Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Macau - Intercâmbio cultural trouxe dirigentes dos países de língua portuguesa

Dirigentes do sector da cultura dos países lusófonos vieram a Macau para potenciar as vantagens do cruzamento das culturas chinesa e ocidental e aprofundar a cooperação. A delegação visitou locais do património cultural e encontrou-se com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, que salientou a importância do intercâmbio cultural a nível internacional


Durante três dias, uma delegação de 11 dirigentes da área da cultura dos países de língua portuguesa (PLP) esteve em Macau para efectuar visitas a locais do património e participar em sessões temáticas, para além de ter mantido um encontro com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. Na ocasião, O Lam trocou impressões sobre o desenvolvimento do sector cultural e referiu que, com vista a concretizar o posicionamento da RAEM como “Uma Base de Intercâmbio e Cooperação para a Promoção da Coexistência Multicultural, com Predominância da Cultura Chinesa”, o Governo tem vindo a “empenhar-se activamente em transformar Macau numa ligação relevante de alto nível do País na abertura ao exterior”.

Para além disso, destacou o objectivo de tornar a RAEM numa “janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental, promovendo de forma contínua o diálogo e o intercâmbio cultural a nível internacional”.

O programa visou estabelecer uma “ponte pragmática para o intercâmbio cultural e humano entre a China e os PLP”, segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC).

A delegação visitou diversos pontos do património cultural, incluindo as Ruínas de S. Paulo e a respectiva experiência em realidade virtual, o Museu de Macau, a Fortaleza do Monte, o Edifício do Instituto para os Assuntos Municipais, a Biblioteca do Senado, a Casa do Mandarim e o Templo de A-Má. A comitiva teve ainda a oportunidade de vivenciar a confecção de biscoitos de amêndoa, uma manifestação do património cultural intangível local, e de assistir, no Teatro D. Pedro V, a uma actuação musical conjunta da Orquestra Chinesa de Macau e de fadistas, “experienciando plenamente a profunda riqueza cultural de fusão sino-ocidental em Macau”, salienta a nota.

O IC promoveu ainda um encontro no Centro Cultural, no qual deu a conhecer o ponto de situação do desenvolvimento cultural de Macau e dos frutos da cooperação com os PLP. Foram também debatidas as futuras direcções de cooperação nas áreas da protecção do património cultural, exposições museológicas, livros e documentação, entre outras.

Para o IC, esta visita “não só consolidou a função de Macau enquanto plataforma de intercâmbio cultural entre a China e os PLP, como também evidenciou o seu papel de contacto único, impulsionando o diálogo cultural recíproco e a cooperação pragmática para um novo patamar”.

A delegação dos dirigentes do sector da cultura dos PLP, chefiada por Luís Filipe Rei dos Santos, director-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas do Ministério da Cultura de Portugal, e subliderada por Marina Duque Lacerda, directora de Património Imaterial Substituta do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil, integrou ainda elementos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Aproveitando a presença no território da comitiva dos PLP, a Fundação Macau (FM) promoveu um intercâmbio, durante o qual o seu presidente do Conselho de Administração fez uma apresentação dos êxitos socioeconómicos alcançados após a criação da RAEM, tendo sempre por base o princípio “Um País, Dois Sistemas”. Wu Zhiliang destacou ainda a preservação das características culturais únicas de Macau, salientando a importância de manter uma relação de cooperação económica, comercial e cultural com os PLP.

A convite da FM, seis jovens académicos locais tiveram uma troca de opiniões com a delegação cultural sobre temas relacionados com a cooperação sino-lusófona, estudos de história de Macau e a “Macaulogia”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 2 de maio de 2026

Guiné Equatorial - Malabo está a preparar-se para sediar três grandes fóruns que fortalecerão a cooperação entre África e China na atração de investimentos

O Governo e o Conselho Nacional para o Desenvolvimento Económico e Social estão a intensificar a coordenação para uma agenda internacional que colocará a Guiné Equatorial no centro do diálogo económico continental e sino-africano


Malabo está destinada a tornar-se um dos principais palcos do debate económico africano, a partir de 13 de maio. O Governo da Guiné Equatorial e o Conselho Nacional para o Desenvolvimento Económico e Social (CNDES) reforçaram a coordenação para finalizar os preparativos de três eventos internacionais de alto nível, com o objetivo de impulsionar a cooperação entre África e China e promover novas oportunidades de investimento.

Nesse contexto, o Primeiro-Ministro responsável pela Coordenação Administrativa, Manuel Osa Nsue Nsua, realizou uma sessão de trabalho com a Primeira Vice-Presidente do CNDES, María del Mar Bonkanka Tabares, com o objetivo de analisar o status organizacional destas reuniões estratégicas. O encontro ocorreu a pedido do próprio CNDES, que atua como ponte institucional com organizações congêneres em países como Marrocos e China.

A agenda planeada inclui três reuniões importantes que refletem a ambição do país de se consolidar como uma plataforma para o diálogo económico. Em primeiro lugar, a Assembleia Geral dos Conselhos Económicos e Sociais da África reunirá diversas instituições consultivas de todo o continente para trocar experiências e fortalecer políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável.

Este fórum é complementado pela Quinta Mesa Redonda China-África, que assume particular importância por ser realizada pela primeira vez em solo africano, após edições anteriores em Pequim. A escolha da Guiné Equatorial como país anfitrião marca um marco na cooperação sino-africana e abre caminho para novas alianças estratégicas, em consonância com os compromissos do Fórum de Cooperação China-África.

O terceiro evento, o Fórum Económico e Social, terá como foco a promoção de investimentos. Concebido como uma plataforma para a conexão direta entre os setores público e privado, o evento apresentará as oportunidades económicas do país, facilitará acordos de cooperação e fomentará o networking empresarial de alto nível. A participação de grandes empresas internacionais, incluindo as do setor de tecnologia, é esperada, reforçando a importância estratégica do evento.

A dimensão dessas reuniões será reforçada pela presença de organizações regionais e internacionais, como o Banco Africano de Desenvolvimento, a Comissão Económica das Nações Unidas para a África e a Agência de Desenvolvimento da União Africana, bem como diversas instituições africanas e chinesas ligadas à área económica e financeira.

Durante a reunião, o Primeiro-Ministro enfatizou a importância da coordenação eficaz entre todas as partes interessadas para garantir o sucesso do evento. Ele também destacou que estes eventos devem traduzir-se em resultados concretos, contribuindo para atrair investimentos, impulsionar a economia e promover o processo de diversificação.

Sob o lema “Diversificação económica e digitalização: quais caminhos para o desenvolvimento sustentável na África?”, a conferência será realizada sob o alto patrocínio do Chefe de Estado, consolidando o papel da Guiné Equatorial como um ator relevante na redefinição das estratégias de crescimento no continente.

Com esta iniciativa, Malabo reforça a sua posição como ponto de encontro para o diálogo económico internacional, num momento crucial em que a África procura consolidar modelos de desenvolvimento mais sustentáveis ​​e inclusivos, ligados à economia global. Benjamin Eyang – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”




domingo, 15 de fevereiro de 2026

Dinamarca – Comunidade portuguesa lança plataforma de produtos nacionais no país

A comunidade portuguesa na Dinamarca acaba de dar um novo passo no reforço da ligação às raízes portuguesas com o lançamento da plataforma online “Produtos Portugueses na Dinamarca”, um projeto comunitário que pretende facilitar o acesso a bens portugueses naquele país nórdico


A iniciativa surgiu na sequência de um questionário previamente partilhado junto da comunidade, com o objetivo de avaliar o interesse na importação periódica de produtos portugueses. Segundo os promotores, em nota publicada esta quinta-feira nas redes sociais, a resposta foi “muito positiva”, o que motivou o avanço para a criação da primeira versão do site/app, já disponível online e com vários dos produtos mais solicitados incluídos.

O conceito é simples: reunir encomendas da comunidade, importar os produtos diretamente de Portugal e, dessa forma, conseguir preços mais justos e custos de transporte mais reduzidos face às opções atualmente disponíveis. Os responsáveis sublinham que não se trata de uma loja tradicional, mas sim de um projeto colaborativo, construído com base no feedback dos portugueses residentes na Dinamarca.

Numa fase inicial, a plataforma encontra-se ainda em desenvolvimento, podendo apresentar erros ou aspetos a melhorar. A equipa apela, por isso, à participação ativa da comunidade, solicitando sugestões de novos produtos, comentários sobre os artigos já disponíveis e as primeiras encomendas, essenciais para dar escala e viabilidade ao projeto.

“O projeto é da comunidade e só funciona com a comunidade”, destaca Inês Marques em nota publicada nas redes sociais, incentivando os portugueses na Dinamarca a explorarem a plataforma e a contribuírem desde o início para a sua consolidação.

Os interessados podem enviar sugestões e comentários através do endereço eletrónico disponibilizado pelos promotores. “Quanto mais rápido tivermos volume, mais rápido conseguimos ter o projeto em funcionamento e garantir envios regulares”, lê-se na referida publicação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 6 de dezembro de 2025

Macau - “Livro Branco” delineia desafios, avanços e papel da RAEM na cooperação sino-lusófona

A Universidade da Cidade de Macau apresentou o “Livro Branco sobre a Cooperação Científica e Tecnológica entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, de Bárbara Pinto de Morais. A investigadora identificou um conjunto de desafios para as relações sino-lusófonas, reconhecendo alguns progressos, e deixa sugestões para o papel de Macau enquanto plataforma de ligação


A cooperação científica sino-lusófona “atravessa uma fase de transformação significativa”, de acordo com Bárbara Pinto de Morais, investigadora e autora do recente Livro Branco sobre a Cooperação Científica e Tecnológica entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP). A publicação, que foi apresentada esta semana pela Universidade da Cidade de Macau, identifica a “existência de assimetrias de financiamento, barreias institucionais e constrangimentos geopolíticos” como os principais desafios para as relações sino-lusófonas.

Contudo, Bárbara Pinto de Morais reconheceu a consolidação de “parcerias em sectores de alta tecnologia” entre Portugal e Brasil e os esforços que os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste tem centrado “em programas de capacitação e desenvolvimento social”. Além disso, a autora defende que a economia azul constitui “uma área de elevado potencial para a cooperação futura”, refere um comunicado de imprensa.

O Livro Branco inclui também quatro linhas condutoras para a RAEM, nomeadamente “a modernização da função de Macau enquanto plataforma sino lusófona”, “a construção de um polo internacional de inovação envolvendo Macau, a Grande Baía e os PLP”, “a implementação de um sistema integrado de formação de talento bilingue e especializado” e o “reforço das ligações económico-tecnológicas, com vista a posicionar Macau como ‘hub’ do ‘Sul Global’”.

O Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa, entidade que organizou a apresentação do livro, salientou que o livro “representa o primeiro estudo consolidado em Macau dedicado à análise sistemática da cooperação científica e tecnológica entre a China e os nove PLP”. Para o Instituto, o Livro Branco constitui “uma nova linha de investigação contínua”.

João Simões, professor do Instituto, referiu que “o Livro Branco nasceu num momento de intensificação acelerada da competição tecnológica global e de crescente reconhecimento de que a ciência e a tecnologia deixaram de ser simples instrumentos de desenvolvimento”.

Por seu turno, o professor Ip Kuai Peng, vice-reitor da Universidade da Cidade de Macau e director do Instituto, afirmou que “a instituição tem desempenhado um papel estruturante na formação de talentos qualificados e na produção de conhecimento orientado para o desenvolvimento sustentável das relações entre a China e o espaço lusófono”.

Para o vice-reitor, “a cooperação sino-lusófona em ciência e tecnologia tornou-se uma força motriz essencial para o aprofundamento de parcerias multilaterais”.

Zhou Ping, director do Centro de Investigação “Belt and Road” da Universidade da Cidade de Macau disse esperar que “as conclusões do estudo possam servir de referência prática para decisores públicos e operadores económicos na promoção de uma cooperação mais equilibrada e sustentável”. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Macau quer manter-se como plataforma de captação de turistas entre Portugal e China

Helena de Senna Fernandes quer que a cidade continue a ser uma plataforma de captação de turistas entre Portugal e a China. A Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo anunciou que voltou a escolher Macau – que acolheu este congresso pela sexta vez – como Destino Preferido da associação em 2026, o que permitirá um reforço da parceria


A directora da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) quer que a cidade continue a ser uma plataforma de captação de turistas entre Portugal e a China. “O trabalho desenvolvido nos últimos anos em parceria com a APAVT, para mostrar Macau e para abrir portas aos operadores turísticos e dinamizar os fluxos turísticos, é para continuar”, disse ontem Maria Helena de Senna Fernandes.

A responsável falava no encerramento do 50.º congresso da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorreu em Macau entre terça-feira e ontem. “Hoje encerramos [um ciclo], mas vamos continuar com outros trabalhos, sendo que a designação de Macau como Destino Preferido [internacional da APAVT] para 2026 providencia o enquadramento para mantermos viva esta ligação”, lembrou.

A directora da DST acrescentou, no encerramento, que “uma outra ideia fundamental” da região é que os operadores e agentes de viagens levem em mente a vantagem que têm em “aceder ao mercado do interior da China, tirando partido da plataforma proporcionada por Macau para criar itinerários e destinos”. Os portugueses não têm necessidade de visto prévio para o interior da China até estadas de 30 dias.

“A parceria com a APAVT nos últimos três anos realmente tem sido uma das principais estratégias da nossa direção para dinamizar o mercado português, sendo que existiram uma série de iniciativas em conjunto, sobretudo, para reatar ligações com os operadores turísticos portugueses”, tinha também afirmado na quarta-feira.

Maria Helena de Senna Fernandes abordou os números obtidos, que, diz, “mostram bem esse caminho”. “Até outubro, o número de visitantes, tanto de Portugal como da Europa em geral, registou um aumento anual na ordem dos dois dígitos, recuperando para cerca de 80% dos valores do período pré-pandemia”, referiu.

A APAVT anunciou que voltou a escolher Macau – que acolheu este congresso pela sexta vez – como Destino Preferido da associação em 2026, o que permitirá um reforço da parceria. O Destino Preferido da APAVT é um programa que inclui as áreas de comunicação e marketing, e que ajuda, desta forma, o destino eleito a promover-se noutros mercados.

“Macau e a APAVT decidiram que não devem parar. É por isso que vos transmito com muita alegria que decidimos, Macau e a APAVT, que Macau seja o destino preferido internacional da APAVT ao longo de 2026”, afirmou o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira no território. “Não posso estar mais feliz. Sabem da minha condição de último mandato. Cumpro um sonho que é voltar a Macau e voltar a trabalhar com Macau. (…) O Congresso tem sido, no meu entender, memorável do ponto de vista dos temas, mas também tem sido memorável do ponto de vista do número, é o maior de sempre, e tem sido memorável do ponto de vista da capacidade de acolhimento”, reforçou Pedro Costa Ferreira.

O Destino Preferido da APAVT é um programa “muito amplo”, que tem duas partes fundamentais, a comunicação e marketing, e que ajuda, desta forma, o destino eleito a promover-se. “Significa que em todas as nossas presenças, teremos Macau junto connosco e, portanto, temos essa comunicação, acrescentou o presidente da associação, lembrando que desta forma há um reforço de uma relação com muitos anos. “O regresso do Congresso à nossa cidade este ano e a designação de Macau, a par da China, Destino preferido para 2026, abrem caminho para continuarmos a trabalhar bem”, disse a diretora da Direção dos Serviços de Turismo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes.

A principal novidade em 2026 do Destino Preferido vai ser o lançamento de um programa de ‘e-learning’ (aprendizagem eletrónica) sobre Macau para agentes de viagens da Alemanha, Finlândia e Países Baixos, tal como o programa que foi lançado em Portugal em 2024.

O ‘e-learning’ será desenvolvido pela APAVT e pelo Turismo de Macau, em colaboração com a Confederação Europeia das Associações de Agências de Viagens e Operadores Turísticos (European Confederation of Travel Agents’ and Tour Operators’ Associations [ECTAA]).

Pedro Costa Ferreira lembrou ainda este congresso tem vários “significados especiais”, desde logo “por ser o sexto” em Macau e porque foi o escolhido “para acabar a comemoração do 75.º aniversário” da associação.

A APAVT diz ter acreditado 1039 congressistas de 172 voos diferentes, congressistas que “vão agora visitar várias províncias da China em colaboração com o Turismo de Macau”.

O número de turistas que passou pelo território foi o mais elevado para qualquer mês de Outubro desde que a Direção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) começou a compilar dados mensais, em 1998, ainda durante a administração portuguesa. A região também já tinha registado no mês anterior um máximo histórico para Setembro: quase 3,8 milhões de visitantes, mais 9,8% do que no mesmo período de 2024.

Em 17 de Janeiro, a directora dos Serviços de Turismo de Macau disse esperar entre 38 e 39 milhões de visitantes este ano. Em Agosto, Maria Helena de Senna Fernandes apontou como meta mais de três milhões de visitantes internacionais em 2025.

Nos primeiros 10 meses do ano, Macau recebeu quase 2,97 milhões de turistas vindos do estrangeiro, mais 14,9% do que no mesmo período de 2024. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 16 de novembro de 2025

CPLP - Países de língua portuguesa apresentam plano para acelerar transições energéticas

A implementação de um projeto regional de cozinha limpa é uma das iniciativas previstas no roteiro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a energia e clima, apresentado na sexta-feira na conferência do clima (COP30)


Segundo o documento, consultado pela Lusa, a taxa de acesso a tecnologias de cozinha limpa (como fogões melhorados e gás de cozinha) era, em 2023, de 100% em Portugal, de 93% no Brasil e de 84% em Cabo Verde e não ia além dos 50% em Angola, 22% na Guiné-Equatorial e 19% em Timor-Leste.

A taxa em Moçambique era de 7%, em São Tomé e Príncipe de 5% e na Guiné-Bissau de 1%.

O objetivo é que a iniciativa, inserida no eixo estratégico da aceleração das transições energéticas, seja implementada em 2026.

No total, são quatro os eixos estratégicos do Roteiro de Cooperação 2030 em Energia e Clima nos Países da CPLP: planeamento energético, liderança e capacitação, mobilização e financiamento e aceleração das transições energéticas.

O “desenvolvimento de uma plataforma CPLP de partilha de informação, troca de experiências e alinhamento de políticas e instrumentos de planeamento”, a formação para a implementação de sistemas de monitorização, reporte e verificação para o planeamento climático, o “estímulo à replicação de mecanismos de troca de dívida soberana entre os Estados-Membros da CPLP” e a preparação de um proposta a um programa do Fundo Verde Para o Clima são outras das dez iniciativas previstas.

O documento – promovido pela presidência são-tomense da CPLP e lançado em outubro, em Moçambique, durante a Semana de Energia e Clima da CPLP – é coordenado pela Comissão Temática de Energia e Clima dos Observadores Consultivos da CPLP e constitui “o primeiro instrumento que integra de forma estratégica as dimensões de energia, clima e finanças verdes no âmbito” da Comunidade.

A apresentação na COP30, que decorre em Belém, Brasil, aconteceu no Pavilhão de Portugal e contou com intervenções da ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável de São Tomé e Príncipe, Nilda Borges da Mata, do secretário de Estado da Energia de Portugal, Jean Barroca, e do secretário de Estado da Ação Climática e Desenvolvimento Sustentável de Angola, Nascimento Soares, entre outros. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sábado, 1 de novembro de 2025

Macau - “Civic Pulse” quer fazer “eco” da agenda cultural da Lusofonia

José Basto da Silva lançou recentemente a página “Civic Pulse”, com a intenção de agrupar os anúncios das actividades recreativas e culturais da comunidade de matriz portuguesa num único sítio. Partindo de uma ideia cogitada “há muito tempo”, o propósito da plataforma é auxiliar tanto o público como os organizadores de eventos, segundo disse ao Tribuna de Macau

José Basto da Silva é o autor do recém-lançado sítio “Civic Pulse”, uma plataforma através da qual o macaense tenciona agregar todos os eventos culturais da comunidade lusófona, num lugar só. Para além de contribuir para a divulgação dos mesmos, Basto da Silva quer também ajudar as entidades organizadoras a evitarem sobrepor eventos nas mesmas datas, em prol do público.

Como explica o autor, “o projecto consiste numa página na Internet onde as pessoas podem aceder, num único sítio, a informações sobre eventos locais, mais concretamente, eventos organizados por associações ou grupos de matriz portuguesa, que podem estar disponíveis em variados locais”. “Outra questão tem a ver com o facto de a nossa comunidade, de matriz portuguesa, e não me refiro apenas a falantes de português, ser muito presente e vibrante”, realça Basto da Silva ao Jornal Tribuna de Macau.

“Por exemplo, a Fundação Rui Cunha organiza muitos eventos e costuma fazer a divulgação através do Facebook. A Casa de Portugal também. Mas ainda que usem a mesma plataforma, as informações não estão na mesma página”, lamenta José Basto da Silva. “Uma pessoa tem que ir ver [à página] da Fundação, ou da Casa de Portugal, ou do Instituto Internacional de Macau, ou da ADM”. “Depois ainda há casos em que os eventos são divulgados por e-mail ou estão nas próprias páginas das organizações e, portanto, a informação está dispersa”.

“Um dos comentários que tenho ouvido, de forma recorrente ao longo dos anos, é que há muitas actividades organizadas pelas associações, não apenas portuguesas”, afirma Basto da Silva. “Organizam-se tantas actividades. Às vezes, umas associações nem sabem o que as outras estão a fazer”.

“Podem ser eventos, lançamentos de livros, que acontecem no mesmo dia, à mesma hora, em sítios diferentes. Isso tem acontecido várias vezes. A Fundação [Rui Cunha] está a lançar um e, entretanto, no Clube Militar está a haver outro lançamento. Ou na livraria portuguesa”. “Torna-se difícil para nós, a comunidade, conseguir aproveitar, participar em todos os eventos que possa interessar. Foi daí que surgiu esta ideia”.

José Basto da Silva confessou também que era um projecto que “já tinha em mente há muito tempo”. “Vim de férias, a oportunidade surgiu, as coisas conjugaram-se. E agora, tirando partido das ferramentas de inteligência artificial, é muito mais fácil. Desde que uma pessoa tenha ideias e vontade de fazer, consegue criar muitas coisas interessantes”.

Outro objectivo do projecto foi criar um espaço mais comunitário, segundo Basto da Silva. “A característica principal deste sítio é que não tem uma organização centralizada, ou seja, qualquer pessoa da comunidade, desde que se registe no “Civic Pulse”, pode criar um registo de um evento”, esclarece. “Alguém lançou um evento no Facebook e eu vi o anúncio. Posso ir ao sítio da ‘Civic Pulse’ e fazer a referência a esse evento. Coloco lá o cartaz, o título e uma descrição. Se existir, é só copiar um ‘link’, data, hora e local. Uma coisa que demora menos de um minuto a criar. Os eventos são organizados pelas entidades. A comunidade tem aqui, digamos, uma plataforma onde faz eco dos eventos que vai descobrindo”.

Nas linhas orientadoras da comunidade da plataforma, é solicitado que a mesma não seja usada para efeitos de promoção comercial ou política. “Como moderador da página, tive o cuidado de criar uma política de utilização”. “Não usar este sítio para fazer política ou autopromoções. É para ajudar a divulgar eventos”, sublinha José Basto da Silva. “Fazer política, campanha publicitária de um ou outro produto ou autopromoção, não”, reitera o criador da página. “Como administrador do sítio, posso lá ir e, se tiver havido utilização indevida, apagar o registo”.

Relativamente ao investimento, o autor do projecto assume estar a pagar do “próprio bolso”. “É uma coisa que eu faço em prol da comunidade de matriz portuguesa, em Macau, tendo em conta a minha própria disponibilidade financeira”. “O facto de ser de gestão comunitária também baixa os custos [financeiros] e de tempo”. “O facto de as pessoas se envolverem mais também é uma vantagem”, frisa.

Quanto aos efeitos da plataforma, Basto da Silva espera que o investimento “tenha alguma utilidade”. “Promove a inclusão, a diversidade de interesses. Este sítio não é só para falantes de português”. “Por isso é que eu tive o cuidado de usar inglês. Pretendo que seja inclusivo e diversificado”, assevera.

Sobre a recepção por parte da comunidade, o macaense revela-se “um bocado surpreendido”. “Tenho recebido mensagens de organizações a felicitar, a dizerem que a ideia foi boa e que é útil. Inclusive, já há pessoas a colocarem eventos”. “Parece-me que estão a ter uma boa impressão desta página e que é capaz de resultar”.

Relativamente a novos projectos ou funcionalidades para o sítio, José Basto da Silva afirma ter “mais ideias”, ainda em desenvolvimento. Contudo, assume que falará sobre as mesmas depois de serem concretizadas. “Prefiro falar menos e fazer mais”, remata. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Macau - Sugeridos programas de formação voltados para “língua + tecnologia”

Ip Kuai Peng, vice-reitor da UCM e director do Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa, propôs a criação de formações “língua + tecnologia” para “superar as incompatibilidades linguísticas e profissionais na cooperação científica”. Instou ainda Macau a desenvolver “redes de cooperação multidimensionais voltadas para a União Europeia e os países de língua espanhola”


O vice-reitor da Universidade Cidade de Macau (UCM) e director do Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa, Ip Kuai Peng, destacou o “potencial” de Macau para promover a cooperação internacional em alta tecnologia, economia digital e padronização da medicina tradicional chinesa. Para que a RAEM possa desempenhar de forma plena o seu papel de plataforma, deixou algumas propostas no âmbito do simpósio sobre “Cooperação Científica entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

“Para superar as incompatibilidades linguísticas e profissionais na cooperação científica, Macau deve promover programas de formação conjuntos para talentos voltados para ‘língua + tecnologia’ em universidades chinesas, portuguesas e espanholas”, defendeu, considerando que importa apostar num sistema de formação multidisciplinar.

Segundo disse, citado em comunicado, os programas deverão incluir módulos sobre terminologia de energias renováveis, patentes biomédicas e economia digital. “Além disso, devem ser estabelecidos mecanismos de intercâmbio académico para simplificar a educação, os estágios e as oportunidades de emprego, tornando Macau num centro de talentos científicos na cooperação Sul-Sul”, acrescentou.

Propôs também o reforço da conectividade económica e comercial e a expansão das redes de mercado internacionais. “Com base nos fortes laços com os países de língua portuguesa, Macau deve desenvolver redes de cooperação multidimensionais voltadas para a União Europeia e os países de língua espanhola”, sublinhou.

Para o vice-reitor da UCM, “Macau pode servir como uma plataforma para a correspondência precisa de negócios entre empresas chinesas e de língua portuguesa”, ao mesmo tempo que apoia as empresas da Grande Baía na exploração dos mercados lusófonos através de missões comerciais, promoção de investimentos e exposições internacionais.

Por fim, sugeriu que Macau aproveite as “vantagens institucionais” e os laboratórios nacionais da Grande Baía para formar grupos de reflexão inter-regionais com universidades de renome nos países de língua portuguesa e espanhola. “Estes esforços devem centrar-se na energia verde, na biomedicina e na tecnologia digital, a fim de permitir o fluxo transfronteiriço de tecnologia, colmatar o fosso digital nos países em desenvolvimento e posicionar a Grande Baía como líder global em ciência e tecnologia para o Sul Global”, defendeu.

Na abertura do simpósio, Ip Kuai Peng observou ainda que, à medida que a China avança no novo paradigma de desenvolvimento através de uma maior abertura, Macau deve alinhar-se com o seu posicionamento como “Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base”.

Vários académicos de outras universidades abordaram também as suas perspectivas neste campo. A professora Marta Filipa Simões, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, apresentou projectos de investigação conjuntos em micologia e astrobiologia entre a China e os países lusófonos e sugeriu a expansão da colaboração com instituições científicas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal.

Já André Antunes, director do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José, abordou o “papel vital” de Macau como elo de ligação no mundo lusófono e identificou a cooperação científica como uma área de oportunidades, particularmente nas ciências da vida, ecologia verde e economia marinha. Já José Paulo Esperança, vice-reitor da Faculdade de Economia da Universidade de Macau focou-se nas contribuições da Fundação para a Ciência portuguesa na facilitação da cooperação internacional, abordando desafios comuns e promovendo a inovação sustentável. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 25 de junho de 2025

Macau - Colóquio da Universidade Politécnica de Macau abordou educação sino-lusófona

A Universidade Politécnica de Macau organizou a palestra “Conversas com Personalidades Sino-Lusófonas”, na qual participou o professor Carlos Ascenso André como orador principal. O docente realçou “o grande potencial de Macau como plataforma de intercâmbio”


A Faculdade de Línguas e Tradução e o Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa da Universidade Politécnica de Macau (UPM) co-organizaram a 5ª palestra das “Conversas com Personalidades Sino-Lusófonas”, no âmbito do tema “Universidade e Cultura em Contexto Multicultural: China e Lusofonia, Mas Não Só”. O colóquio abordou “as interacções e referências entre a China e Portugal” e proporcionou “novas ideias” à promoção da cooperação académica sino-lusófona, de acordo com um comunicado.

O professor coordenador honorário da UPM Carlos Ascenso André foi convidado como orador principal, para falar acerca da “importância do intercâmbio e da integração” entre civilizações, para “o desenvolvimento do ensino superior numa perspectiva global”. Recorrendo a vários exemplos, o também presidente do Conselho Científico da Academia das Ciências de Lisboa apresentou “os valores únicos e caminhos práticos da aprendizagem mútua entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP)”. O docente analisou ainda “as semelhanças culturais entre a China e os PLP” bem como “o grande potencial de Macau como plataforma de intercâmbio multicultural”.

Vários docentes e alunos participaram no evento, discutindo com o convidado sobre temas como “aprendizagem mútua das culturas e o ensino de línguas”. Segundo a UPM, “o ambiente académico acolhedor” contribuiu para alargar a visão internacional dos estudantes e professores da universidade, bem como aprofundar a “compreensão das culturas chinesa e portuguesa”.

Com este evento, a UPM pretendeu “promover a integração profunda entre a cultura e a educação sino-lusófona”, apoiando a construção da “Plataforma Sino-Lusófona” e da “Base de Formação de Quadros Qualificados Bilingues em Chinês e Português” na RAEM. As palestras “Conversas com Personalidades Sino-Lusófonas” visam convidar especialistas e académicos de renome para partilharem “conhecimentos de vanguarda”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 17 de julho de 2024

Europa - Universidade de Coimbra lança plataforma inclusiva de bioeconomia circular

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) lançou o BioRural Toolkit, uma plataforma inclusiva online ligada à bioeconomia circular, criada no âmbito do projeto europeu BioRural.

«Dedicado à nossa missão de ligar os pontos para desbloquear o potencial das áreas rurais europeias em direção à Bioeconomia circular, o nosso Toolkit online é projetado para seguir uma abordagem de design centrada no utilizador e, com acesso aberto, pretende servir como uma ferramenta web única destinada a todas as questões relacionadas com a bioeconomia», começa por explicar João Roberto, investigador da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) e do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM).

O BioRural Toolkit, prossegue, «oferece, entre outras coisas, a oportunidade de descobrir a Rede Europeia de Bioeconomia Rural através de um mapa interativo dos membros identificados da rede, informações sobre o estado atual da bioeconomia rural a nível nacional, resultados de investigação selecionados, soluções comerciais de base biológica e oportunidades de financiamento, bem como as principais características das histórias de sucesso identificadas no âmbito do projeto».

De acordo com o investigador, além das ferramentas já disponíveis ao público, estão a ser criados tutoriais online, resumos práticos, planos de negócios, diretrizes políticas e de investigação, assim como outputs dos workshops de capacitação, através de fichas técnicas e conteúdo audiovisual.

Reconhecendo a necessidade de pensar localmente e agir globalmente, os parceiros do BioRural dinamizaram mais de quatro dezenas de workshops em áreas rurais selecionadas de 14 países europeus, sempre com o objetivo de impulsionar a adoção de soluções inovadoras de base biológica em agricultura e floresta, aquacultura, e atividades transformadoras de biomassa. Os outputs destas sessões podem ser, agora, consultados na plataforma online.

«Nestes workshops, realizados com sucesso e enumeras participações, especialistas de cada campo partilharam experiências, opiniões e lições aprendidas, abrangendo diversos temas de Bioeconomia como Agricultura e Alimentação, Bio produtos/Biomateriais, Bioenergia, Florestas e Pescas e Aquacultura», conclui.

Está ainda a decorrer, também neste âmbito, o concurso internacional de ideias até 28 de julho. Para mais informações consultar o sítio do projeto.
Universidade de Coimbra - Portugal  

segunda-feira, 1 de julho de 2024

China - Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês realça papel da RAEM como ponte sino-lusófona

O principal órgão consultivo político da China realizou uma sessão de consulta virtual na sexta-feira para analisar os papéis de Hong Kong e Macau no “desenvolvimento de novos sistemas da China para uma economia aberta de padrão mais alto”, informou a agência Xinhua.


A reunião do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) foi liderada pelo seu presidente, Wang Huning, que também é membro do Comité Permanente do “Bureau” Político do Comité Central do Partido Comunista da China.

Durante o encontro, Wang Huning enfatizou a importância de concentrar a investigação em questões-chave relacionadas com os papéis das duas regiões administrativas especiais da China, apelando à emissão de “recomendações políticas viáveis e direccionadas para apoiar a implementação de políticas nacionais que ajudem ao desenvolvimento de Hong Kong e Macau.

Doze membros do Comité Nacional da CCPPC fizeram comentários sobre essa matéria, em intervenções feitas a partir de Pequim, Fujian, Hong Kong, Macau e outros locais por meio de videoconferência. Em geral, segundo a Xinhua, “propuseram reforçar a coordenação das regulamentações e mecanismos económicos em Guangdong, Hong Kong e Macau para facilitar o fluxo eficiente de pessoas, bens, capitais e dados, melhorando assim a integração do mercado”.

As recomendações incluíram a consolidação do estatuto de Hong Kong como centro financeiro, de navegação e comércio internacional, o aproveitamento das vantagens únicas de Macau como plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa e a expansão de ligações internacionais “fáceis e convenientes”.

Durante a sessão, funcionários dos departamentos relevantes também partilharam informações e participaram em discussões com conselheiros políticos nacionais. “A realização de sessões de consulta sobre temas específicos continua a ser uma prática regular para o Comité Nacional da CCPPC cumprir as suas funções de consulta política, supervisão democrática e participação na deliberação e administração de assuntos de Estado”, referiu a Xinhua. In “Jornal Tribuna de Macau – Macau com “Xinhua”


segunda-feira, 27 de maio de 2024

Macau - Dez empresas portuguesas e brasileiras participaram em ‘roadshow’ na BEYOND Expo

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) ajudou dez empresas de inovação científica e tecnológica do Brasil e de Portugal a participar na BEYOND Expo deste ano. A sessão de roadshow foi realizada na sexta-feira, durante a qual foram assinados seis acordos de cooperação, no âmbito de reforçar a cooperação entre incubadoras do Brasil e de Portugal e seus congéneres locais, bem como aumentar o apoio do capital social do interior da China nos projectos dos países de língua portuguesa


A “Sessão de roadshow para empresas científicas e tecnológicas do Brasil e de Portugal (Macau)” foi realizada na passada sexta-feira, na 4.ª BEYOND Expo, onde representantes de dez empresas de inovação tecnológica do Brasil e de Portugal apresentaram aos participantes do evento os planos de desenvolvimento e características inovadoras dos seus projectos.

De acordo com a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), a sessão teve como finalidade “valorizar ainda mais o papel de Macau como plataforma sino-lusófona”, criando oportunidades de intercâmbio para empresas de inovação tecnológica do Brasil e de Portugal com os respectivos sectores de Macau e do interior da China, de forma a incentivar essas empresas a desenvolverem-se em Macau e Hengqin e promover o intercâmbio sino-lusófono no domínio da ciência e tecnologia.

A iniciativa foi organizada pela DSEDT, realizada pelo Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau e apoiada pela Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, pela Direcção da Inovação Científica e Tecnológica da Cidade de Zhuhai e pelo Centro de Intercâmbio e Cooperação em Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Tai Kin Ip, director da DSEDT, destacou no seu discurso o desempenho do “Centro de Intercâmbio e Cooperação em Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, criado no ano passado com o apoio do Ministério de Ciência e Tecnologia do Estado, o que demonstra as vantagens de Macau enquanto plataforma de intercâmbio sino-lusófona.

O responsável sublinhou ainda que o organismo tem vindo a manter contactos e cooperações estreitas com as instituições de ensino superior, empresas tecnológicas e incubadoras lusófonas, nomeadamente de Portugal e do Brasil. “Espera-se que todas as equipas de inovação científica e tecnológica do Brasil e de Portugal participantes possam beneficiar das bolsas de contacto e das oportunidades de desenvolvimento oferecidas por Macau e pela Grande Baía, explorando oportunidades de negócio do interior da China na base de benefícios mútuos e cooperação ‘win-win’”, afirmou.

No evento foram ainda assinados seis acordos de cooperação, envolvendo sobretudo o reforço da cooperação entre incubadoras do Brasil e de Portugal e seus congéneres locais, o aumento do apoio do capital social do interior da China aos projectos dos PLP e o desenvolvimento da cooperação entre empresas tecnológicas do Brasil e de Portugal na investigação e desenvolvimento de produtos.

Além do ‘roadshow’, as dez empresas que fazem parte do “Grupo de visita de estudo das empresas de inovação tecnológica dos países de língua portuguesa à Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau” também instalaram stands na BEYOND Expo deste ano para apresentar os seus produtos. Alguns dos projectos apresentados no ‘roadshow’ “ganharam o reconhecimento dos especialistas e investidores presentes” e as empresas participantes manifestaram “grande apreço pelo evento e interesse em explorar o mercado do interior da China, esperando obter mais informações úteis durante a visita”, revelou a organizadora.

A DSEDT, neste sentido, disse que continuará a promover o desenvolvimento do Centro de Intercâmbio e Cooperação de Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa, aprofundando-se a cooperação Macau-Hengqin-Zhuhai na área da ciência e tecnologia, bem como promovendo o intercâmbio sino-lusófono na área da inovação científica e tecnológica. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 6 de março de 2024

Portugal - Camões, I.P. lança plataforma que reúne todas as suas Bibliotecas, distribuídas por 54 países

A partir de 6 de março de 2024, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P disponibiliza, pela primeira vez, uma plataforma online que junta, num catálogo único e comum, as bibliotecas da sua rede que se estende por 54 países.


Este projeto, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, tem como objetivo melhorar a informação disponibilizada ao público. A plataforma integrará, numa primeira fase, as bibliotecas dos Centros Culturais Portugueses do Camões, I.P. Seguidamente, serão incorporadas as restantes bibliotecas dos Centros de Língua Portuguesa do Camões, I.P.

Este novo Sistema Integrado de Gestão da Rede de Bibliotecas da Rede Camões, I.P. permite:

  • acesso ao acervo bibliográfico da Rede Camões através de uma única plataforma;
  • uma melhor gestão e organização da informação disponibilizada ao público;
  • mais acesso a informação, promovendo uma sociedade do conhecimento;
  • novos serviços para o público com o desmaterializar processos;
  • incorporação da Biblioteca Digital Camões, um repositório da cultura em língua portuguesa, que tem como principal critério a disponibilização de um acervo de documentos, digitais ou digitalizados, para leitura gratuita, sem necessidade de registo ou subscrição.

Além da promoção da língua e da cultura portuguesas no estrangeiro, este projeto, promove o papel das bibliotecas como motores do desenvolvimento, contribuindo para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nomeadamente pelo acesso público à informação e recursos, disponibilização de espaços inclusivos, acesso a tecnologias de informação e comunicação e conservação do património cultural. Camões – Instituto da Cooperação e da Língua - Portugal




sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Macau - Mercado de produtos lusófonos no Albergue todos os fins de semana a partir de Março

Este sábado e domingo, o pátio do Albergue volta a acolher mais um mercado de artesões e representantes de marcas de vinho e outros produtos macaenses e de países de língua portuguesa. A iniciativa vai passar a acontecer todos os fins de semana a partir do próximo mês


O 4.º Mercado Lusófono do Albergue decorre este fim de semana no espaço exterior do Albergue da Santa Casa de Misericórdia (SCM), em São Lázaro. Nos dias 17 e 18, entre as 12h e as 20h, 18 bancas vão estar no local para dar a conhecer alguns produtos típicos da comunidade macaense, de Portugal e de outros países lusófonos. Vinhos, bebidas, latas de conserva, nozes, café, mas também muito artesanato e perfumes vão marcar presença no evento.

Heiman Sou, da empresa Sardinia Macau, adiantou ao nosso jornal que o certame organizado pelo Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, o Albergue SCM e o Portuguese Restaurants & Retail Concept é para continuar, e vai passar a acontecer todos os fins de semana a partir do próximo mês. A ideia, explicou, é que a iniciativa, que antes era organizada trimestralmente sempre que possível, passe a acontecer todos os fins-de-semana e assim se torne num “evento regular em Macau”, que permite que os turistas possam ser expostos a “uma experiência cultural única de lusofonia que não se encontra em mais lado nenhum”. Para já, a edição dos dias 17 e 18 vai ser feita em conjugação com a época festiva do Ano Novo Chinês, com decoração alusiva ao tema pronta para acolher os visitantes que escolhem Macau como destino de férias, acrescentou Heiman Sou.

O Mercado Lusófono de Albergue, explicou o responsável, serve de plataforma para os fornecedores dos países e regiões de Língua Portuguesa, e também ONGs e indivíduos promoverem os seus produtos ou serviços junto dos consumidores. “Desta vez temos vinhos de Portugal, sumos do Brasil, café de Timor-Leste, ervas aromáticas de Moçambique e, claro, iguarias macaenses e muito mais”, divulgou Heiman Sou. Quanto a estas bancas de iguarias macaenses, o responsável pouco pôde revelar, adiantando apenas que estão em “bom número” e vão vender petiscos e sobremesas macaenses, “enquanto outros vendem artesanato como joias e acessórios feitos à mão”. Nas edições passadas foram também comercializados itens de azulejo e objectos de cerâmica recordou o promotor da iniciativa e director da Sardinia.

Fundada em Agosto de 2016, a Sardinia Macau Limited concentra-se em trazer novos produtos de Portugal e dos EUA que não estavam disponíveis em Macau, Hong Kong e China Continental. Nestes locais foram desenvolvidas novas tecnologias para produtos tradicionais. Como exemplo, a empresa referiu-se à marca de conservas em lata “A Banca da Sardinha”, que se especializou na produção de sardinhas enlatadas com sabores invulgares em caril e azeite. Os produtos da Sardinia Macau Limited podem ser encontrados no Cunha Bazaar, Torre de Macau, Supermercados Vang Kei, Inda Quality Food, China Products Company, bluBasket e nos restaurantes do Future Bright Group, indicou ainda a página electrónica da empresa. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Macau - Comunicação social em português e inglês faz papel de ponte com a população

Ho Iat Seng afirmou, no habitual almoço do Governo com os órgãos de comunicação social de língua portuguesa e inglesa por ocasião do Ano Novo Lunar, que o sector tem “desempenhado o papel de ponte” entre as autoridades e a população. O Chefe do Executivo assegurou que o Governo continuará, “como sempre”, a salvaguardar a liberdade de imprensa e a apoiar a comunicação social

Realizou-se o habitual almoço de Ano Novo Lunar oferecido pelo Governo aos órgãos responsáveis dos órgãos de comunicação social de língua portuguesa e inglesa. Na ocasião, o Chefe do Executivo destacou o “papel de ponte” dos órgãos em português e inglês.

“Os profissionais dos órgãos de comunicação social de língua portuguesa e inglesa de Macau assumem as suas responsabilidades com profissionalismo, têm desempenhado o papel de ponte, reflectindo as vozes da população, apresentam sugestões e achegas e dão colaboração, o que contribui relevantemente para o trabalho do Governo da RAEM nas diferentes tutelas”, afirmou Ho Iat Seng no discurso proferido na ocasião, aproveitando para manifestar o seu “sincero agradecimento a todos aqueles que fazem parte dos órgãos de comunicação social de língua portuguesa e inglesa”.

Ho descreveu também os órgãos de comunicação social em português e inglês como “veículos importantes de proximidade para a comunidade portuguesa e inglesa local e no exterior aceder à informação”, noticiando “extensivamente as novas dinâmicas e os novos desenvolvimentos na RAEM, bem como as actividades de intercâmbio do Governo da RAEM com o exterior, facto que veio a fortalecer o conhecimento e confiança do exterior em relação ao desenvolvimento da RAEM, elevando o renome de Macau”.

O Chefe do Executivo lembrou também que, após os três anos de restrições pandémicas, a primeira visita ao exterior de uma delegação do Governo da RAEM foi a Portugal: “Esta visita teve um significado muito importante, pois para além de ter intensificado o contacto de Macau com o exterior, reflectiu ainda mais o papel de Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, bem como concretizou os objectivos de reforçar as relações amigáveis, aprofundar a cooperação em diferentes áreas e explorar novas oportunidades de cooperação”.

Lembrando que no ano passado os órgãos de comunicação social de língua portuguesa e inglesa foram convidados a visitar a Grande Baía e também o Tibete, Ho salientou que, estando sediados em Macau, “estão próximos da China e virados para o mundo”.

O líder do Governo assinalou também que este ano se comemora o 75.º aniversário da implantação da República Popular da China e também o 25.º aniversário do estabelecimento da RAEM. “Espero que o sector da comunicação social de língua portuguesa e inglesa continue a desempenhar bem o papel de ponte, a desenvolver as vantagens linguísticas e culturais, apoiar a acção governativa, promover a divulgação ampla dos grandes eventos e actividades do 25.º aniversário do estabelecimento da RAEM, e contribuir de forma mais empenhada  para a exploração de mercados de turistas no estrangeiro, o fomento de oportunidades de cooperação para as quatro indústrias prioritárias e a divulgação das perspectivas de desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada e da Grande Baía”, disse Ho, sublinhando que o Governo irá esforçar-se junto da comunicação social “para que mais pessoas possam conhecer melhor a implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau, compreender o papel importante de Macau como plataforma entre a pátria e os países de língua portuguesa, e para que seja demonstrada a coexistência e harmonia multicultural que caracteriza Macau”.

“O Governo da RAEM continuará, como sempre, e em cumprimento da Constituição e da Lei Básica de Macau, a salvaguardar a liberdade de imprensa, a apoiar a comunicação social no exercício das suas funções e responsabilidades, dando apoio de forma activa ao trabalho de cobertura noticiosa”, frisou Ho.

Na ocasião, o Chefe do Executivo aproveitou para assinalar que este ano também se vão concretizar os objectivos da primeira fase de desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada, e é também o ano do início da implementação do Plano de desenvolvimento da diversificação adequada da economia da Região Administrativa Especial de Macau (2024 – 2028). Além disso, o Governo está a participar nos trabalhos preparatórios da VI Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa (Macau) e na organização da 7.ª reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, “para alargar ainda mais o papel de Macau como  plataforma  entre a China e os Países de Língua Portuguesa, contribuindo para elevar a qualidade e o nível da cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa”.

O Chefe reiterou também que o Governo da RAEM “irá defender, com um esforço acrescido e firmeza, a segurança nacional e a estabilidade social, concretizar de forma acelerada as principais tarefas e os projectos prioritários consagrados no Plano ‘1+4’, acelerar o progresso da construção da Zona de Cooperação Aprofundada e impulsionar efectivamente o desenvolvimento de alta qualidade da economia de Macau”. “Vamos continuar a melhorar o bem-estar da população, a promover a harmonia social, a elevar constantemente o nível e a capacidade da governação, a resolver empenhadamente os conflitos e problemas profundamente arreigados no desenvolvimento socio-económico, a potenciar plenamente as vantagens únicas de Macau, a aprofundar a integração de Macau na conjuntura do desenvolvimento nacional e a impulsionar um novo desenvolvimento da RAEM em todas as vertentes”, sublinhou. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Macau – Região instada a fomentar reexportações lusófonas

A deputada Song Pek Kei considera que o aprofundamento do papel da RAEM como plataforma sino-lusófona requer ainda algumas melhorias, especialmente o aperfeiçoamento de políticas para que mais produtos dos países de Língua Portuguesa (PLP) possam ser exportados para o Interior da China através de Macau.


Numa interpelação escrita, a deputada apontou que, embora no âmbito do Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre o Interior da China e Macau (CEPA) alguns alimentos já possam ser exportados para o Continente após processamento em Macau, os complexos procedimentos de desalfandegamento e os altos custos logísticos fazem com que muitas empresas acabem por não escolher Macau como centro de transferência.

Citando dados estatísticos, Song Pek Kei indicou que, nos primeiros quatro meses do ano passado, o volume das importações da China provenientes dos países lusófonos foi de 74 mil milhões de patacas, contudo, somente 1,3% envolveram transferências em Macau, sendo esta taxa muito baixa até em comparação com outras cidades chinesas.

“Ainda há um certo caminho a percorrer antes de Macau se tornar num centro de exportação ou reexportação entre a China e os países lusófonos”, lamentou.

Para contrariar o cenário, Song Pek Kei instou o Governo da RAEM a reforçar as negociações com as autoridades do Interior da China, procurando optimizar as políticas, para facilitar a exportação ou reexportação dos produtos lusófonos para o Interior da China via Macau.

Na interpelação, a deputada ligada à Aliança de Povo de Instituição de Macau mostrou-se ainda preocupada com a “paralisação” de um plano com vista a prestar apoio complementar à redução do risco de comércio com os PLP mediante “apólice bancária”, no âmbito do sistema de seguro de créditos à exportação, desde o surto da pandemia. Através desse plano, seguradoras locais, sobretudo as autorizadas a vender produtos de créditos à exportação, podem prestar serviços de seguro para comércio de baixo risco com os PLP.

Para a deputada, o Governo precisa de continuar a comunicar com seguradoras do Interior da China, por forma a rever e aperfeiçoar, o mais rápido possível, o respectivo sistema de seguro de créditos. Nesse sentido, quer saber a concreta eficácia do plano e o andamento da revisão do sistema.

“À medida que se vão aprofundar continuamente a cooperação industrial e as trocas comerciais entre a China e os PLP, o Governo da RAEM deve proporcionar medidas mais convenientes, de modo a trazer espaço de desenvolvimento e benefícios económicos para a sociedade e a economia, através da construção da plataforma sino-lusófona”, defendeu Song Pek Kei. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau