A cantora de 75 anos, que tinha casa no Algarve, foi
internada no Hospital de Faro em Maio, na sequência de uma cirurgia de
emergência.
Bonnie Tyler, nome artístico de Gaynor Hopkins,
destacou-se pela voz rouca e o sucesso de “Total Eclipse of the Heart”, de
1983, que já bateu a barreira de mil milhões de reproduções nas plataformas
digitais.
Nascida em 08 de Junho de 1951, em Skewen, na região de
Swansea, no País de Gales, cresceu numa família amante de música, como nota a
sua biografia. Admiradora da Motown e de Janis Joplin, atravessou a
adolescência entre o coro da igreja anglicana e os concursos locais de
talentos, até à entrada nas Dixies, coro de apoio do cantor Bobby Wayne, com
que percorreu bares e pequenas salas de concerto, na viragem da década de 1960
para a seguinte.
Com pouco mais de 20 anos, e depois de ter adoptado o
primeiro nome artístico, Sherene Davis, criou a primeira banda, Sherene and
Imagination, e actuou regularmente no Townsman Club de Swansea, onde foi
descoberta pelo produtor Roger Bell, da Chappell Music, de Londres. Atento à
voz rouca da cantora, Bell mobilizou de imediato os compositores e produtores
Ronnie Scott e Steve Wolve para a criação de um novo repertório. Sucederam-se
os contratos, as primeiras gravações e o nome artístico definitivo: Bonnie Tyler.
O seu primeiro ‘single’, “My, My Honeycomb”, de 1976,
conquistou as rádios. Mas foi com “Lost in France”, do seu primeiro álbum, “The
World Starts Tonight” (1977), que atingiu as tabelas dos mais vendidos. A
consagração internacional chegaria um pouco mais tarde, em 1983, com “Total
Eclipse of the Heart”, que esteve duas semanas em primeiro lugar no ‘top’ do
Reino Unido, quatro semanas no ‘top’ norte-americano, e que em Janeiro passado
ultrapassou mil milhões de reproduções no Spotify e 1,2 mil milhões de
visualizações no YouTube, segundo a BBC.
O sucesso de “Total Eclipse of the Heart” deu a Bonnie
Tyler uma nomeação para os Grammys, o que também aconteceu com o ‘single’ “Here
She Comes” e o álbum “Faster Than the Speed of Night” (1983), que vendeu mais
de quatro milhões de cópias e ocupou o primeiro lugar nas tabelas do Reino
Unido. Entre os maiores sucessos da época contam-se ainda “It’s a Heartache”,
do álbum “Natural Force” (1978), e “Holding Out for a Hero”, que fez parte da
banda sonora do filme “Footloose”, de 1984, e, mais recentemente, de “The Super
Mario Bros. Movie”, um dos maiores sucessos da década nos cinemas.
A carreira de mais de cinco décadas de Bonnie Tyler conta
com perto de uma centena de álbuns, entre os de estúdio, as colectâneas e os
gravados ao vivo, destacando-se títulos como “Bitterblue” (1991), “Angel Heart”
(1992), “Heart Strings” (2003) e “Rocks and Honey” (2013). “The Best Is Yet to
Come” (2021), o seu mais recente álbum de estúdio, foi seguido do álbum ao vivo
“In Berlin” (2024).
Ao longo da carreira, Tyler somou colaborações com
músicos como Mike Oldfield, Todd Rundgreen, Rick Wakeman, Cher e o brasileiro
Fábio Jr., com quem gravou “Sem Limites para Sonhar”, em 1986. Em 2013,
representou o Reino Unido no Festival da Eurovisão, ficando em 19º lugar, entre
26 participantes.
Em 2023, foi condecorada com a Ordem do Império Britânico
pelos serviços prestados à música.
A cantora tinha marcada uma nova digressão, até ao final
deste ano, que começava em Malta, no próximo dia 22, e terminava no País de
Gales, em 17 de Dezembro, com concertos na Alemanha, Chéquia, Hungria, Turquia,
Áustria, Escócia, Inglaterra e Roménia.
Entre as mais recentes actuações de Bonnie Tyler em
Portugal, contam-se os concertos no Casino Estoril e no Campo Pequeno, em
Lisboa, em 2023, e no Coliseu dos Recreios e no Coliseu do Porto, em 2024.
Residente no Algarve, Bonnie Tyler apresentou-se noutros palcos do país, dos
Açores a Guimarães.
No passado mês de Janeiro, quando “Total Eclipse of the
Heart” bateu a barreira de mil milhões de reproduções, Bonnie Tyler recordou à
BBC o trabalho com o compositor Jim Steinman, sobre a canção: “Quando a ouvi a
primeira vez pensei: ‘Esta música é incrível’. Nunca me canso de a cantar”. In “Jornal
Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”