Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 5 de setembro de 2026

Macau - Fórum de Macau antevê “mais condições” para formar bilingues e promover culturas lusófonas

Nos últimos anos, o Fórum de Macau tem procurado promover o intercâmbio cultural sino-lusófono e a difusão da Língua de Camões, com destaque para a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa e as acções de formação de quadros lusófonos, que já produziram frutos como o aumento do conhecimento e do interesse do público sobre as culturas lusófonas e a elevação do nível do Português entre os jovens de Macau, considera o Secretariado Permanente do organismo. Ao Jornal Tribuna de Macau, o Secretariado garante que continuará a “criar ainda mais condições favoráveis” à formação de quadros bilingues e à difusão das culturas de língua portuguesa


Criado em Outubro de 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), vulgo Fórum de Macau, tem-se dedicado, além das conferências ministeriais e da consolidação do intercâmbio económico e comercial entre os dois blocos, às esferas do “intercâmbio cultural” e “educação e formação”, designadamente através da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa.

Numa resposta a questões formuladas pelo Jornal Tribuna de Macau, o Secretariado Permanente do Fórum sublinha que, nos últimos cinco anos, a Semana Cultural tem evidenciado uma tendência de crescimento contínuo em termos do número de participantes e uma “expansão drástica da influência”, especialmente graças à adopção de um modelo de realização trans-regional do evento a partir de 2025. Isso “reflecte que a actividade possui atractividade e potencial de desenvolvimento fortes”, entende o Fórum, destacando também o “reconhecido papel” da Semana Cultural para a promoção da língua portuguesa.

O organismo considera que esse evento anual, que já acumulou 18 edições, tem sido “eficaz” no aumento do conhecimento e do interesse do público sobre as culturas dos países de língua portuguesa (PLP), numa “atmosfera cultural relaxante”.

Ao expandir-se para mais cidades do Interior da China, a Semana Cultural contribuiu para fomentar potenciais aprendentes e utilizadores da Língua de Camões, atraindo sobretudo mais jovens. O Fórum mostra-se convicto que, a longo prazo, o evento continuará a contribuir para a expansão gradual do grupo de aprendentes da língua portuguesa, “desempenhando um papel promotor duradouro para a formação de quadros bilingues em Chinês e Português” e também uma função “positiva” para a difusão linguística.

Olhando para o futuro, o Fórum promete optimizar o conteúdo das actividades integradas na Semana Cultural e as formas de realização, com o objectivo de “aproveitar ainda mais as vantagens de Macau como plataforma sino-lusófona”. Desse modo, sustenta, será possível “promover a formação e concentração de mais quadros altamente qualificados para a cooperação económica e comercial e o intercâmbio humanístico entre a China e os PLP”.

Em 2021 e 2022, sob o impacto da pandemia, a Semana Cultural adoptou actividades online e offline, tendo atraído mais de 35 mil visualizações online e cerca de 3000 participantes presenciais, por cada edição. Em 2023 e 2024, com o regresso da sociedade à normalidade, a dimensão de participantes presenciais voltou para cerca de 30 mil pessoas/vezes, segundo dados do Fórum.

Em 2025, pela primeira vez, o evento foi repartido por Macau, Pequim e Zhongshan, modelo inovador que contribuiu para um total de 138 mil participantes, incluindo mais de 115 mil nas actividades offline. Ao mesmo tempo, 23 mil pessoas assistiram às transmissões em directo das actividades pertinentes, o que “ilustra uma expansão notória da escala de participação”.

Quanto a 2026, as estatísticas preliminares indicam que o evento atraiu cerca de 6700 espectadores presenciais e 250 mil das transmissões em directo. Além disso, pelo menos 200 mil leram notícias e reportagens sobre o evento.

A este jornal, o organismo acentua que continuará a aproveitar as vantagens de Macau enquanto plataforma e a ter como base os trabalhos existentes, para “aprofundar continuamente os trabalhos de promoção do Português e de formação de quadros, explorando activamente modelos de promoção mais diversificados, no sentido de criar ainda mais condições favoráveis à formação de quadros bilingues Chinês-Português e à difusão das culturas de língua portuguesa”.

63 colóquios de formação para 1600 lusófonos

Por outro lado, desde a sua criação, em 2011, o Centro de Formação do Fórum de Macau tem vindo a fomentar a cooperação sino-lusófona na área dos recursos humanos. Até à primeira metade deste ano, o Centro já realizou 63 colóquios de formação (incluindo seis online), tendo convidado, no total, mais de 1600 formandos para intercâmbios em Macau, principalmente direccionados a dirigentes governamentais, pessoal técnico ou quadros superiores de algumas instituições, oriundos dos nove países lusófonos.

As áreas de formação incluem administração pública, economia e comércio, finanças, saúde, educação, entre diversos domínios. Ao mesmo tempo que oferece formação a oficiais governamentais lusófonos e os leva a “participar em várias actividades económicas e comerciais de relevo no Interior da China e em Macau”, e em visitas a províncias e cidades do Continente chinês, o Centro de Formação tem convidado instituições de ensino superior de Macau para a organização das respectivas acções de formação. Assim, “aproveitou as vantagens educacionais da RAEM e fomentou uma atmosfera propícia para os jovens locais contactarem com o Português e conhecerem culturas dos países lusófonos”.

Embora não tenha estatísticas concretos sobre o número de alunos, jovens e professores locais envolvidos anualmente nos colóquios de formação, o Fórum constata que, no âmbito desses programas, jovens locais puderam participar em actividades económicas e comerciais e visitas no Continente chinês e na RAEM. Envolveram-se nessas iniciativas como voluntários, tradutores presenciais ou guias, e utilizaram o Português em cenários reais de trabalho.

“Através do intercâmbio e da partilha de experiências com profissionais de diversas áreas dos PLP, conseguiu elevar-se o nível da língua portuguesa de jovens de Macau num ambiente imersivo, com alargamento da sua visão internacional” e, em paralelo, “aprofundou-se o seu conhecimento sobre culturas de diferentes países lusófonos”, conclui o Fórum, asseverando que os jovens locais “demonstraram grande entusiasmo” nessas actividades e têm dado um “feedback positivo”. De um modo geral, acredita que os colóquios de formação e outras actividades assumem um “papel promotor positivo” no crescimento dos jovens de Macau.

Acções “a múltiplos níveis”

Por outro lado, o Fórum realça que, ao longo da última meia década, um dos reflexos do seu empenho em aproveitar as funções abrangentes da RAEM enquanto plataforma de serviço para a cooperação comercial entre a China e os PLP assenta na “promoção activa a múltiplos níveis” dos trabalhos relacionados com a divulgação da língua portuguesa e a formação de talentos, tanto a nível académico como no que respeita ao intercâmbio cultural, à tradução de obras literárias e à participação juvenil.

Por outro lado, o Fórum frisa que tem apoiado instituições no estabelecimento de plataformas de investigação focadas na cooperação sino-lusófona. A título de exemplo, menciona o apoio ao Instituto de Gestão de Macau para a criação da “Aliança de Estudos da Cooperação China-Países de Língua Portuguesa” em 2025, que perspectiva a integração de recursos de investigação locais, mobilizando instituições de ensino superior, centros de reflexão, especialistas e forças de diversos sectores do Interior da China e dos PLP, para promover conjuntamente o desenvolvimento da plataforma sino-lusófona e o aprofundamento da investigação nas áreas relevantes.

O Fórum salienta também que tem impulsionado activamente trabalhos de tradução e publicação de obras literárias de autores lusófonos, incluindo de escritores angolanos para chinês. Iniciativas desse género ofereceram a mais leitores chineses a oportunidade de conhecer e compreender a criação literária nos países lusófonos, contribuindo assim para promover, a um nível mais amplo, o intercâmbio cultural e a promoção linguística, enfatiza.

Paralelamente, o Fórum aponta para o apoio concedido a actividades de inovação vocacionadas para jovens, tal como o “Concurso de Vídeos Curtos para Jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa 2026”, para estimular o interesse e entusiasmo pelo universo cultural lusófono. Ademais, tem recorrido a “variadas exposições e convenções económicas e comerciais” e “actividades de divulgação”, por forma a proporcionar uma “janela de exibição” para as culturas lusófonas ao promover a cooperação económica e comercial. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Galiza - Alva Lourenço: “Gostaria que o galego deixasse de precisar de ser defendido para simplesmente ser vivido”

Alva é corunhese e, apesar de o galego ter uma presença escassa na sua infância, ou talvez por isso, acabou a estudar Filologia Galego-Portuguesa. Foi na Universidade, até não admira, onde encontrou e ficou com a estratégia internacional da nossa língua. É ume des autóries do Guia de Linguagem Não Binária. Aspira a ser professore de pessoas adultas numa EOI. Isso também não admira. Discorda do mantra “o único galego mal falado é o que não se fala” Gostaria que em 2050 houvesse uma Galiza mais consciente da sua posição dentro do galego internacional.

Alva é da Corunha. O seu contacto com o galego, como o da maioria das pessoas da sua idade, era residual, mas decidiu estudar Filologia. Porque essa escolha? Que representou em termos de usos e de contacto com o galego?

Eu comecei estudando apenas filologia espanhola na UDC porque o meu objetivo era ser professore no ensino secundário. Normalmente são es professóries durante a ESO es que mais nos influem em certas decisões académicas e neste caso não foi diferente. Porém, no primeiro dia de aulas já fui ciente de que errara na escolha e em terceiro ano mudei para o duplo grau galego-espanhol. A UDC tem um plano de estudos que te permite ter duas carreiras em cinco anos e vi a oportunidade perfeita para continuar a aprender com as profissionais da Faculdade sobre literatura espanhola, mas formando-me naquilo sobre o que, intuía, ia querer trabalhar e investigar no futuro (que é agora!).

O meu contacto com o galego, como comentas, foi residual até chegar à Faculdade e assistir às aulas de língua. Aí foi quando comecei a ser monolingue e a preencher as lacunas que tinha sobre diferentes temas culturais, literários e linguísticos do nosso país. Isto evidentemente levou consigo que certas pessoas do meu círculo deixassem aflorar os seus preconceitos sobre a língua e que eu tomasse partido de diferentes formas. Nem sempre assertivas, na verdade.

Na Faculdade, tomaste contacto com a estratégia internacional da nossa língua, por meio da professora Cilha Lourenço. Como se olha a nossa língua com uns óculos assim?

Conforme avançava nos meus estudos tinha mais claro que a defesa do galego não passa apenas por falá-lo, mas por ter um compromisso firme com o seu uso em todos os âmbitos. E, sim, também pelo trabalho de tirar, aos poucos, espanholismos, estruturas alheias à nossa tradição linguística ou erros na fala. No primeiro dia será difícil não dizer pero em cada frase, mas ao terceiro tornar-se-á muito mais natural utilizar mas / mais, e assim com todos os casos. Para mim foi bastante singela esta mudança porque tive a sorte de me formar com professorado reintegracionista nas aulas: Cilha Lourenço, Roberto Samartim, Isaac Lourido etc. Na verdade foi um prazer aprender de uma forma tão orgânica, foi como um curso imersivo de cinco anos. Eduquei-me no isolacionismo, nunca tivera contato com o galego internacional além dos mal chamados “lusismos” dentro dos desvios linguísticos nalgum tema do bacharelado e no começo era bem estranho escrever com outra grafia. Mas não queria ficar sendo “reintegracionista de coração”, queria mesmo que os meus atos fossem alinhados com o que eu pensava. Quanto mais estou em âmbitos em que o português tem presença, mais ricas são as conversas e maior análise sobre a língua há. Na EOI da Corunha, por exemplo, presenciei debates superinteressantes da mão de profissionais do departamento de português e de galego em conjunto que oxalá estivessem presentes em todos os centros de ensino, porque tornariam muito mais ricas as aulas.

Alva faz parte da equipa que elaborou o Guia de linguagem não binária. Porque era bom que o lêssemos?

O Guia tinha de ter existido muito antes, porque a Galiza já contava com es profissionais para o fazer desde há muito tempo. Porém, certos âmbitos do isolacionismo decidiram que não era um tema suficientemente importante como para dedicar o espaço que lhe corresponde. Por sorte, não dependemos por completo desses âmbitos, porque então livros como este - ou como aqueles relacionados com a aprendizagem do português - não seriam uma realidade.

Acho que todo o mundo se pode achegar ao livro, porque está escrito para que assim seja. É certo que algumas partes são mais densas: há explicações linguísticas pormenorizadas, uma revisão histórica etc. Porém, penso que conseguimos dirigir toda essa informação também para um público que se calhar não possui formação filológica e que está interessado em conhecer de perto a aplicação da linguagem não binária na língua galega. Foi mesmo um prazer formar parte de algo tão necessário.

Continuas com vontade de ser professore no secundário? O que pode fazer uma docente para provocar pequenas mudanças?

Posso dizer quase com certeza que não iria para o secundário. Basicamente porque prefiro trabalhar com gente que está a estudar por vontade própria e não de forma obrigada. Motiva-me muito mais a ideia de dar aulas na universidade, em que o alunado assiste por prazer (na maior parte dos casos) ou nas escolas oficiais, do que o “desafio” de conseguir que gostem da matéria. Haveria que perguntar a quem está nesta situação, mas acho que tentar que o galego se torne atraente durante a adolescência não é para mim. Quando criança e durante a ESO prestava muita atenção a como o professorado se esforçava para que tivéssemos pensamento crítico, adorava fazer parte ativa da aula e colaborar nas atividades voluntárias com impacto social. Se calhar isso foi o que me fez querer trabalhar no secundário: a paixão do corpo docente. Mas com o passar do tempo vi que não queria apenas isso e decidi mudar de caminho. Na UDC há vários projetos, como Culturarmos ou Literatura con pluma (ambos presentes no Instagram), com grande influência nes alunes da Faculdade. Colaboram na normalização do galego, difundem a nossa cultura além do Minho e integram es estudantes através de pequenas participações. Esses esforços provocam pequenas-grandes mudanças e fazem parte do grande objetivo comum: conseguir que mudem os tempos para que mudem as vontades.

Alva trabalhou umas semanas na EOI da Corunha. Fala-nos dessa experiência.

Qualquer pessoa que me escutasse falar da EOI da Corunha nestes últimos dois meses sabe que adorei imenso a experiência. Apontei-me nas listagens por fazer algo diferente e por conseguir pontos para um futuro incerto, mas não esperava gostar tanto da dinâmica nem da equipa. Os departamentos de galego e português compartilham o gabinete e isso deu-me a possibilidade de conhecer mais pessoas do que apenas com quem ia trabalhar no dia a dia. Foi muito grato ouvir português o tempo todo, sim, mas sobretudo conhecer parte das pessoas que conformam o panorama cultural galego: Manu Arca, tradutor e ator de dobragem ou Joseph Ghanime, que elaborou um livro sobre a pronúncia do português, por exemplo. Também tive a oportunidade de aprender sobre temas que, pelas escolhas que fiz na vida, não estudara. Se calhar o que mais me surpreendeu foi o diferente que é o léxico do Porto em comparação com o resto de Portugal. Levo tudo isso, que se pode resumir em aprendizagem contínua e vontade de aproveitar a experiência. Algo que claramente não seria possível se o professorado que trabalha na EOI não estivesse disposto a ensinar com paciência a quem entra nova nessa roda. Especialmente Mário de Almeida, um ser fantástico e muito simpático com o que espero coincidir no futuro.

Para o reintegracionismo para avançar socialmente, quais seriam as áreas mais importantes?

Em primeiro lugar, de um ponto de vista mais isolacionista, que a Lei Paz-Andrade seja aplicada. É uma vergonha que o partido político que governa esqueça deliberadamente que foi feita para o “aproveitamento da língua portuguesa e os seus vínculos com a lusofonia”. Porém, eu acho que é insuficiente. Além de que desde fora se continua a ver como uma mostra mais de que o galego e o português são apenas “intercomprensibles”, como bem diz a Lei, creio que o verdadeiro efeito está em repensar a forma em que ensinamos galego. Ainda estudamos frango como uma palavra alheia à nossa língua, quando não deveria ser assim. Que não faça parte da nossa realidade linguística não quer dizer que não seja a nossa língua. Eu habitualmente não diria bondinho para falar do teleférico ou infantário para a escola infantil e ainda assim sei que é galego.

Em segundo lugar, estamos completamente isolades das decisões políticas de além do Minho, como se não afetasse o que acontece a uns poucos quilómetros de nós. Desconhecemos qual é a perspetiva que em Portugal têm do galego ou do reintegracionismo. Não sabemos como se organiza o ensino ou que leem as crianças lá. Não sabemos como fazer para nos comunicar em lugares que estão muito mais perto do que qualquer outro em que se fala inglês. É um completo êxito para as políticas antigaleguistas e, por extenso, um completo desastre para a Galiza.

Por último, há que lhe dar uma volta a frases que estão demasiado instauradas em certos âmbitos. Uma delas é “o único galego mal falado é o que não se fala”. Tenciona abrir as portas para todo o mundo, ajudar na aprendizagem do galego, conseguir que as pessoas se tornem galegofalantes, mas penso que é um discurso cada vez mais perigoso. Basicamente porque é comprado por quem toma as decisões sobre a língua. É comprado por políticos que comem do galego e dizem no, crisi, que não têm prosódia galega em atos públicos ou por uma televisão galega em que a percentagem de espanhol cada vez é maior. Talvez o verdadeiro perigo não seja que se fale mal o galego, mas que se use essa desculpa para deixar de exigir que se fale bem.

Que te motivou a te associares à AGAL e que esperas do trabalho da associação?

Basicamente, motivou-me a honestidade de quem trabalha na Associação. Espero que se continuem a publicar livrinhos tão ou mais interessantes como os que se publicaram até o momento, que continuem a trazer conhecimento, reflexão e prazer de leitura a quem se aproxime deles. Ao mesmo tempo, desejo que a sociedade civil galega conheça os projetos que se estão a realizar agora e no futuro, que se envolva neles e que os sinta como seus, pois é esse envolvimento que dá verdadeiro sentido e continuidade a este tipo de iniciativas culturais.

Em 2026 somamos 45 anos de oficialidade do galego. Como valorizarias esse processo? Que foi o melhor e que foi o pior?

Valorizaria esse processo com sentimentos contraditórios, para ser sincera. Por um lado, é inegável que a oficialidade trouxe avanços que antes pareciam impensáveis: o galego entrou na administração, no ensino, nos meios de comunicação, e isso permitiu que gerações inteiras crescessem a ver a língua nalgum lugar além da esfera privada a que fora relegada durante a Ditadura. Isso é, sem dúvida, o melhor: a normalização institucional, ainda que incompleta, deu ao galego um espaço de legitimidade que antes fora negado.

O pior, porém, foi o modelo que se escolheu para gerir essa oficialidade. Optou-se por um isolacionismo linguístico que cortou os laços com o resto de países em que se fala a nossa língua, apostando por uma ortografia e uma ideologia que nos afastam. Também vejo como um fracasso que a oficialidade não tenha detido a substituição linguística geracional: cada vez há menos famílias que transmitem o galego às crianças, e isso é uma perda que nenhuma lei, por si só, é capaz de reverter. A oficialidade deu-nos um marco legal necessário, mas não conseguiu, nem de longe, um compromisso social real e generalizado com a língua. E o mais preocupante é que estes dois fracassos se retroalimentam: um isolacionismo que nos empobrece como comunidade linguística mundial, e uma substituição geracional que nos empobrece como comunidade linguística local. Perdemos por ambos os lados.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2050?

Gostaria que fosse uma fotografia em que o galego deixasse de precisar de ser defendido para simplesmente ser vivido. Uma Galiza em que as crianças cheguem à escola já a falar galego em casa, e não o contrário; em que ouvir galego numa loja, num hospital ou numa reunião de trabalho seja tão normal quanto ouvir espanhol, sem que ninguém mude de língua automaticamente por cortesia mal-entendida.

Também gostaria que essa fotografia mostrasse uma Galiza mais consciente da sua posição dentro da CPLP: que ler um livro português, ver uma série brasileira ou seguir as notícias de Angola ou Moçambique não fosse um exercício estranho, mas parte natural da nossa paisagem cultural. Que o reintegracionismo, com sorte, já não seja sequer um debate, porque teremos entendido que a força do galego está precisamente em não estar sozinhe no mundo.

E, já para sonhar mesmo, gostaria que em 2050 a fotografia fosse feita por gente nova, que tivesse escolhido o galego não por militância nem por resistência, mas porque simplesmente lhe pareceu a opção mais sua.

Conhecendo Alva Lourenço:

Um sítio web: adoraria responder, como menina que medrou nos anos 2000, iCarly.com, mas provavelmente Academia.edu seja o que mais utilizei ao longo do curso. Como reintegracionista, Forvo é a minha obsessão.

Um invento: como pessoa que odeia cozinhar, poderia dizer qualquer pequeno eletrodoméstico que ajude nesta horrível tarefa. Mas provavelmente não poderia viver sem o aceite de coco e, com absoluta certeza, seria um ser completamente disfuncional sem os óculos.

Uma música: Universo de coisas que eu desconheço, do Lagum e Anavitória. E, no geral, qualquer uma em catalã.

Um livro: Darío a diario, de Xela Arias; Ara que estem junts, de Roc Casagran e a mal chamada trilogia das mulheres de Lorca.

Um facto histórico: a publicação do Guia de Linguagem Não Binária, é um presente para a comunidade!

Um prato na mesa: almôndegas com molho de cebola, sou simples.

Um desporto: a minha saúde é boa graças a que a ansiedade se calma percorrendo a pé a cidade.

Um filme: Cidade de Deus, por ser clássica. Quanto às séries, tenho muitas, mas Merlí (que está traduzida ao galego por Manu Arca) sempre vai ser uma referência indiscutível. O meu documentário favorito é qualquer um que analise pequenos-grandes factos históricos, como o Decreto Filgueira, produzido pela AGAL.

Uma maravilha: acabar com o capitalismo e as armas.

Além de galegue: obsesionade com tudo o que produz felicidade. In “Portal Gelego da Língua” - Galiza

 

Timor-Leste - Elimina tracoma e fortalece vigilância sanitária

Após anos de estudos epidemiológicos, o país recebeu validação internacional pela eliminação do tracoma, tornando-se referência em saúde ocular no Sudeste Asiático. O resultado fortalece políticas de saneamento e amplia compromisso com meta global de erradicar a doença até 2030

Nesta quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde, OMS, validou a eliminação do tracoma como problema de saúde pública em Timor-Leste. A nação de língua portuguesa era a última da Região do Sudeste Asiático com suspeita de tracoma endémico.

A conquista é histórica para a região, que agora é reconhecida oficialmente como fora de ameaça.

Combate à cegueira

O tracoma é causado pela bactéria Chlamydia trachomatis, e constitui a principal causa infecciosa de cegueira no mundo.

A doença afeta principalmente populações vulneráveis com acesso limitado a saneamento e água potável.

Infecções repetidas geram cicatrizes nas pálpebras que curvam os cílios para dentro, a triquíase, podendo levar à perda irreversível da visão.

Timor-Leste é o 33.º país no mundo e o quarto da sua região a alcançar este marco.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, deu os parabéns à nação pelo planeamento, investigação e vigilância sanitária. Segundo ele, Timor-Leste demonstrou como a ciência e sistemas de saúde podem proteger as pessoas.

Anos de pesquisa

Entre 2015 e 2017, equipas da OMS realizaram exames na Ilha de Ataúro, triagens em clínicas oftalmológicas e buscas ativas, sem registar casos da doença.

Em 2025, um estudo epidemiológico analisou cerca de 5 mil amostras de crianças entre 1 a 5 anos de idade em todos os municípios do país, com resultados negativos para a transmissão.

A ministra da saúde de Timor-Leste, Élia dos Reis Amaral, celebrou o resultado. Ela reforçou o compromisso do governo em avançar a cobertura de saúde e fortalecer o sistema sanitário em todas as regiões do país.

Meta para 2030

O processo contou com a liderança do Ministério da Saúde timorense, apoio técnico da OMS e de organizações parceiras, incluindo a Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira.

Mesmo após a validação, Timor-Leste manterá a monitorização de casos individuais de triquíase e outras doenças oculares por meio do Centro Nacional de Olhos.

A monitorização do tracoma será integrado às plataformas nacionais de vigilância de doenças tropicais negligenciadas, em paralelo à expansão dos programas de água potável e saneamento básico.

De acordo com Ghebreyesus, a eliminação do tracoma no Sudeste Asiático é um grande passo em direção à meta global de eliminar a doença em todo o mundo até 2030. ONU News – Nações Unidas


Cabo Verde - Single “Sonsente” anuncia chegada de álbum de inéditos da falecida diva Cesária Évora

Cesária Évora completaria 85 anos no dia 27 de agosto deste ano. Para assinalar a data, foi lançado um single inédito da “Diva dos Pés Descalços”


Intitulado “Sonsente”, o tema é o primeiro single de Reina Da Morna, um álbum que reúne 10 gravações inéditas de Cesária Évora e que, até agora, não tinham sido editados. Segundo a Lusafrica, as gravações foram descobertas nos arquivos do produtor de longa data da artista, José “Djô” Da Silva.

O tema, cujo videoclipe foi lançado esta quinta-feira, foi escrito pelo também falecido multi-instrumentista, compositor e professor cabo-verdiano Jotamont, nome artístico de Jorge Fernandes Monteiro, também conhecido como Jorge Cornetim.

Para a produtora, Reina Da Morna, com lançamento previsto para 2 de outubro, “destaca de forma brilhante o poder atemporal da obra de Cesária Évora”, quinze anos após a sua morte. “Cesária Évora permanece como uma das vozes fundamentais da world music”, sublinha a Lusafrica.

O álbum de inéditos inclui ainda um texto do jornalista francês Francis Dordor, que acompanhou a artista ao longo da sua carreira.

Conforme a lista disponibilizada pela plataforma Spotify, os dez temas que integram o álbum são: “Amiga d’nh’Amigo”, “Sonsente”, “E Nos Cabo Verde”, “Resposta De Ganha Pouco”, “Junior”, “Brisa D’bo Sorriso”, “Nos Contradança”, “Força Di Cretcheu”, “Projecto” e “No Po Na Ton”.

De recordar que, em 2025, a Sony Music France e a Sony Music Publishing France adquiriram as editoras Lusafrica e Africa Nostra. Fundada por “Djô” da Silva em 1998, a Lusafrica foi a editora responsável por projetar Cesária Évora internacionalmente e contribuir para o reconhecimento da morna e da música cabo-verdiana no mundo. In “Balai Cabo Verde” – Cabo Verde


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Singapura – Universidade de Macau reforçou parcerias no país

Uma delegação liderada por Song Yonghua, reitor da Universidade de Macau (UM) visitou algumas congéneres de Singapura, incluindo a Universidade Nacional (NUS), Universidade Tecnológica de Nanyang e Universidade de Tecnologia e Design. A delegação abordou questões ligadas ao desenvolvimento do ensino superior, investigação científica, inovação e formação de talentos, procurando alargar as oportunidades de cooperação em áreas como a medicina, a gestão e o design e a tecnologia.


Durante a visita, e na presença do Chefe do Executivo, a UM e NUS assinaram um memorando de entendimento para “reforçar os intercâmbios de estudantes e melhorar a qualidade da formação de talentos”, segundo refere um comunicado da UM.

Na ocasião, Song Yonghua sublinhou que esta visita consolida as bases da cooperação com as universidades de Singapura e responde às necessidades de desenvolvimento das Faculdades de Medicina, de Administração de Empresas e de Design da UM, “tirando partido das experiências bem-sucedidas das universidades de Singapura na educação médica, na formação de talentos empresariais e na tecnologia e design”.

A delegação visitou a Faculdade de Medicina Yong Loo Ling da NUS, o Centro de Simulação Médica e de Saúde e o Museu de Anatomia, discutindo temas como a formação de talentos médicos, o ensino clínico, a investigação em medicina translacional e os intercâmbios de docentes e estudantes. “Os representantes chegaram a um consenso para reforçar ainda mais a cooperação entre as duas universidades na área do ensino e da investigação médica, proporcionando uma importante plataforma de cooperação internacional para o futuro desenvolvimento da Faculdade de Medicina da UM”, salientou Song Yonghua.

Na Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU), a delegação visitou a Escola de Negócios. As duas instituições mantêm laços estreitos, com programas de intercâmbio de estudantes em funcionamento há mais de uma década.

Yu Jun, director da Faculdade de Administração de Empresas da UM e Yang Jun, da NTU, assinaram um “Acordo de Cooperação Educacional Conjunta” para aprofundar a formação de talentos empresariais e proporcionar aos alunos da UM uma experiência de aprendizagem mais internacional e diversificada.

Na reunião, os dois lados discutiram em profundidade as orientações de cooperação nas áreas da administração de empresas, tecnologia financeira, intercâmbio de talentos e formação conjunta de pós-graduação, reforçando ainda mais a cooperação entre as duas universidades no domínio do ensino empresarial e do desenvolvimento de talentos.

A delegação visitou também a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura (SUTD), com a qual desenvolve um programa de intercâmbio de estudantes desde 2023. O encontro permitiu trocar pontos de vista sobre a integração do design e da tecnologia, a formação interdisciplinar de talentos, os intercâmbios de docentes e estudantes e a investigação conjunta, tendo explorado a viabilidade de estabelecer uma relação de cooperação mais estreita com a Faculdade de Design da UM.

A delegação deslocou-se também ao campus e às instalações de investigação da SUTD, obtendo uma compreensão mais profunda da abordagem à engenharia e à inovação tecnológica impulsionada pelo pensamento de design, “lançando as bases para futuras colaborações em inovação de design e investigação interdisciplinar”, frisa a UM. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Macau é um “tesouro” jurídico que liga China e a Lusofonia

A Universidade de Macau acolheu o Fórum sobre a Herança e o Desenvolvimento do Direito Continental, durante o qual discursaram a Comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China e o Secretário para a Administração e Justiça. Em matérias de justiça, Bian Lixin descreveu Macau como “um tesouro de encontro sino-ocidental”, enquanto Wong Sio Chak realçou a “tradição típica do direito continental” do sistema jurídico da RAEM


Para a Comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM, Macau é “um local tesouro de encontro sino-ocidental e um palco de abraçamento da diversidade”, assim como “uma ponte de ligação” entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP). Segundo um comunicado do Gabinete do Secretário para a Administração e Justiça, Bian Lixin também disse esperar que a RAEM “aproveite bem as suas condições privilegiadas para explorar os tesouros da cultura jurídica chinesa e ocidental” e promover em conjunto “o progresso da civilização do Estado de Direito humano”.

Ao abrigo do tema “Construção conjunto um impulso para o desenvolvimento sustentável: intercâmbio de experiências em direito continental”, Bian Lixin discursou durante o Fórum sobre a Herança e o Desenvolvimento do Direito Continental, co-organizado pelo Comissariado que lidera, pelo Governo da RAEM e pelas Universidades de Macau (UM) e da Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM). Na ocasião, aproveitou também para realçar “os resultados históricos obtidos na construção do Estado de Direito socialista com características chinesas para uma nova era” e o papel da China na defesa e construção do Estado de Direito internacional.

“Desde o retorno de Macau à Pátria, o Governo Central da China tem garantido, nos termos da lei, o sucesso da implementação do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ em Macau”, vincou a Comissária. Asseverou também que o Governo Central “irá construir e aperfeiçoar, de forma contínua, a rede jurídica de cooperação internacional da RAEM”.

Relativamente ao Fórum, Bian Lixin pediu um “reforço da aprendizagem mútua do Estado de Direito para o desenvolvimento nacional, a injecção de uma nova vitalidade na renovação para o acompanhamento da evolução dos tempos do direito continental e o contributo da sabedoria para a construção de uma comunidade de destino comum da humanidade”, segundo o comunicado.

À semelhança da Comissária, o Secretário para a Administração e Justiça, referiu que “o sistema jurídico de Macau tem uma tradição típica do direito continental, que não só consiste numa parte importante da história e cultura local, mas também constitui o elo particular do Estado de Direito que liga a China e a Europa e os PLP”.

Wong Sio Chak também disse esperar que o Fórum que teve lugar na UM ajude a “reforçar o intercâmbio e a cooperação entre Macau e os países do direito continental no domínio do Estado de Direito”, assim como “partilhar as experiências únicas do direito continental na prática em diversos países e regiões e explorar conjuntamente as perspectivas do seu desenvolvimento”.

O Secretário apontou para o 3.º Plano Quinquenal, que “indica o reforço da colaboração eficiente entre os poderes executivo e legislativo, a promoção da modernização do sistema jurídico, o aperfeiçoamento do sistema e dos mecanismos judiciais, o aprofundamento da cooperação jurídica inter-regional e internacional” e empenho “na construção de uma Macau moderna alicerçada no Estado do Direito”.

O Fórum contou ainda com a presença de Zhang Yingjie, subdirector do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau, Vong Hin Fai, presidente da Associação dos Advogados de Macau, e mais de 120 representantes do Governo da RAEM, de organizações jurídicas locais e de universidades. O programa incluiu discursos temáticos dos professores Xu Xianming, vice-presidente do Comité Consultivo da Suprema Procuradoria Popular, e Eduardo Vera-Cruz Pinto, director da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Macau e Malásia têm “enorme potencial” para aprofundar cooperação bilateral

O Chefe do Executivo da RAEM iniciou em Kuala Lumpur a última etapa do périplo pelo Sudeste Asiático, tendo-se reunido com representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio da Malásia. Sam Hou Fai apontou a Malásia como um dos parceiros comerciais mais importantes de Macau na ASEAN


No primeiro dia da sua visita oficial a Kuala Lumpur, Sam Hou Fai reuniu-se ontem com Low Kian Chuan, membro do Senado malaio e presidente do conselho empresarial Malásia-China e vários representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio naquele país. No encontro, foram trocadas impressões sobre o reforço contínuo da cooperação económica e comercial entre Macau e a Malásia.

Na ocasião, Sam Hou Fai salientou que a deslocação do Presidente Xi Jinping à Malásia no ano passado abriu um novo capítulo de “período dourado de 50 anos” para as relações sino-malaias e novas oportunidades de cooperação entre Macau e aquele país do Sudeste Asiático. O Chefe do Executivo referiu que a Malásia é um dos parceiros comerciais mais importantes da RAEM na região da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), e a cooperação entre as duas partes tem sido aprofundada nos domínios da economia, comércio, indústria de convenções e exposições e turismo ao longo dos anos.

Recordou que o território está actualmente empenhado em implementar a estratégia “1+4” para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, desenvolvendo as indústrias de turismo e cultura, medicina tradicional chinesa, actividades financeiras com características próprias de Macau e tecnologia de ponta, “o que se coaduna perfeitamente com a orientação de desenvolvimento da Malásia, existindo um forte potencial para aprofundar a cooperação bilateral”.

De acordo com uma nota oficial, Sam Hou Fai frisou que a inclusão na sua comitiva de um grupo empresarial, composta por representantes de empresas de Macau, Hengqin e do Interior da China, permitirá explorar oportunidades de negócio sob o lema de “Partilhar um barco para navegar em conjunto”. Estas empresas englobam vários domínios, entre os quais economia e comércio, tecnologia, medicina tradicional chinesa, cultura e turismo, bem como indústria halal.

O líder da RAEM espera que possam ser criadas, através de sessões de promoção, bolsas de contacto e assinatura de acordos de cooperação, que resultará “numa ponte de ligação”, a fim de aumentar as oportunidades de cooperação e alcançar benefícios mútuos. Em particular, expressou o desejo de que os representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio na Malásia “potenciem as próprias vantagens e aproveitem as oportunidades decorrentes da integração entre Macau e Hengqin e do aprofundamento contínuo da cooperação entre Macau e a Malásia”.

Por seu turno, o presidente do conselho empresarial Malásia-China sublinhou que as duas partes mantêm contactos frequentes e laços estreitos, indicando ainda que Macau possui uma “plataforma internacional madura” para convenções e exposições, uma rede global de empresários chineses bem como desempenha o papel de “interlocutor de precisão” entre a China e os países de língua portuguesa e é parte importante da Grande Baía. Além disso, Low Kian Chuan disse que o reforço da cooperação económica e comercial entre as empresas malaias e as de Macau e de Hengqin contribui para “expandir de forma eficaz os seus mercados para a Grande Baía e para os países de expressão portuguesa e espanhola.

Na sua perspectiva, a comunidade dos chineses ultramarinos em Macau possui uma base sólida e desempenha um “papel importante na sociedade”. Nesse sentido, pode ajudar os chineses ultramarinos a investir e estabelecer-se em Macau e em Hengqin, e ainda funcionar como “uma ponte ideal para estabelecer ligações e promover a cooperação entre as diferentes partes”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”