Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 3 de maio de 2026

Alemanha – Cidade de Berlim acolhe debate sobre o papel global da língua portuguesa

A embaixada de Portugal em Berlim, em colaboração com a Coordenação do Ensino do Português na Alemanha do Camões, I.P., vai assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa com a realização da segunda mesa-redonda subordinada ao tema “Língua Portuguesa: Dos Afetos ao Conhecimento”


A iniciativa terá lugar no dia 8 de maio, entre as 17h30 e as 20h30, nas instalações da embaixada, em Berlim, e pretende destacar o papel do português enquanto língua de ciência e produção de conhecimento, com enfoque no contexto académico alemão.

O encontro vai contar com a participação de especialistas, investigadores e representantes de várias instituições, que irão debater a relevância do português na investigação científica, na cooperação universitária e na promoção do multilinguismo.

Esta sessão constitui uma “oportunidade para reforçar a importância da língua portuguesa como veículo global de cultura, saber e desenvolvimento”, lê-se na página de Facebook da embaixada. Os interessados em participar podem obter mais informações ou inscrever-se através do endereço eletrónico cepe.alemanha@camoes.mne.pt. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo

A Embaixada de Portugal / Camões Berlim associa-se às comemorações que ocorrem, desde então, um pouco por todo o mundo, promovendo uma sessão dedicada à poesia lusófona na Haus für Poesie, em Berlim, no dia 05 de maio, pelas 19h30, com Frederico Pedreira (1983, Lisboa) e Ana Hupe (1983, Rio de Janeiro). O momento musical será assegurado pelo Trio Fado.

Uma iniciativa do Camões Berlim e da Haus für Poesie que reafirma o compromisso com a promoção da diversidade e vitalidade da língua portuguesa, celebrando-a como património comum que se renova a cada dia. Embaixada de Portugal - Alemanha


Galiza - Conferência Internacional: O Caminho de Santiago na Perspetiva Brasileira

No próximo 4 de maio terá lugar em Santiago de Compostela a conferência internacional O Caminho de Santiago na Perspetiva Brasileira. Nela serão tratadas, de modo breve e dinâmico, questões como a primeira tradução do Codex Calixtinus para o português, sacralidades medievais na produção académica brasileira e, sobretudo, a primeira oficialização do Caminho de Santiago no Brasil, que é também a primeira na América, com mais de 20 quilómetros reconhecidos pela Catedral de Santiago de Compostela (2017).


Será no dia 4 de maio, às 16h30, na Sala de Graus da Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela.

O seminário será liderado pela Professora Catedrática Renata Nascimento, coordenadora do primeiro Centro de Estudos Compostelanos no continente americano, figura de referências nos estudos medievais e diretora do projeto O Jacobeu como Permanência: a popularização do Caminho de Santiago no Brasil, e membro do Comité de Expertos do Caminho de Santiago (Galiza). M. Isabel Morán Cabanas (USC) e Renata Nascimento (Universidade Federal e PUC de Goiás, Brasil) organizam esta jornada internacional para especialistas e o público interessado em geral. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


Estados Unidos da América - Autora luso-americana publica “Milagre das Rosas” bilingue para crianças

A autora luso-americana Angela Costa Simões publica domingo o livro infantil bilingue “Miracle of the Roses/O Milagre das Rosas”, inspirado na história da Rainha Santa Isabel e virado para as crianças da comunidade portuguesa nos Estados Unidos


“É um milagre muito conhecido em Portugal e que conheci a vida toda por causa das Festas aqui na Califórnia”, disse à Lusa a autora, referindo-se às celebrações da comunidade luso-americana.

“Fui rainha duas vezes e marchei em paradas todos os fins de semana até completar 18 anos”, lembrou. A comunidade de origem portuguesa na Califórnia, que tem uma grande preponderância de imigrantes açorianos, celebra a Festa do Divino Espírito Santo seguindo a tradição da Rainha Santa Isabel, que viveu entre os séculos XIII e XIV (1271 a 1336).

Ângela Costa Simões considerou que era importante documentar em livros infantis as histórias por detrás das celebrações, depois de perceber que muitas das crianças que participam em paradas e Festas não conhecem a sua origem.

Mas a própria autora foi surpreendida quando começou a pesquisar e trabalhou com um historiador para este livro, que sucede a outros dois na coleção “Herança” – um sobre a lenda do Galo de Barcelos e outro sobre a canção Uma Casa Portuguesa.

“Descobri que o Milagre das Rosas não é a razão pela qual fazemos as Festas. Fiquei estupefacta”, contou. “A razão é que ela era uma pacificadora e prometeu ao Espírito Santo que se lhe desse força para parar a guerra entre o filho e o marido, ela organizaria um banquete na aldeia”.

A tradição deste banquete é que esteve na origem das Festas, o que deixou Ângela Costa Simões “de queixo caído”. Bisneta de emigrantes portugueses, a autora foi várias vezes rainha e aia nas Festas da Califórnia.

“Foi uma ótima experiência de aprendizagem e descoberta sobre a vida dela, desde criança até à velhice, e como o seu legado continuou”, frisou. O Milagre das Rosas é o oitavo livro da luso-americana e tem ilustrações de Mariana Flores, uma artista de Leiria.

“Queria mesmo encontrar alguém em Portugal, porque se fosse uma pessoa de outra cultura ou etnia, acho que não ia conseguir transmitir a emoção, o sentimento e a herança cultural envolvidos”, explicou.

Ângela Simões considera que o livro terá particular ressonância junto de famílias católicas e cristãs que estão à procura de histórias infantis sobre santos, de pais e educadores que querem ensinar português através de histórias, e ainda leitores que procuram literatura infantil com raízes culturais diversas.

Publicado através da sua editora Riso Books, o livro estará disponível na Amazon (incluindo Portugal e Espanha) e noutras retalhistas, como Walmart e Barnes & Noble. Além da coleção Herança, em que este título se insere, a Riso Books tem outras três coleções de temas distintos: Diáspora, Educação e Coração. Ângela Costa Simões quer continuar a publicar estas histórias e gostaria de ver mais autores a fazer o mesmo.

“Penso que há muito espaço para mais livros infantis escritos especificamente para a comunidade portuguesa”, afirmou. “Infelizmente, estamos a perder o idioma e se os livros forem bilingues, pais e filhos poderão aprender juntos”, salientou. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Não partas hoje










Vamos aprender português, cantando

 

Não partas hoje

 

Não partas hoje

parte amanhã

e sai p’ra sempre

em pés de lã

p’ra que eu acorde

já sem te ter

mas parte antes

de amanhecer

 

Não te despeças

p’ra eu fingir

que não te esgueiras

quando eu dormir

não deixes nada

p’ra devolver

já é difícil

que baste esquecer

 

Não partas hoje

parte amanhã

não vale nada

recomeçar

na madrugada

que traz o fim

sais pela entrada

melhor assim

 

Não partas hoje

parte amanhã

não vale nada

recomeçar

na madrugada

que traz o fim

sais pela entrada

melhor assim

 

Teresinha Landeiro – Portugal

Composição:

Mimi Froes - Portugal

 

sábado, 2 de maio de 2026

Guiné Equatorial - Malabo está a preparar-se para sediar três grandes fóruns que fortalecerão a cooperação entre África e China na atração de investimentos

O Governo e o Conselho Nacional para o Desenvolvimento Económico e Social estão a intensificar a coordenação para uma agenda internacional que colocará a Guiné Equatorial no centro do diálogo económico continental e sino-africano


Malabo está destinada a tornar-se um dos principais palcos do debate económico africano, a partir de 13 de maio. O Governo da Guiné Equatorial e o Conselho Nacional para o Desenvolvimento Económico e Social (CNDES) reforçaram a coordenação para finalizar os preparativos de três eventos internacionais de alto nível, com o objetivo de impulsionar a cooperação entre África e China e promover novas oportunidades de investimento.

Nesse contexto, o Primeiro-Ministro responsável pela Coordenação Administrativa, Manuel Osa Nsue Nsua, realizou uma sessão de trabalho com a Primeira Vice-Presidente do CNDES, María del Mar Bonkanka Tabares, com o objetivo de analisar o status organizacional destas reuniões estratégicas. O encontro ocorreu a pedido do próprio CNDES, que atua como ponte institucional com organizações congêneres em países como Marrocos e China.

A agenda planeada inclui três reuniões importantes que refletem a ambição do país de se consolidar como uma plataforma para o diálogo económico. Em primeiro lugar, a Assembleia Geral dos Conselhos Económicos e Sociais da África reunirá diversas instituições consultivas de todo o continente para trocar experiências e fortalecer políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável.

Este fórum é complementado pela Quinta Mesa Redonda China-África, que assume particular importância por ser realizada pela primeira vez em solo africano, após edições anteriores em Pequim. A escolha da Guiné Equatorial como país anfitrião marca um marco na cooperação sino-africana e abre caminho para novas alianças estratégicas, em consonância com os compromissos do Fórum de Cooperação China-África.

O terceiro evento, o Fórum Económico e Social, terá como foco a promoção de investimentos. Concebido como uma plataforma para a conexão direta entre os setores público e privado, o evento apresentará as oportunidades económicas do país, facilitará acordos de cooperação e fomentará o networking empresarial de alto nível. A participação de grandes empresas internacionais, incluindo as do setor de tecnologia, é esperada, reforçando a importância estratégica do evento.

A dimensão dessas reuniões será reforçada pela presença de organizações regionais e internacionais, como o Banco Africano de Desenvolvimento, a Comissão Económica das Nações Unidas para a África e a Agência de Desenvolvimento da União Africana, bem como diversas instituições africanas e chinesas ligadas à área económica e financeira.

Durante a reunião, o Primeiro-Ministro enfatizou a importância da coordenação eficaz entre todas as partes interessadas para garantir o sucesso do evento. Ele também destacou que estes eventos devem traduzir-se em resultados concretos, contribuindo para atrair investimentos, impulsionar a economia e promover o processo de diversificação.

Sob o lema “Diversificação económica e digitalização: quais caminhos para o desenvolvimento sustentável na África?”, a conferência será realizada sob o alto patrocínio do Chefe de Estado, consolidando o papel da Guiné Equatorial como um ator relevante na redefinição das estratégias de crescimento no continente.

Com esta iniciativa, Malabo reforça a sua posição como ponto de encontro para o diálogo económico internacional, num momento crucial em que a África procura consolidar modelos de desenvolvimento mais sustentáveis ​​e inclusivos, ligados à economia global. Benjamin Eyang – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”




Macau - Rodrigo Leal de Carvalho e o difícil acesso às suas obras

Num congresso online de homenagem à vida e obra de Rodrigo Leal de Carvalho, falou-se sobre aquele que é considerado um dos grandes ficcionistas do território pelos investigadores da área. E mencionou-se que a literatura de Macau é pouco valorizada, tornando-se difícil encontrar os livros da península asiática

Com a literatura de Macau, em língua portuguesa, a ter pouco destaque fora da região, é difícil ter acesso às obras dos escritores do território, como Rodrigo Leal de Carvalho. Os investigadores Dora Gago, Lola Xavier, David Brookshaw, Mónica Simas e Pedro d’Alte, em conjunto com o editor do autor, Rogério Beltrão Coelho, juntaram-se online num congresso, no âmbito do Seminário Permanente de Estudos sobre Macau, projecto impulsionado pelo historiador Rogério Miguel Puga, para discutir a obra e a vida do ficcionista do território.

O programa começou com a apresentação de Dois Olhares sobre a Obra de Rodrigo Leal de Carvalho, de Dora Gago e Anabela Freitas. “É o único livro que fala só sobre Rodrigo Leal de Carvalho — permite compreender melhor, valorizar e dar mais visibilidade à literatura de Macau em língua portuguesa”, divulgando e estudando a obra deste ficcionista. Trata-se de um livro que Lola Xavier, professora da Universidade Politécnica de Macau, considera particularmente importante, dado que as literaturas africanas e de Macau “continuam a ser vistas como periféricas”, havendo, por isso, pouca informação.

Rodrigo Leal de Carvalho era juiz e viveu grande parte da sua vida em Macau, referindo-se a esta como como a sua “pátria de adopção”, conforme citado no livro de Dora Gago e Anabela Freitas, numa entrevista. Com o maior número de romances escritos sobre Macau, a sua obra retrata o território, no século XX, e “quase todos os livros têm uma fundamentação real” ou são inspirados em cenas verdadeiras, “manipuladas, em alguns casos, ao interesse romanesco” da história, reflecte Lola Xavier.

A professora da Universidade Politécnica de Macau identifica algumas das características da escrita e temáticas encontradas na obra de Rodrigo Leal de Carvalho, como a visão positiva em relação aos macaenses, o retrato da mulher gentil e feminina, o território como espaço de encontro de culturas e a miscigenação.

O magistrado “discreto”, que não aceitava críticas

O editor do romancista, Rogério Beltrão Coelho, responsável pela Livros do Oriente, conheceu-o, pela primeira vez, em 1992, e quis publicá-lo. “Entre hesitações do autor e ultrapassada a vontade de usar um pseudónimo”, em Janeiro de 1993, nasce o Requiem por Irina Ostrakoff. “Estávamos perante um romance histórico, romance-saga ou romance psicológico, no qual eram interceptados factos históricos, tudo com uma rara qualidade literária”, descreve o editor, esclarecendo que se tratava de um apelo à situação dolorosa dos refugiados. Um livro que lhe valeria, no ano seguinte, um prémio do Instituto Português do Oriente, vindo, posteriormente, a ser traduzido para chinês e para búlgaro.

Nos títulos que se seguiram, nota-se a “ligação visceral a Macau, que é sempre apaixonada e irónica, sem deixar de exercer a crítica”. Elogiando a sua capacidade de recriar ambientes, usando uma linguagem moderna, Beltrão Coelho destaca o “levantamento das personagens” e a análise psicológica.

Como temperamento, Beltrão Coelho descreve-o como discreto, tanto que nunca ninguém pensou que pudesse ser autor de Requiem por Irina Ostrakoff, dado o comportamento “conservador, tímido e reservado”. Por isso, no dia do lançamento, havia muita curiosidade e expectativa, tratando-se este “do mais concorrido lançamento de sempre de um livro em Macau”, com 300 pessoas a acorrerem.

Nos outros títulos, que sempre contaram com uma larga presença de pessoas nos seus lançamentos, mantinha sempre “a preocupação com o estatuto de magistrado discreto” e era exigente com a discrição das capas. “Ia tendo um colapso quando apresentei a capa do Romance de Yolanda”, que era apelativa, mas, receoso do que os seus pares iriam dizer, viria a sair “com outra bela capa inofensiva”.

Em 2007, lançou As Rosas Brancas do Surrey, o seu último livro, em que a “escrita retoma a tradição de folhetim”, numa colaboração entre o jornal Ponto Final e a Livros do Oriente.

Na última Feira do Livro em que se cruzou com o autor, Leal de Carvalho chegou a falar com Beltrão Coelho sobre um enredo para um futuro romance. “Passados anos ainda insisti, mas sem resposta e, recentemente, perguntei junto da família por um romance inédito”, declara. Mas disso não há conhecimento.

No fim da apresentação, Beltrão Coelho, deixa a pergunta no ar. “Não será Leal De Carvalho o mais importante escritor que se refere ao Extremo Oriente”, na senda de um Rudyard Kipling ou de um Somerset Maugham?

Descrevendo-o ainda como um homem “teimoso”, com dificuldade em aceitar comentários, refere que tinha muitos amigos em Macau, deixando uma “obra notável”. “As pessoas de Macau viam nele as histórias que eles próprios conheciam e que estavam ali relatadas”, diz, esclarecendo que muito do que era escrito tinha por inspiração pessoas ou eventos nos quais esbarrou, no decurso do trabalho como magistrado. “No caso da Irina, aconteceu quando foi preciso dar vazão ao seu espólio”, recorda.

As características literárias

Pedro d’Alte, docente na Universidade Politécnica de Macau, destacou a importância de Rodrigo Leal de Carvalho, identificando-o como o autor do território com mais romances editados.

Como principais características, o professor refere que as obras demonstram “contornos de comunicação intercultural”, havendo, ao longo dos seus livros, muitas vezes, “várias explicações sobre questões de linguagem, com a presença de frases ou expressões em cantonense ou mandarim e inglês, que contribuem para criar uma esfera de exotismo”.

Além disso, destaca o investigador, Leal de Carvalho inclui, na sua obra, personagens femininas densas que contribuem para a construção da história local, com um narrador confiável.

Falta, porém, “contrariar a redoma literária”, diz, referindo-se ao desconhecimento generalizado que existe sobre a literatura de Macau. “Enquanto não tivermos estas obras a serem estudadas para exame, dificilmente vamos cumprir o propósito lusófono, pelo menos naquilo que têm de mais positivo”, diz.

Fernandes e Carvalho: o duopólio da ficção literária

David Brookshaw, professor da Universidade de Bristol, recorda que conheceu Leal de Carvalho em 1999, identificando-o como “um dos romancistas mais prolíficos de Macau”, a par de Henrique de Senna Fernandes”. Para o investigador britânico, os dois autores constituíam “o duopólio da ficção literária” naquele território.

Entre as principais diferenças entre ambos, Brookshaw destacou as fontes. “Para Fernandes, as fontes situavam-se no romantismo de meados de século XIX, enquanto, para Carvalho, no realismo que se seguiu”, diz.

Além disso, Fernandes defendia a identidade macaense, revelando uma noção da “futura família com visões mais progressistas”, enquanto mantinha “um valor moral permanente por eventos históricos” e Carvalho “inspirava-se nos grandes escritores do realismo e no estudo do sistema patriarcal contra um pano de fundo em que as suas personagens eram vítimas de grandes eventos históricos”. No fundo, “a manutenção da família patriarcal produtiva, embora mais liberal, de Fernandes, transforma-se na família desintegrada de Carvalho.”

Por outro lado, a professora brasileira Mónica Simas reflecte ainda sobre as personagens comuns nos vários romances do autor, contribuindo para o cruzamento de histórias. “É como se o escritor estivesse a prolongar a sua estada e chegada através de uma única narração”, diz.

Já Dora Gago optou por abordar as identidades transplantadas na obra deste escritor, neste congresso. “O conceito de identidade transplantada implica um sujeito arrancado do seu contexto de origem, que se tenta reescrever no espaço”, esclarece. “Macau sob administração portuguesa é um espaço paradoxal — um enclave colonial na China e refúgio de milhares de deslocados”, afirma, acrescentando: “Nos romances, Macau é porto de abrigo, território de marginalidade social e laboratório de convivência e multiculturalidade.”

Organizado pelo Centro de Humanidades (CHAM) e Centro de Estudos Ingleses, de Tradução e Anglo-Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e pela Universidade de Veneza – Ca’Foscari, este congresso online, de homenagem ao romancista e juiz, Rodrigo Leal e Carvalho, que morreu, no dia 24 de Janeiro, aos 93 anos, insere-se no âmbito do Seminário Permanente de Estudos sobre Macau, promovido por Rogério Miguel Puga. Luciana Leitão – Macau in “Ponto Final”


Cabo Verde - Festival Kontornu regressa ao país para a sua 4.ª edição com programação internacional de dança e artes performativas

A 4.ª edição do Festival Kontornu – Festival Internacional de Dança e Artes Performativas de Cabo Verde acontece de 11 a 16 de maio de 2026, afirmando-se como um dos principais encontros artísticos do país e um dos principais festivais de dança do continente africano da atualidade.


A programação estará centrada na cidade da Praia, com uma extensão especial na Cidade Velha e o seu já emblemático encerramento no Tarrafal de Santiago, reforçando a dimensão territorial e descentralizada do festival.

O Festival Kontornu reúne nesta edição cerca de 80 participantes provenientes de vários países, entre artistas, programadores, investigadores e profissionais das artes performativas (Portugal, Brasil, Grécia, Suíça, República Dominicana, Espanha, Senegal, França, Itália)

Mais do que um festival, o Kontornu posiciona-se como uma plataforma de criação, intercâmbio e pensamento crítico, cruzando linguagens como dança contemporânea, danças urbanas, performance, circo, teatro e práticas híbridas. O seu foco passa por estimular redes internacionais, promover e contribuir para a construção de novas narrativas no campo das artes performativas e tornar Cabo Verde um epicentro das artes performativas do mundo.

Ação social: “Menos Álcool, Mais Vida” celebra 10 anos

Nesta edição, o festival associa-se à campanha “Menos Álcool, Mais Vida”, que celebra 10 anos de existência.

Esta parceria reforça o compromisso do Kontornu com a responsabilidade social e a promoção de estilos de vida saudáveis, especialmente junto da juventude. A campanha tem sido fundamental na sensibilização para os impactos do consumo excessivo de álcool, incentivando escolhas conscientes e o bem-estar coletivo, alinhando-se com os valores educativos e comunitários do festival.

Kopano – Encontro Internacional de Programadores

O festival volta a acolher o Kopano – Encontro Internacional de Programadores, um espaço de reflexão, networking e cooperação entre profissionais das artes.

Esta iniciativa é realizada em parceria com o Restaurante Batuku e a Câmara Municipal da Cidade Velha, criando um ambiente de diálogo entre agentes culturais locais e internacionais. O Kopano tem como objetivo fortalecer circuitos de circulação artística, estimular coproduções e posicionar Cabo Verde no mapa global das artes performativas.

Homenagem a Marlene Monteiro Freitas

A 4.ª edição presta homenagem à coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, uma das mais reconhecidas artistas da cena contemporânea internacional. Esta homenagem celebra o seu percurso singular e o impacto da sua obra, que tem contribuído para redefinir a presença da criação cabo-verdiana nos grandes palcos do mundo. A sua abordagem radical, inventiva e profundamente autoral inspira novas gerações de artistas e reforça a importância da experimentação estética.

Kontornu Dance Camp – Nova geração em residência

Como novidade desta edição, surge o Kontornu Dance Camp, uma residência artística que reúne jovens bailarinos de diferentes partes do mundo.

Durante o festival, os participantes estarão em residência no Estádio Nacional, desenvolvendo práticas intensivas de formação, criação e intercâmbio. Esta iniciativa visa investir na próxima geração de artistas, promovendo o encontro entre culturas, linguagens e experiências.

Kontornu Dance Battle – Encerramento no Tarrafal

O festival encerra com o Kontornu Dance Battle, uma grande celebração das danças urbanas, que terá lugar no Tarrafal.

Esta atividade é realizada em parceria com o Festival IUFA (Açores), reforçando pontes entre territórios insulares e comunidades artísticas. A batalha promete reunir bailarinos, público e energia coletiva num momento de partilha, competição saudável e celebração da cultura urbana.

Sobre o Festival Kontornu

O Festival Kontornu é um evento dedicado à dança e às artes performativas, que promove a criação contemporânea, o intercâmbio internacional e a valorização das práticas artísticas africanas e da diáspora. Festival Kontornu - Cabo Verde