Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Brasil - Calor extremo ameaça agricultura e segurança alimentar

O aumento do calor extremo está a redefinir a agricultura no Brasil, com impactos crescentes na produção e na segurança alimentar, segundo um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)


No documento, elaborado em conjunto com a Organização Meteorológica Mundial, afirma-se que "o calor extremo está a tornar-se uma das ameaças mais graves para a agricultura a nível global", afetando culturas, pecuária, pescas e florestas de forma simultânea.

No caso brasileiro, o relatório inclui um estudo específico sobre a onda de calor de 2024 e 2025, destacando efeitos combinados de temperaturas elevadas e seca sobre vastas áreas agrícolas.

Segundo o relatório, estes fenómenos estão ligados às alterações climáticas - ampliadas por um forte El Niño - e tendem a tornar-se mais frequentes e intensos nas próximas décadas.

A FAO sublinha que o calor extremo "atua como um multiplicador de risco", agravando impactos já existentes sobre a produção alimentar, com quebras de colheitas e redução da produção nacional, inclusive na pecuária, o que pressiona a inflação de alimentos.

Em relação à soja, alimento que o Brasil mais exporta, a FAO observou que a produção foi duramente atingida, pois as temperaturas "excederam o limite crítico de 30°C" em mais de 60% dos dias durante a sua estação de crescimento.

Devido ao "stresse térmico implacável", a estimativa oficial para a colheita brasileira de soja foi reduzida em quase 10%, resultando em milhões de toneladas de alimentos perdidos.

O calor extremo também favoreceu a proliferação de pragas, como a "mosca-branca e fungos", que atacaram plantações de batata, feijão e cana-de-açúcar em várias áreas produtoras no estado de São Paulo.

A pecuária também foi amplamente afetada, com efeitos registados em praticamente todo o território brasileiro.

A pecuária leiteira também sofreu um "impacto significativo na saúde e produtividade" das vacas, especialmente no Sudeste brasileiro, segundo o documento.

Vacas sob forte stresse por calor, acrescenta-se no relatório, produzem menos leite e podem gerar descendentes com "desempenho reduzido", o que representa uma perda económica irreversível para o produtor rural.

Segundo a mesma fonte, em 2024 registou-se o "maior número de focos de incêndio e de área queimada" desde 2010, sendo que os picos mais evidentes foram no Centro-Oeste do Brasil atingindo os biomas da Amazónia, Pantanal e Cerrado.

"Os incêndios florestais devastaram uma área equivalente ao tamanho de Itália e causaram grave poluição atmosférica por micropartículas", sublinhou.

Sem a alteração climática induzida pela atividade humana, destaca-se no estudo, fenómenos devastadores como os incêndios no Pantanal em 2024 teriam sido "10.000 por cento menos frequentes" no território brasileiro.

Sobre a Amazónia, a FAO alerta que a combinação de calor extremo, seca e degradação ambiental pode reduzir a resiliência da floresta, aumentar o risco de incêndios e afetar o papel da floresta na regulação do clima global.

No relatório estima-se que cerca de 7% da floresta seja destruída para cada grau de aumento na temperatura global acima do limite de 1,5 °C.

Se o crescimento da floresta tornar-se negativo, aponta-se no estudo, a região corre o risco crítico de transitar para uma fonte líquida de emissões, acelerando o aquecimento global.

No relatório, chama-se a atenção para o mecanismo de retroalimentação, gerado pela perda de cobertura florestal e pela exposição do solo, o que provoca aquecimento da região.

Segundo a FAO, "em áreas da Amazónia, este ciclo de retroalimentação com solos expostos pode aumentar os efeitos locais do aquecimento em mais de 300%", agravando o impacto climático. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


Moçambique – Pretende empresários chineses a investirem na industrialização

O Presidente moçambicano convidou, na China, os empresários daquele país asiático a investirem em Moçambique para ajudar no desenvolvimento e industrialização através da transformação local das matérias-primas, afirmando que é preciso investir agora porque “o comboio não espera”


“Quero convidar os meus irmãos a investir em Moçambique, porque quanto mais cedo possível melhor, porque o comboio já está a andar e geralmente o comboio não espera, pode passar e chegar tarde, enquanto os outros já apanharam o comboio”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo.

O Presidente moçambicano falava na província de Hunan, na China, durante um encontro com cerca de 350 empresários no quadro da visita de Estado que efetua àquele país asiático, em que lembrou que Moçambique está agora a atravessar uma fase de desenvolvimento de vários projetos, sobretudo os ligados à exploração de gás, indicando que é preciso aproveitar o momento para investir.

Além do sector de gás, Chapo quer os empresários chineses a investirem em tecnologia, agricultura, indústria, infraestruturas, inovação, corredores logísticos que causam maior impacto económico e social.

Perante os empresários, o Presidente de Moçambique esclareceu que o país está a construir as bases para a sua independência económica “com foco, resiliência e determinação”, através de uma transformação estrutural da economia que pretende alcançar a industrialização e o desenvolvimento da cadeia de valor, pedindo investimentos dos empresários de Hunan, província considerada “capital das máquinas agrícolas, máquinas industriais, camiões, máquinas para a indústria mineira”. “Queremos convidar aos empresários do Hunan para juntos aos empresários virem investir em Moçambique na industrialização (…) A nossa visão como Governo é que os nossos recursos minerais sejam transformados em Moçambique e já começamos esse trabalho (…) essa é a nossa visão, gerar rendimento em Moçambique, pagar-se impostos e desenvolvermos o nosso país”, disse Chapo.

Ao apresentar as potencialidades de Moçambique, Chapo referiu-se aos projetos de desenvolvimento dos corredores logísticos e dos portos, incluindo a construção de fronteiras de paragem única juntos dos países vizinhos, indicando que estas decisões colocam o país numa posição estratégica para receber investidores.

Neste sentido, o chefe do Estado moçambicano mostrou também abertura do país para concessões de diversas infraestruturas como estradas, em períodos de 20 a 30 anos, indicando que é para as empresas chinesas recuperarem os investimentos que eventualmente poderão fazer. “Estamos dispostos a receber irmãos empresários da China da província de Hunan e de outras províncias para podermos desenvolver juntos Moçambique”, disse Chapo.

O Presidente moçambicano pediu ainda a estes empresários aposta na formação do capital humano, indicando que a China é um parceiro estratégico de “primeira linha” não apenas para financiamento, mas para a troca de conhecimentos. “Queremos evoluir de uma parceria baseada no volume, para uma baseada no valor acrescentado, transferência de tecnologia, criação de emprego qualificado e desenvolvimento de cadeias produtivas. A nossa localização geográfica confere-nos uma vantagem estratégica única”, explicou Chapo, referindo-se aos acessos ao mar com ligações através dos corredores desenvolvidos e também às potencialidades agrícolas.

Chapo quer também estes empresários a investirem no setor de energia para exportar para os países da região austral de África que “enfrentam desafios”, indicando que o país também tem agora potencial para a construção de centrais elétricas, além das potencialidades que surgem com a exploração do gás.

Chapo chegou a Pequim na quinta-feira para uma visita de Estado que decorre até esta semana, num contexto em que os dois países assinalam meio século de relações diplomáticas e procuram aprofundar a parceria estratégica. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Do “legado histórico” à relação “singular” entre Macau e Portugal

Na recepção oficial do Governo da RAEM em Portugal, Sam Hou Fai discursou na língua de Camões perante 400 convidados. Na ocasião, tanto o Chefe do Executivo como o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas destacaram o legado histórico e a relação “singular” entre Macau e Portugal, perspectivando um futuro de maior proximidade e cooperação. Emídio Sousa defendeu ainda que a comunidade portuguesa é “um elo vivo e permanente” das relações entre Portugal, Macau e a China. Antes, foi inaugurada uma exposição sobre a implementação do princípio “um país, dois sistemas”, onde José Cesário discursou, defendendo que é “essencial” dar passos para facilitar “ainda mais” o fluxo humano entre as partes


Foi em português que Sam Hou Fai decidiu discursar na recepção oficial do Governo da RAEM, que decorreu ao final da tarde de segunda-feira, em Lisboa, e contou com cerca de 400 convidados. O legado histórico das relações entre Macau e Portugal foi vincado quer pelo Chefe do Executivo, quer pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. Ambos apontaram ainda para o reforço da ligação e da cooperação, lembrando os mais de cinco séculos de história que unem Portugal e Macau, bem como a República Popular da China.

O líder da RAEM afirmou que a visita a Portugal “constitui simultaneamente um meio simbólico eficaz para transmitir o legado de tradição de amizade e uma iniciativa destinada a avançar na concretização dos importantes consensos alcançados” entre o Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, e o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.

Defendendo que, desde a transferência, “Macau tem aplicado com sucesso o grande princípio de ‘um país, dois sistemas’, alcançando conquistas notáveis reconhecidas mundialmente”, apontou igualmente para “a prosperidade e a estabilidade duradouras”.

Neste âmbito – e perante membros da delegação do Governo da RAEM, representantes da delegação empresarial, representantes da Embaixada da República Popular da China em Portugal, e personalidades de diversos sectores da sociedade portuguesa -, Sam Hou Fai afirmou ainda que “todos os direitos dos residentes de Macau, incluindo os dos Macaenses de origem portuguesa, são efectivamente salvaguardados nos termos da lei”.

Por outro lado, assegurou que Macau está “cada vez mais empenhado” em “potenciar o papel singular” do território com “ponte” e como “interlocutor de precisão”, “reforçando o aperfeiçoamento dos diversos mecanismos e plataformas de cooperação sino-lusófona”. O objectivo, acrescentou, é que Macau “se torne numa plataforma importante para toda a comunidade internacional, especialmente os países de língua portuguesa”, contribuindo para a concretização de cooperações “mutuamente benéficas de nível mais elevado”.

Na ocasião, fez votos para que “a árvore da amizade entre a China e Portugal permaneça para sempre viçosa e cheia de vitalidade” e para que “a cooperação entre Macau e Portugal em todos os domínios dê frutos ainda mais abundantes”.

Afirmando que a estratégia de “Macau + Hengqin” é “cada vez mais aceite e enraizada na população”, Sam Hou Fai defendeu que “o desenvolvimento integrado entre Macau e Hengqin tem um potencial ilimitado”. Depois, convidou as pessoas presentes a visitar o Interior da China, Macau e Hengqin com vista a “descobrir as oportunidades existentes na China, a investir em Macau e Hengqin” e de olhos postos no futuro.

Já o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, começou por dizer que a decisão de Sam Hou Fai de escolher Portugal como destino da sua primeira visita oficial ao exterior “tem um forte valor simbólico”. “Interpretamos [a decisão] como um sinal inequívoco da importância que Portugal continua a ocupar no quadro das relações da RAEM. Trata-se de uma escolha que honra o nosso país e que reforça a natureza especial do vínculo que nos une. Portugal olha, como sempre olhou, com especial significado para Macau”, afirmou ainda.

Emídio Sousa assinalou que “essa relação singular assenta numa história comum de quase cinco séculos que ligou Portugal a Macau e por essa via a República Popular da China”, acrescentando que, ao longo do percurso histórico, Macau se afirmou como “espaço ideal entre culturas, sistemas e visões do mundo, desempenhando um papel único e irrepetível”. “Esse legado histórico não se encerrou com a retroversão de Macau à soberania da República Popular da China, pelo contrário, marcou o início de uma nova etapa nas relações entre Portugal e Macau, enquadrada num contexto distinto, mas firmemente ancorada nos mesmos valores da confiança mútua, respeito e amizade”, considerou.

“É sobre esse património comum que o Governo de Portugal reafirma a sua determinação em aprofundar e reforçar a ligação com Macau, em estreita articulação com as autoridades da RAEM. A amizade entre Portugal e Macau traduz-se, antes de mais, nas pessoas”, prosseguiu o Secretário de Estado, acrescentando que a comunidade portuguesa residente em Macau “é importante” e “constitui um dos pilares fundamentais desta relação, sendo um elo vivo e permanente entre as nossas sociedades”.

Cesário pede “passos” para facilitar o fluxo humano

Antes da recepção oficial, o Chefe do Executivo presidiu à inauguração da exposição “Macau, Êxitos de ‘Um País, Dois Sistemas’: Transmitir o Legado de Tradição da Amizade Sino-Portuguesa e Escrever Um Novo Capítulo do Princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”, onde disse que Macau zela “sempre” pela defesa do princípio formulado por Deng Xiaoping.

José Cesário, presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, esteve igualmente presente na inauguração da mostra, tendo também assinalado, à semelhança do Secretário de Estado, a relevância da visita de Sam Hou Fai ao país. “Macau é um território que jamais deixará de fazer parte da nossa história, sendo essencial para a nossa presença no Oriente no passado, no presente e no futuro”, afirmou.

Cesário defendeu que é “essencial darmos passos no sentido de facilitarmos ainda mais o fluxo humano entre os nossos países e os nossos territórios”, apontando que as especificidades e a relevância das comunidades portuguesas em Macau e na China, e das comunidades macaense e chinesa em Portugal, são igualmente questões que requerem acompanhamento permanente.

Recorde-se que Macau não aceita, desde Agosto de 2023, novos pedidos de residência para portugueses, para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. Orientações que eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999.

Antes, tinha elogiado as “excelentes relações” entre as partes e a “a forma exemplar como a transição da administração de Macau se processou”. Numa altura em que a conjuntura política e económica globais são complexas, José Cesário assinalou a “relevância” da visita, tendo em conta o actual contexto geopolítico. Disse ainda estar certo de que resultará daqui “uma ainda maior proximidade”.

Disse ainda que “a luta pela paz a nível mundial, o entendimento entre os povos, o respeito pelo Direito Internacional e a melhoria da nossa relação política, económica e cultural serão questões que, naturalmente, estarão muito presentes nesta visita”.

Exposição mostra “forte vitalidade” do princípio “um país, dois sistemas”

Patente até 28 de Junho nas instalações da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa, a exposição “Macau, Êxitos de ‘Um País, Dois Sistemas’: Transmitir o Legado de Tradição da Amizade Sino-Portuguesa e Escrever Um Novo Capítulo do Princípio ‘Um País, Dois Sistemas’” está dividida em seis capítulos. São eles “Prefácio”, “O princípio ‘um país, dois sistemas’ é o alicerce da Região Administrativa Especial”, “Ponte de ligação para a abertura ao exterior e janela para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações”, “Zona de cooperação em Hengqin cria novo espaço de desenvolvimento para Macau”, “Sociedade harmoniosa e estável garante uma vida saudável e segura” e “Conclusão”. Através de textos em português e chinês e mais de 100 fotografias, a mostra “faz uma retrospectiva histórica, foca o presente e olha para o futuro, destacando os notáveis feitos alcançados por Macau nas áreas política, económica, social e de bem-estar da população”. São ainda exibidos vários vídeos, incluindo testemunhos de várias figuras emblemáticas que acompanharam a transição de Macau. Catarina Pereira – Portugal in “Jornal Tribuna de Macau”


Macau - Instituto Português do Oriente e Universidade de Coimbra unidos para reforçar ensino do Português

Ao abrigo de um protocolo assinado em Lisboa, o Instituto Português do Oriente vai ensinar as “bases” da língua portuguesa a estudantes que queiram prosseguir estudos na Universidade de Coimbra, adiantou Patrícia Quaresma ao Jornal Tribuna de Macau. O curso decorre durante os meses de Verão, num total de 300 horas de formação, incluindo, além da parte da língua, a parte cultural

O Instituto Português do Oriente (IPOR), a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e a Universidade de Coimbra (UC) assinaram um protocolo de cooperação para prosseguimento de estudos na UC. A directora do IPOR, Patrícia Quaresma, explicou ao Jornal Tribuna de Macau que o acordo “pretende preparar alunos de Macau para o acesso ao ensino superior” naquela universidade portuguesa.

“O que este protocolo vai permitir é que os alunos se inscrevam no programa de prosseguimento de estudos na Universidade de Coimbra, fazendo uma primeira parte de um curso de língua portuguesa no IPOR, em Macau”, acrescentou, indicando que serão cerca de 300 horas. O curso decorrerá durante os meses de Verão, depois de terminarem os exames.

O ideal, segundo esclareceu Patrícia Quaresma, é que os alunos consigam chegar ao nível A2 de proficiência. “Mas, se não conseguirem chegar a esse objectivo, pelo menos já têm uma base de língua portuguesa quando chegarem a Coimbra, à universidade, e entrarem no ano zero”.

A directora do IPOR disse ainda que as bases não são apenas de língua, mas também a nível de cultura. Por outro lado, será também dado apoio aos alunos na preparação para o mundo académico, “não só mostrando como é que funciona a cidade, como é que são os serviços, mostrando-lhes também como é que poderão, por exemplo, encontrar um quarto, como é que podem abrir uma conta, preparar a documentação toda para fazerem um visto”, exemplificou.

A divulgação do programa vai agora começar a ser feita, sendo que os alunos que pretendem ir estudar para a UC já poderão inscrever-se, dentro do conjunto de vagas reservadas para alunos internacionais que vão de Macau. No total, deverão ser cerca de 30 vagas.

“Há várias licenciaturas e mestrados que estão previstos, depois eles podem consultar e ver quais é que são os cursos que pretendem frequentar e candidatar-se. Claro que isto tem um processo também de avaliação da própria candidatura, onde também se tem em conta o exame unificado que fazem em Macau e a conclusão de estudos que fazem nas escolas secundárias”, sublinhou Patrícia Quaresma.

O protocolo foi assinado durante a recepção oficial do Governo da RAEM em Lisboa, no âmbito da visita do Chefe do Executivo. No total, foram firmados 18 acordos, envolvendo áreas tão diversas como saúde, cultura, assessoria jurídica, formação de talentos, entre outras.

DST com cooperações nas áreas do turismo e cultura

A Direcção dos Serviços de Turismo celebrou um memorando de entendimento para a cooperação em matéria de turismo com a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo e um protocolo de colaboração com a EGEAC Lisboa Cultura, com vista a “reforçar as ligações de Macau com Portugal e a Europa através do turismo e da cultura, para apoiar os esforços de diversificação das fontes de visitantes internacionais e solidificar o posicionamento de Macau como um centro mundial de turismo e lazer”. O primeiro tem por finalidade enquadrar e definir as formas de cooperação na promoção do turismo e na formação online para o sector, não excluindo outras formas de cooperação que possam vir a ser definidas no futuro. Em concreto, está prevista, por exemplo, a formação e desenvolvimento de competências técnicas, com a criação de cursos online, para “dar a conhecer aos profissionais locais os produtos turísticos acordados entre as partes, bem como capacitá-los para a sua promoção nos mercados de Portugal e da Europa”. Já o segundo prevê a promoção da cultura e tradições de Macau em Lisboa e a internacionalização das festas da capital portuguesa, nomeadamente a participação das Marchas Populares vencedoras em festividades de Macau. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 21 de abril de 2026

Angola - Conferência Nacional sobre Literatura reflecte sobre a produção literária angolana, na província do Uíge

A província do Uíge acolhe, entre os dias 1 e 2 do próximo mês, a 1.ª edição da Conferência Nacional sobre Literatura Angolana, uma iniciativa que pretende reunir escritores, investigadores, críticos literários, editores e académicos de diferentes gerações para analisarem os caminhos da literatura produzida no país


O encontro, que tem como lema “Literatura nacional versus literatura regional”, vai reflectir ainda sobre temas voltados para a valorização das línguas nacionais, o papel da literatura na construção da identidade cultural, os desafios enfrentados por escritores contemporâneos, bem como a legitimação da literatura regional, com maior ênfase para a literatura feita no Uíge. “O encontro nasce da necessidade de se criar um espaço sério de reflexão em torno da literatura angolana, num momento em que surgem novas abordagens sobre a produção literária fora dos grandes centros tradicionais”, afirmou Vrackichakiri Abelardo, escritor e organizador da iniciativa.

De acordo com o responsável, a organização entendeu trazer para o centro da discussão os temas em abordagem, por considerar que o país vive um momento em que se torna necessário repensar os conceitos literários e compreender até que ponto determinadas províncias têm vindo a desenvolver linguagens próprias dentro do universo da criação escrita. Além da questão da regionalização da literatura, a conferência vai ainda centrar-se na situação actual da crítica literária em Angola.

Para Vrackichakiri, uma das maiores preocupações da organização está relacionada com o enfraquecimento do exercício crítico no país, situação que, no seu ponto de vista, tem impedido uma avaliação mais profunda da qualidade das obras que têm sido publicadas nos últimos anos. In “O País” - Angola


IILP - Estão abertas candidaturas ao Programa de Residências de Criação Literária

As candidaturas à 3.ª edição do Programa de Residências de Criação Literária do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) abrem no dia 5 de Maio, no âmbito do Plano de Actividades da instituição para 2026


Segundo o regulamento, o programa tem como objectivos apoiar a circulação de escritores dos países e regiões de língua portuguesa, bem como promover a criação literária em língua portuguesa.

A iniciativa visa ainda fomentar a interculturalidade no espaço da CPLP e promover um maior conhecimento das literaturas nacionais nos seus Estados-membros e regiões de língua oficial portuguesa.

O concurso abre oficialmente no dia 5 de Maio, sendo que as candidaturas devem ser submetidas até ao dia 20 do mesmo mês. Serão atribuídas quatro bolsas de criação.

As candidaturas deverão ser efectuadas mediante o preenchimento e submissão do formulário disponibilizado na página oficial do instituto (iilp.cplp.org), a partir de 5 de Maio, acompanhado da documentação obrigatória aí indicada.

O envio da candidatura, juntamente com os documentos exigidos, deverá ser feito via correio electrónico, através do endereço:

residencias.iilp@gmail.com. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


UCCLA - Inauguração da exposição "Rostos da Imigração" de Alfredo Cunha

A galeria de exposições da UCCLA acolhe, no dia 23 de abril, às 18h30, a inauguração da exposição de fotografia "Rostos da Imigração", da autoria de Alfredo Cunha.


Este projeto fotográfico propõe um olhar sensível sobre as vivências e os processos de integração de imigrantes em Portugal, com especial enfoque nas comunidades lusófonas. Através de retratos marcantes, o autor dá rosto a histórias de diversidade, pertença e identidade.

A exposição estará patente ao público até ao dia 20 de maio, podendo ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 10 e as 13 horas, e das 14 às 18 horas. A entrada é livre.

A iniciativa esteve integrada no âmbito do ciclo de conferências "Desafios Atuais da Imigração Lusófona: Portugal e União Europeia", promovido pela UCCLA (União das Cidades Capitais da Língua Portuguesa) em parceria com a Universidade de Lisboa (IGOT), realizado em 2025.

Biografia do autor:

Nascido em Celorico da Beira, Portugal, em 1953, Alfredo Cunha é um dos mais reconhecidos fotojornalistas portugueses, com uma carreira de mais de cinco décadas. Ficou amplamente conhecido pelas imagens icónicas da Revolução do 25 de Abril de 1974 e do processo de descolonização. Ao longo do seu percurso, foi fotógrafo oficial dos Presidentes da República Ramalho Eanes e Mário Soares. Colaborou com diversas publicações, como Notícias da Amadora, O Século, Público e com a agência Lusa.

Cobriu acontecimentos marcantes da história contemporânea, incluindo a independência de Moçambique e a guerra colonial, tendo publicado dezenas de livros e realizado centenas de exposições. Entre as suas obras destacam-se Os Rapazes dos Tanques e várias antologias dedicadas à história recente de Portugal. É Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.