O escritor, jornalista e professor
Sergio Bambo, apela para maior responsabilidade na resolução de qualquer
problema, apresentado de forma transversal na sua mais recente obra literária
intitulada Problemas que Não Acabam.
Trata-se de uma colectânea de crônicas de intervenção
social, em que o escritor intitulou-as de Problemas que Não Acabam com o
intuito de convidar a todos a mergulharem na reflexão profunda e minuciosa do
seu dia-a-dia, tendo em conta os infindos problemas que apoquentam a sociedade.
Chamado a falar da sua obra na cerimónia de lançamento
das comemorações do dia dos museus, Bambo explicou que o livro retrata
situações vividas nas comunidades, que afecta em grande medida, várias famílias
sobretudo os jovens, daí a necessidade de abordar com profundidade, temas
educativos que colocam a responsabilidade do cidadão em arcar com os seus
próprios problemas.
Durante a apresentação, Bambo destacou que muitos dos
problemas enfrentados pela sociedade, surgem da tentativa de fugir das
responsabilidades, daí que uma das crónicas narradas no livro, retrata história
de tentativas não sucedidas de fugir aos próprios problemas.
Por outro lado, o escritor aproveitou o momento para
chamar atenção aos encarregados de educação, defendendo maior acompanhamento
dos filhos no processo educativo, visto que no seu entender, a educação começa
de casa e não deve ser atribuída exclusivamente à escola.
Escrita na língua portuguesa e traduzida em dois idiomas
inglês e gitonga, Problemas que Não Acabam de Bambo visa valorizar a
identidade cultural moçambicana e ampliar o alcance da literatura nacional
junto de leitores estrangeiros que visitam a província.
A obra também apresenta histórias ligadas ao
comportamento dos estudantes, com destaque para o conto “Três Putinhos”, que
retrata tentativas de manipulação contra professores e reforça a importância da
honestidade e disciplina no ambiente escolar.
No fim, Sérgio Bambo afirmou que, apesar das dificuldades
da vida, é necessário manter esperança e perseverança, usando frequentemente a
expressão “Se nalunga”, símbolo de fé de que tudo poderá melhorar no final. Rivaldo
Massunda – Moçambique in “Moz Entretenimento”
Para o director musical do 2.º Festival Luso-Chinês de
Música e Artes, importa salvaguardar “as raízes” da cultura local e promovê-las
junto das gerações mais novas. Já este sábado, o destaque do dia inaugural do
festival vai para a batalha musical, que contará com a participação de músicos
portugueses, segundo avançou Casimiro de Jesus Pinto a este jornal
Num mundo globalizado com uma cultura
universal, é cada vez mais importante valorizar “as raízes”, defendeu ontem
Casimiro de Jesus Pinto, director musical da 2.ª edição do Festival Luso-Chinês
de Música e Artes, à margem de uma conferência de imprensa sobre o evento
patrocinado pela Galaxy Entertainment. A este jornal, o director musical vincou
a importância de divulgar “esta convivência que já existe há séculos”, entre os
povos lusófonos e chineses, e de promover a herança cultural junto dos mais
novos.
“É importante não só a parte de demonstração musical, mas
também haver uma parte de intercâmbio, de conhecer as músicas, as culturas”,
frisou Casimiro de Jesus Pinto. “Já houve cantores de fado em Macau, a
interpretar os seus temas com uma orquestra chinesa”, observou o director.
“Macau já fez várias experiências dessa natureza. Mas é bom que haja uma
continuação. E o mais importante é esforçarmo-nos para que a nova geração
conheça essas identidades culturais”, reiterou.
Foi precisamente este mote que levou a organização a
acrescentar o programa “Artistas nas Escolas” à edição deste ano, que terá
lugar em Hengqin e contará com tradução para participantes que não falem
chinês, segundo avançou Casimiro de Jesus Pinto.
“O workshop em Zhuhai vai envolver estudantes,
docentes, professores e profissionais de música”, explicou o director. “Desde a
primeira conversa com Zhuhai que eles manifestaram interesse em querer
participar e promover essa cultura”, anotou. “Às vezes a proximidade geográfica
não significa proximidade cultural. E Macau tem o seu papel. É importante
preservar essa identidade porque é o nosso diferencial dentro da Grande Baía”,
rematou.
Já no próximo sábado, as actividades arrancarão pelas
15h00, com uma mostra e um workshop interactivo centrado na cultura
tradicional do “guqin”, ambos de entrada gratuita, no centro de experiências de
realidade virtual do Galaxy Macau. A exposição e o workshop acontecerão
novamente no domingo, sendo que serão também realizadas a “Experiência Hanfu” e
a actividade “Criativo de Pintura à Portuguesa”, uma sessão dedicada à pintura
portuguesa do azulejo conduzida por Erica Leong, uma artesã local. O workshop
de azulejo custa 50 patacas por pessoa. A última actividade será uma sessão de
partilha de Canções dos Macaenses.
A “G-Box” do Galaxy Macau vai acolher a cerimónia
inaugural do festival que começará às 17h45 do dia 30 deste mês. Pelas 19h00,
terá lugar o concerto “Aliança Sónica: Batalha Musical”, inspirado na clássica
“Competição de Esgrima no Monte Hua”, no qual músicos da Grande Baía serão
convidados a formar equipas e a enfrentar-se numa batalha ao vivo. Nesta
competição participarão músicos portugueses, incluindo o baterista Luís Bento
que estará acompanhado por duas guitarristas portuguesas, de acordo com o director
musical do festival. Os bilhetes custam entre 288 e 488 patacas.
No dia 31 e no mesmo local, terão lugar o 2.º Concurso
Internacional de Orquestra e Música de Câmara, o Campeonato de Canto da Tuna
Macaense, para o qual já se tinham inscrito 15 participantes segundo Casimiro
de Jesus Pinto, e o Torneio de Música “Chine-Chic” da Grande Baía, sob a
filosofia “música sem fronteiras, culturas em harmonia”, todos de entrada
gratuita.
No dia 2 de Junho, para além do workshop educativo, o
Colégio de Arte de Zhuhai receberá duas sessões de partilha, uma conduzida pela
pianista de Hong Kong Zoie Tse e a segunda dedicada novamente às Canções dos
Macaenses.
A 5 de Junho, o Centro de Arte Ponte 1915 e o restaurante
Riquexó organizarão a Noite da Tuna Macaense, com um jantar musical, sob o tema
da música e gastronomia local. A participação custa 430 patacas por pessoa.
Durante a manhã do dia 6 de Junho, a Casa Lou Kau será
palco da Maratona Musical, onde músicos locais e do exterior demonstrarão os
seus talentos. De entrada livre, a participação requer uma inscrição prévia. Na
parte da tarde, o mesmo espaço acolherá a artista Bossa Eva, para um concerto
de música brasileira com obras originais. No final do dia, o Colégio de Arte de
Zhuhai receberá uma nova ronda do Torneio de Música “Chine-Chic”.
A cerimónia de entrega dos prémios acontecerá a 7 de
Junho, no Colégio de Arte de Zhuhai. Por fim, no dia 8, a Tuna Macaense
conduzirá uma visita guiada ao campus da Escola de Hengqin afiliada à Escola
Secundária Hou Kong, cuja participação necessita de convite.
O Festival Luso-Chinês de Música e Artes conta o apoio do
Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, do Instituto Cultural e dos
Serviços de Turismo, sendo co-organizado pela Associação Sino-Lusófona de
Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau, “Macau Music Art Space, MMAS” e
“Zhuhai Art College”. Pedro Milheirão – Macau in Jornal
Tribuna de Macau”
O projeto “Choreo.Portraits III“, dirigido pelo
coreógrafo Rafael Alvarez, vai decorrer entre os dias 11 e 13 de junho, em
Paris, reunindo participantes de França e Portugal num laboratório artístico
interdisciplinar que cruza dança contemporânea e fotografia
A iniciativa propõe um laboratório
criativo de três dias, culminando numa apresentação pública marcada para 13 de
junho, às 19h00 (hora local), na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cité
Internationale Universitaire de Paris. A entrada é gratuita.
Inspirada em “O Jogo das Nuvens”, de Goethe, esta
terceira edição do projeto explora a ideia de transformação e metamorfose
através da observação das nuvens, propondo uma reflexão poética sobre a relação
entre corpo, imagem e mundo.
O projeto integra o ciclo dos Laboratórios Mensais de
Dança Contemporânea +55 anos e conta com o apoio do Camões – Centro Cultural
Português em Paris.
A direção artística e mediação estão a cargo de Rafael
Alvarez, enquanto a produção e difusão pertencem à BODYBUILDERS – Rafael
Alvarez. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo
O Município de Terras de Bouro marcou presença nas
comemorações do 20.º aniversário da Associação Juventude Lusitana de Le
Beausset, que decorreram entre os dias 22 e 24 de maio, em França
No âmbito do processo de geminação
entre Terras de Bouro e Le Beausset, a associação, juntamente com a Câmara
Municipal de Le Beausset, convidou o executivo municipal terrabourense a
participar nas celebrações. A delegação portuguesa integrou o presidente da
Câmara Municipal de Terras de Bouro, Manuel Tibo, e o vice-presidente, Adelino
Cunha.
As comemorações incluíram diversas iniciativas de carácter
cultural e social, destacando-se uma eucaristia franco-portuguesa, que contou
com a presença do Padre António Lopes, pároco de Rio Caldo e capelão da
Basílica de São Bento da Porta Aberta.
Segundo o município, esta celebração teve como objetivo
assinalar a união entre as comunidades francesa e portuguesa da região, onde
existe uma forte presença de emigrantes naturais de Terras de Bouro.
O município agradeceu ainda à associação e ao seu
responsável, Manuel Pereira, pela iniciativa de reforço do intercâmbio cultural
e social entre as duas localidades, assim como ao presidente da comuna de Le
Beausset, Claude Alimi, pelo trabalho desenvolvido no fortalecimento do
processo de geminação.
“Para o Município de Terras de Bouro, estas visitas
assumem uma enorme importância na preservação e fortalecimento dos laços com a
diáspora terrabourense, promovendo a proximidade entre comunidades e reforçando
o sentimento de identidade e pertença às suas raízes. Estes momentos de
partilha e cooperação representam também uma oportunidade privilegiada para
valorizar a cultura, as tradições e os valores que unem Terras de Bouro e Le
Beausset, consolidando uma relação de amizade, intercâmbio e fraternidade que
importa continuar a cultivar para as gerações futuras”, lê-se na publicação
feita nas redes sociais do município. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo
Caiu o pano de mais um espectáculo em patuá, interpretado
pelo grupo Dóci Papiaçám di Macau, e o dramaturgo e encenador já pensa na
próxima edição. Levantando um pouco o véu daquilo que poderá ser satirizado em
2026, Miguel de Senna Fernandes disse ao Jornal Tribuna de Macau que a ideia é
dar continuidade aos temas relacionados com “os novos ventos” do
desenvolvimento do território. O responsável mostra-se satisfeito com a
actuação das pessoas em palco, “que conseguiram envolver o público”, destacando
a simbiose entre os mais velhos e as novas gerações. Por outro lado, confirmou
a este jornal que o Instituto Cultural pediu que fosse retirada “uma
expressão”, tendo o grupo feito uma rectificação
Casa cheia no sábado à noite e plateia
com menos gente no domingo à tarde constituem o balanço da adesão do público a
mais um ano de espectáculo em patuá, interpretado pelo grupo de teatro Dóci
Papiaçám di Macau, que teve por palco o Grande Auditório do Centro Cultural.
Incluída no programa do Festival e Artes, a peça de quase
duas horas e meia de duração, com legendas em português, inglês e chinês,
abordou o ambiente socioeconómico de Macau com muito humor e sátira social.
O enredo girou em torno de duas irmãs que assumiram o
restaurante do pai (o estabelecimento “Glorioso”) após a sua morte. “E Agora
Como? (E agora?)” reflectiu o impacto do fecho de casinos-satélite e as
dificuldades do pequeno comércio.
O dramaturgo e encenador mostra-se “muito satisfeito”,
porque as pessoas em palco “conseguiram envolver o público, que é o mais
importante”, disse ao Jornal Tribuna de Macau. Miguel de Senna Fernandes afirma
que “todos os anos a experiência se repete, sendo uma confirmação do esforço
comum”, adiantando que “cada participante teve oportunidade de, por si e
juntamente com os outros, realizar algo de pessoal, uma vez que há sempre
espaço para alguma criatividade dentro do guião, o qual permite essa
liberdade”.
Como todos os anos acontece, houve algumas revelações,
como foi o caso de Eduardo, de apenas 11 anos de idade, que teve a
responsabilidade de apresentar a peça. E é nestas novas gerações que o mentor
do espectáculo aposta, sem nunca descurar os mais velhos, já veteranos nestas
andanças.
“O Doçi Papiaçám não é aquela escola tradicional de
teatro, mas também é uma escola em que se aprende a estar em palco”, salienta,
acrescentando que “enfrentar o palco é psicológico e treina-se”. Para o
encenador, que há 33 anos fundou o grupo, “quem tem experiência de palco tem
experiência da vida, sendo isto uma oportunidade fantástica de auto-estima e de
auto-afirmação”. Por isso, nota, “queremos apostar nas novas gerações para dar
continuidade ao espectáculo e ao próprio patuá, como língua”.
Referindo-se à tecnologia utilizada, desta feita com
algumas imagens geradas através de Inteligência Artificial, diz que esta
ferramenta “tem de ser aproveitada, uma vez que está ao nosso dispor e permite
muitas vezes dar azo a que nós possamos realizar algo que nós idealizámos e não
iríamos conseguir pelas nossas próprias mãos”.
No entanto, na peça deste ano, notou-se que os momentos
musicais foram escassos, ao contrário de espectáculos anteriores. “Reconheço
que deveria haver mais”, admitiu, afirmando que, “o que houve foi conseguido em
tempo recorde pela Joana Freitas e pela Agurtzane Cordeiro que quiseram
arriscar, tendo resultado bem”. Para o ano, revela, “vou apostar mais na música
e nas canções, porque é de facto importante, posso mesmo dizer insubstituível”.
E por falar na edição de 2026, Miguel de Senna Fernandes
diz já ter algumas ideias, com o tema a andar provavelmente à volta dos “novos
ventos” da RAEM. “Para onde é que se vai hoje em dia quando se quer desenvolver
Macau?”, questiona, dando um exemplo: Hengqin.
Aponta o mês de Setembro para começar a definir a
história da peça. “Mas terá sempre a ver com os novos ventos do desenvolvimento
do território”, expressa.
O responsável do grupo Dóci Papiaçam di Macau
congratula-se pelo apoio dado pelo Instituto Cultural (IC). “A presidente,
Leong Wai Man, esteve na plateia e no final foi aos bastidores apresentar
cumprimentos, o que é um sinal de que podemos contar com o seu apoio e de facto
não nos podemos queixar de nada ao longo destes anos”, menciona.
Sobre a obrigação de apresentação, à “priori”, do guião
do espectáculo ao IC, o dramaturgo desvaloriza algumas rectificações feitas
pontualmente. “Falaram comigo e nós retirámos uma expressão, apenas isso, mas
nós compreendemos e aceitamos”, conclui.
Relativamente ao programa do Festival de Artes, outro
espectáculo teatral estará em cena nos próximos dias 29 e 30 de Maio,
sexta-feira e sábado, às 20h00, no Grande Auditório do IC. “Divina Comédia”
terá interpretação do grupo italiano NoGravity. Vítor Rebelo – Macau
Terá lugar na próxima Quinta-feira,
dia 28 de Maio, às 17h45, na biblioteca do Camões — Centro Cultural
Português em Maputo, o lançamento do livro Entre Fronteiras Literárias e
Outros Textos, a mais recente obra da ensaísta e docente moçambicana Sara
Jona Laisse. A apresentação oficial estará a cargo do Professor Cristiano
Matsinhe.
Dividida em duas partes que totalizam 36 artigos
distribuídos por mais de 200 páginas, a obra propõe um diálogo cru e sem tabus
sobre a construção da identidade, os desafios das minorias e o papel da
literatura na desconstrução de estigmas sociais. Enquanto a primeira secção
mergulha nas sinuosidades das relações humanas e nas ambiguidades do
quotidiano, a segunda metade do volume actua como uma cartografia crítica, na
qual a autora estabelece pontes intertextuais com grandes referências da
literatura nacional, de Luís Bernardo Honwana a novos escritores
contemporâneos.
De acordo com Pedro Pereira Lopes, editor da Gala-Gala,
este volume de ensaios da professora Jona Laisse “faz uma cirurgia às nossas
convenções identitárias e rasga as costuras do cânone literário para nos
devolver um Moçambique cru, urgente e despido de disfarces”.
Entre Fronteiras Literárias e Outros Textos saí pela estampa da Gala-Gala Edições e integra a
colecção “Nossa gente, nossas línguas”.
Sobre a autora
Sara Jona Laisse é ensaísta no campo da literatura e da cultura
moçambicana. Doutorada em Literaturas e Culturas em Língua Portuguesa pela
Universidade Nova de Lisboa (2015), é docente na Universidade Católica de
Moçambique. Colabora no jornal digital 7 Margens e faz parte do conselho
editorial de revistas científicas moçambicanas e internacionais. A sua obra
foca especialmente a preocupação em relação às culturas moçambicanas e à
raridade de discussão sobre elas. É autora, de entre vários títulos, de Entre
o Índico e o Atlântico: Ensaios Sobre Literatura e Outros Textos (2013), Entre
Margens: Diálogo Intercultural e Outros Textos (2020), Moçambique,
Margem Sul: Arte, Interculturalidade e Outros Textos (2022) e Moçambiquero-te:
Literaturas, Culturas e Outros Textos (2024). In “Moz
Entretenimento” - Moçambique
Desporto é o passe para o recomeço de jovens que
escaparam da guerra e perseguição, os diplomatas da ONU entram em campo pela
causa. O português é a segunda língua global da modalidade que une o mundo, Joshua
Nascimento, filho do Rei Pelé, fala de ferramenta de inclusão e conexão
cultural para além de outros entrevistados
Quando o assunto é unir o planeta e
dar um gás nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, a bola mostra que
rola mais rápido do que vários compromissos oficiais na ONU em Nova Iorque.
Pelo globo, a festa do Dia Mundial do Futebol inclui a todos dentro e fora de
campo.
Pelo 25 de maio, o fato, a gravata e a mesa de debate
ficaram de parte até em certos eventos oficiais das Nações Unidas pela passagem
da data celebrada desde a aprovação da resolução da Assembleia Geral da ONU, em
2024.
Muito além de um pretexto para convivência
Este ano, muitos adeptos estão de olho no Campeonato do
Mundo e na taça Jules Rimet. Um momento em que a paixão por clubes locais se
intensifica com a formação da Seleção de Futebol de cada país.
Segundo a ONU, o desporto ignora fronteiras geográficas,
saldos bancários e diferenças culturais para ligar pontos distantes do mundo
através de uma paixão juntando comunidades e impulsionando o orgulho nacional.
E quem entende bem essa sinergia é Joshua Nascimento, que
carrega no sangue o orgulho de um DNA puramente genial: Edson Arantes do
Nascimento, o Pelé, pai de Joshua.
“E esse Dia Mundial do Futebol, que é muito importante
para mim, como filho de um atleta tão grande como o rei Pelé, e de um menino
que cresceu ouvindo falar sobre futebol, jogando futebol, é muito importante
para mim. Porque o futebol é um desporto que conecta pessoas de diferentes
culturas, de diferentes países, línguas, e todos se comunicam igual e conseguem
achar uma forma de jogar juntos e se divertir ou competir, se for no mais alto
nível. E é uma forma que traz todos juntos por uma causa, que é o jogo, o beautiful
game, como se diz em inglês.”
Centenário do primeiro torneio internacional
Por trás da celebração da bola está um marco: o
centenário do primeiro torneio internacional de futebol com representação
global, em 25 de maio de 1924. Foi nos Jogos Olímpicos de Verão em Paris onde
nasceu a atual Taça do Mundo.
A genialidade do futebol está na sua simplicidade e
acessibilidade, que faz dele uma ferramenta para promover saúde mental e
bem-estar físico. Dentro e fora das quatro linhas, este desporto tem servido
como uma plataforma vital para acelerar a igualdade de género e o empoderamento
de mulheres e jovens.
O que é chamado catalisador de inclusão social dentro e
fora do campo derruba barreiras para criar uma zona livre onde origens opostas
se encontram para aprender sobre tolerância, respeito mútuo e solidariedade.
O Português é a segunda língua global do futebol
E muitos atuam nos bastidores do futebol, como o
português Nuno Crisóstomo. O ex-funcionário do Fundo das Nações Unidas para a
Infância, Unicef, lidera voluntários da Taça do Mundo da FIFA, nos Estados
Unidos.
Sobre a paixão global, ele revela um detalhe: a segunda
língua mais falada nos relvados.
“O português, neste momento, é a segunda língua global do
futebol a seguir ao inglês. Não pelos jogadores, pelo número de jogadores
brasileiros, portugueses e de outros países que falam a língua portuguesa, mas
também pelos treinadores. Portanto, os técnicos que treinam os clubes. Neste
momento, há cerca de 136 treinadores portugueses no estrangeiro. E penso que no
Brasil, eu não tenho esses números, mas deve ser pelo menos 10 vezes mais.”
O enorme impacto move até o maior palco diplomático do
mundo que teve de se curvar à majestade da bola. Para celebrar o marco
histórico, a Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução carimbando o 25 de
maio como o Dia Mundial do Futebol.”
Espaço inigualável para a cooperação humana
A resolução da Assembleia Geral que criou o Dia Mundial
do Futebol reconhece “o alcance global do futebol e seu impacto em diversas
esferas, incluindo comércio, paz e diplomacia, admitindo que o desporto cria um
espaço inigualável para a cooperação humana.”
E se o futebol é património e identidade, o Brasil, que é
pentacampeão em Taças do Mundo, tem um espaço que preserva e memórias. A
diretora técnica do Museu do Futebol, Marília Bonas, faz o convite para quem
quiser mergulhar nessa linha do tempo.
“O Museu do Futebol existe desde 2008 e a gente conta o
porquê que o futebol é património brasileiro, porque que ele faz parte da nossa
identidade. Então, a gente conta a história do Brasil pela história do futebol,
desde a chegada do futebol na virada do Século 19 até aos dias de hoje,
passando pela história do futebol feminino, das modalidades adaptadas do
futebol indígena e toda essa diversidade de modalidades do futebol que fazem
parte do nosso dia a dia, da nossa paixão, enfim, da nossa história. Então, a
gente convida todo mundo a vir aqui no Museu do Futebol. A gente funciona de
terça a domingo, toda terça o museu é gratuito, para conhecer também as nossas
exposições temporárias e a nossa programação cultural. Além disso, a gente tem
muito material educativo disponível no nosso sítio, que é www.museudofutebol.org.br. A gente
espera vocês aqui.”
Bola no pé e atividade física para todos
A resolução da ONU dá crédito à Federação Internacional
de Futebol, FIFA, às federações que mantêm o jogo vivo, no texto que além de
instrumento diplomático é uma convocação geral.
A ordem é que além de ver como lazer, se comece a usá-lo
de forma ativa como ferramenta de paz, saúde e empoderamento feminino. O recado
para os governos é que criem políticas reais incentivando a bola no pé e a
atividade física para todos.
A convocação está aberta para Estados-membros, ONG,
universidades e empresas para espalhar as vantagens deste desporto pelo mundo
inteiro, seja em grandes arenas ou num campo pelado.
Nos Estados Unidos, o clima já é de contagem regressiva
para a Taça do Mundo 2026 que bate à porta em poucas semanas.
Vida transformada pela paixão por futebol
Cristopher Nassif, técnico do Clube de Futebol de
Ironbound, no estado de Nova Jersei, considerada uma das áreas mais lusófona
dos Estados Unidos, atua como um líder que influencia jovens. Ele explica como
viver transformado por esta paixão.
“Feliz em poder compartilhar e agradecer ao desporto, e,
agradecer ao futebol nesse vídeo, o quão ele foi benéfico para mim. É, poder
dizer que aqueles que amam o futebol, não existem formas corretas de amar algo.
Acho que você pode amar o futebol na torcida, você pode amar o futebol com os seus
amigos enquanto você tá no jardim jogando futebol com eles, você pode amar o
futebol como um treinador, como alguém que deseja ter isso como carreira, ou
simplesmente acompanha a Copa do Mundo, que vai acontecer daqui a algumas
semanas, eu diria, e a gente vai estar aqui, eu na torcida pela nossa Seleção
Brasileira, mas você pela torcida da Seleção que acompanha. Então eu deixo aqui
a minha mensagem, primeiro de agradecimento ao futebol, por tudo que me
proporcionou. É, se, se eu tivesse que hoje se sentar com o futebol, eu lhe
diria: obrigado, futebol, por me tornar um grande homem, por me tornar uma
grande pessoa.”
O treinador das categorias Sub-17 e Sub-19 diz que a
modalidade ajudou a ser melhor pai, marido e pessoa para auxiliar crianças e
adolescentes a ser cidadãos que se tornarão grandes jogadores de futebol e com carácter
admirável.
Poder de transformação da bola
Na demonstração do poder do jogo, a ONU exibiu a
iniciativa Futebol Sem Fronteiras escalando a “Seleção de Refugiados”. Já os
diplomatas que foram alinhados para suar a camisa participaram na iniciativa
dos “Amigos do Futebol”.
A convocação para as quatro linhas incluiu embaixadores,
representantes de alto escalão do Secretariado e estrelas do futebol mundial
onde dominou o poder de transformação da bola.
O Mundial de Futebol começa neste 11 de junho e a
primeira partida de uma país de língua portuguesa será dois dias depois, em
Newark entre Brasil e Marrocos. ONU News – Nações Unidas