Um percurso visual e literário
que revisita os momentos essenciais da vida de Camilo Pessanha é o tema de uma
exposição que se encontra patente num centro comercial de Coimbra. A mostra
reúne fotografias, poemas e depoimentos de autores contemporâneos, aproximando
a comunidade de uma das figuras mais marcantes do simbolismo português

Uma
exposição que ilumina a vida, a obra e o legado simbolista do poeta
conimbricense Camilo Pessanha, celebrando o centenário do seu falecimento com
imagens, poemas e vozes que o mantêm vivo na cidade, está patente no Centro
Comercial Alma Shopping, em Coimbra.
A
mostra divulga o percurso visual e literário que revisita os momentos
essenciais da vida do escritor, a força de Clepsidra e a influência que deixou
nas gerações seguintes, juntando-lhe ainda a transcrição de depoimentos de
alguns dos escritores portugueses contemporâneos mais importantes, que se
assumiram como seus discípulos.
Com
curadoria da Comissão Organizadora do Centenário da Morte de Camilo Pessanha e
produção gráfica do centro comercial, a exposição integra as iniciativas do
Grupo de Arqueologia e Arte do Centro e do Centro de Literatura Portuguesa, com
o apoio da Câmara Municipal e da Universidade de Coimbra, reforçando o diálogo
entre cultura, cidade e memória.
A
exibição reúne fotografias, poemas e depoimentos de autores contemporâneos,
aproximando a comunidade de uma das figuras mais marcantes do simbolismo
português. Nos painéis que compõem a mostra consta informação concisa sobre os
factos centrais da vida do poeta, bem como são reproduzidos alguns dos seus
poemas mais conhecidos e abreviadamente transcritas declarações e homenagens de
poetas como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Eugénio de Andrade e Carlos
de Oliveira, que o veneraram como mestre.
A
redacção e a escolha dos textos da exposição são da responsabilidade da
Comissão Organizadora do Centenário da Morte do poeta, representada por António
Apolinário Lourenço e por Manuel Seixas, tendo a concepção gráfica e a produção
ficado a cargo do Alma Shopping.
Camilo
Pessanha é o nome maior da corrente simbolista em Portugal, tendo nascido em
Coimbra a 7 de Setembro de 1867 e frequentado Direito na Universidade de
Coimbra entre 1884 e 1891. Partiu para Macau no início de 1894, onde faleceu a
1 de Março de 1926.
Em
1920 foi publicado o seu único livro de poesia, Clepsidra, uma das obras mais
importantes e influentes da literatura portuguesa do século XX. A publicação
foi produzida pelas Edições Lusitânia, de Ana de Castro Osório.
Citando
António Ferro, escritor, jornalista, político e diplomata português, o Diário
de Coimbra refere que “a nova geração passara a ter um missal e um relógio”,
acrescentando que “desde há muito os jovens modernistas portugueses conheciam
uma boa parte da obra poética de Pessanha, que circulava em versões manuscritas
distribuídas por Carlos Amaro, o fiel depositário da poesia do mestre de
Coimbra”.
Nesta
exposição, patente até ao dia 30 de Setembro, será cumprida mais uma etapa das
comemorações do Centenário da Morte de Camilo Pessanha. “A causa do poeta e
escritor é a causa da Literatura, da Poesia, de Coimbra, onde nasceu e se
formou, de Portugal”, remata o diário conimbricense. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal
Tribuna de Macau”