Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 17 de maio de 2026

Estados Unidos da América - Projeto bilingue une alunos de Lamego e Massachusetts

Um projeto intercultural bilingue ligou alunos do estado norte-americano de Massachusetts e estudantes do Colégio de Lamego, em Portugal, estabelecendo uma ponte feita de palavras entre os dois países


O projeto, desenvolvido pela professora Mara Santos, com o apoio e enquadramento da Coordenação do Ensino de Português nos Estados Unidos, visou promover a língua portuguesa, fortalecer laços culturais e aproximar alunos de diferentes contextos educativos.

Na prática, os alunos separados pelo Oceano Atlântico trocaram postais com recurso a códigos QR (com gravações de voz), complementada por vídeos produzidos pelos próprios estudantes, “promovendo não só a prática da língua portuguesa e inglesa, mas também uma ligação cultural direta entre os dois contextos educativos”, explicou à Lusa Mara Santos.

Mara é docente num programa de ‘dual language’, ou seja, um programa letivo em duas línguas (português-inglês), em Framingham, Massachusetts, e ao longo dos últimos quatro anos tem vindo a desenvolver projetos interculturais.

Fá-lo não apenas “por se encontrar num programa de intercâmbio de professores entre Portugal e Massachusetts, mas também por acreditar profundamente no valor educativo” dessas iniciativas, assegurou.

“Considero que este tipo de contacto entre alunos de diferentes contextos é extremamente enriquecedor, promovendo uma aprendizagem da língua portuguesa mais autêntica e significativa, bem como o desenvolvimento da empatia, da curiosidade e da consciência intercultural”, explicou à Lusa.

Tudo começou com pequenos cartões-postais.

“Deste lado do oceano, os meus alunos escreveram, desenharam, imaginaram. Mas, com a introdução de códigos QR, algo mudou: aquelas palavras passaram a ter voz. Do outro lado do oceano, os alunos de Lamego não se limitaram a ler, ouviram. Ouviram sotaques, hesitações, entusiasmo. Ouviram pessoas”, contou.

Já os alunos do Colégio de Lamego responderam, “não de forma genérica, mas individual, pessoal, humana”, disse.

“Numa época em que tanto se fala de distância, de tecnologia e de superficialidade, houve aqui algo profundamente autêntico: jovens interessados em conhecer outros jovens.  Mas esses alunos quiseram mais. Apresentaram também um vídeo sobre a sua cidade, a sua história, cultura e identidade”, destacou Mara Santos.

Do lado norte-americano, em Massachusetts, isso despertou uma curiosidade genuína nos alunos do 7.º ano.

“Houve perguntas, risos, surpresa. Houve aprendizagem real, daquela que não se esquece. E depois houve aquilo que não cabe nos objetivos curriculares”, sublinhou.

Os Estados Unidos são um dos países onde o ensino de português mais tem crescido, com mais de 20 mil alunos no ensino básico e secundário, e mais de dois mil estudantes no ensino superior, apoiados por mais de quatro centenas de professores, segundo dados oficiais, que apontam para um crescimento de 100% nos últimos 10 anos. 

Mara Santos destacou que a iniciativa que promoveu transformou-se numa ponte entre os dois países, entre línguas e entre culturas.

“Uma ponte que lembrou aos alunos, e a mim, que aprender uma língua é, acima de tudo, aprender a relacionar-nos com os outros. (…) Talvez sejam estes alunos que melhor nos ensinam que o mundo é maior, mais próximo e muito mais humano do que, por vezes, acreditamos”, observou a docente.

No próximo ano letivo, Mara Santos terá uma nova turma, o que lhe permitirá voltar a desenvolver atividades semelhantes com outros alunos e, eventualmente, explorar novos formatos de intercâmbio e colaboração entre escolas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


Portugal - Antigo embaixador e ministro António Martins da Cruz presente na conferência promovida pela Associação dos Novos Amigos da Rota da Seda

O antigo embaixador e ministro António Martins da Cruz considera que a “Espanha está a condicionar, de certo modo, alguma exclusividade que Portugal desfrutava em Macau”, alertando para a necessidade de as autoridades portuguesas terem mais presença na RAEM


Foi na palestra “Oriente e Ocidente – o Mundo em 2026”, que decorreu na sexta-feira em Lisboa, que o antigo embaixador e ministro dos Negócios Estrangeiros António Martins da Cruz deixou um alerta para o crescente peso que a Espanha está a ganhar no relacionamento com a China e, consequentemente, com Macau.

“Em Macau e na ilha de Hengqin todas as associações e institutos que conheço tinham como objecto o comércio e relações económicas entre a China e países de língua portuguesa, e agora em todos foi acrescentado Espanha, ou países de língua espanhola”, referiu no evento promovido pela Associação dos Novos Amigos da Rota da Seda (ANRS).

“Espanha está a condicionar, de certo modo, alguma exclusividade de que Portugal desfrutava em Macau”, acrescentou António Martins da Cruz, falando da mais recente visita oficial de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, a Portugal e Espanha.

“Desde Dezembro de 1999 que há uma tradição do Chefe do Executivo de Macau vir a Lisboa na primeira viagem que faz, mas, pela primeira vez, depois de Lisboa, foi a Madrid, onde até ficou mais umas horas do que tinha estado em Lisboa.”

À margem destas declarações, António Martins da Cruz disse ao HM que não acredita, porém, que haja uma grande mudança ou transição a curto prazo no relacionamento entre Macau e Portugal, com Espanha pelo meio. Mas o que é certo é que o país “passou a estar ao mesmo nível de Portugal sem nunca ter estado em Macau”, defendeu, referindo-se ao papel na administração do território e histórico que Portugal detém.

“Portanto, é uma coisa que pode afectar as empresas portuguesas”, frisou o responsável, que acredita que as autoridades de Macau, com este novo cenário, “estão contentíssimas, porque é mais um interlocutor”. No caso de Portugal, o que deve fazer para contornar esta questão é “intensificar as relações e aproveitar melhor Macau como plataforma, dando mais importância a Macau, e levando lá mais membros do Governo”.

António Martins da Cruz, que preside ao conselho de administração da OVIA – Oeiras Valley Investment Agency, tem sido, ele próprio, presença frequente na RAEM, declarando que vai novamente a Macau em Junho “com o secretário de Estado da Economia da Madeira”. “A Madeira interessa-se por Macau. Vou na qualidade de presidente da assembleia-geral da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira”, explicou.

Aproveitar a Grande Baía

António Martins da Cruz entende que “as empresas portuguesas devem aproveitar melhor a plataforma de Macau para o mercado da Grande Baía, que tem cerca de 80 milhões de habitantes e mais de 25 por cento do PIB [Produto Interno Bruto] chinês”, sendo “a zona mais rica da China”.

Porém, não deixou de destacar limitações no mercado interno de Macau. “Infelizmente, chegamos a Macau e nem há distribuidores de vinho e cerveja. E não há por uma razão: há 20 anos, os macaenses faziam isso e é preciso encontrar chineses que façam isso agora. Chegamos a Macau, e além do Banco Nacional Ultramarino e de dois ou três bancos, o que há? Três ou quatro empresas só. E temos de encontrar as nossas empresas e saber aproveitar as coisas, e daí partirmos para a Grande Baía.”

Não ouvir Bruxelas

Na sessão de sexta-feira não faltaram algumas farpas ao posicionamento que a União Europeia (UE) tem tido no relacionamento com a China, incluindo Portugal. “Esperemos que a UE ouça mais vezes as vozes do entendimento necessário e útil com a China ao invés de alguns que chegam, às vezes, de instituições de Bruxelas, para não dizer o nome do Parlamento Europeu, que por vezes dificultam o diálogo e acordos.”

António Martins da Cruz destacou que a “Europa tem, neste momento, outras preocupações e, sobretudo, uma indefinição total” em matéria de política externa. “A aproximação com a China passa por uma definição de políticas externas, mas não nos podemos esquecer do seguinte: temos 27 países na UE e, provavelmente, há seis ou sete que têm políticas externas. Os restantes têm políticas regionais”, destacou.

Martins da Cruz destacou “hesitações da Europa nas relações com a China”, relatando o exemplo de 2019, quando a UE, “por proposta da Comissão Europeia, aprovou uma posição estratégica, definido a China de três maneiras: um parceiro para a cooperação económica e negociação, um competidor económico e um rival sistémico”. “Ou seja, cabe quase tudo nesta indefinição propositada”, frisou, considerando que “continuaram as hesitações” em relação à China, sem se terem definido nunca “os riscos concretos” do relacionamento com o país.

Tal permite, na visão do antigo embaixador e ministro, “que cada um dos 27 Estados-membros definam, eles próprios, qual o conceito e critério de risco” neste relacionamento.

António Martins da Cruz entende que o caso da Huawei e da rede 5G, e o facto de ter merecido “diferente tratamento de diferentes países europeus é exemplo de que a Europa tem concepções diferentes de risco com a China”. “Até pensamos que algumas instituições em Bruxelas se esquecem que o comércio entre a UE e a China representa 29,6 por cento do comércio global e que a Europa importa da China 500 milhões de mercadorias por ano. Para termos uma ideia, o comércio entre a Europa e a China são 2 milhões por minuto. Se estivermos duas horas fechados nesta sala, o comércio entre a Europa e a China é de 240 milhões de euros. E há muitas capitais da Europa que têm tendência a esquecer isto.”

No contexto dos 27 países que fazem parte da UE, “Portugal tem todas as condições para ser o criador de dinâmicas positivas e aproveitando melhor a plataforma de Macau”, além de “facilitar investimentos chineses e reforçar as nossas linhas de comércio e de exportações para a China”.

O antigo embaixador lembrou ainda o facto de Portugal ter sido “um dos poucos países da UE que assinou com a China, na última visita do Presidente Xi Jinping, um memorando sobre a participação de Portugal na Nova Rota da Seda”.

Martins da Cruz realça estratégias de longo-prazo de Pequim

A conferência protagonizada por António Martins da Cruz aconteceu no mesmo dia em que terminou a visita à China do presidente norte-americano Donald Trump. O antigo embaixador defendeu que serão necessários “alguns dias ou semanas para ler os sinais dos resultados dessa visita”, devendo o relacionamento entre os Estados Unidos da América (EUA) e China ser analisado “sob os prismas estratégico, político e económico”. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


Girassol














Vamos aprender português, cantando

 

Girassol

 

Era só um girassol

que nasceu p’ra não vingar

numa terra ressequida

longe de qualquer lugar

 

A voz cola-se ao silêncio

nasce para nos calar

e a terra treme por dentro

morta por nos consolar

 

Era só mais um deserto

onde o nosso amor vingou

mas o perto fez-se longe

quando o girassol secou

 

Vamos brincando aos amigos

p’ra espantar a solidão

e encontramo-nos perdidos

no centro da rotação

 

Girassol ninguém te entende

como podes ser diferente

tendo a mesma condição

de quem ama e perde tudo

de quem deu a volta ao mundo

com os pés presos no chão

com os pés presos no chão

 

E quando se desfigura

nas searas ao luar

é tão pura a sua dança

que os homens irão cantar

 

Dar a voz ao firmamento

aos seus sonhos imortais

e às vozes de outros tempos

que ecoam nos quintais

 

Girassol ninguém te entende

como podes ser diferente

tendo a mesma condição

de quem ama e perde tudo

de quem deu a volta ao mundo

com os pés presos no chão

com os pés presos no chão

 

Girassol ninguém te entende

como podes ser diferente

tendo a mesma condição

de quem ama e perde tudo

de quem deu a volta ao mundo

com os pés presos no chão

com os pés presos no chão

 

Girassol ninguém te entende

como podes ser diferente

tendo a mesma condição

de quem ama e perde tudo

de quem deu a volta ao mundo

com os pés presos no chão

com os pés presos no chão

 

Era só um girassol

era só um girassol

era só um girassol

era só um girassol

 

Magano – Portugal

Composição:

Joana Espadinha - Portugal

 

sábado, 16 de maio de 2026

Galiza - Juan Luis Fernández apresenta o livro Futebol Gaélico no Val Minhor

O evento decorrerá na terça-feira, dia 19 de maio, às 20h, na livraira Libraida (r/Rosalia de Castro, 13) de Gondomar


O autor, Juan Luis Fernández, estará acompanhado pelo presidente do Turonia GFG, Gonzalo Henrique Rodríguez Amorín, para apresentar a última novidade da Através Editora: Futebol gaélico. História, regras, táticas de jogo e técnicas de treino.

Futebol Gaélico é um desporto popular porque pertence ao povo. A sua profunda alicerçagem social no seu país de origem, a Irlanda, e nos outros países em que é praticado testemunha-o. Para além de promover a saúde física, constrói vínculos igualmente saudáveis: tece umha comunidade baseada no respeito e na diversidade. As pessoas que o praticam, embora atinjam um alto rendimento e encham estádios, renunciam à profissionalidade. As suas instituições nom som dirigidas polas grandes corporaçons, mas sim por umha larga base associativa e amadora, e as mulheres contam com as suas próprias estruturas institucionais.

As comunidades de Futebol Gaélico, também na Galiza, som espaços em que o jogo limpo está sempre por cima da ânsia de vitória. A concorrência entre equipas é vivida com intensidade, mas também com respeito. A identidade de cada clube é o valor preponderante, só superado pola identidade comunal e o sentido do convívio.

Este manual oferece um percurso pola história dos desportos gaélicos e a sua adoçom na Galiza, bem como umha apresentaçom das regras, dos estilos e táticas de jogo e das técnicas de treino. O autor, Juan Luis Fernández Pérez, doutor em Ciências da Atividade Física e do Desporto, oferece neste volume a primeira obra galega de referência do Futebol Gaélico, revendo sistematicamente o conhecimento disponível e fornecendo umha ferramenta incontornável para as comunidades do desporto, nomeadamente para as galegas. Também, claro, umha justa homenagem para elas.

Sobre o autor:

Juan Luis Fernández Pérez. Licenciado (2002) e doutor (2011) em Ciências da Atividade Física e do Desporto, exerce como professor de Educaçom Física no ensino público desde 2004. Ao longo de vários anos esteve vinculado ao desporto de competiçom, praticando atletismo (RC Celta), karaté (Shotokan Vigo) e andebol (UB Lavadores e BM Cangas).

Quando já se considerava afastado do desporto competitivo, em 2014 foi abordado numa pizzaria de Vigo por um jovem irlandês, Feidhlim, que reconheceu de imediato a camisola de futebol gaélico que levava – uma prenda que o seu irmão lhe trouxera de umha viagem–. Assim começou a sua relaçom com este desporto: primeiro como jogador do Keltoi Vigo GAC e, posteriormente, como um dos fundadores do Turonia Gondomar FG, clube no qual também jogou e onde continua atualmente como treinador.

Formado como Coach Developer pela GGE (2024), participa no desenvolvimento das categorias de base através do projeto Gaélico Escolas e exerce também como preparador físico da Seleçom Galega feminina. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


Coreia do Sul - Um monge budista robô chegou ao país

Gabi liderou uma procissão de monges budistas entoando cânticos no Templo Jogye, em Seul, Coreia do Sul, na semana passada. Vestindo um manto cerimonial cinzento e castanho, sapatos pretos, um rosário e luvas cor da pele, Gabi ergueu as mãos em oração.



– “Vai dedicar-se ao Buda sagrado?”, questionou um dos monges, segundo a agência de notícias coreana Yonhap.

– “Sim, vou dedicar-me”, respondeu Gabi.

– “Dedicar-se-á aos ensinamentos sagrados?”, perguntou o monge.

– “Sim, vou dedicar-me”, respondeu Gabi.

Se estas respostas soam robóticas, é porque Gabi é, de facto, um robô.

Com pouco mais de 1,2 m de altura, Gabi tornou-se no primeiro monge robô da Coreia do Sul ao juntar-se à Ordem Jogye, a maior seita budista do país. O nome Gabi significa misericórdia em coreano.

“Tentámos dar um nome que não fosse muito difícil de pronunciar e que não fosse antiquado, e que representasse a disseminação da misericórdia de Buda pelo mundo”, disse o venerável Seong Won, responsável pelos assuntos culturais da Ordem Jogye, à agência Yonhap.

O robô é o mais recente esforço dos monges do país para demonstrar a relevância moderna do budismo. Introduzida na Coreia por volta do século IV, a religião tem sofrido um declínio na popularidade e na prática.

Em Janeiro, o Venerável Jinwoo, presidente da Ordem Jogye, prometeu incorporar a inteligência artificial na tradição no seu discurso anual de Ano Novo.

Durante a cerimónia da passada quarta-feira, um monge presenteou Gabi com cinco preceitos, ou votos, para um robô budista: Respeitar a vida e não a magoar; não danificar outros robôs e objectos; seguir os humanos e não lhes responder; não se comportar ou falar de forma enganadora; e poupar energia e não sobrecarregá-la.

A ordem desenvolveu preceitos utilizando os ‘chatbots’ de inteligência artificial Gemini e ChatGPT, informou a Yonhap.

O instrutor Zen Noah Namgoong, do Templo Budista Coreano Jo-Gei da América, na cidade de Nova Iorque, disse que o robô era “uma coisa bastante estranha” que falava mais de “algo socioeconómico do que espiritual”.

O budismo nunca foi uma religião de proselitismo, disse a professora de antropologia Sujung Kim, da Universidade Johns Hopkins, que se concentra no budismo na Ásia Oriental. Mas a introdução de um monge robô pode ser uma estratégia para reforçar o capital social e a presença cultural da religião, especialmente tendo em conta a localização privilegiada do templo no centro de Seul.

O proselitismo refere-se ao acto de converter ou tentar converter pessoas de uma religião, crença ou opinião para outra.

O monge robô, disse Kim, é “uma estratégia de visibilidade de marketing muito singular”.

A Universidade de Quioto, no Japão, apresentou um robô semelhante em Fevereiro, capaz de aprender escrituras e fornecer feedback às pessoas que procuram orientação, segundo a académica. Em contraste, os meios de comunicação sul-coreanos exibiram vídeos de Gabi a acenar com as mãos em vez de se curvar.

Embora as suas capacidades possam ser limitadas, o robô sul-coreano aborda um tema central do budismo: o que significa realmente ser humano?

“A questão é que esta questão transcende a lógica, o raciocínio e a capacidade de pensar”, afirmou Namgoong, o que torna difícil para um robô reflectir realmente sobre ela, dado que “não tem mente”.

Mas, quando se trata da função social de um monge, talvez ele possa ser útil.

“Um monge está aqui basicamente para ajudar outras pessoas a libertarem-se”, disse. “Portanto, se este robô puder ajudar outras pessoas a libertarem-se, pode ser útil”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


Macau - Crianças pensam identidade e liberdade em peça de teatro em língua portuguesa

Quinze crianças, na maioria chinesas, apresentam este sábado “A Revolta dos Lusecos”, sobre o 25 de abril, numa “lição de cidadania” para os jovens de Macau, “onde as referências históricas são outras”, disse a responsável pela iniciativa.


Uma narradora e 14 atores, dos 4 aos 13 anos e de cinco escolas diferentes de Macau, dão vida à adaptação para teatro da obra de Carlos Alberto Silva “A Revolta dos Lusecos”, numa iniciativa da Sílaba – Associação Educativa e Literária (Sílaba – AEL), que transporta para palco os valores de Abril, numa abordagem pensada para o público infantojuvenil.

“Quisemos integrar a história dando uma lição de cidadania e mostrar que as crianças e jovens não estão fora da história, que podem ter um papel, podem questionar, podem agir. Acreditamos que essa ideia é importante em Macau, onde as referências históricas são outras, este tipo de leitura abre espaço para pensar identidade e liberdade”, disse à Lusa a presidente da Sílaba – AEL, Susana Diniz, responsável pela adaptação do texto.

Entre as crianças – três portuguesas e 12 chinesas – nem todas têm o português como língua materna. Mas aqui quer-se construir algo comum: “Há crianças de diferentes origens linguísticas e culturais a trabalharem em português e a criarem juntas uma peça. Para nós, isso é uma das maiores conquistas”, afirmou.

O que “dá espessura ao uso da língua”, frisou ainda a responsável, não é apenas a aprendizagem de gramática ou vocabulário, mas também da cultura.

Em relação ao trabalho com as crianças, tratou-se de um processo “gradual e cuidadoso”, que, numa primeira fase, passou pela contextualização da “história de forma simples”, ao explicar o que foi o Estado Novo, a falta de liberdades ou a censura.

Num momento seguinte, com a aproximação das crianças às personagens, ajudou-se a que entendessem o que representava o medo, a esperança ou a vontade de mudança. Foi “enriquecedor ver como se apropriaram do tema”, constatou Susana Diniz.

E porquê “A Revolta dos Lusecos”? A obra de Carlos Alberto Silva foi o primeiro livro divulgado, em 2024, pela Dinis Caixapiz, um projeto da Sílaba que envolve a subscrição de uma caixa de livros infantis com uma revista exclusiva.

“Há uma preocupação constante em tornar a aprendizagem mais concreta, mais viva. Quando trabalhamos um livro pensamos sempre no que mais pode nascer dali”, acrescentou.

Na obra de Carlos Alberto Silva apresenta-se um país cinza, dominado pelos “glutões” e onde os “lusecos” vivem oprimidos – até que um dia soldados decidem organizar uma revolta.

“Por um lado, estamos a trabalhar um momento importante da história recente de Portugal, a transição para a democracia, de forma acessível. Por outro, é um tema que cruza o percurso escolar dos alunos e juntar estas duas dimensões – conteúdo e experiência – fez todo o sentido”, ainda de acordo com a presidente da Sílaba, que levou a cabo a encenação, com apoio de outros membros da associação.

A peça, que integra ainda música e imagens projetadas, sobe ao palco este sábado às 18:00 no auditório Stanley Ho, no edifício do Consulado-geral de Portugal em Macau. A entrada é gratuita. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Cabo Verde - Elly e Djary Paris juntam-se num novo single

As cantoras Elly Paris e Djary Paris, que anteriormente formavam uma dupla de grande sucesso no cenário musical cabo-verdiano, juntam-se novamente para um novo lançamento, oito anos após o fim da dupla “Divas Paris”. O novo single “Pretin” já se encontra disponível em todas as plataformas digitais, acompanhado de videoclipe no Youtube


Segundo uma nota da Harmonia, “Pretin” retrata a infidelidade e a complexidade das relações amorosas, nas quais o homem faz um jogo duplo.

“Com o tempo, as envolvidas nesta relação, cada uma por seu lado, percebem o afastamento e começam a questionar, colocando em pauta suas falhas e motivos que levaram à infidelidade por parte do parceiro”, aponta.

A mesma fonte sublinha que a música faz referência ao sofrimento de duas mulheres, que não competem entre si, de quem é a primeira ou a outra, muito menos dependem da aprovação masculina, mas que o foco está em mostrar o quanto é doloroso e pode machucar quando situações deste tipo ocorrem.

No que diz respeito à colaboração inesperada entre as duas cantoras, a mesma fonte enfatiza que serve para ironizar as especulações que surgiram após o término da dupla, incluindo um possível triângulo amoroso.

“O featuring vem para mostrar aos fãs que sim, ainda existe uma ligação e é possível fazer outras músicas juntas. Assim como as especulações, o ´Pretin´ é também ´Fake´ e não tem uma face que seja verdadeira”, aponta.

De realçar que as “Divas Paris” são autoras de temas de grande sucesso, como: “Lembrança”, “Pensa na Bo” e “Sap Boy”. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”