Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Cabo Verde - Realizadora Natasha Craveiro presente num dos principais festivais internacionais de cinema, o Festival de Locarno

Cidade da Praia – A realizadora e produtora Natasha Craveiro foi seleccionada para integrar a edição “Open Doors Producers”, programa de formação e desenvolvimento profissional do Festival de Locarno, na Suíça, para produtores emergentes de regiões com indústrias cinematográficas em desenvolvimento.


Em declarações à Inforpress, Natasha Craveiro esclareceu que a participação no programa resulta de um processo de candidatura internacional “altamente competitivo e não de um convite directo”.

Segundo explicou, o “Open Doors” é uma das iniciativas de maior prestígio do Festival de Locarno, na Suíça, vocacionada para apoiar, capacitar e dar visibilidade a cineastas e produtores independentes de países com infra-estruturas cinematográficas ainda em fase de consolidação.

A produtora indicou que o programa decorreu numa primeira fase online, entre Maio e Julho, através de formações, mentorias e workshops especializados, culminando agora com a etapa presencial, que acontece a partir de hoje até ao dia 11, durante o festival, onde “orgulhosamente exibirá a bandeira de Cabo Verde”.

"Estar em Locarno com o nosso olhar e as nossas histórias é a prova de que, mesmo a partir de uma ilha no meio do mar, conseguimos criar pontes globais e fazer a nossa voz ecoar nos grandes palcos do cinema mundial", afirmou.

Conforme explicou, não se limita à apresentação de um filme, mas centra-se igualmente na visão estratégica dos produtores, no desenvolvimento dos seus catálogos e na construção de infra-estruturas para o sector cinematográfico.

Neste contexto, exibirá a bandeira de Cabo Verde ao encontro internacional o projecto cinematográfico híbrido "Dja branku dja", do qual é autora e realizadora.

Isto, além de iniciativas ligadas ao fortalecimento do ecossistema cinematográfico cabo-verdiano, nomeadamente a Korikaxoru Academy, dedicada à formação de novos profissionais, o Cine Clube Mancarra, vocacionado para a criação de públicos para o cinema, e o Kafuka African Film Festival, dedicado à promoção do cinema africano.

O “Open Doors” 2026 realiza-se de 05 a 10 de Agosto, em Locarno, na Suíça, como parte da programação do Locarno Pro, no âmbito da 79.ª edição do Festival de Cinema de Locarno. In “Inforpress” – Cabo Verde

Suíça - Filme luso-suíço concorre ao principal prémio do Festival de Locarno

Senegal - Centro do tráfico de cocaína para a Europa

Com o aumento das apreensões recordes de cocaína na costa do Senegal, uma reportagem investigativa do jornal francês Le Monde (19/07/2026) confirma, com riqueza de detalhes e fontes internacionais, o que o Le Journal du Pays já denunciava há três anos: o Senegal consolidou-se como um importante centro de tráfico de cocaína sul-americana destinada à Europa.

Esta convergência entre uma imprensa local independente e uma importante publicação internacional não é insignificante. Ela lança uma luz implacável sobre a dinâmica de poder, a corrupção e a repressão que permeiam o país, particularmente em Casamansa.

Uma estrada chamada "Rodovia 10"

Segundo o jornal Le Monde, mais de um terço da cocaína consumida na Europa transita atualmente por portos da África Ocidental. Os traficantes exploram as fragilidades dos controlos regionais através de uma estratégia de "rebote": as drogas são armazenadas e reembaladas em África antes de serem enviadas para a Europa para evitar a detecção alfandegária. O Porto de Dakar e as águas territoriais senegalesas são fundamentais para essa operação.

Apreensões espetaculares ilustram isso: quase três toneladas interceptadas pela Marinha senegalesa em 2023, 690 kg no mesmo ano e mais de duas toneladas em 2021. Esses números confirmam a expansão acentuada do tráfico desde 2019, conforme destacado por análises da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alerta para um "ciclo vicioso" que liga o tráfico, a instabilidade e a corrupção, particularmente no Sahel e na África Ocidental.

Isso já havia sido revelado pelo Le Journal du Pays.

Já em 2024, o Le Journal du Pays alertava para o papel central desempenhado pela Guiné-Bissau, Senegal e Gâmbia como uma "nova plataforma" para a cocaína e drogas sintéticas na sub-região. Longe de ser uma simples zona de trânsito, a África Ocidental tornou-se um centro estratégico de logística e redistribuição para os cartéis sul-americanos.

Três anos antes, o mesmo veículo de comunicação sediado em Casamansa já havia destacado as ligações entre esses fluxos criminosos e a dinâmica política e de segurança local. Num artigo recente, foi além: segundo o artigo, as operações militares e administrativas do Senegal em Casamansa serviam para "proteger as suas verdadeiras redes de cocaína". Esta grave acusação, além das suas implicações políticas, surge num contexto em que apreensões maciças coincidem com a crescente militarização de certas áreas.

Pontos em comum e silêncios compartilhados

As semelhanças entre o Le Journal du Pays e o Le Monde são impressionantes:

• A dimensão do fenómeno: Ambas as publicações destacam a transição de um tráfico marginal para um problema estrutural, com um aumento exponencial do volume de bens apreendidos.

• O papel dos portos e das águas territoriais: Dakar como centro nevrálgico.

• A natureza dupla do problema: Trânsito internacional, por um lado, e uma explosão do consumo local (crack, cannabis, kush sintético), por outro, particularmente em Dakar.

• O risco de instabilidade: O UNODC e os especialistas citados pelo Le Monde confirmam a ligação entre estes fluxos financeiros e grupos armados ou redes de corrupção, uma perspetiva que o Le Journal du Pays ligou explicitamente às tensões em Casamansa.

Enquanto o Le Monde se mantém cauteloso e factual, baseando-se em relatórios e especialistas internacionais, o Le Journal du Pays adota um tom mais incisivo, típico de um jornal de oposição ou regional, ligando diretamente esse tráfico à repressão observada em Casamansa. As operações do exército senegalês, os despejos de aldeias e as prisões são apresentados não como simples medidas de segurança, mas como um meio de proteger interesses ligados ao narcotráfico.

Será que Casamansa está sendo usada como ferramenta?

Para os habitantes de Casamansa, esta confirmação por um importante veículo de comunicação como o Le Monde legitima questionamentos antigos. Por que tamanha concentração de forças militares numa região historicamente marginalizada, justamente quando o país se torna um polo do narcotráfico? A cooperação internacional com o UNODC e parceiros europeus permite apreensões, mas especialistas enfatizam a adaptabilidade dos traficantes e a persistência da corrupção.

O Senegal enfrenta um duplo desafio: conter o trânsito que enriquece as redes transnacionais e, ao mesmo tempo, gerir o crescente consumo interno que prejudica a juventude. Mas, para muitos em Casamansa, a verdadeira questão continua a ser a da soberania e da transparência: quem realmente beneficia desses fluxos? E a que custo para as populações vizinhas?

Embora o Le Monde confira a credibilidade de uma investigação internacional, o Le Journal du Pays há anos oferece uma perspectiva local, muitas vezes mais crítica, sobre as implicações políticas e humanas. Essa convergência reforça uma observação preocupante: sem uma governança mais transparente e uma paz genuína em Casamansa, o Senegal corre o risco de ver o seu papel como um "centro" consolidar-se, em detrimento da sua estabilidade e desenvolvimento.

A história do narcotráfico na África Ocidental demonstra que os centros logísticos frequentemente atraem mais do que apenas drogas: atraem também os conflitos e a corrupção que deveriam combater. Chegou a hora de uma investigação séria dessas redes, que vá além de apreensões espetaculares e declarações oficiais. Kondiarama e Pape Malang Dabo – Casamansa in “Le Journal du Pays”


Sahara Ocidental - Simpósio científico conclui com apelo à implementação da legitimidade internacional e à proteção dos direitos humanos

Argel – O simpósio científico organizado pelo Instituto Nacional Argelino de Estudos Estratégicos Abrangentes, em parceria com o Centro Saharaui de Estudos Estratégicos, terminou em Argel, com os participantes reafirmando que a única solução justa e duradoura para a questão do Sahara Ocidental reside em permitir que o povo saharaui exerça o seu direito inalienável à autodeterminação por meio de um referendo livre e justo, em conformidade com a legitimidade internacional.


O segundo e último dia do simpósio contou com uma palestra do embaixador saharauí na Argélia, Khatri Addouh, intitulada "Perspectivas para um Acordo e Solução Futuros". Na sua apresentação, o embaixador Addouh enfatizou que o acordo firmado pelas duas partes em conflito desde 1991 baseia-se na organização de um referendo de autodeterminação supervisionado pela ONU. Ele descreveu esse processo como o único caminho para alcançar uma paz justa e duradoura na região e apelou à comunidade internacional para que fortaleça o seu apoio aos esforços das Nações Unidas para concluir o processo de descolonização no Sahara Ocidental.

Por sua vez, o presidente do Instituto Nacional Argelino de Estudos Estratégicos Abrangentes, Abdelaziz Medjahed, encerrou o simpósio enfatizando que as políticas expansionistas da ocupação marroquina remontam à década de 1940. Ele apelou à mobilização de esforços académicos, mediáticos e políticos para permitir que o povo saharauí exerça o seu legítimo direito à autodeterminação e à independência.

Especialistas jurídicos que participaram do simpósio instaram a intensificação dos esforços para responsabilizar Marrocos pelos crimes cometidos nos territórios ocupados do Sahara Ocidental, por meio da internacionalização das violações documentadas e da apresentação de denúncias perante órgãos judiciais internacionais e regionais. Ressaltaram também a necessidade de adotar uma abordagem mais eficaz para combater a narrativa promovida pela ocupação marroquina, numa tentativa de minar o direito do povo saharauí à autodeterminação.

Nas suas recomendações finais, os participantes apelaram para a estrita observância da legitimidade internacional e a implementação das resoluções das Nações Unidas relativas à descolonização do Sahara Ocidental. Reiteraram também a sua reivindicação de ampliação do mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) para incluir a monitorização da situação dos direitos humanos, incluindo a proteção da soberania permanente do povo saharauí sobre os seus recursos naturais.

O simpósio recomendou ainda o fortalecimento do papel da sociedade civil na monitorização e documentação das violações e crimes cometidos nos territórios ocupados, o apoio às vítimas na apresentação de queixas individuais e coletivas perante tribunais internacionais e regionais e a defesa da nomeação de um Relator Especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental.

Em relação aos recursos naturais e à mídia, os participantes enfatizaram a importância de expor a dimensão da exploração dos recursos naturais saharauís por Marrocos e de combater as narrativas enganosas que cercam o assunto. Eles também solicitaram o desenvolvimento de programas especializados de capacitação na mídia e uma estratégia de comunicação abrangente para apoiar a causa saharauí por meio da produção de conteúdo digital multilíngue baseado em fontes confiáveis ​​e ferramentas científicas para monitorizar e analisar o discurso da mídia internacional. In “Sahara Press Service” – Sahara Ocidental


Moçambique - Teatro apoiado pela ONU alia vozes contra a corrupção

Projeto Gris transforma arte dramática em escudo contra cobranças ilícitas na prestação de serviços públicos. Desenvolvida em parceria com o UNODC, iniciativa do Centro de Formação Jurídica e Judiciária leva consciencialização e cidadania às comunidades mais vulneráveis


O Centro de Saúde da Matola 2, nos arredores da cidade de Maputo, serviu de palco para a ação inaugural do Grupo de Intervenção e Sensibilização, Gris.

A iniciativa foi promovida pelo Centro de Formação Jurídica e Judiciária, (CFJJ), marcando a primeira etapa do órgão inaugurado pelo Ministério da Justiça, Assuntos Religiosos e Constitucionais de Moçambique, em abril.

Extorsão e prevenir práticas ilícitas

Reunindo gestantes, mães, jovens e mulheres adultas que aguardavam atendimento na unidade de saúde, a sessão utilizou a sensibilização comunitária como ferramenta para combater a extorsão e prevenir práticas ilícitas nos serviços públicos.

Ao transformar o espaço de espera num debate aberto sobre direitos e integridade, a ação fortaleceu a consciencialização social na procura por uma sociedade mais justa, transparente e igualitária para todos os moçambicanos.

Através de uma abordagem dinâmica que une palestras e representações teatrais, os integrantes do projeto Gris exploram temáticas essenciais para a cidadania moçambicana.

Romper o silêncio

Durante a intervenção marcante no Hospital da Matola, o grupo colocou em evidência o direito inalienável do cidadão ao acesso pleno à saúde. Mais do que apenas informar, a iniciativa procura despertar a coragem cívica.

Anifa Vilanculo, membro ativo do coletivo, fez um apelo público, reforçando que a principal arma contra a extorsão é a voz da população e convocando todos a romperem o silêncio para denunciar ativamente qualquer ato de corrupção.

“Denunciar qualquer tipo de hábito, corrupção que nós podemos presenciar no nosso dia a dia. Quanto mais nós protegermos esse tipo de ação, quanto mais nós calamos diante desse tipo de situação, na verdade nada muda. A coisa só continua a crescer porque nós calamos diante daquela situação.”

Na peça teatral “A fila que não anda”, o grupo Gris levou ao palco um reflexo doloroso da realidade enfrentada por muitas das mulheres na plateia.

Sequelas da Vida

O espetáculo expõe o ambiente de uma maternidade onde o direito ao atendimento não é pautado pela urgência médica ou pela dor, mas sim, pela capacidade da paciente de pagar subornos e ceder a extorsões.

A identificação com a obra é imediata e perturbadora. Ao se reconhecerem na narrativa encenada, diversos participantes sentem a necessidade de expor as suas próprias feridas, mas o profundo medo de sofrerem retaliações faz com que a denúncia exija a proteção do anonimato.

Um retrato vivo desse trauma sistémico é o de Josefina, que, amparada pelo sigilo e tocada pela representação no palco, encontrou coragem para quebrar o silêncio e narrar a sua verdadeira história.

Ela contou que, em 2014, seus familiares pagaram 1,5 mil meticais, só assim foram atendidos no momento do parto. Depois dessa experiência, a decisão foi não ter mais filhos, por receio que o mesmo abuso voltasse a acontecer.

Peso financeiro da corrupção

Em Moçambique, onde o salário-mínimo varia entre 7 mil e 11 mil meticais na maioria dos setores, o peso financeiro da corrupção é muitas vezes mencionado.

As cobranças ilícitas, frequentemente a cidadãos em momentos de extrema vulnerabilidade, chegam a consumir o equivalente a semanas inteiras do rendimento de inúmeras famílias, aprofundando ainda mais a desigualdade social no país.

Foi exatamente para tirar o enfrentamento desse cenário da teoria e levá-lo à prática que surgiu o Grupo de Intervenção e Sensibilização. O projeto mobiliza funcionários e formandos profundamente comprometidos em promover a consciencialização comunitária.

Por meio da educação jurídica, a iniciativa atua diretamente na base, transformando o conhecimento numa ferramenta ativa para reforçar a prevenção contra práticas corruptas.

Raiz do Gris

Esta frente global de educação e empoderamento juvenil conta com o acompanhamento de Joana Wrabetz, especialista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, UNODC.

Ela explica que a raiz do Gris germinou a partir da adaptação de um módulo de ensino da própria agência da ONU, desenhado para incentivar o engajamento cívico.

O que inicialmente era apenas uma capacitação teórica sobre participação cidadã, oferecida aos funcionários no Centro de Formação Jurídica e Judiciária, evoluiu e ganhou as ruas como uma verdadeira força de intervenção social.

“No final dessa formação achámos que era necessário passar da teoria à prática, da sala de aula para as ruas e, no fundo, acaba por ser a concretização daquilo que é a UNCAC, que é a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. No seu capítulo 2 fala, precisamente, sobre a prevenção e uma das partes mais importantes da prevenção é também a participação da sociedade civil, a participação de todos no combate à corrupção, porque passa por cada um.”

O impacto do Gris já reverbera nos mais altos escalões do governo moçambicano. Ao enaltecer a iniciativa, o ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, afirmou que a atuação do grupo representa um passo decisivo na transformação do conhecimento em ação concreta a serviço das comunidades.

Fortalecimento da educação jurídica

Para o ministro, o projeto assume um papel indispensável no fortalecimento da educação jurídica da população e na prevenção ativa de práticas corruptas.

A relevância dos resultados alcançados transformou a iniciativa num verdadeiro modelo a ser seguido. Diante desse sucesso, Elisa Boerekamp, diretora do Centro de Formação Jurídica e Judiciária, CFJJ, fez um apelo para que outras instituições em Moçambique desenvolvam as suas próprias réplicas do projeto, expandindo a rede de combate às cobranças ilícitas.

Essa frente de mobilização social ganha mais destaque graças a parcerias internacionais. As campanhas de conscientização promovidas pelo *Gris são apoiadas pelo UNODC, através do projeto "Apoio ao Reforço da Justiça Penal em Moçambique", financiado pela União Europeia, e o programa Grace - Iniciativa Global para Educação e Empoderamento dos Jovens na área do Combate à Corrupção, apoiado pela Associação Internacional de Advogados de Defesa. Ouri Pota – Moçambique ONU News


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Macau - Encontro artístico no Instituto Internacional de Macau explora a diversidade linguística

A cidade de Macau é composta por diversas formas de expressão linguística, que vão muito além das línguas oficiais chinesa e portuguesa. Numa sessão marcada para esta quinta-feira, às 18h30, no Instituto Internacional de Macau (IIM), a dupla constituída por Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man convida o público a partilhar as suas experiências sobre a “translingualidade quotidiana” da região. As intervenções dos participantes, limitadas a um minuto, serão depois integradas numa obra audiovisual sobre a diversidade linguística local


O Instituto Internacional de Macau (IIM) vai acolher esta quinta-feira, pelas 18h30, um encontro artístico integrado na série “As Espantosas e Curiosas Viagens”, da dupla artística composta por Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man.

A sessão tem o nome de “Midissage”, em referência ao termo franco-alemão que descreve um evento especial realizado a meio de uma exposição de arte. Neste caso, a iniciativa decorre a meio da residência da dupla em Macau e Hong Kong, que decorre até 15 de Agosto e que já passou pela Fundação Rui Cunha (FRC) no final de Julho.

O público é agora convidado a tornar-se parte integrante do projecto, organizado em sucessivas rondas de perguntas nas quais cada participante pode intervir durante um máximo de um minuto. Num comunicado do IIM, explica-se que “o formato procura reunir experiências relacionadas com as línguas utilizadas na vida familiar, profissional e urbana de Macau”, que vão para lá do chinês e do português. O encontro vai decorrer maioritariamente em inglês, estando também aberto a intervenções em qualquer outro idioma – incluindo, por exemplo, o tagalo.

As intervenções do público serão posteriormente incluídas numa obra audiovisual sobre “a translingualidade quotidiana” de Macau, “fazendo da própria participação pública parte do processo artístico e documental”. Citada no comunicado do IIM, a dupla explica que esta acção “procura abordar Macau não apenas como lugar de coexistência entre idiomas, mas como espaço onde diferentes formas de falar, escutar e traduzir participam diariamente na construção de presenças”.

No mesmo local, serão exibidos trabalhos têxteis concebidos pela dupla, nunca antes apresentados na Ásia, e uma selecção de entrevistas feitas pelo antropólogo visual Cheong Kin Man, entre 2008 e 2009, junto de comunidades da diáspora de Macau. Com curadoria de Sara Neves, a mostra resulta de uma residência artística que se prolongará até 15 de Agosto, dedicada às ligações humanas e culturais “entre Macau e o mundo, à translingualidade, às memórias diaspóricas e ao património afectivo”. Depois desta data, a exposição “continuará a evoluir diariamente e será gradualmente desfeita, em lugar de encerrar de forma convencional”, segundo adianta o IIM.

A residência em Macau e Hong Kong insere-se num projecto mais amplo de investigação doutoral de Cheong Kin Man em Antropologia, desenvolvido na Universidade Nova de Lisboa e no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, com bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Depois desta etapa, o projecto segue para o Brasil até ao final de Setembro e para Portugal entre Outubro e o início de Dezembro. No final do ano, haverá uma residência artística integrada na Bienal de São Tomé e Príncipe, concluindo assim o percurso por quatro continentes.

O programa conta com o apoio do Goethe-Institut Hongkong (Instituto Alemão de Hong Kong), o apoio institucional do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong e o patrocínio honorário do Consulado-Geral da Polónia em Hong Kong. In “Ponto Final” - Macau


Angola - Lançamento de romance marca estreia de trilogia

O romance “Juras Cor de Sangue”, de co-autoria de Marta Teixeira Lopes e Edgar Ginga Sombra, que acaba de chegar ao mercado literário benguelense, inspirado em factos, marca o início de uma trilogia que aborda temas como amor, lealdade, confiança e as consequências das promessas


A co-autora Marta Teixeira Lopes explicou, ao Jornal de Angola, que o livro tem 143 páginas, distribuídas por oito capítulos, acrescentando que, numa primeira fase, estão disponíveis 100 exemplares para a comercialização em Benguela, estando previstos lançamentos nas províncias de Luanda e do Huambo.

Segundo a mesma, Juras Cor de Sangue nasceu de um convite de Edgar Ginga Sombra, que lhe apresentou uma história inspirada em factos. A partir desse enredo, os dois autores desenvolveram personagens, conflitos e perfis psicológicos, e transformaram a narrativa numa obra de ficção.

“O romance acompanha a história de três jovens bolseiros angolanos que procuravam construir os seus sonhos na África do Sul e retrata um triângulo amoroso, marcado por promessas, lealdade, confiança e traição. O título simboliza a intensidade dos compromissos assumidos pelos protagonistas e as consequências da quebra dessas promessas”, explicou.

A co-autora destacou que a publicação da obra só foi possível após cerca de cinco anos de revisões e aperfeiçoamento até encontrarem uma editora com políticas favoráveis à edição do livro.

Marta Teixeira Lopes revelou que a paixão pela escrita surgiu ainda na infância, motivada pelo gosto pela leitura. Sem acesso a livros literários, começou por ler a Bíblia e obras académicas.

“O primeiro contacto com um romance aconteceu durante o ensino médio por incentivo de um professor de Língua Portuguesa. Foi uma experiência que despertou o meu interesse pelo género literário”, sublinhou.

A autora iniciou o seu percurso na literatura através da poesia, tendo participado em antologias nacionais e internacionais. Foi também curadora da página brasileira Sen-Sasions, na Sual divulgava os seus poemas e conquistou reconhecimento entre leitores e escritores de língua portuguesa. Juceila Dias – Angola in “Jornal de Angola”


África do Sul - Situação dos angolanos no país abordada na cidade de Luanda

A situação dos cidadãos angolanos residentes na África do Sul esteve em análise, segunda-feira, em Luanda, durante um encontro entre o secretário de Estado para a Administração, Finanças e Património do Ministério das Relações Exteriores, Osvaldo Varela, e o encarregado de Negócios da Embaixada da sul-africana em Angola, Christiaan Kriek


De acordo com uma nota do Ministério das Relações Exteriores, enviada ao JA Online, o encontro serviu para passar em revista o estado actual das relações bilaterais entre Angola e a África do Sul, com destaque para assuntos de interesse comum.

Durante a audiência, as partes trocaram impressões sobre temas inseridos no quadro da cooperação bilateral, com o objectivo de reforçar o diálogo diplomático e consolidar mecanismos de acompanhamento das matérias abordadas.

Angola e a África do Sul mantêm uma relação de amizade e cooperação assente em laços históricos, políticos e económicos, abrangendo áreas como a diplomacia, o comércio, o investimento, a energia, os transportes, a defesa, a segurança e a formação de quadros.

Os dois países partilham igualmente posições convergentes em matérias relacionadas com a paz, a estabilidade, a integração regional e o desenvolvimento sustentável do continente africano. In “Jornal de Angola” - Angola