Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Cabo Verde - Literatura: “Paixão e Capricho” retrata as curvas da vida numa narrativa inspirada em histórias reais

Cidade da Praia – O escritor Inácio Borges apresenta, na cidade da Praia, o livro Paixão e Capricho – As Curvas da Vida de Natanael, uma obra de ficção inspirada em histórias reais que aborda o amor, a dignidade humana e a liberdade individual.


Com 148 páginas, em formato A5, a obra tem Natanael como uma das personagens principais e acompanha diferentes episódios da sua vida, marcada por paixões, relações e acontecimentos que dão origem ao subtítulo “As Curvas da Vida de Natanael”.

A narrativa começa com a paixão que Natanael sentiu por Rosabela ainda no ensino pré-escolar. Já na idade adulta, pediu-a em casamento, mas o pai da jovem, uma personagem conhecida como Cabo-Chefe, recusou o pedido e mandou realizar um teste de “virgindade” à filha.

Sentindo-se ofendido e desprezado, Natanael decidiu nunca mais se aproximar de Rosabela. “Daí este título – Paixão e Capricho”, explicou o autor.

A história prossegue com o envolvimento de Natanael com Maria Eduarda, professora natural de São Vicente e sua colega de trabalho, colocada em Chã de Baxu, em Assomada, localidade fictícia da narrativa.

O percurso da personagem inclui ainda o serviço militar em Portugal e a participação na guerra em Angola, experiências que contribuem para os sucessivos acontecimentos e mudanças na sua vida.

“A sua vida teve muitas curvas”, referiu Inácio Borges, ao explicar o subtítulo da obra.

Apesar de se tratar de uma narrativa de ficção, o livro foi construído a partir de histórias reais vividas por terceiros e relatadas ao autor por outras pessoas, que as reuniu com pequenos episódios através de um processo de encadeamento narrativo.

Entre os temas abordados encontram-se o amor e a paixão, a religião, a crença nos finados, os remédios de terra, as formas tradicionais de conquista amorosa e a política.

Segundo o autor, a mensagem central da obra assenta na defesa da liberdade de escolha, de pensamento e de expressão, bem como na valorização da dignidade humana.

A escrita começou em 2014, em Portugal, durante o período de recuperação e tratamento na sequência de um acidente vascular cerebral (AVC). Desde então, o manuscrito passou por várias melhorias e correcções linguísticas, com o apoio de uma pessoa mais experiente no domínio da escrita.

Em 2016, o autor conseguiu estabelecer uma parceria com a Câmara Municipal do Tarrafal de Santiago, numa altura em que pretendia publicar a obra no âmbito das comemorações do 50.º aniversário da Independência de Cabo Verde.

Para Inácio Borges, a apresentação pública do livro representa a concretização de um sonho antigo e poderá abrir caminho à publicação de outros trabalhos que já escreveu e que aguardam a sua vez.

Editada pelo Sítio do Livro, a obra destina-se especialmente a adolescentes e jovens, embora a diversidade de temas abordados possa despertar também o interesse de adultos, professores, pais e leitores com diferentes convicções religiosas e políticas.

O lançamento aconteceu na Sala dos Munícipes da Câmara Municipal da Praia, no Plateau, com apresentação de José Pedro Nunes Soares e Paulo Veríssimo. In “Inforpress” – Cabo Verde


Brasil - Lula e o fim da Dinastia Bolsonaro

Não me lembro bem onde li, mas o autor, criticando a fuga do ex-candidato quase presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, ironizava o fato do 01 ter saído na surdina, escondido como um bandido, disfarçado em guarda-chuva. Realmente, sair do Brasil às escondidas não foi um ato de coragem mas de pura covardia, definindo seu caráter de um poltrão e medroso.

Fugiu só com o susto da Polícia Federal lhe ter pedido o passaporte, sem ter sequer começado um processo, mas temendo o fim de sua imunidade parlamentar ao terminar seu mandato de senador.

Felizmente, o criador da programada dinastia, o pai Jair, além de bronco e inculto, é nota zero em termos de articulação, previsão e programação política. Se tivesse entregado as rédeas da família ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, talvez o bolsonarismo não estaria hoje no necrotério. O raposão tinha dois outros candidatos, recusados por Jair, atraído pela ideia de criar no Brasil uma Dinastia Bolsonaro, capaz de ficar no poder por algumas dezenas de anos.

Felizmente para a democracia brasileira, a proposta de Valdemar do PL foi rejeitada. A dobradinha seria Tarcísio de Freitas, formação militar, entreguista e também golpista, com Michelle Bolsonaro como vice, a evangélica anti-feminista, que falava línguas estranhas na posse do terrivelmente evangélico André Mendonça, o vaidoso que encobriu sua calvície prematura com implante de cabelos, segurou o quanto pôde as investigações sobre as ligações de Flávio Bolsonaro (ou melhor Rachadinha) com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Seria difícil uma vitória de Lula sobre Tarcísio-Michelle. E a história seria outra: a do Brasil virar uma republiqueta, cujo primeiro ato seria o de libertar Jair e os depredadores do 8 de janeiro de 2023.

Valdemar, que já reconheceu a vitória de Lula, Michelle eleita senadora e Tarcísio reeleito e já pensando em 2030 sem compromisso com Jair, devem estar rindo. Jair, ao contrário, deve estar se mordendo, ao ver desmoronado seu ambicioso projeto de Dinastia e desfeita sua esperança de recuperar a liberdade em janeiro, subindo a rampa do Planalto com seu primogênito.

A ilusão de Flávio

Todos se lembram da ilusão e da vaidade de Flávio, julgando-se já eleito presidente com os resultados do Primeiro Turno. O molecão mimado, amigo de milicianos, mestre na arte da mentira e corrupção, já nomeava ministros e dizia - imagina-se com o apoio do ministro Nunes Marques - vou subir a rampa com meu pai. Seria uma reatualização de uma velha frase de Getúlio Vargas, que fez época e inspirou gerações de políticos: "a lei, ora a lei".

Mas nunca se deve contar com o ovo ainda na galinha! Para estragar o sonho bolsonarista, os idosos, cadeirantes, indecisos se mobilizaram no Exército de Lula, do André Janones e foram votar, derrotando o miliciano.

Disso, Flávio vai sempre se lembrar, sentado numa cadeira de preguiça numa praia protegida e privatizada de Miami, já naturalizado cidadão norte-americano logo depois de seu irmão Eduardo. Exceto, exceto se, depois do governo catastrófico de Trump, os democratas retornarem ao poder e retirarem os vistos de permanência dos Bolsonaros nos EUA, antes de se terem naturalizado norte-americanos!

Moraes e Dino esperando

Neste caso, repatriados os dois irmãos serão recebidos com foguetes e festas pelos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, para cumprirem as penas já pronunciadas em suas ausências. Talvez Tarcísio, se eleito em 2030, os liberte, inclusive o pai, mas sabe-se lá... Sem Tarcísio, em prisão especial ou domiciliar, serão esquecidos e se transformarão numa daquelas curiosidades da nossa história. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

Timor-Leste - Integra esforços regionais de promoção do investimento verde

Os Estados-membros da Asean apostam na atração de investimento em biocombustíveis, biomassa e combustível sustentável. Oportunidades de aprendizagem coletiva e de promoção do país junto de investidores constituem oportunidade para indústria verde


Pela primeira vez, os Estados-Membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático, Asean, apresentaram a região a investidores internacionais de setores-chave das indústrias verdes.

A iniciativa permite a Timor-Leste, o país de língua portuguesa do grupo, conectar os recursos agrícolas às cadeias de valor emergentes dos combustíveis sustentáveis. Com isto, Timor pode obter novas oportunidades económicas para as suas comunidades agrícolas.

Um potencial regional enorme

O Sudeste Asiático tem um forte potencial para atrair investimento em biocombustíveis, biomassa e combustível sustentável para a aviação.

A região com recursos agrícolas abundantes tem uma procura crescente de energia e mercados em rápido desenvolvimento, como informa a Comissão Económica e Social das Nações Unidas para Ásia-Pacífico, Escap.

A plataforma “Invest Asean” liga os investidores a oportunidades ao longo das cadeias de valor regionais, aproveitando o potencial das economias da Asean e o apoio coordenado das agências de promoção do investimento.

Timor-Leste aposta na transição responsável

O responsável pelas relações externas do instituto público “TradeInvest Timor-Leste”, Reno Bernardo, ressalta que enquanto alguns países da Asean contam com setores industriais consolidados, países como Timor-Leste podem fornecer matérias-primas para indústrias emergentes.

Segundo Bernardo, a promoção junto de investidores constitui uma oportunidade para o desenvolvimento da indústria verde e a transição energética do país lusófono, reduzindo a sua dependência dos combustíveis fósseis.

Reno Bernardo acredita que a oportunidade de aprendizagem internacional poderá contribuir para que Timor-Leste desenvolva a transição verde de forma faseada e responsável, evitando abordagens insustentáveis.

Das conversas às oportunidades de investimento

Nove agências de promoção do investimento regionais compareceram à Conferência Argus sobre Biocombustíveis e na 34.ª Conferência e Exposição Europeia da Biomassa, dois eventos dedicados ao investimento verde, realizados este ano.

Para Timor-Leste, os eventos alargaram a rede de contactos com parceiros da Asean e fornecedores de tecnologia.

O próximo passo é transformar estas relações e contactos com potenciais investidores em projetos, aproveitando o espírito de colaboração da Invest Asean para mobilizar investimento para a transição verde da região. ONU News – Nações Unidas


Brasil – Lula da Silva vence as eleições no país após reduzir o desmatamento da Amazónia a um nível recorde

A vitória de Lula da Silva na eleição presidencial brasileira traz esperança para a Amazónia, mas o avanço da extrema-direita ameaça o progresso


A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras foi saudada como uma vitória para a democracia e para a Amazónia.

Desde que retornou ao cargo em 2023, o desmatamento na floresta amazónica brasileira atingiu um nível recorde de baixa, caindo 42% apenas no último ano.

A histórica reeleição do presidente de esquerda para um quarto mandato traz alívio aos ambientalistas que temiam o retorno à flexibilização das proteções climáticas e ambientais sob o governo do opositor de direita Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a sua presidência, de 2019 a 2023, as políticas ambientais foram desmanteladas e o desmatamento aumentou em cerca de 60%, com mais de 45.000 quilómetros quadrados desmatados.

Sob o governo de Lula, o desmatamento caiu 71% em relação ao nível de 2022.

O Greenpeace Brasil afirmou que o resultado das eleições de 2026 “é uma vitória para a democracia e mantém o compromisso de proteger a Amazónia e combater as alterações climáticas”.

Esse otimismo foi compartilhado por ambientalistas do mundo todo: “Viva a Amazónia, o Cerrado, o Pantanal e toda a natureza do Brasil!”, publicou Glenn Hurowitz, fundador e CEO da organização global de defesa da natureza Mighty Earth. “A reeleição de Lula é um alívio muito necessário para a floresta tropical e os demais ecossistemas extraordinários do país.”

Por que a Amazónia brasileira é importante para o mundo?

“O Brasil abriga a maior parte da maior floresta tropical do mundo e outros cinco biomas, que juntos representam cerca de 15% da biodiversidade global”, afirma Camila Jardim, especialista em política internacional do Greenpeace Brasil.

“A proteção desses ecossistemas é importante muito além das fronteiras do Brasil e é essencial para deter a perda de biodiversidade em todo o mundo.”

A floresta tropical também armazena enormes quantidades de dióxido de carbono, que contribui para o aquecimento global, e gera humidade atmosférica que ajuda a regular o clima muito além da América do Sul.

Sob o governo Lula, o desmatamento na Amazónia brasileira caiu para o nível mais baixo desde o início da monitorização, em 1988.

Como o Brasil conseguiu reduzir o desmatamento a níveis recordes?

O enorme progresso na redução do desmatamento deve-se ao Plano de Ação para a Prevenção e o Controlo do Desmatamento na Amazónia Legal (PPCDAm), que havia sido arquivado durante o governo Bolsonaro.

O plano reforçou a monitorização por satélite do desmatamento ilegal e a aplicação de sanções. Também utiliza regulamentações e incentivos financeiros para conter o desmatamento e promover ações sustentáveis.

“A eleição de Lula mantém viva a esperança de um financiamento ambiental que possa fazer com que as árvores valham mais vivas do que mortas”, afirma Hurowitz. “Sob o governo Lula, o Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, um sistema elegante no qual os investidores recompensam os países pela conservação, mas que precisa de mais capital.”

“Esse progresso deve ser mantido, e os esforços para proteger e restaurar os ecossistemas em todos os biomas do Brasil devem ser intensificados, respeitando os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais”, afirma Jardim.

Congresso de direita poderia enfraquecer o poder de Lula.

Flávio Bolsonaro afirmou que não reconhece o resultado da eleição de 2026 e que irá contestá-lo na justiça, citando uma decisão de última hora do Supremo Tribunal Federal que estendeu a votação por duas horas. Lula venceu com cerca de 4,4 milhões de votos, recebendo aproximadamente 51,8% contra 48,2% de Bolsonaro.

Apesar da vitória apertada de Lula, o partido do seu rival obteve ganhos expressivos no Congresso Nacional.

“Estas eleições testemunharam um aumento significativo da extrema-direita no Congresso Nacional, que inclui um grande contingente de negacionistas climáticos e antiambientalistas”, afirmou o Greenpeace Brasil em comunicado.

O Partido Liberal de Bolsonaro controlará 121 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e 28 das 81 cadeiras do Senado a partir de fevereiro de 2027. A Confederação dos Trabalhadores de Lula terá 88 cadeiras na Câmara dos Deputados. Os partidos de centro-direita serão decisivos para a aprovação de leis.

“Nos próximos quatro anos, a mobilização pública será essencial para defender os direitos e evitar retrocessos ambientais potencialmente irreversíveis”, afirmou o Greenpeace Brasil.

“Embora o governo enfrente um Congresso hostil, ele pode fazer cumprir a lei e designar novos parques e reservas indígenas – consolidando o progresso”, diz Hurowitz.

Persistem também as ameaças de incêndios florestais, exploração madeireira e seca, sendo que o forte El Niño deste ano deverá trazer condições mais quentes e secas, propícias a incêndios. Euronews


quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Portugal - Conferência em Lisboa quer aproximar o cinema dos países lusófonos

A construção de um espaço audiovisual lusófono estará em debate na Conferência Internacional do Audiovisual da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre de 9 a 13 de novembro, na Universidade Lusófona, em Lisboa


A iniciativa vai reunir responsáveis institucionais, realizadores, produtores, responsáveis por acervos públicos, representantes de televisões, fundos e organismos de cooperação, com o objetivo de promover o diálogo e a colaboração entre os diferentes territórios de língua portuguesa.

Entre os temas em discussão estão a coprodução, a circulação de filmes e outros conteúdos audiovisuais, a formação, o financiamento e a preservação do património audiovisual. A conferência pretende, assim, contribuir para a reflexão sobre os desafios e as oportunidades do setor, num contexto de cooperação entre os países da CPLP.

De acordo com a nota publicada pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual, o encontro é promovido pelo Programa CPLP Audiovisual (PAV), que assinala dez anos de atividade. Ao longo desta década, o programa apoiou a produção de 47 obras de ficção e documentário, promoveu mais de 250 ações de formação técnica e artística e contribuiu para a circulação de conteúdos através da Rede CPLP Audiovisual.

A conferência contará ainda com a participação de instituições e organismos internacionais, numa componente dedicada ao reforço da cooperação entre os vários territórios.

Veja o programa completo aqui. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Portugal - Coimbra recebe mais de 800 especialistas mundiais em fogos florestais

A Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI), unidade de investigação ligada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), organiza, em colaboração com a Câmara Municipal de Coimbra, a 10.ª edição da International Conference on Forest Fire Research, uma das conferências internacionais de referência na investigação sobre incêndios florestais. O encontro realiza-se de 31 de outubro a 6 de novembro, no Convento de São Francisco, em Coimbra.


A sessão de abertura terá lugar no dia 31 de outubro, às 09h00, e contará com a presença do Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, do Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, do Presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), Paulo Mateus, do Vereador da Câmara Municipal de Coimbra, Ricardo Lino, e de um representante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

Com mais de 420 participantes inscritos na conferência e cerca de 370 nos cursos especializados que a antecedem, provenientes de mais de 40 países de todos os continentes, esta edição será a maior em 36 anos de história da iniciativa. No conjunto das diferentes atividades previstas ao longo da semana, a organização estima uma participação global superior a 800 pessoas.

O programa científico reúne cerca de 350 comunicações aceites e aborda os principais desafios da gestão de incêndios rurais, com enfoque na ciência e na tecnologia. Entre os temas em destaque estão a avaliação e redução do risco, o comportamento do fogo e a segurança, os incêndios na interface urbano-florestal, os sistemas de apoio à decisão, incluindo a inteligência artificial e a robótica aérea e terrestre, e as estratégias de adaptação às alterações climáticas. As comunicações serão distribuídas por cinco sessões a decorrer em paralelo.

A apresentação dos avanços científicos mais recentes será complementada por sete conferências plenárias, proferidas por especialistas de reconhecido mérito internacional: Domingos Xavier Viegas, da Universidade de Coimbra; Marta Yebra, da Australian National University, na Austrália; Sally Archibald, da University of the Witwatersrand, na África do Sul; Amy Cardinal Christianson, da Indigenous Leadership Initiative, no Canadá; W. Matt Jolly, do US Forest Service, nos Estados Unidos; Imma Oliveras Menor, do Research Institute for Development, em França; e Dominique Morvan, da Aix-Marseille University, também em França.

Pela terceira vez na sua história, a conferência integra igualmente a 19th International Wildland Fire Safety Summit, organizada em parceria com a International Association of Wildland Fire. Esta iniciativa dedica-se à segurança nos incêndios rurais e reforça a ligação entre a investigação científica e a experiência dos profissionais que atuam no terreno.

Antes da conferência, terão lugar dois cursos internacionais de formação avançada. A 31 de outubro, realiza-se o 7.º Curso sobre Segurança em Incêndios Florestais, dedicado à segurança, à preparação e ao bem-estar dos operacionais. No dia 1 de novembro, decorre o 10.º Curso sobre Comportamento do Fogo, centrado na análise avançada da propagação e da física do fogo.

O programa inclui ainda uma visita técnica ao Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais (LEIF) da ADAI, localizado no Aeródromo da Lousã. Os participantes terão oportunidade de assistir a demonstrações experimentais com fogo real e de conhecer o trabalho científico e de formação desenvolvido no laboratório.

No último dia, 6 de novembro, terá lugar uma visita de estudo à região afetada pelo incêndio de Piódão, em 2025, que consumiu cerca de 65 mil hectares. A iniciativa permitirá analisar as características e os desafios do território após o incêndio, conciliando a componente técnica com o contacto com o património natural e cultural da região.

A visita integra também o programa ICFFR Zero Carbon Footprint, que visa reduzir o impacto ambiental da conferência e contribuir para a compensação das emissões de dióxido de carbono associadas ao evento, através de ações de reflorestação em áreas ardidas.

Será ainda apresentado o projeto APIS, desenvolvido pela ADAI em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que pretende implementar medidas inovadoras de gestão do risco de incêndio rural na Serra do Açor, com uma intervenção específica na Mata da Margaraça.

A conferência é presidida por Domingos Xavier Viegas, Professor Emérito da Universidade de Coimbra, e conta com Luís Mário Ribeiro, investigador sénior do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da ADAI, na vice-presidência. Universidade de Coimbra - Portugal


Angola - António Cláver estreia-se na literatura com “O Incómodo de Pensar”

O escritor, professor e jurista António Cláver vai lançar, no dia 4 de Dezembro deste ano, em Luanda, o livro O Incómodo de Pensar, uma obra que desafia os leitores a questionar o silêncio perante as injustiças, as relações de poder e os comportamentos sociais.


Na sua nota prévia, o autor explica que a obra nasceu de uma inquietação sobre a tendência de as pessoas deixarem de questionar determinadas situações, não necessariamente por serem justas, mas por se terem tornado habituais.

Entre os temas abordados está o silêncio perante as injustiças, sobretudo nos ambientes profissionais, nas instituições e na política, reflectindo sobre as circunstâncias que levam as pessoas a ponderar as consequências de expressar as suas opiniões e a optar, em determinadas situações, por não se manifestarem.

António Cláver considera que, quando o silêncio deixa de ser uma escolha pontual e passa a constituir uma regra, a injustiça corre o risco de deixar de ser vista como uma excepção. Nesse contexto, chama a atenção para situações em que o favor pode substituir o direito e a crítica ser interpretada como ingratidão.

Outro eixo da obra é a distância entre governantes e governados, assim como entre chefias e subordinados. O autor questiona a forma como se normaliza a ideia de que determinados espaços de poder são inacessíveis a parte da sociedade, limitando a participação dos cidadãos nos processos de decisão.

O autor defende ainda a possibilidade de transformação através da valorização da crítica, do reconhecimento da competência, do diálogo nas famílias e da construção de instituições mais abertas à participação.

A obra aborda ainda a paternidade, o amor, a educação, a identidade e as responsabilidades individuais e colectivas, procurando relacionar as escolhas pessoais com as estruturas sociais e as convicções culturais.

Biografia do autor

António Cláver é professor, jurista, pai e cidadão angolano. Entre os seus interesses estão a leitura, as viagens, o contacto com outras culturas e a descoberta de diferentes perspectivas sobre o mundo e as pessoas.

Enquanto jurista e professor, valoriza a importância das normas, dos conceitos e dos argumentos, reconhecendo, ao mesmo tempo, que a realidade humana nem sempre se enquadra integralmente nas categorias utilizadas para a compreender.

A sua relação com a escrita está também ligada à vontade de participar na construção da sociedade em que vive, através do questionamento, da intervenção cívica e da promoção de uma consciência colectiva mais crítica.

A obra O Incómodo de Pensar marca a sua estreia literária e reflecte a convicção de que pensar de forma autónoma é uma forma de liberdade e uma responsabilidade individual e colectiva. Onésimo Lufuankenda – Angola in “O País”