Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 26 de maio de 2026

Moçambique - Sara Jona Laisse lança “Fronteiras Literárias” na cidade de Maputo

Terá lugar na próxima Quinta-feira, dia 28 de Maio, às 17h45, na biblioteca do Camões — Centro Cultural Português em Maputo, o lançamento do livro Entre Fronteiras Literárias e Outros Textos, a mais recente obra da ensaísta e docente moçambicana Sara Jona Laisse. A apresentação oficial estará a cargo do Professor Cristiano Matsinhe.


Dividida em duas partes que totalizam 36 artigos distribuídos por mais de 200 páginas, a obra propõe um diálogo cru e sem tabus sobre a construção da identidade, os desafios das minorias e o papel da literatura na desconstrução de estigmas sociais. Enquanto a primeira secção mergulha nas sinuosidades das relações humanas e nas ambiguidades do quotidiano, a segunda metade do volume actua como uma cartografia crítica, na qual a autora estabelece pontes intertextuais com grandes referências da literatura nacional, de Luís Bernardo Honwana a novos escritores contemporâneos.

De acordo com Pedro Pereira Lopes, editor da Gala-Gala, este volume de ensaios da professora Jona Laisse “faz uma cirurgia às nossas convenções identitárias e rasga as costuras do cânone literário para nos devolver um Moçambique cru, urgente e despido de disfarces”.

Entre Fronteiras Literárias e Outros Textos saí pela estampa da Gala-Gala Edições e integra a colecção “Nossa gente, nossas línguas”.

Sobre a autora

Sara Jona Laisse é ensaísta no campo da literatura e da cultura moçambicana. Doutorada em Literaturas e Culturas em Língua Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa (2015), é docente na Universidade Católica de Moçambique. Colabora no jornal digital 7 Margens e faz parte do conselho editorial de revistas científicas moçambicanas e internacionais. A sua obra foca especialmente a preocupação em relação às culturas moçambicanas e à raridade de discussão sobre elas. É autora, de entre vários títulos, de Entre o Índico e o Atlântico: Ensaios Sobre Literatura e Outros Textos (2013), Entre Margens: Diálogo Intercultural e Outros Textos (2020), Moçambique, Margem Sul: Arte, Interculturalidade e Outros Textos (2022) e Moçambiquero-te: Literaturas, Culturas e Outros Textos (2024). In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Dia Mundial do Futebol expõe alcance universal da bola além dos 90 minutos

Desporto é o passe para o recomeço de jovens que escaparam da guerra e perseguição, os diplomatas da ONU entram em campo pela causa. O português é a segunda língua global da modalidade que une o mundo, Joshua Nascimento, filho do Rei Pelé, fala de ferramenta de inclusão e conexão cultural para além de outros entrevistados


Quando o assunto é unir o planeta e dar um gás nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, a bola mostra que rola mais rápido do que vários compromissos oficiais na ONU em Nova Iorque. Pelo globo, a festa do Dia Mundial do Futebol inclui a todos dentro e fora de campo.

Pelo 25 de maio, o fato, a gravata e a mesa de debate ficaram de parte até em certos eventos oficiais das Nações Unidas pela passagem da data celebrada desde a aprovação da resolução da Assembleia Geral da ONU, em 2024.

Muito além de um pretexto para convivência

Este ano, muitos adeptos estão de olho no Campeonato do Mundo e na taça Jules Rimet. Um momento em que a paixão por clubes locais se intensifica com a formação da Seleção de Futebol de cada país.

Segundo a ONU, o desporto ignora fronteiras geográficas, saldos bancários e diferenças culturais para ligar pontos distantes do mundo através de uma paixão juntando comunidades e impulsionando o orgulho nacional.

E quem entende bem essa sinergia é Joshua Nascimento, que carrega no sangue o orgulho de um DNA puramente genial: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, pai de Joshua.

“E esse Dia Mundial do Futebol, que é muito importante para mim, como filho de um atleta tão grande como o rei Pelé, e de um menino que cresceu ouvindo falar sobre futebol, jogando futebol, é muito importante para mim. Porque o futebol é um desporto que conecta pessoas de diferentes culturas, de diferentes países, línguas, e todos se comunicam igual e conseguem achar uma forma de jogar juntos e se divertir ou competir, se for no mais alto nível. E é uma forma que traz todos juntos por uma causa, que é o jogo, o beautiful game, como se diz em inglês.”

Centenário do primeiro torneio internacional

Por trás da celebração da bola está um marco: o centenário do primeiro torneio internacional de futebol com representação global, em 25 de maio de 1924. Foi nos Jogos Olímpicos de Verão em Paris onde nasceu a atual Taça do Mundo.

A genialidade do futebol está na sua simplicidade e acessibilidade, que faz dele uma ferramenta para promover saúde mental e bem-estar físico. Dentro e fora das quatro linhas, este desporto tem servido como uma plataforma vital para acelerar a igualdade de género e o empoderamento de mulheres e jovens.

O que é chamado catalisador de inclusão social dentro e fora do campo derruba barreiras para criar uma zona livre onde origens opostas se encontram para aprender sobre tolerância, respeito mútuo e solidariedade.



O Português é a segunda língua global do futebol

E muitos atuam nos bastidores do futebol, como o português Nuno Crisóstomo. O ex-funcionário do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lidera voluntários da Taça do Mundo da FIFA, nos Estados Unidos.

Sobre a paixão global, ele revela um detalhe: a segunda língua mais falada nos relvados.

“O português, neste momento, é a segunda língua global do futebol a seguir ao inglês. Não pelos jogadores, pelo número de jogadores brasileiros, portugueses e de outros países que falam a língua portuguesa, mas também pelos treinadores. Portanto, os técnicos que treinam os clubes. Neste momento, há cerca de 136 treinadores portugueses no estrangeiro. E penso que no Brasil, eu não tenho esses números, mas deve ser pelo menos 10 vezes mais.”

O enorme impacto move até o maior palco diplomático do mundo que teve de se curvar à majestade da bola. Para celebrar o marco histórico, a Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução carimbando o 25 de maio como o Dia Mundial do Futebol.”

Espaço inigualável para a cooperação humana

A resolução da Assembleia Geral que criou o Dia Mundial do Futebol reconhece “o alcance global do futebol e seu impacto em diversas esferas, incluindo comércio, paz e diplomacia, admitindo que o desporto cria um espaço inigualável para a cooperação humana.”

E se o futebol é património e identidade, o Brasil, que é pentacampeão em Taças do Mundo, tem um espaço que preserva e memórias. A diretora técnica do Museu do Futebol, Marília Bonas, faz o convite para quem quiser mergulhar nessa linha do tempo.

“O Museu do Futebol existe desde 2008 e a gente conta o porquê que o futebol é património brasileiro, porque que ele faz parte da nossa identidade. Então, a gente conta a história do Brasil pela história do futebol, desde a chegada do futebol na virada do Século 19 até aos dias de hoje, passando pela história do futebol feminino, das modalidades adaptadas do futebol indígena e toda essa diversidade de modalidades do futebol que fazem parte do nosso dia a dia, da nossa paixão, enfim, da nossa história. Então, a gente convida todo mundo a vir aqui no Museu do Futebol. A gente funciona de terça a domingo, toda terça o museu é gratuito, para conhecer também as nossas exposições temporárias e a nossa programação cultural. Além disso, a gente tem muito material educativo disponível no nosso sítio, que é www.museudofutebol.org.br. A gente espera vocês aqui.”

Bola no pé e atividade física para todos

A resolução da ONU dá crédito à Federação Internacional de Futebol, FIFA, às federações que mantêm o jogo vivo, no texto que além de instrumento diplomático é uma convocação geral.

A ordem é que além de ver como lazer, se comece a usá-lo de forma ativa como ferramenta de paz, saúde e empoderamento feminino. O recado para os governos é que criem políticas reais incentivando a bola no pé e a atividade física para todos.

A convocação está aberta para Estados-membros, ONG, universidades e empresas para espalhar as vantagens deste desporto pelo mundo inteiro, seja em grandes arenas ou num campo pelado.

Nos Estados Unidos, o clima já é de contagem regressiva para a Taça do Mundo 2026 que bate à porta em poucas semanas.



Vida transformada pela paixão por futebol

Cristopher Nassif, técnico do Clube de Futebol de Ironbound, no estado de Nova Jersei, considerada uma das áreas mais lusófona dos Estados Unidos, atua como um líder que influencia jovens. Ele explica como viver transformado por esta paixão.

“Feliz em poder compartilhar e agradecer ao desporto, e, agradecer ao futebol nesse vídeo, o quão ele foi benéfico para mim. É, poder dizer que aqueles que amam o futebol, não existem formas corretas de amar algo. Acho que você pode amar o futebol na torcida, você pode amar o futebol com os seus amigos enquanto você tá no jardim jogando futebol com eles, você pode amar o futebol como um treinador, como alguém que deseja ter isso como carreira, ou simplesmente acompanha a Copa do Mundo, que vai acontecer daqui a algumas semanas, eu diria, e a gente vai estar aqui, eu na torcida pela nossa Seleção Brasileira, mas você pela torcida da Seleção que acompanha. Então eu deixo aqui a minha mensagem, primeiro de agradecimento ao futebol, por tudo que me proporcionou. É, se, se eu tivesse que hoje se sentar com o futebol, eu lhe diria: obrigado, futebol, por me tornar um grande homem, por me tornar uma grande pessoa.”

O treinador das categorias Sub-17 e Sub-19 diz que a modalidade ajudou a ser melhor pai, marido e pessoa para auxiliar crianças e adolescentes a ser cidadãos que se tornarão grandes jogadores de futebol e com carácter admirável.

Poder de transformação da bola

Na demonstração do poder do jogo, a ONU exibiu a iniciativa Futebol Sem Fronteiras escalando a “Seleção de Refugiados”. Já os diplomatas que foram alinhados para suar a camisa participaram na iniciativa dos “Amigos do Futebol”.

A convocação para as quatro linhas incluiu embaixadores, representantes de alto escalão do Secretariado e estrelas do futebol mundial onde dominou o poder de transformação da bola.

O Mundial de Futebol começa neste 11 de junho e a primeira partida de uma país de língua portuguesa será dois dias depois, em Newark entre Brasil e Marrocos. ONU News – Nações Unidas


Angola - Autor Zeka Mbueti retrata ambiente de ensino e aprendizagem em livros

Os dois livros de estreia do autor Zeka Mbueti, apresentados, na província de Icolo e Bengo, visam melhorar o ambiente de ensino e de aprendizagem


Os livros, Tchambassuco e Tchissola e Rotulação de Alunos, visam despertar e preparar os alunos contra situações de bullying e os professores.

Segundo o autor, resultam de experiências vividas pelo autor, enquanto profissional de ensino e aprendizagem, e de leituras.

Os temas abordados são inspirados em experiências das quais transformam a realidade em narrativa através das personagens que reflectem situações muito próximas do quotidiano dos alunos.

O livro Tchambassuco e Tchissola nasce da vivência directa em contexto educativo e da sensibilidade de testemunhos directos de situações de bullying, insegurança e dificuldades na construção da identidade dentro da escola.

São contos de duas crianças com o mesmo desafio, num mundo de difícil concretização do seu imaginário. O livro aborda a história de coragem, identidade, sonhos e superação de duas personagens, vítimas de bullying.

Tchambassuco transforma o seu nome numa força de orgulho e identidade, após enfrentar insultos, enquanto Tchissola descobre as suas raízes e origens em sonhos e viagens.

A obra Rotulação de Aluno é um subsídio para professores e gestores escolares que analisa os impactos da rotulação de alunos no ambiente escolar, mostrando como essas práticas podem afectar a auto-estima, a motivação, o rendimento académico e nas relações com o ambiente escolar.

O livro visa prepará-los diante de situações inesperadas que, no dia-a-dia escolar, acompanha de perto os desafios que as crianças enfrentam no processo de crescimento. Manuela Mateus – Angola in “Jornal de Angola”


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Internacional - Obesidade estabiliza e até diminui em vários países, aponta estudo epidemiológico global

Análise mundial desde 1980 - que conta com a participação de investigadores da Universidade de Coimbra - revela desaceleração histórica na Europa Ocidental, incluindo Portugal, mas alerta para o aumento do problema em regiões desfavorecidas


Um estudo internacional publicado na revista Nature, que conta com o contributo de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), revela que a evolução da obesidade a nível global mostra sinais de estabilização e até de possível inversão em vários países de elevado rendimento, após décadas de crescimento acelerado.

A investigação, liderada pelo NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC) em parceria com a Imperial College London, analisou a evolução da obesidade em 200 países e territórios entre 1980 e 2024, com base numa das mais abrangentes bases de dados epidemiológicos alguma vez reunidas nesta área, integrando informação proveniente de milhares de estudos populacionais e de centenas de milhões de participantes.

Os resultados mostram que, após um aumento rápido e sustentado da prevalência da obesidade ao longo das últimas décadas do século XX, observa-se um abrandamento claro desse crescimento na maioria dos países de elevado rendimento. Em diversos contextos, verifica-se mesmo uma estabilização das taxas e, em alguns casos, sinais de diminuição, particularmente entre crianças e adolescentes, com reflexos posteriores nas populações adultas. Entre os países onde estas tendências são mais evidentes incluem-se alguns exemplos da Europa Ocidental, como Portugal, França e Itália.

Segundo os autores, estes padrões sugerem que a ideia de uma “epidemia global de obesidade” pode ser uma simplificação excessiva, na medida em que esconde trajetórias muito distintas entre países e regiões, influenciadas por fatores sociais, económicos e, em particular, pela disponibilidade e acessibilidade a alimentos saudáveis.

Apesar destes sinais encorajadores em alguns contextos, o estudo sublinha que a obesidade continua a aumentar de forma consistente em muitos países de baixo e médio rendimento, com especial incidência em várias regiões de África, Ásia, América Latina e em ilhas do Pacífico e das Caraíbas, evidenciando uma forte desigualdade global na evolução deste problema de saúde pública.

Para o professor Majid Ezzati, coordenador do estudo no Imperial College London, os resultados demonstram que “o aumento da obesidade não é inevitável e pode ser travado, ou mesmo invertido, através de políticas adequadas”. Ainda assim, o investigador alerta que os níveis atuais permanecem elevados e que as desigualdades entre regiões continuam a ser muito significativas.

Na mesma linha, Aristides Machado-Rodrigues, co-autor do estudo e investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC, sublinha que “analisar não apenas a prevalência, mas também a velocidade de mudança da obesidade ao longo do tempo, permite identificar com maior precisão os contextos onde são necessárias intervenções mais urgentes, nomeadamente através de políticas públicas robustas nas áreas da saúde e da alimentação, capazes de acompanhar as transições económicas, tecnológicas e nutricionais em curso”.

O trabalho contou ainda com a participação de outros docentes e investigadores da UC, nomeadamente Cristina Padez e Daniela Rodrigues, da FCTUC, Helena Nogueira, da Faculdade de Letras, e Luísa Macieira, Lélita Santos e Anabela Mota-Pinto, da Faculdade de Medicina. Universidade de Coimbra - Portugal


Internacional - Investigação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto revela “mapas” cerebrais de risco psiquiátrico

Estudo internacional cruzou genética e neuroimagem para perceber porque certas áreas do cérebro são mais vulneráveis a doenças como a depressão ou a esquizofrenia


Um estudo com a participação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) desenvolveu mapas de risco genético para doenças psiquiátricas com base em imagens da estrutura do cérebro e numa técnica de biologia molecular que analisa a expressão de genes num determinado momento, designada transcriptómica.

Publicado na prestigiada revista científica Molecular Psychiatry, do grupo Nature, “este trabalho revela como o risco genético para doenças psiquiátricas se organiza no cérebro humano e se relaciona com alterações estruturais cerebrais observadas em neuroimagens”, explica Daniel Martins, professor e investigador da FMUP na área das Neurociências.

Os investigadores utilizaram um método inovador que integra dados genéticos de larga escala e a neuroimagem para analisar sete doenças psiquiátricas, incluindo depressão, esquizofrenia, perturbação de hiperatividade/défice de atenção (PHDA), autismo e perturbação obsessivo-compulsiva. O objetivo era “compreender por que certas regiões cerebrais são mais vulneráveis em cada uma das doenças psiquiátricas”.

Embora estas doenças tenham causas multifatoriais resultantes da interação entre fatores genéticos, ambientais e do neurodesenvolvimento, as abordagens tradicionais tendem a analisar a suscetibilidade genética e as alterações neuroanatómicas separadamente.

Este novo estudo permite, assim, “projetar o impacto do risco genético no espaço do cérebro, com base em mapas de risco derivados da expressão génica. Esta abordagem estabelece uma ponte direta entre genes, processos moleculares e alterações anatómicas observadas por ressonância magnética”.

“As alterações estruturais do cérebro observadas em algumas doenças psiquiátricas não surgem ao acaso, mas refletem, em parte, a organização molecular do próprio cérebro. Na depressão major e na esquizofrenia, por exemplo, há uma correspondência clara entre padrões de expressão génica associados ao risco genético e as regiões cerebrais mais afetadas”, explica Daniel Martins.

Segundo o docente da FMUP, os resultados indicam ainda que diferentes doenças psiquiátricas parecem envolver mecanismos biológicos distintos. “Enquanto a depressão e a esquizofrenia mostram forte envolvimento de vias imunitárias e inflamatórias, a PHDA apresenta maior associação a processos de neurodesenvolvimento”, elucida.

Os autores sublinham, aliás, que “esta abordagem não é reducionista” e que “os genes não determinam isoladamente a doença, antes interagem com fatores ambientais, desenvolvimento e experiência ao longo da vida”.

“A publicação na Molecular Psychiatry — uma das revistas mais prestigiadas na área da psiquiatria biológica — reforça a visibilidade internacional da investigação desenvolvida com participação da FMUP e o seu contributo para os avanços na área da psiquiatria”, conclui Daniel Martins.

Além de Daniel Martins, que integra a área de Neurociências e Saúde Mental da FMUP, liderada por Lia Fernandes (ambos FMUP/RISE-Health), esta investigação é assinada também por cientistas do King’s College London, Universidade de Londres (Reino Unido), Universidade Goethe (Alemanha) e Universidade de Padova (Itália). Universidade do Porto - Portugal


Macau - O pastel de nata criado por um “lunático britânico” que é património da Região

Andrew Stow estaria “muito orgulhoso” por ver o pastel que criou tornar-se património intangível de Macau, mas a irmã disse à Lusa que não há planos para expandir o negócio, que vende até 48 mil pastéis por dia


A vida do britânico, que chegou a Macau para trabalhar como farmacêutico industrial em 1979, mudou por completo em 1988, após casar com Margaret Wong, que atualmente ainda gere a pastelaria “Café e Nata”, criada por ambos.

Foi durante a lua-de-mel que Stow (1955-2006) provou pela primeira vez um “pastel de Belém” ao balcão de uma das confeitarias mais famosas de Portugal e ponto de paragem obrigatório de quem visita a capital.

Andrew “viu a loucura em Lisboa para beber uma bica com um pastel de nata e pensou ‘Porque é que isto não existe em Macau’?”, recorda Eileen Stow, que gere o negócio desde a morte súbita do irmão, aos 51 anos.

O pastel de nata “aparecia ocasionalmente no ‘buffet’” do antigo hotel Hyatt, na Taipa, onde Andrew chegou a trabalhar, “mas não havia nada disponível, na rua, todos os dias”, diz a irmã.

Foi então que um “lunático britânico”, como classifica Eileen, entre risos, abriu a loja Lord Stow’s no coração da pitoresca vila de Coloane, em 1989, onde tentou criar a sua própria versão do pastel de nata.

Andrew “era o tipo de pessoa que nunca queria copiar nada, não conseguia perceber porque é que alguém quereria só replicar uma receita. Ele sempre achou que, se és criativo, tens de colocar o teu toque”, diz a irmã.

Eileen recorda que a reação dos portugueses foi que o resultado “não era bem um pastel de nata”, ao que Andrew respondeu: ” É isto que eu vendo, não comprem se não gostarem”.

Os pasteleiros da Lord Stow’s acharam que “estava queimado por cima, nenhum chinês o iria comprar”, diz a irmã, mas os turistas renderam-se ao pastel que ficou conhecido em chinês como “tarte de ovo de estilo português”.

Em outubro passado, o Governo de Macau inscreveu 12 manifestações, incluindo o pastel inventado por Andrew e a dança folclórica portuguesa na Lista do Património Cultural Intangível do território.

Eileen diz que o irmão teria ficado “muito orgulhoso”, porque “adorava Macau”. “Se Andrew tivesse uma bola de cristal e soubesse o sucesso que ia ter, ter-lhe-ia chamado tarte de ovo de Macau”, acrescenta.

Mas a distinção não muda os planos para manter o tamanho da operação, que atualmente vende em média “entre 35 e 38 mil pastéis por dia”, chegando a 48 mil no período do Ano Novo Lunar, diz Eileen.

O pastel de nata tem sido reinventado um pouco por toda a Ásia, tendo chegado mesmo, através de Margaret, ex-mulher de Andrew, aos balcões da cadeia de “fast-food” norte-americana Kentucky Fried Chicken (KFC) na China continental.

No final da década de 90, Andrew e Eileen, que se mudou para Macau em 1993 para ajudar a gerir o sucesso da Lord Stow’s, decidiram apostar no ‘franchise’ em Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul e Tailândia. Mas a ambição de uma expansão alargada perdeu-se devido às muitas “imitações” das tartes de ovo, mantendo actualmente uma presença apenas no Japão e Filipinas.

Foi na vizinha região de Hong Kong que a febre dos pastéis atingiu o auge: “criando aquilo a que costumávamos chamar, em tom de brincadeira, a guerra das tortas de ovo”, recorda Eileen. “Havia pessoas de carteira na mão a entrar na nossa pastelaria para literalmente subornar a nossa equipa. Isso é um livro que irei escrever um dia, depois de passar a negócio à Audrey [filha de Andrew]”, diz a empresária.

O território esteve mais de quatro séculos, até 1999, sob administração portuguesa, mas Eileen não estranha ter sido um inglês a promover o pastel de nata na Ásia.

Antigamente, sublinha a empresária, “a maioria dos portugueses vinha para cá como funcionários públicos de alto nível, não vinham abrir um pequeno negócio e ficar em Macau”. “Há uma atitude muito diferente no pensamento dos portugueses agora que os casinos estão cá e o turismo disparou”, acrescenta Eileen. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Voo directo Macau - Portugal acarreta “desafios significativos”

O Governo acredita que faz mais sentido “alavancar as redes internacionais” das operadoras aéreas que operam na RAEM, potenciando as rotas de curta distância para outros destinos da Ásia que ofereçam ligações de longa distância, no âmbito do lançamento de um voo directo entre Macau e Portugal. Para a Autoridade de Aviação Civil de Macau, as “rotas directas de longa distância apresentam desafios significativos”, segundo o último relatório anual de sugestões, queixas e objecções do organismo. O total de queixas submetidas à AACM caiu 19% face a 2024

No relatório anual sobre as sugestões, queixas e objecções que a Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) recebeu ao longo de 2025, é indicado que duas submissões apontaram para a abertura de ligações directas entre a RAEM e Portugal. Em resposta às duas sugestões, o organismo refere que o “lançamento de rotas directas de longa distância apresenta desafios significativos”.

Segundo o documento consultado pelo Jornal Tribuna de Macau, a AACM comentou ser uma abordagem mais apropriada “alavancar as redes internacionais das operadoras actualmente em actividade em Macau para providenciar aos residentes e turistas serviços de transferência e de voos de ligação”.

O Governo defende que “de uma perspectiva comercial, as operadoras aéreas precisam de avaliar factores como a procura do mercado de passageiros e a relação custo-benefício”. Tendo em conta a escala actual da indústria de transporte aéreo de Macau, a AACM acredita que fará mais sentido oferecer voos com escala em locais como Banguecoque, Kuala Lumpur, Singapura, Taiwan e Interior da China, com serviços de despacho de bagagem de bilhete único incluídos.

Esta abordagem permite uma conexão entre as ligações de curta distância de Macau com rotas longas, no âmbito da qual a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) se encontra “activamente a colaborar com as operadoras para promover serviços de transferência e ligação”, no sentido de expandir a rede de destinos da RAEM, refere o relatório.

Recorde-se que o primeiro voo directo entre Pequim e Lisboa operado pela Beijing Capital Airlines está agendado para o dia 22 de Junho, segundo adiantou no último mês Tiago Brito, director do Turismo de Portugal na China, durante a Exposição Internacional de Turismo. A duração será de cerca de três meses, sendo que o voo terá uma frequência semanal. O voo de ida partirá na segunda-feira do Aeroporto de Pequim Daxing às 10:55, chegando a Lisboa às 17:15 (hora local). Já o voo de regresso sairá às 18:55 de Lisboa, com chegada a Pequim Daxing às 14:00 (hora local) do dia seguinte.

Mais recentemente, no encontro que o Chefe do Executivo manteve em Portugal com o Presidente da República, António José Seguro propôs que ambas as partes “reforcem a cooperação no sector turístico e estudem activamente a viabilidade da abertura de uma rota aérea directa entre os dois lados”.

Queixas à AACM decresceram 19%

No cômputo geral do ano passado, a AACM recebeu quatro sugestões, o mesmo número que em 2024, e 160 queixas, que representam uma descida homóloga de 18,75%. De um total de 164 casos, 158 estavam relacionados com as operadoras aéreas e disseram respeito sobretudo a actividades comerciais e serviços ao cliente. Estes incluíram 157 queixas e apenas uma sugestão, todas relativas à categoria de “transportes e logísticas”, representando uma quebra anual de 20,89%.

A AACM garante que já reencaminhou a sugestão e as queixas para as respectivas empresas, sendo que em algumas situações poderá solicitar às operadoras para dar uma resposta imediata aos queixosos.

Por outro lado, os seis restantes casos foram dirigidos aos processos operacionais da própria AACM, incluindo três queixas e três sugestões, o que corresponde ao dobro do total do ano anterior.

Para além das duas sugestões relativas às ligações aéreas entre Macau e Portugal, três dos casos referiram-se às actividades de aeronaves não-tripuladas. No documento, a AACM frisa que as operadoras podem operar na área costeira por trás do Centro de Ciência de Macau, desde que respeitem as regras de segurança e tenham recebido a devida autorização das autoridades, à semelhança das actividades realizadas em áreas residenciais O organismo salienta que a maior parte das actividades que envolvem naves não-tripuladas decorrem à noite ou em eventos de larga escala.

Por fim, o último caso teve a ver com o serviço de teste de proficiência em inglês designado pela AACM, acerca do qual o organismo garante que irá cooperar com a entidade responsável pelo mesmo para rever e melhorar a metodologia do exame. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”