Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 1 de novembro de 2026

Cabo Verde - Escritor Nelson Miranda lança livro sobre ciclone Beryl que devastou a ilha Brava em 1982

Nova Sintra – O escritor bravense Nelson Miranda apresentou, em Nova Sintra, um livro que retrata a passagem do ciclone Beryl pela ilha Brava, na noite de 28 de Agosto em 1982, visando preservar a memória histórica do acontecimento.


Em declarações à comunicação social, o escritor explicou que a obra surge da necessidade de perpetuar a história da ilha e evitar que acontecimentos marcantes do passado sejam esquecidos pelas gerações vindouras.

Segundo o autor, o ciclone deixou a ilha praticamente destruída, com um cenário de devastação que marcou profundamente a população bravense, razão pela qual decidiu transformar esse acontecimento histórico numa narrativa literária.

O escritor, que também se dedica à investigação histórica, considerou que existe uma lacuna no conhecimento dos acontecimentos do passado da ilha, sobretudo entre os mais jovens, que nem sempre demonstram interesse em conhecer a história da Brava.

Neste sentido, alertou para a importância de registar esses acontecimentos por escrito, tendo em conta o falecimento e a migração de pessoas que testemunharam o temporal de 1982, o que poderá dificultar a transmissão dessa memória no futuro.

Nelson Miranda assegurou que pretende continuar a investigar e a dar a conhecer outras histórias da ilha através da literatura, defendendo o livro como um instrumento importante para preservar a memória colectiva e divulgar a cultura bravense.

Relativamente aos desafios da produção literária na ilha Brava, o escritor apontou os elevados custos de edição e publicação como uma das principais dificuldades enfrentadas pelos autores, considerando que a falta de apoios financeiros compromete a produção e a comercialização das obras.

Na sua perspectiva, os valores obtidos com a venda dos livros nem sempre permitem recuperar os investimentos feitos na produção, pelo que defendeu a criação de subsídios e apoios por parte do Governo, da Câmara Municipal e de outras instituições.

Para Nelson Miranda, um maior apoio à literatura permitirá aos escritores continuar a produzir obras, preservar a história e contribuir para a divulgação da cultura cabo-verdiana. In “Inforpress” – Cabo Verde


Portugal e Moçambique querem transformar potencial marítimo em oportunidades económicas

Moçambique e Portugal vão reforçar a cooperação na administração e gestão do espaço marítimo, com enfoque na formação, capacitação técnica, fiscalização e mapeamento, ao abrigo de um memorando de entendimento assinado entre as autoridades marítimas dos dois países


Segundo uma nota consultada pela Lusa, o acordo foi rubricado pelo Instituto Nacional do Mar (Inamar) e pela Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) de Portugal e prevê também a modernização dos serviços, o ordenamento do espaço marítimo e a prevenção e combate à poluição marinha.

O presidente do Conselho de Administração do Inamar, Adolfo José Albino, afirmou que o mapeamento e o ordenamento marítimo são prioridades para Moçambique, que pretende aproveitar a experiência portuguesa para desenvolver sistemas de monitorização e delimitar áreas em função dos respectivos usos.

“Para Moçambique, o mapeamento e o ordenamento marítimo são a prioridade”, afirmou Albino, citado na nota, acrescentando que o país já dispõe de legislação e regulamentos nesta área e pretende avançar na sua implementação com apoio técnico de Portugal.

O responsável reconheceu que Moçambique ainda tem trabalho por realizar no mapeamento da sua costa e considerou que a cooperação permitirá beneficiar da experiência portuguesa, tanto na componente técnica como na formação de quadros nacionais.

O secretário de Estado das Pescas e Mar de Portugal, Salvador Malheiro, afirmou que a parceria deverá traduzir-se em ações concretas e anunciou que os dois países estão a preparar uma feira, que poderá incluir uma conferência, para aproximar armadores e empresas portuguesas dos principais operadores moçambicanos e promover oportunidades de negócio.

“Estamos muito direcionados para ações em concreto, para o chamado pragmatismo”, afirmou Malheiro, defendendo que a cooperação poderá contribuir para criar riqueza nos dois países. O governante português acrescentou que Moçambique tem potencial para se tornar uma nação marítima de excelência e que a parceria poderá abranger também o carbono azul e a valorização económica das Zonas Económicas Exclusivas.

No âmbito da visita de trabalho a Portugal, a delegação do Inamar tem ainda prevista uma visita à Escola de Autoridade Marítima. Malheiro sublinhou que o mar representa não apenas recursos pesqueiros e biodiversidade, mas também “uma enorme fonte de riqueza”. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Timor-Leste - Exposição em Díli desafia visitantes a redescobrir 800 anos de literatura portuguesa

O Centro Cultural Português em Díli inaugurou esta semana uma exposição com as 30 grandes obras de autores portugueses para indignar as pessoas, provocar o debate e a revisitação da história da literatura portuguesa

© DR

Imaginada há um ano pelo embaixador de Portugal em Díli, Duarte Bué Alves, a exposição foi montada pela curadora Maria João Branco, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Denominada “Desfralda na tua alma o inventário – 30 Clássico da Literatura Portuguesa”, a exposição foi buscar o título a um verso do poeta Ruy Cinnati, que viveu em Timor-Leste entre 1946 e 1947 e de 1951 a 1955, tendo regressado uma última vez em 1966, antes de ser proibido de voltar à ilha por Salazar.

Maria João Branco explicou à Lusa que a ideia e o desejo da exposição é provocar um “debate sobre a literatura portuguesa, mas também, e sobretudo, uma releitura” dos livros expostos e uma “revisitação da história da literatura portuguesa”.

“A exposição está concebida cronologicamente, mas a ideia não é deixar as obras reféns da sua época, pelo contrário, o passado tem futuro, é um exercício de liberdade, a releitura e recriação daqueles que continuamos a chamar hoje os clássicos”, disse Maria João Branco, salientando que é também uma “homenagem à língua portuguesa”.

A exposição inclui peças de arte contemporâneas, como, por exemplo, a música do compositor João Madureira, um pequeno filme de João César Monteiro sobre Sophia de Mello Breyner e a declamação da poesia de Herberto Hélder por Luís Miguel Cintra.

“Penso que são maneiras de reanimar a língua, que, na verdade, é um organismo vivo e temos essa responsabilidade e também essa liberdade de o fazer constantemente”, afirmou a curadora.

Desde as Cantigas de Amigo até Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares, a exposição conta 800 anos de história da literatura portuguesa.

“Esta lista é uma lista possível, mas cada pessoa que fizesse esta reflexão teria a sua própria lista”, explicou o embaixador de Portugal.

“O que nós queremos fazer é lançar um desafio, um debate, é que as pessoas atravessem esta exposição e acabem indignadas, porque falta o livro do autor A, B ou C, porque o livro preferido é X, Y, Z”, disse Duarte Bué Alves, salientando que o importante é as pessoas fazerem o exercício do que leram e do que podem ler.

Todos os livros expostos podem ser requisitados na biblioteca do Centro Cultural Português.

A exposição, inaugurada na quarta-feira com a presença do Presidente timorense, José Ramos-Horta, já recebeu centenas de visitantes, incluindo alunos de várias escolas.

“Se nós conseguirmos que nas escolas em Timor-Leste haja um ou outro debate sobre o que estes livros ou esta lista significa, para mim, cumprimos o objetivo”, acrescentou o embaixador de Portugal.

A exposição vai estar patente ao público durante todo o mês de novembro e o livro e o autor em falta podem ser escritos num quadro no final da visita. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


Escolhas











Vamos aprender português, cantando

 

Escolhas

 

Todas as nossas escolhas

que as curvas nos obrigam todas,

algumas feitas atrás das modas, outras não,

algumas só por obrigação.

 

Todas as nossas escolhas,

nem sempre é fácil fazer escolhas,

as que são fáceis não são bacanas,

por serem fáceis só fazem mal.

 

Todas as nossas escolhas

feitas em tempos, sem noção,

regressam transformadas pra lembrar,

que algumas mais antigas voltam sempre a ser questão.

 

Todas as nossas escolhas

nunca são feitas com precaução.

são impulsivas, são por instinto ou por paixão,

podem nem ter uma direção.

 

Todas as nossas escolhas,

as que não chegam a ser bem escolhas,

e as que nem chegam a dar em nada

quando se achava que se acertou.

 

De todas as minhas escolhas

feitas em tempos, sem noção,

viver contigo ao lado foi de longe a melhor escolha que eu já fiz.

 

És a razão pra querer viver,

pra não deixar morrer,

e ao surgirem escolhas, tu ajudas-me a escolher,

escolhas com tempo e com noção,

canções imaculadas pra lembrar

que o teu amor por mim é que é a minha salvação.

Canções imaculadas pra lembrar

que o meu amor por ti é que é a minha direção.

 

Capitão Fausto - Portugal

 

sábado, 31 de outubro de 2026

Projecto Macau-Lisboa quer formar médicos para uma realidade dominada pela Inteligência Artificial

O director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (UL) afirmou que o curso conjunto com a futura Faculdade de Medicina da Universidade de Macau (UM) pretende formar médicos preparados para uma realidade transformada pela inteligência artificial (IA).


Durante o 1.º Simpósio Conjunto entre as faculdades de medicina da UM e da UL, realizado em Macau, João Eurico Fonseca considerou que o principal desafio do novo projecto passa por preparar profissionais para um sistema de saúde cujo futuro ainda é incerto.

“Temos um problema em todo o mundo nas escolas médicas. A medicina está a evoluir muito mais depressa do que as faculdades de medicina. Estamos sempre a tentar alcançar essa evolução”, afirmou.

Segundo o responsável, a nova escola médica deve ser concebida já a pensar nas necessidades da próxima década, quando os primeiros diplomados iniciarem a actividade profissional.

“O desafio é educar médicos para uma medicina que, na verdade, não sabemos exactamente como será quando eles forem médicos”, afirmou. “Se tudo correr bem, em 2028 teremos os primeiros estudantes e, em 2034, os primeiros médicos. O que vamos precisar nessa altura?”, questionou.

Fonseca apontou quatro grandes factores que estão a transformar a prática clínica: a IA e a medicina digital, os avanços da medicina de precisão e das terapias avançadas, o envelhecimento populacional e a crescente pressão sobre os sistemas de saúde.

“Na medicina, a IA é ainda mais relevante do que no quotidiano”, afirmou o também director do Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, defendendo que os futuros médicos terão de compreender tanto o potencial como os limites destas tecnologias.

O director da Faculdade de Medicina da UL destacou ainda o impacto do aumento da esperança média de vida, que em Macau ronda os 84 anos, uma das mais elevadas do mundo, associado ao crescimento do volume de doenças crónicas e de múltiplas patologias que exigem tratamento.

“Isso cria uma enorme pressão sobre os sistemas de saúde. É o que acontece em todo o mundo”, disse, referindo como exemplos o Hospital Conde de São Januário, em Macau, e o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Embora a aposta em tecnologia e inovação seja central no novo currículo, Fonseca sublinhou que as competências humanas continuarão a ser essenciais na formação médica.

“Ninguém aceitará uma prescrição, um diagnóstico ou uma cirurgia se não houver envolvimento humano”, afirmou. “Se não sentirem empatia e compaixão, essa relação não funciona.”

Outra prioridade será estimular a capacidade de investigação e pensamento crítico dos estudantes.

“Queremos que façam melhores perguntas”, afirmou. “Queremos que sejam capazes de avaliar criticamente a evidência científica e compreender o percurso que vai da descoberta ao benefício para o doente.”

Fonseca acrescentou que o modelo pedagógico prevê contacto precoce com doentes, utilização intensiva de simulação clínica e uma estreita articulação entre ensino, investigação e prestação de cuidados de saúde.

“Não existe espaço para o Dr. House”, afirmou, numa referência à popular série televisiva. “Na realidade, não temos médicos que sabem tudo. Temos equipas que trabalham em conjunto e isso tem de ser incutido desde cedo nos jovens médicos.”

O responsável destacou ainda o potencial da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau como ambiente privilegiado para a formação médica e para a investigação biomédica.

“Estamos na Grande Baía. São 80 milhões de pessoas, inovação produzida todos os dias, patentes em todas as áreas tecnológicas que possamos imaginar”, afirmou. “Esta faculdade fica dentro de um ambiente fantástico.”

Segundo Fonseca, a colaboração entre Lisboa e Macau deverá estender-se muito para além do ensino, através da mobilidade de docentes, investigação conjunta e desenvolvimento de novos programas académicos. “Já existem três projectos de investigação a decorrer”, revelou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Macau - Faculdade de Medicina vai apoiar aprendizagem de Português

Os alunos da futura Faculdade de Medicina da Universidade de Macau (UM) vão poder aprender português durante o curso, facilitando o acesso à profissão em Portugal, disse à Lusa o director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (UL).

João Eurico Fonseca indicou que o programa conjunto entre a UM e a UL se encontra na fase final de acreditação externa pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), após uma recente visita da entidade avaliadora.

“O curso está previsto abrir em Agosto de 2028, para o ano escolar 2028-2029”, afirmou à margem do 1º Simpósio Conjunto entre a Faculdade de Medicina da UM e a Faculdade de Medicina da UL.

A UM está a construir em Hengqin a sua primeira faculdade pública de medicina, integrada num novo campus. A nova faculdade deverá ter capacidade para acolher até 4000 estudantes, e segundo Fonseca, toda a estrutura organizativa do programa está já definida e as obras decorrem de acordo com o previsto.

O responsável explicou que o diploma conjunto permitirá aos graduados obterem reconhecimento imediato em Portugal através da UL. “O diploma vem da Universidade de Lisboa, é imediatamente reconhecido. Claro que, para exercer medicina [em Portugal], é necessário ter um nível mínimo do domínio da língua portuguesa”, explicou.

Fonseca considerou que a própria UM oferece condições favoráveis para os estudantes que pretendam seguir esse percurso profissional. “Há estudos de língua portuguesa e vai ser possível a quem o quiser aprender português enquanto está a fazer o curso de medicina”, disse.

Segundo o responsável, embora alguns alunos possam já entrar no curso com conhecimentos de português, mandarim e inglês, a universidade dispõe dos recursos necessários para apoiar aqueles que pretendam adquirir competências linguísticas que lhes permitam mais tarde exercer em Portugal ou até noutros países europeus.

O director sublinhou, no entanto, que a prioridade da nova faculdade será responder às necessidades de Macau. “Macau precisa de médicos e esta faculdade vai formar médicos para Macau”, afirmou.

Segundo explicou, os candidatos provenientes do território deverão ter prioridade no acesso ao curso, aumentando a probabilidade de os diplomados permanecerem no sistema de saúde local.

Fonseca destacou também o papel que será desempenhado pelo Centro Hospitalar Conde de São Januário e pelo novo Macau Union Hospital na formação dos alunos, e estão a ser estabelecidas colaborações com ambas as instituições, que irão apoiar o ensino através de formação clínica e utilização de tecnologias de simulação.

“O Hospital Conde São Januário tem de facto uma actividade clínica muito viva, muito intensa, que é óptima para o treino nas fases finais de um médico”, afirmou o também director do Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria.

O médico afirmou ter ficado particularmente impressionado com o funcionamento do serviço de urgência do hospital público do território, apesar da forte pressão assistencial.

“Os números não são muito diferentes dos números do Serviço de Urgência do Hospital de Santa Maria e foi feito um investimento muito inteligente para estruturar as vias internas dos doentes, os circuitos dos doentes”, explicou.

“O serviço médico em Macau é já muito bom e eu acho que esta Faculdade de Medicina vai torná-lo excelente”, afirmou.

Paralelamente à criação da nova licenciatura em Medicina, a UL está a liderar o desenvolvimento de um mestrado internacional destinado a acelerar a transferência dos resultados da investigação biomédica para a prática clínica.

Fonseca revelou à Lusa que o programa está actualmente na fase de instalação e criação, no âmbito da iniciativa europeia Erasmus Mundus. Além da UL, o curso envolverá a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM) e a Universidade Humanitas, em Milão.

O programa terá a duração de dois anos e pretende aproximar profissionais provenientes da medicina e de outras áreas científicas relacionadas. “Visa criar uma linguagem comum em pessoas que têm licenciaturas ou em medicina ou outras áreas próximas”, afirmou.

Segundo Fonseca, o objectivo é formar especialistas capazes de servir de ligação entre a investigação científica e a prática clínica, acelerando a transformação das descobertas feitas nos laboratórios em diagnósticos, tratamentos e benefícios concretos para os doentes. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Brasil - É destaque em relatório sobre avanço da restauração da natureza no mundo

Estudo da ONU revela que 252 milhões de hectares estão a ser restaurados, no maior esforço já visto para salvar a biodiversidade. O Brasil tem 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação e está a conseguir assegurar o retorno de espécies que estavam ameaçadas de extinção


O mundo está a realizar, neste momento, o maior esforço global já documentado de restauração da natureza com 252 milhões de hectares sendo recuperados em 149 países. Além de beneficiar plantas e animais, a iniciativa está a gerar um milhão de empregos verdes.

Mas para alcançar a meta acordada entre os países, de restaurar mil milhões de hectares até 2030, o financiamento precisa quadruplicar e o ritmo das ações deve ser mais rápido com um foco em ecossistemas de água doce, marinhos e costeiros.

Retorno de onças-pintadas e micos-leões-de-cara-dourada no Brasil

O Relatório de Progresso da Restauração: O Retorno da Natureza, divulgado nesta quinta-feira, é a primeira avaliação abrangente do progresso dos países na recuperação da biodiversidade.

O documento inclui iniciativas de sucesso no Brasil como a recuperação da Mata Atlântica, em parceria com o Paraguai e Argentina. Mais de 300 organizações estão a restaurar a paisagem, criando corredores ecológicos para espécies ameaçadas de extinção.

O projeto, conhecido como Pacto Trinacional da Mata Atlântica, é reconhecido como uma das 35 Iniciativas de Referência da ONU para a Restauração Mundial e está a assegurar o retorno de onças-pintadas e micos-leões-de-cara-dourada à Mata Atlântica brasileira. As ações já estão a contribuir para salvar 700 mil hectares de floresta no caminho para restaurar 1 milhão até 2030.

No país como um todo, os sistemas de satélite e monitorização indicam que 3,4 milhões de hectares estão a ser recuperados.

Reconhecimento do papel dos povos indígenas

O relatório está a ser lançado na metade da Década da Restauração de Ecossistemas, um esforço global criado pela ONU em 2021, sob liderança do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e pela Organização da ONU para Alimentação e Agricultura, FAO, que também são responsáveis pelo relatório.

Dentre as fontes de dados utilizadas estão os documentos nacionais apresentados pelos países no marco da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Apesar da contribuição significativa dos Povos Indígenas para a gestão dos ecossistemas, apenas duas nações, Brasil e Iêmen, relataram a existência de áreas em processo de restauração em territórios indígenas nos seus relatórios nacionais.

Os povos indígenas administram ou detêm direitos de posse sobre pelo menos 3,9 mil milhões de hectares de terra ao redor do globo, o que representa mais de um quarto da superfície terrestre do planeta. Estas áreas abrangem cerca de 40% de todas as zonas protegidas e paisagens ecologicamente intactas.

Iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre alcança US$ 7,8 mil milhões

O Brasil também é reconhecido por liderar a iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre, Tfff, na qual os rendimentos do capital aportado pelos patrocinadores são usados para financiar a manutenção e restauração das matas em países com florestas tropicais.

Até o encerramento da 30.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas, COP30, realizada em 2025 no Brasil, mais de US$ 6,7 mil milhões haviam sido prometidos frente a uma meta inicial de US$ 25 mil milhões. A meta total de capitalização é de US$ 125 mil milhões.

Compromissos recentes, como dos Países Baixos, em 26 de outubro, e do Reino Unido, no mês passado, elevaram a captação para US$ 7,8 mil milhões. No momento, o mecanismo está a ser copresidido pelo Brasil e pela Noruega.

Restauração ajuda a enfrentar os maiores desafios globais

O relatório do Unep e da FAO ressalta que restaurar 15% das áreas prioritárias no mundo poderia evitar 60% das extinções projetadas de espécies. Também poderia absorver grandes quantidades do gás dióxido de carbono, CO², que aquece o planeta, uma função crucial para manter o aquecimento global abaixo de 2°C.

Ao mesmo tempo, a agrofloresta, que combina árvores com culturas ou gado, poderia melhorar a segurança alimentar de 1,3 mil milhões de pessoas.

A coordenadora da Divisão de Ecossistemas do Pnuma, Natalia Alekseeva, destaca que restaurar ecossistemas degradados está entre as formas mais eficazes de enfrentar alguns dos maiores desafios do mundo.

Segundo ela, as ações de restauração podem reverter a perda de biodiversidade, ajudar as comunidades a se adaptarem às alterações climáticas, produzir alimento suficiente para uma população global em rápido crescimento e garantir meios de subsistência. Felipe de Carvalho – Brasil ONU News