Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Macau - Associação quer aprofundar intercâmbio jurídico entre a China e o mundo lusófono

Uma deslocação ao Brasil da Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau focou-se na cooperação, arbitragem internacional e nos impactos da inteligência artificial no sector jurídico. A delegação assinou memorandos de entendimento com sete instituições brasileiras, abrangendo associações empresariais, escritórios de advocacia, faculdades de direito, arbitragem e mediação. No futuro, a Associação pretende aprofundar a articulação de regras jurídicas entre Hengqin e Macau, promover o sistema de serviços jurídicos para a internacionalização da medicina tradicional chinesa e expandir a cooperação na área de resolução de disputas internacionais


A Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau (MLEPA, na sigla em inglês) realizou uma visita institucional ao Brasil focada na cooperação jurídica, arbitragem internacional e nos impactos da inteligência artificial (IA) no sector. A comitiva cumpriu uma extensa agenda, que incluiu diversos encontros focados nas oportunidades e desafios do uso de IA generativa na advocacia, protecção de dados e comércio transfronteiriço.

Durante a estada em São Paulo, a MLEPA assinou memorandos de entendimento com sete instituições brasileiras de referência, como o Ibrachina e o IBCJ, abrangendo associações empresariais, escritórios de advocacia, faculdades de direito, arbitragem e mediação.

Além disso, realizou visitas e encontros, com passagens por organismos de São Paulo, como o Tribunal de Justiça, a OAB/SP, a Assembleia Legislativa e a Faculdade de Direito da USP. O objectivo central foi consolidar Macau como uma plataforma de serviços para a cooperação jurídica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa (PLP).

A delegação promoveu igualmente o seu primeiro seminário jurídico no Brasil, construindo oficialmente um canal bilateral de serviços jurídicos “China Continental-Hengqin-Macau-Brasil”. Ao Jornal Tribuna de Macau, a associação disse que a conferência constituiu um “marco importante para a cooperação da associação com o país lusófono da América Latina”.

O painel com especialistas da RAEM contou com a participação de membros da MLEPA, nomeadamente Joaquim Vong e Brian Cheang, respectivamente presidente e vice-presidente executivo, e Stephen Hu, especialista em investimentos bilaterais.

O evento reuniu académicos e profissionais do Direito para debater oportunidades, desafios e tendências na profissão jurídica na era da IA generativa, com foco na troca de experiências sobre inovação, transformação digital e cooperação institucional entre o Brasil e a China.

Brian Cheang falou sobre a legislação relativa à protecção de dados pessoais na era da IA generativa, destacando o papel da MLEPA e a importância de laços mais estreitos com o Brasil. O advogado salientou que, “como temos muitos advogados em Macau que falam português, somos vistos como uma plataforma de interacção entre a China e os PLP, entre os quais o Brasil”, acrescentando que, “cada vez mais, os profissionais do Direito chineses estão a reconhecer a necessidade de uma maior interacção”.

Joaquim Vong abordou a aplicação da IA no Direito na China Continental e em Macau, afirmando a necessidade de “unir forças para construir uma plataforma de IA para o comércio jurídico entre a China e o Brasil, tendo Macau como centro nevrálgico”. Desta forma, expressou, “podemos promover a cooperação económica e comercial bilateral, aprofundando as relações de amizade”.

Por sua vez, Stephen Hu fez uma apresentação sobre as oportunidades e os desafios da IA generativa para os profissionais do Direito, propondo uma reflexão sobre os limites da sua utilização na prática jurídica. “Temos de verificar quais as plataformas mais adequadas para cada tarefa, analisando os dados e encontrando um equilíbrio entre o trabalho automatizado e a verificação humana”, mencionou.

Em termos de futuro, a MLEPA centrar-se-á na construção do “Corredor Económico e Jurídico China Continental – Hengqin/Macau – Brasil”, com foco em cinco áreas: resolução de disputas transfronteiriças, serviços jurídicos para investimentos bilaterais, serviços de internacionalização da medicina tradicional chinesa e comércio, intercâmbio de talentos e académico, e articulação de regras jurídicas entre Hengqin e Macau. “Iremos expandir gradualmente a rede de cooperação para todos os países lusófonos do mundo”, refere a nota enviada ao JTM.

Sobre o intercâmbio com os PLP, a MLEPA salienta que, “baseando-se no posicionamento de Macau como plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países lusófonos e no papel de apoio da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, aprofundar o intercâmbio jurídico entre a China continental e os países lusófonos é tanto um requisito para servir a estratégia de desenvolvimento nacional como uma medida necessária para usufruir das vantagens únicas de Macau e promover a sua diversificação económica adequada”.

A MLEPA, fundada em 2019, é composta por profissionais jurídicos diversificados: advogados locais em exercício, docentes de Direito de universidades, funcionários públicos da área jurídica e consultores jurídicos empresariais.

“A missão central é defender a autoridade da Constituição e da Lei Básica de Macau, promover a integração da comunidade jurídica da RAEM no desenvolvimento nacional, participar na articulação de regras da Grande Baía e da Zona de Cooperação de Hengqin, e construir uma ponte de intercâmbio jurídico entre a China continental e os países lusófonos”, salienta a associação.

Desde que foi criada, a MLEPA realizou, durante seis anos consecutivos o “Fórum de Inovação Jurídica da Grande Baía”, publicou diversos guias jurídicos, obteve autorização para estabelecer a Representação em Guangdong em Hengqin, criou a marca de intercâmbio juvenil “Rota da Seda Liga Macau: Jovens da Ibéria”, e conta com uma rede de cooperação global que abrange mais de 100 instituições profissionais. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Ásia – Digressão do cantor Afonso Cabral e do músico Pedro Branco traz concertos a Macau e Hong Kong

O cantor e compositor Afonso Cabral, um dos nomes mais falados da música portuguesa actual, inicia já esta semana uma tour asiática que o fará passar por Macau no próximo dia 3 de Julho. Acompanhado pelo guitarrista Pedro Branco, o músico apresenta-se na Casa Garden, num concerto integrado nas celebrações do Mês de Portugal em Macau. A passagem pelo território, patrocinada pela Casa de Portugal, Fundação Oriente e pelo restaurante Lvsitanvs, antecede concertos em Zhuhai e Hong Kong, depois de passar por Shenzhen



A música portuguesa contemporânea ganha novos horizontes com a digressão asiática de Afonso Cabral. Reconhecido como um dos mais relevantes compositores e intérpretes lisboetas, tem sido influente no cenário da música da capital durante a última década, e apresenta-se agora no dia 3 de julho, pelas 20h00, na Casa Garden, em Macau. O concerto, de carácter intimista, cruza canções do seu mais recente álbum, “Demorar”, com temas de alusão ao seu percurso artístico, e conta com a companhia do guitarrista Pedro Branco, grande instrumentista português da actualidade.

A passagem por Macau insere-se numa digressão mais ampla que arranca no dia 2 de Julho em Shenzhen, na Old Heaven Books, e prossegue a 4 de Julho para Zhuhai, onde vão tocar na Antique 3000, e a 5 de Julho passam para Hong Kong, no espaço da Chez Trente. A presença em Macau é especialmente significativa por se integrar no programa oficial das celebrações do Mês de Portugal e com a Grande Baía a servir de ponto de partida para o resto da Ásia.

Poucas semanas após a edição do novo single “Dança Comigo na Ilusão”, Afonso Cabral inicia esta viagem que o levará também ao Japão, com concertos agendados para Osaka, Kyoto, Nagoya e Tóquio entre 8 e 11 de Julho. A tournée acontece graças ao apoio do Programa Ibermúsicas, através da linha de “Apoio à circulação de profissionais da música”, na convocatória de 2025.

Afonso Cabral, nascido em Lisboa em 1986, tem sido uma presença recorrente na cena musical portuguesa. O seu percurso inclui projectos como os You Can’t Win, Charlie Brown, as bandas de Bruno Pernadas, Minta & The Brook Trout ou Mais Alto!. Como escritor ainda realizou trabalhos como “Perto”, interpretada por Cristina Branco, e “Anda Estragar-me os Planos”, escrita em parceria com Francisca Cortesão para o Festival da Canção 2018 e reinterpretada mais tarde por Salvador Sobral.

O percurso discográfico de Afonso Cabral conheceu ainda um novo capítulo no final de 2024, com a edição de “Demorar”, sucessor de “Morada”, lançado cinco anos antes. O álbum, construído em torno da sua voz, conta com a colaboração de dois nomes de peso, o músico japonês Shugo Tokumaru e Manuela Azevedo, vocalista dos Clã. O trabalho granjeou reconhecimento da crítica especializada, tendo sido distinguido com o terceiro lugar nas listas de melhores do ano da Blitz e da Radar. Uma das particularidades do disco é a presença marcante de influências nipónicas, visíveis tanto na faixa “Paraíso”, uma evocação a Haruomi Hosono, e noutro dueto gravado à distância entre Lisboa e Tóquio.

A afinidade de Cabral com o Japão não é um fenómeno recente. Antes da actual digressão, o músico já se tinha apresentado no país em diferentes contextos, nomeadamente ao lado de Bruno Pernadas, no Festival de Frue, e no WWW X, em Shibuya, em 2018, e novamente em 2022, no Fruezinho. Em 2023, regressou a Tóquio para um concerto a solo, no Kong Tong, com Minta & The Brook Trout.

Quem o acompanha agora na estrada é Pedro Branco, guitarrista cujo percurso transita entre o jazz e a pop independente. Membro dos You Can’t Win, Charlie Brown e fundador do projecto Old Mountain, Branco tem colaborado com uma vasta gama de artistas, de Tiago Bettencourt a Mazgani, passando por Lavoisier e Tipo. Em 2022, estreou-se a solo com “A Narrativa Épica do Quotidiano”. Actualmente, prepara um projecto que cruza jazz com o repertório de Marco Paulo, “Branco toca Marco Paulo”, enquanto lecciona no mestrado de Musicoterapia na Jazz Performance pelo Conservatorium van Amsterdam.

A digressão asiática de Afonso Cabral e Pedro Branco é promovida pela Louva-a-Deus, um espaço de música no coração de Lisboa que nasceu do desejo de criar um ponto de encontro para a comunidade musical após o encerramento do estúdio 15-A e da editora Pataca Discos devido à pressão do mercado imobiliário. O projecto, segundo a página oficial do estúdio, começou com a ambição de recuperar o mítico estúdio Xangrilá, em Campolide, mas o negócio não se concretizou. Mas agora encontram-se numa antiga igreja baptista, construída na cave de um edifício de habitação perto do Jardim Zoológico. É desta base que agora parte a música portuguesa contemporânea para a Ásia.

A entrada para o concerto na Casa Garden é gratuita, sem necessidade de reserva. A organização recomenda chegada antecipada devido à lotação do espaço. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 9 de junho de 2026

Macau - Enfrenta bloqueios estruturais ao empreendedorismo, diz académico

Um dos fundadores da competição sino-lusófona 929 Challenge insistiu que, apesar dos discursos oficiais sobre inovação e diversificação económica, Macau continua a impor barreiras práticas que dificultam a vida dos empreendedores, sobretudo estrangeiros


A sexta edição da competição de ‘startups’ foi anunciada na sexta-feira, com José Alves, reitor da Faculdade de Negócios da Universidade da Cidade de Macau, a apontar que o evento ajudou a criar consciência e diálogo sobre inovação e empreendedorismo, mas insistiu que Macau deve “ir além da retórica”.

Com uma economia profundamente dependente da indústria do jogo, as autoridades de Macau têm vindo a tentar diversificar a economia local para indústrias selecionadas, incluindo tecnologia, saúde, eventos culturais e finanças. “As políticas da cidade incentivam o empreendedorismo, mas persistem obstáculos práticos, sobretudo para fundadores estrangeiros. Um empreendedor estrangeiro pode registar uma empresa em Macau. Mas não pode operar sem uma autorização de trabalho”, disse.

Para o co-fundador da competição isto gera um “ciclo vicioso” e um “bloqueio estrutural” do sistema, em que regras de imigração, práticas de contratação pública e exigências de gestão de risco das empresas criam fricções que impedem novos projetos de avançar. “A economia de Macau continua altamente concentrada, com seis operadoras de jogo e 34 departamentos governamentais a dominar os recursos”, apontou.

Alves defendeu que estas operadoras e o Governo poderiam desempenhar um “papel decisivo” ao abrir projetospiloto e janelas de contratação em áreas como transformação digital, Inteligência Artificial (IA), eficiência energética ou turismo inteligente. “As ‘startups’ não precisam de caridade. Precisam de oportunidade”, sublinhou, alertando que “sem clientes iniciais e contratos” nenhum ecossistema de ‘startups’ “pode sobreviver”. “Consciência sem acesso gera frustração, e incentivo sem oportunidade gera estagnação”, afirmou, acrescentando que a diversificação permanecerá “uma aspiração em vez de um resultado mensurável”, sem “alinhamento entre política, ambição, e realidade administrativa”.

Desde a sua primeira edição em 2021, a competição atraiu mais de 1420 equipas e mais de 6000 participantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Portugal, Macau e Hong Kong.

As novidades para a edição deste ano da competição incluem uma parceria inédita com uma exposição de tecnologia e a colaboração com o Parque Científico e Tecnológico de Qianhai, em Shenzhen, uma expansão que a organização diz irá alargar o alcance do evento à zona da Grande Baía.

Os eventos principais da competição vão realizarse de 3 a 4 de dezembro de 2026 como parte da AIE Expo, uma exposição global de IA e tecnologia, realizada em paralelo no hotel-casino The Venetian Macao e em Zhuhai.

Segundo a organização, ao integrar pela primeira vez os eventos na AIE Expo, as ‘startups’ participantes terão acesso direto a mais de 900 expositores e 50 mil visitantes profissionais, incluindo compradores nas áreas da robótica, inteligência artificial, equipamentos inteligentes, saúde digital, mobilidade e eletrónica de consumo, além de parceiros da cadeia de fornecimento da Grande Baía e visibilidade junto de grandes marcas tecnológicas globais.

A edição de 2026 introduz ainda um programa de aceleração, uma iniciativa póscompetição para apoiar a entrada de ‘startups’ nos mercados da Grande Baía e de Macau, com estratégias de acesso ao mercado, formação para investidores, orientação regulatória e mentoria de mais de 100 especialistas. “A China está rapidamente a tornarse o ecossistema de inovação mais dinâmico do mundo. Com os nossos novos programas de Aceleração e Soft Landing, esperamos ajudar os fundadores a passar do ‘pitch’ [apresentações] ao mercado, construindo negócios reais, parceiros reais e clientes reais”, afirmou Marco Duarte Rizzolio, co-fundador do 929 Challenge.

O primeiro grupo de ‘startups’ deverá participar neste programa no início de 2027, com candidaturas abertas em dezembro de 2026. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 17 de maio de 2026

Portugal - Antigo embaixador e ministro António Martins da Cruz presente na conferência promovida pela Associação dos Novos Amigos da Rota da Seda

O antigo embaixador e ministro António Martins da Cruz considera que a “Espanha está a condicionar, de certo modo, alguma exclusividade que Portugal desfrutava em Macau”, alertando para a necessidade de as autoridades portuguesas terem mais presença na RAEM


Foi na palestra “Oriente e Ocidente – o Mundo em 2026”, que decorreu na sexta-feira em Lisboa, que o antigo embaixador e ministro dos Negócios Estrangeiros António Martins da Cruz deixou um alerta para o crescente peso que a Espanha está a ganhar no relacionamento com a China e, consequentemente, com Macau.

“Em Macau e na ilha de Hengqin todas as associações e institutos que conheço tinham como objecto o comércio e relações económicas entre a China e países de língua portuguesa, e agora em todos foi acrescentado Espanha, ou países de língua espanhola”, referiu no evento promovido pela Associação dos Novos Amigos da Rota da Seda (ANRS).

“Espanha está a condicionar, de certo modo, alguma exclusividade de que Portugal desfrutava em Macau”, acrescentou António Martins da Cruz, falando da mais recente visita oficial de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo da RAEM, a Portugal e Espanha.

“Desde Dezembro de 1999 que há uma tradição do Chefe do Executivo de Macau vir a Lisboa na primeira viagem que faz, mas, pela primeira vez, depois de Lisboa, foi a Madrid, onde até ficou mais umas horas do que tinha estado em Lisboa.”

À margem destas declarações, António Martins da Cruz disse ao HM que não acredita, porém, que haja uma grande mudança ou transição a curto prazo no relacionamento entre Macau e Portugal, com Espanha pelo meio. Mas o que é certo é que o país “passou a estar ao mesmo nível de Portugal sem nunca ter estado em Macau”, defendeu, referindo-se ao papel na administração do território e histórico que Portugal detém.

“Portanto, é uma coisa que pode afectar as empresas portuguesas”, frisou o responsável, que acredita que as autoridades de Macau, com este novo cenário, “estão contentíssimas, porque é mais um interlocutor”. No caso de Portugal, o que deve fazer para contornar esta questão é “intensificar as relações e aproveitar melhor Macau como plataforma, dando mais importância a Macau, e levando lá mais membros do Governo”.

António Martins da Cruz, que preside ao conselho de administração da OVIA – Oeiras Valley Investment Agency, tem sido, ele próprio, presença frequente na RAEM, declarando que vai novamente a Macau em Junho “com o secretário de Estado da Economia da Madeira”. “A Madeira interessa-se por Macau. Vou na qualidade de presidente da assembleia-geral da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira”, explicou.

Aproveitar a Grande Baía

António Martins da Cruz entende que “as empresas portuguesas devem aproveitar melhor a plataforma de Macau para o mercado da Grande Baía, que tem cerca de 80 milhões de habitantes e mais de 25 por cento do PIB [Produto Interno Bruto] chinês”, sendo “a zona mais rica da China”.

Porém, não deixou de destacar limitações no mercado interno de Macau. “Infelizmente, chegamos a Macau e nem há distribuidores de vinho e cerveja. E não há por uma razão: há 20 anos, os macaenses faziam isso e é preciso encontrar chineses que façam isso agora. Chegamos a Macau, e além do Banco Nacional Ultramarino e de dois ou três bancos, o que há? Três ou quatro empresas só. E temos de encontrar as nossas empresas e saber aproveitar as coisas, e daí partirmos para a Grande Baía.”

Não ouvir Bruxelas

Na sessão de sexta-feira não faltaram algumas farpas ao posicionamento que a União Europeia (UE) tem tido no relacionamento com a China, incluindo Portugal. “Esperemos que a UE ouça mais vezes as vozes do entendimento necessário e útil com a China ao invés de alguns que chegam, às vezes, de instituições de Bruxelas, para não dizer o nome do Parlamento Europeu, que por vezes dificultam o diálogo e acordos.”

António Martins da Cruz destacou que a “Europa tem, neste momento, outras preocupações e, sobretudo, uma indefinição total” em matéria de política externa. “A aproximação com a China passa por uma definição de políticas externas, mas não nos podemos esquecer do seguinte: temos 27 países na UE e, provavelmente, há seis ou sete que têm políticas externas. Os restantes têm políticas regionais”, destacou.

Martins da Cruz destacou “hesitações da Europa nas relações com a China”, relatando o exemplo de 2019, quando a UE, “por proposta da Comissão Europeia, aprovou uma posição estratégica, definido a China de três maneiras: um parceiro para a cooperação económica e negociação, um competidor económico e um rival sistémico”. “Ou seja, cabe quase tudo nesta indefinição propositada”, frisou, considerando que “continuaram as hesitações” em relação à China, sem se terem definido nunca “os riscos concretos” do relacionamento com o país.

Tal permite, na visão do antigo embaixador e ministro, “que cada um dos 27 Estados-membros definam, eles próprios, qual o conceito e critério de risco” neste relacionamento.

António Martins da Cruz entende que o caso da Huawei e da rede 5G, e o facto de ter merecido “diferente tratamento de diferentes países europeus é exemplo de que a Europa tem concepções diferentes de risco com a China”. “Até pensamos que algumas instituições em Bruxelas se esquecem que o comércio entre a UE e a China representa 29,6 por cento do comércio global e que a Europa importa da China 500 milhões de mercadorias por ano. Para termos uma ideia, o comércio entre a Europa e a China são 2 milhões por minuto. Se estivermos duas horas fechados nesta sala, o comércio entre a Europa e a China é de 240 milhões de euros. E há muitas capitais da Europa que têm tendência a esquecer isto.”

No contexto dos 27 países que fazem parte da UE, “Portugal tem todas as condições para ser o criador de dinâmicas positivas e aproveitando melhor a plataforma de Macau”, além de “facilitar investimentos chineses e reforçar as nossas linhas de comércio e de exportações para a China”.

O antigo embaixador lembrou ainda o facto de Portugal ter sido “um dos poucos países da UE que assinou com a China, na última visita do Presidente Xi Jinping, um memorando sobre a participação de Portugal na Nova Rota da Seda”.

Martins da Cruz realça estratégias de longo-prazo de Pequim

A conferência protagonizada por António Martins da Cruz aconteceu no mesmo dia em que terminou a visita à China do presidente norte-americano Donald Trump. O antigo embaixador defendeu que serão necessários “alguns dias ou semanas para ler os sinais dos resultados dessa visita”, devendo o relacionamento entre os Estados Unidos da América (EUA) e China ser analisado “sob os prismas estratégico, político e económico”. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Timor-Leste – Quer reforçar ligação à China com consulado na Grande Baía

O delegado de Timor-Leste junto de um fórum sino-lusófono disse que recomendou ao Governo de Díli a abertura de uma representação diplomática em Macau ou Hong Kong, com um olho na Grande Baía


António Ramos da Silva defendeu que o país deveria criar um consulado ou consulado honorário, “considerando a importância estratégica“ das duas regiões no projeto da Grande Baía.

Este é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

O delegado timorense junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) disse que o cargo deveria ter uma missão alargada.

Num relatório dirigido ao executivo de Timor-Leste e enviado à Lusa, Ramos da Silva apontou para os “novos desenvolvimentos” da Grande Baía nas áreas comerciais, culturais e tecnológica. In “Plataforma” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 27 de março de 2026

Macau - Instada a liderar cooperação de Finanças Verdes entre os países lusófonos e a Grande Baía

Macau - Instada a liderar cooperação de Finanças Verdes entre os países lusófonos e a Grande Baía


Macau deve investir na cooperação internacional de finanças verdes através da sua conectividade com o mercado dos países de língua portuguesa e da Grande Baía, defendeu Ip Sio Kai, presidente da Associação de Bancos de Macau, no Fórum Verde desta edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF).

“[A RAEM] deve reforçar a cooperação em matéria de finanças verdes entre as instituições financeiras da Grande Baía e dos países de língua portuguesa, bem como estudar, criar um quadro de articulação entre as normas de finanças verdes da Grande Baía e da União Europeia”, observou.

A proposta de Ip Sio Kai foi apresentada na primeira sessão do Fórum Verde, que decorreu ontem e que foi ao mesmo tempo o 2.º Fórum de Desenvolvimento do Mercado Global de Crédito de Carbono, onde foram abordados temas como investimentos ESG (Environmental, Social and Governance), obrigações verdes e finanças de carbono digitais.

Na opinião do também deputado, Macau tem vantagens como a plataforma sino-portuguesa e as “relações de amizade de longa data” com os países de língua portuguesa, pelo que é oportuno desenvolver-se, no aspecto económico, numa ligação com os mercados financeiros entre os países lusófonos e o interior da China.

Para avançar com a cooperação de finanças verdes a nível internacional, Ip Sio Kai salientou que será necessário criar, primeiro, um mecanismo de reconhecimento mútuo de normas ecológicas entre a Grande Baía e a União Europeia, que servirá para clarificar e unificar os limites normativos, métodos de medição e indicadores de divulgação de informação em domínios como obrigações verdes, crédito verde e certificação ESG. A iniciativa pode, assim, aumentar a compatibilidade e a interconectividade das partes em termos de finanças verdes, apontou o responsável.

Ip Sio Kai sugeriu ainda que as instituições financeiras locais lancem produtos financeiros verdes inovadores que se adaptem aos padrões do mercado internacional, o que “ajudará as empresas de qualidade da China continental a aceder aos mercados de língua portuguesa e espanhola através de Macau”.

Com estes produtos financeiros verdes, Ip Sio Kai espera também atrair capital de qualidade dos países de língua portuguesa a participarem na construção de projectos de indústrias verdes na Grande Baía, concretizando, assim, o fluxo bidirecional de capital.

As “Finanças Verdes”, conceito que existe há algum tempo e que tem vindo a ser promovido graças ao Acordo de Paris, são um conjunto de práticas que visam mobilizar e também aumentar o fluxo de recursos financeiros dos sectores público, privado e sem fins lucrativos, para as prioridades de desenvolvimento sustentável. O objectivo da iniciativa é alcançar a melhor gestão dos riscos ambientais e sociais, ao mesmo tempo que encontrar oportunidades tanto para uma taxa de rendibilidade razoável como benefícios ambientais.

Projectos sobre o carbono

A sessão ontem do Fórum Verde contou ainda com a participação de vários especialistas de áreas como neutralidade de carbono, políticas da sustentabilidade, bem como tecnologias verdes e serviços de carbono.

Jiang Kejun, professor da Neutralidade do Carbono e das Alterações Climáticas da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (Cantão), abordou na ocasião a necessidade de acelerar a redução de emissões no contexto do aumento rápido da temperatura global. O académico recorreu como exemplo ao interior da China, onde há uma utilização cada vez maior de energia renovável, bem como a “quase zero-emissão” dos meios de transporte.

Por sua vez, Wu Linqiang, representante do Centro de Estudo do Serviço Geológico da China, dedicou o seu discurso à indústria de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês), que são tecnologias que separam, recolhem e transportam o dióxido de carbono proveniente de emissões industriais para locais adequados para armazenamento ou reutilização.

O orador sublinhou que os projectos da CCS estão em crescimento a nível mundial e, até Novembro do ano passado, a capacidade de armazenamento cumulativa global atingiu 383 milhões de toneladas. Na China Continental há 120 projectos da CCS em funcionamento, cuja maioria pertence ao sector da electricidade, indústria química do carvão e petroquímica.

“Um sistema tecnológico preliminar da CCS foi estabelecido na China, conferindo-lhe um certo nível de influência no panorama internacional”, afirmou Wu Linqiang, acrescentando que os projectos da CCS na China apresentam vantagens do baixo-custo em comparação com o exterior.

O especialista prevê uma expansão do mercado da CCS devido à “enorme procura” de redução de emissões. Segundo estima Wu Linqiang, até 2050, as reduções globais de emissões provenientes da CCS serão 120 vezes superiores ao nível actual. Citou ainda as previsões da consultora McKinsey a apontar que, até 2050, a indústria global da CCS irá impulsionar um investimento directo anual de 2,78 mil milhões de dólares americanos, o que mostra oportunidades de os projectos da CCS se tornarem em “activos de infraestrutura robustos”.

“Transição verde” das empresas

A Bolsa Internacional de Emissões de Carbono de Macau (MEX), enquanto primeira bolsa de emissões de carbono da cidade, deixou na mesma sessão do Fórum Verde o compromisso de trabalhar para a transição verde das empresas e a modernização da indústria com baixas emissões de carbono no território.

Lu Minfang, sócio do Fundo Yunfeng e administrador da MEX, adiantou o plano de orientar mais capital de qualidade para o sector verde e de baixo carbono, com vista a “apoiar a concretização de projectos que combinem benefícios ambientais e valor social”. O empresário notou que com o aumento contínuo da atenção global em relação ao ESG e às finanças verdes, os créditos de carbono tornaram-se uma “direcção importante” na alocação global de activos. “O objectivo do estabelecimento da MEX é, a partir de Macau, construir uma plataforma de transacção de créditos de carbono aberta, transparente, eficiente e baseada na confiança mútua, promovendo o reconhecimento mútuo de padrões, a interligação de activos e a interconectividade dos mercados entre regiões”, lembrou Lu Minfang.

Neste caso, a MEX aguarda por uma maior cooperação com instituições financeiras, promotores de projectos de carbono e fornecedores de tecnologia, em termos de melhorar as regras de negociação e introduzir normas internacionais e aplicar tecnologias digitais, com ambição de “criar uma janela conveniente e regulamentada para a participação de parceiros globais no mercado de carbono da Ásia-Pacífico”, concluiu. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 10 de março de 2026

Macau - Ministério Público quer cidade como interlocutor legal entre a China e a lusofonia

O Procurador-Geral de Macau, Tong Hio Fong, apontou que o Ministério Público da cidade irá desempenhar um papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos


Durante as Duas Sessões que decorrem em Pequim, o Governo Central da China voltou a destacar o papel estratégico de Macau na ligação com os países de língua portuguesa.

O relatório de trabalho apresentado pelo primeiro-ministro, Li Qiang, sublinhou que a região semi-autónoma deve potenciar as suas vantagens únicas e aprofundar a sua função como plataforma de interligação entre o interior da China e o espaço lusófono, de modo a promover "prosperidade e estabilidade a longo prazo".

Segundo destacou agora o Ministério Público, num comunicado de reação às Duas Sessões, a Região Administrativa Especial de Macau será consolidada como plataforma de cooperação judiciária e comunicação profissional, de modo a aproximar sistemas legais e promover intercâmbio entre magistrados e instituições dos países de língua portuguesa.

O mesmo organismo pretende aprofundar a colaboração na área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (ilha da Montanha), mas sempre com a perspetiva de que Macau deve servir como "cabeça-de-ponte" para a abertura da China ao mundo lusófono.

A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projeto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.

Segundo Tong, o objetivo é que Macau se afirme cada vez mais como "elo privilegiado entre a China e a comunidade internacional de língua portuguesa", contribuindo para o desenvolvimento nacional e para a consolidação da sua posição estratégica dentro da política `Um País, Dois Sistemas`.

Nos planos governativos de Macau para 2026 está incluído a celebração de um acordo para auxílio judiciário mútuo em matéria penal com Angola.

Angola e a China continental assinaram em 2006 um tratado de extradição, que só foi aprovado pelo Parlamento angolano em 2011, tendo sido ratificado pelo Governo de Luanda dois anos mais tarde.

De acordo com as Linhas de Ação Governativa para o próximo ano Macau quer também começar a negociar um "acordo sobre a confirmação e execução recíprocas de decisões judiciais em matéria civil e comercial" com Portugal.

No entanto, o documento não refere qualquer data para a conclusão das negociações e a eventual assinatura de um acordo afinal.

Macau e Portugal assinaram em 2019 um acordo relativo à entrega de infratores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa.

O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos na Assembleia da República. In “RTP” – Portugal com “Lusa”


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

China - Futebol da Escola Portuguesa de Macau ganha experiência num Torneio Internacional Juvenil

A Escola Portuguesa de Macau está a participar no Torneio Internacional Juvenil da China, em Zhuhai, destinado a equipas de futebol da Grande Baía e algumas estrangeiras. A formação do território, Sub-18, é a única a nível escolar e terá como adversários dois conjuntos chineses e um da Coreia do Sul. Para um dos treinadores, Luís Moura, o convite “foi uma surpresa” e vai permitir preparar os jovens para o campeonato escolar do próximo ano lectivo


Uma formação de futebol representativa da Escola Portuguesa de Macau (EPM) foi convidada a participar na primeira edição do Torneio Internacional Juvenil “Futuras Estrelas”, que arrancou no Continente, mais concretamente na Academia Desportiva de Zhuhai.

A EPM é a única formação escolar da prova. Os restantes participantes são clubes da Grande Baía, que se dedicam aos escalões etários mais jovens, e ainda três formações da Coreia do Sul. “O convite foi uma surpresa, uma vez que se trata de uma competição que se realiza pela primeira vez”, disse ao Jornal Tribuna de Macau o treinador Luís Moura, que faz dupla com Arlindo Serro.

A base da equipa é o escalão A, de jogadores com idade inferior a 18 anos, que ficou esta temporada em quarto lugar no campeonato promovido pelos Serviços de Educação, mas a comitiva integra ainda alguns elementos do escalão B, com estudantes mais novos, tendo como objectivo “preparar o conjunto para as provas escolares do próximo ano lectivo”, sublinhou Luís Moura.

O “onze” da EPM integra um dos quatro grupos da prova, cabendo-lhe defrontar duas equipas do Continente e uma sul-coreana. Os dois primeiros de cada série seguirão para a fase seguinte, enquanto os restantes farão mais alguns jogos para discutir o troféu de consolação.

“Vamos ter dificuldade em conseguir o apuramento, uma vez que as restantes equipas têm bastante qualidade”, observa o treinador, que considera ser muito importante competir neste nível superior.

O técnico dos jovens estudantes destaca a “disponibilidade” demonstrada pelo director da escola, Acácio de Brito, assim como dos pais, porque “sem a aceitação deles não seria possível a participação”, admite. Acrescenta que “muitos dos alunos têm exames nacionais e por isso teria de haver um esforço da parte de todos, o que aconteceu, para que pudéssemos estar presentes”.

A delegação está instalada na própria Academia de Zhuhai, recinto que dispõe de “condições excelentes”, frisou Luís Moura, para quem o Centro é “de alto nível”, integrando 12 campos relvados e vários serviços de apoio, como ginásios, restaurantes e dormitórios.

O torneio é organizado pelo Grupo Soka de Guangdong, contando com o apoio da Fundação Chinesa para o Desenvolvimento do Futebol e a orientação da Associação Provincial de Futebol da Província de Guangdong, da Escola Técnica Soka de Zhuhai e do Centro Económico e Comercial China-Portugal de Hengqin. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

China - Sector financeiro de Macau foi a Cantão e Foshan para promover investimento nos Países de Língua Portuguesa

Visitas a empresas sediadas em Cantão e Foshan e sessões promocionais com foco nas operações práticas do negócio nos mercados dos países de expressão portuguesa (PLP), preencheram o programa da recente deslocação de uma delegação de representantes de instituições financeiras de Macau àquelas cidades da Grande Baía. As acções coordenadas pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) visaram promover oportunidades de negócios e investimento para as empresas que desejam expandir-se para os mercados dos PLP.


No primeiro de dois dias, teve lugar em Foshan a sessão de promoção “Aproveitar as Oportunidades de Cooperação Sino-Lusófona, Expandir o Comércio e Investimento da Estratégia do Oceano Azul”, co-organizada pelo IPIM e pela Associação de Importação e Exportação do Distrito de Shunde. Instituições financeiras de Macau e Foshan abordaram questões de operações práticas, como a liquidação comercial nos PLP e a mitigação dos riscos de câmbio, “proporcionando explicações profissionais e contando com a participação de mais de 130 representantes de associações comerciais da região”, segundo o IPIM.

Na ocasião, Sam Lei, vogal do Conselho Administrativo do organismo, frisou que a RAEM está empenhada em reforçar o papel de “elo de ligação infalível” entre a China e os PLP.

Os representantes das empresas participantes “reagiram de forma entusiástica”, sublinha o IPIM, referindo que uma mostrou interesse em aproveitar a plataforma de Macau para explorar ainda mais o potencial de desenvolvimento no Brasil e em Portugal. O objectivo é utilizar os serviços financeiros oferecidos pelas instituições de Macau, abrangendo o financiamento transfronteiriço, facilitação de liquidação e soluções de gestão de riscos adaptadas aos PLP.

Antes e depois da sessão de promoção, a delegação visitou quatro empresas de referência do sector de Cantão e Foshan com “expressas intenções” de desenvolvimento nos mercados dos PLP, em áreas-chave como manufactura de ponta, ‘big health’, medicina tradicional chinesa, comércio de consumo intensivo e engenharia de transportes ferroviários, apresentando em detalhe os serviços e suporte que Macau pode oferecer para a ligação ao mercado sino-lusófono. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 6 de dezembro de 2025

Macau - “Livro Branco” delineia desafios, avanços e papel da RAEM na cooperação sino-lusófona

A Universidade da Cidade de Macau apresentou o “Livro Branco sobre a Cooperação Científica e Tecnológica entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, de Bárbara Pinto de Morais. A investigadora identificou um conjunto de desafios para as relações sino-lusófonas, reconhecendo alguns progressos, e deixa sugestões para o papel de Macau enquanto plataforma de ligação


A cooperação científica sino-lusófona “atravessa uma fase de transformação significativa”, de acordo com Bárbara Pinto de Morais, investigadora e autora do recente Livro Branco sobre a Cooperação Científica e Tecnológica entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP). A publicação, que foi apresentada esta semana pela Universidade da Cidade de Macau, identifica a “existência de assimetrias de financiamento, barreias institucionais e constrangimentos geopolíticos” como os principais desafios para as relações sino-lusófonas.

Contudo, Bárbara Pinto de Morais reconheceu a consolidação de “parcerias em sectores de alta tecnologia” entre Portugal e Brasil e os esforços que os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste tem centrado “em programas de capacitação e desenvolvimento social”. Além disso, a autora defende que a economia azul constitui “uma área de elevado potencial para a cooperação futura”, refere um comunicado de imprensa.

O Livro Branco inclui também quatro linhas condutoras para a RAEM, nomeadamente “a modernização da função de Macau enquanto plataforma sino lusófona”, “a construção de um polo internacional de inovação envolvendo Macau, a Grande Baía e os PLP”, “a implementação de um sistema integrado de formação de talento bilingue e especializado” e o “reforço das ligações económico-tecnológicas, com vista a posicionar Macau como ‘hub’ do ‘Sul Global’”.

O Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa, entidade que organizou a apresentação do livro, salientou que o livro “representa o primeiro estudo consolidado em Macau dedicado à análise sistemática da cooperação científica e tecnológica entre a China e os nove PLP”. Para o Instituto, o Livro Branco constitui “uma nova linha de investigação contínua”.

João Simões, professor do Instituto, referiu que “o Livro Branco nasceu num momento de intensificação acelerada da competição tecnológica global e de crescente reconhecimento de que a ciência e a tecnologia deixaram de ser simples instrumentos de desenvolvimento”.

Por seu turno, o professor Ip Kuai Peng, vice-reitor da Universidade da Cidade de Macau e director do Instituto, afirmou que “a instituição tem desempenhado um papel estruturante na formação de talentos qualificados e na produção de conhecimento orientado para o desenvolvimento sustentável das relações entre a China e o espaço lusófono”.

Para o vice-reitor, “a cooperação sino-lusófona em ciência e tecnologia tornou-se uma força motriz essencial para o aprofundamento de parcerias multilaterais”.

Zhou Ping, director do Centro de Investigação “Belt and Road” da Universidade da Cidade de Macau disse esperar que “as conclusões do estudo possam servir de referência prática para decisores públicos e operadores económicos na promoção de uma cooperação mais equilibrada e sustentável”. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 29 de novembro de 2025

Timor-Leste destaca acordo aéreo com Macau

O Governo timorense sublinhou a importância do Acordo de Serviços Aéreos, em preparação para ser assinado entre Macau e Timor-Leste, pela possibilidade que abre aos voos aéreos diretos do país para a região chinesa da Grande Baía

Num discurso no Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), que abriu uma sessão de promoção do investimento em Timor-Leste, o ministro timorense para o Planeamento e Investimento Estratégico (MPAE), Gastão Francisco de Sousa, sublinhou a importância do acordo, pela “possibilidade de estabelecer ligações aéreas diretas entre Timor-Leste, Macau e a Grande Baía”.

O voo semanal entre Díli e Xiamen, na província chinesa de Fujian, “continua a reforçar as ligações” entre Timor-Leste e China, sublinhou o dirigente, referindo-se à única rota aérea direta entre os dois países, inaugurada em fevereiro.

Referindo-se ainda ao plano de ação trienal do Fórum de Macau, o ministro timorense destacou as medidas previstas no setor financeiro ao incluir o “uso da moeda chinesa, o renminbi (RMB), no comércio bilateral”, e saudou “a abertura dos mercados financeiros chineses ao investimento externo”.

“Para Timor-Leste, esta cooperação permitiria apoiar a comunidade empresarial chinesa em Díli, reforçar fluxos de investimento e aprofundar a integração regional, sobretudo no contexto da ASEAN [Associação de Nações do Sudeste Asiático]”, organização à qual Timor-Leste aderiu formalmente em outubro.

O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, destacou na semana passada a prioridade dada à “promoção do renmimbi” nas trocas comerciais com os mercados lusófonos.

Sam Hou Fai recordou que, em maio, os bancos centrais da China e do Brasil assinaram um memorando de cooperação estratégica financeira e renovaram um acordo bilateral de linhas de câmbio nas moedas locais.

Pequim, uma das principais capitais promotoras do Brics Pay – sistema de pagamentos dos BRICS, alternativo ao Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (SWIFT, dominado pelo dólar, e instrumento usado frequentemente pelo Ocidente para a imposição de sanções), tem procurado internacionalizar o renmimbi, moeda que não é inteiramente convertível em outras moedas.

Gastão Sousa, que está em Macau quando Timor-Leste comemora os 50 anos da proclamação unilateral da independência em 28 de novembro de 1975, saudou ainda o aprofundamento da “cooperação prática com a China em vários setores prioritários”.

“Nas pescas, trabalhamos com a Direção-Geral de Pescas para garantir que a cooperação no âmbito do Fórum de Macau esteja alinhada com a nossa Política para a Economia Azul, acolhendo investimentos de grande dimensão, como o projeto da Guangxi Yanxi Fishery Development, através da Timor Sea Fishery Development, num valor equivalente a 685 milhões de dólares”, pontuou o ministro.

Já no setor da agricultura, o governante timorense sublinhou a importância da cooperação entre sete municípios de Timor-Leste e a província de Hunan, na China, especialmente na produção de arroz e no desenvolvimento turístico agrícola.

“Acolhemos igualmente o investimento plurifásico do Grupo Caizi China, no valor de mil milhões de dólares, já iniciado com a construção da fábrica de manufatura em Ulmera e do ‘resort’ integrado em Tíbar, Liquiçá”, concretizou.

O governante deixou um convite às entidades oficiais de Macau e aos empresários presentes na sessão a explorarem “oportunidades nos setores do turismo, agricultura, energia renovável, economia azul, serviços digitais, transporte e logística” e ainda à construção de parcerias nos setores do conhecimento e da tecnologia. In “Plataforma” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Macau - Sugerido “apoio especial” do Governo em prol de voos directos com Portugal

O director do Departamento de Marketing da CAM disse que há algumas “dificuldades” no que respeita à criação de um voo directo entre Macau e Portugal, mas a empresa continua a tentar incentivar companhias aéreas a desenvolver essas rotas. Eric Fong defendeu, em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, que o Governo da RAEM deve criar um “apoio especial”. Além disso, afirmou, deve tentar negociar a atribuição de subsídios, juntamente com a autoridade de aviação civil de Portugal, à companhia para que os custos possam ser reduzidos


A Sociedade do Aeroporto de Macau (CAM) “tem impulsionado companhias aéreas a desenvolver rotas directas ou de transferência ligadas a Portugal”, revelou Eric Fong, director do Departamento de Marketing da empresa, mas não é uma tarefa fácil. “Ainda continuamos a esforçar-nos no aspecto dos voos directos”, prosseguiu, em declarações ao Jornal Tribuna de Macau.

No entanto, sobre esta ambição, Eric Fong apontou que “actualmente, ainda existe um certo grau de dificuldades” e deverá ser preciso um “período de incubação muito longo”, dados os “custos muito elevados”, o mercado e outras considerações comerciais. Segundo notou, ainda não há transportadoras interessadas em lançar esta ligação de longa distância.

“Por isso, sugerimos ao Governo da RAEM que crie um apoio especial. E propomos também que [o Governo] e a autoridade de aviação civil de Portugal negociem para proporcionar subsídios à companhia aérea [operadora] e aos passageiros, no sentido de assegurar que a companhia diminua os custos o mais possível, antes do lançamento dos voos. Penso que, desse modo, tornar-se-ia mais provável ser desenvolvida esta rota aérea de longa distância”, analisou Eric Fong.

Segundo o responsável, actualmente, alguns passageiros de Macau recorrem à rota Incheon (Coreia do Sul) – Lisboa, operada pela Korean Air. Além disso, afirmou que a CAM tem mantido contacto com a Air Macau, na esperança de a companhia de bandeira da RAEM aproveitar a rede da Air China, empresa mãe, para concretizar uma ligação entre Macau e Pequim (Daxing) e a transferência de Daxing para a Europa.

Por outro lado, Eric Fong referiu que a CAM aposta também nos voos de ligação de “bilhete único com bagagem transferida até ao destino final”, principalmente através de várias transportadoras de grande dimensão, como a China Eastern Airlines, a China Southern Airlines, a Korean Air, entre outras. Sob este modelo, os voos partem de Macau para Pequim, Seul, Taiwan, Kuala Lumpur, Singapura, ou Banguecoque, para depois levar os passageiros ao Canadá, EUA, Europa, Austrália, Egipto e Índia, explicou.

“Há muitos passageiros que partem de Macau para ir ao Canadá, tendo o volume de passageiros registado um certo aumento… Além disso, temos promovido constantemente este serviço [voos de ligação] na Grande Baía, de modo a que os turistas da Grande Baía ou dos países europeus ou americanos possam viajar para Macau desta forma”, destacou.

Este ano, CAM procedeu igualmente a várias negociações com companhias aéreas australianas e europeias, “especialmente com a Turkish Airlines”, para promover rotas “charter” de média e longa distância com escala em Macau, através da cooperação com transportadoras e agências de viagens, apontou Eric Fong.

“Em relação às rotas ‘charter’, será um pouco difícil promover esta área a depender apenas da população de Macau. Por isso, temos negociado com algumas agências de viagens e empresas ‘charter’ de grande dimensão do Interior da China, para perceber se estão interessadas em promover, juntamente com a Turkish Airlines e companhias aéreas australianas, voos de ligação. Esperamos que, enquanto o único aeroporto internacional na parte oeste da Grande Baía, o Aeroporto de Macau possa atrair pessoas desta parte da Grande Baía – como de Jiangmen e de Zhongshan -, a partirem de Macau para se deslocar ao Médio Oriente. As companhias aéreas já manifestaram esta vontade, se conseguirmos ligar todas as cadeias de abastecimento envolvidas”, afirmou o responsável.

Segundo exemplificou, a CAM está “bastante interessada” na Turkish Airlines, desejando promover voos de ligação que partam da Turquia e, recorrendo à partilha de códigos, transportem depois os passageiros para o Interior da China, o Sudeste Asiático e o Nordeste da Ásia com aviões da Air Macau. Nesta vertente, Eric Fong sublinhou que a CAM “se tem esforçado” e que as negociações “nunca pararam”.

Por outro lado, a lei da actividade de aviação civil entrará em vigor no dia 1 de Fevereiro do próximo ano. Segundo Eric Fong, até agora, nenhuma companhia aérea manifestou um interesse claro em prestar serviços de transporte aéreo de passageiros em Macau, mas algumas transportadoras pediram à CAM informações sobre questões operacionais e requisitos. Entre as companhias que contactaram a CAM, “há algumas tradicionais e algumas estrangeiras”, apontou.

Centros de Serviços em Shenzhen e Zhongshan

Ademais, o responsável notou que o Centro de Serviço do Aeroporto de Macau em Zhuhai entrou em funcionamento a 2 de Julho, em Gongbei, tendo vindo a atender principalmente passageiros das regiões vizinhas e prestando serviços de marcação de bilhetes de avião e consulta de informações sobre os voos e a passagem fronteiriça.

Eric Fong adiantou que mais dois centros de serviço do género deverão entrar em funcionamento no 4º trimestre deste ano em Shekou, Shenzhen, e no Porto de Zhongshan, estando a CAM a “negociar alguns pormenores” e a “proceder à decoração”. Segundo revelou, esses centros vão fornecer informações sobre os voos, mas também prestar o serviço de transferência de transporte marítimo e aéreo entre esses terminais marítimos e o Aeroporto de Macau.

“Vamos promover um serviço que permitirá aos passageiros que partem dos terminais de Shekou e do Porto de Zhongshan, depois da chegada ao Terminal da Taipa, apanharem autocarros rápidos ligados ao Aeroporto de Macau e usarem o serviço de ‘uma única inspecção’ alfandegária, para ir directamente para o Japão ou Coreia do Sul, por exemplo. Como são considerados passageiros de transferência, podem receber um reembolso de imposto de 110 patacas e ver as bagagens directamente transferidas para o destino”.

A rede de serviços de transferência de transporte marítimo e aéreo da CAM irá abranger ainda o Porto de Wanzai, Zhuhai, e o Terminal Marítimo do Porto Interior, cujas instalações e serviços “já se encontravam prontos na primeira metade deste ano”. Porém, actualmente, a sociedade continua em negociações com as autoridades do Interior da China sobre “alguns detalhes”, não prevendo um calendário para o lançamento do serviço, no âmbito do qual será também disponibilizado o serviço pago de autocarros rápidos para o Aeroporto de Macau aos passageiros que chegam ao Terminal do Porto Interior vindos do Porto de Wanzai. Como este tipo de passageiros goza do reembolso de imposto, o serviço é “basicamente gratuito”, notou Eric Fong.

“Low-cost” absorvem 26% dos passageiros

Eric Fong revelou ainda que, entre Janeiro e Julho deste ano, 74% dos passageiros do Aeroporto de Macau apanharam voos de companhias aéreas tradicionais enquanto 26% escolheram transportadoras “low-cost”. Segundo indicou, no mesmo intervalo temporal, a taxa de ocupação dos voos “low-cost” superou 80%, ao passo que as companhias aéreas tradicionais verificaram uma taxa de ocupação de cerca de 75%. “Normalmente, as companhias aéreas ‘low-cost’ registam uma taxa de ocupação de voos entre 80% e 85%”, acrescentou.

Além disso, adiantou ainda que, nos primeiros sete meses do ano, o número total de passageiros do Aeroporto registou uma quebra anual de 4%, enquanto o volume de voos ficou também aquém do verificado no período homólogo de 2024. Relativamente à origem dos passageiros, os residentes representavam 11%, seguindo-se os do Interior da China (57%), os estrangeiros (17%), os de Hong Kong (1%) e os de Taiwan (14%). Neste aspecto, observou que a percentagem dos passageiros do Continente chinês caiu dois a três pontos percentuais, em termos anuais. Ainda assim, notou que a situação se manteve semelhante ao habitual.

Eric Fong adiantou ainda que, no final de Setembro, vai ser lançada uma rota entre Macau e a ilha de Phu Quoc, Vietname, com dois voos por semana. E quase na mesma altura ou no início de Outubro, Macau terá uma nova ligação a Sihanoukville, Camboja, também com dois voos semanalmente. Já no início de Novembro será inaugurada a rota Macau-Cheongju, Coreia do Sul, com quatro voos por semana.

Na esfera do Interior da China, o responsável mencionou que, no próximo dia 10 de Setembro, vão ser iniciados voos entre Macau e Nanchang, capital da província de Jiangxi, servidos por aeronaves COMAC C909, com três voos por semana. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau