Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Moçambique - Hipólito Sengulane lança duas obras literárias na cidade de Maputo

O escritor e vice-reitor da Universidade Save, Hipólito Sengulane, lança, no próximo dia 5 de Novembro, em Maputo, duas obras literárias intituladas Vidas Cruzadas em Tempo de Espera e Revelações do Mundo ao Corpo do Velho, esta última na sua segunda edição.


A sessão de lançamento está marcada para as 17h30, no Camões – Centro Cultural Português, e será moderada pelo escritor e jornalista Eduardo Quive, com leitura de excertos pela escritora Matilde Uelissene. As obras são publicadas pela editora Catalogus.

Em Vidas Cruzadas em Tempo de Espera, o autor apresenta diferentes personagens cujas trajectórias se cruzam num contexto marcado pela espera, esperança e desafios do quotidiano. A narrativa explora experiências de vida distintas, colocando em evidência sonhos, frustrações, expectativas e a procura de sentido para a existência.

Já em Revelações do Mundo ao Corpo do Velho, Sengulane aborda a velhice, a solidão e as memórias através de um protagonista que revisita as experiências acumuladas ao longo da vida, reflectindo sobre o tempo e a necessidade de registar aquilo que viveu e sentiu.

Embora apresentem abordagens distintas, as duas obras têm como ponto de convergência a reflexão sobre a condição humana, as relações, as memórias e as experiências que marcam a existência.

Hipólito F. M. Salomão Sengulane nasceu em 1962, em Zandamela, distrito de Zavala, província de Inhambane. É doutorado em Educação e Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no Brasil, e actualmente exerce funções de vice-reitor para a Área Académica da Universidade Save.

Com publicações nas áreas científica e literária, o escritor é autor de obras como História das Instituições de Poder Político em Moçambique, Uma História do Anglicanismo em Moçambique e Um Pulsar de Fel, entre outras. In “O País” – Moçambique”


Angola - Lidera África em dispositivos pirateados por hackers

O país é terreno fértil para cibercriminosos. A elevada detenção de botnets está relacionada com as vulnerabilidades técnicas ou falta de segurança no ciberespaço e baixa literacia. Angola funciona como um terreno fértil para os cibercriminosos, que usam os equipamentos cibernéticos como armas para atacar outras economias


Angola lidera a lista dos países africanos com maiores índices de detecção de botnets, ou seja, redes de dispositivos ligados à internet (como computadores, telemóveis, routers ou aparelhos de IoT) controlados à distância por criminosos, revela o relatório de Avaliação das Ciberameaças em África 2026 da Interpol, com base em dados de 36 países do continente.

As botnets são redes de equipamentos electrónicos controlados por cibercriminosos através de malware (software malicioso) e servem, muitas vezes, como um importante meio de propagação de ransomware, ataques que sequestram os ficheiros ou o sistema de uma vítima através de encriptação, exigindo o pagamento de um resgate para devolver o acesso. Os dados do relatório de avaliação resultam de um inquérito a 36 países, cruzado com telemetria de empresas privadas de segurança no espaço digital como Fortinet, Shadowserver, TrendAI e outras.

Os dados de botnet baseiam-se na telemetria do FortiGuard Labs (laboratório global de investigação de ameaças no ciberespaço). Angola tem o maior índice entre os 36 países, com 38% das detecções registadas nos países analisados pela Interpol. Esta percentagem corresponde às detecções registadas por sensores do laboratório e não à percentagem de dispositivos infectados, ou seja, representa o volume de comunicações maliciosas captadas.

Esta elevada detecção de botnets revela vulnerabilidades técnicas ou falta de segurança no ambiente digital, onde proliferam dispositivos IoT inseguros, equipamentos electrónicos como câmaras de segurança e routers ligados à internet com palavras-passe de origem ou firmware desactualizado, bem como sistemas operativos piratas ou obsoletos e o fraco uso de ferramentas de protecção básicas, como antivírus e firewall (barreira de protecção), o que acontece um pouco nos vários organismos públicos... In “Expansão” - Angola


Itália - Em Pompeia, o guarda-roupa de uma mulher ressurge com objetos de beleza e joias

Joias, moedas, ferramentas e cosméticos: um armário na casa de Cornélio Máximo dá vida ao cotidiano das mulheres de Pompeia antes da erupção do Vesúvio em 79 d.C.


O guarda-roupa de uma mulher da antiga Pompeia voltou à luz. Graças ao trabalho de arqueólogos, foi possível recuperar o interior de um armário que guardava objetos de uso cotidiano na casa IX 11, 7, ou casa de Cornélio Máximo, na área central da cidade soterrada pelo Vesúvio.

Ao observar esses objetos, é quase como se pudéssemos evocar a vida de uma mulher de Pompeia antes da destruição do sítio arqueológico em 79 d.C. Entre os achados, encontram-se utensílios de maquilhagem (pinça, espátula para misturar pigmentos), um balsâmico de vidro, um queimador de perfume para perfumar a casa, uma lâmpada de bronze, além de pesos de chumbo, provavelmente usados ​​para fins comerciais e guardados numa pequena caixa de madeira da qual restam apenas vestígios.

O que havia no guarda-roupa da mulher de Pompeia?

Vasos e potes de bronze, vidro e cerâmica também foram encontrados: objetos domésticos do dia a dia, mas talvez carregados de memórias, como no caso de uma elegante jarrinha decorada com motivos de escamas de pinheiro. Há também um colar composto por pelo menos 24 objetos em miniatura de faiança, osso, pasta de vidro e cristal de rocha, todos perfurados para suspensão e representando divindades (Bes e Mercúrio podem ser identificados), pés e mãos, pinhas e cachos de uva.

Segundo especialistas, esses colares eram por vezes considerados objetos "mágicos" usados ​​em feitiços e poções; na realidade, são o que se conhece como crepundia, literalmente "chocalhos": colares com amuletos que eram dados a crianças para as proteger, mas também para que pudessem ser ouvidas quando se moviam.

Não era incomum que os adultos também os guardassem, frequentemente em pequenas caixas ou, como neste caso, em sacos de pano dentro de guarda-roupas, aparentemente como lembranças de uma infância da qual pouco mais restava. O mundo romano era caracterizado por um alto grau de mobilidade geográfica em todos os níveis, desde escravos a ricos mercadores, de modo que muitas pessoas se viam vivendo longe de parentes e pais e dos lugares da sua infância.

O pequeno tesouro escondido no guarda-roupa

Outro segredo guardado no guarda-roupa descoberto durante a escavação é um pequeno tesouro de moedas: são 38 moedas, todas de bronze, preservadas numa "cistella", um pequeno recipiente feito de material vegetal utilizando técnicas de cestaria, cujos restos foram analisados ​​após serem recuperados durante a escavação. A presença das moedas, em particular, sugere que o(s) proprietário(s) não tiveram tempo de recuperar os objetos de valor, seja económico ou sentimental.


Se eles estivessem na cidade na época da catástrofe, teriam tentado fugir. Se conseguiram escapar, não teriam retornado para escavar sob os pisos em busca dos seus pertences, ao contrário de outros cujos esforços deixaram vestígios revelados por escavações recentes.

Mas talvez não tenham tido sucesso e possam estar entre aqueles que, como recorda o historiador Tácito, morreram sem herdeiros e cujos bens teriam sido usados ​​para a refundação de Pompeia, que, no fim, nunca aconteceu. Essas são questões destinadas a permanecer em aberto.

A dimensão humana do passado de Pompeia reconstruída.

"Pompeia não é apenas um lugar de grandes obras de arte; é também um lugar onde os objetos mais comuns revelam a dimensão humana do passado. O valor desta descoberta reside na possibilidade de ler em conjunto os diferentes vestígios de uma vida: hábitos pessoais, trabalho, memórias", afirma o diretor do Parque Arqueológico, Gabriel Zuchtriegel.

"Não podemos reconstruir com certeza a identidade da pessoa que morava na casa, mas esses fragmentos nos aproximam do seu cotidiano", acrescenta o diretor.


O que sabemos sobre a Casa de Cornélio Máximo

A escavação ajudou a esclarecer alguns aspectos da casa onde o guarda-roupa foi encontrado. A fachada da residência, provisoriamente atribuída a uma figura chamada Cornélio Máximo com base em inscrições agora invisíveis, já havia sido escavada em 1912. Somente agora, porém, parte dos cômodos atrás dela foi investigada, como parte do grande projeto de restauração e acessibilidade da adjacente Insula dei Casti Amanti.

Embora o nosso conhecimento sobre a casa ainda seja parcial, alguns dados muito interessantes vieram à tona: por um lado, as refinadas pinturas murais do Quarto Estilo no cómodo com o guarda-roupa, atribuíveis à oficina na Via di Castricio, indicam um certo padrão de vida, condizente com a posição central da casa, que tem vista para uma das principais vias da antiga cidade.

Por outro lado, na época da erupção, várias obras estavam em andamento, o que deve ter afetado consideravelmente a habitabilidade. Soma-se a isso a descoberta de pelo menos dois esqueletos de ratos, encontrados dentro de uma ânfora num mezanino. De acordo com análises realizadas no laboratório do parque, eles provavelmente pertenciam à espécie Apodemus sylvaticus, também conhecida como "rato-do-campo".

Ratos deste tipo normalmente vivem em ambientes naturais e jardins, de onde frequentemente invadem sótãos e depósitos em residências humanas na procura de alimento. Os dois espécimes encontrados em Pompeia não eram totalmente maduros, como indica o grau de desenvolvimento dos seus esqueletos (117 minúsculos fragmentos). A descoberta reforça a evidência da presença de roedores em outros contextos vesuvianos, como as dependências de serviço da vila suburbana de Civita Giuliana ou os esgotos de Herculano, e oferece a imagem de uma sociedade urbana que também tinha de lidar com visitantes indesejados. Euronews










quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Cabo Verde - Literatura: “Paixão e Capricho” retrata as curvas da vida numa narrativa inspirada em histórias reais

Cidade da Praia – O escritor Inácio Borges apresenta, na cidade da Praia, o livro Paixão e Capricho – As Curvas da Vida de Natanael, uma obra de ficção inspirada em histórias reais que aborda o amor, a dignidade humana e a liberdade individual.


Com 148 páginas, em formato A5, a obra tem Natanael como uma das personagens principais e acompanha diferentes episódios da sua vida, marcada por paixões, relações e acontecimentos que dão origem ao subtítulo “As Curvas da Vida de Natanael”.

A narrativa começa com a paixão que Natanael sentiu por Rosabela ainda no ensino pré-escolar. Já na idade adulta, pediu-a em casamento, mas o pai da jovem, uma personagem conhecida como Cabo-Chefe, recusou o pedido e mandou realizar um teste de “virgindade” à filha.

Sentindo-se ofendido e desprezado, Natanael decidiu nunca mais se aproximar de Rosabela. “Daí este título – Paixão e Capricho”, explicou o autor.

A história prossegue com o envolvimento de Natanael com Maria Eduarda, professora natural de São Vicente e sua colega de trabalho, colocada em Chã de Baxu, em Assomada, localidade fictícia da narrativa.

O percurso da personagem inclui ainda o serviço militar em Portugal e a participação na guerra em Angola, experiências que contribuem para os sucessivos acontecimentos e mudanças na sua vida.

“A sua vida teve muitas curvas”, referiu Inácio Borges, ao explicar o subtítulo da obra.

Apesar de se tratar de uma narrativa de ficção, o livro foi construído a partir de histórias reais vividas por terceiros e relatadas ao autor por outras pessoas, que as reuniu com pequenos episódios através de um processo de encadeamento narrativo.

Entre os temas abordados encontram-se o amor e a paixão, a religião, a crença nos finados, os remédios de terra, as formas tradicionais de conquista amorosa e a política.

Segundo o autor, a mensagem central da obra assenta na defesa da liberdade de escolha, de pensamento e de expressão, bem como na valorização da dignidade humana.

A escrita começou em 2014, em Portugal, durante o período de recuperação e tratamento na sequência de um acidente vascular cerebral (AVC). Desde então, o manuscrito passou por várias melhorias e correcções linguísticas, com o apoio de uma pessoa mais experiente no domínio da escrita.

Em 2016, o autor conseguiu estabelecer uma parceria com a Câmara Municipal do Tarrafal de Santiago, numa altura em que pretendia publicar a obra no âmbito das comemorações do 50.º aniversário da Independência de Cabo Verde.

Para Inácio Borges, a apresentação pública do livro representa a concretização de um sonho antigo e poderá abrir caminho à publicação de outros trabalhos que já escreveu e que aguardam a sua vez.

Editada pelo Sítio do Livro, a obra destina-se especialmente a adolescentes e jovens, embora a diversidade de temas abordados possa despertar também o interesse de adultos, professores, pais e leitores com diferentes convicções religiosas e políticas.

O lançamento aconteceu na Sala dos Munícipes da Câmara Municipal da Praia, no Plateau, com apresentação de José Pedro Nunes Soares e Paulo Veríssimo. In “Inforpress” – Cabo Verde


Brasil - Lula e o fim da Dinastia Bolsonaro

Não me lembro bem onde li, mas o autor, criticando a fuga do ex-candidato quase presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, ironizava o fato do 01 ter saído na surdina, escondido como um bandido, disfarçado em guarda-chuva. Realmente, sair do Brasil às escondidas não foi um ato de coragem mas de pura covardia, definindo seu caráter de um poltrão e medroso.

Fugiu só com o susto da Polícia Federal lhe ter pedido o passaporte, sem ter sequer começado um processo, mas temendo o fim de sua imunidade parlamentar ao terminar seu mandato de senador.

Felizmente, o criador da programada dinastia, o pai Jair, além de bronco e inculto, é nota zero em termos de articulação, previsão e programação política. Se tivesse entregado as rédeas da família ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, talvez o bolsonarismo não estaria hoje no necrotério. O raposão tinha dois outros candidatos, recusados por Jair, atraído pela ideia de criar no Brasil uma Dinastia Bolsonaro, capaz de ficar no poder por algumas dezenas de anos.

Felizmente para a democracia brasileira, a proposta de Valdemar do PL foi rejeitada. A dobradinha seria Tarcísio de Freitas, formação militar, entreguista e também golpista, com Michelle Bolsonaro como vice, a evangélica anti-feminista, que falava línguas estranhas na posse do terrivelmente evangélico André Mendonça, o vaidoso que encobriu sua calvície prematura com implante de cabelos, segurou o quanto pôde as investigações sobre as ligações de Flávio Bolsonaro (ou melhor Rachadinha) com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Seria difícil uma vitória de Lula sobre Tarcísio-Michelle. E a história seria outra: a do Brasil virar uma republiqueta, cujo primeiro ato seria o de libertar Jair e os depredadores do 8 de janeiro de 2023.

Valdemar, que já reconheceu a vitória de Lula, Michelle eleita senadora e Tarcísio reeleito e já pensando em 2030 sem compromisso com Jair, devem estar rindo. Jair, ao contrário, deve estar se mordendo, ao ver desmoronado seu ambicioso projeto de Dinastia e desfeita sua esperança de recuperar a liberdade em janeiro, subindo a rampa do Planalto com seu primogênito.

A ilusão de Flávio

Todos se lembram da ilusão e da vaidade de Flávio, julgando-se já eleito presidente com os resultados do Primeiro Turno. O molecão mimado, amigo de milicianos, mestre na arte da mentira e corrupção, já nomeava ministros e dizia - imagina-se com o apoio do ministro Nunes Marques - vou subir a rampa com meu pai. Seria uma reatualização de uma velha frase de Getúlio Vargas, que fez época e inspirou gerações de políticos: "a lei, ora a lei".

Mas nunca se deve contar com o ovo ainda na galinha! Para estragar o sonho bolsonarista, os idosos, cadeirantes, indecisos se mobilizaram no Exército de Lula, do André Janones e foram votar, derrotando o miliciano.

Disso, Flávio vai sempre se lembrar, sentado numa cadeira de preguiça numa praia protegida e privatizada de Miami, já naturalizado cidadão norte-americano logo depois de seu irmão Eduardo. Exceto, exceto se, depois do governo catastrófico de Trump, os democratas retornarem ao poder e retirarem os vistos de permanência dos Bolsonaros nos EUA, antes de se terem naturalizado norte-americanos!

Moraes e Dino esperando

Neste caso, repatriados os dois irmãos serão recebidos com foguetes e festas pelos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, para cumprirem as penas já pronunciadas em suas ausências. Talvez Tarcísio, se eleito em 2030, os liberte, inclusive o pai, mas sabe-se lá... Sem Tarcísio, em prisão especial ou domiciliar, serão esquecidos e se transformarão numa daquelas curiosidades da nossa história. Rui Martins – Suíça

______________

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

Timor-Leste - Integra esforços regionais de promoção do investimento verde

Os Estados-membros da Asean apostam na atração de investimento em biocombustíveis, biomassa e combustível sustentável. Oportunidades de aprendizagem coletiva e de promoção do país junto de investidores constituem oportunidade para indústria verde


Pela primeira vez, os Estados-Membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático, Asean, apresentaram a região a investidores internacionais de setores-chave das indústrias verdes.

A iniciativa permite a Timor-Leste, o país de língua portuguesa do grupo, conectar os recursos agrícolas às cadeias de valor emergentes dos combustíveis sustentáveis. Com isto, Timor pode obter novas oportunidades económicas para as suas comunidades agrícolas.

Um potencial regional enorme

O Sudeste Asiático tem um forte potencial para atrair investimento em biocombustíveis, biomassa e combustível sustentável para a aviação.

A região com recursos agrícolas abundantes tem uma procura crescente de energia e mercados em rápido desenvolvimento, como informa a Comissão Económica e Social das Nações Unidas para Ásia-Pacífico, Escap.

A plataforma “Invest Asean” liga os investidores a oportunidades ao longo das cadeias de valor regionais, aproveitando o potencial das economias da Asean e o apoio coordenado das agências de promoção do investimento.

Timor-Leste aposta na transição responsável

O responsável pelas relações externas do instituto público “TradeInvest Timor-Leste”, Reno Bernardo, ressalta que enquanto alguns países da Asean contam com setores industriais consolidados, países como Timor-Leste podem fornecer matérias-primas para indústrias emergentes.

Segundo Bernardo, a promoção junto de investidores constitui uma oportunidade para o desenvolvimento da indústria verde e a transição energética do país lusófono, reduzindo a sua dependência dos combustíveis fósseis.

Reno Bernardo acredita que a oportunidade de aprendizagem internacional poderá contribuir para que Timor-Leste desenvolva a transição verde de forma faseada e responsável, evitando abordagens insustentáveis.

Das conversas às oportunidades de investimento

Nove agências de promoção do investimento regionais compareceram à Conferência Argus sobre Biocombustíveis e na 34.ª Conferência e Exposição Europeia da Biomassa, dois eventos dedicados ao investimento verde, realizados este ano.

Para Timor-Leste, os eventos alargaram a rede de contactos com parceiros da Asean e fornecedores de tecnologia.

O próximo passo é transformar estas relações e contactos com potenciais investidores em projetos, aproveitando o espírito de colaboração da Invest Asean para mobilizar investimento para a transição verde da região. ONU News – Nações Unidas


Brasil – Lula da Silva vence as eleições no país após reduzir o desmatamento da Amazónia a um nível recorde

A vitória de Lula da Silva na eleição presidencial brasileira traz esperança para a Amazónia, mas o avanço da extrema-direita ameaça o progresso


A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras foi saudada como uma vitória para a democracia e para a Amazónia.

Desde que retornou ao cargo em 2023, o desmatamento na floresta amazónica brasileira atingiu um nível recorde de baixa, caindo 42% apenas no último ano.

A histórica reeleição do presidente de esquerda para um quarto mandato traz alívio aos ambientalistas que temiam o retorno à flexibilização das proteções climáticas e ambientais sob o governo do opositor de direita Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a sua presidência, de 2019 a 2023, as políticas ambientais foram desmanteladas e o desmatamento aumentou em cerca de 60%, com mais de 45.000 quilómetros quadrados desmatados.

Sob o governo de Lula, o desmatamento caiu 71% em relação ao nível de 2022.

O Greenpeace Brasil afirmou que o resultado das eleições de 2026 “é uma vitória para a democracia e mantém o compromisso de proteger a Amazónia e combater as alterações climáticas”.

Esse otimismo foi compartilhado por ambientalistas do mundo todo: “Viva a Amazónia, o Cerrado, o Pantanal e toda a natureza do Brasil!”, publicou Glenn Hurowitz, fundador e CEO da organização global de defesa da natureza Mighty Earth. “A reeleição de Lula é um alívio muito necessário para a floresta tropical e os demais ecossistemas extraordinários do país.”

Por que a Amazónia brasileira é importante para o mundo?

“O Brasil abriga a maior parte da maior floresta tropical do mundo e outros cinco biomas, que juntos representam cerca de 15% da biodiversidade global”, afirma Camila Jardim, especialista em política internacional do Greenpeace Brasil.

“A proteção desses ecossistemas é importante muito além das fronteiras do Brasil e é essencial para deter a perda de biodiversidade em todo o mundo.”

A floresta tropical também armazena enormes quantidades de dióxido de carbono, que contribui para o aquecimento global, e gera humidade atmosférica que ajuda a regular o clima muito além da América do Sul.

Sob o governo Lula, o desmatamento na Amazónia brasileira caiu para o nível mais baixo desde o início da monitorização, em 1988.

Como o Brasil conseguiu reduzir o desmatamento a níveis recordes?

O enorme progresso na redução do desmatamento deve-se ao Plano de Ação para a Prevenção e o Controlo do Desmatamento na Amazónia Legal (PPCDAm), que havia sido arquivado durante o governo Bolsonaro.

O plano reforçou a monitorização por satélite do desmatamento ilegal e a aplicação de sanções. Também utiliza regulamentações e incentivos financeiros para conter o desmatamento e promover ações sustentáveis.

“A eleição de Lula mantém viva a esperança de um financiamento ambiental que possa fazer com que as árvores valham mais vivas do que mortas”, afirma Hurowitz. “Sob o governo Lula, o Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, um sistema elegante no qual os investidores recompensam os países pela conservação, mas que precisa de mais capital.”

“Esse progresso deve ser mantido, e os esforços para proteger e restaurar os ecossistemas em todos os biomas do Brasil devem ser intensificados, respeitando os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais”, afirma Jardim.

Congresso de direita poderia enfraquecer o poder de Lula.

Flávio Bolsonaro afirmou que não reconhece o resultado da eleição de 2026 e que irá contestá-lo na justiça, citando uma decisão de última hora do Supremo Tribunal Federal que estendeu a votação por duas horas. Lula venceu com cerca de 4,4 milhões de votos, recebendo aproximadamente 51,8% contra 48,2% de Bolsonaro.

Apesar da vitória apertada de Lula, o partido do seu rival obteve ganhos expressivos no Congresso Nacional.

“Estas eleições testemunharam um aumento significativo da extrema-direita no Congresso Nacional, que inclui um grande contingente de negacionistas climáticos e antiambientalistas”, afirmou o Greenpeace Brasil em comunicado.

O Partido Liberal de Bolsonaro controlará 121 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e 28 das 81 cadeiras do Senado a partir de fevereiro de 2027. A Confederação dos Trabalhadores de Lula terá 88 cadeiras na Câmara dos Deputados. Os partidos de centro-direita serão decisivos para a aprovação de leis.

“Nos próximos quatro anos, a mobilização pública será essencial para defender os direitos e evitar retrocessos ambientais potencialmente irreversíveis”, afirmou o Greenpeace Brasil.

“Embora o governo enfrente um Congresso hostil, ele pode fazer cumprir a lei e designar novos parques e reservas indígenas – consolidando o progresso”, diz Hurowitz.

Persistem também as ameaças de incêndios florestais, exploração madeireira e seca, sendo que o forte El Niño deste ano deverá trazer condições mais quentes e secas, propícias a incêndios. Euronews