Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 27 de julho de 2026

CPLP - “Com honra e responsabilidade”: Portugal assume presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da Organização

O presidente da Assembleia da República portuguesa disse esta sexta-feira, em Luanda, que Portugal abraçou com grande honra e sentido de responsabilidade a presidência da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)


Portugal vai assumir, em 2027, a presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da CPLP (APCPLP), atualmente presidida pelo parlamento de Moçambique.

Aguiar Branco, em declarações à imprensa no final da XV Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), destacou que Portugal vai assumir, pela primeira vez, a presidência para o biénio 2027/2029.

O presidente do parlamento português desejou ainda que a presidência de Portugal «possa fortalecer a CPLP», no espírito de que estão imbuídos todos os Estados-membros.

Sobre o encontro que terminou esta sexta-feira, Aguiar Branco fez um balanço positivo, que serviu para tratar muitos temas da atualidade, como a digitalização, a resiliência das instituições democráticas, o prestígio dos parlamentos, o estimular da participação das mulheres na atividade política.

«Foi muito rica e muito variada as matérias que tratámos», considerou Aguiar Branco. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 25 de julho de 2026

Galiza - Curso Internacional de materiais para o português decorreu com êxito em Compostela

Compostela acolheu um pioneiro e inédito curso internacional para a criação de materiais didáticos de português, adaptados ao contexto galego


Entre os dias 6 e 11 de julho, nas instalações da Escola Galega de Administração Pública (EGAP), aconteceu a XVI edição do Curso de Capacitação para a Elaboração de Materiais Didáticos de Português, uma iniciativa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

A importância do curso reside, em parte, por ser esta a primeira vez que o prestigiado curso do IILP decorre na Galiza, reconhecendo o crescente dinamismo do ensino do português no território e a relevância do contexto linguístico galego para o desenvolvimento de recursos pedagógicos específicos. O curso já tinha acontecido em outros territórios vinculados com a lusofonia, como Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Timor-Leste…entre outros. A formação foi orientada pelas especialistas Edleise Mendes e Viviane Furtoso, referências internacionais na área da didática do português como língua estrangeira e língua não materna.

Na formação, com uma duração de 35 horas, uma equipa de docentes de português trabalhou de maneira colaborativa para a elaboração de unidades didáticas que serão agora disponibilizadas de forma gratuita no Portal do Professor de Português Língua Estrangeira. Nesse sítio existem já milhares de unidades didáticas, que incidem em conteúdos e aspectos linguísticos e socioculturais, das comunidades vinculadas com a língua portuguesa.

Sendo a galega uma variedade tão próxima da portuguesa, os níveis de dificuldade estabelecidos para os materiais no Portal (níveis 1, 2 e 3) foram adaptados à realidade galega. Cabe destacar a visão diversa e pluricêntrica que as formadoras do PPPLE defendem e promovem nos cursos de capacitação, tentando construir pontos de partilha e entendimento entre as múltiplas identidades que compõem na atualidade a língua portuguesa. Agora, pela primeira vez desde a inauguração do PPPLE, unidades didáticas criadas com o foco na Galiza farão parte dessas propostas didáticas que chegam a mais de 25.000 docentes de português em todo o mundo.

O evento foi organizado pela Associação de Docentes de Português na Galiza (DPG) e a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com a colaboração da Junta da Galiza e o apoio do Observatório do Ensino da Língua Portuguesa. A ação, ao abrigo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, integra ainda as comemorações dos 30 anos da CPLP.

Para a Associação de Docentes de Português da Galiza (DPG), a realização desta iniciativa em Santiago de Compostela representa um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas na promoção do ensino do português e reforça a cooperação entre instituições galegas e organismos internacionais dedicados à difusão da língua portuguesa. A formação constitui igualmente uma oportunidade para consolidar uma comunidade docente especializada e contribuir para uma oferta educativa cada vez mais ajustada à realidade sociolinguística galega. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


quinta-feira, 23 de julho de 2026

"CPLP demasiado próxima dos governos e excessivamente distante dos cidadãos" afirma activista social

Lisboa – O presidente da Associação Maense em Portugal (AMP), Carlos Frederico, defendeu que a CPLP deve colocar os cidadãos no centro da sua acção, considerando que 30 anos após a sua criação continua “demasiado próxima dos governos”.

Em entrevista à Inforpress, a propósito do 30.º aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assinalado a 17 de Julho, o dirigente associativo considerou que a organização deve fazer “uma reflexão profunda” sobre o impacto da sua acção na vida dos mais de 300 milhões de cidadãos dos nove Estados-membros.

“Ao longo de mais de 20 anos à frente de uma associação que acompanha centenas de estudantes e emigrantes, aprendi uma lição incontornável: os cidadãos não vivem de comunicados finais, vivem de oportunidades”, afirmou.

Na sua perspectiva, é precisamente nesta vertente que a CPLP “continua a falhar”, defendendo que o principal problema da comunidade não reside nos seus princípios fundadores, mas na dificuldade em concretizá-los.

Segundo Carlos Frederico, a CPLP nasceu com “propósitos nobres”, como promover e difundir a língua portuguesa, fortalecer a cooperação multilateral, facilitar a mobilidade entre os Estados-membros, estimular o desenvolvimento económico e social e aproximar culturas e construir uma comunidade assente na solidariedade entre povos irmãos.

“Tudo isto continua a fazer sentido. O problema nunca esteve na ideia fundadora, mas sim na sua execução”, afirmou.

O presidente da AMP apontou como principais desafios a mobilidade entre os países da comunidade, o reconhecimento de diplomas e qualificações profissionais, os processos migratórios e os obstáculos enfrentados por estudantes, trabalhadores e empresários.

“Todos os anos testemunhamos uma realidade frustrante: jovens que enfrentam obstáculos colossais para estudar noutro país lusófono, profissionais impedidos de exercer as suas funções devido a processos administrativos excessivamente burocráticos e famílias separadas por procedimentos migratórios lentos, complexos e desgastantes”, afirmou.

Perante esta realidade, questionou “onde está a CPLP quando os cidadãos mais precisam dela”.

Embora reconheça o trabalho desenvolvido pela organização em áreas como cultura, saúde, cooperação técnica, segurança alimentar e concertação diplomática, Carlos Frederico considerou que “actividade institucional não deve ser confundida com impacto real na vida das pessoas”.

“Uma organização internacional não deve aferir o seu sucesso pelo número de reuniões realizadas, mas pela melhoria tangível do quotidiano das populações. E é esta ligação que permanece, infelizmente, frágil. A CPLP mantém-se demasiado próxima dos governos e excessivamente distante dos cidadãos”, defendeu.

Na entrevista, apelou a uma mudança de prioridades, propondo maior investimento em bolsas de estudo, emprego jovem, programa de mobilidade académica e profissional, reconhecimento mais rápido de competências e incentivo ao empreendedorismo entre os Estados-membros.

Na sua opinião, a comunidade tem um enorme potencial, reunindo mais de 300 milhões de pessoas, uma língua comum, uma juventude dinâmica, universidades, empresas e uma vasta diáspora espalhada pelo mundo.

Carlos Frederico defendeu igualmente um maior envolvimento da sociedade civil na construção do futuro da CPLP.

“A língua portuguesa não é propriedade dos governos. Pertence aos milhões de cidadãos que a falam, que nela sonham, trabalham e constroem diariamente o amanhã”, afirmou, deixando claro que não pretende “diminuir” a CPLP com tais declarações.

Questionado sobre os desafios para os próximos 30 anos da CPLP, o presidente da AMP sublinhou que as suas críticas não visam diminuir a organização, mas contribuir para o seu fortalecimento, defendendo que a comunidade deve abandonar uma lógica excessivamente institucional e colocar, de forma efectiva, os cidadãos no centro das suas políticas.

“(…) Uma comunidade de língua comum apenas será verdadeiramente coesa e forte quando os seus povos sentirem que habitam um espaço onde as oportunidades fluem com a mesma naturalidade e facilidade que as palavras.”, conclui. Feliciano Monteiro – Agência Inforpress


Angola - Líderes parlamentares da CPLP preparam detalhes para início da sessão

Os presidentes dos Parlamentos Nacionais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniram em Luanda, com foco na preparação da XV Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da CPLP, que arranca sob o lema, "Governação Democrática, Segurança e Integridade: Fortalecendo a Resiliência Institucional da CPLP"


A reunião orientada pela presidente em exercício da Assembleia Parlamentar da CPLP, a moçambicana Margarida Talapa, contou com a participação dos líderes dos Parlamentos de Angola, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Timor-Leste.

O encontro marcou o compromisso com o aprofundamento da cooperação interparlamentar e pela definição de prioridades comuns para a região.

Antes da conferência, os presidentes dos Grupos Nacionais dos Parlamentos da CPLP também estiveram reunidos para abordar sobre alguns instrumentos essenciais que servirão de análise nos debates da sessão intercalar. Pedro Ivo – Angola in “Jornal de Angola”


domingo, 19 de julho de 2026

Portugal - David Levy Lima e Yuran Henrique representam Cabo Verde em exposição dos 30 anos da CPLP

Lisboa – Os artistas plásticos cabo-verdianos David Levy Lima e Yuran Henrique participam na exposição “CPLP: 30 anos de arte compartilhada”, inaugurada em Lisboa, no âmbito das comemorações do 30.º aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).


A mostra, organizada pela CPLP em parceria com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.), reúne 14 obras de artistas dos nove Estados-membros da comunidade, propondo um diálogo entre diferentes linguagens e sensibilidade artísticas do espaço lusófono.

David Levy Lima participa com a obra “Nôs Mar” (2025), um óleo sobre tela de 140X100 centímetros (cm), enquanto Yuran Henrique apresenta “Kabra” (2022), um acrílico sobre papel 59X42 cm.

Segundo a organização, a exposição pretende assinalar os 30 anos da CPLP sob lema “CPLP 30 Anos: Unidade na Diversidade, Uma Comunidade para os Povos”, através da criação artísticas.

A exposição estará patente na sede do Camões,I.P., em Lisboa, até 31 de Julho.

As comemorações do 30.º aniversário da CPLP, iniciadas em Janeiro e que se prolongam até 2027, incluem ainda conferências, concertos, debates e outras actividades culturais e institucionais em Lisboa, sede da CPLP, e nos Estados-membros, assinalando os 30 anos da organização.

A CPLP, fundada em 17 de Julho de 1996, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Inforpress” – Cabo Verde


Moçambique - Camões – Centro Cultural Português e Catalogus lançam colectânea que celebra os 30 anos da CPLP com vozes da literatura contemporânea

O Camões – Centro Cultural Português e a Catalogus apresentam, no próximo 21 de Julho, às 17h30, em Maputo, a colectânea “As casas ainda respiram”, uma obra comemorativa dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O lançamento decorrerá nas instalações do Camões – Centro Cultural Português e reunirá textos de escritores e poetas da literatura contemporânea em língua portuguesa.


Com 170 páginas, a colectânea reúne excertos de romances, contos e poemas de autores oriundos do espaço lusófono, procurando celebrar a língua portuguesa como elemento de união entre diferentes povos e culturas. A publicação apresenta textos de Alice Pina, Álvaro Fausto Taruma, Ana Bárbara Pedrosa, Calila das Mercês, Camila Afonso, Cheila Delgado, Edson Incopté, Elisângela Rita, Eltânia André, Helena Abrahamsson, Israel Campos, Jamila Pereira, Rita Canas Mendes, Samuel F. Pimenta e Virgília Ferrão, oferecendo aos leitores moçambicanos um panorama da literatura contemporânea em língua portuguesa.

A obra resulta de uma iniciativa conjunta do Camões – Centro Cultural Português em Maputo e da Catalogus para assinalar as três décadas da CPLP, organização criada em Julho de 1996 e actualmente constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Cada texto evidencia diferentes identidades, perspectivas e experiências, reflectindo a diversidade cultural que caracteriza o universo literário dos países lusófonos.

Na apresentação da colectânea, o director do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, José Manuel Amaral Lopes, destaca que a celebração dos 30 anos da CPLP representa também a valorização de uma língua que aproxima povos, incentiva a criação literária e fortalece o diálogo intercultural, reafirmando a diversidade cultural como um dos maiores patrimónios da lusofonia. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sexta-feira, 17 de julho de 2026

CPLP - 30 anos, os jovens e o bloco de língua portuguesa

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, celebra aniversário com debate de representantes das nações que formam a organização; integração, mulheres em espaços de decisão, afirmação da língua portuguesa, democracia e paz foram alguns dos temas debatidos, em evento da juventude lusófona em Cascais, Portugal


Com um encontro de jovens e para ouvir os jovens, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, iniciou a última semana de celebrações que antecedem o seu aniversário de 30 anos neste 17 de julho.

O evento coorganizado com entidades parceiras como o Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas, IPDAL, foi realizado durante o fim de semana, em Cascais, Portugal.

Passaporte lusófono

A ONU News conversou com alguns dos participantes para saber o que eles esperam deste novo momento da CPLP, e o que pode ser feito na prática para acelerar não só a integração, mas o desenvolvimento e a contribuição da juventude das nações que falam português.

Um dos participantes, Vitor Andrade, líder da organização Conexão Lusófona, defendeu a criação de um “passaporte lusófono” para que os jovens possam estudar e trabalhar em qualquer país de língua portuguesa.

“Temos um conjunto de prioridades mais assertivas. Uma delas é, sem dúvida, a questão ambiental. A questão ecológica. É verdade que a nossa geração já nasceu com ela que preocupa bastante. Temos outra prioridade que afeta o quotidiano dos nossos jovens dos nossos países: questões como a parte migratória. Infelizmente, cada vez mais países estão a ter medidas de força na área migratória e tornando mais difícil trabalhar num Estado diferente e, portanto, trabalhamos também a esse nível.”

Mulheres no Executivo

O Encontro de Política Externa e Pensamento Estratégico reuniu estudantes da Guiné-Bissau, Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe, e de estudantes de países como Argentina, Itália e Cazaquistão que falam o português como língua estrangeira.

Dentre os temas debatidos estiveram a saúde das democracias na lusofonia e outras partes do mundo e a sub-representação nos países de língua portuguesa da liderança feminina em cargos executivos. Atualmente, todas as nações lusófonas são chefiadas por homens.

Para a estudante brasileira de mestrado em Direito da Universidade de Lisboa, Nicole Brito, é hora de corrigir este défice elegendo mulheres para cargos legislativos e levando mais representação feminina a postos de comando.

Democracia e futuro

“Olha, infelizmente, eu sinto que ainda faltam mulheres, eu sinto que ainda existe uma resistência, eu sinto que ainda existe uma falta de representatividade.”

Participaram da mesa de debates, a secretária-executiva da CPLP, a embaixadora angolana, Fátima Jardim, o presidente do IPDAL, Paulo Neves, e o embaixador aposentado, António Almeida-Ribeiro.

A nova realidade geopolítica foi um dos temas neste momento de aniversário da CPLP. Para a jovem guineense, Luísa Aminata, a crise da democracia é um entrave para que jovens, como ela, possam se expressar sobre o que esperam de seus governos e de seu futuro.

“Neste evento, estamos a falar sobre democracia sob pressão, e então para termos uma boa democracia precisamos investir na educação, principalmente na educação das meninas. Nesse caso, eu tenho uma página que criei chamada Madrinha das Meninas, com a intenção de motivar mais jovens meninas para eles fazerem sentir que são capazes de realizar tudo o que querem, que são capazes também de participar nas decisões do nosso país, nas decisões do mundo, porque é muito importante que nós mulheres também tenhamos essa oportunidade.”

Concertação político-diplomática

Desde a independência de Portugal, vários países de língua portuguesa, especialmente na África, enfrentaram múltiplos desafios com longas guerras civis, combate à corrupção e à pobreza, golpes de Estado e a consolidação da paz e da segurança. Com a chegada da CPLP, o bloco passou a cooperar em várias áreas de concertação político-diplomática até a entrada de Timor-Leste em 2002, que abriu os horizontes da organização para o sudeste da Ásia.

Desde então, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem visto aumentar o número de membros-observadores que hoje já são mais de 30 nações incluindo França, Reino Unido, Estados Unidos e Catar, além de um número recorde de entidades da sociedade civil e organizações não-governamentais que atuam com status consultivo no bloco. Essa presença de cidadãos é um dos diferenciais da CPLP ao ser comparada com outros pares, por exemplo.

Para a cabo-verdiana Odara dos Santos, a Comunidade é um espaço que relembra que os jovens têm uma voz dentro das democracias e que podem ajudar a combater a desinformação.

Mundo digital e voz da juventude

“Falando da CPLP, são diferentes países e com distância continental que merece aproximação entre esses países de forma física. Também no mundo digital é muito importante aprimorarmos isso mais entre esses países e é preciso que haja um intercâmbio mais aprofundado, mas também que os jovens entendam que eles têm uma voz dentro da democracia. Eles podem construir pontes e desenvolver os seus países desde agora, independentemente da idade, porque o mundo se faz do conjunto de pessoas e que de diferentes gerações se constrói um mundo melhor.”

Em 1989, quando chefes de Estado dos sete países lusófonos se reuniram para criar a CPLP, no estado do Maranhão, no Brasil, eles desenharam também a estrutura de um Instituto Internacional de Língua Portuguesa, IILP, que tem sede em Cabo Verde.

Segundo a entidade, existem mais de 330 línguas no espaço da lusofonia. E mais de 185 são indígenas. Uma das línguas mais faladas na diáspora, o português é considerado hoje a quinta ou sexta língua mais usada no mundo e a mais falada no Hemisfério Sul. Para o estudante angolano Gaspar da Silva, a CPLP é importante para a integração das diversas diásporas de língua portuguesa espalhadas pelo mundo.

Português gera empregos

“A CPLP vem para conciliar os interesses de todos os nove países que dela fazem parte, para que haja conexão entre eles e quem está na diáspora. Há aqui uma grande relação e um papel muito importante que a CPLP tem, para que, de certa forma, tem nos juntado para que jovens e tomadores de decisão de muitos países discutam mesmas ideias e pensamentos para a resolução de problemas da mesma comunidade CPLP.”

Ayrton Pahula afirma que a maior presença da língua portuguesa como língua oficial de organizações internacionais também gera empregos e oportunidades para a lusofonia.

“Os jovens podem até falar noutras línguas, mas falar na sua língua materna é diferente. Pensar na sua língua materna é diferente. Então, neste sentido, eu penso que devemos explorar pensar muito a questão da língua em função dessas oportunidades que se perdem”.

E um desses exemplos é o próprio secretário-geral do IPDAL, Gastón Ocampo. Ele nasceu na Argentina, mas aprendeu o português para trabalhar com jovens lusófonos, o que segundo ele abriu um mundo de oportunidades.

“Eu não estaria aqui se não fosse pelo português. Eu acho que o português abriu-me portas e abriu-me também a cabeça para nós também pensarmos num futuro em que eu me vejo também na África Lusófona. Vejo-me em Timor-Leste, em Macau, quem sabe?”

Em evento separado, durante a sua passagem pelo Fórum Político de Alto Nível, em Nova Iorque, a secretária de Estado de Portugal, Ana Isabel Xavier, foi entrevistada pela ONU News e afirmou que a CPLP é simplesmente insubstituível.

“CPLP é insubstituível”

“Nós estamos, de facto, agora a celebrar os 30 anos da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e estamos a celebrar com um optimismo de facto, bastante reforçado. Quando nós olhamos hoje para a CPLP, olhamos desde logo para um espaço lusófono que partilha uma cultura comum, uma identidade comum, mas mantendo também aquilo que é a identidade única de cada um destes países, que, em conjunto, formam uma comunidade de princípios e de valores que é absolutamente insubstituível.” Eleutério Guevane e Monica Grayley – ONU News – Nações Unidas


CPLP - Mensagem da Secretária Executiva por ocasião do 30.º Aniversário que hoje, 17 de julho, se comemora


Mensagem da Secretária Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Embaixadora Maria de Fátima Jardim, por ocasião do 30º Aniversário da CPLP, assinalado a 17 de julho de 2026

 

terça-feira, 14 de julho de 2026

CPLP – Após 30 anos a Organização continua sem se afirmar junto da China, diz especialista

O especialista em relações internacionais Luís Bernardino considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) chega ao 30.º aniversário sem ter conseguido afirmar-se junto da China, onde continua pouco conhecida

“A China não conhece a CPLP”, resumiu Luís Bernardino, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e coronel de infantaria na reserva do Exército Português, que recentemente participou em duas conferências em Pequim, na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e na Embaixada de Portugal, sobre os 30 anos da organização, que se assinalam em 17 de julho. “Uma coisa que não se conhece também não se sabe como pode tirar vantagem dessa relação”, acrescentou.

Para Luís Bernardino, a organização “nunca se soube posicionar em relação ao Oriente” e continua afastada dos principais mecanismos criados por Pequim para aprofundar a cooperação com os países de língua portuguesa. “O Fórum de Macau não é a CPLP. É um instrumento da China para facilitar a cooperação com os países lusófonos e vai continuar a crescer. A CPLP está fora desta jogada, por enquanto”, considerou.

Criado em 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa reúne a China e os países lusófonos, mas funciona à margem da estrutura institucional da CPLP, embora utilize Macau como plataforma de ligação.

Para Bernardino, essa realidade traduz a forma como Pequim privilegia uma abordagem simultaneamente bilateral e multilateral, estratégia que descreve como “cooperação ‘bimultilateral’”. “A China relaciona-se bilateralmente com cada país, mas cria também fóruns multilaterais que reforçam essa cooperação. É uma abordagem pragmática que mais nenhuma grande potência desenvolveu em África”, defendeu.

O especialista em Segurança e Defesa em África sublinhou que a relação da China com os países lusófonos está longe de ser uniforme.

Enquanto com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) Pequim privilegia o financiamento de infraestruturas, o comércio, o desenvolvimento e, cada vez mais, a cooperação na área da defesa, com o Brasil a relação assume uma dimensão geopolítica distinta, impulsionada pelo bloco de economias emergentes BRICS e pela cooperação entre países do chamado Sul Global. “A China adapta a sua estratégia aos interesses que tem em cada região. Não existe uma abordagem única para todos os países da CPLP”, explicou.

No caso de Timor-Leste, Luís Bernardino considerou que a crescente importância estratégica do país no Indo-Pacífico deverá reforçar o interesse chinês, tanto pela posição geográfica como pela futura integração plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “A China olha para Timor-Leste como um parceiro estratégico no Indo-Pacífico, pela sua posição nas rotas marítimas e pela crescente relevância regional”, afirmou.

O investigador considerou ainda que a rivalidade estratégica entre a China e o Ocidente levou Pequim a reforçar a presença junto dos países lusófonos, sobretudo em África, onde a cooperação se expandiu para áreas como a segurança, a tecnologia e a defesa. “A cooperação deixou de ser apenas económica. A defesa tornou-se um dos pilares centrais da relação da China com praticamente todos os PALOP”, sustentou.

Essa evolução acompanha a transformação da presença chinesa em África, inicialmente centrada no apoio político aos movimentos de independência e, mais tarde, no financiamento de infraestruturas e acesso a matérias-primas.

Hoje, segundo Luís Bernardino, a estratégia inclui também formação militar, venda de equipamento, construção e modernização de portos e uma presença naval cada vez mais frequente no continente africano. “A China faz aquilo que uma potência global tem de fazer. É uma potência económica, mas sabe que também precisa de afirmar uma dimensão militar”, afirmou.

Apesar da crescente influência chinesa, Bernardino considerou que os países lusófonos, em particular os africanos, ainda não conseguiram retirar todo o partido dessa relação. “Há uma dependência crescente, sobretudo financeira. Os países têm de aprender a negociar melhor com a China e transformar esta cooperação numa verdadeira parceria estratégica, sem criar dependências excessivas”, defendeu.

O especialista considerou, por isso, que o maior desafio da CPLP, três décadas após a sua criação, passa por aumentar a sua visibilidade internacional e afirmar-se como interlocutor relevante junto de parceiros estratégicos como a China. “A CPLP é aquilo que os Estados-membros querem que ela seja. Se os próprios países não a valorizarem nos fóruns internacionais em que participam, dificilmente outros atores globais o farão”, disse.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau (actualmente suspensa devido ao golpe de Estado), Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Cabo Verde - Primeiro-ministro quer aprofundar cooperação com CPLP e com Portugal

Lisboa – O primeiro-ministro Francisco Carvalho afirmou, em Lisboa, que o seu Governo pretende aprofundar a cooperação existente com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e reforçar a parceria “histórica e de excelência” com Portugal.


Francisco Carvalho falava aos jornalistas após visitar a sede da CPLP onde, acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional, Manuel da Rosa, foi recebido em sessão solene pela secretária-executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim, e pelos representantes permanentes dos Estados-membros.

O chefe do Governo cabo-verdiano explicou que a visita teve como objectivo demonstrar a importância que Cabo Verde atribui à CPLP e reafirmar o compromisso do novo executivo com o fortalecimento da organização e das relações entre os seus membros.

“Vamos aprofundar a relação que existe entre Cabo Verde e CPLP, garantindo a estabilidade no relacionamento entre a organização e os Estados-membros desta comunidade extraordinária”, afirmou.

Francisco Carvalho reiterou que o executivo cabo-verdiano está engajado em promover o desenvolvimento e o aprofundamento das relações entre os países da CPLP e entre Cabo Verde e a organização.

O primeiro-ministro justificou ainda a escolha de Portugal para a sua primeira deslocação oficial ao estrangeiro com a relevância histórica e estratégica das relações bilaterais.

“Portugal é um parceiro tradicional e de longa data de Cabo Verde. Temos excelentes relações, com uma cooperação que atinge diversas áreas. O caminho é o do aprofundamento e do reforço”, disse, acrescentando que a visita simboliza a importância que Portugal continua a assumir para Cabo Verde “em termos históricos, no presente e em relação ao futuro.”

Questionado sobre a situação da Guiné-Bissau, suspensa dos órgãos da CPLP, e sobre julgamento do líder do PAIGC e antigo secretário-executivo da organização, Domingos Simões Pereira, Francisco Carvalho escusou-se a comentar o processo judicial.

O governante cabo-verdiano limitou-se a afirmar que os Estados-membros da CPLP estão a trabalhar em conjunto, através do diálogo e da concertação, para encontrar soluções que contribuam para a estabilidade e respondam aos interesses do povo guineense.

A CPLP, organização fundada em 17 de Julho de 1996, é actualmente integrada por nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Inforpress” – Cabo Verde


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Lusofonia - Falhas no acompanhamento da crise política na Guiné-Bissau e com Domingos Simões Pereira

Analistas declararam à Lusa, no âmbito dos 30 anos da CPLP, que a organização falhou no acompanhamento da crise na Guiné-Bissau, especialmente com o seu ex-secretário-executivo, e consideraram a suspensão do país um acto simbólico.

O analista político guineense Rui Landim criticou a actuação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que, a seu ver, desde os primórdios, nunca teve uma actuação eficaz no seu país.

“A CPLP foi criada em 1996, em 1998 a Guiné-Bissau mergulhou numa guerra civil e logo aí não houve intervenção”, reflectiu.

Agora, o país encontra-se, pela primeira vez na sua História, suspenso da CPLP, assim como de outras organizações, devido ao golpe de Estado militar de 26 de Novembro de 2025, na véspera da divulgação dos resultados eleitorais de 23 de Novembro.

Nesse seguimento, o activista guineense questionou: “Qual é a consequência dessa suspensão? A Guiné-Bissau vive há cerca de 12 anos uma crise [política] e nada de CPLP”.

Além disso, prosseguiu, Domingos Simões Pereira, líder do histórico PAIGC, que foi secretário-executivo da CPLP entre 2008 e 2012, está detido e a organização lusófona, aparentemente, nada fez sobre isso.

O professor moçambicano Elísio Macamo corrobora essa opinião. Domingos Simões Pereira, líder da oposição guineense e ex-secretário-executivo da CPLP, está detido há meses “sem nenhuma acusação” e “não se vê nada da parte da CPLP em relação a isso”, criticou. “É nesses momentos que se pode perguntar, com certa legitimidade, para que é que uma organização dessas existe”, frisou o docente.

O especialista brasileiro em História das Relações Internacionais Adriano de Freixo questionou o efeito prático do envio de uma missão de ofício ao país. “Mandar uma missão de ofício seria muito mais para chegar lá e verificar que, de facto, a situação se deteriorou desde o golpe de Estado, que a oposição está calada, que há violações de direitos humanos, que há repressão a manifestações contrárias ao Governo militar. [Essa missão] iria lá, confirmaria isso, a Guiné-Bissau continuaria suspensa, e aí, qual a consequência prática disso?”, reflectiu.

“O que significou para a Guiné-Bissau a suspensão da CPLP? Nada. É uma coisa mais simbólica do que outra coisa. Não tem efeito prático, da mesma maneira que uma missão no país não teria nenhum efeito prático porque não há mecanismos dentro da CPLP que permitam exercer controlo sobre os Estados-membros para que cumpram os princípios fundadores”, acrescentou.

Para o presidente da Universidade Lusíada de São Tomé e Príncipe, Liberato Moniz, tem havido uma indiferença internacional enorme perante o que se passa na Guiné-Bissau. “Nós vemos, na televisão portuguesa e brasileira, guerras que estão a milhares de quilómetros, mas o que está mesmo aqui ao lado ninguém fala”, lamentou o ex-pré-candidato presidencial, que considerou que a missão de ofício à Guiné-Bissau “faz todo o sentido”, mas exige “objectivos concretos” para ajudar a mudar a situação do país.

Divergindo sobre o estatuto do país na comunidade, o politólogo angolano Almeida Henriques defendeu que a Guiné-Bissau “não reúne condições para pertencer à organização”. O analista argumentou que a falta de verticalidade institucional, a profunda instabilidade política interna e a necessidade de respeitarem os valores democráticos impedem o país de responder aos anseios mínimos exigidos pela CPLP.

Por outro prisma, o analista português Fernando Jorge Cardoso explicou que “o que se passa na Guiné-Bissau tem raízes regionais que ultrapassam a CPLP”. “O que aconteceu, como sabemos, foi uma encenação de golpe. Ele [Sissoco Embaló] ia perder as eleições e, portanto, fez-se de conta que houve um golpe de Estado. Mas sabe-se que ele tem apoio da Nigéria e nenhum país da CPLP vai confrontar Lagos”, explicou.

“Qual é o país da CPLP que se vai meter com a Nigéria? Portugal? Nem pensar. O Brasil? Nem pense”, acrescentou o especialista em estudos africanos.

O professor na Universidade Autónoma de Lisboa sustentou que a não interferência da CPLP na Guiné-Bissau se explica porque “aqueles que mandam na CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, sediada em Abuja, na Nigéria] não deixam”. “As organizações regionais africanas têm primazia territorial e a CPLP não tem capacidade política nem militar para agir de forma independente neste contexto”, contextualizou.

Para o sociólogo cabo-verdiano Redy Lima, comparar a CPLP à CEDEAO é injusto, pois “a CEDEAO tem muito mais peso, tem muito mais presença”. De acordo com o analista, a “Guiné-Bissau é um grande exemplo do peso político inexistente da CPLP”.

Por outro lado, e referindo-se directamente a Portugal, “o passado colonial acaba sempre por envergonhar um pouco a acção da CPLP”, pois facilmente é usado esse argumento contra a ex-metrópole, como o próprio Sissoco Embaló chegou a fazer, recordou.

Sobre o anúncio de 23 de Junho relativo à possibilidade da saída da Guiné-Bissau da CPLP, após as eleições previstas para Dezembro, Fernando Jorge Cardoso declarou que uma ruptura ou saída formal do país é improvável, uma vez que o actual regime depende do financiamento de Portugal e da União Europeia, assim como de doadores internacionais, defendido pela diplomacia portuguesa.

A CPLP, que assinala 30 anos a 17 de Julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, que detém a presidência rotativa temporária da organização desde a suspensão de Bissau. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”

 

sábado, 4 de julho de 2026

CPLP - "Países têm de estar comprometidos com direitos humanos para firmeza da organização"

O provedor dos Direitos Humanos e da Justiça de Timor-Leste defendeu que os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa devem estar mais comprometidos com os direitos humanos para a organização ter mais firmeza perante o mundo

Em declarações à Lusa, por ocasião do 30.º aniversário da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Virgílio Guterres disse que os Estados-membros da CPLP têm de estar comprometidos com os princípios da organização, que passam também pela democracia, boa governação e direitos humanos.

“E não é só um compromisso coletivo, porque todos os Estados-membros da CPLP são Estados que saíram de uma luta contra o colonialismo e têm um compromisso para provar ao seu povo que a independência é boa em comparação ao colonialismo”, salientou Virgílio Guterres.

E, continuou o provedor, um dos esforços da “missão sagrada” desses países é “marcar a sua firmeza perante as violações de direitos humanos”.

“São esses os princípios que nortearam a luta de todos os membros da CPLP. Então, agora, como já alguns comemoraram 50 anos da independência, temos de fazer esta pergunta: estamos a cumprir as nossas promessas ao nosso povo ou não? Só assim é que a CPLP pode garantir a sua firmeza perante o mundo como uma plataforma que contribui para a paz mundial”, salientou.

Caso contrário, a CPLP será “meramente uma plataforma de troca de ideias, de troca de sentimentos, de saudosismos”, acrescentou.

Virgílio Guterres disse também esperar que os governantes tenham sensibilidade para sentir as mudanças globais, lembrando que muitos paradigmas estão obsoletos.

Apesar disso, afirmou estar otimista, porque, apesar das situações menos positivas que afetam países da CPLP, há “esforço” e a “luta continua” para a defesa dos direitos humanos e dos princípios da democracia.

A CPLP foi criada, em Lisboa, em 17 de julho de 1996 por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé Príncipe.

Timor-Leste aderiu à organização em 2002, após a restauração da independência, em 20 de maio do mesmo ano, e a Guiné Equatorial aderiu em 2014 na cimeira da Díli. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


Cabo Verde - Novo romance de Mário Lúcio Sousa expõe “desmandos” dos ditadores africanos

Para a editora Maria do Rosário Pedreira, este é o “mais político” e mais “corajoso” romance do autor, ousando revelar que afinal os ex-colonizados podem fazer pior do que o colonizador


Afrocalipse, novo romance do escritor cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa, é uma viagem aos “desmandos” e aos “absurdos” do poder em África, num país nunca nomeado, onde um ditador permanece por mais de 40 anos.

“A minha intenção era mostrar o apocalíptico que nós vivemos, mostrar as desgraças, os desmandos, os absurdos que estão a acontecer. Infelizmente, que a palavra África nos permitiu encontrar uma palavra nova, fácil de leitura e de várias leituras. Mas a ideia fundamental é mostrar o apocalipse que nós vivemos em África e esse apocalipse tem a ver com os ditadores”, explica, em entrevista à Lusa.

Para a editora Maria do Rosário Pedreira, este é o “mais político” e mais “corajoso” romance do autor, ousando revelar que afinal os ex-colonizados podem fazer pior do que o colonizador.

“Os personagens estão lá, existem, eu não nomeei nenhum personagem e não me inspirei em nenhum personagem. Eu vi os factos históricos, vivi os factos históricos, li os factos históricos e achei que, independentemente do nome A ou B, aquela figura chamada presidente da república e outro que se chamou imperador em vários lugares da África e do mundo também, são a mesma figura”, sublinha o escritor.

Uma espécie de retrato-robô do ditador africano, que o autor ficciona depois de guiar o leitor por uma “bússola de eventos”, onde fixa nomes, lugares e a história, e que vão de Angola ao Zaire, do Ruanda à Libéria, da Guiné-Bissau à República Centro Africana.

“Os indivíduos têm a mesma conduta, a mesma paranoia, a mesma obsessão pelo poder, a mesma insanidade e desrespeito pelos seus semelhantes. É isso que o livro trata”, esclarece.

O escritor, que sempre disse que nunca sairia uma vírgula das suas mãos sobre os ditadores, explica a fórmula encontrada para a reflexão que propõe aos leitores com a nova ficção editada este mês em Portugal pela Leya.

“Eu disse que não escreveria a biografia ou uma história sobre nenhum desses ditadores em particular, mas coloquei-os todos no mesmo saco, utilizando intencionalmente essa palavra sobre a figura de um magistrado e escrevi sobre ele, porque realmente não merecem que seja eu o romancista a tratar disso”, esclarece.

Convencido que a verdade obedece à pesquisa dos historiadores, e que estes “farão melhor” do que o escritor, Mário Lúcio Sousa confessa o gosto por explorar os vários lados das personagens, inspiradas, neste caso, pelos factos, que expõe com a ironia que lhe é reconhecida.

Do Supremo que “vai fazer cocó ao mato”, ao chefe que forra a piscina a diamantes, outro que manda aviões a Paris todas as manhãs para trazer os croissants do pequeno-almoço, aos golpes de Estado e ao genocídio no Ruanda, ou ao assessor que é branco e que se chama Preto, Afrocalipse retrata a natureza humana com um desconcerto capaz de nos fazer sorrir.

“Deixando esse trabalho de pesquisa sobre a verdade histórica – os historiadores o farão melhor que eu -, gosto, nos meus romances, de ver vários lados dos personagens e que nem sempre é muito agradável falar deles com nomes e apelidos. Eu não os vou fixar na história, por isso, achei que a única vez que podia utilizar o nome verdadeiro de uma pessoa, é quando a senhora Ellen Sirleaf é eleita a primeira mulher presidente da África”, conta.

A mulher que governou a Libéria (2006/2018) representa a mudança em que o escritor acredita. Mulheres cansadas de décadas de medo, abuso e resignação, que lideram a transformação de um país marcado pelo delírio do poder.

“Isto no romance deu-me muito prazer, o facto de que não é fácil poupar, da primeira à quase última página, sem citar o nome de ninguém, para que, quando se citasse o nome, o livro praticamente fosse dedicado a ela. Ela dita amor, era mesmo uma dama africana, cheia de maternalismo, cheia de compreensão, de compaixão e de coragem”, conclui.

Com ironia, poesia e uma linguagem profundamente inventiva, Afrocalipse fala de feridas políticas e humanas, mas também da possibilidade de romper o ciclo.

O escritor e também músico cabo-verdiano, antigo ministro da cultura, é também autor de O Novíssimo Testamento (Prémio Carlos de Oliveira 2010), Biografia do Língua (Prémio Miguel Torga 2015 e Prémio PEN Clube de Narrativa 2016), O Diabo Foi Meu Padeiro (2019), A Última Lua de Homem Grande (finalista do Prémio LeYa 2022 e do Prémio Oceanos 2023) e O Livro Que Me Escreveu (2024).

30 anos de CPLP: “Continuamos a procurar os caminhos”

“Não esqueçamos que a Guiné Equatorial é um dos países que falam crioulo, em Ano-Bom. E o crioulo é um crioulo de base lexical português. Então, essas razões ampliam também o universo (…), é muito importante que essas regiões estejam na comunidade, que têm a língua como unidade”, reforça. “São todos bem-vindos, desde que não tragam os seus regimes para dentro da instituição”

O ex-ministro da cultura de Cabo Verde Mário Lúcio Sousa saúda os 30 anos da CPLP “num mundo em desintegração”, e sugere que se olhe “o processo e a intenção”, para lá dos “resultados”. “São 30 anos. 30 anos não significam nenhuma vírgula no cosmos da história, muito menos na história do cosmos. É um tempo para ainda se preparar, de nos conhecermos também, um tempo para nos conhecermos, nos projectarmos. O importante é que a instituição está ali a encontrar os seus caminhos, isso é importante”, afirma, em entrevista à Lusa. “Neste mundo em desintegração, ter uma comunidade dos países de língua portuguesa é bonito, porque é uma comunidade que ainda tem uma relação, que tem traços muito recentes do colonizador e colonizado, tem traços recentes do escravizador e escravo, tem traços recentes de dominador e dominado, e dentro disso conseguir ter uma instituição de diálogo e de preservação do património comum é muito louvável”, considera. Vê, por isso, “motivos de celebrações”, menos “pelos resultados, mas pelo processo e pela intenção”, concluindo que “vale a pena essa CPLP”. Considera ainda que a presença da Guiné Equatorial não representa qualquer ameaça, antes a oportunidade de mudança. “Não foi o regime que entrou, foi o país. E muita gente desse país não quer esse regime, e muitas vezes não distinguimos isso”, observa, apontando a instituição até como “um lugar de pressão para que se respeite os direitos humanos, para que se respeite a democracia, etc.”. “Amílcar Cabral foi muito claro quando chegou à Guiné-Conacri, em 1961, com a sua mulher, Maria Helena, portuguesa. Um dos críticos era o presidente Sékou Touré, que dizia ‘como é que vem lutar contra os portugueses e traz uma mulher portuguesa?’. E ele dizia que não vinha lutar contra os portugueses, foi lutar contra o regime fascista e colonialista português”, lembra. “Não esqueçamos que a Guiné Equatorial é um dos países que falam crioulo, em Ano-Bom. E o crioulo é um crioulo de base lexical português. Então, essas razões ampliam também o universo (…), é muito importante que essas regiões estejam na comunidade, que têm a língua como unidade”, reforça. “São todos bem-vindos, desde que não tragam os seus regimes para dentro da instituição”, conclui. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 23 de junho de 2026

Portugal - Restaurantes lusófonos são um regresso a casa para os imigrantes

O sabor dos pratos lusófonos nos restaurantes da Grande Lisboa transporta à terra natal os imigrantes, que chegam a chorar quando identificam certos temperos, os quais os colocam por momentos na cozinha da sua infância. A propósito dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assinalados este ano, a Lusa percorreu restaurantes da Grande Lisboa para perceber como a gastronomia continua a ligar comunidades imigrantes às memórias dos países de origem.


Eleanora Carlota, proprietária do restaurante são-tomense Cantinho da Nonô, na Amadora, recebe muitas vezes os comensais com as lágrimas nos olhos. “Há pessoas que se levantam e perguntam-me se me podem dar um abraço; e abraçam. E afirmam: Olha, tu fizeste-me voltar a 30 anos atrás, à comida que a minha avó fazia”.

Para Nonô, 46 anos, o amor é o ingrediente especial servido no seu Cantinho, que abriu em 2019. À mesa deste restaurante na Damaia não falta o peixe andala, que é o “manjar da casa”, tamanha a variedade de utilizações que tem na cozinha, do pastel à feijoada, passando pelo patê e o calulu, o prato nacional são-tomense, que é sempre um sucesso neste espaço, onde o pano africano se destaca na decoração das mesas.

A ementa cresceu à velocidade dos pedidos de clientes de outros países lusófonos, que foram sugerindo a cachupa (Cabo Verde), moamba (Angola), caril de amendoim (Moçambique), caldo de peixe (Moçambique), picanha (Brasil) e pratos portugueses, como o bacalhau à minhota.

No restaurante Mana Gra as refeições não têm horário. Todos e a qualquer hora são bem-vindos ao espaço que serve comida da Guiné-Bissau, num centro comercial em Massamá, onde se procura comer, mas também matar as saudades de casa.

A proprietária e cozinheira é a Graciete Kattar Madi, 52 anos, que sempre teve mão para a cozinha e que desde 1998, quando veio para Portugal, trabalha na restauração. Sempre sonhou em ter um restaurante, que servisse boa comida do seu país, e arriscou quando todos estavam a fechar as portas na pandemia.

O espaço torna-se facilmente pequeno para os clientes que serve e que vêm de várias latitudes. Mas também estudantes guineenses em Portugal, que não têm oportunidade de comer estes pratos e aqui matam as saudades.

“É um regresso a casa”, afirma Graciete, que gosta de ver os seus clientes a usufruir do espaço, que decorou com coloridos panos africanos, e dispensa publicidade, porque acha que “a melhor propaganda é feita pelos clientes satisfeitos”.

Chama ao seu Mana Gra uma clínica da alimentação, onde se encontra tudo do bom e do melhor. O caldo mancarra é o mais procurado neste restaurante, com os clientes portugueses a preferirem outro prato guineense: O chabéu.

Cachupa, grogue e ponche de mel são imprescindíveis no restaurante cabo-verdiano O Coqueiro, na Cova da Moura, Amadora. Maria Patriarca, 70 anos, está à frente da cozinha deste emblemático espaço, que abriu em 1995 e, desde então, é paragem obrigatória de cabo-verdianos, outros africanos, portugueses e estrangeiros. Mas também de chefes de Estado, de Portugal e Cabo Verde, tendo a passagem de Marcelo Rebelo de Sousa colocado este restaurante no itinerário de muitos comensais.

A cabo-verdiana, natural da ilha de Santo Antão, já perdeu a conta às cachupas que cozinhou e que são seguramente largos milhares, servindo no restaurante e a particulares, grupos e empresas. Todos apreciam, mas este já não é o prato da sua preferência.

Os cabo-verdianos, aliás, optam por outros pratos, como peixe grelhado, bife de atum à moda de Cabo Verde ou bitoque. A cachupa é mais escolha de portugueses e estrangeiros.

Maria Patriarca garante que a receita da sua cachupa é igual à primeira que confeccionou e que as medidas são “a olho”. O resultado parece agradar, levando-a a estar ao fogão desde cedo, só parando para comer e só quando os clientes estão já a lanchar.

No espaço gastronómico da associação Casa de Angola, em Lisboa, há pratos que lembram as mães. Isso mesmo contou o cozinheiro Paulo Soares, que há mais de 18 anos ali recebe os comensais. “Quando me dizem que a minha comida transporta para Angola, isso é mais importante do que dizerem que a minha comida está boa”, diz.

E são muitos os que, através de pratos como moamba, calulu, carne seca, funge de peixe frito, são transportados para o país da kizomba.

Paulo Soares, 55 anos, também prefere a moamba da sua mãe, que elege como a melhor do mundo. E entende o gosto que os angolanos, e não só, têm em partilhar a gastronomia e a música angolana, o que fazem com grande frequência neste espaço gastronómico.

O brasileiro Juca Oliveira abriu em 1978 o Brasuca, ao Bairro Alto, quando esta zona fervilhava de intelectualidade, oferecendo pratos com produtos que nem sequer existiam em Portugal, como o feijão preto. Para conseguir o ingrediente principal da feijoada, o prato nacional brasileiro, plantou em Rio Maior cinco quilos, que renderam 200 quilos e com estes obteve quatro toneladas, das quais três ficaram para a cooperativa que fez a plantação.

Hoje, a feijoada brasileira continua na ementa do restaurante e o seu proprietário, com 88 anos, não mostra intenção de alterar o menu, que é igual desde a abertura.

Os ingredientes são, contudo, hoje mais fáceis de obter, permitindo fazer especialidades como a moqueca de camarão, elogiada pelos estrangeiros como melhor do que no Brasil e mais barata. Sandra Moutinho / Cláudia Joaquim – Agência Lusa in “Jornal Tribuna de Macau”