Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Moçambique - Jovens investem nos seus próprios negócios e geram empregos

Nas vésperas do Dia Internacional da Juventude, 12 de agosto, a ONU News saiu às ruas de Maputo, capital de Moçambique, para conhecer como dois jovens estão a transformar a sua experiência laboral na geração de empregos para outros jovens no país.


Irene Filipe Boane, de 28 anos, começou na profissão de sapateira e engraxadora aos 19. Resolveu abraçar uma profissão pouco habitual para uma mulher, como muitos viram a escolha. A decisão veio após a conversa em família quando assumiu a loja do pai para conseguir o sustento e dar continuidade aos seus estudos.

Consertar com perfeição

No início, teve vários desafios de aceitação no mercado. Muitos clientes recusavam os seus trabalhos. Ela mesma lembra que teve de estragar vários sapatos até aprender a consertar com perfeição. E hoje, diz ter um sonho.

“O meu sonho é de expandir mais esta atividade de sapataria, principalmente para as mulheres. As mulheres têm tido muito complexo em relação a esta atividade porque é raro ver mulheres nesta área fazendo esta atividade. Então, o meu maior sonho é criar, pelo menos em cada avenida da cidade de Maputo, ter lá sempre uma mulher a engraxar os sapatos. Até agora, somos três. Uma fica no Palácio dos Casamentos e a outra no Jardim Tunduru comigo. E, futuramente, já passar a fabricar sapatos, sandálias também, com a minha marca ‘Irene Nem’.”

Influenciada pelo pai, Irene Filipe Boane aprendeu que a pontualidade é importante para a confiança com os clientes. Ela, neste momento, aguarda a defesa para o curso de Agropecuária pela Universidade Pedagógica de Maputo, mas diz que mesmo concluindo o curso não irá abandonar a sapataria.


Sonho de um Pai

O seu pai e mentor, Filipe Fenias Boane, diz que no início a sociedade não via com bons olhos a iniciativa de convidar a filha para ser sapateira.

“O que me motivou é porque eu não tinha recurso para lhe dar mais dinheiro para poder entrar noutras escolas. Ela sempre dizia: ‘pai, eu peço que me dê alguns valores para fazer um negócio, arranja-me emprego’. Eu disse: olha, arranjar emprego não é fácil, mas o que eu tenho é emprego de engraxar sapatos. Então, foi muito difícil. Quase quatro meses a pedir, a pensar que, se calhar, eu podia estar a mudar, arranjar um valor para que ele iniciasse um negócio da preferência dela. Mas eu disse: olha, minha filha, vamos engraxar sapatos.”

Diante dos sonhos, Irene tende a inovar para ter mais clientes na sapataria. Ela juntou-se às redes sociais através da referência IRENE concerto IC, e diz ser uma ferramenta indispensável.

“É onde eu faço a publicidade dos meus trabalhos, faço lançamento de fotos. As pessoas vão vendo sempre o que eu faço, o que eu tenho como novidade. Tenho tido muitos clientes que estão lá na Matola, uma vez que eles não conseguem sempre estar aqui na cidade de Maputo, o que eles fazem? Eles trazem um plástico de sapatos de toda semana. Então, eles têm de limpar o sapato segunda, terça, quarta, quinta, sexta. Também já tive uma cliente que já saiu de Xai-xai porque viu uma reportagem minha. Então veio para aqui para experimentar e gostou, graças a Deus.”

Contextos e aspirações

Este ano, o tema do Dia Internacional da Juventude “Contextos Diferentes, Aspirações Comuns” dedica atenção especial aos jovens que vivem em Países Menos Avançados e reconhece os esforços dos jovens que continuam a demonstrar resiliência, liderança e inovação no avanço do desenvolvimento sustentável nas suas comunidades.

Celso Ferreira formou-se em Contabilidade e Auditoria com experiência em análise financeira, operações contabilísticas e controlo interno. Mas a sua história pessoal com a miopia, que atinge grande parte das pessoas o inspirou a abrir o próprio negócio utilizando os conhecimentos que já tinha de gestão.

Ele conta como nasceu a ideia de criação de armações de óculos integradas no projeto Zambezi Eyewear, uma iniciativa focada no desenvolvimento Eyewear sustentável utilizando matérias-primas locais.


Criar óculos e empregos jovens

“Eu sofro de vista. Sou míope como quase 40% da população tem problemas de visão. Então, tinha três óculos de marcas diferentes. Achava o máximo ter três marcas de óculos diferentes. Então, ao tirar uma foto, veio-me uma ideia na mente, a questionar. Por que não fazes os teus próprios? Então, dali nasceu o bichinho de investigar como é que poderia fazer isso. Como é que poderia criar óculos em Moçambique com matéria-prima local. E foi assim que surgiu a ideia.”

Concretizada a ideia, Ferreira tem sonhos por alcançar. Ver o projeto além da fronteira de Moçambique, gerar emprego para mais jovens no ciclo da cadeia de valores, assim como treiná-los para serem independentes.

“Poder capacitar, formar cada vez mais pessoas e especializar as pessoas nesta área. Ver o nosso produto chegar a todo o mundo, precisamente aqueles países que Moçambique já tem acordos, onde existem já isenções de tarifas alfandegárias, já existem acordos bilaterais. Então, o nosso sonho é ver que o nosso produto consiga “furar” esses mercados. África do Sul, Angola, Portugal, Brasil, França, efetivamente, Moçambique.”

Sob o lema Contextos Diferentes, Aspirações Comuns, a efeméride oferece uma plataforma para que governos, organizações de juventude, entidades das Nações Unidas, sociedade civil, meio acadêmico e outras partes interessadas promovam o diálogo, fortaleçam parcerias e destaquem iniciativas lideradas por jovens que contribuam para sociedades mais inclusivas, pacíficas e sustentáveis. Ouri Pota – Moçambique ONU News


Angola - Canadianos compram mina de ouro e terras raras

Uma empresa mineira de origem canadiana anunciou, no dia 10, um acordo para aquisição de direitos num projecto de exploração de ouro em Benguela, no município da Ganda, que pode estender-se para a pesquisa de elementos de terras raras


A Newfoundland Discovery Corp. (Newd), uma empresa de média dimensão que está cotada na Candadian Stock Exchange (mercado onde estão listadas empresas emergentes ou novos negócios), celebrou um "acordo definitivo de troca de acções para adquirir 100% da Orenoxe Holdings, que detém o direito de adquirir, através de um mecanismo de participação progressiva, uma participação de até 70% na subsidiária Goldango - Mineração, com a opção de aumentar a sua participação para 90%.

A Goldango detém a concessão de ouro e terras raras de Ganda, com 786 quilómetros quadrados, na província de Benguela, em Angola (o "Projecto Ganda")", segundo o comunicado oficial.

Jeremy Prinsen, presidente e director executivo da Newd, acrescentou que o projecto "é o tipo de activo que uma empresa júnior raramente consegue explorar sem obstáculos - são quase oitocentos quilómetros quadrados de área com potencial para ouro, elementos de terras raras e minerais de cobre, já submetida a levantamentos magnéticos aéreos, já validada no terreno, numa jurisdição que acaba de provar que é capaz de licenciar e construir uma mina de terras raras", disse o gestor, numa referência ao projecto da Pensana, em parceria com o Fundo Soberano de Angola, de exploração de terras raras em Longonjo, província do Huambo.

"Os mineiros artesanais encontraram o "fumo" há anos; o nosso programa vai atrás do "fogo"", disse Prinsen. A Goldango é uma entidade angolana, registada em Agosto de 2021, com sede em Luanda, e capital social de 1 milhão Kz. Segundo o registo público da empresa, conta com três sócios: José Manuel de Castro (detém 50% do capital), residente na província e município do Huambo, António Figueiredo Loureiro e Augusto Bicho Loureiro, ambos residentes em Luanda, com quotas de 25%.

A Newd justifica o interesse no projecto por estar localizado num "importante centro regional ligado por via férrea ao porto atlântico do Lobito através da linha ferroviária de Benguela" e diz ter elementos de pesquisa técnica que comprovam a semelhança entre as características geológicas na região da Ganda e as principais zonas de exploração de ouro africanas.

"Imediatamente após a conclusão da transacção, a empresa tenciona dar início ao seu programa inicial de prospecção de dois meses no "Projecto Ganda", como parte da primeira fase de campo da sua participação. A realização de despesas de exploração no valor de 1 milhão USD constitui um requisito do acordo de aquisição e, caso a empresa não realize esse montante dentro do prazo exigido, perderá a sua participação", explicou a empresa no comunicado ao mercado.

A Newd revelou que também já foi apresentado à Agência Nacional de Recursos Minerais (ANRM) um pedido de conversão da licença actual num título de exploração. Este desenvolvimento está alinhado com os movimentos recentes no sector mineiro, sobretudo em projectos localizados na região centro-sul do País. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Macau - Alcateia de emoções em apresentação inédita de “Os Lobos de Pedra” no Centro Cultural

Um clássico infantil torna-se palpável. Pedro desta vez vem acompanhado de vários lobos, feitos de objectos do quotidiano, que sobem ao palco para dar corpo aos medos, raivas e alegrias de quando somos crianças. A Trupe Fandanga, companhia portuguesa de teatro de marionetas, traz a Macau “Os Lobos de Pedra”, uma peça que vai em direcção oposta as convenções do teatro infantil, ao propor menos respostas e mais perguntas. Com direcção artística de Sandra Neves, o espetáculo estreia este fim-de-semana no Centro Cultural, integrado no 3.º Festival Internacional de Artes para Crianças, com sessões de 14 a 17 de Agosto, em versões em cantonense e português


Há qualquer coisa de profundamente arcaico na relação entre uma criança e um objecto. Um pau pode ser uma espada, uma concha pode ser um tesouro, uma caixa de cartão pode ser uma nave espacial. É essa capacidade “infantil” de ver para além da forma, de transformar o que está à mão em algo que habita o imaginário, que Sandra Neves, criadora de marionetas e directora artística da Trupe Fandanga, explora em Os Lobos de Pedra. A peça, que a companhia portuguesa apresenta em Macau no âmbito do 3.º Festival Internacional de Artes para Crianças, não é um espetáculo que oferece respostas ou lições. Antes, convida o público a um palco onde as certezas se dissolvem e onde cada espectador, criança ou adulto, encontra a sua “moral da história”.

O espetáculo, com aproximadamente 40 minutos de duração, é apresentado no Estúdio I do Centro Cultural de Macau, com sessões em cantonense nos dias 14, 15, 16 e 17 de Agosto e em português nos dias 15 e 16 de Agosto.

A peça acompanha o conhecido Pedro. Não o mentiroso, mas uma criança que mergulha no seu próprio ser, onde encontra lobos que personificam os seus sentimentos mais primordiais. O cenário, uma ilha feita de madeira e metal, que se transforma constantemente, é habitada por objectos encontrados na oficina que vão ganhando vida. Não há, no entanto, uma narrativa linear. O que existe é uma sucessão de metáforas visuais que se desdobram à medida que Pedro se confronta com os seus próprios fantasmas.

Em entrevista, Sandra Neves descreve a sua criação como o resultado de um processo intuitivo, onde cada objecto se transpõe como emoção, e cada emoção pede uma forma. “Normalmente vou para a oficina, rodeada de muitos objectos e vou seguindo a intuição do que é que cada objecto sugere, do que é que cada momento me pede emocionalmente”, explica a criadora.

Os lobos do título, contudo, não são lobos nem literais nem físicos. São escorpiões feitos com utensílios antigos, tartarugas construídas a partir de puxadores de portas e travões de bicicleta, híbridos que, nas mãos da “manipuladora” das marionetas sem fios, se transformam em algo estranhamente familiar. “Nós somos de uma geração que cresceu a ver desenhos animados japoneses, Miyazaki e tantas outras coisas. Então, na nossa cultura ocidental, temos muitas coisas que fomos ver à cultura oriental”, reflecte Sandra.

Para a criadora, a simbologia do lobo é de “uma figura ambígua que normalmente é muito maltratada e na verdade é um animal muito nobre, mas que funciona com instintos básicos muito crus, e eu vejo um paralelo nessa forma de ser com o que é uma criança”, afirma Sandra. O nome Pedro, que em latim significa pedra, reforça a metáfora. “Se os lobos forem de pedra, a pedra é uma coisa também muito curiosa porque é dura, parece que é intransponível, mas nós conseguimos moldar a pedra. A água consegue, que é a coisa mais líquida, moldar a pedra de uma forma incrível”.

Sandra encontra na história de Pedro e o Lobo de Prokofiev uma das suas principais inspirações. Na versão do compositor russo, Pedro captura o lobo que devorou o seu pato de estimação, mas, no momento em que os caçadores adultos se preparam para o matar, Pedro escolhe libertá-lo. “Isso revela uma certa nobreza de carácter”, explica Sandra. Este gesto de libertação, que contrasta com a vontade de vingança dos adultos, é o que a fascina na personagem. O Pedro da sua peça é essa mesma criança rebelde e incompreendida, que se recusa a seguir as regras impostas e que, ao confrontar os seus lobos interiores, aprende a ultrapassar as suas próprias dores de crescimento.

A peça nasceu da observação de uma criança real. Neves conta que “este projecto vem muito do facto de eu ter conhecido uma criança muito complexa, que era o meu filho, muito dada às emoções”. A criadora insiste que a função do teatro infantil não é dar respostas. “Nós, como adultos, educadores ou artistas, tendemos a dar respostas todas às crianças, e na verdade não precisamos. A nossa função é dar-lhes pistas, apoiá-los, dar-lhes ferramentas. Depois, são eles que falam. São suficientemente inteligentes para serem até mais espertos do que nós”.

Sandra Neves concluiu dizendo que não sabe o que esperar do público de Macau, uma vez que “a linguagem das marionetas é quase como a música, é universal”, e por isso, está “muito curiosa” para receber as diferentes reacções. Depois do espetáculo, a conversa com o público será uma forma de feedback e de continuação da própria experiência, deixando que o público manipular as suas criações, numa troca de interpretações sobre o que cada um viu, sentiu e projectou naqueles lobos de pedra que, afinal, são feitos das próprias memórias e emoções.

A criação da Trupe Fandanga leva música original de Carlos Adolfo, texto de Ricardo Alves, cenografia de Sandra Neves e Miguel Cantante, desenho de luz de Mariana Figueroa, vídeo de Patrícia Viana Almeida, e voz off de Rita Cantante (português) e Lai Ho Yi (cantonense). A produção tem direção de Ana Carvalhosa e direção de cena de João Gravato, sendo uma co-produção do Teatro Municipal do Porto e da Circolando – Central Eléctrica. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


São Tomé e Príncipe - Jovem escritor e jornalista lança livro que defende que a transformação de uma nação começa no carácter dos seus cidadãos

O jovem jornalista, escritor, poeta e palestrante em início de carreira são-tomense Kemilson D’Almeida acaba de lançar a sua primeira obra em formato físico, A Nação Começa no Coração – Reconstruindo o que o ódio, a divisão e a falta de carácter destruíram, já disponível para aquisição através da Amazon.


Escrito antes e durante o período da campanha eleitoral em São Tomé e Príncipe, o livro nasceu da observação de comportamentos marcados pela polarização, pela difamação, pelo discurso de ódio e pela crescente degradação do diálogo público. A partir dessa realidade, o autor propõe uma reflexão sobre a necessidade de reconstruir o carácter humano como condição essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade.

Apesar de inspirada pelo contexto são-tomense, a obra não é de natureza político-partidária. O livro dirige-se a leitores de diferentes sensibilidades e convicções, defendendo que nenhuma nação será verdadeiramente transformada apenas por mudanças de governos, leis ou instituições, sem que primeiro haja uma transformação no coração e no carácter de cada cidadão.

Ao longo de oito capítulos, A Nação Começa no Coração aborda temas como cidadania, responsabilidade, liderança, o poder das palavras, integridade, fé e transformação humana, convidando o leitor a refletir sobre o seu papel na construção de uma sociedade mais justa, ética e desenvolvida.

“Este não é um livro sobre política partidária. É um convite para olharmos para nós próprios e compreendermos que a mudança que desejamos para a nação começa dentro de cada um de nós.” — Kemilson D’Almeida

Atualmente residente em Portugal, Kemilson D’Almeida é jornalista da RSTP – Rádio Somos Todos Primos, Diretor de Comunicação da Associação dos Jovens Escritores Santomenses (AJES) desde a sua fundação, em 2021, escritor, poeta e palestrante em início de carreira. Ao longo da sua atividade jornalística, tem procurado valorizar o desporto, a cultura e as pessoas que, através do seu trabalho e dedicação, contribuem para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.

Em 2026, criou o Projeto DESPERTAR, uma iniciativa dedicada ao desenvolvimento humano e espiritual, com o propósito de inspirar pessoas a viverem com propósito, fortalecerem o carácter e cultivarem valores capazes de transformar vidas e comunidades. Através deste projeto, pretende promover palestras, conferências, encontros com jovens e outras iniciativas de formação e reflexão, incentivando o desenvolvimento pessoal, a liderança e o compromisso com uma sociedade mais íntegra e responsável.

O lançamento desta obra representa um novo passo no percurso literário do autor, que pretende fazer chegar A Nação Começa no Coração a escolas, bibliotecas, universidades, instituições públicas e privadas, organizações da sociedade civil e responsáveis políticos, promovendo o livro como um instrumento de reflexão sobre cidadania, carácter e responsabilidade.

A ambição de Kemilson D’Almeida é que a mensagem da obra ultrapasse as fronteiras de São Tomé e Príncipe e alcance leitores em toda a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), contribuindo para o fortalecimento de uma cultura de diálogo, integridade, respeito e compromisso com o bem comum.

Breve resumo da obra

A Nação Começa no Coração – Reconstruindo o que o ódio, a divisão e a falta de carácter destruíram é uma obra de reflexão que convida o leitor a olhar para além dos problemas visíveis da sociedade e a questionar a verdadeira origem da crise que afeta a nação.

Ao longo de oito capítulos, Kemilson D’Almeida defende que a transformação de um país não depende apenas de novas leis, novos governos ou melhores políticas públicas. Antes de qualquer mudança coletiva, é necessária uma mudança individual. Uma nação só pode ser reconstruída quando os seus cidadãos cultivam valores como o carácter, a honestidade, o respeito, a responsabilidade, a verdade e o amor ao próximo.

Inspirado pelas tensões observadas durante um período eleitoral em São Tomé e Príncipe, o autor analisa temas como a polarização política, a degradação do carácter, o poder das palavras, a responsabilidade individual e a importância da transformação interior. Sem favorecer qualquer partido ou ideologia, a obra apresenta uma mensagem dirigida a todos os cidadãos, independentemente das suas convicções políticas, sociais ou religiosas.

Mais do que identificar problemas, o livro propõe um caminho para a reconstrução da confiança, da convivência e da esperança, mostrando que o futuro de uma nação começa nas escolhas diárias de cada pessoa.

A Nação Começa no Coração é um convite à reflexão e à ação, lembrando que nenhuma sociedade se torna melhor sem que primeiro o ser humano decida tornar-se melhor. O destino de uma nação começa a ser escrito no coração de cada cidadão.

Sobre o autor:

Kemilson D’Almeida é jornalista da RSTP – Rádio Somos Todos Primos, escritor, poeta e palestrante em início de carreira. Atualmente reside em Portugal e exerce, desde 2021, as funções de Diretor de Comunicação da Associação dos Jovens Escritores Santomenses (AJES).

Colaborou também com a Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe como jornalista, locutor e comentador desportivo.

Em 2026, criou o Projeto DESPERTAR, uma iniciativa dedicada ao desenvolvimento humano e espiritual, através da promoção de palestras, conferências, encontros com jovens e outras ações de formação e reflexão. Acredita que a verdadeira transformação de uma sociedade começa no carácter de cada pessoa. In “Téla Nón” – São Tomé e Príncipe

Ficha Técnica

Título: A Nação Começa no Coração – Reconstruindo o que o ódio, a divisão e a falta de caráter destruíram

Autor: Kemilson D’Almeida

Categoria: Ensaio | Sociedade e Cidadania

Formato: Livro impresso

Disponível em: Amazon

Contactos para entrevistas e informações

Kemilson D’Almeida

📧 kemilsonsweeper@gmail.com

📞 +351 963 488 727


Cabo Verde - Museu da Educação reforça dinamismo com projectos itinerantes, linha editorial e acção comunitária

Cidade da Praia – O Museu da Educação quer consolidar o seu papel como motor de intervenção comunitária e científica através do lançamento de projectos itinerantes nas escolas, de uma linha editorial própria e de iniciativas de valorização docente.


Esta ambição foi manifestada à Inforpress pela fundadora do Museu da Educação, Clara Marques, instalado desde 2009 no histórico edifício da Escola Grande, na cidade da Praia.

A instituição, que mantém parcerias estratégicas com a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e o Instituto do Património Cultural (IPC), reafirma assim a sua missão de ir além da mera conservação da memória pedagógica e aproximar a história do ensino de toda a sociedade.

Neste sentido, longe de se limitar à contemplação do passado, a instituição reforçou a sua dinamização com a expansão do projecto “Museu em Andamento”, levando amostras do seu acervo às escolas secundárias de todo o país.

A vertente pedagógica inclui ainda a edição de manuais didácticos sobre tradição oral e ambiente, bem como a promoção da excelência docente através do Prémio Lecciona.

Segundo Clara Marques, estas iniciativas visam descentralizar o acesso à cultura e democratizar o conhecimento histórico-educativo.

“O Museu da Educação está a afirmar-se como um polo activo de transformação social e pedagógica no país, alargando o seu raio de acção através de uma forte componente itinerante e de iniciativas de valorização cívica e docente”, assinalou esta responsável.

A consolidação do espaço como polo de conhecimento é impulsionada por protocolos de cooperação celebrados com a Uni-CV e o IPC.

A fundadora do Museu de Cabo Verde explicou que as parcerias com a Uni-CV e o IPC garantem o acolhimento regular de investigadores, estudantes universitários e turmas de diversos níveis de ensino, transformando o museu num “laboratório vivo” da história da aprendizagem no país.

Clara Marques realçou que uma das principais apostas de descentralização é o projecto itinerante “Museu em Andamento”, que leva amostras do acervo e peças históricas directamente às escolas secundárias, aproximando as jovens gerações da evolução do sistema de ensino e do património educativo cabo-verdiano.

Para dar resposta às lacunas no material escolar, o Museu da Educação desenvolveu também uma linha editorial própria, cujo catálogo já inclui obras como o cancioneiro infantil “Vamos Cantar”, a compilação de tradição oral “Contos e Cantigas de Roda”, além de livros didácticos focados em temáticas contemporâneas urgentes, como as alterações climáticas e a resiliência ambiental.

No plano do reconhecimento cívico e da valorização da classe docente, a instituição destaca-se pela organização do Prémio Lecciona, galardão nacional que vai já na sua quarta edição e distingue práticas pedagógicas de excelência no país.

Paralelamente, a dinâmica cultural do museu ganha vida no espaço “Estorão do Poeta”, mantendo uma programação regular de encontros e debates.

Em articulação directa com associações estudantis e a Federação dos Estudantes de Cabo Verde, Clara Marques indicou que a instituição está a trabalhar na proposta para a futura institucionalização do Dia Nacional do Estudante.

A ambição da instituição, finalizou Marques, passa por afirmar o espaço não apenas como um repositório das memórias da escola antiga, mas como um polo activo de desenvolvimento para o futuro da educação e da comunidade em Cabo Verde. In “Inforpress” – Cabo Verde


África do Sul - Pede a países africanos reembolso de custos de repatriamento de migrantes

A África do Sul está a solicitar a vários países africanos o reembolso dos custos relacionados com o repatriamento de dezenas de milhares de cidadãos estrangeiros, depois de o país ter deportado ou ajudado no regresso de mais de 80 mil migrantes aos seus países de origem.

Segundo o Ministério dos Assuntos Internos da África do Sul, o Governo gastou cerca de 18 milhões de dólares norte-americanos para acomodar e transportar migrantes que regressaram aos seus países. Pedidos formais de compensação foram já enviados ao Malawi, Etiópia e Nigéria.

Os custos incluem transporte em autocarros, instalação de centros temporários de repatriamento e pagamento de horas extraordinárias aos funcionários envolvidos nas operações. O director-geral do Departamento de Assuntos Internos, Tommy Makhode, classificou as despesas como “imprevistas e inevitáveis”.

O ministro dos Assuntos Internos, Leon Schreiber, considerou sem precedentes o actual volume de deportações e repatriamentos, realizados num contexto de crescente tensão em torno da imigração ilegal na África do Sul.

Grupos que se opõem à imigração ilegal têm promovido protestos e, em alguns casos, registaram-se ataques contra cidadãos estrangeiros. Os manifestantes acusam os imigrantes de contribuírem para o desemprego, o aumento da criminalidade e a sobrecarga dos serviços públicos.

Alguns países africanos acusaram o Governo sul-africano de não proteger devidamente os seus cidadãos, acusação rejeitada pelas autoridades de Pretória. O Gana chegou recentemente a defender a inclusão da situação dos migrantes na África do Sul na agenda de uma próxima reunião da União Africana, proposta que acabou por ser rejeitada.

Dados do Governo sul-africano indicam que 82.875 pessoas foram voluntariamente repatriadas ou deportadas desde o início do actual período de tensão migratória. Contudo, números apresentados pelos países de origem apontam para cerca de 178 mil pessoas que terão regressado.

Entre Abril e Julho, 16.078 cidadãos estrangeiros, sobretudo do Lesotho, Malawi, Tanzânia, Zimbabwe e Moçambique, foram deportados através do Centro de Repatriamento de Lindela.

As autoridades policiais sul-africanas anunciaram ainda o reforço das operações contra a imigração ilegal e crimes associados. Quase 60 mil pessoas em situação irregular foram detidas, das quais 16.208 apenas durante o mês de Julho.

A questão migratória continua, assim, a gerar tensão entre a África do Sul e outros países africanos, ao mesmo tempo que o Governo sul-africano procura fazer face aos elevados custos das operações de deportação e repatriamento. Alexandre Matola – Moçambique in “O País”


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Brasil - Existe o risco de invasão norte-americana?

E se os Estados Unidos desembarcarem em Brasília, prenderem Lula, Alckmin e parte de seu governo em vias de ser reeleito, assim como Moraes e alguns ministros do STF, recolocando no seu lugar o ex-presidente golpista Jair Bolsonaro ou seu filho Flávio?

Essa hipótese existe e tem dado manchetes em jornais franceses e europeus. Seria um retorno ao passado ainda recente com a prisão de Maduro na Venezuela, diversos golpes na América Latina e a morte de Salvador Allende no Chile. Seria uma versão trumpista da doutrina Monroe - o Brasil para os norte-americanos!

Haveria resistência? Numa entrevista à CNN, o ministro da Defesa se mostrou bastante pessimista: "teríamos de abrir os portões!" Por uma razão muito simples: infelizmente o Brasil não tem como resistir a uma invasão nem em termos de armamentos nem de contingente militar.

Além disso, já existem alguns traidores da pátria, bem instalados nos EUA, onde têm tramado contra o governo brasileiro pelas redes sociais, utilizando o tarifaço contra a economia do governo brasileiro.

Sem se esquecer da atração do evangelismo norte-americano sobre os seguidores da versão brasileira de exportação, cuja doutrina da teologia do domínio vê em Trump um líder internacional capaz de apressar a volta de Cristo. Trump um verdadeiro enviado de Deus para os evangélicos norte americanos.

Pode ser exagero, se escrever sobre o risco de intervenção norte-americana no Brasil, porém a dificuldade de Flávio Bolsonaro entrar na posse do eleitorado do pai, agravada com as denúncias de relações com Daniel Vorcaro, do banco Master, têm reforçado dentro da esquerda a esperança de uma vitória de Lula no primeiro turno.

Impossível para Trump aceitar uma vitória de Lula, depois de não ter conseguido derrotar a teocracia iraniana? E isso às vésperas de eleições para deputados e senadores, nas quais perderá a maioria nas duas Casas?

Provocar um golpe no Brasil, com ou sem intervenção militar, lhe daria vitória em novembro? Ou lhe daria condições políticas internas para enfrentar a derrota dos republicanos, com a qual perderá a maioria legislativa no governo e deixará de ser o presidente manda-chuva, quase ditador, norte americano?

Ainda em março, o jornal francês Le Monde noticiava o acordo de fabricação de armamentos do Brasil com a África do Sul. E, naquele momento, o risco não eram as eleições, mas as organizações criminosas brasileiras, consideradas como grupos terroristas, nova categorização que dá aos EUA justificativa para violar a soberania brasileira e fazer ataques pontuais contra o Brasil.

Na verdade, essa era a primeira brecha necessária para justificar uma intervenção no Brasil.

No Uol, a jornalista Daniela Lima levanta outro tipo de intervenção, possível pelas redes sociais antes das eleições durante a disputa eleitoral. Quanto a isso não existem dúvidas, a campanha anti-Lula está em plena função com a utilização inclusive de fakes, repetindo o já ocorrido durante a campanha de Jair Bolsonaro contra Lula.

A dúvida é se haverá intervenção no caso das sondagens ou os votos nas urnas favorecerem Lula. Imprevisível como é Trump, nada é impossível, tudo poderá acontecer. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins, é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.