Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Burkina Faso - Ibrahim Traoré diz que democracia “mata” e que eleições não resolvem problemas

O líder da junta militar do Burkina Faso diz que a democracia “mata” e que, neste momento, é inadequada para a realidade do seu país. Ibrahim Traoré afirma que a prioridade deve ser o restabelecimento da segurança e da soberania nacional, antes de qualquer processo eleitoral.

As declarações foram feitas recentemente, num discurso dirigido à nação, num contexto de agravamento da crise de segurança no país, marcada por ataques persistentes de grupos armados em várias regiões. Traoré sustenta que a realização de eleições, nas actuais circunstâncias, não resolveria os problemas estruturais e poderia, inclusive, agravar a instabilidade.

No mesmo posicionamento, o líder militar defendeu que o modelo democrático liberal não responde às especificidades do Burkina Faso e de outros países africanos, argumentando que, em certos contextos, a sua aplicação tem contribuído para o enfraquecimento do Estado e para o aumento da insegurança. Como exemplo, apontou situações de instabilidade vividas noutros países, associadas a processos políticos considerados frágeis.

Ibrahim Traoré chegou ao poder em Setembro de 2022, através de um golpe de Estado que derrubou o então líder da transição, num cenário já marcado por forte contestação popular e deterioração das condições de segurança. Na altura, a junta militar assumiu o compromisso de conduzir uma transição com vista ao regresso à ordem constitucional.

Entre as promessas iniciais estava a realização de eleições e a transferência do poder para um governo civil, assim que estivessem reunidas condições mínimas de estabilidade. No entanto, desenvolvimentos recentes indicam um afastamento desse calendário, com o prolongamento da transição e a adopção de medidas que reforçam o controlo do poder pela junta.

O Burkina Faso insere-se num contexto regional mais amplo, marcado por uma vaga de regimes militares no Sahel, onde a luta contra o terrorismo e a contestação à influência externa têm servido de base para redefinir modelos de governação. In “O País” - Moçambique


Angola - Artistas da União Nacional de Artistas Plásticos realizam feira de artes em espaço público no Moxico em alusão à Paz

Dezenas de artistas plásticos da província do Moxico e alguns provenientes de Luanda partilham experiências criativas, há mais de uma semana, no Luena, no âmbito das festividades da Paz, numa produção da União Nacional de Artistas Plásticos (UNAP), em parceria com o Governo Provincial do Moxico.


Enquadrado nas celebrações dos 24 anos de Paz e Reconciliação Nacional, a feira está a ser levada a cabo juntamente com um seminário artístico com o tema “Cultura de Paz e Resolução de Conflitos através das Artes Visuais”, na cidade do Luena.

“A iniciativa visa fortalecer a identidade cultural local, valorizar os espaços públicos e envolver a sociedade civil em acções artísticas que promovam a paz e a coesão social”, disse Hermenegildo Kindala, curador e porta-voz do evento, citado pelo Jornal de Angola.

Entre as actividades a decorrerem naquela cidade do Leste do país, destacam-se a construção da “Manta da Paz”, com as crianças do Lar de Acolhimento Ana Jeto, a execução de pinturas de murais, em pontos estratégicos da cidade do Luena, feiras de pinturas em espaços públicos com bastante afluência de pessoas, entre outras.

O evento conta com o apoio institucional do Governo Provincial do Moxico que assegura a logística e segurança, permitindo que a UNAP-Moxico conduza as actividades com plena eficácia. In “O País” - Angola


Portugal - Instituto Português do Mar e da Atmosfera concluí formação na Guiné-Bissau

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) concluiu com êxito o primeiro curso do plano de formação externa na CPLP de 2026, intitulado “Redes de Dados: Fundamentos da Amostragem da Biodiversidade Marinha”, realizado em parceria com a Universidade Lusófona da Guiné-Bissau (ULGB) e o Instituto Marítimo Portuário da Guiné-Bissau, entre os dias 27 de março e 2 de abril de 2026.


A formação, com 27 horas de duração, foi ministrada pela investigadora da Divisão de Modelação e Gestão de Recursos de Pesca (DivRP) do IPMA, Manuela de Oliveira, e decorreu nas instalações da ULGB.

A iniciativa reuniu 97 participantes — 54 presenciais e 43 online — provenientes de Cabo Verde, Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe.

Entre as entidades representadas estiveram:

•    Instituto Marítimo Portuário e Ministério da Defesa Nacional da Guiné-Bissau

•    Ministério da Agricultura e Ambiente, Inspeção Geral das Pescas, Direção Nacional de Pesca e Aquacultura, Direção Nacional de Política do Mar e Centro de Operações de Segurança Marítima de Cabo Verde

•    Instituto Oceanográfico de Moçambique

•    Ministério da Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural e Pescas e Instituto Nacional de Desenvolvimento da Pesca e Aquacultura de São Tomé e Príncipe e

•    Instituto Nacional de Investigação Pesqueira de Angola

Com uma forte componente prática, o curso permitiu reforçar capacidades técnicas e consolidar redes de colaboração científica entre profissionais dos diferentes setores e atividades representados.

Com este curso, o IPMA reforça a sua missão de promover o conhecimento em língua portuguesa, contribuindo para o desenvolvimento de competências e a promoção de uma gestão sustentável dos recursos marinhos no espaço lusófono.

O encerramento do curso contou com a presença do Excelentíssimo Senhor Reitor da ULGB - Professor Doutor Rui Jandi, do Sr. Administrador da ULGB - Engº Luís Colaço, do Presidente do Conselho de Administração do Instituto Marítimo Portuário da Guiné-Bissau - Mestre Gualdino Té, do capitão dos Portos da Guiné-Bissau - Engº Franklin Mendes e do CMD Boaventura Djassi, Director da Direcção Geral de Política de Defesa Nacional.

Mais informações sobre o Plano de Formação Externa do IPMA aqui. Instituto Português do Mar e da Atmosfera - Portugal


domingo, 5 de abril de 2026

Dinamarca - Arqueólogos marinhos descobrem navio de guerra destruído pela frota de Nelson há 225 anos

Arqueólogos marinhos estão a correr contra o tempo para escavar os destroços do navio-almirante Dannebroge antes do início da construção de um enorme projeto habitacional que ocupará o local


Mais de dois séculos depois de ter sido destruído pela frota do Almirante Horatio Nelson, um navio de guerra dinamarquês perdido numa das batalhas navais mais brutais da Europa ressurgiu - não em lendas, mas sob as águas turvas do porto de Copenhague.

Trabalhando em sedimentos espessos e com visibilidade quase nula a 15 metros (49 pés) abaixo das ondas, mergulhadores estão numa corrida contra o tempo para desenterrar os destroços do Dannebroge, do século XIX, antes que se tornem um canteiro de obras num novo bairro residencial que está a ser construído na costa dinamarquesa.

O Museu dos Navios Vikings da Dinamarca, que lidera as escavações subaquáticas que duram meses, anunciou as suas descobertas 225 anos após a Batalha de Copenhague, em 1801.

"É uma parte importante do sentimento nacional dinamarquês", disse Morten Johansen, chefe de arqueologia marítima do museu.

A batalha que nos ensinou a "fechar os olhos"

Em abril de 1801, a frota britânica de Nelson atacou a marinha dinamarquesa enquanto esta formava um bloqueio defensivo nos arredores do porto de Copenhague. O confronto durou horas e deixou milhares de mortos e feridos, tornando-se uma das vitórias mais famosas de Nelson. O ataque visava romper a aliança da Dinamarca com as potências do norte da Europa, incluindo Rússia, Prússia e Suécia.

Na Batalha de Copenhague, Nelson e a frota britânica atacaram e derrotaram a marinha dinamarquesa enquanto esta formava um bloqueio protetor na entrada do porto.

Milhares de pessoas morreram e ficaram feridas durante o brutal confronto naval que durou horas e é considerado uma das "grandes batalhas" de Nelson. O objetivo era forçar a Dinamarca a sair de uma aliança de potências do norte da Europa, incluindo Rússia, Prússia e Suécia.

No centro dos combates estava o navio-almirante dinamarquês, o Dannebroge, comandado pelo Comodoro Olfert Fischer. O Dannebroge, com 48 metros de comprimento, era o principal alvo de Nelson. O fogo dos canhões atravessou seu convés superior antes que projéteis incendiários provocassem um incêndio a bordo.

"Estar a bordo de um desses navios era um pesadelo", disse Johansen. "Quando uma bala de canhão atinge um navio, não é a bala em si que causa mais danos à tripulação, mas sim os estilhaços de madeira que voam por toda a parte, muito parecido com os destroços de uma granada."

Acredita-se também que a batalha tenha inspirado a expressão "fazer vista grossa". Após decidir ignorar o sinal de um superior, Nelson, que havia perdido a visão do olho direito, teria comentado: "Eu só tenho um olho, tenho o direito de ficar cego às vezes."

Nelson acabou por oferecer uma trégua e um cessar-fogo foi posteriormente acordado com o príncipe herdeiro da Dinamarca, Frederik. O navio Dannebroge, atingido, derivou lentamente para norte e explodiu. Os registos dizem que o som criou um estrondo ensurdecedor em Copenhaga.

Escavando a história na escuridão total

Agora, fragmentos daquele momento estão emergindo do fundo do mar: canhões, uniformes, insígnias, sapatos, garrafas - e até mesmo parte da mandíbula inferior de um marinheiro, possivelmente pertencente a um dos 19 tripulantes que nunca foram encontrados após a batalha.

Mas a escavação enfrenta um prazo incomum. O naufrágio está localizado dentro do futuro sítio de Lynetteholm, um ambicioso megaprojeto de ilha artificial e habitação com conclusão prevista para 2070.

Arqueólogos marinhos começaram a pesquisar a área no final do ano passado, visando um local que se acredita corresponder à posição final do navio-almirante.

Especialistas afirmam que as dimensões das peças de madeira encontradas correspondem a desenhos antigos. A datação dendrocronológica, método que utiliza os anéis de crescimento das árvores para determinar a idade da madeira, coincide com o ano de construção do navio. Eles também dizem que o sítio arqueológico escuro está repleto de balas de canhão, um perigo para mergulhadores que navegam em águas turvas por nuvens de lodo levantadas do fundo do mar.

"Às vezes você não consegue ver nada, e aí você realmente tem que tatear, olhar com os dedos em vez de com os olhos", disse a mergulhadora e arqueóloga marítima Marie Jonsson.

Os arqueólogos esperam que as suas descobertas possam ajudar a reexaminar o evento que moldou o país escandinavo e talvez revelar histórias pessoais daqueles que foram para a batalha naquele dia, há 225 anos. Euronews.culture


Mar de mares










Mar de mares

 

Dentro da memória se guarda o amor

silencioso das cinzas. Um mar secreto

que nos invade em insistentes dobras

do tempo. Provo de tua imortalidade,

um cinema tecido entregue a orações:

dá-me teu amor, oh dá-me teu amor.

Lembra-me o poeta que a dor não

passa de um minuto. Nada se iguala

ao vento de tua voz, festa de sombras.

Outro corpo que se esboça em plena dor.

Capela severa do mar dentro da qual

escrevemos e os versos nunca retornam.

Secreto vínculo com o destino — oh dá-me —

que não se encontra nunca em casa.

 

Floriano Martins – Brasil

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Nascido em Fortaleza, no Ceará, onde vive, Floriano Martins (1957), registrado Floriano Benevides Jr., poeta, editor, ensaísta, artista plástico e tradutor, tem se dedicado, em particular, ao estudo da literatura hispano-americana, sobretudo no que diz respeito à poesia. Foi editor do jornal Resto do Mundo (1988/89) e da revista Xilo (1999). Em janeiro de 2001, criou o projeto Banda Hispânica, banco de dados permanente sobre poesia de língua espanhola, de circulação virtual, integrado ao Jornal de Poesia.

São de sua autoria também o projeto Atlas Lírico da América Hispânica, tradução de poesia, que realiza nas páginas virtuais da revista Acrobata, do Piauí; e a Coleção Livros Impossíveis, e-books distribuídos gratuitamente, em parceria com a poeta salvadorenha Juana M. Ramos.

Em 1999, criou a Agulha Revista de Cultura e o selo ARC Edições, com mais de uma centena de livros publicados de autores de diversos países. Um dos maiores estudiosos do Surrealismo na América, é autor de dois livros de ensaios nessa área: Um novo continente – Poesia e Surrealismo na América (Fortaleza, ARC Edições, 2016) e Escritura conquistada – Poesia hispano-americana (Fortaleza, ARC Edições, 2018).

Entre as suas obras mais recentes, destacam-se: Sombras no jardim (Natal-RN, Sol Negro Edições, 2023); Tríptico da agonia, em parceria com Berta Lucía Estrada (Natal, Sol Negro Edições, 2021); A grande obra da carne (Fortaleza, ARC Edições, 2017); Un poco más de Surrealismo no hará ningún daño a la realidad (ensaio, Universidad Autónoma de la Ciudad de México, 2015); Antes que a árvore se feche (Fortaleza, ARC Edições, 2020); Naufrágios do tempo, novela, em parceria com Berta Lucía Estrada (Fortaleza, ARC Edições, 2020); El frutero de los sueños (poesia, Wilmington, EUA, Generis Publishing, 1997), e A volta da baleia Beluxa (Fortaleza, ARC Edições, 2017-2020), também em co-autoria com Zuca Sardan. Com Leontino Filho, organizou Confissões de um espelho: Cruzeiro Seixas (Fortaleza, ARC Edições, 2016).

Traduziu livros de César Moro (1903-1956), Federico García Lorca (1898-1936), Guillermo Cabrera Infante (1929-2005), Vicente Huidobro (1893-1948), Enrique Molina (1910-1997), Jorge Luis Borges (1899-1986), Aldo Pellegrini (1903-1973) e Pablo Antonio Cuadra (1912-2002), entre outros autores espanhóis e hispano-americanos. 

Esteve presente em festivais literários realizados em países como Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Equador, Espanha, México, Nicarágua, Panamá, Portugal e Venezuela. Foi curador da Bienal Internacional do Livro do Ceará (Brasil, 2008) e membro do júri do Prêmio Casa de las Américas (Cuba, 2009), do Concurso Nacional de Poesia (Venezuela, 2010) e do Prêmio Anual da Fundação Biblioteca Nacional (Brasil, 2015). Atuou, em 2010, como professor convidado da Universidade de Cincinnati, em Ohio, Estados Unidos. Adelto Gonçalves - Brasil

 

Fruto do tempo


 








Vamos aprender português, cantando

 

Fruto do tempo

 

A saudade tem que compensar

pois já é tarde e todo mundo sabe

que o amor selvagem é sonho ao acordar

é crua a realidade, que o conto é bobagem

cansativa a passagem, minha alma é só metade

núpcia sem altar

 

Impiedoso sofrimento, silenciosa dor

agora, por fruto do tempo, já não existe amor

é o fracasso da esperança e do ato de ser

a vida fica na lembrança, pra só matar e morrer

 

Impiedoso sofrimento, silênciosa dor

agora, por fruto do tempo, já não existe amor

é o fracasso da esperança e do ato de ser

a vida fica na lembrança, pra só matar e morrer

 

A maldade pode compensar e tudo é parte, o peso, a dor do quase

dureza e fragilidade, rir e chorar

mentira e verdade, busca da felicidade

ter medo que acabe a falsa liberdade

sofrido caminhar, ah-ah-ah


Ah-ah-ah

 

Impiedoso sofrimento, silenciosa dor

e agora, por fruto do tempo, já não existe amor

é o fracasso da esperança e do ato de ser

a vida fica na lembrança, pra só matar e morrer

 

Impiedoso sofrimento, silenciosa dor

e agora, por fruto do tempo, já não existe amor

é o fracasso da esperança e do ato de ser

a vida fica na lembrança, pra só matar e morrer

 

Luísa Sonza - Brasil


sábado, 4 de abril de 2026

UCCLA - Assembleia Geral em Macau

A UCCLA realizará a sua XLIII Assembleia Geral, reunindo cidades e empresas membros, no dia 13 de abril de 2026, em Macau.


À margem da reunião, terá lugar, no dia 14 de abril, um Fórum Empresarial subordinado ao tema “Infraestruturas e Cidades Inteligentes”, a decorrer no Harbourview Hotel. Esta iniciativa visa promover o estabelecimento de contatos entre as diversas entidades e empresas participantes, reforçando a dinâmica económico-comercial da instituição, em linha com os objetivos definidos pelo Secretário-Geral da UCCLA, Luís Álvaro Campos Ferreira, no início do seu mandato.

Ainda no âmbito das atividades paralelas à da Assembleia Geral da UCCLA, será oferecido às autoridades municipais de Macau um busto de Luís de Camões, símbolo do elo comum e duradouro entre as cidades e instituições membros da UCCLA de língua portuguesa. A obra, da autoria de Diogo Munõz, é patrocinada pela Comissão para as Comemorações do V Centenário de Luís de Camões e o pedestal do busto será uma oferta da China Construction Engineering (Macau) Company Limited.

Importa ainda destacar que as entidades municipais de Macau organizaram um programa diversificado de visitas técnicas e turísticas, proporcionando aos participantes um melhor conhecimento da região.

Programa do Fórum Empresarial aqui.