Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 28 de outubro de 2025

China - Novo Plano Quinquenal enfatiza inovação científica

O Partido Comunista da China (PCC) designou a “auto-suficiência tecnológica e científica” como um dos focos do próximo plano quinquenal, no meio de um ambiente global incerto devido à guerra comercial entre Pequim e Washington. Num comunicado divulgado após o encerramento da 4ª Sessão Plenária do 20.º Comité Central, realizada à porta fechada em Pequim, o PCC define as prioridades para o período 2026-2030 e apela ainda à “promoção de novas forças produtivas”.


Destaca ainda a importância de reforçar a “base da economia real”, “reforçar o mercado interno” e “acelerar a criação de um novo padrão de desenvolvimento” na China, cuja economia tem desacelerado nos últimos anos. O comunicado sublinha que o país deve “promover a melhoria qualitativa efectiva e o crescimento quantitativo razoável” e “alcançar um progresso decisivo em direcção à modernização socialista”, meta que o Presidente Xi Jinping estabeleceu para 2049, o centenário da República Popular da China.

A China “mantém uma base económica estável, múltiplas vantagens, grande resiliência e enorme potencial”, garante o PCC, reafirmando o compromisso de “acelerar a construção de um sistema industrial moderno”, para fortalecer a manufactura avançada, a digitalização e a integração tecnológica.

A inovação científica tem um papel central no novo plano, que propõe “reforçar a investigação em tecnologias-chave”, “coordenar o desenvolvimento de uma nação forte na educação, ciência e tecnologia” e “melhorar a eficácia global do sistema nacional de inovação”. Pequim apela à “aceleração da modernização agrícola e rural” e insta à “optimização da distribuição regional e à promoção do desenvolvimento coordenado entre as várias regiões do país”.

Além disso, preconiza a “ampliação da abertura de alto nível” e a criação de “novas oportunidades de cooperação e benefício mútuo”, num contexto em que as restrições tecnológicas impostas por Washington a sectores como o dos semicondutores estão no cerne da disputa comercial entre as duas potências. O documento não se refere à guerra tarifária com os EUA, mas menciona “um cenário internacional complexo”.

Refere-se ainda a necessidade de “aperfeiçoar o sistema de gestão macroeconómica para garantir um desenvolvimento estável, a longo prazo e de elevada qualidade”.

O novo plano será aprovado definitivamente em Março de 2026 pela Assembleia Nacional Popular. Para além das questões internacionais, a principal diferença face ao plano 2021-2025 é a conjuntura nacional, marcada pela prolongada crise imobiliária, pelo baixo consumo, aumento do desemprego jovem, envelhecimento da população e ameaça de deflação.

Desde 1953 que os planos quinquenais servem de guia à política económica do país. Embora tenham originalmente estabelecido metas específicas de produção e crescimento, nas últimas décadas evoluíram para quadros estratégicos que reflectem as prioridades da liderança chinesa. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


segunda-feira, 27 de maio de 2024

Macau - Dez empresas portuguesas e brasileiras participaram em ‘roadshow’ na BEYOND Expo

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) ajudou dez empresas de inovação científica e tecnológica do Brasil e de Portugal a participar na BEYOND Expo deste ano. A sessão de roadshow foi realizada na sexta-feira, durante a qual foram assinados seis acordos de cooperação, no âmbito de reforçar a cooperação entre incubadoras do Brasil e de Portugal e seus congéneres locais, bem como aumentar o apoio do capital social do interior da China nos projectos dos países de língua portuguesa


A “Sessão de roadshow para empresas científicas e tecnológicas do Brasil e de Portugal (Macau)” foi realizada na passada sexta-feira, na 4.ª BEYOND Expo, onde representantes de dez empresas de inovação tecnológica do Brasil e de Portugal apresentaram aos participantes do evento os planos de desenvolvimento e características inovadoras dos seus projectos.

De acordo com a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), a sessão teve como finalidade “valorizar ainda mais o papel de Macau como plataforma sino-lusófona”, criando oportunidades de intercâmbio para empresas de inovação tecnológica do Brasil e de Portugal com os respectivos sectores de Macau e do interior da China, de forma a incentivar essas empresas a desenvolverem-se em Macau e Hengqin e promover o intercâmbio sino-lusófono no domínio da ciência e tecnologia.

A iniciativa foi organizada pela DSEDT, realizada pelo Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau e apoiada pela Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, pela Direcção da Inovação Científica e Tecnológica da Cidade de Zhuhai e pelo Centro de Intercâmbio e Cooperação em Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Tai Kin Ip, director da DSEDT, destacou no seu discurso o desempenho do “Centro de Intercâmbio e Cooperação em Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, criado no ano passado com o apoio do Ministério de Ciência e Tecnologia do Estado, o que demonstra as vantagens de Macau enquanto plataforma de intercâmbio sino-lusófona.

O responsável sublinhou ainda que o organismo tem vindo a manter contactos e cooperações estreitas com as instituições de ensino superior, empresas tecnológicas e incubadoras lusófonas, nomeadamente de Portugal e do Brasil. “Espera-se que todas as equipas de inovação científica e tecnológica do Brasil e de Portugal participantes possam beneficiar das bolsas de contacto e das oportunidades de desenvolvimento oferecidas por Macau e pela Grande Baía, explorando oportunidades de negócio do interior da China na base de benefícios mútuos e cooperação ‘win-win’”, afirmou.

No evento foram ainda assinados seis acordos de cooperação, envolvendo sobretudo o reforço da cooperação entre incubadoras do Brasil e de Portugal e seus congéneres locais, o aumento do apoio do capital social do interior da China aos projectos dos PLP e o desenvolvimento da cooperação entre empresas tecnológicas do Brasil e de Portugal na investigação e desenvolvimento de produtos.

Além do ‘roadshow’, as dez empresas que fazem parte do “Grupo de visita de estudo das empresas de inovação tecnológica dos países de língua portuguesa à Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau” também instalaram stands na BEYOND Expo deste ano para apresentar os seus produtos. Alguns dos projectos apresentados no ‘roadshow’ “ganharam o reconhecimento dos especialistas e investidores presentes” e as empresas participantes manifestaram “grande apreço pelo evento e interesse em explorar o mercado do interior da China, esperando obter mais informações úteis durante a visita”, revelou a organizadora.

A DSEDT, neste sentido, disse que continuará a promover o desenvolvimento do Centro de Intercâmbio e Cooperação de Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa, aprofundando-se a cooperação Macau-Hengqin-Zhuhai na área da ciência e tecnologia, bem como promovendo o intercâmbio sino-lusófono na área da inovação científica e tecnológica. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Portugal - Cientista da diáspora quase centenário patrocina bolsas em Cantanhede

Duas bolsas anuais para promoção da inovação científica junto dos mais jovens foram hoje apresentadas pelo município de Cantanhede, que as criou, dando corpo a uma ideia de um geneticista português radicado na Suécia há 70 anos. As Bolsas de Inovação Científica Professor Doutor António Lima de Faria, no valor anual de mil euros cada, têm um prazo de duração de cinco anos e serão patrocinadas, uma pela autarquia de Cantanhede, distrito de Coimbra e a outra pelo académico e investigador que completa 100 anos em julho de 2021



A presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Helena Teodósio, enalteceu a “ideia” de António Lima de Faria, acolhida pelo município, em criar as bolsas, destacando o “grande legado científico e humano” do especialista em genética.

Helena Teodósio recordou que António Lima de Faria, radicado na Suécia desde 1950, é desde 1991 o patrono de um galardão que premeia o aluno de Cantanhede com melhor média final do ensino secundário, tendo ainda entregado ao município um “importante” acervo documental e científico, onde se incluem diversos mapas de Portugal do século XVI.

Citando António Lima de Faria, a autarca frisou que, para o cientista, “mais importante do que o que está nos livros, é a curiosidade”.

De acordo com o regulamento das bolsas, estas destinam-se a “jovens estudantes” do ensino secundário e superior, entre os 15 e os 35 anos, e contemplam a comparticipação de “encargos inerentes à participação num congresso nacional ou internacional ou à realização de um estágio de curta duração num laboratório, em Portugal ou no estrangeiro”.

“O que implica, num e noutro caso, a demonstração do mérito por parte dos candidatos, através do resumo da apresentação ou do plano de trabalhos” que será avaliado pelo júri constituído pelos investigadores e docentes universitários Manuela Grazina, Carlos Fiolhais, Rodrigo Cunha e Manuel Castelo Branco.

A presidente do júri Manuela Grazina, disse, por ser turno, que conheceu António Lima de Faria em 2015, tendo este lhe transmitido a ideia da criação das bolsas “que servissem para a inovação científica”.

A especialista em biologia celular e genética humana destacou a necessidade de divulgar a ciência “e incutir nos jovens a criatividade e espírito inovador”, argumentando que, com o passar dos anos, a criatividade se vai perdendo.

“Às vezes basta uma ideia, até muito ‘naif’, mas essa ideia simples tem uma grande vantagem de não estar ainda contaminada”, argumentou, acrescentando que a atribuição das bolsas incidirá “em qualquer área científica”.

“A primazia é que seja uma ideia inovadora”, enfatizou Manuela Grazina.

Já o cientista Carlos Fiolhais abordou a situação atual da pandemia de covid-19, frisando que esta “não para de modo nenhum a inteligência humana. Pelo contrário, aguça-a”.

O especialista em física lembrou que Isaac Newton formulou a Teoria da Gravidade precisamente durante uma epidemia de peste, no século XVII: “Estava numa situação de confinamento durante uma grande peste”, alegou.

Carlos Fiolhais disse ter conhecido António Lima de Faria primeiro “através dos livros”, aludindo, nomeadamente, a uma obra em que o geneticista português “contestava a teoria de Darwin” de evolução das espécies.

“Ninguém conhecia aquele homem, era um ilustre desconhecido”, notou Carlos Fiolhais, enfatizando que António Lima de Faria “nasceu no tempo logo a seguir à gripe espanhola [em 1921] e vai fazer 100 anos”.

Destacou um encontro com investigador – que possui nacionalidade sueca desde 1954 – quando este se deslocou a Cantanhede há uns anos: “Lembro-me do à-vontade com que aquele homem de 90 anos dava aulas aos miúdos, sentado em cima da mesa”, disse Carlos Fiolhais. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo