Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Timor-Leste e Singapura reforçam diálogo político e cooperação em vários sectores

Timor-Leste e Singapura decidiram na sexta-feira reforçar o diálogo político e a cooperação nos setores da economia, educação e saúde no âmbito da primeira visita de um primeiro-ministro daquele país a Díli


“Singapura tem sido um parceiro de confiança e um amigo de Timor-Leste. Tem apoiado o nosso povo, as nossas instituições e a nossa preparação para a adesão à ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático]”, afirmou Xanana Gusmão, em conferência de imprensa, após um encontro com o seu homólogo, Lawrence Wong.

“Timor-Leste espera dar continuidade aos resultados desta visita, incluindo nas áreas da cooperação no âmbito da ASEAN, mobilidade laboral, educação, saúde, investimento, conectividade e assuntos regionais”, salientou o líder timorense.

Durante o encontro, Singapura anunciou também a intenção de abrir determinados setores da sua economia a trabalhadores timorenses. “É um anúncio importante. Representa um desenvolvimento muito significativo nas relações entre os nossos dois países”, afirmou Xanana Gusmão, que destacou que será uma oportunidade para os trabalhadores timorenses adquirirem competências e experiência profissional.

O primeiro-ministro de Singapura considerou a visita como “histórica” por ser a primeira que um chefe de Governo do seu país faz a Díli, mas também por se realizar durante o primeiro ano em que Timor-Leste é membro de pleno direito da ASEAN.

“Singapura sente-se privilegiada por poder acompanhar Timor-Leste no seu percurso de construção da nação”, disse Lawrence Wong, recordando que o apoio do seu país começou ainda antes da restauração da independência.

Lawrence Wong disse também que Singapura vai continuar a apoiar Timor-Leste na integração regional e reforçar o programa para preparar a presidência de Timor-Leste da ASEAN.

Sobre a mobilidade laboral, o chefe do Governo de Singapura salientou que é uma iniciativa “vantajosa para ambas as partes”. “Timor-Leste é uma nação jovem, mas acreditamos que possui um enorme potencial de desenvolvimento e crescimento. Singapura fará a sua parte para ajudar Timor-Leste a ter sucesso”, salientou.

No âmbito da visita foi também assinado um memorando de entendimento para estabelecer consultas bilaterais entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países.

Lawrence Wong chegou quinta-feira a Timor-Leste para uma visita de 24 horas, que terminou sexta-feira com um banquete oficial.

Antes do encontro com o primeiro-ministro, Lawrence Wong recebeu o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste no Palácio da Presidência e reuniu-se com o chefe de Estado, José Ramos-Horta. Na altura, José Ramos-Horta salientou que “Singapura tem sido um parceiro inabalável” no percurso de construção de Timor-Leste e disse estar convicto de que a visita de Lawrence Wong “abrirá novos e estimulantes capítulos” nas relações bilaterais. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Macau - Universidade de São José e Timor-Leste assinam acordo sobre desenvolvimento de capital humano

O desenvolvimento de capital humano motivou um acordo de cooperação entre a Universidade de São José e o Governo de Timor-Leste. A ideia é fortalecer a colaboração entre as duas partes através “da educação, capacitação e formação profissional de quadros timorenses”


A Universidade de São José (USJ) assinou um acordo de cooperação com Timor-Leste, focado no desenvolvimento de capital humano. “O protocolo visa fortalecer a colaboração entre as duas partes, nomeadamente através da educação, capacitação e formação profissional de quadros timorenses”, indica a instituição de ensino superior em comunicado.

A delegação timorense de alto nível foi chefiada pelo Ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Gastão Francisco de Sousa, que veio acompanhado, entre outros, pelo vice-ministro das Obras Públicas, Júlio do Carmo, pelo conselheiro principal do Ministro, Tomas Pinto, e pelo director executivo do Fundo de Desenvolvimento de Capital Humano (FDCH), Júlio Aparício.

Da parte da USJ estiveram presentes, entre outros, o reitor em exercício, Alejandro Salcedo, o vice-reitor para a Investigação Académica e Inovação, Alexandre Lobo, o vice-reitor para os Assuntos Externos e Desenvolvimento Institucional, Zhang Shuguang, e o director da Faculdade de Ciências da Saúde e Ambientais, Jacky Ho.

Na sessão de abertura da cerimónia, Alejandro Salcedo reafirmou o compromisso da USJ em contribuir para o desenvolvimento de longo prazo de Timor-Leste. Sublinhou igualmente “a relação histórica entre Macau e Timor-Leste” e garantiu que “a universidade está disponível para uma colaboração sustentada e significativa com o Governo timorense”.

Gastão de Sousa, por seu turno, agradeceu à equipa da USJ pelo empenho e coordenação, apontando que o acordo “representa uma missão importante para o Governo de Timor-Leste”. Afirmando que investir no futuro do país passa pelo desenvolvimento de capital humano, o governante timorense explicou que, através do FDCH, o Governo vai “trabalhar em estreita colaboração com a USJ para preparar profissionais qualificados que possam contribuir activamente para o desenvolvimento sustentado da nação”.

Na ocasião, Jacky Ho afirmou sentir-se honrado por trabalhar com o FDCH, especialmente nas áreas dos cuidados sociais e de saúde. Disse também que todas as comunidades herdam um legado dos antepassados e o transportam para o futuro, considerando “entusiasmante” ver esta cooperação tornar-se realidade. Expressou igualmente confiança de que “a vasta experiência da USJ poderá criar um diálogo sólido com o Governo timorense na preparação de um futuro mais promissor”.

Com o Ministro Gastão de Sousa como testemunha, o vice-reitor Alexandre Lobo e o director executivo do FDCH, Júlio Aparício, assinaram o acordo, tendo a cerimónia terminado com uma troca de lembranças.

A USJ refere que esta cooperação se insere no compromisso mais amplo de desenvolver parcerias práticas e de impacto com os países de língua portuguesa. “Está também alinhada com a política de Pequim de reforçar os laços com a lusofonia, reconhecendo o papel de Macau como plataforma de ligação entre a China e o mundo de língua portuguesa”, acrescenta. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Portugal - Ministro da Educação sentiu na RAEM “a importância que a China dá à lusofonia”

Portugal deve desempenhar um papel central na ligação sino-lusófona, que a China tem desenvolvido através de Macau, defendeu Fernando Alexandre. De visita a Pequim, o ministro português da Educação anunciou que Portugal e China irão relançar a comissão mista de ciência e tecnologia


Portugal e China vão reactivar a comissão mista de ciência e tecnologia, que não se reúne desde 2019, para definir áreas de cooperação e criar instrumentos conjuntos de investigação, anunciou na sexta-feira o ministro da Educação, Fernando Alexandre. A decisão foi tomada durante um encontro entre Fernando Alexandre e o ministro chinês da Ciência e Tecnologia, Yin Hejun, em Pequim, no âmbito de uma visita oficial à China centrada no reforço da cooperação bilateral nos domínios da educação, ciência e inovação.

O governante português adiantou que os dois ministros vão liderar a estrutura, que deverá reunir-se “a muito curto prazo” para definir prioridades de colaboração e mecanismos concretos para as concretizar.

A comissão mista luso-chinesa de ciência e tecnologia enquadra-se no acordo de cooperação científica e tecnológica assinado pelos dois países em 1993 e visa promover projectos conjuntos de investigação, intercâmbio de investigadores e outras iniciativas de colaboração entre instituições científicas portuguesas e chinesas. O mecanismo serve também para definir prioridades comuns e acompanhar a execução da cooperação bilateral nesta área.

De acordo com o ministro da Educação, Ciência e Inovação português, a China assume hoje uma importância crescente para Portugal devido aos seus avanços no ensino superior, na ciência e na tecnologia. “A China tem algumas das instituições mais relevantes a nível internacional e são líderes em muitas áreas”, sublinhou.

O ministro indicou que vai ser igualmente criada uma comissão técnica na área da educação para desenvolver instrumentos destinados a aprofundar a cooperação entre os dois países, incluindo o reconhecimento mútuo de qualificações académicas, a mobilidade de estudantes e investigadores e os programas de dupla titulação.

“O reconhecimento das qualificações, reconhecimento dos graus, precisa também ser aperfeiçoado e agilizado, porque é essencial para essa circulação de talento”, afirmou.

Fernando Alexandre destacou ainda a crescente procura da língua portuguesa na China, referindo que existem actualmente mais de 60 instituições de ensino superior chinesas com cursos de português, frequentados por mais de 4000 estudantes e leccionados por mais de 200 docentes. “O que senti em Macau e aqui na China é a importância que a China dá à lusofonia”, afirmou, acrescentando que Portugal deve desempenhar um papel central nessa ligação.

Questionado sobre as áreas científicas com maior potencial de cooperação, o ministro referiu os oceanos e as ciências da vida, considerando que ambos os países dispõem de capacidades relevantes nesses domínios. “Oceanos e as ciências da vida, a medicina, foram duas áreas referidas, porque são duas áreas muito importantes para os dois países”, disse.

Fernando Alexandre salientou ainda que Portugal está a definir as prioridades nacionais para a investigação e inovação, no âmbito da nova Agência para a Investigação e Inovação (AI2), processo que deverá estar mais avançado nos próximos meses.

Sem antecipar conclusões, apontou o mar e as ciências da saúde como áreas que deverão assumir um papel relevante, por corresponderem a competências já instaladas em Portugal e a desafios globais partilhados por ambos os países, como o envelhecimento da população.

O ministro destacou também o crescimento do ensino do mandarim em Portugal, indicando que a língua é actualmente ensinada em sete escolas secundárias portuguesas, frequentadas por 340 alunos, um aumento de 60% nos últimos dois anos.

Fernando Alexandre iniciou na semana passada uma visita à China, que incluiu Macau e Pequim, onde manteve encontros com responsáveis chineses da educação e da ciência e visitou instituições académicas dos dois territórios. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 8 de junho de 2026

Moçambique - Livro resgata brincadeiras tradicionais moçambicanas e já está disponível em formato digital

Os jogos que marcaram a infância de várias gerações de moçambicanos acabam de ganhar um novo espaço de preservação e valorização. O escritor, educador e promotor cultural moçambicano Arone Silva Bila lançou recentemente o livro Jogos e Festas Infantis em Moçambique, uma obra que reúne brincadeiras, danças e atividades tradicionais que fazem parte do património cultural do país. O livro encontra-se disponível em formato digital na plataforma Educável, ao preço de 500 Meticais.


Destinada a pais, educadores e crianças, a publicação apresenta uma rica coletânea de jogos e brincadeiras tradicionais moçambicanas, funcionando simultaneamente como instrumento educativo e de entretenimento. Ao longo das páginas, Arone Bila descreve atividades como Matakuzana, Mbalele Mbalele e outras brincadeiras populares, explicando as suas regras, dinâmicas e formas de execução, ao mesmo tempo que valoriza expressões e vocábulos das línguas locais.

No vídeo de divulgação da obra, o autor afirma que o livro surge como resposta para muitas famílias que procuram formas saudáveis de entretenimento para as crianças. “É para puxar um pouco o menino, para sair das telas toda hora, para brincar como brincavam antigamente”, explicou Arone Bila, defendendo a importância de resgatar práticas lúdicas tradicionais num contexto em que os dispositivos electrónicos ocupam cada vez mais espaço no quotidiano infantil.

Mais do que um simples guia de brincadeiras, Jogos e Festas Infantis em Moçambique assume-se como uma ferramenta de preservação do património cultural imaterial do país. A obra procura evitar o desaparecimento de práticas tradicionais, ao mesmo tempo que oferece uma alternativa pedagógica para escolas e famílias. Com uma trajetória ligada à educação, cultura e desenvolvimento infantojuvenil, Arone Bila acredita que o contacto das crianças com os jogos tradicionais pode fortalecer a identidade cultural, estimular a criatividade e promover uma convivência mais saudável entre as novas gerações. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


domingo, 7 de junho de 2026

Luxemburgo – António José Seguro pede mais português no currículo escolar

O Presidente da República afirmou, este domingo, que apelou aos responsáveis do Luxemburgo para que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular, lembrando que um terço dos residentes no país é lusófono


António José Seguro falava numa sessão com alunos que aprendem português no Luxemburgo, país que visita desde sexta-feira e que marca o arranque das comemorações oficiais do Dia de Portugal, a que se juntou, este domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

O chefe de Estado salientou que o português “é uma chave que abre portas no mundo inteiro”, falado por 260 milhões de pessoas em quatro continentes.

“Quando estiverem cansados nas aulas, lembrem-se disso. Não estão apenas a aprender uma língua, estão a ligar-se ao mundo”, afirmou.

Aos pais e professores, assegurou que o seu papel “é reconhecido e valorizado pelo Presidente da República de Portugal e também pelo primeiro-ministro”, que tinha discursado minutos antes.

“Deixei aos responsáveis luxemburgueses um apelo claro: que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular do nosso ensino, aqui, num país onde cerca de um terço de residentes é lusófono, onde o português é a segunda língua principal falada em casa pelos alunos do ensino público e isso é relevante para o nosso país”, disse.

Para Seguro, esta é “uma opção decisiva para o fortalecimento de uma comunidade dinâmica e coesa”.

O Presidente da República e o primeiro-ministro encontraram-se, este domingo, com alunos portugueses no Centro Cultural Artikuss de Sanem.

“Olhar para esta sala e ver estes rostos cheio de energia, cheios de futuro, é ver Portugal vivo no centro da Europa e perceber melhor do que qualquer discurso poderia explicar, porque é que escolhi o Luxemburgo para celebrar o primeiro dia de Portugal no meu mandato”, afirmou Seguro.

O chefe de Estado voltou a agradecer às autoridades luxemburguesas a forma como tem tratado a comunidade portuguesa, que classificou como “uma força do Luxemburgo”.

Para Seguro, ter dois países “não significa ter um coração dividido, significa ter um coração maior, onde cabem dois países e dois povos extraordinários”.

“Portugal está nos vossos avós que ligam pelo telefone. Está na comida que a vossa mãe faz ao fim de semana, ou o vosso pai. Está nas histórias que ouviram contar. Está nas músicas que conhecem sem saber bem quando as aprenderam. E acima de tudo, está na língua que estão a aprender aqui nesta sala”, disse.

O Presidente da República assegurou que “Portugal está sempre de braços abertos” para receber estes emigrantes, quer seja de férias, quer seja para construírem uma vida num país “que precisa de todos”.

“Continuem a falar português em casa. E quando alguém vos perguntar de onde são, digam com a cabeça erguida e um sorriso, sou português, do Luxemburgo e de Portugal”, pediu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 2 de junho de 2026

Brasil - Investirá 8,19 milhões de euros em bolsas para estudantes africanos em 2027

O Brasil investirá 47,7 milhões de reais (cerca de 8,19 milhões de euros) em bolsas de pós-graduação para 2600 estudantes do continente africano no próximo ano, anunciaram as autoridades brasileiras

O Brasil investirá 47,7 milhões de reais (cerca de 8,19 milhões de euros) em bolsas de pós-graduação para 2600 estudantes do continente africano no próximo ano, anunciaram as autoridades brasileiras.

Ao todo, serão 1600 bolsas de mestrado e 1000 bolsas de doutoramento para os estudantes realizarem parte da sua formação académica no Brasil em universidades e institutos de educação durante um período de até dez meses.

O anúncio ocorreu durante o 1.º Fórum de Reitores Brasil-África, realizado num centro de convenções na cidade de Brasília, que reuniu mais de 100 dirigentes do Ensino Superior.

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, declarou no evento que o Brasil “não pode esquecer o compromisso histórico que tem com a África” e que o país tem “dívida histórica” com o continente pelos mais de 300 anos de escravidão.

Lula defendeu ainda a cooperação internacional como ampliação da diversidade e do conhecimento, ao lembrar que atualmente estão em vigor mais de 230 acordos entre as universidades brasileiras com instituições de ensino de 38 países do continente africano.

Lula disse ainda que “o pensamento crítico caminha lado a lado com a luta anticolonial”, assim como o combate ao racismo e todas as formas de discriminação.

Nesse contexto, o Presidente do Brasil voltou a defender a autonomia das universidades, a exemplo do que já ocorre no Brasil, e declarou que a educação é o caminho para superar desafios, entre eles de combate à fome e transição energética.

“A extrema-direita não tolera a autonomia das universidades. Querem calar professores e estudantes, e coibir a diversidade. Negam a ciência, censuram as artes e transformam a sala de aula em instrumento de dominação”, afirmou.

Segundo o Ministério da Educação do Brasil, atualmente mais de três mil estudantes africanos, de diferentes nacionalidades, estudam na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), e 4300 bolsistas africanos de graduação e pós-graduação estão espalhados pelas universidades brasileiras. In “Diário de Notícias da Madeira” - Portugal


quarta-feira, 27 de maio de 2026

Moçambique - Sergio Bambo lança a sua nova obra “Problemas que Não Acabam”

O escritor, jornalista e professor Sergio Bambo, apela para maior responsabilidade na resolução de qualquer problema, apresentado de forma transversal na sua mais recente obra literária intitulada Problemas que Não Acabam.

Trata-se de uma colectânea de crônicas de intervenção social, em que o escritor intitulou-as de Problemas que Não Acabam com o intuito de convidar a todos a mergulharem na reflexão profunda e minuciosa do seu dia-a-dia, tendo em conta os infindos problemas que apoquentam a sociedade.

Chamado a falar da sua obra na cerimónia de lançamento das comemorações do dia dos museus, Bambo explicou que o livro retrata situações vividas nas comunidades, que afecta em grande medida, várias famílias sobretudo os jovens, daí a necessidade de abordar com profundidade, temas educativos que colocam a responsabilidade do cidadão em arcar com os seus próprios problemas.

Durante a apresentação, Bambo destacou que muitos dos problemas enfrentados pela sociedade, surgem da tentativa de fugir das responsabilidades, daí que uma das crónicas narradas no livro, retrata história de tentativas não sucedidas de fugir aos próprios problemas.

Por outro lado, o escritor aproveitou o momento para chamar atenção aos encarregados de educação, defendendo maior acompanhamento dos filhos no processo educativo, visto que no seu entender, a educação começa de casa e não deve ser atribuída exclusivamente à escola.

Escrita na língua portuguesa e traduzida em dois idiomas inglês e gitonga, Problemas que Não Acabam de Bambo visa valorizar a identidade cultural moçambicana e ampliar o alcance da literatura nacional junto de leitores estrangeiros que visitam a província.

A obra também apresenta histórias ligadas ao comportamento dos estudantes, com destaque para o conto “Três Putinhos”, que retrata tentativas de manipulação contra professores e reforça a importância da honestidade e disciplina no ambiente escolar.

No fim, Sérgio Bambo afirmou que, apesar das dificuldades da vida, é necessário manter esperança e perseverança, usando frequentemente a expressão “Se nalunga”, símbolo de fé de que tudo poderá melhorar no final. Rivaldo Massunda – Moçambique in “Moz Entretenimento”

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Angola - Academia de Letras e Universidade Roma Tre assinam protocolo de cooperação cultural

A Academia Angolana de Letras (AAL) e a Cátedra Agostinho Neto da Universidade Roma Tre formalizam em Itália, um protocolo de cooperação estratégica para consolidar os laços culturais e académicos entre as duas instituições


O documento vai ser rubricado em Roma, capital daquele país europeu, pelo presidente da AAL, Paulo de Carvalho, e pelo director da cátedra, o professor italiano Giorgio de Marchis, tendo como objectivo central a promoção do estudo da língua, literatura e cultura angolana, bem como a valorização da vida e obra de António Agostinho Neto.

Segundo a nota enviada à imprensa, a parceria estabelece uma base para o intercâmbio de conhecimentos, a realização de conferências internacionais, publicações conjuntas e programas de mobilidade para investigadores e escritores.

Como primeira materialização deste protocolo, está agendado, no mesmo dia, a realização de um Colóquio Internacional, intitulado “Angola Perante a África e o Mundo”, um evento de elevada relevância diplomática e académica que assinala a celebração dos 50 anos da proclamação da Independência de Angola e o 50.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Angola e a Itália.

O colóquio, que vai decorrer na Sala Ignazio Ambrogio, em Roma, vai contar com comunicações de destacados especialistas e académicos angolanos e italianos, abordando temas como a diversidade cultural angolana, o poder simbólico da língua e a análise de obras literárias contemporâneas.

O programa inclui ainda uma romagem ao busto de Agostinho Neto, no Largo Beato Placido Riccardi, simbolizando o compromisso contínuo com a preservação da memória histórica e o fortalecimento da cooperação angolana-italiana no domínio das Letras e das Ciências Sociais.

Com uma validade inicial de três anos, renovável por acordo entre as partes, este compromisso visa não apenas a valorização da História e do património angolano, mas também o incentivo à inovação nos domínios da Educação, Ciência e Cultura. Por meio de acções coordenadas, as instituições pretendem elevar o estudo da cultura angolana num contexto global, honrando o legado de Agostinho Neto e criando oportunidades de investigação que consolidem, de forma duradoura, a cooperação científica entre Luanda e Roma. In “Jornal de Angola” - Angola


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Timor-Leste - Ministra da Educação afirma que ensinar e aprender português é um acto de memória

A ministra da Educação timorense considera que ensinar e aprender português em Timor-Leste é um acto de memória e que a língua portuguesa não foi imposta, mas escolhida. Dulce Soares disse também que o Ministério da Educação timorense tem desenvolvido um conjunto de iniciativas para promover o ensino e o uso da língua portuguesa, incluindo a distribuição de materiais pedagógicos


A ministra da Educação timorense, Dulce Soares, afirmou que ensinar e aprender português em Timor-Leste é um ato de memória e que a língua portuguesa não foi imposta, mas escolhida. “Ensinar e aprender português em Timor-Leste é um ato de memória, pois esta língua acompanhou a nossa resistência e afirmação enquanto povo, mas é também um ato de responsabilidade, porque aquilo que ensinamos hoje moldará o país que seremos amanhã”, disse Dulce Soares.

A ministra da Educação falava no Centro de Aprendizagem e Formação Escolar de Díli (escola CAFE), onde, com o secretário de Estado da Cultura de Portugal, Alberto Santos, celebrou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, que foi também assinalado na maioria das escolas públicas timorenses.

Na intervenção, Dulce Soares disse também que o Ministério da Educação timorense tem desenvolvido um conjunto de iniciativas para promover o ensino e o uso da língua portuguesa, incluindo a distribuição de materiais pedagógicos.

A ministra agradeceu também aos professores timorenses e portugueses pelo “trabalho dedicado, muitas vezes desenvolvido em contextos exigentes”.

Os Centro de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE é um projeto conjunto de Portugal e Timor-Leste, teve início em 2014, e já está presente em todos os municípios timorenses.

Aquelas escolas, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são, atualmente, frequentadas por mais de 11.100 alunos timorenses.

O CAFE tem dois grandes pilares, nomeadamente o ensino de qualidade na sala de aula e a formação complementar dos professores timorenses. Naquelas escolas, as aulas são dadas em português, mas os alunos têm também aulas de tétum, a outra língua oficial de Timor-Leste.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita que fez à Comissão da Função Pública, o Presidente timorense, José Ramos-Horta, afirmou que hoje cerca de 30% dos timorenses já falam português e que a tendência é para aumentar. “A língua portuguesa está a avançar. Se olharmos para o passado, em 2000 quase ninguém falava português, não chegava a 1%. Agora há muitos jovens, milhares e milhares, que já falam e continuará a evoluir gradualmente”, afirmou Ramos-Horta. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Portugal - José Saramago deixa de ser leitura obrigatória no ensino português

De acordo com a proposta do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) de revisão das Aprendizagens Essenciais de Português, actualmente em consulta pública até ao dia 28 do corrente mês, deixa de ser obrigatória a leitura de obras de José Saramago no ensino secundário. Hodiernamente, o programa prevê a leitura integral de Memorial do Convento ou de O Ano da Morte, de Ricardo Reis.

Em contrapartida, a proposta abre a possibilidade de escolha do romance Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho. Na prática, as escolas deixam de estar obrigadas a escolher uma obra de Saramago no 12.º ano, passando a poder optar pela obra de Mário de Carvalho. Refira-se que José Saramago é o único escritor português laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998… Dani Costa – Angola in “O País”

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Moçambique – Filósofo Severino Ngoenha defende uso do Fundo Soberano para financiar a Educação

Severino Ngoenha volta a insistir que o país precisa usar parte do Fundo Soberano para financiar a Educação, pois, sob seu ponto de vista, só assim é que o país pode reduzir a dependência externa. O académico critica a qualidade de ensino e entende que uma educação que não resolve os problemas do país é prova de que não é de qualidade.


Severino Ngoenha volta a lançar um olhar crítico ao sector da Educação em Moçambique e alerta para o risco que pode advir da falta de um investimento sério no sector.

Na sua óptica, a falta de uma resposta acertada para esses problemas é um dos barómetros que ajudam a medir a qualidade do ensino.

Segundo Ngoenha, a Educação não se deve fazer polémicas, mas trazer soluções.

Se no passado, o analfabetismo facilitou a escravatura em África, o filósofo vê um futuro sombrio, caso o Governo não assuma priorizar a Educação como factor de transformação sócio-científico. In “O País” - Moçambique

segunda-feira, 9 de março de 2026

Angola - Escritora Margarida Leite partilha experiências com crianças e incentiva a leitura na comunidade

O projecto “Leitura ao Domicílio” continua a merecer a devida atenção de figuras ligadas ao Universo das Letras, ao aproximarem se cada vez mais das comunidades


A Biblioteca Comunitária A.S Leituras realizou este Sábado, 07, no âmbito do projecto “Leitura ao Domicílio”, mais uma sessão com a escritora Margarida Leite, autora do livro Os Meus 11 Kambas. A actividade, visando aproximar o escritor ao leitor na Comunidade da Estalagem KM 12- A, município satélite de Viana, ocorreu poucas semanas após a anterior ter sido orientada pelo também escritor Boaventura Cardoso.

Neste seu primeiro contacto Literário com a comunidade local, a escritora Margarida Leite iniciou a sessão com uma conversa agradável e enriquecedora sobre os Direitos das Crianças, promovendo uma reflexão, partilha de experiência e incentivo à leitura na comunidade. Nesta sessão educativa, a escritora abordou, de forma lúdica e dialógica, os “Onze Compromissos” com a criança em Angola, enfatizando a importância do registo civil, da saúde e da protecção contra a violência.

A autora utilizou o conto de histórias para capacitar crianças e jovens sobre os seus direitos e o papel fundamental da família e do Estado. A conversa iniciou com a premissa de que o registo de nascimento é o que garante a existência de um indivíduo perante a sociedade e o Estado, sendo um direito fundamental para que a pessoa tenha uma identidade reconhecida.

Paralelamente, a educação na primeira infância foi apresentada como o “Quarto Compromisso” essencial para que as crianças possam progredir na vida, exigindo um esforço conjunto dos pais desde os primeiros anos de ensino.

Saúde, inclusão e combate ao estigma

Um outro ponto central do diálogo foi a desmistificação de doenças como o HIV/SIDA. Através do depoimento jovem, Isa destacou que o carácter e o aprendizado de uma pessoa são mais importantes do que sua condição de saúde, defendendo a não discriminação. O “Compromisso Sete” focou-se especificamente no atendimento a grupos vulneráveis e na prevenção, mencionando programas como o “Nascer para Brilhar”, que ajudaram a superar barreiras históricas de preconceito e exclusão familiar.

O “Compromisso Oito” tratou de situar os petizes em questões relacionadas a prevenção e do combate à violência contra a criança, abrangendo casos de negligência, abuso sexual e espancamento.

Nesta prestigiada sessão, a escritora Margarida Leite realçou que o Estado angolano estabeleceu mecanismos de denúncia, como o serviço SOS Criança, que actua em conjunto com o INAC (Instituto Nacional da Criança) e a Polícia Nacional para intervir em situações de risco, reforçando que a protecção é uma responsabilidade compartilhada, onde os pais cuidam e o Estado provê a infra-estrutura necessária.

Participação activa e investimento público

Quanto a este quesito, a escritora considerou que a criança deve ter voz activa na sociedade, o que é garantido pelo compromisso com a Comunicação Social, Cultura e Desporto.

Margarida sublinhou que iniciativas como o Parlamento Infantil permitem que deputados mirins de todas as províncias apresentem problemas das suas comunidades às autoridades. Para sustentar esses direitos, a escritora destacou o “Compromisso Onze”, que tem como foco o Orçamento Geral do Estado (OGE), defendendo que o investimento em hospitais e escolas deve ser prioritário para transformar a “esperança” de cada criança em “felicidade” real. Augusto Nunes – Angola in “O País”


sábado, 7 de março de 2026

Cabo Verde - Sobe a pensão solidária para os idosos em São Tomé e Príncipe e vai abrir escolas no interior do país

Vanuza Francisca Barbosa, secretária de Estado das Comunidades visitou São Tomé e Príncipe, e apresentou ao primeiro-ministro Américo Ramos as novas acções de carácter social com impacto económico, a serem implementadas no quadro da cooperação bilateral.


O conceito de escola cabo-verdiana vai ser implementado nas regiões mais isoladas do país. Trata-se de um projecto piloto que Cabo Verde pretende disseminar noutros países africanos que albergam a comunidade cabo-verdiana.

Professores cabo-verdianos estarão envolvidos na implementação do conceito de escola cabo-verdiana nas regiões mais isoladas da ilha de São Tomé e na ilha do Príncipe.

«Vamos trazer para aqui, o conceito de escola cabo-verdiana para a sua implementação nas comunidades com menor acesso ao ensino, e pretendemos ter São Tomé e Príncipe como o projecto piloto», declarou Vanuza Francisca Barbosa.

O Ministério da Educação de Cabo Verde já aceitou o desafio e o conselho de ministros cabo-verdiano vai agir. «Este projecto já está a ser avaliado no conselho de ministros, e a breve trecho teremos novidades na implementação», assegurou.

A educação é estruturante para o desenvolvimento de qualquer sociedade, ao mesmo tempo, Cabo Verde que há vários anos apoia a formação dos jovens são-tomenses continua a conceder bolsas de estudo para a juventude são-tomense, tanto para a formação universitária como para a formação profissional.

«Cabo Verde dá 20 bolsas de estudo para os estudantes são-tomenses. Também há bolsas de estudo para o ensino superior em Marrocos. Também atribuímos bolsas de estudo para formação profissional em Cabo Verde, e continuamos a fazer essa cooperação», confirmou a secretária de Estado das comunidades.

A cultura, é um laço que há séculos une os dois países. Segundo Vanuza Francisca Barbosa, o primeiro-ministro Américo Ramos prometeu contribuir para acelerar a instalação do primeiro centro cultural de Cabo Verde em São Tomé e Príncipe.

«O senhor primeiro-ministro acabou de reafirmar o seu compromisso para acelerar o projecto. Temos um espaço para ser reabilitado e implementar o centro cultural cabo-verdiano. Será um ponto de contacto e de partilha de cultura. O objectivo é que o centro tenha múltiplas valências, e certamente que a comunidade cabo-verdiana e outras radicadas aqui em São Tomé terão assim uma mais-valia», explicou.

As autoridades cabo-verdianas estimam em cerca de 10 mil, os cabo-verdianos residentes em São Tomé e Príncipe. Uma comunidade que gerou milhares de descendentes. Para a secretária de Estado das comunidades de Cabo Verde juntando os são-tomenses de ascendência cabo-verdiana pode atingir cerca de 70 mil pessoas, num país de 200 mil habitantes.

A maioria dos idosos que trabalharam nas roças de cacau e café, não beneficia de uma pensão de reforma. O Governo cabo-verdiano avançou com uma pensão solidária que inicialmente era de 20 euros, depois subiu para 40, e mais tarde para 60.

A pensão solidária é um compromisso assumido pelo Estado cabo-verdiano com a sua diáspora em África. São mais de 3 mil idosos. São Tomé e Príncipe alberga a maioria dos pensionistas na diáspora africana, 1033 pessoas.

O executivo cabo-verdiano inscreveu no orçamento geral do Estado para 2026, mais um aumento do valor da pensão atribuída aos idosos em São Tomé e Príncipe. Agora são 70 euros.

«Aqui em São Tomé temos mais de 1000 pensionistas. Neste momento com a aprovação do orçamento geral do Estado para 2026, esse valor passa para 70 euros. É o mesmo valor que pagamos para os pensionistas do regime não contributivo em Cabo Verde. É a nossa contribuição para a melhoria das condições de vida da nossa comunidade aqui em São Tomé e Príncipe», destacou.

No entanto o fomento do turismo e das trocas comercias entre os dois países é condicionado pela falta da ligação aérea e marítima. A companhia aérea angolana que assegurava a ligação entre os dois arquipélagos acabou por suspender os voos.

«Foi o assunto abordado à instantes com o primeiro-ministro. Há negociações em curso entre Cabo Verde e Angola. Estamos em negociações para que se define a melhor rota que traga benefícios, tanto para Angola, Cabo Verde como para São Tomé, para todos nós que precisamos desta ligação aérea para trocas comerciais», concluiu Vanuza Francisca Barbosa.

Ligados por história, cultura e consanguinidade, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe reforçam as relações de cooperação e de solidariedade. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Moçambique - “O livro é um instrumento de transformação social”, afirma Jeconias Mocumbe

O jovem escritor e fundador da Massinhane Edições, Jeconias Mocumbe, afirma acreditar profundamente no poder do livro como ferramenta de transformação positiva das mentes e das comunidades.


Com uma trajectória iniciada na dinamização cultural através da organização de oficinas literárias, círculos de leitura e eventos culturais, Jeconias defende que o livro ocupa um lugar privilegiado na sociedade. “Um livro pode transformar consciências, questionar estruturas, provocar debates, partilhar experiências e orientar o futuro”, sustenta, sublinhando que a mudança social começa na forma como as pessoas pensam e interpretam o mundo.

Segundo o escritor, a criação da Massinhane Edições surgiu da constatação de que muitos jovens talentosos, na província de Inhambane, não conseguiam publicar as suas obras devido à inexistência de uma estrutura editorial local. A editora nasceu, assim, com o propósito de servir de ponte entre o manuscrito e o leitor, apostando sobretudo em escritores emergentes.

Para que o livro continue a desempenhar o seu papel de “bússola social”, Jeconias defende maior envolvimento das autoridades governamentais, organizações e instituições de ensino na promoção do hábito de leitura. Entre as medidas apontadas estão a implementação de políticas públicas consistentes, a criação de bibliotecas comunitárias activas, a realização de concursos literários e o reforço do incentivo à leitura nas escolas.

No que diz respeito ao funcionamento da editora, explica que a selecção de manuscritos tem como base a qualidade literária, sem descurar a relevância social das obras. A Massinhane privilegia textos que dialoguem com a realidade moçambicana, abordando temas como identidade, memória e questões sociais. A relação com os autores é descrita como colaborativa, envolvendo-os em todas as etapas do processo editorial.

Embora reconheça o potencial do livro digital, a Massinhane Edições mantém o foco no formato físico, considerado essencial no actual contexto cultural e educativo do país. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Angola - Linha de financiamento de Portugal é “das mais flexíveis” para o país

A ministra das Finanças de Angola destacou que a linha de financiamento de Portugal é “das mais flexíveis” e o Estado conseguiu que 195 mil milhões de kwanzas (1,7 mil milhões de patacas) sejam para o sector da educação.

Vera Daves de Sousa foi a convidada da V edição do programa “Conversas Economia 100 Makas”, do jornalista angolano Carlos Rosado de Carvalho, que abordou o tema “OGE 2026, as Empresas e as Famílias”, em que o sector da educação foi dos mais destacados nas preocupações quanto à fatia disponibilizada no Orçamento Geral do Estado 2026, cerca de 7% das despesas públicas.

A titular da pasta das Finanças de Angola referiu, a propósito, que na linha de financiamento de Portugal, além da reabilitação de infra-estruturas da urbanização Nova Vida, em Luanda, o Estado conseguiu também encaixar a construção de escolas. A governante angolana disse que estão a ser construídas infra-estruturas escolares, mas o Estado não consegue acompanhar a taxa de crescimento populacional.

“Não estamos a conseguir acompanhar a velocidade com que mais crianças se tornam elegíveis para fazer parte do sistema de ensino, por isso que para 2025 foi criado um programa específico “Minha Escola, Meu Futuro”, em que estamos a buscar um financiamento específico só para construir escolas”, referiu. Segundo a ministra, este é um sinal de que o Executivo reconhece que está “a andar devagar nesse domínio de construção de infra-estruturas escolares”.

Vera Daves de Sousa admitiu que tem sido dada “pouca atenção à educação comparativamente a outros sectores”, um assunto que preocupa o Presidente angolano, João Lourenço.

“Temos sido continuamente desafiados pelo Titular do Poder Executivo a fazê-lo [dar mais atenção à educação], desafia-nos continuamente”, destacou a ministra.

“Chama-nos frequentemente para saber como é que está o progresso relativamente a alguns projectos do ensino superior que têm fontes de financiamento identificadas e estão a demorar para ser activadas, não são poucas as vezes que o Titular do Poder Executivo nos chama e nos cobra que se feche o quanto antes”, acrescentou.

De acordo com a ministra, desde meados de 2025 que o Presidente tem exigido a identificação de uma fonte de financiamento estável para construir mais escolas, para não depender exclusivamente de recursos ordinários do tesouro.

“Na sua última deslocação a Portugal, ele próprio solicitou isso às autoridades portuguesas e por isso conseguimos encaixar na linha de Portugal”, sublinhou.

O facto de ter sido iniciativa própria do Presidente angolano, afirmou, “demonstra a preocupação ao mais alto nível com o tema e com a necessidade de dar outra velocidade”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Brasil - Crianças ameaçadas com défices em saúde, educação e mercado laboral

Quase metade do rendimento futuro dos menores brasileiros está em risco, a situação limita o potencial do capital humano. O Banco Mundial alerta para necessidade de políticas integradas em domicílios, bairros e locais de trabalho


Défices globais nas áreas de saúde, educação e mercado de trabalho geram uma perda média de 51% da renda futura dos países de baixo e médio rendimento. Dados de um novo relatório do Banco Mundial revelam a perda de 40% no Brasil.

O estudo “Construindo o Capital Humano Onde Importa: Domicílios, Bairros e Emprego”, aponta que na maioria dos países houve quedas na nutrição, aprendizagem ou no avanço de competências da força de trabalho entre 2010 e 2025.

Índice de Capital Humano

Em conjunto com o relatório, foi lançado o Índice de Capital Humano Plus, HCI+, que mede o capital humano médio que uma criança nascida atualmente espera acumular ao longo da vida, considerando os riscos à saúde, educação e emprego.

No Brasil, o HCI+ de 2025 é de 203 pontos, ligeiramente acima da média da América Latina e Caribe, 194. O principal gargalo está na educação, com 115 pontos de um total de 188. O desempenho no trabalho é de 44 pontos em 87 e, em saúde, de 44 em 50 pontos possíveis.

A desigualdade de género é significativa, visto que os homens registam uma expectativa de 210 pontos, contra 196 das mulheres. O total representa uma diferença de 14% ao longo da vida.

De forma geral, o índice indica que o Brasil não consegue converter plenamente o seu potencial em capital humano.

Capital humano no Brasil

As crianças brasileiras perdem cerca de 40% dos seus ganhos futuros quando comparadas ao que o país poderia alcançar com condições semelhantes às de economias de rendimento equivalente com melhor desempenho.

No Brasil, a acumulação de capital humano depende não só dos recursos dos domicílios, mas também da qualidade dos cuidados oferecidos às crianças.

Indicadores como nutrição, vocabulário e proficiência em matemática são fortemente influenciados pela educação dos pais, mostrando que aumentos de rendimento precisam de ser acompanhados de políticas que reforcem esses cuidados.

O território onde a criança cresce também é determinante. Mesmo entre famílias com rendimento semelhante, aquelas que vivem em bairros mais favorecidos têm melhores resultados, 25% mais probabilidade de conseguir emprego formal e ganham o dobro na vida adulta.

Recomendações do relatório

Em contraste, a exposição à poluição, à criminalidade e a infraestruturas precárias compromete a saúde, a aprendizagem e o acesso ao mercado de trabalho.

Após duas décadas de experiência, trabalhadores brasileiros concentram pouco mais de metade do capital humano observado nos Estados Unidos. O crescimento de competências e salários é maior no emprego formal, sobretudo em empresas maiores, que oferecem mais oportunidades de aprendizagem.

O relatório recomenda programas de desenvolvimento infantil e educação pré-escolar que fortaleçam a aprendizagem e o cuidado das crianças, além de políticas públicas focadas em bairros desprivilegiados, com uma atenção integrada à nutrição, aprendizagem e ao desenvolvimento de capacidades nos locais de trabalho.

Também são sugeridas reformas no mercado de trabalho, de forma a ampliar oportunidades de aprendizagem prática e acesso a creches.

Outras melhorias incluem a promoção de políticas que apoiam domicílios, bairros e trabalho de forma integrada, complementadas por uma agenda robusta de monitorização de políticas públicas. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Angola - 25 em cada 100 jovens com mais de 5 anos nunca frequentou a escola

Número ascende A 7,6 milhões de pessoas. Os indicadores do Censo 2024 destapam a falta de investimento, e até de cuidado, na implementação de políticas públicas para melhorar o desempenho do sistema de educação, que é essencial para dotar a população de ferramentas que ajudam a quebrar ciclos de pobreza e de exclusão social


Os resultados do recenseamento geral da população e da habitação realizado em 2024, apesar das dúvidas sobre a qualidade da informação recolhida, trazem vários indicadores e pistas para entender melhor o País. No caso da educação, mesmo considerando alguma evolução em determinados segmentos, o Censo 2024 revela que, entre os 31,4 milhões de angolanos com mais de 5 anos, mais de 7,6 milhões nunca frequentaram uma escola. São quase 25 em cada 100 cidadãos acima dos 5 anos (24,2%).

Entre o elevado número de pessoas que nunca viram uma carteira escolar ou um professor, 4,4 milhões são mulheres, enquanto 3,2 milhões são homens, o que assinala uma disparidade de género no acesso à educação, em prejuízo do sexo feminino. Segundo os cálculos do Expansão, tendo em conta os resultados do Censo 2014, a proporção de pessoas que nunca frequentaram um estabelecimento de ensino aumentou na última década: passou de 22,5% (4,7 milhões entre 20,8 milhões de cidadãos com mais de 5 anos) para os referidos 24,2% apurados em 2024.

A mesma realidade verifica-se entre os 5 e 18 anos, onde a percentagem da população fora do sistema de ensino "aumentou em 12 pontos percentuais entre 2014 e 2024, passando de 22%, em 2014, para 34%, em 2024". "O maior aumento verifica-se no grupo etário 12-14 anos", admite o Instituto Nacional de Estatística no relatório final do Censo 2024.

"São factores como a pobreza, a falta de infraestruturas escolares nas zonas rurais, barreiras culturais, desigualdade de género e as limitações no acesso à educação, especialmente em áreas remotas, que justificam esta situação", explica Lando Pedro, professor universitário e especialista em Educação. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”