Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 31 de outubro de 2026

Projecto Macau-Lisboa quer formar médicos para uma realidade dominada pela Inteligência Artificial

O director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (UL) afirmou que o curso conjunto com a futura Faculdade de Medicina da Universidade de Macau (UM) pretende formar médicos preparados para uma realidade transformada pela inteligência artificial (IA).


Durante o 1.º Simpósio Conjunto entre as faculdades de medicina da UM e da UL, realizado em Macau, João Eurico Fonseca considerou que o principal desafio do novo projecto passa por preparar profissionais para um sistema de saúde cujo futuro ainda é incerto.

“Temos um problema em todo o mundo nas escolas médicas. A medicina está a evoluir muito mais depressa do que as faculdades de medicina. Estamos sempre a tentar alcançar essa evolução”, afirmou.

Segundo o responsável, a nova escola médica deve ser concebida já a pensar nas necessidades da próxima década, quando os primeiros diplomados iniciarem a actividade profissional.

“O desafio é educar médicos para uma medicina que, na verdade, não sabemos exactamente como será quando eles forem médicos”, afirmou. “Se tudo correr bem, em 2028 teremos os primeiros estudantes e, em 2034, os primeiros médicos. O que vamos precisar nessa altura?”, questionou.

Fonseca apontou quatro grandes factores que estão a transformar a prática clínica: a IA e a medicina digital, os avanços da medicina de precisão e das terapias avançadas, o envelhecimento populacional e a crescente pressão sobre os sistemas de saúde.

“Na medicina, a IA é ainda mais relevante do que no quotidiano”, afirmou o também director do Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, defendendo que os futuros médicos terão de compreender tanto o potencial como os limites destas tecnologias.

O director da Faculdade de Medicina da UL destacou ainda o impacto do aumento da esperança média de vida, que em Macau ronda os 84 anos, uma das mais elevadas do mundo, associado ao crescimento do volume de doenças crónicas e de múltiplas patologias que exigem tratamento.

“Isso cria uma enorme pressão sobre os sistemas de saúde. É o que acontece em todo o mundo”, disse, referindo como exemplos o Hospital Conde de São Januário, em Macau, e o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Embora a aposta em tecnologia e inovação seja central no novo currículo, Fonseca sublinhou que as competências humanas continuarão a ser essenciais na formação médica.

“Ninguém aceitará uma prescrição, um diagnóstico ou uma cirurgia se não houver envolvimento humano”, afirmou. “Se não sentirem empatia e compaixão, essa relação não funciona.”

Outra prioridade será estimular a capacidade de investigação e pensamento crítico dos estudantes.

“Queremos que façam melhores perguntas”, afirmou. “Queremos que sejam capazes de avaliar criticamente a evidência científica e compreender o percurso que vai da descoberta ao benefício para o doente.”

Fonseca acrescentou que o modelo pedagógico prevê contacto precoce com doentes, utilização intensiva de simulação clínica e uma estreita articulação entre ensino, investigação e prestação de cuidados de saúde.

“Não existe espaço para o Dr. House”, afirmou, numa referência à popular série televisiva. “Na realidade, não temos médicos que sabem tudo. Temos equipas que trabalham em conjunto e isso tem de ser incutido desde cedo nos jovens médicos.”

O responsável destacou ainda o potencial da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau como ambiente privilegiado para a formação médica e para a investigação biomédica.

“Estamos na Grande Baía. São 80 milhões de pessoas, inovação produzida todos os dias, patentes em todas as áreas tecnológicas que possamos imaginar”, afirmou. “Esta faculdade fica dentro de um ambiente fantástico.”

Segundo Fonseca, a colaboração entre Lisboa e Macau deverá estender-se muito para além do ensino, através da mobilidade de docentes, investigação conjunta e desenvolvimento de novos programas académicos. “Já existem três projectos de investigação a decorrer”, revelou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Macau - Faculdade de Medicina vai apoiar aprendizagem de Português

Os alunos da futura Faculdade de Medicina da Universidade de Macau (UM) vão poder aprender português durante o curso, facilitando o acesso à profissão em Portugal, disse à Lusa o director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (UL).

João Eurico Fonseca indicou que o programa conjunto entre a UM e a UL se encontra na fase final de acreditação externa pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), após uma recente visita da entidade avaliadora.

“O curso está previsto abrir em Agosto de 2028, para o ano escolar 2028-2029”, afirmou à margem do 1º Simpósio Conjunto entre a Faculdade de Medicina da UM e a Faculdade de Medicina da UL.

A UM está a construir em Hengqin a sua primeira faculdade pública de medicina, integrada num novo campus. A nova faculdade deverá ter capacidade para acolher até 4000 estudantes, e segundo Fonseca, toda a estrutura organizativa do programa está já definida e as obras decorrem de acordo com o previsto.

O responsável explicou que o diploma conjunto permitirá aos graduados obterem reconhecimento imediato em Portugal através da UL. “O diploma vem da Universidade de Lisboa, é imediatamente reconhecido. Claro que, para exercer medicina [em Portugal], é necessário ter um nível mínimo do domínio da língua portuguesa”, explicou.

Fonseca considerou que a própria UM oferece condições favoráveis para os estudantes que pretendam seguir esse percurso profissional. “Há estudos de língua portuguesa e vai ser possível a quem o quiser aprender português enquanto está a fazer o curso de medicina”, disse.

Segundo o responsável, embora alguns alunos possam já entrar no curso com conhecimentos de português, mandarim e inglês, a universidade dispõe dos recursos necessários para apoiar aqueles que pretendam adquirir competências linguísticas que lhes permitam mais tarde exercer em Portugal ou até noutros países europeus.

O director sublinhou, no entanto, que a prioridade da nova faculdade será responder às necessidades de Macau. “Macau precisa de médicos e esta faculdade vai formar médicos para Macau”, afirmou.

Segundo explicou, os candidatos provenientes do território deverão ter prioridade no acesso ao curso, aumentando a probabilidade de os diplomados permanecerem no sistema de saúde local.

Fonseca destacou também o papel que será desempenhado pelo Centro Hospitalar Conde de São Januário e pelo novo Macau Union Hospital na formação dos alunos, e estão a ser estabelecidas colaborações com ambas as instituições, que irão apoiar o ensino através de formação clínica e utilização de tecnologias de simulação.

“O Hospital Conde São Januário tem de facto uma actividade clínica muito viva, muito intensa, que é óptima para o treino nas fases finais de um médico”, afirmou o também director do Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria.

O médico afirmou ter ficado particularmente impressionado com o funcionamento do serviço de urgência do hospital público do território, apesar da forte pressão assistencial.

“Os números não são muito diferentes dos números do Serviço de Urgência do Hospital de Santa Maria e foi feito um investimento muito inteligente para estruturar as vias internas dos doentes, os circuitos dos doentes”, explicou.

“O serviço médico em Macau é já muito bom e eu acho que esta Faculdade de Medicina vai torná-lo excelente”, afirmou.

Paralelamente à criação da nova licenciatura em Medicina, a UL está a liderar o desenvolvimento de um mestrado internacional destinado a acelerar a transferência dos resultados da investigação biomédica para a prática clínica.

Fonseca revelou à Lusa que o programa está actualmente na fase de instalação e criação, no âmbito da iniciativa europeia Erasmus Mundus. Além da UL, o curso envolverá a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM) e a Universidade Humanitas, em Milão.

O programa terá a duração de dois anos e pretende aproximar profissionais provenientes da medicina e de outras áreas científicas relacionadas. “Visa criar uma linguagem comum em pessoas que têm licenciaturas ou em medicina ou outras áreas próximas”, afirmou.

Segundo Fonseca, o objectivo é formar especialistas capazes de servir de ligação entre a investigação científica e a prática clínica, acelerando a transformação das descobertas feitas nos laboratórios em diagnósticos, tratamentos e benefícios concretos para os doentes. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Brasil - É destaque em relatório sobre avanço da restauração da natureza no mundo

Estudo da ONU revela que 252 milhões de hectares estão a ser restaurados, no maior esforço já visto para salvar a biodiversidade. O Brasil tem 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação e está a conseguir assegurar o retorno de espécies que estavam ameaçadas de extinção


O mundo está a realizar, neste momento, o maior esforço global já documentado de restauração da natureza com 252 milhões de hectares sendo recuperados em 149 países. Além de beneficiar plantas e animais, a iniciativa está a gerar um milhão de empregos verdes.

Mas para alcançar a meta acordada entre os países, de restaurar mil milhões de hectares até 2030, o financiamento precisa quadruplicar e o ritmo das ações deve ser mais rápido com um foco em ecossistemas de água doce, marinhos e costeiros.

Retorno de onças-pintadas e micos-leões-de-cara-dourada no Brasil

O Relatório de Progresso da Restauração: O Retorno da Natureza, divulgado nesta quinta-feira, é a primeira avaliação abrangente do progresso dos países na recuperação da biodiversidade.

O documento inclui iniciativas de sucesso no Brasil como a recuperação da Mata Atlântica, em parceria com o Paraguai e Argentina. Mais de 300 organizações estão a restaurar a paisagem, criando corredores ecológicos para espécies ameaçadas de extinção.

O projeto, conhecido como Pacto Trinacional da Mata Atlântica, é reconhecido como uma das 35 Iniciativas de Referência da ONU para a Restauração Mundial e está a assegurar o retorno de onças-pintadas e micos-leões-de-cara-dourada à Mata Atlântica brasileira. As ações já estão a contribuir para salvar 700 mil hectares de floresta no caminho para restaurar 1 milhão até 2030.

No país como um todo, os sistemas de satélite e monitorização indicam que 3,4 milhões de hectares estão a ser recuperados.

Reconhecimento do papel dos povos indígenas

O relatório está a ser lançado na metade da Década da Restauração de Ecossistemas, um esforço global criado pela ONU em 2021, sob liderança do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e pela Organização da ONU para Alimentação e Agricultura, FAO, que também são responsáveis pelo relatório.

Dentre as fontes de dados utilizadas estão os documentos nacionais apresentados pelos países no marco da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Apesar da contribuição significativa dos Povos Indígenas para a gestão dos ecossistemas, apenas duas nações, Brasil e Iêmen, relataram a existência de áreas em processo de restauração em territórios indígenas nos seus relatórios nacionais.

Os povos indígenas administram ou detêm direitos de posse sobre pelo menos 3,9 mil milhões de hectares de terra ao redor do globo, o que representa mais de um quarto da superfície terrestre do planeta. Estas áreas abrangem cerca de 40% de todas as zonas protegidas e paisagens ecologicamente intactas.

Iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre alcança US$ 7,8 mil milhões

O Brasil também é reconhecido por liderar a iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre, Tfff, na qual os rendimentos do capital aportado pelos patrocinadores são usados para financiar a manutenção e restauração das matas em países com florestas tropicais.

Até o encerramento da 30.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas, COP30, realizada em 2025 no Brasil, mais de US$ 6,7 mil milhões haviam sido prometidos frente a uma meta inicial de US$ 25 mil milhões. A meta total de capitalização é de US$ 125 mil milhões.

Compromissos recentes, como dos Países Baixos, em 26 de outubro, e do Reino Unido, no mês passado, elevaram a captação para US$ 7,8 mil milhões. No momento, o mecanismo está a ser copresidido pelo Brasil e pela Noruega.

Restauração ajuda a enfrentar os maiores desafios globais

O relatório do Unep e da FAO ressalta que restaurar 15% das áreas prioritárias no mundo poderia evitar 60% das extinções projetadas de espécies. Também poderia absorver grandes quantidades do gás dióxido de carbono, CO², que aquece o planeta, uma função crucial para manter o aquecimento global abaixo de 2°C.

Ao mesmo tempo, a agrofloresta, que combina árvores com culturas ou gado, poderia melhorar a segurança alimentar de 1,3 mil milhões de pessoas.

A coordenadora da Divisão de Ecossistemas do Pnuma, Natalia Alekseeva, destaca que restaurar ecossistemas degradados está entre as formas mais eficazes de enfrentar alguns dos maiores desafios do mundo.

Segundo ela, as ações de restauração podem reverter a perda de biodiversidade, ajudar as comunidades a se adaptarem às alterações climáticas, produzir alimento suficiente para uma população global em rápido crescimento e garantir meios de subsistência. Felipe de Carvalho – Brasil ONU News


Cabo Verde - Natacha Magalhães regressa aos livros infantojuvenis com “O dia em que tudo mudou”

Cidade da Praia – A nova aposta literária infantojuvenil da escritora cabo-verdiana Natacha Magalhães, O dia em que tudo mudou, lançada na sexta-feira, 30 de Outubro, anunciou a escritora, após uma paragem de nove anos neste género literário.


Em declarações à Inforpress, Natacha Magalhães explicou que o livro reúne três contos - “Uma poderosa coroa”, “Papá para sempre” e “Preciosa como tu” - que exploram “universos emocionais complexos e fundamentais” nesta fase de pré-adolescentes e adolescentes.

Conforme referenciou a escritora, o conto “Uma poderosa coroa” celebra a beleza e a identidade afrodescendente, onde a história ressalta a importância de aceitar as raízes e herança cultural.

No conto “Papá para sempre” aborda a mudança para uma nova vida e a força do amor paterno que se mantém presente apesar da distância.

Já a narrativa “Preciosa como tu”, focada na saúde mental e na autoestima, segundo a autora, aborda a superação da ansiedade e a descoberta do valor próprio.

“Eu quis de certa forma, dar esse contributo, trazer encontros temáticas que refletem os desafios, que é certo que os pré-adolescentes enfrentam. Que são temáticas que são viventes deles, fazem parte da realidade deles”, frisou.

A mesma fonte acrescentou que o processo criativo surgiu de histórias que foi ouvindo e que refletem “a realidade de muitos adolescentes”.

Segundo a autora, o livro traz um pouco de fantasia, diversão, mas também pedagógico, tratando-se de “um público mais crescido”, e que pode ser também acompanhado pelos encarregados de educação.

A obra tem o selo da Livraria Pedro Cardoso e marca o regresso da autora neste género literário, pois a sua última publicação infantojuvenil ocorreu em 2017 com a obra A Viagem mais fantástica do mundo. In “Inforpress” - Cabo Verde


sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Macau - Alunos de Coimbra poderão estagiar na função pública da Região

O Governo de Macau demonstrou interesse em receber na função pública estagiários dos programas de Administração Pública da Universidade de Coimbra (UC), revelou à Lusa um dirigente da instituição. O vice-reitor para Relações Internacionais e Alumni da UC, João Nuno Calvão da Silva, disse que reuniu na quarta-feira com o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng.


Calvão da Silva disse que “o objectivo primeiro” do encontro foi tentar garantir estágios na função pública de Macau para os estudantes da licenciatura e mestrado em Administração Pública da UC.

O dirigente defendeu que a possibilidade de os alunos terem em Macau “uma parte do seu percurso formativo” seria “bom para ambas as partes”, assim como “muito importante para a internacionalização da Universidade de Coimbra”.

Kong Chi Meng “mostrou vontade política de operacionalizar” o programa de estágios, confirmou Calvão da Silva, acrescentando que o seu interlocutor garantiu “flexibilidade para também encontrar as melhores soluções que sirvam” a Macau.

Macau conta com cerca de 34 mil funcionários públicos. As estatísticas oficiais não revelam quantos trabalhadores da função pública têm nacionalidade portuguesa, mencionando apenas que 226 nasceram em Portugal.

A Lusa pediu mais informações à DSEDJ e à Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, mas não obteve até ao momento qualquer resposta.

A ideia, explicou Calvão da Silva, é alargar a rede de estágios disponíveis para os estudantes de Administração Pública da UC, que já conta com mais de 90 entidades, não só em Portugal, mas também em outros países lusófonos. O dirigente revelou ainda que a UC ofereceu ao Governo de Macau a possibilidade de “jovens quadros qualificados da Administração Pública” da região chinesa poderem aceder à rede de estágios profissionais da instituição.

Calvão da Silva aproveitou ainda a viagem para “pôr em prática” um acordo com a Faculdade de Direito da Universidade de Macau (UM), patrocinado pela operadora de casinos MGM. O protocolo, válido durante quatro anos, prevê a realização anual de dois eventos científicos internacionais, um em Coimbra e outro em Macau, referiu o vice-reitor da UC.

“Em breve vai também ser concretizado com bolsas de investigação”, acrescentou Calvão da Silva, permitindo a estudantes de Direito da UC fazerem mestrados ou doutoramentos em Macau e vice-versa.

O dirigente falava à margem da abertura de uma conferência internacional para debater as reformas jurídicas de Macau, organizada em conjunto pela UC e pela UM, com juristas de Portugal, China continental, Angola, Moçambique e Brasil. A conferência é um exemplo do “diálogo entre culturas jurídicas”, que, defendeu Calvão da Silva “vai propiciar que Macau mantenha uma cultura jurídica de cruzamento entre Portugal e a República Popular da China”.

“O nosso ordenamento jurídico mantém uma profunda ligação histórica à tradição jurídica portuguesa”, sublinhou, na abertura do evento, o director da Faculdade de Direito da UM, Gabriel Tong Io Cheng.

Após a transição de administração em 1999, “foi assegurada a continuidade do sistema jurídico anteriormente vigente, que tem vindo a adaptar-se progressivamente às necessidades da sociedade”, disse Gabriel Tong.

Calvão da Silva disse acreditar que o sistema jurídico de Macau “perdurará muito para além do compromisso internacional” que “une” a região e Portugal “neste período transitório até 2049”.

Na abertura da conferência, também Ng Chi Kin, nomeado na quarta-feira director dos Serviços de Assuntos de Justiça, descreveu o direito de Macau como “uma ponte de ligação entre o direito chinês e português”. Ng defendeu que a reforma do Código do Procedimento Administrativo de Macau, actualmente em consulta pública, “não pode ser bem feita à porta fechada”, e beneficia das “visões dos juristas” de língua portuguesa.

A opinião foi partilhada pelo presidente da Associação dos Advogados de Macau, Vong Hin Fai, que apelou à “colaboração com instituições e juristas” da China e dos países lusófonos para “elevar os padrões” do direito administrativo. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Moçambique - Hipólito Sengulane lança duas obras literárias na cidade de Maputo

O escritor e vice-reitor da Universidade Save, Hipólito Sengulane, lança, no próximo dia 5 de Novembro, em Maputo, duas obras literárias intituladas Vidas Cruzadas em Tempo de Espera e Revelações do Mundo ao Corpo do Velho, esta última na sua segunda edição.


A sessão de lançamento está marcada para as 17h30, no Camões – Centro Cultural Português, e será moderada pelo escritor e jornalista Eduardo Quive, com leitura de excertos pela escritora Matilde Uelissene. As obras são publicadas pela editora Catalogus.

Em Vidas Cruzadas em Tempo de Espera, o autor apresenta diferentes personagens cujas trajectórias se cruzam num contexto marcado pela espera, esperança e desafios do quotidiano. A narrativa explora experiências de vida distintas, colocando em evidência sonhos, frustrações, expectativas e a procura de sentido para a existência.

Já em Revelações do Mundo ao Corpo do Velho, Sengulane aborda a velhice, a solidão e as memórias através de um protagonista que revisita as experiências acumuladas ao longo da vida, reflectindo sobre o tempo e a necessidade de registar aquilo que viveu e sentiu.

Embora apresentem abordagens distintas, as duas obras têm como ponto de convergência a reflexão sobre a condição humana, as relações, as memórias e as experiências que marcam a existência.

Hipólito F. M. Salomão Sengulane nasceu em 1962, em Zandamela, distrito de Zavala, província de Inhambane. É doutorado em Educação e Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no Brasil, e actualmente exerce funções de vice-reitor para a Área Académica da Universidade Save.

Com publicações nas áreas científica e literária, o escritor é autor de obras como História das Instituições de Poder Político em Moçambique, Uma História do Anglicanismo em Moçambique e Um Pulsar de Fel, entre outras. In “O País” – Moçambique”


Angola - Lidera África em dispositivos pirateados por hackers

O país é terreno fértil para cibercriminosos. A elevada detenção de botnets está relacionada com as vulnerabilidades técnicas ou falta de segurança no ciberespaço e baixa literacia. Angola funciona como um terreno fértil para os cibercriminosos, que usam os equipamentos cibernéticos como armas para atacar outras economias


Angola lidera a lista dos países africanos com maiores índices de detecção de botnets, ou seja, redes de dispositivos ligados à internet (como computadores, telemóveis, routers ou aparelhos de IoT) controlados à distância por criminosos, revela o relatório de Avaliação das Ciberameaças em África 2026 da Interpol, com base em dados de 36 países do continente.

As botnets são redes de equipamentos electrónicos controlados por cibercriminosos através de malware (software malicioso) e servem, muitas vezes, como um importante meio de propagação de ransomware, ataques que sequestram os ficheiros ou o sistema de uma vítima através de encriptação, exigindo o pagamento de um resgate para devolver o acesso. Os dados do relatório de avaliação resultam de um inquérito a 36 países, cruzado com telemetria de empresas privadas de segurança no espaço digital como Fortinet, Shadowserver, TrendAI e outras.

Os dados de botnet baseiam-se na telemetria do FortiGuard Labs (laboratório global de investigação de ameaças no ciberespaço). Angola tem o maior índice entre os 36 países, com 38% das detecções registadas nos países analisados pela Interpol. Esta percentagem corresponde às detecções registadas por sensores do laboratório e não à percentagem de dispositivos infectados, ou seja, representa o volume de comunicações maliciosas captadas.

Esta elevada detecção de botnets revela vulnerabilidades técnicas ou falta de segurança no ambiente digital, onde proliferam dispositivos IoT inseguros, equipamentos electrónicos como câmaras de segurança e routers ligados à internet com palavras-passe de origem ou firmware desactualizado, bem como sistemas operativos piratas ou obsoletos e o fraco uso de ferramentas de protecção básicas, como antivírus e firewall (barreira de protecção), o que acontece um pouco nos vários organismos públicos... In “Expansão” - Angola