O Prémio ajudará a Alianza Ceibo a ampliar o seu modelo de governação comunitária, a reforçar a proteção da floresta tropical e a investir na educação e na formação de lideranças, e em oportunidades para as próximas gerações
A
Alianza Ceibo é uma organização sem
fins lucrativos que trabalha para proteger terras ancestrais essenciais para o
clima na bacia superior do Amazonas. Reunindo as nações indígenas A’i Kofán,
Siekopai, Siona e Waorani, a Alianza protege mais de dois milhões de hectares
de floresta tropical rica em biodiversidade no Equador, Peru e Colômbia. A
organização apoia também os povos indígenas na resposta às ameaças à sua
cultura e à autonomia, através de estratégias enraizadas nas comunidades e
centradas no reforço da liderança das mulheres e dos jovens. Destacam-se a
Escola de Empreendedorismo e Liderança para Mulheres, que ao longo dos últimos
dez anos formou 260 mulheres indígenas em alternativas de economia sustentável,
e a Escola de Comunicação Indígena, que forma os jovens em narrativa,
fotografia, cinema e jornalismo, contribuindo para preservar a memória e a
cultura.
Ao
atribuir este Prémio, a Fundação Calouste Gulbenkian reconhece o trabalho que a
Alianza Ceibo desenvolve há uma década a unir comunidades, defender os
territórios ancestrais da Amazónia, a promover os direitos dos Povos Indígenas
e a contribuir para a justiça climática. O Prémio, no valor de 1 milhão de
euros, ajudará a Aliança de Povos Indígenas da Amazónia a manter e ampliar o
seu modelo liderado por Povos Indígenas, reforçando a proteção da floresta
tropical e investindo simultaneamente na educação promovida pelas comunidades,
na formação de lideranças, e na criação de oportunidades para a próxima geração
de jovens indígenas.
Para o
Presidente da Fundação, António Feijó, “A vencedora deste ano é um exemplo
poderoso da liderança indígena na luta pela justiça climática num dos
ecossistemas mais preciosos da Terra—a floresta amazónica. Perante a
adversidade, a Alianza Ceibo uniu esforços além-fronteiras para tomar nas suas
mãos o futuro dos seus territórios ancestrais. Mostra-nos o que pode ser
alcançado quando nos unimos em torno de um propósito comum.”
A
força do modelo único da Alianza Ceibo, assente na liderança das comunidades,
tem permitido alcançar resultados significativos na proteção das suas terras
contra a exploração de recursos, incluindo vitórias históricas para travar a
desflorestação e assegurar direitos territoriais, bem como a introdução de
fontes de energia limpa e de água potável para proteger as comunidades dos rios
contaminados pela indústria extrativa.
Entre
as principais conquistas alcançadas pela Aliança até à data, destacam-se:
- O desenvolvimento de modelos educativos e referenciais curriculares liderados pelas comunidades, cujo reconhecimento oficial pelo Governo equatoriano, em setembro de 2026, constituiu um marco histórico e permitiu a sua adoção pelo sistema público de ensino nos territórios A’i Kofán, Siekopai e Waorani. Este reconhecimento possibilita a integração formal dos conhecimentos ancestrais, das línguas e das cosmovisões destes povos no ensino público, estabelecendo simultaneamente um importante precedente para que outros povos indígenas do Equador possam seguir o mesmo caminho.
- A obtenção de uma decisão judicial histórica que atribuiu ao povo Siekopai o título de propriedade do seu território ancestral;
- A obtenção de uma decisão judicial que anulou 52 concessões mineiras ilegais no território A’i Kofán, protegendo a montante todo o sistema do rio Aguarico;
- A vitória em processos judiciais que estabeleceram um precedente nacional em matéria de Consentimento Livre, Prévio e Informado, um instrumento poderoso que ajuda os Povos Indígenas a contestar a indústria extrativa;
- A instalação de 1164 sistemas de filtragem de águas pluviais, que dão acesso a água potável a mais de 6500 pessoas afetadas pela contaminação por petróleo na Amazónia equatoriana e na Colômbia;
- A construção de 200 sistemas de energia solar, que fornecem eletricidade a 208 agregados familiares, três associações de mulheres, sete escolas e 14 postos de patrulhamento territorial.
Nemonte
Nenquimo, do povo Waorani, e cofundadora da Alianza Ceibo, declara: “Aceitamos
humildemente este reconhecimento em nosso nome e em nome das nossas
comunidades, dos nossos anciãos e dos territórios. Este prémio reconhece a luta
que travamos desde os nossos antepassados e demonstra o seu verdadeiro impacto
no mundo: os Povos Indígenas, que sempre viveram aqui, são fundamentais para
proteger a floresta tropical e encontrar soluções para as alterações
climáticas. A Amazónia é vital para o equilíbrio do planeta e, ainda assim,
continua a ser destruída. Temos de permanecer firmes na sua defesa, porque as
nossas vidas dependem dela.”
Por
seu lado, Hernán Payaguaje, do povo Siekopai, e também cofundador da Alianza
Ceibo, afirma: “Este prémio enche-nos de uma enorme gratidão. É um
reconhecimento do trabalho que desenvolvemos a partir dos nossos territórios,
apoiando processos comunitários, reforçando lideranças, desenvolvendo
capacidades e promovendo a autonomia dos povos. Reconhece também o impacto
positivo nas comunidades e a confiança construída com organizações, aliados e
parceiros. Estas alianças permitiram-nos chegar a mais territórios, estabelecer
ligação com mais pessoas e fazer crescer um movimento regional. Acreditamos que
mais investimento na autonomia dos nossos povos, das suas organizações e dos
seus territórios é uma verdadeira alternativa e uma garantia para assegurar a
defesa dos nossos territórios e das nossas vidas.”
O
Júri, presidido pela antiga Chanceler alemã Angela Merkel, selecionou o
vencedor de entre 304 nomeações, oriundas de 73 países. Numa altura em que os
defensores indígenas da terra enfrentam hostilidade e interferências políticas,
a atribuição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade à Alianza Ceibo reconhece o
papel fundamental dos Povos Indígenas na salvaguarda deste que é um dos
ecossistemas mais importantes do mundo.
Este
Prémio, refere a Presidente do Júri, Angela Merkel, “distingue quem demonstra
um compromisso excecional com a Terra e com a coexistência global entre as
pessoas e o planeta. O Prémio recorda-nos que cada pessoa, onde quer que esteja
no mundo, tem o poder de fazer a diferença — e que uma única ação, quando
inspira outras pessoas, pode tornar-se uma poderosa força de mudança em todo o
mundo.”
Num
contexto em que os Povos Indígenas enfrentam, a nível mundial, uma falta de
financiamento grave e persistente, o Prémio de 1 milhão de euros ajudará a
Alianza Ceibo a salvaguardar a liderança indígena num dos ecossistemas mais
importantes do mundo.
Saiba
mais aqui. Fundação Calouste
Gulbenkian - Portugal






