O Município de Terras de Bouro marcou presença nas
comemorações do 20.º aniversário da Associação Juventude Lusitana de Le
Beausset, que decorreram entre os dias 22 e 24 de maio, em França
No âmbito do processo de geminação
entre Terras de Bouro e Le Beausset, a associação, juntamente com a Câmara
Municipal de Le Beausset, convidou o executivo municipal terrabourense a
participar nas celebrações. A delegação portuguesa integrou o presidente da
Câmara Municipal de Terras de Bouro, Manuel Tibo, e o vice-presidente, Adelino
Cunha.
As comemorações incluíram diversas iniciativas de carácter
cultural e social, destacando-se uma eucaristia franco-portuguesa, que contou
com a presença do Padre António Lopes, pároco de Rio Caldo e capelão da
Basílica de São Bento da Porta Aberta.
Segundo o município, esta celebração teve como objetivo
assinalar a união entre as comunidades francesa e portuguesa da região, onde
existe uma forte presença de emigrantes naturais de Terras de Bouro.
O município agradeceu ainda à associação e ao seu
responsável, Manuel Pereira, pela iniciativa de reforço do intercâmbio cultural
e social entre as duas localidades, assim como ao presidente da comuna de Le
Beausset, Claude Alimi, pelo trabalho desenvolvido no fortalecimento do
processo de geminação.
“Para o Município de Terras de Bouro, estas visitas
assumem uma enorme importância na preservação e fortalecimento dos laços com a
diáspora terrabourense, promovendo a proximidade entre comunidades e reforçando
o sentimento de identidade e pertença às suas raízes. Estes momentos de
partilha e cooperação representam também uma oportunidade privilegiada para
valorizar a cultura, as tradições e os valores que unem Terras de Bouro e Le
Beausset, consolidando uma relação de amizade, intercâmbio e fraternidade que
importa continuar a cultivar para as gerações futuras”, lê-se na publicação
feita nas redes sociais do município. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo
Caiu o pano de mais um espectáculo em patuá, interpretado
pelo grupo Dóci Papiaçám di Macau, e o dramaturgo e encenador já pensa na
próxima edição. Levantando um pouco o véu daquilo que poderá ser satirizado em
2026, Miguel de Senna Fernandes disse ao Jornal Tribuna de Macau que a ideia é
dar continuidade aos temas relacionados com “os novos ventos” do
desenvolvimento do território. O responsável mostra-se satisfeito com a
actuação das pessoas em palco, “que conseguiram envolver o público”, destacando
a simbiose entre os mais velhos e as novas gerações. Por outro lado, confirmou
a este jornal que o Instituto Cultural pediu que fosse retirada “uma
expressão”, tendo o grupo feito uma rectificação
Casa cheia no sábado à noite e plateia
com menos gente no domingo à tarde constituem o balanço da adesão do público a
mais um ano de espectáculo em patuá, interpretado pelo grupo de teatro Dóci
Papiaçám di Macau, que teve por palco o Grande Auditório do Centro Cultural.
Incluída no programa do Festival e Artes, a peça de quase
duas horas e meia de duração, com legendas em português, inglês e chinês,
abordou o ambiente socioeconómico de Macau com muito humor e sátira social.
O enredo girou em torno de duas irmãs que assumiram o
restaurante do pai (o estabelecimento “Glorioso”) após a sua morte. “E Agora
Como? (E agora?)” reflectiu o impacto do fecho de casinos-satélite e as
dificuldades do pequeno comércio.
O dramaturgo e encenador mostra-se “muito satisfeito”,
porque as pessoas em palco “conseguiram envolver o público, que é o mais
importante”, disse ao Jornal Tribuna de Macau. Miguel de Senna Fernandes afirma
que “todos os anos a experiência se repete, sendo uma confirmação do esforço
comum”, adiantando que “cada participante teve oportunidade de, por si e
juntamente com os outros, realizar algo de pessoal, uma vez que há sempre
espaço para alguma criatividade dentro do guião, o qual permite essa
liberdade”.
Como todos os anos acontece, houve algumas revelações,
como foi o caso de Eduardo, de apenas 11 anos de idade, que teve a
responsabilidade de apresentar a peça. E é nestas novas gerações que o mentor
do espectáculo aposta, sem nunca descurar os mais velhos, já veteranos nestas
andanças.
“O Doçi Papiaçám não é aquela escola tradicional de
teatro, mas também é uma escola em que se aprende a estar em palco”, salienta,
acrescentando que “enfrentar o palco é psicológico e treina-se”. Para o
encenador, que há 33 anos fundou o grupo, “quem tem experiência de palco tem
experiência da vida, sendo isto uma oportunidade fantástica de auto-estima e de
auto-afirmação”. Por isso, nota, “queremos apostar nas novas gerações para dar
continuidade ao espectáculo e ao próprio patuá, como língua”.
Referindo-se à tecnologia utilizada, desta feita com
algumas imagens geradas através de Inteligência Artificial, diz que esta
ferramenta “tem de ser aproveitada, uma vez que está ao nosso dispor e permite
muitas vezes dar azo a que nós possamos realizar algo que nós idealizámos e não
iríamos conseguir pelas nossas próprias mãos”.
No entanto, na peça deste ano, notou-se que os momentos
musicais foram escassos, ao contrário de espectáculos anteriores. “Reconheço
que deveria haver mais”, admitiu, afirmando que, “o que houve foi conseguido em
tempo recorde pela Joana Freitas e pela Agurtzane Cordeiro que quiseram
arriscar, tendo resultado bem”. Para o ano, revela, “vou apostar mais na música
e nas canções, porque é de facto importante, posso mesmo dizer insubstituível”.
E por falar na edição de 2026, Miguel de Senna Fernandes
diz já ter algumas ideias, com o tema a andar provavelmente à volta dos “novos
ventos” da RAEM. “Para onde é que se vai hoje em dia quando se quer desenvolver
Macau?”, questiona, dando um exemplo: Hengqin.
Aponta o mês de Setembro para começar a definir a
história da peça. “Mas terá sempre a ver com os novos ventos do desenvolvimento
do território”, expressa.
O responsável do grupo Dóci Papiaçam di Macau
congratula-se pelo apoio dado pelo Instituto Cultural (IC). “A presidente,
Leong Wai Man, esteve na plateia e no final foi aos bastidores apresentar
cumprimentos, o que é um sinal de que podemos contar com o seu apoio e de facto
não nos podemos queixar de nada ao longo destes anos”, menciona.
Sobre a obrigação de apresentação, à “priori”, do guião
do espectáculo ao IC, o dramaturgo desvaloriza algumas rectificações feitas
pontualmente. “Falaram comigo e nós retirámos uma expressão, apenas isso, mas
nós compreendemos e aceitamos”, conclui.
Relativamente ao programa do Festival de Artes, outro
espectáculo teatral estará em cena nos próximos dias 29 e 30 de Maio,
sexta-feira e sábado, às 20h00, no Grande Auditório do IC. “Divina Comédia”
terá interpretação do grupo italiano NoGravity. Vítor Rebelo – Macau
Terá lugar na próxima Quinta-feira,
dia 28 de Maio, às 17h45, na biblioteca do Camões — Centro Cultural
Português em Maputo, o lançamento do livro Entre Fronteiras Literárias e
Outros Textos, a mais recente obra da ensaísta e docente moçambicana Sara
Jona Laisse. A apresentação oficial estará a cargo do Professor Cristiano
Matsinhe.
Dividida em duas partes que totalizam 36 artigos
distribuídos por mais de 200 páginas, a obra propõe um diálogo cru e sem tabus
sobre a construção da identidade, os desafios das minorias e o papel da
literatura na desconstrução de estigmas sociais. Enquanto a primeira secção
mergulha nas sinuosidades das relações humanas e nas ambiguidades do
quotidiano, a segunda metade do volume actua como uma cartografia crítica, na
qual a autora estabelece pontes intertextuais com grandes referências da
literatura nacional, de Luís Bernardo Honwana a novos escritores
contemporâneos.
De acordo com Pedro Pereira Lopes, editor da Gala-Gala,
este volume de ensaios da professora Jona Laisse “faz uma cirurgia às nossas
convenções identitárias e rasga as costuras do cânone literário para nos
devolver um Moçambique cru, urgente e despido de disfarces”.
Entre Fronteiras Literárias e Outros Textos saí pela estampa da Gala-Gala Edições e integra a
colecção “Nossa gente, nossas línguas”.
Sobre a autora
Sara Jona Laisse é ensaísta no campo da literatura e da cultura
moçambicana. Doutorada em Literaturas e Culturas em Língua Portuguesa pela
Universidade Nova de Lisboa (2015), é docente na Universidade Católica de
Moçambique. Colabora no jornal digital 7 Margens e faz parte do conselho
editorial de revistas científicas moçambicanas e internacionais. A sua obra
foca especialmente a preocupação em relação às culturas moçambicanas e à
raridade de discussão sobre elas. É autora, de entre vários títulos, de Entre
o Índico e o Atlântico: Ensaios Sobre Literatura e Outros Textos (2013), Entre
Margens: Diálogo Intercultural e Outros Textos (2020), Moçambique,
Margem Sul: Arte, Interculturalidade e Outros Textos (2022) e Moçambiquero-te:
Literaturas, Culturas e Outros Textos (2024). In “Moz
Entretenimento” - Moçambique
Desporto é o passe para o recomeço de jovens que
escaparam da guerra e perseguição, os diplomatas da ONU entram em campo pela
causa. O português é a segunda língua global da modalidade que une o mundo, Joshua
Nascimento, filho do Rei Pelé, fala de ferramenta de inclusão e conexão
cultural para além de outros entrevistados
Quando o assunto é unir o planeta e
dar um gás nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, a bola mostra que
rola mais rápido do que vários compromissos oficiais na ONU em Nova Iorque.
Pelo globo, a festa do Dia Mundial do Futebol inclui a todos dentro e fora de
campo.
Pelo 25 de maio, o fato, a gravata e a mesa de debate
ficaram de parte até em certos eventos oficiais das Nações Unidas pela passagem
da data celebrada desde a aprovação da resolução da Assembleia Geral da ONU, em
2024.
Muito além de um pretexto para convivência
Este ano, muitos adeptos estão de olho no Campeonato do
Mundo e na taça Jules Rimet. Um momento em que a paixão por clubes locais se
intensifica com a formação da Seleção de Futebol de cada país.
Segundo a ONU, o desporto ignora fronteiras geográficas,
saldos bancários e diferenças culturais para ligar pontos distantes do mundo
através de uma paixão juntando comunidades e impulsionando o orgulho nacional.
E quem entende bem essa sinergia é Joshua Nascimento, que
carrega no sangue o orgulho de um DNA puramente genial: Edson Arantes do
Nascimento, o Pelé, pai de Joshua.
“E esse Dia Mundial do Futebol, que é muito importante
para mim, como filho de um atleta tão grande como o rei Pelé, e de um menino
que cresceu ouvindo falar sobre futebol, jogando futebol, é muito importante
para mim. Porque o futebol é um desporto que conecta pessoas de diferentes
culturas, de diferentes países, línguas, e todos se comunicam igual e conseguem
achar uma forma de jogar juntos e se divertir ou competir, se for no mais alto
nível. E é uma forma que traz todos juntos por uma causa, que é o jogo, o beautiful
game, como se diz em inglês.”
Centenário do primeiro torneio internacional
Por trás da celebração da bola está um marco: o
centenário do primeiro torneio internacional de futebol com representação
global, em 25 de maio de 1924. Foi nos Jogos Olímpicos de Verão em Paris onde
nasceu a atual Taça do Mundo.
A genialidade do futebol está na sua simplicidade e
acessibilidade, que faz dele uma ferramenta para promover saúde mental e
bem-estar físico. Dentro e fora das quatro linhas, este desporto tem servido
como uma plataforma vital para acelerar a igualdade de género e o empoderamento
de mulheres e jovens.
O que é chamado catalisador de inclusão social dentro e
fora do campo derruba barreiras para criar uma zona livre onde origens opostas
se encontram para aprender sobre tolerância, respeito mútuo e solidariedade.
O Português é a segunda língua global do futebol
E muitos atuam nos bastidores do futebol, como o
português Nuno Crisóstomo. O ex-funcionário do Fundo das Nações Unidas para a
Infância, Unicef, lidera voluntários da Taça do Mundo da FIFA, nos Estados
Unidos.
Sobre a paixão global, ele revela um detalhe: a segunda
língua mais falada nos relvados.
“O português, neste momento, é a segunda língua global do
futebol a seguir ao inglês. Não pelos jogadores, pelo número de jogadores
brasileiros, portugueses e de outros países que falam a língua portuguesa, mas
também pelos treinadores. Portanto, os técnicos que treinam os clubes. Neste
momento, há cerca de 136 treinadores portugueses no estrangeiro. E penso que no
Brasil, eu não tenho esses números, mas deve ser pelo menos 10 vezes mais.”
O enorme impacto move até o maior palco diplomático do
mundo que teve de se curvar à majestade da bola. Para celebrar o marco
histórico, a Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução carimbando o 25 de
maio como o Dia Mundial do Futebol.”
Espaço inigualável para a cooperação humana
A resolução da Assembleia Geral que criou o Dia Mundial
do Futebol reconhece “o alcance global do futebol e seu impacto em diversas
esferas, incluindo comércio, paz e diplomacia, admitindo que o desporto cria um
espaço inigualável para a cooperação humana.”
E se o futebol é património e identidade, o Brasil, que é
pentacampeão em Taças do Mundo, tem um espaço que preserva e memórias. A
diretora técnica do Museu do Futebol, Marília Bonas, faz o convite para quem
quiser mergulhar nessa linha do tempo.
“O Museu do Futebol existe desde 2008 e a gente conta o
porquê que o futebol é património brasileiro, porque que ele faz parte da nossa
identidade. Então, a gente conta a história do Brasil pela história do futebol,
desde a chegada do futebol na virada do Século 19 até aos dias de hoje,
passando pela história do futebol feminino, das modalidades adaptadas do
futebol indígena e toda essa diversidade de modalidades do futebol que fazem
parte do nosso dia a dia, da nossa paixão, enfim, da nossa história. Então, a
gente convida todo mundo a vir aqui no Museu do Futebol. A gente funciona de
terça a domingo, toda terça o museu é gratuito, para conhecer também as nossas
exposições temporárias e a nossa programação cultural. Além disso, a gente tem
muito material educativo disponível no nosso sítio, que é www.museudofutebol.org.br. A gente
espera vocês aqui.”
Bola no pé e atividade física para todos
A resolução da ONU dá crédito à Federação Internacional
de Futebol, FIFA, às federações que mantêm o jogo vivo, no texto que além de
instrumento diplomático é uma convocação geral.
A ordem é que além de ver como lazer, se comece a usá-lo
de forma ativa como ferramenta de paz, saúde e empoderamento feminino. O recado
para os governos é que criem políticas reais incentivando a bola no pé e a
atividade física para todos.
A convocação está aberta para Estados-membros, ONG,
universidades e empresas para espalhar as vantagens deste desporto pelo mundo
inteiro, seja em grandes arenas ou num campo pelado.
Nos Estados Unidos, o clima já é de contagem regressiva
para a Taça do Mundo 2026 que bate à porta em poucas semanas.
Vida transformada pela paixão por futebol
Cristopher Nassif, técnico do Clube de Futebol de
Ironbound, no estado de Nova Jersei, considerada uma das áreas mais lusófona
dos Estados Unidos, atua como um líder que influencia jovens. Ele explica como
viver transformado por esta paixão.
“Feliz em poder compartilhar e agradecer ao desporto, e,
agradecer ao futebol nesse vídeo, o quão ele foi benéfico para mim. É, poder
dizer que aqueles que amam o futebol, não existem formas corretas de amar algo.
Acho que você pode amar o futebol na torcida, você pode amar o futebol com os seus
amigos enquanto você tá no jardim jogando futebol com eles, você pode amar o
futebol como um treinador, como alguém que deseja ter isso como carreira, ou
simplesmente acompanha a Copa do Mundo, que vai acontecer daqui a algumas
semanas, eu diria, e a gente vai estar aqui, eu na torcida pela nossa Seleção
Brasileira, mas você pela torcida da Seleção que acompanha. Então eu deixo aqui
a minha mensagem, primeiro de agradecimento ao futebol, por tudo que me
proporcionou. É, se, se eu tivesse que hoje se sentar com o futebol, eu lhe
diria: obrigado, futebol, por me tornar um grande homem, por me tornar uma
grande pessoa.”
O treinador das categorias Sub-17 e Sub-19 diz que a
modalidade ajudou a ser melhor pai, marido e pessoa para auxiliar crianças e
adolescentes a ser cidadãos que se tornarão grandes jogadores de futebol e com carácter
admirável.
Poder de transformação da bola
Na demonstração do poder do jogo, a ONU exibiu a
iniciativa Futebol Sem Fronteiras escalando a “Seleção de Refugiados”. Já os
diplomatas que foram alinhados para suar a camisa participaram na iniciativa
dos “Amigos do Futebol”.
A convocação para as quatro linhas incluiu embaixadores,
representantes de alto escalão do Secretariado e estrelas do futebol mundial
onde dominou o poder de transformação da bola.
O Mundial de Futebol começa neste 11 de junho e a
primeira partida de uma país de língua portuguesa será dois dias depois, em
Newark entre Brasil e Marrocos. ONU News – Nações Unidas
Os dois livros de estreia do autor Zeka Mbueti,
apresentados, na província de Icolo e Bengo, visam melhorar o ambiente de
ensino e de aprendizagem
Os livros, Tchambassuco e Tchissola
e Rotulação de Alunos, visam despertar e preparar os alunos contra
situações de bullying e os professores.
Segundo o autor, resultam de experiências vividas pelo
autor, enquanto profissional de ensino e aprendizagem, e de leituras.
Os temas abordados são inspirados em experiências das
quais transformam a realidade em narrativa através das personagens que
reflectem situações muito próximas do quotidiano dos alunos.
O livro Tchambassuco e Tchissola nasce da vivência
directa em contexto educativo e da sensibilidade de testemunhos directos de
situações de bullying, insegurança e dificuldades na construção da
identidade dentro da escola.
São contos de duas crianças com o mesmo desafio, num
mundo de difícil concretização do seu imaginário. O livro aborda a história de
coragem, identidade, sonhos e superação de duas personagens, vítimas de bullying.
Tchambassuco transforma o seu nome numa força de orgulho
e identidade, após enfrentar insultos, enquanto Tchissola descobre as suas
raízes e origens em sonhos e viagens.
A obra Rotulação de Aluno é um subsídio para
professores e gestores escolares que analisa os impactos da rotulação de alunos
no ambiente escolar, mostrando como essas práticas podem afectar a auto-estima,
a motivação, o rendimento académico e nas relações com o ambiente escolar.
O livro visa prepará-los diante de situações inesperadas
que, no dia-a-dia escolar, acompanha de perto os desafios que as crianças
enfrentam no processo de crescimento. Manuela Mateus – Angola in “Jornal
de Angola”
Análise mundial desde 1980 - que conta com a participação
de investigadores da Universidade de Coimbra - revela desaceleração histórica
na Europa Ocidental, incluindo Portugal, mas alerta para o aumento do problema
em regiões desfavorecidas
Um estudo internacional publicado na
revista Nature, que conta com o contributo de investigadores da
Universidade de Coimbra (UC), revela que a evolução da obesidade a nível global
mostra sinais de estabilização e até de possível inversão em vários países de
elevado rendimento, após décadas de crescimento acelerado.
A investigação, liderada pelo NCD Risk Factor
Collaboration (NCD-RisC) em parceria com a Imperial College London, analisou a
evolução da obesidade em 200 países e territórios entre 1980 e 2024, com base
numa das mais abrangentes bases de dados epidemiológicos alguma vez reunidas
nesta área, integrando informação proveniente de milhares de estudos
populacionais e de centenas de milhões de participantes.
Os resultados mostram que, após um aumento rápido e
sustentado da prevalência da obesidade ao longo das últimas décadas do século
XX, observa-se um abrandamento claro desse crescimento na maioria dos países de
elevado rendimento. Em diversos contextos, verifica-se mesmo uma estabilização
das taxas e, em alguns casos, sinais de diminuição, particularmente entre
crianças e adolescentes, com reflexos posteriores nas populações adultas. Entre
os países onde estas tendências são mais evidentes incluem-se alguns exemplos
da Europa Ocidental, como Portugal, França e Itália.
Segundo os autores, estes padrões sugerem que a ideia de
uma “epidemia global de obesidade” pode ser uma simplificação excessiva, na
medida em que esconde trajetórias muito distintas entre países e regiões,
influenciadas por fatores sociais, económicos e, em particular, pela
disponibilidade e acessibilidade a alimentos saudáveis.
Apesar destes sinais encorajadores em alguns contextos, o
estudo sublinha que a obesidade continua a aumentar de forma consistente em
muitos países de baixo e médio rendimento, com especial incidência em várias
regiões de África, Ásia, América Latina e em ilhas do Pacífico e das Caraíbas,
evidenciando uma forte desigualdade global na evolução deste problema de saúde
pública.
Para o professor Majid Ezzati, coordenador do estudo no
Imperial College London, os resultados demonstram que “o aumento da obesidade
não é inevitável e pode ser travado, ou mesmo invertido, através de políticas
adequadas”. Ainda assim, o investigador alerta que os níveis atuais permanecem
elevados e que as desigualdades entre regiões continuam a ser muito
significativas.
Na mesma linha, Aristides Machado-Rodrigues, co-autor do
estudo e investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS)
da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e
docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC, sublinha
que “analisar não apenas a prevalência, mas também a velocidade de mudança da
obesidade ao longo do tempo, permite identificar com maior precisão os
contextos onde são necessárias intervenções mais urgentes, nomeadamente através
de políticas públicas robustas nas áreas da saúde e da alimentação, capazes de
acompanhar as transições económicas, tecnológicas e nutricionais em curso”.
O trabalho contou ainda com a participação de outros
docentes e investigadores da UC, nomeadamente Cristina Padez e Daniela
Rodrigues, da FCTUC, Helena Nogueira, da Faculdade de Letras, e Luísa Macieira,
Lélita Santos e Anabela Mota-Pinto, da Faculdade de Medicina. Universidade
de Coimbra - Portugal
Estudo internacional cruzou genética e neuroimagem para
perceber porque certas áreas do cérebro são mais vulneráveis a doenças como a
depressão ou a esquizofrenia
Um estudo com a participação da
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) desenvolveu mapas de
risco genético para doenças psiquiátricas com base em imagens da estrutura do
cérebro e numa técnica de biologia molecular que analisa a expressão de genes
num determinado momento, designada transcriptómica.
Publicado na prestigiada revista científica Molecular
Psychiatry, do grupo Nature, “este trabalho revela como o risco
genético para doenças psiquiátricas se organiza no cérebro humano e se
relaciona com alterações estruturais cerebrais observadas em neuroimagens”,
explica Daniel Martins, professor e investigador da FMUP na área das Neurociências.
Os investigadores utilizaram um método inovador que
integra dados genéticos de larga escala e a neuroimagem para analisar sete
doenças psiquiátricas, incluindo depressão, esquizofrenia, perturbação de
hiperatividade/défice de atenção (PHDA), autismo e perturbação
obsessivo-compulsiva. O objetivo era “compreender por que certas regiões
cerebrais são mais vulneráveis em cada uma das doenças psiquiátricas”.
Embora estas doenças tenham causas multifatoriais
resultantes da interação entre fatores genéticos, ambientais e do
neurodesenvolvimento, as abordagens tradicionais tendem a analisar a
suscetibilidade genética e as alterações neuroanatómicas separadamente.
Este novo estudo permite, assim, “projetar o impacto do
risco genético no espaço do cérebro, com base em mapas de risco derivados da
expressão génica. Esta abordagem estabelece uma ponte direta entre genes,
processos moleculares e alterações anatómicas observadas por ressonância
magnética”.
“As alterações estruturais do cérebro observadas em
algumas doenças psiquiátricas não surgem ao acaso, mas refletem, em parte, a
organização molecular do próprio cérebro. Na depressão major e na
esquizofrenia, por exemplo, há uma correspondência clara entre padrões de
expressão génica associados ao risco genético e as regiões cerebrais mais
afetadas”, explica Daniel Martins.
Segundo o docente da FMUP, os resultados indicam ainda
que diferentes doenças psiquiátricas parecem envolver mecanismos biológicos
distintos. “Enquanto a depressão e a esquizofrenia mostram forte envolvimento
de vias imunitárias e inflamatórias, a PHDA apresenta maior associação a
processos de neurodesenvolvimento”, elucida.
Os autores sublinham, aliás, que “esta abordagem não é
reducionista” e que “os genes não determinam isoladamente a doença, antes
interagem com fatores ambientais, desenvolvimento e experiência ao longo da
vida”.
“A publicação na Molecular Psychiatry — uma das
revistas mais prestigiadas na área da psiquiatria biológica — reforça a
visibilidade internacional da investigação desenvolvida com participação da
FMUP e o seu contributo para os avanços na área da psiquiatria”, conclui Daniel
Martins.
Além de Daniel Martins, que integra a área de
Neurociências e Saúde Mental da FMUP, liderada por Lia Fernandes (ambos
FMUP/RISE-Health), esta investigação é assinada também por cientistas do King’s
College London, Universidade de Londres (Reino Unido), Universidade Goethe
(Alemanha) e Universidade de Padova (Itália). Universidade do Porto -
Portugal