Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 25 de abril de 2026

Cabo Verde - Livro sobre batuku evidencia transformações sociais e artísticas do género na última década

Cidade da Praia – O livro Batuku de Cabo Verde – Percurso Histórico-Musical lançado na cidade da Praia, “reforça a consolidação do batuku” como género nacional, evidenciando “profundas transformações culturais, sociais e artísticas” na última década.

Segundo a autora, a jornalista e investigadora Gláucia Nogueira, a obra analisa a consolidação do batuku como género nacional, deixando de ser visto como uma expressão regional e reforçando a sua presença em diversos espaços culturais, académicos e mediáticos.

Contactada pela Inforpress, a investigadora afirmou que o período recente foi marcado por uma maior visibilidade do batuku, pelo surgimento de novos grupos e pela redefinição de papéis nas formações tradicionais, destacando-se novas protagonistas que recorrem a ferramentas contemporâneas de comunicação e imagem, afirmando-se simultaneamente como intérpretes e compositoras.

O estudo aponta ainda a crescente participação masculina nas rodas de batuku, fenómeno que, embora com antecedentes históricos pontuais, ganhou maior expressão na última década, conforme a mesma fonte, refletindo transformações sociais e a flexibilização de normas de género na sociedade cabo-verdiana.

Outro aspecto evidenciado é a evolução musical do género, com a introdução de novos instrumentos, como o djembé, e a fusão com outras expressões como o funaná, além da incorporação de elementos instrumentais de cordas e teclas em algumas formações contemporâneas.

A obra também analisa a projecção internacional do batuku após a sua inclusão na música “Batuka”, da artista norte-americana Madonna, no álbum “Madame X” (2019), episódio que gerou intenso debate em Cabo Verde sobre visibilidade cultural e apropriação de património imaterial.

Durante a investigação, contou a autora, a discussão dividiu opiniões entre os que valorizam a projeção global do género e os que criticam a apropriação de elementos culturais tradicionais por artistas internacionais.

A autora contextualiza ainda o fenómeno com exemplos de outras interações globais entre música popular e expressões tradicionais, sublinhando que a visibilidade internacional, embora relevante, não constitui o fator central da transformação do batuku.

Na sua análise, o principal marco do período é a consolidação do batuku como género nacional “plenamente integrado no panorama musical cabo-verdiano”, com presença em repertórios de artistas diversos e crescente circulação em espaços institucionais, incluindo museus e universidades.

O estudo refere igualmente a institucionalização do Dia Nacional do Batuku, celebrado a 31 de Julho, por decisão da Assembleia Nacional, em 2021, coincidindo com o Dia da Mulher Africana, como reconhecimento formal da importância cultural do género.

A investigação conclui que o género batuku mantém um percurso dinâmico, caracterizado por novas gerações de intérpretes, reconfiguração estética e expansão de espaços de actuação, processo que, segundo a autora, continua em evolução e pode ser acompanhado também através de plataformas digitais e projetos de arquivo cultural. In “Inforpress” – Cabo Verde 


sexta-feira, 24 de abril de 2026

Moçambique - Suzana Machamale lança “Uma pele Secreta”

A escritora moçambicana Suzana Machamale lança a obra Uma Pele Secreta, no Centro Cultural Português, em Maputo. A apresentação da obra estará a cargo de Antónia Rosa.


Uma Pele Secreta é uma narrativa intensa e envolvente que explora os laços familiares, o amor e as consequências de escolhas marcantes. A história acompanha Hadrian e Ludwig, dois irmãos profundamente unidos, mas com personalidades distintas. Após um acontecimento traumático que abala a vida de Hadrian, Ludwig esforça-se para ajudá-lo a reencontrar o equilíbrio, sem sucesso.

O rumo da história altera-se quando Hadrian reencontra Núbia, o seu primeiro e grande amor. No entanto, este reencontro revela-se inquietante: Núbia já não é a mesma. Movido pela necessidade de voltar a sentir-se vivo, Hadrian decide reaproximar-se, ignorando sinais de alerta que acabam por desencadear consequências irreversíveis para todos os envolvidos.

Sobre a autora, Suzana Machamale nasceu a 24 de Agosto de 1991, na cidade da Beira, Moçambique. É formada em Sociologia, mas encontrou na escrita o seu principal meio de expressão. Estreou-se na literatura com a obra As Raízes do Rei, primeiro volume da tetralogia Príncipes Sangrentos.

O evento insere-se no âmbito da promoção da literatura moçambicana contemporânea e convida o público, a comunicação social e os amantes da leitura a participarem neste momento cultural. In “O País” - Moçambique


Lusofonia - Espectáculo musical “A Orquestra na Baleia” promove intercâmbio entre jovens de Portugal e Cabo Verde

Cidade da Praia – A Cidade da Praia, recebe hoje, 24 de Abril, pela primeira vez, a actuação do espetáculo musical “Orquestra na Baleia” um projecto comunitário e educativo que visa promover o intercâmbio entre jovens músicos cabo-verdianos e portugueses.


Em declarações à Inforpress, o director de produção e comunicação, Vladimiro Cruz, explicou que se trata de um projecto participativo e colectivo que inclui instituições da Praia, nomeadamente Espaço Gota d' Arte, Escola Pentagrama, Banda Militar, Banda Municipal e a Academia Cesária Évora.

Inspirado no livro A Orquestra na Baleia, escrito por Mário João Alves e ilustrado por Dina Sachse, o espectáculo nasce de uma epopeia sonora que acompanha uma orquestra em viagem a bordo de um pequeno barco chamado Casca de Voz, rumo a Cabo Verde, onde pretende realizar um concerto num dos lugares mais belos do planeta.

A obra conta com uma forte dimensão poética e imaginativa, celebra a relação entre o ser humano e a música, exaltando a criatividade, a fantasia, a escuta e o encontro entre diferentes mundos.

Segundo avançou o director, o principal desafio foi a deslocação de uma orquestra completa de Portugal para Cabo Verde, devido ao elevado número de músicos e instrumentos envolvidos.

“São muitas pessoas, muitos instrumentos. Esse foi o maior desafio, conseguir organizar, em pouco tempo, a viagem de uma orquestra para Cabo Verde”, afirmou.

O espectáculo estreou-se a 27 de Março, em Vila Franca de Xira, em Portugal, com um número maior de músicos, sendo agora adaptado para a apresentação na capital cabo-verdiana, com integração de músicos locais.

Vladimir Cruz sublinhou que a preparação incluiu uma semana intensa de workshops e ensaios conjuntos entre músicos portugueses e cabo-verdianos, destacando a componente pedagógica do projecto e a “sinergia” criada entre os participantes.

“É um espectáculo bonito, que fala sobre entreajuda e sobre aquilo que recebemos quando chegamos a Cabo Verde, quando a comunidade se junta para construir algo maior do que nós próprios”, referiu.

Apesar de ser uma semana de preparação marcada por desafios logísticos, Vladimiro Cruz mostrou-se expectante quanto ao espectáculo e espera sala cheia.

“Queremos que chegue ao maior número de pessoas possível, por isso a entrada é livre. É um espectáculo comunitário e sem fins lucrativos”, explicou.

O responsável manifestou ainda a intenção de levar o projecto a outras ilhas, caso haja apoio institucional, bem como de replicar o modelo em Portugal com músicos cabo-verdianos.

A Orquestra na Baleia é uma co-criação da companhia Cegada, Grupo de Teatro, e da Orquestra do Agrupamento de Escolas de Vialonga, conta com o apoio da República Portuguesa Cultura, Juventude e Desporto, Direcção-Geral das Artes, Centro Cultural Português, da Embaixada de Portugal em Cabo Verde e do Teatro Estúdio Ildefonso Valério.

O espectáculo acontece às 19:00, na Assembleia Nacional com entrada gratuita. In “Inforpress” – Cabo Verde


Europa – Cinco países vão economizar 58% nas contas de energia este ano graças à energia limpa

Consumidores em cinco países da UE economizarão até € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano, em comparação com aqueles que possuem a matriz energética mais poluente.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.


Os países da UE com a matriz energética mais limpa estarão protegidos do aumento vertiginoso do preço do petróleo e do gás, uma vez que a guerra contra o Irão continua a evidenciar o verdadeiro custo da dependência dos combustíveis fósseis.

Dois dias após os bombardeamentos atingirem o Médio Oriente, os preços do TTF holandês (referência para os preços do gás no grosso em toda a Europa) dispararam 68%, chegando a € 52,8 por megawatt-hora, o nível mais alto em dois anos.

No início desta semana (segunda-feira, 20 de abril), o TTF holandês estava a ser negociado a um preço bem mais baixo, de € 40,2 por MWh. A queda ocorre após sinais de significativa desaceleração em meio a um cessar-fogo de duas semanas, mas ainda é consideravelmente mais alta do que antes do início do conflito (€ 31,5 por MWh).

Grande parte da volatilidade se deve ao controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem de 38 km que transporta cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás. Em março, as exportações de gás natural liquefeito (GNL) para a UE caíram 11%.

Isso levou o comissário de energia da UE a recomendar que os países reabasteçam os seus estoques de forma constante durante o verão para "mitigar a pressão sobre os preços e evitar uma corrida no final do verão".

Isso também abriu caminho para um rápido interesse em energias renováveis ​​produzidas localmente, que são cada vez mais consideradas um investimento mais estável em vista das tensões geopolíticas.

“Não há aumentos acentuados nos preços da luz solar nem embargos à energia eólica”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no mês passado.

Será que a energia limpa pode proteger a UE do aumento dos preços do gás?

Um novo relatório do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA) constatou que, apesar da forte alta dos preços e dos crescentes temores sobre a diminuição da oferta, o bloco permanece "mais bem protegido" da sensibilidade aos preços do que em 2022 – após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

Isso deve-se principalmente ao crescimento explosivo das energias renováveis, que atingiram novos recordes em 2025 e poderão economizar para a UE a impressionante quantia de € 5,8 mil milhões em 2026, substituindo o gás natural, que é caro.

Especialistas apontam que esse valor seria significativamente maior se os preços do gás não fossem responsáveis ​​por definir o preço da energia em muitos países, devido ao mecanismo de precificação marginal da UE.

Em 2025, cada aumento de €1/MWh no preço do gás levou a um aumento de €0,37 por MWh nos preços da eletricidade – uma redução de oito por cento em relação a 2022.

“Isto está diretamente ligado à separação [do preço da eletricidade] do gás e aos investimentos em energia limpa, cuja participação na geração de eletricidade na UE cresceu 14% em 2025, em comparação com 2022”, explica o relatório.

Quais são os países da UE que estão mais protegidos do aumento dos preços do gás?

Todos os Estados-membros da UE têm observado uma redução na sua sensibilidade às flutuações dos preços do gás nos últimos anos, na sequência do aumento da energia limpa.

Mas são os consumidores de cinco países da UE em particular – Dinamarca, Finlândia, França, Suécia e Eslováquia – que beneficiam da maior participação de energia limpa na sua matriz elétrica. O relatório afirma que estas nações economizarão € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano. Isso representa uma redução de 58% nas contas em comparação com os países com a matriz energética mais poluente (Polónia, Itália, Grécia, Estónia e Países Baixos).

A estimativa baseia-se na premissa de que o consumo permanecerá o mesmo este ano em comparação com 2025, levando em consideração os preços mais altos e a sensibilidade do preço do gás.

De acordo com dados de 2025, a Suécia saiu vitoriosa como o país da UE com a menor sensibilidade às oscilações do preço do gás. Em média, para cada aumento de €1 no preço do gás, a Suécia regista um aumento de apenas €0,04/MWh nos preços da eletricidade no mercado grossista.

“Embora a Suécia seja um dos nove países com reservas de gás natural significativamente abaixo da média da UE, a sua baixa dependência dessa fonte de energia – com 99% de sua eletricidade proveniente de energia limpa – protege ainda mais o mercado de eletricidade de choques de preços”, afirma o relatório.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.

Ao mesmo tempo, a sensibilidade de ambos os países aos choques nos preços do gás diminuiu 53%. No ano passado, para cada aumento de €1 no preço do gás, a zona de produção conjunta de Espanha e Portugal registou um aumento de €0,089 por MWh, o terceiro mais baixo do bloco.

A França também testemunhou uma redução acentuada na sua sensibilidade aos preços do gás, principalmente devido ao crescimento da energia limpa, que fez com que a sua sensibilidade ao gás caísse pela metade entre 2022 e 2025.

Quais são os países que estão a pagar o preço pela sua dependência de combustíveis fósseis?

Apesar de ter registado um aumento de 31% na geração de energia limpa, os Países Baixos continuam mais sensíveis aos preços do gás do que em 2022.

Apesar da participação da energia solar e eólica na geração de eletricidade do país ser superior à média da UE, o gás continua sendo a principal fonte individual de eletricidade no país.

“A sua sensibilidade também está ligada à sua elevada integração no mercado europeu de gás – muitas vezes como tomadores de preços – e, portanto, à sua suscetibilidade a choques transmitidos por países vizinhos como a Alemanha”, acrescenta o relatório.

“O gás tem tradicionalmente desempenhado um papel desproporcional na produção centralizada de eletricidade nos Países Baixos (22%), enquanto as fontes de energia limpa, especificamente a solar, têm um papel mais importante na geração descentralizada de eletricidade.”

Por exemplo, nos Países Baixos, a energia solar é muito utilizada durante o dia, mas à noite é preciso recorrer a outras fontes de energia, muitas vezes com necessidade de gás.

A Polónia é outra anomalia na tendência geral da UE. Apesar de registar um crescimento anual de 48% em energias renováveis ​​desde 2022, a sensibilidade do país aos preços do gás permanece alta.

Isso deve-se principalmente ao facto de a Polónia estar a incentivar a geração de eletricidade a gás, num esforço para substituir e reduzir o carvão, que continua sendo essencial para mais da metade da produção total de eletricidade no país.

“A mudança de foco da Polónia para o gás, em vez de fontes de energia limpas, fez com que a geração de energia a partir dessa commodity aumentasse 132% em 2025 em comparação com 2022”, explica o estudo.

“Essa maior dependência, que representou 13% do total em 2025, fez com que a sensibilidade aos preços do gás também aumentasse em 87%.”

Para cada aumento de €1 no preço do gás, a Polónia regista um aumento de €0,36 por MWh na eletricidade.

A Hungria também demonstrou maior sensibilidade aos preços do gás em comparação com 2022, registando um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Embora o país tenha testemunhado um crescimento expressivo da energia solar, a falta de capacidade de conexão à rede elétrica faz com que a Hungria ainda seja obrigada a depender do gás natural para manter a estabilidade. Euronews


Portugal – Procura diversificar parcerias para financiar desenvolvimento global

Na ONU, durante a primeira avaliação desde a Conferência de Sevilha sobre o tema, o país promete investir em projetos com impacto e em iniciativas com o setor privado. A língua portuguesa abre portas para ações de sustentabilidade e outras áreas, em nações lusófonas


Portugal está empenhado em diversificar parcerias para financiar o desenvolvimento como parte do Compromisso de Sevilha, que resultou do Quarto Encontro de Cúpula Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, realizado na cidade espanhola, no ano passado.

Ali, os líderes internacionais prometeram ampliar o financiamento para acelerar a implementação da Agenda 2030, de desenvolvimento sustentável. Para chegar lá, no entanto, o mundo precisa preencher uma lacuna de pelo menos US$ 4 trilhões, anualmente.

Brasil e Moçambique

Durante o Fórum sobre o tema, realizado pelo Conselho Económico e Social da ONU, em Nova Iorque, a embaixadora de Portugal e presidente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, IP, Florbela Paraíba, informou que o seu país defende um Apelo à Ação sobre dados, evidências e visibilidade da cooperação triangular.

Nesta entrevista à ONU News, ela falou de exemplos práticos destas parcerias em países como o Brasil e Moçambique, que visam impacto e transformação.

“Temos exemplos como o que fazemos com o Brasil nas culturas do café e na defesa da sustentabilidade em dois parques naturais na Gorongosa e em Chimanimani, em Moçambique. É um exemplo de como é que as comunidades locais, os agricultores locais beneficiam do apoio de agências neste caso portuguesa e espanhola. E são coisas que, no local, nós percebemos a diferença e o fator de transformação que eles introduzem nas comunidades. Em termos de sustentabilidade ambiental, em termos de educação, em termos de sensibilização, portanto, toda a comunidade é envolvida.”

Alguns dos desafios atuais para financiar o desenvolvimento são as tensões geopolíticas, crise climática, conflitos e guerras que drenam recursos aumentando a pressão sobre os países mais vulneráveis.

Dívida e pandemia

A embaixadora Florbela Paraíba contou que além dos países de língua portuguesa, em quatro continentes, Portugal mantém parcerias com nações como Costa Rica, México, Colômbia, Argentina e plataformas de aproximação do Sul Global que inclui a África.

Este mês, Portugal lançou a terceira edição de uma iniciativa com bolsas de estudo que focam em pesquisas sobre oceanos, entre outras áreas de interesse, como explicou a embaixadora Florbela Paraíba.

Oceanos e espaço digital

“Portugal tem créditos muito estabelecidos na defesa dos oceanos. No ODS dos oceanos. Um papel tradicional em chamar a atenção para a questão dos oceanos, tanto do ponto de vista económico, mas também do ponto de vista de regulação internacional e do ponto de vista do ambiente, naturalmente. O digital que também é muito importante para os LDC (Países Menos Desenvolvidos), nomeadamente, e também a parte do espaço.”

Segundo a ONU, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, ODA, caiu drasticamente, o investimento estrangeiro continua a diminuir e muitos países têm dificuldades em angariar receitas fiscais suficientes para financiar os serviços básicos.

Cerca de 3,4 mil milhões de pessoas vivem em países que gastam mais em pagamentos de juros do que em saúde ou educação.

O Relatório sobre o Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável 2026, divulgado pela ONU, no evento em Nova Iorque, revela que apesar de perspectivas sombrias, o crescimento económico global superou as expectativas no ano passado. O comércio entre países em desenvolvimento subiu nas últimas duas décadas e o investimento em energia renovável atingiu um recorde de US$ 2,2 trilhões em 2024, representando o dobro do nível investido em combustíveis fósseis. Monica Grayley – Brasil ONU News


quinta-feira, 23 de abril de 2026

Moçambique - Tomás Dinis lança livro “Regras 6 por 6” que propõe nova abordagem ao desenvolvimento pessoal

Lançado hoje, dia 23 de abril, no Nedbank Business Lounge, o livro Regras 6 por 6, da autoria do engenheiro e gestor Tomás Dinis, numa sessão que reuniu convidados dos sectores empresarial, cultural e académico.


A obra apresenta uma proposta estruturada de desenvolvimento pessoal, organizada em torno de seis áreas essenciais da vida: saúde, desenvolvimento pessoal, paixão, relações, contribuição e riqueza. Com uma abordagem prática e acessível, o autor partilha princípios e ferramentas voltadas para a disciplina individual, tomada de decisões e construção de uma vida mais equilibrada e intencional.

Um dos destaques do livro é o seu modelo de implementação em seis semanas, com exercícios e desafios que incentivam o leitor a transformar conhecimento em acção concreta, promovendo mudanças consistentes no dia-a-dia.

A obra resulta também da experiência pessoal de superação de Tomás Dinis, que utiliza a sua trajectória como base para inspirar leitores a reorganizarem as suas vidas com maior clareza, foco e propósito.

O evento de lançamento contou com a apresentação da obra por Hosten Yassine Ali, intervenção do autor, exibição de uma curta-metragem sobre o seu percurso e um momento de interacção com o público, seguido de sessão de autógrafos.

Formado pela Universidade Eduardo Mondlane, Tomás Dinis tem um percurso ligado ao sector energético e à gestão de negócios, sendo também activo nas áreas de empreendedorismo e desenvolvimento pessoal.

Com Regras 6 por 6, o autor posiciona-se como uma nova voz no cenário do desenvolvimento pessoal em Moçambique, propondo uma abordagem prática, estruturada e baseada na experiência vivida. In “Moz Entretenimento” - Moçambique




Angola – Escritores ainda “desconhecem” aspectos legais vinculados aos direitos de autor no Dia Mundial do Livro

Assinala-se hoje, 23 de Abril, o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor. E no dia 26 do corrente mês, o Dia Mundial da Propriedade Intelectual. O volume, como receptáculo moderno, evoluiu desde as inscrições rupestres e papiros para se tornar uma ferramenta dinâmica de preservação da memória

Numa breve conversa com alguns autores do nosso mercado, podemos observar que a maioria dos escritores angolanos não domina aspectos legais vinculados à sua própria produção.

Iniciamos com Hélder Simbad, escritor e docente universitário que, analisando o actual contexto do livro e dos direitos de autor no país, considerou que existe uma profunda “iliteracia jurídica” entre os autores, uma vez que a maioria dos escritores não domina aspectos legais vinculados à sua própria produção.

Ao analisar a importância histórica da escrita e do livro, contrastando-a com a actual precariedade dos direitos autorais no país, Simbad defendeu a profissionalização do sector e a necessidade urgente de uma estrutura institucional que proteja efectivamente os escritores contra a pirataria e a iliteracia jurídica. O escritor apontou a ausência de uma indústria do livro profissionalizada e a falta de fiscalização como resultados de um cenário de pirataria desenfreada, onde obras são vendidas em mercados informais, como no Asa Branca, sem qualquer defesa para o criador.

O autor salientou que o SENA DIAC e outras instituições correlatas ainda não são percebidos como estruturas capazes de oferecer protecção real ao escritor angolano.

A visão predominante, segundo Simbad, é de que, enquanto a literatura não for tratada como uma indústria profissionalizada e não houver uma rede complexa de institutos colaborando entre si, o direito autoral continuará a ser ignorado ou desprezado pelos próprios autores, que não vêem vantagens práticas no registo de suas obras.

Considerou que a Protecção da Propriedade Intelectual em Angola transcende a mera burocracia; ela exige uma reforma estrutural que transforma a literatura numa indústria viável. Sem fiscalização contra a pirataria e uma educação jurídica acessível aos autores, o livro permanecerá vulnerável, e o direito autoral será apenas um conceito distante da realidade prática dos criadores angolanos. Augusto Nunes – Angola in “O País”