Os
alunos da futura Faculdade de Medicina da Universidade de Macau (UM) vão poder
aprender português durante o curso, facilitando o acesso à profissão em
Portugal, disse à Lusa o director da Faculdade de Medicina da Universidade de
Lisboa (UL).
João
Eurico Fonseca indicou que o programa conjunto entre a UM e a UL se encontra na
fase final de acreditação externa pela Agência de Avaliação e Acreditação do
Ensino Superior (A3ES), após uma recente visita da entidade avaliadora.
“O
curso está previsto abrir em Agosto de 2028, para o ano escolar 2028-2029”,
afirmou à margem do 1º Simpósio Conjunto entre a Faculdade de Medicina da UM e
a Faculdade de Medicina da UL.
A UM
está a construir em Hengqin a sua primeira faculdade pública de medicina,
integrada num novo campus. A nova faculdade deverá ter capacidade para acolher
até 4000 estudantes, e segundo Fonseca, toda a estrutura organizativa do
programa está já definida e as obras decorrem de acordo com o previsto.
O
responsável explicou que o diploma conjunto permitirá aos graduados obterem
reconhecimento imediato em Portugal através da UL. “O diploma vem da
Universidade de Lisboa, é imediatamente reconhecido. Claro que, para exercer
medicina [em Portugal], é necessário ter um nível mínimo do domínio da língua
portuguesa”, explicou.
Fonseca
considerou que a própria UM oferece condições favoráveis para os estudantes que
pretendam seguir esse percurso profissional. “Há estudos de língua portuguesa e
vai ser possível a quem o quiser aprender português enquanto está a fazer o
curso de medicina”, disse.
Segundo
o responsável, embora alguns alunos possam já entrar no curso com conhecimentos
de português, mandarim e inglês, a universidade dispõe dos recursos necessários
para apoiar aqueles que pretendam adquirir competências linguísticas que lhes
permitam mais tarde exercer em Portugal ou até noutros países europeus.
O
director sublinhou, no entanto, que a prioridade da nova faculdade será
responder às necessidades de Macau. “Macau precisa de médicos e esta faculdade
vai formar médicos para Macau”, afirmou.
Segundo
explicou, os candidatos provenientes do território deverão ter prioridade no
acesso ao curso, aumentando a probabilidade de os diplomados permanecerem no
sistema de saúde local.
Fonseca
destacou também o papel que será desempenhado pelo Centro Hospitalar Conde de
São Januário e pelo novo Macau Union Hospital na formação dos alunos, e estão a
ser estabelecidas colaborações com ambas as instituições, que irão apoiar o
ensino através de formação clínica e utilização de tecnologias de simulação.
“O
Hospital Conde São Januário tem de facto uma actividade clínica muito viva,
muito intensa, que é óptima para o treino nas fases finais de um médico”,
afirmou o também director do Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde
de Santa Maria.
O
médico afirmou ter ficado particularmente impressionado com o funcionamento do
serviço de urgência do hospital público do território, apesar da forte pressão
assistencial.
“Os
números não são muito diferentes dos números do Serviço de Urgência do Hospital
de Santa Maria e foi feito um investimento muito inteligente para estruturar as
vias internas dos doentes, os circuitos dos doentes”, explicou.
“O
serviço médico em Macau é já muito bom e eu acho que esta Faculdade de Medicina
vai torná-lo excelente”, afirmou.
Paralelamente
à criação da nova licenciatura em Medicina, a UL está a liderar o
desenvolvimento de um mestrado internacional destinado a acelerar a
transferência dos resultados da investigação biomédica para a prática clínica.
Fonseca
revelou à Lusa que o programa está actualmente na fase de instalação e criação,
no âmbito da iniciativa europeia Erasmus Mundus. Além da UL, o curso envolverá
a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade de Ciência e
Tecnologia de Macau (UCTM) e a Universidade Humanitas, em Milão.
O
programa terá a duração de dois anos e pretende aproximar profissionais
provenientes da medicina e de outras áreas científicas relacionadas. “Visa
criar uma linguagem comum em pessoas que têm licenciaturas ou em medicina ou
outras áreas próximas”, afirmou.
Segundo
Fonseca, o objectivo é formar especialistas capazes de servir de ligação entre
a investigação científica e a prática clínica, acelerando a transformação das
descobertas feitas nos laboratórios em diagnósticos, tratamentos e benefícios
concretos para os doentes. In “Jornal Tribuna de Macau”
– Macau com “Lusa”