Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O antissemitismo até no bar

Durante uma grande parte de minha vida, que é longa, sempre foi a extrema-direita a líder do antissemitismo, culminando com a perseguição e massacre de judeus pelos nazistas de Hitler. Uma grande parte da intelligenzia era formada de judeus e os primeiros kibutzes em Israel eram socialistas.

Ora, nestes últimos anos, vem acontecendo o inverso, embora não se trate declaradamente de antissemitismo mas ocorre sob a cobertura de antissionismo. Assim, a pretexto de se criticar a estrutura do Estado de Israel e colocar em questão sua própria existência, negando-se aos judeus o direito a um Estado, vem ressurgindo a tendência de se transferir essas críticas aos judeus, inclusive aos que vivem fora e longe de Israel.

É esse amálgama o detonador do fenômeno social atual do antissemitismo, provocando mesmo o surgimento de dois projetos de lei, de certa forma parecidos, um no Brasil pela deputada federal Tábata Amaral, e outro na França, pela deputada Caroline Yadan, provocando fortes reações nas redes sociais de esquerda.

Uma petição do partido LFI, de extrema-esquerda, França Insubmissa, contra o projeto Yadan, já reuniu mais de 500 mil assinaturas, enquanto no Brasil as redes sociais de esquerda agridem a deputada Tábata Amaral.

Qual a semelhança entre esses dois projetos de lei?  A de enquadrar as novas formas de antissemitismo dissimuladas como antissionismo.

Diante da recrusdescência do antissemitismo, a jornalista Mariliz Pereira Jorge publicou, na Folha de São Paulo, com título sugestivo Antissemitismo gourmet, um texto sobre o aviso colocado à entrada de um bar bastante frequentado no Rio de Janeiro, de que "americanos e israelenses não são bem-vindos", antecipando, talvez de alguns meses, a proibição da entrada de judeus em outros bares, cafés e restaurantes.

Não estamos ainda na obrigatoriedade da Estrela de Davi amarela, símbolo de segregação dos judeus na Alemanha nazista, mas é preciso se tomar cuidado.

Parece também inapropriado se prever o fim do Estado de Israel antes de completar 100 anos, pois os comentários postados, debaixo dessa profecia publicada no canal Opera Mundi, revelam muitos sentimentos antissemitas extremados, lembrando o slogan "Do rio ao mar" pela destruição de Israel. Não há justificativa para esse tipo de publicidade. Rui Martins – Suíça

__________

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

Gabão - A taxa de mortalidade infantil é estimada em 39% para crianças menores de 5 anos

Da mesma forma, o relatório do Plano Nacional de Desenvolvimento Comunitário (PNDC) indica que a mortalidade materna permanece alta, com 227 mortes por 100 mil nascidos vivos

Conforme o Gabon Media Time, o Gabão enfrenta uma situação de saúde preocupante, marcada por profundas desigualdades no acesso aos cuidados médicos e por um subfinanciamento crónico.

Segundo dados do Plano Nacional de Crescimento e Desenvolvimento 2026-2030, embora a taxa teórica de acesso aos serviços de saúde em áreas urbanas chegue a 93%, apenas 58% da população os utiliza de facto. O documento ressalta que a situação é ainda mais crítica em áreas rurais, com infraestruturas obsoletas e insuficientes para atender às necessidades da população.

Os indicadores de saúde pública incluídos no Plano Nacional de Desenvolvimento (PNCD) ilustram a magnitude dos desafios: a mortalidade materna permanece elevada, com 227 óbitos por 100 mil nascidos vivos, enquanto a taxa de mortalidade infantil atinge 39% entre crianças menores de cinco anos.

Além disso, doenças como o HIV, a malária e a desnutrição continuam a afetar gravemente a população, especialmente os jovens. Estas doenças representam uma parcela significativa das causas de morbidade e impõem um fardo constante ao sistema nacional de saúde.

Um sistema de saúde sob pressão financeira e estrutural

Apesar da criação do Fundo Nacional de Seguro Saúde e Previdência Social (CNAMGS), com o objetivo de melhorar a cobertura de saúde, o financiamento para o setor permanece insuficiente. Os recursos alocados são limitados e a gestão apresenta deficiências, como atrasos nos reembolsos e controlos de gastos inadequados. Esta situação impacta diretamente a qualidade do atendimento e leva ao aumento dos custos de saúde para as famílias.

Além dessas dificuldades financeiras, existem deficiências estruturais significativas, como a escassez de pessoal qualificado, particularmente médicos especialistas, bem como a insuficiência de formação contínua e a emigração de profissionais de saúde para o setor privado ou para o exterior, o que limita a capacidade do sistema. A governança em saúde também permanece imperfeita, com frágil coordenação institucional e digitalização ainda incipiente. Esses desafios comprometem a ambição de alcançar a cobertura universal de saúde no Gabão, e o Programa Nacional de Coordenação e Desenvolvimento (PNCD) visa fornecer soluções estruturais até 2030. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Macau – Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau criam laboratório de optoelectrónica

A Universidade Nova de Lisboa (UNL) vai inaugurar amanhã, em Macau, um laboratório sino-português para estudar “energia sustentável, ecrãs de última geração e dispositivos inteligentes”, disse a cientista Elvira Fortunato à Lusa. A nova instituição vai juntar o Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da UNL e o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM).


O Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoelectrónica irá reunir “conhecimentos especializados em optoelectrónica, nanotecnologia e materiais avançados de ambos os lados”, explicou Fortunato.

A optoelectrónica é o estudo e aplicação de aparelhos electrónicos que fornecem, detectam e controlam luz, incluindo os computadores do futuro, que poderão funcionar com luz e não só com transições electrónicas.

O objectivo é ser “um espaço onde investigadores de Portugal, China e outros países podem trabalhar (…) em desafios comuns, como energia sustentável, ecrãs de última geração e dispositivos inteligentes”, acrescentou Fortunato.

“Macau, com a sua história singular como ponto de encontro entre o Oriente e o Ocidente, é um local natural para este tipo de colaboração”, sublinhou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2022-2024).

Fortunato sublinhou que o laboratório conjunto “representa o culminar de uma longa e profícua parceria” entre as duas universidades, que no final de 2025 assinaram um novo acordo de cooperação.

O acordo teve o apoio do Governo de Macau e o novo laboratório conta já com financiamento do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia da RAEM. Isto “envia um sinal claro de que o Governo de Macau está empenhado em desenvolver uma capacidade de investigação de classe mundial e em transformar as descobertas científicas em impacto no mundo real”, acrescentou.

Elvira Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, que lidera a Academia Europeia de Ciências desde 2018, são conhecidos por terem inventado, em 2008, com colegas, o chamado “papel electrónico”, o primeiro transístor feito de papel.

Martins, coordenador do i3N-NOVA, sublinhou que o instituto está também a desenvolver um outro projecto de investigação em parceria com a UCTM sobre “os chamados materiais funcionais avançados” para a energia.

Em paralelo com a inauguração do laboratório, a UCTM irá acolher um fórum de três dias sobre materiais optoelectrónicos, em colaboração com a Universidade de Suzhou, no leste da China.

Numa nota enviada à Lusa, a UCTM sublinhou que “este laboratório é o primeiro do seu género em Macau e o primeiro laboratório de investigação conjunta China-Portugal (…) dedicado à optoelectrónica”. A instituição vai apostar “no desenvolvimento colaborativo de materiais e dispositivos optoelectrónicos inovadores, em consonância com o 15.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Industrial da China”, acrescentou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Brasil - Língua Portuguesa e Lusofonia – Intersecções e Perspectivas

O Congresso Brasileiro de Língua Portuguesa, promovido pelo Instituto de Pesquisas Linguísticas “Sedes Sapientiae” para Estudos Portugueses (IP-PUC-SP), em parceria com o Departamento de Ciências da Linguagem e o Programa de Pós-Graduação em Língua Portuguesa da PUC-SP, abre as portas para sua edição de 2026.


Criado em 1974 para aproximar professores de pesquisas avançadas em mestrado e doutorado, o evento cresceu até se tornar referência nacional, reunindo cerca de sete mil educadores de todos os estados brasileiros.

Ressurgido em 1996 após um hiato, realiza-se bienalmente e, a partir de 2004, ganhou contornos internacionais com o Congresso Internacional de Lusofonia, agora na sua 12.ª edição será no formato online.

História de Resiliência e Expansão Lusófona

O congresso enfrentou desafios, como a pandemia de Covid-19, que o levou ao formato online em 2020, 2022 e 2024 – tendência que se mantém em 2026.

Organizado pela Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da PUC-SP, o evento destaca tendências recentes na pesquisa linguística e fortalece laços lusófonos com participantes de países como Timor-Leste, Portugal, Madeira e Macau. Entre os palestrantes confirmados, nomes como Sueli Cristina Marquesi, Sírio Possenti, Maria Elisa Rodrigues Moreira, Maria Teresa Nastri de Carvalho, Cassiano Butti, Ricardo Cavaliere, Marcelino Ximenes Magno (adido da Educação da Embaixada de Timor-Leste no Brasil), Luisa Paolinelli (Universidade da Madeira) e Roberval Teixeira e Silva (Universidade de Macau) prometem debates profundos.

Áreas Temáticas e Chamada para Trabalhos

As discussões giram em torno de Análise do Discurso, Ensino de Língua Portuguesa, Estudos de Lexicologia e Cultura, Historiografia Linguística e IA e Ensino de Línguas. Professores e pesquisadores têm até 15 de abril de 2026 para submeter propostas, garantindo espaço para mesas-redondas e comunicações.

Os inscritos receberão o link de transmissão das atividades, que ocorrerão das 8 às 18 horas.

Essa iniciativa não só divulga ciência educacional, mas reflete o pulsar vivo da lusofonia em um planeta cada vez mais conectado e influenciado pela IA.

Serviço

  • Evento: 21.º Congresso Brasileiro de Língua Portuguesa (CBLC) e 12.º Congresso Internacional de Lusofonia (CIL)
  • Prazo para submissão de propostas: 15 de abril de 2026
  • Inscrições e mais informações
  • https://eventos.pucsp.br/21-cblp-12-cil/ In “Portal Galego da Língua” - Galiza


Galiza - Aberto prazo de inscrições para os cursos aPorto 2026

Os aPorto são cursos de português realizados no Porto, com uma semana de duração, organizados pela AGAL em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que oferecem uma experiência para mergulhar na língua e cultura portuguesa


Nesta edição, aPorto 2026, dá-se continuidade à modalidade para docentes, com homologação das horas de formação pela Junta da Galiza, será de 3 a 7 de agosto, com dois níveis: A2 e B1. Também continua a se oferecer o formato clássico que decorrerá de 10 a 14 de agosto, e inclui aulas de manhã e atividades socioculturais à tarde, focadas na produção oral, como sessões de conversa e passeio com portuenses, para além das aulas de dicção e pronúncia.

E ainda, o aPorto Noturno. Orientado para pessoas com certo domínio da língua, permite aprofundar o conhecimento da sociedade portuguesa atual, da sua realidade social e cultural. Decorrerá na semana de 17 a 21 de agosto, com atividades em horário de tarde-noite – dicção e pronúncia, conversa em mini-grupos, ateliê de teatro, espectáculos, caminhada noturna guiada, gastronomia…

Com o interesse de facilitar uma participação mais alargada na descoberta da cidade invicta, há um desconto para participantes que desejem prolongar até duas semanas os cursos aPorto.

O preço, que inclui aulas -que decorrem na Faculdade de Letras do Porto- e atividades socioculturais e um jantar é de 300 euros para uma semana, e de 440€ euros por duas semanas. No caso de pessoas sócias da AGAL, estudantes, ex-alunas, afiladas da CIG, reformadas e desempregadas será de 250 euros.

Ademais, existe a possibilidade de usufruir do alojamento da residência universitária. Toda a informação está disponível no próprio sítio e para resolver qualquer dúvida a respeito, o email é: cursos@a.gal. As inscrições podem ser feita aqui. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


Portugal - José Saramago deixa de ser leitura obrigatória no ensino português

De acordo com a proposta do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) de revisão das Aprendizagens Essenciais de Português, actualmente em consulta pública até ao dia 28 do corrente mês, deixa de ser obrigatória a leitura de obras de José Saramago no ensino secundário. Hodiernamente, o programa prevê a leitura integral de Memorial do Convento ou de O Ano da Morte, de Ricardo Reis.

Em contrapartida, a proposta abre a possibilidade de escolha do romance Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho. Na prática, as escolas deixam de estar obrigadas a escolher uma obra de Saramago no 12.º ano, passando a poder optar pela obra de Mário de Carvalho. Refira-se que José Saramago é o único escritor português laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998… Dani Costa – Angola in “O País”

 

terça-feira, 7 de abril de 2026

Portugal - Emigração aumenta para Alemanha, França e Bélgica e cai no Reino Unido

A emigração portuguesa continua a variar geografia. De acordo com o relatório “Emigração Portuguesa 2025: Relatório Estatístico”, divulgado em março de 2026 pelo Observatório da Emigração e pela Rede Migra, 2024 foi marcado por um reforço das saídas para vários países da Europa continental e por quebras assinaláveis em destinos tradicionais como o Reino Unido e o Canadá.


Os dados sobre as entradas de portugueses entre 2023 e 2024, mostram que a Alemanha é o país onde a variação é mais positiva, seguida de França e Bélgica.

Estes três destinos destacamse claramente no topo do gráfico, sinalizando um crescimento mais expressivo da imigração portuguesa. Logo a seguir surgem os Estados Unidos (com variação calculada entre 2022 e 2023), a Austrália e a Áustria, todos com aumentos visíveis no número de entradas de portugueses.

Também Itália, Noruega, Macau (China), Brasil, Holanda, Suécia e Dinamarca registam saldos anuais positivos, ainda que de menor dimensão. Em conjunto, estes dados confirmam que a Europa continental, alguns mercados anglófonos extraeuropeus e territórios com ligação histórica a Portugal continuam a atrair emigrantes portugueses, ainda que com intensidades diferentes.

No lado oposto, o gráfico evidencia que o Reino Unido é o país com a maior quebra nas entradas de portugueses entre os dois anos mais recentes. A barra correspondente surge destacada no campo negativo, abaixo de todos os outros destinos analisados. Canadá e Angola surgem também com descidas significativas, seguidos por Suíça, Espanha e Luxemburgo, onde o número de novas entradas de cidadãos portugueses diminuiu face ao período anterior.

Estes recuos sugerem o impacto combinado de fatores como o endurecimento de políticas migratórias (no caso britânico e canadiano), a evolução dos mercados de trabalho ou, em alguns casos, a estabilização e eventual regresso de parte dos emigrantes.

O relatório, com 312 páginas, caracteriza a emigração e a população portuguesa emigrada entre 2000 e 2024, combinando dados nacionais e estatísticas oficiais de países de destino como Alemanha, França, Espanha, Suíça, Luxemburgo, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Noruega ou Macau. A obra analisa não só os fluxos anuais, como também os stocks de população portuguesa no estrangeiro e as remessas enviadas para Portugal.

Produzido pelo Observatório da Emigração e pela Rede Migra, no âmbito do CIESIUL do ISCTEIUL, o relatório contou com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, do Fundo para as Relações Internacionais e da DireçãoGeral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas.

Assinado por Inês Vidigal, Cláudia Pereira, Joana Azevedo, Sofia Vilhena e Rui Pena Pires, o estudo confirma que a emigração portuguesa continua a ser um fenómeno estrutural, mas em reconfiguração: perde peso em alguns destinos tradicionais e reforçase em economias europeias centrais e em novos polos de atração fora da Europa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo