Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 21 de julho de 2026

UCCLA - Lançamento do livro “Se a terra pudesse falar - Memórias de um tempo - Timor” de Luís Costa

Vai ter no dia 31 de julho, às 16h30, o lançamento do livro Se a terra pudesse falar - Memórias de um tempo - Timor da autoria de Luís Costa, no auditório da UCCLA.

A obra será apresentada pela Professora Lúcia Soares.

O lançamento do livro será transmitido, em direto, através da página do Facebook da UCCLA em:

https://www.facebook.com/UniaodasCidadesCapitaisLinguaPortuguesa


Sinopse:

(O tempo timorense)

Escrevo com intenção de perpetuar a glória de um povo que soube organizar-se para resistir, sob todas as formas, à agressão indonésia e manter, nas montanhas, uma guerrilha que, de armas na mão, procurou manter viva a chama do direito à autodeterminação.

Escrevo com intenção de refletir sobre os atos realizados, a fim de não sacrificar mais este martirizado povo e com vontade de contribuir para a felicidade do povo de Timor-Leste.

Escrevo com intenção de ajudar a comunidade timorense, na diáspora, a desenvolver e manter viva a sua identidade cultural e histórica. Escrevo para divulgar a situação em Timor, e a sua cultura, alertando a opinião pública para o drama do povo e para os crimes de genocídio físico e cultural que a Indonésia está a perpetrar no território de Timor. Escrevo para afirmar que o sofrimento e a morte nunca hão de destruir a vontade do povo que quer consolidar a sua identidade. Escrevo para afirmar que nenhum sistema, político e social, poderá fazer desaparecer Timor, como Nação.

Rendo homenagem à Fretilin que, durante os anos mais difíceis da sua luta, soube politizar o povo para que não se deixasse subjugar e soubesse organizar os gloriosos guerrilheiros para resistir à agressão indonésia.

Reconheço os erros dos membros da Fretilin. Reconheço os abusos praticados por alguns responsáveis, menos conscientes, e por elementos das Falintil que, no ambiente de euforia, esquecerem-se das suas responsabilidades. Mas a eficácia das ações realizadas pela Fretilin ultrapassou, de longe, os reveses de momento.

Em poucos meses de existência como partido que lutou por um ideal e como partido que governou o território, a Fretilin soube incutir o espírito crítico na mente de todos; a Fretilin e só a Fretilin é que criou condições para a vitória final - a libertação.

Presto louvor à Igreja Católica de Timor-Leste que mantém a sua vontade de lutar pela liberdade de um povo e não se cansa nem se intimida, apesar das ameaças, em proclamar que Timor é para os timorenses.

Este manuscrito tem muitas falhas referentes a nomes de pessoas com quem trabalhei, convivi e sofri nas montanhas, referentes a lugares por onde passei e por onde passámos. Pois, os primeiros apontamentos foram queimados em Kasohan em 1979, o segundo foi desfeito por mim em Díli antes de sair para Jakarta, e este é o resultado duma terceira tentativa que pode ser traída pela memória. A todos com quem convivi e partilhei alegrias e tristezas peço compreensão, mas fica para sempre a amizade e carinho de quem muito vos estima e de vocês guarda recordações inesquecíveis.

Biografia:

Luís Costa nasceu a 13 de dezembro de 1945, em Fatu-Berliu, Timor. Iniciou os estudos no Colégio de Soibada e prosseguiu o ensino secundário em Dare. Mais tarde, frequentou cursos de Filosofia e Humanidades em Macau e Évora, concluindo Teologia em Leiria.

Em novembro de 1974 regressou a Timor, onde trabalhou na missão de Ossú. Com a invasão de 1975, refugiou-se nas montanhas, permanecendo ali até abril de 1979. Após o regresso a Díli, ensinou no Externato de São José e, em 1980, traduziu para tétum o Missal Romano, incluindo orações e leituras.

Em novembro de 1983 mudou-se para Portugal, onde participou ativamente na divulgação da resistência timorense. Frequentou cursos de fonética e morfologia, e dedicou-se à pesquisa e ensino da língua e cultura de Timor-Leste.

Professor, investigador e autor, Luís Costa tem sido uma figura fundamental na preservação da língua tétum e na formação de jovens timorenses, tanto em Timor como em Portugal. Como atividades paralelas, Luís Costa ajuda na preparação de professores e cooperantes para melhor compreender a história, cultura e sociedade de Timor-Leste, e dá apoio a estudantes timorenses na elaboração de monografias e pesquisas universitárias.

Bibliografia: Dicionário Tétum-Português (2000); Guia de Conversação Português-Tétum (2001); Língua Tétum: Contributos para uma Gramática (2015); Ué-Lenas: Lenda (2016); e, em preparação, Dicionário Português-Tétum e Timor Lorosa’e (monografia).


Moçambique - Obedes Lobadias lança programa de formação em declamação de poesia

O declamador, escritor e dinamizador cultural, Obedes Lobadias, lança o WORD – Workshop de Declamação de Poesia, uma iniciativa de formação artística concebida para o desenvolvimento técnico, interpretativo e performativo de declamadores e demais interessados na arte de dar voz, alma e vida à palavra.


Nesta fase inaugural, o projecto realiza duas edições consecutivas, nas cidades de Maputo e Xai-Xai, marcando o início de um programa que se fundamenta na convicção de que a declamação constitui uma importante expressão artística e um poderoso instrumento de promoção da literatura, da leitura, da oralidade e da sensibilidade humana, fortalecendo, simultaneamente, a capacidade de comunicação e afirmando-se como um activo estratégico para o fortalecimento das indústrias culturais e criativas e para o desenvolvimento humano, educativo, cultural, social e cívico. Mais do que uma oficina artística, assume-se como uma ferramenta de construção, crescimento e transformação.

A edição de Xai-Xai representa o compromisso do projecto com a descentralização das oportunidades de formação artística de qualidade, promovendo a partilha de conhecimentos, o intercâmbio de experiências e a valorização de novos talentos, numa abordagem predominantemente prática, criativa e transformadora.

O programa privilegia a prática, a experimentação e a reflexão crítica, proporcionando aos participantes ferramentas técnicas e criativas para o aperfeiçoamento das suas competências expressivas e performativas.

O WORD é orientado por Obedes Lobadias, destacado declamador de poesia em Moçambique. É também escritor, activista, director artístico e dinamizador cultural, com experiência significativa na concepção, curadoria, produção e gestão de eventos. Integra regularmente júris de concursos de declamação de poesia e é co-fundador do Declamatório, do sarau cultural “Ao vivo & em verso” e de outros projectos de diferentes áreas de intervenção. Corredor Nacional - Moçambique


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Centro de Estudos Internacionais Iscte – Convite para assistir à exibição do filme "A Bem da Nação" no Museu do Aljube

No âmbito do projeto "Memórias da Resistência: A luta armada contra a ditadura em Portugal", da investigadora Raquel Beleza da Silva, financiado pela FCT e pela Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, convidamo-lo(a) para a sessão do filme "A Bem da Nação: Um filme em construção", de Miguel Dores, apresentada pelo coletivo Maus da Fita.

A apresentação terá lugar no próximo 28 de julho, às 18h00, no Museu do Aljube. A sessão é de entrada livre, sujeita à lotação do espaço.


Sinopse

Após a eleição fraudulenta de Américo Tomás em 1958, e a fuga de Humberto Delgado, Portugal vive uma tempestade silenciosa. A frustração da via democrática e o esforço de guerra em África tornarão os anos 60 em Portugal um período de grande convulsão. 50 anos após a Revolução dos Cravos, A BEM DA NAÇÃO retorna à memória deste período telúrico e insurrecional, a partir das vozes dos operacionais da LUAR (Liga de Unidade e Ação Revolucionária), ARA (Ação Revolucionária Armada) e BR (Brigadas Revolucionárias). Centro de Estudos Internacionais Iscte - Portugal


O percurso de Bocage na Maçonaria

Em obra de pesquisa, historiador Jorge Morais descreve também a gênese e a evolução da ordem maçônica em Portugal à época do Iluminismo

                                                                                                     

                                                            I

A trajetória do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805) nas sendas da Maçonaria, à falta de maior abundância de documentos nos arquivos, tem sido tratada com certa brevidade nas biografias que foram escritas até aqui, inclusive naquela que este articulista escreveu. Só por isso se mostra a importância de Bocagearauto do Iluminismo – o “Irmão Lucrécio” da Loja Fortaleza e a aurora das Luzes em Portugal (Lisboa, Âncora Editora, 2026), obra em que o jornalista e historiador Jorge Morais procura revisitar a figura do vate para além da imagem popularizada ao longo dos séculos, marcada apenas pelo seu lado pícaro, estroina e boêmio, uma visão que, como bem diz o autor, é redutora e incompleta.

Ou seja, nesta obra o leitor irá encontrar um Bocage menos conhecido, ligado às correntes iluministas que chegaram a Portugal ao final do século XVIII, uma faceta ainda pouco divulgada, exatamente em função da ausência de documentação que pudesse indicar o caminho traçado por ele em lojas maçônicas. Como se sabe, para evitar que seus seguidores pudessem ser reconhecidos e perseguidos pelo Santo Ofício ou mesmo pelo poder político à época, as lojas maçônicas procuraram evitar deixar vestígios que pudessem comprometer seus seguidores.

Para Morais, Bocage teria sido o principal arauto do Iluminismo em Portugal, pois defendia ideias como o cientificismo, o experimentalismo e outros valores associados à Revolução Francesa (1789), como liberdade, igualdade e fraternidade. Só que não foram estes valores que ficaram para a História a respeito do poeta, mas, sim, uma imagem distorcida em que se dava ênfase a versos pornográficos e chocarreiros, alguns até inventados por outrem e atribuídos a ele.

Na verdade, Morais já havia dado um passo inicial nessa busca da trajetória maçônica com o livro Bocage Maçon (Lisboa, Via Occidentalis, 2007), que obteve o Prêmio Bocage de Ensaio em 2006, em que esboçou “uma interpretação ilativa sobre a mensagem crítica da obra do poeta, ensaiando com isso uma aproximação ao tema, escassamente estudado”, como observa no capítulo inicial. De fato, como ressalta, o que havia eram “múltiplas referências soltas, aqui e ali encontradas em obras gerais, muitas toldadas pela imprecisão”.

Por isso, à falta de documentos precursores mais precisos, procurou elaborar “um roteiro bibliográfico” sobre o percurso do “irmão Lucrécio”, nome simbólico que Bocage utilizara na loja Fortaleza, entre o final do século XVIII e o início do século XIX. E o que se lê é um estudo aprofundado sobre a Maçonaria nos tempos de Bocage, bem como se desfruta de uma leitura crítica do processo maçônico em Portugal dentro do movimento iluminista europeu.

 

                                           II

Como não há vestígios dos seus primeiros registros na ordem maçônica (e, portanto, não se conhece o ano de sua iniciação) e tampouco de sua possível progressão nos graus simbólicos e até mesmo se exerceu algum cargo ritual, para tentar deixar claro que houve essa progressão, o pesquisador argumenta que a própria obra poética de Bocage é a evidência mais eloquente de sua iniciação, pois seus versos estão recheados de remissões ao ideário maçônico. Para tanto, evoca várias composições em que o poeta faz “referências explícitas a valores exaltados pelos pedreiros-livres e genericamente corroborados pelo Cristianismo”. Sem contar que, como diz Morais, Bocage, em sua obra poética, faz inúmeras referências encomiásticas aos irmãos da Maçonaria.

Além disso, observa, na Lisboa do último quartel do século XVIII, o Dicionário Filosófico, do escritor, filósofo e historiador francês François-Marie Arouet (1694-1778), mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire, funcionava como uma verdadeira “bíblia iluminista”, que circulava clandestinamente entre os intelectuais que frequentavam os cafés do Cais do Sodré e do Rossio, apesar de proibido pelas autoridades. “Muitas das formulações desenvolvidas na prosa de Voltaire vamos encontrá-las, em verso rimado, na obra poética de Manuel Maria Barbosa du Bocage”, conclui na abertura de apêndice em que expõe vários excertos do pensamento voltaireano.

Como nada resta dos arquivos do Grande Oriente Lusitano, toda a documentação coeva sobre a participação do poeta na Loja Fortaleza é aquela que consta dos processos inquisitoriais e nos testemunhos dos contemporâneos, que foram levantados pelo historiador A. H. de Oliveira Marques e que estão em sua História da Maçonaria em Portugal (Das Origens ao Triunfo), vol. I (Lisboa, Editorial Presença, 1990). Com base na obra de Oliveira Marques, o biógrafo diz que, em 1802, Bocage pode ser dado como obreiro certo da Loja Fortaleza, já que nos registros da Inquisição aparece como “solteiro” e “escritor”, com a idade de 37 anos.

Morais observa que seria improvável que Bocage tenha figurado nos quadros maçônicos antes de seu regresso a Lisboa em agosto de 1790, embora já viesse assolado com as ideias do Iluminismo europeu. Mas quatro anos mais tarde já se constata Bocage mal visto pelo pensamento tradicionalista português, especialmente defendido pelo padre José Agostinho de Macedo (1761-1831), a princípio seu amigo, mas depois feroz algoz.

Como resultado dessas contendas com o padre, o poeta seria detido a mando do intendente-geral da Polícia, Diogo Inácio de Pina Manique (1733-1805), a 7 de agosto de 1797, em razão de um poema dedicado à invasão dos Estados Pontifícios pelas tropas do imperador francês Napoleão Bonaparte (1769-1821). Ficaria três meses numa cela na prisão do Limoeiro e, a 14 de novembro, seria entregue ao Santo Ofício, que, em 17 de fevereiro de 1798, haveria de condená-lo a fazer um curso de “doutrinação” no Mosteiro de São Bento, onde ficaria até 24 de março do ano seguinte. Em seguida, seria repassado ao Real Hospício de Nossa Senhora das Necessidades para receber mais “doutrinação”. Por fim, nove meses depois, a 31 de dezembro de 1798, receberia ordem de soltura do intendente Pina Manique. Provavelmente, foi entre 1795 e agosto de 1797 que Bocage se iniciou na Loja Fortaleza, em Lisboa.

 

                                                  III

Morais observa, porém, que o historiador Daniel Pires, grande biógrafo de Bocage, acredita que o poeta tenha se tornado maçom logo após o seu retorno ao Reino em agosto de 1790 ou no ano seguinte, “podendo mesmo atribuir-se-lhe a tradução dos catecismos utilizados nas sessões da Ordem e nas iniciações”, como consta em sua obra Bocage ou o Elogio da Inquietude (Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2019), à página 384.  Pires baseia-se no fato de que, desde aquele tempo, Bocage teria uma relação de amizade com alguns dos mais ativos maçons da época. Mas, segundo Morais, “sem prejuízo de ajudas pessoais que haja recebido dos irmãos, não se encontra evidência de qualquer plano especial de proteção que ele, como figura pública, tenha solicitado ou lhe tenha sido proporcionado pela Ordem Maçônica”.

A maior evidência da filiação de Bocage à seita maçônica seria uma denúncia que chegou aos ouvidos do Tribunal do Santo Ofício e da Intendência de Polícia, em novembro de 1802, pela indiscrição do frade franciscano António da Mãe de Deus que traiu o segredo sacramental ao comentar publicamente que uma jovem paroquiana lhe havia revelado, em confissão, que detectara três indivíduos fazendo comentários sobre temas maçônicos, um deles Bocage. Por essa denúncia, porém, o poeta nunca chegaria a ser convocado aos Estaus, o edifício onde funcionava o Tribunal do Santo Ofício.

Enfim, como diz no prefácio o jornalista, investigador e olisipógrafo António Valdemar, “eis o verdadeiro Bocage reabilitado por Jorge Morais, tão diferente do ímpio, do sacrílego, do blasfemo, que passou à posteridade com imagem deturpada do ateu e marginal incorrigível”. Para Valdemar, este trabalho de Jorge Morais, “para além do processo iniciático de Bocage, descreve a gênese e evolução da Maçonaria em Portugal, no quadro do Iluminismo que se acentua, em múltiplos setores, na transição do século XVIII para o século XIX”.

 

                                                            IV



Jorge Morais (1955), jornalista aposentado, dedica-se à investigação historiográfica e à escrita ensaística. Tem obra publicada no âmbito dos Estudos Ingleses e da História Social e Política portuguesa. É autor de Com permissão de Sua Majestade (Lisboa, Via Occidentalis, 2005), ensaio sobre a participação da família real inglesa e da Maçonaria no 5 de Outubro, data que assinala a implantação da República em Portugal, em 1910, quando uma revolução civil-militar destituiu a monarquia constitucional; e Regicídio, a contagem decrescente (Lisboa, Edições Zéfiro, 2007), investigação sobre a preparação do assassinato do rei d. Carlos (1863-1908) e do príncipe real Luís Filipe (1887-1908), seu herdeiro.

Publicou também Rua do Ácido Sulfúricopatrões e operários: um olhar sobre a CUF no Barreiro (Lisboa, Editorial Bizâncio, 2008), ensaio sobre as políticas sociais da Companhia União Fabril – 1907-1974; Os últimos dias da Monarquia  (Lisboa, Edições Zéfiro, 2009), ensaio sobre o Pacto Liberal de 1908 e o reinado de d. Manuel II (1889-1932); As Obras de Misericórdia (Lisboa, Editoras Texto Principal, 2011), ensaio sobre as origens históricas e os fundamentos míticos, teológicos e doutrinários das 14 Obras de Misericórdia; e A oposição ao Estado Novo na encruzilhada colonial (Lisboa, Âncora Editora, 2024), estudo sobre a evolução do pensamento colonial republicano e socialista – 1910-1974.  Escreveu também “Memórias do Absurdo, estudo sobre os últimos dias do Estado Português da Índia, em introdução à obra Enquanto se esperam as naus do Reino, de João Aranha (Lisboa, Editora Esfera do Caos, 2008). Adelto Gonçalves - Brasil

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Bocage – arauto do Iluminismo – O “Irmão Lucrécio” da Loja Fortaleza e a aurora das Luzes em Portugal, de Jorge Morais, com prefácio de António Valdemar. Lisboa, Âncora Editora, 15 euros, 158 páginas, 2026. Site da editora: www.ancora-editora.pt E-mail: geral@ancora-editora.pt

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Adelto Gonçalves (1951), jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; LetraSelvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

 


Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde descobre como o cancro do estômago convence a gordura a alimentá-lo

Estudo abre caminho ao desenvolvimento de terapias capazes de bloquear a troca de mensagens entre as células tumorais e as células do tecido adiposo


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificou uma nova forma de comunicação entre as células do cancro do estômago e as células do tecido adiposo, isto é, as células de gordura. Os resultados do estudo, publicados na revista Extracellular Vesicles and Circulating Nucleic Acids, mostram como esta interação pode ser responsável pelo fornecimento de energia às células tumorais, favorecendo a progressão da doença.

“Sabe-se que as células cancerígenas comunicam constantemente com os tecidos à sua volta, criando condições que favorecem o desenvolvimento da doença”, explica Celso Reis, coordenador do grupo de investigação do i3S Glycobiology in Cancer. No entanto, existem ainda muitas perguntas por responder sobre como essa comunicação acontece.

Neste estudo, os investigadores analisaram células de cancro do estômago que apresentam à superfície uma molécula de açúcar chamada sialyl-Tn (STn), frequentemente encontrada em tumores mais agressivos. “Verificámos que estas células libertam pequenas partículas, conhecidas como vesículas extracelulares, que funcionam como «mensagens» enviadas para outras células do organismo”, refere Daniela Freitas, investigadora do i3S e coordenadora do estudo. Quando estas partículas chegam às células de gordura, provocam alterações no seu funcionamento. Como resultado, o tecido adiposo começa a libertar mais ácidos gordos, moléculas ricas em energia que podem ser aproveitadas pelas células tumorais.

“Observámos que as células cancerígenas conseguem adaptar-se para utilizar essa gordura como combustível. Ao terem acesso a esta fonte adicional de energia, tornam-se mais móveis e podem ganhar uma maior capacidade de invadir os tecidos vizinhos”, sublinha Cátia Ramos, primeira autora do estudo.

O trabalho identificou ainda a molécula STn como um elemento central neste processo de comunicação. Esta descoberta, garantem os investigadores do i3S, poderá abrir caminho ao desenvolvimento de novas terapias capazes de bloquear a troca de mensagens entre as células cancerígenas e as células de gordura, dificultando o acesso do tumor a esta fonte de energia.

Além do seu potencial impacto no controlo da progressão do cancro, esta investigação poderá também contribuir para combater problemas frequentemente associados à doença, como a perda acentuada de peso, de massa muscular e de gordura corporal, afetando de forma significativa a qualidade de vida e a sobrevivência dos doentes com cancro.

Ao revelar esta nova forma de interação entre o tumor e os tecidos que o rodeiam, o trabalho do i3S reforça a importância de compreender não apenas as células cancerígenas, mas também o ambiente em que estas se desenvolvem. Universidade do Porto - Portugal

 


Brasil - Morreu Celso Lungaretti, o náufrago da utopia

Morreu o Celso Lungaretti, combatente contra a ditadura militar. Como defini num texto aqui recentemente publicado – Celso personificava o Náufrago da Utopia, seu blog e seu livro. Apesar da distância, éramos amigos e trocávamos textos publicados ou a publicar. Deixo registrada minha tristeza e peço para distribuir para seus amigos jornalistas e companheiros que lutaram e lutam contra as ditaduras.


Celso carregava sequelas das torturas. Uma delas estava nos joelhos. Num último whatsapp, retomando a conversa interrompida, me disse – “caí, querem me levar ao hospital”. Tinha quebrado o fêmur, foi operado, ficou muitos dias mal sem se recuperar. Sentindo que viria o pior, publiquei meu texto em homenagem, que convido para ler ou reler, clicando na ligação. Mais um combatente que se vai… Rui Martins – Suíça

Artigo de Celso Lungaretti publicado no:Observatório da Imprensa

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Rui Martins – Direto da Suiça – é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI



 

 

domingo, 19 de julho de 2026

Portugal - David Levy Lima e Yuran Henrique representam Cabo Verde em exposição dos 30 anos da CPLP

Lisboa – Os artistas plásticos cabo-verdianos David Levy Lima e Yuran Henrique participam na exposição “CPLP: 30 anos de arte compartilhada”, inaugurada em Lisboa, no âmbito das comemorações do 30.º aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).


A mostra, organizada pela CPLP em parceria com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.), reúne 14 obras de artistas dos nove Estados-membros da comunidade, propondo um diálogo entre diferentes linguagens e sensibilidade artísticas do espaço lusófono.

David Levy Lima participa com a obra “Nôs Mar” (2025), um óleo sobre tela de 140X100 centímetros (cm), enquanto Yuran Henrique apresenta “Kabra” (2022), um acrílico sobre papel 59X42 cm.

Segundo a organização, a exposição pretende assinalar os 30 anos da CPLP sob lema “CPLP 30 Anos: Unidade na Diversidade, Uma Comunidade para os Povos”, através da criação artísticas.

A exposição estará patente na sede do Camões,I.P., em Lisboa, até 31 de Julho.

As comemorações do 30.º aniversário da CPLP, iniciadas em Janeiro e que se prolongam até 2027, incluem ainda conferências, concertos, debates e outras actividades culturais e institucionais em Lisboa, sede da CPLP, e nos Estados-membros, assinalando os 30 anos da organização.

A CPLP, fundada em 17 de Julho de 1996, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Inforpress” – Cabo Verde