As bibliotecas públicas de Macau tinham um total de aproximadamente 120 mil livros escritos em língua portuguesa até ao fim do ano passado, tendo o volume aumentado cerca de 2% face a 2021, constatou o Instituto Cultural (IC), em resposta ao Jornal Tribuna de Macau. Por outro lado, o IC revelou que, de 2022 ao corrente ano, o Fundo de Desenvolvimento da Cultura subsidiou a publicação de 28 livros e publicações na Língua de Camões, para os quais concedeu apoios financeiros de 1,5 milhões de patacas no total. Já o próprio IC publicou 45 obras em português, entre 2021 e Maio deste ano
Até
ao final de 2025, as bibliotecas públicas em Macau acolhiam um total de cerca
de 120 mil livros em língua portuguesa, o que representa um acréscimo de
aproximadamente 2% em relação a 2021, revelou o Instituto Cultural (IC), numa
resposta enviada ao Jornal Tribuna de Macau. Segundo frisou, essas bibliotecas
subordinadas ao IC têm enriquecido de forma contínua o acervo, conforme o
princípio das “Políticas de Desenvolvimento de Colecções”. Em simultâneo, as
bibliotecas públicas disponibilizam diariamente cerca de oito jornais em língua
portuguesa para leitura.
Actualmente,
a RAEM conta com 16 bibliotecas públicas, sendo que 13 se localizam na
Península, duas em Coloane e uma na Taipa. Por outro lado, no antigo Hotel
Estoril, está a ser construída a Nova Biblioteca Central de Macau, cuja obra de
superestrutura deverá estar concluída em Março de 2028.
De
acordo com o Anuário Estatístico referente a 2025, no ano passado, as
bibliotecas e salas de leitura públicas em Macau contavam com mais de 2,375
milhões de livros no total. Face ao volume de 2,32 milhões contabilizado em
2021 (indicado no Anuário Estatístico de 2023), houve um aumento de quase 2,4%.
Com base nesses dados, no ano transacto, os livros escritos em português
representavam 5% do total dos livros nas bibliotecas e salas de leitura
públicas no território.
Por
outro lado, o IC revelou que, em 2025, as bibliotecas públicas emprestaram
cerca de 4100 livros em língua portuguesa a um total de 2400 pessoas/vezes.
Presentemente,
existem também livros antigos em formato digital em língua portuguesa,
compostos por aproximadamente 280 títulos e 330 volumes, observou o IC. Segundo
continuou, no ano passado, houve um total de 17 consultas bibliográficas
relacionadas com os respectivos livros digitais.
O IC
indicou ainda ter feito 45 publicações em português, entre 2021 e Maio deste
ano, englobando, por exemplo, catálogo de exposições, colecção de desenhos de
levantamento arquitectónico e informação urbana. A par disso, publica
anualmente a Edição Internacional da Revista de Cultura, escrita em inglês e
português.
Adicionalmente,
lembrou ter publicado, este ano, a versão em língua chinesa dos contos
“Mong-Há”, de Henrique de Senna Fernandes, por forma a “ajudar a conhecer a
situação real da vida dos portugueses e chineses em Macau no passado”.
Segundo
revelou, de 2022 ao presente ano, o Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC)
subsidiou a publicação de um total de 28 livros e publicações na Língua de
Camões, tendo atribuído apoios financeiros que totalizaram cerca de 1,5 milhões
de patacas.
17 milhões para actividades de
cultura portuguesa
Noutra
esfera, o IC recordou que, nos últimos anos, tem vindo a impulsionar
activamente o intercâmbio e a cooperação culturais entre a China e os Países de
Língua Portuguesa (PLP), através da realização de actividades culturais
sino-lusófonas. Em paralelo, revelou que, por via do “Plano de Apoio Financeiro
para Actividades / Projectos Culturais” e do “Plano de Apoio Financeiro aos
Projectos do Património Cultural Intangível”, o FDC apoiou associações locais
sem fins lucrativos na realização de 157 actividades culturais relacionadas com
a cultura portuguesa, entre 2022 e Maio deste ano, tendo concedido cerca de 17
milhões de patacas em apoios financeiros.
Em
relação às actividades culturais sino-lusófonas realizadas pelo IC, o organismo
liderado por Leong Wai Man destacou que, em 2025, o “Encontro em Macau –
Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”,
que incluiu o Festival da Lusofonia, atraiu a participação de mais de 90 mil
pessoas / vezes, com mais de 80 programas, englobando exposição anual de artes,
exposição de livros ilustrados, espectáculos na comunidade, festival de cinema,
concerto e workshops.
Além
disso, mencionou a realização de diversas exposições artísticas e culturais
sino-lusófonas, exemplificando com “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e
Ressonância”, “Reflexos das Ligações Marítimas: O Intercâmbio Cultural
Sino-Português entre os Séculos XVI e XIX”, bem como “Reflexos do Mar de
Espelhos: Exposição de 500 Anos de Intercâmbio entre as Civilizações Chinesa e
Ocidental em Macau”, realizada em Abril deste ano em Lisboa. Para o IC, essas
actividades “reflectem plenamente o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as
culturas chinesa e portuguesa”.
Questionado
sobre se planeia lançar novas actividades culturais ligadas à lusofonia no
futuro ou se tem intenção de alargar a dimensão das actividades do género
existentes, o organismo referiu que “o IC e o FDC irão rever continuamente a
eficácia das actividades, integrando e optimizando os projectos existentes, na
esperança de, através de actividades diversificadas de intercâmbio cultural
sino-lusófono, reforçar os laços humanísticos e artísticos entre a China e os
PLP, fazendo com que Macau desempenhe plenamente o papel enquanto ‘Uma
Plataforma, Uma Base’, impulsionando o intercâmbio e a cooperação culturais
entre a China e os países lusófonos”.
Edição de “Os Livros e a
Cidade” mostra quotidiano na Macau de Senna Fernandes
A 43.ª
edição de “Os Livros e a Cidade”, publicada pela Biblioteca Pública, está já
disponível, informou o Instituto Cultural (IC). Na secção “Fala o Autor”, Iok
Lan Fu Barreto, tradutora da obra literária portuguesa de Macau “Mong-Há”,
apresenta aos leitores o antigo modo de vida de Macau, retratado por Henrique
de Senna Fernandes, recriando o quotidiano das comunidades portuguesa e chinesa
da época. Além disso, a secção “Novos Lançamentos” recomenda uma variedade de
livros e revistas recentes, incluindo também 10 recensões de livros em chinês,
português e inglês, “visando alargar os horizontes e servir de inspiração na
escolha de futuras leituras”. O IC indica ainda que esta edição é dedicada ao
tema “Leitura Divertida na Comunidade”, apresentando as diversas actividades e
serviços oferecidos pela Biblioteca Pública. A secção “Lupa”, por seu turno,
destaca os novos recursos electrónicos recentemente disponibilizados e várias
exposições de livros de temas específicos que terão lugar no segundo semestre
do ano. Estão disponíveis para levantamento gratuito 3.000 exemplares de “Os
Livros e a Cidade”, quer em bibliotecas, quer em instituições de ensino
superior, na Galeria Tap Seac e em várias livrarias, bem como nos diversos
espaços culturais e artísticos da cidade. In “Jornal
Tribuna de Macau” - Macau






