Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Portugal – Startup Brainr ajuda a transformar a indústria alimentar

Há tecnologia portuguesa a mudar silenciosamente o funcionamento de algumas das maiores unidades industriais do país. A prova vem de Leiria, onde a startup Brainr desenvolveu uma solução digital que já gere mais de 30% da produção de carne em Portugal e que será um dos destaques da 360 Tech Industry, marcada para os dias 20 e 21 de maio, na EXPONOR – Feira Internacional do Porto


Descrita como um verdadeiro “cérebro digital” da produção industrial, a plataforma criada pela empresa portuguesa monitoriza, controla e otimiza operações fabris em tempo real. Pensada para responder às exigências específicas do setor alimentar, a tecnologia acompanha todo o ciclo produtivo, desde o planeamento e gestão de armazém até à produção, expedição, controlo de qualidade e rastreabilidade.

O impacto já é visível em várias empresas nacionais. Na AviSabor, a implementação da solução permitiu eliminar erros humanos e acelerar em 50% a rotação de inventário. Já na Comave, os erros de expedição caíram 94%, enquanto a eficiência produtiva registou uma subida de 21%.

Com uma equipa de 32 colaboradores e 11 milhões de euros em financiamento captado, a Brainr pretende agora expandir a operação para outros segmentos da indústria alimentar e reforçar a presença internacional.

Feira mostra nova geração tecnológica nacional

A presença da Brainr integra o Espaço HubTech, área dedicada à inovação emergente dentro da 360 Tech Industry. Ao todo, serão apresentadas nove startups portuguesas com soluções focadas na modernização industrial, digitalização de processos e aumento de competitividade.

Entre elas está a AI-Doc, que aposta em inteligência artificial para facilitar o acesso imediato a informação técnica na manutenção industrial. A Bravo utiliza engenharia inversa e impressão 3D para recriar peças industriais obsoletas, reduzindo custos e tempos de paragem.

A Flinotech leva monitorização industrial em tempo real através de soluções IIoT simples e escaláveis. Já a FabInventors aposta em tecnologia multi-cabeça para acelerar a impressão 3D industrial.

Também em destaque estará a Gomec, com equipamentos inteligentes que reduzem esforço físico e aumentam produtividade, e a Mutu, focada em centralizar equipas e fornecedores numa plataforma colaborativa.

Eficiência energética e fábricas inteligentes

Outro dos nomes em evidência será a Planta, que transforma edifícios e fábricas em sistemas inteligentes, otimizando energia e operações em tempo real. Entre os casos de sucesso surge a Horse, cuja fábrica em Aveiro registou poupanças de 18% em energia e 27% em manutenção após adoção da tecnologia.

A startup mantém ainda um pipeline superior a 26 milhões de euros e parcerias com entidades como a Airbus, Santa Casa da Misericórdia e Ecotainer Factory.

Já a Proximity Formula desenvolve soluções ultrassónicas de precisão para processos críticos, enquanto a Touchfind digitaliza equipamentos industriais para tornar informação técnica acessível com um simples toque.

Um retrato da indústria do futuro

Segundo Diogo Barbosa, Portugal está na vanguarda em vários setores tecnológicos e o HubTech funciona como uma plataforma de aceleração e visibilidade para empresas inovadoras.

A 360 Tech Industry posiciona-se assim como um dos principais encontros nacionais dedicados às tecnologias que tornam os processos industriais mais eficientes, inteligentes e sustentáveis. O evento reunirá soluções ligadas à Indústria 4.0 e 5.0, além de conferências técnicas e sessões especializadas nos auditórios Let’s Talk e Tech For Industry.

Na edição de 2024, a bienal contou com 97 expositores, sendo que 88% das empresas participantes indicaram ter gerado novos contactos comerciais e oportunidades de parceria.

Datas e acesso

A 360 Tech Industry decorre entre 20 e 21 de maio de 2026, entre as 10h00 e as 18h00, na EXPONOR – Feira Internacional do Porto. O acesso é exclusivo a profissionais do setor e deve ser assegurado previamente online através do sítio oficial da organização. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


França - Ígor Lopes apresenta livro sobre lusofonia musical em Lyon

O autor Ígor Lopes, colaborador do Bom Dia, vai apresentar, no próximo dia 05 de maio, em Lyon, o livro-reportagem “Luso-Brasilidade Musical – A influência da Música na Ligação entre Brasil-Portugal”, numa sessão que assinala o Dia Mundial da Língua Portuguesa


A iniciativa decorre a partir das 18h30 (hora local), com entrada livre, a convite do consulado de Portugal em Lyon, e marca a primeira apresentação da obra em território francês. O momento institucional contará com a apresentação do livro pelo cônsul João Marco de Deus.

Após a sessão literária, o programa inclui ainda um momento cultural dedicado à poesia em língua portuguesa, reunindo comunidade, cultura e diplomacia em torno de um património linguístico comum.

Editado com o selo da Fundação Nacional de Artes, o livro percorre, ao longo de 255 páginas, as relações culturais entre Brasil e Portugal através da música, reunindo entrevistas e referências que documentam a construção de uma identidade partilhada no espaço lusófono.

A obra foi distinguida com vários prémios internacionais, incluindo o galardão “Literatura e Divulgação da Língua Portuguesa – Ano 2025”, atribuído pelas As Notícias / RTV Lusa, em Londres, bem como o Prémio Literário “Suisse Littérature Network” e o prémio “Award Suisse: Conexões que Resplandecem”, ambos em 2026. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Alemanha - Aberta bolsa de formação para países lusófonos

Está aberto o concurso para uma bolsa de formação no Secretariado da UNFCCC, na Alemanha, na área da adaptação climática. A iniciativa, apoiada pelo Camões, I.P., destina-se a jovens quadros da função pública de países lusófonos


O objetivo é proporcionar uma experiência profissional internacional em contexto real de trabalho. A bolsa tem a duração de um ano e permite aos participantes integrar atividades relacionadas com políticas e práticas de adaptação às alterações climáticas, num ambiente internacional.

O prazo de candidatura decorre até 8 de junho. Veja mais informações aqui. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo 


Angola - Portos de Cabinda e Soyo passam para a Sogester

O Ministério dos Transporte procedeu, segunda-feira, em Luanda, a passagem da gestão dos terminais marítimos e fluviais dos portos de Cabinda e Soyo à Sociedade Gestora de Terminais (SOGESTER S.A)


O processo decorre no quadro da modernização do sector portuário nacional e o impulso do serviço de cabotagem enquanto alternativa logística.

Os terminais agora concessionados desempenham também um papel central na integração socioeconómico das províncias de Cabinda e Zaire.

O Porto de Cabinda inaugurado em 2021 dispõe de uma estrutura moderna e capacidade para movimentar mais de 100 mil passageiros. A concessão com o prazo de 20 anos vai permitir uma maior eficiência operacional, reduzir os custos logísticos e dinamizar a cabotagem dos portos de Cabinda e Soyo.

De acordo com o secretário de Estado para os sectores de Aviação Marítima e Portuária, Adilson Catala, a construção e operacionalização destes terminais enquadra-se na orientação clara do Executivo, a fim de criar condições para a dinamização do transporte marítimo de passageiros e bens, reduzir os constrangimentos logísticos e responder de forma concreta às necessidades das populações e dos agentes económicos.

Adilson Catala disse que no caso de Cabinda, esta visão assume uma relevância ainda maior, tendo em conta a descontinuidade territorial, o que impõe ao Estado a responsabilidade de assegurar soluções regulares, eficientes e sustentáveis de mobilidade e abastecimento.

Segundo o secretário de Estado, estas infra-estruturas não são apenas activos físicos, mas instrumentos concretos de mobilidade, integração económica, dinamização do comércio e melhoria da qualidade de vida das populações. Winnie António – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 28 de abril de 2026

Cabo Verde - Número de eleitores cresce 5,95% com maior expressividade na diáspora

Os dados provisórios da Direcção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) indicam que, em comparação com as últimas eleições, o número de eleitores registados aumentou em 23.384, o que representa uma variação de 5,95%. O crescimento é mais expressivo na diáspora, onde se registou uma subida de 36,5%, passando de 52.752 eleitores em 2021 para os actuais 72.051, distribuídos por 22 países


Conforme explicou a presidente da CNE, Maria do Rosário Pereira Gonçalves, o aumento do número de eleitores na diáspora deve-se, sobretudo, à implementação de um novo sistema de recenseamento, que permite aos cidadãos cabo-verdianos residentes no exterior inscreverem-se no recenseamento eleitoral quando recorrem aos serviços consulares para emissão ou renovação do passaporte.

No total, encontram-se inscritos para estas eleições 416.335 eleitores, dos quais 344.284 no território nacional e 72.051 na diáspora.

Ainda no que se refere à diáspora, verificou-se um crescimento significativo no número de mesas de voto, que passaram de 236, em 2021, para 284 nas presentes eleições. A nível do território nacional, foram constituídas 1058 mesas de votação.

No que se refere às candidaturas, a CNE recebeu dos tribunais um total de 48 listas apresentadas por cinco partidos políticos. O Movimento para a Democracia (MpD) e o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) lideram, com 13 candidaturas cada, sendo os únicos a concorrer em todos os círculos eleitorais.

O Partido Popular (PP) e o Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS) apresentaram seis candidaturas cada. O PP concorre nos círculos de Santiago Sul, Santiago Norte, Boa Vista e na diáspora (África, América e Resto do Mundo), enquanto o PTS apresenta listas em Santiago Sul, Santiago Norte, São Vicente e também nos círculos da diáspora.

Já a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) submeteu 10 candidaturas, ficando de fora dos círculos da Brava, Maio e Boa Vista.

Das 48 listas admitidas, que representam um total de 556 candidatos, 300 são efectivos e 256 suplentes.

Em termos de distribuição por sexo, 294 candidatos (52,88%) são do sexo masculino e 262 (47,12%) do sexo feminino. A CNE destacou que todas as listas cumprem a Lei da Paridade, não se registando qualquer candidatura com representação inferior a 40% de um dos sexos.

Questionada sobre a avaliação do período pré-eleitoral, a presidente da CNE considerou que se tratou de uma fase “bastante competitiva”, marcada por elevada atenção por parte das candidaturas e dos partidos proponentes às eleições legislativas.

A presidente da CNE revelou ainda que foram registadas várias queixas durante a pré-campanha, sobretudo relacionadas com alegadas violações do dever de neutralidade e imparcialidade da administração pública.

“O que nós podemos dizer é que, sim, houve bastante discussão em torno desta questão, que já é recorrente. O respeito pelo princípio da neutralidade e da imparcialidade continua a merecer centralidade na fase da pré-campanha eleitoral em Cabo Verde”, concluiu a presidente da CNE.

A conferência de imprensa culminou com a entrega dos fac-símiles às candidaturas às eleições, na presença dos membros da CNE. Anilza Rocha – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


Macau - Aeroporto planeia rota Macau - Lisboa com escala em Hangzhou

Uma rota Macau-Lisboa, via Hangzhou e com serviço de bagagem despachada até ao destino final, está em planeamento da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, que está a estudar com a Beijing Capital Airlines para a operação desta ligação. A empresa revelou também que o transporte de mercadorias de Macau para a Europa representou um terço do volume total de carga do aeroporto local no ano passado


A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) adiantou estar em negociações com a Beijing Capital Airlines para lançar voos entre Macau e Lisboa, com escala em Hangzhou, no interior da China, com registo das malas directo até ao destino final.

A negociação tem como objectivo “promover voos da Beijing Capital Airlines entre Hangzhou e Macau, utilizando Hangzhou como ponto de escala para voos directos para Lisboa”, explicou Edman Lee, director adjunto do Departamento de Marketing da CAM ao Canal Macau em língua chinesa.

Recorde-se que a Beijing Capital Airlines opera já uma ligação directa entre Lisboa e a cidade chinesa de Hangzhou, sendo actualmente a única rota aérea directa entre Portugal e a China. Essa ligação tem agora uma frequência de dois voos semanais e a rota tem uma duração aproximada de 13 horas.

O plano actual entre a CAM e a Beijing Capital Airlines é permitir que os passageiros do território possam apanhar voos Macau-Hangzhou com a mesma companhia aérea chinesa e fazer a viagem directa de Hangzhou para Lisboa, sem passar o controlo de migração em Hangzhou e recolher a bagagem só na capital portuguesa.

A CAM indicou que será também possível fazer escala em Pequim para chegar a Lisboa, com a ligação entre as duas cidades a ser lançada em breve.

Recorde-se que a Beijing Capital Airlines já anunciou que vai lançar, durante o Verão, uma ligação aérea directa entre Pequim e Lisboa, numa operação sazonal com início no final de Junho e duração de cerca de três meses. O voo terá uma frequência semanal que parte de Lisboa à segunda-feira.

Além disso, a CAM pretende ainda utilizar cidades da China continental, como Pequim, Chengdu e Chongqing, como pontos de escala com tempo de espera em menos de três horas, para lançar voos com transferência de bagagem directa para destinos europeus, como a Espanha.

A empresa gestora do Aeroporto de Macau assegurou que está a “promover activamente” a expansão do mercado do Sudeste Asiático e do Nordeste Asiático, com plano de aumentar a frequência dos voos e o número de destinos nestas áreas, como a ligação a Fukuoka, no Japão.

No que diz respeito às rotas de médio e longo curso, a CAM está a analisar o desenvolvimento de rotas para a Índia e outras opções de voos com escalas.

As informações da empresa indicam que o Aeroporto Internacional de Macau conta actualmente com 29 companhias aéreas que operam 44 rotas.

Carga de Macau para a Europa

A CAM, por outro lado, abordou também o transporte de mercadorias, sublinhando os resultados das rotas exclusivamente de carga entre Macau e a Europa.

No ano passado, o volume de mercadorias transportadas de Macau para a Europa foi de cerca de 31.700 toneladas, representando cerca de 29,2% do volume total de carga do aeroporto. Entre elas, 8700 toneladas corresponderam à rota de Madrid, representando 8% do total.

Os dados fornecidos por Frank Wu, director do Departamento de Logística e Desenvolvimento da Aviação Geral da CAM, mostram ainda que o comércio electrónico transfronteiriço é o principal contribuinte para a carga do aeroporto, representando 90% do volume total.

A CAM afirmou que os voos directos de carga da Ethiopian Airlines entre Macau e Espanha já entraram em operação regular. Para as rotas de longo curso no futuro, a CAM irá lançar voos “que se relacionam com a plataforma sino-lusófona”, com vista a uma expansão do mercado para a América do Sul, por exemplo, para países como o Brasil, “que tem uma população numerosa e uma elevada frequência de utilização de serviços de comércio electrónico”, frisou.

O porta-voz da CAM referiu ainda que a situação no Médio Oriente está a afectar os preços dos combustíveis, estando o aumento dos custos a levar a uma redução dos voos de carga. Mas, “por enquanto, o impacto não é significativo”, assegurou.

Quanto à previsão da União Europeia de, no segundo semestre deste ano, cobrar uma taxa fixa de 3 euros e uma taxa de processamento de 2 euros sobre pequenas encomendas com valor inferior a 150 euros, a CAM acredita que tal medida irá a afectar, a curto prazo, as exportações de mercadorias de Macau para a Europa. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


Macau - Posição oficial contrasta com “erosão silenciosa” da língua portuguesa na Região, dizem advogados

Vários advogados defenderam à Lusa que a posição oficial do Governo de Macau sobre a língua portuguesa contrasta com a “erosão silenciosa” desta enquanto idioma oficial na região


O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, realizou uma visita oficial a Portugal de 18 a 21 de Abril, marcada por encontros institucionais e declarações diplomáticas de reforço da cooperação entre Portugal e a China, e em que destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais.

No entanto, de acordo com a advogada Sofia Linhares, a trabalhar no território, “o sorriso diplomático contrasta com a realidade administrativa”, marcada pela “erosão silenciosa do português” como língua oficial na região. Linhares recorda que a Lei Básica de Macau estabelece que “o português é igualmente uma língua oficial”, e que decretos-lei consagram que “o chinês e o português têm igual dignidade”.

No entanto, a advogada alertou existir “resistência de funcionários e magistrados ao uso do português em funções oficiais” e uma diminuição da proficiência entre os quadros da administração pública.

Uma delegação parlamentar portuguesa, que visitou Macau em Dezembro de 2025, identificou num relatório resistência de funcionários públicos e de alguns magistrados locais à utilização da língua portuguesa no exercício das suas funções, bem como a necessidade de responder ao aumento da procura por cursos de português, num contexto em que existe o risco de contratação directa de docentes por parte da China.

Para a advogada, a contradição é evidente: de um lado, Portugal e China celebram a “dinâmica cooperação” e do outro, “muitos cidadãos – e até funcionários públicos – não conseguem recorrer ao português em procedimentos administrativos rotineiros”. “Documentos são predominantemente em chinês, tribunais enfrentam atrasos por falta de quadros bilingues e serviços públicos redirecionam falantes de português para cantonês ou inglês”, alertou.

Apesar disso, Linhares reconheceu existir uma “resistência tenaz em Macau” por parte de “uma pequena comunidade de juristas, tradutores e funcionários públicos” que continua a usar o português diariamente nos órgãos administrativos, funcionando como “guardiões da linha temporal até 2049”.

De acordo com a Declaração Conjunta, assinada por Pequim e Lisboa e que levou à transição de administração de Macau em 1999, a cidade deveria manter os direitos, liberdades e garantias durante um período de 50 anos. Mas, sem reforço sistémico de Lisboa e Pequim, “a extinção prática do português administrativo ocorrerá muito antes” dessa meta temporal.

O advogado Sérgio Almeida Correia partilha a mesma preocupação, considerando que “a situação da língua portuguesa nos tribunais e na administração pública tem sofrido uma involução nos últimos anos”. “Estamos pior do que há cinco ou dez anos,” alertou à Lusa. De acordo com Correia, embora haja mais pessoas a aprender o idioma, “são cada vez menos os que falam português nos tribunais”. O jurista disse que “mais grave são os despachos, promoções, sentenças e acórdãos em chinês na primeira instância, embora haja alguns juízes sensíveis ao problema”.

A situação nos serviços do Ministério Público “é dramática”, diz Correia, descrevendo que “ultimamente, não há um despacho, uma notificação que seja, que chegue em língua portuguesa”. “Ao menos podiam recorrer às ferramentas de tradução que usam a inteligência artificial, que atualmente estão cada vez mais perfeitas, dizendo-o no despacho ou notificação. Já seria uma ajuda”, notou.

O advogado critica a falta de tradutores qualificados e considera incompreensível que “uma região com orçamentos superavitários, que factura só no jogo mais de 20 mil milhões de patacas todos os meses”, não consiga contratar “gente qualificada e bem paga” para fazer traduções nos tribunais ou na Polícia Judiciária.

Nos tribunais, acrescenta, “os tradutores estão sobrecarregados e a tradução durante diligências é muitas vezes incompleta, deixando advogados e arguidos em desvantagem”. “O Código de Procedimento Administrativo e a Lei Básica garantem que os residentes podem apresentar requerimentos e receber resposta numa das línguas oficiais. Nos tribunais isto é muitas vezes ignorado” descreveu.

Para o profissional de advocacia, isto contraria a Declaração Conjunta e a Lei Básica, e é “mau para Macau e é mau para a China”. “Dá uma péssima imagem da justiça que aqui se faz”, concluiu. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”