.

Constituído por Aissa Mithá, Bento Baloi e Marina Morgado, o júri destacou a qualidade das obras submetidas, provenientes das províncias de Cabo Delgado, Inhambane, Manica, Maputo Cidade, Maputo Província, Nampula, Niassa, Sofala e Tete, evidenciando o alcance nacional da iniciativa. Instituído pela Fundação Carlos Morgado e organizado pela Catalogus, o Prémio Literário Carlos Morgado tem como missão incentivar a criação literária e descobrir novos escritores moçambicanos. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Macau - Festival da Lusofonia volta a realizar-se num único fim-de-semana em Outubro

O Festival da Lusofonia regressa às Casas da Taipa de 23 a 25 de Outubro. Devido à ausência de patrocínio do Galaxy Entertainment Group (GEG), o evento vai voltar ao formato original de um único fim-de-semana e apostar sobretudo no talento local, segundo informações avançadas pela TDM


O Festival da Lusofonia vai regressar a Macau entre os dias 23 e 25 de Outubro, nas Casas da Taipa. Ao contrário das duas últimas edições, que decorreram ao longo de dois fins-de-semana consecutivos, o evento regressa este ano ao seu formato original de apenas três dias. Segundo avança a TDM, a interrupção do modelo alargado deve-se à ausência de patrocínio do Galaxy Entertainment Group (GEG), uma mudança que obrigou a limitações orçamentais e a uma reestruturação do programa.

Recorde-se que o GEG patrocinou o festival desde 2023, assumindo a posição de co-organizador nas duas edições mais recentes. Em 2024, a iniciativa do Instituto Cultural (IC) decorreu de 25 de Outubro a 3 de Novembro, de forma a permitir que “os residentes locais e turistas tenham um conhecimento mais profundo das tradições, costumes e cultura única dos países e regiões da língua portuguesa”, como se descreveu na nota de apresentação. O formato repetiu-se na edição do ano seguinte, que se prolongou de 24 de Outubro a 2 de Novembro de 2025.

Em ambas as edições, para além dos habituais expositores culturais, bancas de comida e bebida e jogos populares, a organização apresentou um cartaz musical recheado e protagonizado por artistas de cada um dos dez países e regiões lusófonos. Em representação de Portugal, vieram ao território Fernando Daniel, em 2024, e Marisa Liz, em 2025.

Em declarações à TDM, o presidente da Associação dos Macaenses, Miguel de Senna Fernandes, confirmou que nesta 29.ª edição o Festival da Lusofonia vai voltar ao formato inicial de apenas um fim-de-semana, num total de três dias. O responsável realça que, apesar da “desilusão”, o mais importante “é que a edição se mantenha” de pé, apesar dos contratempos – mais concretamente, a falta de financiamento do projecto, que este ano se vê limitado ao orçamento do Governo de Macau.

A presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia António, reconheceu que a decisão do GEG de não patrocinar o evento deste ano obrigou a um programa mais reduzido do que nas últimas duas edições, co-organizadas pela empresa. Como o orçamento e o número de dias da celebração serão inferiores aos das edições anteriores, também a lista de convidados será mais curta e assente, maioritariamente, nos talentos locais. O destaque desta edição será, portanto, “a prata da casa”, como admitiu à TDM, embora antecipe “alguma participação do exterior – mas mais pequena, óbvio”.

Segundo os dois responsáveis contactados pela TDM, a grande maioria das associações mostrou-se desapontada com a notícia. “Estão desiludidas e tristes”, revelou Amélia António, falando numa sensação de retrocesso. “As pessoas tinham acabado por perceber, depois da adaptação, que os dois fins-de-semana tinham muitas vantagens”. Por outro lado, Miguel de Senna Fernandes notou que, para algumas associações, a redução do tempo de celebração “é um alívio, tendo em conta as dificuldades financeiras e de pessoal”.

A primeira edição do Festival da Lusofonia aconteceu em Junho de 1998, tendo como principal objectivo homenagear as comunidades lusófonas residentes em Macau. Na página do IC, lê-se que esta iniciativa se tornou, ao longo dos anos, num “importante acontecimento de partilha da cultura das comunidades de língua portuguesa com a cultura chinesa”, para além de enfatizar o papel enquanto “plataforma de intercâmbio cultural” entre a China e os países lusófonos. Carolina Baltazar – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Os dias do nada


 










Vamos aprender português, cantando

 

Os dias do nada

 

Ainda estou à espera pra entender,

a mastigar, a entreter-te até um refrão

que eu invento só para nós.

E pus-me imaginar pelo prazer

da auto-medicação,

dá-me outra gota, ainda aguento outra dor,

agora que eu sou um lado B da canção.

Não são monumentos, faço apenas pó

que, temo, nunca vou poder inspirar,

vou só esperar em alta voz.

Da minha voz não sai nada.

 

Nestes dias do nada

ficam bocados de nós,

esse gigante nada,

só um zero maior.

Uma geração apagada,

sobram pedaços de nós,

a nossa média era nada,

somos um zero maior.

 

Estive a pensar inscrever-me na FCSH

só por "auto-recreação"

num curso em ilusão.

Para depois recusar conceber,

martelar em rima pobre a conclusão

de que tudo foi e eu não.

Fiquei com as sobras de nada.

 

Nestes dias do nada

ficam bocados de nós,

esse gigante nada,

só um zero maior.

Uma geração apagada,

sobram pedaços de nós,

a nossa média era nada,

somos um zero maior.

 

A conclusão irá sempre dar a uma oração.

A uma oração…

A conclusão não dá nada.

 

Nestes dias do nada

ficam bocados de nós,

esse gigante nada,

só um zero maior.

Uma geração apagada,

sobram pedaços de nós,

a nossa média era nada,

somos um zero maior.

Somos um zero maior.

Somos um zero maior.

 

Benjamim - Portugal