O curso gratuito de iniciação, promovido em parceria com a Embaixada de Portugal e a Escola Portuguesa de Díli para assinalar os 114 anos do BNU em Timor-Leste, termina com promessa de continuidade. Responsáveis destacam a importância da formação para a qualificação profissional e para a consolidação da língua portuguesa no país
Os 19 participantes do curso de
iniciação em Língua Portuguesa promovido pelo Banco Nacional Ultramarino (BNU)
receberam, esta terça-feira, 14 de julho, os certificados de conclusão da
formação, numa cerimónia que assinalou o encerramento da iniciativa lançada
para celebrar os 114 anos da instituição em Timor-Leste.
O curso, gratuito, teve a duração de 60 horas e foi
promovido pelo BNU em parceria com a Embaixada de Portugal e a Escola
Portuguesa de Díli (EPD), destinando-se a funcionários públicos e estudantes
universitários timorenses.
Menos celebrações, mais investimento na comunidade
O diretor-geral do BNU, Paulo Lopes, explicou que o banco
optou por assinalar o aniversário de uma forma diferente, canalizando os
recursos habitualmente destinados às comemorações para uma iniciativa de
responsabilidade social.
“Em vez de assinalarmos o aniversário do Banco com uma
festa, fogo de artifício e confetes, utilizámos esses recursos para um ato de
responsabilidade social, devolvendo à comunidade timorense algo em troca
daquilo que também nos tem proporcionado”, afirmou.
Segundo Paulo Lopes, a aposta na formação, quer na língua
portuguesa quer noutras áreas do conhecimento, é essencial para reforçar as
competências dos recursos humanos. O responsável sublinhou que essa evolução já
é visível tanto na melhoria da qualidade do trabalho desenvolvido pelos
funcionários do banco como no crescente interesse de timorenses em integrar os
quadros da instituição.
“De ano para ano, há cada vez mais quadros timorenses
mais qualificados e preparados para serem bem-sucedidos no mundo profissional”,
afirmou.
O embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué
Alves, elogiou a iniciativa do BNU, desenvolvida em parceria com a EPD e a
Embaixada de Portugal, considerando que contribui para reforçar o ensino da
língua portuguesa no país.
“É uma iniciativa muito importante porque dá prioridade à
língua portuguesa, à sua disseminação e ao seu enraizamento, uma das grandes
prioridades da Embaixada, fortalecendo e formando jovens capacitados com um
melhor domínio da língua portuguesa”, sublinhou.
Também presente na cerimónia, o ministro do Planeamento e
Investimento Estratégico, Gastão de Sousa, agradeceu a oportunidade dada aos
funcionários do ministério para frequentarem a formação.
“Quero agradecer muito aos meus colegas portugueses, que
proporcionaram esta oportunidade de aprender português, porque isso facilitará
a progressão na carreira dos funcionários públicos.”
O governante manifestou ainda o desejo de que esta
iniciativa tenha continuidade, permitindo que mais funcionários possam
beneficiar da formação. Apelou igualmente aos trabalhadores da Administração
Pública para continuarem a aprender português, lembrando que “já é hora de
aprender português, a língua oficial de Timor-Leste”.
Formandos destacam evolução e pedem continuidade
Entre os participantes, Isaura Mota de Jesus, funcionária
da Secretaria de Estado dos Assuntos da Toponímia e Organização Urbana,
explicou que utiliza diariamente a língua portuguesa para redigir e responder a
correspondência oficial, razão pela qual considerou a formação particularmente
útil.
A formanda destacou a dinâmica das aulas e a metodologia
utilizada pela professora, afirmando que a evolução dos participantes foi
evidente ao longo do curso.
“No início, foi difícil, porque não sabíamos como nos
expressar em português. Mesmo tendo dúvidas, não tínhamos coragem para
perguntar. Mas agora é diferente: fazemos prática no curso e aprendemos tanto a
falar como a escrever.”
Isaura Mota de Jesus agradeceu ainda a oportunidade
proporcionada pelo BNU, considerando que a iniciativa reforçou o orgulho dos
participantes numa das línguas oficiais de Timor-Leste. “Foi uma oportunidade
muito interessante para nós e espero que este curso tenha uma segunda etapa,
para podermos avançar para o nível seguinte”, afirmou.
BNU e Embaixada prometem dar continuidade ao projeto
No encerramento da cerimónia, Paulo Lopes felicitou os
formandos e incentivou-os a continuarem a investir na sua formação ao longo da
vida.
“A mensagem que vos posso deixar é que isto vos sirva de
incentivo para procurarem mais formações, estarem disponíveis para aprender e
serem melhores profissionais e, dessa forma, contribuírem para o futuro e para
o desenvolvimento do país”, afirmou.
O diretor-geral anunciou ainda a intenção de reforçar
esta iniciativa no próximo ano, quando o BNU assinalar os 115 anos de presença
em Timor-Leste.
“Para o ano, como se assinalam os 115 anos, um número
mais redondo, acho que merece ser comemorado de forma mais abrangente, com mais
iniciativas, mas sempre dentro desta lógica de menos festas e mais devolução à
comunidade timorense.”
A mesma garantia foi deixada pelo embaixador de Portugal,
que manifestou o compromisso de apoiar a continuidade do projeto, permitindo
que os atuais formandos avancem para o nível intermédio e que novos
participantes possam integrar futuras edições.
Segundo Duarte Bué Alves, a evolução do domínio da língua
portuguesa em Timor-Leste é claramente percetível. “Mesmo estando no país há
apenas dez meses, tenho tido oportunidade de falar com profissionais que
trabalham em várias áreas em Timor-Leste. Toda a gente me diz que, se olharmos
para o domínio da língua portuguesa hoje em dia, comparando com há dez ou 20
anos, a situação é muito melhor.” In “Diligente” – Timor-Leste
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