Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Ásia – Digressão do cantor Afonso Cabral e do músico Pedro Branco traz concertos a Macau e Hong Kong

O cantor e compositor Afonso Cabral, um dos nomes mais falados da música portuguesa actual, inicia já esta semana uma tour asiática que o fará passar por Macau no próximo dia 3 de Julho. Acompanhado pelo guitarrista Pedro Branco, o músico apresenta-se na Casa Garden, num concerto integrado nas celebrações do Mês de Portugal em Macau. A passagem pelo território, patrocinada pela Casa de Portugal, Fundação Oriente e pelo restaurante Lvsitanvs, antecede concertos em Zhuhai e Hong Kong, depois de passar por Shenzhen



A música portuguesa contemporânea ganha novos horizontes com a digressão asiática de Afonso Cabral. Reconhecido como um dos mais relevantes compositores e intérpretes lisboetas, tem sido influente no cenário da música da capital durante a última década, e apresenta-se agora no dia 3 de julho, pelas 20h00, na Casa Garden, em Macau. O concerto, de carácter intimista, cruza canções do seu mais recente álbum, “Demorar”, com temas de alusão ao seu percurso artístico, e conta com a companhia do guitarrista Pedro Branco, grande instrumentista português da actualidade.

A passagem por Macau insere-se numa digressão mais ampla que arranca no dia 2 de Julho em Shenzhen, na Old Heaven Books, e prossegue a 4 de Julho para Zhuhai, onde vão tocar na Antique 3000, e a 5 de Julho passam para Hong Kong, no espaço da Chez Trente. A presença em Macau é especialmente significativa por se integrar no programa oficial das celebrações do Mês de Portugal e com a Grande Baía a servir de ponto de partida para o resto da Ásia.

Poucas semanas após a edição do novo single “Dança Comigo na Ilusão”, Afonso Cabral inicia esta viagem que o levará também ao Japão, com concertos agendados para Osaka, Kyoto, Nagoya e Tóquio entre 8 e 11 de Julho. A tournée acontece graças ao apoio do Programa Ibermúsicas, através da linha de “Apoio à circulação de profissionais da música”, na convocatória de 2025.

Afonso Cabral, nascido em Lisboa em 1986, tem sido uma presença recorrente na cena musical portuguesa. O seu percurso inclui projectos como os You Can’t Win, Charlie Brown, as bandas de Bruno Pernadas, Minta & The Brook Trout ou Mais Alto!. Como escritor ainda realizou trabalhos como “Perto”, interpretada por Cristina Branco, e “Anda Estragar-me os Planos”, escrita em parceria com Francisca Cortesão para o Festival da Canção 2018 e reinterpretada mais tarde por Salvador Sobral.

O percurso discográfico de Afonso Cabral conheceu ainda um novo capítulo no final de 2024, com a edição de “Demorar”, sucessor de “Morada”, lançado cinco anos antes. O álbum, construído em torno da sua voz, conta com a colaboração de dois nomes de peso, o músico japonês Shugo Tokumaru e Manuela Azevedo, vocalista dos Clã. O trabalho granjeou reconhecimento da crítica especializada, tendo sido distinguido com o terceiro lugar nas listas de melhores do ano da Blitz e da Radar. Uma das particularidades do disco é a presença marcante de influências nipónicas, visíveis tanto na faixa “Paraíso”, uma evocação a Haruomi Hosono, e noutro dueto gravado à distância entre Lisboa e Tóquio.

A afinidade de Cabral com o Japão não é um fenómeno recente. Antes da actual digressão, o músico já se tinha apresentado no país em diferentes contextos, nomeadamente ao lado de Bruno Pernadas, no Festival de Frue, e no WWW X, em Shibuya, em 2018, e novamente em 2022, no Fruezinho. Em 2023, regressou a Tóquio para um concerto a solo, no Kong Tong, com Minta & The Brook Trout.

Quem o acompanha agora na estrada é Pedro Branco, guitarrista cujo percurso transita entre o jazz e a pop independente. Membro dos You Can’t Win, Charlie Brown e fundador do projecto Old Mountain, Branco tem colaborado com uma vasta gama de artistas, de Tiago Bettencourt a Mazgani, passando por Lavoisier e Tipo. Em 2022, estreou-se a solo com “A Narrativa Épica do Quotidiano”. Actualmente, prepara um projecto que cruza jazz com o repertório de Marco Paulo, “Branco toca Marco Paulo”, enquanto lecciona no mestrado de Musicoterapia na Jazz Performance pelo Conservatorium van Amsterdam.

A digressão asiática de Afonso Cabral e Pedro Branco é promovida pela Louva-a-Deus, um espaço de música no coração de Lisboa que nasceu do desejo de criar um ponto de encontro para a comunidade musical após o encerramento do estúdio 15-A e da editora Pataca Discos devido à pressão do mercado imobiliário. O projecto, segundo a página oficial do estúdio, começou com a ambição de recuperar o mítico estúdio Xangrilá, em Campolide, mas o negócio não se concretizou. Mas agora encontram-se numa antiga igreja baptista, construída na cave de um edifício de habitação perto do Jardim Zoológico. É desta base que agora parte a música portuguesa contemporânea para a Ásia.

A entrada para o concerto na Casa Garden é gratuita, sem necessidade de reserva. A organização recomenda chegada antecipada devido à lotação do espaço. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


domingo, 28 de junho de 2026

Hong Kong e Brasil negoceiam acordo para facilitar comércio bilateral

O Governo de Hong Kong anunciou o início das negociações com o Brasil para um acordo que poderá facilitar o comércio entre os dois mercados


A Alfândega de Hong Kong disse que assinou, no sábado, um plano de acção com a Secretaria Especial da Receita Federal, que está sob a tutela do Ministério da Fazenda do Brasil.

O plano “inicia oficialmente as negociações” com o Brasil para um Acordo de Reconhecimento Mútuo para Operadores Económicos Autorizados, disse a Alfândega, num comunicado.

O acordo permitirá aos operadores económicos autorizados “de ambas as economias usufruir de benefícios recíprocos de facilitação do comércio, incluindo taxas de inspeção reduzidas e desalfandegamento prioritário”, explica a nota.

O plano de acção foi assinado pelo comissário adjunto Li Kin-kei, e pelo coordenador-geral de Administração Aduaneira do Brasil, Felipe Mendes Moraes, em Bruxelas.

A assinatura aconteceu à margem de reuniões de vários órgãos da Organização Mundial das Alfândegas, que decorreram entre 22 e 27 de junho, na capital da Bélgica.

Também em Bruxelas, o comissário da Alfândega de Hong Kong, Chan Tsz-tat, assinou um Acordo de Reconhecimento Mútuo para Operadores Económicos Autorizados com o Chile.

O Governo da região sublinhou que este é o segundo protocolo assinado com uma economia da América do Sul, depois do acordo firmado com o Peru, em dezembro.

A Alfândega de Hong Kong prometeu prosseguir com discussões sobre acordos de reconhecimento mútuo com outras jurisdições e expandir a rede de operadores económicos autorizados.

O Governo apontou como alvos a Associação das Nações do Sudeste Asiático – da qual Timor-Leste é membro – estados árabes, países africanos e os que fazem parte da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota.

A iniciativa, anunciada pelo líder chinês, Xi Jinping, em 2013, envolve mais de 80 países – incluindo Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – para desenvolver ligações marítimas, rodoviárias e ferroviárias.

A Alfândega de Hong Kong já tinha assinado acordos de reconhecimento mútuo para operadores autorizados com 18 economias, incluindo a China continental, a vizinha região de Macau, Japão, Índia, Canadá e Austrália.

Em 17 de junho, o Governo de Hong Kong anunciou o alargamento a mais oito países, incluindo o Brasil, de um fundo criado para promover a internacionalização das pequenas e médias empresas (PME) locais.

O secretário para o Comércio e Desenvolvimento Económico, Algernon Yau Ying-wah, referiu também que o limite de financiamento por candidatura subiu de 100 mil para 150 mil dólares de Hong Kong.

O subsídio pode ser usado para participar em feiras e exposições numa das 48 economias abrangidas, assim como em publicidade, registo de marcas, testes ou certificações e em portais de PME na Internet. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”




quinta-feira, 25 de junho de 2026

Hong Kong - Gonçalo Lobo Pinheiro reúne passado e presente nas paredes do Foreign Correspondents’ Club

O fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro apresenta a partir de 2 de Julho, no Foreign Correspondents’ Club (FCC), o seu projecto “O que foi não volta a ser…”, desta vez em exposição. Com curadoria do fotógrafo e professor canadiano Ben Marans, a mostra reúne 30 imagens impressas seleccionadas de um conjunto mais vasto de 80 fotografias publicadas em dois volumes, em 2022 e 2025.


A cerimónia oficial de inauguração terá lugar no dia 7 de Julho, às 18h30, na Van Es Wall do FCC, um espaço dedicado à apresentação de trabalhos de fotógrafos e artistas de referência. A exposição estará patente até 31 de Julho.

O trabalho de Gonçalo Lobo Pinheiro, que tem vindo a construir uma obra centrada na memória, na impermanência e na transformação dos territórios, oferece um olhar documental e sensível sobre paisagens culturais e urbanas. O projecto nasceu da recolha de imagens antigas de Macau, captadas entre as décadas de 1930 e 1990, a preto e branco, adquiridas em leilões, na internet, a particulares, em lojas e até em Portugal. Nas palavras do fotógrafo, “cada imagem é uma tentativa de reconstituir o que já pouco ou nada existe, mas que continua a habitar o espaço como fantasma, como sombra que insiste em permanecer”.

Durante pouco mais de um ano, o fotógrafo foi juntando esses registos de épocas passadas, confrontando-os com a paisagem actual da cidade. Se alguns cenários ainda são reconhecíveis, outros simplesmente já não existem. Quando questionado sobre o acto de “fotografar fotografias”, Gonçalo Lobo Pinheiro diz ser “quase performativo”. Ao Ponto Final, descreveu o trabalho como “um diálogo silencioso entre o fotógrafo e a cidade, uma coreografia de paciência e insistência. A fotografia torna-se ponte entre tempos distintos, revelando que o espaço urbano é sempre reescrito e nunca definitivo”, referiu.

O fotógrafo, nascido em 1979 e radicado em Macau há mais de 12 anos, passou por várias publicações portuguesas e estrangeiras, incluindo Público, Expresso, Washington Post, BBC e The Guardian, antes de se fixar em Macau, onde contribui actualmente para a agência Lusa. Vencedor de vários prémios ao longo da carreira, publicou também diversos livros de fotografia, incluindo os da actual exposição. É membro fundador da associação Halftone.

A exposição actual surge após o encerramento do projecto, em finais de 2025, e convida o público a reflectir sobre a inevitabilidade da mudança e a certeza de que o que foi não volta a ser, “mesmo que muito se queira”… Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”




sexta-feira, 3 de abril de 2026

Hong Kong – Manteigaria abre loja no início de Maio

Ainda não há uma data oficial de abertura, mas, no início de Maio, abre a primeira loja da Manteigaria, na região vizinha, em Central. O objectivo é ter seis espaços em Hong Kong, até 2027


Macau foi a porta de entrada da Manteigaria, na Ásia. Agora chegou a vez de abrir o primeiro espaço, em Hong Kong, no início de Maio. Segundo Diogo Vieira, o espaço abre em Queen’s Road, mas há planos de expansão para Causeway Bay, Tsim Sha Tsui e Mong Kok.

A Manteigaria – Fábrica de Pastéis de Nata, parte do Grupo Portugália Restauração, deu o seu primeiro passo rumo à expansão internacional, com a abertura de uma loja em Macau, em Janeiro de 2025. “Macau foi o passo inicial de chegada à Ásia”, dada a ligação do território à cultura portuguesa, esclarece o sócio-gerente do grupo em Macau. “Faz sentido que um produto português tradicional tenha a sua base na Ásia em Macau”, acrescenta.

Hong Kong, pela proximidade ao território e por ser “muito atractivo” para uma marca que se quer expandir, é o próximo passo. “Estamos a falar de uma metrópole com 7 milhões de pessoas e com uma visibilidade para o mundo muito superior a Macau e que, pela forma de consumo, pela tipologia da comunidade local, pelos turistas que visitam, tem um nível de receptividade bastante alto”, explica.

Primeiro Macau, depois a Ásia

Em Macau, há mais concorrência. “Temos um Lord Stow’s Bakery, uma Margaret Cafe e Nata e os outros ‘egg tarts’”, afirma. Pelo contrário, na região vizinha, não havendo essas marcas, mas apenas as ‘egg tarts’ locais, diferentes dos pastéis de nata portugueses, há uma menor concorrência.

As ‘egg tarts’ que existem em Hong Kong não são inspiradas nos pastéis de nata portugueses. “Por acharmos isso e por considerarmos que há uma forma de consumo diferente, com uma receptividade bastante grande de produtos portugueses, Hong Kong faria todo o sentido”, afirma.

Na loja de Hong Kong, o responsável será Fábio Pombo, director-geral da marca, na região vizinha. “Está a fazer a abertura juntamente comigo em Hong Kong e nós, em Macau, estamos a dar todo este apoio operacional e de abertura, mas depois será ele a gerir o mercado de Hong Kong”, comenta.

A expectativa será de abrir entre entre duas a três lojas, em 2026, e outras três, em 2027, no território vizinho. “Queremos ter seis lojas abertas, no período de dois anos, porque o mercado é muito importante e também vai dar a oportunidade de testar a marca numa grande metrópole asiática, que é visitada por todo o mundo”, afirma.

Depois disso, poderá dar-se a expansão da marca para outras cidades do mundo, como Seul, Tóquio, Banguecoque e Singapura. “São outros mercados que queremos explorar e a marca tem uma vontade muito grande de se expandir, não só na Ásia, mas também na Europa”, afirma.

Não haverá testes a receitas, já que tudo isso foi feito em Macau, antes da abertura do primeiro espaço. “A receita que estamos a usar em Macau será a mesma que vamos usar em Hong Kong, porque acaba por atingir o mesmo mercado”, diz. Por isso, terá sempre uma menor quantidade de açúcar, face ao que é vendido na Europa. “Isso foi bem recebido pelos locais e compreendido pelos portugueses que cá moram”, realça. Hong Kong seguirá a mesma receita, assim como o resto da Ásia, quando se der essa expansão.

A localização

A primeira loja em Hong Kong será em Queen’s Road, uma das principais artérias do território vizinho. “Quisemos que a primeira loja estivesse num local com muita visibilidade, com um grande fluxo de pessoas a passar e depois virá o marketing e comunicação e a abertura de novas lojas”, refere. Os outros espaços deverão situar-se em zonas como Causeway Bay, Tsim Sha Tsui e Mong Kok.

Em Macau, há duas lojas da Manteigaria, a última das quais abriu, na Taipa, no fim de Novembro de 2025, e, para já, não há intenções em abrir novas. “Queremos estabilizar a operação nestas duas. Ainda há margem para crescer e Macau não é um território enorme que justifique”, diz. “O tipo de conceito e o produto implica que esteja em zonas com fluxos de pessoas, em sítios fora de Portugal”, garante. Afinal, se no país europeu o pastel de nata faz parte intrínseca da cultura, nas zonas fora de Portugal é um produto novo que precisa de ser mostrado. “As pessoas [fora de Portugal] não consomem pastel de nata como nós — provam, gostam, levam um ou dois e, se calhar, só voltam a consumir duas semanas depois ou um mês depois”, refere. É preciso, por isso, estar em zonas de passagem, que estimulem a curiosidade dos transeuntes. “Eventualmente, poderemos abrir nos grandes hotéis-casinos, mas esse será um plano mais para a frente”, declara Diogo Vieira. Luciana Leitão – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Timor-Leste – Quer reforçar ligação à China com consulado na Grande Baía

O delegado de Timor-Leste junto de um fórum sino-lusófono disse que recomendou ao Governo de Díli a abertura de uma representação diplomática em Macau ou Hong Kong, com um olho na Grande Baía


António Ramos da Silva defendeu que o país deveria criar um consulado ou consulado honorário, “considerando a importância estratégica“ das duas regiões no projeto da Grande Baía.

Este é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

O delegado timorense junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) disse que o cargo deveria ter uma missão alargada.

Num relatório dirigido ao executivo de Timor-Leste e enviado à Lusa, Ramos da Silva apontou para os “novos desenvolvimentos” da Grande Baía nas áreas comerciais, culturais e tecnológica. In “Plataforma” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 25 de março de 2026

Macau - Mais de 50 representantes lusófonos no Fórum Ambiental

Mais de 50 delegados e companhias de países lusófonos estarão presentes no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2026 (MIECF na sigla inglesa) deste ano, indicaram os organizadores.


O presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), Che Weng Keong, destacou que os países de língua portuguesa (PLP) têm vindo a desempenhar um “papel cada vez mais relevante na cooperação internacional em matéria de ambiente e sustentabilidade”, com o evento a ser uma oportunidade para reforçar a ligação entre Macau e estas nações.

Organizado pelo Governo da RAEM, o MIECF realiza-se entre 26 e 28 de Março, na zona de exposições do casino-hotel The Venetian Macao, e terá como tema “Cidades de Baixo Carbono e com Zero Resíduos: Embarcando numa Colaboração Global”.

A edição de 2026 vai reunir mais de 350 expositores de 12 países e regiões, incluindo empresas líderes do sector energético e ambiental do Interior da China, Macau, Hong Kong, países de língua portuguesa, países de língua espanhola, e do Sudeste Asiático.

“No ano passado tivemos 26 expositores dos PLP e este ano teremos mais de 50, de áreas como finanças verdes, reciclagem, e outras áreas de ecologia. Como plataforma entre a China e os PLP é importante para Macau atrair mais expositores para aumentar a cooperação”, indicou Che, na conferência de imprensa de apresentação do certame.

O evento inclui fóruns, exposições, bolsas de contactos temáticas e actividades de sensibilização ambiental, prevendo-se um aumento de cerca de 20% na participação internacional face ao ano anterior.

Estarão presentes, por exemplo, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, e o professor de economia da Universidade de Brasília e antigo vice-presidente de Sector Privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina, Jorge Arbache.

O 15.º Plano Quinquenal da China (2026-2030) aprovado este mês apresenta projectos para intensificar a transição ecológica do país, com foco na redução de 7% a 10% das emissões de carbono em toda a sua economia entre 7% e 10% até 2035, em comparação com 2025, ano do pico de emissões do país. O Governo da China prometeu anteriormente atingir o pico das suas emissões de carbono antes de 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060.

O plano quinquenal prevê ainda combater a desertificação do país, consolidar a liderança na indústria de veículos eléctricos, atingir uma percentagem de mais de 30% de energia não fóssil, e a expansão do uso de fontes de energia solar e eólica.

O director dos Serviços de Protecção Ambiental, Ip Kuong Lam, sublinhou ontem que o território está em preparação da nova fase do Planeamento da Protecção Ambiental de Macau (2026-2030), centrada na “redução das emissões de carbono” e na “redução da poluição”. O responsável destacou também medidas concretas em curso, nomeadamente no fornecimento de energia eléctrica e nos transportes terrestres.

“Está planeado aumentar para 50% a proporção de energia limpa na electricidade adquirida ao exterior, com o objectivo de alcançar a neutralidade carbónica até 2050”, disse.

Perito da Universidade Tsinghua será orador principal

Por outro lado, He Kebin será o orador principal do MIECF. Amanhã, no dia inaugural do MIECF, o professor da Faculdade de Ambiente e director do Instituto para a Neutralidade Carbónica da Universidade Tsinghua apesentará a sessão “Acção de Dupla Meta de Carbono e Construção de Cidades com Zero Resíduos”, uma análise do papel fundamental dos sistemas de gestão de resíduos sólidos.

Mais concretamente, o colóquio apresentará “referências práticas e recomendações políticas concretas”, no sentido de “aprofundar a promoção conjunta da gestão de resíduos sólidos e da estratégia da ‘Dupla Meta de Carbono’”, refere o MIECF. Espera-se que o também membro da Academia Chinesa de Engenharia ofereça “caminhos e abordagens viáveis às entidades governamentais, ao sector e ao meio académico”, no âmbito da transformação verde do desenvolvimento socioeconómico.

He Kebin dedicou a sua carreira à investigação na área da protecção ambiental, “assumindo um papel de liderança reconhecido”, refere o comunicado. Tendo acumulado “uma vasta experiência de investigação nas áreas da gestão ambiental e da promoção de cidades com zero resíduos”, He é actualmente vice-director do Comité Nacional de Peritos em Ecologia e Ambiente e vice-presidente da Sociedade de Ciências Ambientais e da Associação da Indústria da Protecção Ambiental da China, entre outros cargos. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Hong Kong - Acolhe exposição pioneira sobre o Egipto faraónico

O Museu do Palácio de Hong Kong abriu ao público a exposição “Egipto Antigo Revelado: Tesouros de Museus Egípcios”, que reúne 250 peças de sete instituições egípcias, na véspera do 70.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre Cairo e Pequim. A colecção, cedida por sete museus egípcios sob os auspícios do Conselho Supremo de Antiguidades, faz parte da Iniciativa Faixa e Rota, que visa reforçar a cooperação em infra-estruturas, comércio, finanças e cultura.


O actual contexto político reforça a importância do evento. Em Julho, no Cairo, o Primeiro-Ministro chinês, Li Qiang, e o Presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sisi, concordaram em aprofundar a cooperação em energias renováveis, tecnologia e intercâmbios culturais. Ao mesmo tempo, os bancos centrais de ambos os países assinaram acordos para promover a utilização do yuan nas transacções comerciais e de investimento, uma medida que os analistas interpretam como parte da internacionalização da moeda chinesa.

“Este projecto sinaliza um marco no diálogo entre a Ásia e África e consolida Hong Kong como um laboratório para novas formas de colaboração entre museus e curadoria”, enfatizou o director do museu, Louis Ng Chi-wa.

Patente até 31 de Agosto de 2026, a exposição poderá atrair cerca de 700 mil visitantes, estimou Louis Ng, esclarecendo que as peças foram seleccionadas entre as 700 expostas em Xangai no início deste ano. “Num gesto raro, o Presidente chinês, Xi Jinping, enviou uma carta de felicitações pela recente inauguração do Grande Museu Egípcio de Gizé, na qual mencionou a exposição de Xangai; é uma notícia maravilhosa que o Egipto esteja a exibir o seu património na China continental”, acrescentou, citado pela agência EFE.

A exposição foi concebida em torno de quatro temas. A “Terra dos Faraós” explora a organização política e o mundo religioso do Antigo Egipto, enquanto “A Lenda de Tutankhamon” e “Os Segredos de Sacara” ligam os visitantes ao jovem rei e às mais recentes descobertas na necrópole perto de Mênfis. A mostra termina com “O Antigo Egipto e o Mundo”, dedicada às interacções do Egipto com outras culturas mediterrânicas.

Entre as principais obras, destacam-se uma escultura de quartzito de Tutankhamon com 2,8 metros de altura, datada da XVIII dinastia (c. 1550-1295 a.C.), e uma figura de granito ajoelhada de Hatchepsut, uma das mais importantes governantes do Egipto faraónico.

A colecção inclui ainda múmias de felinos e bovinos, máscaras funerárias, vasos canópicos, estelas inscritas, instrumentos musicais, pães, sandálias e até um assento de sanita, um testemunho excepcional da vida doméstica no Vale do Nilo e das suas práticas em contextos quotidianos e funerários. O programa paralelo inclui palestras, visitas guiadas e workshops.

Para as famílias, serão oferecidas actividades como a confecção de amuletos, reconstrução de pirâmides e criação de jóias inspiradas em designs faraónicos.

A exposição chega a Hong Kong após a sua temporada em Xangai e simboliza uma crescente aproximação cultural entre a China e o Norte de África, numa altura em que empresas chinesas, como a estatal “China State Construction Engineering Corporation”, estão envolvidas em projectos de desenvolvimento urbano no Egipto, incluindo a nova capital administrativa perto do Cairo. In “Jornal Tribuna de Macau” com “Agência EFE”


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Macau - ‘Startups’ lusófonas brilham em concurso na RAEM

‘Startups’ dos países de língua portuguesa dominaram por completo os oito finalistas da categoria de empresas da quinta edição da competição sino-lusófona “929 Challenge” em Macau, disse um dos organizadores à Lusa. “Claro que nos surpreende, não é? Porque estamos a falar da China e pela quantidade de ‘startups’ e projectos. Mas, de facto, a qualidade aqui das lusófonas, eram muito boas, muito superiores”, disse Marco Duarte Rizzolio.


Ainda assim, o co-fundador da “929 Challenge” lembrou que, nas edições anteriores da competição, “também a representação dos lusófonos foi sempre maior do que as chinesas” entre os finalistas.

As oito ‘startups’ seleccionadas incluem cinco de Portugal, duas do Brasil e uma de Moçambique, revelou nas redes sociais a organização do concurso, cuja final vai decorrer a 30 de Novembro.

As finalistas portuguesas incluem a Azores Life Science, que produz cosméticos com recursos naturais do arquipélago dos Açores, e a ByonLink, que cria processadores avançados para próteses robóticas. Outras candidatas são a Complear, que ajuda empresas de saúde digital a cumprir as exigências dos reguladores, e a Scubic, que procura melhorar a eficiência energética em edifícios públicos.

A Dermamatica, que usa inteligência artificial (IA) para o rastreio a três dimensões do cancro da pele, volta a Macau, onde em Junho já tinha sido distinguida noutro concurso de empreendedorismo, para empresas de Brasil e de Portugal.

Do Brasil vêm a Manycontent, que usa IA para marketing e vendas nas redes sociais, e a Phycolabs, que transforma algas em produtos têxteis, enquanto a moçambicana Xa Nene usa larvas de moscas para tornar lixo orgânico em comida para animais.

Rizzolio destacou a presença forte de projectos de biotecnologia, uma área onde Portugal e Brasil se destacam, algo que “é muito bom porque [para] a China é um dos sectores estratégicos”.

Já entre as oito equipas de estudantes uma é da Universidade do Porto, outra do Centro Universitário do Estado de Pará (Brasil), três de Macau, duas da China Continental e uma de Hong Kong.

Os 16 finalistas terão 10 minutos para convencer o júri da “929 Challenge” e potenciais investidores na final.

Os países lusófonos estiveram pela primeira vez em maioria, representando cerca de 65% das mais de 400 candidaturas. A competição atraiu 170 ‘startups’ dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) e de Timor-Leste, mais 73% do que em 2024. A quinta edição do “929 Challenge” inclui pela primeira vez o prémio “Future Builders” (Criadores do Futuro), para a melhor ‘startup’ dos PALOP e de Timor-Leste.

O concurso é co-organizado pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) e por várias instituições da RAEM, incluindo todas as universidades. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sábado, 25 de outubro de 2025

Macau - “PortugalFoods” de olho no mercado online chinês

A “PortugalFoods assinou um acordo com a “Tmall” para ter “uma forte presença portuguesa” numa das maiores plataformas de comércio electrónico da China, revelou a directora executiva da associação do sector agro-alimentar. Deolinda Silva considerou “muitíssimo interessante” o protocolo de cooperação assinado durante a 2ª Exposição Económica e Comercial China–Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), em Macau.


“O nosso objectivo é começarmos a trabalhar realmente na constituição de – eu não digo uma loja – uma forte presença portuguesa nesta plataforma”, explicou. “Não é fácil, mas eles estão ali prontos para nos ajudar, e nós também já vamos cada vez mais adquirindo mais conhecimento sobre o desafio que nos espera”, admitiu.

A cooperação arrancou com uma apresentação dos produtos de associados da “PortugalFoods” junto de empresas chinesas “das mais variadas categorias”, revelou. A associação trouxe produtos de 12 companhias à C-PLPEX, mas conta com mais de 200 associados entre empresas, entidades do sistema científico e da fileira agro-alimentar e outras actividades conexas.

A apresentação faz parte de uma estratégia da “Tmall” para promover os produtos agro-alimentares portugueses “de uma forma agregada, para se ganhar alguma dimensão”, referiu Deolinda Silva. “O trabalho que tem de ser feito junto destes parceiros chineses é imenso, porque praticamente não existe uma presença de produtos portugueses”, lamentou.

O primeiro contacto com a “Tmall” aconteceu durante a edição de 2024 do “FHC Shanghai Global Food Trade Show”. A “PortugalFoods” voltará a participar nesta feira, entre 12 e 14 de Novembro, para “percepcionar melhor o potencial que existe para criar parcerias” para encontrar futuros compradores, referiu a directora executiva.

A China “é um mercado com um potencial brutal, mas que deve ser trabalhado de forma faseada e por regiões”, disse Silva, apontando o sul da China como prioridade.

Segundo a “PortugalFoods”, as exportações agro-alimentares portuguesas atingiram 10 mil milhões de euros em 2024, um crescimento anual de 8,5%. A associação antecipa novo crescimento em 2025, embora mais modesto.

Empresa de Fafe quer exportar pudins para a China

Por sua vez, uma empresa de Fafe está a investir em robots para conseguir produzir, por ano, um milhão de pudins inspirados no pudim abade de priscos e começar a exportar para a China. O criador do Pudim da TV, Paulo Fernandes, anunciou que, até ao final do ano, a fábrica da empresa no distrito de Braga terá quatro robots a operar, atingindo assim a capacidade para produzir um milhão de pudins por ano.

A unidade fabril, criada há dois anos e meio, já fornece sobremesas a mais de 400 restaurantes em Portugal e exporta para nove países na Europa e América do Sul, disse Fernandes no segundo dia da C-PLPEX, que está a decorrer em simultâneo com a 30ª Feira Internacional de Macau.

Fernandes trouxe o Pudim da TV ao território “acima de tudo para tentar perceber como é que é o palato daqui dos chineses, se o pudim é bem aceite ou se nós temos que fazer alguma afinação ao sabor”.

A empresa, cujo volume de negócios atinge “umas centenas de milhares de euros”, pretende também “arranjar parceiros” para fazer a distribuição do pudim e repetir “o crescimento exponencial” do pastel de nata no estrangeiro.

Paulo Fernandes disse estar a analisar a possibilidade de aderir a um programa do Governo de Macau, que irá entrar em vigor em Novembro, para ajudar empresas estrangeiras a internacionalizar-se a partir da RAEM. O chef revelou que tinha reuniões marcadas com potenciais parceiros. Dependendo do interesse, Macau pode ser a “porta de entrada” do Pudim da TV para mercados como Hong Kong e a China continental. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

China - Portugueses abrem restaurante em Hengqin

Um restaurante de gastronomia mediterrânica abre oficialmente este sábado na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. Localizado no centro comercial Huafa, o restaurante Vivo é um Projecto de dois portugueses que viram uma oportunidade de aproximar duas geografias – China e sul da Europa.


Não se trata de culinária de fusão. Ainda assim convivem neste restaurante várias tradições: culinárias portuguesa, espanhola e italiana, preparadas por um chef de Xangai com matéria-prima chinesa.

“Estamos na China, queremos apostar em produtos frescos chineses”, diz à Lusa um dos sócios, João Maria Pegado.

Tanto é que no menu não se encontra, para já, o tradicional polvo à lagareiro. Há que continuar a percorrer os mercados locais até encontrar o produto ideal, explica Pegado.

“Poderíamos ir a Macau buscar o polvo congelado, mas o nosso grande objectivo era trabalhar com produtos frescos na China. Em termos de custo, torna muito mais rentável, mas queremos também aproveitar e fazer esta fusão entre produtos chineses e pratos portugueses”, diz.

O Vivo está em modo ‘soft opening’ desde 18 de Julho. E João Maria Pegado não se queixa do trajecto percorrido até aqui, apesar da dificuldade da língua.

À Lusa, diz que vai concorrer em breve aos apoios do Governo de Macau, numa altura em que as autoridades incentivam o investimento na Zona de Cooperação Aprofundada, uma área económica especial, criada em 2021 com vista à diversificação económica e integração regional da RAEM no resto do país.

E Hengqin atrai cada vez mais visitantes de Macau, refere o investidor. Nesta área gerida pelos dois lados da fronteira, já é permitida, por exemplo, a circulação de condutores de Macau, mediante pedido de licença, lembra Pegado.

Mas há outros atractivos: a gasolina é mais barata – “os carros de Macau vêm abastecer-se ao fim de semana, parecemos nós [portugueses] em Badajoz” – os supermercados mais em conta, mais espaço e mais áreas verdes. “Espaço aberto onde se pode relaxar sem se estar no meio da cidade. Essa é a grande razão que faz com que as pessoas troquem Macau por Hengqin ao fim-de-semana e às vezes até durante a semana, à hora do almoço”, reflecte.

Também Hengqin parece ser uma opção mais económica para os chineses que visitam Macau, onde, de acordo com dados referentes a Agosto, o preço médio de um quarto de hotel é 1461 patacas.

“Hengqin tem sido cada vez mais um ponto de concentração, de dormida, utilizado por muitos visitantes. Muitos dos prédios que foram feitos como escritórios, o Governo deu licenças (…) para se fazerem hotéis ao estilo de Airbnb [alojamento local]”, disse.

Hong Kong e Macau são, para já, origem do grosso dos visitantes do restaurante, mas João Maria Pegado espera também alcançar mais consumidores do Interior da China.

“Ainda há poucas pessoas que sabem o que significa [o conceito] mediterrânico”, salienta, referindo, no entanto, que, para muitos dos que visitaram o Vivo, a paella negra tem sido escolha recorrente.

A este prato juntam-se outras especialidades da casa, como arroz à pescador, camarões à guilho ou frango no churrasco, nomeia Pegado, que deixou uma carreira ligada ao desporto para se dedicar ao negócio da restauração.

“É especial”, assume. “Sentia que faltava um restaurante de comida ocidental, e que poderia ter sucesso nessa parte (…). Vivo em Hengqin há três anos e é um local que aprecio bastante, permite-me estar perto de Macau, cidade onde cresci e com a qual me sinto identificado”, conclui. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 23 de setembro de 2025

Hong Kong – Bomba da Segunda Guerra Mundial obriga a evacuação de seis mil pessoas

As autoridades de Hong Kong ordenaram sábado a retirada de seis mil pessoas de 18 edifícios na zona de Quarry Bay, após terem descoberto uma bomba da Segunda Guerra Mundial, “totalmente operacional”


O objecto, descoberto a dez metros de profundidade na tarde de sexta-feira, foi considerado operacional e de alto risco pelos especialistas em desmantelamento da polícia.

A bomba de 1,5 metros de comprimento, contendo 227 quilos de explosivos e possivelmente lançada por uma aeronave dos Estados Unidos durante a guerra, foi descoberta durante obras de construção.

Os polícias e os grupos de apoio comunitário da área notificaram rapidamente os residentes dos edifícios próximos, incentivando-os a abandonar os apartamentos e a procurar abrigo em áreas protegidas.

A operação, liderada pela Unidade de Desativação de Artilharia da Polícia, começou às 02:00, para tentar desmontar o dispositivo e provocar uma explosão controlada num prazo de 12 horas.

Após a conclusão da operação, as estradas adjacentes, que foram bloqueadas por precaução, foram reabertas e permitir o regresso dos deslocados, desde que não haja imprevistos.

Para proteger o público e agilizar a evacuação, os bombeiros mobilizaram dois veículos de emergência, duas unidades médicas e um centro móvel de assistência a vítimas.

O chefe interino da polícia de Hong Kong para o sector leste, Lo Shui-sang, disse que os agentes têm também equipamento de combate a incêndios e tecnologia robótica prontos para apoiar a operação.

Henry Lai, representante do Departamento de Assuntos Internos, confirmou que 35 grupos de assistência locais estão a colaborar na operação, com apoio adicional do distrito de Wan Chai, e que foi providenciado transporte para transportar os afetados para espaços comunitários e alojamento temporário.

Em 2018, foram descobertos três artefactos semelhantes em Wan Chai, onde um projétil de peso idêntico exigiu 20 horas de trabalho e a retirada de 1250 pessoas.

Estes incidentes, embora esporádicos, evidenciam as dificuldades de uma cidade como a antiga colónia britânica, onde a incessante urbanização regularmente traz de volta à superfície relíquias de conflitos passados.

Documentos históricos registam intensos bombardeamentos aliados desde 1942 – após o Japão ter conquistado Hong Kong no Natal de 1941 – com um ataque devastador em 1945 que deixou centenas de vítimas e inúmeras munições não detonadas.

Os especialistas alertam que o ‘boom’ imobiliário pode revelar mais vestígios nesta região, marcada pelo passado colonial e pelos conflitos do século XX. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 5 de agosto de 2025

Taiwan - Endurece requisitos de viagem de funcionários públicos a Macau e Hong Kong

Taiwan alterou os requisitos de viagem para funcionários públicos que visitem as regiões administrativas especiais chinesas de Hong Kong e Macau, informou a imprensa local.


Segundo fontes citadas pelo jornal Taipei Times, próximo do Executivo liderado por William Lai, o Conselho de Assuntos do Continente (MAC, na sigla em inglês) – responsável pelas relações com a China – alterou a regulação vigente para exigir que os funcionários que viajem por “motivos não oficiais” a estes territórios apresentem relatórios antes e depois das visitas. Os que não entregarem essas informações poderão enfrentar “medidas disciplinares”, indicaram as fontes, acrescentando que as mudanças legislativas serão submetidas ao parlamento para aprovação e implementação definitiva.

“As viagens à China, Hong Kong e Macau implicam riscos crescentes, e Taiwan vai reforçar ainda mais o sistema de gestão do seu pessoal governamental”, referiram as fontes, explicando que os relatórios devem incluir também detalhes sobre reuniões ou contactos com “pessoas específicas” desses territórios.

A mudança ocorre cerca de meio ano após William Lai ter anunciado um conjunto de iniciativas para contrariar as operações de influência de Pequim. Entre as medidas está a obrigação de divulgação, por parte de todos os funcionários do Governo, a nível central e local, de qualquer participação em intercâmbios com entidades chinesas.

Em Abril, o Executivo taiwanês já tinha endurecido os critérios para a atribuição de residência a cidadãos de Hong Kong e Macau, por “razões de segurança nacional”. Na altura, o presidente do MAC, Chiu Chui-cheng, explicou que os requerentes de residência oriundos destes territórios passarão a ser avaliados sob uma nova categoria que incluirá um “período de observação de segurança nacional”, com o objectivo de “garantir maior segurança” para os cidadãos de Taiwan. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 5 de junho de 2025

Ásia - Ópera cantonense e dança portuguesa “deslumbram” a Oriente

O Instituto Cultural (IC) apresentou a dança folclórica portuguesa e a ópera cantonense em várias cidades da Ásia Oriental. Segundo o IC, as actuações “deslumbrantes” demonstraram a “essência da coexistência multicultural” de Macau


O Instituto Cultural (IC) foi convidado a participar nas actividades de abertura do programa da “Cidade de Cultura da Ásia Oriental”, sendo que as cerimónias decorreram na RAEM, em Huzhou, Anseong e Kamakura. O IC apresentou actuações de dança folclórica portuguesa e ópera cantonense, no sentido de “apresentar a profunda essência da coexistência multicultural de Macau”, refere uma nota do instituto.

Representantes da Associação de Danças e Cantares Portuguesa “Macau no Coração” apresentaram a dança folclórica portuguesa em Huzhou, um dos itens da Lista do Património Cultural Intangível de Macau, demonstrando “as características de fusão cultural sino-portuguesa de Macau”, com “ritmos alegres e encanto único”.

A Associação de Ópera Cantonense Zhen Hua Sing, por sua vez, “levou o tesouro da arte tradicional de Lingnan”, às cidades de Anseong e de Kamakura. Os artistas Chu Chan Wa e Mok Weng Lam apresentaram a “essência” desta arte tradicional com actuações “deslumbrantes”.

Segundo o IC, os espectáculos proporcionaram ao público “uma festa artística tradicional na sua essência e moderna no seu estilo” e mostraram “a vitalidade em termos de herança cultural e de inovação” de Macau, promovendo intercâmbio e cooperação cultural na região da Ásia Oriental.

A iniciativa reforçou os laços culturais com as cidades que acolheram os espectáculos e mostrou ao mundo “o encanto da cultura chinesa”, no domínio das humanidades e das artes, segundo a nota de imprensa. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


segunda-feira, 26 de maio de 2025

Macau - Conferência na Universidade de Macau reforça papel dos museus na transformação sociocultural da Grande Baía

A Universidade de Macau reuniu especialistas e responsáveis de museus da região da Grande Baía, na passada sexta-feira, para discutir o futuro do sector. O evento, denominado “Conferência de Intercâmbio de Desenvolvimento de Museus da Zona da Grande Baía”, deu principal destaque à inovação, à importância da cooperação regional e o papel dos museus na construção de uma sociedade mais humanista, com o intuito de fortalecer o património cultural da zona até Junho de 2025



Num momento em que a cultura e a inovação ganham foco na procura por um desenvolvimento sustentável, a Zona da Grande Baía tem-se destacado pelo esforço em fortalecer o papel dos museus como agentes de transformação social, como foi evidenciado na passada sexta-feira, dia 23 de Maio.

A Universidade de Macau (UM) recebeu uma conferência de relevo dedicada ao futuro do sector museológico na região, numa iniciativa que reflecte a ambição de criar uma sociedade mais humanista, integrada e inovadora através do património cultural. A organização do evento ficou a cargo do Instituto Cultural (IC) e da UM, com o apoio do MGM.

No âmbito das celebrações do Dia Internacional dos Museus, celebrado a 18 de Maio, o evento contou com a presença de peritos, académicos e dirigentes institucionais de várias regiões da Grande Baía, incluindo Guangdong, Hong Kong e Macau. O programa do dia incluiu diversas actividades, dando início com a inauguração da exposição “Sobre os Livros” no Museu de Arte da UM, que reuniu mais de 50 exemplares de livros antigos chineses e ocidentais, destacando a relevância dos livros enquanto veículos de conhecimento e obras de arte. A inauguração destacou o papel dos museus na preservação do património e na promoção do conhecimento, como elementos fundamentais para a construção de uma sociedade informada e culturalmente enriquecida.

A conferência, presidida por figuras como Wan Sucheng, director do Departamento de Publicidade e Cultura do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central em Macau, e Choi Kin Long, presidente substituto do IC, abordou temas que revelam o potencial dos museus na era da inovação tecnológica. Zhao Feng, membro do Comité Executivo do Conselho Internacional de Museus, falou sobre o impacto das novas tecnologias na museologia, destacando as oportunidades de inovação que estas proporcionam para envolver públicos mais diversificados e ampliar o acesso ao património cultural.

A discussão aprofundou-se ainda na importância de fortalecer os intercâmbios culturais na região da Grande Baía, com Feng Fangdan, da Direção dos Serviços de Assuntos de Subsistência em Hengqin, a sublinhar a necessidade de uma maior colaboração entre os diferentes sectores museológicos. Zhao Lifan, vice-directora do Museu de Guangdong, apresentou uma visão sobre a evolução dos museus na província, defendendo uma abordagem diversificada e de alta qualidade para garantir a relevância e sustentabilidade destas instituições na nova era.

O sector de Hong Kong também esteve presente com Lam Kwok Fai, do Museu do Património de Hong Kong, que destacou a importância da tecnologia na dinamização dos museus e na sua função de agentes culturais. Para os responsáveis pela gestão de museus de menor dimensão, como Zhang Peng, membro do Comité Permanente do Comité de Trabalho da Juventude da Associação dos Museus da China, os desafios da reactivação e da inovação em museus pequenos e micro-museus, são essenciais para garantir a sua sustentabilidade e impacto social.

Por sua vez, os docentes universitários Li Jun e Li Fan abordaram questões relacionadas com a curadoria na era da globalização e a relação entre museus universitários e o ensino superior, reforçando o papel formativo e educativo destas instituições no contexto contemporâneo.

O encontro foi também uma oportunidade para reforçar a cooperação regional, com a participação de representantes de treze museus de cidades como Guangzhou, Zhuhai e Shenzhen, empenhados em promover o intercâmbio de boas práticas e estratégias inovadoras para o sector.

Num esforço conjunto, Macau, Guangdong e Hong Kong pretendem consolidar uma região culturalmente vibrante, onde os museus deixam de ser apenas locais de exposição para assumirem funções de ponte entre o passado e o futuro; espaços educacionais sobre tradição e inovação. A iniciativa integra-se numa série de actividades que se estendem até meados de Junho, no âmbito do “Dia Internacional dos Museus de Macau 2025”, promovendo o diálogo, o conhecimento e a colaboração entre as diferentes instituições culturais.

Através da modernização e cooperação internacional, a região da Grande Baía demonstra o seu potencial cultural, destacando os museus como ferramenta poderosa para a construção de uma sociedade mais humanista e consciente do seu património, como delineado pelo Governo na página oficial dos “Museus de Macau”.

Numa outra iniciativa museológica, que já arrancou no dia 19 de Maio, a exposição “Corredor do Museu”, inserida na agenda do “Dia Internacional dos Museus de Macau 2025”, decorre até dia 15 de Junho, com diversas outras actividades distribuídas entre os vários museus de Macau. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 19 de maio de 2025

Macau e Hong Kong poderão colaborar com portos portugueses

As autoridades de Macau e Hong Kong expressaram interesse em explorar potenciais colaborações com portos em Portugal, disse a directora-geral de Política do Mar.



Marisa Lameiras da Silva encontrou-se na sexta-feira com a directora dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água de Macau, Susana Wong Soi Man, e o director dos Serviços de Protecção Ambiental, Ip Kuong Lam. Na quinta-feira, já tinha sido recebida em Hong Kong pela nova Secretária para os Transportes e Logística, Mable Chan, que tomou posse em Dezembro.

Nesses encontros, a directora-geral apresentou a Estratégia Nacional para o Mar até 2030 e “os últimos investimentos” que Portugal tem feito no transporte marítimo, portos, energias renováveis oceânicas, biotecnologia e bioeconomia azul. Lameiras da Silva disse que as autoridades dos dois territórios “realmente demonstraram interesse nestas matérias, nomeadamente no que Portugal tem feito na área dos portos”.

Não foi firmado qualquer acordo em concreto, até “porque esta é uma missão quase relâmpago, de três dias”, mas há “interesse em continuarmos a conversar”, referiu a dirigente.

Lameiras da Silva sublinhou a importância de “perceber onde há sinergias e onde há oportunidades de colaboração e parcerias”, não apenas com instituições públicas, mas também com empresas privadas.

Ainda na sexta-feira, a directora-geral falou sobre economia azul sustentável no Instituto Internacional de Macau e interviu durante o jantar de gala anual da Câmara de Comércio Europeia em Macau.

Lameiras da Silva, também presidente do Conselho de Gestão Estratégica da Rede Hub Azul, falava aos jornalistas após um diálogo com alunos da Escola Portuguesa de Macau sobre o futuro dos oceanos. O objectivo foi “trazer um pouco de consciência para a camada mais jovem, para a comunidade escolar, da importância do mar na nossa vida, bem como do impacto que nós temos no nosso dia-a-dia perante o oceano”, explicou.

Referindo-se às eleições legislativas em Portugal, Marisa Lameiras da Silva disse que seja qual for o novo Governo, tem esperança de que a aposta no mar continue a ser uma aposta transversal à política portuguesa. “Acho que é mais do que óbvio que o desígnio de Portugal também passa pelo mar e, portanto, há claramente a intenção de continuarmos aqui a trabalhar para a economia azul, respeitando sempre o que é a sustentabilidade ambiental e o crescimento económico”, referiu. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 4 de abril de 2025

China - Académicos realçam papel de Macau nas relações com o Brasil

A conferência anual da Aliança para o Ensino da Língua Portuguesa na Grande Baía teve lugar na Universidade Politécnica de Macau, para debater, entre outros temas, o papel da RAEM como canal de comunicação nas relações entre a China e o Brasil. O debate contou com a presença de mais de uma centena de professores e alunos



Sob o tema “Potencialização da Grande Baía: Inovação e Desenvolvimento no Comércio Sino-Brasileiro sob a Nova Rota da Seda”, a conferência anual da Aliança para o Ensino da Língua Portuguesa na Grande Baía reuniu na Universidade Politécnica de Macau (UPM) mais de uma centena de professores e alunos, entre os quais especialistas e académicos de Guangdong, Hong Kong, Macau e Brasil. Segundo a UPM, o debate explorou as oportunidades geradas pelo desenvolvimento inovador do comércio China-Brasil, tendo em vista promover intercâmbios académicos da língua portuguesa na Grande Baía e impulsionar o novo padrão de cooperação e desenvolvimento de “Uma Faixa, Uma Rota”.

Vários oradores expuseram os seus pontos de vista, focados no papel estratégico, inovador e orientador das relações China-Brasil.

Marcus Im, reitor da UPM, disse durante o encontro que, com base na Grande Baía, aquela instituição de ensino desenvolve uma plataforma para a cooperação entre os dois países, em áreas como educação, ciências, tecnologias e cultura. Ao mesmo tempo, promove uma cooperação mais estreita no campo do ensino superior, “a fim de criar um novo padrão de cooperação vantajosa para ambas as partes e de prosperidade comum”.

Por sua vez, o vice-director Permanente da Escola de Educação Profissional e Contínua da Universidade de Hong Kong, apresentou a história do comércio entre a China e o Brasil e o papel de Macau na cooperação entre os dois países. Macau enquanto plataforma entre a China e os PLP “constituiu um canal de comunicação para o estabelecimento das relações China-Brasil e tornou-se uma das pontes de ligação”, disse Sonny Lo.

O representante da RAEHK discursou sobre o tema “Relações Bilaterais entre a China e o Brasil e o Papel de Macau”, afirmando que o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada “cria mais possibilidades de comércio para o Brasil”, assim como a cooperação em matéria de comércio, investimento e tecnologia na Grande Baía e em Hengqin “abre novas oportunidades para o desenvolvimento comercial entre a China e o Brasil”.

Já o reitor da Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, Yan Xiangbin, salientou a vontade em explorar, em conjunto com os parceiros da Aliança, “novos caminhos para a cooperação na educação”, manifestando o interesse na formação de mais quadros qualificados para a promoção do intercâmbio entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP). Assim, sustentou, poderá ser criado “um novo futuro para o desenvolvimento comercial” e aberto “um novo capítulo da cooperação entre a China e os PLP, fortalecendo as relações entre a China e o Brasil”.

Enquanto isto, o director do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas do Brasil, apresentou na conferência da Aliança os resultados académicos e de investigação científica do Grupo de Estudos Brasil-China da Universidade Estadual de Campinas, do Centro Cass-Unicamp de Estudos sobre a China e do Instituto Confúcio. Célio Hiratuka revelou que a Universidade de Campinas está em processo de criação de um centro de estudos interdisciplinares Brasil-China, que integrará recursos académicos para a realização de pesquisas em cinco áreas, nomeadamente sociedade, cultura e línguas, economia, políticas públicas e relações internacionais, ciências, tecnologias e inovação, ambiente, transição energética e desenvolvimento sustentável e saúde e ciências da vida. Deste modo, a universidade brasileira pretende “contribuir para a promoção da cooperação diversificada entre os dois países”, expressou.

A Aliança para o Ensino da Língua Portuguesa na Grande Baía foi criada em 2020 mediante a cooperação entre a UPM, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong e a Escola de Educação Profissional e Contínua da Universidade de Hong Kong. Tem como objectivo desenvolver o papel de Macau como plataforma entre a China e os PLP, reforçar o intercâmbio de professores e estudantes entre Guangdong, Hong Kong e Macau e, através da realização conjunta de seminários académicos, competições académicas, projectos de cooperação científica, entre outros, promover a integração, a inovação, a partilha e o desenvolvimento do ensino da língua portuguesa nas três regiões. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”