Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Centro de Estudos Internacionais Iscte - Apresentação do Relatório Variedades da Democracia 2026: Desvendar a Era Democrática?

Como está a evoluir a democracia no mundo? Que transformações estão a marcar os regimes políticos contemporâneos?


No próximo 19 de outubro, o CEI-Iscte, parceiro do V-Dem – Varieties of Democracy, promove a apresentação do Relatório Variedades da Democracia 2026 – Desvendar a Era Democrática?.

O V-Dem é um dos principais projetos internacionais de investigação sobre democracia, reunindo dados comparativos sobre diferentes dimensões da democracia e dos regimes políticos em todo o mundo.

Através da parceria com o V-Dem Regional Center Southern Europe, o CEI-Iscte contribui para a investigação e para o debate sobre a evolução da democracia, com particular atenção às dinâmicas políticas do Sul da Europa e do mundo lusófono.

Programa

18h00 - Abertura

Ana Mónica Fonseca, Diretora do CEI-Iscte

Apresentação do relatório

Tiago Fernandes, Diretor do Centro Regional V-Dem da Europa do Sul e Investigador do CEI-Iscte

Comentário

Carlos Meléndez, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa)

Entrada livre.

Poderá consultar o relatório completo aqui.


Macau - Director da Escola Portuguesa de Macau defende que expansão faria “todo o sentido”

O novo director da Escola Portuguesa de Macau (EPM) declarou que, para já, não existem planos para a expansão da instituição, embora fizesse “todo o sentido”, já que “está na capacidade máxima”, com um total de 828 alunos.


“A escola está na sua capacidade máxima. Eu diria que, quer obras de requalificação, quer alguma expansão – que tem sempre de ser muito bem pensada – naturalmente que teriam todo o sentido, porque viriam melhorar as condições globais, eventualmente criar um pouco mais de capacidade para acolhermos mais alunos”, disse, em entrevista à Lusa, João Miguel Gonçalves, recém-chegado ao cargo.

Questionado sobre se há novidades neste sentido, o director respondeu negativamente. Quer a expansão quer a requalificação estão em “cima da mesa já há muitos anos”, lembra, notando ainda “ser prematuro” falar sobre o tema, já que “são decisões que passarão necessariamente, quer pela Fundação Escola Portuguesa de Macau, quer pelos órgãos de governo” de Portugal e Macau.

Há vários anos que se fala numa possível expansão da EPM, com falta de espaço crónica, tendo-se inclusivamente aventado a hipótese de deixar o edifício actual e criar de raiz uma nova estrutura na ilha da Taipa.

No presente ano lectivo, estão inscritos 828 alunos – mais 18 do que no ano anterior – de cerca de dezena e meia de nacionalidades, sendo a maioria portugueses e chineses. Apesar do aumento de inscritos não representar uma variação significativa, “é um sinal positivo”, destaca João Miguel Gonçalves, lembrando a “forte redução de alunos” no território.

“A EPM está numa situação ímpar desse ponto de vista, porque tem especificidades que fazem com que a procura não seja a procura normal do mercado na área da educação. E aqui, pelo menos, nota-se que se mantém uma dinâmica de procura importante”, reforça.

No que diz respeito aos professores – 83 a cargo de 38 turmas -, este ano o estabelecimento conta com novos cinco profissionais contratados em Portugal, de acordo com o director, que recusa a falta de educadores, contrariando, desta forma, a existência de instabilidade no corpo docente de anos passados.

Em Junho, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, reconheceu dificuldades na contratação de docentes para instituições de ensino portuguesas em Macau devido a alterações nas autorizações de residência e, segundo disse, a melhores condições em Portugal.

Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território.

João Miguel Gonçalves olha com naturalidade para as circunstâncias actuais: “Isso talvez seja uma questão para quem já cá vivia. Para quem chega hoje, chega com as condições que existem hoje”.

Sobre o arranque do novo ano lectivo, o director garante que decorreu “com toda a tranquilidade” e após obras de melhorias do espaço. A escola, defende, deverá continuar a afirmar-se como “uma plataforma de encontro entre as culturas portuguesa e chinesa”, focada na promoção da multiculturalidade.

A língua e a cultura portuguesas continuam a ser a marca identitária e o núcleo do projecto educativo da EPM, embora João Miguel Gonçalves defenda, simultaneamente, continuar a investir no mandarim.

Sobre o que se segue, diz que “o primeiro grande desafio é que esta é uma escola única”, que cumpre finalidades “que estão muito além” das escolas em Portugal ou de outras escolas portuguesas no estrangeiro: “ser um baluarte da língua e cultura portuguesas na Ásia, na RAEM, República Popular da China, com uma configuração no seu modelo gestionário, que é também única”.

A EPM leva a cabo a realização de uma cerimónia semanal do hastear da bandeira da China. A EPM “vem desenvolvendo há pelo menos dois anos”, às segundas-feiras, esta cerimónia, diz o director, notando, porém, ser uma actividade de carácter voluntário.

“Tudo o que seja regulamentos e leis são para cumprir (…), tudo o que tenha a ver com a cerimónia está de tal forma balizado que penso que não nos cabe entrar nesse debate”, acrescenta, quando questionado sobre o tema.

Ensino além da sala de aula com apoio da IA

João Miguel Gonçalves defende o reforço da utilização da Inteligência Artificial (IA) na educação, inspirando-se em modelos observados em escolas chinesas e admitindo uma possível colaboração com uma instituição de Hangzhou. À frente da EPM desde Setembro, integrou recentemente uma delegação do sector educativo numa visita ao Interior da China. Uma das paragens foi a escola pública Qian Xuesen, em Hangzhou.

“A abordagem que estão a fazer vem ao encontro de algumas ideias que eu já preconizava em Portugal, que é um pouco a utilização da IA, das novas tecnologias, não só dentro do próprio espaço da sala de aula, mas que toda a escola, que é isso que acontece um pouco lá, se possa transformar em local de aprendizagem”, disse.

“Ou seja, as crianças, os jovens, quando saem para os corredores – nos corredores também há permanentemente nas paredes coisas a acontecer com que eles podem interagir e em que há aprendizagem”, especifica.

João Miguel Gonçalves diz que falou com a DSEDJ para criar uma “relação especial-protocolar” com a escola em Hangzhou.

A ideia, diz, passa por “desboroar um bocado o conceito” de que apenas na sala de aula se concretiza a aprendizagem e transformar “todos os espaços e todos os momentos em momentos de aprendizagem”.

O director da EPM sublinha que “é inevitável” o caminho em direcção à IA, o que “não quer dizer ecrâs e salas cheias de computadores”.

“Hoje não é isso, é uma espécie de uma domótica global que recolhe dados das mais diversas áreas e que, ao monitorizar a própria gestão e administração, o funcionamento pedagógico, as instalações, começa a gerar informação que, para os educadores, é altamente valiosa para tomar decisões”, explica.

O responsável nota que a utilização de IA e da gamificação – uso de elementos, mecânicas e dinâmicas de jogos em contextos que não são jogos – pode aumentar o tempo efectivo de aprendizagem, gerar mais informação sobre o desempenho dos alunos e facilitar um acompanhamento mais individualizado.

Num modelo clássico, exemplifica, a aprendizagem numa aula de português depende do número de minutos que se passa a exercitar. Em cada aula de 45 minutos, cada aluno, efectivamente lerá ou terá escrito 20 ou 25 minutos, sugere o director.

Mas, se for utilizada tecnologia – não necessariamente um computador, “pode ser um tipo de aprendizagem com outro tipo de experiência” -, aumentar-se-á o número de minutos efectivos em que o aluno está a aprender.

“Enquanto numa aula – a não ser que estejamos lá com o cronómetro – nós nunca conseguimos ter certeza absoluta de qual foi o tempo aproveitado, se tivermos instrumentos em que o aluno esteja a trabalhar, vamos ter mais dados sobre essa aprendizagem, que tempo é que é efectivamente aproveitado, em que conhecimento ou proficiência leitora se transformou”, diz.

Se um professor estiver sozinho numa sala a ensinar português, também não terá capacidade de “criar individualização”, ao contrário destes novos “processos de apoio ao professor”: “vai ser um pouco como se tivéssemos 21 professores a trabalhar individualizadamente, personalizadamente, com cada aluno”.

Formação de lideranças “é importante”

O director da EPM defendeu uma “componente forte” na formação de lideranças desde os primeiros graus de ensino, notando que esta é uma área que interessa à instituição desenvolver.

“Pensamos na formação de lideranças já quando as pessoas são profissionais. Não, a formação de lideranças está hoje em diversos programas que já se implementam desde o primeiro, segundo, terceiro ciclos, o ensino secundário, em conjunto com universidades, escolas de negócios, de economia, e isso é importante”, diz João Miguel Gonçalves.

O director nota que já existem projectos na EPM que se vão “fazendo de forma mais informal”, mas é necessário apresentá-los agora com uma estrutura e uma identidade “mais clara”. “Temos de ambicionar também criar novas dinâmicas”, explica. Para já, refere, existem apenas ideias.

“No âmbito destas áreas de melhoria [da escola], da visão que vou construindo cooperativamente (…), temos que ter uma componente forte de formação de lideranças”, considera. Pode vislumbrar-se parcerias com instituições de Macau, Portugal ou do interior da China.

No âmbito das comemorações dos 30 anos da EPM, que se celebram em 2028, o responsável indica que a direcção da EPM quer perceber onde andam os antigos alunos, o que fazem hoje e que impacto teve a EPM. O levantamento sobre o percurso dos alunos poderá ser apresentado em forma de um livro com entrevistas, antecipa, notando, porém, que o programa das comemorações ainda está a ser delineado. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Brasil - Do suicídio eleitoral à dinastia Bolsonaro

Se Lula não conseguir o apoio popular necessário no Segundo Turno, dia 25, o país ficará em mãos de uma família, a família Bolsonaro. Podemos dizer em mãos ou nas mãos de uma dinastia. A Dinastia Bolsonaro.

Dinastia quer dizer um regime político onde o poder passa de um parente para outro, de pai para filho, para esposa, depois para o irmão, etc.

Por exemplo, na Nicarágua, a família Somoza governou mais de 40 anos. O pai Anastácio passou para os filhos Luís e Anastácio. Outros exemplos: a família Duvalier no Haiti, a família Trujillo na República Dominicana. A família Assad, na Síria, e a família Heydar Aliyev no Azerbaijão. Mas há também a dinastia Kim, na Coreia do Norte. E sem querer magoar meus companheiros, havia a dinastia Castro em Cuba.

O já quase presidente Flávio Rachadinha promete acabar com a reeleição. Excelente! Mas que em lugar de 4 anos, o presidente terá 5 anos. Assim, todo mundo pode bater palmas, Flávio não irá pleitear reeleição, mas como os Bolsonaro formam uma dinastia, é quase certo que, em 2031, se o Brasil não tiver virado uma ditadura, que o candidato à sua sucessão será...

Será quem? Ora, ninguém precisa ser profeta - o candidato para suceder a Flávio será Jair Bolsonaro,o retorno do pai, com eleição garantida pelas orações dos evangélicos.

Com uma grande decepção para o governador Tarcísio de Freitas, cuja reeleição não lhe garantirá a presidência. E por um defeito, impossível de corrigir, Tarcísio é de Freitas e não tem o sobrenome Bolsonaro, ou seja, não pertence à Dinastia.

Coitado do Tarcísio? Nem tanto, coitado dos pobres evangélicos aos quais será garantido, sem recibo, o céu, depois de uma vida bem dura, já acostumados a viver sem o SUS, com aposentadoria reduzida, sem universidades e sem ginásios gratuitos para seus filhos e sem as cotas, mas que continuarão a votar num dos Santos Bolsonaros.

Feliz domingo 25 de outubro, será o que estou chamando dia do Suicídio Eleitoral. Rui Martins - Suíça

 

Portugal - Cientistas desenvolvem hidrogel inovador para tratamento do melanoma

Equipa da FCUP e da U.Minho desenvolveu um sistema de libertação controlada de um fármaco anticancerígeno para aplicação localizada na pele


Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do CBMA – Centro de Biologia Molecular e Ambiental da Universidade do Minho desenvolveu um hidrogel inovador com potencial para tratamento do melanoma, a forma mais grave de cancro da pele. Só em Portugal, surgem mil a 1500 novos casos por ano.

O que tem este hidrogel de particular? É um material híbrido composto por nanocápsulas esféricas (vesículos), que incorporam a doxorrubicina, um fármaco utilizado no tratamento de vários tipos de cancro, e por um polímero em forma de malha (gel), que funciona como uma espécie de barreira, permitindo controlar a libertação do medicamento.

“Desenvolvemos um sistema de libertação controlada de um fármaco, que permite que este seja libertado de forma gradual no local da aplicação, mantendo a sua atividade e podendo reduzir a exposição a tecidos saudáveis”, descrevem Isabel Oliveira e Eduardo Marques, investigadores do Centro de Investigação em Química da Universidade do Porto (CIQUP) e docentes da FCUP.

Este hidrogel foi concebido para aplicação localizada na pele, por exemplo na área afetada pelo melanoma, podendo futuramente ser explorado como complemento de outras abordagens terapêuticas, nomeadamente após cirurgia.

A libertação localizada e controlada do fármaco poderá reduzir a exposição de tecidos saudáveis e, consequentemente, alguns dos efeitos secundários associados à quimioterapia.

Características únicas do hidrogel

Para além de apresentar boa biocompatibilidade nos ensaios laboratoriais realizados no CBMA, os cientistas verificaram, em estudos anteriores, que as nanocápsulas utilizadas neste hidrogel são sensíveis ao pH. Assim, em contacto com os tumores, que geralmente apresentam um ambiente mais ácido, este sistema poderá facilitar a libertação do medicamento.

O hidrogel apresenta também a característica particular de ser sensível à temperatura. “À temperatura ambiente, o material é uma solução que pode ser facilmente manipulada e aplicada. Quando entra em contacto com a pele, devido à diferença de temperatura, ocorre rapidamente a transição para o estado de gel, o que favorece a sua permanência no local de aplicação”, descrevem os cientistas do CIQUP.

Um dos principais desafios foi precisamente combinar os dois componentes do hidrogel sem comprometer as suas propriedades individuais. “Foi necessário compreender como os vesículos e o gel polimérico interagem entre si, para encontrar as condições que permitem obter um material estável, capaz de transportar e libertar o medicamento de forma controlada”, explica Rui Machado, primeiro autor do estudo, desenvolvido no âmbito da sua tese de doutoramento em Química, defendida em abril na FCUP.

Testes em culturas 2D e 3D em células de melanoma

Para realizar este estudo multidisciplinar, os investigadores da FCUP desenvolveram e caracterizaram o hidrogel híbrido, que foi posteriormente testado pela equipa do CBMA, na Universidade do Minho.

Os cientistas do CMBA utilizaram culturas 2D e 3D de células de melanoma, sendo estas últimas capazes de reproduzir algumas características da organização de um tumor.

“Verificámos que o hidrogel permite a libertação do fármaco e a sua entrada nas células tumorais, incluindo nas regiões mais profundas dos modelos 3D, mantendo a sua atividade anticancerígena”, explicam Andreia Gomes e Bruna Silva, investigadoras do CBMA.

Os ensaios mostraram ainda que o hidrogel desenvolvido aumentou a quantidade de fármaco introduzido nas células de melanoma, em comparação com o gel polimérico ou as nanocápsulas em separado.

Os resultados deste trabalho, desenvolvido ao longo de dois anos, foram recentemente publicados na revista ACS Applied Bio Materials, da American Chemical Society.

Os cientistas querem agora avançar para estudos in vivo de forma a avaliar a interação do hidrogel e do fármaco com o organismo. O objetivo é continuar a explorar o potencial deste sistema inovador para se chegar a um tratamento anti-melanoma mais localizado e com menos efeitos secundários. Universidade do Porto - Portugal


domingo, 11 de outubro de 2026

França - Deputado diz que origens portuguesas moldaram a sua visão política

O deputado francês Ludovic Mendes acredita que as suas origens portuguesa e espanhola contribuíram para ser um político centrista e moderado, evitando os extremos da sociedade francesa

“Eu tenho a vantagem de ter três nacionalidades, porque sou francês, espanhol e português”, afirmou à Agência Lusa, à margem do congresso da associação Cívica em Paris.

Esta tripla identidade, salientou, permite-lhe “compreender outras perspetivas”.

Por outro lado, a história dos pais e dos avós “leva-me a lutar contra o extremismo”, referindo a oposição e fuga das famílias às ditaduras fascistas de Portugal e Espanha no século passado.

“Eu tenho um bisavô que foi fuzilado em Espanha pelos franquistas. Sabemos o que é lutar pela democracia e pela República. E acredito que, hoje em dia, esta é uma luta que não podemos perder”, enfatizou.

Mendes foi um dos intervenientes do congresso da associação de autarcas franceses de origem portuguesa, realizado numa sala do Senado.

Nascido em Metz, Ludovic Mendes, de 39 anos, é eleito desde 2017 pelo departamento de Moselle, nordeste de França, pela coligação Juntos (Ensemble), do Presidente, Emmanuel Macron.

Os outros quatro deputados franceses de origem portuguesa são Emmanuel Fernandes, Christine Pirès Beaune e Christophe Proença, todos da coligação de esquerda Nova Frente Popular, e Nathalie da Conceição Carvalho, do partido de extrema-direita União Nacional.

A menos de um ano das eleições presidenciais francesas, em abril de 2027, Mendes alertou para “um debate complicado em França, uma vez que os extremos estão enredados num debate identitário que muitos franceses também prefeririam não ter”.

A discussão em torno da identidade francesa é um dos temas que está a marcar o período pré-campanha, opondo a direita e extrema-direita, críticas do multiculturalismo e da imigração, à esquerda e extrema-esquerda, defensoras dos valores republicanos e do universalismo.

“Hoje em dia, falar de identidade num país que está a atravessar dificuldades económicas não vai resolver essas dificuldades”, argumentou Mendes. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Cabo Verde - Comunidade lusófona tem “razões legítimas” para aspirar a língua oficial da ONU

A Presidente da República interina de Cabo Verde afirmou sábado, durante um encontro de escritores de língua portuguesa, na Praia, que a comunidade lusófona tem “razões legítimas” para aspirar ao reconhecimento do português como língua oficial das Nações Unidas

Janira Hopffer Almada falava na sessão de encerramento do XIV Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, promovido pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e a Câmara Municipal da Praia, e que decorreu desde quinta-feira até sábado na capital cabo-verdiana.

“Tal aspiração encontra fundamento não apenas na dimensão demográfica dos seus falantes, mas também na relevância crescente dos países que integram a comunidade de língua portuguesa e no contributo que estes oferecem para o diálogo intercultural, para a paz, para a cooperação internacional e para o desenvolvimento sustentável”, disse.

Para Janira Hopffer Almada, é fundamental o reforço da presença da língua portuguesa nos domínios da ciência, da investigação, da inovação tecnológica e da produção académica”.

A língua portuguesa como elemento de adaptação num mundo em mudança foi o tema deste encontro de escritores, que contou com a participação de autores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe. Timor-Leste está representado pelo ministro da Administração estatal, Tomás do Rosário Cabral.

Para a secretária-geral adjunta da UCCLA, Paula Leal da Silva, o encontro que hoje terminou resultou num “conjunto inovador e interessante”.

A embaixadora congratulou-se também com a disponibilidade de Timor-Leste em acolher a próxima edição deste encontro de escritores, comunicada durante o mesmo pelo ministro da Administração Estatal, Tomás do Rosário Cabral, sublinhando que na cidade da Praia os participantes de vários países têm-se sentido “verdadeiramente em casa”.

E prometeu repensar o Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa, cuja análise foi hoje o tema do último painel do encontro, antes do encerramento do evento.

Segundo o assessor cultural da UCCLA, Manuel Sousa Guedes, o valor monetário, que atualmente se situa nos 3000 euros, vai aumentar para 5000 euros.

O prémio da edição deste ano foi atribuído ao indigenista ítalo-brasileiro Ricardo Rao, pelo livro Antologia Brutalista. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Se o jardim secar

 












Vamos aprender português, cantando

 

Se o jardim secar

 

Hás de sempre estar longe demais

e eu nunca vou chegar onde não posso estar

e não há outra forma de ir embora

se não esta de ficar, se não esta de adiar

uma brutal tempestade que me espera

e que nos vai levar ou para a terra ou mar

 

Se o jardim secar e por uma hora

como desfaço a morte? Não se desfaz, a morte

então prende-te ao meu corpo e faz amor comigo

e nada mais importante, e nada mais me falta

 

Milhanas - Portugal