Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 5 de maio de 2026

Nações Unidas - No Dia Mundial da Língua Portuguesa, a ONU celebra poder e alcance do idioma

Em mensagem, o secretário-geral das Nações Unidas destaca o português como pilar diplomático. A secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, reforça aposta em democracia e novos rumos, já os criadores de conteúdos exaltam a língua como ponte para descobertas


Neste 05 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa, as Nações Unidas enfatizam o papel estratégico do idioma como uma ferramenta de multilateralismo e entendimento entre nações.

A mensagem do secretário-geral, António Guterres, aponta o multilinguismo como a base para a compreensão mútua em tempos de fragmentação global.

Renovação constante

O líder da ONU ressalta a pluralidade de vozes, de São Paulo a Díli, de Lisboa a Maputo, como a maior força de uma língua que se renova constantemente e carrega, nas palavras do poeta cabo-verdiano Corsino Fortes, a pátria dentro.

Durante a sua última entrevista à ONU News sobre o tema, em 2023, o líder das Nações Unidas destacou a força do idioma na disseminação de uma cultura de paz.

"É a riqueza da diversidade. Eu estou a ouvi-la falar em português do Brasil e é muito diferente no som do português que eu falo, mas é isto que é a nossa riqueza comum. A língua portuguesa está em quatro continentes e é uma ponte de união entre mulheres e homens de todo o mundo e que podem utilizar a língua portuguesa para incrementar o diálogo e a cooperação internacional e para serem todos eles fatores de paz. Porque a paz é o bem mais precioso e, infelizmente, é um bem que estamos longe de dar por adquirido neste momento."

Língua, cultura, histórias e tradições

Este ano, as celebrações destacam o 30.º aniversário da CPLP, em julho. Na presidência do bloco, Timor-Leste reafirma a consolidação democrática e o desenvolvimento de planos para o bem-estar comum.

Em pronunciamento antes do Dia Mundial da Língua Portuguesa, o embaixador de Timor-Leste na ONU, Dionísio Babo Soares, falou do impacto deste 05 de maio.

“O português liga-nos através de uma língua comum, mas também de culturas, histórias e tradições diversas. É uma língua moldada por muitas vozes, em diferentes geografias e gerações. Aqui nas Nações Unidas, os países da língua portuguesa são participantes ativos no multilateralismo, na promoção da paz e segurança, no desenvolvimento sustentável e na defesa e promoção do direito internacional. Neste espaço, a nossa língua continua a ser uma ponte para o diálogo e a cooperação.”

O grande marco da internacionalização do português ocorreu em 2019, quando a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, oficializou a data global. O dia era celebrado pela CPLP desde 2009.

Consolidando a união estratégica entre as nações

Mais do que um código de comunicação, a língua portuguesa é o fio invisível que costura oceanos, aproxima culturas e projeta o futuro, enfatiza a mensagem da secretária executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim.

De Lisboa, a líder do bloco lusófono destaca que a celebração visa, não apenas um legado histórico, mas a vitalidade de um idioma que se reinventa a cada sotaque e consolida a união estratégica entre as nações.

“A língua é a esperança viva e próspera para um futuro melhor, para a promoção da cidadania, para a criação de oportunidades, para o fortalecimento dos laços de colaboração e entre as nossas nações. Neste dia de celebração, é com grande apreço e reconhecimento que saúdo a promoção de iniciativas por todos os Estados-membros da CPLP, pelos grupos junto das organizações internacionais, pelos observadores associados, pelos observadores consultivos, pelas nossas diásporas, pelas nossas sociedades, que são atores e parceiros fundamentais para fortalecermos e difundirmos a língua portuguesa e a diversidade que nos une como uma verdadeira comunidade de países e povos que somos.”

Vivendo o quotidiano de milhões de falantes espalhados por quatro continentes, a ONU News também ouviu jovens que têm na festa do português o festejo de uma herança e de um “espaço de pertença” que ignora fronteiras geográficas.

Português de influenciadores

A influenciadora digital síria, Nabila Yousif, considera a língua portuguesa como algo que vai muito além de uma ferramenta de comunicação por se tornar o portal para uma nova vida. Ela atua a partir do solo brasileiro.

“Quando eu cheguei aqui no Brasil, na verdade, né. Eu não tinha opção. Era obrigatório ou aprender ou aprender. E aí, a partir da primeira semana, comecei eu mesma a estudar sozinha. E aí, decidi fazer um grande investimento. Falei, meu pai colocou para nós uma professora para ensinar a gente eu e as minhas irmãs. Fazia aulas intensivas três vezes por semana, e eu estudava quase 24 horas por dia, assim, sem parar. Estudava o tempo inteiro. Começava a escutar músicas do Luan Santana, sem entender. Eu assistia novelas, Carminha, Salve Jorge. Também não entendia nada, mas eu colocava lá na televisão e fazia assim, tipo, intensivo.”

DNA de uma cultura

Já o jovem angolano Baptista Miranda vê na língua o DNA de uma cultura. Para ele, falar português no Brasil é um exercício constante de descoberta.

“Esse lado do pessoal achar que o africano não. Talvez em África não tenha países que falam português, porque realmente não se propaga muito essa informação. É muito desconhecido. Então, eu fico muito feliz em ser uma das pessoas também que leva essa mensagem para diante, que tem mais de cinco, seis países em África que falam português, e tem culturas diferentes. Então, eu gosto muito disso.”

Ao ser declarado o Dia Mundial da Língua Portuguesa pela Unesco, o idioma de um universo de cerca de 300 milhões de pessoas em quatro continentes foi elevado ao status de património global e reconhecido o seu papel essencial no diálogo entre civilizações. Eleutério Guevane – Moçambique ONU News


Guiné-Bissau - Faculdade de Direito de Bissau acolhe reflexões sobre Amílcar Cabral no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa

Bissau - A Faculdade de Direito de Bissau acolheu, segunda-feira, uma palestra dedicada à figura de Amílcar Cabral, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinala hoje, 05 de Maio.


Segundo a página oficial de Facebook da Casa das Letras e Artes Vasco Cabral, consultada hoje pela ANG, o evento decorreu sob o lema “Amílcar Cabral também era poeta, a palavra antes das armas”, e a sessão reuniu diversas personalidades do meio literário e diplomático sob coordenação do  escritor cabo-verdiano Germano Almeida.

Entre os participantes destacam-se a escritora guineense Odete Costa Semedo, a escritora portuguesa Manuela Ribeiro e o Embaixador de Cabo Verde na Guiné-Bissau Camilo Leitão de Graça.

Durante o encontro, Manuela Ribeiro procedeu à leitura de excertos de textos de Amílcar Cabral, evidenciando a sua dimensão literária e humanista, frequentemente ofuscada pelo seu papel na luta de libertação.

Na sua intervenção, Germano Almeida sublinhou a importância da palavra como instrumento de consciência, mobilização e construção de identidade, defendendo que o pensamento e a escrita antecederam a ação armada na formação da visão revolucionária de Cabral.

O escritor destacou a atualidade das ideias de Amílcar, sobretudo, no que se refere à promoção de uma cidadania crítica e à valorização da cultura.

Por sua vez, Odete Costa Semedo defendeu a necessidade de resgatar e valorizar a vertente literária de Amílcar Cabral no contexto guineense, propondo a sua integração nos sistemas educativo e cultural do país.

O embaixador Camilo Leitão de Graça enalteceu a iniciativa, considerando-a um reforço dos laços históricos e culturais entre a Guiné-Bissau e Cabo Verde, países unidos pelo legado e pensamento de Cabral.

Segundo os promotores, a palestra tornou-se num  espaço de diálogo entre literatura, história e política, reafirmando o papel da língua portuguesa como veículo de memória, identidade e reflexão critica no espaço lusófono. In “Agência de Notícias da Guiné”


Guiné Equatorial - O Centro de Língua Portuguesa “Camões” é inaugurado na Universidade Nacional

A inauguração deste centro reforça os planos do Governo para fortalecer o ensino do português como terceira língua oficial do país


Por ocasião do Dia Mundial da Língua Portuguesa, a Universidade Nacional da Guiné Equatorial (UNGE) inaugurou, no dia 05 de maio, um novo espaço académico dedicado ao ensino e à promoção do português, com o objetivo de expandir as oportunidades educativas e profissionais no mundo lusófono.

O dia foi marcado não só pela cerimónia oficial, mas também pela participação ativa dos estudantes, que partilharam as suas experiências e motivações para aprender português, demonstrando o crescente interesse por esta língua no país.

A este respeito, Valentín Somori, estudante de Filologia e Português, explicou que a sua decisão de estudar esta língua deriva das suas aspirações futuras, considerando-a "uma língua com potencial" e com uma presença cada vez maior na sociedade e no ambiente digital. Sublinhou ainda que a língua representa uma ferramenta de conexão a múltiplos níveis: "A língua é conexão", afirmou, referindo-se tanto à comunicação entre pessoas como às oportunidades de emprego que poderão surgir com a chegada de empresas portuguesas ao país.

Por outro lado, Gloria Elebiyo Medina destacou uma motivação prática, salientando que a sua aproximação ao português foi impulsionada por uma necessidade profissional: “Comecei a estudar português por necessidade”, explicou, depois de encontrar uma oportunidade de emprego onde a fluência na língua era um requisito fundamental. Neste contexto, sublinhou que, apesar de inicialmente não possuir uma base sólida, a sua vontade de aprender permitiu-lhe aproveitar a oportunidade, reconhecendo que “o português me abriu uma porta”.

Além disso, a estudante sublinhou que a proficiência em línguas estrangeiras representa uma vantagem competitiva no mercado de trabalho, especialmente num ambiente onde convergem diferentes culturas e empresas internacionais.

A criação deste centro reforça os planos do Governo para fortalecer a aprendizagem do português como terceira língua oficial do país. Benjamin Eyang – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Cabo Verde - Ministério da Educação promete continuar a promover o ensino da Língua Portuguesa com qualidade

Assinala-se hoje, 05 de Maio, o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Numa mensagem alusiva à data, o Ministério da Educação afirma o seu compromisso de continuar a promover o ensino da Língua Portuguesa com qualidade e incentivar o seu uso consciente, criativo e inclusivo, ao serviço do desenvolvimento de Cabo Verde


O Ministério da Educação frisa que a Língua Portuguesa é um património comum que une povos, histórias e culturas espalhados por vários continentes.

Segundo a mesma fonte, em Cabo Verde, a Língua Portuguesa ocupa um lugar central na educação, na comunicação institucional e na projecção do país no mundo, convivendo harmoniosamente com a língua materna, o crioulo cabo-verdiano.

“Mais do que um instrumento de comunicação, a Língua Portuguesa é uma ponte para o conhecimento e para as oportunidades globais. É através dela que se reforçam os laços com a comunidade internacional, valorizando-se a identidade cabo-verdiana enquanto nação plural e aberta”, assegura.

A data de 05 de Maio foi oficialmente estabelecida em 2009 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), uma organização intergovernamental, parceira oficial da UNESCO desde 2000, que reúne os povos que têm a língua portuguesa como um dos fundamentos da sua identidade específica - para celebrar a língua portuguesa e as culturas lusófonas.

Em 2019, a 40.ª sessão da Conferência Geral da UNESCO decidiu proclamar o dia 05 de Maio de cada ano como "Dia Mundial da Língua Portuguesa".

De acordo com a UNESCO, a língua portuguesa é não só uma das línguas mais difundidas no mundo, com mais de 265 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, como é também a língua mais falada no hemisfério sul. O português continua a ser, hoje, uma das principais línguas de comunicação internacional, e uma língua com uma forte extensão geográfica, destinada a aumentar. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


Timor-Leste - Celebra a língua portuguesa entre diplomacia, cultura e desafios educativos

A Semana da Língua Portuguesa em Díli evidencia a expansão do idioma em Timor-Leste, mas também os desafios estruturais que ainda limitam o seu ensino nas escolas e universidades. “Em 2000, menos de 1% da população falava português. Hoje, mais de 30% domina a língua, segundo dados oficiais”, afirmou José Ramos-Horta, classificando a evolução como “extraordinária”.


Arrancou ontem, 4 de maio, em Díli, a Semana da Língua Portuguesa, uma iniciativa do Grupo de Embaixadores da CPLP que reúne Angola, Brasil e Portugal, assinalando o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado hoje, 5 de maio, e instituído pela UNESCO em 2019.

A iniciativa, que decorre até 10 de maio, transforma a capital timorense num ponto de encontro da lusofonia, com um programa cultural alargado que inclui literatura, cinema, música e debates sobre o futuro do ensino da língua no país.

A sessão de abertura teve lugar na Embaixada de Portugal em Díli e contou com a presença de representantes diplomáticos, autoridades timorenses e convidados. Entre os principais destaques está uma exposição dedicada ao escritor José Saramago, único autor de língua portuguesa distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, cuja obra assume um papel simbólico central nas celebrações e estará patente ao público durante todo o mês de maio.

Angola participa com atividades de promoção literária, enquanto o Brasil apresenta sessões de cinema. Portugal encerra o programa cultural com um concerto do grupo SENZA, agendado para 10 de maio, na Fundação Oriente.

Diplomacia destaca língua como instrumento de identidade e cooperação

O embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, destacou a importância da Semana da Língua Portuguesa como uma iniciativa alargada e simbólica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), destacando o papel crescente do português no país e o seu potencial de desenvolvimento futuro.

Segundo o diplomata, o alargamento das celebrações em Timor-Leste reflete o contexto particular do país, que assume a presidência da CPLP em 2026 e integra este ano as comemorações dos 30 anos da organização. Nesse sentido, considerou essencial promover um programa “grande, ambicioso e robusto”.

O embaixador referiu que a escolha de José Saramago se deve ao facto de ser o único autor de língua portuguesa distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, critério que, segundo afirmou, foi consensual entre os embaixadores de Portugal, Angola e Brasil.

Destacou ainda o crescimento “exponencial” da língua portuguesa no país e reforçou o compromisso com a expansão do ensino, no âmbito das celebrações da Semana da Língua Portuguesa. “Comparado com o ano 2000, o crescimento é evidente e consistente”, afirmou, sublinhando que o aumento do número de falantes reflete o investimento contínuo na educação e na cooperação internacional.

Duarte Bué Alves destacou ainda o papel das escolas CAFE (Centros de Aprendizagem e Formação Escolar) e da Escola Portuguesa de Díli como pilares fundamentais na promoção da língua. Atualmente, existem 14 escolas CAFE em todo o território, com cerca de 12 mil alunos, mas a procura continua a superar a oferta.

“O nosso grande desafio é expandir a rede e aumentar a capacidade de resposta”, afirmou, acrescentando que o objetivo passa também pela formação de professores timorenses. “O modelo das escolas CAFE assenta na colaboração entre docentes portugueses e locais, promovendo a partilha de conhecimentos e o desenvolvimento conjunto.”

O embaixador referiu ainda projetos como o “Consultório da Língua para Jornalistas”, voltado para a capacitação de profissionais da comunicação social, como parte dos esforços para consolidar o uso do português em diferentes setores.

Para o diplomata, o interesse dos jovens pela língua é evidente. “A elevada procura nas escolas demonstra que os jovens reconhecem o valor do português”, disse, defendendo que o domínio do idioma abre portas no ensino superior e no mercado de trabalho.

O diplomata sublinhou que, perante esse cenário, a prioridade passa por reforçar e expandir os programas existentes de ensino da língua. “É nisso que estamos a apostar: crescer, expandir e consolidar”, acrescentou, defendendo o aumento da capacidade institucional para responder à procura crescente.

O embaixador de Angola em Timor-Leste, José Andrade de Lemos, destacou o significado simbólico da iniciativa, sublinhando a língua portuguesa como um “património comum” que ultrapassa fronteiras geográficas e gerações.

O diplomata afirmou que a língua portuguesa constitui mais do que um instrumento de comunicação, descrevendo-o como um “veículo de cultura, ciência, diplomacia e socialização”, falado por mais de 256 milhões de pessoas em todo o mundo. Defendeu ainda que cabe às instituições e aos cidadãos promover oportunidades para que a língua seja um instrumento de conhecimento e inclusão, reforçando o papel dos jovens como “guardiões da língua portuguesa”.

O embaixador apelou a uma reflexão conjunta sobre a importância do idioma na construção de identidade e cooperação entre os países da CPLP, desejando que a semana de celebrações fortaleça os laços de amizade e diversidade cultural entre os povos lusófonos.

Também presente na cerimónia, o embaixador do Brasil em Timor-Leste, Ricardo Lustosa Leal, destacou a importância de uma construção coletiva em torno da língua portuguesa, sublinhando que a sua valorização exige não apenas inspiração, mas também “escolhas políticas concretas” e um trabalho contínuo de cooperação entre os países.

O diplomata recordou ainda um poema do escritor português José Saramago, sublinhando a ideia de que a língua deve ser moldada com consciência e responsabilidade. Nesse sentido, defendeu que a construção de uma comunidade lusófona exige cultivo, compromisso e ações concretas.

Ricardo Lustosa Leal destacou a importância do encontro no Instituto Camões, em Díli, como espaço de convergência entre Angola, Brasil, Timor-Leste e Portugal, sublinhando o respeito pela diversidade das expressões do português em diferentes países.

O Presidente da República, José Ramos-Horta, destacou os avanços significativos da língua portuguesa em Timor-Leste, sublinhando o seu papel na identidade nacional e no acesso às oportunidades internacionais.

Segundo o Chefe de Estado, a Semana da Língua Portuguesa tem sido marcada por diversas iniciativas, incluindo uma reunião de ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Díli, focada na educação. Para Ramos-Horta, estes encontros representam uma oportunidade estratégica para avaliar o progresso do idioma no país.

“Em 2000, menos de 1% da população falava português. Hoje, mais de 30% domina a língua, segundo dados oficiais”, afirmou, classificando a evolução como “extraordinária”.

O Presidente atribui este progresso às políticas do Estado timorense, com apoio dos países como Portugal e Brasil. Recordou ainda que, após a ocupação e ausência do ensino formal em português, o país teve de “resgatar” a língua praticamente do zero, num contexto marcado por perdas humanas e pela diáspora de falantes.

Ramos-Horta destacou também o papel histórico da resistência timorense, nomeadamente das FALINTIL, na preservação de português, bem como de instituições como a Escola São José, que chegou a ser encerrada após o Massacre de Santa Cruz.

O Chefe de Estado elogiou ainda a capacidade linguística dos jovens timorenses, considerando-os “poliglotas por natureza”. “Um jovem timorense pode falar três, quatro ou mais línguas com facilidade”, afirmou, incentivando a aprendizagem simultânea de português, inglês e outras línguas.

Ramos-Horta reforçou a importância do português não só como elemento de identidade, mas também como ferramenta de acesso à educação internacional, especialmente em Portugal e no espaço europeu, no âmbito do Acordo de Bolonha. “Um diploma obtido em Portugal é reconhecido em toda a Europa”, sublinhou.

Apesar de reconhecer que o português ainda não é amplamente utilizado no quotidiano, o Presidente rejeita a ideia de estagnação. “Muitos jovens já falam bem português, especialmente os que frequentam escolas como o CAFE ou a Escola Portuguesa de Díli”, afirmou, citando também conquistas recentes de estudantes timorenses em concursos internacionais.

Questionado sobre se o inglês se torna dominante no país, Ramos-Horta esclareceu que a língua é utilizada sobretudo como ferramenta de trabalho, sem substituir as línguas nacionais. Disse que nenhum país abandona a sua língua. O inglês é apenas complementar.

Respondendo a críticas sobre o uso limitado do português no quotidiano, o Presidente reconheceu que o tétum continua a ser a língua dominante em casa, o que considera natural e comparável a outras realidades internacionais. Ainda assim, afirmou que muitos jovens já conseguem comunicar em português, especialmente os que frequentam escolas que seguem o currículo português.

José Ramos-Horta defendeu ainda que o domínio de diferentes línguas é uma vantagem estratégica. “Quanto mais línguas os timorenses falam, melhor para cada um de nós”, afirmou, encorajando os jovens a não terem receio de aprender novas línguas.

Ensino do português enfrenta desafios estruturais em Timor-Leste

Mas para lá do discurso político e do simbolismo cultural, a realidade do ensino da língua portuguesa em Timor-Leste revela desafios profundos que continuam por resolver.

Flávia Maria Augusta Martins, docente de Língua Portuguesa na Faculdade de Ciências Sociais, alertou para problemas transversais ao sistema educativo. “Há desafios por parte dos governantes, do ministério competente, dos professores e, sobretudo, na capacidade de aprendizagem dos próprios estudantes”, afirmou.

Segundo a docente, muitos alunos chegam ao ensino superior com lacunas profundas. “Os estudantes não têm conhecimentos básicos da língua portuguesa quando entram na universidade, o que dificulta o processo de ensino.”

Na instituição onde leciona, os alunos têm apenas dois semestres de português, o que considera insuficiente. “Não posso voltar ao nível do ensino básico. Tenho de avançar com conteúdos do ensino superior, mas muitos alunos não conseguem acompanhar.”

A professora critica ainda a falta de condições no ensino básico e secundário e a ausência de formação contínua dos docentes. “Um professor de língua portuguesa precisa de atualização regular, pelo menos uma vez por ano, mas isso raramente acontece em Timor-Leste.”

Em turmas com até 80 alunos, apenas uma minoria demonstra domínio básico da língua. “Muitos têm dificuldades em compreender e expressar-se em português, até mesmo em frases simples.”

Para além das falhas estruturais, a docente aponta também a falta de empenho individual dos estudantes como um fator determinante. “Alguns estudantes não assumem responsabilidade pela sua aprendizagem e mostram pouco interesse em estudar ou pesquisar fora da sala de aula.”

Ainda assim, reconhece o potencial da tecnologia como ferramenta de apoio. “Há muitos materiais disponíveis, inclusive de professores brasileiros, mas os alunos precisam de iniciativa para os procurar.”

Flávia Martins sublinha também que a língua é essencial para o acesso ao conhecimento. “Muitos estudantes não compreendem as matérias porque estão em português.”

Jovens veem no português uma oportunidade de futuro

Apesar dos desafios, muitos jovens veem o português como uma oportunidade de futuro. Para Febriana Teixeira, estudante da Universidade Católica Timorense, a língua portuguesa vai muito além de um simples meio de comunicação. É “o caminho para atingir os meus sonhos” e a ponte que a levou a explorar o mundo da literatura e do direito.

A estudante descreve o português como uma língua que representa “a harmonia da vida poética, a diversidade e a dinâmica”, além de desempenhar um papel fundamental na interpretação jurídica, área em que pretende construir a sua carreira. Para Febriana, o domínio do idioma abre portas concretas, especialmente no contexto do Estado timorense.

A propósito da celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, assinalado a 5 de maio, a estudante considerou essencial marcar a data. “É importante para relembrar cada conquista que tivemos com a presença da língua portuguesa”, afirmou, acrescentando que a celebração também reforça a ligação entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Na sua perspetiva, o português não é apenas uma língua, mas um “universo” que integra cultura, identidade, etnia, nacionalidade e fé.

Apesar do entusiasmo, Febriana reconheceu que o processo de aprendizagem não é simples. “No início é sempre difícil, mas com prática contínua torna-se mais fácil e flexível”, explicou. Para a estudante, aprender português exige resiliência e disciplina, características que considera fundamentais para alcançar bons resultados.

Entre as principais dificuldades, destacou fatores emocionais e estruturais. “Muitas vezes, sentia desmotivação ao ouvir constantemente que era necessário conjugar verbos ou seguir regras gramaticais complexas”, recordou. No entanto, encontrou motivação ao entrar em contacto com diferentes sotaques, especialmente do Brasil e de Portugal, o que despertou ainda mais interesse pela língua.

A estudante apontou também desafios no acesso a recursos educativos em Timor-Leste, como a escassez de livros em português e a limitada oferta de conteúdos audiovisuais na língua, muitas vezes substituídos por materiais em indonésio.

Mesmo assim, Febriana vê no português uma oportunidade concreta de crescimento. Em 2025, essa visão tornou-se realidade ao vencer um concurso de discurso público em língua portuguesa, conquista que lhe garantiu uma vaga num curso de verão na Universidade de Macau.

“Para mim, não é apenas teoria. A língua portuguesa já abriu portas reais na minha vida”, disse, reforçando a importância do idioma como ferramenta para o futuro académico e profissional em Timor-Leste.

Estela Maia Soares, estudante do quinto semestre de Contabilidade na Faculdade de Economia e Gestão, Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, considera a língua portuguesa um elemento fundamental na identidade e no desenvolvimento de Timor-Leste, apesar dos desafios enfrentados no seu processo de aprendizagem.

Segundo a estudante, o português, sendo uma das línguas oficiais do país, assume um papel relevante tanto a nível nacional como internacional. “É uma língua utilizada em vários países e também muito presente entre as gerações mais velhas. Além disso, muitas palavras do tétum têm origem no português, o que demonstra a sua influência no nosso dia a dia”, afirmou.

“Timor-Leste faz parte da CPLP, por isso, devemos celebrar esta data como forma de reconhecer a importância da língua”, disse.

No entanto, a estudante reconheceu que aprender português não é um processo fácil. Entre as principais dificuldades, aponta a complexidade da conjugação verbal. “Diferente do inglês, o português exige atenção aos tempos verbais. Não se pode falar de qualquer maneira, é preciso conjugar corretamente, o que se torna a aprendizagem mais exigente”, explicou.

A experiência de Estela com a língua começou ainda no ensino básico e secundário, na Escola CAFE, onde teve frequentemente contacto com professores estrangeiros que utilizavam o português. Contudo, após concluir essa etapa, a prática da língua diminuiu devido ao ambiente social.

“No meu círculo de amigos e família, poucas pessoas falam português. Apenas o meu pai fala um pouco, e é com ele que ainda consigo praticar”, relatou.

Já no ensino superior, embora os materiais académicos estejam maioritariamente em português, a realidade nas salas de aula é diferente. “Os professores utilizam materiais em português, mas muitas vezes explicam em tétum porque os estudantes ainda não dominam bem a língua”, disse. Entre colegas, o uso do português também é limitado, sendo mais comum entre aqueles que já têm alguma fluência.

Para superar essas dificuldades, Estela tem recorrido a conteúdos digitais, sobretudo nas redes sociais. “Vejo vídeos no TikTok em português, principalmente de outros países, o que me ajuda a compreender melhor a língua e a aprender novas formas de comunicação”, afirmou.

Apesar dos desafios, a estudante defende que a aprendizagem do português depende também da iniciativa individual. Para ela, o contacto contínuo com a língua, seja na escola ou através de meios digitais, é essencial para melhorar a fluência e garantir que o português continue a ter um papel relevante na sociedade timorense.

Por sua vez, a estudante Melinda da Conceição Pinto, do Departamento de Contabilidade da Faculdade de Economia e Gestão, da UNTL, partilhou a sua experiência de aprendizagem da língua portuguesa, sublinhando a importância da prática constante e da comunicação no processo de aquisição da língua.

Melinda afirmou ter aprendido português desde o ensino primário até ao ensino secundário na Escola CAFE de Baucau, localizada em Vila Nova. Segundo a estudante, a aprendizagem não se limitou ao contexto escolar, tendo também sido reforçada no ambiente familiar, através da comunicação frequente com os pais e irmãos.

Durante o seu percurso académico, explicou que continuou a utilizar a língua portuguesa tanto em casa como na universidade, ainda que de forma variável. “Já na universidade, também falo com alguns colegas, acompanho as explicações dos professores e faço perguntas em português”, referiu, acrescentando que a utilização da língua ocorre com alguma regularidade.

No entanto, Melinda reconhece que aprender português em Timor-Leste continua a ser um desafio. “Não é muito fácil, porque muitas pessoas tentam aprender português, mas nem todas conseguem”, afirmou, destacando a necessidade de maior prática comunicativa entre os falantes para melhorar o domínio da língua.

Outro desafio mencionado foi a escassez de conteúdos educativos produzidos localmente em português. Segundo a estudante, embora existam muitos materiais disponíveis na internet, sobretudo de países estrangeiros, em Timor-Leste ainda há poucos criadores de conteúdos em língua portuguesa. “Isso poderia ajudar e incentivar mais pessoas a aprender”, afirmou, defendendo maior iniciativa individual por parte dos estudantes.

Quanto ao papel das instituições, Melinda considera que tanto o Governo como as escolas têm investido na promoção da língua portuguesa, embora os resultados dependam também da prática dos falantes. “O investimento existe, mas se as pessoas não praticarem, torna-se um desafio”, observou.

Por fim, deixou uma mensagem aos colegas e aos estudantes mais novos, incentivando a prática diária da língua. “O mais importante é praticar todos os dias, mesmo cometendo erros. Começar pelo básico e falar sobre coisas simples ajuda muito. O essencial é comunicar”, afirmou.

Apesar do crescimento significativo da língua portuguesa em Timor-Leste, o ensino continua a enfrentar desafios estruturais que contrastam com a forte aposta política, cultural e simbólica no seu reforço. Rilijanto Viana – Timor-Leste In Diligente


Infame

Creio que conheci, em tempos, o Luís Osório (LO). Há muitos anos. É certo que os anos passam, as pessoas mudam.

LO tem um espaço radiofónico na Antena 1, o “Postal do Dia”. Não sou um ouvinte habitual. Amigos meus, porém, enviaram-me o podcast desse programa do passado dia 23 de abril. Entre surpreendido e indignado, nunca pensei que se chegasse a tanto.

O radialista deu um título ao seu postal: «Abandonámo-los por serem pretos». Queria referir-se a nacionais das colónias que na guerra colonial haviam servido nas Forças Armadas Portuguesas (FAP) e nas Forças Auxiliares (FAux) e, que, com as independências, teriam sido abandonados por Portugal nos seus países. Acrescenta: «Não puderam embarcar, deixaram-nos em terra, abandonados à sorte.»

Uma calúnia infame, que tem servido de arma de arremesso aos saudosos do império colonial que nunca se conformaram com o 25 de Abril, que está por demais denunciada e esclarecida. LO quis tornar-se seu porta-voz. Refere-se, em particular, aos Flechas em Angola e aos Comandos Africanos na Guiné.

Não vou entrar em detalhes, o espaço não o permite. Limitar-me-ei a estes dois casos, exatamente os que mais têm mobilizado os nostálgicos colonialistas.

Em junho de 2012, o Núcleo Impulsionador das Conferências da Cooperativa Militar (NICCM), promoveu a V Conferência a que chamou “Pronunciamento Militar do 25 de Abril de 1974”. No debate que encerrou o Painel IV, sobre a “Transmissão da Soberania em África”, merece destaque a intervenção do tenente-general Sousa Pinto:

«Foram postos à disposição dos comandos africanos os meios aéreos necessários para os transportar para Portugal, a eles e às suas famílias. Inscreveram-se para vir para Portugal, cerca de trezentos […] É o comando africano, capitão Sayegh, que sendo parente de alguns elementos do PAIGC se reuniu com eles no Senegal, e eles o convenceram que iriam fazer daqueles comandos africanos, a tropa de elite do PAIGC. E é o Sayegh que convence todos aqueles que já estavam inscritos, a não virem. Eu assisti ao governador Fabião a querer convencer o Sayegh que ele estava doido, ele que não impedisse quem quisesse vir, porque senão aquilo podia dar para o torto […] Todos eles desistiram, como se sabe vieram para Portugal aqueles que não tinham dúvidas, o Marcelino da Mata e mais três ou quatro, mas não é verdade que Portugal tenha tido qualquer coisa a ver com o facto de que eles não tenham vindo. Não vieram porque não quiseram […]»

Depois toma a palavra o coronel Matos Gomes:

«Ainda relativamente aos comandos africanos, a questão que o general Sousa Pinto colocou é exatamente assim, logo a partir de maio, há elementos do Batalhão de Comandos Africanos que começam a ter ligações e contatos com elementos do PAIGC […] No caso do capitão Sayegh, ele tinha um irmão que era do PAIGC e a mulher também era.»

Ainda sobre as soluções adotadas para os comandos africanos, escreve o coronel Sales Golias no seu livro A descolonização da Guiné-Bissau e o Movimento dos capitães (Colibri, Lisboa, 2016, p. 199):

«A vinda para Portugal por ser a solução mais segura […] teve larga aceitação e chegou a estar garantida a ida para Portugal de mais de 300 pessoas. Ou seja, como este número inclui as famílias, dos 300 comandos muitos preferiram ficar, mas os quadros mais destacados aceitaram. Porém, o capitão Saiegh, que tinha familiares no PAIGC, reuniu com eles e foi convencido a ficar pois garantiram-lhes que iriam ser transformados em tropas de elite. E já não ouviram as vozes avisadas que os tentaram demover desta ideia, principalmente o brigadeiro Fabião que tentou veementemente convencê-lo a vir para Portugal. Alguns acabaram por vir, como Marcelino da Mata e outros.»

O general Sousa Pinto está vivo. Na altura capitão, comandava a Companhia de Polícia Militar em Bissau. O coronel Matos Gomes, infelizmente já falecido, então capitão comando, foi segundo comandante do Batalhão de Comandos da Guiné, e é um dos nomes mais respeitados da literatura portuguesa contemporânea, quer como ensaísta da área do 25 de Abril e da guerra colonial, quer como ficcionista com o pseudónimo Carlos Vaz Ferraz. As afirmações de ambos acima citadas constam do livro de Atas da referida Conferência, Pronunciamento Militar do 25 de Abril de 1974, NICCM, Lisboa, 1974, pp. 274 a 276. O coronel Jorge Golias, também vivo, era capitão e o mais destacado dinamizador do Movimento dos Capitães na Guiné, aliás pioneiro na sua politização e evolução para o MFA em todo o país, vindo a ter um papel determinante na transferência do poder naquela colónia.

Tudo isto foi ignorado por LO.

No que aos Flechas e a Angola respeita, repete-se a ignorância e desinformação infamante. Se LO tivesse o cuidado de se informar saberia que os Flechas não eram militares das FAP, nem mesmo elementos de FAux. Eram grupos armados criados pela PIDE/DGS que atuavam autonomamente. Depois da independência foram, na maioria, para a África do Sul e muitos integraram-se nas forças de segurança do regime do apartheid, SADF (Bat. 32 Buffalo), combatendo no interior de Angola em apoio da UNITA. Os angolanos, brancos ou pretos que haviam sido militares das FAP ou das FAux, não foram perseguidos por esse motivo. Com a aproximação da independência e depois desta, houve uma corrida dos três Movimentos de Libertação, FNLA, MPLA e UNITA, para recrutarem ex-militares e ex-militarizados das FAP para as suas estruturas armadas. Vieram a confrontar-se na cruenta guerra civil que recomeçou depois do Acordo do Alvor, que já tinha as suas raízes na guerra colonial e foi alimentada pelas intervenções armadas externas. Mataram-se uns aos outros, mas não por terem sido militares portugueses. Foram poucos os quiseram vir para Portugal e não lhes foi negado.

É o sensacionalismo de sound bites e fake news: “foram abandonados”, “por serem pretos ficaram lá”, “o mais vergonhoso episódio da descolonização portuguesa”. Produz efeitos fáceis e esconde a realidade. Só que é falso, é desonesto, é uma infâmia.

Os mesmos amigos enviaram-me um segundo podcast, também de Luís Osório. Menos grave o conteúdo, mas igualmente revelador de deficiente preparação do profissional. É uma, mais uma, entrevista com Vasco Lourenço (VL) que, beneficiando da sua “presidência vitalícia” da Associação 25 de Abril, se desdobra, ad nauseam, em tentativas de reescrita da história centrada no seu ego, alardeando uma liderança e responsabilidades no golpe de estado do 25 de Abril, que nunca exerceu nem nunca teve. O que venho designando “Vasco Lourenço no 25 de Abril visto pelo Vasco Lourenço”.

O entrevistador tinha obrigação de se documentar sobre o seu convidado, de se preparar para enfrentar o seu recorrente discurso. Não o fez e o resultado foi a sua introdução à entrevista: «O coronel Vasco Lourenço é o grande herói que resta do 25 de Abril. Na verdade, foi o único militar que esteve e foi o estratega da revolução dos cravos, mas também do 25 de Novembro».

– O grande herói que resta do 25 de Abril? Não houve outros, ou já morreram todos? (i)

– O único militar que esteve? Esteve aonde?

– O estratega da revolução dos cravos e do 25 de Novembro? O que sabe LO de estratégia?

Se tivesse feito o trabalho de casa LO só poderia chegar a uma conclusão: o papel de VL na preparação, organização, conceção e conduta da Operação “Viragem Histórica”, em 25 de Abril de 1974, foi ZERO. Eu repito, para que não haja equívocos, ZERO.

E não há aqui qualquer disputa de protagonismos porque também eu, o meu papel na Operação “Viragem Histórica”, foi zero. Porque, com muita pena, não estava cá. Só que, ao contrário de VL, nunca ninguém me verá, ou ouvirá, arrogar-me do que não sou, invocar o que não fiz, apoderar-me do que outros fizeram. Já afirmei: só está interessado em reescrever a História na primeira pessoa quem não confia no que a História dele dirá. Não padeço dessas angústias.

Por último, é intrigante que LO ignore que os estrategas, se assim quisermos chamar aos principais responsáveis operacionais do 25 de Abril e do 25 de Novembro, têm nome, toda a gente sabe quem são e merecem respeito: chamam-se Otelo Saraiva de Carvalho e António Ramalho Eanes. Pezarat Correia – Portugal in “Giro do Horizonte”

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Pedro de Pezarat Correia nasceu no Porto em 1932. Curso liceal no Colégio Militar, licenciatura em ciências Militares na Escola do Exército, em 1954; doutoramento na Universidade de Coimbra com distinção e louvor em 2017. Major-general reformado. Seis comissões na guerra colonial (Índia, Moçambique, Angola e Guiné). Participante no movimento militar que desencadeou o 25 de Abril de 1974, integrou o Conselho da Revolução e, nessa qualidade, comandou a Região Militar do Sul. Na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra fundou e leccionou a cadeira de Geopolítica e Geoestratégia. Conferencista no Instituto da Defesa Nacional, Universidade Autónoma de Lisboa, e outros institutos superiores militares e civis. Autor de Centuriões ou Pretorianos; Descolonização de Angola – A Jóia da Coroa do Império Português; Questionar Abril...; Angola – Do Alvor a Lusaka; Manual de Geopolítica e Geoestratégia; Guerra e Sociedade; ... da Descolonização – Do protonacionalismo ao pós-colonialismo e co-autor em muitas dezenas de livros e trabalhos sobre geopolítica e geoestratégia, estratégia e conflitos, 25 de Abril, guerra colonial e descolonização. Autor do livro Do Lado certo da História. In “Âncora Editora”

(i) Saiba LO que, felizmente, ainda restam militares do MFA que, esses sim, estiveram nas ruas, no Continente, onde se fez o 25 de Abril: Delgado Fonseca, Pita Alves, Piteira Santos, Rui Rodrigues, Ferreira do Amaral, Aprígio Ramalho, Castro Carneiro, Helder Neto, Frias Barata, Cardoso de Sousa, Bargão dos Santos, Pina Monteiro, Sousa e Castro, Morais da Silva, José Luis Cardoso, Rosário Simões, Duarte Mendes, Rosado da Luz, Ponces de Carvalho, Freire Nogueira, Glória Alves, Andrade da Silva, Correia Bernardo, Candeias Valente, Tavares de Almeida, Correia Assunção, Miguel Marcelino, Sanches Osório, Santos Coelho, Fialho da Rosa, Pinto de Castro, Soares Canavilhas, Moreira Azevedo, Bacelar Ferreira, Manuel Geraldes, do Exército. Costa Neves, Mendonça de Carvalho, Santos Silva, da Força Aérea. Geraldes Freire, Costa Correia, Martins Guerreiro, Ferreira da Silva, Caldeira Santos, Simões Teles, Nuno Anselmo, Vargas de Matos, Soares Rodrigues, Pedro Lauret, da Armada. E outros que me desculpem, não me vieram de imediato à memória.


Macau - Exposição de poemas ilustrados abre Festival da Língua Portuguesa

Uma exposição de poemas de vários escritores portugueses, seleccionados por Pedro D’Alte e ilustrados pelo artista Joaquim Franco, assinala o arranque da primeira edição do Festival de Língua Portuguesa, promovido pela Casa de Portugal. A mostra na Casa Garden serve também para celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa. O festival, que se prolongará até 18 de Junho, inclui ainda momentos de leitura, histórias contadas nas escolas, workshops de escrita criativa, espectáculo de marionetes, um concerto e uma peça de teatro. Para Elisa Vilaça, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”


Pela primeira vez, a Casa de Portugal promove o Festival de Língua Portuguesa, organizando uma série de actividades que têm hoje início, precisamente no Dia Mundial da Língua Portuguesa, com a inauguração de uma exposição na Casa Garden, pelas 18h30. A mostra combina 16 poemas de vários escritores portugueses e outros países de expressão portuguesa, como Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Mia Couto, José Luís Peixoto e José Craveirinha, que abrangem desde o século XVI até à actualidade, seleccionados pelo académico Pedro D’Alte, com a ilustração de igual número de pinturas de acrílico em tela produzidas pelo artista Joaquim Franco.

“As ilustrações vão ser expostas em paralelo com os poemas, cujos textos acompanham a interpretação do artista”, disse ao Jornal Tribuna de Macau a curadora da exposição Elisa Vilaça.

O objectivo nesta exibição, em conjunto com o restante programa do festival, é dar “maior ênfase à língua portuguesa, que é bem importante hoje, mais do que nunca”, sublinhou a directora artística da Casa de Portugal.

Ao abordar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, Elisa Vilaça considera que a preservação da língua é fundamental. “Para tudo, não só como uma profunda raiz daquilo que foi feito em Macau, ao longo de 450 anos, mas principalmente agora, com todo esse sistema de globalização, que nós temos a consciência de que a língua portuguesa é falada em imensos países”, sublinha.

Lembrando que o Português é a quinta língua mais falada em todo o mundo, admite que “por vezes nós esquecemo-nos disso, da importância que temos a nível de linguística e do que tem sido feito pelos escritores”. Nesse sentido, defende, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”.

Por tudo isso, diz, “há uma mensagem que tem de ser passada sobre a preservação da nossa língua e no cruzamento com as diferentes culturas que nós encontramos em Macau”.

Para a curadora da exposição, “a única coisa que é muito importante fazer neste momento é tentar cativar cada vez mais a população jovem, que, quem sabe, poderá permanecer por aqui, ou procurar os seus empregos, o seu futuro, noutras paragens”. Para além da comunidade portuguesa e de representantes de outros países lusófonos estabelecidos em Macau, “a comunidade chinesa, desenvolvendo e interessando-se pela língua, ela própria também terá, no futuro, um meio e uma ferramenta importante na inter-relação com os diferentes países, inclusivamente Portugal”.

Mesmo considerando que “a história é uma coisa que se vai esquecendo”, considera que a língua é “um elo importantíssimo” e faz parte dessa história. “Por isso, afirma que “devemos fazer uma sensibilização cada vez maior em termos da divulgação da cultura e da língua, não só entre a comunidade portuguesa, mas principalmente na comunidade chinesa que é a maior em Macau”.

Histórias com marionetas contadas nas escolas

Assim sendo, o Festival da Língua Portuguesa, que começa esta tarde com a inauguração da exposição, que se manterá até ao dia 24 deste mês, “surge nesse sentido de sensibilizar para a importância da preservação, contando inclusivamente histórias aos alunos e às crianças de algumas escolas, como forma de os motivar a familiarizarem-se com a língua portuguesa”, menciona.

Os estabelecimentos abrangidos pelas conversas, intituladas “Contar Histórias”, da responsabilidade da própria Elisa Vilaça, são o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, a Escola Sir Robert Ho Tung e a Escola Luís Gonzaga Gomes, onde haverá espectáculos de marionetas a partir de 13 de Maio e prolongando-se até Junho.

Trata-se de uma mistura das marionetas com o texto em si, numa “história mimada”, porque tem “a minha participação, não só como manipulador, mas como próprio autor”, refere, acrescentando que, “contrariamente ao que acontece quando faço espectáculos de marionetas em Macau, em que não tenho palavra, apenas música, neste caso, como é dedicado à língua portuguesa, o português vai ter maior predominância, utilizando no fundo a marioneta como um elemento de comunicação entre as crianças”.

Nos restantes pontos do programa do Festival, destaque para “Pausa para Ler”, que terá por palco a Casa Garden, no dia 8 de Maio, das 18h30 às 20h00, e para dois workshops de “Escrita Criativa”. O primeiro no dia 15, entre as 19h00 e as 21h00, para maiores de 18 anos, e o segundo, a 16, entre as 15h00 e as 17h00, para maiores de 15 anos, orientados por Paula Pinto. Ambos serão realizados na sede da Casa de Portugal.

Enquanto isto, está agendado um concerto para o dia 16, a partir das 19h00, na Casa Garden, com Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade, Paulo Pereira, Irawan Kusuma, Luís Bento e outros músicos convidados.

O festival, que conta com o apoio da Fundação Macau e da Fundação Oriente, encerrará a 18 de Junho com a peça “O Pior Professor do Mundo” protagonizada pelo Teatro João de Brito, no Auditório da Escola Portuguesa de Macau, pelas 19h00, estando reservada uma sessão para os alunos e outra aberta ao público.

Conversas em Português no Café do IPOR

Por forma a celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa e os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Instituto Português do Oriente (IPOR) vai organizar hoje e amanhã, entre as 18h30 e as 20h30, um evento especial em formato de conversas rápidas. As “Conversas em Português à Volta do Mundo” decorrerão no Café Oriente no IPOR e destinam-se a estudantes ou “curiosos” que não têm o Português como língua materna. Segundo o IPOR, os participantes poderão, em várias mesas, conversar durante 5 a 7 minutos com falantes nativos de Português. Quem passar por todas as mesas terá direito a um prémio. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”