Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 23 de junho de 2026

Angola - Plataforma Kukubela lecciona aulas de línguas maternas com foco no resgate

Há dois anos dedicada ao resgate e à valorização das línguas africanas, com maior incidência nas línguas nacionais, a plataforma Kukubela, criada por um grupo de jovens angolanos, aposta no ensino de kikongo, kimbundu, umbundu, cokwe e lingala


Os planos de aulas, disponíveis na Play Store e na App Store, contemplam conteúdos básicos e avançados e já beneficiaram cerca de 37 mil utilizadores ao longo deste período de actividade.

Entre os utilizadores encontram-se cidadãos de Angola, Brasil, Reino Unido, França e Bélgica, interessados em aprender línguas nacionais e africanas. “Temos alunos no mundo inteiro.

Aliás, olhando para essa perspectiva de difundir as nossas línguas a nível mundial, é possível aprendê-las com base no inglês e no francês. Isso serve de apoio para os nossos irmãos que vivem na diáspora e que não dominam o português, mas gostariam de aprender as línguas nacionais. Assim, quem fala e entende inglês ou francês pode aprender as nossas línguas”, explicou o professor Moisés Cudi Muena. Antónia Gonçalo – Angola in “O País”


Macau - “Calçada Portuguesa” mostra técnicas e curiosidades

A exposição “Calçada Portuguesa”, com curadoria do artista Fernando Simões, apresenta, até 22 de Julho, “técnicas, padrões e outras curiosidades” sobre esta arte tradicional. Amanhã, por seu turno, é inaugurada a mostra “A Poesia que contém (a poesia do espaço) pintura e fotografia”, de Shee Va e Lam Kuok Kao. Ambas as iniciativas estão integradas no programa do “Junho, Mês de Portugal”


Foi inaugurada, na Casa de Vidro, no Tap Seac, a exposição “Calçada Portuguesa”, do artista Fernando Simões. A mostra, que estará patente ao público até ao dia 22 de Julho, todos os dias das 10h00 às 19h00, conta com a organização da Casa de Portugal e está integrada na programação do “Junho, Mês de Portugal”.

“Sendo a calçada portuguesa candidata ao título de Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, pretende-se divulgar mais aspectos sobre esta arte tradicional, nomeadamente as técnicas, padrões e outras curiosidades”, pode ler-se na nota de divulgação.

Fernando Simões iniciou-se na arte da calçada portuguesa em 1984, inspirado num vizinho calceteiro. Chegou ao território em 1996, acompanhado por 11 mestres calceteiros portugueses, solicitados pela administração, para revestir então a extensão do Jardim do NAPE.

No entanto, como “a mão-de-obra saía cara”, como explicou há uns anos, optaram por ensinar “esta arte tão portuguesa aos chineses”. Fernando Simões passou assim alguns anos em Macau a dar formação técnica a elementos locais, acabando por se apaixonar pela cidade durante este processo que tornou a calçada portuguesa num dos ex-libris da cidade.

Assentou pedra e espalhou a sua arte em várias zonas públicas como o Jardim Dr. Carlos Assumpção, Templo de A-Má, Rotunda da Torre de Macau, Palácio de Santa Sancha, Sede do Governo, Antigo Mercado da Taipa, Jardim das Artes e Bairro de S. Lázaro, bem como as distintas ondas no Largo do Senado.

A curadoria desta exposição que foi agora inaugurada cabe então a Fernando Simões, artista português radicado em Macau há vários anos especializado em mosaicos bizantinos e calçada portuguesa.

Entretanto, hoje e domingo, o fotojornalista português Eduardo Leal vai realizar visitas guiadas à Casa Garden, onde tem patente a exposição “The Insider: Uma Visão por Dentro”. As visitas acontecem às 18h30, hoje, e às 15h00 no domingo.

Por outro lado, ainda no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, a exposição “A Poesia que contém (a poesia do espaço) pintura e fotografia” vai ser inaugurada amanhã na Livraria Portuguesa, às 18h30. A mostra, na qual os artistas Shee Va e Lam Kuok Kao apresentam a poesia que o espaço de Macau contém, pode ser visitada todos os dias, das 11h0 às 19h00.

“Percorrer as ruas de Macau, observando as suas gentes, ruas e casas é olhar o material urbano da cidade onde vivemos e passeamos”, refere a sinopse da mostra, acrescentando que “cada pessoa vê com os seus olhos um instante e somados os momentos da sua experiência nesta vivência é capaz de interiorizar, transformar e expor sob as formas mais diversas”.

Os artistas observam que essa experiência pode ser descrita num texto, numa crónica, contada em poema. Mas pode também ser pintada ou fotografada, transformando-a em duas dimensões para uma folha de papel. E é isso que fazem. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Portugal - Restaurantes lusófonos são um regresso a casa para os imigrantes

O sabor dos pratos lusófonos nos restaurantes da Grande Lisboa transporta à terra natal os imigrantes, que chegam a chorar quando identificam certos temperos, os quais os colocam por momentos na cozinha da sua infância. A propósito dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assinalados este ano, a Lusa percorreu restaurantes da Grande Lisboa para perceber como a gastronomia continua a ligar comunidades imigrantes às memórias dos países de origem.


Eleanora Carlota, proprietária do restaurante são-tomense Cantinho da Nonô, na Amadora, recebe muitas vezes os comensais com as lágrimas nos olhos. “Há pessoas que se levantam e perguntam-me se me podem dar um abraço; e abraçam. E afirmam: Olha, tu fizeste-me voltar a 30 anos atrás, à comida que a minha avó fazia”.

Para Nonô, 46 anos, o amor é o ingrediente especial servido no seu Cantinho, que abriu em 2019. À mesa deste restaurante na Damaia não falta o peixe andala, que é o “manjar da casa”, tamanha a variedade de utilizações que tem na cozinha, do pastel à feijoada, passando pelo patê e o calulu, o prato nacional são-tomense, que é sempre um sucesso neste espaço, onde o pano africano se destaca na decoração das mesas.

A ementa cresceu à velocidade dos pedidos de clientes de outros países lusófonos, que foram sugerindo a cachupa (Cabo Verde), moamba (Angola), caril de amendoim (Moçambique), caldo de peixe (Moçambique), picanha (Brasil) e pratos portugueses, como o bacalhau à minhota.

No restaurante Mana Gra as refeições não têm horário. Todos e a qualquer hora são bem-vindos ao espaço que serve comida da Guiné-Bissau, num centro comercial em Massamá, onde se procura comer, mas também matar as saudades de casa.

A proprietária e cozinheira é a Graciete Kattar Madi, 52 anos, que sempre teve mão para a cozinha e que desde 1998, quando veio para Portugal, trabalha na restauração. Sempre sonhou em ter um restaurante, que servisse boa comida do seu país, e arriscou quando todos estavam a fechar as portas na pandemia.

O espaço torna-se facilmente pequeno para os clientes que serve e que vêm de várias latitudes. Mas também estudantes guineenses em Portugal, que não têm oportunidade de comer estes pratos e aqui matam as saudades.

“É um regresso a casa”, afirma Graciete, que gosta de ver os seus clientes a usufruir do espaço, que decorou com coloridos panos africanos, e dispensa publicidade, porque acha que “a melhor propaganda é feita pelos clientes satisfeitos”.

Chama ao seu Mana Gra uma clínica da alimentação, onde se encontra tudo do bom e do melhor. O caldo mancarra é o mais procurado neste restaurante, com os clientes portugueses a preferirem outro prato guineense: O chabéu.

Cachupa, grogue e ponche de mel são imprescindíveis no restaurante cabo-verdiano O Coqueiro, na Cova da Moura, Amadora. Maria Patriarca, 70 anos, está à frente da cozinha deste emblemático espaço, que abriu em 1995 e, desde então, é paragem obrigatória de cabo-verdianos, outros africanos, portugueses e estrangeiros. Mas também de chefes de Estado, de Portugal e Cabo Verde, tendo a passagem de Marcelo Rebelo de Sousa colocado este restaurante no itinerário de muitos comensais.

A cabo-verdiana, natural da ilha de Santo Antão, já perdeu a conta às cachupas que cozinhou e que são seguramente largos milhares, servindo no restaurante e a particulares, grupos e empresas. Todos apreciam, mas este já não é o prato da sua preferência.

Os cabo-verdianos, aliás, optam por outros pratos, como peixe grelhado, bife de atum à moda de Cabo Verde ou bitoque. A cachupa é mais escolha de portugueses e estrangeiros.

Maria Patriarca garante que a receita da sua cachupa é igual à primeira que confeccionou e que as medidas são “a olho”. O resultado parece agradar, levando-a a estar ao fogão desde cedo, só parando para comer e só quando os clientes estão já a lanchar.

No espaço gastronómico da associação Casa de Angola, em Lisboa, há pratos que lembram as mães. Isso mesmo contou o cozinheiro Paulo Soares, que há mais de 18 anos ali recebe os comensais. “Quando me dizem que a minha comida transporta para Angola, isso é mais importante do que dizerem que a minha comida está boa”, diz.

E são muitos os que, através de pratos como moamba, calulu, carne seca, funge de peixe frito, são transportados para o país da kizomba.

Paulo Soares, 55 anos, também prefere a moamba da sua mãe, que elege como a melhor do mundo. E entende o gosto que os angolanos, e não só, têm em partilhar a gastronomia e a música angolana, o que fazem com grande frequência neste espaço gastronómico.

O brasileiro Juca Oliveira abriu em 1978 o Brasuca, ao Bairro Alto, quando esta zona fervilhava de intelectualidade, oferecendo pratos com produtos que nem sequer existiam em Portugal, como o feijão preto. Para conseguir o ingrediente principal da feijoada, o prato nacional brasileiro, plantou em Rio Maior cinco quilos, que renderam 200 quilos e com estes obteve quatro toneladas, das quais três ficaram para a cooperativa que fez a plantação.

Hoje, a feijoada brasileira continua na ementa do restaurante e o seu proprietário, com 88 anos, não mostra intenção de alterar o menu, que é igual desde a abertura.

Os ingredientes são, contudo, hoje mais fáceis de obter, permitindo fazer especialidades como a moqueca de camarão, elogiada pelos estrangeiros como melhor do que no Brasil e mais barata. Sandra Moutinho / Cláudia Joaquim – Agência Lusa in “Jornal Tribuna de Macau”


Macau – 18.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa

Entre os cerca de 60 artistas e cozinheiros lusófonos da 18.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, Portugal vai estar representado pela voz de Marta Miranda e pelos pratos do chef Luís Américo. Segundo Ji Xianzheng, secretário-geral do Fórum de Macau, serão expostas 158 peças de artesanato lusófono nas três cidades participantes


A música Marta Miranda e o chef Luís Américo vão representar Portugal na 18.ª edição da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, organizada pelo Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, segundo anunciou Danilo Afonso Henriques, secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, em conferência de imprensa. Co-realizado na RAEM, em Pequim e na cidade de Xining da Província de Qinghai, o evento terá cerca de 60 artistas e cozinheiros lusófonos, segundo Ji Xianzheng, secretário-geral do Fórum Macau.

Para além de Marta Miranda, a vocalista portuguesa do conjunto “OqueStrada”, os artistas de música e dança convidados incluem Az Khinera de Moçambique, a banda Vungo Téla, de São Tomé e Príncipe, os “New Arquiris” de Timor-Leste, a cabo-verdiana Elly Paris, “Patche-Di-Rima” e “Anderking Skididi” da Guiné-Bissau e o rapper “Fristong Boy” da Guiné Equatorial. O Brasil será representado pelos músicos José de Holanda, Maurício Tizumba e Sérgio Pererê.

As actuações em Macau terão lugar no Largo do Senado, no dia 30 deste mês e a 1 de Julho. Os espectáculos em Qinghai acontecerão a 4 e 5 de Julho, enquanto Pequim acolherá os concertos nos dias 9 e 10 do próximo mês.

Na gastronomia, as chefs Marina de Senna Fernandes, descendente de uma família macaense, e a timorense Carlota Freitas também participarão nas mostras culinárias, juntamente com o português Luís Américo.

Por outro lado, Angola não terá artistas ou cozinheiros a representar o país africano, lamentou Ji Xianzheng. A “decisão difícil” teve por base as orientações de prevenção sanitária dos Serviços de Saúde, justificou o secretário-geral, devido ao surto de Ébola na República Democrática do Congo, país que faz fronteira com Angola. “Colocámos a segurança, a saúde e a prevenção de riscos em primeiro lugar”, explicou.

Além dos espectáculos e da gastronomia, será inaugurada, no dia 29 deste mês, uma exposição de artesanato com 158 peças, na Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais. O público poderá visitar a mostra da curadora Chan Chang entre as 10h00 e as 20h00 do dia 30 de Junho a 5 de Julho.

Os trabalhos artísticos em exposição incluirão diferentes formas de artesanato tradicional dos países lusófonos, como as máscaras “fang” da Guiné Equatorial, as tradicionais peças de madeira de Angola, o instrumento “balafon” da Guiné-Bissau ou as esculturas em pedra vulcânica de Cabo Verde, entre outras.

Face à Semana Cultural de 2025, a principal diferença da edição deste ano prende-se com o facto de se realizar na Província de Qinghai, explicou Ji Xianzheng à margem da conferência de imprensa. “Vamos entrar numa região muito especial da China, situada no oeste”, disse. “É um lugar pouco frequentado por estrangeiros, muito menos pelos de países de língua portuguesa”, continuou. “Será também um dos eventos mais internacionalizados nos últimos anos nesta região”, destacou.

Durante a apresentação, Ji explicou que o tema deste ano “sublinha a importância do intercâmbio e a aprendizagem mútua entre diferentes culturas e civilizações”. “Os preparativos envolvem dez países e onze partes, muitas entidades e instituições, com um longo ciclo de planeamento e uma grande dificuldade de coordenação”, observou.

Ji Xianzheng justificou a escolha de Qinghai pelo facto de, no ano passado, ter sido assinado um acordo de cooperação entre o governo da província chinesa e a RAEM. Além disso, as autoridades de Qinghai manifestaram “muito interesse e apoio” e estabeleceram contacto “mais cedo”. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Angola - Aguarda entre Novembro e Dezembro reconhecimento mundial do Semba pela UNESCO

A decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) sobre a candidatura do Semba à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade será conhecida entre o final de Novembro e o início de Dezembro, durante a reunião do Comité Intergovernamental da organização, na República Popular da China. Caso seja aprovada, a manifestação cultural juntar-se-á a bens nacionais já reconhecidos pela organização, como a cidade histórica de Mbanza Kongo e o Sona

O anúncio foi feito pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, durante a cerimónia de apresentação pública da candidatura do Semba a Património Cultural Imaterial da Humanidade junto da UNESCO, realizada na Sexta-feira, 19, no Complexo Administrativo Clássicos de Talatona, em Luanda.

Durante a sua intervenção, o titular da pasta da Cultura afirmou que a candidatura do Semba resulta de um trabalho conjunto entre o Executivo e a sociedade civil, com o objectivo de alcançar o reconhecimento internacional daquele que considera ser um dos maiores símbolos da identidade cultural angolana. “O Semba é uma manifestação cultural profundamente enraizada na identidade nacional e cada vez mais apreciada dentro e fora do país”, destacou.

Para uma melhor valorização do estilo, o ministro aproveitou a ocasião para apelar à união dos artistas e desencorajar rivalidades que possam comprometer o crescimento colectivo do género musical. Segundo Filipe Zau, a valorização do Semba depende da capacidade dos seus intérpretes e promotores de trabalharem em conjunto para fortalecer a sua presença a nível nacional e internacional. “O céu fica mais bonito quando vemos várias estrelas a brilhar e não apenas uma ou duas isoladamente”, afirmou. Musseque Segunda – Angola in “O País”


Internacional - Universidade de Coimbra coordena projeto europeu para acelerar a eliminação de gases fluorados poluentes

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) lidera um novo projeto europeu que pretende apoiar a eliminação progressiva dos gases fluorados, considerados entre os poluentes mais agressivos para o clima.

Denominado "GWPathFinder", o projeto é coordenado por Luís Pedro Viegas, investigador do Centro de Química de Coimbra do Departamento de Química da FCTUC, e conta com um financiamento de 2,9 milhões de euros do programa europeu Horizon Europe.

Os gases fluorados são amplamente utilizados em sistemas de refrigeração, ar condicionado e bombas de calor. Apesar da sua relevância para estes setores, apresentam um elevado potencial de aquecimento global, tornando-se um dos principais desafios ambientais associados à transição energética e à descarbonização.

Para responder a este desafio, o consórcio internacional liderado pela FCTUC irá desenvolver uma plataforma digital inovadora, interativa e de acesso livre, destinada a apoiar decisores políticos, indústria e comunidade científica na avaliação e seleção de alternativas mais sustentáveis.

A ferramenta funcionará como uma verdadeira “bússola” ecológica global, recorrendo a modelos científicos avançados para prever o impacto ambiental de novos gases fluorados e simular diferentes cenários de descarbonização em tempo real. O objetivo é disponibilizar informação robusta, comparável e baseada em evidência científica, permitindo acelerar a adoção de soluções de menor impacto climático.

“Este projeto pretende fornecer os dados e as metodologias necessárias para apoiar decisões informadas, contribuindo para uma transição sustentável dos setores que dependem de tecnologias de refrigeração e climatização”, refere Luís Pedro Viegas.

O "GWPathFinder" está alinhado com os objetivos da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, acordo internacional que estabelece a redução gradual da utilização de hidrofluorocarbonetos (HFC), um dos principais grupos de gases fluorados responsáveis pelo aquecimento global.

Mais informações sobre o projeto podem ser consultadas aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde lidera projeto para inovar no tratamento do glioblastoma

Projeto para desenvolver nanomedicinas ativadas por ultrassons recebeu financiamento de 150 mil euros do Programa UT Austin Portugal


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto recebeu financiamento do Programa UT Austin Portugal para desenvolver um projeto orientado para o «Tratamento do glioblastoma através de nanoterapias baseadas em estruturas orgânicas ligadas por pontes de hidrogénio para libertação local de bevacizumab ativada por ultrassons». Este projeto foi um dos selecionados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito de uma iniciativa de colaboração internacional com a University of Texas at Austin (UT Austin).

Com um financiamento total de 150 mil euros, dos quais 50 mil euros são assegurados pela FCT e 100 mil euros pela UT Austin, o projeto resulta de uma colaboração entre o grupo de investigação Nanomedicines & Translational Drug Delivery do i3S e o Department of Biomedical Engineering da universidade norte-americana, sendo coordenado em Portugal por Bruno Sarmento e, nos EUA, pelo investigador e professor Huiliang Wang.

“O projeto pretende desenvolver uma nova geração de nanomedicinas inteligentes para o tratamento do glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos e difíceis de tratar”, explica Ana Catarina Pacheco, investigadora do i3S.

A estratégia combina nanopartículas inovadoras com ultrassons direcionados para permitir a libertação localizada e controlada de bevacizumab. Este medicamento reduz a formação de vasos sanguíneos que alimentam o tumor e promovem o seu crescimento.

A equipa vai recorrer a estruturas orgânicas ligadas por pontes de hidrogénio (Hydrogen-bonded Organic Frameworks, HOF), materiais supramoleculares altamente biocompatíveis capazes de encapsular proteínas terapêuticas e responder a estímulos externos. Quando expostas a ultrassons direcionados, estas nanopartículas sofrem alterações estruturais que desencadeiam a libertação do fármaco apenas na região do tumor.

“Esta abordagem permite separar a distribuição sistémica do medicamento da sua ativação terapêutica”, acrescenta a investigadora do i3S Cláudia Martins.

“O bevacizumab circula encapsulado e inativo no organismo, sendo libertado apenas no local pretendido através da aplicação de ultrassons. Desta forma, espera-se reduzir significativamente os efeitos adversos associados à terapêutica convencional e aumentar a eficácia do tratamento”, conclui.

Combater o glioblastoma com “maior precisão terapêutica”

O glioblastoma caracteriza-se por uma elevada vascularização e por uma grande resistência aos tratamentos atualmente disponíveis. Embora o bevacizumab seja utilizado na prática clínica para controlar a progressão da doença, a sua administração sistémica pode provocar várias complicações, incluindo hipertensão, formação de coágulos sanguíneos e hemorragias. Além disso, o cérebro possui uma barreira protetora que limita a quantidade de medicamento que chega ao tumor.

Para ultrapassar estes desafios, os investigadores vão desenvolver e otimizar nanopartículas capazes de transportar o fármaco de forma segura até ao cérebro e libertá-lo apenas depois de ativado por ultrassons. O projeto inclui estudos em modelos celulares 3D e em modelos animais de glioblastoma, permitindo avaliar a eficácia terapêutica, a segurança sistémica e o impacto da estratégia na progressão tumoral e na sobrevivência.

Segundo Bruno Sarmento, este financiamento representa também uma oportunidade para consolidar uma linha de investigação que o grupo tem vindo a desenvolver nos últimos anos na área da nanomedicina para o tratamento de tumores cerebrais.

“Este projeto permitirá dar continuidade ao trabalho que temos realizado no desenvolvimento de sistemas avançados de libertação de fármacos para o glioblastoma, explorando agora uma abordagem inovadora que combina nanotecnologia e ultrassons para alcançar uma maior precisão terapêutica”, explica o líder do grupo de investigação.

O Concurso de Projetos Exploratórios 2025 dos programas UT Austin Portugal financiou um total de oito projetos, de 41 candidaturas, correspondendo a um investimento global de quase 400 mil euros, integralmente financiado pela FCT. Universidade do Porto - Portugal