Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Moçambique - Livro resgata brincadeiras tradicionais moçambicanas e já está disponível em formato digital

Os jogos que marcaram a infância de várias gerações de moçambicanos acabam de ganhar um novo espaço de preservação e valorização. O escritor, educador e promotor cultural moçambicano Arone Silva Bila lançou recentemente o livro Jogos e Festas Infantis em Moçambique, uma obra que reúne brincadeiras, danças e atividades tradicionais que fazem parte do património cultural do país. O livro encontra-se disponível em formato digital na plataforma Educável, ao preço de 500 Meticais.


Destinada a pais, educadores e crianças, a publicação apresenta uma rica coletânea de jogos e brincadeiras tradicionais moçambicanas, funcionando simultaneamente como instrumento educativo e de entretenimento. Ao longo das páginas, Arone Bila descreve atividades como Matakuzana, Mbalele Mbalele e outras brincadeiras populares, explicando as suas regras, dinâmicas e formas de execução, ao mesmo tempo que valoriza expressões e vocábulos das línguas locais.

No vídeo de divulgação da obra, o autor afirma que o livro surge como resposta para muitas famílias que procuram formas saudáveis de entretenimento para as crianças. “É para puxar um pouco o menino, para sair das telas toda hora, para brincar como brincavam antigamente”, explicou Arone Bila, defendendo a importância de resgatar práticas lúdicas tradicionais num contexto em que os dispositivos electrónicos ocupam cada vez mais espaço no quotidiano infantil.

Mais do que um simples guia de brincadeiras, Jogos e Festas Infantis em Moçambique assume-se como uma ferramenta de preservação do património cultural imaterial do país. A obra procura evitar o desaparecimento de práticas tradicionais, ao mesmo tempo que oferece uma alternativa pedagógica para escolas e famílias. Com uma trajetória ligada à educação, cultura e desenvolvimento infantojuvenil, Arone Bila acredita que o contacto das crianças com os jogos tradicionais pode fortalecer a identidade cultural, estimular a criatividade e promover uma convivência mais saudável entre as novas gerações. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


UCCLA - Lançamento do livro “Antologia Brutalista” na Feira do Livro de Lisboa

Terá lugar, no dia 13 de junho, às 17 horas, o lançamento do livro Antologia Brutalista do autor Ricardo Rao - vencedor da 11.ª edição do “Prémio Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa” -, no Auditório Sul da Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII.


A apresentação do livro contará com a presença do autor, da editora e de membros do júri.


Portugal - Integra a rede de aceleradores da NATO DIANA

O acelerador nacional foi activado pela rede NATO DIANA (Defence Innovation Accelerator for the North Atlantic), o programa de desenvolvimento tecnológico para a indústria da Aliança Atlântica. Esta integração resulta da parceria estratégica entre a idD Portugal Defence e o Instituto Pedro Nunes (IPN), em Coimbra, que é o gestor operacional do acelerador, e coloca o nosso país no centro do desenvolvimento de tecnologias emergentes e disruptivas de duplo uso — inovações com forte aplicabilidade na Defesa.


A rede DIANA foi criada para detetar e acelerar soluções tecnológicas que respondam aos desafios críticos de resiliência e segurança das 32 nações aliadas, permitindo que as empresas testem o desenvolvimento tecnológico que realizem em centros de teste militares. O acelerador gerido pelo IPN passa agora a fazer parte de uma rede exclusiva de aceleradores distribuídos pela Aliança, acompanhando empresas portuguesas no terreno e apoiando-as a posicionarem-se com sucesso no mercado global de defesa.

Benefícios para quem se candidata

As empresas e startups selecionadas para os programas da DIANA recebem um financiamento inicial de 100.000 euros, podendo aceder a 300.000 euros adicionais na fase de crescimento. Beneficiam ainda de uma rede de mais de 200 centros de testes, de participação em exercícios operacionais, de apoio no desenvolvimento de modelos de negócio e de ligação estratégica ao Fundo de Inovação da NATO e a investidores de capital de risco.

Para apoiar as entidades portuguesas no processo de candidatura à edição de 2027, a idD Portugal Defence e o IPN organizam um webinar informativo sobre os novos Challenges do NATO DIANA, no dia 9 de junho.

Prioridades Tecnológicas

A activação do acelerador português da NATO DIANA ocorre num momento em que duas das startups incubadas no IPN — a Neuraspace (inteligência artificial para gestão de tráfego espacial) e a Connect Robotics (logística autónoma de entrega por drones) — foram recentemente selecionadas a nível nacional para integrar a rede de inovadores da DIANA, comprovando a competitividade internacional da tecnologia desenvolvida em Portugal.

O programa foca-se em áreas prioritárias como a Inteligência Artificial, a autonomia, os sistemas de energia e propulsão, a cibersegurança, os novos materiais, as ciências biológicas, as infraestruturas críticas e o Espaço.

Com este novo marco, Portugal e o IPN unem os seus laboratórios de I&D, a sua incubadora e a chancela internacional da NATO num esforço conjunto com a idD para projetar a indústria de Defesa Nacional na vanguarda da inovação tecnológica global.

Sobre a idD Portugal Defence:

A idD Portugal Defence é uma empresa pública que tem como missão promover o desenvolvimento de uma indústria de Defesa nacional competitiva, tecnologicamente avançada e com recursos qualificados para apoiar as Forças Armadas portuguesas e aliadas no desempenho das suas missões

Sobre o Instituto Pedro Nunes (IPN):

Fundado em 1990 por iniciativa da Universidade de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes (IPN) é uma instituição privada sem fins lucrativos, de utilidade pública, que promove a inovação e a transferência de tecnologia, estabelecendo a ligação entre o meio científico e tecnológico e o tecido empresarial. O IPN atua através de três vertentes complementares: Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT) com laboratórios próprios, Incubação e Aceleração de empresas de base tecnológica e Formação especializada. Instituto Pedro Nunes - Portugal


Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde desenvolve Inteligência Artificial que aprende a comunicar com neurónios

O projeto NeuroSAFE vai ser financiado com cerca de 100 mil euros no âmbito do Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal


O investigador Paulo Aguiar, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, vai liderar um novo projeto financiado em cerca de 100 mil euros pelo Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal. O projeto intitulado NeuroSAFE foi um dos sete selecionados para financiamento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito desta iniciativa de colaboração internacional com a Carnegie Mellon University (CMU).

“O projeto NeuroSAFE pretende desenvolver novos métodos de inteligência artificial (IA) para controlar a atividade de neurónios, de forma segura e adaptativa”, explica o líder do grupo de investigação Neuroengineering and Computational Neuroscience do i3S. A ideia é criar algoritmos que observam continuamente a atividade dos neurónios, tomam decisões sobre quando e como estimulá-los e ajustam essas decisões com base na resposta obtida. Este processo acontece em tempo real, funcionando de forma semelhante a um sistema que aprende com a experiência e melhora gradualmente o seu desempenho.

Esta abordagem poderá contribuir para o desenvolvimento de futuras gerações de sistemas de estimulação cerebral profunda, utilizados, por exemplo, no tratamento da doença de Parkinson e de outras perturbações neurológicas.

“Como estes algoritmos não podem ser desenvolvidos diretamente com pacientes, a equipa recorrerá a plataformas brain-on-chip”, acrescenta Paulo Aguiar. Estas plataformas funcionam como pequenos laboratórios onde neurónios vivos são cultivados e ligados a sensores capazes de registar e estimular a sua atividade elétrica. Isto permite aos investigadores treinar os algoritmos em condições controladas e seguras.

O projeto resulta de uma colaboração entre o i3S e o Department of Electrical and Computer Engineering (ECE) da Carnegie Mellon University, sendo coordenado por Paulo Aguiar em Portugal e por Yorie Nakahira na instituição norte-americana. Para o investigador do i3S, este financiamento representa também uma oportunidade para reforçar a cooperação científica internacional e lançar bases para futuros desenvolvimentos na área das neurotecnologias. “

Este financiamento é particularmente importante porque permite estreitar a colaboração entre o i3S e a CMU, gerar dados preliminares e desenvolver ferramentas computacionais que poderão contribuir para futuras neurotecnologias inteligentes e personalizadas”, sublinha Paulo Aguiar.

Os resultados provisórios dos Concursos de Projetos Exploratórios 2025 dos programas CMU Portugal e UT Austin Portugal contemplam um total de 15 projetos, correspondendo a um investimento global de quase 800 mil euros, integralmente financiado pela FCT. No caso concreto do Programa CMU Portugal, foram apoiados sete projetos na área das Tecnologias de Informação, entre 36 candidaturas submetidas.

Desde 2017, o programa já financiou 42 projetos, contribuindo para reforçar a competitividade internacional e a capacidade de inovação científica e tecnológica de Portugal. Universidade do Porto - Portugal


domingo, 7 de junho de 2026

Cabo Verde - Armindo Ferreira desafia narrativas sobre a independência, o PAIGC e Amilcar Cabral em “Diálogos Inquietantes”

Em Diálogos Inquietantes, Armindo Ferreira revisita alguns dos episódios mais sensíveis da história contemporânea de Cabo Verde, questionando narrativas consolidadas sobre a independência, o PAIGC, Amílcar Cabral e os debates identitários no arquipélago. Publicado em edição de autor, o livro reflecte a recusa do autor em submeter a escrita a critérios editoriais e comerciais, assumindo a publicação como espaço de liberdade pessoal, reflexão e prazer intelectual. Em entrevista, Armindo Ferreira explica o alcance provocador da obra, defende a dessacralização de certos mitos políticos e fala também de O Divórcio, conto integrado na publicação. Entre reflexão histórica, ficção e polémica, o livro assume-se como um convite ao questionamento. Ferreira revela que pondera ainda a realização do lançamento da obra, que, entretanto, já se encontra à venda nas livrarias Nhô Eugénio, em Achada Santo António, e Pedro Cardoso, na Fazenda

O livro está dividido em duas partes. Por que Diálogos Inquietantes dá título à obra?

Na verdade, o livro não está dividido em duas partes. Só o está aparentemente. São na realidade dois livros numa única brochura. O que chama segunda parte, é um livrinho que publiquei no ano passado “domesticamente” – uma distribuição extremamente reduzida e quase familiar ou muito pouco mais do que isso e que achei por bem agora incluir nesta brochura cujo título é Diálogos Inquietantes. São temáticas absolutamente autónomas, ambos diálogos inquietantes de natureza díspar, que reflectem, de certa forma, um antes e um depois do mesmo período histórico, abordados e expostos de forma bem diferentes.

Em que sentido estes 14 diálogos são inquietantes? Pelos temas controversos que aborda?

Não, não são 14 diálogos, mas sim, 14 capítulos. Aceito a sua conclusão com uma ligeira alteração: a controvérsia não é propriamente dos temas, pois estes são velhos e batidos, mas sobretudo pela temeridade da abordagem que deles faço: a dessacralização de determinados mitos e o ajustamento, com uma visão bem diferente e devidamente fundamentada e justificada, – obviamente do meu ponto de vista – de determinadas fantasiosas narrativas históricas.

Por exemplo, pela voz de uma das personagens, afirma que a independência de Cabo Verde resultou de uma cumplicidade entre o MFA (Movimento das Forças Armadas) e o PAIGC. Em que fundamenta essa afirmação?”

Eu provo lá que é uma cumplicidade. Bom, não vou explicar porque não vou falar do livro. O livro, o leitor chega lá mais tarde. Mas está lá explicado porque é que é uma cumplicidade. Tenho os dados que levam qualquer pessoa a chegar a esta conclusão, porque até há livros e ensaios publicados nesse sentido, de autores portugueses, que mostram que houve uma enorme cumplicidade entre o MFA e o PAIGC. E entregaram de bandeja a independência, não ao povo cabo-verdiano que devia ser, mas ao PAIGC, porque a independência foi entregue. Resultado: passamos 15 anos na continuação de um regime ditatorial e totalitarista. Portanto, nós saímos do Estado Novo e entramos numa ditadura que nada ficou a dever à outra: a censura, as torturas, as prisões arbitrárias, tudo o que a outra senhora tinha, nós continuamos a ter. Portanto, foi o MFA que entregou de bandeja... mas eu explico isso no livro de maneira mais acabada, não como estou a falar aqui de forma atabalhoada, porque infelizmente o MFA não escondeu isso. Pelo contrário, fez gala disso, no género de afirmações: já deixei o PAIGC pronto para poder fazer isto e aquilo e não sei quantos. Mas está tudo fundamentado no livro.

O livro refere também que o assassinato de Amílcar Cabral era, desde o Congresso de Cassacá, uma “morte anunciada”. Em que assenta a sua interpretação histórica?

Sim, as coisas do Congresso de Cassacá foram violentíssimas. Ele cavou um fosso e criou inimigos para todo o percurso que fez. E Amílcar Cabral, ao dogmatizar a unidade Guiné-Cabe Verde, ele estava a defender Cabo Verde e não a Guiné. Eu tenho isto mais ou menos exposto no livro. Note que Cabral dogmatizou a questão da unidade Guiné-Cabo Verde, não foi uma aliança. Cabral impôs uma questão como prioritária. Quer dizer que ele estava à frente da própria independência: é mais importante manter a unidade Guiné-Cabo Verde do que criar situações para que essa unidade viesse a ser aceite pelos povos dos dois países. Mas, como eu disse, eu tenho tudo isso escrito, não quero entrar nos pormenores do livro.

Através da personagem Dr. Leonardo Gonçalo, aborda criticamente certas manifestações contemporâneas do africanismo e questiona possíveis tendências de negação da mestiçagem que marcou historicamente Cabo Verde. Que reflexão pretende suscitar sobre os debates identitários contemporâneos no país?

Compreendo a sua pergunta, mas a minha posição sobre o assunto é, ou seria neste caso, irrelevante. Mas mesmo assim, posso-lhe dizer, que, para mim é um não-assunto. Mas não o é, de todo, para o Dr. Leonardo Gonçalo, personagem do meu livro, que o aborda en passant, posta de uma forma muito breve, nas seguintes posições: os primeiros homens que chegaram a este território eram caucasianos europeus. Logo Cabo Verde deve ser a única colónia portuguesa cuja história começa com a chegada dos portugueses. Estes trouxeram – não vieram!... – do continente africano pessoas escravizadas de várias e diferentes etnias – mais de três dezenas! – cada uma com a sua língua, com os seus costumes, com as suas tradições, com a sua cultura, com a sua História. Isto é, as pessoas escravizadas, para além da sua situação ou circunstância, estavam “apenas” unidas entre si pela cor da pele. A homogeneização de tudo isto, incluindo os caucasianos, deu o cabo-verdiano. Um produto acabado e definido há já alguns séculos! Usando, grosseiramente, uma linguagem e configuração química: formou-se um composto e deixou de ser uma mistura. Isto é, as especificidades de cada elemento “desaparecem” no produto final, no todo. Como bem disse Gabriel Mariano: “Nós somos as nossas raízes!”


O livro abre com uma citação de Bertrand Russell: “Dos infinitos desejos do homem, os principais são os desejos de poder e de glória.” Que significado pretendeu atribuir a esta citação no contexto da obra?

Eu penso que ao longo do livro o leitor não terá qualquer dúvida quanto ao alcance que dei a essa conclusão de Bertrand Russel. Deixo ao leitor esta incumbência.

Há uma passagem no livro em que o doutor Leonardo entra em cena no momento em que alguém afirma: “Temos de fazer como aquele camarada que incentivava outros camaradas a suicidarem-se como classe social, a fim de serem recebidos como ‘os melhores filhos’.” Como refere no livro, a expressão “suicídio de classe” não é originalmente de Amílcar Cabral, mas sim é atribuída a um médico maliano. Que reflexão pretende suscitar com esta referência?

Não, não pretendo suscitar qualquer reflexão. Apenas alertar para o facto de muitas das expressões ou frases atribuídas de forma grandiloquente a Amílcar Cabral não passam de lugares-comuns ou de adaptações de expressões já utilizadas por outras personalidades. O problema não é Cabral usá-las, mas os seus seguidores, por pura ignorância ou ostentação bacoca do culto de personalidade, na ânsia de o exaltar, citarem-no como autor, o que, no meu ponto de vista, até o menoriza.

Que enquadramento atribui ao conto O Divórcio dentro da estrutura e do universo temático do livro?

Penso que já expliquei atrás o aparecimento de O Divórcio bem como o seu enquadramento na estrutura da brochura.

À primeira vista, O Divórcio parece destoar um pouco do ambiente político e social vivido em Cabo Verde no período pós-25 de Abril. Considera que há um contraste deliberado ou entende que ambos os planos acabam por se complementar?

O conto O Divórcio situa-se precisamente no momento logo a seguir à Independência e passa-se no ambiente vivido pelos protagonistas na sua abrangente intimidade… Não parece existir qualquer contraste interno. Estarei de acordo consigo sim, que, de certa forma, poderá existir uma complementaridade.

A temática do divórcio é pouco abordada na literatura cabo-verdiana. O voo foi feito sobre as nuvens?

Talvez não. Note que o período logo a seguir à independência, nós tínhamos um regime católico em que o divórcio era uma espécie de um anatoma. As pessoas separavam às vezes e fingiam e continuavam a viver juntas. E quando se deu a independência, não é o seu tempo, não é o meu, foi uma explosão de divórcio por todo o lado, porque liberalizou-se. A concordata que existia com a igreja depois caiu. E os tempos foram outros, foram tempos de divórcio. Este é um elemento e por acaso até se justifica, porque a minha ideia é que o casamento, quer dizer, o indivíduo que é transportado para uma outra região, a senhora [personagem do conto O Divórcio], não obstante ser uma mestiça, tinha outra cultura e não aceitou a invasão familiar, que é normal em Cabo Verde, mas para ela não é normal, é uma intromissão na sua vida. Por outro lado, ela não se sentia integrada. E à essa falta de integração, de certa forma, culpou o marido. Mas deu uma chance ao marido: ou vens comigo ou divorciamos. Mas não vou contar toda a história, porque está no livro.

Considera adequado o timing escolhido para a venda do livro?

Esta seria uma preocupação de uma edição comercial. A edição do autor, normalmente, de reduzida tiragem, não deve ter essa preocupação, a de exponenciar essa vertente, mas sim, a de priorizar a divulgação. Neste caso específico, Diálogos Inquietantes, penso que a sua leitura seria, sem qualquer presunção, uma possível oportunidade para questionar, mesmo que apenas interiormente, certos posicionamentos!

Por que optou pela publicação do livro em edição do autor?

Eu poderia muito simplesmente responder-lhe: E porque não, edição do autor? Mas presumo que possa ter algum, não direi preconceito, mas alguma reserva, sobre a edição do autor, porque senão não a questionava. No meu caso específico, dir-lhe-ei que escrevo por prazer, para me divertir, não sou escritor. É uma maneira como outra qualquer de ocupar, de passar o tempo: registar as minhas reflexões, as minhas cogitações, os meus devaneios. E também sou eu que me divirto a fazer a composição e a paginação dos meus livros. Só a impressão não faço quando são muitas páginas. Indo directamente à sua questão: não tenho paciência para me submeter às prioridades do editor nem aos seus critérios, designadamente, comerciais. Bem me basta a “comissão de leitura” doméstica que, para além da apertada avaliação técnica, tem em conta, – porque também interessada, – a eventualidade de um fútil despesismo e que, normalmente não se fica pelo simples “no objection” indo, bastas vezes, à recomendação expressa e explícita de publicação ou não. António Monteiro – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


Luxemburgo – António José Seguro pede mais português no currículo escolar

O Presidente da República afirmou, este domingo, que apelou aos responsáveis do Luxemburgo para que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular, lembrando que um terço dos residentes no país é lusófono


António José Seguro falava numa sessão com alunos que aprendem português no Luxemburgo, país que visita desde sexta-feira e que marca o arranque das comemorações oficiais do Dia de Portugal, a que se juntou, este domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

O chefe de Estado salientou que o português “é uma chave que abre portas no mundo inteiro”, falado por 260 milhões de pessoas em quatro continentes.

“Quando estiverem cansados nas aulas, lembrem-se disso. Não estão apenas a aprender uma língua, estão a ligar-se ao mundo”, afirmou.

Aos pais e professores, assegurou que o seu papel “é reconhecido e valorizado pelo Presidente da República de Portugal e também pelo primeiro-ministro”, que tinha discursado minutos antes.

“Deixei aos responsáveis luxemburgueses um apelo claro: que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular do nosso ensino, aqui, num país onde cerca de um terço de residentes é lusófono, onde o português é a segunda língua principal falada em casa pelos alunos do ensino público e isso é relevante para o nosso país”, disse.

Para Seguro, esta é “uma opção decisiva para o fortalecimento de uma comunidade dinâmica e coesa”.

O Presidente da República e o primeiro-ministro encontraram-se, este domingo, com alunos portugueses no Centro Cultural Artikuss de Sanem.

“Olhar para esta sala e ver estes rostos cheio de energia, cheios de futuro, é ver Portugal vivo no centro da Europa e perceber melhor do que qualquer discurso poderia explicar, porque é que escolhi o Luxemburgo para celebrar o primeiro dia de Portugal no meu mandato”, afirmou Seguro.

O chefe de Estado voltou a agradecer às autoridades luxemburguesas a forma como tem tratado a comunidade portuguesa, que classificou como “uma força do Luxemburgo”.

Para Seguro, ter dois países “não significa ter um coração dividido, significa ter um coração maior, onde cabem dois países e dois povos extraordinários”.

“Portugal está nos vossos avós que ligam pelo telefone. Está na comida que a vossa mãe faz ao fim de semana, ou o vosso pai. Está nas histórias que ouviram contar. Está nas músicas que conhecem sem saber bem quando as aprenderam. E acima de tudo, está na língua que estão a aprender aqui nesta sala”, disse.

O Presidente da República assegurou que “Portugal está sempre de braços abertos” para receber estes emigrantes, quer seja de férias, quer seja para construírem uma vida num país “que precisa de todos”.

“Continuem a falar português em casa. E quando alguém vos perguntar de onde são, digam com a cabeça erguida e um sorriso, sou português, do Luxemburgo e de Portugal”, pediu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Associação Internacional dos Lusodescendentes - Avança com proposta de Dia do Lusodescendente

A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) anunciou esta sexta-feira, 5 de junho de 2026, o lançamento de uma iniciativa para instituir oficialmente o Dia do Lusodescendente. O objetivo é reconhecer a identidade própria das gerações nascidas da diáspora portuguesa em todo o mundo


Gilda Pereira, presidente da Direção da AILD, destacou a importância da iniciativa, afirmando que “os lusodescendentes são a projeção global e o futuro de Portugal no mundo”. A responsável esclareceu ainda que a designação não deve ser “dia nacional”, uma vez que seria uma contradição para uma comunidade cuja vivência é, por definição, global. “Vamos pedir estas audiências parlamentares convictos de que os deputados, em especial os eleitos pela Emigração, reconhecerão a urgência de valorizar esta imensa rede que une Portugal ao mundo”, concluiu.

A AILD declarou que vai formalizar pedidos de audiência junto da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e dos diversos Grupos Parlamentares da Assembleia da República.

A associação sublinha que, embora o dia 10 de Junho seja já assinalado como o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os lusodescendentes constituem uma realidade identitária distinta. “Os lusodescendentes representam uma realidade identitária distinta, marcada por vivências transnacionais, multiculturalidade e uma relação com Portugal que se renova geração após geração”, lê-se na publicação.

Segundo a AILD, a instituição deste dia assenta em três eixos fundamentais: a afirmação global da identidade transnacional de milhões de cidadãos; a continuidade da herança, através do incentivo ao ensino do português como língua de herança; e o reconhecimento dos lusodescendentes como um ativo estratégico em posições de liderança internacional nas áreas económicas, científicas e culturais.

A AILD lançou ainda um apelo à sociedade civil e ao movimento associativo, convidando todas as organizações da diáspora, instituições culturais e cidadãos interessados a juntarem-se à causa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo