Mais de 100 mil pessoas foram mortas desde o início da guerra civil em Myanmar, na sequência de um golpe de Estado militar em 2021, informou uma organização especializada no acompanhamento de conflitos armados
Há cinco anos, o exército pôs fim a
uma década de experiência democrática neste país do Sudeste Asiático,
derrubando o Governo eleito de Aung San Suu Kyi e detendo a vencedora do Prémio
Nobel da Paz.
As manifestações contra o golpe foram então reprimidas
pelas forças de segurança, mas os ativistas pró-democracia abandonaram as
cidades para combater a junta militar ao lado de movimentos armados de minorias
étnicas há muito hostis ao poder central.
De acordo com os dados mais recentes da ONG
norte-americana Acled (Armed Conflict Location and Event Data), que regista os
incidentes relatados pelos meios de comunicação social, os confrontos causaram
um total de 100.114
mortos em todos os lados envolvidos no conflito.
Não existe um balanço oficial e as estimativas variam
consideravelmente, mas os analistas consideram este o conflito mais mortífero
atualmente em curso na Ásia.
O líder dos militares golpistas, general Min Aung Hlaing,
assumiu recentemente a Presidência do país na sequência de um processo
eleitoral que foi qualificado no estrangeiro como uma manobra para prolongar o
regime militar sob uma aparência de poder civil.
Segundo a ONU, mais de 3,7 milhões de pessoas estão
deslocadas no interior do país e mais de uma em cada cinco pessoas encontra-se
em situação de insegurança alimentar.
A maior cidade birmanesa, Rangum, vive uma relativa
normalidade, mas a violência pode manifestar-se sob a forma de assassinatos
esporádicos. Outras regiões são bombardeadas diariamente por ataques aéreos
levados a cabo por aviões militares fornecidos pela Rússia e pela China.
A ACLED identificou mais de 1200 grupos armados distintos
nesta guerra civil, classificando-a como “o conflito mais fragmentado do
mundo”. “O conflito espalhou-se por todo o país”, comentou Sun Mon Thant,
analista da ACLED. “Estamos a assistir a mais massacres. O exército tem como alvo
escolas, clínicas, prisões…”, continuou.
A dinâmica geográfica do conflito oscilou ao longo dos
últimos cinco anos. Uma ofensiva conjunta de vários grupos rebeldes
permitiu-lhes alcançar avanços espetaculares no final de 2023, aproximando-se
de Mandalay, a segunda maior cidade do país. Mas a situação voltou a
inclinar-se a favor do exército no ano passado, segundo os analistas, depois de
a China ter dado o apoio à liderança militar em Rangum e promovido a assinatura
de tréguas com dois dos mais poderosos grupos armados étnicos.
O Estado-Maior birmanês instituiu, em fevereiro de 2024,
o serviço militar obrigatório para reforçar as suas fileiras, recrutando à
força cerca de 50 mil civis.
A guerra afectou indirectamente os países vizinhos, para
onde fugiram muitos refugiados, acolhidos em campos na Tailândia e no
Bangladesh.
Segundo observadores, grupos armados de todos os
quadrantes financiam os esforços de guerra graças aos lucros do tráfico de
drogas, como a heroína e a metanfetamina.
As zonas fronteiriças, com controlo reduzido,
tornaram-se, além disso, um foco de centros de burlas online, que operam
frequentemente a partir de complexos fortificados guardados por milícias. In “Ponto
Final” – Macau com “Lusa”
Sem comentários:
Enviar um comentário