Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 21 de abril de 2026

Angola - Conferência Nacional sobre Literatura reflecte sobre a produção literária angolana, na província do Uíge

A província do Uíge acolhe, entre os dias 1 e 2 do próximo mês, a 1.ª edição da Conferência Nacional sobre Literatura Angolana, uma iniciativa que pretende reunir escritores, investigadores, críticos literários, editores e académicos de diferentes gerações para analisarem os caminhos da literatura produzida no país


O encontro, que tem como lema “Literatura nacional versus literatura regional”, vai reflectir ainda sobre temas voltados para a valorização das línguas nacionais, o papel da literatura na construção da identidade cultural, os desafios enfrentados por escritores contemporâneos, bem como a legitimação da literatura regional, com maior ênfase para a literatura feita no Uíge. “O encontro nasce da necessidade de se criar um espaço sério de reflexão em torno da literatura angolana, num momento em que surgem novas abordagens sobre a produção literária fora dos grandes centros tradicionais”, afirmou Vrackichakiri Abelardo, escritor e organizador da iniciativa.

De acordo com o responsável, a organização entendeu trazer para o centro da discussão os temas em abordagem, por considerar que o país vive um momento em que se torna necessário repensar os conceitos literários e compreender até que ponto determinadas províncias têm vindo a desenvolver linguagens próprias dentro do universo da criação escrita. Além da questão da regionalização da literatura, a conferência vai ainda centrar-se na situação actual da crítica literária em Angola.

Para Vrackichakiri, uma das maiores preocupações da organização está relacionada com o enfraquecimento do exercício crítico no país, situação que, no seu ponto de vista, tem impedido uma avaliação mais profunda da qualidade das obras que têm sido publicadas nos últimos anos. In “O País” - Angola


IILP - Estão abertas candidaturas ao Programa de Residências de Criação Literária

As candidaturas à 3.ª edição do Programa de Residências de Criação Literária do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) abrem no dia 5 de Maio, no âmbito do Plano de Actividades da instituição para 2026


Segundo o regulamento, o programa tem como objectivos apoiar a circulação de escritores dos países e regiões de língua portuguesa, bem como promover a criação literária em língua portuguesa.

A iniciativa visa ainda fomentar a interculturalidade no espaço da CPLP e promover um maior conhecimento das literaturas nacionais nos seus Estados-membros e regiões de língua oficial portuguesa.

O concurso abre oficialmente no dia 5 de Maio, sendo que as candidaturas devem ser submetidas até ao dia 20 do mesmo mês. Serão atribuídas quatro bolsas de criação.

As candidaturas deverão ser efectuadas mediante o preenchimento e submissão do formulário disponibilizado na página oficial do instituto (iilp.cplp.org), a partir de 5 de Maio, acompanhado da documentação obrigatória aí indicada.

O envio da candidatura, juntamente com os documentos exigidos, deverá ser feito via correio electrónico, através do endereço:

residencias.iilp@gmail.com. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


UCCLA - Inauguração da exposição "Rostos da Imigração" de Alfredo Cunha

A galeria de exposições da UCCLA acolhe, no dia 23 de abril, às 18h30, a inauguração da exposição de fotografia "Rostos da Imigração", da autoria de Alfredo Cunha.


Este projeto fotográfico propõe um olhar sensível sobre as vivências e os processos de integração de imigrantes em Portugal, com especial enfoque nas comunidades lusófonas. Através de retratos marcantes, o autor dá rosto a histórias de diversidade, pertença e identidade.

A exposição estará patente ao público até ao dia 20 de maio, podendo ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 10 e as 13 horas, e das 14 às 18 horas. A entrada é livre.

A iniciativa esteve integrada no âmbito do ciclo de conferências "Desafios Atuais da Imigração Lusófona: Portugal e União Europeia", promovido pela UCCLA (União das Cidades Capitais da Língua Portuguesa) em parceria com a Universidade de Lisboa (IGOT), realizado em 2025.

Biografia do autor:

Nascido em Celorico da Beira, Portugal, em 1953, Alfredo Cunha é um dos mais reconhecidos fotojornalistas portugueses, com uma carreira de mais de cinco décadas. Ficou amplamente conhecido pelas imagens icónicas da Revolução do 25 de Abril de 1974 e do processo de descolonização. Ao longo do seu percurso, foi fotógrafo oficial dos Presidentes da República Ramalho Eanes e Mário Soares. Colaborou com diversas publicações, como Notícias da Amadora, O Século, Público e com a agência Lusa.

Cobriu acontecimentos marcantes da história contemporânea, incluindo a independência de Moçambique e a guerra colonial, tendo publicado dezenas de livros e realizado centenas de exposições. Entre as suas obras destacam-se Os Rapazes dos Tanques e várias antologias dedicadas à história recente de Portugal. É Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.


França - Fabricante de cimento Lafarge é condenada por financiar terrorismo na Síria

A Justiça francesa condenou a Lafarge por pagar a grupos jihadistas, incluindo o Estado Islâmico, para manter uma fábrica a operar durante a guerra na Síria

A fabricante francesa de cimento Lafarge e oito ex-executivos foram considerados culpados nesta segunda-feira por financiar o terrorismo em 2013 e 2014, ao pagarem a grupos jihadistas para manter uma fábrica em funcionamento em meio à guerra na Síria.

A empresa, que desde então se fundiu com o grupo suíço Holcim, realizou pagamentos a três organizações jihadistas, incluindo o Estado Islâmico, que somaram quase €5,6 milhões, segundo a decisão do Tribunal Criminal de Paris. A corte destacou que os pagamentos permitiram aos jihadistas “preparar atentados terroristas”, em especial os de janeiro de 2015 na França.

“Esse método de financiamento de organizações terroristas, e principalmente do Estado Islâmico, foi essencial para o controlo da organização sobre os recursos naturais da Síria, permitindo financiar atos terroristas na região e planeados no exterior, particularmente na Europa”, afirmou a presidente do tribunal, Isabelle Prévost-Desprez. In “Swissinfo” - Suíça


segunda-feira, 20 de abril de 2026

França - Elsinha lança “Liberdade”, um álbum que cruza culturas e histórias pessoais

A artista lusófona baseada em Paris, Elsinha, prepara-se para lançar o seu primeiro álbum de estúdio, “Liberdade”, no próximo dia 3 de junho. Depois do EP “Salvação” (2019), o projeto afirma uma identidade artística construída a partir da fusão de múltiplas influências culturais.


Nascida em França de pais portugueses, Elsinha cresceu num ambiente onde a música fazia parte da própria história familiar. Neste novo trabalho, a cantora apresenta uma sonoridade híbrida, onde se cruzam referências afro-brasileiras, elementos da tradição lusófona e influências ibéricas, incluindo melodias andaluzas e nuances do fado. O resultado é um álbum emocionalmente intenso, que reflete tanto o percurso pessoal da artista como a sua experiência multicultural.

Um álbum com identidade definida

Comparado com o trabalho anterior, a artista considera que este novo projeto revela uma maior maturidade artística e uma direção mais clara. “Este álbum tem cores mais harmoniosas e uma identidade mais comum”, explica, destacando uma maior coesão sonora e conceptual com o apoio e direção artística do coletivo Mix et Métisse.

O projeto inclui temas em português e espanhol, refletindo o percurso internacional da artista, que já viveu em França, Brasil e Espanha. A artista integra de forma intuitiva influências adquiridas nos diferentes países onde viveu. Das palmas flamencas às sonoridades brasileiras e incluindo elementos mais clássicos constrói uma linguagem musical própria e não deixa de sublinhar o impacto que teve na sua música o facto de ter crescido em Paris, num ambiente que caracteriza como “marcado pela diversidade cultural”.

O single “Soledad”, já disponível com videoclipe, antecipa o tom intimista do disco: “é uma música carregada de lembranças de infância, uma época onde me sentia sozinha e incompreendida”, explica.

A herança e a reconstrução do passado

Para além da dimensão cultural, Liberdade afirma-se como um projeto profundamente pessoal, onde a artista revisita a sua história familiar e a relação ambivalente com a música. Com raízes numa família onde o bisavô tocava acordeão nas Arcadas do Fado, em Almancil, e a mãe tinha paixão pelo fado, este caminho foi durante anos visto com receio: “Na minha família, a perceção era que não dava para viver da música”.

Durante anos, o tema foi um tabu na família, até ao momento marcante em que a mãe assistiu, pela primeira vez, a um concerto seu no Café de la Plage, em Paris. “Ela segurou-me a mão, a chorar, e disse: agora percebo porque é que queres fazer isto, foste feita para isto”.

Iniciado há três anos, sem uma direção definida, o projeto foi ganhando forma à medida que a artista revisitava o passado e transformava esse processo num caminho de cura e libertação. “Foi toda uma recompilação do passado que depois se revelou no meu trabalho, e a direção foi-se mostrando aos poucos”.

O resultado é um disco que cruza memória e presente, num gesto de cura que a própria define também como coletivo: “Sinto que este trabalho foi feito para mim, mas também para libertar as memórias da minha mãe, da minha avó e dos meus ancestrais”. A participação da mãe na última faixa reforça esse simbolismo, encerrando o álbum como um momento de união e reconhecimento. Catarina Franco – França in “LusoJornal”


Angola - Escritor João Rosa Santos defende mais união entre escritores da CPLP

O escritor angolano, João Rosa Santos, reafirmou, recentemente, a necessidade e pertinência de união entre escritores de diferentes territórios que conformam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).


João Rosa Santos falava no acto de lançamento da 6.ª edição do projecto Elos da Língua Portuguesa, antologia lançada em homenagem à Guiné Equatorial, que decorreu no último sábado, na cidade do Rio Preto, Estado de São Paulo, no Brasil.

‎Mais do que uma simples reunião de textos, a sexta edição  da Antologia de Língua Portuguesa contou com a participação de 154 escritores, entre os quais, alguns angolanos.

‎De acordo com o também imortal da Academia Brasileira de Escritores, o projecto Elos da Língua Portuguesa amplia o horizonte da Lusofonia e fortalece a pluralidade de vozes que nela habitam.

‎Para os organizadores do evento, João  Paulo Vani, presidente da Academia Brasileira de Escritores e Samira Camargo, coordenadora do projecto, nesta edição, a colectânea percorre paisagens culturais marcadas pela convivência  entre tradições pela memória histórica e pelas múltiplas formas de expressão, que encontram no português um ponto de encontro.

Segundo soube O País, a próxima edição da Antologia Elos da Língua Portuguesa está prevista para o ano de 2027, com uma homenagem à República de São Tomé e Príncipe. Flávio da Costa – Angola in “O País”

Internacional - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde lidera programa doutoral para estudar o cérebro

Consórcio internacional reúne 23 parceiros de 12 países para formar 15 doutorandos e explorar novas abordagens terapêuticas para doenças neurológicas e psiquiátricas


O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto vai coordenar, pela primeira vez, um consórcio internacional no âmbito das Marie Skłodowska-Curie Actions – Doctoral Networks, tendo sido distinguido com um financiamento europeu de 4,5 milhões de euros para a criação de um programa doutoral pioneiro no domínio das neurociências.

Coordenado por Olga Sin e denominado AstroCirc, este programa doutoral reúne 23 parceiros académicos e não académicos, de 12 países europeus, incluindo Portugal, Reino Unido, Noruega, Áustria, República Checa e Alemanha. O objetivo principal é investigar o papel dos astrócitos — as células não neuronais mais abundantes no cérebro — na formação, funcionamento e manutenção dos circuitos cerebrais.

“Queremos compreender os mecanismos que estão na base da disfunção dos astrócitos num conjunto alargado de doenças neurológicas e psiquiátricas, incluindo epilepsia, depressão, doença de Alzheimer e doença de Parkinson, e abrir caminho a abordagens terapêuticas mais integradas e inovadoras”, sublinha Olga Sin.

Formação doutoral internacional e intersetorial

Com início previsto para 2027 e duração de três anos, o AstroCirc vai formar 15 estudantes de doutoramento, especializados nas interações astrócito-neurónio e na dinâmica dos circuitos neurais.

Os doutorandos serão distribuídos por 12 instituições académicas do consórcio e terão a oportunidade de realizar estágios noutras instituições académicas e parceiros não académicos, promovendo uma verdadeira mobilidade internacional e intersetorial. Dois estudantes vão ficar sedeados no i3S, cabendo ao Instituto da U.Porto receber mais quatro doutorandos de outras instituições em sistema de rotatividade.

De acordo com Olga Sin, o programa distingue-se por uma abordagem simultaneamente interdisciplinar e intersetorial: “É interdisciplinar porque reúne investigadores de renome internacional em biologia glial, provenientes de backgrounds científicos muito diversos, que colaboram pela primeira vez para responder a questões científicas complexas a partir de perspetivas complementares”.

Por outro lado, continua a gestora do programa, “é intersetorial porque expõe os doutorandos a contextos para além da academia, através de estágios, cursos e workshops dinamizados por empresas de biotecnologia, indústria farmacêutica, editores-chefes de revistas científicas, associações de doentes e profissionais da área do direito”.

Preparar carreiras dentro e fora da academia

Para além de proporcionar uma formação científica de excelência, o AstroCirc pretende capacitar os doutorandos para tomarem decisões informadas sobre os seus percursos profissionais, seja na investigação académica, na indústria ou outros setores da sociedade.

Para Olga Sin, este programa doutoral tem um significado pessoal e profissional profundo. Tendo feito a transição da investigação para a gestão de projetos científicos, explica, a coordenação do AstroCirc é “a concretização de um sonho profissional”.

“Conceber um programa educativo de raiz, ajustado às necessidades atuais da nossa área de investigação, é exactamente onde queria estar nesta fase da minha carreira. Vou ter o privilégio de moldar a próxima geração de cientistas, gestores de ciência ou líderes em setores não académicos, e fazê-lo num contexto internacional”, sublinha.

A gestora destaca ainda a importância do contacto próximo com os doutorandos e da colaboração com parceiros fora da academia: “Motiva-me a poder contribuir de forma ativa e próxima para a educação e carreira de jovens promissores, trabalhando lado a lado com cientistas de renome e com exemplos de sucesso na biotecnologia, farmacêutica, advocacia, edição científica e empreendedorismo”.

Sobre as MSCA Doctoral Networks

As redes de doutoramento Marie Skłodowska-Curie Actions constituem um dos instrumentos centrais de financiamento do Horizonte Europa, focado na formação de doutorandos de elevado nível.

Cada rede apoia um grupo de investigadores em fase de doutoramento, distribuídos entre as instituições parceiras do consórcio, promovendo a mobilidade internacional, a colaboração interdisciplinar e a articulação com o setor não académico.

Para mais informações, consultar a página da iniciativa. Universidade do Porto - Portugal