Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Brasil - Instituição que protege a Amazónia está entre os “Campeões da Terra”

Premiação internacional reconheceu trabalho pioneiro do Imazon que usa inteligência artificial para prever e impedir desmatamento na floresta amazónica. A abordagem já ajudou a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco, 71% das quais foram posteriormente preservadas


O instituto de pesquisa brasileiro Imazon, que utiliza tecnologia de ponta para combater o desmatamento na Amazónia, é um dos cinco vencedores do prémio “Campeões da Terra” de 2025.

A distinção, anunciada nesta terça-feira, foi concedida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, na 7.ª sessão da Assembleia Ambiental da ONU, Unea-7, que acontece em Nairóbi, no Quénia.

Alertas precoces para a proteção da floresta

O Imazon desenvolveu modelos de inteligência artificial para previsão do desmatamento, causado principalmente pela pecuária e pela exploração madeireira. O objetivo é criar alertas precoces, orientar políticas públicas e auxiliar as autoridades na proteção da floresta.

O pesquisador associado do Imazon, Carlos Souza Jr., explicou que nem o Brasil nem o mundo serão os mesmos sem a floresta amazónica.

“Se a Amazónia chegar num ponto de não retorno nós vamos ter vários impactos. Primeiro, a perda de biodiversidade. Segundo, a emissão de gases de efeito estufa, pois a Amazónia armazena muito carbono nas florestas e no subsolo.”

O instituto usa um mapa digital onde são lançados pontos amarelos, laranjas e vermelhos. Cada ponto representa um local onde o Imazon acredita que ocorrerá desmatamento, e cada cor indica o grau de risco, com base em dados de satélite e modelagem de inteligência artificial.

Uso da tecnologia ajudou a descobrir 99% dos casos de desmatamento ilegal

Em 2021, ano de lançamento do mapa, esses pontos ajudaram a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco, 71% das quais foram posteriormente preservadas.

Os dados também serviram de base para mais de 4,4 mil processos judiciais ambientais e ajudaram a descobrir 99% dos casos de desmatamento ilegal.

Carlos destacou a importância da tecnologia na defesa do meio ambiente.

“É uma mudança de paradigma significativa que a inteligência artificial, a computação em nuvem e os novos algoritmos permitem para que a gente tenha informações ainda mais precisas sobre o futuro próximo da Amazónia e tentar evitar estes cenários de destruição por desmatamento e degradação florestal.”

União da ciência com conhecimento ancestral

Os pesquisadores acompanharam a dinâmica do desmatamento na Amazónia de 1985 a 2024, para desenvolver uma ferramenta prática que permitisse à sociedade brasileira trabalhar em conjunto para evitar a destruição da Amazónia.

Outro foco da ONG é estimular o crescimento económico sustentável na região. Isso envolve trabalho de campo com as comunidades locais para apoiar práticas sustentáveis ​​e áreas florestais protegidas.

A entidade acredita na junção do conhecimento científico com o conhecimento ancestral local e a sabedoria dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

A pesquisa do Imazon demonstrou que a extração sustentável de madeira é possível e que as regulamentações de gestão florestal poderiam reduzir significativamente o impacto ambiental, mantendo os ganhos económicos. 

Com sede em Belém, no Pará, o Imazon é uma instituição científica sem fins lucrativos, que atua há 35 anos para promover a conservação e o desenvolvimento sustentável na Amazónia. ONU News – Nações Unidas



domingo, 16 de novembro de 2025

CPLP - Países de língua portuguesa apresentam plano para acelerar transições energéticas

A implementação de um projeto regional de cozinha limpa é uma das iniciativas previstas no roteiro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a energia e clima, apresentado na sexta-feira na conferência do clima (COP30)


Segundo o documento, consultado pela Lusa, a taxa de acesso a tecnologias de cozinha limpa (como fogões melhorados e gás de cozinha) era, em 2023, de 100% em Portugal, de 93% no Brasil e de 84% em Cabo Verde e não ia além dos 50% em Angola, 22% na Guiné-Equatorial e 19% em Timor-Leste.

A taxa em Moçambique era de 7%, em São Tomé e Príncipe de 5% e na Guiné-Bissau de 1%.

O objetivo é que a iniciativa, inserida no eixo estratégico da aceleração das transições energéticas, seja implementada em 2026.

No total, são quatro os eixos estratégicos do Roteiro de Cooperação 2030 em Energia e Clima nos Países da CPLP: planeamento energético, liderança e capacitação, mobilização e financiamento e aceleração das transições energéticas.

O “desenvolvimento de uma plataforma CPLP de partilha de informação, troca de experiências e alinhamento de políticas e instrumentos de planeamento”, a formação para a implementação de sistemas de monitorização, reporte e verificação para o planeamento climático, o “estímulo à replicação de mecanismos de troca de dívida soberana entre os Estados-Membros da CPLP” e a preparação de um proposta a um programa do Fundo Verde Para o Clima são outras das dez iniciativas previstas.

O documento – promovido pela presidência são-tomense da CPLP e lançado em outubro, em Moçambique, durante a Semana de Energia e Clima da CPLP – é coordenado pela Comissão Temática de Energia e Clima dos Observadores Consultivos da CPLP e constitui “o primeiro instrumento que integra de forma estratégica as dimensões de energia, clima e finanças verdes no âmbito” da Comunidade.

A apresentação na COP30, que decorre em Belém, Brasil, aconteceu no Pavilhão de Portugal e contou com intervenções da ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável de São Tomé e Príncipe, Nilda Borges da Mata, do secretário de Estado da Energia de Portugal, Jean Barroca, e do secretário de Estado da Ação Climática e Desenvolvimento Sustentável de Angola, Nascimento Soares, entre outros. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Portugal – Cidade de Lisboa debate clima e segurança no Atlântico antes da COP30 no Brasil

Especialistas de todo o mundo reuniram-se em Lisboa nas vésperas da COP30, para debater forma como as alterações climáticas estão a transformar a segurança no espaço atlântico. O clima deixou de ser apenas um desafio ambiental, é uma questão estratégica de segurança e estabilidade global


Especialistas de todo o mundo reuniram-se em Lisboa este dia 30 de outubro para discutir a ligação entre segurança, defesa e alterações climáticas.

Nas vésperas da COP30, que decorrerá em novembro em Belém do Pará, no Brasil, o Atlantic Centre promoveu um seminário internacional, reforçando a ideia de que a crise climática deve ser tratada não apenas como uma urgência ambiental, mas como uma prioridade estratégica para garantir um Atlântico mais seguro, estável e próspero.

O Atlantic Centre é uma iniciativa portuguesa que promove a cooperação entre países do Atlântico nas áreas da segurança, defesa, governação marítima e desenvolvimento sustentável. Atualmente tem 27 Estados signatários, funcionando como plataforma de diálogo e formação sob a tutela do Ministério da Defesa Nacional.

Clima como nova fronteira da segurança

O coordenador do Atlantic Centre, o contra-almirante Nuno Noronha de Bragança, sublinha que as alterações climáticas tornaram-se parte central dos desafios comuns que atravessam o Atlântico.

Entre os principais fatores de risco, o responsável destaca a desertificação no Sahel, o impacto crescente dos eventos meteorológicos extremos, a migração irregular e as tensões sobre os recursos naturais.

Em entrevista à ONU News a partir de Lisboa, Noronha de Bragança dá alguns exemplos. “Olhamos para as alterações climáticas, naquilo que é o impacto nas megacidades do continente africano que, fruto daquilo que são as alterações climáticas, transportam as pessoas e os jovens para as cidades superpovoadas”.

Infraestruturas vulneráveis e impacto humano

A vulnerabilidade das infraestruturas marítimas e costeiras é um dos pontos de maior preocupação. “Sessenta por cento do produto interno bruto depende de infraestruturas que sofrem com as alterações climáticas”, referiu Noronha de Bragança, recordando episódios de cheias e tempestades recentes na Europa e nas Américas.

O impacto chega também às comunidades dependentes do mar, sobretudo na África Ocidental e nas Caraíbas, onde as alterações nos ecossistemas marinhos afetam a pesca e o sustento das populações, obrigando a uma migração forçada. “Em 2040 teremos 12 milhões de jovens a entrar no mercado de trabalho africano e o impacto da migração irregular numa das rotas mais mortíferas para a Europa que é a rota das Canárias”, referiu.

Cooperação e resposta integrada

O seminário pretendeu destacar a necessidade de respostas coordenadas entre governos, forças armadas, proteção civil, ciência e sociedade civil. Para o contra-almirante, a segurança climática exige uma “abordagem de toda a sociedade”, capaz de responder de forma rápida a catástrofes e construir resiliência coletiva.

“Não há país isolado, não há agência isolada que consiga fazer face a estes desafios comuns. Exige de todos, e desta comunidade atlântica,”, defendeu.

Ciência, governação e tecnologia

Para o Atlantic Centre, o combate às alterações climáticas no Atlântico deve assentar em três pilares fundamentais: ciência, boa governação e tecnologia. “Escutar a ciência, escutar aquilo que é a perspetiva nacional. E, de facto, a perspetiva de segurança e defesa entra nisto”.

Entre os exemplos de cooperação nacional e internacional, destacou o Centro de Dados Oceanográficos Nacional, que reúne informação recolhida por várias instituições portuguesas e internacionais para apoiar políticas públicas e decisões estratégicas.

“É mais fácil inovar na tecnologia do que inovar nas pessoas. Falamos muito, mas é preciso agir”, alertou, sublinhando que a tecnologia, incluindo inteligência artificial e computação quântica, pode ser uma aliada fundamental para antecipar riscos e planear respostas.

Propostas para a COP30

Embora o Atlantic Centre não vá participar diretamente na COP30, há ideias e recomendações que a instituição gostaria de ver debatidas em Belém. Entre elas está a revisão do direito internacional para lidar com a perda de território provocada pela subida do nível do mar, um fenómeno que ameaça a soberania de vários pequenos Estados insulares.

Outra proposta é reforçar o diálogo entre ciência, governação e tecnologia e garantir que o debate global sobre o clima inclua a dimensão de segurança. “Não há país nem agência isolada que consiga responder a estes desafios. É preciso cooperação, diálogo e, sobretudo, ação”, afirmou.

Parceria com as Nações Unidas

O Atlantic Centre tem vindo a reforçar a cooperação com as Nações Unidas e várias das suas agências, num esforço de convergência entre agendas de defesa, clima e segurança. “Temos trabalhado com inúmeras agências externas das Nações Unidas. É fundamental ter sempre presente o princípio da complementaridade”, referiu Noronha de Bragança.

O responsável destacou o papel central das Nações Unidas neste domínio e defendeu uma articulação constante. “A ONU tem um papel importantíssimo e continuará a tê-lo. O Atlantic Centre é mais uma iniciativa que trabalha em consonância com esses mesmos objetivos comuns, apoiando as convenções e tratados internacionais relacionados com o clima e o mar.”

Entre os temas ainda em aberto, Noronha de Bragança lembrou a necessidade de fortalecer a agenda clima-segurança no quadro das Nações Unidas e de integrar esta dimensão em convenções internacionais como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar ou a nova Convenção para a Proteção do Alto Mar. ONU News – Nações Unidas



quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Japão - Aumento das temperaturas afeta duramente a agricultura

Nos últimos anos, o Japão registou temperaturas recordes, o que teve um grande impacto na agricultura. O aumento das temperaturas e as condições climáticas adversas afetam diretamente a qualidade e o rendimento do arroz, dos vegetais e das frutas que consumimos


Alterações causadas pelo aumento das temperaturas

O arquipélago japonês estende-sr de norte a sul e é uma ilha longa e estreita com uma ampla variedade de climas, desde Hokkaido, onde os invernos são frios e há muita neve acumulada, até Kyushu e Okinawa, no sul, onde o clima é subtropical.

No Japão, espera-se que as temperaturas aumentem drasticamente nos próximos anos.

As temperaturas do verão, em particular, aumentam a cada ano, com um número crescente de dias extremamente quentes com temperaturas máximas de 35°C ou mais. Uma das razões para isso é o fortalecimento do sistema de alta pressão do Pacífico no verão. Quando as temperaturas da superfície do mar aumentam, especialmente ao redor das Filipinas, no Pacífico Ocidental, o sistema de alta pressão ao redor do Japão fortalece-se, facilitando a continuidade do tempo ensolarado. Como resultado, as altas temperaturas persistem não apenas no verão, mas também no outono, e, embora haja breves períodos de frio no inverno, as temperaturas tendem a subir.

Além disso, o aumento das temperaturas aumenta a quantidade de vapor d'água na atmosfera, resultando em chuvas mais intensas num curto período. Isso levou a um aumento nos danos causados ​​por inundações, enquanto o risco de seca também está a aumentar devido à redução do número de dias chuvosos. Noutras palavras, o clima do Japão está alterando na direção de "calor e chuva extremos", criando um ambiente extremamente hostil para a agricultura.

A qualidade e os rendimentos do arroz, trigo e soja de marcas premium diminuíram

O arroz, alimento básico do Japão, sofre com a queda de qualidade devido às altas temperaturas. Se a temperatura média ultrapassar 26-27 °C nos 20 dias após a floração, o número de grãos brancos e imaturos aumenta, reduzindo o seu valor de mercado. Em 2023, isso afetou severamente as variedades de arroz de marcas de luxo do Japão, como o "Koshihikari" de Niigata e o "Tsuyahime" de Yamagata. Além disso, se o calor extremo de 35 °C ou mais persistir durante o período de floração, a polinização não ocorrerá de forma suave, resultando num fenómeno conhecido como "esterilidade por alta temperatura", no qual os grãos de arroz não produzirão grãos. Esse fenómeno generalizou em Kyushu e outras áreas em 2024.

A soja também está a ser afetada pelas alterações climáticas em áreas ao sul de Honshu, com exceção de Hokkaido. Em particular, no norte de Kyushu, onde a soja era originalmente produzida em grandes quantidades, as colheitas diminuíram nos últimos anos a ponto de se dizer que não haverá colheitas abundantes e, na melhor das hipóteses, haverá colheitas medianas.

Enquanto isso, em Hokkaido, onde os verões têm sido relativamente frescos, o aumento das temperaturas tem tido um efeito positivo na qualidade do arroz até agora. No entanto, em 2011, as altas temperaturas causaram uma queda na qualidade do arroz da marca "Yumepirika". Hokkaido produz não apenas arroz, mas também trigo, batata e beterraba (uma fonte de açúcar) em grandes quantidades. Altas temperaturas e chuvas prolongadas também podem reduzir o rendimento dessas culturas, afetando a sua qualidade.

Vegetais e frutas podem sofrer queimaduras solares, o que resulta na coloração ruim e afeta o seu sabor

Atualmente, muitas frutas e vegetais cultivados no Japão são vulneráveis ​​a altas temperaturas, e os danos foram generalizados por todo o país em 2023 e 2024. Frutas e vegetais, como tomates e beringelas, estão a enfrentar problemas como queimaduras devido à forte luz solar e altas temperaturas, além de polinização deficiente, que impede a frutificação.

Altas temperaturas do inverno à primavera podem acelerar o crescimento de hortaliças folhosas e raízes, causando avanços na colheita. No verão, as temperaturas podem ser muito altas e interromper o crescimento, resultando em produtividade reduzida. Isso torna o fornecimento de hortaliças instável e os preços mais propensos a flutuar.

No caso dos morangos, as altas temperaturas continuaram durante o período de formação dos botões florais, o que fez com que as remessas não pudessem ser feitas a tempo para a temporada de Natal.

Queimaduras solares e coloração ruim eram comuns em maçãs, uvas e tangerinas. Em particular, estima-se que cerca de 30% das maçãs em todo o país foram afetadas por coloração ruim em 2011. Além disso, com o aumento da temperatura, o teor de açúcar da fruta aumenta, mas a acidez diminui, alterando o equilíbrio do sabor.

Gado vulnerável a altas temperaturas, acelerando danos causados ​​por aves e animais

As alterações climáticas estão a ter um impacto multifacetado na indústria pecuária do Japão. Temperaturas mais altas tornam os animais como vacas, porcos e galinhas mais suscetíveis ao estresse térmico, resultando em redução na produção de leite, crescimento e capacidade reprodutiva. Enquanto isso, enquanto as altas temperaturas estão a causar mudanças nas espécies de pastagens para forragem e acelerando o crescimento de milho e pastagens, potencialmente aumentando a produtividade, novos desafios estão a surgir, como um declínio na qualidade e aumento dos danos causados ​​por pragas, doenças e animais selvagens. O aumento dos danos causados ​​por pragas, doenças e animais selvagens é comum a todas as culturas. Os impactos de temperaturas mais altas e menos neve devido ao aquecimento global também estão a mudar os habitats e as áreas de distribuição da vida selvagem. em parte, às pastagens e às culturas forrageiras por veados, javalis e ursos são particularmente graves, devido em parte à necessidade de manejar áreas maiores de terras agrícolas de forma mais extensiva do que para outras culturas.

Fortalecimento de medidas para evitar danos

Em resposta às alterações climáticas, diversas medidas estão a ser implementadas na agricultura japonesa. No cultivo de arroz, medidas estão a ser tomadas para reduzir o impacto das altas temperaturas, alterando a data de plantio, aprimorando os métodos de cultivo e gerenciando a água e os fertilizantes. Em particular, os verões dos últimos anos têm sido ensolarados e com altos níveis de luz solar, portanto, uma técnica de cultivo notável é evitar a queda na qualidade aplicando mais fertilizante antes que as espigas de arroz emerjam nessas condições. Além disso, houve progresso no desenvolvimento de variedades de arroz que podem suportar altas temperaturas, e um número considerável de variedades tolerantes ao calor está agora disponível, e a sua popularidade está a aumentar.

Para culturas de campo, como soja e trigo, a principal resposta até agora tem sido por meio de mudanças nos métodos de cultivo. Na região de Okhotsk, no norte de Hokkaido, onde a soja não era muito cultivada anteriormente, o cultivo está-se a expandir e, como resultado, isso está a contribuir para compensar o declínio da produtividade em áreas ao sul de Honshu.

Há muitas variedades de vegetais e frutas para escolher, por isso é relativamente flexível mudar para variedades que se adaptam ao clima. Em Hokkaido, culturas adequadas para climas quentes, como batata-doce e amendoim, estão a ser introduzidas. No cultivo em estufas, melhorias na estrutura das estufas e no ambiente de cultivo e trabalho permitiram o controlo de altas temperaturas, e esforços estão a ser feitos para aumentar o lucro.

Árvores frutíferas são culturas cultivadas ao longo de muitos anos, o que as torna suscetíveis aos efeitos das alterações climáticas. No entanto, como a qualidade é tão importante, pode ser difícil responder a essas mudanças. Excelentes fruticultores cultivam diversas variedades para diversificar os riscos e ajustar os períodos de colheita para evitar os efeitos das altas temperaturas.

Movimentos para criar novas áreas de produção

A introdução de novas árvores frutíferas também pode levar à criação de novas áreas de produção. Na província de Akita, os produtores de maçãs começaram a cultivar pêssegos, e a província está a atrair a atenção como a "área de produção mais ao norte", no sentido de que a temporada de colheita de pêssegos é a mais tardia do país.

No oeste do Japão, algumas regiões estão a migrar de tangerinas Satsuma para variedades cítricas tardias e começando a introduzir árvores frutíferas tropicais e subtropicais. No que diz respeito às uvas para vinho, há uma forte procura por um equilíbrio entre o teor de açúcar e a acidez para garantir vinhos de alta qualidade. Por esse motivo, a produção de uvas está cada vez mais a migrar para regiões mais frias e de altitude, como Hokkaido, onde variedades adaptadas ao clima estão a ser cultivadas. Além disso, há exemplos de vinícolas da Borgonha, uma prestigiosa região vinícola francesa, pioneiras em novos vinhedos e que concluíram a construção de vinícolas em Hokkaido. Isso também pode ser visto como um movimento internacional em direção a locais mais adequados devido aos efeitos das alterações climáticas.

As estratégias de vendas e distribuição também são fundamentais

Responder às alterações climáticas não se resume apenas à forma como as culturas são cultivadas; estratégias de vendas e distribuição, como "onde, o quê e como vender", também são importantes. Mesmo ao alterar as culturas cultivadas em resposta a mudanças de temperatura, é necessário considerar as necessidades de mercado dessas culturas. As culturas não são apenas produtos agrícolas, mas também commodities económicas. É por isso que os agricultores escolhem variedades com base não apenas na "facilidade de cultivo", mas também na "facilidade de venda". Mesmo que a produtividade seja alta, de nada adianta se a cultura não puder ser vendida. Ao selecionar variedades, é essencial considerar o lucro e as necessidades de mercado.

Quando se trata de frutas, a qualidade exigida varia dependendo do método de venda. No envio ao mercado, a beleza da aparência é enfatizada. As maçãs demoram a mudar de cor em anos quentes, então os agricultores usam folhas refletivas e retiram as folhas para melhorar a sua aparência. Por outro lado, ao vender diretamente aos consumidores pela internet ou em lojas de produtos agrícolas, o sabor é mais importante do que a aparência. Nesse caso, é importante atrasar a colheita e entregar a fruta totalmente madura. Ao contrário do envio ao mercado, esse tipo de venda direta pode, às vezes, ser uma oportunidade para agricultores individuais superarem as alterações climáticas por meio da sua engenhosidade única. Como tal, pode ser uma fonte estável de renda para pequenos agricultores e para aqueles que estão a começar na agricultura.

Se a pecuária leiteira pudesse engajar-se na sexta transformação industrial, processando leite em sorvetes e outros produtos para venda, poderia capitalizar o aumento da procura durante os períodos de calor como uma oportunidade de lucro. Esse lucro permitiria, então, investimentos de capital em medidas de combate ao calor. A pecuária sustentável em resposta às mudanças climáticas e à agricultura em áreas montanhosas exigirá estratégias integradas, desde a produção até a venda, bem como medidas comunitárias focadas na coexistência com o meio ambiente e a vida selvagem.

Rumo a um futuro sustentável para a gastronomia

O aquecimento global está a causar um grande impacto nas nossas dietas. A agricultura japonesa está atualmente a realizar diversos esforços para se adaptar às rápidas alterações climáticas, incluindo o aprimoramento de variedades, métodos de cultivo e a mudança de áreas de produção. Esses esforços compartilham muitos desafios comuns com a agricultura em todo o mundo e podem oferecer percepções importantes para a construção de um futuro alimentar sustentável. Tomoyoshi Hirota – Japão in “Nippon”


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

São Tomé e Príncipe deve potenciar infraestruturas resilientes e planos de adaptação ao clima

Estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional incentiva mais investimento público nessas áreas, medida garantiria uso mais eficiente de recursos limitados do país lusófono que faz parte dos Estados insulares em desenvolvimento


Infraestrutura precária, proteção insuficiente contra inundações e falta de recursos financeiros são desafios que São Tomé e Príncipe enfrenta, revela o Fundo Monetário Internacional.

O estudo “Opções de Políticas para Fortalecer a Resiliência de São Tomé e Príncipe a Desastres Naturais” destaca que a alta vulnerabilidade a estes episódios torna vital reforçar a resiliência.

Investimento público

A análise feita ao pequeno Estado insular em desenvolvimento, publicada neste agosto, defende que o investimento público resiliente ao clima alavancaria a capacidade de São Tomé e Príncipe para resistir aos desastres naturais.

O método Dívida, Investimento, Crescimento e Desastres Naturais, Dignad, avaliou o impacto do investimento em capital resiliente ao clima no crescimento económico e na sustentabilidade da dívida em vários cenários.

Com mais infraestrutura resiliente ao clima e fortalecimento da eficiência do investimento público no crescimento econômico e na dívida os resultados foram promissores comparados à gestão de desastres e aos fundos de contingência financeira.

Programa de Gestão das Áreas Costeiras

Um dos exemplos citados é o apoio à área costeira, adaptação e resiliência a inundações no arquipélago pelo Programa de Gestão das Áreas Costeiras da África Ocidental.

O investimento envolve US$ 15 milhões ao longo de cinco anos, que devem ser alocados principalmente para investimentos físicos, incluindo a transferência de pessoas para zonas de expansão seguras.

Nesse modelo, as diversas instituições apoiam o fortalecimento de seu sistema de alerta precoce, que monitoriza o clima e os perigos, prepara previsões e dissemina informações.

O Dignad conclui que países estão mais bem preparados para lidar com desastres naturais quando investem em infraestrutura resiliente, instalam e utilizam sistemas de alerta precoce e investem em proteção climática e ambiental.

Para esse propósito é importante garantir subsídios e financiamento em condições concessionais para infraestruturas resilientes e planos de adaptação. O reforço da gestão do investimento público também ajudará a garantir um uso mais eficiente de recursos limitados, maximizando seu impacto. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

São Tomé e Príncipe – 10.ª reunião dos ministros do Ambiente da CPLP

São Tomé –   A declaração final saída da 10.ª reunião dos ministros do Ambiente da CPLP, terça-feira na capital são-tomense recomenda à organização “um encontro interministerial sobre ambiente e clima visando a identificação de agendas transversais”.



“Propor ao Conselho de Ministros da CPLP que avalia a oportunidade para realizar um encontro interministerial sobre ambiente e clima com vista a identificação de agendas transversais”- sublinhou a directora são-tomense de Ambiente e Ação Climática, Sulisa Quaresma, na leitura da declaração final.

“Retomar os esforços conjuntos diplomáticos para que a CPLP possa obter estatuto de observador junto da convecção com as Nações Unidas para as alterações climáticas”, lê-se ainda a declaração de São Tomé.

Outro ponto da declaração é “reafirmar a necessidade de manter debate previsto na declaração de Lubango da 9ª reunião de ministros do ambiente da CPLP”.

“Reafirmar compromisso com a conclusão das negociações no âmbito do Comité Negociador Intergovernamental, INC e um instrumento internacional juridicamente vinculante para acabar com a poluição por plástico inclusive no ambiente marinho”, lê-se ainda no documento.

Segundo ainda a declaração “reforçar a cooperação entre Estados membros da CPLP para conservação e gestão sustentável da vida selvagem, promovendo, partilha de boas praticas em conservação ambiental e de políticas eficazes de combate internacional de espécies ameaçadas em vias de extinção”.

Na sua intervenção final a ministra são-tomense do Ambiente Nilda da Mata sublinhou que com assinatura desta declaração reafirmamos os nossos compromissos com o desenvolvimento sustentável”

Para Nilda da Mata “saímos desta reunião com decisões concretas e vamos continuar a trabalhar juntos para um futuro mais verde e sustentável”.

“Vimos aqui neste fórum diferentes potencialidade e ações que cada um dos países presentes desenvolvem” – adiantou a governante. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP Press”


sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Brasil - Degradação da Amazônia ameaça o clima global e a biodiversidade

O relatório internacional “Dez novas percepções sobre o Clima”, com a contribuição do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), destaca que a Amazônia está perdendo sua capacidade de regular o ciclo da água e remover carbono da atmosfera, o que pode ter impactos catastróficos em escala global.



A degradação da floresta, impulsionada por fatores como fogo, extração de madeira, expansão agrícola, construções e eventos climáticos extremos, reduzem a resiliência do bioma.

Perda de capacidade de remoção de carbono:

A Amazônia, que em 2022 acumulava 47,2 bilhões de toneladas de carbono em sua vegetação, já perdeu mais de 10,6 bilhões de toneladas devido à degradação. A diminuição da capacidade da floresta de absorver CO2 contribui para o aumento do aquecimento global. Estudos apontam que áreas de floresta impactadas pelo fogo de forma reiterada têm uma redução de até 68% na capacidade de conter dióxido de carbono (CO₂) na biomassa da vegetação. Queimadas únicas já reduzem em cerca de 50% o estoque de carbono nas áreas afetadas.

Impacto no ciclo da água:

A Amazônia regula 16% da água do planeta. A degradação da floresta afeta sua capacidade de influenciar os padrões de chuva na América do Sul por meio da evapotranspiração, prejudicando o clima regional. A fumaça das queimadas, por sua vez, pode reduzir a umidade liberada pela floresta, impactando os “rios voadores” que levam umidade para outras regiões.

Risco de colapso e savanização:

A continuidade da destruição da Amazônia pode levar a um ponto sem retorno, transformando-a em uma savana empobrecida. A perda de resiliência da floresta a torna mais vulnerável à seca, que se intensifica com o aquecimento global. Pesquisadores observam que, em vez de se transformar em uma savana, a floresta amazônica está se tornando uma floresta secundária, mais pobre e com menos estoque de carbono. As espécies florestais, mais sensíveis, são as mais afetadas pelo fogo, com risco de extinção local.

Ameaças à biodiversidade:

A Floresta Amazônica abriga uma diversidade única de espécies, e a perda de resiliência coloca em risco essa rica biodiversidade. O empobrecimento da floresta causado pelo fogo compromete serviços ecossistêmicos cruciais, como a regulação da chuva, o sequestro de carbono e a polinização.

Fatores de degradação e urgência de ação

Os principais fatores que contribuem para a perda de resiliência da Amazônia incluem a extração de madeira, queimadas, a proximidade a atividades humanas e secas. A combinação de extração de madeira e queimadas causa estresse na floresta, diminuindo sua capacidade de recuperação. As áreas mais próximas a estradas e assentamentos humanos são mais vulneráveis.

A realidade no Brasil é de um enfraquecimento das leis ambientais e da fiscalização, favorecendo a exploração ilegal de terras e o agronegócio predatório. O desmatamento, combinado com o fogo, torna-se um processo irreversível.

Medidas necessárias

O relatório e outras pesquisas apontam para a urgência de ações para proteger a Amazônia. É fundamental:

  • Fortalecer leis ambientais para combater a degradação em todos os países da Amazônia.
  • Continuar financiando programas de monitoramento e rastreamento de commodities.
  • Apoiar povos indígenas e comunidades locais no desenvolvimento de uma economia sustentável.
  • Priorizar a proteção da Amazônia com medidas robustas de preservação.
  • Promover uma economia que valorize os serviços ecossistêmicos da floresta, incentivando cadeias produtivas sustentáveis.
  • Limitar o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa.

Apesar da gravidade da situação, ainda há tempo para reverter a tendência de degradação da Amazônia. A colaboração internacional é essencial, pois o colapso da Amazônia afetaria não apenas o Brasil, mas o mundo todo.

A pergunta não é apenas quão perto estamos do colapso, mas o que estamos dispostos a fazer para evitá-lo. InEcoDebate” - Brasil


domingo, 11 de agosto de 2024

Portugal – Samuel Martins Coelho lança “Clima”, um alerta para as alterações climáticas

Samuel Martins Coelho lança “Clima“, o segundo single do seu novo álbum “Extinção”. O próprio afirma que a nova música trata de um alerta para as questões climática e a fragilidade do planeta


Depois do lançamento do novo disco “Extinção” e do primeiro tema “Amazónia”, Samuel Martins Coelho apresenta o single “Clima”: este trabalho instrumental poderoso e evocativo foca-se na crise ambiental, emocional e na extinção das espécies usando o violino de Samuel Martins Coelho e a bateria de Pedro Gonçalves Oliveira para transmitir uma mensagem urgente de preservação ambiental. Realizado por Isabel Gonçalves, o videoclipe de “Clima” é uma obra visual que complementa perfeitamente a intensidade e a emoção da música, destacando a importância de agir.

“Extinção” é o mais recente trabalho do músico multi-instrumentista: o disco instrumental centra-se no violino e na bateria, que explora a crise ambiental, emocional e a extinção das espécies. Inspirado pela história do planeta e pelas atuais ameaças.

As composições evocam a fragilidade Humana e a importância da natureza, enquanto transmite uma mensagem urgente sobre a preservação ambiental.

Samuel contou com Pedro Gonçalves Pereira na bateria e Manuel dos Reis na mistura e masterização. De destacar também a fotografia de Paulo Pimenta, conceituado fotojornalista. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Nações Unidas – “Soa o alarme”: o mundo provavelmente ultrapassará temporariamente o limite de 1,5°C até 2028, alerta a agência meteorológica da ONU

Também é provável que pelo menos um dos próximos cinco anos estabeleça um novo recorde de temperatura, afirmou a Organização Meteorológica Mundial


Há 80 por cento de probabilidade de que as temperaturas globais médias ultrapassem a meta de 1,5ºC estabelecida no histórico acordo climático de Paris durante pelo menos um dos próximos cinco anos, de acordo com as previsões da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

É também provável – uma probabilidade de 86 por cento – que pelo menos um destes anos estabeleça um novo recorde de temperatura, superando 2023, que é actualmente o ano mais quente.

Um novo relatório da agência meteorológica da ONU divulgado esta quarta-feira diz que a temperatura média global perto da superfície para cada ano de 2024 a 2028 deverá variar entre 1,1ºC e 1,9ºC mais quente do que no início da era industrial.

Também estimou que há quase uma possibilidade em duas, 47 por cento, de que as temperaturas globais médias durante todo este período de cinco anos possam ultrapassar 1,5°C.

Este é um aumento de pouco menos de uma probabilidade em três projetada para o período de 2023 a 2027. Em 2015, essa hipótese era próxima de zero e vem aumentando desde então.

“Por trás destas estatísticas está a triste realidade de que estamos muito longe de cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris”, disse o secretário-geral adjunto da OMM, Ko Barrett.

“Temos urgentemente de fazer mais para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, ou pagaremos um preço cada vez mais elevado em termos de biliões de dólares em custos económicos, milhões de vidas afetadas por condições meteorológicas mais extremas e danos extensos ao ambiente e à biodiversidade.”

Barret enfatizou que, embora a OMM esteja “a soar o alarme”, ultrapassar temporariamente 1,5ºC não significa que a meta esteja permanentemente perdida porque se refere ao aquecimento de longo prazo ao longo de décadas.

‘Jogando à roleta russa com o nosso planeta’

O relatório foi citado num discurso abrangente sobre a ameaça das alterações climáticas proferido pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para assinalar o Dia Mundial do Ambiente.

“Estamos a jogar à roleta russa com o nosso planeta”, disse ele.

“Precisamos de uma rampa de saída da rodovia para o inferno climático. E a boa notícia é que temos o controlo do volante. A batalha para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus será vencida ou perdida na década de 2020 – sob a vigilância dos líderes de hoje.”

O secretário-geral da ONU também recolheu dados publicados pelo serviço de monitorização climática da UE, Copernicus, que mostram que cada um dos últimos 12 meses estabeleceu um novo recorde de temperatura global para esta época do ano.

António Guterres apelou às economias avançadas do Grupo dos 20 (G20) – que realizarão uma cimeira no Brasil no próximo mês – para assumirem a liderança.

“Não podemos aceitar um futuro onde os ricos estejam protegidos em bolhas de ar condicionado, enquanto o resto da humanidade seja fustigado por condições meteorológicas letais em terras inabitáveis”, disse Guterres.

Acrescentou que as emissões globais de dióxido de carbono devem cair 9% ao ano até 2030 para que a meta de 1,5°C se mantenha viva. Euronews.green




quarta-feira, 27 de março de 2024

Portugal - 4.ª edição do Prémio Mário Ruivo – Gerações Oceânicas

Estão abertas as inscrições para a 4.ª edição do Prémio Mário Ruivo – Gerações Oceânicas


Na edição deste ano, dedicada ao tema “O Oceano e as Alterações Climáticas”, pretende-se sensibilizar para o nexus Oceano-Clima, a estreita relação e interdependência entre o Oceano e o sistema climático terrestre, crucial para compreender e abordar as alterações climáticas.

Os filmes submetidos pelos jovens cineastas vão ser avaliados em quatro categorias - Mensagem, Criatividade, Cultura Científica e Futuro.

O Prémio Mário Ruivo visa reforçar a consciencialização das gerações mais jovens para o reconhecimento do papel do Oceano, nas suas múltiplas dimensões, para a nossa sociedade e é uma homenagem ao Professor Mário Ruivo e ao seu legado.

 Tema "O Oceano e as Alterações Climáticas"

  Para jovens entre os 14 e os 21 anos

 Filmes até 7 minutos

 4 categorias a concurso

  Prémios de 2.000€ (por categoria)

 Candidaturas até 15 de setembro

Participa em: www.premiomarioruivo.pt. Instituto Português do Mar e da Atmosfera, I. P. - Portugal




quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Brasil - Proliferação do mosquito transmissor da dengue aumenta com períodos de chuva e de calor intenso

Pedro Luiz Côrtes explica a ligação entre os fenômenos climáticos e a doença transmitida pelo mosquito “Aedes aegypti”


O aumento de casos de dengue é observado em diversas cidades do País, como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, que lidera o número de infectados e mortes pela doença. Embora preocupante, o aumento de casos já era esperado com o fenômeno climático El Niño.

O professor Pedro Luiz Côrtes, titular da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo, conversa sobre a ligação entre o El Niño e o mosquito da dengue, e o que esperar do próximo fenômeno, La Niña.

Qual a ligação entre El Niño e a dengue?

Conforme explica o professor, a dengue é uma arbovirose, ou seja, doença transmitida por artrópodes como mosquitos e carrapatos. A proliferação desses agentes aumenta com o nível de chuva e calor, dois efeitos provocados pelo El Niño nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

“O que aconteceu, não só com El Niño como La Niña, é que os efeitos têm sido potencializados pelas mudanças climáticas. Então, os oceanos muito aquecidos acabam colocando mais energia nesse sistema oceano-atmosfera e os fenômenos acontecem com maior intensidade. Até se discutiu sobre a possibilidade de que a gente teria um ‘super El Niño’ no início do verão do ano passado”, relata o professor.

E o que é esperado com o La Niña?

Com o fim do verão no final de março, o El Niño dará lugar a outro fenômeno climático, o La Niña, que deve começar em julho, segundo o pesquisador. Com a inversão, deve ocorrer um “efeito gangorra”: o Sul e o Sudeste ficarão mais frios, enquanto o Norte e Nordeste devem registrar aumento de chuvas, que promoverá a proliferação de mosquitos.

“O Norte e Nordeste são regiões notadamente quentes, há uma tendência de maior proliferação desses casos nessas regiões. O que a gente vai ter é uma sobreposição de casos nas regiões atualmente afetadas e também um aumento dos casos no Norte e Nordeste”, afirma Côrtes.

O combate ao mosquito Aedes aegypti

Para o professor, o aumento de casos de dengue tem relação também com a falta de medidas preventivas por parte dos governos, que poderiam fazer uso de novas tecnologias para identificar criadouros do mosquito.

“Faltaram medidas preventivas por parte das Prefeituras no sentido de identificar criadouros. Nós temos imóveis que não estão ocupados e dentro desses imóveis podem existir criadouros. Então, uma inspeção com drones, por exemplo, seria possível para identificar uma casa que tem uma piscina desativada e que pode ser um grande proliferador do Aedes aegypti“, explica Côrtes. In “Jornal da Universidade de São Paulo” - Brasil


sexta-feira, 23 de junho de 2023

Moçambique - Quer levar educação sobre clima e prevenção a mais níveis escolares

Moçambique tem clubes ambientais para que crianças aprendam as ações que ajudam na prevenção e mitigação de desastres. Manter e ampliar a experiência a níveis mais elevados de ensino é uma das metas, segundo a ministra moçambicana da Terra e Ambiente, Ivete Maibaze.


“Só de 2015 a esta altura, o país já sofreu cerca de 11 ciclones, o que é muito para um país tão pobre, tão vulnerável e em vias de desenvolvimento como o nosso. Isto tem desafiado a todos nós, aos líderes e em todos os níveis do nosso país, para que possamos, cada vez mais, melhorar a nossa capacidade de resposta para adaptarmo-nos a estes eventos extremos das mudanças climáticas.”

Eventos extremos devido às alterações do clima

Em meados de maio, Ivete Maibaze explicou à ONU News por que o conceito de clubes ambientais e discussões relacionadas ao tema em disciplinas escolares podem apoiar a ação de países mais vulneráveis aos eventos extremos causados pelas alterações do clima.

“Há um esforço do nosso governo, através do Ministério da Educação, de garantir que matérias sobre mudanças climáticas, gestão de risco de desastres, recursos naturais e outras matérias transversais, sejam integrados nos currículos. Particularmente no ensino primário, nós temos uma disciplina de ciências naturais, onde estas matérias todas são abordadas ao nível básico com as nossas crianças. Depois tem também uma disciplina de conteúdo local. Dependendo das circunstâncias de cada localização, este tempo é dedicado para que as crianças aprendam sobre as características daquele local e os problemas que lá ocorrem.”

Rio+20

O Ministério do Ambiente de Moçambique foi criado na sequência da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro, a Rio+20, realizada em 2012.

Cerca de 21 anos depois, a ONU acaba de fazer uma reunião para mobilizar ação humanitária, em Genebra, onde alertou para a piora do impacto de eventos extremos e desastres na vida das populações.

Moçambique está na região da África Austral, mencionada pelo aumento da frequência de tempestades tropicais que assolam casas, vidas e meios de subsistência.

Desde 2019, Moçambique foi atravessado pelos severos ciclones Idai, Kenneth e Freddie, numa tendência que exige “investimento em preparação de comunidades mais vulneráveis para desastres, adaptação e infraestrutura resiliente ao clima”.

Entendimento do risco de desastres

“Sentimos que é um desafio enorme, porque é preciso que esta consciencialização continue a todos os níveis do currículo estudantil. Estamos a falar do ensino secundário e do nível universitário. Já temos algumas universidades também a lecionarem cursos ligados ao ordenamento territorial, aos desastres e a questões ambientais. Então, esse é um esforço do nosso governo para garantir que se crie esta consciência ao nível das nossas comunidades. Particularmente em nível das escolas, o que temos feito é também garantir que se criem clubes ambientais. São grupos onde crianças têm a oportunidade de transformar a teoria em prática: trocando experiências sobre diferentes matérias ligadas à natureza e às questões ambientais. Então, sentimos que existe um esforço em nível do nosso governo para que se crie esta capacidade ao nível de ensino mais básico e primário das nossas crianças.”

No âmbito do recente encontro de alto nível na ONU sobre a avaliação do Marco de Ação de Sendai, a ministra Ivete Maibaze disse que a atuação das autoridades do país tem em conta que nunca existe preparação ideal para desastres.  

O instrumento internacional, lançado há oito anos, prevê que governos promovam o entendimento do risco de desastres.

Em nível das autoridades prevê o reforço da governança para gerir o tipo de situações, investimento em favor da resiliência e melhora na preparação para desastres pela eficácia na recuperação, reabilitação e reconstrução. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Internacional - Estudo publicado na Science conclui que aumento da pressão de pastoreio ameaça pastagens mais secas

Um estudo internacional com a participação de Alexandra Rodríguez, Helena Castro e Jorge Durán, investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), agora publicado na prestigiada Science, concluiu que o aumento da pressão de pastoreio ameaça as pastagens nas regiões mais secas.


A equipa, composta por mais de uma centena de cientistas, realizou uma monitorização global única, que incluiu 326 terras secas localizadas em 25 países de seis continentes, descobriu que o pastoreio pode ter efeitos positivos nos serviços dos ecossistemas, particularmente em zonas frias e ricas em espécies vegetais. No entanto, este impacto passa a ser negativo em climas mais quentes e com menor diversidade vegetal.

Os dados obtidos indicam também que as relações entre clima, condições do solo, biodiversidade e serviços do ecossistema medidos variam com a pressão do pastoreio. Segundo o artigo, a quantidade de carbono diminuiu e a erosão do solo aumentou à medida que o clima se tornou mais quente em condições de elevada carga de pastoreio, algo que não se observou sob baixa carga. Assim, estes resultados sugerem que as respostas das terras secas às alterações climáticas em curso podem depender da forma como é feita a gestão a nível local.

«Nós usámos protocolos padronizados para avaliar os impactos do aumento da carga de pastoreio na capacidade das zonas secas de prestar nove serviços essenciais do ecossistema, entre os quais se incluem a fertilidade do solo, a produção de forragem/madeira e a regulação climática. Assim, permitiu-nos caracterizar de que forma os impactos do pastoreio são dependentes das condições climáticas, do solo e da vegetação características de cada local, e adquirir informação adicional sobre o papel da biodiversidade na provisão de serviços do ecossistema, essenciais para a subsistência do Homem» diz Fernando Maestre, investigador da Universidade de Alicante e diretor do laboratório “Dryland Ecology and Global Change” (Ecologia de zonas áridas e alterações climáticas), líder do estudo.

Os investigadores do Centro de Ecologia Funcional (FCTUC), co-autores deste artigo científico, recolheram e processaram amostras, em dois locais no Alentejo, concretamente nas Herdades do Freixo do Meio e da Contenta.  Helena Castro destaca que «o impacto do pastoreio varia em função da combinação das condições edafoclimáticas (relativo aos solos e ao clima) e da diversidade da vegetação, o que torna importante ter em consideração as condições de cada zona árida na definição de planos de gestão do pastoreio e pastagens». Portanto, considera Alexandra Rodríguez, «este estudo é particularmente relevante para Portugal, onde as terras secas, em grande parte destinadas ao pastoreio, já representam mais de um terço do seu território, mas ocuparão muito mais no futuro, devido às alterações climáticas».

Os autores desta investigação observaram ainda que a diversidade, tanto de plantas vasculares como de mamíferos herbívoros, está positivamente ligada à provisão de serviços essenciais, tais como o armazenamento de carbono, que têm um papel fundamental na regulação do clima, evidenciando claramente a importância de preservar a biodiversidade das zonas secas globais no seu todo.

«As descobertas deste estudo são de grande relevância para se conseguir uma gestão mais sustentável do pastoreio, bem como para estabelecer ações de gestão e restauração eficientes, direcionadas para a mitigação dos efeitos das alterações climáticas e da desertificação nas zonas secas» concluem os autores.

Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do projeto BIODESERT, concedido pelo programa de Bolsas Consolidação do Conselho de Investigação Europeu (ERC) a Fernando T. Maestre.

O artigo científico tem o título “Grazing and ecosystem service delivery in global drylands”. Universidade de Coimbra - Portugal