Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Portugal - Federação Nacional da Educação pede reunião urgente para revisão do regime do Ensino Português no Estrangeiro

A Federação Nacional da Educação (FNE) pediu uma reunião urgente ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP), com vista à abertura de um processo negocial sobre a revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro.


O pedido da FNE surge após as declarações do governante à Lusa, na semana passada, nas quais Emídio Sousa garantiu que o Governo vai trabalhar na revisão do regime jurídico que regula o ensino do português no estrangeiro “nos próximos meses” para “mitigar algumas das dificuldades, principalmente as financeiras, mas não só”.

A federação sublinha “a ampla divulgação pública” das palavras do Secretário de Estado, mas recorda, em comunicado, que, “até à presente data, e apesar das várias propostas de alteração a diversos artigos do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro enviadas pela FNE ao longo dos mandatos dos anteriores Secretários de Estado das Comunidades Portuguesas, tal revisão nunca se concretizou”.

Acrescenta que os anteriores SECP Berta Nunes e Paulo Cafôfo “reiteradamente anunciavam uma revisão para breve”.

Contudo, a organização sindical dos professores lembra que, “até hoje, não foram remetidas à FNE quaisquer propostas da tutela para estudo, nem teve lugar qualquer diálogo formal sobre esta matéria”, bem como assinala a ausência de “resposta aos ofícios e pedidos de negociação apresentados pela FNE e pelo seu sindicato filiado, o SPCL [Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas]”.

Ainda assim, a FNE “mantém a expectativa de que as intenções agora manifestadas pela tutela se traduzam, finalmente, em concretizações efetivas”.

O comunicado realça a importância desta matéria para os docentes em exercício no Ensino Português no Estrangeiro e o “impacto direto que uma eventual revisão do regime jurídico poderá ter nas suas condições de trabalho, carreira e estabilidade profissional”, para reclamar um processo a ser conduzido “com base no diálogo social, em sede de negociação”.

Por último, a FNE dá nota do envio deste pedido à tutela, reafirmando “total disponibilidade para participar, de forma construtiva e responsável, num processo negocial que assegure a valorização da profissão docente, a defesa dos direitos dos trabalhadores e a qualidade do ensino público de língua e cultura portuguesas no estrangeiro”, ficando a aguardar a marcação de uma reunião “com carácter de urgência”.

Na semana passada, durante uma visita a Londres, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, revelou estar a trabalhar na melhoria das condições financeiras dos professores de ensino da língua portuguesa no estrangeiro para combater as dificuldades no recrutamento. “O estatuto remuneratório e os benefícios atuais não são muito atrativos porque muitos dos professores que até poderiam ter interesse em vir deparam-se com dificuldades financeiras, porque a habitação é muito cara”, afirmou Emídio Sousa.

Além da componente salarial para melhorar a atratividade da carreira, o governante anunciou a revisão de aspetos como “o próprio ensino, o método, o desempenho, as capacidades”, sem dar pormenores.

O Governo, garantiu, está determinado em manter e melhorar o ensino de português no estrangeiro porque o considera um “ativo estratégico para o país”, mas reconheceu que “a profissão de professor, para a minha grande tristeza, perdeu alguma atratividade”.

“Isto está a acontecer muito em todo o mundo e em Portugal”, vincou. In “LusoJornal” - França


Dinamarca – Comunidade portuguesa lança plataforma de produtos nacionais no país

A comunidade portuguesa na Dinamarca acaba de dar um novo passo no reforço da ligação às raízes portuguesas com o lançamento da plataforma online “Produtos Portugueses na Dinamarca”, um projeto comunitário que pretende facilitar o acesso a bens portugueses naquele país nórdico


A iniciativa surgiu na sequência de um questionário previamente partilhado junto da comunidade, com o objetivo de avaliar o interesse na importação periódica de produtos portugueses. Segundo os promotores, em nota publicada esta quinta-feira nas redes sociais, a resposta foi “muito positiva”, o que motivou o avanço para a criação da primeira versão do site/app, já disponível online e com vários dos produtos mais solicitados incluídos.

O conceito é simples: reunir encomendas da comunidade, importar os produtos diretamente de Portugal e, dessa forma, conseguir preços mais justos e custos de transporte mais reduzidos face às opções atualmente disponíveis. Os responsáveis sublinham que não se trata de uma loja tradicional, mas sim de um projeto colaborativo, construído com base no feedback dos portugueses residentes na Dinamarca.

Numa fase inicial, a plataforma encontra-se ainda em desenvolvimento, podendo apresentar erros ou aspetos a melhorar. A equipa apela, por isso, à participação ativa da comunidade, solicitando sugestões de novos produtos, comentários sobre os artigos já disponíveis e as primeiras encomendas, essenciais para dar escala e viabilidade ao projeto.

“O projeto é da comunidade e só funciona com a comunidade”, destaca Inês Marques em nota publicada nas redes sociais, incentivando os portugueses na Dinamarca a explorarem a plataforma e a contribuírem desde o início para a sua consolidação.

Os interessados podem enviar sugestões e comentários através do endereço eletrónico disponibilizado pelos promotores. “Quanto mais rápido tivermos volume, mais rápido conseguimos ter o projeto em funcionamento e garantir envios regulares”, lê-se na referida publicação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


As pegadas no passeio do vento











As pegadas no passeio do vento

 

Tu dormes minha virgem África!

Dormes mais que uma pedra estática

Enquanto não despertas

O teu mundo murcha.

Levanta-te do silêncio

E esgravata no meu corpo precioso.

 

Ó mãe África misteriosa

Vestida do aroma de ouro

E mineral

Como vagueias no alto da solidão?

 

Minha mãe

Minha rainha

Minha virgem

E idolatrada vaidosa

Enxergo-te a lacrimejar

Entre as paredes insólitas da panela de barro

Curvando-se aos pés da cacana e nhangana;

Das resinas verdes sob as folhas do embondeiro.

 

Minha mãe

Teus olhos nus reflectem

Feridas de desespero

Marcas de solidão

Sorrisos de omissão

Governação histórica

E mortes das órbitas nos hospitais.

 

Mãe

Enxergo-te clamando

Sobre as montanhas do Zambeze

Rios e lagos do Nilo.

Lamento seus acutilantes sorrisos

Que hoje te condenam à solidão e desespero.

 

Mãe

Oiço o romper da sua corda vocal

Chorando a histeria de uma política

(velha e caiada).

 

Seus filhos (em troca da liberdade)

Recatando feitiços

E dívidas acumuladas.

Condenados ao trabalho

E à glória atrasada

Enxergo-te a lamentar

(de joelhos) cavando túmulos

Desterradas no umbigo do seu olhar.

 

Minha mãe

Oiço-te a gargalhar com a sua enxada de pau

Rasgando a terra por uma migalha.

 

Diz-me mãe

Porque carregas cicatrizes

Meu berço coração

Filhos magistrados condenados sem razão?

 

Seu sangue mãe

Irrigando areia no orvalho da manhã

Porque tantos mistérios?

Guerras no save

E delírios das armas em muchungwe

Estiagem e secas imundos.

 

Minha mãe

Seu corpo põe-me a duvidar

De ti, minha amada

Mamã África.


Ernesto Moamba – Moçambique

In Liberta-te, Mãe África, (2016, Brasília, Editora do Carmo)

1º Prémio Internacional Varal Literário, Divinópolis, Brasil

____________________

Ernesto António Moamba (Ernesto Moamba), nasceu a 04 de Agosto de 1994, na cidade de Maputo, Moçambique, África, onde reside. Concluiu o seu nível pré-universitário em 2014, hoje é formado em Contabilidade Geral Básica e Financeira, Gestão de Materiais e Educação Financeira. Poeta e escritor, iniciou com apresentação dos seus trabalhos literários (poesias, contos, crónicas) nas escolas e mais tarde resolveu divulgá-los em jornais, revistas e redes sociais. A temática de sua escrita é marcada pela dor, desespero e o sofrer da sua África esquecida. O poeta sublinha ter participado de duas Antologias (nacional e internacional), nomeadamente O mundo dos sonhadores e Corpo Negro, na qual teve participação de 4 países lusófonos (Moçambique, Angola, Portugal e Brasil). Em 2014-2016, recebeu Menção Honrosa nos prémios Quatro estacões e XIV Concurso Fritz Teixeira de Salles de poesia, com os poemas “Mãe África“ e “liberta-te África”, respectivamente. Pela primeira vez o autor participa na revista literária intitulada “kamba” editada em Angola com participação de 4 países lusófonas.

É membro do grupo Intercâmbio dos Escritores da Língua Portuguesa e presidente do grupo Lusofonidades-: Divulgando literatas lusófonas. In “Wordpress.com”

Ernesto Moamba, um garoto da África, um poeta maduro, filho da pura essência do sofrimento humano, inequivocamente a sua poesia singular foi forjada neste crisol incomparável. Não encontrei nas suas lágrimas poéticas, nem nos seus raros sorrisos de encantamento existencial, nas suas frases ou versos alguma influência direta de Camões ou de Fernando Pessoa, grandes mestres da poética portuguesa. Todavia o que me parece é que aquilo que Moamba expressa no seu canto de lamento, é algo muito visceral, a sua voz é a voz da verdade, da sua própria alma, que se debate nas paredes de uma prisão cultural, num país que ainda não se libertou das algemas da escravidão social que priva os africanos da dignidade mínima que merece a alma humana. Por isso o título é tão apropriado, Liberta-te Mãe África. Portanto não se trata de mais uma cópia de poeta clássico, como Rimbaud, que desenvolveu a sua arte de fazer poesia copiando e reescrevendo grandes nomes da poesia ocidental. Ernesto é puro, simples e verdadeiro, sem firulas ou retóricas consegue atingir o seu objetivo, o de nos convencer que é um estupendo poeta na flor da sua idade biológica. Contudo, com apenas 22 anos não tem idade para escrever como escreve, sobretudo poesia, e poesia com uma inconfundível paixão e autenticidade que intrigam poetas experientes e a mim em uma análise breve como faço hoje. A poesia de Ernesto é um cântico de lamento, uma ODE à África que reverbera em todas as almas que têm sensibilidade e empatia com a dor do homem. Viva a África, viva e venha para imortalidade efémera da poesia, Senhor Ernesto Moamba. 

Evan do Carmo, Brasília, em 15 de julho de 2016. In “Editora do Carmo”

Principais obras publicadas:

Liberta-te, Mãe África – Foi o seu livro de estreia e reúne poemas marcados pela temática da dor e sofrimento de África — uma “ode à África”. Publicado originalmente pela Editora do Carmo, Brasília (2016).

Free Yourself, Mother Africa – (em inglês). Versão traduzida de Liberta-te, Mãe África, publicada nos Estados Unidos, em Nova Iorque (2020).

Libérate, Madre África – (em espanhol). Tradução da obra em espanhol, publicada na Colômbia pela Editorial Torcaza (2020).

O Coelho Fugitivo: Entre a Esperteza e o Medo – literatura infanto-juvenil. Publicado pela Editora Folheando, Pará, Brasil (2018-2020).

O Abecedário que se Fingiu de Mudo – literatura infanto-juvenil. Publicado pela Ibis Libris Editora; baseia-se numa narrativa reflexiva sobre identidade e valor pessoal via personagens do alfabeto (2022).

O Julgamento e a Sentença – Poesia. Mencionado como sendo a sua segunda obra de poesia, publicada em Belém (Brasil) pela Editora Folheando.

O Coelho e o Crocodilo às Margens do Rio – literatura infanto-juvenil. Título mencionado entre as suas obras infanto-juvenis publicadas no Brasil (2022).

Abecedário que Finge ser Mudo – Publicada na cidade da Beira, Moçambique pela Editorial Fundza.

A Rainha e os Sábios do Campo – literatura infanto-juvenil editada no Brasil pela Avant Gard Edições. (2024). 

Angola – Escritor moçambicano Ernesto Moamba apresenta o livro infantil "Abecedário que se fingiu de mudo"

Moçambique - Livros de Andreia Edna da Silva e Ernesto Moamba lançados no CCBM


 

Amar amar










Vamos aprender português, cantando

 

Amar amar

 

Teu olhar tem tanto a me dizer

e eu tentando perceber

teu sorriso faz transparecer j'ai compris tout le monde, dis-moi

se queres também

 

És fogo que arde sem se ver

minha jura, meu querer

se me convidas pra dançar, eu sei

vamos voar até o amanhecer

(hum humm)

 

Amar, amar

sem ter medo de sonhar

deixar o vento nos levar

até a noite se acabar

 

Amar, amar

sem ter medo de sonhar

deixar o vento nos levar

até a noite se acabar

 

Eu ouvi a voz do coração

que me diz que agora é pra valer

sentimento tão incrível

que basta te ver para querer

 

Amar, amar

sem ter medo de sonhar (sonhar, sonhar)

deixar o vento nos levar

até a noite se acabar

 

Amar, amar

sem ter medo de sonhar (sonhar, sonhar)

deixar o vento nos levar

até a noite se acabar

 

Allez, allez, ma l'eau Je serai lá pour toi

dar-te amor, seja onde for

 

Allez, allez, ma l'eau Je serai lá pour toi

dar-te amor, seja onde for

 

Allez, allez, ma l'eau Je serai lá pour toi

dar-te amor, seja onde for

 

Allez, allez, ma l'eau Je serai lá pour toi

dar-te amor, seja onde for

 

Amar, amar (amar, amar)

sem ter medo de sonhar (sem ter medo de sonhar)

deixar o vento nos levar (levar)

até a noite se acabar (amar, amar)

 

Amar, amar (amar, amar)

sem ter medo de sonhar (sem ter medo de sonhar)

deixar o vento nos levar (levar)

até a noite se acabar (amar, amar)

 

Erika Nelumba – Angola

Composição:

Dino Ferraz - Angola

 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Cabo Verde – Ministério da Cultura lança cinco prémios literários

O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC), na pessoa do ministro Augusto Veiga, através do Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde (BNCV), vai lançar, em breve, cinco Prémios Literários, sendo três deles novos

Entre as novidades estão o Prémio Literário Baltazar Lopes, na categoria Romance, com um valor de 500 mil escudos cabo-verdianos, o Prémio Literário Eugénio Tavares, na categoria Conto, e o Prémio Literário Jorge Barbosa, na categoria Poesia, ambos no valor de 400 mil escudos cabo-verdianos.

Além dos novos galardões, serão também atribuídos dois prémios que já contam com edições anteriores: o Prémio Infantojuvenil Orlanda Amarílis, no valor de 200 mil escudos, e o Prémio Literário Mário Fonseca, no valor de 400 mil escudos, destinado a obras inéditas publicadas por editoras.

“Com as instituições destes prémios, o Governo assume firme compromisso com a promoção da cultura literária nacional”, afirmou o Ministro da Cultura na apresentação.

Ainda segundo este, a criação destes prémios pretende estimular a produção literária, valorizar autores nacionais e consolidar o setor editorial no país.

Quem pode concorrer

Podem candidatar-se aos prémios cidadãos cabo-verdianos residentes no país e na diáspora, bem como estrangeiros residentes em Cabo Verde, maiores de 18 anos, sendo, que a exceção é o Prémio Literário Mário Fonseca, direcionado especificamente a obras inéditas editadas por editoras.

No âmbito da promoção da leitura e do acesso ao livro, o MCIC, através da BNCV, adquiriu recentemente uma Biblioteca Móvel, a estrutura irá percorrer vários municípios e ilhas, permitindo levar livros e atividades literárias a diferentes comunidades. Adelise Coelho – Cabo Verde in “A Nação”


Portugal - Defendida maior ligação entre Casa de Macau e Casa de Goa

Decorreu ontem em Lisboa a conferência “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que analisou o papel de ligação que as entidades podem ter na diáspora goesa e macaense. Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau, destaca a importância de criar pontes com a Casa de Goa pelo “paralelo de representatividade de luso-descendentes”


Que papel podem ter a Casa de Macau e a Casa de Goa, em Lisboa, tendo em conta o desfilar do tempo e os desenvolvimentos trazidos pelas novas gerações das comunidades macaense e goesa? É certo que Macau e Goa há muito deixaram de fazer parte do antigo império português, mas os laços socioculturais permanecem. A pensar nisso, decorreu ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, a palestra “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que procurou traçar respostas para os desafios do futuro.

Ao HM, Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau em Lisboa, declarou que “seria interessante que as pontes entre a Casa de Macau e a Casa de Goa pudessem também ser equacionadas num paralelo da sua representatividade dos luso-descendentes e das culturas mestiçadas”, tendo em conta que as duas entidades “são pilares fundamentais para a representatividade dessas comunidades”.

O responsável, ele próprio macaense, destaca “as similitudes da sua gastronomia, crioulo e festividades” entre as duas comunidades. Seria, assim, “interessante aliar as pequenas representações dos gigantes do mundo asiático, representadas pela simbologia do Dragão e do Elefante, como elementos estruturantes para um diálogo entre Portugal e a Ásia, queiram as vontades políticas e institucionais”.

Na visão de Carlos Piteira, as duas casas “reforçam a herança legitimada do diálogo entre o Ocidente e o Oriente, e as relações seculares de Portugal com estes países, muitas vezes ignorada e esquecida pelos poderes oficiais e institucionais”.

Já Pedro Colaço, da direcção da Casa de Goa, destaca a importância de preservar a memória da presença portuguesa tanto em Goa como nos restantes territórios de Damão e Diu. “Foram 450 anos de história, no caso de Macau foram mais umas décadas, e procuramos acompanhar a actual cultura goesa. Uma das partes mais importantes do nosso trabalho é fazer uma ponte entre Goa e Lisboa, e diariamente contactamos com artistas, músicos e membros da comunidade, é esse o nosso papel”, descreveu ao HM. Pedro Colaço deu o exemplo do concerto que vai decorrer a 8 de Março na Fundação Oriente, em Lisboa, intitulado “Oscar Castellino – Voz de Ópera de Goa e Piano com Rodrigo Ayala”.

De resto, a Casa de Goa, actualmente sem sede própria, procura, tal como a Casa de Macau, atrair novos sócios, sobretudo das novas gerações, a fim de dar continuidade ao projecto, para que a Casa se mantenha “como um polo de união dos goeses e, cada vez mais, dos amigos de Goa”.

Acompanhar a história

A Casa de Macau foi fundada em Lisboa em 1966 e tem acompanhado diversas fases não só da história de Portugal como do relacionamento do país com Macau e a China.

“A existência da Casa de Macau marca, sem dúvida, um paralelo com a própria história de Portugal por mais de 70 anos. Macau foi a ‘pérola do Oriente’ para o Estado Novo e viveu as turbulências do período revolucionário de Abril 1974, adaptando-se e consagrando-se como a ‘ponte entre o Ocidente e Oriente'”. Por fim, depois da transição para a República Popular da China, tem-se assistido à reorganização [de Macau] como território central na ligação, a partir da China, com os países da língua portuguesa.”

Carlos Piteira descreveu ainda que a Casa de Macau tem acompanhado “a história dos tempos, alargando a visão da presença portuguesa neste território”. Além disso, teve uma tarefa “não menos importante”, por ter “cristalizado, protegido e perpetuado a comunidade macaense em Portugal e no mundo”.

Actualmente, a Casa de Macau tem desenvolvido diversas actividades que levam mais sócios à Avenida Gago Coutinho, onde está situada, e cujo edifício foi recentemente alvo de obras de restauro. Todas as quartas-feiras há almoços de comida macaense com a Chef Tina, natural de Macau, decorrendo também sessões de cinema e palestras.

A missão da Casa é, actualmente, “realizar actividades de divulgação de Macau e da cultura macaense”, dando-se “apoio e dinamização de estudos e trabalhos de teor científico sobre Macau, macaenses” e fazendo-se também a “interligação institucional com as demais entidades ligadas a Macau, Portugal e Casas de Macau na diáspora”.

Quem é de Goa e quem não é

Pedro Colaço explicou que a comunidade goesa em Lisboa “tem mais facilidade em falar com a restante diáspora indiana” em Portugal, tendo em conta que, por exemplo, “a ligação é muito antiga” com a comunidade hindu.

“Temos pena que às vezes não se fale mais [da comunidade], ao nível dos meios de comunicação, porque é uma parte importante da história portuguesa”, lamenta o responsável, lembrando figuras bem destacadas no país, como António Costa, que foi primeiro-ministro português, ou Narana Coissoró, antigo presidente da Casa de Goa e ex-deputado do CDS-PP. “Há figuras mais notórias, mas no geral a comunidade goesa inseriu-se muito bem e é conhecida por ser uma comunidade bastante instruída”, lembrou ainda, lamentando que em Portugal não se consiga fazer uma distinção entre comunidades de origem indiana.

“Uma coisa que é preocupante é o desconhecimento que existe em relação às comunidades. Hoje em dia há uma grande pressão devido à imigração e depois mistura-se tudo”, destaca Pedro Colaço, lembrando que há um sentimento forte em ser-se goês, nomeadamente na ligação ao catolicismo e a uma cultura muito própria por oposição a comunidades do Indostão que, actualmente, estão muito presentes em Portugal.

“A comunidade goesa é tão miscigenada que metade da minha família, ou mais, não aparenta ser goesa, mas eu, por acaso, aparento. Há um sentimento de ser goês, algo que nos une. As outras comunidades da diáspora indiana são, muitas vezes, confessionais, têm uma religião associada, enquanto a comunidade goesa é, na sua maioria, católica, mas cada um vai à sua igreja, está muito espalhada”, apontou.

O futuro é um desafio

Pedro Colaço fala num “futuro desafiante” para a Casa de Goa. “Estou agora no segundo mandato, a direcção mudou de presidente, e uma das coisas que se tem tentado fazer é trazer jovens para os órgãos sociais. Agora temos três ou quatro membros mais novos, abaixo dos 40 anos. Também temos tentado alargar a Casa a não goeses.”

Neste ponto, há semelhanças com a Casa de Macau, que também tem procurado alargar o leque de sócios a chineses ou portugueses que não pertençam à comunidade. Pedro Colaço adianta que, com o passar dos anos, as coisas mudaram.

“Há 30 anos a comunidade era muito grande, mas neste momento, e tal como todas as instituições, temos de nos alargar. Há muitas pessoas que gostam muito de Goa e que sabem muito do território, talvez até mais do que eu, e são esses que têm de ser puxados”, assumiu.

Actualmente, a Casa de Goa tem 500 associados e, mesmo sem sede, procura fazer actividades, nomeadamente em parceria com a Fundação Oriente. É publicado um boletim mensal. Deixaram de ter sede devido às obras do metro em Lisboa, o que tem dificultado a agenda da Casa.

“Estamos no processo de arranjar uma nova sede, e é algo que tem constituído um constrangimento, mas procuramos fazer o máximo de actividades possível e, mensalmente, temos sempre actividades”, rematou Pedro Colaço. Andreia Silva – Portugal in “Hoje Macau”


Macau - Fundação Rui Cunha exibe “viagem visual” de arte sino-lusófona

A Fundação Rui Cunha tem expostos, até Março, 26 trabalhos da sua colecção, assinados por artistas chineses e portugueses. A exposição “A Galope do Ano do Cavalo de Fogo” é de entrada livre e “propõe uma viagem visual e cultural através de diferentes expressões artísticas”


A mostra “A Galope do Ano do Cavalo de Fogo” está patente na Fundação Rui Cunha (FRC) até ao dia 7 de Março, com entrada livre. Segundo uma nota de imprensa, a exposição apresenta 26 obras “ecléticas” da colecção da FRC e foi organizada em colaboração com a Associação de Poesia dos Amigos do Jardim da Flora, “que dedicou a este evento versos caligrafados de bons auspícios”.

Integrada nas celebrações do Ano Novo Lunar, a mostra “propõe uma viagem visual e cultural através de diferentes expressões artísticas, como a caligrafia, a pintura, a escultura e a cerâmica, explorando temas como movimento, energia, espiritualidade e renovação, valores intrinsecamente ligados a esta celebração milenar”, pode ler-se.

Os trabalhos exibidos representam “o diálogo entre culturas, tradições, linguagens artísticas e materiais diversos, destacando a fusão desta riqueza simbólica associada à quadra festiva do calendário lunar”.

O conjunto “diversificado de obras de influência oriental, assinadas por artistas chineses e portugueses” inclui nomes como Paulo Valentim, Arlinda Frota, Rui Calado, Vasco d’Orey Bobone, Lei Iat Po, Natalie Lao, Lee Chau Ping, He Jianguo, Liu Shengli, Wilson Lam, Li Jinxiang e Meng Li, entre outros artistas “que passaram pela Galeria ao longo de quase 14 anos”.

A iniciativa é uma demonstração do compromisso da Fundação “com a divulgação da arte e com a promoção do encontro entre artistas locais de diferentes culturas”, refere a nota. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”