O Governo acredita que faz mais sentido “alavancar as redes internacionais” das operadoras aéreas que operam na RAEM, potenciando as rotas de curta distância para outros destinos da Ásia que ofereçam ligações de longa distância, no âmbito do lançamento de um voo directo entre Macau e Portugal. Para a Autoridade de Aviação Civil de Macau, as “rotas directas de longa distância apresentam desafios significativos”, segundo o último relatório anual de sugestões, queixas e objecções do organismo. O total de queixas submetidas à AACM caiu 19% face a 2024
No relatório anual sobre as sugestões,
queixas e objecções que a Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) recebeu
ao longo de 2025, é indicado que duas submissões apontaram para a abertura de
ligações directas entre a RAEM e Portugal. Em resposta às duas sugestões, o
organismo refere que o “lançamento de rotas directas de longa distância
apresenta desafios significativos”.
Segundo o documento consultado pelo Jornal Tribuna de Macau,
a AACM comentou ser uma abordagem mais apropriada “alavancar as redes
internacionais das operadoras actualmente em actividade em Macau para
providenciar aos residentes e turistas serviços de transferência e de voos de
ligação”.
O Governo defende que “de uma perspectiva comercial, as
operadoras aéreas precisam de avaliar factores como a procura do mercado de
passageiros e a relação custo-benefício”. Tendo em conta a escala actual da
indústria de transporte aéreo de Macau, a AACM acredita que fará mais sentido
oferecer voos com escala em locais como Banguecoque, Kuala Lumpur, Singapura,
Taiwan e Interior da China, com serviços de despacho de bagagem de bilhete
único incluídos.
Esta abordagem permite uma conexão entre as ligações de
curta distância de Macau com rotas longas, no âmbito da qual a Sociedade do
Aeroporto Internacional de Macau (CAM) se encontra “activamente a colaborar com
as operadoras para promover serviços de transferência e ligação”, no sentido de
expandir a rede de destinos da RAEM, refere o relatório.
Recorde-se que o primeiro voo directo entre Pequim e
Lisboa operado pela Beijing Capital Airlines está agendado para o dia 22 de
Junho, segundo adiantou no último mês Tiago Brito, director do Turismo de
Portugal na China, durante a Exposição Internacional de Turismo. A duração será
de cerca de três meses, sendo que o voo terá uma frequência semanal. O voo de
ida partirá na segunda-feira do Aeroporto de Pequim Daxing às 10:55, chegando a
Lisboa às 17:15 (hora local). Já o voo de regresso sairá às 18:55 de Lisboa,
com chegada a Pequim Daxing às 14:00 (hora local) do dia seguinte.
Mais recentemente, no encontro que o Chefe do Executivo
manteve em Portugal com o Presidente da República, António José Seguro propôs
que ambas as partes “reforcem a cooperação no sector turístico e estudem
activamente a viabilidade da abertura de uma rota aérea directa entre os dois
lados”.
Queixas à AACM decresceram 19%
No cômputo geral do ano passado, a AACM recebeu quatro
sugestões, o mesmo número que em 2024, e 160 queixas, que representam uma
descida homóloga de 18,75%. De um total de 164 casos, 158 estavam relacionados
com as operadoras aéreas e disseram respeito sobretudo a actividades comerciais
e serviços ao cliente. Estes incluíram 157 queixas e apenas uma sugestão, todas
relativas à categoria de “transportes e logísticas”, representando uma quebra
anual de 20,89%.
A AACM garante que já reencaminhou a sugestão e as
queixas para as respectivas empresas, sendo que em algumas situações poderá
solicitar às operadoras para dar uma resposta imediata aos queixosos.
Por outro lado, os seis restantes casos foram dirigidos aos processos operacionais da própria AACM, incluindo três queixas e três sugestões, o que corresponde ao dobro do total do ano anterior.
Para além das duas sugestões relativas às ligações aéreas
entre Macau e Portugal, três dos casos referiram-se às actividades de aeronaves
não-tripuladas. No documento, a AACM frisa que as operadoras podem operar na
área costeira por trás do Centro de Ciência de Macau, desde que respeitem as
regras de segurança e tenham recebido a devida autorização das autoridades, à
semelhança das actividades realizadas em áreas residenciais O organismo
salienta que a maior parte das actividades que envolvem naves não-tripuladas
decorrem à noite ou em eventos de larga escala.
Por fim, o último caso teve a ver com o serviço de teste
de proficiência em inglês designado pela AACM, acerca do qual o organismo
garante que irá cooperar com a entidade responsável pelo mesmo para rever e
melhorar a metodologia do exame. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna
de Macau”