Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Cabo Verde - Escritor Jorge Carlos Fonseca prepara lançamento do livro “A Guerra, o Amor, os Versos”

Cidade da Praia – A obra A Guerra, o Amor, os Versos, dedicada a amores e versos, é o próximo lançamento do escritor Jorge Carlos Fonseca, agendada para quinta-feira, 15, anunciou o autor em declarações à Inforpress. 


Segundo o escritor, o novo livro literário de poesias e crônicas dá continuidade ao livro Escritos Ucranianos e é uma segunda parte dedicada a amores e versos.

Acrescentou que a escolha do título do livro pode ser interpretada de diferentes formas, dependendo do momento e da sugestão, passando a ser uma continuação do seu último lançamento, em 2022.

“Mas quando eu falo da guerra, o último livro de literatura, Escritos Ucranianos, saiu dos acontecimentos da invasão na Ucrânia. Foi uma guerra brutal, marcou-me muito e, portanto, serviu-me de pretexto para aquele livro”, frisou o escritor. 

No entanto, a obra A Guerra, o Amor, os Versos também fala de amor, paixões e o dia-a-dia das pessoas e do próprio escritor, mencionou Jorge Carlos Fonseca.

“Por exemplo, estou a tomar um café numa padaria, e vejo filas imensas de pessoas para comprar o pão e então, isso pode me servir de pretexto, e serviu de pretexto para textos literários, para um poema”, referiu.

A obra vai ser apresentada na Biblioteca Nacional por Francisco Gonçalves e Lígia Dias Fonseca.

Além da cidade da Praia, o livro vai ser lançado também na Ilha do Sal e no Fogo nos próximos tempos. In “Inforpress” – Cabo Verde


Portugal - Sónia Jardim apresenta “O Segredo de D. José I em Cabo Verde” e “Os Olhares da(quela) Janela” em Oeiras

Lisboa – A investigadora e escritora luso-cabo-verdiana Sónia Jardim apresenta quinta-feira, em Oeiras, duas obras sobre Cabo Verde, intituladas O Segredo de D. José I em Cabo Verde e Os Olhares da(quela) Janela.


A apresentação das duas obras terá lugar às 18:00, na Fundação Marquês de Pombal, e estará a cargo do D. Augusto de Athayde, Conde de Albuquerque, advogado e administrador de empresas com percurso ligado a instituições de carácter histórico, cultural, social e humanitário.

Em declarações à Inforpress, Sónia Jardim explicou que a iniciativa pretende constituir um momento de valorização cultural e de reflexão sobre a memória histórica e os laços que unem Portugal e Cabo Verde, promovendo o diálogo entre patrimónios, identidades e vivências comuns.

Sobre O Segredo de D. José I em Cabo Verde, a autora explicou que a obra resgata um segredo que estava encerrado em Santo Antão, Cabo Verde, baseado em documentação e investigação, que considera poder contribuir para uma nova leitura da história de Portugal no século XVIII.

“É uma inédita desconstrução da História de Portugal do século XVIII, no sentido de incluir este facto verídico que era desconhecido e que era um ponto de união entre Cabo Verde e Portugal”, afirmou.

A narrativa envolve figuras como D. João V, D. José I, Sebastião José de Carvalho e Melo, D. Ana Maria Henriqueta de Lorena, D. Leonor de Távora, abordando temas como conspirações, intrigas, traição, ausência, esperança, amores e desamores.

Os Olhares da(quela) Janela apresenta uma dimensão intimista e autobiográfica, recuperando memórias da sua infância, diferentes momentos da sua vida e experiências relacionadas com Cabo Verde e Portugal.

“No fundo `Os Olhares da(quela) Janela` são as várias janelas, que funcionam como portais de memórias, como um recuar no passado. Também encerram alguns segredos, mas são segredos sobre mim e sobre o meu passado”, explicou.

Segundo Sónia Jardim, o livro retrata ainda um tempo em que “tudo era mais simples”, através de recordações da infância e várias fases relacionadas com Cabo Verde e Portugal.

As duas obras já foram apresentadas em outros espaços culturais em Portugal, nomeadamente no Grémio Literário e a Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde, e a autora pretende lançá-las também em Cabo Verde ainda este ano.

Sónia Jardim é licenciada em Gestão e Administração de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa e é igualmente autora dos livros As Mulheres da Ilha de Santa Luzia – Cabo Verde Misterioso e Família Jardim – O Segredo. In “Inforpress” – Cabo Verde


São Tomé e Príncipe - Seminário metodológico procura a verdade histórica sobre a luta de libertação nos PALOP

A capital são-tomense acolhe, o V Seminário Metodológico de Elaboração da História da Luta de Libertação Nacional dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, PALOP.


O encontro, que decorre até 20 de setembro, nas instalações do Hotel Praia, reúne representantes e membros das equipas de investigação dos cinco países que integram os PALOP: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

O seminário tem como principal objetivo dar continuidade aos trabalhos de elaboração de uma obra dedicada à história das lutas de libertação nacional dos cinco países, cujo resultado deverá ser reunido em três volumes.

Nazaré de Ceita, coordenadora nacional do projeto, manifestou satisfação pela realização do seminário em São Tomé e Príncipe, considerando uma honra para o país acolher uma iniciativa desta dimensão.

“Sabemos que um projeto desta dimensão, envolvendo vários países, diferentes equipas de investigação, diferentes realidades documentais e diferentes percursos históricos, não é fácil de coordenar. Por isso, queremos deixar aqui registado o nosso reconhecimento pelo esforço desenvolvido, pelo traquejo, pela paciência e pela experiência de lidar com momentos de depressão ao longo deste percurso.”

A historiadora são-tomense acrescentou que «este projeto ensinou-nos também que, embora cada país tenha vivido uma experiência própria da luta de libertação, existem memórias, ideais, desafios e oportunidades que nos aproximaram e continuam a aproximar-nos. E é precisamente essa dimensão coletiva que dá particular significado a este trabalho”, afirmou.

Já a coordenadora-geral do projeto, Rosa Silva, sublinhou a importância da reunião para a conclusão dos trabalhos em curso e apontou 2026 como o ano previsto para o encerramento da fase de elaboração, seguindo-se, em 2027, a publicação dos três volumes.

“O objetivo deste seminário é manifestar, expressar e decidir, de facto, o fim deste projeto. Ou seja, nós decidimos que, ao vir para São Tomé e Príncipe, trataríamos dos textos dos volumes que decidimos noutra ocasião.”

A coordenadora geral anunciou que o projeto termina este ano sendo que, em 2027, “nós publicaremos os três volumes da história da libertação dos PALOP”, indicou.

Na abertura do encontro esteve a ministra da Educação, Cultura, Ciência e Ensino Superior, Isabel D’Abreu, que considerou a concretização do projeto resultado de uma aspiração antiga e destacou o contributo de figuras políticas para a sua criação.

Segundo a governante, a iniciativa pretende contribuir para a construção de uma história baseada na investigação realizada pelos próprios países que viveram os processos de luta de libertação.

O projeto pretende dar um passo adicional: construir uma história investigada, escrita fundamentalmente pelos próprios países que viveram esse processo. «Não se trata de negar ou desvalorizar os contributos dos investigadores externos. Trata-se, antes, de afirmar o direito e a responsabilidade dos próprios povos de produzir conhecimento sobre a sua história, confrontando, sempre que necessário, narrativas incompletas, imprecisas ou condicionadas por visões exteriores», sublinhou.

Escrever esta história a partir dos territórios libertados dos sistemas nacional e colonial significa, assim, recuperar vozes, memórias, documentos, experiências e perspetivas que não podem ser dispensados quando se pretende compreender, com maior profundidade, a complexidade das lutas de libertação nacional”, afirmou.

A ministra destacou igualmente o trabalho desenvolvido por investigadores nacionais e internacionais envolvidos no projeto.

“Não acolhemos apenas uma reunião de trabalho. Acolhemos um projeto de memória, de conhecimento e de afirmação da nossa própria capacidade de investigar, interpretar e inscrever a nossa história.”

A ideia deste projeto surgiu por iniciativa do Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires, e de Sua Excelência o Presidente da República de Angola, João Lourenço, tendo encontrado concretização em 2021, em Luanda, à margem da conferência da CPLP, então com a participação do Presidente da República Evaristo Carvalho, em representação de São Tomé e Príncipe.

“Desde o início, esteve presente uma preocupação fundamental: produzir e deixar registada a história da luta de libertação dos territórios africanos submetidos ao domínio colonial português, para o presente e para as gerações vindouras”, realçou a ministra da Educação, Cultura, Ciência e Ensino Superior.

O projeto resulta de uma iniciativa destinada a preservar, aprofundar e divulgar a memória histórica das lutas de libertação dos cinco PALOP. Os trabalhos envolvem investigadores de diferentes áreas e recorrem à análise documental e ao cruzamento de fontes históricas. A iniciativa prevê a produção de três volumes, abrangendo diferentes períodos e dimensões dos processos de libertação.

O evento ficou ainda marcado por manifestações culturais. A interpretação do músico são-tomense Guilherme Carvalho proporcionou momentos de silêncio e atenção na sala, numa intervenção que integrou o programa cultural do seminário.

A cultura são-tomense esteve igualmente representada pelo Tchiloli, manifestação cultural e teatral de grande relevância no património do país, que encerrou a componente cultural do encontro com uma apresentação que mereceu a atenção dos participantes. Waley Quaresma – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


Uma visão melancólica da vida

Em novo livro, Silas Corrêa Leite reúne poemas e textos poéticos repassados de lirismo

                                                                              

                                                                                I

Escritor extremamente produtivo, Silas Corrêa Leite (1952), depois de novas experiências nos gêneros romance e contos e minicontos, volta a exercitar o ofício de poeta com Coquetel MolotovDrinks para a morte (São Paulo, Namíbia Editora, 2026) em que reúne poemas e textos em prosa poética que “percorrem a dor, a morte, o amor, a solidão e os abismos do cotidiano”, como se lê na apresentação na contracapa.

São poemas repassados de lirismo, em que o fluxo de consciência escorre de maneira livre, em forma de solilóquio, como se o poeta estivesse sozinho a falar em voz alta, expressando seus pensamentos, sentimentos e reflexões íntimas, conversando com a consciência. E, na maioria, o que passam é uma visão melancólica da vida, como se constata nos versos do poema “Flores amarelas”: “(...) Eu faço versos como quem morre / Dando cicuta ao meu ser / Em dor-poesia vazo. Escorre / A minh’alma nesse “escreviver”...”

Afinal, se como diz no texto poético “Efemérides”, “poesia é toque humano, é epiderme letral da alma entre escombros e sedas com sangue”, são poemas que funcionam como confissões realizadas no calor dos acontecimentos e que resultaram do abalo que representou para o autor o desaparecimento de Rosangela Silva (1956-2026), sua “estrela bailarina”, sua musa, a quem a obra é dedicada in memoriam. E que é explicitamente evocada no poema “Não quero que você seja triste”, onde se lê

          “(...) Eu nasci triste, vivi triste, escrevo triste / Você é quem colocou nuvens de algodão doce em minha alma entrevada / Agora você triste me faz ter medo de me perder de mim / Quando você é a meiguice e o remanso de afeto e ternura (...) / Porque duas pessoas tristes não vão a lugar nenhum, afundam e morrem juntas / E o seu brilho, sua delicadeza, foram minha âncora, meu estrelário, meu motivo de continuar lutando e sobrevivendo com as mãos limpas (...)”.

Em uma peça de prosa poética ou mesmo poema em prosa, “Se queres partir”, em que reconstitui o passado, convertendo sua experiência de vida em matéria literária, o poeta deixa claro o que sentia diante da possibilidade de perder a musa de seus versos, como se lê aqui nestas palavras finais: “(...) Se vamos dizer adeus / Cada um levará o outro no longe / E assim longe e ausência formarão / Um esconderijo de lágrimas”.

 

                                                                               II

Mais adiante, o poeta evoca o burgo que o viu crescer, Itararé, na divisa do Estado de São Paulo com o Paraná, lembrando o tempo em que a cidade correu o risco de ser destruída, à época do golpe militar de 1930, quando tropas vieram do Sul para depor o presidente Washington Luís (1869-1957), considerado paulista, embora nascido em Macaé, no Estado Rio de Janeiro, e colocar no poder o gaúcho Getúlio Vargas (1882-1954), como resultado de uma divergência entre as elites que sempre (mal) comandaram o País.

E a comparou a Guernica, imortalizada em 1937 em pintura a óleo pelo pintor, poeta, dramaturgo e escultor espanhol Pablo Picasso (1881-1973), cidade basca bombardeada pela aviação alemã em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil espanhola (1936-1939). Diz o poeta: “(...) Eu sou essa “Itararé-Guernica” com meus poemas de tristeza / e dor, e guardo essa bandeira de lutas: Quiseram destruir Itararé” / E cantando-a, porque sempre haverá Itararé, muito além de mim, de minha dor / Cada filho com fibra desse bem-querer / Ainda defende Itararé nas artes, no amor / Porque morrer por Itararé ainda é viver!”

Da Itararé dos nossos dias, o poeta recorda um episódio de 2019 que testemunhou, no dia 9 de julho, feriado civil estadual em São Paulo, que marca o início da chamada Revolução Constitucionalista de 1932 em que as elites paulistas tentaram se levantar (sem êxito) contra a ditadura de Getúlio Vargas. E observa, ao lamentar a atitude de um oficial militar: “(...) Bebidas, drinques, chocolate, luxuoso banquete / A autoridade emperiquitada e oficial ali / estupidamente disse não, disse Fora, Fora / Tocou a criança do evento comemorativo / Enquanto se ouvia o Hino Nacional Brasileiro / E a bandeira paulista / Era hasteada ao som de clarins / Pelas autoridades constituídas... Anchieta morreria de vergonha.”

Isto posto, à guisa da explicação, é de se lembrar que o título do livro é uma referência irônica a uma arma artesanal e incendiária feita com uma garrafa de vidro contendo um líquido inflamável (como gasolina ou álcool) e um pavio de pano. E que esse nome surgiu na Guerra de Inverno (1939), quando os finlandeses batizaram ironicamente a bomba caseira em homenagem a Vyacheslav Molotov (1890-1986), então ministro soviético da Relações Exteriores e braço-direito do ditador Josef Stalin (1878-1953), que dizia que soviéticos não estavam bombardeando cidades da Finlândia, mas sim jogando alimentos. 

Mas o poeta explica, em versos, que o seu é um coquetel “que perfuma, não explode / Em terra de leite e mel / Nem que o ódio açode”.       E, em outro poema, observa: “Meu Coquetel Molotov / Até que o amor seja muito além do love / E que na prática se prove / Do que, afinal, seria / no meu amargurado reino além da fantasia?”

No prefácio, o poeta, ensaísta e curador de arte português Luís Serguilha, depois de relacionar um grande número de filósofos-maiores e pensadores famosos que tiveram um encontro pouco pacífico com a morte, diz que “... a filosofia nunca nos ensinou a morrer: a loucura foi industrializada, perdemos completamente o animal em nós! O animal sempre soube morrer!”. Palavras que resumem a poesia deste livro de Silas Corrêa Leite.

 

                                                III

Além de contista e romancista, com mais de 30 livros publicados, Silas Corrêa Leite é poeta, letrista, professor, bibliotecário, desenhista, jornalista, ensaísta, blogueiro e membro da União Brasileira de Escritores (UBE).  Começou a escrever aos 16 anos, passando a produzir crônicas para o jornal O Guarani, de Itararé, tendo apenas o curso primário. Foi garçom num botequim e aprendiz de marceneiro, além de engraxate, boia-fria e vendedor de doce de groselha. Ainda em Itararé, foi aprovado num concurso para locutor na Rádio Clube local.

Em 1970, migrou para São Paulo, onde morou em pensões, cortiços, passou fome e dormiu na rua.  Já empregado, formou-se em Direito e Geografia, sendo especialista em Educação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de ter cursado pós-graduações nas áreas de Educação, Filosofia, Inteligência Emocional, Jornalismo Comunitário e Literatura na Comunicação, curso este que fez na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). É professor de Geografia e atuou na rede pública e em escolas privadas na cidade de São Paulo.

Venceu alguns concursos com seus romances, artigos, poemas, letras de blues e críticas literárias. Ganhou o Concurso Lygia Fagundes Telles para Professor-Escritor, da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Foi pesquisador e bolsista em Culturas Juvenis pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), vencedor do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores e premiado em outros concursos, como os promovidos pela Fundação Petrobrás, Biblioteca Mário de Andrade, Instituto Piaget (Portugal) e União Brasileira de Escritores (UBE), seção do Rio de Janeiro.

Lançou Campo de trigo com corvos (Jaraguá do Sul, Design Editora, 2007); Gute-Gute, barriga experimental de repertório (Rio de Janeiro, Editora Autografia, 2015); Goto, a lenda do reino encantado do barqueiro noturno do rio Itararé (Florianópolis, Clube de Autores Editora, 2013); Tibete, de quando você não quiser ser gente (Rio de Janeiro, Editora Jaguatirica, 2017); Ele está no meio de nós (Curitiba, Kotter Editorial, 2018); O Marceneiro – a última tentativa de Cristo (Maringá, Editora Viseu, 2019),  O lixeiro e o presidente (Curitiba, Kotter Editorial, 2019); e Desjardim –  muito além do farol do final do mundo (Belo Horizonte, Editora Caravana, 2023).

Nos últimos tempos, lançou Transpenumbra do Armagedon (São Paulo, Desconcertos Editora, 2021); Cavalos selvagens, romance imaginativo (Curitiba, Kotter Editorial/Taubaté, Letra Selvagem, 2021); A Coisa: muito além do coração selvagem da vida (Cotia, Editora Cajuína, 2021); Lampejos (Belo Horizonte, Sangre Editorial, 2019); Leitmotiv: a longa estrada de fogueiras da cor de laranja: diário da paixão secreta de Anne Frank (Curitiba, Kotter Editorial, 2023), Vaca profana: microcontos (Cotia, Editora Cajuína, 2023); H2Opus (Cotia, Editora Cajuína, 2023); e Porto Garcia: no quarto escuro do meu ego sem respostas (Ouro Preto, Caravana Grupo Editorial, 2025).

É autor ainda de Bendito Filhoromance sobre a infância do Menino Jesus (Araraquara, Opera Editorial, 2023); Alucilâminas: poemas plathônicos, versos atemporais da redoma de vidro de Sylvia Plath (Cotia, Editora Cajuína, 2023); Ensaios gerais:  compêndio de críticas lítero-culturais (Belo Horizonte, Editora Caravana, 2024); Alfa & Betoda poética das palavrashistorial poético das letras (Cotia, Editora Cajuína, 2024); Rua Frida Kahlo (São Paulo, Editora Calêndula, 2024); O ano em que faremos contato com o elo perdido (São Paulo, Namíbia Editora, 2024); e O sequestro do sonho (São Paulo, Editora Calêndula, 2024).

É autor do primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, o e-book O rinoceronte de Clarice (Rio de Janeiro, Editora Autografia, 2024), que foi tema de teses de mestrado e doutorado na Universidade Brasília (UnB) e na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Publicou também Porta-lapsos, poemas (São Paulo, Editora All-Print, 2005); O Homem que virou cerveja, crônicas (São Paulo, Giz Editorial, 2009); e Favela stories, contos (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2022). Seus trabalhos constam em mais de cem antologias, inclusive no exterior, como na Antologia Multilingue de Letteratura Contemporanea, de Treton, Itália, e Christmas Anthology, de Ohio/EUA. Adelto Gonçalves - Brasil

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Coquetel MolotovDrinks para a morte, de Silas Corrêa Leite, com prefácio do poeta, ensaísta e curador de arte Luís Serguilha. São Paulo, Namíbia Editora, 172 páginas, R$ 96,00; 2026.  E-mails do autor: poesilas@terra.com.br; poesilas@gmail.com.  Sites do autor: www.poetasilascorrealeite.com.br; www. silascorrealeite.com Site da editora: www.namibiaeditora.com.br E-mail da editora: namibiaeditorial@gmail.com

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Adelto Gonçalves, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e  doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003, São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), publicado nos Estados Unidos e na Inglaterra.  E-mail: marilizadelto@uol.com.br


terça-feira, 15 de setembro de 2026

Cabo Verde – UABÁ, Festival Internacional de Videodança

UABÁ estreia em Cabo Verde e coloca a videodança no centro do diálogo entre corpo, cinema e criação contemporânea

A primeira edição do Festival Internacional de Videodança acontece a 25 de setembro, no Centro Cultural Português, na Praia, com a mostra internacional “SARACOTEIO – Dança no Ecrã”


Cidade da Praia, Cabo Verde — setembro de 2026 — Cabo Verde acolhe a primeira edição do UABÁ – Festival Internacional de Videodança, uma nova iniciativa da Plataforma Kontornu dedicada à relação entre dança, cinema e artes performativas contemporâneas.

A sessão pública acontece sexta-feira, 25 de setembro de 2026, às 18h30, no Centro Cultural Português, na Praia, com entrada livre mediante reserva.

O UABÁ nasce com o propósito de criar em Cabo Verde um espaço regular de apresentação, reflexão, formação e circulação dedicado à videodança, uma linguagem artística híbrida que cruza o corpo e o movimento com a câmara, a montagem, o som, a paisagem e as possibilidades narrativas do audiovisual. Segundo a organização, trata-se da primeira plataforma em Cabo Verde dedicada exclusivamente a esta forma de criação.

Uma nova forma de olhar para a dança

Mais do que registar uma coreografia em vídeo, a videodança cria uma relação própria entre corpo e imagem. A câmara deixa de ser apenas um instrumento de documentação e passa a fazer parte da própria criação: transforma perspectivas, altera escalas, aproxima ou distancia o corpo, intervém sobre o tempo e cria novas possibilidades de espaço e narrativa.

É neste território que o UABÁ pretende atuar.

O nome UABÁ parte de uma expressão do crioulo cabo-verdiano associada ao assombro, à surpresa e à beleza — uma ideia que a organização assume como ponto de partida para aproximar o público de formas menos convencionais de experimentar a dança.

A criação do festival responde também à necessidade de ampliar as possibilidades de circulação e apresentação da criação contemporânea em Cabo Verde, estimulando simultaneamente a produção local, a formação de artistas e técnicos, o intercâmbio internacional e o acesso do público a novas linguagens artísticas.

“SARACOTEIO – Dança no ecrã”

A primeira edição do UABÁ é apresentada sob o tema “Saracoteio”, palavra que evoca movimento, liberdade, celebração e a energia do corpo em ação.

É a partir deste conceito que surge SARACOTEIO – Dança no Ecrã, uma mostra internacional desenvolvida através de uma parceria entre três plataformas/festivais de diferentes geografias:

UABÁ – Festival Internacional de Videodança, Cabo Verde;

Quinzena de Dança de Almada, Portugal;

ROLLOUT Dance Film Festival, Macau.

A parceria procura estabelecer uma rede de cooperação e circulação de obras entre diferentes territórios, particularmente entre geografias ligadas à lusofonia e à CPLP, criando possibilidades de diálogo entre artistas, festivais e públicos.

A programação reúne 15 obras de videodança, provenientes de Cabo Verde, Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau, Macau e Brasil, revelando diferentes abordagens estéticas, culturais e políticas ao corpo e ao movimento.

As obras apresentadas

Portugal

  • Nouage — Fu Le & Magalie Lanriot
  • Blossom — Ana Caridade
  • A ÁGUA ME LEVA — David J. Amado
  • Shark Skin — Francisco Miguel
  • On My Way To You — Andreia Rodrigues
  • Pégaso

Moçambique

  • ONE STEP AT A TIME — Bernardo Guiamba (Pak Ndjamena)

Macau

  • “SHELL” WE TALK — Cynthia Sio
  • Eyeland (眸墟生嶼) — Lao Pui Lon
  • The Rhythm of Sharing (分享的節奏)
  • Hermaphroditus (同體)
  • Third Person (第三者)

Guiné-Bissau / Portugal

  • Intervenção Jah — Welket Bungué

Brasil

  • #paranoiaconfinado

Cabo Verde

  • XINDZUTI



Por que criar um Festival de videodança em Cabo Verde?

Para a Plataforma Kontornu, a criação do UABÁ insere-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento das artes performativas em Cabo Verde.

1. Nova linguagem artística — Apresentar ao público uma forma contemporânea de criação que cruza dança, cinema, artes visuais e tecnologia.

2. Estímulo à produção local — Criar condições para que artistas cabo-verdianos possam experimentar e produzir obras na área da videodança, contribuindo para ultrapassar a escassez de circuitos e meios técnicos especializados.

3. Formação e capacitação — Desenvolver competências através de futuras oficinas, masterclasses e residências com profissionais nacionais e internacionais.

4. Internacionalização — Inserir Cabo Verde em redes internacionais de videodança e fortalecer relações com festivais, artistas e instituições de diferentes geografias.

5. Impacto social e educativo — Utilizar a criação contemporânea como ferramenta de diálogo, inclusão e aproximação entre diferentes públicos e gerações.

A ambição da organização é que o UABÁ possa contribuir, a médio e longo prazo, para posicionar Cabo Verde como um ponto de encontro estratégico para a videodança em África e no espaço da CPLP.

Uma plataforma para além da exibição

Embora a sessão de 25 de setembro tenha como centro a apresentação de filmes, o UABÁ é pensado pela Kontornu como uma plataforma com uma dimensão mais ampla.

A proposta passa por desenvolver progressivamente um ecossistema em torno da videodança, envolvendo criação, exibição, formação, investigação, intercâmbio e circulação internacional.

Nesse sentido, o festival pretende abrir novas possibilidades para bailarinos, coreógrafos, realizadores, videastas, performers, estudantes, investigadores e outros profissionais interessados na relação entre corpo e audiovisual.

A iniciativa integra a estratégia da Kontornu de construir, a partir de Cabo Verde, redes internacionais de criação e circulação para a dança e as artes performativas.

Uma dimensão internacional a partir de Cabo Verde

A dimensão internacional é uma das características centrais do projeto.

Ao estabelecer uma colaboração com a Quinzena de Dança de Almada, em Portugal, e o ROLLOUT Dance Film Festival, em Macau, o UABÁ cria desde a sua primeira edição uma rede que permite colocar artistas e obras de diferentes contextos em circulação.

Esta dimensão é particularmente relevante para Cabo Verde, permitindo que o país não seja apenas um território de receção de propostas internacionais, mas também um ponto de produção, encontro e circulação artística.

A Kontornu assume como uma das suas missões fortalecer as relações entre Cabo Verde, África, a diáspora e outras geografias, criando oportunidades para artistas e instituições nacionais participarem em redes internacionais.

Declaração da Organização

O UABÁ nasce da vontade de criar em Cabo Verde um espaço onde a dança possa existir para além do palco e encontrar o cinema, a imagem, o som e outras formas de criação. Queremos que o público descubra a videodança não apenas como um registo de uma coreografia, mas como uma linguagem artística autónoma, capaz de produzir novas experiências sobre o corpo e o movimento.”

Com esta primeira edição, queremos também afirmar Cabo Verde como um lugar de encontro e circulação para esta linguagem, estabelecendo relações com artistas, festivais e instituições de outras geografias e criando, progressivamente, condições para que os artistas cabo-verdianos possam produzir e circular internacionalmente.” Plataforma Kontornu – Cabo Verde

Informações essenciais

UABÁ: Festival Internacional de Videodança — 1.ª edição

Sessão: SARACOTEIO – Dança no Ecrã

Data: 25 de setembro de 2026

Hora: 18h30

Local: Centro Cultural Português – Praia, Cabo Verde

Entrada: Livre, mediante reserva

Contacto: kontornu@gmail.com

Telefone: +238 924 57 01

Website: www.kontornu.com

Organização: Plataforma Kontornu

Parcerias artísticas: Quinzena de Dança de Almada e ROLLOUT Dance Film Festival

Sobre a Plataforma Kontornu

A Kontornu – International Festival of Dance & Performing Arts é uma plataforma internacional de dança e artes performativas sediada em Cabo Verde, dedicada à criação, circulação, investigação, pensamento e encontro através do corpo e das práticas performativas contemporâneas.

A dança contemporânea constitui o eixo central da sua atividade, estabelecendo diálogos com a performance, teatro físico, circo contemporâneo, danças urbanas, música, artes visuais e outras linguagens híbridas.

A plataforma trabalha na criação de pontes entre Cabo Verde, África, a diáspora e diferentes redes internacionais, desenvolvendo festivais, programas de formação, intercâmbios, residências, coproduções e projetos de mobilidade artística.

O UABÁ integra esta estratégia como uma plataforma especializada na relação entre dança, corpo e audiovisual.

Perguntas frequentes para imprensa

O que é o UABÁ? É um Festival Internacional de Videodança criado pela Plataforma Kontornu, dedicado à relação entre dança, corpo e audiovisual.

É um festival de cinema ou de dança? É uma plataforma híbrida. A videodança cruza as linguagens da dança e do cinema, utilizando o audiovisual não apenas para registar a dança, mas como parte integrante da criação.

Por que se chama UABÁ? O nome parte de uma expressão do crioulo cabo-verdiano associada ao assombro, à surpresa e à beleza.

Qual é o tema da primeira edição? “Saracoteio”, conceito associado ao movimento, liberdade, celebração e energia do corpo em ação.

O que é “SARACOTEIO – Dança no Ecrã”? É a mostra internacional apresentada nesta primeira edição, resultado da parceria entre o UABÁ, a Quinzena de Dança de Almada e o ROLLOUT Dance Film Festival.

Quantos filmes serão apresentados? A seleção publicada pela organização reúne 15 obras.

De que países vêm as obras? Cabo Verde, Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau, Macau e Brasil.

Há artistas cabo-verdianos na programação? Sim. A seleção inclui XINDZUTI, de Cabo Verde.

Quem pode assistir? A sessão é dirigida ao público em geral e tem entrada livre mediante reserva.

É necessário ter conhecimentos de dança ou cinema? Não. A programação é pensada para públicos diversos e pretende aproximar a videodança de pessoas que podem estar a contactar com esta linguagem pela primeira vez.

Onde acontece? No Centro Cultural Português, na Praia.

Quando? 25 de setembro de 2026, às 18h30.

Contacto de imprensa

Plataforma Kontornu

Email: kontornu@gmail.com

Telefone: +238 924 57 01

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Lusofonia - Como as remessas de migrantes unem o mundo lusófono

Enquanto o Brasil se destaca como o maior destino absoluto dessas verbas para o bloco lusófono, ultrapassando os US$ 4,7 milhões em 2025, pequenas economias como Cabo Verde, Timor-Leste e Guiné-Bissau enfrentam uma dependência profunda

A ONU lançou nesta segunda-feira o relatório Enviando Dinheiro para Casa, em tradução livre. O estudo global revela que remessas quase dobraram numa década, atingindo US$ 729 mil milhões em 2025.

O estudo do Fundo Internacional para a Agricultura, Fida, calcula que 220 milhões de pessoas sustentam 1,1 mil milhão de familiares com remessas, conectando uma em cada seis pessoas no mundo.

Crescimento económico ao nível das famílias

A análise traz à tona um retrato das transferências representando o que se considera uma espinha dorsal do bem-estar, abarcando desde o acesso à educação até a capacidade de superação de crises para inúmeras famílias em quatro continentes.

Pedro de Vasconcelos é o gestor do Mecanismo de Financiamento de Remessas do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida. Em relação ao tema, ele destaca haver lições de décadas que continuam perfeitamente aplicáveis hoje.

“Há outros países, nomeadamente o sul da Europa, onde as remessas nos anos 60, 70, 80, eram muito importantes e permitiram o crescimento económico ao nível das famílias, mas do país também. E aprendeu-se muito. Quando se fala de vincular estas remessas a produtos financeiros, estamos a falar de experiências vividas. Por exemplo, no caso de Portugal, chegavam as remessas e muitos imigrantes, claro, gostavam de construir casa ou de ajudar os familiares. E com as remessas conseguiu-se incluir de maneira financeira muitos dos receptores que não estavam incluídos no sistema financeiro formal. Isto são lições com já mais de 20, 30 anos que se podem replicar.”

Brasil como polo receptor

Entre os países lusófonos, o Brasil liderou o volume absoluto ao receber mais de US$ 4,75 mil milhões em 2025, confirmando-se não apenas como um forte receptor global, mas também como um polo de acolhimento para a migração intrarregional na América do Sul.

Sobre a oportunidade de integração no sistema bancário dessas famílias, Vasconcelos complementa:

“Para este poder oferecer serviços vinculados a remessas, quem recebe remessas de maneira frequente e não tem acesso a serviços financeiros, pois podia ficar a ter e poder criar poupança ou ter um crédito, criar um historial de crédito, por exemplo, para quem recebe remessas de maneira regular, o que pode fazer é poupar parte dessas remessas e se pode criar um historial de crédito. E isso com uma carteira digital, por exemplo, pode ser facilitado. Então, isto são todas lições do passado com tecnologia moderna que se pode adaptar e pode levar desde então a maximizar o esforço. Porque, no fim e ao cabo, trata-se de um esforço tremendo que os imigrantes fazem para sustentar as famílias nos países de origem. E, outra vez, isto é uma realidade para a África, para todos os continentes e, claro, e para os países lusófonos.”

O peso real do dinheiro enviado pelos migrantes para casa revela-se nas pequenas economias insulares e em desenvolvimento. Em Cabo Verde, o total atinge a marca de 12% de todo o Produto Interno Bruto, PIB, nacional, figurando entre as taxas de dependência mais altas de todo o continente africano.

Timor-Leste e Guiné-Bissau seguem esse mesmo caminho de forte conexão externa, com as remessas correspondendo a 10% das suas economias, enquanto em São Tomé e Príncipe a fatia chega a 8% do PIB.

Total das exportações nacionais

Em Timor-Leste, os valores remetidos pela diáspora equivalem a 96% do valor total das exportações nacionais. Em São Tomé e Príncipe e na Guiné-Bissau, essa proporção alcança 62%.

Os migrantes geram para essas nações um fluxo de divisas que compete com ou supera quase tudo o que esses países conseguem produzir e vender para fora das suas fronteiras.

Ao longo da última década, o dinamismo desse movimento registrou saltos extraordinários. Angola é um caso que chama atenção em termos de aceleração, com a explosão de quase 1200% no volume de remessas recebidas entre 2016 e 2025.

Trajetória firme de expansão

São Tomé e Príncipe e Moçambique também viram os seus fluxos mais do que triplicarem no mesmo período, enquanto a Guiné-Bissau e Timor-Leste registaram crescimentos superiores a 100%, e o Brasil e Cabo Verde mantiveram uma trajetória de firme de expansão, em torno de 60%.

No centro dessa teia de mobilidade global, Portugal desempenha um papel duplo e fundamental. O país é considerado um dinâmico cruzamento de caminhos e de livre circulação na Europa.

Rendimento das comunidades lusófonas

Portugal está ancorado em corredores migratórios consolidados que ligam, por exemplo, trabalhadores portugueses à França e, ao mesmo tempo, serve de ponte para as comunidades dos países africanos de língua portuguesa e para Timor-Leste.

Barreiras e custos desiguais também marcam esse processo. Enquanto o envio de dinheiro para São Tomé e Príncipe ou para o Brasil envolve taxas médias em torno de 4% em serviços não bancários, o corredor angolano sofre com um custo médio de quase 23% por operação.

Para o Fida, o grande desafio atual é reduzir essas tarifas, pois cada ponto percentual economizado na taxa de envio faz uma diferença significativa no rendimento das comunidades lusófonas. ONU News – Nações Unidas


Lusofonia - Cabo Verde entre os países lusófonos com melhor desempenho democrático no Global State of Democracy 2026, mas participação cidadã continua a ser o ponto fraco

Cabo Verde mantém uma posição relativamente sólida no panorama democrático internacional, mas o desempenho do país revela uma fragilidade cada vez mais evidente: os cidadãos participam pouco na vida democrática para além das eleições. É uma das principais conclusões que resultam do Global State of Democracy 2026 (GSoD), da International IDEA, que coloca Cabo Verde entre os países com melhor desempenho democrático do espaço lusófono, embora com diferenças significativas entre as várias dimensões avaliadas

O relatório, que analisa 173 países, coloca Cabo Verde no 38.º lugar mundial em Representação, no 52.º em Direitos, também no 52.º em Estado de Direito, mas apenas no 115.º lugar em Participação. A International IDEA considera que o país apresenta um desempenho elevado na Representação e intermédio nas restantes três dimensões.

A diferença entre estas classificações ajuda a perceber onde está a força e onde estão os problemas da democracia cabo-verdiana.

Na Representação, Cabo Verde surge com um desempenho particularmente positivo. A dimensão avalia aspetos como a credibilidade das eleições, a inclusão do sufrágio, a liberdade dos partidos políticos, a existência de um Governo eleito e a eficácia do Parlamento. O país está no 38.º lugar entre 173 Estados, praticamente no mesmo patamar da Maurícia, que ocupa a 37.ª posição.

Já nos Direitos, Cabo Verde aparece na 52.ª posição e obtém a mesma classificação no Estado de Direito. São resultados que colocam o arquipélago à frente de vários países africanos e de parte significativa dos países de língua portuguesa.

É, contudo, na Participação que aparece a principal vulnerabilidade. Cabo Verde ocupa o 115.º lugar, muito distante da posição alcançada nas outras dimensões. A International IDEA chama particularmente a atenção para o baixo desempenho no envolvimento cívico, colocando o país entre os 25% com pior resultado mundial neste fator.

Na prática, a fotografia traçada pelo relatório é a de uma democracia onde as instituições eleitorais e a representação política funcionam relativamente bem, mas onde existe maior dificuldade em manter os cidadãos envolvidos na vida pública entre uma eleição e outra.

A própria International IDEA identifica a participação política e o acesso à Justiça como questões a acompanhar nos próximos anos. O organismo refere ainda níveis elevados de desconfiança nas instituições democráticas e considera que a lentidão do sistema judicial continua a constituir um problema para o país.

Outro sinal apontado pelo relatório é a deterioração do indicador de Parlamento Eficaz em relação a cinco anos antes. Segundo a International IDEA, essa evolução pode indicar uma menor capacidade do poder legislativo para fiscalizar o Executivo.

Cabo Verde no espaço lusófono

A comparação com os restantes países lusófonos mostra uma posição globalmente favorável de Cabo Verde, embora com algumas particularidades.

Portugal apresenta o melhor desempenho entre os países da CPLP considerados pelo índice, ocupando o 20.º lugar em Representação, o 37.º em Direitos, o 45.º em Estado de Direito e o 75.º em Participação.

O Brasil aparece em 41.º lugar em Representação, 50.º em Direitos, 51.º em Estado de Direito e destaca-se sobretudo na Participação, onde ocupa o 13.º lugar mundial.

Cabo Verde fica, assim, atrás de Portugal em todas as dimensões e ligeiramente atrás do Brasil em Representação, Direitos e Estado de Direito. A diferença torna-se, porém, muito mais expressiva na Participação: enquanto o Brasil está entre os 15 países com melhor resultado mundial, Cabo Verde ocupa a 115.ª posição.

Entre os países africanos de língua portuguesa, a distância é mais evidente. Cabo Verde apresenta resultados significativamente superiores aos de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau nas quatro dimensões analisadas.

Angola aparece nas posições 121.ª em Representação, 115.ª em Direitos, 116.ª em Estado de Direito e 135.ª em Participação. Moçambique surge em 122.º, 122.º, 134.º e 124.º lugares, respetivamente. A Guiné-Bissau apresenta uma situação ainda mais desfavorável em Representação, ocupando o 153.º lugar, além do 131.º em Direitos, 143.º em Estado de Direito e 74.º em Participação. A Guiné Equatorial apresenta-se na posição 143.ª.

Timor-Leste apresenta um quadro intermédio: 55.º lugar em Representação, 93.º em Direitos, 63.º em Estado de Direito e 64.º em Participação.

A Maurícia é o país que mais se aproxima de Cabo Verde entre os pequenos Estados africanos avaliados. Ocupa o 37.º lugar em Representação, 44.º em Direitos, 42.º em Estado de Direito e 18.º em Participação. Ou seja, se Cabo Verde praticamente acompanha a Maurícia na capacidade de representação política, fica muito atrás na participação dos cidadãos.

Também Gana e Senegal apresentam resultados que ajudam a contextualizar a posição cabo-verdiana. O Gana ocupa o 49.º lugar em Representação, 64.º em Direitos, 70.º em Estado de Direito e 27.º em Participação. O Senegal surge nas posições 66.ª, 75.ª, 57.ª e 29.ª, respetivamente.

A comparação revela, assim, um paradoxo interessante: Cabo Verde tem instituições representativas relativamente fortes, mas não consegue transformar esse desempenho numa participação cívica igualmente elevada.

São Tomé e Príncipe não integra os rankings do GSoD. A metodologia da International IDEA estabelece como critério de inclusão uma população mínima de 250 mil habitantes, razão pela qual o arquipélago não aparece entre os 173 países abrangidos pelo índice.

Mais do que uma classificação, o retrato deixado pelo GSoD 2026 coloca uma questão para Cabo Verde: como transformar a estabilidade e a qualidade da representação política em maior envolvimento dos cidadãos na democracia?

O país continua a apresentar uma das posições mais favoráveis entre os Estados africanos de língua portuguesa. Mas os dados mostram que a consolidação democrática não depende apenas de eleições competitivas e instituições representativas. Passa também pela capacidade de aproximar os cidadãos das instituições, reforçar a fiscalização política e recuperar a confiança na democracia.

É precisamente nessa distância entre a qualidade das instituições e o envolvimento dos cidadãos que se encontra um dos principais desafios democráticos de Cabo Verde nos próximos anos. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde