Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 24 de março de 2026

Guiné Equatorial - A CPLP seleciona 4 obras do país para a terceira edição de seu Programa Audiovisual

Os beneficiários são o projeto documental “Raíces”, dirigido por Esmeralda Andréa Alogo, “Latifa”, “Caridad” e “A pie do tempo” (El pan del tiempo)


A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) anunciou a lista de projetos selecionados para o seu programa audiovisual de 2025, correspondente à terceira edição (PAV III).

Um total de 25 projetos foram selecionados, e os prémios concedidos fornecerão recursos financeiros para as suas respectivas produções: 7 longas-metragens e 18 curtas-metragens, tanto de ficção quanto documentários. Os trabalhos resultantes serão exibidos na televisão pública nos estados-membros da CPLP.

Entre os projetos selecionados, quatro são da Guiné Equatorial: o documentário “Raíces”, dirigido por Esmeralda Andréa Alogo, vencedor na categoria de 52 minutos; e na categoria de curta-metragem, “Latifa”, “Caridad” e “A pie do tempo” foram reconhecidos, consolidando ainda mais a presença do país nesta edição.

Segundo o sítio oficial da Comunidade, o Diretor-Geral da CPLP, Miguel Pedro Sousa Monteiro, representando o Secretariado Executivo, sublinhou que é “essencial valorizar e promover a diversidade cultural do mundo lusófono”, porque desta forma “investimos na nossa memória coletiva, na criatividade do nosso povo e no futuro da cultura de língua portuguesa”.

O processo de seleção foi realizado por um júri internacional, composto por profissionais com vasta experiência no setor, incluindo representantes de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde e Moçambique.

Nesse contexto, Mário Borgneth, coordenador da unidade técnica do PAV III, destacou que esta edição foi conduzida de forma "positiva" e "de alta qualidade".

O Programa Audiovisual da CPLP opera por meio da Rede Audiovisual da CPLP, composta por emissoras públicas e autoridades audiovisuais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A terceira edição do PAV, que decorre de 2025 a 2027, é financiada por Angola, Brasil e Portugal, e tem a coordenação operacional da unidade técnica formada pela Secretaria Executiva da CPLP em conjunto com o ICAB (Instituto Brasileiro de Conteúdo Audiovisual). Feliciano Ava – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Moçambique – Avança projecto mineiro de Revúboè, uma nova etapa para a industrialização do país

O Presidente da República, Daniel Chapo, lançou, na passada sexta-feira, na cidade de Moatize, província de Tete, a primeira pedra do Projecto Mineiro de Revúboè, uma iniciativa considerada estratégica para o fortalecimento do sector extractivo e para a dinamização do crescimento económico nacional.


Falando na cerimónia, o Chefe do Estado afirmou que o projecto representa um marco importante na valorização dos recursos minerais do país e na atracção de investimento directo, sublinhando que o Governo continuará empenhado em promover iniciativas que geram emprego para a juventude, aumentam as receitas do Estado e contribuem para a melhoria das condições de vida da população.

“A nossa presença neste acto atesta a aposta do nosso Governo na atracção de mais investimentos, orientados para a criação de postos de emprego para a nossa juventude e para a geração de receitas para o Tesouro Público”, declarou o Presidente da República.

O estadista saudou igualmente a empresa Jindal Steel & Power, novo accionista do empreendimento, pela confiança depositada no potencial mineiro de Moçambique e pela decisão de investir na reactivação e desenvolvimento da mina de Revúboè.

Segundo o Chefe do Estado, a província de Tete possui algumas das mais importantes reservas de carvão do continente africano e do mundo, sendo historicamente reconhecida como o coração carbonífero do país. Contudo, frisou que o principal desafio continua a ser transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano concreto.

“O nosso desafio histórico tem sido transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano mensurável, em estradas; em escolas, em centros de saúde e em melhores condições de vida para cada família moçambicana”, afirmou.

De acordo com o Presidente da República, o projecto de Revúboè apresenta um elevado potencial económico, social e estratégico. Na primeira fase prevê-se uma produção anual de cerca de 3,5 milhões de toneladas de carvão, com possibilidade de atingir 7 milhões de toneladas por ano na segunda fase, projectada para 2032.

A iniciativa deverá igualmente criar 1500 empregos directos e cerca de 8 mil indirectos, beneficiando, sobretudo, jovens e trabalhadores da província de Tete. Com uma vida útil estimada em 35 anos, o projecto deverá contribuir de forma consistente para o aumento das receitas do Estado e para o financiamento de sectores prioritários como educação, saúde, agricultura e infra-estruturas.

O Chefe do Estado destacou, ainda, que a entrada em funcionamento da mina reforçará o posicionamento de Moçambique como um dos principais produtores de carvão da África Austral, além de optimizar o uso das infra-estruturas logísticas nacionais, nomeadamente, os corredores ferroviários da Beira e de Nacala.

Na ocasião, o Presidente da República enfatizou que o projecto se enquadra na estratégia nacional de industrialização, defendendo que o país deve deixar de exportar apenas matérias-primas em bruto.

“Por décadas, Moçambique exportou matérias-primas sem valor acrescentado, deixando para outros países os benefícios do processamento industrial. Esse paradigma tem de mudar, e com Revúboè começamos a mudar”, afirmou.

Segundo explicou, o carvão produzido na mina será, em grande parte, utilizado em unidades industriais da própria empresa para a produção de aço, contribuindo para o desenvolvimento da cadeia de valor no território nacional.

O estadista exortou igualmente ao operador do projecto a apresentar, com urgência, uma estratégia clara de contratação de empresas nacionais e da promoção da moçambicanização da mão-de-obra, garantindo que os benefícios da exploração mineira sejam partilhados com as comunidades locais.

No mesmo contexto, sublinhou a necessidade de o projecto respeitar rigorosamente os padrões de responsabilidade social e ambiental, advertindo que o Governo acompanhará de perto a sua implementação.

“Não aceitaremos que as oportunidades geradas por este projecto passem ao lado das nossas comunidades e das nossas empresas”, advertiu.

Entre outras medidas, está prevista a construção de uma nova vila de reassentamento com habitações dignas, serviços básicos e infraestruturas sociais, incluindo um centro de saúde comunitário.

Para o Presidente da República, a exploração responsável dos recursos naturais deve traduzir-se em benefícios concretos para as populações locais, através de oportunidades económicas em áreas como fornecimento de bens alimentares, serviços logísticos, transporte e outras actividades associadas à cadeia mineira.

“A maior riqueza de Tete não é apenas o carvão, mas sim o seu povo, trabalhador, resiliente e orgulhoso. É para este povo que trabalhamos”, sublinhou.

O Chefe do Estado manifestou ainda a expectativa de que o projecto de Revúboè marque o início de uma nova relação entre o sector extractivo e as comunidades, baseada na transparência, no respeito e no benefício mútuo.

Na parte final da sua intervenção, felicitou ao Ministério dos Recursos Minerais e Energia, aos investidores, às autoridades locais e à população da província de Tete pela concretização do projecto, desejando sucesso na sua implementação.

“Esperamos que este projecto contribua para reforçar o posicionamento de Moçambique como um destino atractivo para o investimento mineiro e para consolidar o sector como um dos pilares do desenvolvimento económico nacional”, concluiu. In “O País” - Moçambique


Angola - Crítica literária Edmira Cariango reúne oito ensaios em obra literária

“As batucadas da Terra na voz Criadora” é o título da obra com que a ensaísta e crítica literária, Edmira Cariango, se vai estrear no mercado literário. Lançado hoje na União dos Escritores Angolanos, o livro reúne oito ensaios dedicados à reflexão e interpretação de obras de escritores angolanos


O livro, com cerca de 100 páginas e divulgado sob a chancela da Satchi Editora, é uma colectânea de oito ensaios dedicados à reflexão e interpretação de obras de diferentes autores da literatura angolana, nomeadamente António Jacinto, Costa Andrade, David Capelenguela, Jeremias Sebastião e Pedro Camorroto.

As Batucadas da Terra na Voz Criadora reúne ainda reflexões e análises sobre produções literárias, e sobretudo, um ensaio dedicado à inserção do feminino na historiografia da poesia angolana, no qual a autora reflecte sobre o lugar da mulher na produção e na história da literatura do país.

Segundo autora da obra, que se destaca por ser uma das poucas mulheres em Angola a dedicar-se à divulgação e produção de ensaios literários, a escolha dos textos incluídos na colectânea teve um carácter simbólico, na medida em que procurou prestar tributo a escritores como António Jacinto e Costa Andrade, cujas obras considera importantes para a compreensão da literatura angolana. In “O País” - Angola


Angola - Artistas exibem “100tenário de Camilo Pessanha” em exposição colectiva no Camões Centro Cultural Português

O Camões Centro Cultural Português, em parceria com o literArte, realiza hoje, a partir das 17h30, a inauguração da 14.ª Exposição colectiva “100tenário de Camilo Pessanha”, uma mostra que reúne uma selecção de 14 artistas, inspiradas em três poemas do poeta e escritor português Camilo Pessanha. Depois da abertura oficial, a mesma estará patente ao público até 15 de Abril do corrente ano


Inspirada nos poemas “Caminho”, “Vénus” e “Voz Débil que Passas”, trata-se não apenas de uma exposição de artes plásticas, mas de uma mostra que representa um encontro entre gerações, unindo uma nova geração de artistas angolanos a um dos maiores nomes da literatura portuguesa.

A exposição apresenta 28 obras, entre pintura, escultura, gravura e cerâmica, explorando diferentes correntes artísticas, como o surrealismo ou o realismo, entre outras abordagens contemporâneas.

Em declaração à imprensa, o assessor de cooperação-cultura do Camões-Centro Cultural Português, João Azeredo, disse que o grupo é composto por 14 artistas diferentes que vão colocar os seus trabalhos à disposição da comunidade, alguns com mais experiência na área e outros com menos tempo de carreira. Maria Custódia – Angola in “O País”


segunda-feira, 23 de março de 2026

Portugal - Instituto Pedro Nunes reforça serviços de diagnóstico fitossanitário para o setor vitivinícola

O Instituto Pedro Nunes (IPN), através do seu Laboratório de Fitossanidade (FITOLAB), disponibiliza serviços especializados de diagnóstico para a vinha, com o objetivo de apoiar produtores e técnicos na deteção precoce de doenças que colocam em causa a produtividade e a sustentabilidade do setor. Esta iniciativa surge num contexto global onde as pragas e doenças são responsáveis pela perda de uma fatia considerável da produção agrícola mundial, com impactos particularmente severos na viticultura europeia.


O cenário atual do setor enfrenta ameaças críticas, como a Flavescência Dourada, capaz de reduzir a produtividade em níveis superiores a 90%, ou o patógeno emergente Xylella fastidiosa. Perante estes desafios, o IPN atua como um parceiro estratégico ao fornecer suporte técnico e análises laboratoriais que permitem identificar agentes patogénicos de forma célere. A intervenção precoce viabilizada por estes diagnósticos é fundamental para travar a propagação de doenças e garantir a preservação do potencial produtivo das explorações.

A oferta tecnológica do IPN abrange a deteção de um vasto espetro de organismos que afetam a videira, desde bactérias e fitoplasmas até fungos do lenho e podridões radiculares. Ao recorrer a estas análises, os produtores conseguem basear as suas decisões agronómicas em dados laboratoriais rigorosos, o que resulta numa gestão mais eficaz das culturas, na redução de custos com tratamentos desnecessários e na implementação de estratégias mais sustentáveis para o ecossistema agrícola.

O Laboratório de Fitossanidade do IPN destaca-se como o primeiro laboratório nacional acreditado nesta área e detém o reconhecimento oficial da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) para o diagnóstico de doenças reguladas de plantas. Esta valência reforça o papel do Instituto Pedro Nunes enquanto instituição de interface tecnológica de referência, dedicada a transferir conhecimento científico para o mercado e a apresentar soluções concretas para os desafios reais da indústria e da agricultura.

Sediado em Coimbra, o IPN continua assim a consolidar a sua missão de apoio à inovação e ao desenvolvimento tecnológico, afirmando-se como um pilar essencial na ligação entre a investigação aplicada e o tecido empresarial nacional e internacional. Instituto Pedro Nunes - Portugal


Contos que procuram entender a alma

Nova obra de Eltânia André reúne dez narrativas que prendem a atenção do leitor até as últimas linhas

         

                                                              I

Com sensibilidade e argúcia para entender não só a alma feminina como a masculina, a romancista e contista Eltânia André, psicóloga de formação, premia o público-leitor com um novo livro de contos, Decomposição dos pássaros (Setúbal - Portugal / Cotia-SP, Editora Urutau, 2025), que reúne dez textos que confirmam a qualidade de uma prosa que se confirma e evolui a cada volume publicado.

Como observa o romancista Luiz Ruffato, um dos grandes nomes da ficção brasileira, no texto de apresentação, as personagens desta obra “são homens e mulheres ordinárias vivendo situações corriqueiras, nas quais nos reconhecemos como seres falhos que aspiram a alguma redenção – pois Eltânia André consegue insuflar dimensão metafísica a seus enredos”.

De fato, alguns dos protagonistas destas histórias são pessoas que vivem na contramão da sociedade, excluídos da sociedade de consumo, que, sem alternativas, acabam por aceitar a probabilidade de sobrevivência que a contravenção oferece, como o personagem Siri, do conto “Márrio-Riomar: um nome todo água”, que tinha aquele apelido por andar “ziguezagueando sem rumo certo pelas ruas”, que sempre andava “com os bolsos cheios de droga ainda para distribuir”. E quem conta a história de Siri é uma mulher batalhadora, que, igualmente para sobreviver, não hesitou em “pegar pesado no volante” de um caminhão, ainda que tivesse de “ouvir brincadeirinhas ou piadas bestas, num tempo em que bullying era apenas uma palavra estrangeira”.

 

                                                              II

Um desses contos, que leva o extenso título “Subindo as montanhas de xisto da Bulgária ou Assassinando a lógica com a caneta de Campos de Carvalho”, conta a história de Astrogildo (ou Walter) que saiu do triângulo das Minas Gerais para cumprir um trajeto até o famoso reino da Bulgária, depois de renunciar ao curso de Direito e especializar-se em Engenharia Nuclear. “Exausto de tanto cindir átomos e de fazer maracutaias, virou de cabeça para baixo a biblioteca de Assurbanípal da Babilônia, e ganhou fama de astrólogo-surrealista. Incluiu em sua biografia que traficou diamantes, atravessou mares nadando crawl, deflorou filhas de políticos, especializou-se no jogo de bisca e em soluções imaginárias para equações de complexidades múltiplas”, diz a autora.

Por aqui se tem uma ideia do estilo maduro de Eltânia André, que, no citado conto, faz uma homenagem ao escritor mineiro Campos de Carvalho (1916-1998), imitando com fidelidade o seu estilo, que se notabilizou por uma ficção associada ao surrealismo, ao absurdo (nonsense) e ao misticismo, entre outas qualificações

Já em “Decomposição dos pássaros”, um dos textos mais curtos e que dá título à obra, a autora se utiliza da metáfora de buscar pássaros para explorar as jornadas pessoais de personagens como o menino Josué, que “disfarçava, mas não controlava o rancor que sobrepunha ao amor pela mãe – que fez de tudo por ele, criando-o sozinha, após a morte precoce do marido”.

Outro conto em que a autora explora as angústias, as memórias, o trágico e o poético da vida humana é “Sob o som das matracas” em que a personagem rememora a história do avô, que havia participado da chamada Revolução de 32, “um fiasco nacional”, em que se viu “brasileiro matando brasileiro”, tudo em nome de interesses das elites regionais.

Outro conto que se destaca é aquele que encerra o volume e que tem por título “Evangelina Agustina: a Baba Vanga brasileira”, em que igualmente se vê uma homenagem a Campos de Carvalho. A narrativa conta a história de uma mulher que perdeu a visão às vésperas de completar doze anos, acutilada por um tio bêbado, que lhe arrancou os olhos “no auge do delírio persecutório”. E que teve um destino semelhante ao de Baba Vanga (1911-1996), uma búlgara cega, mística e fisioterapeuta, que se tornou muito conhecida na Europa Oriental por suas habilidades de clarividência e precognição, ou seja, por suas habilidades paranormais.

Se “Netanyahu, Putin, Trump... não frequentaram o seu radar premonitório”, como diz a autora, a Baba Vanga brasileira, mesmo vivendo num grotão próximo a Cataguases, no interior de Minas Gerais, também se notabilizou por suas previsões, chegando a ser capa da revista O Cruzeiro e veio a receber a visita da escritora ucraniana-brasileira Clarice Lispector (1920-1977). Até que “saiu de moda e seguiu esquecida. Morreu como viveu: na miséria”.

Como se vê, este livro guarda narrativas – na maior parte, curtas, mas densas – que atraem o leitor não só pelo lirismo e pelo estilo refinado como por situações que o leitor médio nem sempre percebe na vida cotidiana, mas que cativam pelo corte vertical das personagens, que são desvendadas pela psicologia, com finas observações sobre a alma humana. Esse fluxo dramático no interior das personagens é sempre marcado por um humor cético e uma ironia disfarçada, com desenlaces inesperados e enigmáticos, que prendem a atenção do leitor até as últimas linhas.

 

                         III

Nascida em Cataguases, cidade-ícone da Literatura Brasileira, localizada no interior do Estado de Minas Gerais, Eltânia André (1966) fez, em sua terra natal, os estudos primário e secundário, tendo trabalhado na indústria têxtil. Tem graduação em Administração de Empresas e em Psicologia, com pós-graduação em Saúde Pública e Psicopatologia na Universidade de São Paulo (USP).

Morou em Belo Horizonte, onde trabalhou numa concessionária de veículos, e, em São Paulo, onde, como psicóloga concursada, atuou no Centro de Atenção Psicossocial (Caps), da vizinha cidade de São Bernardo do Campo. Tem trabalhos e participações em diversos jornais, revistas e suplementos culturais e em várias antologias. Depois de viver experiências traumáticas com a violência urbana que marca a vida numa cidade grande como São Paulo, Eltânia André hoje mora em São Pedro do Estoril, aldeia da freguesia de Cascais e Estoril, perto de Lisboa. Vive em Portugal há nove anos.

É dona de uma obra que já se destaca entre os autores da Literatura Brasileira: Meu nome agora é Jaque (contos, Belo Horizonte, Editora Rona, 2007), seu livro de estreia; Manhãs adiadas (contos, São Paulo, Dobra Editorial, 2012); Duelos (contos, São Paulo, Editora Patuá, 2018); Para fugir dos vivos (romance, São Paulo, Editora Patuá, 2015); Diolindas (romance, São Paulo, Editora Penalux, 2016), escrito em parceria com Ronaldo Cagiano; Terra dividida (romance, São Paulo, Editora Laranja Original, 2020); Diário dos mundos (romance, Editora Laranja Original, 2020), escrito em parceria com Letícia Soares; e Corpos luminosos (contos, Editora Urutau, 2022). O projeto “Céu na Boca”, de sua autoria, foi um dos vencedores em 2022 do Prêmio Maria Carolina de Jesus de Literatura produzida por mulheres. E o “Mulheres de Gimonde” foi selecionado para a bolsa literária “Criar Lusofonia 2024”, romance que está sendo desenvolvido na aldeia de Gimonde, em Trás-os-Montes, com conclusão prevista para o último trimestre de 2026. Adelto Gonçalves – Brasil

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Decomposição dos pássaros, de Eltânia André, com texto de apresentação de Luiz Ruffato. Cotia-SP-Brasil/Barreiro-Setúbal-Portugal: Editora Urutau, 96 páginas, R$ 55,00, 2025. Site: contato@editoraurutau.com.br

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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage, o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003; São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo - Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (São Paulo, Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (São Paulo, Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo - 1788-1797 (São Paulo, Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2024), publicado os Estados Unidos e na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


Portugal - Polpa de café pode ajudar a combater a síndrome metabólica

Estudo liderado por investigadores da FMUP e da FFUP demonstra benefícios no controlo do peso, da glicose e da pressão arterial


Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), em colaboração com a Faculdade de Farmácia (FFUP) e o Laboratório Associado para a Química Verde e da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE/LAQV), concluiu que a polpa de café – um subproduto frequentemente descartado durante a produção do grão – apresenta benefícios metabólicos relevantes.

Publicado na revista científica Antioxidants, o trabalho demonstrou que a suplementação com polpa de café reduziu o aumento de peso, melhorou os níveis de glicose no sangue, diminuiu a resistência à insulina e atenuou a subida da pressão arterial em animais alimentados à base de uma dieta rica em frutose.

Fátima Martel, professora da FMUP e uma das autoras deste trabalho, explica que foram avaliados os efeitos da polpa de café num modelo experimental, no qual se mimetizaram as alterações observadas na síndrome metabólica humana. Os resultados indicam que a suplementação com este subproduto contribuiu para atenuar várias dessas alterações, incluindo a acumulação de gordura no fígado e perturbações no metabolismo da glicose.

“Os componentes bioativos da polpa de café atuam de forma integrada sobre as vias metabólicas, inflamatórias e vasculares, revelando-se um potencial funcional relevante na mitigação de múltiplos componentes da síndrome metabólica”, descreve a investigadora.

O estudo destaca que este subproduto é particularmente rico em cafeína e compostos fenólicos, associados a uma elevada atividade antioxidante e a efeitos benéficos no combate à inflamação, hipertensão, diabetes e acumulação de gordura.

Aplicações alimentares em desenvolvimento

“A polpa de café pode ser utilizada de diferentes formas, como infusão ou incorporada em alimentos como pães, bolos, bolachas e iogurtes”, descreve Rita Carneiro Alves, investigadora do REQUIMTE/LAQV, que acrescenta que as equipas de investigação já desenvolveram bolachas e bebidas com polpa de café, que registaram boa aceitação num painel de avaliação sensorial.

Saliente-se que a introdução da polpa seca de café no mercado da União Europeia foi recentemente autorizada pelas autoridades competentes.

Assim, os investigadores sugerem que a polpa de café poderá evoluir para um recurso multifuncional, capaz de gerar alimentos funcionais e ingredientes tecnológicos.

“Esta transição não só amplia o portefólio de aplicações económicas, como também contribui para práticas agrícolas mais sustentáveis e para a redução do impacto ambiental da produção de café”, finalizam as investigadoras.

Os próximos passos passam pela transposição dos resultados obtidos para o contexto clínico em humanos, mas a realização desses ensaios dependerá da obtenção de novo financiamento.

O estudo contou com a participação dos investigadores Nelson Andrade, Ilda Rodrigues, Francisca Carmo, Gabriela Campanher, Isabella Bracchi, Joanne Lopes, Emília Patrício, João T. Guimarães, Juliana A. Barreto-Peixoto, Anabela S. G. Costa, Liliana Espírito Santo, Marlene Machado, Thiago F. Soares, Susana Machado, Maria Beatriz P. P. Oliveira, Rita C. Alves, Fátima Martel e Cláudia Silva, e foi realizada no âmbito do projeto COBY4HEALTH, liderado pelo REQUIMTE e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Universidade do Porto - Portugal