Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 4 de julho de 2026

CPLP - "Países têm de estar comprometidos com direitos humanos para firmeza da organização"

O provedor dos Direitos Humanos e da Justiça de Timor-Leste defendeu que os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa devem estar mais comprometidos com os direitos humanos para a organização ter mais firmeza perante o mundo

Em declarações à Lusa, por ocasião do 30.º aniversário da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Virgílio Guterres disse que os Estados-membros da CPLP têm de estar comprometidos com os princípios da organização, que passam também pela democracia, boa governação e direitos humanos.

“E não é só um compromisso coletivo, porque todos os Estados-membros da CPLP são Estados que saíram de uma luta contra o colonialismo e têm um compromisso para provar ao seu povo que a independência é boa em comparação ao colonialismo”, salientou Virgílio Guterres.

E, continuou o provedor, um dos esforços da “missão sagrada” desses países é “marcar a sua firmeza perante as violações de direitos humanos”.

“São esses os princípios que nortearam a luta de todos os membros da CPLP. Então, agora, como já alguns comemoraram 50 anos da independência, temos de fazer esta pergunta: estamos a cumprir as nossas promessas ao nosso povo ou não? Só assim é que a CPLP pode garantir a sua firmeza perante o mundo como uma plataforma que contribui para a paz mundial”, salientou.

Caso contrário, a CPLP será “meramente uma plataforma de troca de ideias, de troca de sentimentos, de saudosismos”, acrescentou.

Virgílio Guterres disse também esperar que os governantes tenham sensibilidade para sentir as mudanças globais, lembrando que muitos paradigmas estão obsoletos.

Apesar disso, afirmou estar otimista, porque, apesar das situações menos positivas que afetam países da CPLP, há “esforço” e a “luta continua” para a defesa dos direitos humanos e dos princípios da democracia.

A CPLP foi criada, em Lisboa, em 17 de julho de 1996 por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé Príncipe.

Timor-Leste aderiu à organização em 2002, após a restauração da independência, em 20 de maio do mesmo ano, e a Guiné Equatorial aderiu em 2014 na cimeira da Díli. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


Timor-Leste - Morreu o padre João Felgueiras, missionário jesuíta que estava no país desde 1971

O padre João Felgueiras morreu esta sexta-feira, 3 de julho, em Díli com 105 anos, avançou à Lusa fonte da residência dos jesuítas na capital timorense

João de Vasconcelos Baptista Felgueiras natural das Caldas das Taipas, no concelho de Guimarães, foi ordenado sacerdote em 1950 e residia em Timor-Leste desde 1971, tendo completado 105 anos em junho.

João Felgueiras dedicou a sua vida à educação e à língua portuguesa, mesmo quando estava proibida em Timor-Leste, durante a ocupação indonésia.

O antigo Presidente português Jorge Sampaio condecorou o padre jesuíta em 2002 como Grande Oficial da Ordem da Liberdade, pela sua luta pela preservação da língua portuguesa em Timor-Leste.

Em 2016, foi condecorado pelo ex-chefe de Estado timorense Taur Matan Ruak com a insígnia da Ordem de Timor-Leste.

Em 2022, voltou a receber uma condecoração por um Presidente de Portugal, quando o ex-chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa o distinguiu com a Grã-Cruz da Ordem de Camões.

“Sinto-me português e timorense. Vim para aqui como missionário para trabalhar, enquanto a Companhia de Jesus quisesse e assim foi até agora. Todos contribuímos”, explicou em entrevista à Lusa há quatro anos, quando inaugurou a ampliação da Escola Amigos de Jesus, que fundou.

“O passado foi vivido, e estou contente de ter vivido em paz, não fiz nada contra ninguém, nada de mal contra o povo e estou contente poder ter contribuído alguma coisa”, salientou o homem que educou várias gerações de timorenses.

Presidente timorense lembra "figura excecional" da história do país

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, recordou o padre João Felgueiras como uma “figura excecional” da história timorense e um "profeta da educação e solidariedade".

“A República Democrática de Timor-Leste despede-se hoje de uma figura excecional da nossa história contemporânea, cuja vida foi integralmente dedicada ao serviço do próximo, à educação, à dignidade humana e à construção da nossa identidade nacional”, afirmou, numa declaração divulgada pela Presidência timorense.

“Num tempo em que a língua portuguesa era proibida e a identidade cultural do nosso povo era profundamente ameaçada, o padre Felgueiras escolheu permanecer ao lado do povo timorense, partilhando os seus sofrimentos, as suas esperanças e a sua resistência”, lembrou o também prémio Nobel da Paz.

José Ramos-Horta destacou também que o padre Felgueiras foi um “educador incansável”, que dedicou a vida à formação de jovens, promoção da língua portuguesa e à “criação de espaços de ensino e de dignidade humana, entre os quais se destaca a Escola Amigos de Jesus, projeto que simboliza o seu compromisso permanente com a educação como instrumento de liberdade e transformação social”.

O Presidente timorense reconheceu também o padre João Felgueiras como um “profeta da educação e da solidariedade” e que o seu legado vai permanecer nas instituições que ajudou a construir, mas também nas gerações de timorenses que educou. In “Diário de Notícias” – Portugal com “Lusa”


Cabo Verde - Novo romance de Mário Lúcio Sousa expõe “desmandos” dos ditadores africanos

Para a editora Maria do Rosário Pedreira, este é o “mais político” e mais “corajoso” romance do autor, ousando revelar que afinal os ex-colonizados podem fazer pior do que o colonizador


Afrocalipse, novo romance do escritor cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa, é uma viagem aos “desmandos” e aos “absurdos” do poder em África, num país nunca nomeado, onde um ditador permanece por mais de 40 anos.

“A minha intenção era mostrar o apocalíptico que nós vivemos, mostrar as desgraças, os desmandos, os absurdos que estão a acontecer. Infelizmente, que a palavra África nos permitiu encontrar uma palavra nova, fácil de leitura e de várias leituras. Mas a ideia fundamental é mostrar o apocalipse que nós vivemos em África e esse apocalipse tem a ver com os ditadores”, explica, em entrevista à Lusa.

Para a editora Maria do Rosário Pedreira, este é o “mais político” e mais “corajoso” romance do autor, ousando revelar que afinal os ex-colonizados podem fazer pior do que o colonizador.

“Os personagens estão lá, existem, eu não nomeei nenhum personagem e não me inspirei em nenhum personagem. Eu vi os factos históricos, vivi os factos históricos, li os factos históricos e achei que, independentemente do nome A ou B, aquela figura chamada presidente da república e outro que se chamou imperador em vários lugares da África e do mundo também, são a mesma figura”, sublinha o escritor.

Uma espécie de retrato-robô do ditador africano, que o autor ficciona depois de guiar o leitor por uma “bússola de eventos”, onde fixa nomes, lugares e a história, e que vão de Angola ao Zaire, do Ruanda à Libéria, da Guiné-Bissau à República Centro Africana.

“Os indivíduos têm a mesma conduta, a mesma paranoia, a mesma obsessão pelo poder, a mesma insanidade e desrespeito pelos seus semelhantes. É isso que o livro trata”, esclarece.

O escritor, que sempre disse que nunca sairia uma vírgula das suas mãos sobre os ditadores, explica a fórmula encontrada para a reflexão que propõe aos leitores com a nova ficção editada este mês em Portugal pela Leya.

“Eu disse que não escreveria a biografia ou uma história sobre nenhum desses ditadores em particular, mas coloquei-os todos no mesmo saco, utilizando intencionalmente essa palavra sobre a figura de um magistrado e escrevi sobre ele, porque realmente não merecem que seja eu o romancista a tratar disso”, esclarece.

Convencido que a verdade obedece à pesquisa dos historiadores, e que estes “farão melhor” do que o escritor, Mário Lúcio Sousa confessa o gosto por explorar os vários lados das personagens, inspiradas, neste caso, pelos factos, que expõe com a ironia que lhe é reconhecida.

Do Supremo que “vai fazer cocó ao mato”, ao chefe que forra a piscina a diamantes, outro que manda aviões a Paris todas as manhãs para trazer os croissants do pequeno-almoço, aos golpes de Estado e ao genocídio no Ruanda, ou ao assessor que é branco e que se chama Preto, Afrocalipse retrata a natureza humana com um desconcerto capaz de nos fazer sorrir.

“Deixando esse trabalho de pesquisa sobre a verdade histórica – os historiadores o farão melhor que eu -, gosto, nos meus romances, de ver vários lados dos personagens e que nem sempre é muito agradável falar deles com nomes e apelidos. Eu não os vou fixar na história, por isso, achei que a única vez que podia utilizar o nome verdadeiro de uma pessoa, é quando a senhora Ellen Sirleaf é eleita a primeira mulher presidente da África”, conta.

A mulher que governou a Libéria (2006/2018) representa a mudança em que o escritor acredita. Mulheres cansadas de décadas de medo, abuso e resignação, que lideram a transformação de um país marcado pelo delírio do poder.

“Isto no romance deu-me muito prazer, o facto de que não é fácil poupar, da primeira à quase última página, sem citar o nome de ninguém, para que, quando se citasse o nome, o livro praticamente fosse dedicado a ela. Ela dita amor, era mesmo uma dama africana, cheia de maternalismo, cheia de compreensão, de compaixão e de coragem”, conclui.

Com ironia, poesia e uma linguagem profundamente inventiva, Afrocalipse fala de feridas políticas e humanas, mas também da possibilidade de romper o ciclo.

O escritor e também músico cabo-verdiano, antigo ministro da cultura, é também autor de O Novíssimo Testamento (Prémio Carlos de Oliveira 2010), Biografia do Língua (Prémio Miguel Torga 2015 e Prémio PEN Clube de Narrativa 2016), O Diabo Foi Meu Padeiro (2019), A Última Lua de Homem Grande (finalista do Prémio LeYa 2022 e do Prémio Oceanos 2023) e O Livro Que Me Escreveu (2024).

30 anos de CPLP: “Continuamos a procurar os caminhos”

“Não esqueçamos que a Guiné Equatorial é um dos países que falam crioulo, em Ano-Bom. E o crioulo é um crioulo de base lexical português. Então, essas razões ampliam também o universo (…), é muito importante que essas regiões estejam na comunidade, que têm a língua como unidade”, reforça. “São todos bem-vindos, desde que não tragam os seus regimes para dentro da instituição”

O ex-ministro da cultura de Cabo Verde Mário Lúcio Sousa saúda os 30 anos da CPLP “num mundo em desintegração”, e sugere que se olhe “o processo e a intenção”, para lá dos “resultados”. “São 30 anos. 30 anos não significam nenhuma vírgula no cosmos da história, muito menos na história do cosmos. É um tempo para ainda se preparar, de nos conhecermos também, um tempo para nos conhecermos, nos projectarmos. O importante é que a instituição está ali a encontrar os seus caminhos, isso é importante”, afirma, em entrevista à Lusa. “Neste mundo em desintegração, ter uma comunidade dos países de língua portuguesa é bonito, porque é uma comunidade que ainda tem uma relação, que tem traços muito recentes do colonizador e colonizado, tem traços recentes do escravizador e escravo, tem traços recentes de dominador e dominado, e dentro disso conseguir ter uma instituição de diálogo e de preservação do património comum é muito louvável”, considera. Vê, por isso, “motivos de celebrações”, menos “pelos resultados, mas pelo processo e pela intenção”, concluindo que “vale a pena essa CPLP”. Considera ainda que a presença da Guiné Equatorial não representa qualquer ameaça, antes a oportunidade de mudança. “Não foi o regime que entrou, foi o país. E muita gente desse país não quer esse regime, e muitas vezes não distinguimos isso”, observa, apontando a instituição até como “um lugar de pressão para que se respeite os direitos humanos, para que se respeite a democracia, etc.”. “Amílcar Cabral foi muito claro quando chegou à Guiné-Conacri, em 1961, com a sua mulher, Maria Helena, portuguesa. Um dos críticos era o presidente Sékou Touré, que dizia ‘como é que vem lutar contra os portugueses e traz uma mulher portuguesa?’. E ele dizia que não vinha lutar contra os portugueses, foi lutar contra o regime fascista e colonialista português”, lembra. “Não esqueçamos que a Guiné Equatorial é um dos países que falam crioulo, em Ano-Bom. E o crioulo é um crioulo de base lexical português. Então, essas razões ampliam também o universo (…), é muito importante que essas regiões estejam na comunidade, que têm a língua como unidade”, reforça. “São todos bem-vindos, desde que não tragam os seus regimes para dentro da instituição”, conclui. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Macau - Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia concedeu 37 milhões de patacas para investigações científicas lusófonas

Na última meia década, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia recebeu 69 pedidos de apoio para projectos de investigação científica relacionados com países lusófonos, tendo financiado 21, incluindo nove ligados a Portugal. O montante atribuído foi superior a 37,49 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. O Fundo acredita que a cooperação entre a RAEM e os países lusófonos continuará a crescer na área da ciência e tecnologia


Nos últimos cinco anos, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) “tem atribuído grande importância e impulsionado activamente a cooperação entre Macau e os Países de Língua Portuguesa (PLP) no domínio da ciência e tecnologia”, tendo financiado 21 projectos de investigação científica, envolvendo um montante total de financiamento de 37,498 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. Nove desses projectos estão relacionados com Portugal e 12 com o Brasil.

No mesmo intervalo temporal, o FDCT recebeu 69 pedidos envolvendo países lusófonos. Especificamente, 11 pedidos correspondem ao co-financiamento do FDCT, em conjunto com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT), no âmbito do “Programa de Apoio Financeiro para Cooperação em Ciência e Tecnologia com o Exterior”.

Abrangida no mesmo programa, a categoria de co-financiamento entre o FDCT e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo despertou 24 pedidos. Já na categoria de investigação internacional em colaboração, foram apresentados 34 pedidos de apoio relacionados com países lusófonos.

Em relação a Portugal, o FDCT concedeu, juntamente com a FCT, apoios no total de 2,821 milhões de patacas a três projectos de investigação no domínio do mar, na última meia década.

Questionado sobre a nova ronda de financiamento conjunto com a FCT, o Fundo presidido por U U Sang salientou que “presta estreita atenção ao andamento da reestruturação da FCT e irá continuar a comunicar e negociar activamente com a parte portuguesa, promovendo a celebração de acordos de cooperação, no sentido de materializar a nova ronda de plano de co-financiamento”.

Sobre os principais resultados alcançados, indicou que, no projecto “Plastish”, virado para a detecção e avaliação de risco de microplásticos na produção pesqueira, a Universidade de São José (USJ) e a Universidade do Algarve conseguiram revelar a citotoxicidade dos microplásticos, através de experiências celulares e em animais, tendo estabelecido com sucesso um modelo de avaliação de risco “in vitro” para “in vivo”.

Já no projecto “FISHMUC”, a USJ e Universidade Católica Portuguesa têm estudado as características de bioactividade do muco externo de peixes. Conseguiram identificar vários princípios activos e confirmar, através de experiências, as actividades biológicas como efeitos antimicrobianos e antitumorais, resultados que fornecem um valor significativo para o desenvolvimento de medicamentos de origem marinha.

Por seu turno, o “SeaSenseX”, microssensor de nova geração para a mutagénese marinha e a detecção de substâncias cancerígenas, sobre o qual têm trabalhado a Universidade de Macau (UM), em cooperação com a NOVA.id.FCT, de Portugal, combina microelectrónica avançada com tecnologia de biossensores, visando fornecer uma solução de monitorização da qualidade de água em tempo real e de alta sensibilidade.

Cooperação científica “irá continuar a crescer”

Numa perspectiva geral, o FDCT realça que muitos projectos financiados se estenderam para instituições portuguesas, brasileiras, entre outros países, tendo-se envolvido no estabelecimento de laboratórios conjuntos, promoção da formação de quadros qualificados e articulação tecnológica.

Na observação do Fundo, a função da RAEM enquanto plataforma de intercâmbio científico e tecnológico entre a China e os PLP “reforçou-se gradualmente” nos últimos anos.

Além disso, o programa de co-financiamento relacionado com o Brasil recebeu 24 pedidos no primeiro ano, 2025. Neste aspecto, destacou que, à medida que os mecanismos de co-financiamento com os PLP, “promovidos activamente” pelo Fundo nos últimos anos, amadurecem gradualmente, “prevê-se que [estes] impulsionem, no futuro, o lançamento de ainda mais projectos de investigação científica em cooperação com os PLP”.

Tendo em vista o lançamento do programa de co-financiamento com o Brasil, a criação sucessiva de laboratórios entre instituições de ensino superior de Macau e de países lusófonos, assim como a celebração de documentos de cooperação entre instituições de ensino superior da RAEM e portuguesas, testemunhada pelo Chefe do Executivo, durante a visita a Portugal em Abril, o FDCT prevê que “a cooperação entre Macau e os PLP na área da ciência e tecnologia irá continuar a crescer”.

Sobre os frutos de cooperação já obtidos entre a RAEM e os PLP, conclui que, nos últimos anos, o apoio do Fundo assenta no financeiro e na criação de plataformas, para ajudar instituições de ensino superior e empresas locais a estabelecer parcerias com instituições académicas e industriais portuguesas e de outros países. Além disso, realiza actividades de intercâmbio viradas para os PLP e com temas relacionados com os países lusófonos.

O Fundo mencionou resultados em três aspectos: apoiar o estabelecimento de plataformas de cooperação científica e tecnológica e impulsionar a transformação e aplicação dos frutos no estrangeiro; promover o estabelecimento conjunto de laboratórios, que fazem parte da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, juntamente com os países lusófonos; e apoiar instituições de ensino superior de Macau na realização de conferências sobre optoelectrónica, ciências da linguagem, ciências marinhas, entre outras áreas de ponta, em cooperação com Portugal, por forma a aprofundar o intercâmbio e a cooperação.

Relativamente ao “estabelecimento de plataformas de cooperação”, o Fundo apontou para o apoio concedido à criação, por parte da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM), do Laboratório Conjunto Sino-Português em Optoelectrónica, em cooperação com a Universidade Nova de Lisboa. Além disso, destacou o apoio dirigido à UM no estabelecimento do Laboratório Conjunto de Nanomedicina de Precisão (com a Universidade do Porto), Laboratório Conjunto sobre Envelhecimento Cognitivo (com a Universidade de Coimbra), Centro de Investigação Oceânica entre a China e os PLP (com a ULisboa e outras instituições) e um centro conjunto sobre direito e inteligência artificial (com a Universidade de Coimbra), inaugurado este ano.

Além disso, destacou o apoio para a introdução de um “Robô de Medicina Tradicional Chinesa com Inteligência Artificial” em Lisboa, com capacidade de realizar diagnósticos básicos e preparar fórmulas de fitoterapia, o que contribui para a divulgação dos conceitos da medicina chinesa.

Em relação a 2026, o FDCT atribuiu um apoio no valor de 712,8 mil patacas à UCTM para a construção de um modelo de avaliação dinâmica de risco para a importação transfronteiriça de dengue e chikungunya de países lusófonos para a Grande Baía, integrando dados de múltiplas fontes e inteligência artificial, bem como a sua aplicação na previsão e alerta precoce, de acordo com as informações divulgadas pelo Fundo.

Apoiados dois projectos sobre língua portuguesa

O FDCT revelou ainda a atribuição de apoio financeiro a dois projectos sobre o tema de língua portuguesa, nos últimos cinco anos, envolvendo quase 2,696 milhões de patacas. Sublinhando adoptar um mecanismo de apreciação rigorosa, o Fundo esclareceu que cabe à Comissão de Consultadoria de Projectos apreciar os pedidos, com base em critérios como o valor científico, a inovação e o potencial de aplicação, podendo ainda organizar uma sessão de defesa, caso necessário.

Segundo a colecção dos resultados de investigação científica de 2024 (a mais recente), o Fundo aprovou em 2018 e financiou uma “plataforma de turismo inteligente para Macau e países lusófonos com reconhecimento de voz”, desenvolvida pela Universidade Politécnica. No âmbito deste projecto, foi desenvolvida uma aplicação móvel de turismo inteligente que integra um sistema de reconhecimento de voz em português.

Para a UM, aprovou em 2019 e apoiou financeiramente um projecto de “orientação da tradução automática neutral baseada na autoatenção com conhecimento linguístico prévio”, que contribuiu para melhorar o sistema de tradução automática online chinês-português. À mesma instituição, o FDCT aprovou em 2017 e financiou um projecto de “investigação sobre tradução automática chinês-português baseada em aprendizagem profunda”, no âmbito do qual foi estabelecido e aberto ao público um sistema de tradução automática chinês-português online.

Segundo notou, ao tratar de assuntos envolvendo tradução profissional, conferências e emparelhamento de projectos, o Fundo costuma convidar tradutores locais ou pessoal de instituições de ensino superior para dar apoio. Nessa vertente, vincou que encara tanto os quadros multidisciplinares locais com formação em ciência e tecnologia e proficiência em língua portuguesa, como os tradutores e os docentes de ensino superior como “recursos humanos importantes para o desenvolvimento da indústria de ciência e tecnologia”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Canadá - Tecnologia portuguesa usada para detetar incêndios

A empresa portuguesa Tekever está a apoiar uma missão de deteção e monitorização de incêndios florestais na província canadiana de Alberta, reforçando a resposta das autoridades locais através de tecnologia desenvolvida em Portugal


Segundo informação divulgada pela AICEP, a operação é realizada em parceria com a Phoenix Heli-Flight e recorre ao sistema aéreo autónomo AR3 VTOL, equipado com sensores avançados e integrado na plataforma Nova Maps.

A tecnologia permite realizar vigilância aérea contínua e disponibilizar informação em tempo real às equipas de emergência, contribuindo para uma tomada de decisão mais rápida e informada durante o combate aos incêndios florestais.

De acordo com a AICEP, esta missão evidencia o papel da inteligência artificial e dos sistemas autónomos na proteção de comunidades, infraestruturas críticas e ambientes naturais.

Com operações na UPTEC, no Porto, a Tekever continua, segundo a agência, a afirmar a inovação desenvolvida em Portugal na resposta a desafios globais, levando tecnologia portuguesa a apoiar operações internacionais de proteção civil. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


Japão - Revista dedica edição especial a Portugal

A revista japonesa de viagens CREA Traveller lançou, a 22 de junho, uma edição especial inteiramente dedicada a Portugal


De acordo com a nota publicada pela embaixada de Portugal no Japão, ao longo de cerca de 150 páginas, a publicação convida os leitores a descobrir várias regiões do país, destacando a sua cultura, história e gastronomia, através de uma reportagem ilustrada com fotografias.

Segundo a representação diplomática portuguesa, esta edição destina-se tanto aos apaixonados por Portugal como àqueles que desejam visitar o país, sendo apresentada como uma publicação de referência para quem procura conhecer melhor o destino.

A produção da reportagem contou com a colaboração do Turismo de Portugal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Portugal – Lançamento de “Os papéis do Leste”, de Mário Pinto de Andrade

Em 1971, o intelectual e homem político angolano Mário Pinto de Andrade foi convidado pelos seus companheiros do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) a visitar uma das frentes onde o movimento conduzia operações militares contra o exército colonial português.


Em junho deste mesmo ano, deslocou-se para a 3.ª Região Político-Militar do MPLA, na fronteira entre Zâmbia e Angola, parte daquela que era conhecida como a Frente Leste. Ao longo dos meses que passou na frente, para além das suas funções de “colaborador para fins de informação política e social”, realizou uma investigação aprofundada para compreender a realidade das populações da região e o impacto da guerra de libertação na sua sociedade.

Este livro recolhe os documentos produzidos por Mário Pinto de Andrade durante e em consequência desta experiência. Guardados durante décadas no seu arquivo, estão agora à disposição de todos aqueles que se interessam pela história de Angola e da sua luta de libertação.

O lançamento realiza-se no domingo, 05 de julho, pelas 19 horas, na Casa do Comum, na rua Rosa Araújo, 285, ao Bairro Alto na cidade de Lisboa.

Intervêm os organizadores do livro, Elisa Scaraggi e Nelson Pestana, em diálogo com Leopoldina Fekayamãle, da BUALA. In “Casa do Comum” - Portugal