A escritora cabo-verdiana Florizandra Porto lança, no dia 17 deste mês, no Palácio Baldaya, em Lisboa (Portugal), a obra “As Marias”, um romance que mergulha nas feridas, silêncios e resistências da mulher cabo-verdiana
Segundo uma nota enviada, a obra
relata as marcas que ficam na pele e na memória, como a violência contra a
mulher, constantemente presente nas notícias, que representa apenas uma pequena
parte do que acontece dentro de muitas famílias cabo-verdianas.
“As Marias acompanham mulheres de diferentes
origens, gerações e histórias de vida que, apesar das suas diferenças, carregam
um fardo semelhante: a violência, o sofrimento e a necessidade extrema de se
reconstruírem”, refere.
A mesma fonte indica que a obra caracteriza-se por uma
linguagem directa, intensa e sem censura, denunciando situações de feminicídio,
violência doméstica e violência sexual.
“Mais do que um romance, As Marias surge como um
retrato social contemporâneo e um tributo à resiliência feminina. O livro
denuncia estruturas de violência e negligência, mas também celebra a capacidade
de sobrevivência, luta e reinvenção das mulheres cabo-verdianas”, salienta.
O lançamento oficial decorrerá no dia 17 de Maio, em
sessão pública com roda de conversa, reunindo leitores, convidados e membros da
comunidade cultural. A apresentação contará com a participação de Sona Fati, Patrícia
Mosso e Isabel Menezes, e terá lugar no Palácio Baldaya.
Natural da cidade de Mindelo, Florizandra Delgado Porto
Barros fez os estudos primários e secundários na sua ilha natal. Formou-se em
Educação de Infância na Escola de Formação de Professores, Instituto Pedagógico
da Praia, e licenciou-se em Ensino Básico, Língua Portuguesa e Estudos
Cabo-Verdianos pela UNICV-FAED.
Pós-graduada em Gestão e Administração Escolar pela
Universidade de Coimbra e mestre em Ensino do Português como Língua Segunda
pela Universidade de Santiago, Cabo Verde.
É professora de Ensino Básico Obrigatório. Em 2012, foi
um dos integrantes do fanzine de poesia e banda desenhada "Banda
Poética". Em Junho de 2015, lança a primeira obra literária, o livro
infantojuvenil O melhor amigo.
Foi coautora das antologias de histórias carnavalescas e
de assombração "Ninguém leva a mal" e "Sexta-feira 13", da
editora Sui-generis, Lisboa em 2017.
Em 2021, arrebatou o 1º e 3º prémio do Concurso
Dramaturgia "Festival de Teatro do Atlântico, TEARTI", Cabo Verde. Em
2024, lançou Vendedeiras de Prazer. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso
das Ilhas”