O presidente da Câmara de Comércio Angola China considerou a introdução do Yuan, moeda chinesa, na economia angolana um passo bastante significativo de maturidade das relações entre os dois países
Luís Cupenala reagia, em declarações à
Lusa, à recente autorização do Banco Nacional de Angola (BNA) aos bancos
comerciais para inclusão do Renminbi (Yuan) nas suas reservas obrigatórias em
moeda estrangeira.
O responsável destacou que esta medida acontece nos 43
anos de relações bilaterais, dos quais 16 anos de parceria estratégica, com uma
cooperação marcada por intensas trocas comerciais entre os dois países.
Segundo Luís Cupenala, com a implementação da taxa zero
pela China, os produtores angolanos são obrigados a expandir a sua visão além
do mercado de consumidores nacionais de 36 milhões de habitantes, olhando para
o país asiático com 1,4 mil milhões de consumidores. “Isso precisa da
circulação de recursos. Esta abertura que se dá agora da presença da moeda
Renmimbi vai facilitar, com certeza, as nossas zungueiras [pequenas
comerciantes], homens de negócios, para aumentarem os seus negócios com a
China, fundamentalmente no quadro das exportações e importações”, referiu.
Por outro lado, a medida vai igualmente eliminar as
barreiras da dependência de uma única moeda, tendo a partir de agora como
moedas estrangeiras de transação o dólar norte-americano, o euro, o yuan e o
rand (moeda sul-africana). “Todas essas medidas visam mitigar dificuldades e
certamente facilitar que os negócios e as trocas comerciais entre os dois
países fluam com facilidade e sem problemas”, sublinhou.
O líder da Câmara de Comércio Angola-China destacou que o
Governo chinês tem acordos bilaterais comerciais, com os 53 países africanos,
sendo Angola o parceiro económico mais importante do país asiático. “Este passo
que se tomou hoje tardou, mas, seja como for, é o início de uma nova era na
melhoria, no aprofundamento, das relações entre os dois países, no aumento das
exportações, das trocas comerciais, da transferência do ‘know-how’ e da
tecnologia e de investimentos em Angola”, realçou.
Cupenala destacou que, até se chegar a esta medida, o
processo de cooperação entre os dois países passou por vários estágios de
maturidade e de consolidação, tendo, em 2024, Angola e a China assinado o
acordo de cooperação e parceria estratégica abrangente, “sem limitações nos
vários domínios do comércio e de investimentos”. “Também é preciso recordar
que, em 2023, um dos mais importantes instrumentos de promoção e proteção
recíproca de investimentos foi assinado para estimular o investimento de
empresas chinesas no nosso país e os angolanos a investirem na República
Popular da China”, disse. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”
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