Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Portugal - José Luís Hopffer Almada tem trilogia sobre Amílcar Cabral pronta para publicação

Lisboa – O escritor e ensaísta cabo-verdiano José Luís Hopffer C. Almada tem concluída uma trilogia dedicada a Amílcar Cabral, cujo primeiro volume será apresentado a 07 de Novembro, em Lisboa.


Intitulado Amílcar Cabral – O Maior Morto Imortal dos Povos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, o primeiro volume será apresentado na Associação Caboverdeana (ACV), em Lisboa, com a chancela da editora Rosa de Porcelana.

Em entrevista à Inforpress, o também ensaísta explicou que a trilogia constitui um projecto de reflexão sobre o pensamento, o legado político e a influência histórica do líder independentista, cuja obra teve um impacto determinante na formação intelectual e política do escritor.

“Foi através de Amílcar Cabral, isto é, pela vontade de aprofundar o seu pensamento, que cheguei ao marxismo”, afirmou José Luís Hopffer Almada, ao explicar a importância das ideias do dirigente africano no seu percurso.

A reflexão sobre Cabral cruza-se com o interesse do autor pela identidade cabo-verdiana, pelas relações históricas e culturais entre Cabo Verde e África e pelas ideias pan-africanistas.

Na sua perspectiva, Cabo Verde é simultaneamente um país meso-atlântico, peri-africano e peri-ocidental, resultante da expansão marítima europeia, do tráfico negreiro e do comércio triangular, mas também um país crioulo que não saiu de África e que permanece plenamente inserido na diversidade cultural do continente.

Esta abordagem sustenta uma leitura da identidade nacional que articula a dimensão crioula e atlântica do arquipélago com a sua ligação histórica e cultural ao continente africano.

Para o escritor, o pensamento de Amílcar Cabral constitui uma referência para compreender os processos de libertação nacional e os desafios políticos, culturais e identitários dos povos cabo-verdiano e guineense.

A trilogia integra o percurso de investigação e reflexão desenvolvido por José Luís Hopffer Almada ao longo de várias décadas, marcado pela produção literária, pelo ensaio e pela intervenção cívica e cultural.

Nascido a 09 de Dezembro de 1960, em Quelém / Pombal, no concelho de Santa Catarina, ilha de Santiago, José Luís Hopffer Almada é escritor e ensaísta e participou em diversas iniciativas de promoção da literatura e da cultura cabo-verdianas. In “Inforpress” – Cabo Verde


Moçambique - Livro póstumo de Cristóvão Cassamo é apresentado em Quelimane

A obra autobiográfica O Farol da Minha Vida: Kopeny, Kopeny, Idhugo Onodhidjamula, do antigo administrador distrital e figura política moçambicana Cristóvão Cassamo, será apresentada no dia 27 de Outubro, às 09h00, no Auditório da UniLicungo, na cidade de Quelimane, província da Zambézia. Publicado postumamente pela Gala-Gala Edições, o livro reúne memórias pessoais, poesia e registos históricos do percurso do autor.


Com 196 páginas, a publicação percorre diferentes etapas da vida de Cristóvão Cassamo, desde as suas origens familiares e a infância na ilha de Idhugo até à educação tradicional, aos ritos de iniciação e à vida familiar. A obra inclui ainda os capítulos O Amor de Cristóvão e Florência e Memorial Florência, dedicados à dimensão afectiva da sua trajectória.

O livro aborda igualmente o percurso profissional e político do autor, que exerceu funções de administrador distrital em Mopeia, Dondo, Inhassunge e Marracuene. A narrativa enquadra as suas experiências nos períodos colonial, de transição e pós-independência, oferecendo um testemunho sobre diferentes momentos da história de Moçambique.

A publicação integra também Fragmentos de Luzes ou Cadernos de Poemas da Minha Vida!, uma secção dedicada à produção poética do autor, e termina com um caderno fotográfico. Na nota introdutória, Cristóvão Cassamo explica que a obra nasceu do desejo de manifestar gratidão à família, à sua terra natal e às pessoas que fazem parte da sua história.

O título estabelece uma ligação especial com a ilha de Idhugo, apresentada como fonte de inspiração ao longo da vida do autor. A expressão “Kopeny, Kopeny”, em echuabo, é utilizada para solicitar entrada no quintal ou na casa de alguém, enquanto “Onodidjamula” traduz a ideia de algo que serve de farol na vida de uma pessoa.

Segundo o editor Pedro Pereira Lopes, a obra constitui uma viagem no tempo e no espaço, combinando prosa e poesia para retratar a vida do autor e dos seus contemporâneos. O editor destaca ainda a abordagem de temas como a educação tradicional, os laços familiares e as exigências do serviço público.

Integrado na colecção Individualidades e Espaços, da Gala-Gala Edições, o livro será apresentado numa cerimónia de entrada livre, aberta ao público em geral.

Nascido em 1940, na ilha de Idhugo, província da Zambézia, Cristóvão Cassamo morreu em 2020. Iniciou os estudos nas Missões Católicas e trabalhou, durante o período colonial, nas Obras Públicas, na Câmara Municipal de Nampula e nos Caminhos de Ferro de Moçambique. Após a Independência Nacional, desempenhou funções de secretário de grupos dinamizadores e, entre 1978 e 1999, foi administrador dos distritos de Mopeia, Dondo, Inhassunge e Marracuene. Exerceu igualmente funções de deputado da Assembleia Provincial e participou em comissões e brigadas eleitorais até 2017. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Cabo Verde - Fórum de Investimento / África Lusófona: Harold Tavares e Ethiopis Tafara apelam a parcerias para criação de emprego

Santa Maria – O Fórum de Investimento da África Lusófona iniciou-se na ilha do Sal, com apelos ao reforço de parcerias e à mobilização de capital privado para a criação de emprego e transformação económica dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).


Ao discursar na cerimónia de abertura da 2.ª edição do encontro, promovido pela Corporação Financeira Internacional (IFC) e pelo Grupo Banco Mundial, o director Executivo do Banco Mundial, Harold Tavares, destacou o significado especial do momento, por assinalar a sua última intervenção pública no conselho de administração em representação de 23 países da África Subsariana.

Harold Tavares estruturou a sua mensagem em três eixos prioritários, emprego, capital e escala, advertindo que o maior desafio do continente africano é a criação de postos de trabalho para os milhões de jovens que entram anualmente no mercado.

“O maior activo de África não está no subsolo, nem na geografia. Está nas pessoas”, afirmou, sustentando que os investimentos públicos abrem caminho, mas necessitam de ser acompanhados por capital privado e instrumentos de garantia para mitigar riscos, sobretudo nos mercados mais vulneráveis e pequenos Estados insulares.

Aquele responsável desafiou ainda as instituições financeiras a avançarem com a criação de um centro estratégico conjunto.

Por seu lado, o vice-presidente regional para África da IFC, Ethiopis Tafara, destacou as oportunidades no sector do turismo e o paradoxo do continente africano, que, apesar da riqueza cultural e natural, atrai apenas cerca de 5% dos turistas internacionais mundiais.

“A África possui uma herança extraordinária de história, cultura e beleza natural. Mas ela conta apenas com cerca de 5% dos turistas internacionais. O continente inteiro recebeu cerca de 74 milhões de visitantes em 2024, enquanto cidades como Nova Yorque, Londres e Paris atingem uma média de 60 milhões de turistas anualmente. Essa disparidade é uma oportunidade à espera de ser reclamada”, sublinhou Ethiopis Tafara.

O vice-presidente da IFC lembrou que, nos últimos cinco anos, a instituição investiu cerca de 1,2 mil milhões de dólares nos países africanos de língua portuguesa, reafirmando a intenção de intensificar o apoio à estruturação de projectos, parcerias público-privadas e financiamento ao sector empresarial local.

“Nossa tarefa é construir as pontes entre o que essas economias têm e o que as suas pessoas podem tornar-se. E se fizermos isso bem, essas pontes serão ultimamente medidas em empregos”, concluiu Ethiopis Tafara.

O Fórum reúne representantes governamentais, investidores, instituições financeiras, empresários e parceiros de desenvolvimento dos países africanos de língua oficial portuguesa, com o objectivo de promover o investimento privado, reforçar parcerias económicas e identificar oportunidades de negócio em sectores estratégicos.

O encontro decorrerá nos dias 26 e 27 de Outubro e abordará questões relacionadas com os transportes e logística, agronegócio, financiamento ao investimento, energia, turismo sustentável e conservação ambiental. In “Inforpress” – Cabo Verde


Portugal – Universidade do Porto mostra-se na maior feira de recrutamento de estudantes da China

A Universidade vai marcar presença em três etapas - Pequim, Chengdu e Xangai - da edição 2026 da China Educational Expo (CEE 2026)


A Universidade do Porto vai participar, de 30 de outubro a 8 de novembro, na China Educational Expo (CEE 2026), a maior feira de recrutamento de estudantes daquele país.

Integrada na China Annual Conference & Expo for International Education (CACIE), um dos maiores eventos de educação internacional na Ásia-Pacífico, a CEE 2026 vai passar por cinco cidades chinesas (Pequim, Wuhan, Chengdu, Cantão e Xangai.). Ao todo, são esperados cerca de 50.000 visitantes, para além de representantes de instituições de mais de 30 países.

A U.Porto, que está de volta à CEE após participações bem-sucedidas em 2024 e em 2025, vai começar por marcar presença na feira de Pequim, marcada para os dias 30 e 31 de outubro, no China National Convention Center (CNCC). A Universidade estará igualmente representada nas feiras de Chengdu (no Chengdu CYNN Hotel) e de Xangai (no Shanghai World Expo Exhibition & Convention Center), a decorrer nos dias 5 e 8 de novembro, respetivamente.

Para a U.Porto, a participação nestas feiras – onde participará integrada numa representação conjunta organizada pelo Instituto para o Ensino Superior no âmbito da iniciativa “Study&Research in Portugal” – representa uma oportunidade para promover a oferta formativa da instituição e de promover o ensino e aprendizagem da língua portuguesa junto dos estudantes chineses – e respetivas famílias – que estão a planear a sua experiência de estudo no estrangeiro.

Ao longo da CEE 2026, a comitiva portuense vai também estabelecer contactos com representantes governamentais de alto nível, diretores de escolas, conselheiros, empresas e agentes que procuram parcerias em todo o mundo.

À margem das feiras, a equipa da U.Porto fará duas visitas à Embaixada de Portugal na Pequim (2 de novembro) e ao Consulado Geral de Portugal em Xangai (6 de novembro), onde terá a oportunidade de reunir com parceiros chineses.

A China aqui tão perto

Nos últimos anos, a presença de estudantes chineses na U.Porto tem vindo a registar uma subida consistente. Só este ano letivo, a Universidade acolhe mais de 200 estudantes chineses, quer em ciclos completos, quer em cursos de Formação ao Longo da Vida e ao abrigo de programas de mobilidade internacional, como o Erasmus+.

Para esta tendência, contribuem os 38 acordos de cooperação que a U.Porto mantém atualmente em vigor com 23 instituições de ensino superior chinesas. Essas ligações têm proporcionado experiências de mobilidade a estudantes e colaboradores da bem como a estudantes e colaboradores de instituições parceiras da República Popular da China e as suas Regiões Especiais Administrativas.

Da cooperação recente com instituições chinesas, destacam-se as visitas à U.Porto da Communication University of China, em 2024, e da Macau University of Science and Technology e da Beijing Foreign Studies University, em 2025. No mesmo ano, foi renovado o protocolo de cooperação que regulamenta o acesso dos estudantes da RAEM aos ciclos de estudo da U.Porto. No sentido inverso, decorreram visitas de delegações reitorais da U.Porto à China (em 2025 e já em 2026), particularmente Macau, sendo ainda de destacar a participação da Universidade na terceira edição do Fórum de Reitores de Instituições de Ensino Superior da China e dos Países de Língua Portuguesa,

Para além da participação nas edições 2024 e 2025 da China Education Expo, a U.Porto marcou também presença na feira e conferência anual APAIE 2026 (Asia-Pacific Association for International Education), um dos maiores e mais influentes encontros internacionais dedicados à internacionalização do ensino superior na região Ásia‑Pacífico. À margem da edição deste ano, a U.Porto participou num encontro com as principais instituições de ensino superior de Macau, ocasião em que foi destacada a colaboração com a Universidade no âmbito do Programa de Estudos superiores para estudantes da RAEM.

Também em 2026, foi aprovada a candidatura do projeto Erasmus ICM MOBILE26, que junta a U.Porto a instituições como a Universidade de Tsinghua – uma das mais reputadas em toda a China e a nível mundial, especialmente nas áreas de engenharia, tecnologia, ciências naturais e inteligência artificial -, a Communication University of China e a Universidade de Macau. Universidade do Porto - Portugal




domingo, 25 de outubro de 2026

Canadá - Banda portuguesa mais antiga do país celebra seis décadas de história

A mais antiga banda portuguesa do Canadá celebrou no sábado 60 anos, unindo músicos que chegaram durante a emigração da década de 1960 a jovens luso-canadianos que continuam a preservar a tradição


“Para fazer marchas depressa e essas coisas todas, já fico cansado. Mais ou menos, vou pôr fim à minha carreira”, confessou à agência Lusa António Furtado, de 75 anos, que integra a Banda do Senhor Santo Cristo desde 1968.

Natural das Furnas, na ilha de São Miguel, chegou ao Canadá com 17 anos, quando a formação tinha apenas dois anos de existência. Quase seis décadas depois, continua a tocar saxofone, mas admite que os longos desfiles começam a pesar.

“Eu já vinha de lá como aprendiz, era um rapaz novo. Já havia a banda aqui e aqui fiquei”, recordou o músico, que chegou a Toronto para se juntar ao pai, emigrado anteriormente.

A Banda do Senhor Santo Cristo foi fundada em 16 de abril de 1966 por um grupo de emigrantes portugueses, para acompanhar as primeiras festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Toronto.

José de Medeiros esteve na origem da fundação, juntamente com Manuel Arruda e outros emigrantes, contando com o apoio do padre Alberto Cunha, primeiro presidente da Assembleia Geral, enquanto José Brasil assumiu a direção musical durante mais de duas décadas.

A primeira atuação aconteceu em 10 de junho de 1966, quando a banda desfilou pelas ruas de Toronto até ao Coliseum, no Exhibition Place, durante as comemorações do Dia de Portugal, numa cerimónia que, segundo a história da instituição, reuniu mais de 10 mil pessoas.

Para António Furtado, uma das recordações mais marcantes foi a primeira deslocação da banda aos Açores, em 1978, dez anos depois de ter chegado ao Canadá.

Ao longo das décadas, acompanhou o crescimento da comunidade portuguesa de Toronto, criando amizades que se mantêm até hoje e assistindo à entrada de novas gerações na instituição.

Seis décadas depois da fundação, a Banda do Senhor Santo Cristo continua presente nas festas religiosas portuguesas, mas também em eventos canadianos, incluindo o Desfile do Pai Natal de Toronto, a Parada do Dia do Trabalhador e a Parada do Dia de Portugal.

“Fazemos parte da comunidade portuguesa, e não só. Temos outras comunidades também desde 1966 e continuamos sempre”, afirmou à Lusa o presidente Marco Lima, de 47 anos, natural da ilha Terceira, nos Açores.

O dirigente, que integra a banda há mais de 30 anos, começou a tocar aos 14, desempenhou diferentes funções, incluindo a de maestro, e continua atualmente a tocar bombardino.

“Numa instituição como a nossa, durar 60 anos não é fácil. E está cada vez mais difícil. Mas é um marco muito grande para nós. Queremos mais 60 anos. Que venha mais gente para tomar o lugar e continuar sempre”, afirmou Marco Lima.

A formação conta atualmente com cerca de 45 músicos e mantém ensaios praticamente todas as semanas, reunindo elementos de diferentes idades e origens, segundo o maestro principal, Adriano Silva.

Nascido no Canadá, filho de emigrantes da ilha Terceira, Adriano Silva, de 45 anos, começou a aprender música aos nove anos, seguindo os passos do pai, que também integrou a banda nos primeiros anos da sua existência.

“Foi o meu pai que me trouxe para as bandas. Eu comecei nas bandas filarmónicas com nove anos de idade e, desde aí, foi sempre para a frente”, recordou o maestro, que dirige a formação há uma década.

O repertório reflete também a evolução da comunidade, combinando marchas e músicas populares portuguesas com temas contemporâneos, incluindo ‘rock’, música ‘pop’ e fados acompanhados por vocalistas.

“Às vezes sentimos o que está popular agora, o que o pessoal está a ouvir, as músicas ‘pop’. Se a gente pode tocar isso, às vezes atraímos o interesse de quem está a ouvir a banda”, explicou o maestro, que procura adaptar as atuações aos diferentes públicos sem perder a identidade cultural da instituição.

Em junho, a banda regressou à ilha Terceira para participar em festividades locais, numa deslocação que o maestro classificou como um dos momentos mais marcantes da sua carreira.

A transmissão da tradição musical entre gerações está também presente na história dos irmãos Ruben e Lucas da Rocha, de 20 e 19 anos, respetivamente, ambos nascidos no Canadá e filhos de portugueses.

Ruben da Rocha começou a tocar caixa aos 11 anos, depois de assistir a uma festa e ficar impressionado com uma medalha recebida por um músico, o que despertou o seu interesse pela banda.

“Perguntei à minha mãe como podia ter uma coisa assim e ela disse-me que precisava de estar na banda. Foi aí que disse ao meu pai que queria fazer isto”, contou à Lusa o jovem, que integra a formação há cerca de nove anos.

O irmão, Lucas da Rocha, juntou-se à instituição este ano e também toca percussão.

“É muito divertido, saímos de casa, convivemos com outras pessoas. Esta banda é uma família para nós”, afirmou Lucas da Rocha, manifestando a intenção de continuar ligado à formação.

Para Ruben da Rocha, a participação na filarmónica ultrapassa a aprendizagem musical, constituindo uma oportunidade de convívio e de ligação à comunidade portuguesa.

“Muitos jovens agora não querem fazer isto. Eu acho que deviam, porque é algo muito bom. Para os jovens luso-canadianos, saiam de casa e juntem-se à banda. Precisamos de mais jovens”, apelou.

Também Júlia Silva, de 16 anos, nascida no Canadá, integra a Banda do Senhor Santo Cristo há cerca de quatro anos, desempenhando a função de porta-bandeira.

Filha do maestro Adriano Silva, a jovem representa uma nova geração de luso-canadianos que mantém a ligação à cultura portuguesa através da participação nas atividades da instituição.

“É muito importante socializar, falar com toda a gente, divertirmo-nos e manter a cultura viva”, declarou à Lusa.

Júlia Silva pretende continuar ligada à banda, considerando essencial assegurar que as tradições portuguesas sejam transmitidas às gerações seguintes.

“É importante manter a banda viva, para que continue durante gerações e gerações, e preservar as nossas tradições”, acrescentou.

Apesar da presença de jovens, Marco Lima reconheceu que a diminuição da emigração portuguesa e a redução do número de festas tradicionais representam desafios financeiros para a instituição.

“A emigração para cá começou a acabar, as festas começaram a acabar. As nossas tradições, se não tiverem cuidado, vão-se acabando. E financeiramente não é fácil, porque só se ganha com as festas e estão a acabar”, alertou.

O presidente explicou que a banda depende do trabalho voluntário, das receitas das atuações e de iniciativas comunitárias, beneficiando da ligação à Igreja de Santa Maria, em Toronto, que permite reduzir os custos de funcionamento.

“É tudo voluntário, ninguém ganha dinheiro. É com ajudas de pessoas, da comunidade, jantares e festas que se consegue andar para a frente. Não há ajudas do Governo, é tudo do nosso trabalho”, explicou.

Marco Lima apelou ainda a uma maior participação da comunidade portuguesa na vida das instituições culturais, considerando que a sua sobrevivência depende do envolvimento das famílias e dos mais jovens.

Durante a gala comemorativa, realizada no Centro Cultural Português de Mississauga, na província do Ontário, a vice-presidente Debbie Goulart recordou que conheceu o marido na banda, com quem está casada há 30 anos, e destacou a ligação dos três filhos à instituição, numa história familiar que atravessa quatro gerações.

Para António Furtado, que acompanhou praticamente toda a história da instituição e agora admite estar próximo de abandonar os desfiles, a continuidade da banda está sobretudo nas mãos das famílias que nela cresceram.

“Enquanto viverem os netos e os filhos, sempre vai continuar”, concluiu. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Reino Unido - Investigadores emigrados no país debatem regresso a Portugal

A circulação de talentos entre Portugal e o Reino Unido e as dificuldades sentidas por investigadores portugueses que pretendem regressar ao país foram os temas centrais de um encontro anual que decorreu no sábado em Londres


Sob o título “Sem Fronteiras: Talento em Movimento entre Portugal e o Reino Unido”, o Luso2026 reuniu estudantes, investigadores e profissionais diplomados portugueses, com painéis de debate, sessões de ‘networking’ e uma sessão de recrutamento.

“O tema deste ano não foi um tema novo”, salientou à Agência Lusa a presidente da Associação dos Investigadores e Estudantes Portugueses no Reino Unido (PARSUK), Catarina Liberato, sublinhando que o foco esteve nos instrumentos que Portugal está a desenvolver para trabalhar com quem está fora do país.

A dirigente explicou que continua a ser um grande desafio a situação de investigadores que procuram ativamente regressar a Portugal, mas não encontram oportunidades concretas.

“Temos muitos investigadores que já não estão felizes no Reino Unido, porque as condições já não compensam tanto, e que querem voltar para Portugal, mas não veem forma disso acontecer”, afirmou Catarina Liberato.

Para responder a esta procura, a PARSUK introduziu este ano uma nova iniciativa, o ‘Talent Exchange’, assente em parcerias estratégicas com empresas e instituições interessadas em contratar pessoal altamente qualificado nos dois países.

Entre os parceiros referidos estão a fabricante de drones Tekever, a ‘fintech’ Noxus, o centro de investigação de Coimbra GeneT, e a Agência Galega de Inovação, esta em Espanha.

Ausentes, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, enviaram mensagens em vídeo.

Do programa de oradores constou o recém-nomeado presidente da Agência para a Investigação e Inovação (AI2), João Barros, o chefe de missão adjunto da Embaixada do Reino Unido em Lisboa, Nigel Boud, e o antigo secretário de Estado da Internacionalização Bernardo Ivo Cruz. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Difícil de amar


 









Vamos aprender português, cantando

 

Difícil de amar

 

Estou no carro a chorar

com o meu namorado

deve ser tão difícil viver comigo ao teu lado

a rádio a tocar

pára e olha para mim

e pergunta porque é que eu não faço mais música assim

 

Sinto-me tão sozinha

sou sempre a mesma

não és tu sou eu de certeza

vou dormir

não consigo não pensar

que devias estar com alguém

que fosse mais fácil de amar

 

Às vezes eu fico agarrada aos joelhos

nem tu, nem terapia, nem cem mil conselhos

nada me consegue curar

porque é que eu sou tão difícil de amar

 

Tenho tantas vozes que eu não quero ouvir

eu achei que contigo eu ia conseguir 

mas nada me consegue curar

porque é que sou tão difícil de amar

 

Sou culpada por querer mais

estás certo por dar pouco

tu evitas, vou atrás de ti

feitos um para o outro

 

Corro atrás dos sinais

eles correm atrás de mim

estás tão farto de ouvir-me a chorar

não queres isto para ti

 

Sinto-me tão perdida

eu tenho a certeza

nunca estive tão indefesa

 

Vou dormir e estás ao meu lado a pensar

que devias estar com alguém

que fosse mais fácil de aturar

 

Às vezes eu fico agarrada aos joelhos

nem tu, nem terapia, nem cem mil conselhos

nada me consegue curar

porque é que eu sou tão difícil de amar

 

Tenho tantas vozes que eu não quero ouvir

eu achei que contigo eu ia conseguir 

mas nada me consegue curar

porque é que sou tão difícil de amar

 

Eu fico e sofro até ao fim

deprimida vinculada a ti

e outros entendem-nos mal

e sou eu a culpada por tu seres tão mau

 

O teu amor deixa marca

eu não vejo luz estou tão apagada

e é mesmo assim

que gostas de mim

 

Às vezes eu fico agarrada aos joelhos

nem tu, nem terapia, nem cem mil conselhos

nada me consegue curar

porque é que eu sou tão difícil de amar

 

Tenho tantas vozes que eu não quero ouvir

eu achei que contigo eu ia conseguir 

mas nada me consegue curar

porque é que sou tão difícil de amar

porque é que sou tão difícil de amar

porque é que sou tão difícil de amar

 

Francisca Borges - Portugal