São 5100 os alunos que aprendem Português neste ano lectivo: mais de 3600 encontram-se a estudar num ambiente de ensino não superior em língua portuguesa, um aumento de 20% no espaço de dois anos escolares; enquanto mais de 1500 universitários frequentaram cursos em ou sobre a Língua de Camões, revelou a DSEDJ
No ano lectivo de 2025/2026, 10
escolas públicas ou particulares em Macau proporcionam um ambiente de ensino em
língua portuguesa a mais de 3600 alunos. Em paralelo, no ensino superior, cinco
instituições disponibilizavam 19 cursos em Português ou relacionados com a
Língua de Camões, contando com mais de 1500 alunos, revelou a Direcção dos
Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) ao Jornal Tribuna
de Macau. Segundo vincou, “o Governo da RAEM atribui importância ao ensino da
língua portuguesa, empenhando-se em cultivar quadros bilingues versáteis em
português alinhados com as necessidades de desenvolvimento de Macau”.
Face aos dados da DSEDJ referentes ao ano lectivo
2023/2024, o número de escolas que fornecem um ambiente em que a língua
veicular de ensino era o Português subiu de oito para 10, e o número de alunos
nesse ambiente registou um aumento de 20% (subiu de 3000 para 3600), no espaço
de dois anos lectivos.
Ao mesmo tempo, no presente ano lectivo, mais de 110
docentes estão registados na DSEDJ como professores que leccionam a disciplina
“Português”.
Quanto aos recursos pedagógicos, a DSEDJ lembrou que,
para os enriquecer, elaborou e publicou os materiais didácticos de língua
portuguesa para o ensino primário, tendo como referência o Quadro Europeu Comum
de Referência para as Línguas e as “Exigências das Competências Académicas
Básicas da Educação Regular do Regime Escolar Local” sobre a língua portuguesa.
Segundo observou, cerca de 90% das escolas que leccionam “Português” no ensino
primário tomam como referência e utilizam esses materiais.
Em relação aos materiais didácticos do ensino secundário,
apontou que já começaram a ser desenvolvidos de forma ordenada os trabalhos de
elaboração, composição, concepção, revisão e correcção. Segundo a DSEDJ, são
lançados sob a forma de recursos pedagógicos, com a versão electrónica a ser
disponibilizada no sítio do Centro de Difusão de Línguas. Parte desses
materiais já está disponível neste sítio e serão lançados mais.
Paralelamente, desde o lançamento no ano lectivo
2023/2024, o “Programa de Iniciação de Aprendizagem da Língua Portuguesa” com
duração de quatro anos – composto por cursos faseados de Português, actividades
de aprendizagem diversificadas, experiência cultural e exame de proficiência da
língua – já atraiu mais de 450 aprendentes/vezes. O curso é destinado aos
alunos locais no 2º ano do ensino secundário geral ou num nível ainda superior,
interessados em prosseguir os estudos em Portugal ou frequentar cursos de
ensino superior relacionados com o Português, cuja língua materna não é o
Português.
Os alunos de ensino não superior podem ainda participar
na “Viagem de estudo de língua e cultura no Verão – Programa de estudo em
Portugal”. No âmbito deste programa, 65 frequentaram cursos intensivos de
Português em Portugal, nos últimos dois anos, indica a DSEDJ.
Numa perspectiva geral, o organismo liderado por Kong Chi
Meng sublinha que, na esfera do ensino não superior, o Governo da RAEM
“empenha-se em, através de uma formação sistemática, cultivar, desde a
infância, as competências de compreensão oral, expressão oral, leitura e
escrita na língua portuguesa de alunos necessitados ou interessados” nesta
área, cabendo às escolas a promoção da língua portuguesa, através de currículo
regular, actividades extracurriculares ou complementares.
Num contexto em que o País atribui a Macau o
posicionamento como Plataforma Sino-Lusófona e o papel enquanto “interlocutor
de precisão” entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a DSEDJ mencionou
anteriormente a meta de “construir activamente a Base de Formação de Quadros
Qualificados Bilingues em Chinês e Português”.
Ensino nas universidades em “desenvolvimento estável”
Na esfera do ensino superior, a DSEDJ observa que, “nos
últimos anos, os cursos relacionados com a língua portuguesa têm apresentado um
desenvolvimento estável”. Em 2025/2026, mais de 1500 frequentam 19 cursos em
Português ou ligados a este idioma, ministrados por cinco instituições, cenário
quase idêntico ao verificado há dois anos lectivos.
Em 2014/2015, quatro universidades disponibilizavam mais
de 10 cursos ligados à Língua de Camões, que, na altura, contavam com cerca de
700 alunos.
Por outro lado, de acordo com as estatísticas do plano
“Subsídio para Aquisição de Material Escolar a Estudantes do Ensino Superior”
do Fundo Educativo, entre 2020/2021 e 2024/2025, uma média de cerca de 200
alunos por ano lectivo deslocou-se a Portugal para frequentar cursos
superiores.
Nesta vertente, a DSEDJ concluiu que, com o intuito de
alargar os canais de prosseguimento de estudos em Portugal para os estudantes
de Macau, nos últimos anos, tem cooperado com diversas instituições de ensino
superior portuguesas, tendo lançado o “Programa de Estudos superiores na
Universidade do Porto para alunos da RAEM” e o “Programa de Estudos na
Universidade Católica Portuguesa para alunos de Macau”. Assim, alunos da RAEM
do secundário podem frequentar cursos de licenciatura ou cursos integrados de licenciatura
e mestrado dessas instituições.
Em Abril deste ano, a DSEDJ celebrou um acordo de
cooperação em termos do prosseguimento de estudos com o Instituto Português do
Oriente e a Universidade de Coimbra, para oferecer mais opções no
prosseguimento de estudos em Portugal.
Segundo a DSEDJ, em paralelo, o Governo tem vindo a
impulsionar o intercâmbio e cooperação com Portugal na área do ensino do
Português, apoiando as instituições de ensino superior públicas e privadas na
promoção de cooperações interinstitucionais e no desenvolvimento de projectos.
As acções concretas, segundo exemplifica, compreendem
conceder a instituições de ensino superior privadas apoios financeiros para a
formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português e para a
cooperação na educação. Além disso, coordenar instituições de ensino superior
locais para a criação da “Aliança para Formação de Quadros Bilingues
Qualificados nas Línguas Chinesa e Portuguesa” (composta pela Universidade de
Macau, Universidade Politécnica, Universidade de Ciência e Tecnologia, Universidade
da Cidade e Universidade de São José), que aborda a cooperação no ensino e na
investigação científica, intercâmbio de quadros, difusão da língua, entre
outros domínios, com vista a aprofundar o intercâmbio e cooperação entre as
instituições de ensino superior chinesas e portuguesas.
Por outro lado, o organismo frisa que tem impulsionado
instituições de ensino superior das duas partes a celebrarem acordos em
matérias como a partilha das informações de aprendizagem, intercâmbios
pedagógicos e académicos, e cooperação em mobilidade de pessoal. Isto
“proporciona aos jovens estudantes oportunidades diversificadas de
aprendizagem, prática e desenvolvimento, aumentando assim a sua competitividade
e qualidade geral”, destaca.
2800 usaram PDAC para aprender Português
No domínio da educação comunitária, a DSEDJ continua a
apostar no Centro de Difusão de Línguas (CDL) e no Programa de Desenvolvimento
e Aperfeiçoamento Contínuo (PDAC) como canais através dos quais os residentes
podem ter acesso a oportunidades de aprendizagem da Língua de Camões.
O CDL disponibiliza regularmente cursos em Português para
os residentes conhecerem e dominarem a língua e a cultura portuguesas básicas.
Segundo revelou a DSEDJ, nos últimos cinco anos, o Centro realizou mais de 300
cursos, com as vagas a superarem 1600.
Já no âmbito do PDAC, 33 instituições participantes
lançaram cursos de Língua Portuguesa entre 2021 e 2025, tendo o número de
inscritos atingido quase 2800. Focadas em diferentes dimensões, como “formação
técnica” e “artes liberais”, essas actividades disponibilizam cursos para
aprendizagem de Português aos residentes que possuam um certo nível de
conhecimentos básicos da língua, estejam empregados ou interessados, descreve a
DSEDJ. Em 2014, havia cerca de 10 instituições participantes no PDAC com este
tipo de curso, altura em que havia cerca de 300 inscritos.
Segundo os dados mais actualizados dos Serviços de
Estatísticas e Censos, entre 2011 e 2021, período em que a população local de
Macau aumentou 16,63% para 550.374,
o número de residentes que dominavam a língua portuguesa subiu quase 20,7% para
14.939. Este número
representava apenas 2,71% do total dos residentes em 2021, sendo ainda assim
ligeiramente superior aos 2,62% anotados em 2011.
No mesmo intervalo temporal, o número de habitantes
locais que têm o Português como língua corrente cresceu 3,96% para 3751. O
grupo de residentes que falavam Português no seu dia-a-dia correspondia a 0,68%
da totalidade em 2021, aquém dos 0,76% registados em 2011. In “Jornal
Tribuna de Macau” - Macau
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